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	<title>Arquivos censo 2022 - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 17 Apr 2024 22:01:34 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos censo 2022 - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Itamaracá, a &#8220;ilha encantada&#8221; que não tem serviço de esgoto</title>
		<link>https://marcozero.org/itamaraca-a-ilha-encantada-que-nao-tem-servico-de-esgoto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Apr 2024 21:59:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[censo 2022]]></category>
		<category><![CDATA[esgoto]]></category>
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		<category><![CDATA[litoral de Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De acordo com dados do Censo demográfico do Brasil, divulgado em 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Ilha de Itamaracá é o município pernambucano com menor cobertura de saneamento básico, com apenas 2,3% da população tem conexão com a rede de esgoto. Com uma área territorial de pouco mais de 66 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>De acordo com dados do Censo demográfico do Brasil, divulgado em 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Ilha de Itamaracá é o município pernambucano com menor cobertura de saneamento básico, com apenas 2,3% da população tem conexão com a rede de esgoto. Com uma área territorial de pouco mais de 66 km² e uma população total de 24.540 pessoas, Itamaracá está encravada em uma região onde o saneamento básico é o mais precário da Região Metropolitana do Recife. Nos municípios vizinhos, a oferta desse serviço público também não é nada invejável: Itapissuma tem 9,99% da população com acesso a esgoto e Igarassu, 15,63%. </p>



<p>Como é a vida em uma ilha com uma infra-estrutura tão precária? Um dia antes da nossa visita ao município havia chovido e as ruas, a grande maioria delas sem asfalto e calçamento, estavam tomadas por poças de lama. A PE-001, rodovia no litoral norte de Pernambuco que corta a Ilha de Itamaracá, é um dos poucos locais da cidade onde é possível encontrar asfalto e, ainda assim, em condições precárias, bastante esburacada e com mal sinalizada.</p>



<p>No percurso que vai da rotatória que fica na entrada da ilha até o início da trilha da Mata do Amparo, local onde é possível pegar um barco em direção a Praia do Sossego, é possível encontrar algumas poucas bocas de lobo, muitas ruas sem calçamento, poças de água acumulada e pilhas de lixo. O rio Âmbar, no trecho mais urbanizado do município, encontra-se completamente poluído e tomado pelas baronesas.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A baronesa é uma planta que possui um grande potencial invasor e se desenvolve em ambientes com alto índice de poluição.</p>
        </div>
    </div>



<p>Muitas propriedades da cidade estão abandonadas e/ou com placas de “vende-se” ou “aluga-se”. Apenas em dois locais da Ilha foi possível encontrar o serviço de drenagem com bocas de lobo e bueiros: no centro comercial da cidade próximo à Igreja Nossa Senhora do Pilar, no bairro do Pilar, e no Residencial Ciranda da Ilha, no bairro de Jaguaribe. Ainda assim, ambas localidades convivem com vazamentos de esgoto com mal cheiro e acúmulo de lixo nas ruas.</p>



<p>“Ainda conseguiram encontrar 2% de saneamento básico aqui? Então foi muito até, porque o que a gente vê é asfalto sendo construído, mas a rede de esgoto mesmo, com tratamento de água, escoamento e drenagem, não tem não. Talvez tenha só lá no Residencial Ciranda da Ilha, que foi construído há uns oito anos, mas fora isso não consigo lembrar de nenhum outro lugar”, declarou o metalúrgico aposentado Oxis Pereira, que mora na Ilha de Itamaracá há 20 anos.</p>



<p>Ainda de acordo com Pereira, o abastecimento de água é outro problema da cidade. “Os moradores que querem ter acesso a água precisam cavar poço porque se depender da rede vive faltando. Eu mesmo tive que fazer um poço na minha casa para poder receber meus parentes e amigos aqui, porque fazia vergonha receber as visitas sem água”, concluiu o aposentado.</p>





