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	<title>Arquivos religiosidade - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos religiosidade - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>A caminhada de irmã Aurieta com Lula, a fé e a esperança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Oct 2022 23:08:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasília Teimosa]]></category>
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		<category><![CDATA[religião e política]]></category>
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<p>A fé católica e a luta pelos direitos dos mais pobres se fundem todos os dias na vida de Aurieta Duarte Xenofonte desde 13 de maio de 1974, dia em que ela chegou para atuar como missionária e viver na comunidade pesqueira de Brasília Teimosa, zona sul do Recife. E essa fusão resultou em um engajamento político tão intenso que a levou quatro vezes ao encontro de Luiz Inácio Lula da Silva.</p>



<p>Durante a caminhada do candidato a presidente da República pelas avenidas centrais do Recife, na tarde desta sexta-feira, Aurieta voltou a vê-lo e se desmanchou em choro antes mesmo da picape onde Lula estava passar diante do local onde ela estava. “Imagino o peso que esse homem carrega, ele carrega a esperança de todo esse povo, de todos esses jovens. Ele precisa ser muito forte”, explicou, enquanto enxugava as lágrimas com a máscara vermelha, convertida em lenço”, explicou a freira.</p>



<p>Aurieta faz parte do grupo de ativistas do bairro que, há 40 anos, fundou a organização comunitária <a href="http://redesolivida.org/pb/perfil/centro-educacional-profissionalizante-do-flau-turma-do-flau/">Centro Educacional Turma do Flau.</a> Na véspera do evento com Lula, ela e os demais militantes aceitaram minha presença para acompanhá-los ao longo da caminhada. A ideia era contar um pouco da trajetória desse grupo que, em 2003, ajudou a receber <a href="https://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2003-01-10/lula-visita-palafitas-na-favela-brasilia-teimosa">Lula na histórica visita às palafitas</a> de Brasília Teimosa.</p>



<p>Quando me postei junto ao portão principal da Câmara Municipal, a Turma do Flau já estava lá, mas eu não os conhecia. Por quase 30 minutos, aguardei uma mensagem ou uma ligação de José de Arimateia, filiado ao PT e veterano nas lutas políticas do Pina e de Brasília Teimosa. Enquanto esperava, via uma senhora franzina, de boné, máscara e blusa vermelhas, distribuindo panfletos com os números 13 e 77. Algumas vezes torci silenciosamente: “era bom que essa aí fosse a irmã Aurieta”. E era.</p>



<p>As mais de duas horas de espera debaixo do sol parecem ter passado voando para ela. Meninas paravam para fazer selfies ao seu lado, explicando que era o “encontro de gerações”, a cada vez que um paredão de caixas de som estacionado ao lado tocava o refrão “Tá na hora de já ir embora”, a freira cantava e dançava juntos. E não foram poucas as vezes que essa música tocou. Muitas pessoas ela reconhecia, parava, abraçava e me apresentava. Entre elas, o ex-vereador de Olinda Marcelo Santa Cruz, que eu já conhecia, e um diácono permanente, função que eu nem sequer imaginava existir.</p>



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	                                        <p class="m-0">Irmã Aurieta (com a bandeira) e a Turma do Flau. Crédito: Inácio França/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">A cada encontro, uma história</h2>



<p>Ainda na concentração em frente a Câmara, uma ex-moradora de Brasília Teimosa que fez parte da Turma do Flau, Emília Marinho, fez uma chamada de vídeo pelo whatsapp para que sua sobrinha na cidade alemã de Münster pudesse ver e falar com irmã Aurieta. “Deixei meu noivo lá na Alenanha e vim pra cá só pra votar e fazer campanha para Lula”, explica Emília, que vive em Bünde, a 80 quilômetros de onde estava a sobrinha.</p>



