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	<title>Arquivos Recital Boca no Trombpne - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos Recital Boca no Trombpne - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Poesia como arte de resistência que nasce nas periferias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Jun 2018 14:32:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Coletivo Controverso Urbano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Poesia como resistência. Mais do que rimas, versos e estrofes, poesia que ocupa ruas declamada por corpos que muitas vezes não possuem o privilégio de ter a rua como um espaço de segurança. Os slams são batalhas de poesia que&#160;acontecem&#160;em espaços públicos e têm crescido em importância e visibilidade no Recife e&#160;reacendem o debate sobre [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Poesia como resistência. Mais do que rimas, versos e estrofes, poesia que ocupa ruas declamada por corpos que muitas vezes não possuem o privilégio de ter a rua como um espaço de segurança. Os <em>slams</em> são batalhas de poesia que&nbsp;acontecem&nbsp;em espaços públicos e têm crescido em importância e visibilidade no Recife e&nbsp;reacendem o debate sobre arte e&nbsp;política na cidade. No último dia 16 de junho, a roda de conversa <em>Nós por nós: poesia como resistência</em>,&nbsp;promovida pelo projeto <a href="http://usinadevalores.org.br/">Usina de Valores</a>, reuniu grupos de Pernambuco com a experiência do <a href="http://www.vozdascomunidades.com.br/colunas/opiniao/slam-laje-poesia-e-arte/">Slam Laje</a>&nbsp;do Rio de Janeiro, no Parque 13 de Maio, no&nbsp;centro da cidade.</p>
<p>A característica interessante do movimento de <em>slam</em>, no entanto, está no fato de que as experiências de recitais, batalhas e <em>slams</em> nascem e se estabelecem nas comunidades. É nesses locais que um público que muitas vezes não circula no centro do Recife tem oportunidade de, por meio da poesia, da rima e da performance, ter contato com a política, a crítica social e econômica. Acesso a temas como o racismo, o machismo, o preconceito de classe e a discriminação de expressões culturais e religiosas.</p>
<p>O <a href="https://www.facebook.com/recitalbnt/">Recital Boca no Trombone</a>, que&nbsp;acontece toda terça-feira no bairro de Água Fria, periferia do Recife, por&nbsp;exemplo, reúne na pracinha ou no campo de futebol do bairro diversos jovens que começam, muitos com 13 ou 14 anos, a performar com palavras e rimas questões que atravessam suas vidas.&nbsp;O <a href="http://controversourbano.wixsite.com/controversurbano">Coletivo Controverso Urbano</a>, um dos mais antigos dos que participaram do evento, vem de uma &#8220;velha guarda&#8221;, quando&nbsp;ainda não estava consolidada a prática do <em>slam</em> e sim de recitais como&nbsp;espaços de partilha de poesias autorais e conexão entre artistas, também tem experimentado a roda e o <em>slam</em>.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft wp-image-9416" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/slam-o-que-é-INFOGRAFICO.png" alt="slam o que é - INFOGRAFICO" width="500" height="1078">Na contramão da ideia de sair das localidades onde moram, têm suas raízes e constroem suas referências de vida, e ir em direção ao centro da cidade, o <a href="https://www.facebook.com/slamdasminaspe/">Slam das Minas</a> ecoa urgências faladas em rodas de debate de movimentos sociais à esquerda: é preciso ir ou retornar às bases.</p>
<p>Depois da vitória de <a href="https://www.facebook.com/bellpuan/">Bell Puã</a>&nbsp;no Campeonato Nacional Slam BR e da participação dela na competição mundial de Slam, na França, o Slam das Minas PE e outras experiências de recital e batalha de poesias têm tomado uma dimensão na vida pública, com repercussão em novos grupos e mais pessoas curiosas chegando para conhecer e&nbsp;participar dos <em>slams</em>. “Poesia existe justamente para a gente colocar para fora as nossas vivências”, conta Amanda Timóteo,&nbsp;uma das fundadoras do Slam das Minas PE.</p>
<p>A necessidade de pensar a descentralização dos <em>slams</em> e alcançar outros públicos nas periferias motivou uma decisão do Slam das Minas PE, que começará a realizar edições itinerantes&nbsp;em cidades da região metropolitana. “Tem aparecido muitos eventos para a gente fazer performances, participações e batalhas, mas em grande parte no Recife. Começamos a pensar nas mulheres de outras cidades e como seria importante ter <em>slam</em> nesses lugares. Até para conhecer outro público, mulheres com outras vivências. É muito interessante para a gente isso”, explica Amanda.</p>
<p>A primeira cidade que receberá o Slam das Minas com a proposta da itinerância é Igarassu, na região metropolitana do Recife. A apenas 26 quilômetros da capital, a chegada à cidade se torna longa e cansativa para quem depende do transporte público. A articulação acontece em parceria com um grupo feminista que vem realizando atividades sobre o tema na cidade.</p>
<p>“Temos companheiras que já frequentam, são de outras cidades e costumam vir até o centro do Recife para sacar o Slam das Minas. A partir disso a gente pensou em Igarassu. E agora estamos pensando em fazer em outras cidades da região metropolitana”, conta Amanda. A próxima cidade deverá ser Jaboatão dos Guararapes, também na RMR.</p>
<p>É o caso do Slam da Praça, outras experiência que já nasceu com a ideia de levar as batalhas para as periferias, em locais inusitados e onde nem se imaginaria haver poesia. Por esse mesmo motivo, onde talvez exista maior&nbsp;urgência de ocupação de praças, viadutos e ruas com arte. A&nbsp;iniciativa já teve duas edições e&nbsp;acontecerá de modo itinerante em Jaboatão dos Guararapes.</p>
