<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/exxonmobil/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 25 Feb 2025 19:45:09 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.7</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
	<link>https://marcozero.org/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Comunidades da pesca e quilombolas protestam em leilão de poços de petróleo no litoral</title>
		<link>https://marcozero.org/comunidades-da-pesca-e-quilombolas-protestam-em-leilao-da-anp/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Apr 2022 21:43:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[ExxonMobil]]></category>
		<category><![CDATA[leilão da ANP]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[perfuração de poços]]></category>
		<category><![CDATA[petróleo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=46442</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nesta quarta, 13 de abril, a partir das 8h, pescadores artesanais e quilombolas de municípios do estado de Sergipe e da região metropolitana do Rio de Janeiro se reunirão em frente ao Windsor Barra Hotel, na Barra da Tijuca, para protestar e exigir o fim da extração de petróleo e gás em áreas que afetam [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/comunidades-da-pesca-e-quilombolas-protestam-em-leilao-da-anp/">Comunidades da pesca e quilombolas protestam em leilão de poços de petróleo no litoral</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nesta quarta, 13 de abril, a partir das 8h, pescadores artesanais e quilombolas de municípios do estado de Sergipe e da região metropolitana do Rio de Janeiro se reunirão em frente ao Windsor Barra Hotel, na Barra da Tijuca, para protestar e exigir o fim da extração de petróleo e gás em áreas que afetam populações tradicionais. O protesto conta com apoio e articulação da <a href="https://350.org/">350.org</a> (movimento internacional que trabalha principalmente para acabar com a utilização de combustíveis fósseis no mundo).</p>



<p>Uma semana depois da divulgação de mais um relatório do <a href="https://www.ipcc.ch/report/sixth-assessment-report-working-group-3/">IPCC</a> (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) com dados alarmantes, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizará uma sessão pública de apresentação de ofertas do 3° Ciclo da Oferta Permanente sob o regime de concessão. Empresas petrolíferas poderão apresentar propostas para terem direito à exploração de petróleo e gás em 379 blocos de bacias sedimentares localizadas nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Dos 379 blocos, 326 (86%) estão localizados em estados do Nordeste.</p>



<p>A ExxonMobil, a multinacional de petróleo e gás norte-americana, que já iniciou a perfuração de 11 poços exploratórios da Bacia Sergipe-Alagoas, será um dos alvos dos participantes da manifestação, que pedem a interrupção das atividades da empresa na foz do Rio São Francisco e denunciam a expansão do risco socioambiental da extração de combustíveis fósseis em todo o Nordeste do país. A maior parte dos manifestantes fazem parte das comunidades prejudicadas por atividades empresas de petróleo e gás em suas regiões.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/com-estudo-de-impacto-desatualizado-e-incompleto-exxonmobil-comeca-perfurar-pocos-no-rio-sao-francisco/" class="titulo">Com estudo de impacto desatualizado e incompleto, ExxonMobil começa a perfurar poços no São Francisco</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/aguas/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Águas</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/AAABanner-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/AAABanner.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/AAABanner.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/comunidades-da-pesca-e-quilombolas-protestam-em-leilao-da-anp/">Comunidades da pesca e quilombolas protestam em leilão de poços de petróleo no litoral</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Com estudo de impacto desatualizado e incompleto, ExxonMobil começa a perfurar poços no São Francisco</title>
		<link>https://marcozero.org/com-estudo-de-impacto-desatualizado-e-incompleto-exxonmobil-comeca-perfurar-pocos-no-rio-sao-francisco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Mar 2022 15:36:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Alagoas]]></category>
		<category><![CDATA[Esso]]></category>
		<category><![CDATA[ExxonMobil]]></category>
		<category><![CDATA[Ibama]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[rio são francisco]]></category>
		<category><![CDATA[risco ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[vazamento de óleo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=45364</guid>

					<description><![CDATA[<p>Atualizado em 14/3/22, às 15h00 A gigante americana de petróleo ExxonMobil recebeu do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o licenciamento ambiental e começou, no final de fevereiro, a perfurar poços na Bacia de Sergipe-Alagoas, bem próximo à foz do rio São Francisco. Porém, o Estudo e o Relatório de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/com-estudo-de-impacto-desatualizado-e-incompleto-exxonmobil-comeca-perfurar-pocos-no-rio-sao-francisco/">Com estudo de impacto desatualizado e incompleto, ExxonMobil começa a perfurar poços no São Francisco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Atualizado em 14/3/22, às 15h00</p>



