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	<title>Arquivos armas - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 08 Mar 2024 21:27:26 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos armas - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Número de armas em acervos particulares mais que dobrou no governo Bolsonaro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Feb 2023 20:16:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[armas]]></category>
		<category><![CDATA[CACs]]></category>
		<category><![CDATA[governo Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A quantidade de armas particulares no Brasil &#8211; ou seja, não institucionais de órgãos públicos &#8211; já se aproxima de 3 milhões, segundo dados colhidos por meio da Lei de Acesso à Informação e analisados pelo Instituto Sou da Paz e Instituto Igarapé. É um acervo que mais do que dobrou quando comparado com o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A quantidade de armas particulares no Brasil &#8211; ou seja, não institucionais de órgãos públicos &#8211; já se aproxima de 3 milhões, segundo dados colhidos por meio da Lei de Acesso à Informação e analisados pelo <a href="https://soudapaz.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Sou da Paz</a> e <a href="https://igarape.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Igarapé</a>. É um acervo que mais do que dobrou quando comparado com o existente em 2018, que era de apenas 1,3 milhão de armas.</p>



<p>Além do aumento na quantidade, o levantamento mostra uma mudança de perfil dos registros de armas. De acordo com os dados, em 2018, quase metade do acervo de armas pessoais então existente pertencia a integrantes de instituições militares (47%).  O restante do acervo particular era então dividido entre os registros na Polícia Federal como pertencentes a servidores civis, cidadãos comuns com registro para defesa pessoal e caçadores de subsistência (26% do total) e registros pertencentes à categoria de Caçadores, Atiradores desportivos e Colecionadores, os famosos CACs, com 27%. </p>



<p>Agora, a proporção se inverteu com o crescimento da categoria de CACs, que passou a ter 42,5% do total de armas particulares no país, em 2022.</p>



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<p>Para os institutos responsáveis pela análise, essa mudança de perfil é um reflexo de mais de 40 atos do governo Bolsonaro – decretos, portarias e instruções normativas – publicados entre 2019 e 2022, que facilitaram o acesso às armas. Os CACs foram a categoria mais beneficiada por essas mudanças: houve facilitação do porte municiado, acesso a armas mais potentes e em maior quantidade.</p>



<p>O ano de 2022 foi o ápice da compra de armas por CACs: foram mais de 430 mil novas armas compradas por esse grupo, mais armas do que em 2018, 2019 e 2020 somados e mais de sete vezes maior do que a quantidade adquirida em 2018, que foi de 59 mil armas.</p>



<p>“Há dois elementos importantes nesse dado. Um é o da expectativa de um governo Lula haver uma maior restrição às armas e voltar uma política de compra de armas mais responsável, mais coerente com a realidade brasileira de alta violência armada. Observamos isso tanto no Brasil como em diversos outros países, quando temos a possibilidade de eleição de um governo um pouco mais restritivo as pessoas tentam acelerar o processo de compra de armas para aproveitar a regulamentação vigente”, afirma a gerente de projetos do Instituto Sou da Paz, Natália Pollachi.</p>



<p>Natália Pollachi completa que o segundo fator importante é que ao longo do governo Bolsonaro houve “ondas” de facilitação do acesso às armas. “A primeira onda, e talvez de maior impacto, foi em 2019, e as pessoas demoram um tempo para se apropriar da nova regra, juntar a documentação e separar esse dinheiro também, arma não é algo barato, e, de fato, realizar a compra. A primeira onda de facilitações em 2019 mostrou seu efeito a partir de 2020 e teve também em 2021 uma pequena leva de decretos que facilitou ainda mais o acesso às armas, o porte municiado, o acesso às armas mais potentes, acessórios, que também pode ter tido um impacto nesse aumento em 2022”, explica. </p>



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<h2 class="wp-block-heading">Aumento de compra sem aumento da fiscalização</h2>



