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	<title>Arquivos rio doce - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 12 Sep 2024 20:21:06 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos rio doce - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Rio Doce, em Olinda, espera por reforma de policlínica desde o início da gestão Lupércio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Sep 2024 20:21:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Parte da população da IV etapa de Rio Doce, em Olinda, onde vivem cinco mil pessoas, enfrenta o abandono de uma policlínica há sete anos. Em vez de atendimento médico, o que se vê no terreno é mato alto, lixo, entulho e grades e janelas furtadas. Na frente, uma placa escancara o atraso: com recurso [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Parte da população da IV etapa de Rio Doce, em Olinda, onde vivem cinco mil pessoas, enfrenta o abandono de uma policlínica há sete anos. Em vez de atendimento médico, o que se vê no terreno é mato alto, lixo, entulho e grades e janelas furtadas. Na frente, uma placa escancara o atraso: com recurso de cerca de R$ 1 milhão assegurada pelo Governo Federal, a mais recente promessa de reforma deveria ter começado em agosto de 2023 e terminado em janeiro deste ano. </p>



<p>Enquanto isso, as famílias que precisam de atendimento têm que se deslocar para outras unidades de saúde e enfrentar filas de espera. Em um dos redutos eleitorais do prefeito Professor Lupércio (PSD), há quase oito anos à frente da gestão municipal, a saúde na VI etapa de Rio Doce é o tema da segunda reportagem da série <em>A Olinda que a prefeitura esqueceu</em>. Ao final, conheça as propostas dos candidatos à prefeitura este ano.</p>



<p>“Para eu pegar a ficha para o médico é difícil. Porque eu não posso andar, eu tenho a perna amputada. Para eu andar, eu tenho que depender de uma cadeira, de um carro, de dinheiro, de gente. Quando a policlínica era aqui pertinho, era mais fácil”, diz a aposentada Rosilene Maria Dias, 65 anos, moradora da rua Esperança, ao lado da policlínica, há 18 anos. O local atendia, segundo a prefeitura, entre 150 e 200 pessoas por dia quando estava em funcionamento. Quase cega por conta da diabetes, ela perdeu parte de uma perna para a doença em 2020 e precisa constantemente de consultas e exames. </p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0457.jpg" alt="Foto da placa Reforma na policlínica de Rio Doce, diante de prédio térreo de paredes brancas e aparentando desgaste. Em torno do prédio há um terreno baldio e de relevo acidentado. A foto foi tirada de dia, com céu azul pálido." class="w-100" loading="lazy" >
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                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<p>A cuidadora de Rosilene, Maria Luciene da Silva, 56 anos, conta que aguarda há três anos por uma colonoscopia. “Fiz a cirurgia de retirada de um tumor em 2019, tenho a requisição para o exame, mas o pessoal só manda aguardar”, relata, relatando que “todo telefone que toca eu tenho a esperança de que seja do posto de saúde”.</p>



<p>O caso da policlínica abandonada foi parar no Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Em novembro de 2022, foi tema de uma audiência pública em que foi debatida a necessidade de reabertura dos serviços. A audiência aconteceu também para “incentivar a participação efetiva da comunidade diretamente afetada pela ausência da prestação de serviço à saúde no entorno”, como destacou, na época, a promotora Maisa Silva Melo de Oliveira, no texto da convocação.</p>



<p>Em frente à unidade, localizada na rua Trinta e Oito, fica o conjunto habitacional Júlia Beatriz, do Minha Casa Minha Vida, inaugurado pelo então governador Paulo Câmara, em dezembro de 2019, e onde vivem 224 famílias.</p>





<p>Em nota enviada à <strong>Marco Zero</strong> esta semana, o MPPE informou que a 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Olinda acompanha, por meio do procedimento administrativo, as obras da policlínica da IV etapa de Rio Doce. Como último andamento, dentro desse procedimento, a promotoria oficiou a Prefeitura de Olinda, no dia 3 de setembro, cobrando informações atualizadas da reforma. A gestão municipal tem um prazo de 30 dias para responder.</p>