<p>A gigante americana de petróleo ExxonMobil recebeu do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o licenciamento ambiental e começou, no final de fevereiro, a <a href="https://marcozero.org/exxonmobil-quer-explorar-petroleo-e-gas-no-rio-sao-francisco-sem-consultar-comunidades-tradicionais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">perfurar poços na Bacia de Sergipe-Alagoas, bem próximo à foz do rio São Francisco</a>. Porém, o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) do chamado Projeto Seal &#8211; o mais recente investimento de uma petrolífera estrangeira em águas profundas brasileiras &#8211; foram construídos com base em informações desatualizadas e incompletas, dos pontos de vista técnico e também social.</p>



<p>O Ibama autorizou a perfuração de até 11 poços exploratórios, em seis blocos da bacia, numa área total de 4.531 Km<sup>2</sup>, com distância mínima da costa de aproximadamente 50 quilômetros, calculada pela localização do município mais próximo, Brejo Grande (SE). Com isso, a ExxonMobil vai conhecer as características das reservas de petróleo e gás ali existentes e avaliar o potencial de produção na região.</p>



<p>O licenciamento foi concedido sem que as comunidades tradicionais, que vivem e trabalham na região há gerações, tivessem sido &#8220;previamente consultadas, de forma livre e informada&#8221;, como prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. Antes que a ExxonMobil recebesse o aval para iniciar os trabalhos, foi realizada somente uma <a href="https://audienciapublicaexxonmobil.com.br/seal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">audiência pública</a> e que aconteceu em formato virtual, em setembro do ano passado. O que, naturalmente, é insuficiente diante do tamanho do Projeto Seal e dos potenciais impactos, ainda mais numa localidade em que nem todos têm acesso a uma boa internet.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/IMG_1824-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/IMG_1824-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/IMG_1824-1024x683.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="650">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Região da foz do Rio São Francisco está sob risco em decorrência da exploração de petróleo. Crédito: 350.org</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Além disso, empresas contratadas pela ExxonMobil realizaram, em outubro, em diversos municípios da região da foz do São Francisco, treinamentos de resposta a emergências, simulando um vazamento de petróleo, sem que o Ibama tivesse autorizado, monitorado e supervisionado tais atividades.</p>



<p>A petrolífera está sendo acusada por organizações e movimentos sociais de utilizar estudos antigos, feitos pela Petrobras, onde constam dados de 2017 e que, portanto, nem levaram em conta o derramamento de petróleo na costa brasileira em 2019, um episódio de que a população nem se recuperou totalmente. O incidente atingiu mais de mil localidades em 11 Estados do Brasil, sendo nove deles no Nordeste, configurando o maior crime ambiental em extensão com petróleo do oceano Atlântico Sul.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/petroleo_fotoinescampelo-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/petroleo_fotoinescampelo.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/petroleo_fotoinescampelo.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="635">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Vazamento de petróleo atingiu 11 Estados brasileiros em 2019. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A ExxonMobil foi a responsável pelo famoso “Maré Negra”, vazamento de petróleo no Alasca, em 1989, e que, até 2013, era classificado como o maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Dados antigos e incompletos</h2>



<p>No EIA/Rima apresentado pela empresa e aprovado pelo Ibama, nem todas as comunidades potencialmente atingidas foram mapeadas, tão pouco o que elas possuem de bens, serviços e pessoas. É o que explica o gestor ambiental e organizador de campanhas da <a href="https://350.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">350.org</a>, Renan Andrade. No sentido técnico, de acordo com os próprios termos de referência do Ibama, a modelagem hidrodinâmica e de dispersão deveria ter sido construída com base em informações meteorológicas e oceanográficas de dados primários (levantados pela própria empresa) e de no máximo um ano. Mas, no EIA/Rima, os dados são secundários (produzidos por terceiros) e mais antigos do que esse prazo.</p>



<p>É a 350.org, uma organização global que atua contra as mudanças climáticas, que tem dado, junto com outras organizações brasileiras da sociedade civil, entre elas o Conselho Pastoral dos Pescadores, apoio técnico e jurídico ao Fórum de Povos e Comunidades Tradicionais de Sergipe, que luta pela lisura desse processo ambiental e pela proteção dos territórios.</p>



<p>Em dezembro, o Ministério Público Federal (MPF) solicitou uma série de informações oficiais ao Ibama com relação ao EIA/Rima do Projeto Seal. O corpo técnico do MPF apurou que o Estudo de Impacto Ambiental não contempla alternativas ao projeto nem considera se o empreendimento é compatível com planos e programas governamentais, descumprindo, assim, o que prevê o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).</p>