<p>Até o ano de 2018 a categoria dos CACs tinha um ritmo de compra muito mais lento, com apenas 59 mil novas armas compradas naquele ano. A partir de 2019, as compras dessa categoria se intensificam rapidamente. A alta velocidade de compra, porém, não foi acompanhada de um melhor aparato estatal para fiscalização.<br><br>Pollachi afirma que o governo Bolsonaro deu alguns passos atrás em relação à fiscalização. “Por exemplo, em 2020, o Exército publicou uma portaria tentando melhorar o sistema deles de fiscalização e controle, e o presidente mandou revogar sem nenhuma justificativa técnica. Isso atrasou o processo em quase dois anos para criar esse novo sistema”, lembra.<br><br>Para a especialista, o Brasil não tem capacidade para fiscalizar o volume diário de armas compradas e de registros emitidos. “Temos visto casos cotidianos de pessoas comprando armas mesmo com antecedentes criminais, pessoas que apresentam antecedentes de outras comarcas e, ainda assim, são aceitos, porque esse processo de conferência é feito de forma muito precária. Há pessoas que repetidamente compram armas e declaram furtos, para desviar essas armas para organizações criminosas. Há dezenas de casos, o que corrobora a visão de que não há capacidade de fiscalização e controle proporcional a esse volume de armas compradas”, afirma Natália Pollachi.</p>



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<p>Já no dia 2 de janeiro, um dia após tomar posse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revogou medidas do governo Bolsonaro que facilitavam o acesso a armas. Foram suspensos novos registros de armas por CACs e particulares e também de novos registros de clubes e escolas de tiro.<br><br>Também foi revogada o aumento da quantidade de armas que CACs podem comprar: o limite volta a ser de três armas, com &#8220;comprovação de efetiva necessidade&#8221;. Desde junho de 2019, eram de cinco armas para colecionadores, 15 para caçadores e até 30 para atiradores.<br><br>O governo Lula também criou um grupo de trabalho para propor nova regulamentação para o Estatuto do Desarmamento, que foi aprovado em 2003. Todos os donos de armas também têm 60 dias, que se encerra em março, para fazer um cadastro eletrônico dos equipamentos no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), da Polícia Federal.</p>



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		<title>Clodoaldo Torres, que levou quatro tiros em comício há 40 anos, prevê campanha ainda mais violenta em 2022</title>
		<link>https://marcozero.org/clodoaldo-torres-que-levou-quatro-tiros-em-comicio-ha-40-anos-preve-campanha-ainda-mais-violenta-em-2022/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Aug 2022 21:55:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[armas]]></category>
		<category><![CDATA[CACs]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[governo Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Violência Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na segunda-feira, 3 de outubro, os resultados da eleição realizada na véspera deverá ser o único assunto entre os brasileiros. Para um morador do Recife, porém, a data recordará que, há 40 anos, três estilhaços de chumbo estão alojados em seu pulmão direito por causa de um atentato que quase o matou na campanha eleitoral [&#8230;]</p>
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<p>Na segunda-feira, 3 de outubro, os resultados da eleição realizada na véspera deverá ser o único assunto entre os brasileiros. Para um morador do Recife, porém, a data recordará que, há 40 anos, três estilhaços de chumbo estão alojados em seu pulmão direito por causa de um atentato que quase o matou na campanha eleitoral de 1982, talvez a mais violenta da história política de Pernambuco.</p>



<p>Os quatro tiros que atingiram o peito de Clodoaldo Torres se tornaram símbolo da violência na disputa eleitoral que culminou na vitória de Roberto Magalhães, o candidato do PDS, partido de sustentação da ditadura militar, sobre o então senador Marcos Freire, do MDB. E mudaram a vida do sindicalista e funcionário da Chesf que decidira lançar seu nome para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa.</p>



