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	<title>Arquivos urna eletrônica - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 13:31:17 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos urna eletrônica - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>É enganoso vídeo que denuncia suposta fraude nas urnas de João Pessoa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Dec 2020 18:34:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[TRE-PB]]></category>
		<category><![CDATA[urna eletrônica]]></category>
		<category><![CDATA[vereador]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conteúdo verificado: Vídeo no YouTube em que candidato a vereador em João Pessoa afirma que voto que ele deu em si mesmo não foi contado. É enganoso o vídeo em que um candidato a vereador em João Pessoa, na Paraíba, afirma que não foi contabilizado o voto que ele deu em si mesmo. Na realidade, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/e-enganoso-video-que-denuncia-suposta-fraude-nas-urnas-de-joao-pessoa/">É enganoso vídeo que denuncia suposta fraude nas urnas de João Pessoa</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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<p><strong>Conteúdo verificado</strong>: <strong>Vídeo no YouTube em que candidato a vereador em João Pessoa afirma que voto que ele deu em si mesmo não foi contado.</strong></p>



<p>É enganoso o vídeo em que um candidato a vereador em João Pessoa, na Paraíba, afirma que não foi contabilizado o voto que ele deu em si mesmo. Na realidade, foram contados dois votos para Edmilson Gomes de Melo (MDB) na seção onde ele votou. Ao todo, o candidato recebeu 119 votos e ganhou uma vaga de suplente na Câmara Municipal.</p>



<p>Gomes de Melo está inscrito no Título de Eleitor na zona 001, seção 004. Porém, algumas seções eleitorais foram agregadas este ano, por isso Edmilson foi orientado a votar na seção 001. Ao Comprova, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) apresentou documentos que provam a votação de Edmilson na seção 001.</p>



<p>No vídeo, o candidato afirma ainda que um funcionário do TRE-PB “adicionou” dois votos para ele na seção eleitoral. O TRE-PB esclareceu que o banco de dados de votação jamais pode ser “editado”. O órgão comunicou em nota que o vídeo é uma “tentativa de macular a Justiça Eleitoral, forjando fatos”.</p>



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<h2 class="wp-block-heading">Como verificamos?</h2>



<p>O Comprova entrou em contato com o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) e solicitou informações sobre as seções e zonas eleitorais existentes em João Pessoa. Também buscamos o resultado das eleições 2020 no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para confirmar a candidatura do homem que aparece no vídeo e a quantidade de votos obtida por ele. Foram procurados ainda o candidato Edmilson Duroger e o responsável pelo canal Seu Mizuka, que divulgou o vídeo.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Verificação</h3>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Qual a explicação do TRE-PB?</strong></li></ul>



<p>No vídeo, o candidato a vereador Edmilson Gomes de Melo está em frente à sede do TRE-PB. De acordo com o órgão eleitoral, ele foi atendido na Seção de Orientação e Apoio às Zonas Eleitorais (SOAZE) no dia 18 de novembro, três dias depois do primeiro turno do pleito. Na gravação, Edmilson afirma que o voto que ele depositou em si mesmo não foi contado, assim como a votação de seus familiares.</p>



<p>Isso não é verdade. De acordo com os <a href="https://resultados.tse.jus.br/oficial/#/divulga-desktop/votacao-nominal;e=426;cargo=13;uf=pb;mu=20516">resultados oficiais</a> divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edmilson recebeu 119 votos. O TRE-PB detalhou que foram <a href="https://projetocomprova.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Resultados-por-secao.pdf?x70685" target="_blank" rel="noreferrer noopener">dois votos na seção onde o candidato votou</a>, a 001 da 1ª Zona Eleitoral. A mesma votação consta no <a href="https://resultados.tse.jus.br/oficial/#/divulga-desktop/boletins-de-urna;e=426;uf=pb;zonaBU=0001;secaoBU=0001;municipioBU=20516">boletim de urna divulgado pelo TSE</a>.</p>



<p>Os votos a favor de Gomes de Melo foram <a href="https://projetocomprova.com.br/wp-content/uploads/2020/12/relatorio_resultado_totalizacao.pdf?x70685" target="_blank" rel="noreferrer noopener">distribuídos da seguinte maneira</a>: 49 votos na 1ª Zona Eleitoral; 24 votos na 64ª Zona; 19 votos na 70ª; 12 votos na 76ª; e 15 votos na 77ª.</p>



<p>Edmilson está cadastrado no Título de Eleitor na seção 004 da 1ª Zona Eleitoral, mas o TRE-PB esclareceu que algumas das seções foram agregadas este ano. O órgão <a href="https://projetocomprova.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Transferencias-Zona-1.pdf?x70685" target="_blank" rel="noreferrer noopener">apresentou ao Comprova um documento</a> que mostra que o local de votação do candidato foi transferido.</p>



<p>Como mostra <a href="https://www.tse.jus.br/eleitor/titulo-e-local-de-votacao/consulta-por-titulo">consulta ao site oficial do TSE</a>, Gomes de Melo votou na Faculdade de Ciências Médicas (antigo Colégio Pio XII), na Praça São Francisco, 116, no centro de João Pessoa.</p>



