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	<title>Arquivos UFPE - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 26 Mar 2026 18:13:29 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos UFPE - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>UFPE apresenta detalhes das perseguições da ditadura a professores, técnicos e estudantes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 17:49:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da Verdade]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 1964]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão da Verdade, Memória e Reparação da UFPE sobre a ditadura de 1964 apresentará, no próximo dia 31 de março, os resultados parciais de seu levantamento. Realizado desde junho de 2025, o trabalho identificou pelo menos 649 professores, estudantes e técnicos da universidade que foram alvo de práticas autoritárias do regime militar, que vão [&#8230;]</p>
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<p>A Comissão da Verdade, Memória e Reparação da UFPE sobre a ditadura de 1964 apresentará, no próximo dia 31 de março, os resultados parciais de seu levantamento. Realizado desde junho de 2025, o trabalho identificou pelo menos 649 professores, estudantes e técnicos da universidade que foram alvo de práticas autoritárias do regime militar, que vão desde investigações sobre atividades “subversivas” até demissões, cancelamentos de bolsas e expulsões. Desse total, 132 pessoas foram presas ou detidas e, pelo menos, seis estudantes foram mortos pela repressão.</p>



<p>O evento <em>A UFPE e o compromisso com as memórias</em> acontece a partir das 9h, no auditório João Alfredo, na Reitoria, em uma data simbólica: os 62 anos do golpe militar. Além de detalhar os números e perfis das vítimas, a comissão anunciará as próximas etapas do trabalho de investigação e reconstrução histórica da repressão na instituição entre 1964 e 1985. </p>



<p>Como parte das atividades, serão remontadas exposições organizadas pelo Núcleo de Documentação sobre os Movimentos Sociais Dênis Bernardes (Nudoc) da UFPE: <em>Lutas de Classes sob a ditadura de 1964-1985</em> e <em>Tecendo memórias e lutas</em>, com foco nos assassinatos políticos de Soledad Barret e padre Henrique. Também será lançado um conjunto de vídeos de três minutos sobre estudantes da UFPE mortos pela repressão, que passarão a ser exibidos como interprogramas na TVU a partir das 18h.</p>



<p>Os produtos de memória são resultado de uma experiência pedagógica que envolveu estudantes de jornalismo no semestre passado, sob orientação das professoras Paula Reis e Yvana Fechine. Alunos produziram os vídeos no Laboratório de Imagem e Som (LIS) e também realizaram 18 reportagens e entrevistas que serão disponibilizadas no site da comissão. O levantamento de dados, por sua vez, conta com a participação de estudantes voluntários e bolsistas, sob supervisão de especialistas.</p>



<p>A escolha do Auditório João Alfredo, no prédio da Reitoria, carrega simbolismo histórico. João Alfredo Costa Lima, reitor da então Universidade do Recife à época do golpe de 1964, foi vítima da repressão e acabou renunciando ao cargo poucos meses depois, sob pressão de militares e setores que o acusavam de abrigar “comunistas” na instituição.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/dossie-revela-como-militares-interferiam-na-vida-academica-da-ufpe/" class="titulo">Dossiê revela como militares interferiam na vida acadêmica da UFPE</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/militares-vigiavam-ate-os-reitores-da-ufpe-durante-a-ditadura/" class="titulo">Militares vigiavam até os reitores da UFPE durante a ditadura</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/democracia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Democracia</a>
			        </div>
	            </div>
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		<title>Elevação do nível do mar é tema de seminário na UFPE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 13:55:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[aumento nível do mar]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Recife Cidade Parque]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na semana em que se comemora o Dia Mundial da Água, o &#8220;Seminário Recife e os desafios da elevação do nível do mar&#8221; será uma oportunidade para conhecer propostas elaboradas por pesquisadores do projeto de pesquisa Recife Cidade Parque e dos Países Baixos para tornar o Recife resiliente ao aumento do nível dos oceanos. O [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na semana em que se comemora o Dia Mundial da Água, o &#8220;Seminário Recife e os desafios da elevação do nível do mar&#8221; será uma oportunidade para conhecer propostas elaboradas por pesquisadores do projeto de pesquisa <a href="https://www.instagram.com/recifecidadeparque/">Recife Cidade Parque</a> e dos Países Baixos para tornar o Recife resiliente ao aumento do nível dos oceanos. O evento é destinado a profissionais e estudantes universitários das áreas de oceanografia, arquitetura, geografia e ao público em geral e será realizado no dia 26 de março, das 13h30h às 17h30, no Auditório do Ceerma (em frente ao Centro de Tecnologia e Geociências) na Universidade Federal de Pernambuco.</p>



<p>As proposições foram desenvolvidas durante o <em>workshop</em> internacional <a href="https://recifeexchanges.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Recife Exchanges Netherlands</a> (RXN 2025), realizado ano passado, e agora estão sendo divulgadas no seminário. Na ocasião, foram elaborados desenhos de cenários futuros para os territórios mais vulneráveis da cidade, adotando ferramentas e metodologias inovadoras e interdisciplinares. No encontro desta semana, será lançado o relatório do workshop internacional, na versão digital.</p>



<p>A organização do Seminário ressalta que as sugestões levantadas pelos pesquisadores estão ainda no nível de hipóteses que precisam ser estudadas e aprofundadas. Entretanto, abrem caminhos em busca de soluções para o tema urgente que é a elevação do nível do mar no Recife, considerada uma das cidades mais vulneráveis do mundo às mudanças climáticas.</p>



<p>Na metodologia adotada, dividiu-se o território analisado em três escalas: a macro, que abrange a cidade do Recife, a escala meso (centro histórico) e da faixa costeira (Brasília Teimosa, Pina e Boa Viagem). Para cada uma delas foram desenvolvidas algumas estratégias.</p>
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		<title>A universidade que aprende com o quilombo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 21:58:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Conceição das Crioulas]]></category>
		<category><![CDATA[educação quilo]]></category>
		<category><![CDATA[educação quilombola]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há pouco menos de um ano, no dia 30 de maio de 2025, a Comunidade Quilombola de Carapotós, em Caruaru, no agreste pernambucano, recebeu a certificação da Fundação Cultural Palmares. O reconhecimento marca um novo momento para os moradores do Sítio Carapotós, o início de uma trajetória ainda mais consolidada do processo de fortalecimento e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><span style="font-weight: 400">A série de reportagens </span><i><span style="font-weight: 400">Ciência dos saberes ancestrais: a força da Educação Quilombola</span></i><span style="font-weight: 400"> parte do pioneirismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ao criar a licenciatura em Educação Escolar Quilombola, baseada na resolução nº 8/2012 do Conselho Nacional de Educação. A iniciativa reconhece a relevância cultural, social e histórica das comunidades quilombolas e reforça que seus modos de ensinar e produzir conhecimento também constituem ciência. A proposta da série é expor a importância da educação quilombola, suas potências pedagógicas, os desafios de implementação e a valorização de tecnologias e saberes tradicionais, contribuindo para ampliar o compromisso de outras instituições de ensino com essa modalidade educacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Com três reportagens, a série percorre tanto o ambiente acadêmico quanto o próprio território quilo,bola, articulando a formação de docentes na licenciatura da UFPE com a prática educacional desenvolvida nas comunidades. O foco recai especialmente sobre Conceição das Crioulas, em Salgueiro, referência histórica na construção de um projeto educativo próprio, enraizado na coletividade, na cultura e na luta por direitos.</span><span style="font-weight: 400"> A série foi contemplada na “Seleção Petrobras de Jornalismo – Ciência e Diversidade”. </span></p>
	</div>



<p>Há pouco menos de um ano, no dia 30 de maio de 2025, a Comunidade Quilombola de Carapotós, em Caruaru, no agreste pernambucano, recebeu a certificação da Fundação Cultural Palmares. O reconhecimento marca um novo momento para os moradores do Sítio Carapotós, o início de uma trajetória ainda mais consolidada do processo de fortalecimento e resistência da identidade cultural quilombola.</p>



<p>“Nós sempre escutamos muitas histórias das pessoas mais velhas da comunidade e através de uma pesquisa de campo, com ajuda de cientistas, fizemos um estudo e produzimos um relatório para enviar para a Fundação Palmares”, conta o professor e morador da comunidade quilombola, Jonathan Arruda. Formado em licenciatura nos cursos de História e Geografia, Jonathan revela que o fortalecimento da identidade quilombola entre os moradores do sítio ainda é um desafio a ser solucionado e acredita que a educação é o melhor caminho para isso. Foi pensando em ampliar o acesso à educação para a sua comunidade que o professor se tornou um dos primeiros alunos a ingressar no curso de Licenciatura em Educação Escolar Quilombola da Universidade Federal de Pernambuco.</p>



