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	<title>Arquivos Raça - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 30 Oct 2024 19:51:52 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Raça - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Estudo aponta o tamanho do abismo de raça e de gênero na educação básica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Oct 2024 19:44:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdades]]></category>
		<category><![CDATA[gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Raça]]></category>
		<category><![CDATA[saeb]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As desigualdades de gênero e de raça na educação brasileira estão expostas no novo boletim do Observatório da Branquitude, intitulado Desempenho escolar, raça e gênero: o que contam os dados do Saeb 2023. O estudo analisa as médias obtidas por estudantes do 9º ano nas provas de Língua Portuguesa e Matemática do Sistema de Avaliação [&#8230;]</p>
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<p>As desigualdades de gênero e de raça na educação brasileira estão expostas no novo boletim do Observatório da Branquitude, intitulado <em>Desempenho escolar, raça e gênero: o que contam os dados do Saeb 2023</em>. O estudo analisa as médias obtidas por estudantes do 9º ano nas provas de Língua Portuguesa e Matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2023. Há disparidades significativas no desempenho escolar de alunos e alunas brancos e negros em todos os 26 estados brasileiros e no Distrito Federal.</p>



<p>A pesquisa cruzou as variáveis de raça/cor e gênero dos microdados disponibilizados publicamente pelo Ministério da Educação e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). O Saeb acontece a cada dois anos e serve como base para o monitoramento da qualidade da educação em escolas públicas e privadas, além de ser útil para a formulação de políticas públicas.</p>



<p>Os dados analisados no boletim revelam que meninas brancas são o grupo com o melhor desempenho no teste de Língua Portuguesa. As meninas negras obtiveram a segunda maior média na disciplina, exceto nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, em que os meninos brancos obtiveram uma média maior do que as das meninas negras.</p>



<p>Ainda em Português, os meninos negros ficam com a pontuação mais baixa em relação aos demais grupos estudados em todas as regiões, acima apenas da média geral de cada estado. A exceção foi o Distrito Federal, onde meninos negros ficaram abaixo da média distrital.</p>



<p><strong><a href="https://drive.google.com/file/d/1SuLsm0jZnrLjjnZsR9E_XTmqco7Tekz3/view">Confira aqui todos os gráficos com os desempenhos por raça/cor e gênero por região</a></strong></p>



<p>Já na Matemática, há uma mudança de gênero, mas não de raça/cor. Os meninos brancos assumem a dianteira com as melhores médias em quase todo o país – a única exceção é em Alagoas, onde meninos negros conseguiram a maior pontuação. No geral, meninos brancos se sobressaem aos meninos negros, às meninas brancas e às meninas negras, nesta sequência. Já o segundo melhor desempenho em Matemática é dos meninos negros, seguidos por meninas brancas e meninas negras. Somente em Roraima e Tocantins meninas brancas tiveram o segundo maior desempenho, seguidas de meninos negros e meninas negras.    </p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>O <strong>Observatório da Branquitude</strong> é uma iniciativa da sociedade civil criada em 2022 com o objetivo de produzir conhecimento e promover ações estratégicas com foco na branquitude e suas estruturas de poder. Com uma equipe composta integralmente por pessoas negras, a organização foi a primeira no Brasil a ter como tema central a análise da identidade racial branca e suas implicações na sociedade.</p>
        </div>
    </div>



<p>Pesquisadora do Observatório da Branquitude, Nayara Melo ressalta a importância de se considerar a interseccionalidade entre raça e gênero na análise dos resultados. &#8220;É importante observar que tanto o gênero quanto a raça configuram variáveis de peso na distribuição destas médias”, afirma. “Matemática, por exemplo, que se enquadra dentro das ciências duras, é uma disciplina que, historicamente, foi mais enfatizada para o sexo masculino. Percebemos pouco incentivo na inserção de mulheres dentro das ciências duras. Por outro lado, o português, por ter aspectos do que estaria mais associado a uma “sensibilidade”, é mais enfatizado para o sexo feminino”, acrescenta.</p>



<p>“Com esse estudo não estamos querendo avaliar a capacidade do estudante, mas observar que existem condicionantes externos e internos que podem atravessar a trajetória de aprendizagem dos estudantes. Observamos que estudantes negros terminam sendo mais afetados na sua trajetória educacional. É um processo e resultados que já são demonstrados em outras pesquisas, de outros níveis”, afirma Nayara.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os dados no Nordeste e de Pernambuco</strong></h2>



<p>Em matemática, meninos brancos tiveram as melhores médias no Nordeste, assim como no Brasil. Meninos negros ficaram na segunda posição em oito de seus nove estados. À exceção foi Alagoas, onde pela primeira e única vez nesta análise, meninos negros lideraram o <em>ranking</em> com uma pequena diferença para os brancos, de 251.5 sobre 250.2, respectivamente.</p>



<p>Em português, o Nordeste também segue o Brasil, com meninas brancas à frente, seguida de meninas negras, meninos brancos e meninos negros. Tanto em matemática como em língua portuguesa, Pernambuco segue a mesma ordem prevalente no Nordeste e no Brasil.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/graficoNE.png" alt="O gráfico mostra a média das notas de Matemática no SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) por raça/cor e gênero na Região Nordeste do Brasil. As barras representam diferentes estados (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) e são segmentadas em meninos negros, meninas negras, meninas brancas, meninos brancos e a média geral. Os valores das médias variam entre aproximadamente 217,5 e 266,1. As cores das barras ajudam a diferenciar cada grupo e a média geral." class="" loading="lazy" >
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                                            <span>Crédito: Observatório da Branquitude</span>
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Políticas públicas específicas</strong></h3>



