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	<title>Arquivos Fórum Social Mundial em Salvador - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos Fórum Social Mundial em Salvador - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Por Marielle Franco, milhares de mulheres e ativistas ocupam ruas de Salvador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Mar 2018 20:54:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A execução de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro pelo Psol, na noite da quarta-feira (14), na semana em que se realiza o Fórum Social Mundial, chocou ativistas e movimentos sociais presentes. Em Salvador, o evento agendado nesta quinta pela manhã (15) para discutir propostas de esquerda com os pré-candidatos à presidência Guilherme Boulos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/Marca-Fórum.png"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-7442" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/Marca-Fórum.png" alt="Marca Fórum" width="150" height="120"></a>A execução de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro pelo Psol, na noite da quarta-feira (14), na semana em que se realiza o Fórum Social Mundial, chocou ativistas e movimentos sociais presentes. Em Salvador, o evento agendado nesta quinta pela manhã (15) para discutir propostas de esquerda com os pré-candidatos à presidência Guilherme Boulos e Sônia Guajajara se transformou em ato pela memória da vereadora carioca. Centenas de pessoas estiveram presentes e saíram em marcha, que chegou a reunir cerca de cinco mil pessoas, numa caminhada que saiu do campus da Universidade Federal da Bahia e ocupou as ruas da capital.</p>
<div id="attachment_7470" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/WhatsApp-Image-2018-03-15-at-14.53.30-2.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7470" class="size-medium wp-image-7470" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/WhatsApp-Image-2018-03-15-at-14.53.30-2-300x266.jpeg" alt="Janete Rocha, vereadora de Guarulhos pelo PT" width="300" height="266"></a><p id="caption-attachment-7470" class="wp-caption-text">Janete Rocha, vereadora de Guarulhos pelo PT</p></div>
<p><span style="font-weight: normal;">Fazer do luto a energia para lutar e resistir parece ser a mensagem das mulheres que, a passos lentos, caminharam de mãos dadas por Marielle e por si mesmas. </span>A morte da ativista desperta o medo do que pode acontecer com quem assume a tarefa de denunciar o extermínio nas periferias brasileiras. Para Janete Rocha Pietá, também mulher negra e vereadora, mas em Guarulhos (SP), Marielle “foi exterminada por ser quem ela é”. “Uma militante mulher negra de base e que sabia demais. Que estava contra o golpe, denunciada o extermínio maior que existe no Brasil, o dos negros da periferia”.</p>
<p>“A gente precisa mostrar para o mundo que nós pretos e de favelas, que o nosso povo, tem sido exterminado. Ter milhares de pessoas no Fórum Social Mundial nas ruas hoje é a resistência para denunciar o extermínio de Marielle e Wanderson”, defendeu Leninha, do MNU (Movimento Negro Unificado) e Sindsprev do RJ, uma das dezenas de ativistas que se revezaram nas falas durante a marcha.</p>
<p><strong>Morta por ser quem ela é</strong></p>
<p>“Como vereadora e militante ativista da Maré ela lutava contra o extermínio das mulheres negras, das crianças negras, estava à frente de uma luta, colhendo informações e denunciando a intervenção federal no Rio”, sustenta Janete. Antes mesmo da instauração da intervenção Marielle já era alvo por denunciar a recorrente matança de jovens negros nas favelas cariocas.</p>
<p>A investida federal no Rio de Janeiro, com a instauração da intervenção federal no último mês, foi denunciada pelas ativistas na marcha. “Essa intervenção militar não tem intenção de promover a segurança da população, é uma forma de manter o domínio sobre os guetos, porque vem a época eleitoral aí e nós sabemos a intencionalidade disso”, diz Aída Viana, da diretoria do Sindicato dos Assistentes Sociais do Rio de Janeiro.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/WhatsApp-Image-2018-03-15-at-17.26.05.jpeg"><img decoding="async" class="alignright wp-image-7478" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/WhatsApp-Image-2018-03-15-at-17.26.05-1024x767.jpeg" alt="WhatsApp Image 2018-03-15 at 17.26.05" width="700" height="524"></a><br />
<strong>Reação internacional</strong></p>
