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	<title>Arquivos robeyoncé lima - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 13:12:05 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos robeyoncé lima - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>&#8220;Quero abrir portas para as próximas que virão&#8221;, diz Robeyoncé, que pode ser primeira travesti no Congresso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Sep 2022 21:38:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres na política]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
		<category><![CDATA[robeyoncé lima]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ela foi a primeira da família a se formar na universidade, a primeira advogada travesti de Pernambuco e a primeira codeputada travesti do estado, pelo mandato coletivo das Juntas (PSOL), eleito em 2018 com 39 mil votos. Agora, Robeyoncé Lima, 34 anos, mulher preta, cria da periferia, quer levar para Brasília sua atuação em defesa [&#8230;]</p>
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<p>Ela foi a primeira da família a se formar na universidade, a primeira advogada travesti de Pernambuco e a primeira codeputada travesti do estado, pelo mandato coletivo das Juntas (PSOL), eleito em 2018 com 39 mil votos. Agora, Robeyoncé Lima, 34 anos, mulher preta, cria da periferia, quer levar para Brasília sua atuação em defesa dos direitos do povo negro e no enfrentamento às opressões contra a comunidade LGBTIA+.</p>



<p>Se for eleita deputada federal, será a primeira travesti do Brasil e também a primeira pessoa do Nordeste pelo PSOL a ocupar um assento na Câmara Federal, um ambiente longe de ser seguro e livre de <a href="https://marcozero.org/nova-plataforma-recebe-e-encaminha-denuncias-de-violencia-politica-de-genero/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">violência política de gênero</a>, assim como a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Mas Robeyoncé quer mais do que ser a primeira, quer abrir portas para as próximas que virão.</p>



<p>Ela recebeu a reportagem da <strong>Marco Zero </strong>no seu QG da campanha, uma sala no edifício Ébano, no centro do Recife. Entre uma agenda e outra, na correria para organizar o espaço e se arrumar, ela conversou sobre propostas, desafios, expectativas, futuro e a importância de uma travesti preta no Congresso. O número de candidaturas de pessoas trans bateu um novo recorde. O levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) encontrou 76 candidaturas, 44% a mais que em 2018, que teve 53.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/candidaturas-trans/" class="titulo">Número de candidaturas de pessoas trans aumenta 44% nestas eleições</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/democracia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Democracia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Defensora de que o ex-presidente e candidato Luís Inácio Lula da Silva (PT) precisa se colocar mais à esquerda em determinadas pautas, Robeyoncé diz que, se for preciso, pode até ir de encontro a ele para defender os princípios em que acredita. Se eleita, a deputada não cogita sentar à mesa para relativizar o enfrentamento ao racismo, ao machismo e à LGBTIA+ fobia. Para ela, são “pautas inegociáveis”.</p>



<p>De perfil mais independente dentro do PSOL, Robeyoncé acumulou capital político com as Juntas e decidiu pelo desafio de se candidatar a federal, o que inclui não contar com a verba carimbada de reeleição, como aconteceria se ela tivesse permanecido com as Juntas. Cercada de expectativas, ela tem sido uma das responsáveis por provocar e questionar os psolistas sobre prioridades, planos para o futuro e recursos.</p>



<p>Depois do deputado federal Túlio Gadelha (Rede), que tenta a reeleição, Robeyoncé é a outra aposta da federação para a Câmara Federal por uma votação expressiva. Ele tem, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aproximadamente R$ 800 mil em recursos de partidos e acumula 1,3 milhão de seguidores no Instagram. Enquanto ela recebeu pouco mais de R$ 320 mil e tem 26 mil seguidores. Para aumentar esse valor, está com <a href="https://www.queroapoiar.com.br/robeyonce">financiamento coletivo</a> online, com quase R$ 24 mil arrecadados.</p>



