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	<title>Arquivos Argentina - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos Argentina - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Pior do que Bolsonaro? Jornalista explica porque ultradireitista ameaça a democracia na Argentina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Sep 2023 14:21:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Samarone Lima*, com fotos de Sebastián Miquel** A eleição presidencial da Argentina, dia 22 de outubro, pode representar um desastroso retrocesso em um tema que o país se tornou exemplo na América do Sul: o julgamento e prisão dos militares envolvidos em graves violações de Direitos Humanos, logo após a reconquista da democracia. Toda [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Samarone Lima*, com fotos de <a href="https://sebastianmiquel.com.ar/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sebastián Miquel</a></strong>**</p>



<p>A eleição presidencial da Argentina, dia 22 de outubro, pode representar um desastroso retrocesso em um tema que o país se tornou exemplo na América do Sul: o julgamento e prisão dos militares envolvidos em graves violações de Direitos Humanos, logo após a reconquista da democracia.<br><br>Toda a cúpula militar foi julgada e grande parte condenada, com transmissão pelo rádio e TV. Os sobreviventes fizeram comoventes e dolorosos relatos do que sofreram, numa espécie de catarse coletiva, tema do filme <em>1985</em>, do diretor Santiago Mitre, que levou multidões aos cinemas de todo o país, há dois anos.<br><br>Para ter uma idéia da importância da Justiça de Transição, realizada pelos Argentinos, o general Jorge Rafael Videla, que comandou a ditadura de 1976 a 1986, morreu em 17 de maio de 2013 aos 87 anos, no cárcere da prisão de Marcos Paz, onde cumpria pena de prisão perpétua.<br><br>O negacionismo da ditadura faz parte da campanha de Javier Milei, de 52 anos, vencedor das “primárias” (uma pré-eleição onde todos os presidenciáveis disputam), pelo partido Liberdade Avança.<br><br>Economista, novato na política, de extrema direita, tem um discurso que continua faturando alto nas urnas. Fala barbaridades o tempo todo, se declara “anarcocapitalista”, diz que vai “dinamitar” o Banco Central, defende a privatização do sistema de saúde e educação, pretende facilitar o acesso às armas de fogo e chegou a falar de um “novo mercado”, a venda de órgãos.<br><br>Não por acaso (ou inspiração), é admirador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-SP) e amigo de seu filho, Eduardo Bolsonaro. Os dois aparecem em fotos publicadas em redes sociais, simulando um revólver com os dedos. Milei considera “farsas da esquerda” as mudanças climáticas. Suas mensagens chegam a dois milhões de seguidores, nas redes sociais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ataques a um símbolo dos Direitos Humanos</strong></h2>



<p>Como o assunto da ditadura tem um forte impacto no país, coube a à candidata a vice-presidenta de Milei, Victoria Villarruel, fazer o “jogo sujo” da campanha. Frequentadora assídua de programas na TV, tem uma forte presença midiática. Começou a falar da ditadura Argentina pelo ângulo oposto &#8211; defendendo os militares e atacando quem luta por memória, verdade e Justiça.<br><br>Uma de suas propostas foi a de devolver o principal centro clandestino de tortura do país, a onde funcionava a Escola de Mecânica da Armada (ESMA), atualmente o Museu da Memória, aos “seus donos” &#8211; os militares. Entre 1976 e 1983, o local recebeu cinco mil presos. Apenas 10% sobreviveram. Ali, foram roubadas de seus pais 500 crianças.<br><br>Ela colocou em dúvida os graves crimes cometidos no local, com farta documentação dos próprios militares, considerando-os “simples abusos”.<br><br>Victoria achou pouco. Resolveu atacar a presidenta da organização Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, chamando-a de “personagem sinistro”, que vive “um eterno relato” em relação à memória construído em torno da ditadura e dos anos 1970.<br><br>Carlotto, que tem uma filha, Laura Carlotto, desaparecida, teve um filho na prisão, que nunca foi entregue à família. Somente em agosto de 2014, após 36 anos de luta, Estella conseguiu encontrá-lo. Foi rebatizado de Guido Carloto, em homenagem a um tio. Um encontro que emocionou o país.</p>



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	                                        <p class="m-0">Estela de Carlotto foi atacada por candidata a vice de extrema-direita. Crédito: Sebastián Miquel</p>
	                
