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	<title>Arquivo de Saúde - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 15 Dec 2025 18:39:51 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Saúde - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Maior pesquisa da América Latina sobre saúde das mulheres está sendo realizada no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Dec 2025 20:51:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[covid]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[zika]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em menos de dez anos, Pernambuco viveu duas novas epidemias, a da zika e a da covid-19. Desde 2020, uma pesquisa investiga os impactos dessas epidemias na saúde reprodutiva de mulheres pernambucanas. Na atual etapa, o estudo DeCode Zika e Covid (DZC) pretende entrevistar mais de duas mil mulheres de 23 a 39 anos, de [&#8230;]</p>
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<p>Em menos de dez anos, Pernambuco viveu duas novas epidemias, a da zika e a da covid-19. Desde 2020, uma pesquisa investiga os impactos dessas epidemias na saúde reprodutiva de mulheres pernambucanas. Na atual etapa, o estudo DeCode Zika e Covid (DZC) pretende entrevistar mais de duas mil mulheres de 23 a 39 anos, de várias localidades do Grande Recife.</p>



<p>O estudo, que segue até 2029, é financiado pela Universidade da Pensilvânia e liderado pela demógrafa brasileira Letícia Marteleto. “O estudo começou com a crise da microcefalia, que atingiu as mulheres grávidas na epidemia de zika. Quando a pandemia da covid começou em 2020 tínhamos duas opções: ou desistir da pesquisa ou incorporar a covid ao estudo. A pesquisa foi então reformulada para incluir a covid-19 e outras arboviroses, investigando como essas crises de saúde pública afetam as decisões reprodutivas e o acesso a serviços de saúde”, disse a socióloga Ana Paula Portella, que coordenou o estudo no Brasil até o final de outubro deste ano.</p>



<p>Como a pandemia da covid-19 teve mais impacto na população, a pesquisa ganhou mais profundidade. “Durante a pandemia, por exemplo, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi intensamente afetado, o que pode ter levado à falta de contraceptivos ou à impossibilidade de atendimento médico e de enfermagem para procedimentos como o uso de implantes hormonais”, disse a socióloga, sobre uma das investigações da pesquisa. “O medo de sair de casa ou o fechamento/redirecionamento de postos de saúde para o atendimento de pacientes com covid durante os períodos de lockdown, fez com que mulheres deixassem de usar métodos contraceptivos”, afirmou.</p>



<p>A interrupção no uso de contraceptivos deixou as mulheres pernambucanas mais expostas ao risco de uma gravidez não planejada. “A pesquisa também investiga o que aconteceu quando essas gestações indesejadas surgiram, e se foram levadas a termo ou não”, contou.</p>



<p>As pesquisadoras afirmam que a DZC é o maior estudo em painel com mulheres da América Latina. “A pesquisa em painel é um tipo de estudo que se caracteriza por acompanhar o mesmo grupo de participantes em diferentes momentos ao longo do tempo. No contexto da nossa pesquisa, isso significa que o mesmo grupo de mulheres está sendo acompanhado desde a primeira onda de coleta de dados em 2020, com planos de continuar até 2029”, explicou Ana Paula.</p>



<p>Uma característica inerente a esse tipo de pesquisa é que há uma perda de participantes ao longo do tempo, que pode acontecer desde mudança no contato e desinteresse em continuar respondendo à pesquisa até adoecimento ou falecimento das participantes. Para mitigar essa perda e manter a representatividade da amostra, é comum em estudos de painel realizar uma renovação da amostra. “Estamos na quarta onda desta pesquisa e, além de continuar acompanhando as mulheres desde 2020, uma nova amostra de 2.400 mulheres começou a ser entrevistada para renovar o grupo de estudo. A partir da onda número 5, as duas amostras serão combinadas em uma única”, disse a pesquisadora.</p>



<p>Com a pesquisa nesta fase concentrada na Região Metropolitana do Recife, os condomínios verticais têm sido um obstáculo para encontrar as participantes. “Porteiros ou síndicos frequentemente barram a entrada da equipe de pesquisa antes mesmo que eles consigam falar com os moradores dos apartamentos sorteados. Para tentar contornar isso, temos enviado cartas, ido aos prédios para conversar com síndicos e empresas, e também são disponibilizados telefones e o site da pesquisa para garantir a segurança e a ética do trabalho”, disse Portella, que faz um apelo para que as mulheres contactadas atendam as entrevistadoras.</p>



<p>A DZC contratou a empresa Datamétrica, cujas entrevistadoras usam crachá com nome e foto, e portam uma carta de apresentação da Universidade da Pensilvânia. Há também um QR Code com informações da pesquisa para que as pessoas possam verificar a autenticidade e se sintam seguras em participar. Essa etapa de entrevistas segue até dezembro deste ano.</p>



<p>Ainda que o estudo final só saia em 2029, a pesquisa DZC já publicou 18 artigos sobre o tema. Um deles se debruçou sobre o impacto da perda de renda das mulheres durante a pandemia de covid e a intenção de ter ou não filhos. A pesquisa concluiu que a ideia de adiar a gravidez ou de não ter mais filhos dependia, parcialmente, se a mulher já havia sido mãe ou não. As que não tinham filhos, eram mais inclinadas a engravidar logo e a perda de renda não fazia diferença. As que já eram mães, tinham diferentes opiniões, a depender da perda ou não de renda.</p>



<p>A pesquisa também constatou que as mulheres que eram mães e perderam renda eram mais inclinadas tanto a desistir de ter filhos quanto a adiar uma nova gravidez. E mães de duas ou três crianças que tiveram perda na renda eram as mais propensas a desistir de ter outra criança. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site, <a href="https://web.sas.upenn.edu/dzc-en/papers/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">somente na versão em inglês</a>.</p>



<p>A ideia é de que a pesquisa ajude a fomentar políticas públicas voltadas para a saúde reprodutiva das mulheres brasileiras e seja um guia no caso de futuras epidemias. Mais informações sobre a pesquisa estão disponíveis no site do projeto em português: <a href="https://web.sas.upenn.edu/dzc-pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://web.sas.upenn.edu/dzc-pt/</a></p>
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		<title>Pesquisa comprova danos à saúde mental de camponeses 10 anos após instalação de eólicas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 17:22:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[eólicas]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dez anos após a instalação do primeiro empreendimento eólico do Brasil, em Caetés, no agreste de Pernambuco, a 240 quilômetros do Recife, o que se vê é uma comunidade, em sua maioria, em sofrimento psíquico. Uma nova pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE) campus Garanhuns constatou que [&#8230;]</p>
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<p>Dez anos após a instalação do primeiro empreendimento eólico do Brasil, em Caetés, no agreste de Pernambuco, a 240 quilômetros do Recife, o que se vê é uma comunidade, em sua maioria, em sofrimento psíquico. Uma nova pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE) campus Garanhuns constatou que 68% dos camponeses que ali vivem sofrem com problemas de saúde que ultrapassam a condição do corpo, chegando ao adoecimento psicológico e desenvolvimento de transtornos mentais leves, com consequente aumento do uso de remédios psiquiátricos.  </p>



<p>Intitulado <em>Necropolítica dos ventos: determinação social da saúde mental diante da exposição de empreendimentos eólicos em comunidades camponesas de Pernambuco</em>, o levantamento comprova que, diante dos resultados encontrados, percebe-se uma população que vivencia um trauma psicossocial, uma forma de trauma que transcende o indivíduo e afeta a dimensão social e cultural.</p>



<p>Em 2014, empreendimentos eólicos foram instalados nas comunidades rurais de Sítio Sobradinho, em Caetés, com distâncias que vão de 100 e 900 metros entre as casas e as turbinas. Diversos estudos, no entanto, já comprovaram, na última década, que, a até 2 quilômetros, é possível perceber prejuízos à saúde.</p>



<p>A pesquisa entrevistou 50 pessoas, sendo 80% mulheres e 20% homens, de 18 a 89 anos, em sua maioria negros e agricultores familiares. Desse total, 34 corresponderam ao ponto de corte que configura sofrimento psíquico, representando 68% da amostra. Todas estão no território há mais de 10 anos, ou seja, antes da implantação dos aerogeradores. Segundo o levantamento, muitas estão em fase de esgotamento, se recusando a responder questionários de pesquisas diante da pressão das empresas sobre as comunidades.</p>



<p>“Como têm sido implementadas as energias renováveis?”, provoca Felipe Cazeiro, professor da UPE e pesquisador da Fiocruz que está à frente dos estudos sobre o impacto das eólicas no campo da saúde mental. As eólicas são hoje a segunda maior fonte de energia elétrica do Nordeste, atrás apenas da hídrica. A região tem sido a de maior instalação dessas turbinas, abrigando mais de 80% dos empreendimentos em operação no país.</p>



<p>Os ruídos de baixa frequência emitidos pelas turbinas costumam gerar sintomas como dor de cabeça, zumbido e pressão nos ouvidos, náuseas, tonturas, taquicardia, irritabilidade, problemas de concentração e memória e episódios de pânico. Tais ruídos podem ocasionar, além desses sintomas, distúrbios mais graves como a Síndrome da Turbina Eólica e a Doença Vibroacústica.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Síndrome da Turbina Eólica</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Os sintomas compreendem distúrbios do sono, aumento de frequência e/ou gravidade de dores de cabeça, tonturas, instabilidades, náusea, exaustão e alterações no humor; problemas com concentração e aprendizagem, além de zumbido nos ouvidos. Indivíduos com histórico de enxaqueca ou problemas auditivos anteriores ao contato com as eólicas e pessoas idosas são grupos mais suscetíveis.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Doença Vibroacústica</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>É uma doença sistêmica causada pela exposição prolongada (mais de dez anos) a ruído de grandes amplitudes (90 dB) e baixa frequência (&lt; 500Hz, incluindo os infrassons). É uma patologia sistêmica com uma evolução que aparece lentamente e pode afetar vários órgãos e tecidos, como o sistema nervoso, o sistema imunitário, o aparelho cardiovascular e o aparelho respiratório. Além de ser caracterizada por lesões nos tecidos ou órgãos, pode ocasionar uma série de alterações no organismo, como alterações neurológicas, endócrinas, na tensão arterial e na função respiratória, entre outros problemas. Esses efeitos igualmente são resultados da exposição prolongada aos ruídos de baixa frequência, que interferem no funcionamento normal dos sistemas corporais.</p>
	</div>



<p>O levantamento da Fiocruz com UPE, realizado por 11 pesquisadores, utilizou como metodologia o <em>Self-Report Questionary 20 (SRQ-20)</em>, um questionário da Organização Mundial da Saúde (OMS) cujo objetivo é comprovar sofrimento psíquico ou transtornos mentais leves, sem a função de diagnosticar, avaliar ou trazer um quadro específico patológico em saúde mental.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Camponeses pensam em suicídio</strong></h2>



