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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Apps e sites conectam comércio de bairro aos clientes no meio da crise</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2020 22:34:23 +0000</pubDate>
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<p>Há oito meses, Anderson Roberto, de 31 anos, foi demitido da empresa onde trabalhava, na cidade de Abreu e Lima, e usou o dinheiro da rescisão contratual para abrir um negócio delivery perto de casa, em São Lourenço da Mata. A decisão foi tomada como medida emergencial para enfrentar o desemprego, mas ironicamente, por por causa das mudanças de hábito forçadas pela pandemia da Covid-19, hoje  ele já tem outras perspectivas.</p>



<p>Em plena crise, o comerciante acredita na possibilidade de sair da quarentena com mais estrutura do que entrou. Tem investido na divulgação do seu negócio, o Alambique do Gordo, pelas redes sociais. Usa com frequência o whatsapp e se cadastrou na plataforma gratuita de pequenos negócios <a href="https://entrega.li/">entrega.li</a>. Com uma semana de cadastro, conseguiu fazer duas entregas pelo site.</p>



<p>Ele conta que sua renda mensal não chega a um salário mínimo e que sua esposa, Maria Eduarda, também está desempregada há um mês e meio. Vende galeto, almoço e sobremesas com ajuda de Maria e da cunhada. </p>



<p>Quando foi constatado oficialmente que o coronavírus tinha chegado ao estado, Anderson cogitou fechar o delivery. Seus fornecedores paralisaram as entregas, mas, como ele tinha estoque, decidiu tentar se manter. Perdeu cerca de 50% das vendas, mas resistiu. “A pandemia gerou medo e as pessoas passaram a consumir o básico e cozinhar a própria comida porque estão em casa. Estou seguindo um jogo de cintura para perder o mínimo possível”.</p>



<p>O que ele não esperava é que, com o passar da quarentena, as coisas fossem melhorar. Os pedidos passaram a crescer novamente e as sobremesas, que antes não eram tão pedidas, quase sempre fazem parte do pacote junto com o almoço.</p>



<p>Anderson explica que São Lourenço é uma “cidade dormitório”, muito até pela sua experiência de quando trabalhava fora. “As pessoas saem para trabalhar e só chegam para dormir. Elas tem a fonte de renda no Recife e não tem o costume de consumir aqui, saem do trabalho, ficam pela capital e só vem para casa mais tarde. Agora, muitos passaram a provar o serviços da cidade. Vamos ver como as coisas ficarão por aqui quando o coronavírus passar.”</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<h2 class="wp-block-heading"><strong>Plataformas</strong></h2>
</div></div>



<p>A pandemia da Covid-19 escancarou desigualdades e outras contradições. Entre elas, está a relação que parte da população mantém com o comércio local. Quantas vezes você deixou de fazer a feira de frutas e verduras na quitanda ao lado de casa para comprar em um supermercado de rede multinacional? Talvez você se perca nessa conta.</p>



<p>Muito tem se questionado sobre os impactos da pandemia na economia, na saúde e também nas relações humanas. O isolamento social é difícil, mas também significa um tempo para olhar para si, para os mais próximos e tentar conectar (não digitalmente) aquilo que sequer conseguia brecha na correria e na rotina. Isso inclui ir à padaria junto de casa, ao mercadinho e ao depósito de água e gás.</p>



<p>Mas, como comprar dos comerciantes locais se muitas vezes as pessoas não têm o conhecimento do que há disponível em seus bairros? </p>



<p>Com uma boa justificativa, a resposta veio em forma de contradição ao discurso de se desconectar totalmente do digital.</p>



<p>Quando o isolamento social passou a ser orientado pelo governo de Pernambuco, há um mês, planilhas com contatos de pequenos comércios de bairro começaram a circular no whatsapp com o intuito de ajudar estes estabelecimentos a sobreviverem durante a crise agravada pela pandemia e também facilitar a vida com restrições de deslocamento.</p>



<p>O desenvolvedor Rafael Gama diz que recebeu a planilha e pensou que talvez aquele formato não fosse o ideal, já que precisaria de atualizações constantes. Ele e mais dois desenvolvedores que já tinham criado juntos outras iniciativas, fizeram a plataforma <a href="https://entrega.li/">entrega.li</a>, um site que reúne dados de comércios locais e o usuário pode buscar os serviços a partir do seu endereço. </p>



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	                                        <p class="m-0"> Plataforma &#8220;entrega.li &#8221; </p>
	                
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<p>A planilha acabou por tomar a forma do site, alimentada continuamente. “É muito sobre vivenciar o bairro. Antigamente, tinha entrega de panfletos e toda uma comunicação que hoje não acontece. Nos perguntamos como chegar no pequeno que não está no digital e esse tipo de negócio só vai saber quem for do bairro mesmo. O objetivo é fazer pequeno negócio chegar na casa de todo mundo, fazer ele ser visível.”</p>



<p>A plataforma está no ar desde o dia 4 de abril e foi construída no sistema wordpress. Tem espaços específicos para os usuários e para os comerciantes que buscam serviços ou querem cadastrar seus estabelecimentos. Segundo o próprio site, os estabelecimentos catalogados são do Recife, Jaboatão dos Guararapes, de Olinda e Fortaleza. De acordo com Rafael, a preocupação é garantir que os comércios estejam de fato funcionando durante a quarentena.</p>



<p>Isso, inclusive, acarreta um pouco mais de tempo e cuidado na análise dos cadastros. Ele diz que alguns comerciantes já estão dando um retorno positivo que vai além da questão de “sobreviver à pandemia”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Plataforma &#8220;No bairro tem!&#8221;</p>
	                
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<p>No mesmo sentido, professores, alunos do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e voluntários criaram a plataforma <a href="http://www.nobairrotem.com.br/">No bairro tem!</a>. Foi lançada no dia 29 de março, mas o processo de construção começou quatro dias antes. Segundo o professor Fábio Mascarenhas, o objetivo também foi criar um banco de dados mais acessível para as informações que estavam chegando nas redes sociais.</p>



<p>Questionado sobre para qual tipo de comerciante a plataforma é direcionada, já que hoje há aplicativos de entrega estabelecidos no mercado e muito conhecidos pelo público. Fábio afirmou que o foco é justamente naquele comércio que “não tem capital de giro” e que corre risco de fechar “caso fique um mês sem funcionar”.</p>



<p>“É para aqueles que estão mais vulneráveis. Tem plataformas de âmbito global e isso tem um custo para os comerciantes. Então, direcionamos para aqueles que não conhecer a realidade do ifood, por exemplo. Estamos procurando rádios comunitárias e movimentos que atuem com comunidades para divulgar o site”, afirma.</p>



<p>De acordo como <a href="http://www.nobairrotem.com.br/">No bairro tem!</a>, são quase 2.600 negócios cadastrados na plataforma até então. Fábio conta que o site vem se adaptando às diversas demandas dos comércios. “Por exemplo, um grupo de mulheres que fazem artesanato nos procurou e nós criamos uma categoria para esse tipo de serviço”, explica.</p>
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