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<p>Ela preferiu não lançar mais holofotes à candidata da ultradireita:<br><br>“Há que se defender com a verdade e a luta permanentemente. As ofensas, que Deus a perdoe. São coisas que doem, me que Deus a perdoe”.<br><br>Mas advertiu:<br><br>“Ela está dando sinais de que isso de agora não é nada. O que será depois?”</p>



<p>Para entender melhor a ameaça que ronda a Argentina, entrevistamos o jornalista<a href="https://www.voltairenet.org/auteur122929.html?lang=es" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Gérmán Duschatzk</a>, ex-editor e colunista do jornal das Madres de la Plaza de Mayo, que também atuou como em várias emissoras de rádios e na mídia independente portenha. Ele também professor de redação no curso de Jornalismo do Instituto Universitario Nacional de Derechos Humanos Madres de Plaza de Mayo (IUNMA).</p>



<p>Nesta entrevista para a Marco Zero, ele se diz “profundamente envolvido” na realidade social e política da Argentina, que “sempre o comove”.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>***</strong></p>



<p>Marco Zero<strong>: Como explicar este ascenso da ultradireita na Argentina?</strong></p>



<p><strong>Gérmán Duschatzk:</strong> A primeira coisa que eu considero é que ela aparece num contexto de deterioração social, das identidades políticas e das expectativas reais da sociedade. É expressão de grandes setores da sociedade que não estão dentro do sistema formal de trabalho, com um discurso forte antissistema (político, representativo, tradicional) e de livre mercado. Isso encaixa bem na sensação de solidão frente ao mundo que tem qualquer trabalhador, precarizado, de aplicativo ou autônomo. Para esses setores, está dirigida boa parte dos slogans do Milei e dos parceiros dele.<br><br>A gente passou os quatro anos do governo Macri [Maurício Macri, governou de 2015 a 2019], que propiciaram grandes retrocessos em matéria de direitos e benefícios econômicos das maiorias, revertendo os 12 anos de ciclo de inclusão dos governos do Nestor Kirchner e Cristina Kirchner [ele foi presidente de 2003 a 2007, enquanto sua esposa presidiu o país de 2007 a 2015]. Como parte substancial disso, voltamos a ficar submetidos às exigências do FMI, com uma dívida impossível de pagar nos termos e prazos definidos. Depois chegaram os quatro anos desse governo que está acabando agora [Alberto Fernández tomou posse em 2019], que, no que se relaciona com esse assunto da inclusão, não teve respostas e gerou a maior perda de votos do peronismo na história, fora dos anos de proscrição. A falta de reação do peronismo nacional em frente disso, é produto do governo frustrante desses últimos quatro anos, onde a riqueza só se concentrou mais ainda, tanto que o mudo do trabalho continuou em permanente deterioração.<br><br><strong>O que há de diferença nesta “nova direita” Argentina?</strong><br><br>Essa nova direita, que retoma alguns aspectos da nova direita anterior, que foi o Macri, se encaixa num momento onde as instituições da República estão desacreditadas, produto dessa falta de respostas aos interesses das maiorias.<br><br>Agora, eles vem com tudo. A candidata a vice-presidenta do Milei, Victoria Villarruel, é filha e neta de militares, fez parte da resistência às políticas de direitos humanos e castigo aos crimes de lesa humanidade. Escondida atrás de um discurso que equipara as vítimas de atos da guerrilha com a política de terrorismo de estado, ela nega os crimes da ditadura.<br><br>Ao mesmo tempo, são contra o aborto, os migrantes, a educação sexual integral, a diversidade de gênero. Enfim, tem todo esse rosário de ideias reacionárias.<br><br>O discurso do Milei contra o que ele chama de &#8220;casta&#8221; da política também é bem efetivo, só dirigido contra o peronismo (e tudo o que eles qualificam como socialista, comunista, etc).<br><br><strong>O que representa o ataque a uma pessoa tão importante na luta pelos Direitos Humanos, como Estela de Carlotto?</strong></p>