<p>“A gente, como liderança comunitária, tem que sensibilizar o pessoal da comunidade para a questão da política pública, principalmente na política de educação. Por isso, a partir do momento que surgiu a oportunidade da licenciatura, eu comecei a sensibilizar as pessoas da nossa comunidade para que elas fizessem o curso também”, afirma Jonathan Arruda. Além do professor, outros três moradores da Comunidade Quilombola de Carapotós ingressaram na licenciatura.</p>



<p>O curso é uma das iniciativas pioneiras em Educação Escolar Quilombola no Brasil. Anunciado no segundo semestre de 2024, a iniciativa tem o objetivo de garantir a formação docente específica para as populações quilombolas do estado. Além da UFPE, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Universidade Federal de Sergipe (UFS) inauguraram o curso dedicado à população quilombola nos anos de 2024 e 2025, respectivamente.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/10/216491985_4422851654421289_2799464916813170336_n-1024x768.jpg" alt="A imagem mostra o prédio principal do campus da UFPE em Caruaru, um prédio moderno de vários andares, com formato simétrico. A parte central tem muitas janelas pequenas organizadas em grade, enquanto as laterais têm estruturas verticais vermelhas com grandes janelas espelhadas. Na frente há uma entrada larga, com escadas e uma rampa. O chão é pavimentado e há apenas um carro prateado estacionado. O céu está nublado e ao redor não há muita vegetação ou construções." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Prédio central do campus da UFPE em Caruaru
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação/UFPE</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Homenagem a um líder</h2>



<p>Propondo um modelo de educação descentralizada, a Licenciatura em Educação Escolar Quilombola da UFPE teve início em julho de 2025. Além do pioneirismo da formação, o curso e sua base de formação homenageia o intelectual quilombola Antônio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo.</p>



<p>Filósofo, poeta, escritor, professor e ativista político, Nego Bispo foi uma liderança da comunidade quilombola Saco do Curtume em São João do Piauí e se tornou uma das vozes mais influentes do movimento quilombola no Brasil.</p>



<p>Como escritor, Nêgo Bispo publicou diversos livros e artigos, incluindo obras como <em>Quilombos, modos e significados</em> (2007); <em>Colonização, Quilombos: modos e significados</em> (2015); <em>A Terra dá, a Terra quer</em> (2023), nas quais apresenta seu conceito crítico de contracolonização, que propõe fortalecer culturas e organizações de povos tradicionalmente marginalizados como resposta à imposição colonial. O líder quilombola faleceu em dezembro de 2023, aos 63 anos, mas seu legado e suas obras seguem sendo uma grande referência no Brasil, e têm conquistado cada vez mais espaço nas universidades.</p>



<p>Tomando como referência os saberes de Nego Bispo, a fim de valorizar a cultura e o conhecimento dos povos tradicionais, a licenciatura da UFPE possui uma formação baseada na pedagogia da alternância, como explica o doutor em Antropologia e professor da UFPE, Sandro Guimarães: “a pedagogia da alternância considera uma carga horária na universidade e uma carga horária na comunidade. Isso contribui para uma articulação dos conhecimentos mais acadêmicos, mais compartilhados aqui na universidade, com a vivência nos quilombos, e isso é muito importante para que essa licenciatura seja um curso específico, diferenciado, intercultural, como a gente espera”.</p>



<p>“Nós pensamos também na importância de ter um currículo voltado para os interesses que dialoguem com as pautas das comunidades quilombolas, e que também reconheça uma dívida que a universidade e o Estado têm em relação às suas comunidades, no que diz respeito às epistemologias, esses saberes que por muito tempo não foram considerados. Portanto, tem essa dimensão técnica, porque a gente pretende formar professores, com todas as disciplinas que são importantes na formação de um professor, mas também dimensões outras, como a ética, a humanística, a política, a epistêmica”, conclui o professor que contribuiu no processo de formação da base curricular do curso.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/negobispo-300x119.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/negobispo-1024x406.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/negobispo-1024x406.jpg" alt="Foto de Nego Bispo, um homem idoso, de barba grisalha, está sentado em uma sala iluminada, vestindo camisa listrada colorida. À sua frente, sobre a mesa, há dois livros vermelhos em destaque; o da frente traz o título ‘Colonização, Quilombos: Vozes e Sobrevivências’, com a imagem estilizada de um rosto em vermelho e preto. O ambiente lembra uma biblioteca ou sala de estudo, com janelas grandes e papéis espalhados" class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Antônio Bispo dos Santos é o intelectual quilombola que inspira a Licenciatura em Educação Escolar Quilombola da UFPE
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo pessoal</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O curso, que possui duração de oito semestres, foi estruturado por meio de uma parceria entre o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), Campus Garanhuns, e o Instituto Federal de Educação do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE), contando ainda com o apoio da Coordenação Estadual de Articulação das Comunidades Quilombolas de Pernambuco. As parcerias possibilitaram uma formação descentralizada, uma vez que as aulas acontecem em quatro cidades de Pernambuco: em Garanhuns, no agreste do estado; e em Santa Maria da Boa Vista, no Sertão do estado; em Caruaru, também Agreste, e na capital, Recife.</p>



<p>A licenciatura tem como foco tanto a formação inicial de professores, oferecendo uma segunda graduação para docentes que já atuam em escolas quilombolas, mas que ainda não possuem a titulação exigida pela resolução nº 8/2012 do Conselho Nacional de Educação (CNE). Os profissionais formados poderão atuar em diferentes modalidades da educação básica, com ênfase nos anos iniciais do ensino fundamental, nas áreas de Pedagogia, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Sociais. Além da docência, a formação também habilita os egressos para funções de gestão escolar e para o desenvolvimento de práticas educativas em contextos escolares e não escolares, fortalecendo iniciativas que contribuam diretamente para o desenvolvimento das comunidades quilombolas.</p>



<p>Atualmente, o curso conta com 100 alunos matriculados e com entrada única, ou seja, só após a conclusão da primeira turma é que haverá a convocação para a próxima, como explica Sandro Guimarães: “O curso Intercultural Indígena criado aqui na UFPE foi utilizado como referência para nós e ele iniciou assim, com uma entrada única, só depois se tornou uma graduação com entrada anual, e é isso que nós esperamos que aconteça com a Licenciatura em Educação Escolar Quilombola”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Racismo presente na sala de aula</strong></h2>



<p>O acesso de estudantes assentados da reforma agrária e de comunidades quilombolas à universidade pública esteve no centro de uma polêmica recente em Pernambuco. Após o anúncio da criação no país da primeira turma de Medicina vinculada ao Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Campus Caruaru, a iniciativa passou a ser alvo de ataques e da disseminação de desinformação por parte de figuras públicas da extrema direita contrários à proposta.</p>



<p>Entre os argumentos utilizados por críticos da iniciativa estava a alegação de que o curso beneficiaria assentados e quilombolas em detrimento de outros candidatos, como se as vagas estivessem sendo “roubadas” do público geral. A disputa ganhou repercussão jurídica e o caso chegou à Justiça. Apesar das tentativas de barrar a iniciativa, a solenidade de abertura do curso foi realizada em dezembro de 2025.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/por-que-curso-de-medicina-para-assentados-e-quilombolas-virou-alvo-de-ataques-e-fake-news/" class="titulo">Por que curso de Medicina para assentados e quilombolas virou alvo de ataques e fake news</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A violência presente na tentativa de barrar o ingresso de pessoas quilombolas acaba por demarcar um lugar de privilégio no acesso às universidades públicas no Brasil. Diante disso, muitas pessoas pertencentes aos grupos tradicionais sentem dificuldade em se sentir parte da academia. O reflexo disso está nos casos de racismo que aconteceram com alunos de Licenciatura em Educação Escolar Quilombola. Apenas no primeiro semestre do curso pelo menos três casos foram registrados pela coordenação, como conta o professor Sandro Guimarães:</p>



<p>“Infelizmente, tivemos algumas denúncias de racismo vindas dos próprios estudantes. Tivemos um caso em Caruaru, um caso em Recife e também em Santa Maria da Boa Vista. E esse tem sido um grande desafio, porque a universidade não foi feita para a diferença, a universidade ainda está aprendendo a lidar com isso. Os professores, os estudantes, eles não estão preparados para isso. Então, é um outro paradigma com o qual a gente ainda está aprendendo a lidar com ele”.</p>



<p>“Os casos que tem provas a gente toma todas as providências possíveis e cabíveis, mas às vezes são insultos que são proferidos e os alunos não conseguem identificar quem fez”, disse Guimarães.</p>