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<p>No vídeo, Edmilson diz que, depois de reclamar que nenhum voto a seu favor foi contado na seção onde votou, um funcionário do TRE-PB “adicionou” dois votos para o candidato. Em resposta, o TRE-PB disse que não é possível “editar” o banco de dados de votação. Neste ano, a totalização dos votos foi centralizada na sede do TSE, em Brasília.</p>



<p>O TRE-PB informou que vai encaminhar o caso ao Ministério Público Eleitoral.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Quem é o autor do vídeo original?</strong></li></ul>



<p>Edmilson Gomes de Melo tem 57 anos e foi candidato pelo MDB, usando o número 15.777 e o <a href="https://politica.estadao.com.br/eleicoes/2020/candidatos/pb/joao-pessoa/vereador/edmilson-duroger,15777">nome de urna “Edmilson Duroger”</a> — referência ao Roger, um dos bairros mais carentes da capital paraibana. No local ficava, até 2003, o antigo lixão da cidade, e ainda hoje funciona a Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, o mais antigo presídio da Paraíba, inaugurado há 80 anos.</p>



<p>Conversamos com Edmilson por telefone. Ele disse que “estranhou não ter tido votos em sua seção, a 4ª da 1ª zona eleitoral, mas que um funcionário do TRE disse que poderia corrigir e imprimiu um relatório com dois votos naquela seção<em> (na verdade, a 1ª)</em>”.</p>



<p>Durante o telefonema, ele admitiu que o funcionário que o atendeu “pode ter sido irônico”. Após a gravação do vídeo, Edmilson disse que retornou ao TRE e recebeu a explicação que sua seção original, a 4ª, foi agregada à 1ª seção por conta das alterações realizadas para reduzir o número de mesários por causa da pandemia.</p>



<p>O candidato explicou que, no vídeo, se referiu aos oito votos que teve no bairro do Roger, pois sabia que, no total, obteve 119 votos. “Sem arrogância, pela campanha que fiz e pelo trabalho que faço no Roger, há muitos anos, era pra ter tido 5 mil votos”. De acordo com os dados do último censo do IBGE, <a href="http://populacao.net.br/populacao-roger_joao-pessoa_pb.html">em 2010, a população do bairro era de 10.381 pessoas aptas a votar</a>.</p>



<p>O trabalho ao qual ele se refere seria “as denúncias de corrupção na Câmara Municipal” que costuma fazer. Edmilson informou ao TRE ser “jornalista e redator”. Na <a href="https://consultaunificadapje.tse.jus.br/#/public/resultado/0600775-44.2020.6.15.0064">documentação de registro de candidatura</a> consta apenas um diploma de conclusão do Ensino Médio.</p>



<p>No dia 24 de novembro, ele foi à sede da superintendência da Polícia Federal no estado e protocolou um pedido para “pegar todas as urnas do município de João Pessoa, e que se disponibilize uma equipe de especialistas na segurança da informação que seja neutra para periciá-las”.</p>



<p>Edmilson contou que foi à PF acompanhado de dois outros candidatos, citados no vídeo analisado: <a href="https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/2020/2030402020/20516/150001173378">Nininho Mangabeira</a> e <a href="https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/2020/2030402020/20516/150001173355">Dr. Nosman</a> (Antônio Nosman Barreiro Paulo), ambos do MDB. Um terceiro candidato que, segundo ele, também estaria “revoltado”, <a href="https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/2020/2030402020/20516/150001173358">Dr. Aníbal Marcolino </a>(José Aníbal Costa Marcolino Gomes), não o acompanhou por ter desistido de fazer a denúncia.</p>



<p>O Comprova entrou em contato com a PF para saber mais informações sobre a denúncia de Edmilson, mas não recebeu resposta.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O canal do Youtube</strong></li></ul>



<p>O vídeo de Edmilson foi reproduzido pelo canal Seu Mizuka, que existe no YouTube desde 9 de dezembro de 2017 e tem 71,9 milhões de visualizações. É conhecido por publicar conteúdos favoráveis ao governo federal e é um dos canais que veicularam anúncios da Secretaria Especial de Comunicação Social do Governo Federal sobre a Previdência, sendo o <a href="https://apublica.org/2020/07/governo-patrocinou-propaganda-da-previdencia-para-canais-infantis-religiosos-e-investigados-pela-justica/">sexto canal do YouTube com mais interações nos anúncios do governo por visualização</a>. Em junho deste ano, o <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/video-de-aglomeracao-em-genebra-e-real-mas-nao-prova-que-pandemia-e-farsa/">Comprova já desmentiu um vídeo</a> publicado no mesmo canal e que tentava desacreditar a pandemia da covid-19, apoiado em imagens da cidade de Genebra, na Suíça.</p>



<p>O Comprova tentou contato com o responsável pelo canal Seu Mizuka, mas não obteve resposta.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Por que investigamos?</h4>



<p>Atualmente em sua terceira fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre as eleições municipais de 2020, a pandemia de covid-19 e as políticas públicas do governo federal que tenham viralizado nas redes sociais. A verificação de conteúdos que tratam de apuração é importante porque conteúdos inverídicos podem atingir a confiança das pessoas nas eleições.</p>