<p>O boletim do Observatório da Branquitude não é o único a apontar desigualdades no ensino brasileiro. Análises do Saeb feitas por instituições como a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) mostram que adistância no aprendizado entre negros e brancos se acentuou no período de 2007 a 2019. “Quando observamos que essas disparidades de notas são reiteradas em diferentes estudos em relação tanto ao gênero quanto à raça é porque temos grupos que precisam que o Estado esteja mais presente”, afirma Nayara. “Ao observar que temos grupos que são mais atingidos, que carecem de mais apoio institucional do que outros, é necessário que esses grupos também tenham acesso a políticas específicas para eles”.</p>



<p>A pesquisadora afirma que o Governo Federal está se movimentando para colocar em prática políticas públicas que diminuam essas desigualdades. Ela cita como bom exemplo a recriação pelo governo Lula da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), extinta no governo Bolsonaro.</p>



<p>Recentemente, o Ministério da Educação (MEC) lançou a <a href="https://www.gov.br/mec/pt-br/pneerq">Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq)</a>, elogiada por especialistas, e que tem como objetivo implementar ações e programas educacionais voltados para a população quilombola.<br></p>
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		<title>Mais da metade da população de Pernambuco se declarou parda no Censo 2022</title>
		<link>https://marcozero.org/mais-da-metade-da-populacao-de-pernambuco-se-declarou-parda-no-censo-2022/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Dec 2023 18:43:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[censo 2022]]></category>
		<category><![CDATA[ibge]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pernambuco está mais preto, mais pardo e mais indígena. Dos 9.058.931 habitantes de Pernambuco, 55,27% do total, o equivalente a 5.006.802 pessoas, se declaram pardos. Em segundo lugar, 3.043.916 pernambucanos (33,6%) se identificaram como brancos, 909.557 como pretos (10,4%), 106.646 como indígenas (0,92%) e 13.225 como amarelos (0,15%). Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (22) [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pernambuco está mais preto, mais pardo e mais indígena. Dos 9.058.931 habitantes de Pernambuco, 55,27% do total, o equivalente a 5.006.802 pessoas, se declaram pardos. Em segundo lugar, 3.043.916 pernambucanos (33,6%) se identificaram como brancos, 909.557 como pretos (10,4%), 106.646 como indígenas (0,92%) e 13.225 como amarelos (0,15%). Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p>



<p>Entre os que se declaram pretos, houve um crescimento de 59% em relação ao censo anterior, de 2010. Entre indígenas, o crescimento foi ainda maior, de 74,8%, e de 2,9% entre pardos. Houve uma queda de 5,6% da população branca. Em números absolutos, a população total de Pernambuco cresceu apenas 3%.</p>



<p>No cruzamento feito pelo IBGE entre cor ou raça e faixa etária, a autodeclaração parda teve maior participação relativa entre os jovens. A faixa etária de 15 a 29 anos foi a que mais se declarou parda (57,2% do total da faixa etária) e que menos se identificou como branco (31,37%). O grupo de zero a 14 anos teve a segunda proporção mais significativa de pardos (56,98%). </p>



<p>A faixa de 75 anos ou mais foi a única em que menos de 50% pessoas se declararam pardas (45,97%). Também foi o recorte por idade com mais pessoas brancas (42,85% do total).</p>



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<p>O grupo de zero a 14 anos também se destaca ao apresentar o menor percentual de pessoas pretas (6,35%) e o maior percentual de indígenas (1,1%) entre todas as faixas etárias. Os pernambucanos de 45 a 59 anos tiveram a maior proporção de pessoas pretas (11,75%). </p>



<p>Mas não se pode afirmar, ainda, que mais pessoas estão mudando a forma como se autodeclaram. “Não conseguimos cravar essa afirmação agora. O que conseguimos fazer hoje é este retrato de quem se declarou o quê. As análises específicas sobre a reorganização étnico-social do estado só será possível com outros dados, como o de migração, por exemplo”, explica coordenador técnico do Censo 2022 em Pernambuco, João Marcelo Santos. A previsão do IBGE é de divulgar toda a avaliação do Censo 2022 até o final de 2024.</p>



<p>Ao contrário de outras pesquisas, como a PNAD, o Censo não junta pretos e pardos. “É a única pesquisa do IBGE que não é amostral: vai em todos os domicílios, tem uma precisão nos dados. Por conta disso, pela precisão, as populações menores não ficam vulneráveis, estatisticamente falando”, explica João Marcelo. Esses dados, mais precisos, são os que vão guiar as políticas públicas de municípios, estados e do Governo Federal, em áreas importantes como saúde e educação.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Municípios pernambucanos</h2>



<ul class="wp-block-list"><li>Em Pernambuco, Frei Miguelinho, no Agreste, é a cidade com maior proporção de pessoas brancas entre sua população (54,34%). Este também foi o município onde havia apenas 2,23% do total dos habitantes pretos, o menor percentual do estado.</li><li>Mirandiba, no Sertão, foi o local com mais pessoas pretas: 21,14% da população.</li><li>Em Carnaubeira da Penha, no Sertão, 77,11% da população se declarou indígena, o maior percentual entre os municípios pernambucanos. Este município também é o local onde há menos pessoas brancas (4,08%) e menos pardas (15,61%) de Pernambuco.</li><li>Em Salgadinho, Belém de Maria e Barra de Guabiraba, no Agreste, e em Chã de Alegria, na Zona da Mata, nenhum habitante se declarou indígena.</li><li>O município com mais pardos – 78,05% do total &#8211; foi Manari, no Sertão. Entre a população amarela, o Recife tem o maior número absoluto (2.703 pessoas) e Granito, no Sertão, tem a maior proporção (0,44%) entre a sua população.</li></ul>