<p>O ataque contra a Estela é o ataque contra a mais ecumênica das figuras, na luta pelos direitos humanos. As respostas foram variadas, entre pessoas do âmbito dos direitos humanos e outras pessoas s públicas. Foi bastante inédito, porque a Estela não é uma pessoa polêmica, digamos. Não tem um posicionamento de esquerda em geral. Ela é dos direitos humanos, da recuperação dos netos e teve uma adesão definida a Cristina Kirchner. Mas não é de propor coisas relacionadas com a política em geral e, quando emite opinião, costuma ser bastante conciliadora. Ela não dá opiniões sobre a política, se não sobre a democracia. O que ela considera é que é melhor não dar tanto espaço para essas polêmicas, porque é a estratégia delas.<br><br><strong>A declaração da Villarruel foi bastante bem violenta.</strong><br><br>Sim, bem violenta. Parece mais uma estratégia de sempre aparecer. Essa força tem constantemente entrado nas polêmicas que apareceram de um jeito frontal e brutal. Aparecer sempre, ser titular das notícias, polêmicas constantes, é uma estratégia que usam, e parece dar bons resultados.<br><br>Outro dia, li uma matéria que falava como que a maior parte dos votantes do Milei não escolhe pela afinidade com as ideias, mas porque ele é conhecido como personagem, como novidade num cenário político que há oito anos, de dois partidos opostos, que não dão respostas.</p>



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	                                        <p class="m-0">Gérmán Duschatzk. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
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<p><strong>Criar polêmicas parece sempre funcionar bem para essa direita.</strong><br><br>Não sei se você viu, mas o Milei também fez vários comentários bem polêmicos sobre um assunto muito importante para os argentinos, que são as Ilhas Malvinas. Ele, faz tempo, disse se identificar com Margareth Tatcher [primeira-ministra da Inglaterra, que liderou a Guerra das Malvinas]. Agora, a que seria a ministra de relações exteriores dele, falou que no governo deles, se respeitaria a autodeterminação da população das ilhas (que não é autóctone, são ingleses, porque nós, os argentinos fomos expulsos). Também falou de fechar o Conicet (Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas, autarquia que existe desde 1958), que é a instituição pública mais importante em ciência e tecnologia.<br><br><strong>Quanto mais barulho, melhor</strong>?<br><br>Venda de órgãos, venda de crianças, privatização das ruas, vouchers para estudar e se tratar na área da saúde, acabar com a distribuição do dinheiro federal entre as províncias, enfim. Um monte de besteira, realmente, coisas impossíveis, só ditas para aparecer. A mais efetiva, nesse contexto de perda de valor do peso e constante inflação, é a dolarização.<br><br>Mas a eleição real vem daqui a mais de um mês. um mês e meio. Eu não sei qual vai ser o resultado mas não vai ser igual. Por fora disso, um terço real da população com capacidade de eleger, não votou nas primárias.</p>



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	                                        <p class="m-0">Duschatzk acredita que resultado das eleições de outubro será diferente das primárias. Crédito: Sebastián Miquel</p>
	                
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<p><strong>* Jornalista, poeta e escritor, mestre em Estudos da América Latina pela USP</strong></p>



