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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Doses de reforço ajudam a manter imunidade alta contra a covid-19, mesmo com vacinas desatualizadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Nov 2022 21:59:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[campanha de vacianção]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com Daniel Aloisio* e Yuri Euzébio* Em Pernambuco ou no Distrito Federal quem tem menos de 40 anos, sem ser imunocomprometido, não pode receber a quarta dose da vacina contra a covid-19. Já no Rio de Janeiro ou em São Paulo, a quarta dose está liberada há mais de quatro meses para quem é maior [&#8230;]</p>
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<p><strong>Com Daniel Aloisio* e Yuri Euzébio*</strong></p>



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<p>Em Pernambuco ou no Distrito Federal quem tem menos de 40 anos, sem ser imunocomprometido, não pode receber a quarta dose da vacina contra a covid-19. Já no Rio de Janeiro ou em São Paulo, a quarta dose está liberada há mais de quatro meses para quem é maior de idade. Vacinas atualizadas para ômicron? não há previsão. Prestes a completar dois anos do início da vacinação contra a covid-19 no Brasil, a falta de campanhas, de novas vacinas e de acesso às doses de reforço escancaram a lentidão e o descaso com que o tema continua sendo tratado nas semanas finais do atual Governo Federal.</p>



<p>Até agora o Ministério da Saúde não recomendou a vacinação para quem tem menos de 40 anos. O que significa que também não há vacinas sendo enviadas para os estados especificamente para esse público. Os estados e municípios que estão aplicando a quarta dose amplamente estão usando “sobras”, já que a vacinação para a terceira dose ainda está bem aquém do ideal.</p>



<p>No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 69 milhões de pessoas não tomaram nem a primeira dose de reforço. E mais de 32 milhões estão aptas para a quarta dose, mas não procuraram os postos de vacinação. Mais preocupante ainda é que 28,3 milhões não tomaram nenhuma dose.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-volta-das-que-nao-foram-mascaras-devem-ser-usadas-em-ambientes-fechados-novamente/" class="titulo">A volta das que não foram: máscaras devem ser usadas em ambientes fechados novamente</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
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		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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        </div>

		


<p>Em nota no começo deste mês, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) afirmou que a quarta dose contra a covid-19 vem sendo “amplamente discutida pelos especialistas da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI), do Ministério da Saúde, e também pelo Comitê Técnico Estadual para Acompanhamento da Vacinação”. E que “até o momento, ainda não há justificativa técnica para embasar a medida”.</p>



<p>A situação mudou com o avanço da atual onda de covid. Na semana passada, a SES-PE solicitou ao Ministério da Saúde um posicionamento oficial sobre a possibilidade de avanço na faixa etária da quarta dose. De acordo com a secretaria, não há doses suficientes no estado para avançar na vacinação. Hoje, o comitê estadual aprovou a quinta dose para quem tem 80 anos ou mais, com agendamento previsto para começar nesta quarta-feira no Recife. </p>



<p>Com o declínio da imunidade ao longo do tempo e o novo aumento dos casos de covid-19, especialistas ouvidos pela Marco Zero são unânimes em apontar os benefícios da segunda dose de reforço, ainda que seja da vacina “antiga”, a monovalente.</p>



<p>“A aplicação de uma quarta dose é importante para manter alto o nível de proteção principalmente contra a infecção, e também para ajudar na diminuição dos sintomas e agravamento. Pessoas que tomaram a terceira dose há um ano têm a resposta diminuída, mas mantêm algum tipo de proteção contra o agravamento da doença. Como estamos vendo variantes mais transmissíveis, é muito importante manter os níveis de proteção sempre altos, por isso que o reforço é importante. Mas o esquema vacinal com pelo menos três doses vai manter proteção contra o agravamento”, explica a virologista Lorena Chaves, pesquisadora da Universidade Emory Atlanta (EUA).</p>



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	                                        <p class="m-0">No início do mês, gestores estaduais não viam motivo para 4ª dose para pessoas até 40 anos. Crédito: Rodolfo Loepert/PCR</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Pressão sim, desespero não</h2>



<p>É preciso pressionar os órgãos públicos para agilizar os processos, mas não é preciso desespero. Há sim, com o passar do tempo, uma queda nos anticorpos neutralizantes, que atacam a entrada do vírus na célula, mas o sistema imunológico é redundante e as vacinas ainda oferecem outros tipos de proteção, como explica o médico virologista Ernesto Marques, professor e pesquisador na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.</p>



