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	<title>Arquivo de Saúde - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivo de Saúde - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Indígenas pankará se preparam para cultivar maconha medicinal no sertão de Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 21:36:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[maconha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pela primeira vez no Brasil, um povo indígena se organiza para produzir medicamentos à base de maconha de forma institucionalizada. No sertão de Pernambuco, o povo Pankará Serrote dos Campos deu início à criação da Associação Indígena de Medicina Ancestral para Cannabis Medicinal e Cânhamo Industrial (Acarapuá), iniciativa que pretende viabilizar o cultivo da planta [&#8230;]</p>
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<p>Pela primeira vez no Brasil, um povo indígena se organiza para produzir medicamentos à base de maconha de forma institucionalizada. No sertão de Pernambuco, o povo Pankará Serrote dos Campos deu início à criação da Associação Indígena de Medicina Ancestral para Cannabis Medicinal e Cânhamo Industrial (Acarapuá), iniciativa que pretende viabilizar o cultivo da planta para fins terapêuticos dentro do território.</p>



<p>A associação já possui estatuto e Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e agora inicia uma longa jornada jurídica e técnica para obter autorização judicial para o plantio. Os pankará vivem no município de Itacuruba, a quase 500 quilômetros do Recife. </p>



<p>O pajé Geraldo Leal relata que o povo deixou de cultivar maconha há décadas por medo da criminalização. Segundo ele, a planta fazia parte dos saberes terapêuticos tradicionais da comunidade. “Como a maconha é proibida, ninguém mais quer nos dar raízes e ser descoberto”, lamenta.</p>



<p>Para os pankará, a retomada do cultivo representa não apenas a busca por novos tratamentos de saúde, mas também a recuperação de conhecimentos tradicionais interrompidos pela política de proibição das drogas no país.</p>



<p>A criação da Acarapuá resulta de um projeto coordenado pelo Centro de Prevenção às Dependências (CPD), organização não governamental que recebeu uma emenda parlamentar do deputado estadual João Paulo (PT) para estruturar a associação.</p>



<p>Para Ana Glória Melcop, coordenadora do CPD, a iniciativa possui também um caráter de reparação histórica. “A cannabis entrou no Brasil por africanos escravizados e logo os indígenas também começaram a usá-la para fins medicinais. Foram perseguidos, presos e mortos pelo plantio e pelo uso. Hoje trabalhar e ter essa associação é uma reparação, é um dever que a sociedade e o Estado brasileiro têm com os povos indígenas”, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O caminho para a autorização judicial</h2>



<p>Embora a associação já esteja formalizada, o caminho até o cultivo efetivo ainda deve levar alguns anos. Atualmente não existe no Brasil um marco regulatório consolidado para associações de maconha medicinal produzirem seus próprios medicamentos. Segundo a advogada da Aliança Medicinal e vice-presidente da Comissão de Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE), Lyane Menezes, as autorizações existentes têm sido obtidas por meio de decisões judiciais.</p>



<p>“Não existe hoje um caminho regulatório consolidado. O que existe são autorizações obtidas judicialmente, seja por ações cíveis ou por habeas corpus coletivos”, explica. Segundo ela, existem mais de 300 associações de cannabis no Brasil, mas apenas cerca de 30 conseguiram autorização judicial para cultivar a planta.</p>



<p>O primeiro passo dos pankará foi constituir juridicamente a associação. Agora lideranças indígenas participam de processos de formação técnica e científica para estruturar o projeto. Na última semana, um grupo formado por lideranças, entre elas agrônomos e o pajé Geraldo Leal, participou de uma capacitação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), parceira da iniciativa. </p>



<p>Durante as atividades, professores do Departamento de Farmácia apresentaram os princípios ativos da cannabis, métodos de extração e boas práticas de fabricação de medicamentos. “Mostramos como obter preparados, extratos e outros produtos para fins medicinais que vão ajudar o povo pankará”, explica a professora Larissa Rolim, pesquisadora da cannabis sativa na UFPE.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Reunião de fundação da associação Aracauá
</p>
	                
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<p>“Foi muito bom aprender de cada coisa um pouquinho e conhecer a utilidade da maconha para o ser humano”, comemora o pajé Geraldo Leal.</p>



<p>Além da formação acadêmica, as lideranças visitaram, nesta quinta-feira, 18 de junho, a associação de pacientes Aliança Medicinal, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife, onde conheceram experiências de cultivo e produção de derivados da maconha. Segundo o diretor-executivo da Aliança Medicinal, Ricardo Hazin Asfora, a próxima etapa será identificar, dentro do território indígena, os pacientes que poderão ser beneficiados pelo tratamento e capacitar os profissionais de saúde que atendem as aldeias.</p>



<p>“A associação precisa demonstrar a necessidade do uso medicinal entre os pacientes. A partir disso, o jurídico poderá ingressar com ações judiciais solicitando autorização para o cultivo&#8221;, explica. De acordo com Hazin, somente após obter autorização judicial será possível iniciar o plantio experimental e a produção dos primeiros extratos medicinais.</p>



<p>Posteriormente a associação poderá tentar integrar o chamado sandbox regulatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mecanismo criado para estudar e testar modelos de regulamentação para associações de pacientes.</p>
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		<title>Sábado, dia 30 de maio, vai ter Marcha da Maconha no centro do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 19:39:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Cannabis sativa]]></category>
		<category><![CDATA[maconha]]></category>
		<category><![CDATA[Marcha da Maconha Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Recife será palco, neste sábado (30), de mais uma edição da Marcha da Maconha, movimento que desde 2008 reúne vozes em defesa da legalização e regulamentação da cannabis no Brasil. Com concentração marcada para as 14h na Praça do Derby, os participantes seguem em passeata às 16h20 até o caranguejo da rua da Aurora, [&#8230;]</p>
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<p>O Recife será palco, neste sábado (30), de mais uma edição da Marcha da Maconha, movimento que desde 2008 reúne vozes em defesa da legalização e regulamentação da <em>cannabis</em> no Brasil. Com concentração marcada para as 14h na Praça do Derby, os participantes seguem em passeata às 16h20 até o caranguejo da rua da Aurora, tudo com aval das autoridades públicas e ofício devidamente enviado à Polícia Militar.</p>



<p>O tema deste ano é direto: &#8220;Usuário não é criminoso: em luta por liberdade, reparação e direitos&#8221;. A ideia é colocar em debate as consequências das políticas de drogas no Brasil e como a criminalização tem atingido, sobretudo, negros e periféricos. “A chamada guerra às drogas nunca foi sobre substâncias. Foi e segue sendo uma política de controle social, que criminaliza e encarcera em massa corpos negros e periféricos”, afirma Joanna Santos, uma das organizadoras.</p>



<p>A marcha, que acontece desde 2008 e é uma das mais antigas do país, chega em um momento crucial: o debate em torno da PEC 45, a chamada &#8220;PEC das drogas&#8221;. A proposta surgiu como resposta do Senado à decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o porte de maconha para consumo pessoal — até 40 gramas ou seis plantas fêmeas. Mas a PEC 45 incluiu na Constituição a criminalização da posse de qualquer quantidade de droga, deixando ao juiz a decisão de quem é usuário e quem é traficante.</p>



<p>Entre as pautas da marcha estão o fim do proibicionismo, a descriminalização de usuários, a legalização da cannabis com justiça econômica, o desencarceramento por crimes sem violência, a reparação histórica às populações criminalizadas, o cultivo doméstico e associativo, o acesso à cannabis medicinal e políticas de redução de danos.</p>



<p>Joanna reforça que o impacto da política proibicionista é ainda mais violento para mulheres negras, periféricas, pessoas trans, travestis, não binárias e LGBTQIAPN+. &#8220;São esses corpos que sustentam famílias diante do encarceramento em massa, enfrentam a violência institucional e muitas vezes são criminalizadas em contextos de sobrevivência.&#8221;</p>



<p></p>
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		<title>Acompanhamos uma reunião de grupo de apoio a viciados em apostas online e jogos de azar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 20:22:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bets]]></category>
		<category><![CDATA[endividamento]]></category>
		<category><![CDATA[Jogadores anônimos]]></category>
		<category><![CDATA[Jogos online]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Acostumada com a incessante publicidade de bets em outdoors, no celular, comerciais de TV, merchandising em canais de YouTube, camisas de jogadores de futebol, eventos públicos e até em blocos de carnaval, me chamou a atenção, quando caminhava pelas ruas de Caruaru, a discreta placa informando dia e hora das reuniões dos Jogadores Anônimos (JA) [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Acostumada com a incessante publicidade de bets em outdoors, no celular, comerciais de TV, <em>merchandising</em> em canais de YouTube, camisas de jogadores de futebol, eventos públicos e até em blocos de carnaval, me chamou a atenção, quando caminhava pelas ruas de Caruaru, a discreta placa informando dia e hora das reuniões dos Jogadores Anônimos (JA) na frente da Associação Municipal Espírita. Entrei, bati na porta, me apresentei como jornalista e perguntei se poderia acompanhar uma das reuniões. Recebi &#8220;sim&#8221; como resposta e o resultado vocês vão ler a partir de agora.<br><br>Desde que foi inaugurado, em 24 de março de 2025, o grupo de apoio JA de Caruaru, todos os sábados, a partir das 18h, recebe e acolhe pessoas do município e de outras cidades do Agreste que sofrem com a compulsão por jogos de azar e apostas online. Localizado na Avenida Professor José Leão, nº 567, no bairro Maurício de Nassau, o grupo funciona sob uma dinâmica conhecida como &#8220;terapia de espelho&#8221;, onde cada dependente tem um tempo determinado para relatar seu histórico e dificuldades enfrentadas com o vício, enquanto os demais escutam em silêncio e refletem sobre a própria compulsão. Ali, estão pessoas que apostam compulsivamente em jogos de cartas, dominó, jogo do bicho, cassinos online e inúmeros outros jogos de azar virtuais propagados pelas bets por toda parte.</p>



<p>Recentemente, participei de uma das reuniões do JA em Caruaru e conheci Alberto José, 42, e Lucilia Marcelino, 34, frequentadores do grupo que compartilham relatos de compulsão por jogos online que mostram como a ilusão de ganho rápido e constante vendida pelas plataformas de jogos online são uma armadilha para destruição financeira, emocional e social.</p>



<p>Pela manhã, Alberto trabalha como recepcionista numa clínica de psicologia e, a partir das 17h, como motorista de aplicativo. Boa parte do dinheiro que recebe se dedicando a estas duas funções vai direto para plataformas de apostas. O que sobra, fica para despesas pessoais essenciais e para ajudar a manter a casa onde vive com um sobrinho universitário. Alberto revela que tem vivido no limite, lutando para equilibrar as contas e buscando saídas para controlar a compulsão. “Eu tenho essas fontes de renda e, mesmo assim, não tenho nada. Todo o meu dinheiro some instantaneamente. Graças a Deus, eu tenho conseguido manter as contas de casa e a alimentação. Mesmo assim, aos trancos e barrancos”.</p>



