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	<title>Arquivos violência contra a mulher - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 27 Mar 2026 15:24:26 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos violência contra a mulher - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho sofre atentado a tiros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 14:51:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A secretária executiva da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Aline Melo, teve o carro alvejado por tiros na noite desta quinta-feira (26), na PE-28, rodovia que dá acesso às praias de Enseada dos Corais e Gaibu. O carro em que ela estava acompanhada do motorista foi interceptado por dois homens em uma motocicleta que [&#8230;]</p>
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<p>A secretária executiva da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Aline Melo, teve o carro alvejado por tiros na noite desta quinta-feira (26), na PE-28, rodovia que dá acesso às praias de Enseada dos Corais e Gaibu. O carro em que ela estava acompanhada do motorista foi interceptado por dois homens em uma motocicleta que efetuaram os disparos – um dos tiros atingiu o banco de passageiros, a poucos centímetros da cabeça da secretária.</p>



<p>Logo após o ocorrido, Aline Melo foi até a delegacia do Cabo prestar queixa. Lá, ela gravou um vídeo publicado na conta dela no instagram. “A gente sabe que o caso que aconteceu aqui não é um mero caso qualquer, foi um caso ligado à violência de gênero, ligado à tentativa de parar uma mulher que ocupa o espaço de poder”, disse. “Apesar de obviamente estar muito assustada com tudo isso, eu não vou parar. Eu acho que a mensagem hoje é dizer que a luta continua, que a gente precisa continuar se posicionando, a gente precisa acreditar que as coisas podem mudar e que a gente vai continuar defendendo o correto”, afirmou.</p>



<p>Ainda na delegacia, ela concedeu entrevista a um blog local, o Acontecce no Cabo, em que detalhou a abordagem dos criminosos. “A gente estava no sentido litoral do Cabo, e uma moto se aproximou. Eu confesso que eu não vi essa moto se aproximando, estava distraída no celular. Em um determinado momento, a moto tentou fazer uma ultrapassagem e o motorista já ficou em alerta porque ela não ultrapassou pelo lado esquerdo, ela tentou ultrapassar pelo lado direito”, disse. “E aí ele (o atirador) desligou o farol e efetuou o primeiro disparo. Foi quando o motorista (do carro dela) pediu para abaixar e acelerou o carro e a gente conseguiu (fugir). Eu não sei quantos disparos foram, está entre dois ou três”, afirmou na entrevista.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:38% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="764" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-764x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-75031 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-764x1024.jpeg 764w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-224x300.jpeg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-768x1029.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-150x201.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1.jpeg 1079w" sizes="(max-width: 764px) 100vw, 764px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Ao ser perguntada pelo repórter do blog se os criminosos anunciaram assalto ou se já foram logo atirando, a secretária disse que o trecho da PE-28 onde ocorreu os disparos, na altura da Mata do Boto, era muito escuro. “A PE-28 é uma estrada que é muito escura, não tem iluminação, não tem sinalização. E a gente fica com essa incógnita, né, essa pergunta. Como é uma estrada muito escura, a gente não sabe”, afirmou.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>No começo da madrugada desta sexta-feira, a governadora Raquel Lyra afirmou em nota que está acompanhando pessoalmente o caso. “Vamos apurar com rigor e garantir que os envolvidos sejam responsabilizados. Mulheres que ocupam espaços de poder e atuam em defesa de outras mulheres devem ser respeitadas. Pernambuco não aceita essa violência e nossas forças de segurança já estão atuando para responder de forma exemplar a esse episódio”, diz a nota da governadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Prefeitura pede apuração rigorosa</h2>



<p>Em nota oficial, a prefeitura do Cabo de Santo Agostinho reforçou a necessidade de investigação rigorosa e que não está tratando o crime como &#8220;fato isolado&#8221;. &#8220;Ele se soma a um cenário preocupante de violência e intimidação contra mulheres que ocupam espaços de liderança, lutam por direitos e enfrentam estruturas historicamente marcadas pela opressão&#8221;, afirma o texto da gestão municipal. Mais adiante, assegura que &#8220;nenhuma ameaça vai silenciar quem luta por uma sociedade mais justa e segura para todas as mulheres. A Prefeitura acompanhará rigorosamente o caso até o completo esclarecimento dos fatos&#8221;.</p>



<p>O Centro de Mulheres do Cabo (CMC), entidade feminista mais atuante na região do Cabo de Santo Agostinho, também se posicionou. Para Nivete Azevedo, coordenadora de Programas Institucionais do CMC e integrante do Conselho Municipal da Mulher, disse que &#8220;esse atentado que Aline sofreu é um atentado é uma forma de intimidar, de querer nos calar, de barrar a nossa luta em defesa da vida das mulheres. Não toleramos essa violência. Precisamos que o Estado assuma a sua responsabilidade para que as mulheres estejam protegidas, as mulheres estejam amparadas em seus direitos&#8221;.</p>





<p></p>
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		<title>Homens matam uma mulher a cada quatro dias em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 12:52:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[8M]]></category>
		<category><![CDATA[dia internacional da mulher]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2025, homens assassinaram 88 mulheres em Pernambuco, 14% a mais que em 2024, quando eles vitimaram 77 mulheres. Isso significa que o estado contabilizou um feminicídio a cada quatro dias somente no ano passado. Pernambuco é o segundo estado do Nordeste onde homens mais cometem feminicídios, ficando atrás apenas da Bahia, onde eles mataram [&#8230;]</p>
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<p>Em 2025, homens assassinaram 88 mulheres em Pernambuco, 14% a mais que em 2024, quando eles vitimaram 77 mulheres. Isso significa que o estado contabilizou um feminicídio a cada quatro dias somente no ano passado. Pernambuco é o segundo estado do Nordeste onde homens mais cometem feminicídios, ficando atrás apenas da Bahia, onde eles mataram 102 mulheres em 2025. Os dados constam no estudo <em>Retrato dos Feminicídios no Brasil</em>, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, publicado no dia 4 de março.</p>



<p>Essa é a maior quantidade de feminicídios já registrados em Pernambuco desde 2017, quando o então governador Paulo Câmara assinou o decreto que instituiu o feminicídio na classificação dos crimes violentos letais. Dos 88 casos, 15 foram no Recife, seis em Jaboatão dos Guararapes e cinco em Caruaru. A maioria das vítimas tinha entre 35 e 64 anos (38,64%).</p>



<p>Leia, no final desta reportagem, uma entrevista com a premiada socióloga pernambucana Ana Paula Portella.</p>



<p>Confira <a href="https://marcozero.org/homens-estupram-ao-menos-seis-mulheres-e-meninas-por-dia-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> reportagem sobre estupro na última década em Pernambuco.</p>



<p>O Brasil também bateu recorde de feminicídios em 2025, foram 1.568, um crescimento de 4,7% em relação a 2024. O estudo do Fórum detalha com dados o que se repete em todo o país: mulheres negras são as mais expostas à violência letal de gênero (62,6%); na maioria dos casos, o agressor é parceiro ou ex-parceiro íntimo (apenas 4,9% foram assassinadas por desconhecidos); e os crimes, em sua maioria, acontecem dentro de casa (66,3%).</p>



<p>“A evolução das taxas de outros crimes contra mulheres, como ameaça, perseguição, violência psicológica, lesão corporal, estupro e tentativa de feminicídio, também vêm aumentando de forma consistente nos últimos anos, o que indica que o corpo das mulheres segue sendo visto como território alheio, que poderia ser ameaçado, agredido, sexualmente violentado e assassinado”, destaca o Fórum em nota técnica.</p>