<p>“É muito comum a ideia de que o processo de doença é individual, e não que é determinado socialmente. Então, quando vemos esses dados e vemos a determinação social da saúde, percebemos que a exposição que essas pessoas estão vivendo há 10 anos junto das eólicas tem trazido impactos em diferentes âmbitos, seja na saúde animal, humana, mental ou vegetal, na terra e no território”, comenta Cazeiro, que é doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).</p>



<p>Um dado preocupante foi sobre o item “Tem tido ideia de acabar com a vida?” do questionário. Entre as pessoas que responderam estar com a ideia de tirar a própria vida, uma delas disse que isso aconteceu após a chegada das eólicas e relatou: “me sinto ‘sem controle’ em alguns momentos, os sintomas atrapalham muito a minha vida, sentindo pânico para dormir”.</p>



<p>Outra pessoa respondeu que a ideia de tirar a própria vida não apareceu com a chegada das eólicas, ela tinha diagnóstico prévio de depressão, mas relatou que a ideação suicida piorou com a chegada dos aerogeradores: “às vezes, tenho medo de mim”. Ambas tomam psicotrópicos, porém estão desassistidas de um acompanhamento de saúde contínuo.</p>



<p>“O Estado não tem dado nenhuma assistência às comunidades, essa é a maior dificuldade, existe pouca atenção e há um discurso antagônico. O Estado acha que as comunidades são contra o desenvolvimento, mas as comunidades não são contra o desenvolvimento, são contra o desenvolvimento sustentável da forma como ele está sendo feito, sem preocupação com as famílias. A mesma coisa são as empresas”, adiciona o pesquisador.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma pesquisa-ação</strong></h2>



<p>Esse trabalho desenvolvido em Caetés é uma pesquisa-ação. Nesse âmbito, foi criada a Escola dos Ventos, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT Nordeste II), como um coletivo que possui como objetivo ser um espaço baseado no saber popular de Paulo Freire, em que as comunidades passaram a refletir coletivamente sobre seus problemas e traçar estratégias de defesa de seus territórios, além da reivindicação de direitos, numa iniciativa conjunta com Fiocruz e UPE.</p>



<p>A escola realizou diversos encontros e debates ao longo do ano. O objetivo é ampliar o debate e estimular a mobilização contra os impactos causados pelo modelo centralizador e concentrador de geração de energia renovável. A ideia do projeto de pesquiusa-ação é procurar saídas comunitárias para uma transição energética justa, que respeite verdadeiramente o meio ambiente e as populações do campo.</p>
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		<title>Primeiro Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social de Pernambuco é inaugurado nesta terça (02)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Dec 2025 19:15:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Governo Federal]]></category>
		<category><![CDATA[política de drogas]]></category>
		<category><![CDATA[redução de danos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Escola Livre de Redução de Danos inaugurou, nesta terça-feira (2), o Cais (Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social), primeira unidade do estado a integrar iniciativas do Governo Federal que, a partir de um olhar humanizado, têm o foco de atuação em pessoas em situação de vulnerabilidade social e usuárias de drogas. O [&#8230;]</p>
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<p>A Escola Livre de Redução de Danos inaugurou, nesta terça-feira (2), o Cais (Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social), primeira unidade do estado a integrar iniciativas do Governo Federal que, a partir de um olhar humanizado, têm o foco de atuação em pessoas em situação de vulnerabilidade social e usuárias de drogas. O lançamento aconteceu às 16h, na sede da instituição, no bairro de Santo Amaro, no Recife.</p>



<p>O projeto é resultado de parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). O Cais vai funcionar como polo de referência, articulado com a rede psicossocial e socioassistencial já existente na cidade, com atuação baseada nos princípios da redução de danos e na garantia de direitos.</p>



<p>Segundo Anamaria Faria Carneiro, cofundadora e diretora da Escola Livre de Redução de Danos, a abertura do Cais representa uma alternativa para romper ciclos de vulnerabilidade. &#8220;Representa um avanço significativo para tornar mais assertivo e acolhedor o atendimento a quem mais precisa. Ao focar na inclusão social e na garantia de direitos, estamos oferecendo alternativas reais para a quebra de ciclos de vulnerabilidade,&#8221; afirma Carneiro.</p>
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		<title>Glúten em tudo: para quem vive com doença celíaca, cada refeição é um desafio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Nov 2025 23:04:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[comida]]></category>
		<category><![CDATA[glúten]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para milhões de brasileiros diagnosticados com doença celíaca, cada refeição é um desafio. Em um país onde o pão francês é quase patrimônio cultural e o trigo está presente em boa parte dos alimentos industrializados, manter uma dieta 100% livre de glúten exige vigilância constante, acesso a informações confiáveis e, muitas vezes, um orçamento mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Para milhões de brasileiros diagnosticados com doença celíaca, cada refeição é um desafio. Em um país onde o pão francês é quase patrimônio cultural e o trigo está presente em boa parte dos alimentos industrializados, manter uma dieta 100% livre de glúten exige vigilância constante, acesso a informações confiáveis e, muitas vezes, um orçamento mais alto.</p>



<p>Entre rótulos confusos, contaminação cruzada e a escassez de opções seguras fora de casa, os celíacos enfrentam não apenas uma condição médica, mas um cotidiano repleto de obstáculos invisíveis. Estima-se que aproximadamente 1% da população mundial tenha a doença, aqui no Brasil, segundo a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), o número gira em torno de 2 milhões de pessoas.Já um estudo publicado pela revista científica <a href="https://gut.bmj.com/search/meta%252Banalysis%20jcode%3Agutjnl%20numresults%3A10%20sort%3Apublication-date%20direction%3Adescending a revista">Gut</a>, citado em uma reportagem do <a href="https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/10/29/uma-em-cada-dez-pessoas-tem-sensibilidade-ao-gluten-ou-ao-trigo-mostra-estudo.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">G1</a>, aponta que uma em cada dez pessoas que não possui doença celíaca ou alergia ao trigo apresenta alguma sensibilidade ao glúten ou ao trigo.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>De acordo com o Ministério da Saúde, a doença celíaca é causada pela intolerância permanente ao glúten, principal fração protéica presente no trigo, no centeio, na cevada e na aveia, e se expressa por inflamação das células intestinais em indivíduos geneticamente predispostos</p>
        </div>
    </div>



<p>Em Pernambuco, um grupo de aproximadamente 300 pessoas se une para pensar em estratégias para fomentar as discussões sobre saúde, segurança e inclusão da comunidade celíaca. O Coletivo de Celíacos de Pernambuco (Cocelpe), atua oficialmente desde 2021, composto por uma parcela da população pernambucana que possui a doença.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:37% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Ana-Machado-cofundadora-Cocelpe-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-73462 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Ana-Machado-cofundadora-Cocelpe-576x1024.jpeg 576w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Ana-Machado-cofundadora-Cocelpe-169x300.jpeg 169w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Ana-Machado-cofundadora-Cocelpe-768x1366.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Ana-Machado-cofundadora-Cocelpe-864x1536.jpeg 864w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Ana-Machado-cofundadora-Cocelpe-150x267.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Ana-Machado-cofundadora-Cocelpe.jpeg 899w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Ana Isabel Machado, começou a investigar a doença celíaca em 2014, quando recebeu o diagnóstico de sensibilidade ao glúten não celíaco, que é uma variação da doença celíaca. No entanto, o diagnóstico da doença só veio em 2019. Desde então, começou a atuar pela causa se tornando chef de cozinha especializada no assunto e, posteriormente, sendo uma das fundadoras do Cocelpe. Ela contou os desafios enfrentados para que os celíacos tenham acesso a um direito humano fundamental que é se alimentar.</p>
</div></div>



<p>“O mundo inteiro gira ao redor do glúten. Então, a gente tem glúten no produto de limpeza e higiene, em produtos de beleza e maquiagem, nas medicações. E temos uma lacuna que, inclusive, a Anvisa atendeu parcialmente quando ela obrigou a indústria farmacêutica a informar se aquele produto farmacêutico tem contato com o glúten, porque não vem dizendo em nenhum lugar na bula, diferente do alimento”, explica.</p>



<p>Os celíacos também precisam tomar cuidado com a contaminação cruzada. O ideal é que utensílios, panelas, bancadas e até o lugar de armazenamento de alimentos sejam separados dos que possuem contato com o glúten. Para evitar esse tipo de contaminação, é aconselhável uma tripla lavagem que consiste, como o próprio nome sugere, em três lavagens com diferentes substâncias químicas e esponjas para garantir que a limpeza ocorra de maneira eficaz.</p>



<p>Além disso, há também fatores sociais e financeiros que atingem os celíacos e suas famílias. Uma pessoa que divide casa com pessoas não celíacas, por exemplo, pode enfrentar dificuldades para realizar o tratamento caso ocorra contaminação cruzada. Ou até mesmo comprometer a socialização, pois um simples beijo na boca pode causar uma contaminação direta. Em consequência, a doença também afeta no valor da cesta básica, pois é necessário evitar alimentos industrializados e consumir apenas alimentos especializados.</p>



<p>“Uma dieta sem glúten, se for para uma família que não consome muitos industrializados sem glúten, custa, em média, de 35% a 40% a mais no ticket médio. Para uma cesta básica, que, teoricamente, está em torno de 700 reais, é uma família que vai gastar pelo menos 1.100. Também existe a necessidade de suplementação de vitaminas que a gente não absorve, então, os celíacos gastam muito com suplementação, e alguns é para o resto da vida, porque não tem uma absorção satisfatória”, relata Machado.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/WhatsApp-Image-2025-11-17-at-11.10.48-1024x768.jpeg" alt="A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas ao ar livre, em frente a um prédio branco, segurando uma faixa verde e branca com os dizeres “Maio Celíaco”. Muitos estão vestidos com camisetas verdes e alguns exibem certificados. O evento parece ser uma ação de conscientização sobre a doença celíaca. O clima é ensolarado e o ambiente transmite união e engajamento comunitário." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Em Pernambuco, 300 pessoas discutem diariamente estratégias de alimentação segura
</p>
	                
                                            <span>Crédito: cortesia/Cocelpe</span>
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<h2 class="wp-block-heading">Diagnóstico difícil</h2>



<p>A arquiteta Catarina Tavares, de 48 anos, teve uma vida marcada por problemas de saúde até chegar ao diagnóstico da doença celíaca, aos 45 anos. Foi toda uma vida com diferentes alergias graves, problemas respiratórios, dores no corpo, problemas na visão, na tireóide. Isso só para citar alguns dos sintomas.</p>



<p>Mas foi a partir do resultado de um exame de ferritina, durante o acompanhamento online com uma nutróloga que Catarina recebeu o diagnóstico definitivo. Após sentir cansaço extremo e fazer tratamento para a ferritina muito baixa, Catarina teve pouca evolução e foi assim que a profissional levantou três suspeitas: doença de Crohn, doença celíaca ou câncer. Com os exames e o acompanhamento com uma outra profissional gastroenterologista foi comprovada a doença celíaca.</p>