<p>Alberto é um integrante recente do JA, faz poucas semanas que começou a participar das reuniões. Buscou a ajuda do grupo por perceber que a sua compulsão estava evoluindo para uma crise financeira e pessoal que poderia se tornar irreversível. Ele chegou a apostar, de uma vez, todo o dinheiro que recebeu depois de um mês de trabalho. Deixou de pagar o aluguel, comprar comida e honrar outras dívidas que tinha. “Precisei apostar todo o meu salário de uma vez, deixar de pagar as minhas contas, pra parar e me perguntar aonde eu estava chegando. Aí, eu procurei ajuda, um freio pra mim. Foi aí que encontrei o JA aqui em Caruaru. Vindo pra cá, participando das reuniões, eu me sinto mais leve, sabe? Você consegue desabafar, colocar pra fora tudo aquilo que está te sufocando”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Gessica-bets-1024x693.jpeg" alt="A imagem mostra dois chaveiros plásticos transparentes sobre um tecido vermelho. Cada chaveiro tem detalhes coloridos — um com partes vermelhas e outro com amarelas — e contém um pequeno cartão branco com o desenho de duas mãos se cumprimentando, símbolo de apoio e solidariedade. Abaixo do desenho, lê-se o endereço “www.jogadoresanonimos.org.br”, indicando que são materiais do grupo Jogadores Anônimos, voltado à recuperação de pessoas com dependência em jogos." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Alberto e Lucília contaram suas histórias, mas pediram para não serem fotografados
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Géssica Amorim/Marco Zero Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Na busca por frear a sua compulsão pelas apostas, Alberto também chegou a bloquear o próprio CPF em todas as plataformas de jogos online ativas no país. Foi utilizando a <a href="https://www.gov.br/fazenda/pt-br/composicao/orgaos/secretaria-de-premios-e-apostas/autoexclusao">Plataforma Centralizada de Autoexclusão</a>, lançada pelo Governo Federal em dezembro de 2025. Um sistema que permite que você impeça, de uma só vez, que o seu próprio CPF tenha acesso a todos os sites de apostas autorizados a operar no Brasil. Mesmo assim, bloqueado em todas casas de apostas nacionais, Alberto não conseguiu parar de apostar. Ele buscou plataformas estrangeiras, que operam ilegalmente por aqui. “Hoje, eu ainda aposto. Estou buscando formas de me livrar disso, mas ainda não consegui parar de apostar. Bloqueei o meu CPF em casas de apostas brasileiras, mas procurei e passei a jogar nas plataformas chinesas. E elas não têm essa opção de bloqueio, não dá pra tentar parar assim. Elas estão ativas e a todo vapor”.</p>



<p>Segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, órgão responsável por autorizar, regulamentar e fiscalizar empresas do setor, no ano passado, mais de 25 mil sites ilegais de apostas online foram bloqueados no Brasil e 25,2 milhões de brasileiros fizeram apostas online. Lançada no início de dezembro do ano passado, apenas nos primeiros 40 dias após o lançamento, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão recebeu mais de 217 mil pedidos de bloqueio.</p>



<p>Alberto começou a apostar através de um link de indicação que recebeu de um amigo. Ele conta que o início foi despretensioso, que começou fazendo pequenas apostas, de valores baixos, e usava o jogo ao final do dia, depois do trabalho, como uma forma de &#8220;relaxar” e “se distrair&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sem controle, sem salário</h2>



<p>Já Lucília Marcelino, que frequenta o JA de Caruaru desde a sua fundação, começou a jogar em sites de apostas em abril de 2022, depois de perder o emprego. Ela foi atraída por propagandas que vendiam as plataformas não como jogos de azar ou apenas diversão passageira, mas como oportunidade de ter uma fonte de renda extra. Até aquele momento, ela nunca havia se aproximado de nenhum tipo de jogo de azar. “Eu nunca joguei, sempre detestei jogo. Mas, em abril de 2022, eu estava desempregada. E vendo aquelas propagandas na televisão, no Instagram, que aquilo ali também poderia ser uma fonte de renda, vi ali uma oportunidade”.</p>



<p>Como muitos apostadores que, inicialmente, enxergam as bets como um caminho para conseguir renda extra, Lucília também pensou que havia encontrado uma forma rápida, fácil e sustentável de ganhar dinheiro, acreditando que poderia controlar as suas perdas e ganhos. “Aí, eu me cadastrei e coloquei R$10. Desse valor, a plataforma me deu R$100. No outro dia, coloquei mais R$10 e ganhei R$200, depois R$500. E aquilo ali foi me deslumbrando de uma forma que eu dizia: &#8216;rapaz, eu passei a minha vida inteira estudando, trabalhando, para ganhar um salário mínimo, e aqui em poucos minutos eu ganho isso?&#8217; “.</p>



<p>Segundo levantamento da<a href="https://tunad.io/blog/bets-investem-mais-de-r-14-bilhao-em-midia-em-2025-e-reforcam-a-centralidade-da-tv-aberta/">Tunad,</a> plataforma que monitora o mercado publicitário com forte presença e cobertura nos principais mercados da América Latina, em 2025, as bets investiram mais de R$ 1,44 bi em propaganda. É o que podemos descrever como um fenômeno de onipresença publicitária: as casas de apostas estão estampadas nas camisas do times de futebol, nos intervalos da tv aberta, no rádio, nas ruas e no bombardeio de anúncios nas redes sociais, por onde capturam mais usuários.</p>



<p>Mesmo depois de voltar a trabalhar, Lucília continuou apostando. Ela conta que conseguiu um emprego de operadora de telemarketing e que, algumas vezes, chegou a apostar todo o seu salário de uma vez. “O salário caía à meia noite. Quando dava uma hora, uma e meia da manhã, eu já tinha zerado a conta. Não conseguia dormir enquanto eu não jogasse até o último centavo. Eu passava o resto do mês chorando, desesperada, sem saber como ia pagar o aluguel. Pedia dinheiro emprestado, fazia cartão de crédito no nome dos outros pra tentar recuperar o que tinha perdido em uma hora”.</p>



<p>Lucília começou a perder o controle da sua rotina, deixou de render no trabalho, passou a não dormir e até chegou a abandonar hábitos de higiene pessoal. “Eu passava a noite inteira jogando. No outro dia, eu estava no trabalho cochilando. Era acordada pelo supervisor. Perdi o amor próprio, eu deixei de escovar os dentes, de tomar banho. Eu vinha para o JA com uma calça rasgada porque não tinha dinheiro pra comprar roupa. Tudo o que eu conseguia, era pro jogo”.</p>



<p>Ela passou dois anos afastada do trabalho. Ao procurar ajuda psiquiátrica, depois de tentar suicídio por duas vezes, recebeu um laudo de ludopatia (doença caracterizada pelo vício incontrolável em jogos de azar). &#8220;Chegou num ponto que eu não via mais saída. A dívida dobrando, o nome sujo, o desespero de ter envolvido a minha família, meus irmãos, em tudo isso&#8230; Eu não aguentava mais esse peso. Foi aí que tentei o suicídio duas vezes, uma em julho de 2023 e outra agora, no começo do ano. Eu queria sumir, eu queria que aquela dor parasse.&#8221;</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Gessica-bet-3-1024x679.jpeg" alt="A imagem mostra uma sala de reuniões simples e organizada, com cadeiras pretas alinhadas voltadas para uma parede onde há cartazes com mensagens de apoio e reflexão, incluindo a Oração da Serenidade, os Doze Passos e as Doze Tradições, textos tradicionais de grupos de recuperação como Jogadores Anônimos e Alcoólicos Anônimos. Na frente da sala, uma mesa coberta com toalha vermelha exibe folhetos coloridos, documentos e um frasco de álcool em gel, indicando preparação para uma reunião. O ambiente é iluminado por lâmpadas fluorescentes, possui ventiladores de parede e um relógio." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Grupo se reúne em sala cedida pela Associação Espírita de Caruaru
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Géssica Amorim/Marco Zero Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A intervenção médica, o diagnóstico e o encontro com o JA foram determinantes para que Lucília conseguisse o apoio e compreensão da sua família para tentar se restabelecer psicológica e financeiramente. “Foi quando todo mundo entendeu que eu estava doente, que não era frescura, safadeza minha. Eu precisava de tratamento médico e de um grupo como o JA para conseguir sobreviver&#8221;.</p>



<p>Mesmo em tratamento e comparecimento regular às reuniões do grupo de Jogadores Anônimos de Caruaru, Lucília ainda está suscetível a recaídas. Para driblá-las, ela conta com o apoio do JA e, com adaptações, conseguiu uma maneira de administrar o próprio dinheiro. Hoje, ela procura não ter acesso remoto a contas bancárias e não utilizar o Pix para realizar transações ou receber qualquer quantia. “Eu não tenho Pix. Meu irmão é quem toma conta do meu dinheiro. Quando dá cinco horas da manhã, que entra algum dinheiro na minha conta, me dá uma agonia tão grande, que eu transfiro logo pra conta dele. Eu sei que, se o dinheiro ficar ali, a doença vai me dominar. E eu, hoje, só ando com dinheiro em papel”.</p>



<p>O programa de recuperação de JA, inspirado no modelo dos Alcoólicos Anônimos (AA), tem ajudado Alberto e Lucília a encontrarem diariamente o resgate da dignidade na vida cotidiana. Com base na partilha e vigilância constante, seguindo o lema “só por hoje”, a regra número um da irmandade para fragmentar o tempo e evitar a ansiedade, focando apenas no dia de hoje, no presente.</p>



<p>“A vitória maior, pra mim, é eu saber que hoje eu passei no mercado e fiz a feira da minha casa. Coisa que não fazia, não podia fazer. Passei três anos sem saber o que era fazer uma feira, comprar um desodorante, comprar um sabonete, um xampu. Agora, deito na minha cama e durmo em paz. Não tem dinheiro no mundo que pague a minha paz hoje&#8221;, celebra Lucília.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Quem são os Jogadores Anônimos </span>