<p>A verba de campanha é um dos grandes desafios da codeputada. Com uma equipe que deve passar de 30 pessoas, os trabalhos começaram na base do “fiado”, porque o dinheiro do fundo partidário demorou para cair na conta. Mas para Robeyoncé, é preciso correr o risco. Como disse, “quem não arrisca não ocupa”. Ela vê as eleições de 2 de outubro como um degrau na construção do projeto que defende e como o retrato do seu tamanho em termos numéricos para disputar outros cargos e espaços. Caso não seja eleita este ano, já cogita disputar a vereança do Recife em 2024.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Confira os principais trechos da entrevista</strong>:</h2>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>A decisão de se candidatar a federal</strong></li></ul>



<p>Se fosse para seguir o caminho mais fácil ou o caminho mais certo de resultados positivos, eu iria continuar para estadual.</p>



<p>Mas entendi também essa necessidade de ir para Brasília com uma narrativa que estamos construindo de ter travestis negras no Congresso Nacional pela primeira vez. E entendendo também que temos que eleger o presidente Lula, mas ele não pode ficar sozinho. Esse chamamento para Brasília pegou mais minha atenção, abriu mais meus olhos e foi mais forte no meu coração, entendendo que é um projeto que não pode ficar somente no estado de Pernambuco. Temos um projeto de ocupar a nação como um todo e, no local que é centro do comando e das decisões, Brasília, a gente não está.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Propostas para Brasília</strong></li></ul>



<p>Há princípios norteadores que direcionam nossa política para o bem-viver. Entendemos que uma sociedade sem machismo, sem racismo, sem LGBTIA+ fobia, sem preconceito –– seja de raça, de classe ou de xenofobia – é uma sociedade boa para todo mundo. Esse é o projeto de futuro que queremos construir com as pessoas.</p>



<p>Eu não vou colocar enfrentamento ao racismo, ao machismo e à LGBTIA+ fobia em mesa de negociação nenhuma. Posso ir de encontro ao governo Lula para defender esses princípios? Posso, porque eu não vou abrir mão dessas disputas de narrativa, desse lugar de fala como espaço de denúncia para as marginalizações e opressões dessas pessoas que, há séculos, vêm sofrendo.</p>



<p>Temos aí 200 anos de independência, mas independência para quem? Em um cenário em que, ainda hoje, a exclusão, marginalização, vulnerabilidade, violência e o extermínio dessas pessoas acontecem na necropolítica instalada no Brasil.</p>



<p>Defendendo o direito da classe trabalhadora, entendendo também que existem direitos inegociáveis. Direito à educação pública de qualidade, saúde pública qualidade e universalização do SUS. É preciso debater o Mais Médicos, que foi um avanço na saúde brasileira e agora retrocedeu.</p>



<p>Queremos construir com as pessoas e eu trabalho com princípios inegociáveis. Quando eu falo, por exemplo, da necessidade de enfrentamento ao racismo, isso traz à minha mente a questão de ações afirmativas, políticas públicas de equidade racial. Como trabalhamos a disparidade de gênero no Congresso Nacional? A pauta das mulheres na política, violência obstétrica, saúde para as mulheres, educação para as mulheres.</p>



<p>A cannabis, o que fazemos com as mães canábicas, que trabalham a questão da legalização da maconha para uso medicinal? No eixo de luta de classes, como trabalhamos, por exemplo, a questão da uberização? Da precarização do trabalho, do desemprego, que traz como consequência a própria fome? O Brasil voltou para o mapa da fome.</p>



<p>São eixos que, em torno deles, podemos desdobrar múltiplas ações e estratégias. Entendendo também, do ponto de vista federal, que precisamos da política pública de Lula vindo mais um pouquinho para a esquerda para poder efetivar.</p>



<p>Nem Lula governa sozinho nem a Câmara dos Deputados pode fazer muita coisa sozinha também. Tem que haver essa confluência, esse alinhamento do presidente Lula com a bancada de frente ampla de esquerda que vai estar eleita lá em Brasília.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Saída das Juntas</strong></li></ul>



<p>Temos que trabalhar os mandatos coletivos e potencializá-los, mas sem apagar as identidades individuais de cada pessoa. Porque esses mandatos coletivos podem desmembrar futuramente em projetos de ampliação, como é meu caso agora.</p>