<p>O vídeo publicado no canal “Seu Mizuka” teve mais de 157 mil visualizações desde o dia 25 de novembro. No Facebook, o link de YouTube teve 32.355 interações, de acordo com a ferramenta CrowdTangle.</p>



<p>O Comprova tem checado uma série de conteúdos que atacam a lisura do processo eleitoral. Por exemplo, desmentimos que o <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/software-usado-em-urnas-eletronicas-brasileiras-nao-e-o-mesmo-que-dos-eua/">software das urnas eletrônicas brasileiras tenha sido usado em fraudes nos Estados Unidos</a> e que o <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/e-falso-que-o-tse-atualizou-apuracao-baseado-em-informacoes-de-site-de-noticias/">TSE tenha atualizado os resultados das eleições de acordo com o portal de notícias G1</a>. Veja todas as <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/confira-boatos-sobre-eleicoes-verificados-pelo-comprova/">verificações do Comprova sobre eleições.</a></p>



<p><a href="https://projetocomprova.com.br/about/">Enganoso</a>, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações.</p>



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		<title>É falso que cabos eleitorais de Sarto tenham transportado urna adulterada em Fortaleza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 23:03:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2020]]></category>
		<category><![CDATA[Fortaleza]]></category>
		<category><![CDATA[José Sarto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conteúdo verificado: Vídeo no Facebook que mostra urna eletrônica em uma picape, com legenda que diz que o equipamento foi adulterado e transportado por cabos eleitorais do prefeito eleito de Fortaleza José Sarto (PDT). É falso que um vídeo viral no Facebook mostre cabos eleitorais do prefeito eleito de Fortaleza José Sarto (PDT) transportando uma [&#8230;]</p>
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<p><strong>Conteúdo verificado</strong>: <strong>Vídeo no Facebook que mostra urna eletrônica em uma picape, com legenda que diz que o equipamento foi adulterado e transportado por cabos eleitorais do prefeito eleito de Fortaleza José Sarto (PDT)</strong>.</p>



<p>É falso que um vídeo viral no Facebook mostre cabos eleitorais do prefeito eleito de Fortaleza José Sarto (PDT) transportando uma urna eletrônica adulterada em um carro particular. Na verdade, a gravação mostra um equipamento trazido em uma picape cedida à Justiça Eleitoral pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). A máquina é uma urna de contingência, utilizada para substituir um equipamento que apresentou defeitos no início da votação.</p>



<p>De acordo com Edna Saboia, coordenadora de Eleições do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), o procedimento de substituição de urnas é “correto, dentro da legalidade e comum nas eleições”. Ao todo, <a href="https://www.opovo.com.br/noticias/ceara/2020/11/29/eleicoes-2020--urnas-eletronicas-substituidas-em-fortaleza.html">42 urnas foram substituídas na capital cearense</a>.</p>



<p>O Tribunal <a href="https://www.tre-ce.jus.br/imprensa/noticias-tre-ce/2020/Novembro/nota-de-esclarecimento">afirmou</a> que o tumulto foi gravado por uma eleitora que não entendeu o transporte da urna. “Ressalta-se que o vídeo está editado e não mostra o momento em que uma servidora explica o processo de troca”, comunicou o TRE-CE.</p>



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<h2 class="wp-block-heading">Como verificamos?</h2>



<p>Entramos em contato com o TRE-CE, que divulgou uma <a href="https://www.tre-ce.jus.br/imprensa/noticias-tre-ce/2020/Novembro/nota-de-esclarecimento">nota sobre o ocorrido</a>. Também questionamos Edna Saboia, coordenadora de Eleições do TRE-CE. O editor-chefe do <a href="https://www.e-farsas.com/video-nao-mostra-fraude-ocorrida-em-urnas-eletronicas-em-fortaleza-ce.html">site de checagem E-Farsas Marco Faustino</a> cedeu ao Comprova áudios de uma conversa com uma auxiliar convocada pela Justiça Eleitoral que presenciou o incidente, Ana Cristina Rodrigues.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Verificação</h3>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Em que contexto foi gravado o vídeo?</strong></li></ul>



<p>De acordo com o Tribunal Regional do Ceará, o vídeo mostra um tumulto causado por uma eleitora que não aceitou o processo de troca de uma urna eletrônica defeituosa. A confusão ocorreu em um local de votação da 85ª zona eleitoral de Fortaleza, na escola Professor César Campelo.</p>



<p>Uma auxiliar convocada pela Justiça Eleitoral presenciou o incidente e conversou com o editor-chefe Marco Faustino, do site de checagem E-Farsas. Ana Cristina Rodrigues disse que uma urna da seção 141 estava apresentando defeitos pela manhã. “Quando isso acontece, o presidente da mesa tem que reiniciar a urna e se ela continuar travando, tem que substituir”, disse ela. “Mas isso é último caso, porque nós só temos duas urnas de reposição”.</p>



