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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Bancado por condomínios, muro degrada praia em Maria Farinha e vai parar na Justiça</title>
		<link>https://marcozero.org/bancado-por-condominios-muro-degrada-praia-em-maria-farinha-e-vai-parar-na-justica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Aug 2021 20:20:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[crime ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[engorda da praia]]></category>
		<category><![CDATA[erosão marinha]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Farinha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma problemática obra na praia de Maria Farinha, no município do Paulista, litoral norte de Pernambuco, vem se arrastando desde o ano passado. A briga foi parar na Justiça graças a ativistas ambientais locais. Esse é mais um episódio do processo de erosão costeiro no litoral pernambucano, sobretudo em áreas urbanizadas, por conta do avaço [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma problemática obra na praia de Maria Farinha, no município do Paulista, litoral norte de Pernambuco, vem se arrastando desde o ano passado. A briga foi parar na Justiça graças a ativistas ambientais locais. Esse é mais um episódio do processo de erosão costeiro no litoral pernambucano, sobretudo em áreas urbanizadas, por conta do avaço das construções.</p>



<p>De um lado, os moradores de três condomínios querem &#8211; e por isso se dispuseram a bancar &#8211; a colocação de um muro de contenção em blocos de concreto. Eles têm apoio da prefeitura, que se comprometeu a, finalizado o serviço, recuperar a avenida já degradada, num acordo de cooperação.</p>



<p>Acontece que o projeto, que prevê blocos de cinco metros de altura e 2,5 toneladas numa extensão de 300 metros, foi denunciado por uma série de razões, das licenças ambientais aos danos que a praia já vinha sofrendo. Isso porque o município tentou, há alguns anos, barrar o mar com uma outra obra, de <em>bagwall</em> (com sacos geotêxteis), também de estrutura fixa. A estratégia, além de não resolver o problema, ainda aumentou a erosão no local. Agora, a nova construção prevê a eliminação da faixa de praia onde acontecem desovas de tartarugas.</p>



<p>O correto, dizem especialistas e estudos já contratados pelo Governo de Pernambuco em parceria com universidades, é conter a erosão com um processo de engorda das praias, a exemplo do que foi feito, em 2013, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Um investimento, aliás, que custou R$ 41,5 milhões e agora está <a href="https://marcozero.org/nova-orla-de-jaboatao-ameaca-engorda-que-resolveu-efeitos-da-erosao-avisam-especialistas/">ameaçado por conta do projeto da nova orla na cidade</a>, como mostrou reportagem da <strong>Marco Zero</strong>.</p>



<p>Os condomínios em questão, na praia de Maria Farinha, são Jardim dos Coqueirais, Porto Bahamas e Porto Athenas. A obra é de execução da empresa Premier Consultoria, Planejamento e Gerenciamento em Engenharia. Os condôminos, claro, querem proteger o patrimônio da destruição. Há que se dizer, porém, que essa destruição vem se acelerando rapidamente por conta de apostas tidas como erradas por cientistas e ambientalistas.</p>



<p>Essas apostas terminaram desequilibrando ainda mais aquilo que a ciência chama de &#8220;perfil praial&#8221;. E pior: transferindo o processo erosivo às praias adjacentes, num “efeito “dominó”, que vai do sul para o norte, acompanhando a predominância das correntes. No futuro próximo, se a questão não for bem resolvida desde já, irá comprometer também as praias seguintes.</p>



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	                                        <p class="m-0">Obra irregular foi paralisada por ordem da Justiça Federal. Crédito: Fernando Macedo/CEO Salve Maria Farinha
</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Muro dentro da praia</strong></h2>



<p>O Instituto Meu Mundo Mais Verde de Educação e Meio Ambiente foi o responsável por denunciar a obra em Maria Farinha. Segundo o gestor ambiental e idealizador da organização, Lipe Meireles, &#8220;a obra encontra-se dentro da praia e desrespeita as legislações ambientais federal, estadual e municipal, trazendo grandes danos ao meio ambiente e interferindo na dinâmica de sedimentos e construção natural das praias&#8221;.</p>