<p>Para analisar esse cenário, a <strong>Marco Zero</strong> entrevistou socióloga pernambucana Ana Paula Portella, doutora em Sociologia e mestra em Saúde Pública com mais de três décadas de atuação em pesquisa aplicada, avaliação de políticas públicas, violência de gênero, segurança pública e direitos humanos. Especialista em violência letal contra mulheres, feminicídio, interseccionalidade (gênero, raça e classe) e análise de políticas públicas, ela é autora do livro <em>Como morre uma mulher?</em>.</p>



<p>A publicação é resultado da tese de doutorado de Ana Paula e ganhou o prêmio de Melhor Tese da América Latina e do Caribe conferido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. O livro analisa os contextos e as dinâmicas de produção da morte violenta de mulheres, incluindo os feminicídios, além de propor e aplicar um modelo de análise de dados em contextos de ausência de informações essenciais, como é o caso de muitos bancos de dados do sistema de segurança e justiça.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ana Paula Portella é especialista em violência contra mulheresCrédito: Keila Vieira
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<p>Marco Zero &#8211; <strong>Nunca se debateu e se deu tanta visibilidade aos casos de violência contra mulher. Por outro lado, as reações estão cada vez mais agressivas e os casos de violência de gênero não param de crescer. Como isso se explica?</strong></p>



<p><strong>Ana Paula Portella &#8211; </strong>Existe um debate anterior a isso, que é se a violência de fato está aumentando ou se ela está sendo mais registrada, mais visibilizada e melhor classificada. Casos que, há um tempo, não seriam vistos como feminicídio hoje estão sendo classificados como feminicídio, porque existem protocolos e medidas dentro do sistema de segurança e justiça que orientam seus agentes a observarem os casos de morte violenta feminina de outra maneira e identificarem, nesses casos, o que é feminicídio e o que não é feminicídio.</p>



<p>Esse é um debate, a gente não tem como responder a essa pergunta neste momento e eu não conheço pessoas que estejam fazendo estudos para identificar se realmente a gente tem um aumento de casos ou se a gente tem uma melhora na visibilização do problema e na classificação dos casos.</p>



<p>De qualquer maneira, isso não importa, porque, como a gente está tratando de violência letal, é uma coisa que não deveria acontecer. Então um único caso é excessivo. Essa questão do aumento ou da redução, na minha perspectiva, é irrelevante porque temos que trabalhar com a perspectiva de uma sociedade que não tenha nenhum caso de violência letal contra as mulheres. E temos aqui em Pernambuco número muito maior do que um. Estamos em torno de 300 casos, se não me engano, de violência letal e, entre esses, cerca de 80 feminicídios.</p>



<p>De qualquer maneira, respondendo diretamente a essa preocupação dos casos mais graves, dos casos aparentemente mais violentos do que o que a gente tinha no passado, eu acho que vale a pena chamar a atenção para o recrudescimento do conservadorismo que tem acontecido no mundo inteiro e, aqui no Brasil também, nesses últimos dez ou 15 anos.</p>



<p>Todo esse avanço da extrema-direita — e tivemos aqui o governo Bolsonaro, que institucionalizou esse avanço no Governo Federal — traz com ele uma revalorização e um fortalecimento dos valores conservadores de gênero. Temos toda uma exacerbação das diferenças entre homens e mulheres, de uma maior valorização daquilo que é masculino, daquilo que é viril, daquilo que é violento. E com todo o debate em torno da liberação e do uso das armas de fogo, existe uma exaltação desses padrões, tanto do ponto de vista institucional e político, no campo da extrema-direita, como no campo da moral e da religião, por meio das igrejas neopentecostais.</p>



<p>Isso certamente cria um terreno fértil para a relegitimização da violência contra as mulheres, mas também do contexto de dominação dos homens contra as mulheres. Essa visão sobre as mulheres de que os homens são superiores, de que eles são melhores e que, por isso, têm e podem deter o poder de vida e morte sobre mulheres e crianças. Essas masculinidades agressivas e tóxicas têm sido fortalecidas nesse período. E esse é o período também que a gente vê crescer essa coisa no mundo virtual, desses ambientes da <em>deep web</em>, de debates, de jogos e de conversas, das quais participam majoritariamente meninos e homens jovens.</p>



<p>Esse é um ambiente que tem crescido entre as crianças e entre os meninos adolescentes sem supervisão parental, então é como se tivesse aberto um grande portal nos últimos anos, onde os meninos são efetivamente educados para serem homens a partir desses portais. Então se abre um campo de sociabilidade onde esses meninos têm exemplos a partir dos quais eles podem moldar a sua própria identidade masculina, em que não se tem supervisão nem dos pais nem de outros adultos nem de instituições. Então, ele está correndo livre. O que temos visto é que eles estão caminhando para esse campo do tradicionalismo, do tradicionalismo e do conservadorismo. Esses são ambientes que também valorizam a violência em todas as suas formas.</p>



<p><strong>Apesar do crescimento das denúncias e da busca por informação e acolhimento — prova é que o 180, a cada ano, bate recorde de registros —, ainda é muito difícil interromper o ciclo de violência contra as mulheres. Por quê?</strong></p>



<p>Interromper o ciclo da violência depende de coisas muito sensíveis. Uma mulher que está envolvida em uma situação abusiva precisa, em primeiro lugar, ter consciência de que essa relação é abusiva, precisa perceber e entender que ela está confundindo amor com abuso. Isso requer tempo, conhecimento, informação e apoio externo.</p>



<p>Além disso, mesmo que ela consiga diferenciar e perceber que a relação de fato é abusiva, ela precisa ter uma rede de apoio sólida, consistente e capaz de conter a reação agressiva masculina que fatalmente vai surgir no momento que ela decidir sair dessa relação. Essa rede de apoio tem que ser tanto pessoal e familiar como institucional, porque a contenção da reação masculina não é uma coisa simples. Não é simples conter um homem que está decidido a matar alguém. Nesse contexto que estamos vivendo, esses homens estão decidindo matar as mulheres e matar seus filhos. A situação está realmente ficando mais grave nesse sentido.</p>



<p>Nem todas as mulheres têm acesso a esse tipo de rede — e as mulheres sabem disso e precisam se proteger. Muitas não saem da situação porque sabem que, no momento em que saírem, esse homem vai reagir e ela não tem a quem recorrer. Daí a importância das políticas públicas, da ação do sistema de segurança e justiça, das medidas protetivas, das casas de acolhimento, dos centros de referência. É importante que a mulher saiba que isso existe para saber a quem pode recorrer.</p>



<p>É bom a gente lembrar também que boa parte dos casos de feminicídio acontece justamente quando a mulher pede a separação, depois que ela pede a separação ou depois que ela sai de casa. As mulheres que estão nessas relações sabem disso e procuram se proteger, então é importantíssimo que a sociedade tenha consciência disso e que os círculos próximos dessa mulher se constituam como uma rede de apoio e que isso seja dito muito em voz alta, que ela saiba ‘olha, você pode contar comigo, eu estou percebendo que a sua situação é ruim, então venha para cá’. Que as pessoas conversem sobre isso e se disponham a protegê-la, como também as políticas públicas, que, para a nossa sorte e graças ao movimento feminista nos últimos 40 anos, já existem aqui no país.</p>



<p>O ideal é que a relação abusiva seja interrompida no início, nos seus primeiros sinais, de modo que não dê tempo e não se permita que o homem cultive a sua reação mais violenta e agressiva. Mas, no início, é justamente o momento mais difícil da mulher perceber que a relação é abusiva porque os sinais são ambíguos. Então ela confunde isso com amor. É uma situação que só pode ser resolvida quando a sociedade brasileira como um todo compreender o que é uma relação abusiva, quando todas as pessoas conseguirem identificar esses sinais e quando tivermos realmente essas redes de apoio eficazes para proteger as mulheres e as crianças.</p>