<p>&#8220;As vacinas induzem outros tipos de proteção que não é necessariamente a de anticorpos neutralizantes. Como, por exemplo, a ativação do complemento de anticorpos que se ligam ao vírus, que não são neutralizantes, mas ativam outros tipos de respostas imunológicas. E tem também as células de resposta imune celular, que são os linfócitos citotóxicos (que atacam ameaças ao corpo). Mesmo a vacina para cepa original tem efeito circulares contra as subvariantes da ômicron. Não é o máximo de proteção, mas quando você toma uma dose adicional essas outras defesas vão aumentar também”, afirma Ernesto Marques.</p>



<p>Lorena Chaves completa lembrando que, apesar das variantes serem diferentes do vírus original, todos eles continuam sendo o Sars-Cov-2. “Vacinas atualizadas ou não sempre vão ter um impacto positivo, qualquer que seja a onda ou variante. Então, se não temos vacinas atualizadas no Brasil, é importante que a população acima de 18 anos receba o reforço da vacina antiga, para evitar o aumento do número de casos. Lutamos com as armas que temos”, diz.</p>



<p>A médica epidemiologista e pesquisadora Denise Garrett, do Instituto Sabin,faz uma distinção importante entre “pode” e “tem que”. “As três doses é um consenso para todas as idades. Na verdade, deveria até ter sido o esquema inicial das vacinas contra covid-19, é extremamente necessária. Tem que tomar. Quando a gente chega na quarta dose existe um benefício muito grande para as pessoas mais idosas e pessoas imunossuprimidas. Para elas, também é essencial”, afirma, lembrando que, no Brasil, pouco mais de 66% da população vacinável tomou a terceira dose.</p>



<p>Já a quarta dose para a população jovem se encaixa no “pode”. “Há benefícios? Há. Mas o benefício para quem tem menos de 40 anos é um benefício considerável? Não é tão marcante quanto, por exemplo, para os maiores de sessenta anos. O que temos visto é que não é um benefício tão grande quanto é para as pessoas mais velhas”, conclui.</p>



<p>Um estudo com a vacina da Pfizer realizado nos primeiros seis meses deste ano, quando a ômicron já era a variante de maior circulação, viu um ótimo benefício na aplicação da quarta dose em idosos. O estudo, que contou com 4.760 pessoas, com média de idade de 64 anos, mostrou que a eficácia contra hospitalização dos que receberam a quarta dose da Pfizer foi 73% maior comparado a antes do reforço.  E de 64% para quem recebeu 1 reforço e 36% para quem não recebeu nenhum reforço. Isso com a vacina da cepa original de Wuhan.</p>



<p>Garrett faz um adendo: se houvesse vacinas bivalentes, deveriam ser dadas para todas as faixas etárias, pois o benefício valeria a pena. “O ideal seria que todos tomassem a vacina bivalente como reforço. Isso seria no mundo ideal, mas enquanto não temos a vacina bivalente no Brasil, é importante tomar o reforço com a vacina original. As vacinas disponíveis continuam protegendo contra hospitalização e óbitos”, explica. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/itapissuma-da-exemplo-ao-brasil-e-vacina-100-das-criancas-contra-a-poliomielite/" class="titulo">Itapissuma dá exemplo ao Brasil e vacina 100% das crianças contra a poliomielite</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
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<p>Para o infectologista Demetrius Montenegro, chefe do setor de Infectologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC),o mais importante hoje em dia é complementar o esquema disponível de acordo com a faixa etária. “Tem muita gente abaixo de 40 anos que não está nem na terceira dose. O mais importante é que as pessoas procurem completar o esquema de acordo com a secretaria de saúde”, afirma, lembrando que é preciso que o Brasil adquira as vacinas bivalentes. “Já estão sendo dadas em outros países do mundo, mas aqui não tem nem programação de compra”, lamenta.</p>



<p>O também infectologista e divulgador científico Bruno Ishigami faz coro com Demetrius na importância da primeira dose de reforço e critica a falta de campanhas de vacinação. “Não é só com a covid-19. Não vemos mais campanhas na televisão, no rádio. As pessoas não têm ideia de que precisam tomar a terceira dose nem muito menos a quarta dose, para as faixas etárias previstas. Precisamos garantir um melhor acesso às vacinas e garantir que o país todo esteja em um patamar parecido na vacinação. E isso sairia com política pública efetiva partindo do Ministério da Saúde”, afirma.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Vacinas bivalentes ainda sem data para chegar no Brasil</strong></h3>



<p>Em 18 de agosto, a Pfizer fez um pedido de aprovação de uma vacina atualizada que inclui a variante ômicron, com a subvariante BA.1. Em setembro, fez outro pedido, desta vez incluindo também a subvariante B5, além da cepa original e da BA.1. Nenhum desses pedidos foi ainda aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.</p>