<p>“O glúten vai acabando tudo que é do celíaco. E o glúten está em todos os lugares. Ele fica, inclusive, suspenso por 48 horas. Então, é uma padaria que hoje em dia não posso entrar, numa pizzaria, eu não posso ir no aniversário de pizzaria, eu não vou. Até porque eu me contamino pelas vias respiratórias. Então, é uma vida bem diferente da vida da maioria das pessoas”, relata Catarina.</p>



<p>Ela também fala da dificuldade que é socializar tendo a doença celíaca. ”Aqui em Recife não existe um restaurante, uma lanchonete, uma coisa que a pessoa possa ir”, explica. Segundo ela, na capital só existem opções de comida pronta para este público por encomenda. Pensando também nisso, ela elaborou uma lista de marcas seguras de alimentos para consumir e lugares para ir fora de Recife, que também fica disponibilizada para o grupo do Cocelpe.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Infância sem glúten</h3>



<p>Diferente do diagnóstico tardio de Catarina, a pequena Rebeca Monteiro, de sete anos, recebeu o diagnóstico há um ano. A mãe da menina, Andreza Monteiro, contou que os sintomas começaram quando a menina tinha dois anos. Passou por muitas internações ao longo dos anos, até que certa vez ela foi internada e a médica suspeitou de algum problema abdominal.</p>



<p>Moradoras de Barra de Guabiraba, no agreste pernambucano, começaram a fazer vários exames, como ultrassons e até ressonância magnética, mas apenas quando foi encaminhada para o Hospital Barão de Lucena, em Recife, que veio a suspeita e o diagnóstico da doença.</p>



<p>Desde então, lidar com a doença celíaca tem sido um desafio. “Um terror, porque poucas pessoas aceitam, o comércio não está adaptado. Existe muita dificuldade para encontrar as coisas para ela comer. Muita falta também de empatia de muitas pessoas que não entendem, às vezes dizem que é mimimi, que é frescura. É uma dificuldade imensa. Para quem também não tem tantas condições, é muito complicado, porque é tudo caro”, descreve Andreza.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/gluten-mae-e-filha.jpeg" alt="A foto mostra uma mulher adulta e uma criança posando juntas, sorrindo para a câmera, diante de um fundo decorado com círculos de papel sanfonado em tons de roxo e lilás. A mulher está em pé, usa óculos, tem cabelos longos e cacheados presos para trás, e veste uma blusa clara com mangas curtas. A criança está encostada ao lado dela, com cabelos cacheados soltos, usando uma tiara azul clara e uma blusa em tons pastel. À frente delas há um arranjo de flores roxas e verdes." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Andreza mudou rotina da família em função da filha
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo pessoal</span>
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                    </figure>

	


<p>A vida da família toda mudou, casada e com duas filhas mais velhas, todos da casa de Andreza passaram por uma adaptação. “Aqui na minha casa foi uma mudança radical, de tudo. Até para os visitantes, quem quiser visitar a minha casa, também tem que se adaptar à dieta por conta dela, porque está em jogo a saúde dela, a vida dela. E para mim é tudo. Essa mudança eu aceitei também, porque já era muito cansativo, mais de quatro anos, eu vendo ela doente, sem resposta nenhuma. E isso foi por uma parte bom, maravilhoso para a gente, porque só de ver ela bem, já é muita coisa”, afirma.</p>



<p>Segundo a médica gastroenterologista do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, Graciana Bandeira, entre todos os desafios que a doença pode proporcionar, o principal deles é o chegar ao diagnóstico. Isso acontece por dois grandes fatores, o primeiro, ocorre porque a doença celíaca é uma doença que não existe esse conceito formal, mas é uma doença que atinge vários sistemas. A médica explica que &#8220;se for analisada apenas na forma clássica da doença celíaca, que é o paciente que tem diarreia, distensão abdominal, que perde peso, você não vai conseguir atingir parte dos pacientes, principalmente os pacientes adultos”. </p>



<p>O segundo, é que, nem sempre, os pacientes apresentam as alterações que são esperadas, sendo possível identificá-la apenas a partir de uma biópsia. “O típico da doença celíaca é você ter, na biópsia, atrofia do epitélio intestinal, ou seja, o nosso intestino delgado, é como se fosse um tapete aveludado, aquele tapete bem felpudo. E aí, esse aveludado é por onde são absorvidos nutrientes, eritroides, onde a gente faz a absorção dos alimentos ingeridos, de maneira geral. E na doença celíaca, você tem graus variáveis de atrofia desse epitélio, a mucosa fica careca, e isso a gente vai ver na biópsia”, pontua.</p>





<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/gluten-em-tudo-para-quem-vive-com-doenca-celiaca-cada-refeicao-e-um-desafio/">Glúten em tudo: para quem vive com doença celíaca, cada refeição é um desafio</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Zika: 10 anos depois, mães lutam pela sobrevivência e país vive a incerteza de novos surtos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Raíssa EbrahimMariama Correia Adalgisa de Araújo Figueiredo Neta, 31 anos, moradora de São Gonçalo do Amarante, a 30 minutos de Natal (Rio Grande do Norte), teve sintomas da zika com três semanas de gestação. Mas o diagnóstico da filha, Emily, hoje com dez anos, só foi confirmado 50 dias depois do nascimento. Era microcefalia causada [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
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<p><strong>Raíssa Ebrahim</strong><br><strong>Mariama Correia<br></strong></p>



<p>Adalgisa de Araújo Figueiredo Neta, 31 anos, moradora de São Gonçalo do Amarante, a 30 minutos de Natal (Rio Grande do Norte), teve sintomas da zika com três semanas de gestação. Mas o diagnóstico da filha, Emily, hoje com dez anos, só foi confirmado 50 dias depois do nascimento. Era microcefalia causada pela síndrome congênita do vírus. “Foi uma pancada, um choque. ‘O que vai acontecer?’, foi o que eu perguntei para o médico. ‘E agora, eu faço o quê? Tem alguma solução, alguma cirurgia?’. Era uma coisa muito nova. Então um misto de sentimentos, um medo e uma incerteza.”</p>



<p>Dez anos depois, essa incerteza ainda é presente na vida da mãe e das várias outras famílias de crianças com microcefalia causada pelo surto da doença. Embora não existam dados oficiais sobre a quantidade de mães que cuidam sozinhas dos filhos com a síndrome congênita do zika vírus, boa parte dessas famílias são chefiadas por mães solo, como Adalgisa, que representam 13,5% das famílias brasileiras, segundo o IBGE. Em 11 de outubro de 2015, o Ministério da Saúde <a href="https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2015/prt1813_11_11_2015.html#:~:text=no%20%C3%A2mbito%20nacional;-,Art.,na%20data%20de%20sua%20publica%C3%A7%C3%A3o." target="_blank" rel="noreferrer noopener">decretou</a> a epidemia do zika vírus como emergência de saúde pública no Brasil. O Ministério da Saúde identificou 1.828 crianças com a síndrome entre 2015 e 2023.</p>



<p>Uma década depois do surto, os casos diminuíram, as pesquisas evoluíram, mas algumas perguntas seguem sem respostas. Além das questões sobre a evolução clínica das crianças, que apresentam novas complicações a medida em que vão crescendo, e a capacidade do Estado de acolhê-las em suas necessidades, restam dúvidas sobre os riscos de vivermos novas epidemias por arboviroses como o zika no Brasil, sobretudo em outras regiões do país que estão ficando mais quentes, em razão das mudanças climáticas, onde a maioria da população ainda não desenvolveu imunidade ao vírus.</p>



<p>A <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> e a <strong>Agência Pública</strong> conversaram com mães de crianças com a síndrome congênita do zika vírus em Pernambuco, na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Abandonadas pelos parceiros, que fugiram das responsabilidades parentais logo após o diagnóstico dos filhos, elas vivem batalhas solitárias pela sobrevivência e qualidade de vida das crianças, se dedicando cotidianamente aos cuidados e às terapias, sem muito tempo para olhar para si.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Por que isso importa</span>

		<p>A epidemia de zika, que teve o seu auge no Brasil em 2015, foi um surto sem precedentes que causou o nascimento de bebês com microcefalia e outros problemas neurológicos a partir de mães que foram infectadas durante a gravidez. A maior parte dos casos no país aconteceu no Nordeste.</p>
<p>Apesar da diminuição dos casos, as mudanças climáticas podem alterar o comportamento e habitat dos mosquitos e levar a novas epidemias no futuro</p>
	</div>



<p>“Ele [o pai de Emily ] seguiu a vida dele e abandonou os dois filhos”, lembra Adalgisa Neta. “Quando ele saiu de casa, faltavam 10 dias para [pagar] o aluguel. Eu fiquei desesperada. Não tinha nem o que comer.” Ela conta que o ex-marido paga apenas R$ 116 de pensão para Emily. “Ele disse, na Defensoria Pública, que não tem como pagar a pensão. Eu fiquei chocada, comecei a chorar. Ele tem uma vida boa. Comprou uma moto, tem casa própria com a atual esposa, trabalha em ótimas academias como personal.”</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">O Ministério da Saúde identificou 1.828 crianças com a síndrome entre 2015 e 2023. (Crédito: Inês Campel/MZ)</p>
	                
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<p>A principal renda da família é o Benefício de Prestação Continuada (BPC), no valor de um salário mínimo. Mãe e filhos dormem no mesmo quarto. O dinheiro mal dá para pagar o aluguel e cobrir os gastos domésticos, fora os remédios de Emily, que demanda vários tratamentos e aguarda uma cirurgia de quadril pelo SUS há quatro anos. “Muitas vezes no meio do mês ela não tem nem o que comer”, conta Neta, explicando que faz dois meses que ela não recebe o suplemento alimentar da menina, distribuído pela prefeitura.</p>



<p>A maior esperança da mãe, atualmente, tem sido receber a <a href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2025/janeiro/familias-de-criancas-com-deficiencia-causada-pelo-zika-virus-receberao-indenizacao-de-r-60-mil-do-governo-federal#:~:text=Fam%C3%ADlias%20de%20crian%C3%A7as%20com%20defici%C3%AAncia,Direitos%20Humanos%20e%20da%20Cidadania&amp;text=Requerimentos%20de%20Pens%C3%A3o%20Especial%20da,Situa%C3%A7%C3%A3o%20dos%20processos%20em%20an%C3%A1lise." target="_blank" rel="noreferrer noopener">indenização</a> anunciada pelo governo federal para as famílias de crianças com deficiência causada por infecção pelo zika vírus, mas o processo dela ainda está em análise. “Quero comprar a cadeira de rodas dela. Organizar o quarto, dar mais qualidade de vida para ela. A questão da alimentação”, sonha.</p>



<p>Muitas mães ainda aguardam a análise e o pagamento da indenização. Algumas procuradas pela reportagem ficaram receosas em falar sobre o dinheiro, temendo se tornarem alvo de criminosos ou até dos próprios ex-maridos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pai ausente, mãe solo de três filhos</strong></h2>