<p><strong>As mulheres negras são a maioria das vítimas de feminicídio. Como o racismo estrutural impacta a vida dessa população e por que, no caso delas, é mais difícil quebrar esse ciclo de abusos?</strong></p>



<p>O racismo estrutural impacta a vida das mulheres imensamente. É, sem dúvida, o tipo de relação de poder e de dominação mais forte e poderoso na sociedade brasileira. Eu diria até que é mais poderoso do que as relações de gênero, mas atua de uma maneira muito articulada com as questões de gênero. Se a gente observar as condições em que vivem essas mulheres, vamos ver que elas têm redes familiares e redes sociais mais frágeis, vivem em condições materiais mais precárias.</p>



<p>Para uma parte importante delas, especialmente as mais jovens, têm menor acesso à informação e ao conhecimento que poderia facilitar procurarem ajuda e buscarem proteção para a violência. Isso as deixa numa situação muito mais frágil do que as mulheres que não são negras e que estão em condições materiais melhores.</p>



<p>Além disso, a questão racial é frequentemente usada como base para o exercício de poder e da dominação. Quando o homem quer destratar uma mulher ou quando as pessoas, em geral, aqui no Brasil, numa sociedade que tem um racismo tão alto e tão vigoroso, a questão da raça é utilizada frequentemente como medida de desvalor, como forma de xingamento, de diminuir essa mulher.</p>



<p>Eles já usam o fato de a gente ser mulher como algo ofensivo. No caso das mulheres negras, você vai ter a junção da questão do racismo e da misoginia atuando conjuntamente para desvalorizar essa mulher, para submetê-la e oprimi-la, o que vai deixá-la em uma situação de muito maior fragilidade do que aquela que não sofre o efeito do racismo.</p>



<p>A questão do racismo é tão essencial que a gente verifica que a maior proporção de vítimas da violência de gênero é de mulheres negras, jovens e pobres que vivem em situação de precariedade social.</p>



<p><strong>A maioria dos feminicidas é o marido, o namorado, o amante ou o ex. O que isso revela sobre o comportamento dos homens e a estrutura da sociedade?</strong></p>



<p>Eu acho que revela muito claramente que a gente vive numa sociedade patriarcal. Essas situações em que os homens matam as mulheres e matam as crianças significam que eles se compreendem como detentores do poder total sobre a vida da família. E isso é a descrição mais clara do patriarcado. A sociedade ainda é complexa, contraditória, é ambígua. A gente convive, ao mesmo tempo, com contextos progressistas, avançados e contextos conservadores, mas, no que se refere ao campo conservador, isso é um evidente traço da permanência das relações patriarcais na sociedade. Ainda tem muita luta pela frente para desfazer isso.</p>
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		<title>Homens estupram ao menos seis mulheres e meninas por dia em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2026 11:37:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[8M]]></category>
		<category><![CDATA[dia internacional da mulher]]></category>
		<category><![CDATA[estupro]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Homens estupraram ao menos 2.354 mulheres e meninas em Pernambuco em 2025. Isso significa que eles abusaram de, no mínimo, seis mulheres e meninas a cada 24 horas no estado somente no ano passado. Os dados são da Secretaria Estadual de Defesa Social (SDS-PE) e, sem dúvida, estão subnotificados porque muitas não prestam queixa. A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Homens estupraram ao menos 2.354 mulheres e meninas em Pernambuco em 2025. Isso significa que eles abusaram de, no mínimo, seis mulheres e meninas a cada 24 horas no estado somente no ano passado. Os dados são da Secretaria Estadual de Defesa Social (SDS-PE) e, sem dúvida, estão subnotificados porque muitas não prestam queixa. A maioria das vítimas (70%) tinha entre zero e 17 anos, ou seja, crianças e adolescentes.</p>



<p>“Nós sempre tratamos o estupro como um caso subnotificado. Esse número tem uma tendência de ser de seis a oito vezes maior do que o que está colocado”, diz a coordenadora-executiva do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) e conselheira do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Edna Jatobá.</p>



<p>O aumento na quantidade de pedidos de ajuda através da Central de Atendimento à Mulher Ligue 180 reflete a realidade — e também o aprimoramento do serviço de informação e acolhimento. Em 2024 (dado mais recente publicado pelo Ministério das Mulheres), o 180 registrou um total de 31.030 atendimentos oriundos de Pernambuco, um aumento de 40,6% em relação a 2023.</p>



<p>O Instituto Patrícia Galvão e o Instituto Locomotiva mostram, em números, o que quase todas as mulheres sentem: é cada vez mais perceptível que não existem espaços totalmente seguros para elas. Em pesquisada realizada pelas duas instituições no ano passado, 82% das entrevistadas declararam ter “muito medo” de sofrer um abuso sexual. Esse percentual era de 78% em 2020.</p>



<p>O temor também está presente na hora de decidir ou não pela denúncia. Muitas têm medo do agressor, sentem vergonha e temem ser desacreditadas, além de haver ainda muita falta de informação sobre os direitos das mulheres. Um outro levantamento publicado, no ano passado, também pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva mostra que oito em cada dez vítimas de violência sexual não buscaram nenhum atendimento.</p>



<p>O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, publicado recentemente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, comprova que ainda é imensa a dificuldade de se punir os agressores. Das 67.157 perícias sexológicas realizadas em 2024, apenas 9,8% resultaram em laudos positivos.</p>





<p></p>



<h2 class="wp-block-heading">Estupro de vulneráveis bate recorde no Brasil</h2>



<p>Quem tem menos de 14 anos é considerado vulnerável pela legislação brasileira, que reconhece que crianças não têm capacidade de consentir sobre relações sexuais, independente de vínculo ou autorização familiar. Em 2024, o Brasil registrou 67.204 casos de estupro de vulneráveis, a maioria do sexo feminino e negra, de acordo com a 19ª edição do Anuário do Fórum. A taxa nacional chegou a 31,6 casos por 100 mil habitantes, o maior número da série histórica.</p>



<p>Na visão da organização, “casos recentes que mobilizaram o debate público reforçam a importância de compreender a dimensão desse problema e de garantir que a proteção da infância seja tratada como prioridade absoluta pelo Estado e pela sociedade”. A decisão recente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que absolveu um homem de 35 anos que manteve relações com uma menina de 12 anos, chocou grande parte do país e gerou uma reação nacional. Depois o desembargador reviu a decisão e condenou o criminoso. Agora, <a href="https://www.poder360.com.br/poder-justica/pgr-pede-inquerito-contra-desembargador-afastado-de-mg/">o próprio magistrado será investigado</a> por suspeita de abuso sexual.</p>



<p>Edna detalha que existe uma tendência maior de notificação dos casos envolvendo crianças e adolescentes graças um sistema garantidor de direitos mais bem estruturado, com serviços vinculantes, conselhos tutelares e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).</p>



<p>Mas, na visão dela, a sociedade não está preparada para enfrentar o debate do estupro. Prova é, segundo destaca, a dificuldade para aprovar, no final de 2024, a resolução 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A medida estabelece um protocolo específico para atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, incluindo a garantia da interrupção legal da gravidez quando decorrente de estupro.</p>