<p><strong>**Editor de fotografia da revista MAIZ, Facultad de Periodismo de la Universidad de la Plata, trabalhou em veículos como Página 12, El País (Espanha) e revista Nova (Brasil). Vencedor do prêmio de Fotografia do Mercosur.</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong><br><br><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p><p><br></p></blockquote>
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		<title>A batalha pela verdade nas redes sociais na pauta da Conferência Latino Americana de Ciências Sociais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Nov 2018 15:47:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Aquiles Lopes (Buenos Aires) Pós verdade, fake news e o direito à comunicação foram temas que estiveram no centro da pauta e das atenções durante a Conferência Latino Americana de Ciências Sociais (Clacso), finalizada neste domingo, em Buenos Aires. O evento reuniu aproximadamente sete mil pesquisadores e militantes dos movimentos sociais do mundo inteiro, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Aquiles Lopes (Buenos Aires)</strong></p>
<p>Pós verdade, fake news e o direito à comunicação foram temas que estiveram no centro da pauta e das atenções durante a Conferência Latino Americana de Ciências Sociais (Clacso), finalizada neste domingo, em Buenos Aires. O evento reuniu aproximadamente sete mil pesquisadores e militantes dos movimentos sociais do mundo inteiro, incluindo importantes nomes do pensamento crítico, como o português Boaventura de Sousa Santos, o prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel e o embaixador do Estado Palestino Elias Sanbar.</p>
<p>A plataforma Mueve, idealizada por um grupo de jornalistas independestes das Américas e Caribe, foi lançada durante a Clacso. A iniciativa reúne conteúdo compartilhado e aberto sobre direitos humanos, democracia e política de toda a América Latina.</p>
<p>Um dos principais nomes do projeto, o professor Cesar Hernandez Paredes, presidente do Centro de Estudos de Comunicação Estratégica do México, explica que a sociedade está diante de um problema jamais enfrentado, que é a disseminação estratégica de conteúdo falso com objetivo político. “Precisamos lutar nesta arena, de forma organizada e eficaz. O Mueve irá reunir dados sobre o que está acontecendo no continente, principalmente violações aos direitos humanos, mas também trabalhar na formação de programadores e geradores de conteúdo, acumulando informações abertas por quem nos acessar”, explica.</p>
<p>A psiquiatra argentina Julia Hermida, que realizou um estudo sobre as estratégias da Cambridge Analytica, detalha que ao entrar em sites de quiz, por exemplo, o usuário das redes sociais abre seus dados sobre idade, região onde mora e preferências pessoais. “Até bem pouco tempo a publicidade realizava pesquisas com grupos focais, para direcionar conteúdo e realizar campanhas mais eficientes. Agora tudo isto está disponível, informado pelas próprias pessoas, em lugares como o Facebook”, diz.</p>
<p>O jornalista e professor chileno Pedro Santander coordenou o primeiro grande estudo sobre política e twitter em seu país, realizado em 2017 durante as eleições presidenciais do Chile, onde o voto é facultativo. O trabalho relacionou as citações no twitter com os candidatos presidenciais, classificando-as em positivas, negativas e neutras, além de avaliar a frequência com que estas menções ocorriam. “Percebemos que o twitter reage muito rapidamente ao conteúdo televisivo. Todas as vezes que havia debates, por exemplo, o número de citações explodia, aumentando o poder de alcance da própria rede”. Com o estudo foi possível prever a vitória do atual presidente chileno o milionário Sebastian Piñera, dono do canal de TV Chilevision. “Então é importante compreender que a estratégia política não se restringe apenas ao debate eleitoral e ao conteúdo que circula nas redes, pois os meios tradicionais ainda são discutidos no ambiente digital, com grande poder de influência”, argumenta Pedro.</p>
<p>Fundador do Le Monde Diplomatique e respeitado como um dos mais importantes jornalistas da atualidade, Ignacio Ramonet acredita que a mídia tradicional está enfrentando uma grande crise de confiança e credibilidade. “Os meios precisam aprender a dialogar com este novo perfil de público, que é bombardeado o tempo inteiro por diversas versões e narrativas. Nossa responsabilidade, enquanto comunicadores, é ainda maior nestes tempos”.</p>
<h2><strong>Memória</strong></h2>
<p>Um grupo de aproximadamente 50 adolescentes conversa baixinho na sala de projeção enquanto o filme não começa. Falam sobre onde ir depois, os preparativos para a final da Copa Libertadores e as paqueras. As janelas de vidro por onde entra uma intensa luz solar, são cobertas por cortinas automáticas que viram parte do cenário e então começa a ser exibido um documentário com oito minutos de duração. O filme mostra os crimes cometidos pela ditadura militar que se instalou no país entre 1976 e 1983.</p>