<p>As pessoas sabem quem são as Juntas, mas muitas não sabem quem é Robeyoncé Lima, Carol Virgolino, Joelma Carla, Kátia Cunha e Jô Cavalcanti. Esses quatro anos de experiência nas Juntas trouxeram para nós essa importância, de fortalecer a ideia de coletividade, mas também as individualidades para projetos de ampliação no futuro.</p>



<p>Não que isso seja um abandono do projeto coletivo, mas, na perspectiva de ampliação, de ocuparmos esses espaços e usarmos esses coletivos como uma estratégia de multiplicação. Não é que eu esteja abandonando as Juntas. Vou ficar parlamentar até concluir os quatro anos de mandato. O projeto na verdade é ampliar na perspectiva de leitura mais ampla do projeto de sociedade. Estou saindo de um projeto coletivo, mas saindo completando os quatro anos de promessa de campanha que eu tinha feito. Vou sair em janeiro de 2023. Mas entrando para outro projeto coletivo que é o de fazer uma bancada de travestis negras no Congresso Nacional. Então é um coletivo e estou indo de um para outro.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Experiência na Alepe</strong></li></ul>



<p>Ir para uma nova eleição, mesmo que para outro cargo e mesmo que agora na modalidade individual, já traz uma experiência maior do que a primeira disputa. De 2018 para cá, eu tive muito aprendizado, seja da política partidária ou da política institucional, aprendendo mais sobre o processo legislativo. Na faculdade, a gente aprende só na teoria. Na Assembleia Legislativa, vemos na prática. Traz muito a experiência de como lidar também com a violência política, inclusive.</p>



<p>O lado bom, digamos assim, de, nos modos tradicionais, eu me candidatar individualmente é que o conservadorismo não vai ter mais justificativa nem política nem em termos de legislação de querer falar de mim. Com candidatura própria e sendo eleita, essa deslegitimação em termos de legislação eleitoral eu vou eliminar.</p>



<p>Virão outras? Sim, mas não haverá mais deputado me dizendo que eu tenho que me retirar de uma reunião porque eu sou assessora parlamentar (e não deputada eleita por fazer parte de uma candidatura coletiva). Isso não vai mais existir. Vou ser eu a titular do mandato, vai ser uma arma a mais para dizer que esse espaço é meu. É uma arma que eu tenho para não ser silenciada.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>PSOL nunca elegeu federal no Nordeste</strong></li></ul>



<p>O PSOL nunca teve um deputado ou uma deputada federal por Pernambuco nem pelo Nordeste. Se ficarmos sem eleger, corre-se o risco, inclusive, de o partido deixar de existir financeiramente. Nós ainda sobrevivemos porque temos federais por Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Mas chegou-se a uma situação em que, se não elegermos federal e também não tivermos votações expressivas para federais, mulheres e mulheres negras principalmente, vai chegar uma hora que não vai haver recurso eleitoral para o partido.</p>



<p>A opção de ampliar a bancada estadual é importante, mas é importante também ter essa visão, a longo prazo ou a médio prazo, para que também o partido possa sobreviver. Porque a ampliação da bancada estadual é boa, mas não conta para o fundo eleitoral. A votação mais expressiva que tivemos para federal foi Ivan Moraes, em 2018, quando as Juntas se elegeram estaduais, e ele teve 18 mil votos. Foi o máximo a que chegamos.</p>



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	                                        <p class="m-0">Robeyoncé Lima (Psol), candidata a deputada federal, em campanha nas ruas. Crédito: @medusa_tr3</p>
	                
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<ul class="wp-block-list"><li><strong>Independência no PSOL</strong></li></ul>



<p>Estou fazendo aquela posição de independente, mas que fica fluindo para um lado e para o outro, conversando com uma pessoa, com outra, com uma força e com outra. Porque também tem essa questão do partido e a necessidade de você se situar para também não se isolar. Também tem o próprio fator político Robeyoncé Lima, codeputada estadual eleita. Não sou qualquer independente, já com uma certa política dentro do meu partido, indo para federal com uma grande expectativa de ser eleita a primeira deputada federal pelo PSOL de Pernambuco e do Nordeste.</p>