<p>O pedido foi feito em caráter emergencial e teria que ter uma resposta em 30 dias, já ultrapassada. A Marco Zero solicitou nota à agência sobre o motivo da demora na aprovação do imunizante atualizado, mas não obteve resposta. <a href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2022/atualizacao-sobre-analise-de-vacinas-bivalentes-contra-covid-19">Em nota publicada no dia 16 de novembro,</a> a Anvisa afirma que a análise está na “fase final” de aprovação. Lembrando que foi a Pfizer que, no auge da pandemia, enviou <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2021/06/4932143-lista-de-e-mails-da-pfizer-ignorados-pelo-governo-aumenta-sao-101-tentativas.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">101 e-mails</a> para o Ministério da Saúde e para o próprio presidente Jair Bolsonaro, oferecendo prioridade na compra da vacina, mas ficou sem resposta.</p>



<p>A farmacêutica Moderna também tem uma vacina bivalente, mas ainda não formalizou o pedido de aprovação para a Anvisa. E sequer tem contrato de compra com o Ministério da Saúde.</p>



<p>O MS também não respondeu à Marco Zero sobre a compra das vacinas atualizadas e a assinatura de um possível contrato com a Moderna. O contrato firmado com a Pfizer em 2021 já previa a oferta de vacinas atualizadas, caso existissem.</p>



<p>As mutações do coronavírus têm sido bem mais rápidas do que as vacinas. A variante apontada como responsável pelo atual surto é a BQ1, que já é derivada da B5. Como ainda estamos em pandemia, e com grande parte dos países tendo abandonado a obrigatoriedade de medidas não-farmacológicas, como as máscaras, as variantes se multiplicam sem controle. Já são mais de 300 catalogadas.</p>



<p>O desejo de tomar uma vacina e não pegar covid-19 é algo que ainda deve demandar muita pesquisa. “Vacina contra vírus que causam doenças respiratórias são um desafio há muitos anos. Isso tem a ver com o tipo de vírus, tipo de infecção, a questão de via aérea pulmonar, toda uma característica desses vírus que é muito complicada”, afirma Lorena Chaves.</p>



<p>A virologista faz uma comparação com o vírus da gripe, que precisa ter uma vacina atualizada a cada ano e que tem graus variados de eficácia. “Há vários subtipos do vírus da gripe. Todo ano tem que fazer a vacina para dar <em>match</em> com a cepa circulante. Só isso já é um desafio. E cada formulação tem uma taxa de eficácia diferente, sempre variando de 60% a 70%, chegando até a 80% para evitar infecção.”</p>



<p>Desde que ficou claro que o Sars-cov-2 desenvolveria várias variantes de preocupação, os pesquisadores defendem que o grande avanço na vacinação contra a doença é a criação de uma vacina pan-sarbecovírus, ou seja, capaz de cobrir todas as variantes do Sars-cov-2.</p>



<p>“Uma vacina que funciona para todo tipo de cepa requer uma sofisticação bem maior na seleção do antígeno. Por exemplo, a vacina atual foca principalmente na proteína S que contém a região que se liga ao receptor. Mas essas variantes se modificam bastante justamente nesta região que se liga ao receptor e torna elas, vamos dizer, menos suscetíveis às vacinas originais”, explica Ernesto Marques.</p>



<p>Para criar, então, uma vacina que funcione para todas as variantes é preciso identificar quais são as áreas do vírus que são essenciais e não se modificam. “É uma dificuldade como a que ocorre com o desenvolvimento de uma vacina contra o HIV. São tantas subvariantes e com mutações tão rápidas que você fica com um repertório de alvo muito restrito. O Sars-cov-2 não deve ser tão desafiador quanto o HIV, mas também requer umaengenharia de proteína sofisticada para se identificar esses alvos”, diz o pesquisador, acrescentando que as pesquisas para vacinas contra a covid-19 perderam financiamentos, em comparação ao auge da pandemia.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Surtos de covid seguem sem padrão</h4>



<p>Além da falta de atualização nas vacinas e nas recomendações, o Ministério da Saúde também não divulgou nenhum cronograma de vacinação contra a covid-19 para o próximo ano. Em 2021, a estratégia de vacinação do ano seguinte foi divulgada já em outubro. É justamente nesse cenário de fim de governo no Ministério da Saúde que o Brasil vive mais uma alta de casos, a terceira somente em 2022. Como ainda estamos em pandemia, as ondas do vírus seguem imprevisíveis.</p>



