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	<title>Arquivos reitor da UFPE - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos reitor da UFPE - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Fechado desde início da pandemia, cinema da UFPE segue sem gestores, funcionários nem planejamento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Sep 2021 19:30:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Ministério da Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma vez por semana, sem falta, o estudante de Cinema Leônidas dos Santos Júnior sai de casa no Cabo de Santo Agostinho, pega três ônibus, faz o último trecho do caminho pelo campus da Universidade Federal de Pernambuco até o Centro de Convenções da instituição. Depois de cumprimentar o vigilante, seus passos ecoam na travessia [&#8230;]</p>
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<p>Uma vez por semana, sem falta, o estudante de Cinema Leônidas dos Santos Júnior sai de casa no Cabo de Santo Agostinho, pega três ônibus, faz o último trecho do caminho pelo campus da Universidade Federal de Pernambuco até o Centro de Convenções da instituição. Depois de cumprimentar o vigilante, seus passos ecoam na travessia do amplo hall de entrada até a porta do cinema, único equipamento do espaço que estava funcionando antes do início da pandemia.</p>



<p>O rapaz de 25 anos não aguarda público nem outros colegas do curso. Sozinho, ele sobe as escadas e liga o projetor que iluminará a tela com uma luz branca pelas cinco ou seis horas seguintes para a sala vazia. O trabalho de Leônidas é crucial para evitar um prejuízo de milhares de dólares. Caso o projetor digital a laser não permaneça ligado por horas a fio, ao menos uma vez por semana, pode ficar inutilizado e teria de ser consertado nos Estados Unidos.</p>



<p>A rotina de, obrigatoriamente, ligar o projetor teve início já na semana seguinte ao encerramento das atividades das universidades públicas, em março de 2020. Durante meses, a missão foi confiada a um aluno recém-formado que havia feito o mesmo minicurso de projecionista que Leônidas também concluiu e havia se oferecido como voluntário. Como bolsista da área administrativa do curso de Cinema e Audiovisual, ele passou a acumular essa tarefa em meados deste ano.</p>



<p>A promessa de aumento do valor da bolsa de R$ 382,00 ficou no vazio, mesmo assim o rapaz está adiando o máximo que pode a conclusão da última disciplina do curso: “Tenho de manter o vínculo para não deixar de receber esse valor”.</p>



<p>A esperança de dias melhores, no entanto, não está na raquítica bolsa. No final de 2019, ele passou em segundo lugar no concurso público para técnico audiovisual e, caso seja efetivado, será um dos projecionistas oficiais da UFPE. O problema é que, desde fevereiro de 2020, <a href="https://educacao.uol.com.br/noticias/2020/02/06/mec-segura-quase-20-mil-contratacoes-e-federais-temem-falta-de-docentes.htm">19 mil contratações de novos professores e funcionários foram bloqueadas</a> pelo então ministro da Educação, Abraham Weintraub. mesmo já estando previstas no orçamento da União.</p>



<p>Mesmo se fosse contratado imediatamente, Leônidas não teria uma rotina de trabalho. E não só por causa da pandemia. O cinema ainda está sem gestores nem linha de atuação definida para quando as atividades voltarem ao normal no campus. A administração da UFPE informou que “está em vias de implantar um novo modelo de gestão para todos os espaços culturais ligados ao Complexo do Centro de Convenções da UFPE. Por enquanto, não temos a data para a retomada das atividades do cinema”. A boa notícia é que a licitação para contratar a empresa de manutenção preventiva do projetor foi concluída.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Dois meses a todo vapor</h2>



<p><a href="https://www.ufpe.br/pt/cac/destaques/-/asset_publisher/5oMn4ZTTDJpm/content/cinema-da-ufpe-sera-inaugurado-nesta-quarta-feira-9-/40615">O cinema foi inaugurado em outubro de 2019</a>, depois de sete anos de obras que custaram quase R$ 4 milhões em recursos próprios da universidade. Uma equipe provisória de gestão com sete integrantes do curso de Cinema elaborou o projeto cultural e um calendário de programação que ocuparia a sala com 48 semanas por ano. Na época, o professor Paulo Cunha, apontado como o principal responsável para que o cinema saísse do papel, estava prestes a se aposentar e optou por não fazer parte do grupo gestor.</p>



