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	<title>Arquivos Rede Legislativa - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos Rede Legislativa - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Com sinal digital, mas sem recursos, TV Alepe depende de vontade política</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Apr 2019 14:09:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[alepe]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Legislativa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No site da Rede Legislativa está registrado que 22 capitais brasileiras têm TVs conveniadas. O objetivo da rede nacional de canais de TV digital e rádio FM é incentivar que os poderes legislativos estaduais e municipais montem suas emissoras de rádio e televisão, com sinal aberto e gratuito, e garantam transparência e acesso da população [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/com-sinal-digital-mas-sem-recursos-tv-alepe-depende-de-vontade-politica/">Com sinal digital, mas sem recursos, TV Alepe depende de vontade política</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No site da Rede Legislativa está registrado que 22 capitais brasileiras têm TVs conveniadas. O objetivo da rede nacional de canais de TV digital e rádio FM é incentivar que os poderes legislativos estaduais e municipais montem suas emissoras de rádio e televisão, com sinal aberto e gratuito, e garantam transparência e acesso da população ao trabalho feito nas assembleias e câmaras. Recife está nessa lista, mas, na prática, nem a Assembleia Legislativa de Pernambuco, nem a Câmara Municipal do Recife têm emissoras de TV próprias em funcionamento.</p>
<p>Desde sua criação, a chamada TV Alepe nunca teve um canal próprio, aberto, em que as pessoas possam sintonizar e assistir à programação com conteúdo integral da Assembleia Legislativa de Pernambuco. O modelo adotado pelas sucessivas presidências da Casa foi o de terceirizar a produção de conteúdo (programas, transmissões ao vivo, etc) e veicular em canais de televisão de terceiros.</p>
<p>Nesse histórico, a Alepe já teve programas veiculados na TV Universitária e na TV Nova Nordeste. A primeira, uma concessão educativa vinculada à Universidade Federal de Pernambuco, durou seis anos, o máximo permitido pela legislação. Foi uma ação movida pela Funcomarte (razão social da TV Nova Nordeste) que originou a suspensão do contrato da TV Universitária com a Alepe.</p>
<div id="attachment_15101" style="width: 410px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Captura-de-Tela-2019-04-14-às-23.56.18.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15101" class="wp-image-15101" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Captura-de-Tela-2019-04-14-às-23.56.18-300x206.png" alt="Captura de Tela 2019-04-14 às 23.56.18" width="400" height="276"></a><p id="caption-attachment-15101" class="wp-caption-text">LOA da Alepe em 2016 prevê recurso para montar TV Alepe</p></div>
<p>O ato seguinte à decisão judicial foi a contratação da própria Funcomarte para prestar o mesmo serviço de produção de conteúdo e veiculação dos programas da TV Alepe, desta vez no canal da TV Nova Nordeste. A prestação de serviços durou de 2009 a 2015, quando o impedimento legal de seis anos também fez encerrar o contrato.</p>
<p>Nesse meio tempo, em 2014, a Assembleia firmou um <a href="http://www.recife.pe.leg.br/portal-da-transparencia/licitacoes-e-contratos/convenios-e-congeneres-1/empresas-docs/assembleia-legislativa-do-estado-de-pernambuco-e-camara-dos-deputados/acordo-de-cooperacao-tecnica-ndeg-2014.219.0">acordo de cooperação técnica com a Câmara dos Deputados para integrar a Rede Legislativa</a>. O acordo trouxe para Pernambuco mais um canal aberto de televisão no sinal digital. Dentro dele é possível sintonizar quatro faixas: a TV Câmara, a TV Senado e duas outras reservadas para a TV Alepe e a TV Câmara do Recife.</p>
<p>O movimento para a criação de uma TV Alepe teve um novo marco <a href="http://web.transparencia.pe.gov.br/planejamento-orcamento/lei-orcamentaria-anual-loa/">em 2016, quando, pela primeira vez, uma emenda parlamentar foi destinada à &#8220;implantação e manutenção de Canal Próprio de TV e emissora de rádio&#8221;</a>. A atividade 2.743 da Lei Orçamentária Anual do Poder Legislativo tinha, naquele ano, uma destinação de R$ 6.850.000,00 para este fim. No entanto, esse recurso não foi executado.</p>