<p>De acordo com a auxiliar, por volta das 11h30 uma eleitora viu uma urna de contingência chegando para a substituição. Ainda segundo Ana Cristina, essa mulher começou a fazer acusações de fraude contra o candidato a prefeito Capitão Wagner (PROS). Uma segunda eleitora filmou, do lado de fora da escola, a picape em que a urna de contingência foi transportada.</p>



<p>“Mostramos para que ela<em> (a mulher que filmava) </em>pudesse ver que era uma urna de reposição, um procedimento normal”, disse Ana Cristina. “Ela continuou gritando dizendo que a gente tava roubando. Ela filmou e editou, deixou só a parte que interessava.”</p>



<p>Segundo o TRE-CE, algumas das pessoas mostradas em torno da picape faziam parte da equipe de apoio da Justiça Eleitoral. O carro utilizado para transporte da urna de contingência foi cedido pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) e estava identificado com adesivos.</p>



<p>“A equipe estava em carro adesivado pelo TRE-CE que foi requisitado ao DNOCS, visto que a Justiça Eleitoral não possui carros suficientes para abranger todas as rotas, sendo necessária a requisição de veículos de outros órgãos públicos”, informou o Tribunal.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Urnas de contingência</strong></li></ul>



<p>ão aparelhos reservas, <a href="https://www.tse.jus.br/eleicoes/urna-eletronica/seguranca-da-urna/procedimentos-de-contingencia">preparados para substituir equipamentos que apresentem algum defeito no dia da votação</a>. Elas são preparadas e lacradas na mesma audiência que as demais e, portanto, apresentam como opções os mesmos candidatos de uma urna “normal”. Caso a urna original apresente problemas após o início da votação, a Justiça Eleitoral transfere o flash card e o disquete do aparelho com defeito para a urna de contingência, garantindo que os votos já registrados não sejam desconsiderados. A nova urna é, então, lacrada novamente e passa a ser a urna da seção eleitoral.</p>



<p>Caso os problemas persistam, <a href="https://www.tse.jus.br/eleicoes/urna-eletronica/seguranca-da-urna/procedimentos-de-contingencia">a Justiça Eleitoral prevê também</a> a possibilidade de se utilizar um flash card de contingência, também preparado previamente, ou, se não houver alternativa para usar a urna eletrônica, de coletar os votos manualmente através de cédulas.</p>



<p>De acordo com Edna Saboia, coordenadora de Eleições do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), o vídeo em questão gravou o transporte de urnas para substituição, procedimento que é usual em todas as eleições. “Há mais de 600 urnas de contingência, que são as urnas reservas que ficam em pontos específicos. Quando tem uma ocorrência [de mau funcionamento da urna em uso] em algum local de votação, as equipes de apoio do TRE transportam essas urnas de contingência para substituição. Quem transporta essas urnas são os veículos requisitados pela Justiça Eleitoral. A frota (para as eleições atuais) é de uns 500 veículos, só aqui em Fortaleza, e os carros são requisitados de vários órgãos. O veículo que aparece no vídeo é do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). O procedimento é correto, dentro da legalidade e comum nas eleições”.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Registros de denúncia</strong></li></ul>



<p><a href="https://www.opovo.com.br/noticias/politica/2020/11/29/policia-registra-suspeitas-de-distribuir-envelopes-e-realizar-carreata-em-fortaleza.html">Segundo a Polícia Militar do Ceará, apenas seis ocorrências foram encaminhadas à superintendência da Polícia Federal em Fortaleza por irregularidades no dia da votação</a>. Os registros são de suspeita de distribuição de material de campanha, realização de carreata, apreensão de folhetos e dinheiro (sem comprovação de compra de votos) e outras três ocorrências em Fortaleza e em Caucaia, município da Região Metropolitana, classificadas como “tentativas de atrapalhar os trabalhos eleitorais” que não foram especificados pelo TRE-CE.</p>



<p>Para Saboia, esta foi uma das eleições mais tranquilas que a servidora já vivenciou. “A quantidade de ocorrências foi bem menor do que na eleição passada”, destaca.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Quem é o Inspetor Alberto?</strong></li></ul>



<p>O vídeo com maior viralização no Facebook foi divulgado pela conta do Inspetor Alberto, nome de urna do servidor público aposentado José Alberto Bastos Vieira Júnior, de 59 anos. Ele foi eleito vereador em Fortaleza com 7.301 votos pelo Partido Republicano da Ordem Social (PROS). Essa foi a quinta eleição que ele disputou e a primeira em que teve sucesso – desde 2006, quando concorreu a deputado estadual, vem se candidatando a cargos proporcionais.</p>



<p>Em suas redes sociais, onde ostenta foto ao lado do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), ele se define como “armamentista, conservador e antiesquerdista”.</p>



<p>Nos documentos disponíveis no sistema de divulgação de candidaturas do TSE (DivulgaCand), os três números de telefones fornecidos são do partido PROS. Tentamos contato com o Inspetor através de uma pessoa chamada Tancredo Santos, seu correligionário, que não respondeu às mensagens do Comprova.</p>