<p>A resolução prevê, por exemplo, o treinamento de profissionais para identificar situações de violência sexual e a garantia de um atendimento rápido, sigiloso e livre de preconceitos, priorizando o cuidado e o respeito à vítima. “Essa resolução sofreu muita resistência, da Câmara de Deputados, do Senado, da igreja e até do próprio Governo Federal inicialmente, mesmo sendo um governo de esquerda”, relembra.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:37% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/edna-1.jpg" alt="" class="wp-image-74802 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/edna-1.jpg 533w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/edna-1-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/edna-1-150x225.jpg 150w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Quando temos um tribunal de Justiça e setores do judiciário que entendem como consensual uma relação entre um homem de 35 anos e uma menina de 12 anos e absolvem isso, como aconteceu em Minas Gerais, temos a prova cabal de que a nossa sociedade anui, legitima o estupro, especialmente praticado contra crianças e adolescentes”, avalia Edna.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>“O crime de estupro é muito difícil de detectar sem a ajuda da sociedade. Porque acontecem dentro das residências, dentro das famílias, dentro do lugar onde essas meninas e mulheres deveriam se sentir mais seguras. Existe uma proteção muito grande aos agressores e uma baixíssima proteção às vítimas de violência sexual. Temos uma inversão de valores”, observa.</p>



<p>“E quando tentamos, a partir dos órgãos de controle e dos órgãos colegiados, fazer alguma coisa para diminuir essa distorção, essas iniciativas são rechaçadas pela sociedade a partir do manto do conservadorismo”, aponta a especialista. “Precisamos preparar a sociedade para esse debate e que ele seja realizado à luz da ciência e da garantia de direitos, e não refém do extremismo religioso”, frisa.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Elas não estão seguras dentro de casa</h3>



<p>A casa da vítima ainda é o cenário onde mais situações de violência são registradas. De acordo com a edição 2025 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 65,7% dos casos de estupro em 2024 aconteceram dentro das residências, sendo que 45,5% dos autores do crime eram parentes e 20,3% eram parceiros ou ex-parceiros íntimos.</p>



<p>“O Anuário mais uma vez qualifica os dados, mostrando que a violência de gênero continua associada ao ambiente doméstico, à desigualdade racial e a ciclos de abuso. Mas os casos mais recentes se destacam por trazer um elemento que não pode ser ignorado: a intensidade e a crueldade dos ataques”, diz o Fórum.</p>



<p>Na avaliação de Edna, do Gajop e do CNDH, é preciso olhar para esse tipo de crime como uma questão de segurança pública, mas não só. Para ela, é urgente que a sociedade fortaleça a educação de gênero e a educação sexual, ainda muito rechaçada pelas escolas, além de fortalecer o acesso de mulheres e meninas à informação sobre direitos e canais de denúncia.</p>



<p>Ela também destaca que é preciso fortalecer as mães dessas meninas com políticas públicas que também passem pela geração de renda e de proteção para quando há necessidade de retirada imediata das vítimas dos espaços de denúncia para quebrar o ciclo de continuidade das violências.</p>
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		<title>Influenciador digital vira réu por fingir ser PM para dar golpe em vítima de violência doméstica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 19:09:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[influenciador digital]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O influenciador digital pernambucano conhecido por Emerson Freitas, 26 anos, foi investigado por fingir ser policial militar para aplicar um golpe contra uma mulher vítima de violência doméstica e protegida por uma medida protetiva. Indiciado pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil de Pernambuco, teve suas conversas com a vítima gravadas pela mulher, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O influenciador digital pernambucano conhecido por Emerson Freitas, 26 anos, foi investigado por fingir ser policial militar para aplicar um golpe contra uma mulher vítima de violência doméstica e protegida por uma medida protetiva. Indiciado pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil de Pernambuco, teve suas conversas com a vítima gravadas pela mulher, o que foi fundamental para subsidiar a investigação e fazer com que a Justiça aceitasse a denúncia do Ministério Público estadual (MPPE). A <strong>Marco Zero</strong> teve acesso aos áudios.</p>



<p>De acordo com informações do processo judicial, que é público, na abordagem à vítima, Emerson teria se apresentado como “sargento Emerson, da Casa Civil e homem de confiança da governadora (Raquel Lyra) e da vice (Priscila Krause)”, depois ele admitiu em depoimento que não tinha qualquer relação com as duas. Em outro momento, disse também que era o “caveira 015” do Bope, o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Estado.</p>



<p>Inicialmente, a mulher pensou que poderia se tratar de um policial corrupto e passou a gravar os diálogos. Após uma pesquisa na internet, viu que &#8211; na verdade &#8211; o homem era um influenciador digital que mantinha um perfil nas redes sociais de estilo policialesco, à época com quase 80 mil seguidores.</p>



<p>O resultado da busca também mostrou uma matéria, publicada em um portal em outubro do ano anterior, que dizia no título: “Emerson Freitas, liderança na fiscalização da segurança pública, é um nome forte da direita para 2024 no Recife”. A foto que acompanhava o texto era de Emerson ladeado pelos deputados Alberto Feitosa e Coronel Meira, ambos do PL.</p>



<p>A vítima, então, gravou a segunda investida do falso policial. Em seguida, procurou o GOE, apresentou os áudios e formalizou a denúncia. Isso aconteceu em maio de 2023.</p>



<p>Durante as diligências da Polícia Civil, uma busca autorizada judicialmente no endereço do então investigado, na zona norte do Recife, reuniu uma lista de itens apreendidos, como munições de uso restrito, um distintivo policial, um gorro da Polícia Militar, dois coldres e um par de algemas. Emerson não estava em casa no momento do cumprimento do mandado. Uma vizinha do influenciador digital foi convidada pela equipe do GOE a acompanhar as buscas e serviu de testemunha.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/Emerson-auto.jpeg" alt="A imagem mostra a fotografia de um documento oficial impresso, com o título indicando “Operações Especiais – GOE”, localizado na Avenida Odete Monteiro, em Recife (PE). O texto relata a realização de uma busca minuciosa em um imóvel, com base no Art. 245, § 7º do Código de Processo Penal, descrevendo uma lista numerada de itens arrecadados e depositados. Entre os objetos listados estão munições de calibres .40 e 9mm, uma capa para colete balístico, coldres, um gorro verde com identificação da Polícia Militar, uma algema, um distintivo da Polícia Militar, crachás institucionais (incluindo de gabinete de vereador e da Assembleia Legislativa de Pernambuco), uma cópia de RG em nome de Emerson Jhuan Pereira do Nascimento, além de envelopes contendo certificados de aplausos destinados a policiais militares e documentos diversos, como termo de depoimento, procuração e mandado de intimação. O documento aparenta ser parte de um registro formal de apreensão de materiais." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Trecho do inquérito do GOE
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A investigação teve desdobramentos. Atualmente, Emerson Jhuan Pereira do Nascimento consta como réu. A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de Pernambuco contra ele por estelionato consumado, falsidade ideológica e uso de documento falso.</p>



<p>O influenciador digital apresenta-se nas redes como “repórter investigativo”, mas ainda é estudante de Jornalismo em uma faculdade privada no Recife. Ele também responderá pelo crime previsto no artigo 12 do Estatuto do Desarmamento: possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização, no interior de sua residência.</p>



<p>A juíza titular da 17ª Vara Criminal da Capital, Ana Maria da Silva, determinou que Emerson fosse notificado da ação penal no dia 15 de dezembro passado. Quinze dias depois, o influenciador digital anunciou em vídeo que é pré-candidato a deputado estadual nas eleições deste ano.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como foi a investigação do GOE</h2>



<p>Em abril de 2023, o 190 foi acionado para atender um chamado de possível descumprimento da Lei Maria da Penha em um endereço no centro do Recife. Ao local da ocorrência, na companhia de policiais militares fardados, chega um homem que vestia calça jeans, camisa preta, distintivo no pescoço e armamento na cintura à mostra. Identificou-se à mulher protegida por medida protetiva como “Sargento Emerson Freitas, da Casa Civil”.</p>



