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	<title>Arquivos reassentamento - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos reassentamento - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Reassentamento ou expropriação? Reflexões sobre a realocação do quilombo de Mercês por Suape</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Oct 2024 12:11:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Luis Paulo Santana* Como antropólogo que acompanha de perto o quilombo Ilha de Mercês desde 2019, me sinto compelido a compartilhar minhas observações e reflexões sobre o recente projeto do Complexo de Suape divulgado no Diário Oficial do Estado de Pernambuco. De acordo com a publicação, foi firmado um acordo do complexo portuário de [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Luis Paulo Santana*</strong></p>



<p>Como antropólogo que acompanha de perto o quilombo Ilha de Mercês desde 2019, me sinto compelido a compartilhar minhas observações e reflexões sobre o recente projeto do Complexo de Suape divulgado no Diário Oficial do Estado de Pernambuco. De acordo com a publicação, foi firmado um acordo do complexo portuário de Suape com a Universidade de Pernambuco (UPE) para a realocação do quilombo de Ilha de Mercês. O objetivo do acordo é “garantir que a transferência dos remanescentes do quilombo Ilha de Mercês seja feita de maneira respeitosa”.<br><br>Os conflitos entre o empreendimento portuário e o quilombo, assim como com outras comunidades assentadas na região, vêm desde sua origem, na transição entre as décadas de 1970 e 1980. Com a expansão incessante das operações e atividades de Suape, terras historicamente pertencentes à comunidade quilombola da Ilha de Mercês foram invadidas e expropriadas sem o devido consentimento ou compensação justa. Essa expansão, marcada pela construção do porto, rodovias e indústrias, resultou na fragmentação do território quilombola, na destruição de áreas de cultivo e pesca, além da violação de locais de memória importantes para a comunidade.<br><br>Após quatro décadas de impasses e conflitos, uma possível solução surge aos olhos da sociedade, conforme divulgado em 04/10/2024. Contudo, esse projeto levanta mais dúvidas e incertezas do que propriamente confiança.<br><br>Primeiramente, é crucial entender que esta proposta de reassentamento está embasada no Plano Diretor do Complexo de Suape, atualizado em dezembro de 2022, sendo uma versão mais desenvolvida e detalhada do plano original de 2011. Apesar de melhorias na linguagem e maior atenção às questões sociais, habitacionais e ambientais, o plano mantém o mesmo objetivo: a expansão da região para o desenvolvimento portuário.<br><br>Ao tratar das questões fundiárias, o Plano Diretor Suape 2035 defende, com exceção de alguns casos, o reassentamento das comunidades ali localizadas, alegando que as áreas são incompatíveis com as atividades industriais ou com a vocação ambiental do local. O termo utilizado, &#8220;Reassentamento Involuntário&#8221;, é claro por si só e revela que a realocação ocorrerá independentemente da vontade das comunidades em questão.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/reassentamento-ou-expropriacao-reflexoes-sobre-a-realocacao-do-quilombo-de-merces-por-suape/" class="titulo">Reassentamento ou expropriação? Reflexões sobre a realocação do quilombo de Mercês por Suape</a>
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                            <a href="https://marcozero.org/formatos/opiniao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Opinião</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Este é um ponto problemático, especialmente para o quilombo Ilha de Mercês, situado em grande parte na Zona Industrial Portuária (ZIP) e na Zona Industrial (ZI). O Complexo de Suape não oferece alternativas além da realocação, o que já revela uma falta de abertura para um diálogo verdadeiramente horizontal. Vale lembrar que Brasil é signatário da Convenção 169 da OIT, que, em seu Artigo 16, inciso 2, determina que o reassentamento de comunidades tradicionais só pode ocorrer com o consentimento livre e informado da própria comunidade. No entanto, convém registrar, o acordo divulgado entre o Complexo de Suape e a UPE para a realização do projeto de reassentamento do Quilombo de Ilha de Mercês não conta com uma plena concordância interna. Ao contrário, a proposta de reassentamento gerou uma grave divisão interna na comunidade, resultando em conflitos significativos.