<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos SNI - Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/sni/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/tag/sni/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 02 Apr 2024 11:42:22 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivos SNI - Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/tag/sni/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Dossiê revela como militares interferiam na vida acadêmica da UFPE</title>
		<link>https://marcozero.org/dossie-revela-como-militares-interferiam-na-vida-academica-da-ufpe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Sep 2019 20:01:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[repressão]]></category>
		<category><![CDATA[SNI]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=19127</guid>

					<description><![CDATA[<p>Dezenas de documentos que passaram mais de 30 anos guardados nos arquivos da reitoria demonstram como, em plenos anos 1980, após a anistia e no final da ditadura, os militares interferiam na vida administrativa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em 2013, os ofícios e memorandos, todos com o carimbo de “confidencial”, foram enviados ao [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/dossie-revela-como-militares-interferiam-na-vida-academica-da-ufpe/">Dossiê revela como militares interferiam na vida acadêmica da UFPE</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dezenas de documentos que passaram mais de 30 anos guardados nos arquivos da reitoria demonstram como, em plenos anos 1980, após a anistia e no final da ditadura, os militares interferiam na vida administrativa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em 2013, os ofícios e memorandos, todos com o carimbo de “confidencial”, foram enviados ao Ministério da Educação e repassados para a Comissão Nacional da Verdade.</p>
<p>Por meio de sua assessoria, o reitor Anísio Brasileiro, explicou que a documentação foi catalogada e enviada atendendo a um pedido do ministério.</p>
<p>A documentação foi produzida de 1980 a 1983, período em que o reitor era Geraldo Lafayette Bezerra, que é remetente ou destinatário de todos os itens. Era intensa a correspondência oficial entre a universidade, a delegacia regional do MEC e a chefia do Serviço Nacional de Informações (SNI, a agência de espionagem interna da época da ditadura).</p>
<p>Invariavelmente, os militares pediam informações ou orientavam decisões de âmbito interno, muitas de natureza acadêmica. Ora faziam as recomendações diretamente ao reitor, ora usavam o delegado do ministério Francisco de Assis Balthar Peixoto como mensageiro. Este, por sua vez, as transmitia o reitor informando logo no primeiro parágrafo dos ofícios que se tratava de “um pedido de órgão superior”.</p>
<p>Assim, o coronel Clidenor de Moura Lima, diretor do SNI em Pernambuco, e seus agentes davam ordens na UFPE, recomendando cancelamento de bolsas de residência médica, modificando programação de seminários, cancelando eventos, requisitando dados pessoais de estudantes que tinham acabado de passar no vestibular e até garantindo a transferência de um aluno “do seu interesse”.</p>
<p>O reitor, que morreu em pleno exercício do cargo, em abril de 1983, atendia a praticamente todas os pedidos, os encaminhando aos seus subordinados pedindo que repassassem as informações ou tomassem as providências “confidencialmente”.</p>
<blockquote>
<h3>Um &#8220;favor&#8221; oficializado</h3>
<p>O pedido para viabilizar a transferência do estudante Sérgio José de Adeildo Pinheiro Coutinho Beltrão parece ter sido mais do que um pedido de favor pessoal para ajudar uma pessoa amiga, pois gerou um ofício formal endereçado ao próprio reitor. O aluno tentava ser transferido do curso de Direito da UFPB para a Faculdade de Direito do Recife, mas sua primeira tentativa em fevereiro de 1980 havia sido recusada. O chefe da Divisão de Segurança e Informação (DSI, braço do SNI nas universidades) recorreu diretamente ao reitor.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/SNI-dupla-1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-19142 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/SNI-dupla-1-1024x387.jpg" alt="SNI dupla 1" width="702" height="265"></a></p>
<h3>SNI mandou demitir médicos</h3>
<p>No final de 1982, duas médicas e um médico que faziam residência no Hospital das Clínicas foram desligados e perderam suas bolsas depois que o próprio coronel Clidenor os denunciou à UFPE, informando eles tinham passado em seleções da secretaria estadual de Saúde e estavam recebendo salário. O programa exigia exclusividade. Nenhum dos três profissionais estava envolvido com atividades políticas, seja na univesidade ou em partidos políticos. A Marco Zero apurou que, pelo menos, o médico e uma das médicas atuam profissionalmente em grandes hospitais do Recife. Ele como cirurgião-geral e urologista, ela como especialista em ultrassonografia.</p>