<p>O depoimento da vítima foi corroborado pelo trabalho do GOE, com a anexação, inclusive, de imagens de câmeras de segurança que comprovam que o influenciador digital, com distintivo no pescoço, seguiu em viatura caracterizada da Polícia Militar do local da ocorrência à Delegacia da Mulher de Santo Amaro, área central do Recife, para onde a mulher e o ex-companheiro foram levados.</p>



<p>Lá, o delegado Marco Fidelis interpretou que não houve quebra da medida protetiva, determinou “outras providências” e o ex-marido foi liberado.</p>



<p>No dia seguinte, de acordo com informações reunidas no inquérito, o falso policial procurou a mulher e disse que havia descoberto um plano do ex-marido para matá-la. Na versão contada por Emerson, o ex-marido havia contratado um matador profissional por R$ 90 mil para a execução.</p>



<p>De acordo com o depoimento da vítima ao delegado Ivaldo Pereira Santiago, é a partir daí que tem início o processo de extorsão para que, em troca de vantagem pretendida, o falso policial sustasse o plano de encomenda da morte da mulher.</p>



<p>“O que a senhora pode fazer para ajudar a gente, pra gente continuar, pra gente lhe ajudar…”, diz Emerson, em um trecho do diálogo que acabou gravado sem que ele soubesse.</p>



<p>“Eu estou fazendo um trabalho de intermediário, porque sei que ele (o ex-marido) está avançando… ele está com arma, é um cabrito, os meninos deram a ele”. As gravações das duas conversas do falso policial com a vítima somam 37 minutos.</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Áudios - Reportagem - Emerson Freitas" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/lS7iqZJGU5s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Réu, mas ainda não localizado pela Justiça</strong></h2>



<p>O influenciador já é formalmente réu, mas &#8211; até a publicação desta reportagem &#8211; não havia sido notificado pela Justiça estadual para tomar conhecimento formal da ação penal. Só quando isso ocorrer é que começam a contar os prazos do processo.</p>



<p>Por duas vezes, um representante da Justiça de Pernambuco foi ao endereço conhecido de Emerson, mas não conseguiu encontrá-lo.</p>



<p>Tanto no dia 19 de dezembro, uma sexta-feira, às 7h45, quanto no dia 10 de janeiro, um sábado, por volta das 16h, um oficial de justiça &#8211; sem sucesso &#8211; foi até o endereço informado como sendo o de Emerson Jhuan, em Casa Amarela, na zona norte do Recife. É o mesmo endereço onde a equipe do GOE cumpriu mandado de busca e apreensão.</p>



<p>Nas redes sociais, porém, Emerson segue ativo. Faz publicações cotidianamente em locais de ocorrência e entrada de delegacias.</p>



<p>Emerson esteve presente, por exemplo, na entrevista coletiva que o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, concedeu à imprensa no final de janeiro. Na ocasião, o auxiliar da governadora Raquel Lyra (PSD) apresentou justificativas para a divulgação pela TV Record de que uma equipe da Polícia Civil monitorava um secretário do prefeito do Recife, João Campos (PSB).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/Emerson-citacao.jpeg" alt="A imagem mostra um documento oficial do Tribunal de Justiça de Pernambuco, com o cabeçalho “Poder Judiciário” e o título “Certidão ID 226032947” centralizado na página. O texto certifica que a oficial de Justiça Ilana Costa informou ter comparecido, em duas datas e horários específicos (19 de dezembro de 2025 e 10 de janeiro de 2026), ao endereço indicado para citar Emerson Jhuan Pereira do Nascimento, mas deixou de realizar a citação porque ninguém atendeu aos chamados e o imóvel, descrito como um edifício residencial no formato caixão e sem portaria ou caixa de correios, dificultou a diligência. A certidão registra que o expediente é devolvido para novas providências e encerra com a afirmação de veracidade, local e data (Recife, 13 de janeiro de 2025), além da identificação e matrícula da oficial de Justiça." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Trecho do processo que corre na Justiça de Pernambuco
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">Muitas mentiras</h3>



<p>Na sede do GOE, acompanhado do advogado e diante do delegado Ivaldo Pereira, o influenciador digital admitiu tanto ter procurado a mulher no dia seguinte ao episódio na delegacia de Santo Amaro para falar do suposto plano de execução quanto ter lhe contado cinco mentiras, ao menos. Ele disse ainda que “não exigiu nenhum valor fixo” da vítima, mas admitiu que “pediu uma ajuda”.</p>



<p>No processo, as páginas da transcrição do interrogatório confirmam que Emerson Jhuan “admite que criou uma história de que ela estaria em perigo de vida, mas tudo com o intuito de se aproximar sentimentalmente da mesma”.</p>



<p>Algumas linhas abaixo, ele dá mais detalhes da narrativa que inventou: “&#8230;havia descoberto um plano do marido contra a vida dela e que gostaria de oferecer proteção a sua vida (&#8230;) queria que a vítima sempre solicitasse a sua presença física para fazer sua ‘segurança’, sempre com intuito de estar perto dela; que toda a história contada é inverídica”.</p>



<p>Ele também confessou que, para impressionar o alvo, “mentiu quando falou que estaria de serviço” do trabalho como policial militar. Mentiu também quando falou que trabalhou por sete anos no Batalhão de Trânsito e quando disse que era “caveira”.</p>



<p>Sobre as munições de uso restrito apreendidas em sua residência, Emerson disse que “acredita que esqueceu no bolso após ter frequentado algum stand de arma de fogo”. Em relação aos demais itens policiais apreendidos, Emerson respondeu que havia comprado na &#8220;feira do troca&#8221; e que eles seriam para “gravar vídeos de personagens policiais”.</p>



<p>Sobre o distintivo que aparece usando nas imagens de câmera de segurança anexadas ao inquérito, conforme atestou a vítima em depoimento, o influenciador digital disse que o achou descartado no lixo.</p>



<p>Emerson disse à polícia que não anda armado, mas que já teve um armamento de <em>airsoft</em> (umjogo onde os jogadores participam de simulações de operações policiais ou militares com armas de pressão que atiram projéteis plásticos). O influenciador digital também admitiu que não tem relação de confiança com a governadora, nem com a vice-governadora. Ao fim do depoimento, ele disse que está sofrendo perseguição política por causa do seu “trabalho investigativo”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Arrependido&#8221;</h3>



<p>Emerson Jhuan atendeu ao pedido da equipe de reportagem para se posicionar em relação à decisão da Justiça de levá-lo a julgamento. Ele confirmou a sequência de fatos verificados na investigação do GOE, mas diz que está de “cabeça erguida” porque se arrependeu do que fez.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Leia abaixo a íntegra da resposta enviada pelo influenciador digital:</li>
</ul>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>&#8220;Agradeço contato e, sobretudo, pelo respeito ao direito à ampla resposta, princípio fundamental para o exercício responsável do jornalismo.</p>
<p>Sobre a conclusão do inquérito conduzido pelo Grupo de Operações Especiais (GOE) e seu desdobramento em ação penal, recebo com naturalidade e de cabeça erguida, ciente das minhas responsabilidades e preparado para assumir as consequências dos meus atos. Em nenhum momento neguei os fatos constantes nos autos, até porque houve, de minha parte, arrependimento sincero. Inclusive, já tive a oportunidade de pedir desculpas à vítima, o que fiz de forma direta e respeitosa.</p>
<p>Em relação às tentativas de notificação, esclareço que, embora eu não resida mais no endereço anteriormente informado, continuo tendo vínculo com o imóvel e recebo correspondências normalmente. Além disso, meu endereço atual e os contatos dos meus advogados estão devidamente disponibilizados à Justiça, e já fui intimado em outras ocasiões, tanto por meio eletrônico quanto presencialmente. Por isso, coloco-me, como sempre estive, à disposição para todos os esclarecimentos necessários.</p>
<p>Agradeço novamente pela oportunidade de me manifestar.&#8221;</p>
	</div>