<p>A gerente de Programas da organização Habitat Brasil, Mohema Rolim, explica que o saneamento básico não é apenas o acesso a um tratamento de esgoto adequado: “é também um conjunto de serviços que formam condições básicas para a existência da população, então, diz respeito ao acesso à água potável e tratada, o acesso a uma estrutura urbana de qualidade, a limpeza das vias públicas, tudo isso que é um direito do cidadão e um dever do poder público”.</p>



<p>“E o resultado dessa falta de acesso ao saneamento básico é uma saúde fragilizada, com uma maior incidência de doenças por contaminação da água, e é também a falta de dignidade para a população, porque geralmente são pessoas que vivem em uma situação de maior vulnerabilidade social que convivem com essa realidade”, concluiu Rolim.</p>



<p>De acordo com dados do Censo 2022, 66,73% da população da Ilha de Itamaracá é abastecida pela rede geral de água e 64,28% têm acesso à coleta de lixo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Consequências para a saúde</strong></h2>



<p>Na rua Recife, no bairro do Pilar, os moradores convivem com uma vala que passa em frente às suas casas. É nesta rua que mora Oxis Pereira. Ele conta que a água é corrente, mas muitas vezes há um acúmulo de entulho nas valas e a água fica parada, cenário ideal para a reprodução do mosquito <em>Aedes aegypti</em>, transmissor da dengue.</p>



<p>Não é à toa que a ilha foi um dos municípios contemplados com a primeira remessa de vacinas contra a dengue que chegaram a Pernambuco em março. De acordo com o Ministério da Saúde, a estratégia de distribuição do imunizante considera regiões de saúde com municípios de grande porte e alta transmissão da dengue nos últimos dez anos. Os dados do boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde de Pernambuco, divulgado nesta quarta-feira, 17 de abril, mostram que,em 2024, Itamaracá teve 16 casos prováveis de dengue, atingindo assim quase o dobro dos nove casos registrados no ano passado.</p>



<p>“Aqui a gente tem que estar sempre de repelente porque tem muito mosquito por conta do lixo acumulado e das poças de água”, afirmou Oxis.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Oxis Pereira, 69 anos, mora na Ilha de Itamaracá há 20 anos e convive com as valas poluídas. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Prejuízo ao turismo</strong></h3>



<p>Dono de um bar localizado na beira mar da Ilha de Itamaracá, Jamerson Pereira vê o potencial de seu negócio ser prejudicado devido à dificuldade de acesso à praia. “A falta do saneamento, do calçamento, impacta muito porque uma rua calçada é uma rua que não tem buraco, você transita com mais segurança, não tem poeira, não tem lama, é muito mais atrativa. Como é que o cliente vai chegar aqui se a estrada está cheia de buracos e, quando chove, fica impossível de colocar um carro aqui?”, contestou o empreendedor.</p>



<p>“Além disso, sem estrutura na cidade a gente tem enfrentado muitos problemas com invasões de propriedades que estão abandonadas aqui, com muitos assaltos. Falta segurança tanto para os moradores quanto para os turistas. Nós temos uma paisagem única aqui, bem preservada, uma praia de águas limpas e quentes, um verdadeiro paraíso. Isso aqui era para ser um ponto turístico forte, mas devido ao descaso da gestão que não cuida da cidade, não é”, concluiu Jamerson.</p>



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	                                        <p class="m-0">Jamerson Pereira 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
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<p>No site e nas redes sociais da Prefeitura da Ilha de Itamaracá, a tentativa de transmitir a imagem de &#8220;ilha encantada&#8221;, cantada por Reginaldo Rossi, está estampado no slogan “O paraíso é aqui”. Porém, o que os moradores e turistas encontram na cidade é bem diferente de um lugar paradisíaco, como enfatiza a guia turística e sócio-fundadora do Instituto Histórico e Geográfico de Itamaracá, Manu Rodrigues: “a falta de saneamento básico é uma das coisas que prejudicam bastante o turismo na ilha. Recentemente, um grupo visitou a ilha para fazer um vídeo de divulgação do turismo e saiu horrorizado com a situação do esgoto a céu aberto e do mau cheiro no centro da cidade, perto da Igreja do Pilar, que é um ponto turístico daqui”.</p>



