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	<title>Arquivos the intercept brasil - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos the intercept brasil - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Parceria do Intercept com mídia conservadora dá &#8220;tilt ideológico&#8221; na direita, diz editor do site</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jun 2019 20:48:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[#VazaJato]]></category>
		<category><![CDATA[juiz Sérgio Moro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A programação inicial previa uma palestra do ministro da Justiça, Sérgio Moro, nesta sexta-feira (28). Mas depois das denúncias da &#8220;Vaza Jato&#8221; publicadas pelo The Intercept Brasil, o ex-juiz da operação Lava Jato cancelou a participação no 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), em São Paulo. Era esperado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A programação inicial previa uma palestra do ministro da Justiça, Sérgio Moro, nesta sexta-feira (28). Mas depois das denúncias da &#8220;Vaza Jato&#8221; publicadas pelo <a href="https://theintercept.com/brasil/">The Intercept Brasil</a>, o ex-juiz da operação Lava Jato cancelou a participação no <a href="http://congresso.abraji.org.br/">14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji </a>(Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), em São Paulo. Era esperado que ele optasse por não enfrentar uma plateia de jornalistas de todo Brasil em meio ao escândalo que enfrenta, desde que suas conversas com o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Deltan Dallagnol sobre a Lava Jato foram vazadas pelo veículo independente.</p>
<p>Por ironia, quem se inscreveu para assistir Moro ganhou passe livre para a palestra com Leandro Demori, diretor-executivo do The Intercept Brasil, site de jornalismo independente que revelou as mensagens trocadas no telegram pelos procuradores de Curitiba e o ex-juiz. Com a mesma postura contundente que mantém nas suas redes sociais, Demori falou para um auditório lotado sobre os bastidores jornalísticos das reportagens que trazem conversas entre Moro, Dallagnol e outros atores e que mostram o uso político da operação Lava Jato, entre outras denúncias. Foi ovacionado várias vezes, sobretudo quando adotava um tom mais incisivo nas respostas.</p>
<p>Na sabatina dos jornalistas, Demori deu detalhes sobre decisões editoriais nas reportagens da &#8220;Vaza Jato&#8221;. Falou sobre como foram escolhidas as parcerias pouco convencionais com veículos que têm linhas editoriais bem diferentes do The Intercept Brasil (TIB), como os programa de Reinaldo Azevedo, na Rádio Band News, e a Folha de S.Paulo, que receberam os diálogos acessados pelo TIB com exclusividade. A Veja já foi anunciada como a mais nova parceria nas publicações. &#8220;A gente não queria ser acusado de continuar no clube comunista, abortista, gayzista. Então, vamos chamar a revista conservadora, e falar com o Reinaldão. Aí os caras olham e ficam batendo cabeça, dando &#8216;tilt ideológico&#8217; e pronto&#8221;, disse arrancando risos da plateia.</p>
<p>Demori também comentou o caso da Globo. Depois que o fundador do TIB, Glenn Greenwald, falou que a <a href="https://apublica.org/2019/06/glenn-greenwald-a-globo-e-a-forca-tarefa-da-lava-jato-sao-parceiras/?utm_source=Farol+Jornalismo+Newsletter&amp;utm_campaign=af7cf4eeba-EMAIL_CAMPAIGN_2019_06_13_09_21&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=0_ab9279c0d3-af7cf4eeba-319741665">Globo e a força tarefa da Lava Jato eram parceiras</a>, em matéria da Agência Pública, a emissora emitiu nota onde afirma que o veículo independente a procurou para divulgação do material, mas a parceria não foi fechada porque haveria resistência da Globo com o Intercept. Demori disse que a conversa foi feita diretamente com repórteres da TV, unicamente com o interesse jornalístico de ampliar a divulgação do material, e lamentou a postura da emissora.</p>
<p>O editor do The Intercept não respondeu algumas perguntas, como o questionamento provocado pelo tweet de Greenwald, publicado mais cedo em resposta a uma nota do Estado de S. Paulo intitulada &#8220;O pior já passou&#8221;. A nota diz que a inteligência do governo dava conta de que o material do The Intercept se esgotou. Gleen ridicularizou a publicação e atiçou a curiosidade: &#8220;vamos esperar até o final do dia &#8211; hoje &#8211; e depois me dizer se o que o Estadão publicou é verdade&#8221;<i>. </i>Demori não confirmou se teremos novas reportagens até o fim do dia.</p>
<p>Além de ser diretor da publicação, Leandro Demori também assina as reportagens da &#8220;Vaza Jato&#8221; junto com outros jornalistas, incluindo o vencedor do prêmio Pulitzer, Glenn Greenwald. O jornalista norte-americano ficou conhecido mundialmente por denunciar os programas secretos de vigilância global nos Estados Unidos vazados pelo analista de sistemas Edward Snowden. Desde que começou a publicar as conversas entre Moro e Dallagnol, Greenwald, que mora no Brasil desde 2015 com esposo e filhos brasileiros, se tornou alvo de ataques e ameaças. Há, inclusive, um abaixo assinado que pede sua deportação.</p>
<p>Demori também tem uma carreira marcante no jornalismo. Ele é membro do conselho da Abraji, autor de&nbsp; reportagens sobre a máfia italiana na Sicília e na Calábria, e do livro <i>La Cosa Nostra no Brasil: A História do Mafioso que Derrubou o Império. </i>&nbsp;Antes de assumir a redação do TIB, foi editor da Piauí Magazine e chefe das operações brasileiras da Medium.</p>
<p>Depois de responder aos questionamentos dos jornalistas no Congresso da Abraji, o editor do site concedeu uma breve entrevista à<strong> Marco Zero Conteúdo</strong>. Ele pediu desculpas por não ter respondido antes aos nossos questionamentos. Estávamos tentando a entrevista desde as primeiras publicações da &#8220;Vaza Jato&#8221;, mas a agenda dele anda disputada. Nesta sexta-feira, finalmente, conseguimos nos falar pessoalmente, principalmente sobre o jornalismo independente no Brasil.</p>
<p><b>Geralmente são os veículos de mídia tradicionais, controlados por grandes grupos empresariais, que pautam os debates do país. Com as denúncias recentes, o TIB inverteu o jogo, dominando o noticiário nacional e (até o internacional) e assumindo o controle sobre o ritmo das publicações, apesar da avidez da mídia por novos capítulos do escândalo.&nbsp; O fato dessas denúncias terem sido publicadas pelo TIB muda o patamar do jornalismo independente brasileiro?&nbsp;</b></p>
<p>Não sei se muda porque o jornalismo independente no Brasil ainda tem poucos veículos, mas pode ter sido um chute inicial &#8211; talvez não inicial porque o jornalismo independente já pautou em outros momentos, não com essa magnitude -, mas pode beneficiar todo mundo, até na questão do crowdfunding (financiamento coletivo). Nosso crowdfunding aumentou pra caramba. Isso vai respingar na Agência Pública, na Ponte, na Marco Zero Conteúdo. Naturalmente uma pessoa que nunca doou para veículo independente vai olhar pro lado e dizer &#8216;poxa tem outro veículo aqui&#8217;. Nas universidades também. A gente tá recebendo muitas mensagens de estudantes dizendo: &#8216;Vocês resgataram o meu tesão de fazer jornalismo!&#8217; Essa galera vai eventualmente montar seus sites, fundar seus veículos.</p>
<p><b>Como você acha que o jornalismo independente pode ser articular para amplificar tanto essas quanto outras denúncias?&nbsp;&nbsp;</b></p>
<p>A gente procurou a mídia mainstream por causa do alcance. Nosso interesse não é trabalhar com veículo tal, mas fazer esse material chegar ao maior número possível de pessoas. Essa é a função desse material: chegar no maior número de pessoas.&nbsp; Em um segundo, terceiro movimento, a gente pode conversar com a mídia independente pra fazer outras histórias.</p>
<p><b>A Folha de S. Paulo iniciou a parceria com vocês. A Veja já foi anunciada como parceira. Rádio BandNews também já divulgou furos com base nos vazamentos ao vivo por meio do jornalista Reinaldo Azevedo. Articular uma parceria com esses veículos não muda completamente a dinâmica das publicações? Você acha que poderia trazer algum prejuízo?<br />