<p>A dona de casa Francinete Maria Pimentel, 43 anos, tem cinco filhos, mora desde 1998 na comunidade CSU (Centro Social Urbano), como é conhecida essa localidade da IV etapa. Ela denuncia que cupins da policlínica abandonada já invadiram casas e que a quantidade de muriçocas aumentou bastante por causa do mato. De acordo com Francinete, para marcar médico em outro posto é preciso se arriscar saindo de casa de madrugada. Por orientação municipal, a policlínica da II etapa, a dois quilômetros, e outra policlínica da IV etapa, a um quilômetro de distância, estão acumulando os pacientes da comunidade CSU. </p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0473.jpg" alt="Foto de Francinete Maria Pimentel e sua filha Débora Vitória. Ela é uma mulher negra, de cabelos crespos grisalhos presos atrás da cabeça, usando um vestido preto estampado com flores brancas. A menina é negra, usando vestido estampado laranja de alças." class="" loading="lazy" >
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</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<p>Segundo os indicadores de saúde (2017 a 2020), somente 50% dos olindenses tinham cobertura de agentes de saúde e 39% de saúde bucal. “A população aqui precisa muito, sobretudo as crianças e os idosos. Aqui perto, só temos a policlínica”, acrescenta a dona de casa. Além disso, ela reclama que não há dentista. Recentemente precisou se apertar para pagar por um procedimento dentário. &#8220;Mas a gente não tem condições muitas vezes de pagar R$ 100 a um dentista. Somos pessoas que vivem de Bolsa Família, de faxina&#8221;, explica. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Empresa contratada descumpriu contrato </h2>



<p>À reportagem, a Prefeitura de Olinda informou que a primeira empresa licitada para reformar a policlínica da IV etapa de Rio Doce, a BSR Construtora e Incorporadora, descumpriu o contrato e foi punida. O reinício das obras está agora a cargo da Projetar Construções e Projetos. Diferente do que a MZ constatou na semana passada e do que os moradores da área relatam, a prefeitura afirma que a Projetar reiniciou os serviços em julho. No dia em que visitamos o local, havia somente um vigilante. </p>



<p>Segundo o plano de ação pactuado com a Caixa Econômica Federal, acrescentou a prefeitura, as obras se estenderão até 26 de dezembro de 2024.Entre a saída de uma e a entrada da outra, “a edificação passou por processo de vandalismo e depreciação, levando a necessidade de retrabalho alguns destes detectados por ocasião dos serviços ora executados”, diz a nota.</p>



<p>Assim, segundo a gestão, “os valores inicialmente pactuados para reforma da unidade sofreram ajustes necessários para garantia da funcionalidade da unidade custeados como contrapartida do município, através do Tesouro Municipal” e o valor da reforma está agora em R$ 946.752,86.</p>



<p>A prefeitura também acrescentou que há um esforço em reabrir 10 unidades de saúde que estavam fechadas quando Lupércio assumiu. A policlínica da IV etapa de Rio Doce é a única ainda sem entrega.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Resumo das principais propostas para a saúde</span>

		<p><b>Mirella</b> <b>(PSD)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Instituir um modelo de implantação de regiões sanitárias<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar a cobertura da Estratégia de Saúde da Família<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Transformar o perfil da Policlínica João de Barros Barreto em uma UPA-E<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Firmar parceria com o governo estadual para instalação de uma UPAe<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reabertura da Maternidade Brites de Albuquerque<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Instituir uma Política Municipal de Atenção à Saúde Bucal<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implementar duas Policlínicas da Mulher<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Investir na qualificação do atendimento em saúde para os casos de violência </span><span style="font-weight: 400;">doméstica e sexual<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Instituir uma Política Municipal de Regulação em Saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implementar o Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD)<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar as ações de promoção, prevenção e assistência da saúde mental<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar um centro municipal de atenção às pessoas com Transtorno do Espectro </span><span style="font-weight: 400;">Autista (TEA)<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar o acesso aos medicamentos da atenção básica e a entrega em casa de kit de </span><span style="font-weight: 400;">medicamentos de uso contínuo<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Disponibilizar meios de transporte para atendimento de emergência<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aprimorar a atenção à saúde para