<p>Hilda Venâncio da Silva, 47 anos, morava em San Martin, na zona oeste do Recife, quando engravidou de Matheus, que nasceu com microcefalia associada ao zika vírus. “Foi difícil aceitar. Mas eu nunca enxerguei Matheus com nenhuma deficiência. Para mim, ele é um bebê que tem limitações”, diz.</p>



<p>Na época do nascimento, há dez anos, ela era casada. Tinha mais duas filhas com o ex-marido, hoje com 18 e 16 anos. Quando Matheus fez três anos, sem conseguir no Recife as terapias de que a criança precisava, a mãe se mudou para Campina Grande, na Paraíba, para contar com o suporte do centro de reabilitação montado pelo Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto (Ipesq).</p>



<p>A temporada de reabilitação intensiva deveria durar três meses, mas Silva conseguiu suporte permanente para o filho na cidade nova. O pai e as meninas se mudaram para lá também. Mas a separação aconteceu dois meses depois da mudança. Ela tornou-se mãe solo de três, longe de casa, sem emprego, pensão nem rede de apoio.</p>



<p>“Ele me agredia desde antes de Matheus [nascer]. Antes com palavras e depois fisicamente. Eu resolvi seguir a minha vida sozinha mesmo com os desafios”, conta. Silva sustenta a família trabalhando como auxiliar de cozinha. “Hoje consigo trabalhar porque as meninas agora são grandes e me ajudam muito. Enquanto eu vou trabalhar, a mais velha fica com Matheus. É vida que segue porque ele depende de mim para tudo.”</p>



<p>Com um salário de R$ 1,6 mil e o BPC de Matheus, Silva sustenta toda a família sozinha. Até hoje, o ex-marido não paga pensão. Ela paga R$ 600 de aluguel e gasta entre R$ 200 e R$ 400 por mês de suplementos para o menino, que não são fornecidos pela prefeitura de Campina Grande.</p>



<p>Depois de muita luta, ela conseguiu um carro municipal para levar Matheus aos tratamentos semanais. Periodicamente ele precisa ir até o Recife para consultas médicas com especialistas, como neurologista e oftalmologista. Silva ainda está com a indenização federal em análise e teme que o pai das crianças e a família dele possam reaparecer por causa do dinheiro. Ela disse que o ex-marido chegou a dizer a ela que a indenização iria para os pais das crianças, não para as mães, o que é falso.</p>



<p>“Desde quando Matheus nasceu, sempre fui eu que levei para consulta e terapia. Ele já era um pai ausente, mesmo vivendo sob o mesmo teto”, desabafa. “É cansativo, é sobrecarregado, mas é aquela coisa: Deus só dá aquilo que sabe que a gente pode carregar”, acredita Silva, que há tempos não vai numa consulta médica nem faz exames. Ela também gostaria de ter acompanhamento psicoterapêutico para ela.</p>



<p>A mãe conta que não gosta de projetar o futuro, pelo medo que tem de perder seu filho. “Isso eu não quero nem pensar. Eu vivo o hoje. Eu já vi tantas mães perderam os filhos. Se eu for parar pra pensar, eu vou perguntar assim ‘ô meu Deus, será que daqui 10 anos meu filho vai estar vivo? Será que eu vou estar viva?’. A gente pede a Deus saúde para continuar firme e forte. O resto a gente corre atrás”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>“Hoje ele acordou bem, amanhã eu não sei se ele acorda”</strong></h3>



<p>“O governo é o grande responsável por essas crianças terem nascido com microcefalia. Porque a gente não tem saneamento básico, é uma precariedade”. A fala é da dona de casa Claudilene Reis dos Santos, 30 anos, mãe de três filhos. A primeira gestação dela foi aos 18 anos. O filho do meio é Kauan, nasceu com microcefalia em decorrência da zika.</p>



<p>No dia em que a reportagem visitou a casa de Santos, em Peixinhos, na periferia de Olinda, Região Metropolitana do Recife, a família estava há dez dias sem água. Morando há dois anos no local, eles enfrentam a mesma realidade da época em que a mãe se infectou: o esgoto que escorre a céu aberto na entrada da casa simples, de dois quartos, onde Kauan dorme na sala.</p>



<p>“Eu me separei com três meses de gravidez de Kauan e, quando meu ex-marido soube (da microcefalia), não quis ter a responsabilidade de pai”, diz Santos. Ela espera desde 2019 o desfecho de uma ação judicial que moveu contra o ex para que ele pague a pensão dos dois filhos mais velhos, cerca de R$ 400. “Ele se manifestou e veio bater na minha porta armado depois que coloquei ele na Justiça”, conta.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">“O governo é o grande responsável por essas crianças terem nascido com microcefalia&#8221;, diz Claudilene Reis, mãe de Kauan. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Kauan passou recentemente mais de um mês internado no hospital em decorrência de uma pneumonia que se agravou. Em uma década, foi a primeira vez que Santos ficou longe do filho, enquanto ele estava entubado na UTI. Ele já passou por três cirurgias, uma delas para instalar uma sonda gastrointestinal, por onde ele se alimenta de três em três horas e por onde também são administradas as cinco medicações que ela toma diariamente.</p>



<p>Por conta da condição de saúde, ele tem desnutrição crônica, pesa 16 quilos, e a dificuldade de deglutir dificulta ainda mais o ganho de peso. Há um ano, quando fez a cirurgia de quadril tão aguardada por Emily, filha de Adalgisa Neto, Kauan chegou a pesar apenas 11 kg, após um pós-operatório complexo e delicado. “Depois que a gente é mãe, aprende a ser enfermeira, médica, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional”, brinca Santos. Ao longo dos anos, foi também entendendo as pequenas expressões de dor e de alegria do filho.</p>



<p>“No começo, quando ele nasceu, eu passei um mês sem sair de casa. Eu dizia &#8216;Ai meu Deus, como eu vou andar com ele na rua?’”, porque o povo ia olhar, ia falar. E a gente passou mesmo por isso no começo. Lembro que, num terminal de ônibus, uma mulher riu dele dizendo ‘eita, olha o menino da cabecinha’”, lembra. “Hoje Kauan é meu xodó, eu saio mais com ele do que com as minhas outras meninas. A gente vai para tudo que é canto, praia, piscina, shopping, igreja, jogo de futebol”, comemora.</p>



<p>Santos casou de novo. O atual marido, com quem teve a terceira filha, assumiu o papel de pai das três crianças. Ela sabe que o caso dela é uma exceção. Os cinco vivem com dois salários mínimos, sendo um do BPC de Kauan e o outro do trabalho de motorista do marido num armazém de construção. Hoje, a única coisa que ela espera do futuro é que “Que Deus dê muita saúde” ao filho, “porque a gente vive um dia de cada vez. Hoje ele acordou bem, amanhã eu não sei se ele acorda.”</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>“Uma mãe cuidando da outra”</strong></h4>



<p>Quando se viram sozinhas, sem o amparo adequado do Estado, as mães de crianças que nasceram com microcefalia em decorrência do zika formaram redes de apoio entre elas para lutar por direitos, trocar experiências, desabafos e sonhos.</p>



<p>Luciana Arrais, presidente da Unizika, organização nacional dedicada à luta por políticas públicas para essas famílias, lembra que os direitos que elas conseguiram até agora, como as indenizações, foram conquistados a duras penas. “Nós que fomos organizadas nos ministérios, no Congresso, nos órgãos públicos dizer que nossos filhos estão aqui”. Atualmente, a principal luta da Unizika é para que todas as famílias recebam o BPC, porque ainda há muitas desassistidas.</p>



<p>“Somos nós por nós, uma mãe cuidando da outra. Há muitas mães que não têm um auxílio, uma ajuda de custo, que vivem com o BPC dos filhos. Se tirar algo pra comprar um sabonete pra ela, um absorvente que seja, são julgadas porque ‘é o dinheiro da criança’. Acontece que, se essa mãe não estiver bem, como ela vai cuidar da criança?”.</p>



<p>Germana Soares, presidente da União Mães de Anjo (UMA) de Pernambuco, tornou-se militante pela causa depois de ter Guilherme, hoje com dez anos. É ela quem muitas vezes impulsiona outras mães a lutarem por tratamentos, educação, inclusão e conseguirem na Justiça o direito à pensão dos filhos.</p>



<p>Soares também costuma dizer “somos nós, as mães pelas mães”. “São mulheres que afundaram seus sonhos, pararam de estudar, trabalhar, investir em si para viver a vida de um filho que teve um vírus atravessado por uma irresponsabilidade do Estado brasileiro”, diz. “O Estado falhou nas ações e na prevenção e continua falhando. Desde quando não controla o vetor, o mosquito Aedes aegypti, e os índices de contaminação, até quando falta saneamento básico para todos, abastecimento de água nas torneiras, água potável de uma forma regular. Ou quando o carro do lixo passa somente de 10 em 10 dias para recolher o lixo de uma comunidade inteira”, complementa.</p>



<h5 class="wp-block-heading">“Mudanças climáticas são risco para nova epidemia”, diz médica</h5>



<p>A neurologista infantil Vanessa Van Der Linden trabalhava no hospital público Barão de Lucena, no Recife, em 2015, quando os casos de microcefalia começaram a aumentar. Ela foi a primeira médica a associar a relação entre o zika vírus e a microcefalia durante o surto da doença no Brasil. Naquele ano, estimativas apontavam para mais de um milhão de infecções pela doença no país e mais de <a href="https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2015/12/30/brasil-registra-quase-3000-casos-de-microcefalia-em-2015" target="_blank" rel="noreferrer noopener">três mil</a> casos de microcefalia.</p>



<p>“Geralmente eu atendia um paciente com microcefalia por mês. Lembro que, em setembro daquele ano, cheguei a atender 12 casos. Aí fui na secretaria de Saúde falar sobre o que estava acontecendo”, conta. Ela contabiliza ao menos 400 crianças que nasceram com microcefalia em decorrência do zika, no Recife, nesta época. Ao menos 150 eram seus pacientes.</p>



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	                                        <p class="m-0">A neurologista Vanessa Van Der Linden foi a primeira médica a associar a microcefalia com o zika vírus. Crédito: Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados</p>
	                
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<p>De lá para cá, a ciência avançou muito na compreensão do vírus e seus impactos, mas ainda não existe uma vacina para o zika. A médica explica que, por causa do surto, muitas pessoas adquiriram imunidade, e isso contribuiu para a redução dos casos. Mas que chegou a acompanhar nascimentos de crianças com a síndrome congênita até 2018.</p>



<p>De acordo com o <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aedes-aegypti/monitoramento-das-arboviroses" target="_blank" rel="noreferrer noopener">painel</a> de monitoramento de arboviroses do Ministério da Saúde, os casos de zika seguem tendência de queda. Em 2023, foram 6,6 mil casos suspeitos, caindo para 5,1 mil no ano passado e 3,9 mil este ano, até novembro. Mas, a médica Van Der Linden alerta que a queda não significa que o vírus tenha desaparecido, nem que estejamos livres da possibilidade de novos surtos.</p>



