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	<title>Arquivos Pronera - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 05 Dec 2025 14:57:45 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Pronera - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>A nova cara da medicina no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Dec 2025 21:35:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<category><![CDATA[medicina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caruaru (PE) — “Nós temos políticas de saúde importantes e que poderiam andar lado a lado com as da medicina tradicional, essas dos hospitais”. Formada em História e professora, Ana Cláudia Mendes, 35 anos, quilombola de Conceição das Crioulas, agora é uma das 80 pessoas estudantes do curso inédito de Medicina exclusivo para assentados da [&#8230;]</p>
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<p><strong>Caruaru (PE) —</strong> “Nós temos políticas de saúde importantes e que poderiam andar lado a lado com as da medicina tradicional, essas dos hospitais”. Formada em História e professora, Ana Cláudia Mendes, 35 anos, quilombola de Conceição das Crioulas, agora é uma das 80 pessoas estudantes do curso inédito de Medicina <a href="https://marcozero.org/por-que-curso-de-medicina-para-assentados-e-quilombolas-virou-alvo-de-ataques-e-fake-news/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">exclusivo para assentados da reforma agrária e quilombolas</a>, numa parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), no Centro Acadêmico do Agreste (CAA), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



<p>De Salgueiro, sertão central de Pernambuco, a 550 quilômetros do Recife, Ana Cláudia quer dar um olhar diferente à saúde. “A gente não vai mais olhar o médico como sendo só ele a pessoa que tem todo o saber. A gente vai poder olhar para ele de igual para igual”, comemorou, durante a solenidade de abertura do curso, na última terça-feira, 2 de dezembro, no campus de Caruaru.</p>



<p>Após ser alvo de fake news e discurso de ódio por parte da extrema direita e de repúdio por algumas associações médicas, como o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), a UFPE enfrentou uma <a href="https://marcozero.org/reitor-da-ufpe-garante-que-vai-ate-as-ultimas-instancias-em-defesa-do-curso-de-medicina-para-assentados-e-quilombolas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">batalha judicial</a> que durou quase três meses e atrasou o cronograma do edital.</p>



<p>As atividades começaram esta semana com a universidade tendo <a href="https://marcozero.org/ufpe-tem-nova-vitoria-na-justica-federal-e-retoma-edital-de-medicina-do-pronera/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vencido ao menos três ações na Justiça Federal</a>. Política pública consolidada, com quase três décadas de existência e criada no governo de Fernando Henrique Cardoso, o Pronera já formou quase 200 mil estudantes em 545 cursos em todos os estados brasileiros, da alfabetização à pós-graduação. Mas nunca em curso médico.</p>



<p>Agora alunas como Ana Cláudia vão poder estudar, numa turma extra de Medicina, para atuarem em seus territórios de origem — ou onde mais desejarem —, aliando o conhecimento acadêmico ao das parteiras, da medicina tradicional e das benzedeiras, por exemplo.</p>



<p>Conhecida pela luta e defesa da educação escolar quilombola, Conceição das Crioulas, formada no século XVIII por seis mulheres negras, tem 100% de seus professores oriundos do próprio território, além de currículo e projeto político-pedagógico específicos. Para Ana Cláudia, cursar Medicina pelo Pronera é mais uma vitória dessa construção coletiva.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ana Cláudia Mendes, 35 anos, do Quilombo Conceição das Crioulas é uma das estudantes
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>“A educação escolar quilombola nos dá base para seguirmos do meio educacional para a área da saúde e também para outras profissões. A gente costuma dizer para nossos jovens — e também seguimos essa política — que nós podemos ocupar todos os lugares e todas as profissões. Nós podemos tudo”, afirma.</p>



<p>“Foi muito tempo de exclusão e de expropriação dos nossos direitos. Então todas as oportunidades que nós conseguirmos, a partir de nossa luta, é necessário que a gente as vivencie. Nós somos o eco do sonho dos nossos ancestrais”, complementa Ana Cláudia, que agora entra na universidade com outros dois quilombolas de Conceição das Crioulas.</p>



