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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Centro de formação do MST é pichado com suástica e casa de coordenadora é incendiada em Caruaru</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Nov 2022 21:08:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Assentamento Normandia]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Violência Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Centro de Formação Paulo Freire, do Movimento Sem Terra (MST), localizado no assentamento Normandia, em Caruaru, no agreste de Pernambuco, foi invadido por bolsonaristas e pichado com suásticas, símbolo nazista, e com a palavra “mito”. A casa onde mora a coordenadora do espaço foi arrombada e incendiada. O caso aconteceu na madrugada do último [&#8230;]</p>
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<p>O <a href="https://marcozero.org/qual-a-importancia-do-centro-paulo-freire-fomos-a-normandia-para-entender/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Centro de Formação Paulo Freire</a>, do Movimento Sem Terra (MST), localizado no assentamento Normandia, em Caruaru, no agreste de Pernambuco, foi invadido por bolsonaristas e pichado com suásticas, símbolo nazista, e com a palavra “mito”. A casa onde mora a coordenadora do espaço foi arrombada e incendiada. O caso aconteceu na madrugada do último sábado (12), por volta das 3h.</p>



<p>Segundo a <a href="https://www.instagram.com/p/Ck66mjALyWX/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nota</a> publicada pelo MST nas redes sociais, inicialmente foram vistas quatro pessoas, com camisas amarelas, que aproveitaram para invadir o espaço enquanto acontecia uma festa de vaquejada no Parque de Vaquejada Milanny, em frente ao assentamento. Ainda de acordo com a nota, a militância que mantém o centro foi alertada e conseguiu apagar o incêndio. A casa, entretanto, foi parcialmente queimada, principalmente as camas, os telhados e os pertences.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Pichação de suástica, símbolo nazista, no Centro Paulo Freire, no assentamento Normandia, em Caruaru. crédito: MST</p>
	                
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<p>A <a href="https://marcozero.org/rosa-amorim-e-o-nome-e-o-rosto-do-mst-nas-eleicoes-2022-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">deputada estadual eleita Rosa Amorim</a> (PT), da direção do MST, lembra que essa região do agreste tem muitos grupos bolsonaristas organizados, principalmente em Santa Cruz do Capibaribe, distante apenas 40 quilômetros. Pela segunda eleição consecutiva, o município foi o único de Pernambuco que deu vitória ao presidente Jair Bolsonaro (PL). “Temos nessa região um histórico de ataques”, frisa Rosa. “Há indícios de que existem grupos fascistas organizados nessa parte do agreste”, alerta.</p>



<p>Em setembro, a duas semanas do primeiro turno, Bolsonaro esteve em Santa Cruz do Capibaribe para uma motociata ao lado dos candidatos derrotados ao governo de Pernambuco, Anderson Ferreira (PL), e ao Senado, Gilson Machado (PL). Ambos foram derrotados nas urnas.</p>



<p>Em junho do ano passado, um <a href="https://g1.globo.com/pe/caruaru-regiao/noticia/2021/06/18/jovem-expulso-de-shopping-em-caruaru-por-usar-suastica-no-braco-e-apreendido-pela-policia-civil-e-sera-encaminhado-ao-mppe.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">jovem de 17 anos foi expulso de um shopping em Caruaru</a> por usar suástica no braço. Uso de símbolos nazistas é crime no Brasil e tem pena de reclusão de um a três anos, além de multa.</p>



<p>Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco, sem citar o nome do(a) delegado(a) responsável pelo caso, informou que “registrou, no dia 12.11, através da 14ª Delegacia Seccional de Caruaru, uma ocorrência de incêndio doloso na zona rural do município”. Disse também que “um inquérito policial foi instaurado e outras informações poderão ser repassadas após a completa elucidação dos fatos”. A resposta da polícia, porém, não menciona a questão das pichações. A reportagem questionou e aguarda retorno.</p>



<p>Em entrevista à reportagem, Rosa Amorim também disse que os cursos no centro continuam normalmente. E lembrou que o MST “é conhecido historicamente por um movimento que cuida da segurança, tem mecanismo próprios de segurança e que estão sendo reforçados”.</p>