<p>Devido a esse cenário, ainda há resistência de algumas pessoas em querer ocupar a universidade. “Ainda é um trabalho de formiguinha convencer as pessoas da comunidade quilombola que esse espaço é nosso, que nós temos que ocupar ele, até para poder desenvolver mais coisas para o nosso próprio território, mas nós estamos avançando e em um único semestre já fizemos coisas importantes”, diz Jonathan Arruda.</p>



<p>Em uma das disciplinas desse semestre o líder quilombola desenvolveu, junto com os demais moradores do quilombo que também integram o curso, materiais didáticos sobre a Comunidade Quilombola de Carapotós, entre eles um livro sobre a história do território.</p>



<p>Porém, muito antes da formação na Licenciatura em Educação Escolar Quilombola Jonathan Arruda e outros professores já tocavam iniciativas educativas na Escola Municipal Manoel Brajano de Arruda, a fim de fortalecer a identidade quilombola da comunidade. A construção dessa base educacional quilombola foi fundamental para a criação de um curso superior pensado exclusivamente em uma educação quilombola, como veremos na próxima reportagem da série <em>Ciência dos saberes ancestrais: a força da Educação Quilombola.</em></p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/antes-da-universidade-o-quilombo-ja-ensinava/" class="titulo">Antes da universidade, o quilombo já ensinava</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-universidade-que-aprende-com-o-quilombo/">A universidade que aprende com o quilombo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Antes da universidade, o quilombo já ensinava</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 21:03:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades quilombolas]]></category>
		<category><![CDATA[Conceição das Crioulas]]></category>
		<category><![CDATA[educação quilombola]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Localizada a pouco mais de 500 quilômetros do Recife, a comunidade Conceição das Crioulas, no município de Salgueiro, no Agreste pernambucano, é o território quilombola mais populoso do estado, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. De acordo com levantamento, a localidade reúne pelo menos 2.370 moradores. A relevância da comunidade, no entanto, vai além [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Localizada a pouco mais de 500 quilômetros do Recife, a comunidade Conceição das Crioulas, no município de Salgueiro, no Agreste pernambucano, é o território quilombola mais populoso do estado, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. De acordo com levantamento, a localidade reúne pelo menos 2.370 moradores. A relevância da comunidade, no entanto, vai além do número de habitantes e se expressa no forte investimento em educação no próprio território.</p>



<p>Conceição das Crioulas está entre os territórios tradicional com maior número de escolas quilombolas, somando quatro unidades: a Escola Quilombola Bevenuto Simão de Oliveira, a Escola Quilombola José Néu, a Escola Quilombola José Mendes e a Escola Estadual Quilombola Professora Rosa Doralina Mendes. As instituições atendem estudantes desde a educação infantil até o ensino médio, fortalecendo a formação educacional dentro da própria comunidade.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>Com mais de dois séculos de história, Conceição das Crioulas tem sua origem registrada tanto em documentos oficiais quanto na tradição oral mantida pelos mais velhos que relatam a chegada de seis mulheres negras livres (as crioulas) à região no fim do século XVIII.</p>
<p>Por meio da fiação de algodão, do cultivo agrícola e da produção artesanal, elas conseguiram adquirir as terras em 1802, marcando o início da consolidação do território. O próprio nome do quilombo reafirma o protagonismo dessas mulheres na conquista da terra e sua devoção a Nossa Senhora da Conceição, cuja imagem teria sido levada por elas ao local.</p>
	</div>



<p>O fortalecimento da identidade e da formação quilombola na comunidade ganhou força a partir da década de 1990, conduzido por lideranças locais que tiveram papel central no processo de reconhecimento do território como quilombo. Nascido e criado na própria comunidade, o líder João Alfredo de Souza recorda episódios marcantes da mobilização em defesa das terras quilombolas e do processo de afirmação identitária e cultural do grupo:</p>



<p>“Conceição das Crioulas já era um quilombo desde o século 18, pelo que contaram os mais velhos. Mas foi em 1802 que nós conseguimos uma escritura registrada com o título oficial de Conceição das Crioulas, título conquistado por um grupo de mulheres quilombolas que vieram pra cá. Depois de arrendar a área, as mulheres trabalharam e pagaram pela terra, assim hoje nós temos oficialmente cerca de 17 mil hectares. E até os anos 1990 a gente não aprofundava muito os debates sobre quilombo, sobre raça, mas decidimos ir atrás de registrar nossa história e foi nas ações das comunidades eclesiásticas de base que esse interesse foi despertado, principalmente em 1988 quando o tema da campanha da fraternidade foi “Fraternidade e o Negro”, isso chamou nossa atenção”.</p>



<p>“Foi a partir daí que nós começamos a entender e olhar para a nossa condição, tendo que enfrentar falta de água, de saneamento básico, de educação, um descaso do Estado com a gente, e com isso começamos a nos organizar para cobrar. E quando decidimos que iríamos buscar o desenvolvimento para a nossa comunidade nós definimos o que seria prioridade nessa luta e a educação era uma das principais”, concluiu o líder comunitário.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-10-at-14.30.39-300x225.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-10-at-14.30.39-1024x768.jpeg" alt="A imagem mostra um homem em pé diante de um prédio branco com uma porta amarela. Acima da porta, está escrito em letras grandes: “Casa Comunitária Francisca Ferreira – Conceição das Crioulas – Salgueiro-PE”. Na parede há pinturas: o rosto de uma mulher em tons de laranja e branco e a figura de uma pessoa de saia segurando um objeto verde. À direita da porta, há um cartaz afixado na parede." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">João Alfredo de Souza em frente a Associação Quilombola de Conceição das Crioulas (AQCC)
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Giovanna Carneiro</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Graças a articulação dos líderes quilombolas, a primeira escola da comunidade, a Escola José Néu, foi inaugurada em 1994. Naquela época, os professores que atuavam na instituição de ensino eram em sua maioria de outros municípios e não eram quilombolas, e na comunidade apenas Givânia Maria, uma das fundadoras da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), estava terminando a graduação para começar a lecionar. </p>



<p>Nesse cenário, a composição de um quadro docente formado integralmente por quilombolas tornou-se uma reivindicação central das lideranças locais, como recorda José Alfredo: “nós não queríamos escola de maquiagem, nós queríamos uma escola que ajudasse a fortalecer a nossa identidade, que pudesse ajudar aos alunos, nossos filhos, nossos netos, nossos irmãos, a poder ir para essa escola e resgatar na escola também a autoestima deles, e sobretudo garantir a identidade negra, cultural, para que ela não morresse”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>Conceição das Crioulas recebeu um primeiro título de suas terras em 2000, por meio da Fundação Cultural Palmares, mas a permanência de ocupantes externos impediu a consolidação da posse plena do território. Em 2004 foi aberto um novo processo no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que segue em tramitação. O território reivindicado soma aproximadamente 17 mil hectares. Parte dessa área já foi assegurada: entre 2014 e 2015, o INCRA emitiu títulos de propriedade que totalizam aproximadamente 2.080 hectares, registrados em nome da Associação Quilombola Conceição das Crioulas. Ainda assim, o processo administrativo principal (n.º 54141.001339/2004-80), voltado ao reconhecimento, desapropriação e titulação de cerca de 16.865 hectares, permanece inconcluso. Embora o decreto de desapropriação tenha sido publicado em 2009, etapas como a retirada de fazendas sobrepostas, a regularização cartográfica e a titulação coletiva definitiva do território ainda não foram finalizadas.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Plano Político Pedagógico diferenciado</h2>



<p><a href="https://repositorio.unb.br/handle/10482/31319" id="https://repositorio.unb.br/handle/10482/31319">Em sua dissertação de conclusão do mestrado em Desenvolvimento Sustentável Junto a Povos e Territórios Tradicionais</a>, defendida na Universidade de Brasília, Márcia Juscilene do Nascimento, conhecida como Márcia Crioula, apresentou a pedagogia crioula, uma metodologia de ensino desenvolvida a partir da sua experiência como professora e também como liderança que integrou o projeto de construção do plano político e pedagógico das escolas de Conceição das Crioulas.</p>



<p>O trabalho desenvolvido pela professora e pesquisadora foi fundamentado a partir da sua experiência na Escola Professor José Mendes, primeira escola da comunidade que utilizou de um programa pedagógico que tem como base a cultura e a história do quilombo. De acordo com o PPP desenvolvido, a pedagogia crioula contém sete fundamentos principais, são eles: território, história, identidade, organização, saberes e conhecimentos próprios, gênero e interculturalidade.</p>



<p>Márcia Crioula explica que o Projeto Político-Pedagógico (PPP) das escolas de Conceição das Crioulas é anterior à formalização das próprias instituições de ensino, pois nasce das concepções, ideias e do projeto de vida da comunidade. Segundo ela, o PPP não pode estar desvinculado do que se pensa para o território e para o futuro coletivo, já que expressa os caminhos que o grupo escolhe trilhar. Assim, mais do que criar algo do zero, a comunidade sistematizou uma construção que já vinha sendo gestada desde o fim dos anos 1980, período em que as lutas sindicais também integravam esse processo de formação política e social.</p>