<p>No primeiro ano da pandemia, de acordo com dados da <a href="https://twitter.com/redeanalise?s=20&amp;t=F1Q2FE73NgsXCiqrzyf4iw" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rede Análise Covid-19</a>, os casos estavam caindo em agosto/setembro e a nova alta começou a aparecer em outubro. Em 2021, houve uma onda forte em março/abril, depois uma outra onda em junho/julho, depois uma reversão da tendência de queda que foi aparecer em dezembro. Neste ano, foram três ondas provocadas pela ômicron e suas subvariantes:uma em janeiro/fevereiro, depois outra onda em abril/maio, e agora já estamos na terceira onda.</p>



<p>“Desde a chegada do Sars-CoV-2 a curva sazonal dos países não existe mais, temos diversas ondas em diversas épocas. Tivemos, no Brasil, desde platôs em 2020 a ondas gigantes, como em março/abril de 2021 com casos e óbitos, já que não tinha vacina e, em janeiro/fevereiro de 2022, com muito mais casos do que óbitos, pois já tínhamos vacina”, diz Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ambulância do Samu em ação no auge da pandemia, no início de 2021. Crédito: Daniel Tavares / PCR</p>
	                
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<p>Para ele, a falta de padrão no vírus se deve a vários fatores. “Ainda não tivemos repetição de padrões exatamente, pois vemos novas variantes chegando (o vírus é muito transmissível, então tem maior probabilidade de mutação) e também temos ainda de entender qual a duração da proteção contra doença leve das vacinas. Vemos, pelos dados atuais, que a proteção contra doença grave e contra óbito está se mantendo: a onda da BQ.1 na Europa gerou uma quantidade de casos mais significativa do que de óbitos, mas mesmo assim, como foram muitos casos, vimos aumento de hospitalizações e óbitos também, só não tão gigantes quanto na época pré-vacina”.</p>



<p>Essa falta de padrão também é um dos obstáculos para a definição de um calendário fixo de vacinação. Com a gripe, por exemplo, as campanhas são realizadas antes do início da alta histórica de casos.</p>



<p>“O que a gente tem visto são ondas que vem e vão e que depende muito das variantes que estão circulando e do escape imune dessa variante e da imunidade da população naquele certo momento. Então, quando acaba uma onda, existe um período de arrefecimento ali porque tem muita gente que adquiriu aquela imunidade. E aí dá uma segurada até que com três, quatro meses vai se perdendo aquela imunidade. Fica a susceptibilidade para uma nova onda. Aí aparece uma subvariante que escapa ainda mais da imunidade natural e da imunidade da vacina, como essa nova variante BQ1, e há novamente um aumento de casos”, explica Denise Garrett.</p>



<p>Especialistas alertam também sobre a baixa testagem no Brasil, o que deixa o país sem saber exatamente como a pandemia está caminhando. É só quando o sistema de saúde é pressionado, como agora, em que a ocupação da UTI em Pernambuco já está em 76%, que se percebe a alta de casos. “Fechamos outubro com 72 mil testes, sendo o segundo mês com menos testagem, atrás apenas de março de 2020, quando mal havia testes no Brasil”, lamenta Isaac.</p>



<p>“Sempre é bom lembrar também do fator &#8216;auto teste&#8217;, que não é notificado em lugar nenhum. Se a pessoa compra o teste na farmácia, testa em casa e dá positivo, ela só consegue notificar isso se for até uma unidade de saúde e refizer o teste (não temos o número de pessoas que fazem isso, mas o processo é moroso, e é provável que não seja adotado pela grande maioria)”, diz o coordenador da Rede Análise Covid-19.</p>



<p>* <strong><em>Esta reportagem faz parte do programa Infovacina Trainee, da Agência Bori</em></strong>.</p>