<p>Quando os locutores do trio elétrico anunciaram a chegada de Lula, Aurieta puxou a fila, levando seus vizinhos e companheiros de militância (eu no meio, lógico) pelo meio da multidão, até chegar na praça em frente ao Hospital do Exército. “Aqui tem espaço para a gente fugir, se a multidão nos empurrar”, explicou, com a experiências de não sei quantas manifestações de rua. Foi ali que ela desabou no choro com a aproximação do carro com Lula. “Estou sentindo uma energia tão boa”, explicou para Juliana, uma jovem morena que ela conheceu ali, no meio de povo, e que estava tão emocionada quanto a religiosa octogenária.</p>



<p>Alguns metros depois, antes da esquina da rua do Hospício com a Riachuelo, duas mulheres de blusas brancas cheias de adesivo, abraçam a freira com carinho. Uma delas se afasta e, surpreso, reconheço Vera Batista de Souza, minha vizinha no bairro da Tamarineira. Assistente social, Vera explica: “Fui criada em Brasília Teimosa. Aurieta foi minha professora de luta”.</p>



<p>Mais 30 metros, outro encontro. Desta vez com um homem de meia idade, óculos, bem vestido, com a camisa ensacada nas calças. Ela me apresenta ao padre Lúcio, que a trata com certa reverência. Trata-se do Pró-reitor Comunitário da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), o jesuíta Lúcio Flávio Cirne.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Teologia da Libertação</h3>



<p>O encontro com o sacerdote me serve para abrir parênteses e contar a história de um raro conflito que a freira teve com a hierarquia de sua ordem religiosa, a <a href="https://mjc.org.br/">Missionária de Jesus Crucificado</a>. </p>



<p>No final dos anos 1970, as madres superiores da congregação não gostaram do fato dela estar dividindo moradia e tarefas com freiras norte-americanas de outras ordens religiosas. Pode parecer bobagem para nós, leigos, mas a situação tinha certa gravidade para as missionárias. O fato que decidiram que ela deveria deixar Brasília Teimosa e ser transferida para outro território. “Na época, nós fazíamos um trabalho de formação de jovens lideranças, de profissionalização das mães, e estávamos avançando muito. Fiz vínculos com a comunidade e não queria sair, então fui pedir ajuda a Dom Hélder Câmara”, recorda.</p>



<p>Inicialmente, o arcebispo de Olinda e Recife hesitou em interferir em questões internas da ordem, mas cedeu e, após conversar com as autoridades provinciais das Missionárias, Aurieta foi autorizada a permanecer no bairro.</p>



<p>“Eu sou da Teologia da Libertação. Sou discípula de Dom Hélder”, sintetiza.</p>



<p>Fecha parênteses. A caminhada continua.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Ela não cansa</h3>



<p>Mais 50 metros, o encontro agora é com o ex-vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira, que, da calçada da rua do Hospício, observa a torrente humana passar ao lado da esposa Luci. “Lógico que conheço Aurieta. Quem não conhece? Ela faz um trabalho importantíssimo em Brasília Teimosa”, esclarece o político do PCdoB, antes de postar para foto ao lado da freira e de José de Arimateia.</p>



<p>Os laços da Turma do Flau (“Flau”, para quem não sabe, é o mesmo que sacolé ou dudu) com o PT se estreitaram nos oito anos de gestão de João Paulo, quando as palafitas à beira-mar deram lugar a uma avenida e seus moradores receberam apartamentos no Cordeiro.</p>



<p>Outra freira, a irmã Graça Cordeiro, lembra que, durante algum tempo, as missionárias permaneceram atuando junto com as famílias que saíram das palafitas, mas os constantes deslocamentos para a zona oeste e as demandas em Brasília Teimosa inviabilizaram a continuidade do trabalho.</p>



<p>Graça, aliás, é a fiel escudeira de Aurieta. Mais reservada e menos falante, ela esteve o tempo todo atenta, preocupada com o ritmo da colega na multidão. “Nós não somos militantes de whatsapp, o sofá não nos conhece. Fazemos trabalho de base 24 horas por dia”, garante. Não é para menos: na ONG Turma do Flau, as missionárias fazem reforço escolar e mantêm oficina de dança e maracatu para as crianças do bairro, cursos profissionalizantes para mães, recebem detentas do presídio do Bom Pastor para atividades de pena alternativa, coordenam a Pastoral Carcerária, integram a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese. A lista é longa.</p>