<p>“A gente começou com a prática. Mesmo antes de existir no papel o nosso PPP, sempre priorizamos a história e a cultura do nosso quilombo no processo de educação da comunidade. Entendemos que, se a história do nosso povo é uma história de resistência, baseada na luta coletiva, isso também precisava estar presente nas escolas, até para fortalecer a autoestima dos alunos”, conta Márcia Crioula sobre o processo de construção do PPP de Conceição das Crioulas.</p>



<p>De acordo com a dissertação de Márcia Jucilene do Nascimento, a pedagogia crioula é definida como uma concepção de educação construída a partir da experiência histórica, cultural e política do quilombo de Conceição das Crioulas, articulando escola, território, memória e luta coletiva. Mais do que um método de ensino, ela valoriza os saberes tradicionais, a história local, a identidade quilombola e as formas comunitárias de organização, entendendo a escola como parte do projeto de vida do território. </p>



<p>É a educação voltada ao fortalecimento da autoestima, do pertencimento e da consciência de direitos, em que ensinar e aprender também significam formar sujeitos politicamente engajados, afirmar a cultura negra e produzir conhecimento desde a realidade da própria comunidade, configurando uma pedagogia de resistência, territorializada e emancipatória.</p>



<p>“Graças ao trabalho coletivo da comunidade, hoje o nosso quilombo é referência em educação e um dos poucos territórios onde todos os professores são quilombolas”, celebra Márcia Crioula.</p>



<p>“Mas é importante também afirmar que nós não queremos que o nosso PPP seja um modelo universal para todas as comunidades quilombolas, muito pelo contrário. Nós queremos mostrar que é possível que cada comunidade crie seu plano de acordo com suas culturas porque cada território tem sua história”, conclui a professora.</p>



<p>A organização comunitária de Conceição das Crioulas se dá por meio da Associação Quilombola de Conceição das Crioulas (AQCC), que reúne associações de produtores e trabalhadores rurais dos diferentes sítios do território. A entidade estrutura sua atuação em diversas frentes, por meio de comissões temáticas que atendem áreas estratégicas da vida coletiva, como saúde, patrimônio, juventude, mulheres, geração de renda e educação. Esta última é coordenada por Márcia Crioula, que atua diretamente no fortalecimento das ações educacionais da comunidade.</p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>Trabalho comunitário na prática</strong></h2>



<p>Caminhar pela comunidade de Conceição das Crioulas e conhecer o interior de suas escolas é entender na prática o conceito da pedagogia crioula. Além do perfil do alunado e do professorado negro, as paredes falam. São painéis de arte, pinturas, frases, cartazes, desenhos, que contam a história da comunidade quilombola e também celebram toda uma história afro-brasileira. Além disso, consta no PPP das escolas o contato direto com lideranças e referências quilombolas que fazem parte da comunidade, como conta a gestora da Escola José Neu de Carvalho, Antônia Raimunda da Silva: “aqui nós trabalhamos em equipe, tanto com os pais dos alunos quanto com as pessoas mais velhas da comunidade, as lideranças. Para nós eles são a memória viva da nossa comunidade então muitas vezes eles vêm aqui para dar palestra, conversar com os alunos sobre a história e a cultura do quilombo e isso é muito importante porque a gente sente o envolvimento dos alunos nessas atividades”.</p>



<p>Segundo a gestora, a Escola José Neu, que atende aproximadamente 150 estudantes da educação infantil e do ensino fundamental, ainda não possui reconhecimento oficial do Ministério da Educação como escola quilombola, embora há anos se identifique dessa forma.</p>



<p>Outro passo importante foi a criação da primeira creche na comunidade, inaugurada em 2024. A professora quilombola e formadora da Creche Maria Auxiliadora de Jesus, Maria da Penha, conta como foi o processo de criação da instituição: “algumas pessoas da comunidade, inclusive lideranças, não defendiam a creche, por causa da vivência que as crianças têm com os mais velhos, de sentar no terreiro, tomar banho no mar sul, ouvir as histórias, e havia o medo de que a creche tirasse isso delas. Mas eu sempre fui defensora. Sempre disse que, quando essa política chegasse, a gente iria trabalhar do nosso jeito, respeitando a forma de ser e de se organizar da comunidade. A ideia de creche que vem da cidade é uma, mas aqui a pedagogia e a metodologia são voltadas para o nosso jeito de ser no quilombo”.</p>



<p>A pedagoga afirma que a defesa da creche na comunidade ocorre desde o início dos anos 2000, quando tiveram início as discussões sobre o projeto político-pedagógico das escolas. Atualmente, a unidade atende cerca de 40 crianças e conta com quatro professoras quilombolas concursadas por meio de seleção específica, além de uma coordenação composta por integrantes da própria comunidade. Os profissionais que atuam na creche também participam de formações contínuas e direcionadas, com o objetivo de aplicar, na prática, o PPP construído pela comunidade.</p>



<p>Com a implantação da creche, a comunidade de Conceição das Crioulas fortalece um percurso educativo que vai desde os primeiros anos de vida das crianças até o final da adolescência e início da vida adulta, sustentado por uma formação cultural e escolar baseada em demandas, valores e objetivos definidos pela própria comunidade. É um projeto de educação articulado ao projeto de vida coletivo que mobiliza educadores e educadoras do território.</p>



<p>“Os professores e professoras têm feito um trabalho maravilhoso e a gente vê o resultado no senso de pertencimento ao território, no olhar, no gesto, no movimento das crianças e dos jovens da comunidade e isso não tem preço, é algo que emociona”, enfatiza Maria da Penha.</p>



<p>O percurso educacional de Conceição das Crioulas mostra que a educação quilombola é um projeto de território, de vida e de futuro coletivo. Quando esse projeto encontra a universidade por meio da licenciatura da UFPE, não se trata apenas de formação superior, mas de um encontro entre dois sistemas de conhecimento. É nesse cruzamento que os saberes ancestrais, organizados em práticas como a pedagogia crioula, passam a ocupar o espaço acadêmico.Com a chegada do curso superior em Educação Escolar Quilombola, na Universidade Federal de Pernambuco, esse percurso formativo ganhou uma nova etapa que se conecta com a história de Conceição das Crioulas como veremos na próxima reportagem da série <strong>Ciência dos saberes ancestrais: a força da Educação Quilombola.</strong></p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/antes-da-universidade-o-quilombo-ja-ensinava/" class="titulo">Antes da universidade, o quilombo já ensinava</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Esta série de reportagens foi contemplada na “Seleção Petrobras de Jornalismo – Ciência e Diversidade”.</p>
    </div>
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		<title>A nova cara da medicina no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Dec 2025 21:35:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Incra]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Pronera]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caruaru (PE) — “Nós temos políticas de saúde importantes e que poderiam andar lado a lado com as da medicina tradicional, essas dos hospitais”. Formada em História e professora, Ana Cláudia Mendes, 35 anos, quilombola de Conceição das Crioulas, agora é uma das 80 pessoas estudantes do curso inédito de Medicina exclusivo para assentados da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Caruaru (PE) —</strong> “Nós temos políticas de saúde importantes e que poderiam andar lado a lado com as da medicina tradicional, essas dos hospitais”. Formada em História e professora, Ana Cláudia Mendes, 35 anos, quilombola de Conceição das Crioulas, agora é uma das 80 pessoas estudantes do curso inédito de Medicina <a href="https://marcozero.org/por-que-curso-de-medicina-para-assentados-e-quilombolas-virou-alvo-de-ataques-e-fake-news/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">exclusivo para assentados da reforma agrária e quilombolas</a>, numa parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), no Centro Acadêmico do Agreste (CAA), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



<p>De Salgueiro, sertão central de Pernambuco, a 550 quilômetros do Recife, Ana Cláudia quer dar um olhar diferente à saúde. “A gente não vai mais olhar o médico como sendo só ele a pessoa que tem todo o saber. A gente vai poder olhar para ele de igual para igual”, comemorou, durante a solenidade de abertura do curso, na última terça-feira, 2 de dezembro, no campus de Caruaru.</p>



<p>Após ser alvo de fake news e discurso de ódio por parte da extrema direita e de repúdio por algumas associações médicas, como o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), a UFPE enfrentou uma <a href="https://marcozero.org/reitor-da-ufpe-garante-que-vai-ate-as-ultimas-instancias-em-defesa-do-curso-de-medicina-para-assentados-e-quilombolas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">batalha judicial</a> que durou quase três meses e atrasou o cronograma do edital.</p>