<p>A ExxonMobil também teria omitido alguns impactos indiretos, como, por exemplo, do funcionamento de máquinas a diesel e o aumento no risco de extinção de espécies terrestres e marinhas em diversas regiões do planeta. Esses impactos vinculados à perfuração marítima também teriam sido ignorados na definição dos limites geográficos da área de influência do Projeto Seal.</p>



<p>O EIA/Rima também não propõe nenhuma medida para diminuir a emissão de gases do efeito estufa pelas embarcações nem para reduzir o aumento de possíveis colisões com animais marinhos (pelos navios) e aves (pelos helicópteros), tampouco apresenta justificativa para não mitigar esses impactos.</p>



<p>E ainda: entre os diversos pontos levantados pelo MPF, está o fato de que o relatório não detalha nenhum impacto ambiental, não descreve o efeito esperado de nenhuma medida mitigadora nem diz quais impactos negativos não poderão ser evitados. A procuradora da República Juliana de Azevedo Santa Rosa Câmara também questiona a confiabilidade de algumas informações apresentadas pela ExxonMobil, pois o EIA/Rima não comprova se os métodos de cálculos dos riscos e tolerabilidade têm fundamento científico nem se eles foram aprovados por especialistas independentes.</p>



<p>A ExxonMobil apresentou uma licença de operação expirada em 2020 para uso da base de apoio em Niterói (RJ), para onde os rejeitos serão levados e temporariamente armazenados. Também faltou apresentar informações sobre a outra base de apoio marítima, no Porto de Maceió. O Ibama foi cobrado por isso. Na visão do MPF, o material teria ainda deixado de citar evidências e dados importantes da literatura ambiental e teria apresentado informações genéricas e contradições ao longo de seus diversos capítulos.  </p>



<p>“São muitas desatualizações e falhas nesse estudo. Existem muitas lacunas”, frisa Renan, avaliando ainda que o prazo dado para que as comunidades e a sociedade como um todo debatessem as questões foi muito curto diante dos potenciais impactos do projeto.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Áreas de Proteção e Reserva Extrativista sob ameaça</strong></h3>



<p>Segundo o próprio Relatório de Impacto Ambiental da ExxonMobil, quase 80 municípios, de Alagoas ao Rio de Janeiro, estão localizados na grande área de influência do Projeto Seal e sujeitos, portanto, aos impactos potenciais da atividade exploratória, sejam eles diretos ou indiretos durante a implantação e/ou operação.</p>



<p>Para dar apoio à atividade de perfuração, será utilizada uma base em Niterói (RJ) e outra em Maceió (AL). Já para o suporte marítimo, serão utilizadas cinco embarcações para transportar equipamentos e suprimentos até a unidade de perfuração e depois levar os resíduos gerados para a destinação em terra (reciclagem, disposição em aterro, etc).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/Mapa-212x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/Mapa-724x1024.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/Mapa-724x1024.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="660">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Mapa elaborado pela ExxonMobil</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Ao menos 52 unidades de conservação estão localizadas na área de influência do Projeto Seal, entre elas as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Costa dos Corais e Piaçabuçu, além da Reserva Extrativista Marinha da Lagoa do Jequiá. Segundo o estudo denunciado como desatualizado, a atividade pesqueira artesanal de ao menos oito municípios sofrerão interferências: Paripueira (AL), Maceió (AL), Marechal Deodoro (AL), Jequiá da Praia (AL), São João da Barra (RJ), Campos dos Goytacazes (RJ), Niterói (RJ) e Rio de Janeiro (RJ).</p>



<p>“Até agora, não fomos previamente consultados”, denuncia Ana Elísia Pereira Costa, do Fórum de Povos e Comunidades Tradicionais e do Movimento das Marisqueiras, ambos de Sergipe. Ela é de Indiaroba, onde a população vive de pesca artesanal, mariscagem e turismo comunitário.</p>



<p>Maria Izaltina, de Brejão dos Negros, em Brejo Grande (SE), reforça: “Eles nunca entraram em contato com a gente. Aí vieram aqui para a gente participar de uma audiência e entregaram panfletos. Em protesto, combinamos de não participar da audiência pública virtual”. O quilombo onde ela vive é formado por cinco comunidades onde moram 486 famílias que tiram o sustento da pesca e de atividades extrativistas. “Muita gente na região nem sabe desse projeto. Nós é que estamos repassando”, diz.</p>