</b></p>
<p>Eu acho importante ter o olhar deles em cima disso, mas a gente está reportando juntos. É claro que na Folha eles têm o tom, o estilo. Eventualmente a gente vai publicar a mesma matéria e vai se ver: os fatos são esses, mas o jeito de contar é diferente. A gente é&nbsp; mais agressivo, mais <i>punk rocker,</i> a Folha não é desse jeito. Mesmo a gente respeitando essa diferença de tom, todo o resto, toda a espinha dorsal da informação vai ser a mesma.</p>
<p><b>Você falou na palestra que as parcerias com veículos tradicionais vão fazer estancar as acusações sobre possíveis distorções nos diálogos. O The Intercept está buscando a chancela da mídia tradicional?</b></p>
<p>A gente tá procurando pra olhar isso e ser muito mais difícil de ser atacado. Agora fica mais difícil dizer que a gente está escolhendo, que a gente é aliado de criminosos, que a gente está mentindo, ou inventou material, porque quem falar isso está falando a mesma coisa sobre a Folha e sobre a Veja. Então, daqui a pouco vai chegar numa situação que todo mundo estará publicando esse material e quem continuar com essa narrativa vai ser considerado apenas um maluco.</p>
<p><b>Glenn e você também têm dado várias entrevistas depois das publicações da Vaza Jato. Glenn foi ao Congresso, desafiou deputados. Ele tem sido muito aplaudido por esse tipo de atitude mais combativa. Você foi aplaudido com entusiasmo várias vezes quando foi mais enfático durante a palestra de hoje, mas explicou que essa personalização do jornalismo, esse apelo sobre a figura dos jornalistas é uma opção editorial de vocês. Disse inclusive que é uma questão dos novos tempos porque as pessoas querem ver pessoas. Mas você não acha que essa personalização traz um certo heroísmo? O que você acha dessa visão do jornalista como herói?</b></p>
<p>Ontem pegaram um pedaço da minha entrevista no Pânico. Os petistas mais fervorosos criticaram porque eu eu falei que acho difícil Lula ter passado pelo governo sem fazer alguma coisa. Mas é minha opinião pessoal, não sou juiz, não tô julgando ninguém. Aí pronto. Todos os petistas que já pediram minha cabeça 60 vezes no Intercept ao longo de um ano e meio voltaram a fazer isso. Uma menina comentou: na mesma semana que eu coloquei você como herói, você me decepcionou. Eu só respondi: &#8220;eu não pedi nem uma coisa nem outra. Isso é responsabilidade sua&#8221;. A gente tá fazendo nosso trabalho. Eu não tenho compromisso com o que você pensa politicamente, com o político que você defende. Se daqui a três, quatro semanas a gente publicar uma reportagem que aos olhos da narrativa pública vai favorecer o canalha que você não gosta, você vai começar a me odiar por fazer isso? Você vai ser a pessoa que hoje tá me criticando? Você vai inverter o polo?&nbsp; A gente tá reportando o que tá dentro do material, não está inventando. É fato histórico. E vamos continuar reportando.</p>
<div id="attachment_17018" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/06/IMG-20190628-WA0015.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-17018" class="size-large wp-image-17018" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/06/IMG-20190628-WA0015-1024x732.jpg" alt="Leandro Demori no Congresso da Abraji (Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)" width="702" height="501"></a><p id="caption-attachment-17018" class="wp-caption-text">Leandro Demori no Congresso da Abraji (Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p></div>
<p><b>Você acredita que o fato da operação Lava Jato ter tomado a proporção que tomou, se colocando muitas vezes acima das instituições e até da própria Constituição Federal, e criando heróis nacionais foi culpa do mau jornalismo no Brasil?&nbsp;</b></p>
<p>Acho que tem muita coisa. Teve 2013, a Lava Jato vem depois de um caos político absurdo, que quando a Lava Jato surge, dois anos depois tem todo o vento do <i>impeachment</i>. Então o país está em crise econômica, tudo virado do avesso. É o ecossistema ideal para surgir falsos ídolos. E quando surge o juiz que está combatendo a corrupção &#8211; essa palavra que o tornou intocável. Tudo o que se diz em nome disso é permitido. Então, se é por causa da corrupção a gente pode cometer ilegalidades, atropelar o processo legal. Isso é um discurso que ganhou força pelo momento do país. A imprensa embarcou nisso de forma quase natural. Não acredito que tenha sentado todo mundo e dito &#8216;vamos criar esse mito&#8217;. Aquilo foi acontecendo, ele foi tendo apoio popular, as pessoas foram sendo presas, a política tava super desgastada com a população, então as pessoas queriam ver mesmo político preso, empresário preso. Foi um caminho meio óbvio e, agora, me parece um caminho meio óbvio a gente contestar isso. Qual o problema disso? Nenhum. É nossa obrigação é fazer isso.</p>
<p><b>O que precisa mudar no jornalismo brasileiro e qual o papel do jornalismo independente nisso?&nbsp;</b></p>
<p>Você precisa ser cético sempre, inclusive com fontes oficiais porque fontes oficiais mentem.</p>
<p><b>Sobre as acusações de crimes, vazamentos ilegais e o caso do&nbsp; “pavão misterioso”, no Twitter, que publicou documentos acusando Glenn de ser apoiador do nazismo e de ter comprado a vaga do deputado Jean Wyllys para seu esposo, o deputado David Miranda, entre outras questões. O ataque à reputação dos jornalistas envolvidos nas reportagens da Vaza Jato era uma reação esperada ou isso surpreendeu de alguma forma? Vocês estão prontos para enfrentar esses ataques?&nbsp;</b></p>
<p>A gente estava preparado. Não é novo. A gente é atacado há muito tempo e está lidando da melhor maneira possível.</p>
<p><b>O esposo de Glenn denunciou ameaças que eles estão sofrendo em razão das reportagens. Talvez não seja algo novo para eles, nem para você (que já disse ter sido ameaçado em outras situações). Mas, agora que vocês ganharam mais repercussão, essas ameaças se agravaram? Você sente ou sentiu medo em algum momento?&nbsp; Considerou não publicar as denúncias ou parar em algum momento até agora?</b></p>
<p>Nunca pensei em não publicar. Medo todo mundo sente, mas não penso muito nisso.</p>
<p><b>Qual a sua avaliação s<b>obre a cobertura que a mídia tem feito da Vaza Jato até agora?</b><br />
</b></p>
<p>A maioria está levando a sério, tendo debates, repercutindo detalhes que não exploramos tanto. A única crítica que faço à Imprensa na cobertura é o peso da discussão da fonte e do hacker, que é desmedido. É impossível você dizer que são dois problemas equivalentes. Não são. O peso do suposto hacker é absurdamente menor. Renderia um dia de debate, duas a três coluninhas no jornal e só. A imprensa que se dedica a fazer só isso está reforçando a narrativa do Moro, do Deltan e da Lava Jato de dizer que isso não tem nada demais e que nós somos criminosos. Está servindo de instrumento para isso.</p>
<p><em>* A repórter viajou a convite da Abraji.</em></p>
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		<title>Sylvia Moretzsohn: “Globo promove cortina de fumaça para esvaziar revelações do Intercept”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Jun 2019 15:31:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[lava-jato]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Globo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passada uma semana das primeiras revelações das conversas por telegram entre procuradores da Lava Jato e o juiz Sérgio Moro, divulgadas pelo The Intercept Brasil, a Rede Globo é a empresa de comunicação da grande mídia que mais tem investido na questão do “hackeamento” das mensagens e minimizado a gravidade do conteúdo. É o que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Passada uma semana das primeiras revelações das conversas por telegram entre procuradores da Lava Jato e o juiz Sérgio Moro, divulgadas pelo The Intercept Brasil, a Rede Globo é a empresa de comunicação da grande mídia que mais tem investido na questão do “hackeamento” das mensagens e minimizado a gravidade do conteúdo. É o que o aponta a professora aposentada de Jornalismo da Universidade Federal Fluminense Sylvia Moretzsohn, que concedeu entrevista por e-mail à Marco Zero Conteúdo desde Portugal, onde faz pós-doutorado na Universidade do Minho e pesquisa a dinâmica da formação de crenças e convicções nas bolhas virtuais e os desafios do jornalismo no contexto do mundo digital.</p>