<p>Essa expectativa traz para mim uma atenção maior. Então as pessoas atentam mais para o que eu vou falar, o que eu quero, o que eu estou pedindo, para aquilo que eu acho importante que haja na minha campanha. Isso faz um diferencial. Porque a gente precisa minimamente ter um senso organizativo para poder tocar essa campanha.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Votos em disputa</strong></li></ul>



<p>Se conseguir cerca de 180 mil votos, a federação garante uma cadeira, que será ocupada pela candidatura PSOL-Rede mais votada. Cogita-se a possibilidade de minha candidatura estourar e, mesmo com recursos menores do que Túlio Gadelha, feitos esses 180 mil votos, eu me eleger. Mas tem também a possibilidade de disputar as sobras. É necessário ter pelo menos 10% do quociente para disputar as sobras. São diversas variáveis, tem também o contexto de eu me eleger junto com Túlio fazendo duas cadeiras ou eu ficar na suplência.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Eleitores no interior</strong></li></ul>



<p>Com o Tour da Rob, já fomos para algumas cidades do Agreste e Sertão. O fato de não termos sobrenome e não fazermos parte da política tradicional dificulta nosso nome chegar nas lonjuras do Sertão. É muito difícil levarmos, por exemplo, para Araripina ou Ouricuri. Isso traz até uma certa reflexão de como podemos fazer a campanha chegar nesses locais mais distantes. Eu acho que a própria eleição das Juntas diz muito sobre isso, da dificuldade de nós aqui da cidade chegarmos lá no interior.</p>



<p>Metade dos votos das Juntas estão só no Recife. Eu imagino que, para minha eleição para federal, não vai ser diferente porque não temos um sobrenome político. Mas entendendo também que não podemos ignorar completamente o Agreste e o Sertão. Temos que fazer visitas em algumas cidades. A logística de algumas pessoas que vivem nas áreas rurais é diferente, escutam mais rádio do que veem TV.</p>



<p>Há as limitações nossas enquanto candidatura não tradicional, da velha política. Mas vamos fazendo essas incidências para ver até onde podemos ir. E precisando de pessoas ou lideranças locais que possam apoiar a candidatura para difundi-la dentro de uma comunidade, de um município, de um bairro. Porque, com pouco recurso, não teremos condições de ir constantemente ao interior.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>E se não for eleita?</strong></li></ul>



<p>Se eu perder, vou estar com o coração tranquilo porque me entreguei até onde pude e estarei contemplada com as outras trans que podem ser eleitas federais, como Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG), e estaduais, como Linda Brasil (PSOL-SE). Também estarei contemplada se as Juntas se reelegerem e com uma possível ampliação da bancada estadual do PSOL.</p>



<p>Entendendo que o caminho continua, esse “não dar certo” é um “não dar certo” agora, mas que pode ser utilizado como capital político para fazer planejamentos para o futuro. Numa possibilidade de não haver êxito nessa eleição, a gente pode tentar uma vereança em 2024. E aí eu me lembro muito de Dani Portela (Psol), que saiu candidata ao governo do Estado em 2018, ficou em terceiro lugar e o resultado desse capital político de 2018 foi, em 2020, ela ser a vereadora mais votada do Recife.</p>



<p>Objetivamente falando, o resultado desse pleito, mesmo que não haja a vitória propriamente dita, de eu me tornar uma mulher trans eleita federal, vai  trazer para mim uma ideia do meu tamanho em termos numéricos. Eu vou poder mensurar qual é o meu tamanho em termos de votos. Onde é que estão meus votos? Onde é que não estão? Onde é que eu tenho incidência política? Onde é que falta eu chegar mais perto? Onde é que falta o nome Robeyoncé Lima chegar para a próxima eleição?</p>



<p>Então eu entendo como um caminho que não se encerra agora em 2022. É construir e não abandonar o projeto. Não desistir de fazer essa transformação política.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Campanha começou sem recurso</strong>s</li></ul>