<h3 class="wp-block-heading">Mais mulheres pardas </h3>



<p>O IBGE também divulgou números do cruzamento de dados por sexo e cor ou raça. As mulheres pardas são o grupo mais numeroso em Pernambuco, com 28,77% do total da população. Em seguida, aparecem os homens pardos, com 26,5% de todos os pernambucanos. As mulheres brancas vêm na sequência, com 18,03% dos pernambucanos, seguidas pelos homens brancos (15,57% do total).</p>



<p>No recorte por sexo, as pardas são 55% das 4,7 milhões de pernambucanas, seguidas pelas brancas (34,47%), pelas pretas (9,45%), pelas indígenas (0,9%) e pelas amarelas (0,16%). Já os homens pardos totalizam 55,55% dos 4,3 milhões de pernambucanos do sexo masculino. Na sequência, estão os brancos (32,65%), os pretos (10,69%), os indígenas (0,95%) e os amarelos (0,13%).</p>



<p>Quanto à razão de sexo, que avalia a proporção de homens e mulheres em uma população, Pernambuco tem, em média, 91,21 homens para cada 100 mulheres, enquanto o Brasil e a região Nordeste tiveram respectivamente 94,25 e 93,54 homens para cada cem mulheres.</p>



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<h3 class="wp-block-heading">Brasil mais pardo que branco, pela primeira vez</h3>



<p>Pernambuco segue uma tendência nacional. Os dados do Censo 2022 do Brasil mostram que cerca de 92,1 milhões de pessoas (ou 45,3% da população do país) se declararam pardas. Foi a primeira vez, desde 1991 quando começa a atual série histórica, que esse grupo predominou em um censo. Outros 88,2 milhões (43,5%) de brasileiros se declararam brancos, 20,6 milhões (10,2%), pretos, 1,7 milhões (0,8%), indígenas e 850,1 mil (0,4%), amarelas (orientais).</p>



<p>A região Norte registra o maior percentual de pardos (67,2%), a região Sul mostrou a maior proporção de brancos (72,6%) e o Nordeste tem o maior percentual de pretos (13,0%).</p>



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		<title>&#8220;Eu, o assaltante e o policial não éramos negros do mesmo jeito&#8221;: reflexões de um intelectual vítima de violência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Aug 2023 20:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Raça]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[segurança publica]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era noite em Salvador quando o escritor e sociólogo negro Evandro Cruz Silva foi assaltado a mão armada por um jovem, também negro. Na delegacia ao turista da capital baiana, um policial, negro, afirmou para Evandro que iria “caçar” o assaltante. O que viveu naquela noite levou o intelectual paulista, da periferia de Santos, a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Era noite em Salvador quando o escritor e sociólogo negro Evandro Cruz Silva foi assaltado a mão armada por um jovem, também negro. Na delegacia ao turista da capital baiana, um policial, negro, afirmou para Evandro que iria “caçar” o assaltante. O que viveu naquela noite levou o intelectual paulista, da periferia de Santos, a se questionar sobre se a defesa dos direitos de “nós negros” serve tanto para ele, quanto para o assaltante e o policial.</p>



<p>“…qualquer observador perceberia que eu, o assaltante e o policial não éramos “negros” do mesmo jeito. Aquela categoria, naquela situação, não resolvia o conflito no qual nos envolvemos”, escreveu Evandro no ensaio <em>Eu, minhas convicções e um moleque preto com arma na mão</em>, publicado na edição 44 da revista Serrote, do Instituto Moreira Salles.</p>



<p>No texto, Evandro propõe uma discussão sobre o risco de uma classe média negra consolidada “nos levar a uma solidariedade inter-racial <em>(com os brancos) </em>em nome da defesa do patrimônio privado e do punitivismo. Ignorar essa discussão pressupondo uma eventual aliança racial derivada da simples identificação entre os negros é ignorar seu aspecto de classe e abrir caminho para os “jagunços” e suas respostas baseadas na violência pura”, escreveu.</p>



<p>Não se trata, contudo, de afirmar que a solidariedade de classe se sobrepõe à solidariedade racial, diz Evandro Cruz Silva em entrevista por telefone à Marco Zero. “São aspectos que agem em momentos diferentes: em um dado momento, uma se torna mais importante que a outra. Na situação que eu cito, a identificação racial entre eu e o assaltante não funcionava para entender a situação. Ainda há muito pouca discussão de classe e raça em situações de violência”, diz.</p>



<p>Para Evandro, o acesso às políticas de cotas ajudaram a dar volume a uma classe média negra no Brasil. “Vemos a ascensão da classe média negra sob a lente da discriminação, o que, óbvio, vai acontecer: ninguém vai deixar uma pessoa negra ascender em paz. Mas, por outro lado, a ascensão de classe também é um antagonismo de classe. Esse tipo de conflito que eu sofri é típico da classe média, que é a que tem medo da violência. É uma questão a ser debatida: como não cair para a direita nesse momento de vulnerabilidade?”, questiona. </p>