<p></p>



<p><br></p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Centro de Mulheres do Cabo encerra campanha &#8220;Rompa o Silêncio! Você Não Está Sozinha&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/centro-de-mulheres-do-cabo-encerra-campanha-rompa-o-silencio-voce-nao-esta-sozinha/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 15:26:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Centro de Mulheres do Cabo]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, as integrantes do Centro das Mulheres do Cabo (CMC) e do Comitê de Monitoramento da Violência e do Feminicídio no Território Estratégico de Suape (Comfem), fazem o encerramento da campanha “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher: Rompa o Silêncio! Você Não [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Neste 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, as integrantes do Centro das Mulheres do Cabo (CMC) e do Comitê de Monitoramento da Violência e do Feminicídio no Território Estratégico de Suape (Comfem), fazem o encerramento da campanha “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher: Rompa o Silêncio! Você Não Está Sozinha”.</p>



<p>A campanha percorreu as cidades de Sirinhaém, Palmares, Água Preta, Rio Formoso, Ribeirão, Escada, Cabo de Santo Agostinho realizando rodas de diálogos, seminários e atos na região da Mata Sul de Pernambuco.</p>



<p>De acordo com Izabel Santos, coordenadora do CMC, é urgente que as mulheres saíam às ruas exigindo uma vida sem violência: “não admitimos esse extermínio contra as mulheres todos os dias. O nosso país é o quinto no ranking que mais mata a população feminina no mundo. Pernambuco registrou quase 80 feminicídios este ano. Em 2024, 1.492 mulheres foram vítimas desse crime cruel”.</p>
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		<title>MPPE denuncia PM por estupro e perícia encontra sêmen de outros homens em posto policial no Cabo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Nov 2025 20:20:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O caso da mulher de 48 anos estuprada dentro do posto do Batalhão de Polícia Rodoviária no Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco, teve mais dois capítulos importantes. Nesta quarta-feira, 12 de novembro, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da Central de Inquéritos da Capital, denunciou o subtenente Luciano Valério de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O caso da mulher de 48 anos <a href="https://marcozero.org/advogadas-pedem-afastamento-imediato-de-pm-acusado-de-estupro-em-posto-policial-no-litoral-sul/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estuprada dentro do posto do Batalhão de Polícia Rodoviária</a> no Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco, teve mais dois capítulos importantes. Nesta quarta-feira, 12 de novembro, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da Central de Inquéritos da Capital, denunciou o subtenente <a href="https://marcozero.org/subtenente-acusado-de-estupro-em-blitz-se-apresenta-e-e-preso/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Luciano Valério de Moura</a>, 49 anos, pelos crimes de estupro e de prevaricação. Ele agora passa a responder formalmente pelas acusações.</p>



<p>Além disso, a perícia encontrou sêmen de outros homens em mais de um local dentro do alojamento onde o fato aconteceu, em outubro. O material genético achado em colchões não é compatível com o de Luciano, preso preventivamente no último dia 15.</p>



<p>Na avaliação de Maju Leonel, advogada da vítima, a conclusão pericial sugere um alerta.“Por que tem sêmen em mais de um colchão num posto policial como aquele? Seria essa a razão de os outros dois policiais de plantão terem se recusado a fornecer espontaneamente seu material genético? Existem outras vítimas?”, questiona.</p>



<p>“A vítima já havia me adiantado que seria muito improvável que os vestígios encontrados fossem da situação dela, já que o que ele (Luciano) fez com ela não foi na cama. Então o fluido seria decorrente de outras circunstâncias”, comenta. Segundo a mulher, o subtenente Luciano obrigou-a a fazer sexo oral nele para ser liberada após a constatação de débitos no veículos que ela conduzia. No vestido da mulher, não foi encontrado material genético diverso ao delasuficiente para identificação, de acordo com a perícia, a qual a <strong>Marco Zero</strong> teve acesso.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Relembre o caso</span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p><em>A vítima estava conduzindo seu carro em direção a praia de Gaibu no dia 10 de outubro. Ao chegar ao posto policial, na PE-60, ela foi parada numa blitz composta por três PMs. A mulher entregou os documentos a um deles, que informou que, por constar, no sistema, um débito referente ao licenciamento, o carro teria que ser apreendido.</em></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><em>Por ordem do policial, a vítima saiu do carro e, no pátio externo do posto, explicou que desconhecia a dívida por ter comprado o veículo há pouco tempo. Então foi conduzida para dentro da unidade. No caminho, o policial disse aos dois colegas que ela iria “beber água” – a vítima sequer havia mencionado que estava com sede.</em></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><em>Ao entrar em um quarto com dois beliches, o terror começou. O PM apagou a luz e tentou penetrá-la. A mulher resistiu, mas foi obrigada a fazer sexo oral no policial, que ejaculou em sua boca e a obrigou a beber água para limpar os resíduos. “Beba água para tirar a gala da boca”, teria dito. Enquanto isso, os outros dois PMs, do lado de fora, nada fizeram.</em></p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<p>“É extremamente grave a gente localizar em colchões diversos, dentro de um posto policial, a presença de sêmen. Definitivamente, ainda que não possa estar havendo algum ato delitivo propriamente dito no espaço, está havendo condutas impróprias”, coloca Maju. “Então é importante que a Corregedoria averigue essa situação, inclusive porque, desde que a vítima relatou o caso, ela fala que o acusado olha para os outros dois policiais e fala que ela vai beber água. Desde o início, a gente tem dúvidas de que isso possa eventualmente ser um código”, cobra.</p>



<p>O inquérito, sob responsabilidade da major Luciana de Oliveira Moraes, ainda não foi concluído. Ela solicitou postergação do prazo de entrega porque ainda aguarda outras perícias. “Mas, até então, há, por parte da autoridade policial, pelo menos é o que mostra os encaminhamentos que vêm sendo demonstrados no documento, que há indícios já suficientes de autoria e materialidade de que o crime ocorreu”, afirma Maju.</p>



<p><strong>Confira a nota da Secretaria de Defesa Social:</strong></p>



<p><em>Todo o processo segue em andamento, observando o devido rigor técnico e legal necessário à apuração. Importante ressaltar que desde o primeiro momento da denúncia, a Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social instaurou um Processo Administrativo Disciplinar Militar (PADM) para aferir, sob o aspecto ético-disciplinar, a conduta do policial indicado como suposto agressor, bem como dos demais militares integrantes da equipe que atuava no local. Na esfera jurídico-penal, a Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) concluiu e remeteu o inquérito ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que já ofereceu denúncia na Justiça Militar.</em></p>



<p><em>A SDS atuou de imediato para que todas as medidas cabíveis fossem adotadas com o devido rigor, assegurando a responsabilização do fato, e reitera que não compactua com qualquer tipo de violência, repudiando veementemente condutas que violem os direitos humanos e os princípios que regem a atividade policial.</em></p>