<p>A denúncia foi parar no Ministério Público Federal (MPF) e resultou numa Ação Civil Pública (ACP). Em decisão liminar, em junho, a Justiça Federal de Pernambuco acolheu a ação. Os réus recorreram e o processo agora está em segunda instância, no Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5).</p>



<p>A decisão em primeira instância determinou que a obra fosse paralisada e os blocos de concreto já instalados fossem retirados, para que seja reconstituído o perfil praial, degradado também pela construção de parte do muro. A prefeitura do Paulista, porém, recorreu, através de agravo de instrumento. A gestão municipal alega que tem competência para licenciar a obra.</p>



<p>Enquanto o processo se avoluma com disputas técnicas e jurídicas, os danos ambientais se revelam no local. “O negócio está se devastando rápido demais e, agora, vêm as marés grandes”, alerta Lipe, que também é especialista em auditoria e perícia ambiental e mestre em Engenharia e Tecnologia Ambiental. Lixo e água estão se acumulando, com odor forte.</p>



<p>“A erosão costeira na área desprotegida já derrubou um coqueiro e um poste em decorrência do muro, há restos de construções em toda a área e acúmulo de sedimentos obstruídos pelo muro”, denuncia o instituto nas redes sociais.</p>



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	                                        <p class="m-0">Por causa da obra, um coqueiro já foi derrubado por efeito da erosão marinha (Crédito: Instituto Meu Mundo Mais Verde)
</p>
	                
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<p>Na ACP, o procurador da República Edson Virgínio considerou que o licenciamento ambiental de obras de contenção de erosão costeira é de competência ambiental do Governo do Estado. A prefeitura do Paulista requereu, ainda em 2019, a autorização. No início de 2020, houve reunião do Comitê Gestor do Projeto Orla Paulista e, na ocasião, a representante da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) informou que, embora o município tenha requerido a autorização para o empreendimento, a CPRH entendia que, para esse caso, seria necessário um licenciamento tríplice (licença prévia, licença de instalação e licença de operação), por conta do “significativo impacto ambiental”.</p>



<p>Mesmo assim, a reunião encerrou-se com a aprovação do projeto. A representante da CPRH e o representante da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Semas-PE) se abstiveram de votar. Em agosto de 2020, a CPRH foi ao local, após denúncia, e constatou que a obra já estava em andamento sem autorização da agência nem do órgão patrimonial responsável pela gestão do terreno, a Superintendência do Patrimônio da União em Pernambuco (SPU-PE). Lavraram-se autos de infração com penalidade de embargo da obra e de multa.</p>



<p>Em março de 2021, houve uma nova denúncia porque as obras continuavam. Foi quando a construtora Premier apresentou a licença ambiental expedida pela Prefeitura do Paulista, junto com um ofício de autorização da SPU-PE. Os responsáveis pela obra ampararam-se num convênio de delegação de competência para licenciamento ambiental firmado com a CPRH em 2019. Estava dado o imbróglio que segue até hoje na disputa judicial.</p>



<p>“Com o convênio, tornou-se possível que a prefeitura licenciasse a si mesma, fiscalizasse a si mesma e exercesse o controle ambiental das atividades potencialmente poluidoras que protagoniza em hipóteses de competência estadual”, disse o procurador na peça da ação.</p>



<p>Diante disso, foi solicitada a paralisação da obra, a apresentação dos documentos e licenças necessárias, a remoção dos blocos já instalados e a recuperação da área já degradada. Por conta do pedido de recurso, a questão segue ainda sem desfecho na Justiça.</p>



<p>A Prefeitura do Paulista sustenta que está amparada pelo convênio com o Governo de Pernambuco e que paralisar a obra pode trazer ainda mais prejuízos ao meio ambiente e à estrutura urbana. A gestão também alega que, em 2019, a CPRH concedeu licenciamento para um projeto igual, com a mesma tecnologia de blocos de concreto pré-moldados. O município ainda diz que a Agência não se manifestou dentro do prazo legal.</p>