<p>Para Sylvia, Globo e Estadão (jornal Estado de SP) são os veículos da grande mídia que mostraram-se mais resistentes a reconhecer a importância das revelações feitas pelo Intercept, mas o jornal paulista até já publicou <a href="https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,muito-a-esclarecer,70002864526">editorial pedindo a renúncia do ministro Moro</a>. “Só sobrou a Globo, que investe pesadamente nessa história de hackeamento e promove uma tremenda cortina de fumaça para tentar esvaziar a força do material divulgado pelo Intercept. A ponto de sugerir, agora, que tudo pode ter sido forjado, e que o jornal estaria ajudando a disseminar fake news”, critica. Neste contexto, Sylvia lembra a fala do editor do Intercept, Glenn Greenwald, <a href="https://apublica.org/2019/06/glenn-greenwald-a-globo-e-a-forca-tarefa-da-lava-jato-sao-parceiras/">em entrevista à Agência Pública</a>, quando afirmou que “ a Globo era aliada, amiga, parceira, sócia da Lava Jato”.</p>
<p><strong>As mensagens publicadas pelo The Intercept Brasil deixam claro como o apoio da opinião pública aos procedimentos da Lava Jato era considerado estratégico para os procuradores de Curitiba e o juiz Sérgio Moro. Que papel a grande mídia brasileira desempenhou nesse processo?</strong></p>
<p>No artigo que escreveu sobre a Operação Mãos Limpas, em 2004, portanto dez anos antes do início dessa operação &#8220;saneadora&#8221;, Moro afirmou justamente que o apoio da opinião pública seria essencial para levar à frente um projeto desses. O Greenwald, numa entrevista à Pública, disse que a Globo era aliada, amiga, parceira, sócia da Lava Jato. Certamente ele tem elementos objetivos para dizer isso, diante do material que obteve. Mas não foi só a Globo que agiu assim, a imprensa de modo geral foi cúmplice. Do contrário, e se cumprisse o papel que anuncia em seus princípios editoriais, teria um comportamento crítico em relação aos evidentes abusos praticados desde o início, e denunciados por tanta gente, dentro e fora do meio jurídico. A grande imprensa, de modo geral, foi cúmplice dessa conspiração.</p>
<p><strong>Os procuradores reclamam do vazamento de informações no caso Intercept, mas foram os vazamentos das delações premiadas que conduziram o noticiário em torno da operação Lava Jato. Algumas dessas delações, como as do então senador Delcídio Amaral, mostraram-se inconsistentes, não antes de virarem manchete. Faltou investigação jornalística às grandes redações brasileiras? Houve acomodação ou engajamento automático à agenda ditada pela Lava Jato?</strong></p>
<p>Nem precisava de investigação, na maioria dos casos. As ilegalidades eram flagrantes. Mesmo um jornalismo mais preguiçoso, baseado apenas na velha regra de ouvir os dois lados, já teria permitido apresentar o contraditório. O problema é que a orientação editorial, a julgar pelo noticiário, era no sentido de apoiar a Lava Jato, que era, como ficou claro e está mais do que evidente agora, uma força poderosa para forjar o sentimento antipetista e associar a corrupção ao PT, como se a corrupção não fizesse parte da nossa história.</p>
<p><strong>Como avalia o fato de que muitas das denúncias feitas pelos procuradores de Curitiba terem sido baseadas em matérias dos jornais da grande imprensa do Rio e de São Paulo? Como aconteceu, por exemplo, no caso da denúncia do triplex do Guarujá contra Lula, que deixou inseguro Deltan Dellagnoll às vésperas da sua memorável apresentação de power point?</strong></p>
<p>É óbvio que reportagens não servem como prova, pelo motivo simples de que elas podem ser distorcidas ou ter falhas. Poderiam ser o ponto de partida para uma investigação que produzisse provas consistentes juridicamente. Mas isso dá trabalho. Como isso foi possível? Porque a mídia jogava a favor.</p>
<p><strong>O vazamento do áudio da conversa da então presidenta Dilma com Lula foi decisivo para impedir que o ex-presidente assumisse a Casa Civil. Como avalia o comportamento de Deltan Dallagnoll e de Sérgio Moro no episódio à luz das mensagens reveladas pelo Intercept? A mídia poderia ter dado um outro tratamento a esse caso específico?</strong></p>
<p>O que qualquer jornalista sério faria diante da flagrante ilegalidade cometida por Moro nesse episódio seria expor essa ilegalidade. Mas, como era cúmplice, fez o que era previsto: automaticamente divulgou o teor da conversa, e não só dessa, mas de outras que nada tinham a ver com o caso. Uma conversa banal, que foi tratada como conspiração para blindar Lula, o que não era verdade: era apenas uma tardia providência para tirá-lo do indevido foco da Lava Jato, para escapar de um julgamento viciado que agora está explícito.</p>
<p><strong>Muito se fala na força do antipetismo e como ele teria sido decisivo na vitória de Jair Bolsonaro em 2018. Qual o papel da grande mídia na proliferação do antipetismo e na eleição de Bolsonaro?</strong></p>
<p>A grande mídia, de modo geral, agiu no sentido de criminalizar o PT, o que é muito diferente de se comportar criticamente em relação ao governo, como deve ser em todos os casos, se quiser preservar a imagem de independência. Jornalismo não pode ser subserviente ao poder, qualquer que ele seja, embora tenha lado e exatamente por isso é necessária a pluralidade de meios. Demonizando o PT, atuando cada vez mais explicitamente para derrubar o governo, talvez não tenha calculado que abria caminho a Bolsonaro. Certamente a aposta era no retorno do PSDB, que, a rigor, foi o maior derrotado desse processo, porque praticamente se desfez, embora tenha liderado o golpe.</p>
<p><strong>Como tem percebido até o momento a cobertura da grande mídia em relação aos vazamentos das mensagens divulgadas pelo The Intercept?]</strong></p>
<p>Inicialmente a reação oscilou entre a reticência e a defesa de Moro, Dallagnol e da Lava Jato de modo geral. A ênfase da Globo e do Estadão na denúncia do (suposto) crime que estaria na origem da divulgação desse material foi uma forma de tentar diminuir o impacto do que ele revelava. Mas mesmo o Estadão já sugeriu que Moro deveria renunciar ao cargo que hoje ocupa. Só sobrou a Globo, que investe pesadamente nessa história de hackeamento e promove uma tremenda cortina de fumaça para tentar esvaziar a força do material divulgado pelo Intercept. A ponto de sugerir, agora, que tudo pode ter sido forjado, e que o jornal estaria ajudando a disseminar fake news. Já escrevi <a href="https://medium.com/@moretzsohnsylvia/globo-x-intercept-manobra-diversionista-pretende-inverter-o-jogo-e-vincular-den%C3%BAncias-a-fake-news-af1cc0dd74ca?fbclid=IwAR0KOSbfXss29GIJVIGR-dJyYUjwQlpJVyw7ZAVS5AJyerd6Er4JRANmnuQ">um artigo sobre isso.</a></p>
<p><strong>Qual o significado de as comprovações da relação indevida entre procuradores e juiz na Lava Jato terem vindo à tona num veículo de jornalismo independente, natural do mundo digital, e não da mídia tradicional? O fortalecimento e crescimento da mídia independente pode colocar em xeque ou abalar a hegemonia dos grandes grupos de comunicação do país? Até que ponto mais diversidade de mídia significa mais democracia?</strong></p>
