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	<title>Arquivos graffiti - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 25 Feb 2025 20:01:56 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos graffiti - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>PM interrompe evento em comemoração ao Dia do Graffiti no centro do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Mar 2024 19:56:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[centro do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[graffiti]]></category>
		<category><![CDATA[grafiteiros]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um público de aproximadamente 90 pessoas, entre artistas, produtores e clientes, comemorava o Dia Mundial do Graffiti, na noite desta quarta-feira, 27 de março, no bairro de Santo Antônio, no centro do Recife, quando foi surpreendido pelas guarnições de sete viaturas da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE). Segundo os relatos repassados à Marco Zero e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um público de aproximadamente 90 pessoas, entre artistas, produtores e clientes, comemorava o Dia Mundial do Graffiti, na noite desta quarta-feira, 27 de março, no bairro de Santo Antônio, no centro do Recife, quando foi surpreendido pelas guarnições de sete viaturas da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE). Segundo os relatos repassados à <strong>Marco Zero</strong> e postados em tempo real nas redes sociais, aproximadamente 30 policiais interromperam o evento independente &#8220;Mostra Coletiva de Arte Urbana&#8221;, promovido pelo coletivo e loja <a href="https://www.instagram.com/cordalama/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cordalama</a>, e, sem apresentar qualquer justificativa, de acordo com a organização, ordenaram que todos os homens presentes no local formassem um paredão para serem revistados.</p>



<p>A abordagem seguiu dentro da loja, sem que nenhum mandado judicial tivesse sido apresentado, dizem os participantes da comemoração, cuja programação incluía batalha de tags, apresentação de DJs, roda de diálogo e venda de obras e produtos de graffiti. A polícia confiscou 33 latas de spray, sendo 26 delas de dentro da bolsa de um dos artistas presentes e que tinham sido adquiridas na promoção feita pela Cordalama para celebrar a data.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Batalha de tag é um duelo que existe dentro da cultura do graffiti onde os participantes recebem uma palavra da plateia e escrevem essa palavra dentro de um tempo delimitado pela organização do evento.</p>
        </div>
    </div>



<p>O coletivo existe há 15 anos, é responsável por reunir nomes importantes da cena do graffiti e atualmente empreende a Cordalama Graffiti Shop e a Galeria Lama, primeira galeria voltada para arte urbana no Recife, no edifício D&#8217;ouro, na Rua Ulhôa Cintra, próximo ao também tradicional Pagode do Didi, <a href="https://jc.ne10.uol.com.br/cultura/2024/03/22/pagode-do-didi-no-recife-fecha-temporariamente-para-regularizar-alvaras.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">fechado temporariamente para regularizações de alvarás</a> exigidas pela Prefeitura do Recife. </p>



<p>&#8220;Eu me senti, além de tudo, impotente, assustada e altamente preocupada&#8221;, diz Mamá, artista e integrante do Cordalama. &#8220;Eu tenho 50 anos e as pessoas que estavam aqui têm uma idade de 25, 30, 18 anos, ou seja, uma garotada&#8221;, detalha. &#8220;É preciso fazer o público ficar ciente que o artista urbano não é inimigo da cidade&#8221;, crava.</p>



<p>&#8220;O Pagode do Didi, único estabelecimento que às sextas-feiras torna esse lugar vivo, foi fechado. A Cordalama sofrendo uma investida dessa. O que me preocupa é o que vem depois disso. Vão fechar a loja também?&#8221;, questiona. As mulheres presentes no local, que não foram revistadas, reuniram as telas de graffiti e formaram uma espécie de paredão com o material, do lado de fora do prédio, para mostrar à Polícia Militar que se tratava de uma programação artística que acontecia com paz e tranquilidade.</p>





<p>A Cordalama e outros grupos e coletivos artísticos publicaram uma nota de repúdio: &#8220;Hoje, Dia Mundial do Graffiti nossa comunidade foi profundamente humilhada e oprimida! Éramos aproximadamente 100 pessoas reunidas, homens, mulheres, crianças e adolescente comemorando e celebrando essa arte tão importante, o Graffiti! Só quem vive sabe como isso nos dá ânimo pra existir, que salva vidas dentro e fora da periferia! Nos somos artistas, grafiteiros e grafiteiras, fotógrafas, produtoras, professoras, arte educadores, ativistas políticos, pixadores, advogados. Nós somos cidadãs, somos trabalhadores e trabalhadoras da arte&#8221;, diz o trecho inicial. </p>