<p>[pullquote<em>]<span style="color: #3366ff;">&#8220;E as notícias são tão tristes</span></em><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Até quando não passam</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Na tela</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> E são notícias silenciadas</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Sentenças que a favela</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Leva</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Por ser preto</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Favelado</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Descaso do governo</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> É ver mais um preto</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Perfurado</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Até quando</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Capitão do mato</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Vai quebrar canela preta</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Que sobe a ladeira</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Cansado</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> E eles lá quer saber</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Se tu veio do trabalho</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Ou tava só dando una trago</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Igual como playboy</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Fuma maconha no carro</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Nem é abordado</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> E o tráfico caro</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Criminalidade é um fardo</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> De quem carrega</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Sangue afro na veia</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Que quanto mais</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Concentrado a cor</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Da pele</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Mais se pago o preço escravo</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> É linchado</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Pela polícia</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Marginalizado</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> É Brasil brasileiro</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Mulato</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Escravista</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Berço de tantos filhos</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Fruto de estupros das índias</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> E negras assustadas</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> E mães que choram</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> A alma dos seus filhos</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Assassinados</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Vai ter vermelho sangue</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> mais quanto tempo</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Nessas viaturas caras</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> e nessas ruas escuras vazias</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> E da barreira de barro</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Quantos corpos</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> vão ser necessários</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Correr mortos&#8221;</em></span><br />
<span style="color: #3366ff;"> <em> Trecho de poesia recitada </em></span><br />
<em><span style="color: #3366ff;">pela poeta Amanda Timóteo</span>[/pullquote]</em></p>
<h2><strong><br />
Violência que atravessa</strong></h2>
<p>O racismo persegue&nbsp; jovens periféricos e eles respondem com gritos e rima às violências do dia a dia. Em praça pública, à luz do dia, enquanto&nbsp;chegavam para participar da roda de conversa no Parque 13 de Maio, um grupo de&nbsp;jovens negros foi abordado pela Guarda Municipal ao lado de onde já estavam concentradas diversas pessoas que esperavam pelo início do evento. Uma viatura&nbsp;com quatro guardas e mais três que chegaram depois abordando ostensivamente seis jovens que saíram de casa para ouvir e recitar poesia numa praça pública é a imagem que ficou. No entanto, para muitos presentes a cena faz parte do cotidiano de violências e abusos&nbsp;com os quais convivem, mas não naturalizam.</p>
<p>&#8220;Aquilo me lembrou uma cena do filme Besouro. A cena em que o capitão do mato quebra a perna do mestre de capoeira. Eu vi isso, eu presenciei.&nbsp;Isso está super enfiada na nossa cultura e na nossa sociedade. A censura da arte, e o racismo. É tudo sobre o racismo. Mas o&nbsp;<em>slam</em> serve para&nbsp;isso. Poesia é um protesto&#8221;, conta Amanda sobre o episódio. No começo, ela&nbsp;relata que não acreditou na abordagem naquela circunstância, mas&nbsp;a surpresa não durou muito. &#8220;Isso acontece diariamente, não é uma coisa isolada. Acontece no cotidiano de quase todas as pessoas que estavam no sarau. Então é por isso que a gente faz poesia de resistência, com arte&#8221;.</p>
<h2><strong>Nós por nós e conectados</strong></h2>