<p>“Hoje é mais difícil, porque muita gente tem imunidade. Mas, como o mosquito gosta de áreas quentes, tropicais, pode ser que apareça em outras regiões, que ficarão mais quentes pelo aquecimento global, onde as pessoas ainda não tiveram contato com a doença”, alerta.</p>



<p>A neurologista também acredita que, como outros fatores de risco não foram resolvidos, como o acesso ao saneamento básico, que agrava a propagação dos mosquitos, é possível que outros vírus transmitidos por mosquitos, ou seja, outras arboviroses, ou mesmo mutações das que já existem, como a dengue, gerem novas epidemias.</p>



<p>Segundo Van Der Linden, o zika vírus atinge principalmente as células progenitoras neuronais. Isso quer dizer que o vírus chega aos neurônios antes mesmo dessas células migrarem para sua posição definitiva no cérebro dos bebês. “São crianças que nascem com um comprometimento muito grande. Mais de dois terços terminaram tendo outros problemas de saúde, 90% têm casos de epilepsia grave. Os tratamentos são no sentido de dar mais qualidade de vida para elas”, explica.</p>



<p>“A mãe termina tendo que se dedicar muito à criança porque a responsabilidade recai sobre elas”, diz a médica, que acompanha centenas de famílias de crianças com a síndrome congênita do zika. “Elas sofrem muito, mas, ao mesmo tempo, essas crianças passam a ser a vida delas”, diz.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/zika-10-anos-depois-maes-lutam-pela-sobrevivencia-e-pais-vive-a-incerteza-de-novos-surtos/">Zika: 10 anos depois, mães lutam pela sobrevivência e país vive a incerteza de novos surtos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<item>
		<title>Entenda por que o metanol pode matar ou levar à cegueira irreversível</title>
		<link>https://marcozero.org/entenda-por-que-o-metanol-pode-matar-ou-levar-a-cegueira-irreversivel/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2025 22:31:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[álcool]]></category>
		<category><![CDATA[bebida]]></category>
		<category><![CDATA[cegueira]]></category>
		<category><![CDATA[intoxicação]]></category>
		<category><![CDATA[metanol]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Náuseas, enjoo, cólica abdominal, letargia. Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol podem se assemelhar à uma ressaca, mas é um quadro que pode evoluir para a morte. Usado como solvente na indústria, o metanol é altamente tóxico para seres humanos e pode estar no uísque que foi bebido por um grupo de homens em [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entenda-por-que-o-metanol-pode-matar-ou-levar-a-cegueira-irreversivel/">Entenda por que o metanol pode matar ou levar à cegueira irreversível</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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<p>Náuseas, enjoo, cólica abdominal, letargia. Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol podem se assemelhar à uma ressaca, mas é um quadro que pode evoluir para a morte. Usado como solvente na indústria, o metanol é altamente tóxico para seres humanos e pode estar no uísque que foi bebido por um grupo de homens em Lajedo, no agreste de Pernambuco. Um ficou cego e a polícia investiga se a morte de outros três têm relação com a contaminação da bebida. Apesar do cheiro e do gosto serem bastante semelhantes ao do etanol – o álcool consumido em bebidas –, os danos ao corpo são bem diferentes.<br><br>Ao ser ingerido, o metanol é metabolizado pelo fígado primeiro em formaldeído (o popular &#8220;formol&#8221;) e posteriormente em ácido fórmico, o que causa acidez no sangue, levando a uma acidose metabólica grave. “Como o fígado precisa de tempo para metabolizar o metanol até o ácido fórmico, os sintomas não são imediatos. A pessoa pode tomar a bebida em uma festa e ir para casa tranquilamente, não é como um &#8216;boa-noite cinderela&#8217;”, afirma o médico Pedro Alves, preceptor de clínica médica do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/policia-investiga-origem-de-uisque-adulterado-pro-metanol-e-quatro-casos-suspeitos-em-pernambuco/" class="titulo">Polícia investiga origem de uísque adulterado por metanol e quatro casos suspeitos em Pernambuco</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><br>O envenenamento por metanol se manifesta em média de 12 a 24 horas após a ingestão da bebida adulterada, com sintomas genéricos de uma intoxicação qualquer. “O que vai chamar atenção na evolução dos sintomas são as manifestações neurológicas e oftalmológicas: uma dor de cabeça muito forte, desorientação, vista turva. Mesmo algum tempo depois de beber, a pessoa ainda vai estar como se estivesse meio embriagada. Isso aí já é a toxicidade do metanol”, diz o médico.<br><br>Um artigo de revisão científica de intoxicações por metanol, publicado em 2022 na <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8731680/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">revista Archives of Toxicology</a> por pesquisadores poloneses indicou que a intoxicação por metanol tem taxas de mortalidade variando entre 18% e 44%, segundo dados dos Estados Unidos. Danos à visão são comuns: estima-se que sintomas visuais ocorram em cerca de 50% dos casos.</p>



<p>“O ácido fórmico atinge o sistema nervoso central. E o nervo óptico faz parte do sistema nervoso central”, explica a oftalmoglogista Camilla Alliz, preceptora de catarata e retina na Fundação Altino Ventura (FAV). Chamada de Neuropatia Óptica Induzida por Metanol, essa condição é muito grave e pode resultar em deficiência visual de longo prazo ou irreversível, levando até à cegueira. “O consumo de apenas 4 ml de metanol pode ser suficiente para provocar a perda completa da visão”, alerta a oftalmologista. Os sintomas visuais normalmente se manifestam entre 12 e 48 horas após a exposição, segundo o artigo de 2022. De acordo com nota técnica da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) divulgada hoje, a dose oral letal do metanol é estimada em 30 a 240ml(20a150g).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Nervo ótico compõe o sistema nervoso central
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ribhav Agrawal/Pixabay</span>
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                    </figure>

	


<p>Quando o metanol causa danos ao nervo óptico, a maioria dos casos é irreversível, diz Camilla Alliz. “A grande preocupação é que, uma vez atingido o nervo óptico, muitas vezes não é possível reverter o quadro. O paciente pode primeiro perceber uma visão embaçada. Ou, muitas vezes, o paciente acorda e já não consegue enxergar, pode ser algo súbito”, alerta Alliz. Quando chega nesse ponto, é difícil que o paciente volte a enxergar. “Infelizmente, quando atinge o nervo óptico, que faz parte do sistema nervoso central, a maioria das vezes não se consegue reverter o dano. E não existe transplante de nervo óptico. Se a pessoa sentir qualquer alteração visual, precisa imediatamente ir na emergência”, avisa a médica.</p>



<p>A identificação e o tratamento rápidos são importantes para evitar a progressão da doença, mesmo que já se tenha algum déficit visual inicial. O diagnóstico precoce, porém, não é tão simples, por conta dos sintomas inespecíficos da intoxicação.</p>



<p>Existe um teste que aponta a presença de metanol, mas é pouco disponível no Brasil. “O que o médico pode fazer se o paciente chegar com histórico de ingestão de bebida alcoólica na noite ou no dia anterior, com sintomas persistentes, é ver se há acidose metabólica, que pode ser identificada através de um exame de sangue simples”, recomenda o médico Pedro Alves. A partir daí, o tratamento pode incluir antídotos contra o metanol e hemodiálise.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Antídotos estão em falta ou escassos no Brasil</h2>



<p>Há dois antídotos usados em hospitais para intoxicações por metanol. Um é o etanol puro e o outro o fomepizole (ou 4-metilpirazol) – ambos impedem a conversão do metanol no perigoso ácido fórmico. No Brasil, porém, não há disponibilidade do fomepizole. “É o mais indicado, pois não tem os efeitos colaterais do etanol”, pontua Pedro Alves.<br><br>O tratamento, então, é feito com etanol puro na veia, que também não está plenamente disponível nos hospitais e deve ser solicitado ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Pernambuco (CIAtox) mais próximo. Mas até o etanol está em escassez: em nota na terça-feira (30), o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp apontou que o Brasil não tem estoque suficiente de antídotos para tratar muitos casos de intoxicação por metanol. Já a Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Abracit) cobrou a incorporação do fomepizole ao Sistema Único de Saúde (SUS).<br><br>A base científica para o uso do etanol puro é que ele compete com o metanol pelo metabolismo no fígado, e a enzima do fígado que realiza essa conversão, a álcool desidrogenase (ADH), tem uma afinidade até 20 vezes maior pelo etanol do que pelo metanol. “É como se o metanol e o etanol estivessem competindo para serem metabolizados por essas enzimas hepáticas. Como o fígado tem uma predisposição a metabolizar preferencialmente o etanol, ao injetar etanol no paciente o fígado fica ocupado, fazendo com que o metanol não metabolizado seja eliminado do corpo pela urina”, explica Pedro Alves.<br><br>Embora o álcool comum encontrado nas bebidas seja de fato um antídoto que pode salvar vidas em casos de intoxicação por metanol, não é recomendado que ele seja administrado por meio do consumo de bebidas alcoólicas, devido aos riscos e à falta de controle. “A pessoa pode entrar em coma alcoólico, por exemplo”, diz Pedro Alves. No ambiente hospitalar (com etanol venoso), a dosagem é monitorada, e o paciente é acompanhado de perto, o que não ocorre na ingestão caseira.<br><br>A terapia combinada, que inclui antídoto e hemodiálise, é a abordagem preferencial para casos graves, pois permite a remoção acelerada e simultânea tanto do metanol quanto do ácido fórmico. Enquanto as investigações policiais e epidemiológicas estão em curso e não se sabe ainda a origem e distribuição dessas bebidas contaminadas com metanol em Pernambuco, os médicos recomendam que as pessoas redobrem a atenção ao comprar bebidas alcóolicas.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Foi divulgada no começo da noite desta quarta-feira (01) uma nota técnica conjunta da Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde e Atenção Primária (SEVSAP) e a Secretaria Executiva de Atenção à Saúde (SEAS). É um alerta sobre risco de intoxicação exógena por metanol associada ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas.</p>
<p>No texto, a nota afirma que o padrão identificado nos casos de São Paulo – mais de 35 sob suspeita – diferem dos registros anteriores no país. “Historicamente, as intoxicações por metanol ocorriam predominantemente em populações em situação de vulnerabilidade social, relacionadas à ingestão de álcool combustível (etanol automotivo) adulterado com metanol. No entanto, os casos recentes envolvem indivíduos em contextos sociais de consumo — como bares, festas e residências — com relato de ingestão de bebidas como gin, uísque, vodca e outras destiladas, de diferentes marcas e procedências”.</p>
<p>A nota, voltada para profissionais de saúde, estabelece os procedimentos que devem ser adotados em suspeita de intoxicação por metanol e ficará disponível no site da Secretaria Estadual de Saúde.</p>
        </div>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entenda-por-que-o-metanol-pode-matar-ou-levar-a-cegueira-irreversivel/">Entenda por que o metanol pode matar ou levar à cegueira irreversível</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Polícia investiga origem de uísque adulterado por metanol e quatro casos suspeitos em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/policia-investiga-origem-de-uisque-adulterado-pro-metanol-e-quatro-casos-suspeitos-em-pernambuco/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2025 18:59:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[adulteração]]></category>
		<category><![CDATA[metanol]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[polícia]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apesar de oficialmente o Governo do Estado trabalhar com três casos suspeitos, mais uma pessoa pode ter consumido bebida envenenada com metanol em Pernambuco. Além das duas mortes notificadas à Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), uma terceira pessoa que estava bebendo com as outras vítimas teria sido levada para uma unidade de saúde em Lajedo, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Apesar de oficialmente o Governo do Estado trabalhar com três casos suspeitos, mais uma pessoa pode ter consumido bebida envenenada com metanol em Pernambuco. Além das duas mortes notificadas à Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), uma terceira pessoa que estava bebendo com as outras vítimas teria sido levada para uma unidade de saúde em Lajedo, no agreste do estado, e falecido antes mesmo de ser levada para o Hospital Regional Mestre Vitalino, em Caruaru, onde as outras três vítimas foram atendidas – apenas um homem sobreviveu, perdendo a visão.</p>