<p>“Quando eu estou guiando um grupo eu faço o possível para amenizar essas questões do mau cheiro e evito mostrar alguns lugares que acabam atrapalhando toda a beleza da Ilha. Eu amo esse lugar e acredito muito no potencial que ele tem para o turismo, por isso que me formei e me especializei na história daqui. Se nessas condições de abandono eu consigo trazer grupos de até 160 pessoas por mês, imagine o que poderíamos fazer fornecendo uma boa estrutura para o turista?”, disse Rodrigues.</p>



<p>A Fortaleza de Santa Cruz de Itamaracá, conhecida como Forte Orange, um dos pontos turísticos mais famosos da cidade e de grande valor histórico para o estado de Pernambuco, está deteriorada e aparenta sofrer com a falta de manutenção. Os turistas que visitavam o local no momento em que a reportagem da Marco Zero estava lá não passaram nem 15 minutos no forte e saíram reclamando da falta de atrativos do local.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz a prefeitura da Ilha de Itamaracá</span>

		<p>Tentamos contato com a Prefeitura da Ilha de Itamaracá através do número de telefone e do e-mail que estão publicados no site oficial e nas redes sociais da gestão municipal, mas até o fechamento desta matéria não obtivemos resposta.</p>
<p>No portal da transparência da prefeitura consta apenas a Lei de Diretrizes Orçamentárias do ano de 2024. A Lei Orçamentária Anual (LOA), com os dados sobre os investimentos previstos para o ano, não está disponível. Nos documentos das LOAs dos anos de 2022 e 2023, não há investimentos previstos diretamente para manutenção ou implementação do saneamento básico da cidade.</p>
<p>Para 2023, consta um investimento de R$ 2.200.000,00 destinado para pavimentação, calçamento e obras complementares nas vias urbanas, avenidas e rodovias; e R$ 36.000,00 para construção de galerias de águas pluviais, além de R$ 10.000,00 para a construção de privadas e fossas. Há ainda o investimento de R$ 290.000,00 na limpeza e conservação de galerias, esgotos e canais.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading"></h3>
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			</item>
		<item>
		<title>Mais da metade da população de Pernambuco se declarou parda no Censo 2022</title>
		<link>https://marcozero.org/mais-da-metade-da-populacao-de-pernambuco-se-declarou-parda-no-censo-2022/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Dec 2023 18:43:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[censo 2022]]></category>
		<category><![CDATA[ibge]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pernambuco está mais preto, mais pardo e mais indígena. Dos 9.058.931 habitantes de Pernambuco, 55,27% do total, o equivalente a 5.006.802 pessoas, se declaram pardos. Em segundo lugar, 3.043.916 pernambucanos (33,6%) se identificaram como brancos, 909.557 como pretos (10,4%), 106.646 como indígenas (0,92%) e 13.225 como amarelos (0,15%). Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (22) [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pernambuco está mais preto, mais pardo e mais indígena. Dos 9.058.931 habitantes de Pernambuco, 55,27% do total, o equivalente a 5.006.802 pessoas, se declaram pardos. Em segundo lugar, 3.043.916 pernambucanos (33,6%) se identificaram como brancos, 909.557 como pretos (10,4%), 106.646 como indígenas (0,92%) e 13.225 como amarelos (0,15%). Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p>



<p>Entre os que se declaram pretos, houve um crescimento de 59% em relação ao censo anterior, de 2010. Entre indígenas, o crescimento foi ainda maior, de 74,8%, e de 2,9% entre pardos. Houve uma queda de 5,6% da população branca. Em números absolutos, a população total de Pernambuco cresceu apenas 3%.</p>



<p>No cruzamento feito pelo IBGE entre cor ou raça e faixa etária, a autodeclaração parda teve maior participação relativa entre os jovens. A faixa etária de 15 a 29 anos foi a que mais se declarou parda (57,2% do total da faixa etária) e que menos se identificou como branco (31,37%). O grupo de zero a 14 anos teve a segunda proporção mais significativa de pardos (56,98%). </p>