<br><br>Além disso, é preciso também destacar que o suposto “sucesso” desse acordo se trata de uma resposta tardia a uma catástrofe prolongada que atinge profundamente a comunidade, cujas raízes e cultura foram desrespeitadas. Até pouco tempo atrás, essa proposta certamente seria vista com desdém pela comunidade. No entanto, são quatro décadas de violações territoriais e culturais que levaram parte do Quilombo a considerar a realocação como uma saída menos onerosa, visto que o território, que deveria ser protegido, está cada vez mais comprometido, tanto do ponto de vista social quanto ambiental. Por outro lado, o Complexo de Suape promove essa situação como um &#8220;case de sucesso&#8221;, ignorando os problemas históricos que ele mesmo causou.<br><br>Assim, a divisão interna na comunidade e os conflitos advindos dessa proposta indicam que a consulta realizada pelo Complexo de Suape foi inadequada. A aceitação do reassentamento nunca foi unânime e afirmar que o território pertence apenas ao empreendimento ignora o território ancestral — muito anterior ao próprio Complexo de Suape — e a necessidade de consentimento pleno da comunidade, violando assim os direitos garantidos pela Convenção 169 da OIT. A falta de um processo genuíno de diálogo e a ausência de informações completas comprometem o caráter livre e informado da consulta. Ainda que parte da comunidade aceite o acordo devido à precariedade do território, isso não elimina as falhas no processo de negociação, que claramente carece de maior atenção e equilíbrio.<br><br>Além disso, algumas perguntas permanecem: como será resolvida a questão dos quilombolas de Mercês que não desejam sair do território? Serão deslocados à força, violando direitos fundamentais? Isso contraria a própria Convenção 169 da OIT, que garante o direito de dizer &#8216;não&#8217;. Para aqueles que aceitaram o reassentamento, para onde irão? A mesma convenção estabelece que as comunidades, ao serem reassentadas, devem ser transferidas para &#8220;terras cuja qualidade e cujo estatuto jurídico sejam, no mínimo, iguais às que ocupavam anteriormente, garantindo suas necessidades e seu desenvolvimento futuro&#8221;. <br><br>Será que o Complexo de Suape será capaz de garantir terras férteis e próximas de rios, mangues e mar, essenciais para pescadores, marisqueiros e agricultores? Se considerarmos o cenário em que toda a comunidade seja realocada, o que acontecerá com o atual território da comunidade? O Plano Diretor prevê uma ampliação portuária até 2035. Há, ainda, a previsão de uma outra expansão após 2035, que inclui a construção de grandes canais de navegação adentrando o território. Pelo mapa apresentado para o cenário pós-2035, é possível observar que, com a finalização desses canais e novos terminais dentro da área do porto organizado, rios e manguezais locais deixarão de existir em suas formas atuais, o que invariavelmente causará um impacto ambiental de proporções imensuráveis. Não haverá compensação ambiental possível para a destruição desses ecossistemas.<br><br>Por fim, o histórico do Complexo de Suape, bem documentado ao longo dos anos por diversos estudos e relatos de pessoas que vivenciaram o processo de expropriação, não inspira confiança. Seu atual instrumento de planejamento urbano e gestão territorial não garante uma abordagem social e ambientalmente responsável para o futuro da região. É fundamental que Suape reconheça sua responsabilidade pela situação atual da comunidade quilombola e promova um diálogo intercultural respeitoso, levando em consideração os valores, a cultura e os modos de vida do Quilombo de Ilha de Mercês.<br><br>Em sua publicação no Instagram, o Complexo de Suape garantiu que &#8216;durante todo o andamento da ação, será garantida a participação ativa da comunidade, em todas as fases, desde o planejamento até a implementação&#8217;. No entanto, à luz dessa declaração, desconfiamos da possibilidade de a comunidade recusar um reassentamento em uma situação que não tenha equivalência socioecológica às terras que atualmente ocupam. Desconfiamos também de que haverá respeito ao direito de dizer &#8216;não&#8217; por parte daqueles que resistem ao reassentamento. Desconfiamos, assim, da ideia de que o que se desenha para o Quilombo Ilha de Mercês é uma realocação respeitosa. É necessário um posicionamento crítico diante da gravidade da situação, bem como que toda a sociedade tenha plena consciência dessas dinâmicas, para que possamos estar atentos às condições que Suape e a UPE estão prestes a impor a essas pessoas no processo de reassentamento.</p>


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        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Antropólogo, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA/UFPE) e bacharel em Ciência Política (DCP/UFPE). Pesquisa comunidades tradicionais, impactos de grandes empreendimentos e conflitos socioambientais. Integrante da Associação Pernambucana de Defesa da Natureza (Aspan).</p>
    </div>



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