<p>Sendo mulheres e transitando em espaços periféricos, seja no Recife e região metropolitana ou nas favelas do Rio de Janeiro, a relação com a poesia como&nbsp;meio de resistência&nbsp;é evidente. A troca de experiências que aconteceu com a roda de conversa <em>Nós por nós</em>, por exemplo, foi&nbsp; fundamental para conectar e dar ânimo às participantes. Além disso, permitiu conhecer o funcionamento, o modo de organização e mobilização de outro <em>slams</em>.</p>
<p>&#8220;O <em>slam</em> tem muito das mulheres se unirem para desabafar sobre as vivências delas enquanto periféricas, lésbicas, negras. O <em>slam</em> canaliza tudo isso e, como acontece na rua, é importante porque é na rua onde a gente circula. O urbano, na nossa favela, em qualquer espaço, seja no centro ou na favela, a gente passa por diversas situações de machismo e racismo&#8221;, explica Amanda.</p>
<p>Para ela, conhecer a experiência do Slam da Laje, do Rio de Janeiro, que&nbsp;acontece dentro&nbsp;do Complexo&nbsp;do Alemão, um dos maiores agrupamentos populares daquela cidade,&nbsp;vira uma chave sobre como envolver mais moradores das comunidades e chamar atenção para importância de <em>slams</em> dentro das favelas. &#8220;Conhecer (Sabrina) Martina (do Slam da Laje) deu outra dimensão da&nbsp;importância do <em>slam</em> dentro das periferias porque é onde as pessoas mais precisam de arte, pois a arte também educa e influencia positivamente as pessoas&#8221;, conta.</p>
<div id="attachment_9423" style="width: 510px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/Roda-Nós-por-nós-Usina-de-Valores-16.06-2.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-9423" class="wp-image-9423" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/Roda-Nós-por-nós-Usina-de-Valores-16.06-2-300x225.jpg" alt="Roda Nós por nós - Usina de Valores 16.06 (2)" width="500" height="375"></a><p id="caption-attachment-9423" class="wp-caption-text">Martina Sabrina, do Slam Laje RJ, na roda de conversa no Recife.</p></div>
<p>&#8220;Era para a gente estar falando de poesia, mas vê do que a gente está falando. Não podemos esperar uma tragédia para nos unirmos&#8221;, pediu Sabrina Martina, do Slam Laje RJ,&nbsp; que veio ao Recife participar do curso sobre poesia como resistência e também presenciou a abordagem policial aos jovens que caminhavam para a roda de <em>slam</em>.</p>
<p>Para ela,&nbsp;a vivência da população periférica, em grande parte negra, tem que alimentar a produção poética e o posicionamento político das pessoas. &#8220;Não me considero de direita, nem de esquerda. Nós fazemos ataques poéticos para falar da nossa vida, do que nos mata&#8221;, conta e explica que a luta por uma vida melhor, por meio da arte, é antirracista. Outra urgência é construir meios de proteger a si mesmos, com&nbsp;estratégias de comunicação e segurança compartilhadas entre <em>slams</em>.</p>
<p>&#8220;Onde eu moro não chegam essas informações de que a cada 23 minutos um jovem negro é morto.&nbsp;Esse jovem negro é um nome, meu irmão,&nbsp;meu&nbsp;primo, alguém que eu conhecia. Então a gente tem que se cuidar&#8221;, conta Martina. Entre as estratégias que já colocam em prática no Rio de Janeiro está o uso de celulares para filmar abordagens policiais, grupos de conversa para avisar quando há policias ou conflitos no caminho para o <em>slam</em>. Desse modo, as pessoas sabem que locais evitar para se manterem em segurança.</p>
<p>Ao longo de 2018, outras experiências têm surgido no interior do estado, como o Slam das Minas Caruaru e o&nbsp; Slam Agreste, os dois no agreste pernambucano, e também o Poetry Slam PE, que&nbsp;acontece em Olinda. Além dessas, as&nbsp;poetas&nbsp;acreditam que devam existir outras iniciativas nascendo&nbsp;mas sobre as quais&nbsp;ainda não se têm notícia.</p>
<h2><strong>Cenas poéticas e políticas</strong></h2>
<div id="attachment_9425" style="width: 460px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/Roda-Nós-por-nós-Usina-de-Valores-16.06-4.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-9425" class="wp-image-9425" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/Roda-Nós-por-nós-Usina-de-Valores-16.06-4-300x225.jpg" alt="Roda Nós por nós - Usina de Valores 16.06 (4)" width="450" height="338"></a><p id="caption-attachment-9425" class="wp-caption-text">Roda de conversa <em>Nós por nós</em>, organizada pelo projeto Usina de Valores</p></div>
<p>Tacio Russo, do Coletivo Controverso Urbano, conta que pôde observar a mudança de recitais&nbsp;que tinham objetivo de trocar poesias e, aos poucos, se tornaram&nbsp;núcleos de resistência. &#8220;O&nbsp;Controverso começou como uma vanguarda na poesia, apadrinhado pelos poetas marginais do Recife, mas depois foi chegando gente nova fazendo coisas diferentes&#8221;, relembra.</p>
<p>&#8220;Você vai para&nbsp;o Recital Boca no Trombone, por exemplo, e é meio que um quilombo. A gente não tinha ideia, mas ao mesmo tempo fomos forjando também essas experiências&#8221;, explica. O Controverso&nbsp;tem quatro anos de história e agora vem experimentando também&nbsp;as batalhas de <em>slam</em>&nbsp;nos eventos que promove.</p>
<p>Uma das&nbsp;características do grupo é que os recitais sempre acontecem em espaços públicos e sem microfone. O que nasceu de uma limitação de estrutura (nem sempre se tinha acesso a energia ou caixa de som) se tornou uma expressão política. &#8220;Além de limitar a performance do poeta, o microfone sempre era um problema. Então percebemos que o ato de gritar sempre foi uma coisa muito particular. A própria voz do poeta alimenta a roda. E você estimula a horizontalidade, o respeito, a importância de se ouvir o outro&#8221;, explica Russo.</p>
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