<p>A indignação também exige resposta rápida. Apesar de ter suspendido as atividades do dia para convergir forças com a marcha, os movimentos de mulheres negras pediram uma postura firme da organização do Fórum Social Mundial. “Como o Fórum é um espaço de lutas emancipatórias seria uma incoerência e a demonstração de uma desconsideração com a luta do povo negro se ele não se manifestar. Espero que o comitê internacional se manifeste e que as pessoas que estão lá dentro discutindo venham para a rua. A nossa pauta está aqui, a nossa pauta está na rua”, defendeu Nilma Nilo Gomes, ex-ministra da Igualdade Racial no governo Dilma Rousseff.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/WhatsApp-Image-2018-03-15-at-14.54.17-21.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-full wp-image-7473" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/WhatsApp-Image-2018-03-15-at-14.54.17-21.jpeg" alt="WhatsApp Image 2018-03-15 at 14.54.17 (2)" width="834" height="741"></a>Para Aída, que estava voltando da Marcha das Mulheres Negras no Fórum quando recebeu a notícia do homicídio, o luto tem que servir para “ecoar nossa voz no mundo e denunciar o que está acontecendo no Brasil”.</p>
<p>Nascida na Favela da Maré, Marielle foi a quinta vereadora mais votada no Rio de Janeiro. Não à toa, se tornou vítima daquilo para o qual dedicou a sua vida: denunciar a opressão e o racismo. “Essa bala tinha direção, tinha endereço”, diz Aída. Para ela, a resposta à perda brutal de Marielle precisa se tornar um movimento de reorganização das esquerdas que enfrente o racismo de modo unificado. “Ela é um ícone, um exemplo e nós temos que fazer essa luta. Não é momento de fracionar. A luta pela população negra tem que ser unificada&#8221;.</p>
<p>“<b>Eu estou acabada por dentro, mas na luta e resistência”<br />
</b><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/WhatsApp-Image-2018-03-15-at-14.54.45-21.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-7469" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/WhatsApp-Image-2018-03-15-at-14.54.45-21.jpeg" alt="WhatsApp Image 2018-03-15 at 14.54.45 (2)" width="300" height="559"></a><br />
A frase dita pela ex-ministra formula uma imagem do que vivem as mulheres negras hoje no país. No dia anterior, a palestra em que falou sobre a relação do racismo, violência e discriminação lotou um auditório. Nela, Nilma citou a mulher negra como símbolo de luta e maior vítima do golpe. Segundo ela, o golpe dado em 2016 é resultado de uma articulação internacional que “conta com uma fraqueza dos movimentos sociais, uma fraqueza da esquerda” e precisa ser enfrentada pelos movimentos sociais e campos da esquerda.<b><br />
</b></p>
<p>“Os golpistas do mundo estão alinhados com o capitalismo internacional, unidos às forças militares eles podem tratorar as forças emancipatórias. A gente também precisa se realinhar como forças de esquerda, como forças emancipatórias porque só assim vamos dar conta de resistir tanto local, nacional e internacionalmente. Não só contra esse golpe, mas com o que sendo articulando pelo grande capital”, explicou.</p>
<p>Janete vê um agravamento do cenário político nacional, com possível escalada de violência. “Ou nós nos organizamos e tomamos as ruas para dizer que não queremos esse estado de exceção, ou seremos exterminados um após o outro. Como nós vivemos um golpe jurídico e midiático eles não vão dizer o que está acontecendo. A palavra mais certa agora é ir para a luta”.</p>
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		<title>Frei Betto: &#8220;Estamos desmobilizados. Com o PT, fortalecemos a mentalidade consumista e não a cidadã&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Mar 2018 15:43:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Fórum Social Mundial em Salvador]]></category>
		<category><![CDATA[Frei Betto]]></category>
		<category><![CDATA[governos do PT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O frade dominicano e escritor Frei Betto, 73 anos, acredita que uma possível prisão de Lula deve gerar algumas manifestações isoladas, mas o povo não vai tomar as ruas do Brasil. A falta de iniciativa popular é resultado das prioridades políticas dos governos petistas. “Nós estamos desmobilizados. Por que? Porque nos 13 anos do PT [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/Marca-Fórum.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-7442" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/Marca-Fórum-300x240.png" alt="Marca Fórum" width="150" height="120"></a>O frade dominicano e escritor Frei Betto, 73 anos, acredita que uma possível prisão de Lula deve gerar algumas manifestações isoladas, mas o povo não vai tomar as ruas do Brasil. A falta de iniciativa popular é resultado das prioridades políticas dos governos petistas. “Nós estamos desmobilizados. Por que? Porque nos 13 anos do PT no Poder investimos mais em ofertar bens pessoais do que sociais. Fortalecemos a mentalidade consumista e não a cidadã”.</p>