<p>As organizações sociais recorreram ao MPF para que a audiência pública virtual do ano passado fosse anulada e as comunidades fossem devidamente consultadas. Reconhecendo as arbitrariedades, o MPF ingressou com uma Ação Civil Pública, mas a Justiça de Sergipe negou o pedido. Em 2021, através de uma carta aberta, mais de 100 organizações do Brasil e do exterior se posicionaram contra o licenciamento para exploração na região.</p>



<p>Na avaliação de Renan, da 350.org, as ameaças do Projeto Seal são “gigantescas” pelo fato de os blocos exploratórios estarem localizados entre santuários marinhos de biodiversidade e sistemas complexos com espécies endêmicas (que só existem naquele local), como o de São Pedro e São Paulo, Fernando de Noronha e Abrolhos. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/IMG_1586-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/IMG_1586-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/IMG_1586-1024x683.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="621">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Comunidades locais em reunião de articulação. Crédito: 350.org</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“O pior nesse sentido é a celeridade e a forma como está sendo feito esse licenciamento ambiental. Isso nos preocupa bastante. Porque o licenciamento é justamente a ferramenta para minimizar os riscos de acidentes ambientais e as atividades que possam prejudicar e impactar determinadas áreas, povos e espécies”, diz Renan Andrade. Para ele, o Ibama tem agido de forma “desonrosa” em relação ao que se espera do instituto.</p>



<p>O gestor ainda cita que houve censura na única audiência pública virtual. O tempo concedido foi muito pequeno e ele mesmo nem conseguiu acesso ao microfone para falar. “Não estamos falando que não se possa ter o licenciamento de uma atividade de exploração de petróleo. É uma atividade legal e nós entendemos isso. Porém, é importante que essa atividade siga os ritos do licenciamento ambiental e o que a legislação estabelece”, evidencia.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>ExxonMobil realizou treinamento sem autorização</strong></h4>



<p>A única audiência pública não pôde ser presencial por causa da pandemia, segundo a petrolífera. No entanto, em outubro do ano passado, um mês depois, empresas contratadas pela ExxonMobil realizaram treinamento presencial em diversos municípios da região, simulando uma ação emergencial de vazamento de petróleo.</p>



<p>As comunidades locais e organizações sociais também denunciam que tal atividade, que envolveu autoridades locais, comunidades e pescadores, foi realizada sem autorização do Ibama, antes que o órgão tivesse concedido o licenciamento para a perfuração, que saiu no mês passado.Em <a href="https://sei.ibama.gov.br/documento_consulta_externa.php?id_acesso_externo=382441&amp;id_documento=13065291&amp;infra_hash=03c5077f901bcab59af6f732f80f3e88" target="_blank" rel="noreferrer noopener">resposta oficial </a>às solicitações feitas pelo MPF, em dezembro do ano passado, o Ibama admite que “não concedeu autorização, monitorou ou supervisionou tais eventos”.</p>



<p>Ana Elísia e Maria Izaltina contam que, para o treinamento, a empresa alugou embarcações locais pagando cerca de R$ 2 mil, além de diárias e cestas básicas para participantes da ação. “Eles levaram os barcos, colocaram uma espécie de correntes de boias e os pescadores ficaram lá acompanhando para saber o que fazer se tiver um acidente. Sendo que os pescadores não vão ter esses equipamentos, não é?”, indaga Maria Izaltina.</p>



<p>No <a href="https://www.facebook.com/exxonmobilbrasil/videos/446343813844337/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Facebook</a>, a ExxonMobil divulgou somente a ação de Avaliação Pré-Operacional (APO), que é feita obrigatoriamente sob acompanhamento de técnicos do Ibama e aconteceu em fevereiro deste ano.</p>



<p>No mesmo documento de resposta enviada ao MPF pelo Ibama, o instituto afirma que, em relação às Unidades de Conservação federais afetadas pelo empreendimento da ExxonMobil, o Estudo de Impacto Ambiental “não identificou impactos efetivos sobre elas decorrentes da atividade. Foram identificados apenas impactos potenciais, decorrentes de cenários acidentais de vazamento de óleo”.</p>



<p>Sobre as constatações feitas pelo corpo técnico do MPF, o Ibama apresentou um parecer técnico em que expõe sua avaliação sobre o EIA do empreendimento e informou que a ExxonMobil já apresentou documentação de resposta, que se encontra em análise.</p>