<p>No início da noite, Alberto voltou ao seu perfil no Facebook para postar em letras maiúsculas, sugerindo estar gritando: “O Facebook está tentando manipular as pessoas! Está alegando que a notícia é falsa! Contra fatos não há argumentos!”</p>



<h4 class="wp-block-heading">Por que investigamos?</h4>



<p>Atualmente em sua <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/projeto-comprova-inicia-terceira-fase-com-28-veiculos-de-comunicacao/">terceira fase</a>, o Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre as eleições 2020, a pandemia e as políticas públicas do governo federal que tenham viralizado nas redes sociais. A verificação de conteúdos que tratam de apuração é importante porque conteúdos inverídicos podem atingir a confiança das pessoas nas eleições.</p>



<p>O vídeo que viralizou teve 121,6 mil interações no Facebook, segundo a plataforma de monitoramento de mídias sociais <a href="https://www.crowdtangle.com/">CrowdTangle</a>.</p>



<p>O <a href="https://www.aosfatos.org/noticias/video-nao-mostra-urna-adulterada-dentro-de-caminhonete-particular-em-fortaleza/">Aos Fatos</a>, o <a href="https://www.e-farsas.com/video-nao-mostra-fraude-ocorrida-em-urnas-eletronicas-em-fortaleza-ce.html">E-farsas</a> e a <a href="https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2020/11/29/verificamos-urnas-carro-sarto-ceara/">Agência Lupa</a> verificaram o mesmo conteúdo e o classificaram como falso.</p>



<p>Durante a eleição de 2020, o Comprova mostrou que <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/justificativas-dos-eleitores-nao-podem-ser-transformadas-em-votos-validos-como-sugere-tuite/">as justificativas dos eleitores não podem ser transformadas em votos válidos</a>; que <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/apuracao-da-eleicao-brasileira-e-aberta-a-qualquer-pessoa-ao-contrario-do-que-afirma-post/">a apuração brasileira é aberta a qualquer pessoa</a>; que <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/e-possivel-sim-auditar-e-realizar-recontagem-dos-votos-ao-contrario-do-que-afirma-video/">é possível realizar recontagem dos votos</a>; e que <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/sistema-usado-em-video-para-simular-fraude-nao-e-o-mesmo-de-urnas-eletronicas/">o sistema que aparece em um vídeo para simular fraude não é o mesmo das urnas eletrônicas</a>.</p>



<p><a href="https://projetocomprova.com.br/about/">Falso</a>, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.</p>



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<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/e-falso-que-cabos-eleitorais-de-sarto-tenham-transportado-urna-adulterada-em-fortaleza/">É falso que cabos eleitorais de Sarto tenham transportado urna adulterada em Fortaleza</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Ataques de hackers no sistema do TSE não viola segurança da eleição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2020 21:04:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ataque cibernético]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[Hackers]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
		<category><![CDATA[urna eletrônica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conteúdo verificado: Duas postagens, no Twitter e Facebook, de um grupo hacker que afirma ter conseguido vazar dados do TSE É enganoso que um suposto ataque hacker tenha violado a segurança do sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ameaçado a votação das eleições municipais. Apesar de o presidente do próprio Tribunal, ministro Luís Roberto [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/ataques-de-hackers-no-sistema-do-tse-nao-viola-seguranca-da-eleicao/">Ataques de hackers no sistema do TSE não viola segurança da eleição</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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<p><strong>Conteúdo verificado</strong>:<strong> Duas postagens, no Twitter e Facebook, de um grupo hacker que afirma ter conseguido vazar dados do TSE</strong></p>



<p>É enganoso que um suposto ataque hacker tenha violado a segurança do sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ameaçado a votação das eleições municipais. Apesar de o presidente do próprio Tribunal, ministro Luís Roberto Barroso, ter admitido que houve uma tentativa de invasão, o ataque foi neutralizado e não afetou o sistema de totalização dos votos e, muito menos, o sistema das urnas eletrônicas, que não funcionam em rede.</p>



<p>Ainda hoje (15), um grupo de hackers expôs dados do TSE em links para download. A ação foi reconhecida pelo tribunal, mas os especialistas ouvidos pelo Comprova foram unânimes em avaliar que se tratam de dados administrativos antigos ou mesmo informações públicas, disponíveis no Portal da Transparência. Os bancos de dados acessados não teriam, portanto, nenhuma relação com as eleições.</p>



<p>A postagem do grupo de hackers é considerada enganosa porque seus autores inflaram e distorceram as características do ataque com objetivo de confundir e lançar dúvidas infundadas sobre a segurança do sistema de votação do TSE.</p>



<p>Em contato com o Comprova via Facebook, o grupo que vazou os dados do TSE, CyberTeam, afirmou que o ataque é de hoje e que “não explorou o TSE por completo”. “Só me foquei em reunir os dados de utilizador”, afirmou a pessoa, identificada como Zambrius.</p>



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<h2 class="wp-block-heading">Como verificamos?</h2>



<p>Para esta verificação, primeiro fizemos download do conteúdo divulgado para saber de que tipo de dados se tratava. Depois, procuramos entender quem eram os grupos CyberTeam e Noias do Amazonas, por meio dos conteúdos divulgados anteriormente em suas páginas e de matérias anteriores sobre os dois grupos.</p>