<p>&#8220;Agora imagine, cerca de 40 homens negros foram retirados do seu lazer, do seu momentos diversão, de aquisição de bens imprescindíveis para nosso trabalho, como latas de spray, para simplesmente passar pela maior violação de direitos que o movimento hip hop viu em um evento no centro da cidade dentro de, pelo menos, dez anos! Todos foram direcionados para o muro e em silêncio abaixaram a cabeça, porque todo homem negro sabe que não pode enfrentar a polícia sem o risco de MORRER!&#8221;, diz ainda o texto. Confira a íntegra da nota:</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Íntegra da nota dos coletivos de grafitti</span>

		<p>Hoje, Dia Mundial do Graffiti nossa comunidade foi profundamente humilhada e oprimida! Éramos aproximadamente 100 pessoas reunidas, homens, mulheres, crianças e adolescente comemorando e celebrando essa arte tão importante, o Graffiti! Só quem vive sabe como isso nos dá ânimo pra existir, que salva vidas dentro e fora da periferia! Nos somos artistas, grafiteiros e grafiteiras, fotógrafas, produtoras, professoras, arte educadores, ativistas políticos, pixadores, advogados.</p>
<p>Nos somos cidadãs, somos trabalhadores e trabalhadoras da arte. Viemos através dessa NOTA DE REPÚDIO denunciar a ação desproporcional da Polícia Militar (alguns indivíduos estavam com farda do GATI), chegaram no local mandando “ que todos os homens encostassem na parede” .<br />
Mostraram aquele despreparo típico da polícia quando se depara com a cultura negra, isso é histórico no nosso país, o funk, o brega, a capoeira, o maracatu , o afoxé já viveu e vive isso!</p>
<p>Entenda melhor o caso: O evento que Comemora o Dia Mundial do graffiti estava sendo realizado na frente da loja Cordalama, um espaço que vende material de arte urbana e promove diversos eventos, a polícia militar chegou a entrar no estabelecimento mandando os clientes homens e funcionários sair da loja para entrar na abordagem deles!</p>
<p>Agora imagine, cerca de 40 homens negros foram retirados do seu lazer, do seu momentos diversão, de aquisição de bens imprescindíveis para nosso trabalho, como latas de spray, para simplesmente passar pela maior violação de direitos que o movimento hip hop viu em um evento no centro da cidade dentro de pelo menos dez anos! Todos foram direcionados para o muro e em silêncio abaixaram a cabeça, porque todo homem negro sabe que não pode enfrentar a polícia sem o risco de MORRER!</p>
<p>Após a abordagem desnecessária e hedionda A polícia “confiscou” 33 latas de spray. Querendo destacar que os movimentos que assinam essa nota consideram isso violência patrimonial vinda direto do Estado! Queremos nosso material de trabalho de volta! A comissão de advocacia popular da OAB já está acompanhando o caso.</p>
<p>Assinam: <strong>Cor da Lama, Coletivo Pão e Tinta, Pixe Girls, Point Bomb Recife, Px Produtora, Kalunga Project, ColetivaS, Cores Femininas, Kardume, Osmo Crew</strong></p>
	</div>



<p><br><br></p>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Fui vista como artista incrível, mas sou tratada como marginal&#8221;</h2>



<p>A grafiteira e educadora social responsável por produzir o <a href="https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/16/05/2023/nathe-ferreira-e-fany-lima-assinam-o-primeiro-megamural-do-recife-feito-por" target="_blank" rel="noreferrer noopener">primeiro megamural feito por artistas negras </a>no centro do Recife, Nathê Ferreira, participou do evento e registrou a ação da PM. &#8220;Não é a primeira vez que nós grafiteiros lidamos com abordagens policiais durante nossas atividades, mas geralmente conseguimos dialogar com os policiais e explicamos que nosso trabalho acontece de forma legal e eles são compreensivos. Mas o que aconteceu ontem foi de uma violência que eu nunca tinha presenciado antes, eles chegaram de forma muito truculenta e já foram dando ordens sem nem conversar&#8221;, contrapõe. &#8220;É muito triste porque, quando eu fiz o megamural, eu fui vista como uma artista incrível, mas na rua eu sou tratada como uma marginal&#8221;, desabafa.</p>