		<p><!-- wp:paragraph -->O primeiro grupo de Jogadores Anônimos foi fundado em 24 de janeiro de 1957, em de Los Angeles, na Califórnia (EUA). A sua metodologia foi totalmente inspirada nos Alcoólicos Anônimos (AA), que já operava desde 1935, também nos Estados Unidos. No Brasil, as atividades oficiais dos Jogadores Anônimos tiveram início em  maio de 1993, com a fundação da primeira célula no Rio de Janeiro. Hoje, são dezenas de grupos espalhados pelo país.</p>
<p>Do AA, o JA adotou o conceito clínico e humanitário de que a compulsão não é uma falha de caráter, mas uma doença progressiva, que é incurável, mas controlável. O seu programa de reabilitação está estruturado de uma maneira a oferecer uma resposta terapêutica aos seus integrantes em duas frentes simultâneas. Uma imediata, focada na interrupção do ciclo de apostas e perdas, e outra de longo prazo, voltada para a reestruturação psicossocial e o tratamento das causas da dependência.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->O método não se baseia em conceitos abstratos de força de vontade, mas sim em diretrizes práticas e comportamentais projetadas para devolver a autonomia e a dignidade aos integrantes do grupo.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->É possível saber mais sobre os 12 passos para recuperação, as regras e garantias de anonimato e locais para encontros presenciais e virtuais acessando o <a href="http://www.jogadoresanonimos.com.br">www.jogadoresanonimos.com.br</a></p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<p></p>
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		<title>Receita de empatia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 15:24:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[petrolina]]></category>
		<category><![CDATA[saúde da família]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[SUS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em postagens nas redes sociais, repercutem as reportagens sobre um médico de Saúde da Família de Petrolina na Folha de S. Paulo, Globo, Record, Correio Braziliense. Há motivos para tamanha notoriedade: ele criou uma ferramenta online para elaborar receitas que facilitam a vida dos pacientes, ajudando as pessoas analfabetas ou com pouco letramento a entender [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em postagens nas redes sociais, repercutem as reportagens sobre um médico de Saúde da Família de Petrolina na Folha de S. Paulo, Globo, Record, Correio Braziliense. Há motivos para tamanha notoriedade: ele criou uma ferramenta online para elaborar receitas que facilitam a vida dos pacientes, ajudando as pessoas analfabetas ou com pouco letramento a entender o passo a passo do tratamento.</p>



<p>A tal ferramenta se traduz em um site chamado <a href="https://www.cuidadoparatodos.com.br/sobre" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cuidado para Todos</a> e possibilita aos médicos gerarem prescrições com desenhos, ícones e adesivos no lugar daqueles garranchos incompreensíveis. Em uma das matérias publicadas leio que o médico se chama Lucas Cardim e que, antes de criar o sistema com ajuda de um amigo de infância que hoje trabalha na Suíça como engenheiro de software do Google, ele perdia um tempão desenhando xícaras, sol, lua e colheres no receituário de papel.</p>



<p>As receitas desenhadas a mão já tinham rendido alguma repercussão em blogs locais, mas agora foi pra valer, viralizou a tal ponto que <a href="https://www.youtube.com/@drauziovarella">Dráuzio Varela o convidou para participar de um podcast em São Paulo</a>, gravado na terça-feira, 5 de maio. Na véspera, ele gravou sua participação no programa Caldeirão do Mion, da Rede Globo.</p>



<p>Vida de celebridade. Ou subcelebridade. No entanto, nada mais distante da personalidade e dos objetivos desse sujeito.</p>



<p>Depois que li as notícias e conversei um pouco com Cardim, percebi que o Cuidado para Todos é a síntese das motivações que levaram Cardim a fazer o Enem para Medicina, anos depois de concluir sua primeira graduação em Jornalismo.</p>



<p>Foi nessa época em que o conheci, quando fizemos juntos um livro para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Ele como fotógrafo e eu como escriba, percorremos Alagoas para contar o que estava por trás da redução dos números da mortalidade infantil. Graças aos burocratas da agência das Nações Unidas em Brasília, o que devia ser um instigante livro-reportagem se tornou um calhamaço burocrático, tão aborrecido quanto pretensioso. Mas isso é outra história, um mero comentário ácido repleto de recalque ou ressentimento.</p>



<p>O que importa agora é contar que as dezenas de visitas que fizemos a postos de saúde em vilarejos na beira de estrada e UTIs em maternidades públicas alagoanas encerraram a carreira do repórter-fotográfico Lucas Cardim e o levaram à medicina.</p>



<p>“Não sou capaz de melhorar a vida das pessoas com a fotografia, vou estudar para cursar Medicina. Como médico vou poder fazer alguma coisa”. Foram essas suas palavras – ou quase – quando me contou sobre a decisão que tomara. Não sei dizer se a maior inspiração veio do sentimento de indignação diante do péssimo exemplo de um médico que só aparecia uma vez por semana numa unidade de saúde em Santana do Ipanema ou do respeito diante do pediatra que dobrava plantões na UTI do hospital de Arapiraca.</p>





<h2 class="wp-block-heading">Do sonho à prática</h2>



<p>Mais de uma década depois, não me surpreendi ao ver seu nome associado à preocupação com as camponesas e camponeses que atende no posto de saúde de Bebedouro, zona rural de Petrolina, onde vive desde que se formou na Universidade Federal do Vale do São Francisco.</p>



<p>Mais do que se preocupar, ele não ficou paralisado, salivando indignação, esperando algo ou alguém aparecer com alguma solução. Ele correu atrás, imaginou uma saída e mobilizou gente que seria capaz de, assim como ele, trabalhar de graça para tornar realidade a ideia que concebeu.</p>



<p>Ele não acredita em soluções individuais ou milagres particulares. Agora, depois e arrumar um jeito de melhorar as receitas que passa para os pacientes, quer transformar isso em política pública, quer que outras pessoas sejam beneficiadas, quer motivar outros colegas médicos e médicas a usarem o site.</p>



<p>Isso é puro suco de Lucas Cardim.</p>



<p>“O acesso é gratuito, qualquer profissional de qualquer local do Brasil pode acessar e usar. Estamos conversando com o Ministério da Saúde para doar os códigos e fazer toda a transferência de tecnologia para o SUS”, explica. Inicialmente, ele me disse que outros dez municípios de Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo estão treinando os profissionais de saúde de suas respectivas redes para usar a ferramenta. Depois de gravar o podcast com Varela, me enviou um áudio pelo zap dizendo que Davi Rios, seu amigo do Google na Suíça atualizou os dados de acesso e uso da plataforma: agora são pelo menos 200 médicos usando os formulários de receitas em 22 estados brasileiros.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:38% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="973" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-973x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-75366 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-973x1024.jpeg 973w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-285x300.jpeg 285w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-768x808.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-150x158.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio.jpeg 1253w" sizes="(max-width: 973px) 100vw, 973px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>No áudio, sua voz estava cansada. Foram vários voos, um atrás do outro, engarrafamentos em São Paulo e Rio de Janeiro, filmagens cansativas. “Estou indo pro aeroporto, não vejo a hora de voltar para casa, colocar meu filho para dormir e, depois, retomar os atendimentos”.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>Quando fala em voltar ao trabalho, Cardim está se referindo a consultas que podem durar mais de uma hora com os homens, mulheres e crianças do Bebedouro que costuma ir à unidade de saúde da família local. Sim, é isso mesmo que você leu: consultas de mais de uma hora de duração no SUS, algo que é raro até mesmo em clínicas particulares. No Recife mesmo, sei de médicos especialistas que chegam numa policlínica da prefeitura da zona norte às 7h da manhã, atendem 30 pacientes no <em>vapt-vupt</em> e, às 8h, estão de saída, direto para seu consultório privado. E ai de quem ousar cobrá-los por um atendimento decente.</p>



<p>O posto do Bebedouro não é uma unidade básica de saúde tão básica assim. Por insistência dele, a secretária de saúde e o curso de Medicina da UFPE assinaram um convênio vinculando a unidade ao programa de residência médica de Medicina da Família e Comunidade. Assim, ele recebe alunos e alunas, atuando como preceptor. </p>



<p>O detalhe é que as três impressoras do posto usadas para imprimir os relatórios dos residentes e as próprias receitas geradas no site Cuidado para Todos foras compradas por Cardim. Aliás, conversei com outros dois profissionais da rede municipal de saúde de Petrolina que, para usar a ferramenta, também tiveram que levar suas respectivas impressoras para o local de trabalho.</p>



<p>A assessora de imprensa da secretaria municipal de Saúde, todavia, me garantiu que &#8220;já está na fase final de aquisição dos equipamentos necessários para a expansão do projeto. Assim que os aparelhos chegarem, a implantação será iniciada de forma gradativa em toda a rede municipal de saúde”. Petrolina conta com 57 Unidades Básicas de Saúde e seus 420 mil habitantes têm 85% de cobertura da Estratégia Saúde da Família.</p>



<p>Lucas Cardim não espera pela burocracia do serviço público. Mesmo admitindo que é preciso discutir &#8220;como outras boas ideias podem desaparecer no abismo que existe entre a assistência e a gestão&#8221;, ele continua sonhando alto. No texto de apresentação da plataforma que criou, ele revela que &#8220;sonha em transformar a Unidade Básica do Bebedouro em uma Unidade Escola Rural, incluindo a agricultura de subsistência e alimentação saudável como parte indissociável dos cuidados em Saúde&#8221;.</p>
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		<title>Maior pesquisa da América Latina sobre saúde das mulheres está sendo realizada no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Dec 2025 20:51:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[covid]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[zika]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em menos de dez anos, Pernambuco viveu duas novas epidemias, a da zika e a da covid-19. Desde 2020, uma pesquisa investiga os impactos dessas epidemias na saúde reprodutiva de mulheres pernambucanas. Na atual etapa, o estudo DeCode Zika e Covid (DZC) pretende entrevistar mais de duas mil mulheres de 23 a 39 anos, de [&#8230;]</p>
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<p>Em menos de dez anos, Pernambuco viveu duas novas epidemias, a da zika e a da covid-19. Desde 2020, uma pesquisa investiga os impactos dessas epidemias na saúde reprodutiva de mulheres pernambucanas. Na atual etapa, o estudo DeCode Zika e Covid (DZC) pretende entrevistar mais de duas mil mulheres de 23 a 39 anos, de várias localidades do Grande Recife.</p>



<p>O estudo, que segue até 2029, é financiado pela Universidade da Pensilvânia e liderado pela demógrafa brasileira Letícia Marteleto. “O estudo começou com a crise da microcefalia, que atingiu as mulheres grávidas na epidemia de zika. Quando a pandemia da covid começou em 2020 tínhamos duas opções: ou desistir da pesquisa ou incorporar a covid ao estudo. A pesquisa foi então reformulada para incluir a covid-19 e outras arboviroses, investigando como essas crises de saúde pública afetam as decisões reprodutivas e o acesso a serviços de saúde”, disse a socióloga Ana Paula Portella, que coordenou o estudo no Brasil até o final de outubro deste ano.</p>