<p>Em 2017, o mesmo valor esteve presente, mas não executado, no Projeto de Lei Orçamentária Anual. Em 2018, a previsão orçamentária para a implantação da TV saltou para R$ 7.1000.000,00. Em 2019, o recurso previsto é de R$ 7.508.900,00 (acesso aos documentos <a href="http://www.alepe.pe.gov.br/loa/">aqui)</a>. O valor previsto nas LOAs deve dar conta do investimento inicial para montar toda a emissora e, então, colocar a TV Alepe no ar, com autonomia e canal próprio. Esse valor inclui a compra dos equipamentos de produção e pós-produção, além de contratação dos profissionais técnicos.</p>
<p>Atualmente, o canal da Alepe, na faixa 28.2 digital, espelha a programação da TV Pernambuco, com apenas 1 hora e 15 minutos de programação diária própria.</p>
<p>A Assembleia possui dois contratos em vigência hoje com a Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC)/TV Pernambuco. &nbsp;O contrato de&nbsp;<a href="http://www.alepe.pe.gov.br/contratos-detalhe/?cod=2190&amp;istermo=S">compartilhamento de estrutura de transmissão</a>&nbsp;(transmissor instalado no Morro do Peludo utilizado tanto pela TV Alepe, como pela TV Pernambuco), com custo de R$ 387.332,76 ao ano, foi renovado, com mesmo valor. O segundo contrato está em discussão para possível ampliação e corresponde à prestação de serviços técnicos (aluguel de equipamento, pessoal e infraestrutura) para captação e produção de programas e a exibição da atividade legislativa.</p>
<p><span style="color: #000000;">A equipe de profissionais da comunicação concursados da Alepe &nbsp;produz o conteúdo com os serviços prestados (equipamentos, técnica e infraestrutura) pela TV Pernambuco &#8211; emissora pública de comunicação. Os produtos são disponibilizados no <a href="https://www.youtube.com/channel/UCNjJWreJwI-urKcq0AF6ihQ">canal do Youtub</a>e e no portal da Alepe. &nbsp;</span></p>
<p>As dúvidas sobre o porquê de a emissora TV Alepe &nbsp;não sair do papel são muitas. &nbsp;Afinal, por que mesmo com previsão orçamentária desde 2016 a TV não existe como deveria, com canal próprio e na televisão aberta?</p>
<h3>Projeto e novo planejamento</h3>
<p>Superintendente de Comunicação da Assembleia Legislativa de Pernambuco, o <a href="http://www.alepe.pe.gov.br/2018/12/17/ricardo-costa-faz-balanco-de-sua-atuacao-em-despedida-na-assembleia/">ex-deputado Ricardo Costa </a>assumiu o cargo há cerca de dois meses. Costa é publicitário e empresário do ramo de comunicação. Em entrevista à Marco Zero Conteúdo, o gestor afirmou que a Alepe deverá ter as emissoras de TV e rádio próprias até o fim do ano. &#8220;Não tenho encontrado nenhuma resistência a nada do que tenho levado para a Mesa Diretoria. Tenho discutido e tido aprovação, mostrando justamente a boa vontade que essa gestão tem com o aperfeiçoamento da comunicação da Assembleia&#8221;, disse. Ele negou a possibilidade de voltar a existir um contrato com a TV Nova Nordeste &#8211; <a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/aditivo-6-funcomarte.pdf">de 2009 a 2015 a empresa prestou serviços de produção para a TV Alepe</a>, que incluiu também a veiculação dos conteúdos produzidos na TV Nova Nordeste. Costa concedeu entrevista à MZ ao lado do recém nomeado chefe do Departamento de TV da Alepe, o jornalista Pedro Paulo, fundador da TV Nova Nordeste.</p>
<div id="attachment_15303" style="width: 410px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/12.17-REUNIAO-PLENARIA-RICARDO-COSTA-BL-19-1024x683.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15303" class="wp-image-15303" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/12.17-REUNIAO-PLENARIA-RICARDO-COSTA-BL-19-1024x683-300x200.jpg" alt="Ricardo Costa assumiu a Superintendência de Comunicação da Alepe em 2019, após não ser reeleito em 2018 como deputado estadual. Foto: Breno Laprovitera" width="400" height="267"></a><p id="caption-attachment-15303" class="wp-caption-text">Ricardo Costa assumiu a Superintendência de Comunicação da Alepe em 2019, após não ser reeleito em 2018 como deputado estadual. Foto: Breno Laprovitera/Alepe</p></div>