atendimento da população descoberta e de áreas </span><span style="font-weight: 400;">de difícil acesso<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Criar área dentro da gestão para apoiar a formação continuada dos profissionais de </span><span style="font-weight: 400;">saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aprimorar a informatização de todas as unidades de assistência à saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Otimizar os canais de comunicação e interação com os usuários<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Qualificar a gestão das unidades de saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fortalecer e ampliar o atendimento nos CAPS<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Modernizar a Vigilância Sanitária<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fortalecer as ações desenvolvidas pelos agentes comunitários de saúde e pelos </span><span style="font-weight: 400;">agentes comunitários de endemias<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Realizar eventos municipais de saúde, com vista à educação da comunidade<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Criação do Programa Nova Visão, com exames oftalmológicos e aquisição de óculos<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aumentar a quantidade de Academias da Saúde</span></p>
<p><b>Vinícius Castello (PT)</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Requalificar, reformar e ampliar o serviço público de saúde municipal, melhorando as </span><span style="font-weight: 400;">Unidades de Saúde, os Pronto-Socorros e reestruturando os hospitais, ampliando o número de </span><span style="font-weight: 400;">leitos para pronto-atendimento</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span>&#8211; Garantir acesso ao atendimento ginecológico de qualidade e ampliar o número de leitos <span style="font-weight: 400;">da obstetrícia, com incentivo aos programas de parto humanizado<br />
</span>&#8211; Expandir o Ambulatório Rafaella Cicarelli, de atenção às pessoas LGBTQIAPN+<br />
&#8211; Apoiar e ampliar o Programa Brasil Sorridente<br />
&#8211; Implementar Práticas Integrativas e Complementares de Saúde (PICS)<br />
&#8211; Fortalecer as Políticas Municipais de Vigilância em Saúde &#8211; sanitária, epidemiológica, <span style="font-weight: 400;">ambiental e de trabalhadoras e trabalhadores<br />
</span>&#8211; Criação de centro técnico especializado de referência em saúde e atenção psicossocial <span style="font-weight: 400;">às pessoas atípicas e com deficiência.</span></p>
<p><b>Izabel Urquiza (PL)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Investir em políticas de saúde da pessoa com deficiência<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Investir em políticas de atenção básica, ampliando a cobertura da estratégia saúde da família e instituindo horários estendidos<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Priorizar a saúde bucal, contratando unidades odontológicas móveis<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover o controle de doenças crônicas não transmissíveis<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fomentar programas de saúde ocular e de atenção à saúde da mulher<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Retomar a maternidade municipal<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar um aplicativo que conecte a população aos serviços de saúde do município<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar um núcleo de telemedicina<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar o número de equipes e equipamentos de diagnóstico por imagem<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Investir na assistência farmacêutica criando um comitê de farmacoterapia<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover políticas e rede de urgência e emergência, fortalecendo o SAMU<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Viabilizar programas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA)<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover a regulação operacional da saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover e garantir cuidados abrangentes e de qualidade para a população idosa<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fortalecer a equipe médica através da contratação de profissionais por processos seletivos ou concursos públicos<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fazer parcerias com faculdades para recrutar internos e aprimorar a formação da equipe<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Melhorar o atendimento nas policlínicas e centros de especialidades<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar a oferta de serviços especializados<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Oferecer diagnósticos precoces e tratamentos especializados mais acessíveis<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar alternativas de contratação e fixação de profissionais médicos especialistas<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar telemedicina para consultas de especialistas de difícil fixação local<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar prontuário eletrônico na rede especializada integrado à atenção básica<br />