<p>Perto de completar 72 anos, Torres lembra com minúcias do ataque a tiros que o surpreendeu no alto de uma mesa de madeira na feira de Afogados. Como faziam todas as manhãs de domingo naquela campanha, ele e seus companheiros – incluindo o jovem estudante de Direito e futuro deputado federal Maurício Rands – percorriam as feiras livres da cidade, onde ele fazia comícios “relâmpagos” criticando a reforma previdenciária realizada pelo general-presidente João Figueiredo e a alta nos preços dos alimentos.</p>



<p>Um homem que estava bebendo entre as barracas não gostou de ouvir as críticas ao governo dos militares. Era o comissário de polícia da delegacia de Afogados, Eraldo de Araújo. Ele se aproximou do candidato durante o discurso, sacou um revólver e, sem dizer nada, atirou uma vez. O projétil atingiu perfurou a mão esquerda do político, atingiu o microfone que ele segurava e desviou. “Eu lembro de tudo, com detalhes. Lembro do movimento do dedo dele no gatilho, da roupa que ele usava. De tudo”, afirma Torres.</p>



<p>“Percebi que ele iria atirar novamente, então dei um pulo e corri, mas logo tropecei em alguma coisa, um saco de batatas ou uma caixa, e caí com o corpo meio de lado. O policial veio por cima de mim e disparou três vezes a queima-roupa. Provavelmente, por causa da posição em que eu estava, nenhum dos tiros pegou o coração, mas perfuraram um dos pulmões”, conta Clodoaldo Torres.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Criminoso na cadeia e Torres eleito</strong></h2>



<p>O atentado a um oposicionista colocou o governo sob pressão, principalmente porque aquele não foi o primeiro caso de violência política na campanha. O criminoso foi logo identificado com ajuda do testemunho de vários feirantes que o conheciam bem, pois todos os finais de semana o comissário passava nas barracas extorquindo dinheiro dos comerciantes em troca de “proteção”. Eraldo foi condenado e morreu assassinado na cadeia anos depois.</p>



<p>Aquele não havia sido o primeiro e não seria o último crime por motivações políticas durante a campanha. Dois meses antes, pistoleiros tentaram matar a tiros um dos líderes dos trabalhadores rurais no sertão do Pajeú Manoel Jerônimo, que também sobreviveu a três tiros e abandonou a militância sindical depois disso. Na zona norte do Recife, na comunidade de Saramandaia, o deputado Sérgio Longman e o então vereador Pedro Eurico, ambos oposicionistas, se preparavam para fazer um comício quando foram cercados e ameaçados por pistoleiros ligados a um político do PDS que considerava o bairro seu “curral eleitoral”.</p>



<p>Alguns dias após a tentativa de homicídio contra Clodoaldo Torres, o ônibus em que viajavam o candidatos a governador Marcos Freire e a senador, Cid Sampaio, na estrada quando seguia para a cidade de São Benedito do Sul, na Mata Sul. Um disparo atingiu o encosto da poltrona em que Freire estava. Antes disso, o candidato a prefeito pelo MDB em São Benedito já havia sido assassinado pelo seu adversário político do PDS.</p>



<p>Torres, por sua vez, passou por várias cirurgias e permaneceu várias semanas no hospital. Não pôde voltar às ruas para pedir votos, mas nem precisava. O atentado lhe deu notoriedade instantânea entre o eleitorado de oposição e ele acabou sendo o segundo mais votado de todo o pleito, com 50.555 votos. Quatro anos depois, foi reeleito, porém com uma votação bem menor, mas foi presidente da Assembleia Legislativa de 1989 a 1991. Em seguida, desistiu das disputas eleitorais. “Voltei à rotina na Chesf e percebi que seria mais útil ao campo progressista e de esquerda como gestor ou técnico, por isso abri mão de disputar cargos eletivos”, admite.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>CAC de esquerda e esperando pelo pior</strong></h3>