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<p>Inicialmente, a ideia era que o cinema se pagasse, por isso seriam cobrados ingressos de R$ 14,00 (inteira), R$ 7,00 (meia) e R$ 6,00 para estudantes, professores e funcionários. O fato do cinema ser o único da zona oeste do Recife seria um atrativo a mais para atrair o público, sem contar a proximidade com cena boêmia e cultural da Várzea e a facilidade para estacionar. A administração seria da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UFPE (Fade), que teria mais flexibilidade para gerir os recursos arrecadados, contratar fornecedores e fazer a manutenção.</p>



<p>Por dois meses, logo depois da inauguração, <a href="https://sites.ufpe.br/cinema/">o cinema funcionou</a> como esperado. Foram exibidos filmes do Coquetel Molotov, da Janela Internacional de Cinema da UFPE, Mostra dos 10 anos do curso de Cinema e de vários diretores pernambucanos, como Kléber Mendonça Filho, Lírio Ferreira, Pedro Severién, Gabriel Mascaro, Camilo Cavalcante, Marcelo Pedroso e Petrônio Lorena. A pandemia paralisou as atividades. As mudanças políticas na reitoria impediram que o grupo gestor fosse formalizado.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Projeto abortado</h3>



<p>De acordo com a professora Mannuela Costa, que chegou a atuar interinamente como coordenadora do projeto, a diversidade seria a principal característica do modelo de ocupação da sala. “Diversidade tanto das formas de ocupação quanto de linguagens do cinema”, explica Mannuela. Um edital de ocupação seria aberto para produtores culturais, os cineclubes do Engenho do Meio e da comunidade de Roda de Fogo já haviam sido contatados e também dariam vida ao cinema. “Iríamos implementar uma espécie de carnê de sócio, onde o público em geral poderia pagar antecipadamente o ano todo, o que daria direito a um aluno da UFPE em situação de vulnerabilidade social assistir de graça como dependente”, relata.</p>



<p>A curadoria do conteúdo ficaria nas mãos de Camilo Lourenço Soares, também professor e doutor em Cinema pela Universidade de Paris/Sorbonne. “O cinema da UFPE não seria um segundo cinema da Fundação, não. Nada disso, a proposta seria enfatizar aos produções cinematográficas da América Latina, os cinemas africano e asiático, mas sempre com a preocupação de não espantar o público com filmes elitistas e herméticos”.</p>



<p>Pós-doutora e pesquisadora da história do cinema pernambucano, Amanda Mansur Nogueira conta que o cinema da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) serviu de referência para, ao menos, os ex-integrantes do grupo gestor entenderem a operação de uma sala de exibição: “fomos até a Fundaj entender funcionamento de bilheteria, segurança e dos sistemas. Lá, eles tem 45 pessoas nos dois cinemas. Nós não temos nem equipe de limpeza”.</p>



<p>A limpeza da sala, contudo, é a menor das preocupações dos professores do curso de Cinema. Mannuela Costa teme que, “se não houver a definição do conceito do espaço como um equipamento cultural, há o risco da universidade usá-lo apenas como um auditório de luxo, alugando para eventos de empresas. Para garantir o retorno financeiro, ele pode ser usado como cinema e, em outros horários, ficar disponível para aluguel. Nosso temor é que aconteça o inverso”.</p>



<h4 class="wp-block-heading">O duro que Leônidas dá</h4>



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<p>Desde que foi aprovado no Enem e começou a cursar Ciências Contábeis aos 17 anos, Leônidas Júnior passa a maior parte de suas horas na UFPE. Assim que se tornou universitário, foi selecionado para um estágio administrativo do departamento de Química. Atravessava o campus a pé para ir do prédio onde tinha aulas para o local onde dava expediente. Depois, incorporou a essa rotina aulas em disciplinas eletivas de Cinema.</p>



<p>Ao perceber que sua grande paixão era mesmo cinema, fez um novo Enem. Foi aprovado e, logo em seguida, passou a dar aulas sobre o assunto em uma atividade de extensão no Colégio de Aplicação &#8211; o que implicava em mais uma caminhada pelo campus. “Nessa época, minha jornada diária começava às 4h30min, quando acordava, e terminava quase meia-noite, quando voltava para casa, no Cabo”, recorda. Resultado: no último semestre de Contábeis, foi reprovado em duas disciplinas e trancou o curso.</p>



<p>Tanta dedicação chamou a atenção de professores do Centro de Artes, que conseguiram transferir seu estágio administrativo para o departamento de Comunicação. Agora, espera que a reitoria se esforce para que o concurso em que passou não perca a validade e ele possa ser contratado: “É a única coisa que eu espero receber em troca”. Se der certo, Leônidas pretende prosseguir a carreira acadêmica, ser professor e viver de escrever roteiros.</p>