<p>Na maioria dos partidos, existe essa dificuldade de planejamento. Era para termos começado o período eleitoral já sabendo quanto iria receber. A situação ideal seria a gente saber quanto vai receber antes da campanha. É um arriscar. Entendendo também que, se não arriscar, não ocupa, não chega. Precisa se arriscar, precisa se candidatar, precisa se registrar no partido político.</p>



<p>A gente no Brasil hoje não tem a possibilidade de uma candidatura autônoma. O Supremo Tribunal Federal está empurrando com a barriga essa discussão, que muitos movimentos sociais caem em cima.</p>



<p>E aí é a questão é como administrar esse risco, saber a moderação do risco. Eu não posso, por exemplo, contratar 200 pessoas para trabalhar na minha campanha, porque muito provavelmente eu vou estar endividada. Minha equipe acho que vai chegar em mais de 30 pessoas, contando o pessoal de rua, vídeo, filmagem, mobilização, comunicação, contabilidade, advocacia, aluguel do espaço.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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		<title>Candidaturas de mulheres trans crescem e querem ser ouvidas no legislativo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Oct 2018 15:27:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[adalgisas]]></category>
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		<category><![CDATA[candidaturas transexuais]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2018]]></category>
		<category><![CDATA[joana casotti]]></category>
		<category><![CDATA[juntas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nestas eleições, as candidaturas de transexuais cresceram exponencialmente no Brasil: passaram de apenas cinco em 2014 para 47 candidaturas neste ano, segundo levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais e da Marco Zero Conteúdo. Em Pernambuco, são três candidaturas, todas de mulheres trans: Amanda Palha, única candidata a federal, pelo PCB; Robeyoncé Lima, que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<a href="https://marcozero.org/projetoadalgisas/"><img decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-10049" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/08/adalgisasabertura.jpg" alt="adalgisasabertura" width="150" height="100"></a>Nestas eleições, as candidaturas de transexuais cresceram exponencialmente no Brasil: passaram de apenas cinco em 2014 para 47 candidaturas neste ano, segundo levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais e da <strong>Marco Zero Conteúdo</strong>. Em Pernambuco, são três candidaturas, todas de mulheres trans: Amanda Palha, única candidata a federal, pelo PCB; Robeyoncé Lima, que faz parte do coletivo <a href="http://marcozero.org/elas-vao-juntas-cinco-candidatass-e-um-unico-numero-na-urnas/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Juntas</a>, do Psol; e Joana Casotti, pelo PCdoB. É a primeira vez que todas elas participam de uma eleição. (Confira as propostas de cada uma ao final desta matéria)

A população trans é das mais vulneráveis no estado. Segundo o relatório anual da Antra, que foi lançado no final de 2017, Pernambuco é o quarto estado brasileiro que mais mata travestis, pessoas trans e transexuais. “Isso dentro do país campeão em nos assassinar é ainda mais alarmante. Então primeiramente a gente precisa garantir formas de sobrevivência. A idade média de pessoas trans mortas com violência é de 35 anos”, diz a transfeminista Caia Coelho, ligada à Nova Associação de Travestis e Transsexuais de Pernambuco (Natrape).

Entre as pautas mais urgentes que os movimentos citam estão garantias de sobrevivência. “Na prática, isso significa pensar nos adolescentes trans que se hormonizam sem acompanhamento médico (no caso dos homens trans, com testosterona traficada) porque a lei não permite o acesso à saúde. Eles acabam desenvolvendo trombose, muitas vezes. Mas para além da questão endocrinológica, estamos falando de direito ao aborto para mulheres e para homens trans (esquecidos do debate). De condições mais seguras para se prostituir. De universidades criando cotas para pessoas trans na graduação&#8230;&#8221;.