<p>&#8220;Lamentamos muito ter que fazer este informe, já que saímos de uma jornada eleitoral polarizada e acirrada. O Brasil e o povo brasileiro clamavam por atitudes e empenho para resgatar a democracia, os preceitos constitucionais do estado democrático de direito e uma postura enérgica contra a fome, contra a violência, contra o ódio e contra todo tipo de preconceito. Os bolsonaristas foram derrotados nas eleições, mas uma minoria, movida pela intolerância, pelo preconceito e pelo ódio de classe, de raça e de gênero, não aceitou os resultados da democracia e está querendo nos impor um terceiro turno&#8221;, diz a nota do movimento. </p>



<p>&#8220;Felizmente, desta vez ninguém se feriu, os danos materiais a gente resolve, mas fica mais uma vez a lição de que não podemos &#8216;baixar a guarda&#8217;. Temos que manter o alerta para proteger nossas estruturas e garantir a posse de Lula no primeiro de janeiro. Até lá, alerta máximo. Cuidar e proteger nossas estruturas e nossas lideranças contra a ira do ódio, do preconceito e da intolerância dos grupos fascistas. Contra todo o tipo de ódio e intolerância, venceremos!&#8221;, finaliza o texto.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/qual-a-importancia-do-centro-paulo-freire-fomos-a-normandia-para-entender/" class="titulo">Qual a importância do Centro Paulo Freire? Fomos à Normandia para entender</a>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Centro foi alvo de ação de despejo em 2019</strong></h2>



<p>Em 2019, no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro (PL), o Centro Paulo Freire foi <a href="https://marcozero.org/centro-de-formacao-do-mst-em-caruaru-e-alvo-de-reintegracao-de-posse-solicitada-pelo-incra/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">alvo de uma ação de reintegração de posse</a> solicitada pelo próprio Incra e determinada pela 24ª Vara Federal, no agreste, pelo juiz federal Thiago Antunes. A reintegração de posse terminou sendo barrada na época após uma forte mobilização, mas o caso segue tramitando na Justiça.</p>



<p>O centro foi criado em 1998, é um dos principais do Nordeste e funciona para fins coletivos de capacitação. Desde então, trabalhou para consolidar-se como um referência, por meio de parcerias com universidades públicas, institutos federais, governo do estado e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Mais de 100 mil pessoas já passaram pelos cursos práticos e teóricos no local, onde há salas de aulas, alojamentos, auditório, creche, quadra esportiva e outros aparatos.</p>



<p>O assentamento Normandia, onde fica o centro, se dedica ao desenvolvimento da agricultura familiar. No local, além do Centro Paulo Freire, funcionam cooperativa agrícola, associação, agroindústria e escola multisseriada até o quinto ano.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/em-seu-35-anos-mst-assegura-espacos-das-mulheres-lgbt-e-para-formacao-da-militancia/" class="titulo">Em seu 35º aniversário, MST amplia espaços das mulheres, LGBT e para formação da militância</a>
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		<title>Qual a importância do Centro Paulo Freire? Fomos à Normandia para entender</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Sep 2019 13:49:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A disputa que envolve o despejo das terras que correspondem ao Centro de Formação Paulo Freire é jurídica e política. É antiga e atual. É um fiel retrato do que significam as intenções do governo do Brasil de hoje a respeito das políticas voltadas para a reforma agrária. A história do Assentamento Normandia, em Caruaru, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[A disputa que envolve o despejo das terras que correspondem ao Centro de Formação Paulo Freire é jurídica e política. É antiga e atual. É um fiel retrato do que significam as intenções do governo do Brasil de hoje a respeito das políticas voltadas para a reforma agrária. A história do Assentamento Normandia, em Caruaru, onde fica localizado o centro, é marcada por uma série de retomadas de ocupação e por uma greve de fome do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Já a história do centro foi sendo tecida à margem do processo de reintegração de posse, proposto em 2008 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Acordos não judiciais foram feitos entre o movimento e o instituto, acordos que dependem da conjuntura política do país para serem cumpridos ou não.