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		<title>Militares vigiavam até os reitores da UFPE durante a ditadura</title>
		<link>https://marcozero.org/militares-vigiavam-ate-os-reitores-da-ufpe-durante-a-ditadura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Aug 2019 11:23:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Arquivo Público de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[reitor da UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No início de 2012, um ano antes de morrer, a ex-vice-reitora Maria Antônia Amazonas Mac Dowell, disse em entrevista para uma publicação institucional que, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a ditadura “teve frustrados seus propósitos de doutrinação ideológica, a nenhum docente faltou o ‘atestado de ideologia’ que condicionava a liberação para fazer curso no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No início de 2012, um ano antes de morrer, a ex-vice-reitora Maria Antônia Amazonas Mac Dowell, disse em entrevista para uma publicação institucional que, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a ditadura “teve frustrados seus propósitos de doutrinação ideológica, a nenhum docente faltou o ‘atestado de ideologia’ que condicionava a liberação para fazer curso no exterior”.</p>
<p>Não imaginava que ela própria, mesmo com suas raízes familiares na elite açucareira e prestígio junto aos reitores, era fichada pelos órgãos de repressão e vigiada de perto por informantes.</p>
<p>Foi isso que o historiador e professor de Pedagogia, Evson Malaquias, descobriu nos documentos confidenciais da ditadura militar que estão sob cuidados do Arquivo Nacional e do Arquivo Público de Pernambuco. Ele coordena uma equipe de professores e alunas de graduação que, desde o final do ano passado, dedica-se a levantar, nos arquivos militares e policiais, produzidos de 1964 a 1988, os registros sobre quase 200 docentes da UFPE.</p>
<p>Logo no início da pesquisa, a surpresa: “Esperava encontrar prontuários de pessoas realmente ligadas a partidos de esquerda ou organizações clandestinas, mas, além desses, encontramos dossiês completos sobre professores conservadores ou que nunca tiveram qualquer envolvimento político e gestores sabidamente direitistas, indicados por políticos como Marco Maciel, Moura Cavalcanti, Nilo Coelho e Eraldo Gueiros Leite”.</p>
<p>O professor Evson acredita que o conteúdo do material coletado pela equipe desmistifica a ilusão que os organismos de repressão se preocupavam apenas com militantes políticos. “Ao contrário, eles monitoravam a vida de qualquer um. Se, por alguma razão, um nome chegava até eles, nunca seria retirado da lista de suspeitos a serem vigiados”.</p>
<p>Neta do primeiro reitor da UFPE, por parte de mãe, e de um deputado pelo Partido Conservador nos tempos do Império, por parte de pai, Maria Antônia estava acima de qualquer suspeita. Mesmo assim, foi monitorada por ter apoiado a greve dos médicos residentes em 1982, ter contratado professores de tendências esquerdistas e por &#8220;proteger comunistas&#8221;.</p>
<p>As informações sobre ela estão num relatório preparado pelos informantes, no final de 1983, sobre os seis candidatos a reitor que integravam a lista sêxtupla eleita pelos integrantes do Conselho Universitário. Não há registro sobre qual autoridade leu e analisou o relatório, mas o fato é que Maria Antônia não foi escolhida para o reitorado, apesar das informações de que seria “a melhor opção devido à capacidade comprovada e o conhecimento profundo”.</p>
<p>O reitor nomeado foi o então pró-reitor acadêmico, George Browne Rego. Uma das anotações em sua ficha informa que, em abril de 1982, ele havia defendido o ensino pago nas universidades públicas durante uma palestra no salão nobre da reitoria.</p>
<h1>O legado de quem foi perseguido</h1>
<p>Se o trabalho de informantes e espiões resultou em relatórios e prontuários que atestam a intolerância, entre os vigiados pela ditadura estão nomes respeitados em várias áreas do conhecimento.</p>
<p>Autor de obras que se tornaram referência sobre as revoluções pernambucanas do século XIX, o historiador Amaro Quintas tornou-se o primeiro professor da UFPE a ser perseguido logo após os militares tomarem o poder em 1964. Tudo por causa de uma palestra no teatro Santa Izabel. Três semanas após o golpe, corajosamente, ele defendeu o direito “à autodeterminação do povo cubano”. Os militares não perdoaram a afronta.</p>
<p>Os registros incluem o depoimento “voluntário” de um estudante chamado Adilson Cardoso, morador do Cabanga, que denunciou o professor por ter “enaltecido Fidel Castro” e por elogiar o socialismo durante suas aulas. Amaro Quintas foi preso e afastado da universidade.</p>