<p>Segundo Costa, já está em andamento a produção do termo de referência para licitar a compra de equipamentos e estrutura. Além disso, na sexta-feira (26), seria apresentada à Mesa Diretora o projeto atualizado e o planejamento estratégico da comunicação. Está em debate interno qual o modelo e o cronograma para implantar a emissora.</p>
<p>Até 2018, Ricardo Costa esteve na Assembleia como parlamentar (em 2018 não foi reeleito) e conta com o bom relacionamento na Casa para finalmente conseguir executar o orçamento previsto para a implantação da TV Alepe. &#8220;A&nbsp;gente está correndo contra o tempo. Às vezes pensa uma coisa, mas podem acontecer impeditivos que fogem ao nosso controle.&nbsp;Pode ser junho, julho, agosto, setembro, até o final do ano deverá estar tudo implantado&#8221;, explicou.</p>
<p>O projeto em que se baseia o ex-deputado foi apresentado, originalmente, em 2016, ano em que aparece pela primeira vez a ação &#8220;Implantação e manutenção de Canal Próprio de TV e emissora de rádio&#8221; na Lei Orçamentária Anual. A proposta foi pensada por gestores e servidores da comunicação da Alepe e vem sendo atualizada. Para o superintendente,&nbsp;<span style="color: #000000;">não há necessidade de abrir concurso público para novos profissionais nas funções operacionais das emissoras de TV e rádio. &#8220;Concurso já houve, não precisa mais não. Não tem nem a televisão, como vai ter concurso? No momento a gente está na fase de termo de referência para fazer a ampliação do que existe aí da televisão. A transparência nacional hoje tem que ser maior, a da Casa aqui é total, para que tudo seja feito com licitação&#8221;, disse. A Assembleia tem um quadro de jornalistas concursados que já produz os conteúdos veiculados por meio dos serviços terceirizados com a Empresa Pernambucana de Comunicação (EPC).</span></p>
<p>De acordo com o o novo chefe do Departamento de TV da Alepe, Pedro Paulo, o objetivo futuro é produzir 12 horas de programação própria e realizar 20 horas de transmissões ao vivo das plenárias e reuniões de comissões. Não há um cronograma definido de quando essa grade deve ser preenchida. &#8220;O orçamento&nbsp;será utilizado para que a televisão seja implantada em definitivo. Em definitivo a gente fala com a aquisição de equipamentos, ampliação da produção que hoje já existe&#8221;, explicou.</p>
<p>Ricardo Costa informou que teve uma reunião com o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Aluísio Lessa, para discutir a renovação do contrato <span style="color: #000000;">com a EPC/TV Pernambuco com o aumento de produtos e de pessoal.</span>&nbsp; &#8220;Eu coloquei a nossa necessidade de ampliação de conteúdo e ele está trabalhando lá para saber se realmente vai ter condição de fazer isso. Nós estamos só esperando porque o caminho seria muito mais curto com uma renovação com a EPC. Eles&nbsp;locam equipamentos e cedem pessoal técnico operacional. Hoje são 3 ou 4 pessoas que fazem isso, a ideia é ampliar para 15. São cinegrafistas, operadores, analistas de sistema, editores&#8221;, afirmou.</p>
<div id="attachment_15098" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/grade2019TValepe.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15098" class="wp-image-15098 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/grade2019TValepe-1024x355.jpg" alt="grade2019TValepe" width="702" height="243"></a><p id="caption-attachment-15098" class="wp-caption-text">Atualmente, a programação da TV Alepe é veiculada no canal da TV Pernambuco, composta por 5 diferentes produtos.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Sociedade civil alerta para conflito de interresses</h3>
<p>A <a href="http://www.alepe.pe.gov.br/Flip/index.php?dataatual=diario-oficial-2019-04-17">nomeação de Pedro Paulo, no Diário Oficial de&nbsp;17 de abril</a>, para comandar o Departamento de TV da Assembleia chamou a atenção de quem acompanha o debate em torno da implantação da TV Alepe. A nomeação foi vista com preocupação pelos ativistas que defendem o fortalecimento da comunicação pública. Existe o receio de que se retorne ao modelo de terceirização no momento em que se avançou para garantir a autonomia da TV. Sobre essa questão, o superintendente Ricardo Costa tomou a frente e respondeu por Pedro Paulo, afirmando que fazia isso &#8220;para não parecer que ele está se defendendo&#8221;. &#8220;A TV Nova não tem a menor participação aqui. Pedro Paulo não pertence mais à TV Nova. Pedro Paulo veio convidado por nós, cedido pelo Governo do Estado, porque ele fez uma televisão sem um centavo, depois entregou a televisão. Agora está ajudando com a expertise que tem como comunicador, apresentador de televisão, jornalista. E de empreendedor também. Não há interesse nenhum para a gente que a TV Nova venha para cá porque poderia indicar um nepotismo na Casa, que a gente não aceita&#8221;, afirmou o ex-deputado.</p>