</span>&#8211; Aumentar a adesão e o acesso aos serviços de saúde da família rural<br />
<span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar e qualificar os serviços de pré-natal e pós-natal<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Desenvolver campanhas educativas sobre cuidados durante a gravidez e planejamento familiar<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implementar programas de educação sexual em escolas e comunidades<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Disponibilizar métodos contraceptivos gratuitos (DIU hormonal) e serviços de orientação sobre planejamento familiar<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover campanhas de conscientização sobre a prevenção e controle de ISTs<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Disponibilizar testes rápidos e gratuitos para ISTs<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Oferecer suporte contínuo para pessoas vivendo com HIV/AIDS<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Expandir os programas de rastreamento e diagnóstico precoce de câncer de colo de útero e mama<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reduzir as taxas de morbidade e mortalidade feminina associadas a doenças evitáveis e condições graves<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aprimorar a atenção clínico-ginecológica</span></p>
<p><b>Antônio Campos</b> <b>(PRTB)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Médicos nos bairros<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reestruturação dos postos de saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Rotatividade mamamóvel<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aumento de equipes PSF<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aplicativo Saúde Agora<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Hospital da Mulher<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Centro de saúde mental<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Banco de leite </span></p>
<p><b>Márcio Botelho</b> <b>(PP)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover a informatização do sistema de saúde para eliminar filas e resolver problemas de marcação e atendimento<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Desenvolver app municipal para agendar consultas e exames e acompanhar entrega de medicamentos, resultados de exames e marcações de consultas<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Expandir a Estratégia Saúde da Família (ESF)<br />
</span>&#8211; Incentivar mutirões de saúde para reduzir filas<br />
<span style="font-weight: 400;">&#8211; Implementar o sistema HÓRUS, do Ministério da Saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Estabelecer laboratório de prótese dentária<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Estabelecer Centro de Imagem Municipal, com raio-X, ultrassonografia, mamografia, ecocardiograma e eletrocardiograma<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reestruturar unidades de saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reabrir, investir e expandir laboratório de coletas de exames<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar casa de parto</span></p>
	</div>
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		<title>Naturam expellas (Parte 1)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Nov 2015 00:37:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Diego Viana No Para ler sem olhar [Nota: o ecocídio no Rio Doce me motivou a retomar um texto que vinha tentando escrever desde setembro. O resultado segue aí abaixo, embora esteja ainda apressado e com ar de rascunho. Mas é rascunho mesmo, respirando com a pressa que o tema exige. Esta é a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por <span class="author vcard"><a class="url fn n" title="Ver todos os artigos de Diego Viana" href="https://vianadiego.wordpress.com/author/vianadiego/" rel="author">Diego Viana</a></span><br />
No<a href="https://vianadiego.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> Para ler sem olhar</a></p>