<p>Para os argentinos os sequestros, mortes, torturas e desparecimentos realizados por agentes do Governo são chamados de “Terrorismo de Estado”, termo presente por todos os lugares da capital argentina. O filme mostra o julgamento dos militares e civis acusados destes crimes, após denúncias de vítimas e testemunhas. Entre os condenados o ex-presidente Jorge Videla, sentenciado à prisão perpétua, falecido em 17 de maio de 2013, na cadeia Marcos Paz.</p>
<p>A projeção acaba, as cortinas são abertas e uma monitora, um pouco mais velha que os jovens espetadores, entra na sala. Ela explica que tudo que foi visto ali é verdade e que a Argentina tem o compromisso em não deixar que tantas histórias tristes, de crimes contra a humanidade se repitam. Uma longa pausa silenciosa se estabelece e alguns jovens se abraçam chocados. O local onde tudo isto acontece é o prédio o de funcionou a sombria Escola da Marinha (ESMA), hoje chamada de Espaço de Memória e Direitos Humanos. O lugar serviu como cadeia para centenas de pessoas, centro de tortura e sala de partos.</p>
<p>Na ESMA, os recém-nascidos eram afastados das mães e doados a militares ou seus parentes, ou simplesmente atirados no rio da Prata, junto com os pais, nos chamados voos da morte. “Até hoje, mesmo após mais de 30 anos do fim da ditadura, ainda estamos tentando reconhecer desaparecidos e encontrar crianças que foram separadas de suas famílias”, diz Estela de Carloto, presidente do grupo das Avós de Mayo.</p>
<p>O Espaço, que tem visitação gratuita, reúne material audiovisual, documentos, fotografias e uma enorme quantidade de conteúdo relacionado à ditadura militar argentina. Também funcionam salas de estudos, onde trabalham pesquisadores e professores, tanto do país quanto convidados, interessados em memória e transição. Tudo é inteiramente mantido pelo governo argentino, que, na atual gestão, chegou a cogitar cortar recursos, mas retrocedeu após pressões das Mães e Avós de Mayo junto ao parlamento. O memorial funciona entre quartas e domingos e recebe, ao menos cinco escolas por semana, chegando a uma média de 250 alunos, entre 13 e 18 anos. “Brasileiros? Sim recebemos muitos aqui, tanto que todos os nossos panfletos e audioguias estão em português”, explica o monitor, logo na entrada.</p>
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		<title>Defesa da educação pública dá o tom da abertura da Conferência Latino Americana de Ciências Sociais em Buenos Aires</title>
		<link>https://marcozero.org/defesa-da-educacao-publica-da-o-tom-da-abertura-da-conferencia-latino-americana-de-ciencias-sociais-em-buenos-aires/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Nov 2018 22:10:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
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		<category><![CDATA[universidade pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Aquiles Lopes (de Buenos Aires) A defesa das universidades públicas e de qualidade esteve no centro dos debates no primeiro dia do Congresso Latino Americano de Ciências Sociais (Clacso), que está sendo realizado em Buenos Aires. Os grandes fóruns iniciais reuniram mais de 30 mil pessoas na sede Club Ferro Carril Oeste, tradicional time [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Aquiles Lopes (de Buenos Aires)</strong></p>
<p>A defesa das universidades públicas e de qualidade esteve no centro dos debates no primeiro dia do Congresso Latino Americano de Ciências Sociais (Clacso), que está sendo realizado em Buenos Aires. Os grandes fóruns iniciais reuniram mais de 30 mil pessoas na sede Club Ferro Carril Oeste, tradicional time de futebol do subúrbio da capital. Para que as pessoas pudessem acompanhar os debates quatro telões foram montados ocupando duas quadras e também a área externa, tamanho o público interessado.</p>
<p>Pesquisadores, escritores, cineastas, pensadores e estudantes da América Latina e da África participam do evento, que, até sexta-feira, acontece simultaneamente em diferentes pontos da cidade, pois a quantidade de painelistas inscritos ultrapassa 7 mil, entre eles nomes como o prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel.</p>
<p>Com milhares de participantes oriundos do meio acadêmico do continente, a educação é um dos assuntos mais discutidos nesta Clacso. A crise educacional na Colômbia, onde professores, estudantes e alunos estão em greve contra os cortes no orçamento da educação, foi a grande referência para o que muitos educadores trataram como o projeto de desmonte do pensamento crítico.</p>
<p>“Não imaginem que o que está acontecendo é algo isolado ou obra do acaso. Faz parte de um plano internacional de ajustes implantado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), com escolas à distância e ensino cada vez mais técnico. Temas como Filosofia, História, Artes e Sociologia vão sendo retirados da vida dos estudantes”, afirmou Sonia Alesso, secretária geral dos trabalhadores em Educação na Argentina e representante da América Latina no Comitê Mundial da Educação.</p>