<p>“Nós temos uma responsabilidade muito grande que é vir para a academia, para esse ambiente, sobretudo esse de Medicina, que costuma ser um curso elitizado, de pessoas brancas. Por isso também a gente enfrentou esse embate todo, com denúncias contra o curso e paralisação do processo seletivo. E que bom que conseguimos seguir e hoje estamos fazendo a aula inaugural”, comemora.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/54959701792_7f382ba74c_c.jpg" alt="A foto mostra um grupo de pessoas alinhadas segurando diversas bandeiras e cartazes de movimentos sociais e instituições. Elas estão em um ambiente interno com várias pessoas sentadas ao redor, aplaudindo a apresentação. A cena faz parte cerimônia de abertura do curso de Medicina pelo Pronera na UFPE campus Caruaru." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Os 80 estudantes do novo e inédito curso de Medicina foram recebidos em solenidade na UFPE
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Ana Cláudia vai estudar com pessoas de vários estados do país, entre eles Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Ceará, Acre, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. Cada aluno contará com suporte financeiro para alojamento, alimentação e transporte durante o curso. </p>



<p>Mais de mil candidatos se inscreveram no processo seletivo, que teve cerca de 600 inscrições homologadas. Aproximadamente 400 estudantes foram a Caruaru realizar a prova de redação, que somou-se ao histórico escolar, conforme previa o edital. Muitas, por não conseguirem arcar com o deslocamento, não realizaram a prova. Dos 80 aprovados, 59 são mulheres.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-campones-e-a-medicina/" class="titulo">O camponês e a medicina</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/opiniao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Opinião</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Do sonho coletivo à realidade, da ausência ao acesso</strong></h2>



<p>Quem também está vendo o sonho virar realidade são as jovens Maria Eduarda Nogueira, 18 anos, do assentamento do MST Virgulino Ferreira, em Serra Talhada, sertão pernambucano (foto que abre esta repostagem), e Amanda Paulino, 19 anos, do Movimento Atingidos por Barragens (MAB), de Jaguaribara, interior do Ceará. Militantes, filhas dos movimentos sociais, elas vivem uma mesma realidade: a falta de médicos e de transporte para acessar os serviços de saúde distantes de onde moram.</p>



<p>“A gente tem um posto de saúde, só que ele fica muito distante e é de difícil acesso por conta da locomoção. Só conseguimos médico uma vez no mês. Deveria haver ali a assistência todos os dias”, detalha Maria Eduarda, que também pretende atuar como médica na própria comunidade e em outros locais no meio rural.</p>



<p>A realidade de Amanda não é muito diferente. “Lá em Jaguaribara, no Vale do Jaguaribe, como em tantas outras cidades nos interiores, faltam médicos e não chegam recursos, muitas vezes são sucateados. Falta essa assistência humanizada que reconhece o paciente e não apenas o trata com uma forma hospitalar, medicamentosa”, relata.</p>



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	                                        <p class="m-0">Amanda Paulino, 19 anos, de Jaguaribara (CE), é militante do Movimento dos Atingidos por Barragens
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<p>“Meu sentimento hoje aqui é de um pouco de orgulho também por ter conseguido e ter vencido todas essas etapas, inclusive os processos judiciais. Acho que o sentimento é também de tranquilidade porque eu sei que, de agora para frente, a gente vai conseguir vencer qualquer outra coisa que vier. Porque a gente já conseguiu botar o pé na universidade e, daqui, a gente só sai formados”, diz Maria Eduarda.</p>



<p>Para Amanda, se formar em medicina é “sobretudo uma forma de resistência e uma forma de construir a revolução, uma revolução construída por todos e todas”, porque, para ela, “também cabem, nesses espaços, termos médicos na construção desse projeto de sociedade que nós queremos e pelo qual tanto lutamos para ter”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>UFPE prepara curso de Enfermagem e Odontologia pelo Pronera</strong></h2>



<p>O evento de abertura contou com a presença do reitor da universidade, Alfredo Gomes, do vice-reitor, Moacyr Araújo, de representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do Ministério da Educação, de movimentos e organizações sociais, da Prefeitura de Caruaru e da deputada estadual Rosa Amorim (PT), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entre outros nomes.</p>



