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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Live de lançamento de livro de poesias é atacada por milícia digital em Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2020 01:52:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O lançamento de um e-book de poesia foi atacado por bolsonaristas na noite de quinta-feira, 3 de setembro. O cyber ataque aconteceu no início do lançamento, transmitido pelo canal da poetisa pernambucana Cida Pedrosa no YouTube, que havia divulgado em suas redes sociais o link da live na plataforma Google Meet. O livro Estesia inclui [&#8230;]</p>
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<p>O lançamento de um e-book de poesia foi atacado por bolsonaristas na noite de quinta-feira, 3 de setembro. O cyber ataque aconteceu no início do lançamento, transmitido pelo canal da poetisa pernambucana Cida Pedrosa no YouTube, que havia divulgado em suas redes sociais o link da <em>live </em>na plataforma Google Meet.</p>



<p>O livro <em>Estesia</em> inclui 40 haicais clássicos (gênero poético japonês composto de três versos) e 40 fotografias feitas pela própria poeta em suas andanças no bairro onde mora, em Recife, durante a pandemia. De acordo com Cida, que tem outros nove livros lançados, os poemas foram inspirados na contemplação da natureza e da cidade, com toques de humor. Mas não foi por isso que a milícia digital de extrema-direita escolheu esse evento digital para o ataque.</p>



<p>Seriam dois os motivos da escolha: Cida Pedrosa é pré-candidata a vereadora pelo PCdoB e os recursos arrecadados com a venda do e-book na Amazon serão destinados a uma organização feminista que está promovendo uma campanha de doação de alimentos para mulheres em situação de vulnerabilidade social.</p>



<p>O ataque surpreendeu os participantes tanto pela violência quanto pela sofisticação. Os invasores conseguiram desativar os microfones da anfitriã enquanto transmitiam áudios de som de disparos de metralhadora, do hino do Exército e postavam ameaças contra comunistas e frases de apoio a Jair Bolsonaro.</p>



<p>Todas as tentativas de retomar o controle da apresentação foram impedidas pelos invasores. Depois de alguns minutos, a poetisa desistiu, criou outro link e repassou para os interessados por whatsapp. Aí, sim, o lançamento pôde acontecer.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Trump e bolsonaristas</strong></h2>



<p>Por conta do conteúdo anticomunista do ataque, a presidente nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, acabou participando do encerramento do lançamento falando da importância da literatura e da poesia para vencer o fascismo. “Não é por acaso que o lançamento de um livro de poesia tenha sido atacado”, afirmou . No final, Cida Pedrosa comentou que “precisamos estar atentos e fortes para responder aos ataques fascistas com amor, politização e com a certeza que eles passarão e nós, passarinhos”.</p>



<p>Após o ataque, o jornalista Aquiles Lopes, com experiência em consultoria de comunicação para campanhas eleitorais, lembrou que essa estratégia não nasceu aqui, pois “nesse momento, já está sendo muito usada por Donald Trump nos Estados Unidos. Nos eventos online e debates dos antirracistas do movimento Black Lives Matter, acontecem ataques sistemáticos para irritar, criar confusão e provocar as pessoas de esquerda para, depois, chamá-las de intolerantes”.</p>



<p>Para Aquiles, “esses ataques são planejados e sistemáticos. É uma tática do bolsonarismo para essas eleições. Vão usar em todos os ambientes e é preciso torná-los públicos para que as pessoas possam entender isso”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Ataque ao <strong>Énóis</strong></h3>



<p>Na véspera, outro ciberataque da extrema-direita já havia ocorrido um ataque ao evento Redação Aberta, promovido pela agência de jornalismo independente Énóis, de São Paulo. Redação Aberta é um espaço de oficinas onde jornalistas e cidadãos se reúnem para discutir questões, compartilhar recursos e conhecimento e aprender a relatar e investigar histórias em seus territórios.</p>