<p>Matéria atualizada em 14 de novembro de 2025, às 14h21</p>
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		<title>Estado diz que suspeito de estupro foi afastado, mas PM nega informações à OAB e advogada da vítima</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Oct 2025 21:56:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após três dias do registro da ocorrência e do reconhecimento pela vítima do policial acusado de estupro dentro do posto do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) durante uma abordagem de blitz, o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, foi a público informar o reconhecimento e afastamento do militar. Muitas lacunas, porém, ainda não [&#8230;]</p>
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<p>Após três dias do registro da ocorrência e do reconhecimento pela vítima do policial acusado de estupro dentro do posto do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) durante uma abordagem de blitz, o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, foi a público informar o reconhecimento e afastamento do militar. Muitas lacunas, porém, ainda não foram preenchidas, segundo a defesa da vítima e a Comissão de Direitos Humanos da OAB-PE. O caso aconteceu no último fim de semana no Cabo de Santo Agostinho, litoral sul do estado. <br><br>Eram 8h2min quando a <strong>Marco Zero</strong> recebeu por e-mail uma nota oficial da PM anunciando que iria afastar o policial assim que ele fosse identificado, algo que a vítima já tinha feito quando estava na Delegacia da Mulher do Cabo, no sábado (11) à noite. Às 14h28min, o Jornal do Commercio publicou, em seu site, <a href="https://jc.uol.com.br/colunas/seguranca/2025/10/14/pm-suspeito-de-estuprar-mulher-em-batalhao-no-grande-recife-e-afastado-das-atividades.html">declaração do secretário de Defesa Social</a> assegurando que o policial militar havia sido afastado de suas funções.</p>



<p>Naquele momento, no entanto, dois dos três plantonistas presentes no posto policial da PE-60 no momento do estupro estavam fardados começando a prestar depoimento após uma fracassada sessão de reconhecimento no Quartel do Derby, zona norte da capital. O terceiro plantonista do posto do BPRv da rodovia PE-60 na noite do estupro não compareceu para a sessão de reconhecimento formal. Intimado, alegou estar de licença médica por ter sofrido uma queda no final de semana.  </p>



<p>No final da tarde, pouco depois das 17h, em entrevista para emissoras de televisão, Carvalho considerou “inadmissível a violência praticada por um agente do Estado no interior de uma repartição pública”, mas garantiu que “é uma exceção, pois repudiamos de forma veemente e todas as providências estão sendo tomadas”. Ele disse que determinou o afastamento do suspeito e de toda sua equipe.</p>



<p>A advogada Maju Leonel e a presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB-PE, Nara Santa Cruz Oliveira, afirmaram que, em nenhum momento, o afastamento do acusado foi informado a elas ou sequer confirmado pelos oficiais que conduziam os procedimentos. Maju passou a tarde acompanhando a vítima no Quartel do Derby.</p>



<p>Nara questiona o argumento da PM de só ter tomado conhecimento dos fatos na segunda (13), quando a vítima registrou BO na Delegacia da Mulher do Cabo no sábado (11), um dia após o acontecido. &#8220;Não tomaras as providências cabíveis nem fizeram os encaminhamentos necessários, inclusive os de acessar os serviços de saúde e exame de corpo delito. Nada disso foi feito&#8221;, relata.</p>



<p>&#8220;Como assim os policiais foram afastados sendo que dois dos plantonistas no momento do crime passaram o dia fardados prestando depoimento no Quartel do Derby. E o outro está de atestado médico? Onde está o ofício com a comprovação do afastamento?&#8221;, indaga a representante da OAB-PE.  </p>



<p>&#8220;Oficialmente o afastamento não consta em nenhum dos inquéritos, nem o aberto pela Polícia Militar nem pela Polícia Civil&#8221;, diz Maju. &#8220;Quem fez o requerimento de afastamento?&#8221;, questiona, afirmando que não foi informada, até o momento, de qualquer perícia ou apresentação de provas.</p>



<p>As advogadas também afirmaram que o comando da corporação se recusou a fornecer o nome dos suspeitos e dos outros policiais que estavam de plantão na noite do crime. As demais informações solicitadas pelas advogadas também foram negadas. “Não temos acesso ao inquérito, aos procedimentos que estão sendo realizados, a nada”, queixou-se Maju.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/advogadas-pedem-afastamento-imediato-de-pm-acusado-de-estupro-em-posto-policial-no-litoral-sul/" class="titulo">Advogadas pedem afastamento imediato de PM acusado de estupro em posto policial no litoral sul</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/genero/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Gênero</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Enquanto acontecia a inútil tentativa de reconhecimento, mulheres parlamentares e lideranças políticas como Dani Portela (PSOL), Rosa Amorim (PT), Cida Pedrosa (PCdoB), Liana Cirne (PT) e Jô Cavalcanti (PSOL) aumentaram a pressão sobre a governadora Raquel Lyra (PSD). Até o cantor e compositor Chico César repostou uma publicação da advogada da vítima em suas redes sociais. </p>



<p>A governadora, contudo, preferiu se manter em silêncio, apesar de considerar a redução da violência contra a mulher uma das três prioridades do seu programa Juntos pela Segurança.</p>





<p>Em nova nota, no início da noite desta terça (14), a PM informou que o crime imputado é de natureza militar, por ter sido supostamente cometido por um militar de serviço, em área sob administração militar. Por essa razão, o caso está sendo investigado pela DPJM, que conduz os procedimentos necessários para esclarecer os fatos.</p>



<p>Ao final do processo, caso as denúncias sejam comprovadas, os envolvidos responderão conforme a legislação em vigor, com penas que variam de punições disciplinares à perda do cargo público. O Inquérito Policial Militar está sendo presidido por uma Oficial Superior Feminina, da DPJM Mulher, especialmente designada para o feito.</p>
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		<title>Segurança pública é o maior problema do Brasil para 8 em cada 10 mulheres nordestinas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 May 2025 19:49:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança Pública]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Nordeste, 82% das mulheres consideram a segurança pública o principal problema do Brasil. É o que revela a pesquisa Mulheres em Diálogo, realizada pelo Instituto Update em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA, que investigou percepções femininas em diferentes regiões do país. O dado reforça a gravidade do tema especialmente entre as nordestinas, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No Nordeste, 82% das mulheres consideram a segurança pública o principal problema do Brasil. É o que revela a pesquisa <em>Mulheres em Diálogo</em>, realizada pelo Instituto Update em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA, que investigou percepções femininas em diferentes regiões do país. O dado reforça a gravidade do tema especialmente entre as nordestinas, que também demonstram forte preocupação com a saúde pública e a falta de acesso a serviços essenciais.</p>



<p>Considerando o levantamento nacional da pesquisa, 77% das mulheres do Brasil apontam a segurança como a maior preocupação. A aflição é mais forte entre mulheres de 35 a 44 anos e acima dos 60, com mais de 80% desses grupos destacando o tema. De acordo com o estudo, a preocupação atinge mulheres de diferentes classes sociais, faixas etárias e aspectos políticos ideológicos.</p>



<p>“Questões como igualdade salarial e segurança refletem preocupações universais entre as mulheres brasileiras e podem ser a base para ações que promovam avanços nos direitos das mulheres”, afirma Carolina Althaller, diretora executiva do Instituto Update.</p>



<p>A saúde também é prioridade para boa parte das entrevistadas — principalmente no Nordeste (57,5%) e Centro-Oeste (56,9%). Entre as nordestinas, destaca-se o engajamento com pautas relacionadas à melhoria da infraestrutura e do acesso ao atendimento médico.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Consensos e divisões</strong></h2>



<p>O consenso mais forte revelado pela pesquisa diz respeito à igualdade salarial: 94% das mulheres concordam total ou parcialmente que homens e mulheres devem receber a mesma remuneração por cargos equivalentes. Já a saúde figura entre as três maiores preocupações para 47% das brasileiras. A desinformação (<em>fake news</em>) aparece como preocupação relevante para mulheres com maior escolaridade, sobretudo no Sul do país.</p>



<p>A representatividade feminina na política também conta com apoio expressivo: 72% das entrevistadas defendem o aumento da presença de mulheres em cargos políticos.</p>