<p><em>[Nota: o ecocídio no Rio Doce me motivou a retomar um texto que vinha tentando escrever desde setembro. O resultado segue aí abaixo, embora esteja ainda apressado e com ar de rascunho. Mas é rascunho mesmo, respirando com a pressa que o tema exige. Esta é a primeira parte de um raciocínio que ficou mais longo do que o usual. Por isso, resolvi postar em fascículos, para não me cansar, nem ao leitor. Calculo que poderei postar cada parte com um intervalo de dois dias. Eu não poderia fazer diferente, dada a gravidade do assunto.]</em></p>
<p align="RIGHT"><em>Naturam expellas furca tamen usque recurret</em></p>
<p align="RIGHT"><em>et mala perrumpet furtim fastidia victrix.</em></p>
<p class="western" align="RIGHT">Horácio (Quintus Horatius Flaccus, 65aC-27aC)</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">Talvez seja uma barbaridade tratar de uma tragédia criminosa e desmesurada evocando um poema da antiguidade clássica. Mas acho que essa estratégia pode pelo menos servir como um recurso para tentarmos pensar à frente, quando nos damos conta de que, lá atrás, alguém já avisou, já <i>deu a real</i>, e a gente segue se estropiando por conta da nossa própria irresponsabilidade e cegueira.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">Diz o poeta, escrevendo em 50 a.C.: “você pode expulsar a natureza com um ancinho, ela volta cedo ou tarde / irrompendo vitoriosa contra o seu tolo desprezo”. Nos últimos anos, enquanto subia a temperatura e descia a Cantareira, tomei gosto por esses dois versos da epígrafe. A estrofe a que eles pertencem compara a vida nas cidades e no campo.<a class="sdfootnoteanc" href="https://vianadiego.wordpress.com/2015/11/14/naturam-expellas-parte-1/#sdfootnote1sym" name="sdfootnote1anc"><sup>1</sup></a> Mas para nós, claro, a imagem adquire um sentido bem mais urgente.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">Há um mês, lia-se que o Rio Doce <a href="http://remabrasil.org:8080/virtual/r/remaatlantico.org/sul/Members/suassuna/campanhas/tragedia-ambiental-rio-doce-nao-alcanca-mais-o-mar-na-foz-de-regencia-em-linhares-es/view" target="_blank" rel="noopener noreferrer">não está mais chegando até o mar</a> no Espírito Santo. E agora, para piorar o que já era trágico, o que vai chegar ao oceano é uma enxurrada de metais pesados e tóxicos, depois do rompimento da barreira em Mariana. É bom lembrar que a barreira em questão é pertencente a uma empresa de nome Samarco, subsidiária de duas das maiores mineradoras do mundo: a anglo-australiana BHP Billiton e a nossa conhecida Vale do Rio Doce – empresa que, grosseira ironia, tira o nome do próprio rio que agora destrói. Morreu gente, morreram peixes, morrerão tartarugas, agriculturas ficarão inviáveis. Não há como exagerar no horror.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">No mês passado, <a href="http://amazonia.org.br/2015/10/novo-vazamento-de-oleo-e-confirmado-na-area-de-naufragio-em-barcarena/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">um naufrágio</a> no porto de Vila do Conde, em Barcarena (Pará), matou boa parte de uma carga de cinco mil bois. Muitos deles afundaram junto com o barco e suas carcaças estão apodrecendo no leito do rio. Milhares de corpos inchados, milhares de esqueletos, no fundo de uma das principais bacias hidrográficas do mundo. Simplesmente porque precisamos exportar mais e mais toneladas de carne – e soja, e minério de ferro, e alumínio… – para cobrir um déficit de conta corrente que, como sabemos com maior ou menor grau de consciência, não pode ser coberto. Escândalos que se somam a escândalos.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">Lamento ter que dizer isso: o mais provável é que esses sejam só os primeiros de muitos desastres que seremos obrigados a testemunhar nos próximos anos e, temo, décadas. Não tenho dúvida. Logo se vê pela reação dos responsáveis e das autoridades: livrando a barra da Vale, falando apressadamente em “desastre natural”, recorrendo a doações da população mais bem intencionada, evocando a importância econômica da atividade mineradora no Brasil, embora um breve raciocínio baste para mostrar que esses benefícios econômicos todos são uma enorme e perversa ilusão.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/11/indonesia.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1326" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/11/indonesia.jpg" alt="indonesia" width="550" height="413"></a></p>