<p>No caso colombiano, o subfaturamento nas receitas para as universidades chega a 4,5 trilhões de pesos, enquanto o presidente Ivan Duque anunciou um novo investimento de aproximadamente 1 trilhão. Sonia também expressou preocupação com o projeto de educação anunciado pelo futuro governo brasileiro, que, a exemplo da Colômbia, propõe a redução de investimentos nas universidades públicas. “A educação não muda o mundo, mas muda os sujeitos que vão mudar o mundo”, disse ela citando Paulo Freire.</p>
<p>Um dos mais reconhecidos pensadores mundiais da atualidade, o catedrático da Universidade de Coimbra Boaventura Sousa Santos também fez referências a Paulo Freire e ao modelo defendido pelo próximo governo brasileiro. “A escola sem partido acaba de elencar os livros que devem ser proibidos: Karl Marx, José Saramago, Paulo Freire e Milton Santos. Eu estou muito triste porque ainda não tenho esse privilégio”, ironizou. Para Boaventura, uma sociedade não pode ser formada por tecnocratas, que aprendem apenas técnicas de trabalho e não têm capacidade de pensar.</p>
<p>O português, no entanto, fez críticas à academia, que precisa escutar mais os ensinamentos populares, incluindo os saberes acumulados por povos indígenas, negros e outras minorias que não estão catalogados da forma tradicional, consagrada pelo modelo europeu de ensino. Novamente o Brasil serviu como exemplo: “O pensamento acadêmico não é o único capaz de explicar o que acontece no mundo. Claro que a ciência moderna pode ajudar. Estou envolvido numa luta enorme no Brasil neste momento, contra os agrotóxicos no país. Temos aí o conhecimento dos químicos, que mostra os males das substâncias, mas também dos camponeses do interior do Ceará, que estão morrendo de câncer e vendo a terra ser degradada”, disse.</p>
<h2><strong>Luta política</strong></h2>
<p>A Clacso reúne pessoas e lideranças dos campos da esquerda e centro-esquerda, incluindo muitos ativistas dos movimentos sociais. Portanto, o debate político eleitoral está presente em todos os lugares, das rodas de café aos painéis e conferências. Além do resultado das eleições no Brasil, extremamente comentadas, há a expectativa para a disputa eleitoral na Argentina, que acontece em outubro de 2019.</p>
<p>Com inflação alta, aumento nos impostos e desemprego crescente, a aprovação do atual presidente Maurício Macri, segundo pesquisa da Universidade de San Andres realizada em julho, é de 37%, enquanto 76% dos argentinos afirmam estarem insatisfeitos com a maneira de governar do presidente.</p>
<p><div id="attachment_11845" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/clacso_3_estadio.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11845" class="size-medium wp-image-11845" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/clacso_3_estadio-300x200.jpg" alt="Foto; Clacso" width="300" height="200"></a><p id="caption-attachment-11845" class="wp-caption-text">Clacso atraiu milhares de pessoas</p></div></p>
<p>Neste cenário a figura de Cristina Kirchner ressurge com uma enorme força e coube à ex-presidente a principal fala na abertura da Clacso. “Este governo agravou os problemas, privatizando empresas, dolarizando tarifas, impostos e combustíveis e ficamos mais dependentes do FMI. Temos que quebrar as diferenças entre esquerda e direita e pensar numa nova categoria de frente social, que agrupe todos os que foram agredidos por esta gestão”, afirmou Cristina diante de uma multidão que, para ouvi-la falar, se amontoou pelas ruas ao redor do estádio do Ferro Carril.</p>
<p>A ausência mais sentida foi a do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, que deveria ter conduzido um painel na terça-feira (20). Sem detalhar as razões, Mujica enviou um comunicado à organização da Clacso informando não poder comparecer “por problemas pessoais”.</p>
<p>Num dos momentos mais marcantes, pesquisadores e estudantes negros subiram ao palco para celebrar o Dia da Consciência Negra comemorado no Brasil em homenagem a Zumbi dos Palmares. A imagem de Marielle Franco foi projetada nos telões e aplaudida de pé pela plateia. Aliás, há uma faixa “Marielle Vive” na entrada do clube, na movimentada avenida Avellaneda.</p>
<p>Entre os atores políticos brasileiros, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o ex-candidato à presidência Guilherme Boulos (PSol) e a ex-candidata à vice-presidência Manuela D´Ávila (PCdoB) foram os principais nomes. Como esperado, os três fizeram duras críticas ao presidente eleito, ao impeachment de 2016 e ao processo de politização do Judiciário.</p>
<p>Apesar do clima &nbsp;muitas vezes emotivo e dos gritos de <em>Lula Livre</em> dentro do clube, coube a Boaventura fazer um alerta aos militantes. “O problema que surge neste século é que nem revolução, nem reforma democrática estão na agenda. Como diria Gramsci, estamos mantendo a posição e não o movimento. Esta não é uma questão intelectual, mas política. A primeira medida quando se chega ao poder deve ser transformar o poder. Não se pode transformar o mundo sem transformar o poder”, ponderou.</p>
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