<p>Eu não concordo muito com essa denominação de &#8220;jornalismo independente&#8221;, porque isso não existe: sempre somos dependentes de algum financiamento, como é também o caso do Intercept. A questão é a postura que assumimos, e a deles, ao que tudo indica, obedece aos princípios clássicos do jornalismo, que foram reiterados nessa série de reportagens, quando anunciaram a forma pela qual obtiveram aquele material e os procedimentos adotados para a divulgação daqueles diálogos. É claro que a multiplicação de meios alternativos qualificados como o Intercept são uma forma de confrontar o oligopólio da mídia, especialmente num país como o nosso. E certamente essa diversidade é fundamental para a democracia.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/sylvia-moretzsohn-globo-promove-cortina-de-fumaca-para-esvaziar-revelacoes-do-intercept/">Sylvia Moretzsohn: “Globo promove cortina de fumaça para esvaziar revelações do Intercept”</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>A Lava Jato domesticou a imprensa brasileira, diz pesquisador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Jun 2019 23:04:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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		<category><![CDATA[Rogério Christofoletti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não foi por acaso que as revelações sobre a colaboração entre Deltan Dallagnol e o juiz Sérgio Moro vieram à tona por meio de um jovem site de jornalismo independente. Depois de tantos anos ditando a pauta do noticiário nacional, os chefes da Lava Jato finalmente se viram numa posição defensiva. Mas não só eles. [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-lava-jato-domesticou-a-imprensa-brasileira-diz-pesquisador/">A Lava Jato domesticou a imprensa brasileira, diz pesquisador</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Não foi por acaso que as revelações sobre a colaboração entre Deltan Dallagnol e o juiz Sérgio Moro vieram à tona por meio de um jovem site de jornalismo independente. Depois de tantos anos ditando a pauta do noticiário nacional, os chefes da Lava Jato finalmente se viram numa posição defensiva. Mas não só eles. As mensagens reveladas pelo The Intercept deixam evidente como a grande mídia brasileira, ao abdicar dos princípios básicos do jornalismo, foi parte engajada no projeto que derrubou uma presidenta, encarcerou um ex-presidente e conduziu um deputado do baixo clero ao Palácio do Planalto.</p>
<p>“É claro que o jornalismo brasileiro tinha obrigação de cobrir os eventos, mas colecionamos uma série de problemas desde então. Um deles foi a cobertura condescendente e servil às autoridades policiais, sem qualquer contestação ou senso crítico. O que se dizia a partir de Curitiba tinha um tom inquestionável, e isso domesticou a imprensa de uma forma geral”, argumenta o professor e pesquisador do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, Rogério Christofoletti, que lançou recentemente o livro <a href="https://www.estacaoletras.com.br/product-page/a-crise-do-jornalismo-tem-solu%C3%A7%C3%A3o">A Crise do Jornalismo tem Solução?</a> pela Editora Estação das Letras e Cores.</p>
<p>Um dos fundadores do Observatório de Ética Jornalística (<a href="https://objethos.wordpress.com/">Objethos</a>), criado em 2009, Christofoletti analisa, nesta entrevista por email à Marco Zero Conteúdo, como a grande mídia e seus jornalistas espetacularizaram as ações da Lava Jato, ajudaram a corroer a ideia de presunção de inocência e alimentaram o antipetismo, jogando o jogo das autoridades que deveriam fiscalizar. E, para isso, na visão do pesquisador, adotaram o comportamento de manada. Os jornalistas publicavam recorrentemente as informações &#8220;vazadas&#8221; pelos promotores para que depois essas matérias fossem incluídas nas denúncias. &#8220;O jornalismo não cobriu a Lava Jato; ele deu cobertura a ela…”, sentencia.</p>
<p><strong>As mensagens publicadas pelo The Intercept Brasil deixam claro como o apoio da opinião pública aos procedimentos da Lava Jato era considerado estratégico para os procuradores de Curitiba e o juiz Sérgio Moro. Que papel a grande mídia brasileira desempenhou nesse processo?</strong></p>
<p>A grande mídia ajudou a galvanizar a Operação Lava Jato como a grande cruzada nacional contra a corrupção. O acompanhamento sistemático das prisões e cumprimentos de mandados de busca e apreensão, a repercussão insistente dos desdobramentos, a reprodução acrítica de trechos de delação, áudios e vídeos, tudo isso combinado por meses e anos ajudou a formar uma ideia muito nítida no imaginário coletivo: as coisas mudaram no Brasil e o país finalmente decidiu enfrentar o seu maior problema.</p>
<p>É claro que o jornalismo brasileiro tinha obrigação de cobrir os eventos, mas colecionamos uma série de problemas desde então. Um deles foi a cobertura condescendente e servil às autoridades policiais, sem qualquer contestação ou senso crítico. O que se dizia a partir de Curitiba tinha um tom inquestionável, e isso domesticou a imprensa de uma forma geral. Outro problema foi insistir na ideia de que a corrupção é o maior problema do país, quando não é. Os maiores problemas são a desigualdade econômica e a injustiça social. Isso atrasa o país, causa mortes, provoca sofrimento. Isso nos priva de humanidade, de uma sociedade mais equilibrada e justa, e da vigência de direitos para todos.</p>
<p>Outros problemas na cobertura foram a espetacularização, a idolatria em torno de alguns personagens, as frequentes invasões de privacidade, algumas exposições públicas criminosas, assim como a corrosão paulatina de um importante fator: a presunção de inocência. Durante a cobertura, o que menos o jornalismo fez foi investigar. Foi basicamente descritivo, relatorial e declaratório. Cartorial. O jornalismo não cobriu a Lava Jato; ele deu cobertura a ela&#8230;</p>
<p><strong>Os procuradores reclamam do vazamento de informações no caso Intercept, mas foram os vazamentos das delações premiadas que conduziram o noticiário em torno da operação Lava Jato. Algumas dessas delações, como as do então senador Delcídio Amaral, mostraram-se inconsistentes, não antes de virarem manchete. Faltou investigação jornalística às grandes redações brasileiras? Houve acomodação ou engajamento automático à agenda ditada pela Lava Jato?</strong></p>
<p>Como disse antes, houve as duas coisas, combinadas: o jornalismo se acomodou e aderiu acriticamente à Operação. Os repórteres ajustaram-se ao padrão orientado pela Polícia Federal e pelo Judiciário, e seguiram as cartilhas ditadas. A Operação tinha muitas frentes, o que significa que renderia informações em grande volume e por um longo tempo. Como os repórteres eram frequentemente abastecidos com essas informações, houve uma certa acomodação, condicionamento do comportamento das redações. De alguma forma, repórteres e editores cristalizaram a ideia de que as notícias que vinham do lado de lá eram todas importantes e confiáveis. Isso é um erro brutal porque leva à publicação de qualquer coisa &#8211; até mesmo erros e injustiças &#8211; e esvazia algo que é bastante saudável na profissão: a competição para oferecer algo novo e melhor que o concorrente, o que exige investigação e apuração sistemática.</p>
<p>Por outro lado, houve também adesão à operação. Acredite: jornalistas são cidadãos, pessoas comuns. O Brasil tem uma tradição de impunidade e, historicamente, alguns grupos sociais sempre estiveram blindados e o longo braço da justiça não os alcançava. Ricos e poderosos, empresários e políticos quase nunca eram presos, quase nunca cumpriam penas longas. A Lava Jato trouxe esse dado novo: eles não escapariam. Os resultados inicialmente apresentados foram bem assimilados pela população que viu ali uma forma de combater a impunidade. Os jornalistas, sensíveis ao público e humanos que são, também se contagiaram. Isso ajuda a entender um pouco o fascínio de alguns jornalistas &#8211; inclusive muito experientes &#8211; em torno de certas figuras como juízes e procuradores.</p>
<p>Além da adesão à operação e do recrudescimento da investigação, precisamos colocar um outro fator. Passados alguns meses, diante do cansaço e da automatização das ações, os jornalistas adotaram um comportamento de manada.</p>
<p><strong>Como avalia o fato de que muitas das denúncias feitas pelos procuradores de Curitiba terem sido baseadas em matérias dos jornais da grande imprensa do Rio e de São Paulo? O que aconteceu, por exemplo, no caso da denúncia do triplex do Guarujá contra Lula, que deixou inseguro Deltan Dallagnol às vésperas da sua memorável apresentação de power point.</strong></p>
<p>Para o grande público e até mesmo para alguns jornalistas, a Operação Lava Jato era monolítica. Uma cruzada do país contra a corrupção. E esta imagem não é minha, mas a ideia generalizada pelo imaginário coletivo. Uma cruzada é uma guerra, guerra santa, com um propósito claro e defensável moralmente. Uma guerra precisa de um exército, e ele deve trabalhar de forma coordenada, sincronizada e articulada. Como imagem, funciona que é uma beleza. Na realidade, são outros quinhentos.</p>