<p>Ouvimos a posição oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) através de uma coletiva de imprensa feita pelo ministro Luís Roberto Barroso, presidente da Corte. Também ouvimos especialistas em cibersegurança: Paulo Lício de Geus, professor do Instituto de Computação e CIO da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e representante da Sociedade Brasileira de Computação nos testes públicos de segurança do sistema eletrônico de votação do TSE; Hiago Kin, presidente da Associação Brasileira de Segurança Cibernética e CEO da Deepcript; e Márcio Correia, analista de sistemas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e professor de Tecnologia de Informação da Faculdade Cearense (FaC).</p>



<p>Por fim, conversamos com o grupo CyberTeam por meio de mensagens particulares no Facebook. O perfil Noias do Amazonas não respondeu ao pedido de contato da reportagem.</p>



<p>Esta é uma verificação feita em conjunto por <a href="https://www.aosfatos.org/">Aos Fatos</a> e Comprova.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Verificação</h3>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O que diz o TSE?</strong></li></ul>



<p>Em uma <a href="https://www.youtube.com/watch?v=HCO3z0cafOM&amp;feature=youtu.be">coletiva de imprensa</a>, o ministro Luís Roberto Barroso disse que o TSE ainda está apurando o que aconteceu, mas garantiu que “nada ocorreu hoje, nem tampouco nos últimos dias relativamente a ataques” e disse ter “muitas razões para supor que estas informações vazadas se refiram a ataques antigos”. Um desses indícios é que os e-mails que aparecem no material divulgado têm o final “.gov”, embora há bastante tempo o TSE use a extensão “.tse.br”. Outro é que os servidores que tiveram os seus nomes listados são antigos funcionários da Justiça Eleitoral.</p>



<p>“As urnas já estão todas devidamente carregadas, e estão todas elas fora de rede. Portanto, eventuais ataques cibernéticos não têm o condão de afetar o processo de votação, porque as urnas não funcionam em rede”, lembrou ainda o ministro. Sobre a instabilidade no sistema, o ministro Barroso disse que “houve instabilidade pela grande quantidade de acessos relativamente a duas situações: informação sobre local de votação (…) e a justificativa de quem esteja fora do seu estado, do seu local de votação”.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O que dizem os especialistas?</strong></li></ul>



<p>Segundo o professor Paulo Lício de Geus, representante da Sociedade Brasileira de Computação nos testes públicos de segurança do TSE, o vazamento deve ter ocorrido dias antes da eleição porque, na véspera da votação, a rede do tribunal é isolada em um esquema especial para as eleições. “São dados pessoais de saúde, de idade das pessoas. Pelas características dos dados, fica claro que não tem nada a ver com o sistema de votação eletrônico, que é totalmente diferente. É como se aqui na Unicamp você conseguisse acesso aos dados de recursos humanos. Mas a nossa base de dados de pesquisa está salva em outro lugar”, afirma.</p>



<p>Segundo Geus, não é possível alterar o resultado da eleição porque a urna eletrônica é autônoma e funciona desconectada da Internet. Quando a votação termina, o flash da urna, uma espécie de cartão de memória, é levado para um sistema que envia esses dados para o TSE usando criptografia. “Se alguém tentar inserir dados de votação falsos, eles não serão aceitos por causa da criptografia”, diz. Além disso, ele lembra que todos os boletins de urna são disponibilizados publicamente na Internet. Por isso, qualquer candidato ou partido que suspeitar de problemas no resultado pode conferir por conta própria se a totalização foi feita corretamente.</p>



<p>Márcio Correia, analista de sistemas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e professor de Tecnologia de Informação da Faculdade Cearense (FaC), analisou os arquivos das postagens a pedido do Comprova e disse se tratar de arquivos que não são relacionados à votação.</p>



<p>“Os TREs e TSE têm, nos sites deles, espaços para veicular informações sobre processos administrativos internos, como salários de servidores, dados que estão à disposição no que eles chamam de ‘portal da transparência’. O que eu vi nestas postagens foram essas informações, ou seja, nada relacionado à votação”, afirma. “O sistema de apuração dos votos é offline, as urnas não estão ligadas à internet e nem o sistema de apuração, que é em uma rede privada”, completa. “O hacker mostrar que teve acesso a esses arquivos administrativos e de configurações dos sites do TRE e TSE não significa nada e não tem força alguma para colocar em dúvida a segurança da votação, apesar de não ser interessante que tenha havido essa brecha de segurança no site do TSE, ainda que pequena”, explica o professor, que já foi convidado para testar a segurança do sistema.</p>



<p>O Comprova também enviou os arquivos para Thiago Tavares, presidente da SaferNet, associação que promove a defesa dos direitos humanos na internet. Como os dados disponibilizados nas publicações trazem informações como folhas de pagamentos, afastamentos e transferências de servidores, ele acredita que “a invasão se limitou a um servidor que hospedava informações do sistema de Recursos Humanos do tribunal, e não tem relação alguma com as urnas eletrônicas nem com a segurança do sistema usado na apuração e totalização dos votos”.</p>