<p>O apelo por essa queda, diz Evandro, se dá porque a extrema-direita é muito bem resolvida com a questão da violência, diferentemente do campo de esquerda: há uma solução simples e direta, que é a violência sendo punida com mais e mais violência. “É como a fala do policial que me atendeu, de “caçar”. Não é uma questão de letramento, de ignorância: são pessoas que têm uma teoria sobre o mundo e uma posição ideológica sobre o mundo, que nós não temos. Os projetos de segurança da esquerda são tímidos. É interessante como conseguimos ascender em vários lugares, mas no campo da segurança não há uma evolução das ideais há muito tempo &#8211; ao contrário do que acontece com a questão de gênero, por exemplo”, diz.</p>



<p>Para o sociólogo, não se trata, porém, de um abandono ou desinteresse das esquerdas com o debate sobre segurança pública. É mais perigoso que isso. “Existe uma concordância com as ideias da direita. Quando não estamos constrangidos e fingimos que o problema não existe, que é uma das saídas, reproduzimos o problema. A Polícia Militar que mais mata no Brasil hoje é a da Bahia, um estado negro, comandado há muito tempo por um governo de esquerda [o PT governa a Bahia desde 2007]. Não é coincidência, há algo no nível da adesão. Uma adesão constrangida”, acredita. </p>



<p>Por ser um problema complexo, a questão da segurança pública acaba sendo posta de lado ou silenciada. “Taticamente, a crítica tem seus momentos. Não é esperto politicamente ficar toda hora falando sobre o que aquilo que não conseguimos, a esquerda, fazer. A questão é que em outras pautas há um avanço na discussão &#8211; como a de questão de gênero, que não para &#8211; mas no campo da segurança, a discussão para em lugares muito simples e, de resto, só há o silêncio mesmo”. </p>



<p>Evandro Cruz Silva defende que deve haver alguma punibilidade e que um certo discurso de &#8220;vítima da sociedade&#8221; quando se fala sobre quem comete crimes pode soar como cinismo. “Ficamos revoltados quando somos vítimas de violência. E há uma lógica da política progressista de querer tentar eliminar os sentimentos ruins, como se ser progressista fosse ser um pacifista dos anos 60. Acho isso frágil, politicamente. É sempre importante não tirar a realidade da situação porque isso pode soar como cinismo para as pessoas que estão em vulnerabilidade. Só falar que a questão da violência é de cunho social, que o ladrão também é uma vítima, a depender da maneira que você fala, não só parece defesa do crime como desconsidera a dor das vítimas. Fica parecendo que a esquerda é um grande grupo de privilegiados que não tem que lidar com a violência. É importante reconhecer a dimensão real da violência e que a punição tem um lugar na vida social. Sem a punição, é muito difícil ter uma vida social viável”, afirma.</p>



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	                                        <p class="m-0">Direita trata segurança como questão moral, mas ganha dinheiro com prisões lotadas. Crédito: Canal Ciências Criminais</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">O lucrativo mercado da segurança</h2>



<p>Porém, a maneira que o Brasil pune os criminosos hoje só reforça o ciclo de violência, diz o sociólogo. “Existem milhares de formas de punir e a que fazemos o Brasil é a pior possível. Se o menino que me roubou for preso &#8211; e ele vai ser preso, é tão estrutural isso &#8211; , esse evento da prisão não vai fazer nada para que ele não roube outra vez&#8221;.</p>



<p>As prisões no Brasil, diz Evandro, reproduzem uma lógica de mercado. “A segurança é um mercado bastante lucrativo. Não tratamos como mercado, mas as pessoas que a tratam como mercado ganham muito dinheiro com isso. A direita não trata o crime como mercado, trata como moral: “aquele moleque é o demônio e tenho que impedi-lo de roubar de novo, matando ou prendendo”. Mas o que não falam é que ao tratar a violência como problema moral ganham muito dinheiro com o mercado da segurança. Ao não falar sobre dinheiro, ganham dinheiro: as pessoas que constroem prisões ganham dinheiro, as que vendem marmita, a fábrica de armas, a polícia abre mais concurso porque tem que ter mais policial. E ainda tem o cinismo de falar que o ladrão é que está ganhando dinheiro. Há um mercado gigante e não conseguimos tratar o crime como mercado, não conseguimos descriminalizar as drogas e tem muita gente enriquecendo só porque tem milhares encarcerados por conta do tráfico de drogas. É uma disputa por dinheiro&#8221;.</p>



<p>Para Evandro Cruz Silva, a solução para o complexo problema da violência no Brasil passa primeiramente pela abolição da cadeia. “O esvaziamento progressivo de ambientes prisionais vai quebrando uma carreira criminal para sujeitos muito pobres. Precisamos disputar a sério a ideia de que um mundo com menos cadeia é um mundo mais seguro. A discussão sobre a descriminalização da venda de drogas é um ponto central. Se você tirar 30% do contingente que está preso por tráfico, já se tem um argumento sério de que isso tornou a vida mais segura e a direita está errada. Tira um pouco do monopólio que a direita tem sobre a segurança. Aposto muito nisso: um mundo com menos prisões talvez seja mais fácil de demonstrar qual é a nossa ideia de segurança”, diz.</p>



<p>Como alternativa para o encarceramento, Evandro Cruz Silva cita os regimes de semi-aberto, liberdade condicionada, prestação de serviços, multas. “Toda punição requer uma desigualdade. Mas da mesma maneira que eu quero que uma pessoa que me chame de macaco seja punida, eu não posso prescindir da ideia de que uma pessoa que está assaltando outra não seja punida. Mas se o menino que me assaltou fosse preso, receberia uns 12 anos de cadeia, por agressão e assalto à mão armada. Ele iria sair da cadeia somente após uns cinco ou seus anos. Isso é inviável. Não dá para colocar um jovem que cometeu uma violência encarcerado por meia década. A gente pune demais, porque tem que alimentar esse mercado da segurança. Não é para proteger a sociedade, mas para dar uma razão para a existência da cadeia”, afirma.</p>