<p>Os condomínios, por sua vez, argumentam que o projeto servirá também para possibilitar o acesso público da população à praia, já o processo erosivo prejudica não só as propriedades privadas, mas também o lazer da população e o trabalho dos vendedores ambulantes. Alega ainda que a obra irá substituir a contenção já existente e outrora autorizada pela CPRH.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O impasse do licenciamento</h3>



<p>Em nota à reportagem, a CPRH confirmou que a prefeitura do Paulista detém a competência para o licenciamento ambiental da referida obra, pormeio de convênio de delegação de competência, celebrado em 2019, nos termos autorizados pela Lei Complementar n° 140/2011.</p>



<p>Porém, como a obra já havia sido anteriormente embargada e multada pela SPU-PE, a CPRH requereu ao munícipio informações adicionais referentes à obra e às fases do procedimento licenciatório, que não foram apresentadas até hoje, a exemplo dos estudos de impactos ambientais necessários, bem como da manifestação da SPU-PE à realização e continuidade da obra.</p>



<p>Alguns desses estudos necessários, diga-se de passagem, teriam que ser realizados por uma equipe multidisciplinar e formada por profissionais legalmente habilitados, e não apenas por servidores da prefeitura.</p>



<p>A Agência também informou um ponto que pode mudar tudo: a revisão da Resolução do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) 01/2018. A mudança prevê que a atividade de obras que impliquem em mudança na dinâmica marinha voltará a ser exclusiva do Estado de Pernambuco. Essa proposta já foi aprovada no Grupo de Trabalho (GT) de revisão da resolução e será encaminhada para aprovação no pleno do Consema.</p>



<p>Diante dessa possível novidade, a CPRH disse que “será analisada qual será a melhor forma para regularizar o empreendimento”. </p>



<p><strong>ATUALIZAÇÃO</strong></p>



<p>Após a publicação desta matéria, o engenheiro de pesca Assis Lacerda procurou a <strong>Marco Zero</strong> em defesa da obra. Mestre em oceanografia biológica e pós-graduado em planejamento urbano e rural e também em desenvolvimento municipal, é ele quem assina o relatório dos danos ambientais da orla do Paulista. Assis foi por muitos anos servidor da CPRH, já tend sido chefe da Unidade de Gerenciamento Costeiro, e depois foi cedido ao município até a gestão passada. Seu trabalho é citado pela prefeitura no processo que tramita da Justiça.</p>



<p>Ao contrário das fontes ouvidas pelo reportagem e do que consta no parecer do MPF, o especialista defende que as estruturas de bagwall foram capazes de, em partes, resolver o problema em questão, tanto é que suportaram fortes marés e os invernos nos ultimos anos, segundo Assis. Crítico da atuação e da capacidade técnica das ONGs envolvidas &#8211; a quem atribui uma atuação política &#8211; , ele é um defensor da proposta que transfere aos municípios o licenciamento e a gestão de seus territórios costeiros. </p>



<p>Também defende parte do litoral do Paulista, com destaque para as praias de Nossa Senhora da Conceição/Maria Farinha, Pau Amarelo e Janga, como sendo de emergência civil, para tratar das situações mais críticas de erosão. Além disso, Assis, que julga haver plantação de desinformação junto ao MPF, avalia que o muro em frente aos condomínios não está na praia e não interrompe a dinâmica dos sedimentos e correntes marinhas. &#8220;Eu argumentei tecnicamente junto com o engenheiro da defesa civil municipal e o município decretou emergência&#8221;, afirma.</p>



<p>Foi com base no relatório de Assis e na decretação de emergência que as obras e ações de respostas à situação foram autorizadas, na época com a chancela do Governo de Pernambuco, através de parecer técnico, além da autorização da Marinha e da SPU. Portanto, na visão do engenheiro, cai por terra o argumento do MPF sobre a invalidade da autorizaçãoambiental da obra do muro. </p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Engorda de praias é a solução</strong></h4>