<p>A faixa de 75 anos ou mais foi a única em que menos de 50% pessoas se declararam pardas (45,97%). Também foi o recorte por idade com mais pessoas brancas (42,85% do total).</p>



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<p>O grupo de zero a 14 anos também se destaca ao apresentar o menor percentual de pessoas pretas (6,35%) e o maior percentual de indígenas (1,1%) entre todas as faixas etárias. Os pernambucanos de 45 a 59 anos tiveram a maior proporção de pessoas pretas (11,75%). </p>



<p>Mas não se pode afirmar, ainda, que mais pessoas estão mudando a forma como se autodeclaram. “Não conseguimos cravar essa afirmação agora. O que conseguimos fazer hoje é este retrato de quem se declarou o quê. As análises específicas sobre a reorganização étnico-social do estado só será possível com outros dados, como o de migração, por exemplo”, explica coordenador técnico do Censo 2022 em Pernambuco, João Marcelo Santos. A previsão do IBGE é de divulgar toda a avaliação do Censo 2022 até o final de 2024.</p>



<p>Ao contrário de outras pesquisas, como a PNAD, o Censo não junta pretos e pardos. “É a única pesquisa do IBGE que não é amostral: vai em todos os domicílios, tem uma precisão nos dados. Por conta disso, pela precisão, as populações menores não ficam vulneráveis, estatisticamente falando”, explica João Marcelo. Esses dados, mais precisos, são os que vão guiar as políticas públicas de municípios, estados e do Governo Federal, em áreas importantes como saúde e educação.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Municípios pernambucanos</h2>



<ul class="wp-block-list"><li>Em Pernambuco, Frei Miguelinho, no Agreste, é a cidade com maior proporção de pessoas brancas entre sua população (54,34%). Este também foi o município onde havia apenas 2,23% do total dos habitantes pretos, o menor percentual do estado.</li><li>Mirandiba, no Sertão, foi o local com mais pessoas pretas: 21,14% da população.</li><li>Em Carnaubeira da Penha, no Sertão, 77,11% da população se declarou indígena, o maior percentual entre os municípios pernambucanos. Este município também é o local onde há menos pessoas brancas (4,08%) e menos pardas (15,61%) de Pernambuco.</li><li>Em Salgadinho, Belém de Maria e Barra de Guabiraba, no Agreste, e em Chã de Alegria, na Zona da Mata, nenhum habitante se declarou indígena.</li><li>O município com mais pardos – 78,05% do total &#8211; foi Manari, no Sertão. Entre a população amarela, o Recife tem o maior número absoluto (2.703 pessoas) e Granito, no Sertão, tem a maior proporção (0,44%) entre a sua população.</li></ul>



<h3 class="wp-block-heading">Mais mulheres pardas </h3>



<p>O IBGE também divulgou números do cruzamento de dados por sexo e cor ou raça. As mulheres pardas são o grupo mais numeroso em Pernambuco, com 28,77% do total da população. Em seguida, aparecem os homens pardos, com 26,5% de todos os pernambucanos. As mulheres brancas vêm na sequência, com 18,03% dos pernambucanos, seguidas pelos homens brancos (15,57% do total).</p>



<p>No recorte por sexo, as pardas são 55% das 4,7 milhões de pernambucanas, seguidas pelas brancas (34,47%), pelas pretas (9,45%), pelas indígenas (0,9%) e pelas amarelas (0,16%). Já os homens pardos totalizam 55,55% dos 4,3 milhões de pernambucanos do sexo masculino. Na sequência, estão os brancos (32,65%), os pretos (10,69%), os indígenas (0,95%) e os amarelos (0,13%).</p>



<p>Quanto à razão de sexo, que avalia a proporção de homens e mulheres em uma população, Pernambuco tem, em média, 91,21 homens para cada 100 mulheres, enquanto o Brasil e a região Nordeste tiveram respectivamente 94,25 e 93,54 homens para cada cem mulheres.</p>