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		<title>Erica Malunguinho: alternar o poder é ter raça e gênero como fundamento</title>
		<link>https://marcozero.org/erica-malunguinho-alternar-o-poder-e-ter-raca-e-genero-como-fundamento/</link>
					<comments>https://marcozero.org/erica-malunguinho-alternar-o-poder-e-ter-raca-e-genero-como-fundamento/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jan 2020 18:54:35 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nascida no bairro de Água Fria, no Recife, a deputada estadual de São Paulo Erica Malunguinho (Psol-SP)  é também a primeira mulher trans negra a ocupar um cargo legislativo no Brasil (juntamente com Robeyoncé Lima e Erika Hilton, eleitas em 2018, integrantes de mandatos coletivos em Pernambuco e São Paulo) e, acredite, no mundo. Ainda assim, essa definição não dá conta de quem Malunguinho é e da política que constrói há anos, seja com o quilombo urbano que criou &#8211; a <a href="https://www.instagram.com/aparelhaluzia/">Aparelha Luzia</a> &#8211; seja no <a href="https://www.almapreta.com/editorias/realidade/erica-malunguinho-o-dia-da-posse-da-primeira-deputada-negra-trans-do-brasil">processo de &#8220;reintegração de posse</a>&#8221; que deu início ao entrar de branco, da cabeça aos pés, na cerimônia de posse na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Não só ela, mas uma multidão do povo preto vestindo branco, do candomblé, a acompanhou. </p>



<p>Também no dia a dia, Erica e seu gabinete, a <a href="https://www.instagram.com/mandataquilombo/">Mandata Quilombo</a>, transformam radicalmente a atmosfera da Alesp. Com um gabinete formado apenas por pessoas negras, ali reside um fragmento do que está por vir: a ocupação legítima da maioria da população nos espaços de poder. Radical, inclusive, é a palavra que define o projeto político-pedagógico da sua legislatura. Raça e gênero são os dois fundamentos inegociáveis da ação política de Erica. </p>



<p>Após o primeiro ano de legislatura, a deputada avalia que 2019 foi o ano de aprendizado e &#8220;sistematização&#8221; das lutas do povo negro dentro da institucionalidade. &#8220;Foi um ano de entender como é que a institucionalidade se torna um lugar possível, viável ou não viável para as lutas, as pautas e as questões que vêm da sociedade&#8221;, explica. </p>



<p>Neste primeiro ano, ela aprovou a criação das frentes parlamentares em <a href="https://ponte.org/a-vez-da-populacao-lgbt-na-assembleia-legislativa-de-sp/">Defesa da População LGBTGI+</a> e da População em Situação de Rua, temas até então invisibilizados ou pouco debatidos na casa legislativa. </p>



<p>Após meses de uma primeira tentativa de entrevista, a repórter Débora Britto, da Marco Zero Conteúdo, pôde conversar por cerca de duas horas com a deputada sobre o balanço da Mandata, política partidária, o projeto político do povo negro, ancestralidade, relação com as esquerdas e eleições 2020, entre outros temas. Não por acaso, os caminhos iniciados há tempos pela ancestralidade possibilitaram, finalmente, este encontro. </p>



<p>Confira abaixo a entrevista. </p>



<p><strong>Como tem sido a experiência de construção do Projeto Político Pedagógico Mandata Quilombo? ?</strong></p>



<p>Somos uma equipe, uma coletividade que foi escolhida e pensada a partir do compromisso que essas pessoas já mantinham nas suas militâncias diversas, em diversos espaços. O desafio era sistematizar essas lutas políticas e colocá-las dentro da institucionalidade. Porque o projeto político pedagógico diz respeito a nós, que fazemos parte do processo, mas diz respeito, obviamente, também, a como isso é distribuído, comunicado e compartilhado com a população.<br></p>



<p>Uma das nossas ações se chama Terreiro Político Pedagógico, que consiste na distribuição, no compartilhamento. A gente vai para as quebradas, para diversas cidades do interior para propor um letramento político. No sentido mais clássico e mais tradicional, que é o seguinte: o que faz uma deputada estadual? O que é da competência do Estado, da deputada, do Executivo, o que é do Judiciário? Desde este básico, que é muito importante para a gente compreender nosso posicionamento e a produção da nossa crítica e saber aonde nós enquanto sociedade podemos solicitar, nos manifestar, enfim, para não colocar tudo dentro de uma coisa só e não conseguir acionar os mecanismos e dispositivos certos.<br></p>



<p>Sempre estamos em um processo de escuta, mas é nesse momento que a gente ouve as demandas dos bairros, das cidades e traduzimos essas demandas para o que eu, como deputada, poderia vir a incidir. Então em muitos momentos a gente cria documentos nesses encontros com a população, requerimentos de informação. Eles servem como mecanismo de fiscalização, porque uma das atividades do legislativo é fiscalizar o Estado, as leis&#8230;<br></p>



<p>Outra coisa são os projetos de lei. As pessoas têm muito desejo por projetos de lei, mas objetivamente funcionam mais para agitação política do que para mudança de algum paradigma. Dificilmente um projeto de lei será aprovado, sendo meu ou de outras pessoas do campo progressista. Então, funciona mais a gente colocar na esfera pública. É uma ferramenta importante do legislativo, que a gente usa e que também fazemos com as pessoas. Isso é o Terreiro Político Pedagógico.</p>