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		<title>Ernesto Marques: &#8220;Ainda não temos a solução definitiva contra o coronavírus, temos as soluções emergenciais&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/ernesto-marques-ainda-nao-temos-a-solucao-definitiva-contra-o-coronavirus-temos-as-solucoes-emergenciais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Feb 2022 21:20:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando entrou no curso de medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o cientista Ernesto Marques não tinha a menor noção do que era pesquisa. Até que conheceu o professor José Luiz Lima, hoje diretor do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika), que havia acabado de chegar de um doutorado na Escócia. Marques entrou pela [&#8230;]</p>
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<p>Quando entrou no curso de medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o cientista Ernesto Marques não tinha a menor noção do que era pesquisa. Até que conheceu o professor José Luiz Lima, hoje diretor do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika), que havia acabado de chegar de um doutorado na Escócia. Marques entrou pela primeira vez em um laboratório e não saiu mais. &#8220;Não foi uma escolha fácil. Sabia desde o início as dificuldades, não só no Brasil, de uma carreira hipercompetitiva&#8221;, conta.<br><br>Ao longo de três décadas, Marques construiu uma carreira bem sucedida dentro e fora do Brasil. Na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi um dos responsáveis pela formação do departamento de virologia do Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães, no Recife, que custou US$ 7 milhões. Foi pesquisador e professor visitante na Universidade John Hopkins, líder em pesquisa em saúde nos Estados Unidos, onde também concluiu o doutorado.<br><br>Desde 2009 dá aulas sobre prevenção de infecções, virologia, imunidade e vacinas na Universidade de Pittsburgh, de onde conversou com a Marco Zero na semana passada. <a href="https://publichealth.pitt.edu/Resources/FacultyAndStaff/pdf/1c3dfdba-fa1e-4c07-b612-5441c0a00dcd.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Com mais de 150 artigos publicados</a>, também participa de pesquisas nos Estados Unidos e no Brasil sobre covid-19, zika, HIV e para o desenvolvimento de uma nova vacina da dengue. Na entrevista abaixo, ele fala sobre como o vírus e as vacinas contra a covid-19 podem evoluir e como investimento é essencial para pavimentar uma ciência brasileira independente.</p>



<p>Marco Zero Conteúdo &#8211; <strong>A pandemia parecia estar sendo controlada com as duas doses de vacinas quando surgiu a ômicron, com uma explosão de casos muito acima das outras ondas. A ômicron pegou o mundo de surpresa?</strong></p>



<p><strong>Ernesto Marques </strong>&#8211; A adaptação viral é esperada. Já se tinha reconhecido que a taxa de mutação e adaptação desse vírus é grande e tem padrões diferentes de transmissão e sintomatologia. A ômicron tem uma característica: ela tem preferência por certas células da via aérea superior enquanto que as outras variantes tinham uma preferência maior para infectar o pulmão, causando portanto mais pneumonia. A ômicron afeta mais a via superior, mas não exclusivamente ela também pode afetar os pulmões. Essa característica de preferência por um tipo de célula é uma adaptação ao processo de transmissão. E isso é dar uma maior vantagem na transmissão porque você está produzindo a cepa logo ali na saída da via respiratória, facilitando a transmissão. Por haver mais casos assintomáticos, ou com poucos sintomas, as pessoas estão andando e distribuindo o vírus mais à vontade. Eu não acredito que essa vai ser a última cepa que vai aparecer. Outras vão aparecendo.<br><br><strong>Quando a ômicron surgiu, se falou que poderia ser uma variante mais leve&#8230;</strong></p>



<p>A Ômicron não é um vírus atenuado, como muita gente pensou, de que seria como uma &#8220;vacina&#8221; de um vírus atenuado. Muito longe disso. O vírus está matando no Brasil 800 pessoas por dia. No mundo, dez mil pessoas por dia. Então, pra quem acha que pegar a ômicron é menos arriscado que a vacina, é ter menos efeito colateral, não está olhando para a realidade. Já foram aplicadas mais de dez bilhões de doses de vacina contra a covid-19 pelo mundo e os óbitos associados à vacina &#8211; o que não quer nem dizer que tem a confirmação de causa e efeito, é bom frisar &#8211; é na faixa de um para um milhão.</p>



<p><strong>Quando as vacinas surgiram, algumas delas, como as da Pfizer e da Moderna, evitavam a infecção e também a transmissão do vírus. Hoje, com a ômicron, a terceira dose ajuda a evitar agravamento e morte, mas não a infecção. Por que isso ocorreu?</strong></p>