<h3>Fofoca e intromissão</h3>
<p>Os pedidos de informação sobre a rotina profissional dos professores eram frequentes. Em janeiro de 1983, o coronel Clidenor enviou ofícios ao reitor pedindo a carga horária e os horários das aulas do titular da disciplina de urologia da faculdade de Medicina, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti. Em dezembro de 1981, o DSI quis saber se o professor de Educação Física Rômulo Cavalcanti Lacerda Júnior acumulava cargos ilegalmente, pois também era diretor da Escola Técnica Federal. Desta vez, a tentativa de interferência não funcionou, pois professor era auxiliar, com apenas 20 horas de aulas semanais, condição que permitia outro emprego.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/SNI-dupla-2.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-19143" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/SNI-dupla-2-1024x387.jpg" alt="SNI dupla 2" width="702" height="265"></a></p>
<h3>Coronel queria saber tudo de todos</h3>
<p>Pelo menos em duas oportunidades entre 1981 e 1983, a reitoria fornecia nomes e dados de todos os alunos da universidade. Além disso, era comum o SNI e seu braço no MEC pedir dados dos professores estrangeiros, da situação de todos os diretórios acadêmicos e das associações de classe dos funcionários e dos docentes. O reitor não hesitava em fornecer as informações.</p>
<h3><strong>Estudantes expostos<br />
</strong></h3>
<p>Durante o reitorado de Geraldo Lafayette, o coronel Clidenor e a DSI solicitavam, pelo menos duas vezes em três anos, os dados pessoais completos (data e local de nascimento, endereço, filiação e carteira de identidade) de dezenas de estudantes que participavam do movimento estudantil ou compareciam a eventos culturais. Com os dados nas mãos, os agentes passavam a acompanhar de perto a vida acadêmica desses estudantes, muitos dos quais viriam a exercer mandatos políticos ou se tornaram figuras públicas. Foi o caso do vereador e ex-prefeito do Recife João da Costa, do deputado federal Renildo Calheiros, do procurador Aguinaldo Fenelon, do advogado e professor Jayme Benvenuto, do advogado e ex-empresário Maurício Rands, do médico e cineasta Wilson Freire, e do jornalista Vandeck Santiago, atual editor-executivo do Diário de Pernambuco.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/SNI-dupla-3.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-19144" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/SNI-dupla-3-1024x387.jpg" alt="SNI dupla 3" width="702" height="265"></a></p>
<h3>Uma medalha para o reitor</h3>
<p>Logo no início da gestão de Geraldo Lafayette, o comandante do IV Exército, general Florimar Campello, concedeu uma medalha para o reitor. Sinal de que a prestatividade ao repassar informações a todos os pedidos era tanto subserviência quanto compromisso com a ditadura militar.</p></blockquote>
<p>O dossiê agora está nas mãos da equipe de pesquisa que estuda a vigilância dos órgãos de repressão da ditadura aos professores da UFPE, coordenada pelo professor Evson Malaquias Santos, do Centro de Educação:</p>
<p>“Ainda temos muito o que caminhar na pesquisa. Ainda é nebuloso o comportamento da administração central da UFPE frente aos órgãos de repressão de 64. Mas esses documentos nos revelam a ingerência direta e gritante da DSI (Divisão de Segurança e Informações) e da Delegacia do MEC na UFPE, particularmente, na gestão de Geraldo Lafayette. Ele cumpria rapidamente ordens de cima. Os outros faziam a mesma coisa? O que se sabe, pela pesquisa, é que o reitorado de Marcionilo Lins fora elogiado como colaborador da ditadura de 64 quando acionado. Esses documentos são os mais incisivos e diretos quanto à ingerência dos órgãos de informação na administração da UFPE.”</p>
<ul>
<li><strong>Veja o material completo:<br />
</strong></li>
</ul>
<p><iframe loading="lazy" src="https://cdn.flipsnack.com/widget/v2/widget.html?hash=f1nlrasmz" width="100%" height="480" seamless="seamless" scrolling="no" frameborder="0" allowfullscreen=""></iframe></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/dossie-revela-como-militares-interferiam-na-vida-academica-da-ufpe/">Dossiê revela como militares interferiam na vida acadêmica da UFPE</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Militares vigiavam até os reitores da UFPE durante a ditadura</title>