<div id="attachment_19060" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/fachadas-centro.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19060" class="wp-image-19060 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/fachadas-centro.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="302"></a><p id="caption-attachment-19060" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Acontece que esses acordos envolvem as vidas de 41 famílias assentadas em Normandia e de tantas outras famílias assentadas e acampadas. Envolve também parcerias nas áreas de educação, saúde e agroecologia com instituições federais de ensino e com o Governo do Estado. Envolve a entrega das merendas em creches e escolas de vários municípios pernambucanos, incluindo a capital, que dependem do funcionamento da agroindústria instalada nas terras do Centro de Formação Paulo Freire.
<blockquote>Leia: <a href="http://marcozero.org/eles-querem-privatizar-o-assentamento-diz-jaime-amorim-sobre-despejo-em-normandia/">“Eles querem privatizar o assentamento”, diz Jaime Amorim sobre despejo em Normandia</a>

<a href="http://marcozero.org/centro-de-formacao-do-mst-em-caruaru-e-alvo-de-reintegracao-de-posse-solicitada-pelo-incra/">Centro de formação do MST, em Caruaru, é alvo de reintegração de posse solicitada pelo Incra</a></blockquote>
Foi no último dia 5, após a divulgação da nota do MST de Pernambuco denunciando a possibilidade do cumprimento de despejo no centro, que diversos movimentos sociais, sindicatos, políticos e os setores da educação e da cultura se posicionaram contra a reintegração de posse do local. PT, PSOL e PCdoB reuniram uma frente em defesa do Assentamento Normandia e do centro de formação, na última sexta-feira.

Para entender de perto a importância do espaço de formação, a Marco Zero esteve em Caruaru, no último sábado (14), para acompanhar o primeiro dia do Acampamento da Resistência. Segundo o MST, são mil assentados e acampados de todas as regiões do estado fazendo a vigília no Centro de Formação Paulo Freire como forma de demarcar a força do movimento diante da ordem de despejo, decidida pelo juiz da 24ª Vara Federal, Thiago Antunes de Aguiar, no dia 21 de agosto desse ano.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/bannerAssine.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-13083 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/bannerAssine.jpg" alt="bannerAssine" width="730" height="95"></a>

<div id="attachment_19061" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/mobilização-normandia.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19061" class="wp-image-19061 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/mobilização-normandia.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="760"></a><p id="caption-attachment-19061" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Durante o dia, a mobilização aconteceu de maneira dispersa. Mas à noite, com o ato político que estava previsto para acontecer às 17h, mas só começou às 19h, a plenária do acampamento conseguiu juntar todos os presentes. Representantes do PT, PDT e PSB fizeram falas durante o ato político. O deputado estadual e líder do governo na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Isaltino Nascimento, garantiu que o Executivo estadual está ao lado do MST. Houve também uma apresentação das cantoras Gabi da Pele Preta e Bianca Moura.

O &#8220;acampamento da resistência&#8221; segue com programação cultural e política durante essa semana. Em resposta a veículos de imprensa, o Incra afirmou que não há possibilidade de negociação, mas os sem-terra recorreram ao Ministério Público Federal solicitando o intermédio de diálogo entre as partes envolvidas.

<div id="attachment_19065" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/Gabi-da-Pele-Prtea.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19065" class="size-full wp-image-19065" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/Gabi-da-Pele-Prtea.jpg" alt="Crédito: Helena Dias/MZ Conteúdo" width="1600" height="450"></a><p id="caption-attachment-19065" class="wp-caption-text">Crédito: Helena Dias/MZ Conteúdo</p></div>
<h2>Qual a importância do Centro Paulo Freire? Duas mulheres, líderes do Assentamento Normandia, no Agreste de Pernambuco, respondem.</h2>
Com fala tranquila e firme, a vice-presidenta da Associação dos Trabalhadores do Assentamento Normandia, Lucicleide Maria dos Santos, define o Centro Paulo Freire como o lugar onde ela aprendeu a “lutar pelos seus direitos”. Dos seus 42 anos de vida, os últimos 14 foram como assentada e ela diz não trocar sua vida em Normandia por nada. Compara a vivência com o centro e a agroindústria no assentamento com a vida no distrito de Rafael, que também fica em Caruaru. Ela vê seu bem-estar como uma conquista coletiva que só conseguiu segurar nas mãos a partir do momento que se viu como sujeita política dentro das mobilizações dos sem-terra.