<h4 class="wp-block-heading">ExxonMobil envia nota genérica e Ibama não responde</h4>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> procurou a ExxonMobil através de sua assessoria de imprensa contratada e enviou uma série de pedidos de informação em relação às denúncias e críticas sobre o licenciamento ambiental, a falta de consulta prévia às comunidades e o treinamento. A empresa, no entanto, respondeu com uma nota genérica, com informações que já constam no folder de divulgação do projeto. </p>



<p>Confira a nota na íntegra:</p>



<p><em>ExxonMobil Exploração Brasil (EMEB) começou a perfuração do poço Cutthroat em 20 de fevereiro de 2022, no bloco SEAL-M-428. O trabalho deve levar entre 2 e 4 meses para ser concluído. A ExxonMobil é operadora do bloco SEAL-M-428 com 50% de participação junto aos parceiros Enauta (30%) e Murphy Oil (20%). O bloco SEAL-M-428 está localizado na Bacia de Sergipe-Alagoas, a, aproximadamente, 67 km da costa. O poço está sendo perfurado a pela navio-sonda West Saturn, da Seadrill, em lâmina d’água de, aproximadamente, 3.100 metros de profundidade. As bases estão localizadas em Maceió (AL) e Niterói (RJ).</em></p>



<p>A reportagem também enviou diversos questionamentos ao Ibama, com base nas mesmas questões. O instituto, porém, não respondeu até o fechamento desta reportagem.</p>



<p><strong>ATUALIZAÇÃO</strong></p>



<p>Três horas após a publicação desta reportagem, o Ibama enviou as respostas às perguntas feitas pela Marco Zero no dia 4 de março. Confira as respostas do instituto na íntegra, por tópicos de assuntos abordados:</p>



<p><strong>Sobre Eia/Rima e dados defasados e secundários:</strong></p>



<p><em>Para os municípios de Passo de Camaragibe, Barra de Santo Antônio, Paripueira, Maceió, Marechal Deodoro, Barra de São Miguel, Roteiro e Jequiá da Praia, todos localizados no estado de Alagoas (AL), foram realizados levantamentos de dados primários em campo, em razão de não existirem estudos pretéritos específicos, abrangendo todas as informações solicitadas no Termo de Referência.</em></p>



<p><em>Os dados primários foram complementados por dados secundários, considerando a existência de abundante material bibliográfico sobre os temas abordados, inclusive sobre a atividade pesqueira na Área de Estudo, derivado, em grande parte, de estudos ambientais realizados e resultados de projetos de monitoramento implementados no contexto de processos de licenciamento ambiental de empreendimentos similares. E, adicionalmente, em publicações em portais de instituições governamentais e de pesquisa que possibilitariam a obtenção de informações relevantes.</em></p>



<p><strong>Sobre audiência pública virtual:</strong></p>



<p><em>A decisão pela realização de uma audiência pública virtual decorreu em função da pandemia de Covid-19, inclusive em atendimento às regras sanitárias impostas por Estados e Municípios. O formato virtual da audiência pública, em acordo com a Resolução CONAMA nº 494/2020, possibilitou maior abrangência regional do evento, que contou com participantes de diversas regiões do país. Neste sentido, a disponibilização da gravação da audiência pública em meio eletrônico e de canais de contato após o evento tiveram o condão de mitigar eventuais prejuízos no que se refere à participação, entendendo-se a audiência pública como apenas um dos meios de participação cidadã disponíveis à população. Além da audiência, foram realizadas entre 28/06/2021 e 15/07/2021, 15 reuniões setoriais preparatórias para a audiência pública virtual, conforme o Relatório nº 10571088/2021-COEXP/CGMAC/DILIC.</em></p>



<p><strong>Sobre consulta prévia:</strong></p>



<p><em>A Convenção da OIT 169 é aplicável aos povos indígenas e tribais, conforme prevê o seu art. 1°, incisos “a” e “b”. No caso específico desse projeto não foram indicadas interferências das atividades rotineiras da operação sobre nenhuma das comunidades identificadas na área de estudo, considerando a distância do projeto de perfuração da costa (RIMA, p. 23).</em></p>



<p><em>Embora a audiência pública realizada no processo de licenciamento ambiental não se confunda com a consulta prevista na Convenção OIT 169, é certo que ambas possuem objetivos comuns, tais como assegurar a prestação de informações aos interessados sobre o empreendimento e a salvaguarda dos interesses das populações afetadas.</em></p>



<p><strong>Sobre disponibilidade de equipamentos em caso de acidentes:</strong></p>