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	                                        <p class="m-0">Integrantes da Mandata Quilombo no dia da &#8220;reintegração de posse&#8221; por Erica Malunguinho. Crédito: Heitor Salatiel</p>
	                
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                    </figure>

	


<p><strong>Foi difícil compor um gabinete apenas com pessoas negras?</strong></p>



<p>O que faz essa mandata ter sido eleita é exatamente esse compromisso com a radicalidade. Assim, não diz respeito à exclusão de alguém ou à acepção de alguém. Diz respeito a colocar dentro do debate público a imagem e o debate que nos fez ser eleitas. E o que nos fez ser eleitas foi um compromisso radical em relação ao racismo. E ao machismo. Nada mais que justo que a população preta esteja lá. Porque ninguém pergunta quando tem um gabinete só com brancos? Eu não escolhi que as pessoas fossem negras, assim. As pessoas são negras. Mas antes e junto a isso elas são advogadas, internacionalistas, historiadoras, jornalistas, militantes dos movimentos sociais. São travestis. É quase uma coincidência elas serem negras [entre risos]. Mas acho que é nesse sentido que se desvela o racismo institucional de forma muito objetiva.<br></p>



<p>Estou falando, sim, de usar de nossas forças e energias para fazer o contraponto necessário de forma radical para que haja o reequilíbrio das forças. Um reequilíbrio da balança e para isso acontecer a sociedade precisa, sim, pactuar um novo processo civilizatório que partirá – e tem que partir – da nossa compreensão e da projeção a partir das mulheres negras. </p>



<p>É a máxima da Angela Davis, as mulheres negras se movem e movem o mundo. Não é contra ninguém, não é sobre exclusão de ninguém. É que uma vez que as coisas deste lado se resolvem, frutificam, estão em uma outra dimensão, deslocada da vulnerabilidade, a sociedade tem um ganho como um todo.</p>



<p><strong>Palavras que surgem quando se fala da mandata é a questão da reintegração de posse e alternância de poder. Quais são os caminhos que você enxerga para, de fato, nessa alternância de poder, mudar as estruturas? Um legislatura vai dar conta?</strong></p>



<p>Uma legislatura não dá conta, é impossível, a gente sabe. O poder, o biopoder, está comprometido e emaranhando em uma lógica muito perversa e muito bem articulada que tem o nome de capitalismo, inclusive, mas que obviamente isso tem atualizações.<br></p>



<p>A gente tem uma urgência de discutir e debater o que significa capitalismo e como age o capital, pensando em uma lógica que entenda raça como fundamento e como a distribuição e apagamento dos corpos se deu a partir também dessa diferenciação racial e do projeto normativo de gênero. A gente precisa atualizar a narrativa para discutir o capitalismo.</p>



<p>Eu não consigo perder de vista que nós, no decorrer de um projeto de poder extremamente violento, totalitário como sempre foi o projeto do ocidente, o projeto colonialista – nós deixamos marcas e registros fundamentais nessas culturas e nesses territórios. O que eu quero dizer com isso é que a despeito de toda a opressão nós fundamos a cultura brasileira. Nós devolvemos de forma muito generosa para esse país, esse Estado, tudo que o faz se reconhecer como o lugar que é.</p>



<p>O que significa depois de projetos tão violentos de apagamento, totalizantes, somados à versão moderna de tudo isso, junto com o mito da democracia racial, o projeto eugenista, a gente estar de pé? Sobrevivendo ainda, infelizmente, mas presentes. Isso significa muitos algos.<br></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Agora como é que eu vejo esse processo e projeto de alternância de poder e reintegração de posse? Tomar ciência absolutamente disso. Tomar ciência que a despeito da opressão, a despeito da morte, das violências sistemáticas, estruturais, institucionais nós sabemos o que fazer. E me interessa muito e me dedico muito a pensar nessas tecnologias sociais negras e estratégias políticas para pensar em um novo marco civilizatório.</em></p></blockquote>



<p>Eu acredito fielmente que essa expansão de consciência, a expansão do valor e da beleza que tem em tudo isso é que nós haveremos de garantir um outro projeto político de nação, sem dúvida. Obviamente, tendo a arte e a cultura emaranhada com a política, como sempre esteve. Alternar o poder é isso, não significa esquerda ou direita, significa outra coisa. Significa um compromisso por princípio e fundamento com o que faz te dizer uma pessoa negra, se dizer uma pessoa negra.</p>



<p>A nossa missão nesse processo, nesse projeto é que se a gente quer pactuar um novo projeto civilizatório é fundamental que a gente se coloque novamente como seres políticos constantes. Não apenas nas eleições. Sujeitos e sujeitas políticas constantes é incidir de forma radical pela periferia, a gente tomar decisão política de investimento social, econômico, tecnológico na população preta que foi empobrecida. É disso, é daí que há de estruturalmente se modificar toda a institucionalidade e a estrutura como um todo.<br></p>



<p>Por isso é necessário rediscutir o capitalismo, economia, projeto econômico. Porque o que se ouve muitas vezes num discurso clássico da esquerda, baseado – não todos – num pedaço da teoria marxista, inviabiliza à população negra o acesso econômico e a possibilidade de circulação econômica, do dinheiro, enfim, da produtividade. Acho que é preciso reatualizar isso, repensar como um projeto de curto, médio e longuíssimo prazo.</p>