<p>As atividades começaram esta semana com a universidade tendo <a href="https://marcozero.org/ufpe-tem-nova-vitoria-na-justica-federal-e-retoma-edital-de-medicina-do-pronera/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vencido ao menos três ações na Justiça Federal</a>. Política pública consolidada, com quase três décadas de existência e criada no governo de Fernando Henrique Cardoso, o Pronera já formou quase 200 mil estudantes em 545 cursos em todos os estados brasileiros, da alfabetização à pós-graduação. Mas nunca em curso médico.</p>



<p>Agora alunas como Ana Cláudia vão poder estudar, numa turma extra de Medicina, para atuarem em seus territórios de origem — ou onde mais desejarem —, aliando o conhecimento acadêmico ao das parteiras, da medicina tradicional e das benzedeiras, por exemplo.</p>



<p>Conhecida pela luta e defesa da educação escolar quilombola, Conceição das Crioulas, formada no século XVIII por seis mulheres negras, tem 100% de seus professores oriundos do próprio território, além de currículo e projeto político-pedagógico específicos. Para Ana Cláudia, cursar Medicina pelo Pronera é mais uma vitória dessa construção coletiva.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/54960892970_99589af7d9_c-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/54960892970_99589af7d9_c.jpg" alt="A mulher negra de cabelos cacheados e óculos de grau na foto está sorrindo e segurando uma bandeira branca com uma ilustração em preto de um rosto feminino e a frase “Conceição das Crioulas”. Ela está em um ambiente interno claro, com portas ao fundo e um pequeno jardim lateral." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ana Cláudia Mendes, 35 anos, do Quilombo Conceição das Crioulas é uma das estudantes
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“A educação escolar quilombola nos dá base para seguirmos do meio educacional para a área da saúde e também para outras profissões. A gente costuma dizer para nossos jovens — e também seguimos essa política — que nós podemos ocupar todos os lugares e todas as profissões. Nós podemos tudo”, afirma.</p>



<p>“Foi muito tempo de exclusão e de expropriação dos nossos direitos. Então todas as oportunidades que nós conseguirmos, a partir de nossa luta, é necessário que a gente as vivencie. Nós somos o eco do sonho dos nossos ancestrais”, complementa Ana Cláudia, que agora entra na universidade com outros dois quilombolas de Conceição das Crioulas.</p>



<p>“Nós temos uma responsabilidade muito grande que é vir para a academia, para esse ambiente, sobretudo esse de Medicina, que costuma ser um curso elitizado, de pessoas brancas. Por isso também a gente enfrentou esse embate todo, com denúncias contra o curso e paralisação do processo seletivo. E que bom que conseguimos seguir e hoje estamos fazendo a aula inaugural”, comemora.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/54959701792_7f382ba74c_c.jpg" alt="A foto mostra um grupo de pessoas alinhadas segurando diversas bandeiras e cartazes de movimentos sociais e instituições. Elas estão em um ambiente interno com várias pessoas sentadas ao redor, aplaudindo a apresentação. A cena faz parte cerimônia de abertura do curso de Medicina pelo Pronera na UFPE campus Caruaru." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Os 80 estudantes do novo e inédito curso de Medicina foram recebidos em solenidade na UFPE
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Ana Cláudia vai estudar com pessoas de vários estados do país, entre eles Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Ceará, Acre, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. Cada aluno contará com suporte financeiro para alojamento, alimentação e transporte durante o curso. </p>



<p>Mais de mil candidatos se inscreveram no processo seletivo, que teve cerca de 600 inscrições homologadas. Aproximadamente 400 estudantes foram a Caruaru realizar a prova de redação, que somou-se ao histórico escolar, conforme previa o edital. Muitas, por não conseguirem arcar com o deslocamento, não realizaram a prova. Dos 80 aprovados, 59 são mulheres.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-campones-e-a-medicina/" class="titulo">O camponês e a medicina</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/opiniao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Opinião</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Do sonho coletivo à realidade, da ausência ao acesso</strong></h2>



<p>Quem também está vendo o sonho virar realidade são as jovens Maria Eduarda Nogueira, 18 anos, do assentamento do MST Virgulino Ferreira, em Serra Talhada, sertão pernambucano (foto que abre esta repostagem), e Amanda Paulino, 19 anos, do Movimento Atingidos por Barragens (MAB), de Jaguaribara, interior do Ceará. Militantes, filhas dos movimentos sociais, elas vivem uma mesma realidade: a falta de médicos e de transporte para acessar os serviços de saúde distantes de onde moram.</p>



<p>“A gente tem um posto de saúde, só que ele fica muito distante e é de difícil acesso por conta da locomoção. Só conseguimos médico uma vez no mês. Deveria haver ali a assistência todos os dias”, detalha Maria Eduarda, que também pretende atuar como médica na própria comunidade e em outros locais no meio rural.</p>



<p>A realidade de Amanda não é muito diferente. “Lá em Jaguaribara, no Vale do Jaguaribe, como em tantas outras cidades nos interiores, faltam médicos e não chegam recursos, muitas vezes são sucateados. Falta essa assistência humanizada que reconhece o paciente e não apenas o trata com uma forma hospitalar, medicamentosa”, relata.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/54959700812_5554ba8e02_c.jpg" alt="A foto mostra uma jovem branca de cabelos curtos e brincos de argola sorrindo enquanto segura uma bandeira do “Movimento dos Atingidos por Barragens”. O fundo é colorido, com vários painéis que exibem nomes de cursos e símbolos do campus da UFPE." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Amanda Paulino, 19 anos, de Jaguaribara (CE), é militante do Movimento dos Atingidos por Barragens
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>“Meu sentimento hoje aqui é de um pouco de orgulho também por ter conseguido e ter vencido todas essas etapas, inclusive os processos judiciais. Acho que o sentimento é também de tranquilidade porque eu sei que, de agora para frente, a gente vai conseguir vencer qualquer outra coisa que vier. Porque a gente já conseguiu botar o pé na universidade e, daqui, a gente só sai formados”, diz Maria Eduarda.</p>



<p>Para Amanda, se formar em medicina é “sobretudo uma forma de resistência e uma forma de construir a revolução, uma revolução construída por todos e todas”, porque, para ela, “também cabem, nesses espaços, termos médicos na construção desse projeto de sociedade que nós queremos e pelo qual tanto lutamos para ter”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>UFPE prepara curso de Enfermagem e Odontologia pelo Pronera</strong></h2>



<p>O evento de abertura contou com a presença do reitor da universidade, Alfredo Gomes, do vice-reitor, Moacyr Araújo, de representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do Ministério da Educação, de movimentos e organizações sociais, da Prefeitura de Caruaru e da deputada estadual Rosa Amorim (PT), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entre outros nomes.</p>



<p>Emocionado, Gomes aproveitou a solenidade para anunciar que a instituição já está dando andamento a outros dois cursos na área de saúde pelo Pronera: Enfermagem e Odontologia. Num discurso com muitos agradecimentos, ele reiterou: “vai ter Medicina do Pronera na UFPE, sim”. No decorrer das ações judiciais, Gomes havia declarado que iria até as últimas instâncias em defesa do curso. As críticas e fake news da extrema direita foram quase todas direcionadas a pessoa dele.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Reitor da UFPE, Alfredo Gomes, recebeu os novos alunos no Centro Acadêmico do Agreste
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Em seu discurso, Rosa Amorim declarou: “àqueles que disseram que filho de agricultor e de empregada doméstica e gente pobre nesse Brasil não deveria nunca ocupar uma cadeira da universidade, nós estamos aqui para dizer que vamos ocupar esse lugar porque ele nos pertence e a gente vai contar uma nova história”.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center"><strong>“A terra dá sustento, mas é a educação que liberta”</strong></h2>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> também conversou com a médica de família e comunidade Andreia Campigotto. Filha de assentados da reforma agrária no Rio Grande do Sul, ela é professora do curso de Medicina da UFPE, docente da turma do Pronera e mestra em Saúde Pública pela Fiocruz-PE. Andreia será docente da turma do Pronera.</p>



<p>Marco Zero<strong> &#8211; Qual a sua trajetória desde o assentamento até se tornar professora do curso de Medicina?</strong></p>



<p><strong>Andreia </strong>&#8211; Eu nasci e cresci em um assentamento da reforma agrária. Meus pais são assentados da reforma agrária desde o ano de 1983. Eles foram assentados meses antes do MST ser fundado, alguns meses depois, o meu pai estava no encontro onde foi fundado o MST. Então eu venho de uma geração do campo que cresceu sabendo que a terra dá sustento, mas a educação é que liberta. No assentamento onde eu nasci, onde meus pais conquistaram a terra, no início não foi nada simples.</p>