<p>Embora seja uma corporação, a Polícia Federal é formada por grupos sociais diversos, com interesses, prioridades e ímpetos distintos. Não é uma sopa homogênea, mas um aglomerado de focos que querem exercer o poder policial em escala nacional. A PF é feita de seres humanos, e as relações e disputas por poder também acontecem ali. Como acontecem no Judiciário e no Ministério Público. Há egos, ambições, idiossincrasias. Curitiba e São Paulo sempre disputaram pelos holofotes, buscando o melhor lugar na vitrine. Também tinham energias e velocidades diferentes de investigação e tramitação judicial.</p>
<p>Aproximar-se dos jornalistas é também cavar mais lugar de visibilidade. E como a cobertura se arrastou por meses e anos, relações antes profissionais e distantes tornaram-se mais flexíveis, amistosas e contaminadas. Em alguns casos, chega a acontecer uma espécie de mutualismo entre jornalistas e promotores. Mutualismo é aquela relação ecológica que aproxima indivíduos com interesses distintos (e às vezes, até conflitantes), mas que podem cooperar entre si em algum contexto, de modo a gerar benefícios para ambos. Na vida concreta, o promotor precisa rechear sua denúncia com documentos ou provas. Ele “vaza” informações a jornalistas para que reportagens e matérias possam ser apensadas em suas denúncias. Os jornalistas não são inocentes, e sabem muitas vezes que essa proximidade vai gerar esse combustível, mas os jornalistas precisam de informação, e informação exclusiva e em primeira mão é muito sedutora. Para além desse magnetismo, o jornalista também pode “acreditar na causa”, e considerar que estará contribuindo com o país à medida que ajuda a colocar atrás das grades criminosos e gente que prejudica a nação.</p>
<p><strong>O vazamento do áudio da conversa da então presidenta Dilma com Lula foi decisivo para impedir que o ex-presidente assumisse a Casa Civil. Como avalia o comportamento de Deltan Dallagnol e de Sérgio Moro no episódio à luz das mensagens reveladas pelo Intercept? A mídia poderia ter dado um outro tratamento a esse caso específico?</strong></p>
<p>As informações que temos são poucas, e este primeiro vazamento é bastante econômico no que tange este caso. Se não me engano, há apenas uma troca de mensagens entre o então-juiz e o procurador. Me parece um diálogo perigoso, delicado, impróprio para aqueles personagens naquele momento do país. Talvez hoje ou amanhã mais vazamentos tragam outra luz ao episódio e a gente perceba a coisa com mais nitidez.</p>
<p>A mídia poderia ter dado outro tratamento sim, pois cabe às redações aplicarem seus filtros e decidirem o que vão tornar público e o que não vão. Eles poderiam simplesmente não ter reproduzido o áudio. Em nome do que poderiam fazer isso? De sua autonomia editorial, da autoridade de quem decide o que vai espalhar. Eu dou um exemplo: em 1997, quando Diana Spencer e Dod Al Fayed morreram num túnel em Paris, após a perseguição dos paparazzi, ninguém publicou fotos da ex-princesa morrendo entre as ferragens do carro. Ninguém. Havia dezenas de fotógrafos ali e é impossível que ninguém tenha feito registros. Fizeram, e sabemos hoje que sim, pois eles vazaram há poucos anos na internet. Mas naquela época, não se publicou aquilo. As redações tinham a informação e tinham o material, mas decidiram dizer não. Por decoro, respeito às vítimas, pudor, sensibilidade ou simplesmente entender que aquelas imagens não eram de interesse público, mas apenas imagens que poderiam satisfazer a curiosidade popular. Interesse é bem diferente de curiosidade. E os meios britânicos disseram não.</p>
<p>Voltando ao caso do áudio, o que poderia justificar a sua não publicação? A perda do controle editorial sobre o material. Explico. A interceptação telefônica foi ilegal e foi vazada com propósitos claramente políticos. Foi ilegal porque gravada depois da ordem de interceptação ter sido revogada. Então, se foi captada depois, deveria ser descartada. É o procedimento policial e jurídico. Mas não foi. E o juiz que autorizou a interceptação decidiu derrubar o sigilo do material em seguida. Sergio Moro, à época, justificou que atendia ao interesse público, mas não era disso que se tratava. Era interesse político.</p>
<p>Os jornalistas que cobrem justiça e política costumam não ser ingênuos. Era cristalina a intencionalidade do juiz àquele momento. As redações abdicaram de seu poder de recuar e não se prestar ao serviço, deixando de publicar. As redações deram de ombros e tornaram público o diálogo, que poderia ser suspeito e até inadequado, mas não era ilegal. Ao publicar o áudio, os jornalistas trabalharam para os propósitos pessoais de Moro se concretizarem e não para satisfazer o interesse público. O jornalismo deixou-se usar não pela justiça, mas por um juiz em particular. Vamos lembrar que ministros do Supremo, entre outros operadores do direito, criticaram a atitude de Moro, que depois pediu desculpas. O jornalismo desviou-se do interesse público para atender a interesses particulares, e isso é um desvio ético.</p>
<p><strong>Muito se fala na força do antipetismo e como ele teria sido decisivo na vitória de Jair Bolsonaro em 2018. Qual o papel da grande mídia na proliferação do antipetismo e na eleição de Bolsonaro?</strong></p>
<p>Parcelas nítidas e poderosas da grande mídia ajudaram a alimentar o antipetismo. As revistas semanais de informação estamparam dezenas de capas acusando Lula e Dilma. Os telejornais produziram horas de cobertura sobre a Lava Jato sem qualquer senso crítico, engolindo tudo o que vinha dos juízes e acusadores. O país todo respirou uma atmosfera de um noticiário que se propunha a satanizar a esquerda em geral, mas o PT em especial. Analisamos isso muitas vezes no <a href="https://objethos.wordpress.com/tag/operacao-lava-jato/">Observatório da Ética Jornalística</a>. Então, a pessoa comum vê aquilo por anos em toda a parte, e pensa: só pode ser verdade. Este é o pior partido do país, uma quadrilha que rouba o nosso dinheiro, um punhado de corruptos que me prejudicam todos os dias. Temos que pegar e tirá-los de circulação!</p>
<p>O antipetismo foi muito alimentado pela grande mídia, que ajuda a formar o imaginário coletivo nacional, que ajuda a nos fazer ver as balizas do que julgamos ser a realidade. O antipetismo foi o terreno fértil para a eleição de Jair Bolsonaro, pois grande parcela do eleitorado decidiu fazer novas apostas. Isso se deu no âmbito federal e nos estados também. Vamos ser sinceros: quem conhecia Romeu Zema e Wilson Witzel antes? Pois eles se tornaram os governadores do segundo e do terceiro maior colégio eleitoral do Brasil! No meu estado, Santa Catarina, aconteceu o mesmo. Uma pesquisa desta semana mostrou que <a href="https://www.nsctotal.com.br/colunistas/cacau-menezes/quatro-a-cada-dez-catarinenses-nao-sabem-que-carlos-moises-e-governador-de">4 em cada 10 catarinenses não sabem que Carlos Moisés é o governador</a>. Ainda podemos torcer os números das eleições de 2018 para entendê-los melhor, mas um dado é sintomático: Bolsonaro foi eleito, mas seus eleitores são minoritários. Ele recebeu 57 milhões de votos, mas os votos brancos, nulos, abstenções e os dirigidos a Haddad chegam a 90 milhões. Esta comparação mostra um eleitorado dividido e não totalmente satisfeito com o candidato vencedor ou não totalmente aderente ao seu projeto.</p>
<p>A grande mídia ajudou a disseminar o antipetismo, mas as plataformas digitais e os grupos de WhatsApp tiveram um papel inédito. Ainda precisamos compreender o que aconteceu. Isso nos ajudará a entender a cabeça do eleitor e como ele toma suas decisões.</p>
<p><strong>Como tem percebido até o momento a cobertura da grande mídia em relação aos vazamentos das mensagens divulgadas pelo The Intercept?</strong></p>
<p>É cedo para dizer, mas é um misto de incredulidade e despeito. Como se trata de tema explosivo e de alto interesse público, os meios simplesmente não podem ignorar os vazamentos. Eles dão a notícia, mas às vezes sem o justo peso que ela tem. Os telejornais da TV Globo adotaram inicialmente uma postura que chega às raias do ridículo. Chegaram a dizer que, segundo o site, a Constituição diz tal coisa. Ora! Se a Constituição diz, não é preciso atribuir ao The Intercept. Deve ser dado como um fato e ponto. Não é questionável. É como dizer: de acordo com a Marco Zero, a Bíblia narra a vida de Jesus Cristo. Isso é um fato, não é necessário colocar na boca da Marco Zero.</p>