<p>Emocionado, Gomes aproveitou a solenidade para anunciar que a instituição já está dando andamento a outros dois cursos na área de saúde pelo Pronera: Enfermagem e Odontologia. Num discurso com muitos agradecimentos, ele reiterou: “vai ter Medicina do Pronera na UFPE, sim”. No decorrer das ações judiciais, Gomes havia declarado que iria até as últimas instâncias em defesa do curso. As críticas e fake news da extrema direita foram quase todas direcionadas a pessoa dele.</p>



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	                                        <p class="m-0">Reitor da UFPE, Alfredo Gomes, recebeu os novos alunos no Centro Acadêmico do Agreste
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Em seu discurso, Rosa Amorim declarou: “àqueles que disseram que filho de agricultor e de empregada doméstica e gente pobre nesse Brasil não deveria nunca ocupar uma cadeira da universidade, nós estamos aqui para dizer que vamos ocupar esse lugar porque ele nos pertence e a gente vai contar uma nova história”.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center"><strong>“A terra dá sustento, mas é a educação que liberta”</strong></h2>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> também conversou com a médica de família e comunidade Andreia Campigotto. Filha de assentados da reforma agrária no Rio Grande do Sul, ela é professora do curso de Medicina da UFPE, docente da turma do Pronera e mestra em Saúde Pública pela Fiocruz-PE. Andreia será docente da turma do Pronera.</p>



<p>Marco Zero<strong> &#8211; Qual a sua trajetória desde o assentamento até se tornar professora do curso de Medicina?</strong></p>



<p><strong>Andreia </strong>&#8211; Eu nasci e cresci em um assentamento da reforma agrária. Meus pais são assentados da reforma agrária desde o ano de 1983. Eles foram assentados meses antes do MST ser fundado, alguns meses depois, o meu pai estava no encontro onde foi fundado o MST. Então eu venho de uma geração do campo que cresceu sabendo que a terra dá sustento, mas a educação é que liberta. No assentamento onde eu nasci, onde meus pais conquistaram a terra, no início não foi nada simples.</p>



<p>Acessei a escola do ensino fundamental no meu assentamento e depois tive que me deslocar para outras comunidades para poder continuar os estudos porque não existia transporte na época que pudesse transportar essas crianças para a escola. O assentamento era cerca de 14, 15 km de distância da cidade. Então acho que é toda uma geração que, na verdade, insistiu que estudar realmente é um ato de resistência e que realmente é uma herança coletiva deixada. A minha trajetória até a universidade nunca foi individual. Ela foi uma construção com muitas mãos. Desde o vizinho que ajudava a cuidar da filha até a professora que sempre acreditou em mim, até o assentamento todo que celebrava cada passo, cada vitória.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Assentada da reforma agrária no RS, Andreia é professora de Medicina da UFPE há 11 anos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Então cheguei na medicina carregada do cheiro da terra e de muitas vozes dizendo que realmente era essa a possibilidade do povo do campo acessar o ensino superior. Hoje, como professora universitária há 11 anos, para mim, realmente é uma reafirmação do compromisso político e afetivo de que realmente a educação é transformadora e realmente eu não estou aqui sozinha.</p>



<p>Eu estou aqui com aqueles que me empurraram para frente quando o mundo parecia distante demais e ser professora hoje é devolver ao povo o que o povo me deu. É transformar a universidade num espaço em que a filha de assentados não apenas entra, mas agora ela ensina, ela pesquisa, ela decide e ela sonha. Então a minha trajetória é pessoal, sim, mas eu acredito que, acima de tudo, ela é profundamente coletiva.</p>



<p><strong>Qual a importância do curso de Medicina pelo Pronera?</strong></p>



<p>Sobre a primeira turma de Medicina do Pronera, para mim, na prática, é ver o Estado brasileiro finalmente reconhecendo que o campo não produz só alimento, mas também produz ciência, produz cuidado e agora vai produzir profissionais de saúde. É a universidade pública realmente cumprindo seu papel social ao abrir as suas portas para quem historicamente ficou do lado de fora. É uma política pública que está sendo efetivada, neste momento, não em discurso, mas em prática concreta.</p>