<p><em>Em caso de acidente, os recursos de resposta a emergências serão acionados conforme plano elaborado pelo empreendimento e aprovado no processo de licenciamento ambiental. Dentre os recursos previstos, está a utilização de embarcações locais, como estrutura adicional a ser empregada. Os tempos de mobilização e resposta também constam no plano.</em></p>



<p><strong>Sobre treinamento não autorizado pelo Ibama:</strong></p>



<p><em>O treinamento deve ocorrer antes do início das atividades, para que, no caso de um eventual vazamento, os membros das comunidades estejam capacitados para atuar no atendimento à emergência ambiental.</em></p>



<p><em>Neste sentido, a ExxonMobil realizou treinamentos de caráter voluntário anteriores à atividade, sem que tenha havido solicitação do Ibama, com exceção da Avaliação Pré-Operacional ocorrida entre os dias 7 e 10 de fevereiro de 2022. Este evento, em Pirambu/SE, ocorreu por demanda do Instituto como requisito à aprovação do plano de emergência da atividade, a fim de verificar a exequibilidade do plano proposto antes da atividade. A licença de operação prevê, ainda, a realização de simulados anuais de emergência durante a atividade.</em></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/AAABanner-1-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/AAABanner-1.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/AAABanner-1.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/com-estudo-de-impacto-desatualizado-e-incompleto-exxonmobil-comeca-perfurar-pocos-no-rio-sao-francisco/">Com estudo de impacto desatualizado e incompleto, ExxonMobil começa a perfurar poços no São Francisco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ExxonMobil quer explorar petróleo e gás no rio São Francisco sem consultar comunidades tradicionais</title>
		<link>https://marcozero.org/exxonmobil-quer-explorar-petroleo-e-gas-no-rio-sao-francisco-sem-consultar-comunidades-tradicionais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Aug 2021 19:47:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Alagoas]]></category>
		<category><![CDATA[ExxonMobil]]></category>
		<category><![CDATA[perfuração de poços]]></category>
		<category><![CDATA[petróleo]]></category>
		<category><![CDATA[SEAL]]></category>
		<category><![CDATA[Sergipe]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=39811</guid>

					<description><![CDATA[<p>Exatos dois anos depois do derramamento de petróleo que atingiu 11 Estados brasileiros, em 2019, e que segue sem culpados nem punições, comunidades tradicionais da costa do Nordeste agora estão ameaçadas novamente. Um mega projeto de exploração da petroleira ExxonMobil na Bacia de Sergipe-Alagoas, na Foz do Rio São Francisco, começa a sair do papel [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/exxonmobil-quer-explorar-petroleo-e-gas-no-rio-sao-francisco-sem-consultar-comunidades-tradicionais/">ExxonMobil quer explorar petróleo e gás no rio São Francisco sem consultar comunidades tradicionais</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Exatos dois anos depois do derramamento de petróleo que atingiu 11 Estados brasileiros, em 2019, e que segue <a href="https://marcozero.org/crime-petroleo-nordeste-sem-culpados-nem-multas/">sem culpados nem punições</a>, comunidades tradicionais da costa do Nordeste agora estão ameaçadas novamente. Um mega projeto de exploração da petroleira ExxonMobil na Bacia de Sergipe-Alagoas, na Foz do Rio São Francisco, começa a sair do papel sem que as populações ribeirinhas, quilombolas, indígenas e pesqueiras sejam devidamente ouvidas, como manda a <a href="http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Convencao_169_OIT.pdf">Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)</a>.</p>



<p>A empresa não é famosa somente pelos megaprojetos de energia e pela marca Esso, mas pelos impactos socioambientais que já causou em outros locais e por desastres como a conhecida “Maré negra”, de vazamento de petróleo no Alasca, em 1989, e que, até 2013, era classificado como o maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.</p>



<p>Agora a ExxonMobil tornou-se uma ameaça concreta para centenas de famílias brasileiras, num momento de pandemia e em que o país vê sua legislação ambiental ser esfacelada. O projeto prevê a atividade de perfuração marítima de poços exploratórios de petróleo e gás natural em seis blocos, é o chamado Projeto SEAL. Poderão ser perfurados até 11 poços. </p>



<p>Segundo o próprio Relatório de Impacto Ambiental, quase 80 municípios, do Rio Grande do Norte até o Rio de Janeiro, estão localizados na grande área de influência do projeto e sujeitos, portanto, aos impactos potenciais da atividade de exploração da ExxonMobil. Até o momento, através de uma carta aberta, mais de 100 organizações do Brasil e do exterior já se posicionaram contra o licenciamento para exploração na região.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>População não foi consultada</strong></h2>