<p>Acessei a escola do ensino fundamental no meu assentamento e depois tive que me deslocar para outras comunidades para poder continuar os estudos porque não existia transporte na época que pudesse transportar essas crianças para a escola. O assentamento era cerca de 14, 15 km de distância da cidade. Então acho que é toda uma geração que, na verdade, insistiu que estudar realmente é um ato de resistência e que realmente é uma herança coletiva deixada. A minha trajetória até a universidade nunca foi individual. Ela foi uma construção com muitas mãos. Desde o vizinho que ajudava a cuidar da filha até a professora que sempre acreditou em mim, até o assentamento todo que celebrava cada passo, cada vitória.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/54960891750_0e44264a47_c.jpg" alt="A foto mostra uma mulher branca de cabelos lisos em pé, ao ar livre, posando em frente a um prédio. Ela usa camiseta preta com estampa de um movimento de médicos populares e calça jeans, olhando para a câmera com expressão tranquila." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Assentada da reforma agrária no RS, Andreia é professora de Medicina da UFPE há 11 anos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Então cheguei na medicina carregada do cheiro da terra e de muitas vozes dizendo que realmente era essa a possibilidade do povo do campo acessar o ensino superior. Hoje, como professora universitária há 11 anos, para mim, realmente é uma reafirmação do compromisso político e afetivo de que realmente a educação é transformadora e realmente eu não estou aqui sozinha.</p>



<p>Eu estou aqui com aqueles que me empurraram para frente quando o mundo parecia distante demais e ser professora hoje é devolver ao povo o que o povo me deu. É transformar a universidade num espaço em que a filha de assentados não apenas entra, mas agora ela ensina, ela pesquisa, ela decide e ela sonha. Então a minha trajetória é pessoal, sim, mas eu acredito que, acima de tudo, ela é profundamente coletiva.</p>



<p><strong>Qual a importância do curso de Medicina pelo Pronera?</strong></p>



<p>Sobre a primeira turma de Medicina do Pronera, para mim, na prática, é ver o Estado brasileiro finalmente reconhecendo que o campo não produz só alimento, mas também produz ciência, produz cuidado e agora vai produzir profissionais de saúde. É a universidade pública realmente cumprindo seu papel social ao abrir as suas portas para quem historicamente ficou do lado de fora. É uma política pública que está sendo efetivada, neste momento, não em discurso, mas em prática concreta.</p>



<p>E, politicamente, é um gesto de reparação histórica. Formar médicas e médicos vindos do campo significa devolver dignidade a territórios que, por décadas, viveram com ausência de assistência e também com invisibilidade. O que a gente tem que fazer é fortalecer o SUS, desde a sua raiz. É dizer também, com clareza, que o Brasil que queremos só será possível quando a universidade pública realmente conversar com o povo e quando o povo realmente ocupar a universidade. Então acredito que esse momento é um momento histórico para a universidade pública brasileira.</p>
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		<item>
		<title>Cartografias do Frevo: um mapa contemporâneo do ritmo que não para de ferver</title>
		<link>https://marcozero.org/cartografias-do-frevo-um-mapa-contemporaneo-do-ritmo-que-nao-para-de-ferver/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 21:20:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O frevo, ritmo que pulsa nas ruas e nas veias de Pernambuco, é também uma linguagem de resistência, memória e criação. Mais do que uma herança cultural, ele se reinventa a cada passo, em cada esquina e em cada nova geração que se reconhece nesse compasso vibrante. É a partir dessa inquietação e da vontade [&#8230;]</p>
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<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="(max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>O frevo, ritmo que pulsa nas ruas e nas veias de Pernambuco, é também uma linguagem de resistência, memória e criação. Mais do que uma herança cultural, ele se reinventa a cada passo, em cada esquina e em cada nova geração que se reconhece nesse compasso vibrante. </p>
</div></div>



<p>É a partir dessa inquietação e da vontade de entender como o frevo permanece vivo que nasce o projeto de extensão Cartografias do Frevo, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



<p>A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo. Coordenado pela professora Ana Paula Campos e vice-coordenado pela professora Lívia Valença, o projeto reúne estudantes do Departamento de ComunicaçãoSocial da universidade e se dedica a registrar histórias de vida, práticas e experimentações que mantêm o frevo vivo e em transformação.</p>



<p>As entrevistas resultaram em uma série de onze reportagens que a Marco Zero publicará na íntegra a partir de uma parceria com o projeto Cartografias do Frevo. A série está organizada em três blocos, que dialogam com as múltiplas dimensões do frevo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Memórias e Preservação &#8211; </strong>mergulha nas origens e nos esforços de salvaguarda de acervos e mestres;</li>



<li><strong>Releituras e Futuro &#8211; </strong>acompanha artistas e pesquisadores que experimentam novas formas de expressão sem romper com a tradição;</li>



<li><strong>Frevo segue vivo nas ruas &#8211;</strong> destaca a força da folia popular e o papel político das agremiações e brincantes.</li>
</ul>



<p>Ao reunir histórias, reflexões e experiências de quem mantém o frevo em ebulição, a série <strong>Cartografias do Frevo</strong> propõe um olhar para o presente — um mapa afetivo e cultural que mostra que o ritmo, nascido da luta e da alegria, segue sendo um território fértil de invenção e pertencimento.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<h2 class="wp-block-heading"><strong>Leia aqui as entrevistas completas:</strong></h2>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bloco 1 &#8211; </strong><strong>Memórias e Preservação</strong></h3>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/carlos-dantas-museu-levino-ferreira-e-o-desafio-de-manter-viva-a-memoria-do-frevo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Carlos Dantas // Museu Levino Ferreira e o desafio de manter viva a memória do frevo</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/luiz-maciel-no-ritmo-do-frevo-pulsa-a-historia-de-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Luiz Vinícius Maciel // No ritmo do frevo, pulsa a história de Pernambuco</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/mestre-tonho-das-olindas-ser-frevo-e-ser-capoeira/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mestre Tonho das Olindas // Ser frevo é ser capoeira</a></strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bloco 2 &#8211; Releituras e Futuro</strong></h3>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/catarina-deejah-carnaval-vivido-o-ano-inteiro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Catarina DeeJah // Carnaval vivido o ano inteiro</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/dj-dolores-o-enigma-do-frevo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">DJ Dolores // O Enigma do Frevo</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/flaira-ferro-a-ousadia-em-mostrar-que-o-frevo-e-vivo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Flaira Ferro // A ousadia em mostrar que o frevo é vivo</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/leonardo-pellegrim-inovar-nao-e-trair-a-tradicao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Leonardo Pellegrim // Inovar não é trair a tradição</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/alexandre-urea-quando-a-tradicao-cruza-com-a-ousadia-de-experimentar/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Alexandre Urêa // Quando a tradição cruza com a ousadia de experimentar</a></strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bloco 3 &#8211; Frevo segue vivo nas ruas</strong></h3>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/luciana-veras-e-na-rua-que-o-frevo-faz-revolucao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Luciana Veras // É na rua que o frevo faz revolução</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/maria-flor-o-frevo-nao-pode-ser-resumido-apenas-a-uma-sombrinha-colorida/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Maria Flor // O frevo não pode ser resumido apenas a uma sombrinha colorida</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/joao-pedro-nires-cariri-busca-equilibrio-entre-resistencia-cultural-juventude-e-transformacao-social/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">João Pedro Nires // Cariri Olindense busca equilíbrio entre resistência cultural, juventude e transformação social</a></strong></p>
</div></div>
</blockquote>
</blockquote>



<p></p>
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			</item>
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		<title>Luciana Veras // É na rua que o frevo faz revolução</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 21:12:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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		<category><![CDATA[frevo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Beatriz Santana* Há quase 50 anos, o Grêmio Lítero Recreativo Cultural Misto Carnavalesco Eu Acho É Pouco arrasta pelas ladeiras de Olinda um dragão vermelho e amarelo que carrega mais do que confete e serpentina: carrega um ideal político e coletivo. Desde o primeiro desfile, em 1977, o bloco se destacou por unir descontração [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Beatriz Santana*</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="(max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Há quase 50 anos, o Grêmio Lítero Recreativo Cultural Misto Carnavalesco Eu Acho É Pouco arrasta pelas ladeiras de Olinda um dragão vermelho e amarelo que carrega mais do que confete e serpentina: carrega um ideal político e coletivo.</p>
</div></div>



<p>Desde o primeiro desfile, em 1977, o bloco se destacou por unir descontração e seriedade, transformando alegria em posicionamento. “Organizar a raiva em defesa da alegria”, lema criado em plena pandemia, sintetiza a essência do grupo. A jornalista Luciana Veras, voluntária do <em>Eu Acho É Pouco</em>, explica que o bloco sempre foi “um espaço político por excelência”, onde a liberdade de ser e pensar se manifesta em plena rua.</p>