<p class="western" align="JUSTIFY">Eu poderia dizer que hoje a Vale se tornou a nossa BP (petrolífera ex-estatal britânica responsável pelo <a href="http://ocean.si.edu/gulf-oil-spill" target="_blank" rel="noopener noreferrer">vazamento catastrófico</a> do golfo do México em 2010). Mas não dá para ignorar que, pela frouxidão com que tratamos o tema ambiental – leia-se, o tema do território, do chão em que pisamos, da comida que comemos etc. –, caminhamos rumo a uma proliferação de casos semelhantes. Pelo andar da carruagem, seremos o país das mil BPs. Falando nisso, foi inspirada pelo desastre no golfo do México que Naomi Klein escreveu em 2014 o livro <i><a href="http://thischangeseverything.org/book/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">This Changes Everything</a></i>; no caso do Brasil, o máximo que posso me dispor a dizer é: “I hope it does”. Mas continuo cético.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">Com isso, podem dormir na santa paz de Deus as outras mineradoras, petrolíferas, empreiteiras, incorporadoras, bancos, latifúndios, usinas e por aí vai, que doam os bilhões de nossas campanhas eleitorais para poder esgotar o território (florestas, cidades, campos, mares, rios, subsolos…). Quando o mundo vier abaixo, tudo estará bem para esse pessoal, e mal para o resto de nós, com o beneplácito de todo o espectro político, incluindo a imprensa e os sindicatos. Ainda não entendemos a gravidade da ameaça que ronda nossas cabeças, e não é simplesmente uma crise pertencente aos ciclos produtivos. Essas passam.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">E se o assunto é “expulsar a natureza”, parece que essa é uma fixação atávica que nós temos. Já no primeiro reinado, eis o que relata o pintor francês Jean-Baptiste Debret, que retratou algumas de nossas verdades mais desconfortáveis:</p>
<p class="western" style="padding-left: 60px;" align="JUSTIFY"><em>Pintor de teatro, fui encarregado de nova tela, representando a fidelidade geral da população brasileira ao governo imperial, sentado em um trono coberto por rica tapeçaria estendida por cima de palmeiras. A composição foi submetida ao ministro José Bonifácio, que a aprovou. Pediu-me apenas que substituísse as palmeiras naturais por um motivo de arquitetura regular, a fim de não haver nenhuma idéia de estado selvagem. Coloquei então o trono sob uma cúpula sustentada por cariátides douradas (…).</em></p>
<p class="western" align="JUSTIFY">Desde o berço, o brasileiro desenvolveu essa mesma relação que temos hoje com o solo em que pisamos e aquilo que nele cresce: há que esconder-se a natureza! Substituí-la por “um motivo de arquitetura regular”! Expulsá-la da representação do que seja o Brasil, naquele que é um de seus símbolos fundadores, a coroa estilizada do primeiro monarca. Nada de palmeiras! A natureza não está aí porque ela não existe. Ou seja: não temos natureza, o que temos são recursos naturais, matérias-primas… Riquezas que fazem nossa pujança e grandeza, como querem nos fazer crer.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/11/debret35a.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1327" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/11/debret35a.jpg" alt="debret35a" width="530" height="316"></a></p>
<p class="western" align="JUSTIFY">O que mais me desanima é o quanto tudo isso é evidente. Lembro bem dos meus primeiros anos em São Paulo: verões mais ou menos amenos, invernos frios, com temperaturas de um dígito – exceto em uma ou duas semanas do chamado “veranico”, palavra que caiu em desuso, já que hoje podemos vivenciar um mês de setembro como o deste ano, cujo calor, em pleno inverno, me dava dor de cabeça.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">Naquele tempo nem tão distante, tempestades de verão eram impensáveis em setembro. Neste ano, tivemos exatamente isso, embora o mês, de modo geral, tenha sido seco como têm sido quase todos os meses há coisa de dois anos. E se eu cruzar com alguém na rua se referindo a “veranico”, não dá para evitar, sangue vai correr. Tivemos algumas semanas chuvosas em São Paulo em outubro e as pessoas já vêem afastar-se a famigerada crise hídrica (que, para parafrasear uma declaração atribuída a Darcy Ribeiro, parece não ser crise, mas projeto). Mal sabem elas que aqueles pés d’água de outubro mantiveram o mês abaixo da média histórica, apesar de tudo…</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">E falando em correr sangue, se a coisa continuar nessa toada, já se vê que dezembro, janeiro e fevereiro vão ser meses mortíferos. Basta lançar um olhar para o subcontinente indiano, onde 4500 pessoas foram ceifadas por uma <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/2015_Indian_heat_wave" target="_blank" rel="noopener noreferrer">onda de calor em maio e junho</a>. E como já se fala em um “Super El Niño” para este verão – já li até a expressão <a href="http://www.npr.org/sections/thetwo-way/2015/08/13/432099022/scientists-say-we-could-be-heading-into-godzilla-el-ni-o" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“um El Niño Godzila”</a> –, é de se esperar que setembro pareça ameno em comparação com o que vem pela frente. Mas nenhum desses sinais basta para que o país, como um todo, a começar por suas elites sociais e econômicas, para não falar nas lideranças políticas, coloque esse tema nas primeiras posições da pauta.