<p>A coordenadora do gerenciamento costeiro da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Andrea Olinto, explica que o Governo de Pernambuco, junto com MPF e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), além de governos municipais, vêm investindo em uma nova estratégia de enfrentamento da erosão costeira, com destaque para as engordas, na tentativa de mudar esse cenário de obras pontuais com estratégicas caras, rígidas e fixas que não resolvem o problema, além de serem feias.</p>



<p>“Ao longo do litoral pernambucano, são vários os exemplos onde tais projetos não cumpriram com a função de proteção costeira e acabaram por transferir o problema a áreas contíguas, além de representarem prejuízos ao erário público”, avalia Andréa, que tem especialização em gestão da zona costeira pela Bournemouth University, da Inglaterra, e trabalha no governo desde 1990.</p>



<p>Em 2005, uma ação cooperativa e interinstitucional resultou no Projeto de Monitoramento Ambiental Integrado da Erosão Costeira nos Municípios do Recife, Olinda, Paulista e Jaboatão dos Guararapes (Projeto MAI), com o objetivo de indicar medidas emergenciais e definitivas.</p>



<p>Andréa lembra que, por meio do Projeto MAI, a UFPE adquiriu equipamentos de última geração para estudos e pesquisas no assunto, contando com capacidade intelectual e científica instalada, convertendo a universidade em centro de excelência, nacional e internacional.</p>



<p>Em 2008, a Fundação de Amparo a Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe) investiu mais de R$ 1 milhão no aprofundamento dos estudos do MAI, o que possibilitou a identificação e o mapeamento das jazidas de areia submarinas fundamentais para a regeneração das praias.</p>



<p>“Ao se recompor o ambiente natural, valoriza-se, automaticamente, toda a cadeia produtiva dependente de um ambiente praial preservado e de destacável beleza cênica”, frisa a coordenadora. Em 2019, tanto o MPF como a Semas promoveram uma capacitação para gestores costeiros estaduais e municipais nesse intuito.</p>



<p>“Vale destacar que, a partir da instalação da obra dos condomínios, a praia só possuirá parte emersa durante os períodos de baixa-mar. Sendo assim, estando sob ação direta das ondas nos momentos de maré cheia (preamar), interferindo nos padrões naturais de incidência de energia e transporte sedimentar ao longo do trecho (na própria praia e em suas adjacências)”, acrescenta Andréa, reforçando os impactos de se apostar em estruturas fixas, que levam ao “efeito dominó” de erosão.</p>



<p><em>Atualizado em 12/8/21</em></p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/novo-calcadao-poe-em-risco-obra-que-custou-r-41-milhoes-nas-praias-de-jaboatao/" class="titulo">Novo calçadão põe em risco obra que custou R$ 41 milhões nas praias de Jaboatão</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		<p>O post <a href="https://marcozero.org/bancado-por-condominios-muro-degrada-praia-em-maria-farinha-e-vai-parar-na-justica/">Bancado por condomínios, muro degrada praia em Maria Farinha e vai parar na Justiça</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Novo calçadão põe em risco obra que custou R$ 41 milhões nas praias de Jaboatão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Feb 2020 11:31:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Candeias]]></category>
		<category><![CDATA[engorda da praia]]></category>
		<category><![CDATA[praia de Piedade]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura de Jaboatão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Às 9h da terça-feira, 18 de fevereiro, a prefeitura de Jaboatão dos Guararapes abrirá as propostas das empreiteiras dispostas a realizar uma obra orçada em até R$ 8,5 milhões e que põe em risco a engorda da praia que custou R$ 41,5 milhões e, desde 2013, contém os efeitos da erosão provocada pelo mar. O [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/novo-calcadao-poe-em-risco-obra-que-custou-r-41-milhoes-nas-praias-de-jaboatao/">Novo calçadão põe em risco obra que custou R$ 41 milhões nas praias de Jaboatão</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Às 9h da terça-feira, 18 de fevereiro, a prefeitura de Jaboatão dos Guararapes abrirá as propostas das empreiteiras dispostas a realizar uma obra orçada em até R$ 8,5 milhões e que põe em risco a engorda da praia que custou R$ 41,5 milhões e, desde 2013, contém os efeitos da erosão provocada pelo mar.</p>