<p>Clodoaldo Torres está pessimista para a campanha eleitoral que começa daqui a alguns dias. Ele acredita que os atos extremos não deverão vir das Forças Armadas. “O que houve comigo em 1982 foi resultado daquilo que o então vice-presidente Pedro Aleixo, um civil, disse para o general Arthur da Costa e Silva quando foi informado do AI-5: ‘Isso vai acabar com o resto de liberdade que existe no país’. O presidente lhe questionou: “O senhor não confia no seu presidente?’. A resposta de Pedro Aleixo descreve o que estamos passando hoje: ‘No presidente eu confio, não confio é no guarda da esquina’. Hoje a expectativa seria mais sombria porque nem no presidente se pode confiar. “Nós vivemos aqui um quadro complicadíssimo, principalmente porque temos um presidente truculento que incentiva a discórdia, a briga e a violência. E os filhos dele também”, prevê.</p>



<p>O ex-deputado também alerta para um problema ainda maior e que ele conheça muito bem: os mais de <a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2022/06/28/pais-tem-10-vezes-mais-cacadores-atiradores-esportivos-e-colecionadores-de-armas.htm">673 mil CACs</a> (Caçadores, Atiradores Esportivos e Colecionadores de armas) registrados no Brasil. “É muito preocupante, porque a população está armada. Quando eu tirei meu registro de CAC, há quase 30 anos, havia 13 mil CACs no Brasil, era um grupinho fechado”, afirma.</p>



<p>O mais grave, na sua opinião, não seria a quantidade: “CACs atiram muito bem, naturalmente eles atiram muito. Quantos mil tiros eu já dei na minha vida? Muitos. Quantos tiros já deu um soldado do Exército ou da Polícia Militar? Poucos. É um treinamento muito caro. Já fui presidente do Clube de Tiro do Recife, mas deixei de frequentar os clubes porque entre eles há uma influência brutal de Bolsonaro”.</p>