<p>Vou usar a dengue como exemplo. Temos quatro tipos de sorotipos: um, dois, três e quatro. O que isso significa? Para cada tipo de dengue, é induzido um tipo de anticorpo. Tem o anticorpo que vai neutralizar a dengue 1, mas não a dengue 2. Se você é infectado por um tipo, você ainda pode ter os outros três. Nesses dois anos, o Sars-Cov2 vem se adaptando e evoluindo em um ambiente imunológico que segue mudando. No início, ninguém tinha sido infectado, ninguém tinha sido imunizado. Então o vírus corria solto e sem barreiras imunológicas na comunidade que pressionassem ele a escapar dessas barreiras. Com o passar do tempo, com as inúmeras infecções e reinfecções de covid e pessoas imunizadas expostas à doença, o vírus passa por um processo de seleção. Aquele vírus que consegue infectar melhor as pessoas e se adapta para superar a resistência imunológica prospera mais do que os outros. A ômicron já é, de certa forma, uma solução da evolução do vírus pra enfrentar a resistência imunológica que ele encontra. Da mesma forma que as vacinas feitas com a cepa original de Wuhan não funcionam tão bem contra a ômicron, podemos esperar que o reverso seja verdadeiro. Se você tem anticorpos contra a ômicron não quer dizer que você vai estar protegido contra a cepa original ou outras. Nesse processo, enquanto a gente passa dessa transição de pandemia para uma endemia, vamos ter vários momentos de altas e baixas até chegar a um equilíbrio real e, talvez, surjam diferentes sorotipos. Agora, a evolução viral depende do número de infecções. Cada vez que uma pessoa se infecta é uma oportunidade de surgir um mutante resistente à vacina atual ou aos anticorpos induzidos pelas infecções anteriores.<br><br><strong>Então por isso também que não é bom deixar o vírus como está atualmente, com recorde atrás de recorde de casos? Pode prolongar a pandemia?</strong></p>



<p>Não é recomendável de forma alguma. No mundo, são três milhões ou mais de casos por dia, dez mil mortes por dia, isso não é aceitável. Em um ano ruim de influenza morrem nos Estados Unidos quarenta mil pessoas. São várias ordens de amplitude menor do que se morre pela ômicron. A questão é que, até hoje, e desde o início da epidemia, lá no começo de 2020, agimos como se a epidemia fosse acabar em três meses e já se vão dois anos nessa conversa. Não vai acabar sem um planejamento a longo prazo, com as adaptações e comportamentos necessários. As pessoas têm que ser capazes de funcionar na sua vida em termos de trabalho e socialmente, mas precisam de um nível de segurança razoável para viver o seu dia a dia de maneira que minimize a transmissão das doenças respiratórias como um todo. E isso não se fez. Aí fica sempre nessa iminência de que a epidemia vai acabar. De que vamos aguentar um tempo, e ninguém faz um planejamento a longo prazo.<br><br><strong>Qual a importância da terceira dose para a ômicron?</strong></p>



<p>É pela quantidade de anticorpos que são gerados. Não significa que os anticorpos contra a cepa original não reagem contra a ômicron. Eles reagem, mas como é uma cepa diferente, eles reagem com uma força menor. Se a pessoa tiver um nível médio de anticorpos e vier a cepa original, a vacina segura. Porque a vacina é forte para segurá-lo. Mas quando vem uma variante que é diferente, a pessoa já não segura com tanta força. Um anticorpo sozinho, vamos dizer, não é capaz de controlar a ômicron, mas se tiver três, quatro, cinco, um número maior de anticorpos, segura. Porque pode ser um anticorpo com afinidade menor, mas eu tenho tantos anticorpos que acabam segurando a doença. Essa é a lógica quando você toma um reforço. Tem um artigo recente mostrando que três doses, ou três exposições à espícula, com vacina ou infecção, têm uma abrangência maior na cobertura das várias cepas. Desde o início da imunização, quando as vacinas foram liberadas, a pergunta era até quando os anticorpos iriam durar. E a conclusão é que duram na faixa de seis meses. E, por isso, também há necessidade do reforço, para manter a imunidade tanto contra a cepa original e tanto contra as outras variantes.<br><br><strong>Pode acontecer com o coronavírus o que acontece, por exemplo, com a gripe, em que em um ano circula mais uma cepa, no outro ano circula mais outra?</strong></p>



<p>Pode. Também com a dengue é a mesma coisa. Tem ano que temos mais dengue 1, tem ano que temos mais dengue 4. Não é que a outra cepa foi extinta da natureza. Ela continua circulando na natureza. No momento, a ômicron é dominante e, em um determinado momento, vai encontrar uma resistência maior. Há dois caminhos que o vírus pode seguir: ou ele muta e gera novas variantes resistentes ou alguma das variantes antigas, que são menos afetadas pelas respostas imunes, vão ressurgir. E pode acontecer como a gripe, que de tempos em tempos aparece uma nova variante, ainda sem vacina, como aconteceu com os surtos da H3N2.<br><br><strong>A evolução natural de todos os vírus é ele ficar mais fraco, mas infectar mais pessoas? Ou pode ser que surja uma variante que se espalhe tanto contra a Ômicron, mas que cause doença mais grave?</strong></p>