		<link>https://marcozero.org/militares-vigiavam-ate-os-reitores-da-ufpe-durante-a-ditadura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Aug 2019 11:23:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Arquivo Público de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[reitor da UFPE]]></category>
		<category><![CDATA[SNI]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=18368</guid>

					<description><![CDATA[<p>No início de 2012, um ano antes de morrer, a ex-vice-reitora Maria Antônia Amazonas Mac Dowell, disse em entrevista para uma publicação institucional que, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a ditadura “teve frustrados seus propósitos de doutrinação ideológica, a nenhum docente faltou o ‘atestado de ideologia’ que condicionava a liberação para fazer curso no [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/militares-vigiavam-ate-os-reitores-da-ufpe-durante-a-ditadura/">Militares vigiavam até os reitores da UFPE durante a ditadura</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No início de 2012, um ano antes de morrer, a ex-vice-reitora Maria Antônia Amazonas Mac Dowell, disse em entrevista para uma publicação institucional que, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a ditadura “teve frustrados seus propósitos de doutrinação ideológica, a nenhum docente faltou o ‘atestado de ideologia’ que condicionava a liberação para fazer curso no exterior”.</p>
<p>Não imaginava que ela própria, mesmo com suas raízes familiares na elite açucareira e prestígio junto aos reitores, era fichada pelos órgãos de repressão e vigiada de perto por informantes.</p>
<p>Foi isso que o historiador e professor de Pedagogia, Evson Malaquias, descobriu nos documentos confidenciais da ditadura militar que estão sob cuidados do Arquivo Nacional e do Arquivo Público de Pernambuco. Ele coordena uma equipe de professores e alunas de graduação que, desde o final do ano passado, dedica-se a levantar, nos arquivos militares e policiais, produzidos de 1964 a 1988, os registros sobre quase 200 docentes da UFPE.</p>
<p>Logo no início da pesquisa, a surpresa: “Esperava encontrar prontuários de pessoas realmente ligadas a partidos de esquerda ou organizações clandestinas, mas, além desses, encontramos dossiês completos sobre professores conservadores ou que nunca tiveram qualquer envolvimento político e gestores sabidamente direitistas, indicados por políticos como Marco Maciel, Moura Cavalcanti, Nilo Coelho e Eraldo Gueiros Leite”.</p>
<p>O professor Evson acredita que o conteúdo do material coletado pela equipe desmistifica a ilusão que os organismos de repressão se preocupavam apenas com militantes políticos. “Ao contrário, eles monitoravam a vida de qualquer um. Se, por alguma razão, um nome chegava até eles, nunca seria retirado da lista de suspeitos a serem vigiados”.</p>
<p>Neta do primeiro reitor da UFPE, por parte de mãe, e de um deputado pelo Partido Conservador nos tempos do Império, por parte de pai, Maria Antônia estava acima de qualquer suspeita. Mesmo assim, foi monitorada por ter apoiado a greve dos médicos residentes em 1982, ter contratado professores de tendências esquerdistas e por &#8220;proteger comunistas&#8221;.</p>
<p>As informações sobre ela estão num relatório preparado pelos informantes, no final de 1983, sobre os seis candidatos a reitor que integravam a lista sêxtupla eleita pelos integrantes do Conselho Universitário. Não há registro sobre qual autoridade leu e analisou o relatório, mas o fato é que Maria Antônia não foi escolhida para o reitorado, apesar das informações de que seria “a melhor opção devido à capacidade comprovada e o conhecimento profundo”.</p>
<p>O reitor nomeado foi o então pró-reitor acadêmico, George Browne Rego. Uma das anotações em sua ficha informa que, em abril de 1982, ele havia defendido o ensino pago nas universidades públicas durante uma palestra no salão nobre da reitoria.</p>
<h1>O legado de quem foi perseguido</h1>
<p>Se o trabalho de informantes e espiões resultou em relatórios e prontuários que atestam a intolerância, entre os vigiados pela ditadura estão nomes respeitados em várias áreas do conhecimento.</p>
<p>Autor de obras que se tornaram referência sobre as revoluções pernambucanas do século XIX, o historiador Amaro Quintas tornou-se o primeiro professor da UFPE a ser perseguido logo após os militares tomarem o poder em 1964. Tudo por causa de uma palestra no teatro Santa Izabel. Três semanas após o golpe, corajosamente, ele defendeu o direito “à autodeterminação do povo cubano”. Os militares não perdoaram a afronta.</p>
<p>Os registros incluem o depoimento “voluntário” de um estudante chamado Adilson Cardoso, morador do Cabanga, que denunciou o professor por ter “enaltecido Fidel Castro” e por elogiar o socialismo durante suas aulas. Amaro Quintas foi preso e afastado da universidade.</p>