<p>No ataque de quarta-feira, dia 2, os bolsonaristas chegaram a derrubar o link, obrigando os organizadores a migrarem para a plataforma Zoom. O Énóis havia tomado precauções de segurança ausentes do lançamento de Cida Pedrosa, como a pré-inscrição dos interessados.</p>
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		<title>Mulher sofre ataque transfóbico após evento de boas-vindas LGBT dentro da UFPE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Mar 2018 19:15:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[ataque de ódio]]></category>
		<category><![CDATA[dália celeste]]></category>
		<category><![CDATA[mulher trans]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dália Celeste, 25 anos, mais uma mulher trans vítima de um ataque transfóbico em espaços públicos por ser quem é. Na noite da sexta-feira (23), a estudante do pré-vestibular solidário da UFPE foi espancada de maneira covarde por dois homens quando se preparava para voltar para casa, depois de participar de evento cultural de acolhida [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Dália Celeste, 25 anos, mais uma mulher trans vítima de um ataque transfóbico em espaços públicos por ser quem é. Na noite da sexta-feira (23), a estudante do pré-vestibular solidário da UFPE foi espancada de maneira covarde por dois homens quando se preparava para voltar para casa, depois de participar de evento cultural de acolhida e boas-vindas à comunidade LGBT da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Dália foi atingida por uma pedra quando chegava na parada de ônibus, em seguida foi atacada por pelo menos dois homens que ela não teve tempo de ver de onde vieram. “Quebra o rosto dela”, foi a última frase que ouviu antes de conseguir correr para salvar sua vida. Dália não é apenas trans, mas mulher negra, feminista e de periferia.</p>
<p>Mais cedo, na mesma noite, Dália já tinha sofrido uma agressão de um homem conhecido na região da Cidade Universitária e do bairro da Várzea por perseguir mulheres trans e andar sempre em grupo, com outros homens, promovendo ataques lgbtfóbicos. De acordo com outra estudante trans, que preferiu não se identificar para resguardar sua segurança, ele já a intimidou e perseguiu em outras ocasiões. Ele seria morador da Várzea e teria o costume de aparecer em eventos abertos dentro da própria universidade, o que levanta a suspeita de que não estaria sozinho. Segundo relato de Dália, em postagem em sua rede social, o homem se aproximou dela e questionou, em tom agressivo, se ela era uma mulher. Dália estava acompanhada de outras mulheres no momento e confrontou o interlocutor, que saiu do espaço sob vaias das pessoas que viram a cena.</p>
<p>Dandara Alves, estudante de Ciências Sociais, bolsista e integrante da Diretoria LGBT da UFPE (mas que não fala oficialmente pela Diretoria), estava na organização do evento e relatou que por dois momentos as atividades foram paralisadas para realizar falas de repreensão. Uma delas foi a agressão sofrida por Dália. A primeira foi devido a uma mulher que relatou conflito com um homem presente no evento. “A diretoria não compactua com nenhum tipo de violência contra nenhuma mulher. A pauta do feminismo é intimamente ligada à pauta LGBT”, explicou. A Diretoria LGBT é ligada à Reitoria da UFPE e tem entre seus integrantes estudantes LGBT da universidade. De acordo com o site oficial da instituição, ela “é responsável pela execução da Política LGBT da UFPE, cujo objetivo primordial é favorecer o acolhimento, a inserção e a permanência da comunidade LGBT da UFPE”.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/post-dália.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft wp-image-7652" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/post-dália-269x300.png" alt="post dália" width="400" height="446"></a>“Nós fizemos uma intervenção no palco, explicando que não seriam aceitas lgbtfobia e transfobia, sobretudo no evento que estávamos fazendo”, contou Dandara. Dália também tomou a fala e explicou o episódio no microfone, durante o ato. “Eu sei que infelizmente se a gente não se preservar em alguns espaços nos tornaremos alvos fáceis”, explicou Dandara. Ela e outras mulheres que estavam na hora alertaram Dália que ficasse por perto, com outras mulheres, por receio de que o homem voltasse ao local. “Me parece que ele estava muito seguro para fazer isso. O que me faz pensar que talvez fosse algo pensado. Ele não tem respeito nenhum pelas travestis.&nbsp; Isso é fato. Ele&nbsp;foi para um lugar onde tinham muitas travestis e veio falar que nós somos homens. Então para fazer isso ele tem que ser, no mínimo, burro, confortável”,&nbsp;completa&nbsp;a estudante trans que pediu para não ser identificada.</p>
<p>O evento encerrou às 21h30. Apenas quando chegou em casa, Dandara teve notícias do ataque, que, segundo ela explica, vem sendo distorcido nas redes sociais. “Estamos recebendo vários ataques oportunistas de pessoas que estão aproveitando o que aconteceu com Dália para atacar a Diretoria LGBT”, denuncia.</p>
<p>“O que aconteceu com Dália ali poderia ter acontecido comigo, com qualquer uma de nós ali. Não foi omissão da gente. A gente fez um evento LGBT para que as pessoas se sentissem acolhidas para que nesses momentos soubessem que a diretoria está com elas. Estou muito fragilizada, estou com medo de sair de casa e ainda mais com esses ataques”, desabafou. &#8220;Agora nós estamos preocupados com a acolhida dela. É importante que ela vá para a delegacia. Em seguida vamos nos posicionar&#8221;, explicou Dandara.</p>