<p>É esperado que, a medida que um vírus vai se adaptando ao hospedeiro, ele vá matando menos. Essa adaptação é para que ocorra uma simbiose que garanta uma melhor sobrevivência do vírus. Acho que um exemplo bem documentado é o caso do HIV. E, no entanto, o vírus não para de evoluir e vive aparecendo cepas resistentes aos medicamentos. Se as pessoas não tomarem o medicamento rigorosamente, se não controlar bem, o HIV fica mais resistente também. Por isso você tem uma variedade de medicamentos, se usa um esquema tríplice ou uma combinação maior ainda para o HIV. O Sars-Cov2 pode evoluir e causar uma doença mais branda, mas a direção não é sempre para esse lado. Pode seguir outros caminhos, outras direções que não necessariamente são favoráveis ao hospedeiro. A direção também não é sempre a mesma, não é sempre constante indo para o lado de menos doença. Pode ir para o lado de mais doença em alguns momentos. O vírus da influenza, por exemplo, tem cepas que são altamente patogênicas, outras que não. Com a dengue, a mesma coisa. A cepa da dengue 2 é bem mais propensa a causar dengue severa ou dengue hemorrágica. Essa expectativa de uma covid mais branda no futuro é uma expectativa, eu diria, que otimista, com um fundo de embasamento real, mas não é uma garantia.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ernesto Marques no laboratório da Universidade de Pittsburgh. Crédito: www.publichealth.pitt.edu</p>
	                
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<p><strong>E como é que o senhor vê essa questão da atualização das vacinas? É uma urgência?</strong></p>



<p>Eu acho que o desenvolvimento das novas versões da vacina ou versões multivalentes das vacinas está evoluindo no prazo correto. Temos que considerar que uma boa parte da população mundial continua sem ter vacina disponível, então, ainda precisa ser fabricada quantidades enormes das vacinas atuais. E, no caso das novas versões, temos já duas em fase 3 de testes e, como são muito similares às vacinas atuais, o processo de validação, certificação de eficácia e segurança deve ser um processo relativamente rápido, já que as atuais já têm autorização plena, não é mais uma autorização emergencial.<br><br><strong>O que você vê de mais promissor no futuro de vacinas contra a covid-19?</strong></p>



<p>É fazer a vacina universal contra o coronavírus. Esse que é o &#8220;santo graal&#8221; da história. E as estratégias são diferentes. Uma vez que se conhece os locais onde o vírus aceita modificação e escapa do sistema imunológico, nós também reconhecemos áreas em que ele não consegue se modificar. E no momento que você identifica essas regiões em que ele não consegue se modificar, você faz vacinas contra essas regiões mais rígidas do vírus, que ele não consegue mutar pra escapar da resposta imunológica. Para isso, tem várias estratégias diferentes que estão em andamento. Talvez levem mais tempo porque são bem mais sofisticadas do que as vacinas que temos hoje, não na plataforma tecnológica mas na estrutura do antígeno que se usa na vacina. <br><br><strong>E quanto tempo pode levar pra desenvolver essa vacina universal?</strong></p>



<p>Como sempre, depende da quantidade de investimento e interesse. O que acontece com frequência é que, uma vez tendo um produto comercializado, o investimento em desenvolvimento de novos produtos diminui, porque o mercado vai ficar dividido. A não ser que exista uma falha real do produto atual, o investimento em um novo produto não é mais tão atraente porque o mercado é menor, a expectativa de lucro é menor.<br><br><strong>A pandemia completou dois anos e a ciência, extremamente pressionada, conseguiu dar uma ótima resposta com o desenvolvimento das vacinas contra a covid-19. Como você vê o legado desses dois anos?</strong></p>



<p>O êxito na produção da vacina de uma forma tão rápida não foi graças ao desenvolvimento de agora. Isso foi graças ao desenvolvimento que vem sendo feito há 30 anos. Em 1995 já se fazia vacina de adenovírus. Já se fazia vacina de mRNA em modelos animais. A vacina de DNA, que chegou também a ser testada em pessoas, já foi usada em estudos para HIV.<br><br><strong>Então o que faltava foi esse investimento que teve nesses dois anos?</strong></p>



<p>Exatamente. Foi aí que se pegou a tecnologia que tinha sido originalmente feita muitos anos atrás, e continuava evoluindo, mas apenas nos bastidores da ciência. E, quando receberam a injeção grande de recursos, essas tecnologias estavam prontas pra deslanchar. E foi um sucesso. Eu considero que, nesses anos de pandemia, o sucesso é graças ao conhecimento anterior, que foi buscado para uma solução urgente, para resolver o problema de agora. No entanto, ainda falta muita compreensão sobre a doença em si. Por que o jovem não tem tanta doença grave? Por que a doença é tão letal em algumas pessoas e outras sentem tão pouco? É por causa da cepa do vírus? É por causa do <em>background</em> genético da pessoa? Ou é por causa de algum outro fator ambiental? Algum fator do hospedeiro, como infecções prévias? Ou alguma característica específica do sistema imunológico? Isso tudo ainda está em aberto. E é também o conhecimento dessas questões que poderá levar a ser feita vacinas para todos os coronas, remédios eficazes pra evitar a morte etc. Ainda não temos a solução definitiva contra o coronavírus, temos as soluções emergenciais mesmo.<br><br><strong>E para responder a essas questões ainda vai ser necessário muito investimento em pesquisa nos próximos anos?</strong></p>