<p>Vejo que a cobertura nos grandes meios tem sido marcada por ceticismo e algum despeito, pois um veículo menor trouxe um furo de reportagem histórico e retumbante. E o que é pior: pode dar outros mais, pois só ele tem a informação. Tem a ver com despeito e com ceticismo. Mas pode haver algo mais&#8230;</p>
<p>Observo que a Folha de S.Paulo e o UOL parecem ter mais boa vontade com a notícia, e assimilaram as informações, incorporando-as às suas coberturas. Talvez se The Intercept se aproximasse deles e oferecesse a oportunidade de uma parceria, o impacto das publicações seria outro. Me lembro que o Wikileaks fez uma costura muito bem sucedida para a divulgação de seus leaks quando trabalhou com The New York Times, The Guardian, Le Monde, El País e Der Spiegel. Isso não apenas favoreceu a penetração da informação em distintos mercados influentes, mas sobretudo deu chancelas jornalísticas fundamentais para a informação vazada.</p>
<p><strong>Qual o significado de as comprovações da relação indevida entre procuradores e juiz na Lava Jato terem vindo à tona num veículo de jornalismo independente, natural do mundo digital, e não da mídia tradicional? O fortalecimento e crescimento da mídia independente pode colocar em xeque ou abalar a hegemonia dos grandes grupos de comunicação do país? Até que ponto mais diversidade de mídia significa mais democracia?</strong></p>
<p>Uau! São perguntas muito difíceis de responder! Vamos por partes.</p>
<p>Ainda sabemos muito pouco do que virá nas próximas reportagens, mas já podemos afirmar sem medo de errar que se trata de uma série histórica. Não só para o jornalismo independente, mas para o jornalismo brasileiro como um todo. Os envolvidos não negaram as informações. Então, as condições indicam que estamos diante de algo muito sério e importante, e que pode ter sim interferido nas eleições presidenciais. Se for comprovado que os movimentos de Moro e Dallagnol tinham como propósito tirar do pleito o candidato favorito, temos uma situação muito delicada. Não estou dizendo que o favorito venceria de qualquer jeito. Mas tirá-lo da disputa muda o cenário concorrencial!</p>
<p>É muito importante o que The Intercept Brasil está fazendo. Do ponto de vista jornalístico, espero que a redação de cerque dos maiores cuidados para que o material publicado seja correto, preciso, bem apurado, ético e responsável, e orientado pelo interesse público. Do ponto de vista cidadão, gostaria muito de saber dessa história oculta por inteiro.</p>
<p>Particularmente, não acho que o fortalecimento da mídia independente coloque em xeque ou abale a mídia hegemônica. É uma disputa assimétrica demais. Mas é vital, essencial para o jornalismo brasileiro que a sua cena independente seja mais forte e seja viável economicamente. Acabei de lançar um livro em que falo um pouco disso, e da necessidade de apostarmos em novos pactos com os públicos. Os veículos independentes têm muito mais facilidade nesse sentido, e oferecem serviços e produtos que os maiores veículos não querem produzir ou não se interessam. Acredito que a diversidade pode prover o público com mais pluralidade de visões e temas, e que isso fortalece a democracia no sentido de contemplar mais grupos sociais, de convocar mais vozes e de nos levar a ouvi-las. Como professor e jornalista, consumo tanto a mídia hegemônica quanto a independente. Como cidadão faço questão de apoiar ambas, financeiramente, inclusive. Sou assinante-apoiador de três iniciativas jornalísticas independentes, duas delas, locais. Sinto que preciso fortalecer a minha comunidade, e uma forma de fazer isso é dar suporte àqueles que me informam sobre o que se passa na minha aldeia. Tem a ver com cidadania e democracia.</p>
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		<title>Esquerda quer participação de outros partidos para investigar Moro</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Jun 2019 00:16:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Maria Carolina Santos (colaboraram Inácio França e Laércio Portela) Em um dia sem sessões, o vazamento das conversas entre o procurador Deltan Dallagnol e o então juiz Sérgio Moro, hoje Ministro da Justiça, dominou Brasília. Enquanto os políticos começam a voltar para a capital federal, os pedidos de investigações sobre a conduta da Lava [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Maria Carolina Santos (colaboraram Inácio França e Laércio Portela)</strong></p>
<p>Em um dia sem sessões, o vazamento das conversas entre o procurador Deltan Dallagnol e o então juiz Sérgio Moro, hoje Ministro da Justiça, dominou Brasília. Enquanto os políticos começam a voltar para a capital federal, os pedidos de investigações sobre a conduta da Lava Jato tendem a incluir não só os partidos de esquerda, mas também os do chamado Centrão. Há quem defenda uma convocação para Moro prestar esclarecimentos no Congresso ou até mesmo uma CPI sobre o caso.</p>
<p>Nesta terça-feira (11), presidentes e lideranças de partidos de esquerda &#8211; PT, PCdoB, PDT, PSB e PSOL &#8211; se reunirão no Congresso para analisar os próximos passos a serem dados. Além de avaliar a possibilidade da instalação de uma CPI e da convocação do ministro, também estará em pauta pedidos de afastamento de Moro e dos procuradores de suas funções públicas.</p>
<blockquote><p><strong>Leia mais:&nbsp;<a href="https://marcozero.org/vazamentos-mostram-parcialidade-da-lava-jato-dizem-juristas-pernambucanos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Vazamentos mostram parcialidade da Lava Jato, dizem juristas pernambucanos</a></strong></p></blockquote>
<p>Uma decisão já foi tomada nesta segunda-feira: obstrução total às votações de matérias de interesse do governo Jair Bolsonaro na Câmara e no Senado. Foi o que disseram em entrevista coletiva em Brasília a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Ivan Valente (PSOL-SP).</p>
<p>A ideia geral, porém, é que o caso não vire mais um embate entre Bolsonaristas x Esquerda, de acordo com uma dezena de políticos ouvidos pela Marco Zero. Para o senador pernambucano Humberto Costa (PT), é preciso construir uma articulação “para que outros partidos, inclusive partidos de centro e centro-direita, participem desse processo. Assim, a investigação tomará uma dimensão ainda mais significativa”, acredita, afirmando que as denúncias vão além do caso de Lula. “O mais importante agora é apurar o que esses procuradores e esse juiz fizeram com o estado democrático de direito. A Lava Jato agora é um problema da democracia brasileira: a imagem do MP e do Poder Judiciário estão em jogo”.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/assine" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-13083 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/bannerAssine.jpg" alt="bannerAssine" width="730" height="95"></a></p>
<p>A presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), afirmou à Marco Zero que “o PT não vai tomar decisões sozinho, tudo será discutido entre os demais partidos de esquerda. E também queremos ampliar esse diálogo com outros partidos do Congresso, os movimentos sociais e a sociedade”, explicou. Para ela, a situação de Sérgio Moro à frente do Ministério da Justiça é insustentável. “Ele não pode ser o comandante da Polícia Federal. E se a Polícia Federal precisar abrir uma investigação contra o próprio Moro e os procuradores?”, argumentou.</p>
<p>Ela criticou as postagens e declarações de Eduardo, Carlos e Flávio Bolsonaro – filhos do presidente Jair Bolsonaro – e do vice-presidente Hamilton Morão. “Querem minimizar o vazamento, mas não conseguirão. O caso é gravíssimo e tem que gerar a anulação do processo contra Lula”. Segundo Gleisi, os advogados do ex-presidente estão analisando quais serão os encaminhamentos jurídicos, a partir dos vazamentos, para garantir a liberdade do ex-presidente.</p>