<p>Maria Izaltina Silva, de 54 anos, é uma das moradoras de Brejão dos Negros, no município de Brejo Grande, em Sergipe. O quilombo é formado por cinco comunidades num território pesqueiro e extrativista onde vivem 486 famílias. É o local mais próximo dos pontos de exploração da ExxonMobil, a 50 quilômetros dali, na divisa com o município alagoano de Piaçabuçu.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/08/Fonte-Witt-OBriens-Brasil-300x210.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/08/Fonte-Witt-OBriens-Brasil.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/08/Fonte-Witt-OBriens-Brasil.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Imagem mostra os blocos de exploraçã. Fonte: Witt O’Brien’s Brasil</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Izaltina lembra que a população já vive constantemente a sensação de vulnerabilidade nos territórios e o sofrimento por causa da “sucessão de tragédias”, como ela descreve. “Aqui tem um povoado que o mar avançou e ninguém foi compensado por isso. Tivemos que tirar uma comunidade inteira da área da proximidade costeira”, relembra, falando ainda do petróleo de 2019 e da pandemia. </p>



<p>Isso sem contar com o manguezal que está sendo destruído para dar lugar à carcinicultura. Já há fazendas de camarão até mesmo na área de praia, diz a moradora. “Não há compensação para isso, os danos são muito grandes, agente não quer ser compensado por tragédia, porque não vale a pena”, adianta Izaltina.“Eles não vêm nas comunidades, não vêm fazer as consultas prévias. Quando a gente sabe já vai ser implantado. Chegam aqui com estudos ultrapassados. É uma falta de respeito muito grande. É como se a gente não existisse. A ganância é muito grande para implantar esses empreendimentos”, protesta.</p>



<p>“Você imagina um poço aqui perto, a gente não vai ter sossego. O mangue é de onde tiramos o sustento, é o berçário da vida marinha”, alerta. “As comunidades tradicionais têm seu modo de vida. A gente vive em comunhão com o meio ambiente, a gente precisa dele para sobreviver. Quando precisamos pegar, por exemplo, uma madeira, pegamos de forma que não desmate”, diz Izaltina sobre a importância dos povos tradicionais na preservação ambiental.</p>



<p>As comunidades denunciam que o Ibama tem ignorado o direito a consultas prévias, livres e informadas, como prevê a legislação, e já está encaminhando a próxima etapa do projeto, de autorização das perfurações, com realização de audiência pública somente em formato virtual. Os representantes das comunidades acreditam que a consulta online não é adequada, por uma série de razões, incluindo uma básica: a falta de acesso à internet em algumas comunidades.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/08/WhatsApp-Image-2021-08-31-at-15.28.28-300x225.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/08/WhatsApp-Image-2021-08-31-at-15.28.28-1024x768.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/08/WhatsApp-Image-2021-08-31-at-15.28.28-1024x768.jpeg" alt="Brejão dos Negros, comunidade quilombola em Sergipe" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Foz do Rio São Francisco, onde ExxonMobil quer explorar petróleo e gás. Crédito: Divulgação</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Diante do temor e da violação de direitos básicos, lideranças comunitárias, através do Fórum de Povos e Comunidades Tradicionais de Sergipe, resolveram ir até a ExxonMobil solicitar informações e uma reunião. Até então, algumas poucas pessoas haviam sido “notificadas” da novidade apenas por ligações telefônicas, em junho, sobre a chegada da empresa que pode impactar o meio ambiente e toda uma cadeia de produção, sobrevivência, saúde e cultura.</p>



<p>O primeiro encontro aconteceu. No entanto, a empresa repassou à população somente o Relatório de Impacto Ambiental e um link do Estudo de Impacto Ambiental, cujos arquivos não abriam, segundo as lideranças. A carta dos povos ainda denuncia que “em reunião, uma das representantes da Exxon nos afirmou que, em relação aos impactos não nos preocupássemos, pois ‘se algo acontecer, vocês vão saber onde bater’”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Convenção internacional prevê consulta prévia</strong></h3>



<p>A Consulta Prévia, que deve ser livre, informada e de boa fé, está prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 1989, e assinada pelo Brasil por um Decreto Federal em 2004. A legislação determina direitos específicos aos povos indígenas e tribais, quilombolas, pescadoras e pescadores, entre outros que se autorreconheçam como povos e comunidades tradicionais.</p>