<p>Uma coisa que é importante lembrar: a vacina é da Pfizer porque a Pfizer basicamente comprou uma empresa menor, a BioNTech, que foi fundada no início dos anos 2000. E, até 2020, ela teve investidores que já tinham colocado nela US$ 180 milhões. Para desenvolver a tecnologia, a BioNTech vivia no vermelho, não tinha superávit durante todos esses anos. Era uma uma empresa que vivia graças ao investimento. E, como foram extremamente bem sucedidos nesse projeto, a Pfizer comprou, porque a fabricação e distribuição requerem uma empresa global. Em termos de desenvolvimento de vacinas, as pessoas falam tanto em teorias da conspiração, mas a vacina não é um produto farmacêutico que dá lucro. O que dá lucro é vender remédio pra tosse, pra desentupir nariz, sonda pra intubar, respirador, isso é o que dá dinheiro. Tomar uma dose de Pfizer que o Brasil comprou por US$ 10, não. Quanto gasta uma pessoa doente em casa com sintomas leves de covid-19? É mais do que R$ 50, R$ 60. Se juntar todo o investimento feito na indústria farmacêutica, 97% é dedicado a desenvolver remédio. Só 3% é dedicado a vender, a produzir, a desenvolver novas vacinas. Isso já diz tudo. Vacina é um investimento longo, de grande risco, caro. E que sofre esses preconceitos de alguns grupos sem justificativa. Não há grande interesse econômico em prevenir doenças. O grande interesse econômico é vender remédio, procedimento médico, isso gera dinheiro. E as pessoas esquecem disso. A BioNTech deve ter feito um lucro enorme agora, mas muito justo. São pessoas que passaram 15 anos ou mais investindo numa empresa que não sabiam se iria dar retorno ou não. E um dia teve. E a gente vê também por outro lado. Por que que a gente não tem vacina pra zika? Porque ainda hoje a gente não tem uma vacina para dengue, para esquistossomose ou para HIV? É um investimento mais lucrativo vender antiviral de HIV do que vender uma vacina de US$ 20 pra uma pessoa. Isso é uma mentalidade que precisa mudar. No lado particular, a preocupação é sempre se tem mercado ou não. No lado público, a preocupação não é o mercado, mas a parte política. E no Brasil há um apetite de risco muito pequeno, não há investimento em desenvolvimento de tecnologia local.<br><br><strong>É verdade que de todas as vacinas distribuídas pelo SUS nenhuma é com tecnologia brasileira?</strong></p>



<p>Você conta nos dedos as patentes de vacinas brasileiras originais. E nem todas patentes viram produto. O que o Brasil faz são acordos de transferência de tecnologia. O que não quer dizer que, depois que a tecnologia é transferida, não seja adaptada ou evoluída dentro das instituições. A Fiocruz tem um parque grande, um número grande de pesquisadores, mas nenhuma vacina que a Fiocruz produz hoje foi feita ou desenvolvida por um dos seus pesquisadores.<br><br><strong>Falta investimento?</strong></p>



<p>É falta de seriedade no investimento. A instituição investe, mas em valores amadores, vamos dizer assim. É mais no nível acadêmico, é um investimento que não tem o cacife pra transformar aquela descoberta da bancada em um produto. Há tentativas, há programas que tentam avaliar, mas é muito pacato, muito discreto. No setor público existe um trauma. Principalmente nas instituições idôneas, do bem: há muito medo de investir dinheiro em uma coisa que não dê certo porque vão ser alvo de críticas, de que foi corrupção, de que foi isso, de que foi aquilo. Então, pra você investir em pesquisa naquilo que você tem certeza que vai dar certo não existe. Por isso que no Brasil se espera o outro fazer, e, se der certo, compra. É menos risco.</p>



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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/ernesto-marques-ainda-nao-temos-a-solucao-definitiva-contra-o-coronavirus-temos-as-solucoes-emergenciais/">Ernesto Marques: &#8220;Ainda não temos a solução definitiva contra o coronavírus, temos as soluções emergenciais&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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