<p>Como a pandemia da covid-19 teve mais impacto na população, a pesquisa ganhou mais profundidade. “Durante a pandemia, por exemplo, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi intensamente afetado, o que pode ter levado à falta de contraceptivos ou à impossibilidade de atendimento médico e de enfermagem para procedimentos como o uso de implantes hormonais”, disse a socióloga, sobre uma das investigações da pesquisa. “O medo de sair de casa ou o fechamento/redirecionamento de postos de saúde para o atendimento de pacientes com covid durante os períodos de lockdown, fez com que mulheres deixassem de usar métodos contraceptivos”, afirmou.</p>



<p>A interrupção no uso de contraceptivos deixou as mulheres pernambucanas mais expostas ao risco de uma gravidez não planejada. “A pesquisa também investiga o que aconteceu quando essas gestações indesejadas surgiram, e se foram levadas a termo ou não”, contou.</p>



<p>As pesquisadoras afirmam que a DZC é o maior estudo em painel com mulheres da América Latina. “A pesquisa em painel é um tipo de estudo que se caracteriza por acompanhar o mesmo grupo de participantes em diferentes momentos ao longo do tempo. No contexto da nossa pesquisa, isso significa que o mesmo grupo de mulheres está sendo acompanhado desde a primeira onda de coleta de dados em 2020, com planos de continuar até 2029”, explicou Ana Paula.</p>



<p>Uma característica inerente a esse tipo de pesquisa é que há uma perda de participantes ao longo do tempo, que pode acontecer desde mudança no contato e desinteresse em continuar respondendo à pesquisa até adoecimento ou falecimento das participantes. Para mitigar essa perda e manter a representatividade da amostra, é comum em estudos de painel realizar uma renovação da amostra. “Estamos na quarta onda desta pesquisa e, além de continuar acompanhando as mulheres desde 2020, uma nova amostra de 2.400 mulheres começou a ser entrevistada para renovar o grupo de estudo. A partir da onda número 5, as duas amostras serão combinadas em uma única”, disse a pesquisadora.</p>



<p>Com a pesquisa nesta fase concentrada na Região Metropolitana do Recife, os condomínios verticais têm sido um obstáculo para encontrar as participantes. “Porteiros ou síndicos frequentemente barram a entrada da equipe de pesquisa antes mesmo que eles consigam falar com os moradores dos apartamentos sorteados. Para tentar contornar isso, temos enviado cartas, ido aos prédios para conversar com síndicos e empresas, e também são disponibilizados telefones e o site da pesquisa para garantir a segurança e a ética do trabalho”, disse Portella, que faz um apelo para que as mulheres contactadas atendam as entrevistadoras.</p>



<p>A DZC contratou a empresa Datamétrica, cujas entrevistadoras usam crachá com nome e foto, e portam uma carta de apresentação da Universidade da Pensilvânia. Há também um QR Code com informações da pesquisa para que as pessoas possam verificar a autenticidade e se sintam seguras em participar. Essa etapa de entrevistas segue até dezembro deste ano.</p>



<p>Ainda que o estudo final só saia em 2029, a pesquisa DZC já publicou 18 artigos sobre o tema. Um deles se debruçou sobre o impacto da perda de renda das mulheres durante a pandemia de covid e a intenção de ter ou não filhos. A pesquisa concluiu que a ideia de adiar a gravidez ou de não ter mais filhos dependia, parcialmente, se a mulher já havia sido mãe ou não. As que não tinham filhos, eram mais inclinadas a engravidar logo e a perda de renda não fazia diferença. As que já eram mães, tinham diferentes opiniões, a depender da perda ou não de renda.</p>



<p>A pesquisa também constatou que as mulheres que eram mães e perderam renda eram mais inclinadas tanto a desistir de ter filhos quanto a adiar uma nova gravidez. E mães de duas ou três crianças que tiveram perda na renda eram as mais propensas a desistir de ter outra criança. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site, <a href="https://web.sas.upenn.edu/dzc-en/papers/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">somente na versão em inglês</a>.</p>



<p>A ideia é de que a pesquisa ajude a fomentar políticas públicas voltadas para a saúde reprodutiva das mulheres brasileiras e seja um guia no caso de futuras epidemias. Mais informações sobre a pesquisa estão disponíveis no site do projeto em português: <a href="https://web.sas.upenn.edu/dzc-pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://web.sas.upenn.edu/dzc-pt/</a></p>
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		<title>Pesquisa comprova danos à saúde mental de camponeses 10 anos após instalação de eólicas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 17:22:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[eólicas]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dez anos após a instalação do primeiro empreendimento eólico do Brasil, em Caetés, no agreste de Pernambuco, a 240 quilômetros do Recife, o que se vê é uma comunidade, em sua maioria, em sofrimento psíquico. Uma nova pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE) campus Garanhuns constatou que [&#8230;]</p>
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<p>Dez anos após a instalação do primeiro empreendimento eólico do Brasil, em Caetés, no agreste de Pernambuco, a 240 quilômetros do Recife, o que se vê é uma comunidade, em sua maioria, em sofrimento psíquico. Uma nova pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE) campus Garanhuns constatou que 68% dos camponeses que ali vivem sofrem com problemas de saúde que ultrapassam a condição do corpo, chegando ao adoecimento psicológico e desenvolvimento de transtornos mentais leves, com consequente aumento do uso de remédios psiquiátricos.  </p>



<p>Intitulado <em>Necropolítica dos ventos: determinação social da saúde mental diante da exposição de empreendimentos eólicos em comunidades camponesas de Pernambuco</em>, o levantamento comprova que, diante dos resultados encontrados, percebe-se uma população que vivencia um trauma psicossocial, uma forma de trauma que transcende o indivíduo e afeta a dimensão social e cultural.</p>



<p>Em 2014, empreendimentos eólicos foram instalados nas comunidades rurais de Sítio Sobradinho, em Caetés, com distâncias que vão de 100 e 900 metros entre as casas e as turbinas. Diversos estudos, no entanto, já comprovaram, na última década, que, a até 2 quilômetros, é possível perceber prejuízos à saúde.</p>



<p>A pesquisa entrevistou 50 pessoas, sendo 80% mulheres e 20% homens, de 18 a 89 anos, em sua maioria negros e agricultores familiares. Desse total, 34 corresponderam ao ponto de corte que configura sofrimento psíquico, representando 68% da amostra. Todas estão no território há mais de 10 anos, ou seja, antes da implantação dos aerogeradores. Segundo o levantamento, muitas estão em fase de esgotamento, se recusando a responder questionários de pesquisas diante da pressão das empresas sobre as comunidades.</p>



<p>“Como têm sido implementadas as energias renováveis?”, provoca Felipe Cazeiro, professor da UPE e pesquisador da Fiocruz que está à frente dos estudos sobre o impacto das eólicas no campo da saúde mental. As eólicas são hoje a segunda maior fonte de energia elétrica do Nordeste, atrás apenas da hídrica. A região tem sido a de maior instalação dessas turbinas, abrigando mais de 80% dos empreendimentos em operação no país.</p>



<p>Os ruídos de baixa frequência emitidos pelas turbinas costumam gerar sintomas como dor de cabeça, zumbido e pressão nos ouvidos, náuseas, tonturas, taquicardia, irritabilidade, problemas de concentração e memória e episódios de pânico. Tais ruídos podem ocasionar, além desses sintomas, distúrbios mais graves como a Síndrome da Turbina Eólica e a Doença Vibroacústica.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Síndrome da Turbina Eólica</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Os sintomas compreendem distúrbios do sono, aumento de frequência e/ou gravidade de dores de cabeça, tonturas, instabilidades, náusea, exaustão e alterações no humor; problemas com concentração e aprendizagem, além de zumbido nos ouvidos. Indivíduos com histórico de enxaqueca ou problemas auditivos anteriores ao contato com as eólicas e pessoas idosas são grupos mais suscetíveis.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Doença Vibroacústica</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>É uma doença sistêmica causada pela exposição prolongada (mais de dez anos) a ruído de grandes amplitudes (90 dB) e baixa frequência (&lt; 500Hz, incluindo os infrassons). É uma patologia sistêmica com uma evolução que aparece lentamente e pode afetar vários órgãos e tecidos, como o sistema nervoso, o sistema imunitário, o aparelho cardiovascular e o aparelho respiratório. Além de ser caracterizada por lesões nos tecidos ou órgãos, pode ocasionar uma série de alterações no organismo, como alterações neurológicas, endócrinas, na tensão arterial e na função respiratória, entre outros problemas. Esses efeitos igualmente são resultados da exposição prolongada aos ruídos de baixa frequência, que interferem no funcionamento normal dos sistemas corporais.</p>
	</div>



<p>O levantamento da Fiocruz com UPE, realizado por 11 pesquisadores, utilizou como metodologia o <em>Self-Report Questionary 20 (SRQ-20)</em>, um questionário da Organização Mundial da Saúde (OMS) cujo objetivo é comprovar sofrimento psíquico ou transtornos mentais leves, sem a função de diagnosticar, avaliar ou trazer um quadro específico patológico em saúde mental.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Camponeses pensam em suicídio</strong></h2>



<p>“É muito comum a ideia de que o processo de doença é individual, e não que é determinado socialmente. Então, quando vemos esses dados e vemos a determinação social da saúde, percebemos que a exposição que essas pessoas estão vivendo há 10 anos junto das eólicas tem trazido impactos em diferentes âmbitos, seja na saúde animal, humana, mental ou vegetal, na terra e no território”, comenta Cazeiro, que é doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).</p>



<p>Um dado preocupante foi sobre o item “Tem tido ideia de acabar com a vida?” do questionário. Entre as pessoas que responderam estar com a ideia de tirar a própria vida, uma delas disse que isso aconteceu após a chegada das eólicas e relatou: “me sinto ‘sem controle’ em alguns momentos, os sintomas atrapalham muito a minha vida, sentindo pânico para dormir”.</p>



<p>Outra pessoa respondeu que a ideia de tirar a própria vida não apareceu com a chegada das eólicas, ela tinha diagnóstico prévio de depressão, mas relatou que a ideação suicida piorou com a chegada dos aerogeradores: “às vezes, tenho medo de mim”. Ambas tomam psicotrópicos, porém estão desassistidas de um acompanhamento de saúde contínuo.</p>



<p>“O Estado não tem dado nenhuma assistência às comunidades, essa é a maior dificuldade, existe pouca atenção e há um discurso antagônico. O Estado acha que as comunidades são contra o desenvolvimento, mas as comunidades não são contra o desenvolvimento, são contra o desenvolvimento sustentável da forma como ele está sendo feito, sem preocupação com as famílias. A mesma coisa são as empresas”, adiciona o pesquisador.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma pesquisa-ação</strong></h2>