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		<title>Religiosos reinventam rituais para acolher fiéis durante a pandemia</title>
		<link>https://marcozero.org/religiosos-reinventam-rituais-para-dar-conforto-a-fieis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2020 21:54:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[igreja catolica]]></category>
		<category><![CDATA[religiosidade]]></category>
		<category><![CDATA[terreiros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em momentos críticos, multidões recorrem à religiosidade. É entre símbolos religiosos, pastores, pais de santos, padres e congregados que milhões encontram conforto. A pandemia do coronavírus, porém, não permite que esses rituais coletivos e milenares prossigam. Os religiosos, assim como todos nós, têm que se reinventar. Desde a semana passada, terreiros de candomblé de Pernambuco [&#8230;]</p>
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<p>Em momentos críticos, multidões recorrem à religiosidade. É entre símbolos religiosos, pastores, pais de santos, padres e congregados que milhões encontram conforto. A pandemia do coronavírus, porém, não permite que esses rituais coletivos e milenares prossigam.  Os religiosos, assim como todos nós, têm que se reinventar.<br><br>Desde a semana passada, terreiros de candomblé de Pernambuco não fazem mais cerimônias e atividades públicas. No terreiro nagô Axé Talabi, em Paratibe, Paulista, só estão sendo feitos os rituais internos entre as pessoas que já moram no terreiro e cumprem juntas a quarentena. <br><br>&#8220;Neste momento, o que eu peço é que as pessoas tenham fé nas divindades e tentem ao máximo se cuidar&#8221;, diz a yalorixá Mãe Lu. Um dos problemas em Paratibe é que o local não recebe água com frequência. Em pleno início da escalada da pandemia, o bairro passou dez dias sem água. <br><br>&#8220;Chegou água nas torneiras domingo de meia-noite e acabou às 5h. Como o terreiro tem um trabalho social forte, as pessoas ligam para ver se aqui tem água. Com todos os cuidados, tentamos ajudar&#8221;, conta a yalorixá, que lembra que o problema da falta d&#8217;água é antigo e que não há solução por parte da Compesa. <br><br>O Pai Júnior de Odé, também do terreiro Axé Talabi, lembra que o isolamento social, medida recomendada pelo Ministério da Saúde, nem sempre é uma opção. &#8220;Os frequentadores do terreiro são do subúrbio e, entre nosso povo, nem todo mundo tem o privilégio de não trabalhar. Os mais velhos estão no mercado informal, os mais jovens trabalhando com entregas, não estão podendo se isolar totalmente. A liderança espiritual acaba tendo uma responsabilidade maior&#8221;, afirma.<br><br>Ele diz também que os pedidos de doação já aumentaram. &#8220;Dobraram os casos de pedidos por alimentos, Nosso papel na comunidade, não é só religioso, é um espaço socioafetivo. Acaba virando uma casa de mãe onde se busca alimento, uma folha ou uma reza para melhorar a saúde&#8221;, diz. <br><br>No candomblé, a passagem do tempo deve ser vivenciada sem angústias. &#8220;Temos uma relação sagrada com o tempo. A nossa preocupação não é se essa pandemia vai demorar 3 ou 6 meses. É que tenhamos força e responsabilidade com os mais velhos. Nossas cantigas e nossos saberes são de tradição oral. Enquanto a sociedade desrespeita e coloca os avós no asilo, a gente não os abandona. Eles são os detentores dos saberes. Essa questão do tempo não nos traz medo. Nossa preocupação é com a segurança e a saúde&#8221;, diz o religioso.<br> <br>Para que seguidores e seguidoras do candomblé não se sintam sozinhos com a suspensão das atividades públicas, as redes sociais do terreiro publica mensagens de cuidados e de conforto. Nacionalmente, se criou uma corrente: toda segunda-feira, às 18h, os adeptos fazem uma oração a Omulu Ọbalúayé, orixá das doenças e das curas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A solidão do padre</h2>