<p>Durante a Ditadura Militar, amigos perseguidos e torturados pelo regime criaram o bloco como forma de protesto. A orquestra e a folia tornaram-se armas simbólicas na defesa da redemocratização. “Passado meio século, estamos onde a gente sempre esteve: numa defesa ferrenha da democracia e também da liberdade de pensar o Carnaval como espaço em que as pessoas podem ser quem elas querem ser. De militância aberta, de esquerda”, afirma Luciana.</p>



<p>Para ela, o bloco continua em militância aberta e cotidiana: “Chegamos até aqui cada vez mais próximos desse ideal que não é utópico. Utopia é algo distante; o nosso ideal é concreto: a política se faz todo dia”.</p>



<p>Sem receber subvenção pública por escolha própria, o <em>Eu Acho É Pouco</em> mantém-se com a força da coletividade. A autonomia é sustentada pela venda de camisetas, eventos e o tradicional Baile Vermelho e Amarelo, realizado desde 1982. </p>



<h2 class="wp-block-heading">É a coletividade que leva o Dragão às ruas</h2>



<p>A agremiação não tem hierarquia nem diretoria: é movida por voluntários que trabalham durante todo o ano. “O Carnaval em Pernambuco vai muito além da sazonalidade. Estamos sempre pensando, planejando e renovando a agremiação”, diz Luciana.</p>



<p>Essa autogestão garante liberdade política e criativa. O bloco já desfilou em apoio à eleição de Dilma Rousseff, em protesto contra o golpe de 2016 e, mais recentemente, participou do ‘Cortejo do Futuro’, durante a posse de Lula em 2023, quando o dragão cruzou a Esplanada dos Ministérios junto ao bloco do Minhocão.</p>



<p>A renovação também passa pelas novas gerações e pela música. O Eu Acho É Pouquinho introduz as crianças à tradição carnavalesca, mostrando que o frevo é liberdade, política e brincadeira. Já a orquestra, regida por Rizonaldo Souza, mantém viva a essência do frevo de rua enquanto renova arranjos e incorpora canções como <em>Arrea a Lenha</em>, <em>Maracatu Atômico</em> e sucessos de Reginaldo Rossi.</p>



<p>Artistas como Ed Carlos e Flaira Ferro, conhecidos por reinventar o frevo, também já subiram aos palcos dos bailes da agremiação. Entre as ladeiras de Olinda e as festas de arrecadação, o <em>Eu Acho É Pouco</em> segue reafirmando o Carnaval como espaço de alegria, memória e resistência.</p>



<p>E, como lembra Luciana Veras, “Carnaval é política, sempre foi e sempre será”.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong> Beatriz Santana é estudante de Jornalismo da UFPE.</p>
<p>As reportagens publicadas aqui fazem parte da parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o projeto de extensão “Cartografias do Frevo”, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo.</p>
    </div>
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		<title>Maria Flor // O frevo não pode ser resumido apenas a uma sombrinha colorida</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 21:11:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Beatriz Santana* Foi ainda na infância, ao se tornar bolsista do Grupo de Teatro João Teimoso, que Maria Flor descobriu que a arte seria o caminho para a vida. Hoje, a multiartista (passista de frevo, pesquisadora e integrante do conselho consultivo do Paço do Frevo) reflete sobre uma trajetória marcada pelo cruzamento entre técnica [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Beatriz Santana*</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="(max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Foi ainda na infância, ao se tornar bolsista do Grupo de Teatro João Teimoso, que Maria Flor descobriu que a arte seria o caminho para a vida. Hoje, a multiartista (passista de frevo, pesquisadora e integrante do conselho consultivo do Paço do Frevo) reflete sobre uma trajetória marcada pelo cruzamento entre técnica e afeto.</p>
</div></div>



<p>Em entrevista, ela conta como a convivência familiar com diferentes gêneros musicais se aprofundou à medida que seu olhar técnico sobre o frevo se desenvolveu. “De lá para cá eu participei de diversos trabalhos no frevo, música, dança, história, pesquisa, especialização. Isso tira essa ideia sazonalizada do frevo, a ideia só carnavalesca, e traz ele para um ambiente muito mais próximo da gente. Tem muito mais da nossa história dentro dele e muito mais dele na nossa própria história”, afirma.</p>



<p>Hoje, Maria Flor leva mais pessoas a viver essa experiência com o frevo por meio do minicurso “Frevo: trajetória, som e movimento”, ministrado no Paço do Frevo. O curso, pensado inicialmente para o público de fora de Pernambuco, acabou atendendo também a muitos pernambucanos interessados em conhecer o próprio estado a partir de suas manifestações populares.</p>



<p>A proposta é fazer o aluno enxergar o frevo para além da “sombrinha colorida”, como uma expressão potente, enraizada em um ambiente cultural que lhe dá sentido e força. “Se eu vou dar aula para uma pessoa que não é daqui, seja de música, de dança, eu vou ter que pensar uma forma de integrar ela com essa manifestação que ela não vive aqui”, explica.</p>



<p>Para Maria, é nas ruas, entre os brincantes das ladeiras de Olinda, no calor e no suor da festa, que o frevo revela sua potência. “Não romantizando toda essa precariedade, essa dificuldade que tanta gente vive, mas é como se ela trouxesse isso para a arte que ela realiza dentro do frevo enquanto cultura popular, como um potencializador de vontades”, diz.</p>



<p>Na contramão da lógica dos grandes centros e da visibilidade midiática, Maria destaca a importância dos mestres e mestras da cultura popular. “O maestro Oséas, o maestro Lúcio e Adriana do frevo são pessoas que fazem aquilo acontecer dentro da comunidade, que mudam a realidade daquelas pessoas, principalmente de crianças e adolescentes. Eu sou um exemplo disso, de ter uma pessoa assim”, conta.</p>



<p>A ausência de padrões rígidos, segundo ela, é o que torna o frevo um espaço de liberdade, capaz de atrair pessoas interessadas não apenas em dançar, mas em vivenciar a cultura popular de forma autêntica. Essa dualidade entre ludicidade e realidade é parte essencial da manifestação, em que a arte não se separa da vida cotidiana. “Foi esse caminho que me atraiu mais para o estudo do frevo quando eu passei a estudar lá em Olinda, nos brincantes das ladeiras”, recorda.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A lente histórica de Maria Flor</strong></h2>



<p>A trajetória do frevo enquanto música também é marcada por rupturas graduais com estruturas rígidas. Nascido de bases militares, marchas, dobrados e marcações, o gênero evoluiu conforme os próprios instrumentistas inseriam elementos novos e subjetivos em suas execuções. Com o tempo, o mercado fonográfico passou a organizar o frevo em três categorias: de rua, de bloco e canção.</p>



<p>Embora úteis para difusão, essas classificações também limitaram sua diversidade. “Isso vai além, encaixotando nos formatos, o que não deixa de escantear ou deixar de fora muitos outros que não necessariamente se adequam àquele lugar”, comenta.</p>



<p>Mesmo os compositores considerados tradicionais, que conviveram com ícones como Nelson Ferreira, inovaram, ainda que, por vezes, criticassem a mudança. Para Maria Flor, essa aparente contradição é parte natural da arte. “Muita gente pensa assim, que essas coisas novas vão acabar ofuscando ou deixando para trás a tradição. Acho que uma coisa não precisa apagar a outra. Você pode ter um processo de amadurecimento, mudança, adaptação, transformação, sem deixar que aquela tradição se perca no tempo.”</p>



<p>A Orquestra Experimental de Frevo da Universidade Federal de Pernambuco, da qual Maria Flor faz parte, exemplifica essa convivência entre tradição e inovação. O grupo incentiva o público jovem não apenas a interpretar o frevo, mas a criar novas sonoridades. “Já tivemos frevo com música eletrônica, com rabeca, acordeon, marimba, violino, quarteto de cordas”, lembra. Essa diversidade, para ela, prova que o frevo está longe de ser uma peça de museu: ele vive, respira e se reinventa a cada nova geração.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>* Beatriz Santana é estudante de Jornalismo da UFPE.</p>
<p>As reportagens publicadas aqui fazem parte da parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o projeto de extensão “Cartografias do Frevo”, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo.</p>
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		<title>João Pedro Nires // Cariri busca equilíbrio entre resistência cultural, juventude e transformação social</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 21:10:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Beatriz Santana* Em 1921, cinco amigos talvez não imaginassem que criariam o grupo responsável por anunciar a chegada do carnaval em Olinda. A Troça Carnavalesca MistaCariri Olindense, hoje Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco, conquistou oficialmente esse título em 2016, mas já carregava há muito tempo o reconhecimento popular como símbolo de tradição. A [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Beatriz Santana*</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Em 1921, cinco amigos talvez não imaginassem que criariam o grupo responsável por anunciar a chegada do carnaval em Olinda. A Troça Carnavalesca Mista<br>Cariri Olindense, hoje Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco, conquistou oficialmente esse título em 2016, mas já carregava há muito tempo o reconhecimento popular como símbolo de tradição.</p>
</div></div>