<p>Esse trabalho desenvolvido em Caetés é uma pesquisa-ação. Nesse âmbito, foi criada a Escola dos Ventos, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT Nordeste II), como um coletivo que possui como objetivo ser um espaço baseado no saber popular de Paulo Freire, em que as comunidades passaram a refletir coletivamente sobre seus problemas e traçar estratégias de defesa de seus territórios, além da reivindicação de direitos, numa iniciativa conjunta com Fiocruz e UPE.</p>



<p>A escola realizou diversos encontros e debates ao longo do ano. O objetivo é ampliar o debate e estimular a mobilização contra os impactos causados pelo modelo centralizador e concentrador de geração de energia renovável. A ideia do projeto de pesquiusa-ação é procurar saídas comunitárias para uma transição energética justa, que respeite verdadeiramente o meio ambiente e as populações do campo.</p>
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		<title>Primeiro Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social de Pernambuco é inaugurado nesta terça (02)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Dec 2025 19:15:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Governo Federal]]></category>
		<category><![CDATA[política de drogas]]></category>
		<category><![CDATA[redução de danos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Escola Livre de Redução de Danos inaugurou, nesta terça-feira (2), o Cais (Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social), primeira unidade do estado a integrar iniciativas do Governo Federal que, a partir de um olhar humanizado, têm o foco de atuação em pessoas em situação de vulnerabilidade social e usuárias de drogas. O [&#8230;]</p>
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<p>A Escola Livre de Redução de Danos inaugurou, nesta terça-feira (2), o Cais (Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social), primeira unidade do estado a integrar iniciativas do Governo Federal que, a partir de um olhar humanizado, têm o foco de atuação em pessoas em situação de vulnerabilidade social e usuárias de drogas. O lançamento aconteceu às 16h, na sede da instituição, no bairro de Santo Amaro, no Recife.</p>



<p>O projeto é resultado de parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). O Cais vai funcionar como polo de referência, articulado com a rede psicossocial e socioassistencial já existente na cidade, com atuação baseada nos princípios da redução de danos e na garantia de direitos.</p>



<p>Segundo Anamaria Faria Carneiro, cofundadora e diretora da Escola Livre de Redução de Danos, a abertura do Cais representa uma alternativa para romper ciclos de vulnerabilidade. &#8220;Representa um avanço significativo para tornar mais assertivo e acolhedor o atendimento a quem mais precisa. Ao focar na inclusão social e na garantia de direitos, estamos oferecendo alternativas reais para a quebra de ciclos de vulnerabilidade,&#8221; afirma Carneiro.</p>
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		<title>Glúten em tudo: para quem vive com doença celíaca, cada refeição é um desafio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Nov 2025 23:04:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[comida]]></category>
		<category><![CDATA[glúten]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para milhões de brasileiros diagnosticados com doença celíaca, cada refeição é um desafio. Em um país onde o pão francês é quase patrimônio cultural e o trigo está presente em boa parte dos alimentos industrializados, manter uma dieta 100% livre de glúten exige vigilância constante, acesso a informações confiáveis e, muitas vezes, um orçamento mais [&#8230;]</p>
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<p>Para milhões de brasileiros diagnosticados com doença celíaca, cada refeição é um desafio. Em um país onde o pão francês é quase patrimônio cultural e o trigo está presente em boa parte dos alimentos industrializados, manter uma dieta 100% livre de glúten exige vigilância constante, acesso a informações confiáveis e, muitas vezes, um orçamento mais alto.</p>



<p>Entre rótulos confusos, contaminação cruzada e a escassez de opções seguras fora de casa, os celíacos enfrentam não apenas uma condição médica, mas um cotidiano repleto de obstáculos invisíveis. Estima-se que aproximadamente 1% da população mundial tenha a doença, aqui no Brasil, segundo a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), o número gira em torno de 2 milhões de pessoas.Já um estudo publicado pela revista científica <a href="https://gut.bmj.com/search/meta%252Banalysis%20jcode%3Agutjnl%20numresults%3A10%20sort%3Apublication-date%20direction%3Adescending a revista">Gut</a>, citado em uma reportagem do <a href="https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/10/29/uma-em-cada-dez-pessoas-tem-sensibilidade-ao-gluten-ou-ao-trigo-mostra-estudo.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">G1</a>, aponta que uma em cada dez pessoas que não possui doença celíaca ou alergia ao trigo apresenta alguma sensibilidade ao glúten ou ao trigo.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>De acordo com o Ministério da Saúde, a doença celíaca é causada pela intolerância permanente ao glúten, principal fração protéica presente no trigo, no centeio, na cevada e na aveia, e se expressa por inflamação das células intestinais em indivíduos geneticamente predispostos</p>
        </div>
    </div>



<p>Em Pernambuco, um grupo de aproximadamente 300 pessoas se une para pensar em estratégias para fomentar as discussões sobre saúde, segurança e inclusão da comunidade celíaca. O Coletivo de Celíacos de Pernambuco (Cocelpe), atua oficialmente desde 2021, composto por uma parcela da população pernambucana que possui a doença.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:37% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="576" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Ana-Machado-cofundadora-Cocelpe-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-73462 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Ana-Machado-cofundadora-Cocelpe-576x1024.jpeg 576w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Ana-Machado-cofundadora-Cocelpe-169x300.jpeg 169w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Ana-Machado-cofundadora-Cocelpe-768x1366.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Ana-Machado-cofundadora-Cocelpe-864x1536.jpeg 864w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Ana-Machado-cofundadora-Cocelpe-150x267.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Ana-Machado-cofundadora-Cocelpe.jpeg 899w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Ana Isabel Machado, começou a investigar a doença celíaca em 2014, quando recebeu o diagnóstico de sensibilidade ao glúten não celíaco, que é uma variação da doença celíaca. No entanto, o diagnóstico da doença só veio em 2019. Desde então, começou a atuar pela causa se tornando chef de cozinha especializada no assunto e, posteriormente, sendo uma das fundadoras do Cocelpe. Ela contou os desafios enfrentados para que os celíacos tenham acesso a um direito humano fundamental que é se alimentar.</p>
</div></div>



<p>“O mundo inteiro gira ao redor do glúten. Então, a gente tem glúten no produto de limpeza e higiene, em produtos de beleza e maquiagem, nas medicações. E temos uma lacuna que, inclusive, a Anvisa atendeu parcialmente quando ela obrigou a indústria farmacêutica a informar se aquele produto farmacêutico tem contato com o glúten, porque não vem dizendo em nenhum lugar na bula, diferente do alimento”, explica.</p>



<p>Os celíacos também precisam tomar cuidado com a contaminação cruzada. O ideal é que utensílios, panelas, bancadas e até o lugar de armazenamento de alimentos sejam separados dos que possuem contato com o glúten. Para evitar esse tipo de contaminação, é aconselhável uma tripla lavagem que consiste, como o próprio nome sugere, em três lavagens com diferentes substâncias químicas e esponjas para garantir que a limpeza ocorra de maneira eficaz.</p>



<p>Além disso, há também fatores sociais e financeiros que atingem os celíacos e suas famílias. Uma pessoa que divide casa com pessoas não celíacas, por exemplo, pode enfrentar dificuldades para realizar o tratamento caso ocorra contaminação cruzada. Ou até mesmo comprometer a socialização, pois um simples beijo na boca pode causar uma contaminação direta. Em consequência, a doença também afeta no valor da cesta básica, pois é necessário evitar alimentos industrializados e consumir apenas alimentos especializados.</p>



<p>“Uma dieta sem glúten, se for para uma família que não consome muitos industrializados sem glúten, custa, em média, de 35% a 40% a mais no ticket médio. Para uma cesta básica, que, teoricamente, está em torno de 700 reais, é uma família que vai gastar pelo menos 1.100. Também existe a necessidade de suplementação de vitaminas que a gente não absorve, então, os celíacos gastam muito com suplementação, e alguns é para o resto da vida, porque não tem uma absorção satisfatória”, relata Machado.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/WhatsApp-Image-2025-11-17-at-11.10.48-1024x768.jpeg" alt="A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas ao ar livre, em frente a um prédio branco, segurando uma faixa verde e branca com os dizeres “Maio Celíaco”. Muitos estão vestidos com camisetas verdes e alguns exibem certificados. O evento parece ser uma ação de conscientização sobre a doença celíaca. O clima é ensolarado e o ambiente transmite união e engajamento comunitário." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Em Pernambuco, 300 pessoas discutem diariamente estratégias de alimentação segura
</p>
	                
                                            <span>Crédito: cortesia/Cocelpe</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Diagnóstico difícil</h2>



<p>A arquiteta Catarina Tavares, de 48 anos, teve uma vida marcada por problemas de saúde até chegar ao diagnóstico da doença celíaca, aos 45 anos. Foi toda uma vida com diferentes alergias graves, problemas respiratórios, dores no corpo, problemas na visão, na tireóide. Isso só para citar alguns dos sintomas.</p>



<p>Mas foi a partir do resultado de um exame de ferritina, durante o acompanhamento online com uma nutróloga que Catarina recebeu o diagnóstico definitivo. Após sentir cansaço extremo e fazer tratamento para a ferritina muito baixa, Catarina teve pouca evolução e foi assim que a profissional levantou três suspeitas: doença de Crohn, doença celíaca ou câncer. Com os exames e o acompanhamento com uma outra profissional gastroenterologista foi comprovada a doença celíaca.</p>



<p>“O glúten vai acabando tudo que é do celíaco. E o glúten está em todos os lugares. Ele fica, inclusive, suspenso por 48 horas. Então, é uma padaria que hoje em dia não posso entrar, numa pizzaria, eu não posso ir no aniversário de pizzaria, eu não vou. Até porque eu me contamino pelas vias respiratórias. Então, é uma vida bem diferente da vida da maioria das pessoas”, relata Catarina.</p>



<p>Ela também fala da dificuldade que é socializar tendo a doença celíaca. ”Aqui em Recife não existe um restaurante, uma lanchonete, uma coisa que a pessoa possa ir”, explica. Segundo ela, na capital só existem opções de comida pronta para este público por encomenda. Pensando também nisso, ela elaborou uma lista de marcas seguras de alimentos para consumir e lugares para ir fora de Recife, que também fica disponibilizada para o grupo do Cocelpe.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Infância sem glúten</h3>



<p>Diferente do diagnóstico tardio de Catarina, a pequena Rebeca Monteiro, de sete anos, recebeu o diagnóstico há um ano. A mãe da menina, Andreza Monteiro, contou que os sintomas começaram quando a menina tinha dois anos. Passou por muitas internações ao longo dos anos, até que certa vez ela foi internada e a médica suspeitou de algum problema abdominal.</p>