<p>De acordo com Hiago Kin, presidente da Associação Brasileira de Segurança Cibernética e CEO da Deepcript, os dados divulgados são de banco de dados dos sites da Justiça Eleitoral, que são diferentes daqueles onde são processados os resultados da votação. Segundo Kin, os hackers usaram uma técnica que permite ler o conteúdo de alguns bancos de dados mais vulneráveis, mas que não poderia ser usada para alterar o resultado da apuração de votos.</p>



<p>“O comando de escrita (utilizado no desenvolvimento do site) provavelmente não tenha sido permitido e sequer explorado, porque dispararia alguns alertas de segurança”, explica. Segundo Kin, a maioria dos dados vazados são informações pessoais de servidores e não de sistemas ou pessoas que apuram as eleições. “Os bancos de dados das eleições são outros, alheios aos dos sites. Dizer que uma coisa está relacionada à outra é especular sem provas. Os IPs expostos pertencem unicamente aos sites”, afirma.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Segurança das eleições</strong></li></ul>



<p>Segundo o TSE, a segurança do sistema eletrônico de votação é feita em camadas, ou seja, por meio de dispositivos de segurança de tipos e com finalidades diferentes, são criadas diversas barreiras que, em conjunto, não permitem que o sistema seja violado. Em resumo, qualquer ataque ao sistema causa um efeito dominó e a urna eletrônica trava, não sendo possível gerar resultados válidos.</p>



<p>Para afastar esses questionamentos sobre a segurança das urnas, o TSE promove um desafio desde 2009, ocasião na qual especialistas colocam a segurança de urnas eleitorais à prova para tentar invadir o sistema – seja na parte da votação, apuração, transmissão e recebimento de arquivos. É o que o TSE chama de TPS (Teste Público de Segurança), em que grupos de hackers “do bem” se reúnem para fazer ataques variados aos dispositivos. Eles acontecem, normalmente, no ano anterior às eleições. O último foi concluído em 29 de novembro de 2019, e contou com a participação de 25 especialistas, entre professores, estudantes e peritos (<a href="https://www.justicaeleitoral.jus.br/tps/arquivos/tps_2019_relatorio_tecnico.pdf">veja aqui o relatório técnico</a>).</p>



<p>No documento <a href="https://www.tse.jus.br/eleicoes/urna-eletronica/perguntas-frequentes">Sistema Eletrônico de Votação: perguntas mais frequentes</a>, publicado no site do TSE, o órgão responde questões sobre o processo eleitoral e dúvidas em relação à segurança da votação. Na resposta da primeira pergunta, “Como o eleitor pode ter certeza de que a urna eletrônica é segura?”, o documento explica que “há diversos mecanismos de auditoria e de verificação dos resultados que podem ser efetuados pelos candidatos, pelas coligações, pelo Ministério Público”, entre outras entidades.</p>



<p>Ainda de acordo com o tribunal, as urnas eletrônicas começaram a ser utilizadas no Brasil em 1996 e, “em 24 anos de existência, nunca foi comprovada nenhuma fraude no equipamento”.</p>



<p>Para as eleições de 2020, o TSE preparou a série “Desvendando a Urna”, com reportagens sobre o assunto. Uma delas é sobre o tema abordado no post verificado aqui e traz a pergunta <a href="https://www.google.com/search?sxsrf=ALeKk02YLbkpvsua2CHYdknMAFzg_7ISdA%3A1605460805179&amp;ei=RWOxX4rACufA5OUPkoyWOA&amp;q=%E2%80%9CDesvendando+a+Urna%E2%80%9D+%E2%80%9C%C3%89+verdade+que+a+urna+eletr%C3%B4nica+n%C3%A3o+%C3%A9+audit%C3%A1vel%3F&amp;oq=%E2%80%9CDesvendando+a+Urna%E2%80%9D+%E2%80%9C%C3%89+verdade+que+a+urna+eletr%C3%B4nica+n%C3%A3o+%C3%A9+audit%C3%A1vel%3F&amp;gs_lcp=CgZwc3ktYWIQA1DEDVi7D2CBEmgAcAB4AIABvwKIAfIFkgEFMi0yLjGYAQCgAQGgAQKqAQdnd3Mtd2l6wAEB&amp;sclient=psy-ab&amp;ved=0ahUKEwjK9vjHh4XtAhVnILkGHRKGBQcQ4dUDCA0&amp;uact=5">“É verdade que a urna eletrônica não é auditável?</a>”. O texto, então, explica que o equipamento possui “diversos recursos que possibilitam e fortalecem a possibilidade de auditagem”. Entre os recursos, estão auditorias pré e pós-eleição e lacração dos sistemas. “Além disso, os sistemas podem ser requisitados para análise e verificação, não somente no período de seis meses que antecedem o pleito, mas a qualquer tempo e pelo prazo necessário para se proceder a uma auditoria completa”, finaliza a reportagem.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>No dia da votação</strong></li></ul>