<p>Pelo Twitter, o governador Paulo Câmara (PSB) afirmou que as denúncias são graves e precisam ser apuradas com agilidade. “Apenas assim é possível se fazer Justiça, com a isenção e o equilíbrio inerentes a uma verdadeira democracia”. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) soltou uma nota em que classifica as trocas de mensagens como “ilegais, imperdoáveis e precisam ser apuradas com o devido rigor”.</p>
<p>O deputado federal Danilo Cabral (PSB) considera pacificado o entendimento de que Moro deve ir responder aos questionamentos dos parlamentares. “O fundamento da democracia é uma justiça que preserve o caráter essencial de sua imparcialidade. Temos que abstrair esse debate da política para que o cidadão se veja naquela condição. O Estado tem o dever de prestar a Justiça. Esse papel não pode tomar lado. E a conduta mostrada lá (nas mensagens) é claramente uma conduta tem quem tomou um lado, quando era para ter se preservado distante, para fazer seu julgamento com elementos que chegassem de ambas as partes”, disse.</p>
<p>Líder do Solidariedade na Câmara, um dos partidos do chamado Centrão, o deputado Augusto Coutinho também rotula o conteúdo do vazamento como fatos graves. “É um conteúdo entre quem acusa e quem julga, de uma relação que não deveria existir. Não podem ser minimizados”, mas acrescenta que “temos que ter cuidado para isso não contaminar o parlamento que tem tantas matérias importantes para serem avaliadas”.</p>
<p>Outra divergência em relação a deputados de esquerda é sobre os mecanismos que devem ser usados pelo Congresso. “CPI é o extremo de uma investigação. Não vejo motivo para CPI. Agora, uma convocação de um ministro para a Câmara, para prestar explicação é algo legítimo e uma prerrogativa do parlamento. Certamente isto vai acontecer, não sei se em caráter de convocação ou de em caráter de convite. Melhor seria por convite. Não somos de oposição, e minha opinião é que devemos acompanhar os fatos, não cabe a nós essas ações (de convocação do ministro)”, diz.</p>
<h2>Sem radicalização</h2>
<p>A deputada federal Marília Arraes (PT) vê o vazamento como uma tragédia anunciada. “Essas mensagens vieram só provar o que nós já dizíamos. O que não podemos deixar é que continuem flexibilizando a ética em nome de um “salvacionismo” como vinham fazendo com as atitudes criminosas de Sérgio Moro, como o vazamento das conversas da presidenta. Moro impediu Lula de ser candidato e hoje integra esse governo que ele ajudou a colocar no poder. Nos sentimos muito ameaçados quando uma pessoa como essa está no maior cargo da Justiça do País”, afirmou.</p>
<p>O deputado Carlos Veras, também petista, tem a expectativa de que quase todos os partidos da Casa devem pedir a investigação sobre Moro. “É importante ressaltar que a própria nota do MPF não desmente nada do que foi publicado”, disse.</p>
<p>Deputado federal mais votado em Pernambuco, João Campos (PSB) defendeu em nota a isenção da Justiça, a apuração dos fatos e questionou se Moro “tem por princípio seguir a máxima de Maquiavel, onde os fins justificam os meios?”.</p>
<p>Para a vice-governadora Luciana Santos, presidenta nacional do PCdoB, o clima de terceiro turno e de radicalização só interessa ao próprio Bolsonaro. “A gente tem que sair desse imprensado, não pode cair nessa armadilha. Teria mais eficácia se as iniciativas fossem tomadas pelas instituições, ou seja, pela presidência do Congresso, pelo STF, não pelos partidos de esquerda. O problema é que, em meio a um escândalo desses, muita gente quer assumir o protagonismo. Precisamos conter esse sentimento, pois há o risco de queimar a largada e, como aprendi no atletismo, quando você queima a largada, já perdeu a corrida”, avalia.</p>
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		<title>Vazamentos mostram parcialidade da Lava Jato, dizem juristas pernambucanos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Jun 2019 21:02:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[#VazaJato]]></category>
		<category><![CDATA[juiz Sérgio Moro]]></category>
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		<category><![CDATA[the intercept brasil]]></category>
		<category><![CDATA[vazamentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O vazamento de conversas de promotores da Lava Jato e do ministro da Justiça, Sérgio Moro (ex-juiz) dominou as conversas em um grupo de Whatsapp que reúne servidores comissionados do Ministério Público Federal em Pernambuco, na manhã desta segunda-feira (10). O material trazido a público pelo site The Intercept Brasil, no domingo, mostra que Moro [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/vazamentos-mostram-parcialidade-da-lava-jato-dizem-juristas-pernambucanos/">Vazamentos mostram parcialidade da Lava Jato, dizem juristas pernambucanos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="https://theintercept.com/2019/06/09/chat-moro-deltan-telegram-lava-jato/">vazamento de conversas de promotores da Lava Jato e do ministro da Justiça, Sérgio Moro (ex-juiz)</a> dominou as conversas em um grupo de Whatsapp que reúne servidores comissionados do Ministério Público Federal em Pernambuco, na manhã desta segunda-feira (10). O material trazido a público pelo site The Intercept Brasil, no domingo, mostra que Moro orientava Deltan Dallagnol, procurador do MPF do Paraná. O conteúdo dos diálogos entre eles, no aplicativo de mensagens Telegram, fere o princípio da imparcialidade, segundo juristas consultados pela reportagem, e pode gerar a anulação de processos da operação, incluindo a condenação do ex-presidente Lula.</p>
<p>O tom dos comentários dos comissionados do MPF em Pernambuco no Whatsapp era moderado, narrou uma fonte.“Muitos sustentam que as conversas &#8216;extra autos&#8217; são corriqueiras”, disse.&nbsp;Do ponto de vista da procuradora da República, Silvia Regina Pontes Lopes, o teor das informações divulgadas pelo The Intercept “não foi forte”. &#8220;São conversas de dia a dia, que não complicam as investigações. A Lava Jato está intacta”, ressaltou.</p>
<p>A procuradora prosseguiu: “Eu tenho Whatsapp de juízes e eles têm o meu. Isso não afeta em nada. Se algum problema houve é meios de comunicação terem acesso a conversas de pessoas particulares sem que haja uma ordem judicial. Esse tipo de interceptação é crime”, argumentou, considerando que o vazamento se referiam a diálogos particulares mantidos entre o ex-juiz e o procurador, por meio do celular.</p>
<p>Nem todos os juristas concordam com a análise. Professor de Teoria do Direito e coordenador do curso da Faculdade de Direito do Recife, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), um dos mais tradicionais do país, Alexandre da Maia, vê nas denúncias uma “flagrante violação do princípio básico do processo penal brasileiro, cujo princípio central é o sistema acusatório.&nbsp; Ele explicou que, no sistema brasileiro, as figuras de quem investiga, de quem acusa e de quem julga não se confundem. “Quem julga não é parte do processo”, disse. “Tanto é, que o próprio Código do Processo Penal, no artigo 254, inciso quarto, diz que ‘o juiz se dará por suspeito e que é um caso de suspeição se ele estiver numa situação de aconselhamento das partes. Então, na medida em que ele (o então juiz da Lava Jato, Sérgio Moro) dá conselhos ao Ministério Público dizendo como o órgão deve atuar, ele atuou de forma auxiliar à acusação”, considerou o professor de Direito.</p>
<p>Em casos de incompetência, suspeição ou suborno do juiz, o Código do Processo Penal prevê a nulidade de todas as decisões, lembrou Da Maia. Diante das revelações, o Supremo Tribunal Federal (STF) pode, por exemplo, na sessão extraordinária convocada para terça-feira, decidir soltar o ex-presidente Lula. Outras condenações também podem ser revistas.</p>
<p>Ex-diretora e professora de Direito da Faculdade de Direito do Recife, Luciana Grassano Melo, observa que os diálogos entre Moro e Dallagnol evidenciam motivações políticas, inclusive com direcionamento das investigações para interferir no resultado das últimas eleições e impedir que o PT (Partido dos Trabalhadores) levasse a disputa. Para a professora, as mensagens reproduzidas pelas reportagens revelam a figura de um juiz que assume uma postura não de mediador, mas de inimigo do réu, no caso de Lula. “Era um juiz persecutório. Essa relação espúria não pode acontecer entre um &nbsp;juiz e um órgão tão relevante quanto o MPF”, analisou.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/bannerAssine.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-13083" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/bannerAssine.jpg" alt="bannerAssine" width="730" height="95"></a></p>
