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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Em nome da Filha, uma história para desnaturalizar o &#8220;amor&#8221; que mata</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2019 21:04:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Em nome da filha]]></category>
		<category><![CDATA[feminicídio]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 1991, o assassinato de uma jovem chocou a imprensa e a sociedade pernambucanas, mas não acabou ali.&#160;Mônica Francisca da Silva Lima tinha 20 anos,&#160;boa parte da vida perseguida pelo cabo Carlos Antônio de Assis Callou, condenado pelo assassinato a 17 anos de prisão. Ainda que o termo feminicídio não existisse na época, Gercina Francisca, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="color: #1a1a1a;">Em 1991, o assassinato de uma jovem chocou a imprensa e a sociedade pernambucanas, mas não acabou ali.&nbsp;Mônica Francisca da Silva Lima tinha 20 anos,&nbsp;boa parte da vida perseguida pelo cabo Carlos Antônio de Assis Callou, condenado pelo assassinato a 17 anos de prisão. Ainda que o termo feminicídio não existisse na época, Gercina Francisca, mãe de Mônica, sabia, no íntimo, que a filha teve a vida aterrorizada pelo fato de ser uma mulher. Depois do crime, a briga para conseguir a punição do culpado consumiu a família, que sofreu perseguições ao longo dos anos.</p>
<p style="color: #1a1a1a;">O romance reportagem <em>Em nome da Filha</em>, da jornalista mineira Sulamita Esteliam,&nbsp;reconstrói a história de Mônica e a saga por justiça&nbsp;da mãe da vítima. A autora conheceu Gercina sete anos depois do crime, quando ela batia de porta em porta em sindicatos, movimentos sociais e organizações para pedir ajuda e apoio à sua luta.&nbsp;Na época, Sulamita era assessora de comunicação no Sindicato dos Bancários de Pernambuco e foi no jornal da entidade que publicou uma entrevista com Gercina.</p>
<p style="color: #1a1a1a;">&#8220;Mônica tinha 13 anos quando ele começou a persegui-la. A mãe, quando percebeu, tentou impedir. A menina se casou cedo com outra pessoa. Mas, mesmo casada, ele continuou perseguindo. O cabo não deu sossego, ele a perseguiu a vida inteira. Era uma relação de amor e medo. Ela chegou a ter uma relação com Carlos Antônio. Uma história maluca. A mãe dela era feminista, líder comunitária, de pensamento mais aberto. Aquela história de sempre, até que um dia ele botou fogo em Mônica&#8221;, relembra Sulamita.</p>
<div id="attachment_14381" style="width: 221px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Captura-de-Tela-2019-03-21-às-00.45.34.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14381" class="wp-image-14381 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Captura-de-Tela-2019-03-21-às-00.45.34-211x300.png" alt="Captura de Tela 2019-03-21 às 00.45.34" width="211" height="300"></a><p id="caption-attachment-14381" class="wp-caption-text">Sulamita Esteliam, jornalista, autora de Em Nome da Filha e Estação Ferrugem (98)</p></div>
<p style="color: #1a1a1a;">Durante vinte anos, a jornalista pesquisou, acompanhou a família e escreveu sobre o caso e seus desdobramentos.&nbsp;A proposta de escrever o livro veio de Gercina, no primeiro encontro com a jornalista.&nbsp;&#8220;Ela perguntou: &#8216;Tá arrepiada aí, né? Isso dá um livro&#8217;. E perguntou se eu queria&nbsp;escrever.&nbsp;Ela disse que achava que era a filha soprando no ouvido&#8221;, conta Sulamita. Foram 5 anos entre pesquisa e escrita. O livro foi finalizado em 2005, mas precisou de 14 anos para ser publicado.</p>
<p style="color: #1a1a1a;">A única condição da jornalista foi tentar ouvir o Cabo Callou, como era conhecido, mas ele se negou a conceder entrevista. Apesar disso, Sulamita escreve um livro a partir das duas mulheres &#8211; Mônica, silenciada&nbsp;brutalmente, e Gercina, que&nbsp;tomou&nbsp;como missão da própria vida fazer justiça pela filha. Além das batalhas pela condenação, Gercina&nbsp;precisou estar na linha de frente do caso e cuidar da família traumatiza, em especial dos dois&nbsp;netos. O mais novo testemunhou o assassinato da mãe e carregou o trauma consigo.</p>