<p>O edital de licitação, lançado em meados de janeiro, prevê a requalificação da orla entre as avenidas Barreto de Menezes e Aniceto Varejão, na altura da curva do SESC. São mais de dois quilômetros nos quais a faixa de areia acrescentada pela engorda chega ao muro dos prédios construídos rente à praia. O valor máximo aceitável para a obra é R$ 8.495.508,49.</p>



<p>Nesse caso, “requalificação da orla” significa a construção de um calçadão ligando os trechos já existentes em Piedade e Candeias. Esse trecho nunca pôde ser construído porque, até a engorda acontecer, o mar havia destruído completamente a faixa de areia e ameaçado a estrutura dos edifícios. A  maior parte dos mais de R$ 40 milhões gastos nas obras da engorda vieram do Governo Federal.</p>



<p>O problema é que construir sobre a areia da engorda pode ser inviável.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Tiro no pé</h2>



<p>A <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> teve acesso a um relatório elaborado pela consultoria contratada pelo Governo do Estado para apontar alternativas para proteger o litoral da Região Metropolitana do Recife da erosão e fazer os estudos de viabilidade da engorda da praia. As recomendações da Coastal Planning &amp; Engineering, empresa norte-americana cuja sede brasileira está em Florianópolis, não poderiam ser mais claras:</p>



<p>“Após
a execução da obra não se deve construir nenhum tipo de estrutura
rígida sobre o engordamento. Não é recomendado em hipótese alguma
a construção de calçadões, muros de contenção, quiosques,
calçadas, quadras esportivas, estruturas arquitetônicas, etc. (&#8230;)
O sedimento colocado faz parte da faixa dinâmica da praia e a
construção de estruturas rígidas não é condizente com a forma e
a estabilidade que se almeja do engordamento proposto depois de
equilibrado. Após execução da obra, a praia passa por um longo
período de retrabalhamento de sedimentos até atingir a sua forma de
equilíbrio, o que significa que a praia irá passar por mudanças
contínuas em sua dinâmica sedimentar após a execução da obra.”</p>



<p>O coordenador da equipe responsável por esse parecer afirmou que o  conteúdo do relatório de 2011 continua válido. Na época, o oceanógrafo e doutor em Engenharia Ambiental Rodrigo Barletta trabalhava na Coastal do Brasil.</p>



<p>“Com base no conhecimento científico acumulado a partir de obras semelhantes em vários locais do mundo, recomenda-se que nada seja pavimentado sobre a praia engordada. Caso seja feito, é um tiro no pé, pois gasta-se um dinheirão para fazer os estudos e para fazer a intervenção. A praia é móvel, é instável, como construir uma estrutura rígida sobre algo móvel?”, questiona o oceanógrafo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Mais areia</strong></h3>



<p> Professor de morfodinâmica e geologia costeira no curso de Oceanografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Pedro de Souza Pereira, estuda praias há duas décadas. Quando a obra da engorda da praia de Jaboatão estava prestes a começar, ele era professor e pesquisador da UFPE, onde lecionou até 2018. Na época, foi um dos consultores acadêmicos que acompanhou a elaboração do projeto.</p>