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<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Entrevista com a deputada Erica Malunguinho" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/HAf3oUNjXHU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p><strong>Como você enxerga o projeto político da Mandata Quilombo na história do projeto político do povo negro para o Brasil? Sendo uma mulher trans, negra, nordestina, deputada eleita por São Paulo, acredita que a Mandata atualiza ou traz novas questões para o movimento negro?</strong></p>



<p>Eu não acho que há nada novo. Eu acho que há formas diferentes de dizer que nós precisamos viver, que nossas vidas não estão em negociação. No decorrer da história isso foi se realizando com as possibilidades discursivas das suas épocas, seus momentos e seus pressupostos a partir do próprio tempo.<br></p>



<p>Mas é um fato que se a gente lançou o pretuguês aqui dentro, incidiu linguisticamente, a gente já estava dizendo que a gente não ia viver à submissão da lógica colonialista. </p>



<p>Nós somos vanguarda, sempre fomos. Nós somos seres movidos à ancestralidade: é passado, presente e futuro. Então essas amálgamas estão em constante mutação nas nossas experiências do cotidiano porque simplesmente nós precisamos a todo momento pensar. Desde o trajeto que vai feito, a roupa que será usada, o que fazer para não se foder e o que fazer para ter garantia de alimento, de escolarização, de um teto. Essas existências estão em constante movimento, mutação. Um exercício que é até exaustivo para a permanência da vida. Todos os dias a gente está pensando um milhão de coisas e isso obviamente gera uma musculatura existencial que diz sobre muita coisa.<br></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Criamos décimas inteligências. Terceiras, quartas, quinta, décimas inteligências. A gente faz tudo, absolutamente tudo. Pergunta para uma mãe preta que tem um salário mínimo e tem que sustentar 6 sendo camelô, vendendo cerveja enquanto as freviocas passam.</em></p><p><em>É essa força motriz, sabe? Agora a transformação dessa força motriz é para que ela seja uma diretriz. Eu vejo que há a sistematização de um processo histórico e um cuidado com essas narrativas, histórias, construções e ela é levada para a institucionalidade e para a esfera pública.</em></p></blockquote>



<p>Isso diz respeito à minha história de vida. A primeira vez que eu vi uma travesti foi no maracatu. Diz respeito a entender a arte e a cultura como parte da existência e da sociabilidade cotidiana das pessoas.</p>



<p><strong>Como você enxerga na sua construção política e na construção da Mandata Quilombo a relação com a branquitude?</strong><br></p>



<p>Acho que tem uma coisa muito objetiva que é que a mandata é preta, então ela já está dizendo alguma coisa. Bastante coisa, na verdade.<br></p>



<p>É um projeto radical em relação ao fundamento de gênero e de raça. Eu fui eleita. Tem uma coisa que é muito importante, são importantíssimas as candidaturas que aconteceram no Brasil, como das Juntas, da própria Bancada Ativista&#8230; essas composições que se lançaram coletivamente. Tem a Robeyoncé Lima (Juntas/PE), aqui, que é minha amada, e na Bancada Ativista tem a Erika Hilton. A pergunta que eu tenho que fazer é: elas seriam eleitas sozinhas? Ou se fossem elas na cabeça da chapa? Isso é uma preocupação. </p>



<p>Porque eu estou dizendo isso? Porque eu fui eleita absolutamente dessa forma que você está vendo. Sem nenhuma concessão do ponto de vista discursivo, do ponto de vista do debate racial e de gênero.</p>



<p></p>



<p><strong>Foi eleita, inclusive, a despeito do apoio do partido</strong>&#8230;<br></p>



<p>Exatamente. Então, é esse o projeto que é esperado. E tem uma coisa que eu falo sempre: a branquitude não é indivíduo. É um sistema. Tem indivíduos que reproduzem o sistema, assim como o sistema que vai produzindo o indivíduo. Não é sobre isso. Não é sobre um sujeito, é sobre uma lógica de poder. Se não se entende a partir desse pressuposto, tem um problema muito sério do qual eu não abro mão. Eu não negocio. Não há espaço para negociação em torno do racismo ou da violência de gênero. </p>



<p></p>



<p><strong>Já aconteceram casos de violência ou racismo com integrantes da Mandata ou com você?</strong><br></p>



<p>É óbvio que podem ter comentários racistas, mas eu não tomo conhecimento. Já aconteceu várias vezes com as meninas na Alesp. Já aconteceram várias situações, inclusive. É que tem uma coisa que é mais polida comigo, porque sou a deputada. </p>



<p></p>



<p><strong>Vocês chegaram a tomar alguma atitude, institucionalmente?</strong><br></p>



<p>A gente tem uma ilha, estamos sempre juntas. Nem todo mundo circula. E as pessoas do gabinete, da Mandata estão muito letradas em relação ao racismo. Então vem e volta. A gente não acumula essas violências. Teve uma situação que uma assessora de alguém veio colocar a mão no meu cabelo e perguntar como eu dormia. Eu fui muito tranquila, segurei a mão dela, e falei que ela estava provando que existe racismo no Brasil. Né? Disse &#8220;Como é que você pode achar meu corpo tão diferente, tão estranho, tão exótico ao ponto de você tocar, quando eu sou a maioria da população? Outra coisa, não se toca na cabeça de uma pessoa do candomblé. Mas eu sou pedagógica com você porque você é uma pessoa muito legal, se não fosse eu ia decepar a sua mão&#8221;. Soltei a mão dela.<br></p>



<p>A gente tem um preparo. Mas eu preciso fazer essa afirmação: a Alesp é menos violenta, neste sentido, do que a gente imaginava. Ela é mais tóxica quando você vê os projetos horrorosos que passam, projetos que elaboram a transfobia. É mais relacionado à transfobia e ao debate público sobre violência de gênero, principalmente. <br></p>