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">E no entanto é um problema que ultrapassa o Brasil, embora o atinja em cheio, na condição de país continental que é. Desastres mortíferos, água acabando, queimadas generalizadas na Indonésia, ciclones mastodônticos no México. No contexto mais amplo, leio notícias de que 2015 baterá o recorde de 2014 como ano mais quente da história (“literalmente território desconhecido”, diz um comentarista, ao compartilhar o gráfico da evolução de temperaturas este ano).</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">Soubemos também recentemente que a Volkswagen, malandrinha, andou falsificando uns testes de poluição; que o Reino Unido não vai conseguir atingir sua meta de redução de emissões de carbono; que as metas brasileiras “ambiciosas” para reduzir desmatamento, anunciadas por Dilma na ONU em setembro, de ambiciosas não têm nada. Que a China está mais uma vez coberta de poluição.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">A boa notícia do ano foi o anúncio de que Obama rejeitou a construção do oleoduto conhecido como <a href="http://350.org/campaigns/stop-keystone-xl/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Keystone XL</a>, que carregaria petróleo de Alberta, no Canadá, até o golfo do México (pobre coitado…) no Texas. Um ligeiro vento de esperança, mas dado o esforço que movimentos como o 350.org tiveram de despender para conseguir essa vitória, é uma lufada realmente ligeirinha, facilmente engolfada pelo temor com o que há de vir.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY"><b>O ancinho e nós</b></p>
<p class="western" align="JUSTIFY"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/11/quintus_horatius_flaccus.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-1328 alignright" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/11/quintus_horatius_flaccus.jpg" alt="quintus_horatius_flaccus" width="278" height="550"></a></p>
<p class="western" align="JUSTIFY">Por essas e outras, não tem como não admirar a fórmula sucinta de Horácio. Dia após dia, estamos tentando expulsar a natureza, com qualquer coisa que faça o papel do tal do ancinho. Por exemplo: como se abrigar desse calor todo? Ora, comprando um ar-condicionado. Mas se a temperatura fresquinha é conseguida aqui dentro graça a um dispêndio brutal de energia, que vai aquecer o resto do mundo lá fora, cedo ou tarde o abafado volta. Talvez não diretamente aqui, mas em algum lugar.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">E se está quente na rua, é melhor ir para qualquer lugar de carro – com o ar condicionado ligado, claro, reproduzindo mais uma vez o problema, em duas frentes: a poluição do motor e o gasto energético da refrigeração. Tudo isso para não falar do consumo de energia elétrica, obtida seja com barragens (que andam com reservatório baixo), seja queimando carvão. E assim por diante, até a irrupção vitoriosa daquela que quisemos expulsar.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">Mas é certo que a culpa não é do pobre diabo que ativa o ar-condicionado da sala para aliviar o sofrimento dos filhos. Para evitar esse tipo de leitura culpabilizadora e moralista, tratemos Horácio como o autor de uma enorme metonímia: cada ar-condicionado vale por milhões de aparelhos no mundo; o ancinho é o arquétipo de tudo que já se usou para obter essa magra vitória sobre o mundo natural. Assim sendo, já está evidente para qualquer um com um mínimo de boa vontade que a humanidade foi, mais do que arrogante, verdadeiramente frívola ao pensar que “com um ancinho” (muitas vezes traduzido como “violentamente”) poderia “expulsar a natureza”, e que ela não voltaria, mais cedo ou mais tarde, “<i>furtim fastidia</i>“.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">A observação de Horácio, porém, é só a primeira das respostas possíveis. Ah, sim, diz o poeta, ela volta e volta triunfal: “<i>recurret victrix</i>”. Vitoriosa, vingativa, violenta. Nessa resposta, ela passa por cima de tudo e retoma o que era seu – o que sempre foi seu, talvez. No plano de um poema que compara a vida urbana à campestre, como é o do autor romano, o sentido dessa idéia é que o dia-a-dia de quem tenta se livrar da natureza é ocupado em varrer, lavar, pintar paredes, consertar telhas, podar árvores, eliminar mofo, jogar fora frutas podres, matar ervas daninhas.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/11/china-poluicao.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1329" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/11/china-poluicao.jpg" alt="china-poluicao" width="550" height="366"></a></p>