<p>A informação foi repassada no final da manhã desta quarta-feira (1º de outubro) pelo delegado de Lajedo, Cledinaldo Orico, na sede da SES-PE, no Recife. “Nós fomos informados sobre a existência de outra pessoa que veio a falecer. Então, seriam três mortos, mas o hospital não notificou e pode ser que tenha havido alguma confusão nos depoimentos. Nós não sabemos ainda”, afirmou. De acordo com o delegado, as mortes ocorreram no início de setembro e a delegacia começou a investigar o caso rapidamente, inclusive com vítimas ainda hospitalizadas.</p>



<p>O Hospital Mestre Vitalino, no entanto, só notificou a SES-PE na tarde de ontem sobre a suspeita de intoxicação por metanol. De acordo com o delegado, amostras da bebida foram recolhidas na investigação no começo de setembro, mas o resultado ainda não ficou pronto e deve ser divulgado “em breve”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pernambuco-registra-tres-casos-suspeitos-de-intoxicacao-por-metanol/" class="titulo">Pernambuco registra três casos suspeitos de intoxicação por metanol</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“A esposa de uma das vítimas nos procurou e nos apresentou algumas garrafas de uísque, supostamente corrompidas. Então nós, de imediato, procedemos à oitiva dessa senhora enquanto o marido dela estava em estado grave no hospital, em Caruaru. De imediato, já requisitamos também a realização da perícia, tanto nos corpos dos atendidos, quanto também na bebida. Temos uma suspeita grande (sobre a intoxicação por metanol), mas ainda não temos certeza, porque a certeza depende da perícia técnica”, afirmou o delegado. “O esposo da mulher que procurou a delegacia veio a óbito. Ela também nos deu a notícia de outro homem que morreu, que até então não se suspeitava ter sido por intoxicação, mas que por conta da sequência de internamentos, gerou essa coincidência e foram feitas essas conexões”, disse, sobre a possível terceira morte suspeita.</p>



<p>Uma das linhas de investigação seguidas pela polícia aponta que uma das vítimas teria comprado uma quantidade de garrafas de uísque em um caminhão. “Ele teria comprado para revender, mas também consumiu com os amigos antes de um festival de rock em Lajedo. Uma linha informa que ele adquiriu isso de um caminhão na cidade de Belo Jardim, mas há a possibilidade dessa informação não ser verídica, então estamos checando”, disse o delegado, que não quis informar que outras linhas de investigação também estão sendo apuradas. Uma das vítimas era moradora da cidade de João Alfredo, distante quase 150 quilômetros de Lajedo.</p>



<p>Dessas pessoas que beberam a bebida, as duas que tiveram a morte notificada ontem à SES-PE foram dois homens, um de 30 anos e outro de 43 anos. O sobrevivente foi um cunhado de uma das vítimas, de 32 anos, que perdeu a visão dos dois olhos. A prefeitura de Lajedo também teria informado a morte de um homem de 25 anos, mas esta ainda não notificada oficialmente à SES-PE.</p>



<p>Para não atrapalhar as investigações, a polícia não informou a quantidade de garrafas compradas pela vítima, nem se já identificou o vendedor ou o local de onde o caminhão pegou as bebidas. O rótulo da bebida adulterada também não foi divulgado. O caminhão apontado pelo comprador teria como origem o estado de São Paulo.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:33% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="683" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-72645 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-683x1024.jpg 683w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-768x1152.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-1024x1536.jpg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-1366x2048.jpg 1366w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-150x225.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-scaled.jpg 1707w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Nós também comunicamos aos outros órgãos policiais e à cadeia hierárquica, a fim de sabermos se no estado de Pernambuco há outros indivíduos também vitimados pela ingestão dessas substâncias, bem como também oficiamos à polícia de São Paulo para ver se há um elo comum entre as mortes ocorridas em São Paulo e os casos aqui em Pernambuco. As investigações estão apenas no início e a nossa preocupação é evitar que novas vítimas surjam”, disse Orico, afirmando que a Polícia Federal também já começou diligências em Pernambuco.</p>
</div></div>



<p> “Por ora, não temos ainda confirmação que se trata de uma mesma cadeia de fornecimento, com penetração em vários estados. Mesmo assim, a Polícia Federal, muito prudentemente, já se antecipou e já iniciou as suas investigações”, afirmou.</p>



<p>Diretora geral da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), Karla Baêta afirmou que só no final da tarde de ontem o hospital notificou a SES-PE sobre a possibilidade de duas mortes terem sido causadas por metanol. “Se não tem a notificação, não tem como a gente saber. Então, desde ontem, estamos nesse trabalho de iniciar a investigação epidemiológica sanitária, que é diferente da investigação policial”, disse.</p>



<p>“É uma perda de oportunidade um caso ter acontecido no início de setembro e a gente só ter ciência agora, quase no início de outubro. Quase 30 dias de lacuna. É perda de oportunidade, mas a gente só tem como saber se é notificado”, lamentou a diretora. “Por isso que eu faço realmente uma chamada para os profissionais de saúde, hospitais, rede pública ou privada, para que notifiquem, para que nos cientifiquem dessas ocorrências, para que possamos atuar oportunamente”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Atendimento de casos suspeitos deve ser rápido</span>

		<p>Os sintomas nas seis horas após o consumo de metanol não diferem dos de uma ressaca: letargia, sonolência, dor abdominal, ânsia de vômito, náusea, dor de cabeça. “O problema é que a partir das seis horas começa a aumentar o número de sintomas neurológicos e visuais. Ou seja, a pessoa já começa a ficar com hipotensão, já começa a também ter distúrbios de visão. É um alerta muito forte para procurar a unidade de saúde e relatar na anamnese (nas perguntas da consulta médica) o consumo da bebida. Isso é muito importante, porque facilita tanto para quem vai procurar a unidade de saúde, quanto para os profissionais que estejam alertas com relação a esses sintomas”, informou a diretora da Apevisa.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Atenção à origem das bebidas</h2>



<p>A Apevisa está desde ontem atuando em três linhas: “uma primeira linha é realmente organizar com as vigilâncias sanitárias dos municípios o comércio de bebida alcoólica. Estamos em contato com a superintendência do Ministério da Agricultura aqui no estado de Pernambuco, que é responsável pelo registro das bebidas alcoólicas e o que deve acontecer é uma operação conjunta, entre a Apevisa, Ministério Público, Ministério da Agricultura, Delegacia do Consumidor e o Procon”, afirmou Karla Baêta.</p>



<p>Uma outra linha de atuação é junto aos serviços de saúde. “Os profissionais de saúde têm que estar em alerta para a detecção e tratamento oportuno para que a gente não tenha novos óbitos. Isso é de extrema importância. Nesse momento, que é um alerta nacional, sintomas que são compatíveis com intoxicação, que seria sintoma de embriaguez mais acentuado, já direcionam a necessidade de que as pessoas procurem a unidade de saúde e façam relato de que bebida foi consumida e onde foi adquirida, para que facilite o nosso trabalho”, afirmou.</p>



<p>Outro trabalho é junto aos consumidores e comerciantes. A diretora da Apevisa recomenda que as pessoas comprem bebidas alcoólicas apenas lacradas, com os selos do Ministério da Agricultura e em lugares confiáveis. Um ponto de atenção são as bebidas vendidas nas praias, como drinks, que já chegam ao consumidor nos copos. “É um trabalho junto aos comerciantes, para que comprem as bebidas apenas de fornecedores idôneos. Bebidas que estejam dentro da legalidade, tanto do ponto de vista do Ministério da Agricultura, quanto da vigilância sanitária”, afirmou.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Karla Baêta, da Apevisa, afirmou que atraso na notificação foi &#8220;oportunidade perdida&#8221;
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/policia-investiga-origem-de-uisque-adulterado-pro-metanol-e-quatro-casos-suspeitos-em-pernambuco/">Polícia investiga origem de uísque adulterado por metanol e quatro casos suspeitos em Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Pernambuco registra três casos suspeitos de intoxicação por metanol</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 23:36:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[metanol]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) divulgou na noite desta terça-feira (30) que foi notificada sobre possíveis casos de intoxicação por metanol em três homens do Agreste, resultando em duas mortes e uma sequela grave. Dois homens são residentes no município de Lajedo e um de João Alfredo. Os três pacientes pernambucanos foram atendidos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) divulgou na noite desta terça-feira (30) que foi notificada sobre possíveis casos de intoxicação por metanol em três homens do Agreste, resultando em duas mortes e uma sequela grave. Dois homens são residentes no município de Lajedo e um de João Alfredo. </p>



<p>Os três pacientes pernambucanos foram atendidos no Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru. Os dois homens que morreram eram moradores de Lajedo. O terceiro paciente, morador de João Alfredo, recebeu alta hospitalar, mas ficou com perda de visão bilateral como sequela permanente.</p>



<p>Pernambuco é o segundo estado a notificar mortes suspeitas por metanol. Desde a semana passada, o governo do estado de São Paulo investiga intoxicações por lá. Hoje, foi divulgado que cinco pessoas morreram após sete casos de intoxicação por metanol em São Paulo, sendo uma morte já comprovadamente causada por consumo de bebida alcoólica adulterada e quatro em investigação. </p>



<p>Ainda não se sabe como as bebidas foram adulteradas. Há divergências entre a Polícia Federal e o governo de São Paulo. Hoje, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, informou que já foi instaurado inquérito policial para investigar as circunstâncias envolvendo os casos de intoxicação em São Paulo. A Polícia Federal investiga, inclusive, a ligação da adulteração de bebidas alcoólicas com o crime organizado, em especial o Primeiro Comando da Capital (PCC). Já o governo de São Paulo descarta ligação das adulterações com o PCC. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que é metanol?</span>