<p>Já Pedro Paulo completou&nbsp;que aceitou o convite para o cargo pelo desafio profissional. &#8220;Com a entrada de Ricardo Costa e do presidente Eriberto Medeiros, eles me convidaram para esse desafio e só topei porque eu adoro conteúdo local. Enquanto passei pela TV Nova, ela teve a maior programação local do estado, e ainda hoje tem. Na época da TV Pernambuco, a mesma coisa&#8221;, afirmou. O gestor é servidor público, originalmente da TV Pernambuco, mas hoje está ligado ao IRH-PE (Instituto de Recursos Humanos de Pernambuco).</p>
<p>Outros interlocutores, no entanto, apontam para um conflito de interesses. Pedro Paulo é figura conhecida da comunicação pernambucana, tendo sido fundador e diretor-presidente da TV Nova Nordeste, onde manteve programa no ar (Pedro Paulo na TV) por vários anos. De acordo com o site da empresa, a TV nasce em 2004 com a sanção de “projeto de lei que previa uma nova concessão de TV para o estado de Pernambuco”. No entanto, não há qualquer menção ao fato de a <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=103325">concessão ser educativa</a>. A TV Nova Nordeste é também a única emissora<a href="https://fpa.com.br/cobertura/"> afiliada à TV Cultura</a> (emissora&nbsp;de comunicação pública de São Paulo) com canal aberto em Pernambuco.</p>
<div id="attachment_15306" style="width: 410px" class="wp-caption alignright"><a href="https://tvnova.tv.br"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15306" class="wp-image-15306" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/pedro-paulo-na-tv-300x112.png" alt="Imagem: TV Nova Nordeste" width="400" height="150"></a><p id="caption-attachment-15306" class="wp-caption-text">Pedro Paulo assumiu a chefia do Departamento de TV da Alepe no dia 17/04/2019. Imagem: TV Nova Nordeste</p></div>
<p>A jornalista Rosa Sampaio, conselheira do Conselho de Administração da TV Pernambuco, e do Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom), vê com estranheza a nomeação de Pedro Paulo. Apesar de não haver impedimento legal para ocupar o cargo, ela elenca o histórico da TV Nova Nordeste como motivos de preocupação. &#8220;É uma concessão educativa usada como privada. Além disso, loca espaços para grupos religiosos&#8221;, diz.</p>
<p>Por lei, de acordo com a <a href="http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=1&amp;data=21/09/2015&amp;pagina=80">Portaria Nº 4.335, de 17 de setembro de 2015</a>, “a radiodifusão educativa destina-se exclusivamente à divulgação de programação de caráter educativo-cultural e não tem finalidades lucrativas”. O instrumento legal prevê que a programação de cunho educativo e cultural seja integral. Além disso, também é proibido o “proselitismo de qualquer natureza na programação das emissoras de radiodifusão educativa”.</p>
<p>Ao&nbsp;ligar a televisão e sintonizar na TV Nova Nordeste, no entanto, é possível encontrar produções que, teoricamente, vão de encontro com o que prevê a legislação para a concessão de emissoras de televisão educativa. A programação do canal passa por programas produzidos por&nbsp;igrejas, com temáticas religiosas e outros gêneros de entretenimento.</p>
<p style="color: #000000;">O receio do Fopecom se apresenta de outra maneira. Rosa explica que a TV Alepe faz parte da comunicação pública, mas tem caráter estatal. Isso significa que existem princípios como o interesse público, transparência e diversidade que devem ser respeitados. &#8220;Já foi-se o tempo que você só via e escutava os parlamentares da situação ou a maioria da bancada. Esse espaço é para que a oposição fale, para que pequenos partidos também coloquem seus projetos. É uma TV estatal, mas ela tem que estar, pela lei da radiodifusão pública, voltada para o interesse público&#8221;, explica.</p>
<h3 style="color: #000000;">Presidente diz que TV é prioridade</h3>