<span style="color: #003366;"><strong>Confira no mapa quem são e onde estão as candidaturas trans</strong></span>
<em>Dezoito estados e o Distrito Federal somam 47 candidaturas de transexuais nas eleições 2018. São 45 candidaturas individuais e duas em coletivos (Juntas/PE e Bancada Ativista/SP). A grande maioria é de mulheres trans: são apenas dois homens trans. Confira os nomes, cargos e partidos no mapa. Dados: AntraBrasil/TSE
</em>
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Este também é o primeiro pleito em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceita a autoidentificação tanto para o título de eleitor quanto para os registros dos candidatos. “O TSE fez isso já depois do Supremo Tribunal Federal garantir a correção dos documentos através de processo administrativo, não mais judicial. Ou seja, agora qualquer pessoa trans ou travesti que for retificar a certidão de nascimento, procura um cartório, não mais a defensoria ou advogado particular. Uma vez, vendo a plenária do STF na TV Justiça, lembro que um ministro falou que &#8220;a Justiça que tarda, já falha&#8221;. Eu concordo. O TSE falhou porque tardou”, critica Caia Coelho.

Mesmo Pernambuco contando com três candidatas trans, a Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco (Amotrans-PE) não vai apoiar nenhuma delas. A candidata que teve apoio da direção da Amotrans, ainda que informalmente, foi Ana Callou, do PSB, que se comprometeu a apoiar financeiramente o projeto de um centro cultural para a associação.

Outros três candidatos se aproximaram da Amotrans (Daniel Coelho, Priscila Krause e Tereza Leitão). “Não é só por ser trans que vamos apoiar a candidatura de alguém. Acho ótimo para dar visibilidade à causa, mas isso por si só não é projeto”, diz.

Em reuniões LGBT critica-se a posição da associação em não apoiar as candidatas trans. “Tirando Amanda Palha, que foi secretária de projetos sociais aqui, não sei da história das outras duas. Hoje é tudo muito fácil, tem até trans trabalhando na Assembleia Legislativa de Pernambuco <em>(Fabiana Oliveira, que trabalha no gabinete do deputado estadual Edilson Silva)</em>. Mas já fui na Assembleia e a Polícia Militar foi chamada e queria tirar a gente do banheiro feminino”, reclama Chopelly, relembrando tempos ainda mais difíceis.
<h3><span style="color: #003366;">Eleitorado trans</span></h3>
Neste primeiro pleito no país a aceitar o uso do nome social, a norma do TSE também valeu para os eleitores. Foram 6.280 pessoas que escolheram o nome que foi colocado no título. Dados do TSE, indicam que, destes eleitores, 2.633 têm ensino médio completo, 1.144 têm ensino médio incompleto e 826 têm ensino superior completo. Em relação à faixa etária, são pessoas jovens: 1.402 pessoas estão entre 21 e 24 anos, 1.366 entre 25 e 29 anos e 867 entre 30 e 34 anos.
<blockquote>Em 2016, o PCdoB de São Paulo lançou pela primeira vez uma candidata trans na cota de 30% reservada para mulheres. Mas para isso precisou entrar na Justiça. Neste ano, as candidatas puderam entrar na cota, como é o caso de Joana Casotti, do PCdoB , e Robeyoncé Lima, da Juntas – que, nas urnas é representada por Jô Cavalcanti.

Candidata à federal, Amanda Palha não conseguiu mudar o gênero no registro de candidatura. Ela não culpa nem o partido, nem o TSE. “Foi vacilo meu mesmo”, diz ela, que não teve tempo hábil para fazer a mudança junto com a transferência do título de eleitor de São Paulo para o Recife.</blockquote>
<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #003366;">Amanda Palha (PCB) – 2122 – candidata a Deputada federal</span></h3>
<div id="attachment_10842" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10842" class="wp-image-10842" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/amandapalha.jpg" alt="Amanda Palha é filiada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Foto: Inês Campelo/MZ" width="702" height="469"><p id="caption-attachment-10842" class="wp-caption-text">Amanda Palha é filiada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

<span style="color: #003366;"></span>Em poucos minutos de fala, seja em um debate ou em uma conversa, é perceptível o preparo de Amanda Palha, 30 anos. Ela tem propostas claras, com caminhos traçados e bem alinhados com o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Militante de movimentos sociais desdes os 18 anos, Amanda veio de São Paulo para o Recife em 2014, para estudar Serviço Social na UFPE &#8211; curso no qual foi primeiro lugar pelo Sisu no Brasil e trancou neste semestre para se dedicar à campanha. Defende a representatividade,e vai além, com a forte premissa da participação popular definida pelo seu slogan: “Nada sobre a gente sem a gente”.