<p style="color: #1a1a1a;">À época, o crime foi chamado de &#8220;tragédia anunciada&#8221;. O livro aponta as fragilidades dessa narrativa e questiona&nbsp;as instituições que foram denunciadas pela negligência com o caso.&nbsp;&#8220;Foram tantas denúncias na Polícia, nos Bombeiros, pelo rapto, os espancamentos. Tudo foi registrado, os BOs. E não foi tomada nenhuma providência. Na época a repercussão foi de apoio à vítima, mas com cuidado para não atingir a corporação [Bombeiros, onde o cabo servia]. Mas a Gercina colocava a boca no trombone sem medo. No princípio ela tinha medo, mas viu que ou falava de vez ou tudo poderia ser pior.&nbsp;Acho que no fundo ela sabia que ia ter um desfecho trágico&#8221;, conta.</p>
<p style="color: #1a1a1a;">A partir dessa história, Sulamita&nbsp;provoca a sociedade a pensar em&nbsp;situações que continuam acontecendo&nbsp;até os dias de hoje. No Brasil, 13 mulheres são vítimas de mortes violentas por dia, aponta o Atlas da Violência 2018. Falar em tragédia não é suficiente para explicar a realidade do que acontece às mulheres assassinadas pelo fato de serem mulheres.</p>
<address><iframe style="border: none; width: 100%; height: 500px;" src="https://e.issuu.com/anonymous-embed.html?u=marcozeroconteudo&amp;d=jornal-dos-banc_rios_caso-m_nica&amp;p=2" allowfullscreen="allowfullscreen" width="300" height="150"></iframe><br />
<span style="color: #222222;"><span style="color: #222222;">Acervo: Jornal dos Bancários, Ed. 46 e 49. Ano: 1998.</span></span>&nbsp;</address>
<p style="color: #1a1a1a;">O romance reportagem<em> Em nome da Filha</em> é mais do que do uma história sobre um crime. Para Sulamita, é um alerta a toda a sociedade e o resultado da luta de uma mãe que buscou justiça e a preservação da memória de Mônica. &#8220;Sempre tem uma desculpa para o algoz e sempre tem um dedo apontado para a vítima, mesmo morta. Mônica foi julgada&nbsp;pelo comportamento dela&#8221;, conta Sulamita. &#8220;Essa história precisa ser contada porque&nbsp;elas foram pioneiras, Gercina na luta e Mônica porque foi uma menina que resolver encarar a própria vida, se achando dona da própria vida, mas não era dona da própria alma&#8221;,&nbsp;reflete.</p>
<p style="color: #1a1a1a;">Até os últimos dias de vida, Gercina esteve engajada em contar a história da filha. A autora não pôde apresentar o&nbsp;trabalho à mãe, que morreu logo depois que o livro ficou pronto. Mas vê na publicação da história o cumprimento do compromisso com Gercina.&nbsp;&#8220;Eu tinha uma experiência em lidar com assuntos dessa natureza, e da própria vivência como repórter. Eu cobri os casos de onde surgiu o movimento <em>Quem ama não mata</em>, nos anos 1980, em Belo Horizonte. A partir daí, eu posso dizer que me aproximei do feminismo&#8221;, reflete. &#8220;No princípio eu iria contar a história de Mônica, mas no processo o livro se transformou e ficou na perspectiva de Gercina. Ela deixou de existir, ela viveu para isso. Minha tristeza é ela não estar aqui para ver&#8221;, conta emocionada.</p>
<p style="color: #1a1a1a;">Morta pelas mãos de um bombeiro militar, Mônica foi consumida pelo fogo, que tirou sua vida, e pela omissão de parte significativa da sociedade que silencia diante de casos de violência contra a mulher. Como se passou com Mônica, ainda hoje 66% dos casos de feminicídio acontecem dentro da casa das vítimas, durante a semana, de segunda a sexta-feira. Os dados são de levantamento do Ministério Público de São Paulo realizado em 2018.</p>
<blockquote><p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Captura-de-Tela-2019-03-21-às-15.30.33.png"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-14382" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Captura-de-Tela-2019-03-21-às-15.30.33-297x300.png" alt="Captura de Tela 2019-03-21 às 15.30.33" width="200" height="202"></a><b>Serviço<br />
</b><strong>Lançamento do livro &#8220;Em nome da Filha&#8221;, de Sulamita Esteliam<br />
</strong>Data: 23/03/2019 &#8211; sábado<br />
<span style="color: #1a1a1a;">Horário: 20h<br />
</span><span style="color: #1a1a1a;">Local: Vila Ritinha. Rua da Soledade, 35 &#8211; Boa Vista<br />
</span><span style="color: #1a1a1a;">Apresentação poética: Zé de Guedes</span></p></blockquote>
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