<div id="attachment_15300" style="width: 510px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/WhatsApp-Image-2019-04-28-at-18.37.37.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15300" class="wp-image-15300" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/WhatsApp-Image-2019-04-28-at-18.37.37-300x136.jpeg" alt="Foto: Roberto Soares/Alepe" width="500" height="228"></a><p id="caption-attachment-15300" class="wp-caption-text">Mesa diretora da Alepe em 2019. Foto: Roberto Soares/Alepe</p></div>
<p>Presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, o deputado Eriberto Medeiros (PP) afirmou que a emissora é uma prioridade e espera ter a TV no ar em agosto &#8211; prazo mais curto que o estimado pelo superintendente de Comunicação. Segundo Eriberto, desde o final de 2018 a Casa tem ouvido deputados e funcionários sobre a TV para formatar o projeto e colocar em prática. &#8220;Estão nos apresentando todos os dados para vermos qual é o melhor formato. A Casa tem que avaliar as condições de aquisição. Estamos em fase de decisões. O que a Casa quer é que se busque uma forma, ou de um jeito ou de outro, de funcionamento da TV Alepe&#8221;, disse.</p>
<p>Perguntado sobre as razões de o projeto não andar desde 2016 até 2019, ele respondeu que o dinheiro previsto não estava de fato disponível. &#8220;Na LOA às vezes se faz uma previsão e na realidade não se tem os recursos. Ano passado não teve esses recursos. Hoje existe um remanejamento de recursos para que isso venha a acontecer. O que tem que ser definido é a questão orçamentária que existe na LOA, mas não existe de imediato o recurso disponível&#8221;, explicou.</p>
<p>Concretizar o orçamento é peça central nesse quebra cabeças. Cabe ao primeiro secretário da Mesa Diretora, deputado Clodoaldo Magalhães (PSB), executar o planejamento de orçamento da Alepe. O deputado está pela primeira vez compondo a Mesa Diretora, mas passou dez anos na Comissão de Finanças e foi responsável, em 2018, pela emenda modificativa que destinou os R$ 7.508.900,00 para a implantação das emissoras de TV e rádio próprias. &#8220;Na conversa que tive com a Mesa Diretora anterior, a Casa já apontava para priorizar a TV. Como existia prioridade política, então eu resolvi encaminhar&#8221;, explicou. Agora, como primeiro secretário, ele espera agilizar o processo. &#8220;Como a gente tem um mandato de um biênio a gente tem pressa, não vai poder demorar muito para tomar a decisão. A ideia é começar o processo licitatório em maio&#8221;, afirmou.</p>
<p>Ainda de acordo com Clodoaldo, a discussão sobre o modelo que será adotado está sendo feita pela Superintendência de Comunicação, mas chegará a ele oportunamente para que possa opinar na tomada de decisão. &#8220;Hoje a Mesa Diretora tem essa prioridade, ela está focando em fazer acontecer a TV Alepe. A gente reconhece que está com esse débito com a Assembleia e com a sociedade, até porque muitas outras assembleias têm&#8221;, disse Clodoaldo.</p>
<h3><b>Rede Legislativa e serviço público</b></h3>
<p>Segundo Evelin Maciel, vice-presidente da <a href="http://www.astralbrasil.org">Associação Brasileira de Rádios e Televisões Legislativas</a>, não existe um prazo determinado por lei para a implantação da emissora de TV da Alepe, mas quem perde com essa demora é a sociedade. &#8220;A perda é para a população de Recife que não tem acesso ao conteúdo como a gente faz nas emissoras legislativas, como fonte primária de tudo que acontece dentro da Assembleia&#8221;, comentou.</p>
<p>Em Pernambuco, de acordo com Evelin, a Câmara Municipal de Caruaru solicitou um canal próprio da Rede Legislativa e pode entrar no ar antes da TV Alepe. &#8220;Estamos em negociação para implantar em Caruaru. Existe a reserva do canal para a Assembleia, vamos continuar esperando esse passo. É um atraso em relação ao estado&#8221;, afirmou.</p>
<p>Evelin esclarece que o que falta no caso da TV Alepe é, de fato, a emissora. O sinal está no ar à espera de conteúdo próprio. &#8220;Como os transmissores foram adquiridos pela Câmara dos Deputados, eles já estão prontos. Não existe investimento a ser feito em relação ao sinal aberto, isso já está resolvido. Falta o sinal da emissora, o básico&#8221;, explica.</p>