<div id="attachment_19067" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/Cleide.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19067" class="size-full wp-image-19067" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/Cleide.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="536"></a><p id="caption-attachment-19067" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

“O Centro de Formação é a nossa mãe”, ela resume, mencionando as formações políticas e em agroecologia que participou graças ao centro. O espaço começou a ser instalado em 1998, seis anos após a ocupação das terras do assentamento. Em Normandia, cada família tem um lote que corresponde a 10 hectares. Lucicleide, mais conhecida como Cleide, faz o plantio junto aos seus pais e dois irmãos também assentados. Para além do cultivo de milho, feijão, jerimum e macaxeira, ela é boleira na agroindústria do assentamento.

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A agroindústria está instalada em uma pequena parte dos 15 hectares que são alvo da reintegração de posse feita na Justiça Federal, pelo Incra. Raízes e tubérculos, carnes e bolos são produtos produzidos no Assentamento Normandia. Só em Recife, 300 escolas têm contrato com a associação dos trabalhadores assentados para o recebimento de insumos destinados às merendas. Guiando uma visita na agroindústria, a assentada e presidenta da associação, Mauricéia Matias, transmite o orgulho do trabalho que tem sido desenvolvido no local.

A estrutura começou a ganhar forma há quatro anos e, à época, o maior desafio foi erguer as paredes aos poucos, com 45% do financiamento vindo do Plano Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o restante das parcerias feitas com o assentamento junto às políticas públicas da reforma agrária. Para Mauricéia, o Centro Paulo Freire tem total importância na criação da indústria no campo, afinal sua estrutura foi utilizada para o beneficiamento dos produtos antes da agroindústria ser erguida.

<div id="attachment_19069" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/agroindústria.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19069" class="size-full wp-image-19069" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/agroindústria.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="358"></a><p id="caption-attachment-19069" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Segundo ela, atualmente, o que falta mesmo é aumentar o número de equipamentos como câmaras de resfriamento, máquinas de descascar e de embalar a vácuo. Ao todo, 28 trabalhadores atuam na agroindústria, mas outros assentamentos e organizações também utilizam as estruturas industriais de Normandia.<p>O post <a href="https://marcozero.org/qual-a-importancia-do-centro-paulo-freire-fomos-a-normandia-para-entender/">Qual a importância do Centro Paulo Freire? Fomos à Normandia para entender</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Centro de formação do MST, em Caruaru, é alvo de reintegração de posse solicitada pelo Incra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Sep 2019 01:30:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Helena Dias e Joel Santos Guimarães Na tarde dessa quinta-feira (5), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) lançou nota urgente anunciando uma reintegração de posse contra o Centro de Formação Paulo Freire, localizado no Assentamento Normandia, em Caruaru. A reintegração foi solicitada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<strong>Por Helena Dias e Joel Santos Guimarães</strong>

Na tarde dessa quinta-feira (5), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) lançou nota urgente anunciando uma reintegração de posse contra o Centro de Formação Paulo Freire, localizado no Assentamento Normandia, em Caruaru. A reintegração foi solicitada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e determinada na 24ª Vara Federal, no município do Agreste pernambucano, pelo juiz federal Thiago Antunes.

O centro de formação pertence ao Assentamento Normandia, criado em 1998. À época, o próprio Incra orientou o MST a utilizar a casa sede, onde funciona o centro, para fins coletivos de capacitação dos assentados de Pernambuco. Só em 1999, o local passou a ser oficialmente o Centro de Formação Paulo Freire e, de lá para cá, se consolidou através de diversas parcerias com universidades públicas, institutos federais, o governo do estado de Pernambuco e o próprio Incra. Desde então, mais de 100 mil pessoas passaram pelos cursos práticos e teóricos do centro.