		<p>O metanol, também conhecido como álcool metílico ou álcool de madeira, é uma substância química que representa um risco fatal quando consumido, mesmo em doses pequenas. Embora pertença à mesma família do etanol (o álcool potável), o metanol é classificado como altamente tóxico e é usualmente empregado na indústria química.</p>
<p>A presença do metanol em bebidas destinadas ao consumo humano indica, geralmente, que o produto foi adulterado. Nos casos recentes em São Paulo, as vítimas haviam consumido bebidas destiladas, como gin, whiskey e vodka.</p>
	</div>



<p>De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), em casos suspeitos de intoxicação, o hospital é responsável por relatar o quadro clínico, notificar a ocorrência e registrar as informações coletadas na anamnese. Contudo, a investigação é conduzida pelas vigilâncias da unidade estadual. Quando há óbito com suspeita de intoxicação, o corpo é encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) para a realização de exames que garantam a conclusão da causa.</p>



<p>A Apevisa afirmou que após receber a notificação já iniciou a preparação de ações de fiscalização em distribuidoras de bebidas alcoólicas de Pernambuco. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Sintomas de alerta</h2>



<p>Segundo a SES-PE, os sintomas iniciais de intoxicação podem ser confundidos com os da ingestão de álcool comum — como náuseas, vômitos, dor abdominal e sonolência. Porém, entre 6h e 24h após o consumo, podem surgir sinais mais graves, como visão turva, fotofobia, cegueira, convulsões e até coma. O socorro médico em até seis horas após o início dos sintomas é fundamental para evitar o agravamento da intoxicação.</p>



<p>A Apevisa recomenda que os serviços de saúde notifiquem imediatamente todos os casos suspeitos ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e ao Cievs/PE. Também orienta a busca ativa de pessoas que possam ter consumido bebidas da mesma origem, além da capacitação das equipes de saúde para o manejo clínico adequado, incluindo uso de antídotos específicos e hemodiálise nos casos graves.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Onde denunciar possíveis bebidas adulteradas</span>

		<p>O Governo do Estado conta com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox-PE), que funciona 24 horas para orientar consumidores e profissionais de saúde, pelo número 0800 722 6001. Denúncias também podem ser feitas à Ouvidoria da SES-PE (136 / ouvidoria@saude.pe.gov.br), ao Procon-PE (0800 282 1512 / (81) 3181-7000 / denuncia@procon.pe.gov.br) e à Delegacia de Crimes contra o Consumidor – Decon (81 3184-3835 / dp.consumidor@policiacivil.pe.gov.br).</p>
	</div>



<p>À população, a Agência Pernambucana orienta para a importância de observar sinais que podem indicar adulteração: verificar se a bebida possui registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), rótulo completo, lacre adequado, além de comprar apenas em locais confiáveis – mas aqui vale lembrar que em São Paulo um conhecido bar foi interditado hoje após uma mulher ficar cega após consumir caipirinhas com metanol no estabelecimento. A Apevisa também divulgou, em nota, que é essencial redobrar a atenção com drinques prontos e evitar produtos sem procedência ou com preços muito abaixo do mercado.</p>



<p></p>
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		<title>O camponês e a medicina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Sep 2025 21:15:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[extrema direita]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[reforma agrária]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Augusto Cezar* Vivemos em um momento histórico de transição, marcado por uma lentidão para a resolução das nossas desigualdades e povoado de contradições. O Brasil segue devendo reparações fundamentais ao seu povo, especialmente àqueles que vivem nas margens desse projeto nacional: populações do campo, da floresta e das águas. A falta de políticas públicas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Augusto Cezar*</strong></p>



<p>Vivemos em um momento histórico de transição, marcado por uma lentidão para a resolução das nossas desigualdades e povoado de contradições. O Brasil segue devendo reparações fundamentais ao seu povo, especialmente àqueles que vivem nas margens desse projeto nacional: populações do campo, da floresta e das águas. </p>



<p>A falta de políticas públicas estruturantes — como a reforma agrária, urbana e tributária justa — perpetua desigualdades históricas que se tornam mais visíveis quando analisamos a realidade da saúde e da formação médica no país.</p>



<p>Diferente das promessas vazias que escorrem do alto, o Pronera (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária) é um exemplo de política pública transformadora. Ao promover acesso à educação desde a escolarização até as pós-graduações para camponeses e camponesas, esse programa atua diretamente na ruptura do ciclo de exclusão que impede milhões de brasileiros de terem acesso à educação. Até 2025, foram beneficiados 192.764 alunos em todos os níveis de educação.</p>



<p>Nesse sentido, a medicina é um dos campos mais emblemáticos dessa desigualdade. A Demografia Médica do Brasil 2025 apresenta quem são a maioria dos “jalecos brancos”. Brancos e de classe alta: 68,6% dos alunos de Medicina são brancos e 66% vieram do ensino médio privado. Apenas 34% são egressos da escola pública, muito abaixo da média nacional de 65,7% dos estudantes quando comparados a todas as graduações.</p>



<p>Mais grave ainda é a concentração das vagas em instituições privadas: 77,7% das matrículas em Medicina estão em faculdades particulares, que em geral praticam uma política de inclusão pífia ou inexistente.</p>



<p>Apesar dos avanços das cotas raciais e sociais em instituições públicas, o acesso continua restrito e pouco representativo da diversidade brasileira. Dos 266 mil estudantes de medicina em 2023, apenas 9% entraram por programas de reserva de vagas. </p>



<p>A consequência dessa lógica elitista se reflete na distribuição geográfica dos médicos. O Índice de Distribuição de Médicos Capital/Interior (IDCI) mostra que as capitais concentram 366% mais médicos por habitante do que o interior. No Nordeste, o índice chega a 732% de diferença. Isso em um país onde dois terços da população vive em municípios com menos de 500 mil habitantes — ou seja, o Brasil profundo permanece desassistido.</p>



<p>A realidade é conhecida por quem vive longe dos grandes centros: conseguir um médico disponível em áreas rurais e ribeirinhas continua sendo um desafio cotidiano. As políticas de provimento — como o Programa Mais Médicos — avançaram, mas são medidas paliativas se não forem acompanhadas por mudanças estruturais de fixação desses profissionais a longo prazo. </p>



<p>A universidade tem papel central nessa transformação. Para ser um espaço de excelência científica, é necessário refletir e responder ao contexto social brasileiro. A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) vem reconhecendo essa urgência ao adotar políticas afirmativas para o acesso ao curso superior há alguns anos, como a licenciatura intercultural indígena.</p>



<p>O Pronera, ao tocar na formação médica, desencadeou um conjunto de reações que misturam o pior do atraso brasileiro, a mesquindade, o individualismo, o racismo e o ódio aos pobres. </p>



<p>Ao realizar oferta supranumerária para o curso de Medicina no campus do agreste pernambucano, pioneiro na interiorização do curso de medicina, para pessoas oriundas do campo a reação foi somente amplificada na versão daqueles que já tem médico para seu cuidado, alimentados pela fábula da meritocracia e da individualização de pequenas conquistas que não reestruturaram a realidade médica nacional e que não respeitam a cor e não pisam nos locais de onde esses estudantes são oriundos.</p>



<p>A própria postura de associações de médicos, inclusive de outros estados assinando notas contrárias ao exercício legal de uma política pública que propõe contribuir na reparação histórica ou a contrariedade às cotas nas vagas de residência médica, só nos permite compreender que essa política mexe com algumas estruturas e causam incômodos.</p>



<p>Movimentos que não observamos aos desafios do exercício profissional como a precarização das relações de trabalho ou desfinanciamento da saúde pública. </p>



<p>Por falar de ciência, no que se refere a estratégias estruturantes para resolver o problema da escassez de médicos no interior, essa é uma das medidas alinhadas às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e às políticas do SUS, especialmente à Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, Floresta e Águas (PNSIPCF).</p>



<p>Universalizar com equidade a formação médica no nosso país, criando dispositivos de acesso que considerem não só a renda, mas também o território de origem dos estudantes. Afinal, formar médicos oriundos desses territórios é uma das formas mais eficazes de garantir que o cuidado em saúde chegue aonde ele é mais necessário.</p>



<p>Contrapor as posições contrárias às políticas afirmativas é parte desse processo. Os que resistem à democratização da medicina não fazem isso em nome da qualidade, mas, sim, da manutenção de privilégios. Não se trata de baixar o rigor — trata-se de temperá-lo com ciência socialmente referenciada. E isso exige coragem institucional e ousadia popular.</p>



<p>Destaque tem sido a acolhida da UFPE, sua comunidade acadêmica de docentes, discentes, técnicos bem como a solidariedade no cenário nacional. O Brasil precisa, com urgência, aumentar a formação de médicos que tenham a vivência dessas localidades, a vida como ela é. Médicos/as que saibam o valor de uma unidade básica no sertão, de um posto fluvial na Amazônia, de uma visita domiciliar em uma comunidade quilombola, que dêem valor às exaustivas viagens à capital em busca de uma especialidade focal. </p>



<p>Médicos/as que falem a língua do povo — não só no sentido simbólico, mas no literal também. Nossa melhor aposta para resolver esse problema dessas comunidades vem delas mesmas, formando seus filhos e filhas para o cuidado médico com ciência e consciência.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*Augusto Cezar é médico e professor da UFPE</p>
    </div>
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		<title>Dengue do tipo 3 reacende alerta em Pernambuco, mas clima deve evitar epidemia</title>
		<link>https://marcozero.org/dengue-do-tipo-3-reacende-alerta-em-pernambuco-mas-clima-deve-evitar-epidemia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Aug 2025 20:38:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Butantan]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[dengue]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde 2002, a dengue do tipo 3 quase não aparecia em Pernambuco. Em 2023, voltou timidamente, com a identificação de quatro casos no Estado, subindo para 17 casos no ano seguinte. Já nos sete primeiros meses deste ano, houve um salto, com a identificação de mais 150 casos. Em uma população majoritariamente com anticorpos contra [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde 2002, a dengue do tipo 3 quase não aparecia em Pernambuco. Em 2023, voltou timidamente, com a identificação de quatro casos no Estado, subindo para 17 casos no ano seguinte. Já nos sete primeiros meses deste ano, houve um salto, com a identificação de mais 150 casos. Em uma população majoritariamente com anticorpos contra os sorotipos 1 e 2 da dengue, a presença de casos da dengue 3 gera um alerta: a segunda infecção pelo vírus da dengue, seja por qual sorotipo for, costuma ser mais grave, gerando mais hospitalizações e mortes.</p>



<p>No Brasil, é comum que os sorotipos 1 e 2 se revezam ao longo dos anos. Os sintomas de todos os sorotipos são parecidos – dor no corpo, febre alta, dor de cabeça e atrás dos olhos, mal estar, manchas vermelhas pelo corpo. De acordo com o Ministério da Saúde, a dengue 3 é considerada um dos sorotipos mais virulentos do vírus da dengue, ou seja, tem maior potencial de causar formas graves da doença. Há também a ameaça de uma alta de casos, já que a maioria da população não tem anticorpos contra o sorotipo 3. </p>