<p class="western" align="JUSTIFY">No plano de um mundo ultra-industrial, financeirizado e cego para suas próprias condições de existência, como é o nosso, a interpretação é bem mais sombria: quanto mais labutamos, quanto mais esforço fazemos, quanto mais desenvolvimento para mandar a natureza para longe, mais irresistível ela vai ser quando voltar, engolindo a todos nós. Quanto mais barragens de rejeitos tóxicos, mais enxurradas. Quanto mais usinas atômicas à beira-mar, mais Fukushima. Quanto mais for viável economicamente arrancar o petróleo do leito marítimo, mais desastres no Golfo do México. Quanto mais for necessário expandir a fronteira agrícola para garantir a expansão de cadeias de <i>junk food</i>, mais queimadas fora de controle na Indonésia.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">A imagem que temos ordinariamente da mudança climática ilustra bem essa perspectiva apocalíptica, com sua justeza e também seus exageros. Os mares subirão, as cidades serão engolidas, as florestas se tornarão desertos, as lavouras morrerão, metano jorrará (<a href="https://www.washingtonpost.com/news/morning-mix/wp/2015/02/26/the-siberian-crater-problem-is-more-widespread-and-scarier-than-anyone-thought/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">ou já está jorrando</a>) de enormes crateras na Sibéria. Cada um por si e Deus contra todos. A natureza no papel de Conde de Monte Cristo, eliminando pouco a pouco e fazendo sofrer aqueles que a traíram. Quem é que não está cansado de ler alertas assim?</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">Mas poderíamos explorar uma outra resposta para a mesma fórmula da natureza que tentamos expulsar só para vê-la retornar vitoriosa. Nesta resposta, o problema de querer enxotar a natureza não está simplesmente em sua arrogância frívola, mas acima de tudo em seu caráter de cabo a rabo <i>ilusório</i>. Assim, os desequilíbrios naturais provocados pelo modo de atuação do ser humano “sobre” a natureza – mas na verdade “na” natureza – se situariam não na interação alienada e extravagante entre um dentro (da casa, da cultura, da civilização, da economia, da humanidade) e um fora (a natureza que foi expulsa, as “externalidades negativas” geradas pela atividade humana, econômica em particular), mas por todos os lados, ou seja, na manutenção da própria idéia de uma “casa” que estaria isolada da natureza; na contemplação de uma natureza que está para lá das paredes; no gesto ele mesmo pelo qual cremos estar (violentamente) expulsando a natureza; por fim, no próprio instrumento que usamos para realizar essa pretensa expulsão: o “ancinho”.</p>
<p class="western" align="JUSTIFY">Pretendo, daqui para baixo, demarcar as diferenças entre essas duas respostas possíveis, essas duas leituras rivais dos versos de Horácio tal como transplantados, sem considerações sobre o contexto, para nossa realidade. São diferenças cruciais, bem entendido. Como veremos, todos os termos que aparecem nos versos podem ser lidos diferentemente e, com eles, a maneira como nos relacionamos com essa realidade que nos toca – tão urgente, cada vez mais urgente. E com conseqüências profundas, ainda por cima.</p>
<p class="western" style="text-align: center;" align="JUSTIFY"><em>Continua…</em></p>
<p class="western" style="text-align: center;" align="JUSTIFY"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/11/morte-dos-bois.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1330" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/11/morte-dos-bois.jpg" alt="morte-dos-bois" width="550" height="288"></a></p>
<p class="western" style="text-align: left;" align="JUSTIFY"><strong>Notas</strong></p>
<p class="western" style="text-align: left;" align="JUSTIFY"><a class="sdfootnotesym" href="https://vianadiego.wordpress.com/2015/11/14/naturam-expellas-parte-1/#sdfootnote1anc" name="sdfootnote1sym">1</a><span lang="pt-BR">. Pouco antes desses dois versos, há estes outros dois também lindos: “purior in vicis aqua tendit rumpere plumbum / quam quae per pronum trepidat cum murmure rivum?”, que costuma ser traduzido assim: “A água que nas ruas da cidade luta para estourar os canos de chumbo / é mais pura do que aquela que trepida e murmura por um rio?”</span></p>
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