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<h3 class="wp-block-heading">Brasil mais pardo que branco, pela primeira vez</h3>



<p>Pernambuco segue uma tendência nacional. Os dados do Censo 2022 do Brasil mostram que cerca de 92,1 milhões de pessoas (ou 45,3% da população do país) se declararam pardas. Foi a primeira vez, desde 1991 quando começa a atual série histórica, que esse grupo predominou em um censo. Outros 88,2 milhões (43,5%) de brasileiros se declararam brancos, 20,6 milhões (10,2%), pretos, 1,7 milhões (0,8%), indígenas e 850,1 mil (0,4%), amarelas (orientais).</p>



<p>A região Norte registra o maior percentual de pardos (67,2%), a região Sul mostrou a maior proporção de brancos (72,6%) e o Nordeste tem o maior percentual de pretos (13,0%).</p>



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			</item>
		<item>
		<title>Aumento da população indígena em Pernambuco segue tendência nacional, indica Censo 2022</title>
		<link>https://marcozero.org/aumento-da-populacao-indigena-em-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Aug 2023 17:41:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[censo 2022]]></category>
		<category><![CDATA[ibge]]></category>
		<category><![CDATA[população indígena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta segunda-feira (7 de agosto), os primeiros resultados do Censo 2022 relativos à população indígena. O censo mostrou que no Brasil há 1.693.535 indígenas, o que representa 0,83% do total da população. É um número 88,8% maior do que o censo anterior, de 2010, que contabilizou [&#8230;]</p>
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<p>O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta segunda-feira (7 de agosto), os primeiros resultados do Censo 2022 relativos à população indígena. O censo mostrou que no Brasil há 1.693.535 indígenas, o que representa 0,83% do total da população. É um número 88,8% maior do que o censo anterior, de 2010, que contabilizou 896.917 pessoas indígenas no país. </p>



<p>Pernambuco ocupa o quarto lugar entre os estados com maior população indígena, atrás somente do Amazonas, da Bahia e do Mato Grosso do Sul. Os dados do IBGE informam que são 106.634 indígenas vivendo em Pernambuco, o equivalente a 6,29% de todos os indígenas brasileiros. Isso representa 1,18% da população de Pernambuco – percentual acima da média nacional, de 0,83%. </p>



<p>Os indígenas estão distribuídos por 180 municípios pernambucanos e por Fernando de Noronha. Somente Chã de Alegria, na Zona da Mata, e Barra de Guabiraba, Belém de Maria e Salgadinho, no Agreste, não tiveram nenhum habitante que se declarou indígena.</p>



<p>Os dados de Pernambuco mostram um aumento de 77% em relação ao Censo de 2010, que contabilizou pouco mais de 60 mil indígenas no estado. Mas esse expressivo aumento não ocorre pelo nascimento de mais indígenas nem por migração. Houve uma mudança de metodologia na pesquisa do IBGE, que fez um pré-mapeamento em regiões historicamente com mais indígenas. Nessas localidades, além de responder a questão sobre raça/cor no questionário simples, os entrevistados também respondiam se se consideravam indígenas.</p>



<p>“O IBGE fez uma consulta aos órgãos indígenas para fazer um mapeamento prévio dessas áreas. E, nestas localidades, a pergunta foi feita de forma mais abrangente, para além dos Territórios Indígenas. As informações do Censo 2022 sobre fecundidade e migração ainda vão ser divulgadas, mas é improvável que esse aumento tão grande tenha sido por algum desses fatores”, afirmou o coordenador operacional do Censo 2022 em Pernambuco, Thiago Figueiredo.</p>



<p>No censo anterior, de 2010, Pernambuco havia ficado como o terceiro estado com mais indígenas do Brasil em números absolutos, mas nesta nova contagem foi ultrapassado pela Bahia. “Ter essa atualização é muito importante, pois os dados já estavam bem defasados. Agora, temos uma fotografia atualizada da população brasileira, algo imprescindível para o funcionamento das políticas públicas de educação, saúde, segurança pública etc. Os recursos públicos são escassos e ter informações atualizadas dá poder aos órgãos públicos para usar essas verbas da maneira mais correta”, explica o coordenador.</p>