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		<item>
		<title>Ibura: o que pensam eleitores de Bolsonaro no bairro onde mais se morre por arma de fogo no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/ibura-o-que-pensam-eleitores-de-bolsonaro-no-bairro-onde-mais-se-morre-por-arma-de-fogo-no-recife/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Oct 2018 22:35:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[armas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Maria Carolina Santos e Raíssa Ebrahim Um dia depois de a violência ter feito pelo menos mais duas vítimas fatais na Vila dos Milagres, no Ibura, Zona Sul do Recife, a Marco Zero Conteúdo visitou o local para entender o que pensam os eleitores de Jair Bolsonaro (PSL) e por que veem uma esperança [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Maria Carolina Santos e Raíssa Ebrahim</strong></p>
<p>Um dia depois de a violência ter feito pelo menos mais duas vítimas fatais na Vila dos Milagres, no Ibura, Zona Sul do Recife, a Marco Zero Conteúdo visitou o local para entender o que pensam os eleitores de Jair Bolsonaro (PSL) e por que veem uma esperança de mudança no projeto de segurança pública do candidato que, entre outras atrocidades, apoia a tortura, quer facilitar o porte de arma e dar “carta branca” para Polícia Militar matar em serviço. Alguns sentimentos são dominantes no bairro em que Bolsonaro teve 43% a mais de votos do que Fernando Haddad (PT) no primeiro turno: o conservadorismo, o antipetismo, a descrença de que Bolsonaro fará mesmo tudo o que declara e a figura dele como vetor de transformação, mesmo que muita gente nem conheça o programa de governo do capitão da reserva.</p>
<p><strong>LEIA TAMBÉM:</strong>&nbsp;<a href="http://marcozero.org/o-que-esta-acontecendo-no-ibura/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O que está acontecendo no Ibura?</a></p>
<p>“Os bandidos estão aí armados, e a gente?”, questiona Andréa Maria Lourenço, dona de casa. Mãe de uma menina de cinco anos, ela espera que Bolsonaro ajude a resolver o problema da violência “até porque ele é militar e fala sobre os direitos humanos, que protegem muito o bandido. Às vezes o bandido pode fazer o que quer e a gente tem que ficar preso, porque os direitos humanos entram mesmo, vão em cima atrás de defender”.&nbsp;A sensação de impunidade e insegurança&nbsp;que atinge os mais pobres&nbsp;é a orientação punitivista que faz sentido na construção social.</p>
<p>Andréa já foi defensora do PT, hoje está desacreditada, acha que “o partido foi bom no começo, fez bastante coisa pro Nordeste. Mas tá aí há muito tempo já”. Perguntada sobre o que Bolsonaro representa neste momento do País, ela responde: “Por mais que ele não vá fazer grandes coisas, algo precisa mudar. Não é que ele vá ser um grande presidente e vá fazer o Brasil virar os Estados Unidos, onde as pessoas têm arma, mas sabem que serão punidos. Porém, temos que tentar”. E se não der certo? “Aí, daqui a quatro anos, se nada mudar, eu voto em outro”.</p>
<p>O alto índice de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) virou rotina no Ibura, onde residem 50.617 pessoas, com rendimento mensal médio de menos de R$ 1,2 mil por domicílio, segundo o site da Prefeitura do Recife. Dos 265 disparos de arma de fogo na capital entre abril e setembro, 26 foram registrados no Ibura, o recorde entre os bairros. Os dados são da plataforma digital colaborativa Fogo Cruzado, coordenada pelo Instituto Update, de São Paulo, e que em Pernambuco tem parceria com o Núcleo de Estudos de Políticas de Segurança da Universidade Federal de Pernambuco (Neps) e organizações da sociedade civil. Confira aqui o levantamento completo. A Secretaria de Defesa Social (SDS) não divulga recortes da violência por bairros “por questões estratégicas”.</p>
<p>No primeiro turno, o resultado do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) Pernambuco mostra que Bolsonaro somou 22.617 votos no Ibura, contra 15.797 de Haddad, isto é, 43% a mais. O petista só ganhou em duas das 167 seções, com pouca diferença, de 14 em uma e de 21 em outra. E empatou em uma única, com 77 votos para cada.</p>
<p>O resultado eleitoral do Ibura é, em grande medida, o retrato da dura crítica feita pelo rapper Mano Brown esta semana no comício de Haddad promovido por artistas no Rio de Janeiro, nos Arcos da Lapa. Brown evidenciou o quanto o PT deixou de entender as periferias. “O pessoal daqui falhou, vai pagar o preço. Porque a comunicação é a alma. Se não tá conseguindo falar a língua do povo, vai perder mesmo. Falar bem do PT pra torcida do PT é fácil. Tem uma multidão que não tá aqui que precisa ser conquistada (&#8230;) Se nós somos o Partido dos Trabalhadores, partido do povo, tem que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta pra base e vai procurar saber.”</p>