<p>Ao saber da intenção da prefeitura de Jaboatão, Pereira foi enfático: “Se essa obra sair do papel, será uma tragédia, para dizer o mínimo. É um ato de ignorância, de falta de conhecimento e de zelo pelo dinheiro público. O município tinha apenas 300 metros de praia, passou a ter quase seis quilômetros após a engorda. Essa obra pode fazer tudo voltar à estaca zero”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Trecho da praia de Piedade recuperado com a engorda (Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Pereira explica que, se havia a intenção de construir um calçadão de 10 metros de largura, essa informação teria de ser repassada para o projetista que, por sua vez, acrescentaria 10 metros na faixa de areia da engorda.</p>



<p>Para ele, se por alguma razão política o Estado se ver obrigado a aprovar o calçadão, só há uma saída técnica: “É preciso adicionar mais areia para compensar aquilo que seria impermeabilizado com o calçadão”. </p>



<h4 class="wp-block-heading">Prefeitura precavida</h4>



<p>Inicialmente,
a assessoria de comunicação da prefeitura de Jaboatão dos
Guararapes informou por telefone que o edital de licitação foi
lançado apenas para ganhar tempo, possibilitando a contratação de
uma empresa antes de 4 de julho. A partir desta data, de acordo com a
legislação eleitoral, os municípios serão impedidos de firmar
novos contratos. 
</p>



<p>Segundo a assessoria, a decisão de realizar a obra ainda não estava tomada, pois os estudos de impacto sequer tinham sido realizados. Em seguida, a prefeitura enviou uma nota oficial com maiores detalhes:</p>



<p> “A Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes informa que não recebeu qualquer comunicado oficial da Semas. O projeto de requalificação da orla está na fase de estudo junto com outros órgãos ligados ao meio ambiente para avaliar a viabilidade e os impactos ambientais. A decisão sobre a obra será definida após a conclusão do referido estudo.”</p>



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	                                        <p class="m-0">Imagens extraídas da apresentação da prefeitura de Jaboatão</p>
	                
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                    </figure>

	


<h4 class="wp-block-heading"><strong>Alerta ligado no Estado</strong></h4>



<p>Apesar
de, publicamente, a prefeitura de Jaboatão informar não haver nada
certo sobre a obra, pouco antes
de publicar o edital de licitação, a
equipe do município fez uma
apresentação detalhada do
projeto para a
Comissão Técnica Estadual da
Orla, composta
por especialistas de organismos estaduais e federais com atuação na
política costeira em Pernambuco. Na
ocasião, foram exibidas imagens de um calçadão com quiosques,
bancos, postes e palmeiras.</p>



<p>Na nota, os técnicos alertam que o licenciamento ambiental do município não será o bastante: “cabe à Agência Estadual de Meio Ambiente [CPRH] a emissão do licenciamento ambiental, uma vez que as intervenções propostas (…) são caracterizadas como obras costeiras, e que também pode acarretar no processo de erosão costeira, e/ou provocar a erosão nas áreas adjacentes, gerando o conhecido efeito dominó, o que  implica em um impacto ambiental em escala regional. (…) cabe ao licenciamento ambiental municipal somente as tipologias consideradas de impacto local”.</p>



<p>A iniciativa de Jaboatão deixou os gestores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semas) numa saia justa. Como o prefeito Anderson Ferreira (PL)  faz oposição ao governador Paulo Câmara (PSB), os responsáveis pela pasta evitaram se posicionar contra o projeto. Havia o risco disso ser usado politicamente pelo prefeito. O corpo técnico da secretaria passou a pressionar para tentar impedir a concretização da proposta. Por essa razão, uma nota técnica elaborada pela gerência de Política Costeira foi enviada <mark class="annotation-text annotation-text-yoast" id="annotation-text-3579e402-0cd2-4e4f-8b09-c1ed2b7b26c1"></mark> ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).<mark class="annotation-text annotation-text-yoast" id="annotation-text-905ec2e3-8b6e-45fd-ba7a-ec13c163f81e"></mark></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/novo-calcadao-poe-em-risco-obra-que-custou-r-41-milhoes-nas-praias-de-jaboatao/">Novo calçadão põe em risco obra que custou R$ 41 milhões nas praias de Jaboatão</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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