<p>Para o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME) Sarapó Pankararu, é um avanço que uma parte maior da população se identifique como indígena. “Afinal, o Brasil é um país de indígenas, os primeiros habitantes. Durante muito tempo, havia um receio de se dizer indígena, por conta da violência e da discriminação”, afirma.</p>



<p>Sarapó, contudo, faz uma ressalva. “É preciso ficar atento para ver se essas pessoas se identificam como indígenas porque reconheceram sua ancestralidade ou se estão apenas em busca de usufruir de alguma política de educação ou saúde voltada para os indígenas. Algumas cidades daqui, como Jatobá, não aceitavam a presença de indígenas e hoje se dizem terra de indígenas”, reclama.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Dados expõem falta de demarcação em Pernambuco</h2>



<p>Em números absolutos, Pesqueira é a cidade com a maior população indígena de Pernambuco: 22.728 pessoas que se declararam indígenas entre seus 62.722 habitantes (36,24% do total). O município também é o sexto com maior quantidade de indígenas em todo o país.</p>



<p>Na sequência, estão Carnaubeira da Penha, com 10.506 indígenas, Tacaratu (8.241 indígenas) e Cabrobó (6.231 indígenas). Águas Belas (5.712 indígenas) completa o ranking das cinco cidades com maior população indígena no estado.</p>



<p>Em termos proporcionais, Carnaubeira da Penha tem mais indígenas: 85,84% de seus 12.239 habitantes se declararam indígenas. O município também ficou em oitavo lugar no ranking nacional de locais com maior percentual de indígenas no total da população. Jatobá ficou na segunda posição estadual, com 39,79% de indígenas, seguida por Pesqueira (36,24%), Tacaratu (34,38%) e Mirandiba (32,03%).</p>



<p>Entre os estados brasileiros, Pernambuco é o que tem o menor percentual de indígenas morando em terras demarcadas. Do total de 106.634 indígenas pernambucanos, 34.314 vivem em terras indígenas, ou seja, apenas, 32,18%. Pernambuco possui 72.320 indígenas residindo fora de Terras Indígenas oficialmente delimitadas.</p>



<p>Para o assessor de assuntos jurídicos do Conselho Indigenista Missionário (Cimi &#8211; Nordeste), Daniel Maranhão, esse cenário revela o processo histórico de violência contra os indígenas. “Muitos territórios foram demarcados em forma de minutas. Ou seja, onde era para demarcar 30 quilômetros, só se demarcou 10 quilômetros. Além disso, usamos em Pernambuco um Marco Temporal de 1934, que favorece os fazendeiros na justiça. Se hoje ainda existem perseguições, imagina em 1934, quando nem havia Funai? Estamos com a questão do Marco Temporal de 1988 sendo votada no Superior Tribunal Federal e é importante que haja uma maior sensibilidade do poder judiciário em relação á demarcação das terras indígenas”, afirmou. </p>



<p>&#8220;Em contrapartida, temos que comemorar o aumento dos percentuais de indígenas por aqui. Por muito tempo se falou que não existiam indígenas no Nordeste, por conta da questão fenotípica, que é diferente dos indígenas do Norte. Isso está mudando&#8221;, diz o assessor jurídico. </p>



<p>Os dados do IBGE também mostram que das 13 Terras Indígenas (TIs) oficialmente delimitadas em Pernambuco, a mais populosa é a TI Fulni-ô, em Águas Belas, com 26.300 residentes, sendo 5.627 indígenas, ou 21,4% do total. A TI Xukuru, em Pesqueira, vem logo atrás com 8.320 habitantes, sendo 8.179 indígenas (98,31% do total). Somente na TI Xukuru de Cimbres, que tem apenas 115 habitantes, 100% da população se declarou indígena. </p>



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