<p>Mas Pernambuco pode ter dado sorte. Isso porque a maioria dos casos de dengue 3 foi identificado já no final da sazonalidade da doença por aqui, que vai de março a julho. Há uma inversão na tendência de queda ao final da sazonalidade, mas não um aumento de casos – que, no geral, está 61% menor que no ano passado, de acordo com o último boletim epidemiológico das arboviroses em Pernambuco.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p class=" "><strong>O que são sorotipos da dengue?</strong></p>
<p class=" ">Sorotipos são variações do vírus que, embora pertençam à mesma espécie, possuem diferenças em sua composição. No caso da dengue, os quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) são suficientemente distintos para que uma infecção por um deles não ofereça imunidade contra os outros.</p>
<p class=" ">Isso significa que uma pessoa pode ser infectada até quatro vezes durante a vida, uma por cada sorotipo. Além disso, infecções subsequentes por diferentes sorotipos aumentam o risco de formas mais graves da doença.</p>
<p class=" ">A infecção por determinado sorotipo tem efeito protetor permanente contra aquele sorotipo especifico e efeito protetor temporário contra os outros sorotipos.</p>
<p>Fonte: Ministério da Saúde</p>
        </div>
    </div>



<p>Os casos de dengue 3 se concentram na Região Metropolitana do Recife e na Zona da Mata. De acordo com o diretor de Vigilância Ambiental da Secretaria Estadual de Saúde, Eduardo Bezerra, o clima contribui para segurar uma provável epidemia de dengue 3. “Foi um inverno atípico, com temperaturas mais baixas em geral, o que dificulta a reprodução do mosquito <em>Aedes aegypti</em>”, disse.</p>



<p>Outro fator é que não tivemos fenômenos climáticos como o La Niña e El Niño, o que também contribuiu para a diminuição de casos de dengue neste ano. “Apesar do aumento de casos de dengue 3, não houve um crescimento exponencial ou explosivo no número total de casos neste ano, o que leva a uma expectativa de que não se atinja um quadro mais grave devido às condições climáticas favoráveis. Eu, particularmente, acho que não vamos ter um crescimento de casos neste ano”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pesquisa-da-fiocruz-confirma-quanto-mais-calor-mais-dengue/" class="titulo">Pesquisa da Fiocruz confirma: quanto mais calor, mais dengue.</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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	            </div>
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<p>O <em>Aedes aegypti </em>é um mosquito que gosta de calor — mas não muito. A reprodução dele é mais eficaz em temperaturas de 25 a 30 graus, enquanto que a transmissão da dengue pode ocorrer entre 17 e 34 graus, sendo mais eficaz aos 29º. Com um inverno mais frio, tanto a reprodução quanto a transmissão foram afetadas. “Em regiões como Garanhuns e Salgueiro houve diminuição da proliferação do mosquito. No entanto, na região metropolitana, essa baixa de temperatura pode não ser suficiente para afetar a capacidade de reprodução do mosquito. A expectativa é que o final do período de chuvas e a entrada em um período mais quente e com menos chuva ajudem a evitar uma explosão de casos”, diz Eduardo.</p>



<p>Ainda que as temperaturas aumentem nas próximas semanas, com o fim das chuvas, a tendência é que a água parada diminua, fazendo com que o mosquito perca seu local de reprodução. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Casos de dengue diminuíram 60,1% em relação ao ano passado</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">O mais recente Boletim Epidemiológico de Arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), divulgou nesta quarta-feira (20), com dados das semanas epidemiológicas de 29/12/2024 a 16/08/2025, aponta 28.503 casos notificados de dengue, representando uma diminuição de 60,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior no estado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foram confirmados 6.818 casos de dengue em Pernambuco, incluindo 147 casos graves e 5 óbitos confirmados. O Boletim 33 revela que 114 municípios pernambucanos têm baixa incidência de casos de dengue, 43 localidades apresentam incidência média e 20 apresentam alta incidência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O boletim também traz 4.509 casos notificados de Chikungunya, com 676 confirmações. Para o Zika, houve 958 casos notificados, porém sem confirmações. Pernambuco também registra 183 casos de Febre do Oropouche desde maio de 2024, com 7 casos confirmados em 2025.</span></p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Vacina brasileira contra a dengue pode mudar cenário</h2>



<p>Em dezembro de 2023, o Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou a vacina Qdenga, do laboratório japonês Takeda. Mas, com poucas doses disponíveis, o público foi limitado. Hoje, só pessoas entre 10 e 14 anos podem receber a vacina pelo SUS, que é em duas doses. De acordo com Eduardo Bezerra, ainda não há mudanças epidemiológicas desde a adoção da vacina. Além de ser uma faixa etária restrita, há poucas doses e baixa adesão da população.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/conheca-a-vacina-do-butantan-capaz-de-prevenir-a-dengue-com-apenas-uma-dose/" class="titulo">Conheça a vacina do Butantan capaz de prevenir a dengue com apenas uma dose</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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        </div>

		


<p>“Embora cerca de 90 mil crianças tenham recebido a primeira dose em Pernambuco, apenas 35 mil retornaram para a segunda dose. A segunda dose é considerada muito importante para fixar e manter a imunidade”, afirmou Bezerra.</p>



<p>A Qdenga também não tem doses suficientes para ser distribuída em todo o estado, apenas nas regionais do Grande Recife, de Garanhuns (Agreste) e Salgueiro (Sertão). É mais eficaz contra os sorotipos 1 e 2, os prevalentes no Brasil. “Apesar de ter uma eficácia de 47% contra a dengue tipo 3, esse percentual é considerado muito bom no contexto da farmacologia e da imunologia, e não deve ser interpretado com a mesma lógica de cálculos gerais”, acrescenta o diretor de vigilância ambiental de Pernambuco.</p>



<p>A Qdenga é encontrada também na rede privada, com cada dose custando cerca de R$ 570. O intervalo entre as duas doses é de três meses.</p>



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	                                        <p class="m-0">Vacina Qdenga pelo SUS é restrita a pessoas entre 10 e 14 anos. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>O que pode realmente ter impacto no controle da dengue é uma vacina em dose única e amplamente oferecida à população. Desde o começo deste ano a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan a partir de um protótipo do Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. Em dose única, a possível vacina é vista como a principal promessa para uma imunização ampla da população.</p>



<p>A expectativa do Butantan era de que a vacina fosse aprovada ainda neste ano. Em nota à Marco Zero, a Anvisa afirmou que recebeu, no dia 6 de fevereiro deste ano, o pedido de registro da vacina. “A partir desse pedido, a avaliação teve início, sendo que, em 14 de fevereiro, a Agência enviou à equipe do laboratório uma exigência técnica, solicitando informações e dados complementares necessários para o prosseguimento da análise”, informou a nota.</p>



<p>A resposta ao primeiro pedido foi dada pelo Butantan em 7 de março. Uma nova exigência técnica foi feita pela Anvisa em 22 de maio e atendida pelo laboratório em 13 de junho. “Esse tipo de solicitação ocorre quando a Anvisa identifica alguma lacuna de informação nos dados e estudos apresentados, exigindo explicações ou dados complementares. Trata-se de uma dinâmica comum na análise de vacinas e medicamentos, e as equipes da Agência e do Butantan mantêm um canal constante de comunicação”, diz a nota.</p>



<p>A nota da Anvisa também informa que no dia 31 de julho foi realizado um painel com consultores externos para discussão dos dados da vacina apresentados pelo Butantan. “A próxima etapa será discutir com o Instituto Butantan sobre os encaminhamentos necessários para o prosseguimento do processo de registro, com vistas à formalização do termo de compromisso, necessário para a conclusão da análise técnica”, diz a nota, que concluiu afirmando que “a Anvisa está comprometida com a avaliação da eficácia e da segurança da vacina, de forma que sua análise ocorra no menor tempo possível”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">A prevenção contra a dengue</span>

		<p>Embora medidas amplas como saneamento básico universal e limpeza urbana sejam as medidas realmente efetivas, é possível fazer alguma diminuição individual de riscos. Evitar o acúmulo de água é o principal deles.</p>
<p><strong>Os cuidados essenciais são:</strong></p>
<p>&#8211; manter caixas d’água limpas e vedadas;</p>
<p>&#8211; fechar bem sacos de lixo e lixeiras;</p>
<p>&#8211; dispensar o uso ou preencher com areia os “pratinhos” de plantas;</p>
<p>&#8211; manter as calhas limpas e livres para o total escoamento da chuva;</p>
<p>&#8211; esfregar o fundo e as laterais dos potes de água oferecidos a animais;</p>
<p>&#8211; manter em dia a manutenção de piscinas.</p>
<p>A fim de reforçar os cuidados, vale instalar telas nas janelas e portas, e mosquiteiros em cima de camas e berços. Também é recomendado aplicar repelente na parte da pele exposta e por cima da própria roupa.</p>
<p>Fonte: Instituto Butantan</p>
	</div>



<p>Em nota à MZ, o Butantan afirmou que os ensaios clínicos do imunizante foram encerrados em junho do ano passado, quando o último participante completou 5 anos de acompanhamento. Os dados de segurança e eficácia divulgados da vacina mostram 79,6% de eficácia geral para prevenir casos de dengue sintomática. “Resultados da fase 3 do ensaio clínico publicados na The Lancet Infectious Diseases mostraram, ainda, uma proteção de 89% contra dengue grave e dengue com sinais de alarme, além de eficácia e segurança prolongadas por até cinco anos”, diz a nota.</p>



<p>Em caso de aprovação pela Anvisa, o Instituto Butantan poderá disponibilizar cerca de 100 milhões de doses ao Ministério da Saúde nos próximos três anos. De acordo com o órgão, um milhão de doses da vacina poderão ser entregues já em 2025, em caso de aprovação. “As outras cerca de 100 milhões de doses poderão ser entregues nos anos de 2026 e 2027. A definição dos critérios de vacinação da população deverá ser feita pelo Ministério da Saúde, por meio do PNI (Programa Nacional de Imunizações)”, diz a nota.</p>



<p>Enquanto a vacinação ampla não chega, a prevenção, ainda que difícil, segue sendo a saída. “A composição urbana atual das cidades e as mudanças climáticas tornam a prevenção ainda mais desafiadora hoje em dia”, afirma Bezerra, que alerta que a dengue não é uma doença que deve ser subestimada. “É preciso estar muito atento aos sintomas, já que a dengue pode se agravar e pode levar ao óbito num período muito curto. Não se deve demorar para procurar assistência médica”, ressalta Eduardo Bezerra.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/dengue-do-tipo-3-reacende-alerta-em-pernambuco-mas-clima-deve-evitar-epidemia/">Dengue do tipo 3 reacende alerta em Pernambuco, mas clima deve evitar epidemia</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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