<p>De acordo com <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/sistema-de-voto-eletronico-pode-ser-auditado-ao-contrario-do-que-afirma-post/">verificação do Comprova</a> de 13 de novembro, uma auditoria ocorre no dia da eleição, quando o TSE promove um sorteio de urnas eletrônicas que serão fiscalizadas. A ação é para verificar a autenticidade e demonstrar a integridade do processo eleitoral “para eleitores sem conhecimentos específicos em tecnologia”, como afirma o site do órgão.</p>



<p>As urnas sorteadas são encaminhadas para os tribunais regionais eleitorais, onde é feita uma simulação de voto. “Cédulas em papel são preenchidas e depositadas em uma urna de lona, para que os participantes digitem esses votos tanto na urna eletrônica quanto em um sistema específico que computará os votos consignados em paralelo”, explica o TSE.</p>



<p>Também no dia da eleição, cada urna eletrônica emite um comprovante com os votos recebidos, chamado de Boletim de Urna (BU). Esse documento é impresso pelos mesários e se torna público logo após o fim da votação – qualquer pessoa pode verificá-lo, inclusive no celular, com o aplicativo Boletim na Mão, desenvolvido pelo TSE.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O grupo de hackers</strong></li></ul>



<p>CyberTeam é um grupo de hackers com base em Portugal, de acordo com o <a href="https://www.tecmundo.com.br/seguranca/121224-cyberteam-inicia-operacao-r-r-soares-internet.htm">site Tecmundo</a> e segundo confirmou o perfil de mesmo nome no Facebook, por meio de mensagens privadas. Também conforme publicado pelo Tecmundo, os hackers <a href="https://www.tecmundo.com.br/ataque-hacker/118306-invadi-diversao-diz-hacker-alterou-site-deputado-beto-mansur.htm">invadiram o site oficial</a> do então deputado federal Beto Mansur (PRB-SP) em 2017 e, anteriormente, já haviam derrubado o Skype por algumas horas.</p>



<p>O link verificado aqui lista ataques recentes do grupo contra o Conselho Nacional de Justiça, o Tribunal de Justiça do Estado do Pará, entre outros órgãos brasileiros, e ressalta que nem o CyberTeam nem seus aliados foram responsáveis pelo <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/11/ataque-hacker-ao-stj-nao-e-sinal-de-ameaca-a-seguranca-das-urnas.shtml">ataque Superior Tribunal de Justiça</a>. De acordo com o site, neste caso do suposto ataque ao TSE, o CyberTeam agiu em parceria com o perfil Noias do Amazonas – que o Comprova tentou contatar via Twitter, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto.</p>



<p>A pessoa do CyberTeam que trocou mensagens com o Comprova se apresentou com o apelido Zambrius e confirmou ser o jovem que foi detido em Portugal em abril deste ano por crimes ligados à cibersegurança.</p>



<p>Questionado sobre as afirmações de Barroso, que disse que “esse vazamento não é produto de um ataque atual”, que é “um ataque antigo que nós ainda não fomos capazes de precisar, se foi antigo de dez dias ou antigo de cinco anos”, Zambrius confirmou que “o ataque é de hoje”.</p>



<p>Quando confrontado com a avaliação de especialistas ouvidos pelo Comprova, segundo a qual o vazamento não tem ligação com dados ligados à eleição, <a href="https://projetocomprova.com.br/wp-content/uploads/2020/11/null-27.png">Zambrius respondeu</a>: “Eu não explorei por completo o TSE e só me foquei em reunir os dados de utilizador”.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Por que investigamos?</h4>



<p>Em sua <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/projeto-comprova-inicia-terceira-fase-com-28-veiculos-de-comunicacao/">terceira fase</a>, o Projeto Comprova verifica conteúdos virais sobre as eleições 2020, a pandemia de covid-19 e as políticas públicas do governo federal. Conteúdos que questionam a segurança das urnas eletrônicas ou do sistema de apuração podem colocar em risco a confiança dos cidadãos nos resultados das eleições e, por consequência, na democracia. O caso é ainda mais grave por ocorrer no dia das eleições municipais, quando milhões de pessoas foram às ruas em todo o país para eleger prefeitos e vereadores.</p>



<p>Recentemente, o Comprova mostrou que <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/ataque-hacker-ao-stj-nao-e-sinal-de-ameaca-a-seguranca-das-urnas/">um recente ataque hacker ao STJ não podia ser visto como sinal de ameaça à segurança das eleições</a>. Também mostrou que <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/sistema-de-voto-eletronico-pode-ser-auditado-ao-contrario-do-que-afirma-post/">o sistema de voto eletrônico brasileiro pode ser auditado, ao contrário do que afirmava um post nas redes sociais</a> e que <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/smartmatic-que-forneceu-urnas-para-a-venezuela-nunca-vendeu-aparelhos-para-o-brasil/">a empresa que forneceu urnas para as eleições na Venezuela nunca vendeu seus aparelhos para o Brasil</a>.</p>



<p><a href="https://projetocomprova.com.br/about/">Enganoso</a>, para o Comprova, é o conteúdo que usa dados imprecisos; que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano; ou que é retirado de seu contexto original e usado em outro, de modo que seu significado sofra alterações.</p>



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