<p>Betto, que participou nesta quarta de um concorridíssimo debate sobre democracia e educação popular no Fórum Social Mundial, em Salvador, lamenta que os governos do PT tenham seguido um caminho distinto de Evo Morales, na Bolívia. “Sem apoio do Congresso e dos empresários, Evo empoderou os movimentos sociais e seus representantes ocuparam as vagas no Poder Legislativo”. Aqui, segundo avalia, “nós delegamos o poder aos inimigos da democracia”, numa referência às alianças políticas à direita que deram sustentação às gestões petistas na Presidência da República. Quem organizou suas bases para ocupar o Legislativo nas duas últimas décadas foram as igrejas evangélicas, explica.</p>
<p>As críticas de Frei Betto são feitas a partir do campo da esquerda, de quem vê em Lula o maior líder político da atualidade no Brasil e reconhece que “as duas gestões de Lula e a de Dilma foram as melhores da história republicana brasileira”. Mas faltou o trabalho de conscientização política. “Perdemos a oportunidade de fazer a alfabetização política da população. Nossa tarefa número 1 devia ter sido, como continua a ser, organizar a base popular, o movimento popular. Arte, cultura, esporte, movimento LGBT, movimento negro, de mulheres”.</p>
<p><strong>SEM REFORMAS ESTRUTURANTES</strong></p>
<p>Frei Betto critica o fato de que nenhuma reforma estruturante (“nem a tributária, nem a política, nem a agrária”) tenham saído do papel no período dos governos do PT. “A impressão que eu tive é que os movimentos sociais pensaram que o governo era uma grande vaca com grandes tetas”, ilustrou. No Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, formado por representantes do capital e da sociedade civil, os segmentos tinham forças distintas. “No Conselhão, as palavras dos empresários valiam mais do que a dos trabalhadores”.</p>
<p>Betto lamenta que os partidos de esquerda possuam hoje militância paga e diz que só se forma militância espontânea com educação popular. Ele sugere que os movimentos sociais se voltem para essa educação popular e mergulhem nos ensinamentos deixados pelo educador pernambucano Paulo Freire. “Existe metodologia para organizar o povo. Temos muitas referências. Paulo Freire é, sem dúvida, a figura mais emblemática desse processo”.</p>
<p><strong>A NATURALIZAÇÃO DA OPRESSÃO</strong></p>
<p>O trabalho sistemático de desinformação e naturalização das opressões por parte das grandes empresas de comunicação brasileiras é fundamental para manter a população anestesiada.</p>
<p>Frei Betto acredita que a crise da democracia é uma crise crônica porque ela está diretamente associada ao modelo perverso de funcionamento do capitalismo, que naturaliza a opressão. “O desempregado que consegue um emprego terrível, ganhando muito mal, acha isso natural, como também vê com naturalidade a fortuna de Neymar. Há no Brasil a idiotização praticada pela mídia. A novela faz você rir, mas aquilo não tem caráter mobilizador. Tá ali para idiotizar”.</p>
<p>Nas viagens que faz pelo mundo, o frade dominicano é frequentemente perguntado sobre como um líder popular do tipo de Lula chegou ao poder num país conservador como o Brasil. Responde sem titubear: Paulo Freire. Lembra que as forças que levaram Lula à Presidência na eleição de 2002 começaram a se organizar nos anos 1960, primeiro por meio das comunidades eclesiais de base, depois com o fortalecimento dos movimentos populares de mães e contra a carestia, a mobilização dos trabalhadores nos sindicatos, a CUT e a reorganização do movimento estudantil.</p>
<p><strong>FICA UMA PERGUNTA NO AR</strong></p>
<p>Betto, que foi preso político entre os anos de 1969 e 1973, disse que a organização popular nos anos 1960 surpreendeu os intelectuais brasileiros. Da mesma forma que a fundação do Partido dos Trabalhadores nos anos 1980. “Quando saí da cadeia, eu mesmo me questionava: como esse povo se organizou, se nós estávamos presos?”.</p>
<p>Em tempos de golpes parlamentares e de relações nebulosas entre setores dos poderes Judiciário e Executivo brasileiros e do Ministério Público com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, o escritor alerta que a organização popular é uma arma contra o imperialismo norte-americano e cita Cuba e Vietnã como dois exemplos concretos. “Os fracassos norte-americanos em Cuba e no Vietnã fizeram eles aprenderem que é muito fácil derrubar um governo, mas não se derruba um povo. A organização popular fez a diferença nesses dois casos”. Fará no Brasil?</p>
<p>&nbsp;</p>
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