<p>É nas redes sociais também que a Igreja Católica vem se comunicando com seus fiéis. Desde o dia 18, a Arquidiocese de Recife e Olinda suspendeu as missas e outras celebrações. <br><br>É sozinho na igreja da Paróquia Bom Jesus do Arraial, em Casa Amarela, que o padre Adriano liga o celular para fazer a transmissão online de missas e terços. &#8220;Algumas paróquias contam com uma pequena equipe de ministros para a liturgia. Mas eu e muitos padres fazemos tudo só&#8221;, diz.</p>



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	                                        <p class="m-0">Padre Adriano, em missa solitária</p>
	                
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<p>Para o padre Adriano, é o momento da igreja, mesmo de longe, levar conforto aos fiéis. &#8220;Nós também somos humanos e sofremos muito com essa situação. Sabemos que a fé é importante neste momento para que as pessoas não esmoreçam. Vários estudos mostram como a fé ajuda também na cura. Continuamos firmes celebrando as nossas missas, para que as pessoas tenham um horizonte de esperança&#8221;, diz o padre, lembrando que pedidos de oração chegam agora por mensagens e vídeos.<br><br>Todo começo de mês, a paróquia de Casa Amarela distribui cestas básicas para os mais pobres. Ainda não houve aumento de pedidos, mas o padre está preocupado porque as doações à igreja diminuíram. <br><br>&#8220;Em Casa Forte, o grupo de samaritanos está saindo para fazer entregas às pessoas na rua. Se não vier muita gente no começo do mês, ainda temos condições de continuar as doações&#8221;, diz o padre, que fez postagens nas redes sociais da igreja com a opção de doação por transferência bancária.<br><br>&#8220;Muitos brasileiros ainda não compreenderam que se deve ficar em casa. Mas também temos que pensar naquelas pessoas que estão nas ruas e não têm para onde ir&#8221;, diz o padre. <br><br>Nas igrejas neopentecostais, a situação está um pouco diferente. Contrariando as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o pastor Silas Malafaia afirmou que as igrejas iriam continuar abertas. A justiça de São Paulo já pediu o fechamento dessas igrejas.<br><br>Ontem, com o decreto do governador Paulo Câmara reduzindo para dez o número de pessoas reunidas em Pernambuco, as igrejas evangélicas daqui foram obrigadas a parar com os cultos. Nas Igrejas Universal dos bairros de Candeias e da Torre, por exemplo, decidiram suspender os cultos ontem,  após o decreto. As igrejas continuam abertas, mas com restrição a até 10 pessoas por vez, como determina o decreto. Cultos e orações online também se proliferaram.<br><br>Políticos ligados à religião têm se dividido. O pastor Cleiton Collins (PP), deputado estadual, gravou um vídeo no dia 17 de março sobre a pandemia do coronavírus e falando para as pessoas ficarem em casa.<br><br>Também da bancada evangélica, a deputada Clarissa Tércio (PSC), que faz parte da congregação de Silas Malafaia, foi e incentivou fiéis a irem para as manifestações do dia 15 de março contra o Congresso e o STF. Depois, criticou o governo de Pernambuco pelos &#8220;ônibus lotados&#8221;, postou foto com a possível candidata à prefeitura do Recife delegada Patrícia Domingues, e só há 3 dias começou a divulgar lives de cultos e orações, se mostrando em isolamento com a família.<br><br>Na Coréia do Sul, a resistência das igrejas à quarentena foi responsável por dois grandes focos de disseminação da doença. O maior, responsável por até 60% dos casos no país, foi na Igreja Jesus de Shincheonji. O líder da igreja está respondendo a uma acusação de homicídio pelo fato de não ter colaborado com as autoridades para identificar os fieis que poderiam ter participado dos cultos.  Outro templo sul coreano, o Grace River, registrou 46 casos de coronavírus</p>
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