<p>O racismo se pratica lá na violência policial. Em relação à legitimação da violência policial. Como projetos e como discurso político. Isso eu posso dizer. Além da transfobia. Com o racismo estrutural eles são mais polidos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Após um ano de mandata e sendo 2020 um ano de eleições municipais, como você vê os limites e possibilidades de construção dentro dos partidos?</strong><br></p>



<p>Todos ruins, todos incipientes, todos extremamente apegados às mesmas hóstias que os fundaram num processo histórico e estrutural. Não conseguem ainda olhar com a radicalidade necessária o fundamento racial, tampouco de gênero. Todos.</p>



<p></p>



<p><strong>E o quão independente dá para ser de um partido? Você está no Psol…</strong><br></p>



<p>Eu acho que os partidos ocupam um lugar muito importante e necessário dentro de um processo democrático. Mas eles só têm sentido se eles forem uma resposta imediata do que a sociedade civil clama.<br></p>



<p>Então quando se fala em voltar para as bases eu acho muito triste. Eu nunca saí das bases, gente. Talvez tenha algo aí que precise ser visualizado. E antes de um projeto de partido, precisamos ter um projeto de sociedade. E um projeto de sociedade que perpassa, que está atrelado, comprometido com a desconstrução dessas violências estruturais.<br></p>



<p>Eu sempre digo que não há esquerda no Brasil. As pessoas da esquerda estão ficando bravas comigo. Só há esquerda quando raça for colocada como fundamento, como questão crucial e que desemboca em classe. Mas raça aqui é onde se distribui as relações de poder. Não dá para achar que aqui classe é como se constrói a esquerda europeia. <br></p>



<p>Nós ,enquanto sociedade civil, precisamos constantemente revalidar as nossas forças que antecedem e justificam os partidos. Não o contrário. E aí a resiliência partidária neste momento histórico é de simplesmente ouvir e agir em função dessa escuta.</p>



<p></p>



<p><strong>Isso não tem acontecido?</strong><br></p>



<p>Aonde? Eu quero ver se a Vilma Reis vai ser candidata em Salvador. Se a Vilma Reis não for candidata em Salvador isso é muito sério. Significa que o PT não ouviu nada. Se eles querem descer ladeira abaixo, que desçam. Só não leve o povo preto junto mais. A gente quer ver, eu quero ver nas eleições municipais qual será. É muito fácil colocar a gente sem viabilizar a candidatura. Porque a gente aumenta o coeficiente eleitoral</p>



<p></p>



<p><strong>E fortalece certa narrativa&#8230;</strong><br></p>



<p>A gente está falando de outra coisa. Estaremos de olho. Se querem romper, que rompam. Se querem continuar rompidos, que continuem. Agora saibam que é isso, não dá. Serão engolidos também porque os reaças estão a todo vapor, a extrema direita está a todo vapor. E se você não conta com a força de uma militância que trabalha efetivamente com paixão não há projeto. Porque trabalhar por desespero é uma coisa, agora trabalhar por paixão e por acreditar no projeto político é outra. E agora não adianta colocar qualquer pessoa, como o de sempre, porque é de x ou y, para as pessoas votarem, porque a pessoa é simpática. Não, as pessoas querem se ver. As pessoas precisam serem vistas. A gente precisa romper com esse ciclo vicioso da representatividade que não chega às populações que foram colocadas à margem desse processo histórico de decisão.</p>



<p></p>



<p><strong>Você já disse em outras entrevistas que Bolsonaro não representa o fim do mundo para o povo negro, que sempre esteve de fora dos projetos de desenvolvimento. Você continua sustentando essa ideia? Acredita que Bolsonaro ou o bolsonarismo é uma ameaça à democracia?<br></strong></p>



<p>Bolsonaro é o fim de qualquer noção de civilidade. Ele é a legítima, legitimada força que corresponde às violências desse projeto de civilização ocidental, brancocêntrica. É a tempestade colonial de novo, isso sustentado novamente pelo fundamentalismo religioso, novamente pelo poder econômico. Os mesmos de sempre.<br></p>



<p>Agora o que eu falo que não é o fim do mundo é que ele não nasceu agora. Bolsonaro é uma construção histórica, social, de poder, que em uns tempos ou outros da história mais ou menos eles estiveram presentes.<br></p>



<p>Mas uma coisa eu posso te dizer, o estado de exceção sempre esteve presente. O genocídio da população negra tem um crescimento vertiginoso e não foi agora. A gente sabe em quais anos foi. A gente precisa olhar de novo isso. É óbvio que eu não comparo e acho que eu gostaria de estar criticando o Fernando Henrique agora, por exemplo. Mas a gente tem que chegar neste limbo, neste fosso para produzir crítica por algo que nem deveria ser passível de crítica. É tão execrável que para formular uma crítica é difícil. É execrável, é um ser vazio, é perverso, ignorante. Mas que corresponde a um projeto de poder.<br></p>



<p>Ele não é o fim do nosso povo, de jeito nenhum. Cabral não foi, as capitanias, nem Dom João e etc. Nunca foram. Agora é óbvio que ele encampa um projeto de morte. Ele está legitimado para isso e no fundo, ou no raso, a gente tem visível esse projeto perverso e espero que tenhamos coerência e coragem para construir um projeto radicalmente oposto a isso. E isso obviamente não perpassa pelas concessões, ou pelas formas de fazer concessão que aconteceram até então.</p>



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