<p>A antropóloga Fátima Quintas, filha do historiador, lembra os anos que se seguiram à palestra como os mais terríveis da sua vida: “Eles invadiam a porta de nossa casa no meio da madrugada, arrombavam a porta e iam direto para o meu quarto, nunca fizeram nada, mas isso era para deixar papai apavorado”.</p>
<p>Sem o salário de professor para sustentar a casa, a filha teve de começar a trabalhar dando aulas. A situação só melhorou depois que Gilberto Freyre, mesmo apoiando os militares, empregou Amaro como pesquisador na Fundação Joaquim Nabuco.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Silke-viagem-1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-18390" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Silke-viagem-1.jpg" alt="Silke viagem 1" width="703" height="387"></a>No início dos anos 1980, todos os passos da socióloga e pedagoga Silke Weber eram seguidos de perto pelos policiais.</p>
<p>Longe da militância partidária ou radical, era a carreira acadêmica de Silke que preocupava os organismos de repressão. Não bastasse sua participação no Movimento de Cultura Popular na década de 1960, seus projetos de pesquisa enfatizavam a experiência da política educacional do governo Arraes. Ela também foi uma das lideranças da greve da UFPE em 1982.</p>
<p>Silke sabia que era vigiada. Um episódio ocorrido no final de 1982 deixou isso claro. “Logo depois da greve, recebi uma bolsa para estudar na Alemanha. A ditadura tentou impedir minha viagem, mas Maria Antônia Mac Dowell falou com a ministra da Educação do governo Figueiredo, que era amiga dela, e conseguiu a liberação”, conta Silke, que continua ensinando e pesquisando.</p>
<p>Entre os documentos encontrados por Evson Malaquias, consta uma atualização da “ficha de qualificação” com um carimbo de “urgente” emitida em 10 de dezembro de 1982 pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), alertando que Silke Weber estava cogitando ausentar-se do país para fazer um curso de aperfeiçoamento na Universidade de Bremen, na Alemanha. Mais abaixo, duas frases indicam que a informação seria distribuída para impedir a viagem.</p>
<p>Menos de cinco anos depois do alerta dos espiões do SNI, Silke Weber assumiu a secretaria estadual de Educação no segundo governo Arraes. Em parceria com a própria UFPE, deu início à política de formação continuada para professores da rede estadual de ensino.</p>
<h2>O trotskista e o primo de Marco Maciel</h2>
<p>A contratação de um professor de química, em março de 1979, atraiu a atenção do SNI para o reitor Paulo Frederico Maciel, primo do então governador de Pernambuco Marco Maciel, fiel aliado da ditadura. Paulo respeitou o resultado de uma seleção pública e autorizou o departamento de Química a contratar Antônio Carlos Pavão como professor adjunto. O problema é que Pavão era dirigente do grupo trotskista Convergência Socialista, que viria a ser o atual Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).</p>
<p>A presença de Pavão era considerada &#8220;inconveniente&#8221; pelos policiais, o que reforçava a imagem de &#8220;omisso&#8221; ou &#8220;liberal demais&#8221; de Paulo, termos usados para descrevê-lo nos documentos que elaboravam sob a rubrica &#8220;confidencial&#8221;. Acompanhando os passos do reitor, os informantes ficaram perplexos quando o pedagogo Paulo Freire, recém chegado do exílio, participou de um evento público na UFPE sem que o reitorado fizesse nada para impedir.</p>
<p>Pouco depois, mais um fato negativo foi anotado na ficha do reitor Maciel: mesmo avisado pela Assessoria de Segurança e Informação (ASI) da universidade &#8211; seção das universidades federais que repassavam informações para o SNI e para os serviços de informação das Forças Armadas &#8211; ele contratou e, depois, renovou o contrato do professor Geraldo Gomes da Silva, que havia passado em primeiro lugar num concurso para auxiliar de ensino. O primo de Marco Maciel passara a ser visto pelos policiais como perigoso subversivo.</p>
<p>Hoje, o pivô dessa história, Antônio Carlos Pavão, é o diretor do Espaço Ciência, instituição que ajudou a fundar. &#8220;Eles me vigiavam, isso eu sabia, pois em duas oportunidades encontrei meu carro com os quatro pneus furados depois de participar de reuniões do comitê pela anistia. Mas não imaginava a profundidade dessa vigilância nem que tenha respingado em Paulo Frederico Maciel. Mas nunca deixei de lutar. A popularização da ciência que o Espaço Ciência promove reflete a minha visão política&#8221;, afirma Pavão.</p>
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