O processo de escolha da candidatura de Amanda Palha dentro da coligação Psol/PCB foi coletivo. &#8220;A discussão foi mais de quem vai encampar os projetos do partido. A ideia não era ser uma candidatura LGBT, mas a gente entendeu que ser eu nesse processo seria importante, por ser LGBT, por ser travesti. Primeiro, pela ousadia do ato. E depois por minha trajetória política. Precisávamos de nomes fortes, pelo caminho de retrocesso que estamos vivendo&#8221;, diz.
<blockquote><a href="https://www.facebook.com/amandapalha21/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Confira aqui a página da candidata com mais propostas</a></blockquote>
Apesar de não entrar na cota de 30% do fundo especial para as mulheres, Amanda não teve com isso prejuízo financeiro para a sua campanha, já que é uma candidata prioritária do PCB. “É uma candidatura para marcar território político sim, mas estamos trabalhando duro para ganhar”, diz.

Filiada desde 2013 ao PCB, defende principalmente a geração de empregos e a democracia direta. &#8220;Queremos sair da lógica de que políticas públicas para LGBT, mulher, negros são políticas públicas apartadas de tudo. Temos um programa de 21 passos, em que discutirmos moradia, trabalho e tem especificidades, claro. Para a população LGBT tem de ter medidas protetivas, o projeto Dandara dos Santos, que é sobre a tipificação da LGBTfobia, a lei João Nery (reconhecimento da identidade de gênero), mas a gente ganha muito mais discutindo essas ações como parte de um todo”, diz.

“Por exemplo, para discutir trabalho: tem que ter programas de empregabilidade para cidade e campo. E como para a população LGBT a gente tem essa questão da empregabilidade muito sensível, a ideia é atrelar a empregabilidade aos programas de assistência. A gente precisa de uma ampliação destes programas &#8211; o que temos hoje são projetos pilotos, alguns muito bons, mas atendem poucas pessoas. Queremos a ampliação e criação de novos programas empregando LGBTs. A mesma coisa para mulheres, para a população negra, indígena, quilombola. É uma forma de você gerar empregos com estabilidade atrelados à expansão do serviço de assistência&#8221;.
<h3><span style="color: #003366;">Joana Casotti &#8211; 65777 &#8211; candidata a deputa estadual</span></h3>
<div id="attachment_10843" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10843" class="wp-image-10843" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/joanacasotti.jpg" alt="joanacasotti" width="702" height="469"><p id="caption-attachment-10843" class="wp-caption-text">Joana Casotti está candidata pelo PCdoB. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Uma das mais jovens a concorrer neste ano, Joana, de 21 anos, é também a mais pragmática entre as candidaturas trans em Pernambuco. Concorre pelo PCdoB, partido da Secretaria de Cultura do Estado, que se envolveu na polêmica censura ao espetáculo “Evangelho segundo Jesus – Rainha do Céu”, da atriz transexual Renata Carvalho, no Festival de Inverno de Garanhuns deste ano. Joana vê o episódio como uma pedra em uma longa jornada. “ Não adianta a gente ficar discutindo por coisas assim. É preciso se unir nos pontos em comum. E se unir com quem está no poder também, para que questões mais relevantes ganhem força”, diz. &#8220;Somos assassinadas todos os dias, temos que lutar pela sobrevivência&#8221;.