<p>Apesar dos diversos pontos de consenso, a pesquisa revela divisões marcantes em temas morais e ideológicos. Apenas 48% das entrevistadas se identificam como feministas, enquanto 43% rejeitam essa identidade. A adesão ao feminismo é maior entre jovens de 16 a 44 anos, com ensino médio ou superior e pertencentes às classes AB e C. Já entre mulheres mais velhas, evangélicas e de classes D/E, o termo é amplamente rejeitado.</p>



<p>A descriminalização do aborto enfrenta ampla rejeição: somente 16% das mulheres apoiam a medida. Mesmo entre as que se consideram progressistas, 61% são contrárias à legalização. Entre as conservadoras, esse índice chega a 82%. O índice sobe ainda mais entre mulheres que são mães — 85% rejeitam a legalização. Apesar disso, a maioria das entrevistadas é contrária à prisão de mulheres que realizam o procedimento fora das exceções legais.</p>



<p>Outro ponto de divergência é a influência religiosa nas decisões políticas. Para 53% das mulheres, valores religiosos devem orientar decisões políticas; 43% discordam. Evangélicas e católicas praticantes tendem a apoiar essa influência, enquanto mulheres sem religião e católicas não praticantes são majoritariamente contrárias.</p>



<p>Para a diretora do Instituto Update, os dados revelam tanto caminhos para as possibilidades de diálogo quanto a complexidade da realidade feminina. “Compreender como idade, religiosidade e classe social moldam as percepções é essencial para promover um diálogo respeitoso e produtivo a fim de construir soluções que representem verdadeiramente a diversidade de experiências femininas no Brasil”, analisa Carolina Althaller.</p>



<p>A pesquisa <em>Mulheres em Diálogo</em> contou também com a colaboração da cientista política Camila Rocha e da cientista social Esther Solano, e <a href="https://www.institutoupdate.org.br/proyecto/mulheres-em-dialogo/">está disponível na íntegra no site do Instituto Update</a>.</p>
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		<title>Estudantes de Publicidade criam campanha de enfrentamento da violência contra a mulher</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Apr 2025 19:43:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Centro das mulheres do cabo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudantes de Publicidade e Propaganda de uma faculdade particular criaram uma campanha para enfrentar a violência contra a mulher em Pernambuco. O que deveria ser apenas um trabalho acadêmico para uso interno no curso ficou tão impactante que o Centro de Mulheres do Cabo (CMC), organização que atua há 41 anos na defesa dos direitos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Estudantes de Publicidade e Propaganda de uma faculdade particular criaram uma campanha para enfrentar a violência contra a mulher em Pernambuco. O que deveria ser apenas um trabalho acadêmico para uso interno no curso ficou tão impactante que o Centro de Mulheres do Cabo (CMC), organização que atua há 41 anos na defesa dos direitos das meninas e mulheres em Pernambuco, decidiu adotá-lo e utilizar o conjunto de peças publicitárias.</p>



<p>A Campanha foi desenvolvida por estudantes do 3⁰ Período do Curso de Publicidade e Propaganda da Unibra. Um dos produtores foi o estudante universitário Naftali Emídio, que revelou a razão da escolha do tema abordado. “Acreditamos que nossa campanha ‘Rompa o silêncio! Você não está sozinha!’, é mais que um apelo, é um chamado para romper o silêncio e dizer que elas não estão sozinhas, pois cada segundo pode fazer a diferença”, explicou o estudante.</p>



<p>Os estudantes usaram como ponto de partida para construir a campanha a informação de que, a cada 17 horas, uma mulher morreu em razão do gênero em 2024, nos nove estados do Nordeste, segundo a Rede de Observatórios da Segurança.</p>



<p>O objetivo do CMC ao lançar a campanha é contribuir para mudar a realidade de Pernambuco, o estado que mais matou mulheres no ano passado, foram 77 mulheres que tiveram suas vidas ceifadas pelo feminicídio, sendo notificados 341 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) em todo o estado pela Secretaria de Defesa Social (SDS/PE). Este ano, 29 mulheres já foram vítimas do feminicídio nesses primeiros três meses.<br><br>Para isso, foram produzidos conteúdos nas linguagens online e <em>offline</em> que são <em>spots</em> de rádio, fotos, cards, marcadores de páginas e um comercial publicitário que irá circular nas tvs comerciais e públicas da Região Metropolitana do Recife (RMR).<br><br>Quem quiser conhecer mais sobre a iniciativa, basta acessar as redes sociais da ong <a href="https://www.instagram.com/centro.das.mulheres?igsh=MWtrNXRvajdiYTdzbw==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@centro.das.mulheres</a> ou o site <a href="https://www.mulheresdocabo.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">www.mulheresdocabo.org.br</a><br><br><br></p>
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		<item>
		<title>Centro das Mulheres do Cabo e Rádio Mulher fazem aniversário nesta terça, 25 de março</title>
		<link>https://marcozero.org/centro-das-mulheres-do-cabo-e-radio-mulher-fazem-aniversario-nesta-terca-25-de-marco/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2025 19:31:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Centro de Mulheres do Cabo]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação Comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta terça-feira (25), o Centro das Mulheres do Cabo (CMC), realiza um Seminário no Centro de Formação Elmo de Freitas, a partir das 14h, celebrando 41 anos em dose dupla. A organização feminista que se tornou referência do feminismo na Região Metropolitana do Recife tem, há 27 anos, o Programa Rádio Mulher como principal estratégia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nesta terça-feira (25), o Centro das Mulheres do Cabo (CMC), realiza um Seminário no Centro de Formação Elmo de Freitas, a partir das 14h, celebrando 41 anos em dose dupla. A organização feminista que se tornou referência do feminismo na Região Metropolitana do Recife tem, há 27 anos, o Programa Rádio Mulher como principal estratégia de comunicação . </p>



<p>O programa teve sua primeira edição no dia 25 de março de 1997, em Palmares, na Mata Sul de Pernambuco, com o objetivo de levar informações qualificadas sobre violência contra a mulher, direitos sexuais, reprodutivos, políticas públicas e o empoderamento para as mulheres da zona canavieira vítimas do machismo e patriarcado. Rádio Mulher vai ao ar de segunda a sexta, das 8h às 8h55, na Rádio Comunitária Calheta FM 98.5.</p>



<p>Este ano, o programa completa 27 anos de existência, sendo uma voz na luta pelos direitos das mulheres e populações vulneráveis que utilizam a comunicação comunitária como um instrumento de denúncia e controle social conforme destaca a coordenadora e locutora do Rádio Mulher, Manina Aguiar.</p>



<p>“O Rádio Mulher foi um marco no campo da comunicação e da organização das mulheres na Mata Sul e dos municípios vizinhos onde a programação era sintonizada. Ficamos por sete anos naquela região marcada por um alto grau de analfabetismo que prejudicava a vida das mulheres e suas filhas e filhos. Em 2005, trouxemos a experiência para ser realizada no município do Cabo, onde levamos todos os dias informações que garantam uma vida melhor para meninas, mulheres e populações vulnerabilizadas”, afirmou a co municadora.</p>



<p>O Rádio Mulher pode ser ouvido também pela página do <a href="https://www.facebook.com/centrodasmulheresdocabo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">facebook.com/centrodasmulheresdocabo</a> ou Instagram<a href="https://www.instagram.com/centro.das.mulheres?igsh=MWtrNXRvajdiYTdzbw==" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> centro.das.mulheres.</a> Quem quiser também pode sintonizar através do aplicativo da rádio. A programação é temática com destaque para as sextas especiais com pautas ligadas aos direitos das juventudes, LGBTTs, meio ambiente e a volta do Rádio Mulher na Mata Sul.</p>



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