<p>“A consulta deve ser prévia, pois devemos opinar sobre o empreendimento antes de ele ser instalado; livre, pois não deve haver pressões por parte do governo ou empresas para que nos posicionemos; e informada, pois o governo deve disponibilizar todas as informações de forma acessível sobre o projeto e a obra, para que as comunidades possam entender o tamanho do impacto que será causado”, explica um trecho da carta dos povos.</p>



<p>Além da consulta, as famílias também querem a complementação do Estudo de Impacto Ambiental, com coleta de informações nos territórios, inserção do componente etnoambiental e intervenção de órgãos como Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).</p>



<p>As comunidades dizem ainda que, se caso o Ibama considere que não há segurança para realizar a audiência presencial neste momento, então que aguarde até um momento mais oportuno. Mas, não havendo condições de realizar o diálogo presencialmente, que o projeto seja, por ora, adiado.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/08/exxonMobilSEAL-300x172.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/08/exxonMobilSEAL.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/08/exxonMobilSEAL.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Sonda que será utilizada pela ExxonMobil para perfurar os poços. Crédito: Marinha do Brasil</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O Ministério Público Federal (MPF) publicou, no final da semana passada, uma recomendação para que seja suspensa a audiência virtual agendada para o dia 14 de setembro e para que sejam realizadas as consultas às comunidades, nos moldes do que assegura a Convenção 169 da OIT.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> procurou o Ibama e a ExxonMobil, no início da tarde, para comentar o assunto, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. A ExxonMobil solicitou adiamento do prazo, mas foi informada de que o texto será atualizado assim que seu posicionamento for enviado.</p>



<p>Em <a href="https://audienciapublicaexxonmobil.com.br/seal/">um site sobre o processo de audiências públicas</a> produzido pela própria empresa, consta que &#8220;a perfuração do primeiro poço deverá já ser iniciada no segundo semestre de 2021. A partir dos resultados do primeiro poço, serão definidas as atividades nos demais&#8221;. </p>



<p>Mais adiante, já há menções ao destino de resíduos: &#8220;Para dar apoio à atividade de perfuração, será utilizada uma base em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, e outra em Maceió, no estado de Alagoas. Já para o suporte marítimo, serão utilizadas cinco embarcações. A função destas embarcações será levar equipamentos e suprimentos para a unidade de perfuração e trazer os resíduos gerados na unidade, para destinação em terra – reciclagem, disposição em aterro.&#8221;</p>



<h4 class="wp-block-heading">A posição do Ibama</h4>



<p>Às 18h de terça-feira, pouco depois da publicação desta matéria, recebemos a posição oficial do Ibama por meio de nota, que publicamos na íntegra a seguir:<br><br><em>O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informa que foram realizadas 15 reuniões preparatórias para a audiência pública que está programada para o dia 14 de setembro. O objetivo foi informar sobre o projeto de exploração da Exxon Mobil e possibilitar uma participação mais efetiva dos interessados. A audiência acontecerá de forma mista, sendo realizada virtualmente e com pontos de transmissão em locais indicados que vão possibilitar a participação da população local.</em></p>



<p><em>A OIT 169 aplica-se apenas a povos indígenas e tribais. Quando identificados impactos sobre comunidades tradicionais, o estudo ambiental apresenta ações específicas de mitigação e compensação ambiental.</em></p>



<h4 class="wp-block-heading">A posição da ExxonMobil</h4>



<p>Na tarde da quinta, 2 de setembro, a ExxonMobil enviou uma nota de resposta. Segue a íntegra do posicionamento:</p>



<p><em>Com relação à Audiência Pública Virtual para o licenciamento dos poços marítimos na Bacia de Sergipe-Alagoas, a ExxonMobil está seguindo as recomendações e protocolos sugeridos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama). Nossa prioridade é preservar a saúde e a segurança da comunidade e do meio ambiente. Vale ressaltar que, em preparação para a Audiência Pública Virtual, foram realizadas mais de 190 reuniões virtuais com representantes das comunidades na área de abrangência do projeto, envolvendo mais de 560 partes interessadas.</em></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/08/AAABanner-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/08/AAABanner.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/08/AAABanner.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/exxonmobil-quer-explorar-petroleo-e-gas-no-rio-sao-francisco-sem-consultar-comunidades-tradicionais/">ExxonMobil quer explorar petróleo e gás no rio São Francisco sem consultar comunidades tradicionais</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