<p>No Ibura, o que as pessoas querem é, principalmente, segurança. Em 2016, o Brasil alcançou a marca histórica de 62.517 homicídios, segundo informações do Ministério da Saúde. Isso equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes, 30 vezes a taxa da Europa. A situação é mais grave no Nordeste e Norte. Pernambuco ocupa o 6º lugar no ranking de estados onde mais se morre em decorrência da violência (47,3), como mostra o Atlas da Violência 2018, com dados de 2016, produzido pelo Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O aumento da quantidade de jovens (15 a 29 anos) assassinados em 2016 em Pernambuco foi em torno de 20%. Entre os negros, os homicídios cresceram 12,0%. Em 2017, 5.427 morreram no estado vítimas da violência, um recorde, segundo dados da SDS.</p>
<p>“Se eu pudesse comprar, se tivesse dinheiro, eu dava até R$ 1 milhão numa arma”. Esse é o desejo de consumo do caminhoneiro aposentado Roberto da Silva para proteger a família. Vota no 17 porque o “negócio tá feio, tá todo mundo lascado. Se não der certo, daqui a quatro anos tiramos de novo”. Com 11 filhos e, “parece” que, 12 netos, quer um revólver “apenas” para ter dentro de casa. “Não é pra andar na rua, que ninguém é policial. Se tiver uma criança e uma mocinha dentro de casa ou chegar um pra levar a mixaria que eu tenho pra fazer a feira, ele morre mais eu, morrem os dois”, defende. Seu Roberto, que conta com o serviço público de saúde para fazer hemodiálise, acha que a polícia não tem que matar em serviço, mas “quem é que quer levar um tiro sabendo, né? Por isso a polícia tem que agir”. Acha que Bolsonaro vai colocar mais polícia na rua e isso vai ajudar a diminuir a violência. Não vota em Haddad também porque, se ele ganhar, “é Lula preso quem vai administrar o Brasil”.</p>
<p><div id="attachment_11529" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/ibura2.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11529" class="wp-image-11529 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/ibura2-1024x768.jpg" alt="Seu Roberto acha que a saída para proteger a família é ter uma arma em casa" width="702" height="526"></a><p id="caption-attachment-11529" class="wp-caption-text">#PraCegoVer Roberto está sentado, na frente de uma portão de grade branca. Ele usa camisa de botão de mangas longas, aberta, boné, e tem um curativo no braço esquerdo. Crédito: Raissa Ebrahim/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Cláudio Luciano mora no Ibura há 40 anos, desde que nasceu. Ele, que já “votou muito no PT”, é sommelier e maitre num restaurante nobre da Zona Norte. Conheceu e chegou a tirar foto com Bolsonaro (“foi ele quem pediu”) em Brasília em 2016. Na ocasião, perguntou o que o deputado faria pelo Nordeste. “Ele não respondeu com propostas, mas disse que tinha ideias pra acabar com essa divisão de sul/sudeste e norte/nordeste”. Apesar de já ter morado no Sul e “ter passado perrengue lá por ser nordestino”, acha que a fala de Bolsonaro sobre o “coitadismo” de negros, nordestinos, gays e mulheres “tem um pouco de verdade”. “Existe mesmo um ‘autopreconceito’, sobretudo entre os negros. Eles já chegam procurando um problema pra subentender que a gente tá tratando eles mal por serem negros”. Sobre a violência, Dinho acha que não é válido facilitar o porte de arma, principalmente numa realidade como o Ibura. Por mais que essa proposta tenha feito parte da campanha de Bolsonaro, cuja uma das marcas são as mãos simulando o uso de uma arma, o sommelier acredita que esse ponto “não será aprovado”.</p>
<p>A dona de casa Verônica Pereira ainda está decidindo o voto, mas está inclinada a votar no candidato de extrema-direita influenciada pelo marido e por que acha que Bolsonaro vai melhorar a segurança. Porém, ela não aposta que ele irá cumprir as propostas esdrúxulas de campanha: “As propostas dele, pelo que tão dizendo aí, não tem nada a ver, é que campanha é assim mesmo, um detona o outro. Mas eu acredito que não vai ser nada disso que os outros tão dizendo. Só tenho fé em Deus que ele faça a diferença”.</p>
<p>“Antes de ficar reproduzindo bordões preconceituosos acerca dos ‘pobres de direita’, deveríamos fazer o esforço de colocar as coisas em perspectiva e lembrar que, na maioria das vezes, o amparo só vem da religião, da família e das ações coletivas e movimentos sociais, raramente do Estado. Não se pode esperar que brotem almas democráticas e contestadoras de pessoas cujo contexto, desde o espancamento que recebeu do pai até a lição que levou da polícia, é marcado pela violência”, analisa em artigo a professora, cientista social e antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, docente da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), coordenadora e co-fundadora da Escola de Governo Comum e articulista do site The Intercept Brasil.</p>
<p>Rosana destaca ainda que “Se elegermos um fascista presidente e se parte dessa votação vier das classes populares, a responsabilidade por isso é antes do ódio de classe, do racismo e de décadas de omissão do Estado. Os que apanham da polícia real, mas torcem pelo policial ideal estão apenas expressando a própria contradição do modelo de nação brasileira”.</p>
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