<p>A história começou com o encontro de Augusto Canuto de Santana, Cosmo Botão, Jacinto Martinho, Isnar Colombo e Eugênio Cravina com um velho mascate vindo do Sertão do Cariri, região entre Pernambuco, Paraíba e Ceará, para vender ervas medicinais no centro do Recife. Encantados com sua figura, pediram permissão para homenageá-lo na agremiação que estavam fundando.</p>



<p>Desde então, todos os anos, o Cariri sai da sede, no bairro de Guadalupe, às quatro da manhã. À frente do cortejo, um homem fantasiado de mascate, com barbas brancas, chapéu de palha e montado em um burro, guia os foliões pelas ladeiras. A lenda dizia que o mascate “pegava crianças”, uma brincadeira inventada para impedir que os pequenos saíssem de casa durante a madrugada.</p>



<p>Quem melhor conta essa história é o educador musical e diretor de preservação e memória do Cariri Olindense, João Pedro Nires. Em entrevista exclusiva, ele explica que a troça é, para ele, quase um parente: “É aquele primo ou tio que exige atenção o tempo todo. Já demandou esforço, tempo e dinheiro da família”.</p>



<p>Esse esforço coletivo foi essencial para impedir que a tradição se interrompesse. Em 2008, quando o Cariri não desfilou, o bairro reagiu com indignação. “Saiu até no jornal: ‘revolta no bairro do Guadalupe’. Porque o Cariri não saiu”, relembra João.</p>



<p>O sentimento de pertencimento se renova a cada cortejo. Os versos do hino <em>“Lá vem o Cariri ali / Com saco de pegar criança / Pegando menino e moça / Pegando tudo o que a vista alcança”</em> embalam os foliões, que seguem o bloco com devoção.</p>



<p>No passado, a manutenção da troça dependia do “Livro de Ouro”, que circulava de casa em casa recolhendo doações. Hoje, além da contribuição da comunidade, o Cariri se sustenta com a venda de camisetas, ingressos de festas e patrocínios pontuais, além da bolsa do título de Patrimônio Vivo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Entre tradição e renovação</strong></h2>



<p>Para muitos moradores de Guadalupe, o som da orquestra do Cariri é o verdadeiro anúncio de que o carnaval começou. “Era uma agremiação bem restrita à sua saída às 4 horas da manhã. E de um tempo para cá, por vários fatores, o público vem mudando, vem chegando a juventude para brincar o Cariri, vem chegando uma galera de Recife, vem chegando a galera branca, é vem chegando a galera de São Paulo, de outros estados, enfim, para curtir”, conta João.</p>



<p>O desafio, agora, é equilibrar tradição e crescimento. “A logística se torna mais difícil: garantir espaço para os músicos, para os estandartes, para o burro do Cariri. Controlar não é dizer ‘vai pra cá, vai pra lá’, é trazer conforto”, explica.</p>



<p>Ainda assim, João vê a chegada do novo com entusiasmo. “A juventude vai chegar com mais gás, com mais energia, com mais potência. O novo sempre vem”, diz. Para ele, cabe às gerações anteriores orientar e equilibrar essa energia, garantindo que o “transe coletivo” continue.</p>



<p>João alerta para os perigos de um discurso que idealiza o passado. “É uma armadilha muito grande, principalmente para nós jovens, cair nesse discurso da essência, do que era original, do que é raiz”, afirma. Para ele, congelar o frevo e o carnaval em uma forma fixa é negar sua própria natureza transformadora.</p>



<p>Essa reflexão ganha ainda mais peso quando entra em pauta a inclusão. “A Troça Carnavalesca Mista, com ‘M’ de mista, inclui homens e mulheres. Algumas agremiações ainda não têm esse ‘M’. A gente vai manter isso em nome da tradição?”, provoca.</p>



<p>Preservar o Cariri é manter viva a memória coletiva e o pertencimento do bairro de Guadalupe, mas também aceitar que a tradição, como o frevo e o carnaval, só sobrevive se continuar se transformando. Afinal, como lembra João, “se o carnaval é o momento em que tudo pode ser, por que não pode também ser reinventado?”</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
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	    <p>* Beatriz Santana é estudante de Jornalismo da UFPE.</p>
<p>As reportagens publicadas aqui fazem parte da parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o projeto de extensão “Cartografias do Frevo”, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo.</p>
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		<title>Leonardo Pellegrim // Inovar não é trair a tradição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 20:58:45 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[frevo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Beatriz Santana* Do embate entre tradição e inovação, pulsa uma das manifestações culturais mais vivas e complexas do Brasil: o frevo. Em entrevista, o etnomusicólogo e mestre em música pela Unicamp,Leonardo Pellegrim, reflete sobre o gênero que, segundo ele, é muito mais do que música: é resistência, invenção e um modo de estar no [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Beatriz Santana*</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Do embate entre tradição e inovação, pulsa uma das manifestações culturais mais vivas e complexas do Brasil: o frevo. Em entrevista, o etnomusicólogo e mestre em música pela Unicamp,<br>Leonardo Pellegrim, reflete sobre o gênero que, segundo ele, é muito mais do que música: é resistência, invenção e um modo de estar no mundo.</p>
</div></div>



<p>Depois de anos no Conservatório de Tatuí, em São Paulo, onde, paradoxalmente, encontrou um semestre inteiro dedicado à música pernambucana, Leonardo migrou para a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Lá, deparou-se com um ambiente acadêmico que considerou profundamente eurocentrado e pouco aberto à legitimidade da música popular dentro das próprias estruturas. “A Universidade Federal, o Departamento de Música, é um ambiente extremamente conservador. Tem gente que não gosta e combate o movimento da música popular”, comenta o pesquisador.</p>



<p>Em movimento contrário a essa resistência, Leonardo e o mestre de frevo Nilsinho Amarantes criaram, em 2010, a Orquestra Experimental de Frevo na própria universidade. O objetivo era comprovar que o gênero, ao unir saberes acadêmicos e populares, se renova sem perder sua essência.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“O frevo sempre foi resistência”</strong></h2>



<p>Seja nas ladeiras de Olinda ou nos corredores do campus, o frevo se afirma como um espaço de batalha e permanência. Diante do que Leonardo chama de uma “mania de Beethoven”, a crença de que “a música do mundo é a música da Europa”, o gênero pernambucano rompe com o eurocentrismo e mostra-se estruturado, decolonial e antirracista. “O frevo acontece musicalmente e politicamente. Sempre viveu nessa luta contra a perspectiva colonial, ao mesmo tempo em que tenta impor e reinventar uma tradição”, explica.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Porque o frevo está vivo. E se ele está vivo, ele vai mudar”</strong></h2>



<p>Para Leonardo, a comunidade do frevo é extremamente apegada à tradição, mas isso não impede que novos artistas tragam oxigênio ao gênero. Ele cita exemplos como Gabi Carvalho, dançarina da Companhia Arte e Folia; Rafael, integrante da banda Frevo de Pau e Corda; e Henrique Albino, que experimenta novas formas no frevo de rua e instrumental. Todos representam a coragem de inovar mesmo diante das críticas internas.</p>



<p>O etnomusicólogo critica a tentativa de institucionalizar o frevo como algo fixo e imutável:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“<em>Por que vocês não assumem que é diferente e documentam as diferenças? O gênero vai se perpetuar enquanto vivo. Inovar não mata o frevo. Maestro Formiga e Edson Rodrigues foram inovadores em seu tempo. O próprio Spok muda de opinião conforme a história. O gênero é vivo, sabe?”</em></p>
</blockquote>



<p>Leonardo destaca que o diálogo entre o frevo e outros gêneros musicais não é novidade. Já nos anos 1950 e 1960, compositores misturavam elementos de forró em suas composições, e o maestro Edson Rodrigues alternava entre jazz e bossa nova nos bares do Recife Antigo. Essas intersecções, mesmo que veladas, sempre existiram e hoje ganham nova força.</p>



<p>Para ele, o futuro do frevo depende justamente dessa abertura ao diálogo. Ao defender a experimentação como prática natural do gênero, Leonardo reafirma a vitalidade de uma tradição que se mantém pulsante porque nunca para de se reinventar.</p>


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	    <p>* Beatriz Santana é estudante de Jornalismo da UFPE.</p>
<p>As reportagens publicadas aqui fazem parte da parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o projeto de extensão “Cartografias do Frevo”, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo.</p>
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