<p>Em seu perfil em uma rede social, Dália publicou imagens do rosto machucado denunciando a violência e questionando que cara tem a transfobia. Certamente não a dela, vítima, mas a de seus agressores. “Meu nome é Dália, sou uma mulher trans, negra e feminista. Antes de relatar minha história, eu quero mostrar a vocês o rosto que não é meu, quero mostrar o rosto que é da misoginia, o rosto da transfobia. O rosto de milhares de mulheres. Mostrar o rosto que antes de tudo denunciou, o único rosto que me fez ter vergonha de chegar em casa e olhar para minha mãe”.</p>
<p><strong>Desprotegidas no campus</strong></p>
<p>De acordo com Dandara, atos de violência e lgbtfóbicos são mais comuns do que se imagina, muitos envolvendo pessoas de fora da comunidade universitária.&nbsp;Apesar de ser o terceiro grande evento desde o retorno das aulas – antes da cultural aconteceram duas calouradas – parece que não houve atenção especial da segurança do campus.</p>
<p>Além disso, a estudante relata outros casos que aconteceram em dias comuns, como o de uma amiga, também trans, perseguida por três homens depois de deixar a aula no prédio do CFCH (Centro de Filosofia e Ciências Humanas) até a moradia universitária, onde reside.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/28953854_1321988287946249_1674598766320623759_o.jpg"><img decoding="async" class="alignright wp-image-7643" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/28953854_1321988287946249_1674598766320623759_o-212x300.jpg" alt="28953854_1321988287946249_1674598766320623759_o" width="350" height="495"></a></p>
<p>A parada de ônibus para a qual Dália estava a caminho é também outro local visado para ataques LGBT, com pouca iluminação e segurança. “A Dália é uma travesti negra da periferia. Estamos muito assustadas. A UFPE tem muitas pessoas trans estudantes, precisa de atenção especial”, diz Dandara.</p>
<p>“Como fica nossa segurança depois disso? Foi numa cultural LGBT que foi muito bonita, a Diretoria LGBT arrasou muito, mas ainda assim a gente fica à mercê dessa violência”,&nbsp;questiona a estudante que preferiu não se identificar.</p>
<p>Procurada pela reportagem, a Assessoria de Comunicação da UFPE informou que a Diretoria LGBT publicaria nota oficial sobre o caso. Em página em rede social, a Diretoria <a href="https://www.facebook.com/diretorialgbtufpe/photos/a.1236498076380219.1073741828.1220875547942472/2214044698625547/?type=3&amp;theater">publicou nota em que expressa indignação e revolta com o ataque</a>. &#8220;<span style="color: #1d2129;">Informamos ainda que a estudante está sendo devidamente assistida e amparada pela nossa equipe. Todas as medidas administrativas já estão sendo tomadas no sentido de cooperar para possível identificação e punição do agressor nas instâncias cabíveis&#8221;. Leia nota na íntegra no fim da reportagem.</span></p>
<p><strong>Resistência</strong></p>
<p>Na segunda-feira (26), às 14h, o Pré-Vestibular Solidário, coletivos, grupos e movimentos que atuam na&nbsp;UFPE&nbsp; vão realizar um&nbsp;ato contra o ataque a Dália e em defensa de uma estratégia de proteção às pessoas LGBT que fazem parte da comunidade universitária. A Diretoria LGBT da UFPE também estará presente. A manifestação acontecerá no Centro de Educação, mesmo local em que ocorreu a cultural de recepção.</p>
<blockquote><p><strong>Nota da Diretoria LGBT da UFPE:</strong></p>
<p><em><span style="color: #1d2129;">A Diretoria LGBT da UFPE, órgão ligado ao Gabinete do Reitor e responsável pelo acolhimento, inserção e permanência dessa população no âmbito da universidade, vem por meio desta nota expressar nossa total indignação por mais um lamentável episódio de transfobia.</span></em></p>
<p><em>No dia 23 de março 2018 foi realizado, em frente ao Centro de Educação (CE), um evento de incentivo às manifestações artísticas e culturais promovidas pelas pessoas LGBTs da UFPE. Na ocasião, fomos procuradas por uma<span class="text_exposed_show">&nbsp;estudante do Vestibular Solidário, cursinho preparatório para o ENEM, que nos informou que havia sofrido discriminação e violência verbal/ simbólica por parte de um homem cisgênero ainda não identificado. De imediato, paramos as apresentações e repudiamos publicamente e enfaticamente as atitudes do agressor. Ratificamos que a Universidade Federal de Pernambuco, NÃO TOLERA qualquer tipo de discriminação e violência contra a população LGBT, em especial as pessoas trans e as travestis. Em seguida, a Cultural transcorreu tranquilamente sendo finalizada de igual maneira às 21:30.&nbsp;</span></em></p>
<div class="text_exposed_show">
<p><em>Contudo, após o término do evento, a estudante foi fisicamente agredida quando voltava para casa, a caminho da parada de ônibus. Vivemos no país do mundo que mais mata travestis e mulheres trans, o dado é conhecido, mas quando a violência chega tão perto de nós é ainda mais estarrecedor. São tempos difíceis para ser quem a gente é diante de tanto ódio e intolerância.</em></p>
</div>
<p style="color: #1d2129;"><em>Nesse sentido, faz-se necessário expressar nossa indignação e revolta diante dos fatos ocorridos. Informamos ainda que a estudante está sendo devidamente assistida e amparada pela nossa equipe. Todas as medidas administrativas já estão sendo tomadas no sentido de cooperar para possível identificação e punição do agressor nas instâncias cabíveis. Acontecimentos como o que estamos repudiando somente reforçam a importância do nosso trabalho e nos move na luta pela construção de uma sociedade democrática e inclusiva para todos e todas.&nbsp;</em></p>
<p style="color: #1d2129;"><em>Não passarão!</em></p>
<p style="color: #1d2129;"><em>Recife, 24 de março de 2018.</em><br />
<em>Diretoria LGBT UFPE</em></p></blockquote>
<p style="color: #1d2129;">*Atualizada às 21h59.</p>
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