<p>Moradoras de Barra de Guabiraba, no agreste pernambucano, começaram a fazer vários exames, como ultrassons e até ressonância magnética, mas apenas quando foi encaminhada para o Hospital Barão de Lucena, em Recife, que veio a suspeita e o diagnóstico da doença.</p>



<p>Desde então, lidar com a doença celíaca tem sido um desafio. “Um terror, porque poucas pessoas aceitam, o comércio não está adaptado. Existe muita dificuldade para encontrar as coisas para ela comer. Muita falta também de empatia de muitas pessoas que não entendem, às vezes dizem que é mimimi, que é frescura. É uma dificuldade imensa. Para quem também não tem tantas condições, é muito complicado, porque é tudo caro”, descreve Andreza.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/gluten-mae-e-filha.jpeg" alt="A foto mostra uma mulher adulta e uma criança posando juntas, sorrindo para a câmera, diante de um fundo decorado com círculos de papel sanfonado em tons de roxo e lilás. A mulher está em pé, usa óculos, tem cabelos longos e cacheados presos para trás, e veste uma blusa clara com mangas curtas. A criança está encostada ao lado dela, com cabelos cacheados soltos, usando uma tiara azul clara e uma blusa em tons pastel. À frente delas há um arranjo de flores roxas e verdes." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Andreza mudou rotina da família em função da filha
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo pessoal</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A vida da família toda mudou, casada e com duas filhas mais velhas, todos da casa de Andreza passaram por uma adaptação. “Aqui na minha casa foi uma mudança radical, de tudo. Até para os visitantes, quem quiser visitar a minha casa, também tem que se adaptar à dieta por conta dela, porque está em jogo a saúde dela, a vida dela. E para mim é tudo. Essa mudança eu aceitei também, porque já era muito cansativo, mais de quatro anos, eu vendo ela doente, sem resposta nenhuma. E isso foi por uma parte bom, maravilhoso para a gente, porque só de ver ela bem, já é muita coisa”, afirma.</p>



<p>Segundo a médica gastroenterologista do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, Graciana Bandeira, entre todos os desafios que a doença pode proporcionar, o principal deles é o chegar ao diagnóstico. Isso acontece por dois grandes fatores, o primeiro, ocorre porque a doença celíaca é uma doença que não existe esse conceito formal, mas é uma doença que atinge vários sistemas. A médica explica que &#8220;se for analisada apenas na forma clássica da doença celíaca, que é o paciente que tem diarreia, distensão abdominal, que perde peso, você não vai conseguir atingir parte dos pacientes, principalmente os pacientes adultos”. </p>



<p>O segundo, é que, nem sempre, os pacientes apresentam as alterações que são esperadas, sendo possível identificá-la apenas a partir de uma biópsia. “O típico da doença celíaca é você ter, na biópsia, atrofia do epitélio intestinal, ou seja, o nosso intestino delgado, é como se fosse um tapete aveludado, aquele tapete bem felpudo. E aí, esse aveludado é por onde são absorvidos nutrientes, eritroides, onde a gente faz a absorção dos alimentos ingeridos, de maneira geral. E na doença celíaca, você tem graus variáveis de atrofia desse epitélio, a mucosa fica careca, e isso a gente vai ver na biópsia”, pontua.</p>





<p></p>
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		<title>Zika: 10 anos depois, mães lutam pela sobrevivência e país vive a incerteza de novos surtos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[zika]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Raíssa EbrahimMariama Correia Adalgisa de Araújo Figueiredo Neta, 31 anos, moradora de São Gonçalo do Amarante, a 30 minutos de Natal (Rio Grande do Norte), teve sintomas da zika com três semanas de gestação. Mas o diagnóstico da filha, Emily, hoje com dez anos, só foi confirmado 50 dias depois do nascimento. Era microcefalia causada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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	                </figure>

	


<p><strong>Raíssa Ebrahim</strong><br><strong>Mariama Correia<br></strong></p>



<p>Adalgisa de Araújo Figueiredo Neta, 31 anos, moradora de São Gonçalo do Amarante, a 30 minutos de Natal (Rio Grande do Norte), teve sintomas da zika com três semanas de gestação. Mas o diagnóstico da filha, Emily, hoje com dez anos, só foi confirmado 50 dias depois do nascimento. Era microcefalia causada pela síndrome congênita do vírus. “Foi uma pancada, um choque. ‘O que vai acontecer?’, foi o que eu perguntei para o médico. ‘E agora, eu faço o quê? Tem alguma solução, alguma cirurgia?’. Era uma coisa muito nova. Então um misto de sentimentos, um medo e uma incerteza.”</p>



<p>Dez anos depois, essa incerteza ainda é presente na vida da mãe e das várias outras famílias de crianças com microcefalia causada pelo surto da doença. Embora não existam dados oficiais sobre a quantidade de mães que cuidam sozinhas dos filhos com a síndrome congênita do zika vírus, boa parte dessas famílias são chefiadas por mães solo, como Adalgisa, que representam 13,5% das famílias brasileiras, segundo o IBGE. Em 11 de outubro de 2015, o Ministério da Saúde <a href="https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2015/prt1813_11_11_2015.html#:~:text=no%20%C3%A2mbito%20nacional;-,Art.,na%20data%20de%20sua%20publica%C3%A7%C3%A3o." target="_blank" rel="noreferrer noopener">decretou</a> a epidemia do zika vírus como emergência de saúde pública no Brasil. O Ministério da Saúde identificou 1.828 crianças com a síndrome entre 2015 e 2023.</p>



<p>Uma década depois do surto, os casos diminuíram, as pesquisas evoluíram, mas algumas perguntas seguem sem respostas. Além das questões sobre a evolução clínica das crianças, que apresentam novas complicações a medida em que vão crescendo, e a capacidade do Estado de acolhê-las em suas necessidades, restam dúvidas sobre os riscos de vivermos novas epidemias por arboviroses como o zika no Brasil, sobretudo em outras regiões do país que estão ficando mais quentes, em razão das mudanças climáticas, onde a maioria da população ainda não desenvolveu imunidade ao vírus.</p>



<p>A <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> e a <strong>Agência Pública</strong> conversaram com mães de crianças com a síndrome congênita do zika vírus em Pernambuco, na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Abandonadas pelos parceiros, que fugiram das responsabilidades parentais logo após o diagnóstico dos filhos, elas vivem batalhas solitárias pela sobrevivência e qualidade de vida das crianças, se dedicando cotidianamente aos cuidados e às terapias, sem muito tempo para olhar para si.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Por que isso importa</span>

		<p>A epidemia de zika, que teve o seu auge no Brasil em 2015, foi um surto sem precedentes que causou o nascimento de bebês com microcefalia e outros problemas neurológicos a partir de mães que foram infectadas durante a gravidez. A maior parte dos casos no país aconteceu no Nordeste.</p>
<p>Apesar da diminuição dos casos, as mudanças climáticas podem alterar o comportamento e habitat dos mosquitos e levar a novas epidemias no futuro</p>
	</div>



<p>“Ele [o pai de Emily ] seguiu a vida dele e abandonou os dois filhos”, lembra Adalgisa Neta. “Quando ele saiu de casa, faltavam 10 dias para [pagar] o aluguel. Eu fiquei desesperada. Não tinha nem o que comer.” Ela conta que o ex-marido paga apenas R$ 116 de pensão para Emily. “Ele disse, na Defensoria Pública, que não tem como pagar a pensão. Eu fiquei chocada, comecei a chorar. Ele tem uma vida boa. Comprou uma moto, tem casa própria com a atual esposa, trabalha em ótimas academias como personal.”</p>



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	                                        <p class="m-0">O Ministério da Saúde identificou 1.828 crianças com a síndrome entre 2015 e 2023. (Crédito: Inês Campel/MZ)</p>
	                
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<p>A principal renda da família é o Benefício de Prestação Continuada (BPC), no valor de um salário mínimo. Mãe e filhos dormem no mesmo quarto. O dinheiro mal dá para pagar o aluguel e cobrir os gastos domésticos, fora os remédios de Emily, que demanda vários tratamentos e aguarda uma cirurgia de quadril pelo SUS há quatro anos. “Muitas vezes no meio do mês ela não tem nem o que comer”, conta Neta, explicando que faz dois meses que ela não recebe o suplemento alimentar da menina, distribuído pela prefeitura.</p>



<p>A maior esperança da mãe, atualmente, tem sido receber a <a href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2025/janeiro/familias-de-criancas-com-deficiencia-causada-pelo-zika-virus-receberao-indenizacao-de-r-60-mil-do-governo-federal#:~:text=Fam%C3%ADlias%20de%20crian%C3%A7as%20com%20defici%C3%AAncia,Direitos%20Humanos%20e%20da%20Cidadania&amp;text=Requerimentos%20de%20Pens%C3%A3o%20Especial%20da,Situa%C3%A7%C3%A3o%20dos%20processos%20em%20an%C3%A1lise." target="_blank" rel="noreferrer noopener">indenização</a> anunciada pelo governo federal para as famílias de crianças com deficiência causada por infecção pelo zika vírus, mas o processo dela ainda está em análise. “Quero comprar a cadeira de rodas dela. Organizar o quarto, dar mais qualidade de vida para ela. A questão da alimentação”, sonha.</p>



<p>Muitas mães ainda aguardam a análise e o pagamento da indenização. Algumas procuradas pela reportagem ficaram receosas em falar sobre o dinheiro, temendo se tornarem alvo de criminosos ou até dos próprios ex-maridos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pai ausente, mãe solo de três filhos</strong></h2>



<p>Hilda Venâncio da Silva, 47 anos, morava em San Martin, na zona oeste do Recife, quando engravidou de Matheus, que nasceu com microcefalia associada ao zika vírus. “Foi difícil aceitar. Mas eu nunca enxerguei Matheus com nenhuma deficiência. Para mim, ele é um bebê que tem limitações”, diz.</p>



<p>Na época do nascimento, há dez anos, ela era casada. Tinha mais duas filhas com o ex-marido, hoje com 18 e 16 anos. Quando Matheus fez três anos, sem conseguir no Recife as terapias de que a criança precisava, a mãe se mudou para Campina Grande, na Paraíba, para contar com o suporte do centro de reabilitação montado pelo Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto (Ipesq).</p>



<p>A temporada de reabilitação intensiva deveria durar três meses, mas Silva conseguiu suporte permanente para o filho na cidade nova. O pai e as meninas se mudaram para lá também. Mas a separação aconteceu dois meses depois da mudança. Ela tornou-se mãe solo de três, longe de casa, sem emprego, pensão nem rede de apoio.</p>