<p>Luciana destacou que a aproximação entre o ex-juiz e o procurador do MPF, como mostram os diálogos, não é consentida no Estado de Direito &#8211; que tem que ter o atributo da imparcialidade &#8211; e nem no âmbito do Ministério Público Federal, que não pertence ao poder Judiciário, mas é um órgão independente, do qual se espera distanciamento sobretudo em processos criminais. “O MPF é quem acusa. O juiz é o mediador que ouve a acusação e a defesa. Quando o juiz deixa de lado essa imparcialidade, funciona como um braço da acusação”, diz, citando um dos trechos da série de reportagens onde Sérgio Moro supostamente teria pedido para que Dallagnol não deixasse uma procuradora assumir um caso.</p>
<h4><b>#VazaJato</b></h4>
<p>Na madrugada&nbsp;desta segunda-feira, logo após o vazamento das informações apelidado pelo próprio site <em>The Intercept Brasil</em> de #VazaJato, a força-tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal do Paraná divulgou nota onde considerou que&nbsp;os vazamentos foram provenientes de fontes criminosas e da atuação de hackers. “Diante das supostas mensagens publicadas pelo site <i>The Intercept Brasil</i>, cuja fonte criminosa não foi revelada, apenas oferece acusações quando presentes provas consistentes dos crimes”, diz um trecho. A nota <a href="file:///C:/Users/marco/Downloads/SEI_19.00.2020.0005179_2019_28%20(2).pdf">(leia aqui na íntegra</a>) ainda destaca que “a &nbsp;atuação da força-tarefa é revestida de legalidade, técnica e impessoalidade.”</p>
<p>Procuradora da República, Silvia Regina Pontes Lopes sustenta que houve “uma interceptação ilegal de conversas normais&#8221;.&nbsp; &#8220;Você viu os documentos? Eu nem conhecia esse site Intercept”, questiona. Enfática, ela defendeu que a atuação, tanto de Moro, quanto de Dallagnol foi técnica. &nbsp;“Não adianta vocês &#8211; digo vocês de forma genérica (se referindo aos jornalistas) &#8211; tentarem torcer para outro lado”, disse.</p>
<p>Sobre a validade das provas colhidas pelo site de jornalismo independente, o professor de Direito Alexandre da Maia&nbsp;considerou que as consequências jurídicas para Moro e Dallagnol, e para os demais citados na matéria, podem ser anuladas caso fique provado que houve um vazamento criminoso. Contudo, ele considerou que a validade das provas, mesmo se obtidas de forma ilegal, é discutível considerando o interesse público e a relevância dos conteúdos. O jurista lembrou que existe uma diferença entre o próprio site hackear celulares privados e publicar informações concedidas por uma fonte, o que, na versão do The Intercept Brasil foi o que realmente aconteceu.</p>
<p>O fato é que as consequências jurídicas das denúncias que sacudiram o país e, que podem ser o maior vazamento de informações da história brasileira, estão sendo desvendadas aos poucos. O&nbsp; tamanho do escândalo&nbsp;ainda pode aumentar, considerando que&nbsp;novos trechos do vazamento&nbsp;devem ser publicados em breve.</p>
<p>Enquanto isso, quatro dos 14 integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público já pediram <a href="file:///C:/Users/marco/Downloads/SEI_19.00.2020.0005179_2019_28%20(2).pdf">abertura de sindicância para apurar as condutas </a>&nbsp;dos procuradores da República que foram mencionados nas reportagens. Diante das denúncias, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) convocou reunião nesta segunda-feira e divulgou nota pública onde manifesta&nbsp; &#8220;perplexidade e preocupação com os fatos recentemente noticiados pela mídia, envolvendo procuradores da república e um ex-magistrado, tanto pelo fato de autoridades públicas supostamente terem sido &#8216;hackeadas&#8217;, com grave risco à segurança institucional, quanto pelo conteúdo das conversas veiculadas, que ameaçam caros alicerces do Estado Democrático de Direito&#8221;.</p>
<p>Na nota, a OAB recomenda&nbsp;prudência, mas disse que &#8220;não&nbsp;se pode desconsiderar, contudo, a gravidade dos fatos&#8221; e pede que &#8220;os envolvidos peçam afastamento dos cargos públicos que ocupam, especialmente para que as investigações corram sem qualquer suspeita.&#8221;</p>
<p>Talvez por considerar que os diálogos não fossem tão corriqueiras, no final da tarde de segunda-feira, o corregedor nacional do MP, Orlando Rochadel Moreira, instaurou a sindicância solicitada pelos conselheiros. Foi a segunda decisão do dia que o corregedor instaurou contra Dallangnol: horas antes, ele abriu processo contra o procurador paranaense por ele ter interferido na eleição do Senado, realizada em janeiro, por meio de postagens nas redes sociais desfavoráveis ao senador Renan Calheiros (MDB-AL).</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/Fl7ruacGoCE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Marco Zero é finalista do Prêmio CNH de Jornalismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Oct 2018 18:46:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Marco Zero Conteúdo está na final do 25º Prêmio CNH de Jornalismo. O trabalho &#8220;Salgueiro, a cidade que ficou no meio do caminho&#8220;, da repórter Mariama Correia, concorre na categoria Transporte.&#160; A&#160;reportagem conta como Salgueiro, no Sertão pernambucano, foi do auge ao declínio econômico a partir da interrupção de grandes obras federais, sobretudo da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Marco Zero Conteúdo está na final do 25º Prêmio CNH de Jornalismo. O trabalho &#8220;<a href="http://marcozero.org/salgueiro-a-cidade-que-ficou-no-meio-do-caminho/">Salgueiro, a cidade que ficou no meio do caminho</a>&#8220;, da repórter Mariama Correia, concorre na categoria Transporte.&nbsp; A&nbsp;reportagem conta como Salgueiro, no Sertão pernambucano, foi do auge ao declínio econômico a partir da interrupção de grandes obras federais, sobretudo da Ferrovia Transnordestina.</p>
<p>Realizada em uma parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o The Intercept Brasil, a reportagem foi publicada simultaneamente por ambos os veículos de jornalismo independente em maio deste ano.</p>
<p>Este ano o Prêmio CNH bateu o recorde histórico de 675 reportagens inscritas em todo o país.&nbsp;Este ano, a tradicional premiação também conta com uma novidade: a inscrição de fotografias, que contou com 364 trabalhos para avaliação. Uma equipe de jornalistas e fotógrafos experientes selecionou<a href="http://www.media.latam.cnhind.com/pagina/352/visualizarelease.aspx?codigo=NTUzMA=="> 40 reportagens e 12 fotografias </a>&nbsp;finalistas por sua excelência jornalística, qualidade, criatividade e contribuição para a sociedade. Na lista figuram trabalhos de destaque que abordaram assuntos relevantes dentro das quatro categorias: Agronegócio, Macroeconomia, Construção e Transporte.</p>
<p style="color: #2b383b;">Agora, os vencedores serão selecionados pela Comissão Julgadora, composta por jornalistas, economistas, acadêmicos, especialistas e representantes de associações e órgãos públicos e privados. A entrega dos prêmios acontece no dia 22 de novembro.</p>
<h2><strong>Sobre o Prêmio CNH Industrial de Jornalismo</strong></h2>
<p>Há 25 anos, o Prêmio CNH Industrial de Jornalismo prestigia e reconhece os profissionais que explicam e traduzem as informações econômicas e sociais que acontecem no Brasil e no mundo. Assim, tornou-se, nestas mais de duas décadas, uma das premiações mais respeitadas do setor, com muita credibilidade e grande prestígio no meio jornalístico.</p>
<p>O Prêmio mantém as categorias trabalhadas na última edição e, de forma inédita, premiará também as melhores fotografias publicadas em veículos de comunicação. Dessa forma, continuará a reconhecer reportagens econômicas e também fotografias que abordam os segmentos de atuação da CNH Industrial, com o objetivo de valorizar e reforçar a importância de cada um deles para o desenvolvimento do Brasil. São elas: Agronegócio, Macroeconomia, Construção e Transporte.</p>
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