<p>A antropóloga Fátima Quintas, filha do historiador, lembra os anos que se seguiram à palestra como os mais terríveis da sua vida: “Eles invadiam a porta de nossa casa no meio da madrugada, arrombavam a porta e iam direto para o meu quarto, nunca fizeram nada, mas isso era para deixar papai apavorado”.</p>
<p>Sem o salário de professor para sustentar a casa, a filha teve de começar a trabalhar dando aulas. A situação só melhorou depois que Gilberto Freyre, mesmo apoiando os militares, empregou Amaro como pesquisador na Fundação Joaquim Nabuco.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Silke-viagem-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-18390" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Silke-viagem-1.jpg" alt="Silke viagem 1" width="703" height="387"></a>No início dos anos 1980, todos os passos da socióloga e pedagoga Silke Weber eram seguidos de perto pelos policiais.</p>
<p>Longe da militância partidária ou radical, era a carreira acadêmica de Silke que preocupava os organismos de repressão. Não bastasse sua participação no Movimento de Cultura Popular na década de 1960, seus projetos de pesquisa enfatizavam a experiência da política educacional do governo Arraes. Ela também foi uma das lideranças da greve da UFPE em 1982.</p>
<p>Silke sabia que era vigiada. Um episódio ocorrido no final de 1982 deixou isso claro. “Logo depois da greve, recebi uma bolsa para estudar na Alemanha. A ditadura tentou impedir minha viagem, mas Maria Antônia Mac Dowell falou com a ministra da Educação do governo Figueiredo, que era amiga dela, e conseguiu a liberação”, conta Silke, que continua ensinando e pesquisando.</p>
<p>Entre os documentos encontrados por Evson Malaquias, consta uma atualização da “ficha de qualificação” com um carimbo de “urgente” emitida em 10 de dezembro de 1982 pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), alertando que Silke Weber estava cogitando ausentar-se do país para fazer um curso de aperfeiçoamento na Universidade de Bremen, na Alemanha. Mais abaixo, duas frases indicam que a informação seria distribuída para impedir a viagem.</p>
<p>Menos de cinco anos depois do alerta dos espiões do SNI, Silke Weber assumiu a secretaria estadual de Educação no segundo governo Arraes. Em parceria com a própria UFPE, deu início à política de formação continuada para professores da rede estadual de ensino.</p>
<h2>O trotskista e o primo de Marco Maciel</h2>
<p>A contratação de um professor de química, em março de 1979, atraiu a atenção do SNI para o reitor Paulo Frederico Maciel, primo do então governador de Pernambuco Marco Maciel, fiel aliado da ditadura. Paulo respeitou o resultado de uma seleção pública e autorizou o departamento de Química a contratar Antônio Carlos Pavão como professor adjunto. O problema é que Pavão era dirigente do grupo trotskista Convergência Socialista, que viria a ser o atual Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).</p>
<p>A presença de Pavão era considerada &#8220;inconveniente&#8221; pelos policiais, o que reforçava a imagem de &#8220;omisso&#8221; ou &#8220;liberal demais&#8221; de Paulo, termos usados para descrevê-lo nos documentos que elaboravam sob a rubrica &#8220;confidencial&#8221;. Acompanhando os passos do reitor, os informantes ficaram perplexos quando o pedagogo Paulo Freire, recém chegado do exílio, participou de um evento público na UFPE sem que o reitorado fizesse nada para impedir.</p>
<p>Pouco depois, mais um fato negativo foi anotado na ficha do reitor Maciel: mesmo avisado pela Assessoria de Segurança e Informação (ASI) da universidade &#8211; seção das universidades federais que repassavam informações para o SNI e para os serviços de informação das Forças Armadas &#8211; ele contratou e, depois, renovou o contrato do professor Geraldo Gomes da Silva, que havia passado em primeiro lugar num concurso para auxiliar de ensino. O primo de Marco Maciel passara a ser visto pelos policiais como perigoso subversivo.</p>
<p>Hoje, o pivô dessa história, Antônio Carlos Pavão, é o diretor do Espaço Ciência, instituição que ajudou a fundar. &#8220;Eles me vigiavam, isso eu sabia, pois em duas oportunidades encontrei meu carro com os quatro pneus furados depois de participar de reuniões do comitê pela anistia. Mas não imaginava a profundidade dessa vigilância nem que tenha respingado em Paulo Frederico Maciel. Mas nunca deixei de lutar. A popularização da ciência que o Espaço Ciência promove reflete a minha visão política&#8221;, afirma Pavão.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/militares-vigiavam-ate-os-reitores-da-ufpe-durante-a-ditadura/">Militares vigiavam até os reitores da UFPE durante a ditadura</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