<p>“Ele me agredia desde antes de Matheus [nascer]. Antes com palavras e depois fisicamente. Eu resolvi seguir a minha vida sozinha mesmo com os desafios”, conta. Silva sustenta a família trabalhando como auxiliar de cozinha. “Hoje consigo trabalhar porque as meninas agora são grandes e me ajudam muito. Enquanto eu vou trabalhar, a mais velha fica com Matheus. É vida que segue porque ele depende de mim para tudo.”</p>



<p>Com um salário de R$ 1,6 mil e o BPC de Matheus, Silva sustenta toda a família sozinha. Até hoje, o ex-marido não paga pensão. Ela paga R$ 600 de aluguel e gasta entre R$ 200 e R$ 400 por mês de suplementos para o menino, que não são fornecidos pela prefeitura de Campina Grande.</p>



<p>Depois de muita luta, ela conseguiu um carro municipal para levar Matheus aos tratamentos semanais. Periodicamente ele precisa ir até o Recife para consultas médicas com especialistas, como neurologista e oftalmologista. Silva ainda está com a indenização federal em análise e teme que o pai das crianças e a família dele possam reaparecer por causa do dinheiro. Ela disse que o ex-marido chegou a dizer a ela que a indenização iria para os pais das crianças, não para as mães, o que é falso.</p>



<p>“Desde quando Matheus nasceu, sempre fui eu que levei para consulta e terapia. Ele já era um pai ausente, mesmo vivendo sob o mesmo teto”, desabafa. “É cansativo, é sobrecarregado, mas é aquela coisa: Deus só dá aquilo que sabe que a gente pode carregar”, acredita Silva, que há tempos não vai numa consulta médica nem faz exames. Ela também gostaria de ter acompanhamento psicoterapêutico para ela.</p>



<p>A mãe conta que não gosta de projetar o futuro, pelo medo que tem de perder seu filho. “Isso eu não quero nem pensar. Eu vivo o hoje. Eu já vi tantas mães perderam os filhos. Se eu for parar pra pensar, eu vou perguntar assim ‘ô meu Deus, será que daqui 10 anos meu filho vai estar vivo? Será que eu vou estar viva?’. A gente pede a Deus saúde para continuar firme e forte. O resto a gente corre atrás”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>“Hoje ele acordou bem, amanhã eu não sei se ele acorda”</strong></h3>



<p>“O governo é o grande responsável por essas crianças terem nascido com microcefalia. Porque a gente não tem saneamento básico, é uma precariedade”. A fala é da dona de casa Claudilene Reis dos Santos, 30 anos, mãe de três filhos. A primeira gestação dela foi aos 18 anos. O filho do meio é Kauan, nasceu com microcefalia em decorrência da zika.</p>



<p>No dia em que a reportagem visitou a casa de Santos, em Peixinhos, na periferia de Olinda, Região Metropolitana do Recife, a família estava há dez dias sem água. Morando há dois anos no local, eles enfrentam a mesma realidade da época em que a mãe se infectou: o esgoto que escorre a céu aberto na entrada da casa simples, de dois quartos, onde Kauan dorme na sala.</p>



<p>“Eu me separei com três meses de gravidez de Kauan e, quando meu ex-marido soube (da microcefalia), não quis ter a responsabilidade de pai”, diz Santos. Ela espera desde 2019 o desfecho de uma ação judicial que moveu contra o ex para que ele pague a pensão dos dois filhos mais velhos, cerca de R$ 400. “Ele se manifestou e veio bater na minha porta armado depois que coloquei ele na Justiça”, conta.</p>



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	                                        <p class="m-0">“O governo é o grande responsável por essas crianças terem nascido com microcefalia&#8221;, diz Claudilene Reis, mãe de Kauan. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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<p>Kauan passou recentemente mais de um mês internado no hospital em decorrência de uma pneumonia que se agravou. Em uma década, foi a primeira vez que Santos ficou longe do filho, enquanto ele estava entubado na UTI. Ele já passou por três cirurgias, uma delas para instalar uma sonda gastrointestinal, por onde ele se alimenta de três em três horas e por onde também são administradas as cinco medicações que ela toma diariamente.</p>



<p>Por conta da condição de saúde, ele tem desnutrição crônica, pesa 16 quilos, e a dificuldade de deglutir dificulta ainda mais o ganho de peso. Há um ano, quando fez a cirurgia de quadril tão aguardada por Emily, filha de Adalgisa Neto, Kauan chegou a pesar apenas 11 kg, após um pós-operatório complexo e delicado. “Depois que a gente é mãe, aprende a ser enfermeira, médica, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional”, brinca Santos. Ao longo dos anos, foi também entendendo as pequenas expressões de dor e de alegria do filho.</p>



<p>“No começo, quando ele nasceu, eu passei um mês sem sair de casa. Eu dizia &#8216;Ai meu Deus, como eu vou andar com ele na rua?’”, porque o povo ia olhar, ia falar. E a gente passou mesmo por isso no começo. Lembro que, num terminal de ônibus, uma mulher riu dele dizendo ‘eita, olha o menino da cabecinha’”, lembra. “Hoje Kauan é meu xodó, eu saio mais com ele do que com as minhas outras meninas. A gente vai para tudo que é canto, praia, piscina, shopping, igreja, jogo de futebol”, comemora.</p>



<p>Santos casou de novo. O atual marido, com quem teve a terceira filha, assumiu o papel de pai das três crianças. Ela sabe que o caso dela é uma exceção. Os cinco vivem com dois salários mínimos, sendo um do BPC de Kauan e o outro do trabalho de motorista do marido num armazém de construção. Hoje, a única coisa que ela espera do futuro é que “Que Deus dê muita saúde” ao filho, “porque a gente vive um dia de cada vez. Hoje ele acordou bem, amanhã eu não sei se ele acorda.”</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>“Uma mãe cuidando da outra”</strong></h4>



<p>Quando se viram sozinhas, sem o amparo adequado do Estado, as mães de crianças que nasceram com microcefalia em decorrência do zika formaram redes de apoio entre elas para lutar por direitos, trocar experiências, desabafos e sonhos.</p>



<p>Luciana Arrais, presidente da Unizika, organização nacional dedicada à luta por políticas públicas para essas famílias, lembra que os direitos que elas conseguiram até agora, como as indenizações, foram conquistados a duras penas. “Nós que fomos organizadas nos ministérios, no Congresso, nos órgãos públicos dizer que nossos filhos estão aqui”. Atualmente, a principal luta da Unizika é para que todas as famílias recebam o BPC, porque ainda há muitas desassistidas.</p>



<p>“Somos nós por nós, uma mãe cuidando da outra. Há muitas mães que não têm um auxílio, uma ajuda de custo, que vivem com o BPC dos filhos. Se tirar algo pra comprar um sabonete pra ela, um absorvente que seja, são julgadas porque ‘é o dinheiro da criança’. Acontece que, se essa mãe não estiver bem, como ela vai cuidar da criança?”.</p>



<p>Germana Soares, presidente da União Mães de Anjo (UMA) de Pernambuco, tornou-se militante pela causa depois de ter Guilherme, hoje com dez anos. É ela quem muitas vezes impulsiona outras mães a lutarem por tratamentos, educação, inclusão e conseguirem na Justiça o direito à pensão dos filhos.</p>



<p>Soares também costuma dizer “somos nós, as mães pelas mães”. “São mulheres que afundaram seus sonhos, pararam de estudar, trabalhar, investir em si para viver a vida de um filho que teve um vírus atravessado por uma irresponsabilidade do Estado brasileiro”, diz. “O Estado falhou nas ações e na prevenção e continua falhando. Desde quando não controla o vetor, o mosquito Aedes aegypti, e os índices de contaminação, até quando falta saneamento básico para todos, abastecimento de água nas torneiras, água potável de uma forma regular. Ou quando o carro do lixo passa somente de 10 em 10 dias para recolher o lixo de uma comunidade inteira”, complementa.</p>



<h5 class="wp-block-heading">“Mudanças climáticas são risco para nova epidemia”, diz médica</h5>



<p>A neurologista infantil Vanessa Van Der Linden trabalhava no hospital público Barão de Lucena, no Recife, em 2015, quando os casos de microcefalia começaram a aumentar. Ela foi a primeira médica a associar a relação entre o zika vírus e a microcefalia durante o surto da doença no Brasil. Naquele ano, estimativas apontavam para mais de um milhão de infecções pela doença no país e mais de <a href="https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2015/12/30/brasil-registra-quase-3000-casos-de-microcefalia-em-2015" target="_blank" rel="noreferrer noopener">três mil</a> casos de microcefalia.</p>



<p>“Geralmente eu atendia um paciente com microcefalia por mês. Lembro que, em setembro daquele ano, cheguei a atender 12 casos. Aí fui na secretaria de Saúde falar sobre o que estava acontecendo”, conta. Ela contabiliza ao menos 400 crianças que nasceram com microcefalia em decorrência do zika, no Recife, nesta época. Ao menos 150 eram seus pacientes.</p>



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	                                        <p class="m-0">A neurologista Vanessa Van Der Linden foi a primeira médica a associar a microcefalia com o zika vírus. Crédito: Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados</p>
	                
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<p>De lá para cá, a ciência avançou muito na compreensão do vírus e seus impactos, mas ainda não existe uma vacina para o zika. A médica explica que, por causa do surto, muitas pessoas adquiriram imunidade, e isso contribuiu para a redução dos casos. Mas que chegou a acompanhar nascimentos de crianças com a síndrome congênita até 2018.</p>



<p>De acordo com o <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aedes-aegypti/monitoramento-das-arboviroses" target="_blank" rel="noreferrer noopener">painel</a> de monitoramento de arboviroses do Ministério da Saúde, os casos de zika seguem tendência de queda. Em 2023, foram 6,6 mil casos suspeitos, caindo para 5,1 mil no ano passado e 3,9 mil este ano, até novembro. Mas, a médica Van Der Linden alerta que a queda não significa que o vírus tenha desaparecido, nem que estejamos livres da possibilidade de novos surtos.</p>



<p>“Hoje é mais difícil, porque muita gente tem imunidade. Mas, como o mosquito gosta de áreas quentes, tropicais, pode ser que apareça em outras regiões, que ficarão mais quentes pelo aquecimento global, onde as pessoas ainda não tiveram contato com a doença”, alerta.</p>



<p>A neurologista também acredita que, como outros fatores de risco não foram resolvidos, como o acesso ao saneamento básico, que agrava a propagação dos mosquitos, é possível que outros vírus transmitidos por mosquitos, ou seja, outras arboviroses, ou mesmo mutações das que já existem, como a dengue, gerem novas epidemias.</p>



<p>Segundo Van Der Linden, o zika vírus atinge principalmente as células progenitoras neuronais. Isso quer dizer que o vírus chega aos neurônios antes mesmo dessas células migrarem para sua posição definitiva no cérebro dos bebês. “São crianças que nascem com um comprometimento muito grande. Mais de dois terços terminaram tendo outros problemas de saúde, 90% têm casos de epilepsia grave. Os tratamentos são no sentido de dar mais qualidade de vida para elas”, explica.</p>