<blockquote><p><iframe loading="lazy" src="https://cdn.knightlab.com/libs/timeline3/latest/embed/index.html?source=1L-j0RqoArZPaKlRIFBYZd3-1Uiu1zRklfgv46rl5KkQ&amp;font=Default&amp;lang=en&amp;initial_zoom=2&amp;height=650" width="100%" height="650" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p></blockquote>
<p>Ana Veloso, professora do Departamento de Comunicação de UFPE, lamenta o fato de a Assembleia Legislativa não ter um canal próprio onde, segundo ela, a sociedade teria mais oportunidade de encontrar conteúdo diverso e acompanhar debates importantes por meio de um canal público. &nbsp;“É um investimento que a sociedade iria aprovar. A população precisa ter esse acesso. É uma prestação de serviço público”, diz a professora.</p>
<p>Ana Veloso destaca, também, o compromisso do corpo de servidores concursados da área de comunicação na Assembleia com a comunicação pública. “É importante que a TV entre no ar porque o quadro profissional, o pessoal que trabalha no setor de comunicação, é extremamente qualificado. Existe uma preocupação com a comunicação pública. É inegável esse compromisso”, diz Ana, que já ofereceu uma formação sobre rádio à equipe e participou de seminários organizados pelo corpo de profissionais da Alepe para debater a comunicação legislativa.</p>
<p>De acordo com a representante da Rede Legislativa, um problema grave é a descontinuidade das emissoras, muitas vezes em função do modelo de terceirização adotado. Evelin defende a existência de um corpo de servidores concursados que garanta o compromisso com a comunicação legislativa. &#8220;A emissora própria, com servidores concursados e com equipamentos próprios é o que garante a permanência do projeto. Às vezes existe uma imagem de que terceirizar tudo facilita o processo, mas você fica muito à mercê do interesse do presidente que está à frente da casa legislativa&#8221;, defende.</p>
<p>Apesar de a produção de TV ter um custo alto, um dos argumentos recorrentes para não se investir em emissoras legislativas, Evelin aponta alternativas para baratear e preencher o canal com, por exemplo, trocas gratuitas e parcerias entre emissoras legislativas para compartilhar conteúdo. Isso não exclui, no entanto, a importância de ter produção local própria, com transmissão de sessões plenárias, comissões legislativas, etc.</p>
<p>Procurada pela Marco Zero Conteúdo, a Comissão Executiva da Câmara de Vereadores do Recife informou que a implantação de uma eventual TV Câmara no canal disponibilizado é objeto de estudo, mas ainda não existe um projeto ou cronograma para a construção de uma proposta. Leia abaixo a nota completa enviada pela câmara.</p>
<blockquote>
<h3><strong>Resposta da Câmara Municipal do Recife:</strong></h3>
<p>A Comissão Executiva da Câmara sabe da importância de integrar a Rede Legislativa de TV Digital e considera fundamental criar meios para uma maior interação com os moradores da cidade, dando maior transparência ao Poder Legislativo e visibilidade às ações das vereadoras e vereadores do Recife.</p>
<p>No entanto, são objetos de estudos constantes com o setor técnico da Casa, &nbsp;os necessários investimentos para viabilizar o projeto e manter o canal no ar, que envolvem desde a compra de equipamentos até a contratação de profissionais.</p>
<p>Por isso, a Câmara Municipal do Recife mantém como canais de comunicação com a população, o site (www.recife.pe.leg.br) onde, além do Portal da Transparência, é possível acessar todos os projetos em tramitação, a biografia e as proposições de cada parlamentar, bem como ler as notícias e acompanhar ao vivo tudo o que acontece no plenário e no plenarinho – que é transmitido em tempo real. Também conta com as redes sociais que são atualizadas diariamente (Youtube.com/CamaradoRecife; Twitter.com/CamaraRecife; Facebook.com/CamaradoRecife e Instagram.com/CamaradoRecife).</p></blockquote>
<p>O vereador do Recife Ivan Moraes (Psol), que vem do ativismo no campo da defesa da comunicação pública, afirma que desde que assumiu já teve reuniões com o presidente da Câmara sobre o assunto, mas não houve avanços concretos. &#8220;Na Câmara, tenho perturbado muito o pessoal, se você sintoniza na TV aparece lá que tem um canal para a Câmara do Recife, mas os vereadores não têm mostrado interesse em tocar isso. Existe um custo que não é pequeno, mas programação não falta, são produtos que a Câmara já faz&#8221;, afirma</p>
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