<p>E, politicamente, é um gesto de reparação histórica. Formar médicas e médicos vindos do campo significa devolver dignidade a territórios que, por décadas, viveram com ausência de assistência e também com invisibilidade. O que a gente tem que fazer é fortalecer o SUS, desde a sua raiz. É dizer também, com clareza, que o Brasil que queremos só será possível quando a universidade pública realmente conversar com o povo e quando o povo realmente ocupar a universidade. Então acredito que esse momento é um momento histórico para a universidade pública brasileira.</p>
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		<item>
		<title>UFPE tem nova vitória na Justiça Federal e retoma edital de Medicina do Pronera</title>
		<link>https://marcozero.org/ufpe-tem-nova-vitoria-na-justica-federal-e-retoma-edital-de-medicina-do-pronera/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Oct 2025 16:42:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) obteve nova vitória na Justiça Federal e retomou, pela segunda vez, em menos de uma semana, o edital de seleção para o curso de Medicina exclusivo para assentados da reforma agrária e quilombolas numa parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). Parlamentares contra a iniciativa, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) obteve nova vitória na Justiça Federal e retomou, pela segunda vez, em menos de uma semana, o edital de seleção para o curso de Medicina exclusivo para assentados da reforma agrária e quilombolas numa parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).</p>



<p>Parlamentares contra a iniciativa, com apoio de algumas entidades e associações médicas, têm travado uma <a href="https://marcozero.org/por-que-curso-de-medicina-para-assentados-e-quilombolas-virou-alvo-de-ataques-e-fake-news/">guerra judicial</a> nos últimos dias na tentativa de cancelar o curso. Há ainda uma terceira ação em curso contra a universidade na Justiça Federal de Pernambuco (JFPE), além de uma no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília.</p>



<p>No recurso em que obteve a decisão favorável desta sexta (10), a que a Marco Zero teve acesso, os advogados da UFPE argumentaram que, ao conceder a mesma liminar em um processo posterior, a primeira instância desconsiderou a decisão proferida pelo tribunal, violando a hierarquia das decisões judiciais. Somente a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) pode se opor ao que já foi decidido.</p>



<p>A nova decisão, proferida pelo desembargador Fernando Braga Damasceno, do TRF-5, derrubou a suspensão do edital concedida na quarta (8) pelo juiz Ubiratan de Couto Maurício, da 9ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco após denúncia do vereador de extrema direita do Recife Thiago Medina (PL) — Medina, aliás, tem propagado desinformação, ao dizer que o curso seria “exclusivo para o MST”, o que não é verdade.</p>



<p>Essa foi a segunda vez que a seleção foi suspensa e liberada logo em seguida. A primeira foi a partir de uma denúncia do também vereador do Recife Tadeu Calheiros (MDB). O juiz de primeira instância e o desembargador são os mesmos nos dois casos, Couto e Braga, respectivamente. Ambas as decisões de segunda instância ainda precisam passar pela 4ª Turma do TRF-5, sem data marcada.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/TRF5-Ubiratan-Couto.jpg" alt="O ChatGPT disse: A foto mostra um homem de meia-idade em pé, posando diante de um painel ilustrado com o nome “UNICAP” e um desenho em preto e branco dos prédios da Universidade Católica de Pernambuco. Ele tem cabelo curto e barba grisalha, veste terno cinza escuro com gravata e camisa clara, e está com os braços cruzados, olhando para a câmera com expressão serena. À direita do nome “UNICAP”, há o desenho estilizado de uma pomba, símbolo frequentemente associado à instituição. O fundo branco e o contraste do desenho preto dão destaque à figura do homem em primeiro plano." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Juiz Ubiratan Maurício concedeu duas liminares que foram suspensas pelo TRF-5
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ascom Unicap/Reprodução site &#8220;Direto da Sacristia&#8221;</span>
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<p>Mais uma vez, um dos argumentos centrais para a nova liberação do edital foi a autonomia da universidade e o Pronera como uma política pública de inclusão educacional já consolidada, com quase 30 anos de existência, com convênio previsto legalmente.</p>



<p>Em <a href="https://marcozero.org/reitor-da-ufpe-garante-que-vai-ate-as-ultimas-instancias-em-defesa-do-curso-de-medicina-para-assentados-e-quilombolas/">entrevista à MZ</a>, na quarta (8), o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, declarou: “Vamos às últimas instâncias para garantir a autonomia da universidade, de oferta de turma extra, no caso, para Medicina. Mas, se fosse de outros cursos, faríamos a mesma decisão. É uma decisão amadurecida, aprovada nas nossas instâncias dentro da universidade, então devemos seguir com ela até o fim”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-campones-e-a-medicina/" class="titulo">O camponês e a medicina</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/opiniao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Opinião</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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        </div>