<p>“A mãe termina tendo que se dedicar muito à criança porque a responsabilidade recai sobre elas”, diz a médica, que acompanha centenas de famílias de crianças com a síndrome congênita do zika. “Elas sofrem muito, mas, ao mesmo tempo, essas crianças passam a ser a vida delas”, diz.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/zika-10-anos-depois-maes-lutam-pela-sobrevivencia-e-pais-vive-a-incerteza-de-novos-surtos/">Zika: 10 anos depois, mães lutam pela sobrevivência e país vive a incerteza de novos surtos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
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		<title>Entenda por que o metanol pode matar ou levar à cegueira irreversível</title>
		<link>https://marcozero.org/entenda-por-que-o-metanol-pode-matar-ou-levar-a-cegueira-irreversivel/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2025 22:31:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[álcool]]></category>
		<category><![CDATA[bebida]]></category>
		<category><![CDATA[cegueira]]></category>
		<category><![CDATA[intoxicação]]></category>
		<category><![CDATA[metanol]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Náuseas, enjoo, cólica abdominal, letargia. Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol podem se assemelhar à uma ressaca, mas é um quadro que pode evoluir para a morte. Usado como solvente na indústria, o metanol é altamente tóxico para seres humanos e pode estar no uísque que foi bebido por um grupo de homens em [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entenda-por-que-o-metanol-pode-matar-ou-levar-a-cegueira-irreversivel/">Entenda por que o metanol pode matar ou levar à cegueira irreversível</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Náuseas, enjoo, cólica abdominal, letargia. Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol podem se assemelhar à uma ressaca, mas é um quadro que pode evoluir para a morte. Usado como solvente na indústria, o metanol é altamente tóxico para seres humanos e pode estar no uísque que foi bebido por um grupo de homens em Lajedo, no agreste de Pernambuco. Um ficou cego e a polícia investiga se a morte de outros três têm relação com a contaminação da bebida. Apesar do cheiro e do gosto serem bastante semelhantes ao do etanol – o álcool consumido em bebidas –, os danos ao corpo são bem diferentes.<br><br>Ao ser ingerido, o metanol é metabolizado pelo fígado primeiro em formaldeído (o popular &#8220;formol&#8221;) e posteriormente em ácido fórmico, o que causa acidez no sangue, levando a uma acidose metabólica grave. “Como o fígado precisa de tempo para metabolizar o metanol até o ácido fórmico, os sintomas não são imediatos. A pessoa pode tomar a bebida em uma festa e ir para casa tranquilamente, não é como um &#8216;boa-noite cinderela&#8217;”, afirma o médico Pedro Alves, preceptor de clínica médica do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/policia-investiga-origem-de-uisque-adulterado-pro-metanol-e-quatro-casos-suspeitos-em-pernambuco/" class="titulo">Polícia investiga origem de uísque adulterado por metanol e quatro casos suspeitos em Pernambuco</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><br>O envenenamento por metanol se manifesta em média de 12 a 24 horas após a ingestão da bebida adulterada, com sintomas genéricos de uma intoxicação qualquer. “O que vai chamar atenção na evolução dos sintomas são as manifestações neurológicas e oftalmológicas: uma dor de cabeça muito forte, desorientação, vista turva. Mesmo algum tempo depois de beber, a pessoa ainda vai estar como se estivesse meio embriagada. Isso aí já é a toxicidade do metanol”, diz o médico.<br><br>Um artigo de revisão científica de intoxicações por metanol, publicado em 2022 na <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8731680/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">revista Archives of Toxicology</a> por pesquisadores poloneses indicou que a intoxicação por metanol tem taxas de mortalidade variando entre 18% e 44%, segundo dados dos Estados Unidos. Danos à visão são comuns: estima-se que sintomas visuais ocorram em cerca de 50% dos casos.</p>



<p>“O ácido fórmico atinge o sistema nervoso central. E o nervo óptico faz parte do sistema nervoso central”, explica a oftalmoglogista Camilla Alliz, preceptora de catarata e retina na Fundação Altino Ventura (FAV). Chamada de Neuropatia Óptica Induzida por Metanol, essa condição é muito grave e pode resultar em deficiência visual de longo prazo ou irreversível, levando até à cegueira. “O consumo de apenas 4 ml de metanol pode ser suficiente para provocar a perda completa da visão”, alerta a oftalmologista. Os sintomas visuais normalmente se manifestam entre 12 e 48 horas após a exposição, segundo o artigo de 2022. De acordo com nota técnica da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) divulgada hoje, a dose oral letal do metanol é estimada em 30 a 240ml(20a150g).</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/Metanol-siste-nervoso-Ribhav-Agrawal-Pixabay-1024x646.png" alt="A imagem é uma ilustração artística do perfil de uma cabeça humana, voltada para a esquerda, com destaque para o cérebro e o sistema nervoso. O rosto e a cabeça são representados em tons de azul escuro, enquanto o cérebro aparece em cores vibrantes — rosa, vermelho, roxo e fios luminosos em amarelo e laranja — que lembram feixes de energia ou conexões neurais. Os fios luminosos se entrelaçam de forma densa, transmitindo a ideia de atividade cerebral intensa e redes de sinapses. O fundo é preto, o que realça ainda mais o contraste das cores brilhantes." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Nervo ótico compõe o sistema nervoso central
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ribhav Agrawal/Pixabay</span>
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                    </figure>

	


<p>Quando o metanol causa danos ao nervo óptico, a maioria dos casos é irreversível, diz Camilla Alliz. “A grande preocupação é que, uma vez atingido o nervo óptico, muitas vezes não é possível reverter o quadro. O paciente pode primeiro perceber uma visão embaçada. Ou, muitas vezes, o paciente acorda e já não consegue enxergar, pode ser algo súbito”, alerta Alliz. Quando chega nesse ponto, é difícil que o paciente volte a enxergar. “Infelizmente, quando atinge o nervo óptico, que faz parte do sistema nervoso central, a maioria das vezes não se consegue reverter o dano. E não existe transplante de nervo óptico. Se a pessoa sentir qualquer alteração visual, precisa imediatamente ir na emergência”, avisa a médica.</p>



<p>A identificação e o tratamento rápidos são importantes para evitar a progressão da doença, mesmo que já se tenha algum déficit visual inicial. O diagnóstico precoce, porém, não é tão simples, por conta dos sintomas inespecíficos da intoxicação.</p>



<p>Existe um teste que aponta a presença de metanol, mas é pouco disponível no Brasil. “O que o médico pode fazer se o paciente chegar com histórico de ingestão de bebida alcoólica na noite ou no dia anterior, com sintomas persistentes, é ver se há acidose metabólica, que pode ser identificada através de um exame de sangue simples”, recomenda o médico Pedro Alves. A partir daí, o tratamento pode incluir antídotos contra o metanol e hemodiálise.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Antídotos estão em falta ou escassos no Brasil</h2>



<p>Há dois antídotos usados em hospitais para intoxicações por metanol. Um é o etanol puro e o outro o fomepizole (ou 4-metilpirazol) – ambos impedem a conversão do metanol no perigoso ácido fórmico. No Brasil, porém, não há disponibilidade do fomepizole. “É o mais indicado, pois não tem os efeitos colaterais do etanol”, pontua Pedro Alves.<br><br>O tratamento, então, é feito com etanol puro na veia, que também não está plenamente disponível nos hospitais e deve ser solicitado ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Pernambuco (CIAtox) mais próximo. Mas até o etanol está em escassez: em nota na terça-feira (30), o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp apontou que o Brasil não tem estoque suficiente de antídotos para tratar muitos casos de intoxicação por metanol. Já a Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Abracit) cobrou a incorporação do fomepizole ao Sistema Único de Saúde (SUS).<br><br>A base científica para o uso do etanol puro é que ele compete com o metanol pelo metabolismo no fígado, e a enzima do fígado que realiza essa conversão, a álcool desidrogenase (ADH), tem uma afinidade até 20 vezes maior pelo etanol do que pelo metanol. “É como se o metanol e o etanol estivessem competindo para serem metabolizados por essas enzimas hepáticas. Como o fígado tem uma predisposição a metabolizar preferencialmente o etanol, ao injetar etanol no paciente o fígado fica ocupado, fazendo com que o metanol não metabolizado seja eliminado do corpo pela urina”, explica Pedro Alves.<br><br>Embora o álcool comum encontrado nas bebidas seja de fato um antídoto que pode salvar vidas em casos de intoxicação por metanol, não é recomendado que ele seja administrado por meio do consumo de bebidas alcoólicas, devido aos riscos e à falta de controle. “A pessoa pode entrar em coma alcoólico, por exemplo”, diz Pedro Alves. No ambiente hospitalar (com etanol venoso), a dosagem é monitorada, e o paciente é acompanhado de perto, o que não ocorre na ingestão caseira.<br><br>A terapia combinada, que inclui antídoto e hemodiálise, é a abordagem preferencial para casos graves, pois permite a remoção acelerada e simultânea tanto do metanol quanto do ácido fórmico. Enquanto as investigações policiais e epidemiológicas estão em curso e não se sabe ainda a origem e distribuição dessas bebidas contaminadas com metanol em Pernambuco, os médicos recomendam que as pessoas redobrem a atenção ao comprar bebidas alcóolicas.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Foi divulgada no começo da noite desta quarta-feira (01) uma nota técnica conjunta da Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde e Atenção Primária (SEVSAP) e a Secretaria Executiva de Atenção à Saúde (SEAS). É um alerta sobre risco de intoxicação exógena por metanol associada ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas.</p>
<p>No texto, a nota afirma que o padrão identificado nos casos de São Paulo – mais de 35 sob suspeita – diferem dos registros anteriores no país. “Historicamente, as intoxicações por metanol ocorriam predominantemente em populações em situação de vulnerabilidade social, relacionadas à ingestão de álcool combustível (etanol automotivo) adulterado com metanol. No entanto, os casos recentes envolvem indivíduos em contextos sociais de consumo — como bares, festas e residências — com relato de ingestão de bebidas como gin, uísque, vodca e outras destiladas, de diferentes marcas e procedências”.</p>
<p>A nota, voltada para profissionais de saúde, estabelece os procedimentos que devem ser adotados em suspeita de intoxicação por metanol e ficará disponível no site da Secretaria Estadual de Saúde.</p>
        </div>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entenda-por-que-o-metanol-pode-matar-ou-levar-a-cegueira-irreversivel/">Entenda por que o metanol pode matar ou levar à cegueira irreversível</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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