Segundo o dirigente do setor de Direitos Humanos do MST em Pernambuco, Edgar Menezes Mota, o centro é uma “referência nacional e internacional para a classe trabalhadora”. &#8220;O que está sendo atingido por essa reintegração de posse são as formações de jovens e adultos trabalhadores, as formações acadêmicas. O centro é um espaço que acolhe professores e estudantes de diversos cursos do país e de fora. São cursos de especialização, de mestrado e doutorado&#8221;, explicou em entrevista à Marco Zero.

Atualmente, o espaço correspondente ao centro comporta salas de aulas, alojamentos, um auditório, creche, quadra esportiva e outros aparatos. Na nota, ao contar a história do espaço e explicar sua utilidade social e pública, o MST diz entender “que não há razão nenhuma para o Incra pedir a reintegração de posse, a não ser a motivação ideológica de tentar impor ao MST uma derrota aqui no estado de Pernambuco(&#8230;)”.
<h1>Recurso e reação</h1>
O integrante da coordenação estadual do MST em Pernambuco, Paulo Mansan, explicou que o processo na 24ª Vara menciona que, no dia 19 de agosto, uma notificação teria sido entregue a alguém presente no Centro de Formação. No entanto, esse documento nunca teria chegado às mãos da coordenação do movimento: &#8220;É provável que um aluno ou um agricultor que estivesse ali no momento tenha recebido o documento. Por causa desse desencontro, agora há pouco tempo para recorrer. Mesmo assim, nossos advogados estão trabalhando no recurso em caráter de urgência&#8221;.

A reação não vai ficar restrita aos procedimentos judiciais. &#8220;Estamos mobilizando agricultores de 240 assentamentos da região para fazerem vigília nas instalações do Paulo Freire e criar uma situação que leve à negociação. Não queremos o confronto, mas não vamos entregar o centro de formação de mão beijada&#8221;, avisou Mansan.

Um dos dirigentes nacionais do movimento, Clébson Santos, acredita que há relação entre o pedido de reintegração de posse em Caruaru e o anúncio de despejos de vários assentamentos do MST no Paraná. Clébson acredita que há uma ofensiva do governo de Jair Bolsonaro em todo o país, contra os sem-terra.

“Não é só Bolsonaro. O bolsonarismo está alavancando uma ofensiva para tentar isolar o MST e outros movimentos sociais ligados ao campo. Principalmente, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e entidades ligadas aos negros e quilombolas. São&nbsp; 70 famílias que vivem e produzem no Assentamento Normandia e, foram essas 70 famílias que construíram o Centro de Formação Paulo Freire”, afirmou Clébson que concedeu entrevista enquanto dirigia por uma rodovia no interior do estado.
<h2>Solidariedade do governo estadual</h2>
A assessoria do governador Paulo Câmara, que recebeu apoio do MST para sua reeleição em 2018, informou que o secretário de Desenvolvimento Agrário, Dilson Peixoto, foi designado para se posicionar pelo Governo do Estado em relação ao episódio. A equipe de comunicação da secretaria emitiu a seguinte nota às 23h16min de quinta-feira:

&#8220;A Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco se solidariza com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e os assentados da Fazenda Normandia,&nbsp; de Caruaru, e espera que a decisão judicial que determina a desapropriação do Centro de Formação Paulo Freire seja revista.

O Centro é um importante espaço de formação de trabalhadores e trabalhadoras rurais, com cursos que vão do ensino fundamental a oficinas de agroecologia e veterinária, contando inclusive com parcerias com o Governo de Pernambuco e as Universidades de Pernambuco, Federal e Federal Rural.

Com 29 anos de existência o assentamento Normandia conta com 41 famílias e se dedica ao desenvolvimento da Agricultura Familiar. Além do Centro Paulo Freire, sua estrutura dispõe de cooperativa agrícola, associação, agroindústrias e escola multisseriada até o quinto ano&#8221;.<p>O post <a href="https://marcozero.org/centro-de-formacao-do-mst-em-caruaru-e-alvo-de-reintegracao-de-posse-solicitada-pelo-incra/">Centro de formação do MST, em Caruaru, é alvo de reintegração de posse solicitada pelo Incra</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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