Moradora de Igarassu, Joana conta em debates e rodas de conversa sobre os preconceitos que sofreu e sofre. Mesmo já formada em design, nunca conseguiu emprego na área. Agora, estuda arquitetura. “Moro em um bairro pobre, com pouca iluminação, e toda noite que volto da faculdade para casa tenho medo de ser estuprada. Medo compartilhado com meu companheiro, que é um homem trans”.
<blockquote><a href="https://www.facebook.com/joana.casotti.pcdob/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Confira a página da candidata com mais propostas</a></blockquote>
Entre as propostas de Joana, está a construção de um espaço de acolhimento para a população LGBT. &#8220;Nós somos expulsas de casa, expulsas de escolas, sem direito à família, sem direito ao amor. Não temos direito à cidadania. Um abrigo LGBT é importante para abrigar quem foi expulso de casa e muitas vezes jogado para a prostituição. Falo aqui não da prostituição como escolha, mas quando é o único caminho de matar nossa fome&#8221;, diz.

Outra pauta é a segurança. &#8220;Hoje, as mulheres não podem andar nas ruas sem se preocupar&#8221;, acredita Joana, que defende a importância da representatividade trans na política. &#8220;É importante ter uma mana nas assembleias legislativas. Temos que mostrar para a sociedade que somos trans e vamos ficar por aqui. Não é essa estrutura política de golpe que vai nos retroceder. Ninguém vai nos derrubar&#8221;.
<h3><span style="color: #003366;"><strong>Robeyoncé Lima &#8211; 50180 (na urna, Jô Cavalcanti) &#8211; candidata à codeputada estadual</strong></span></h3>
<div id="attachment_10849" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10849" class="wp-image-10849 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Robeyoncé-Lima-1-1024x682.jpg" alt="" width="702" height="467"><p id="caption-attachment-10849" class="wp-caption-text">Robeyoncé Lima faz parte da candidatura Juntas. Foto: Mayara Santana</p></div>

Formada em direito pela UFPE, Robeyoncé Lima foi a primeira advogada trans de Pernambuco. Por seis meses, em 2016/2017, trabalhou no gabinete do vereador Ivan Moraes, também do Psol. &#8220;Foi minha primeira experiência com política institucional e comecei a ter um aprofundamento do processo legislativo. De como tramita um projeto de lei e também de quem é quem no jogo político. Agora, é outro cenário. Estou na linha de frente&#8221;, contaa técnica administrativa concursada pelaUFPE, que trabalha na Faculdade de Direito do Recife.

A ida para o Juntas veio da vontade de militar em outras esferas. &#8220;A militância de rua é importante. Mas não tem muito resultado na efetivação de política públicas. É preciso ocupar os espaços políticos que regem a vida da gente&#8221;, diz. &#8220;Quando a gente não tem LGBT na política a gente está entregando a vida da gente para outras pessoas que não vão ter a mesma sensibilidade e a gente não sabe se vão abraçar a pauta da gente ou não. O cenário político atual não nos dá apoio. Os principais avanços (da pauta LGBT) hoje em dia, por exemplo, estão vindo do Judiciário&#8221;, explica.
<blockquote><a href="https://www.facebook.com/juntascodeputadas/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Confira aqui a página da candidatura com mais propostas</a></blockquote>
&#8220;Nossa maior pauta é o direito à vida das pessoas LGBT&#8221;, responde Robeyoncé, ao ser questionada sobre as pautas prioritárias que levou para a Juntas. &#8220;De que adianta a trans trocar o nome no cartório durante o dia e à noite ser assassinada? Então, a pauta maior é a segurança, o respeito, o direito à vida. Nós somos exterminadas porque a sociedade nos vê como seres anormais. Não há formação adequada nas pessoas para a identidade de gênero. Respeito não é uma escolha, é um dever&#8221;, diz a candidata, que vê na educação a principal aliada para essa mudança.

Para além da pauta de uma cidade segura, Robeyoncé vê nas políticas impositivas uma forma de, a curta prazo, melhorar a inserção trans na sociedade. &#8220;Como um projeto de lei que estabelecesse, por exemplo, 5% ou 10% das vagas de empregos para pessoas trans ou um projeto de lei que faça com que os estabelecimentos tenham informações sobre o disque-denúncia de LGBTfobia&#8221;, propõe.

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