		


<p>Segundo Gomes, 1,2 mil pessoas se inscreveram na seleção, que será feita através de prova de redação e análise de currículo. Por conta da batalha judicial, o cronograma precisou ser alterado. A aplicação da redação acontecerá somente no dia 2 de novembro e o início das aulas, em 2 de dezembro.</p>



<p>Em suas redes sociais, na manhã desta sexta (10), o reitor disparou: “precisamos conversar seriamente sobre a postura de alguns políticos. Afinal, para onde foi o compromisso com as pessoas, o cuidado com quem mais precisa? Para onde foi a preocupação com as necessidades vitais da população? Essa gente só pensa em <em>likes</em>? São quase sempre políticos de extrema direita que, distorcendo a verdade, agiram contra a democratização da educação e contra o direito de gente simples ter acesso à formação em medicina. Difamaram, ameaçaram, judicializaram e tentaram impedir que essas pessoas pudessem ter a chance de mudar suas vidas, as vidas de suas famílias e de suas comunidades. Uma agressão desmedida contra a educação, contra a saúde e contra a justiça social. Chegamos ao limite da irresponsabilidade. Chegamos ao limite do cinismo, da manipulação maldosa da informação e da distorção da verdade. Não aceitamos o ataque à autonomia da universidade pública”.</p>



<p>O deputado federal Mendonça Filho (União-PE) é outro parlamentar que se apõe ao curso de Medicina pelo Pronera e tem proferido duras críticas à UFPE. Como lembrou o site <a href="https://politicacomopiniao.com/mendonca-que-e-contra-o-pronera-tambem-se-opos-ao-prouni-e-cotas-raciais/">Política com Opinião</a>, Mendoncinha, que foi ministro da Educação no governo Michel Temer, também se opôs ao ProUni e cotas raciais.</p>



<p>Gomes disse também que trata-se de “uma vitória importante da universidade pública, da autonomia, da justiça social”. “Vamos seguir, portanto, firmes nas nossas ações para concretizar as políticas da universidade e a política consolidada do Pronera”, declarou.</p>



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	                                        <p class="m-0">Desembargador Fernando Braga Damasceno, do TRF-5
</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sobre o Pronera</strong></h2>



<p>Criado em 1998, no governo de Fernando Henrique Cardoso, o Pronera, realizado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), já formou quase 200 mil estudantes em 545 cursos em todos os estados brasileiros, da alfabetização à pós-graduação.</p>



<p>A seleção de Medicina prevê a oferta de 80 vagas extras, numa turma específica, no Centro Acadêmico do Agreste (CAA) da UFPE, no campus Caruaru, sendo 40 de ampla concorrência e outras 40 destinadas a cotas. A turma não irá tirar vagas do curso de Medicina da universidade, por ser a parte.</p>



<p>Estão aptos a se candidatarem assentados da reforma agrária e integrantes de famílias beneficiárias do crédito fundiário; educandos egressos de cursos de especialização promovidos pelo Incra; educadores que exerçam atividades voltadas às famílias beneficiárias; acampados cadastrados pelo instituto; e quilombolas.</p>



<p>Os dados da Demografia Médica do Brasil 2025 mostram que, dos 266 mil estudantes de medicina em 2023, apenas 9% entraram por programas de reserva de vagas. Quase 70% dos alunos de medicina no país são brancos e 66% são oriundos do ensino médio privado. Somente 34% são egressos da escola pública, muito abaixo da média nacional, de 65,7% dos estudantes quando comparados a todas as graduações.</p>



<p>A concentração das vagas em instituições privadas também chama a atenção, segundo o levantamento: 77,7% das matrículas em Medicina estão em faculdades particulares.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/ufpe-tem-nova-vitoria-na-justica-federal-e-retoma-edital-de-medicina-do-pronera/">UFPE tem nova vitória na Justiça Federal e retoma edital de Medicina do Pronera</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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