<p>&#8220;O evento estava lotado em plena quarta-feira e isso demonstra uma necessidade que a população do Recife tem em acessar atividades de arte de forma gratuita. Esse era o nosso objetivo, realizar uma atividade de educação e arte de forma gratuita. E o que recebemos em troca foi uma repressão descabida da polícia. Polícia essa que muitas vezes não faz a segurança do local porque aquela é uma área onde acontecem muitos assaltos, mas nós fomos tratados como marginais, quando só estávamos querendo ocupar um lugar da cidade que está abandonado pelo próprio poder público&#8221;, criticou Nathê Ferreira.</p>



<p>A DJ, produtora e comunicadora Kananda esteve no local e também relatou uma sensação de revolta e medo. &#8220;Eu fiquei extremamente morgada. Fiquei muito assustada. Foi uma situação muito ruim para as mulheres que tiveram que ficar vendo isso. As armas ficaram de frente para a gente. Porque eles estavam lá, impedindo que a gente chegasse perto para dialogar, inclusive. E aí fica lá, um monte de mulher negra também vendo homens negros sendo baculejados em um evento que deveria ser de comemoração&#8221;, diz.</p>



<h2 class="wp-block-heading">PM alega falta de autorizações</h2>



<p>À reportagem, a PMPE afirmou que o evento aconteceu &#8220;sem as devidas autorizações e sem o conhecimento dos órgãos de Segurança Pública&#8221;. &#8220;A Polícia Militar reitera seu compromisso e respeito com os preceitos legais que regem o Estado democrático de direito e esclarece que eventos públicos de natureza cultural, para serem realizados, necessitam de autorização prévia da Prefeitura Municipal e da emissão de suas respectivas licenças de uso de solo, plano de limpeza e sonorização, além da comunicação, pelos organizadores do evento, aos órgãos de Segurança Pública como a Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros&#8221;, diz trecho inicial da nota. </p>



<p>&#8220;A partir de denúncias de pichação em edificações no centro do Recife e, não havendo nenhuma informação sobre o citado evento, foram deslocadas viaturas e realizada a abordagem policial, ao público presente. Ressaltamos que, em análise preliminar das imagens veiculadas nas redes sociais e, a partir dos relatos, não foi verificado excessos ou violência policial, na ação do efetivo do 16° BPM, responsável pelo policiamento na área&#8221;, segue o texto. Confira, ao final da matéria, a íntegra da nota oficial.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Íntegra da nota oficial da Polícia Militar</span>

		<p>&#8220;A Polícia Militar reitera seu compromisso e respeito com os preceitos legais que regem o Estado democrático de direito e esclarece que eventos públicos de natureza cultural, para serem realizados, necessitam de autorização prévia da Prefeitura Municipal e da emissão de suas respectivas licenças de uso de solo, plano de limpeza e sonorização, além da comunicação, pelos organizadores do evento, aos órgãos de Segurança Pública como a Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros.</p>
<p>Através do 16º BPM informamos ainda que, nesta quarta-feira (27), na rua Uchôa Cintra, bairro de Santo Antônio, Centro do Recife, aconteceu a &#8220;Mostra Coletiva de Arte Urbana&#8221; com a participação de cerca de 80 pessoas reunidas, sem as devidas autorizações e sem o conhecimento dos órgãos de Segurança Pública.</p>
<p>A partir de denúncias de pichação em edificações no centro do Recife e, não havendo nenhuma informação sobre o citado evento, foram deslocadas viaturas e realizada a abordagem policial, ao público presente.</p>
<p>Ressaltamos que, em análise preliminar das imagens veiculadas nas redes sociais e, a partir dos relatos, não foi verificado excessos ou violência policial, na ação do efetivo do 16° BPM, responsável pelo policiamento na área.</p>
<p>Até o final da ocorrência nenhum dos participantes presentes se apresentou ao policiamento como organizador do ato ou proprietário do material apreendido. A partir da ausência dos responsáveis, o material apreendido foi entregue, mediante boletim de ocorrência, na Delegacia da Área.</p>
<p>Lembramos que possíveis irregularidades cometidas por servidores civis e militares da SDS podem ser informadas à Ouvidoria Geral da SDS através do 0800-0815001 ou pelo (81) 31835298. O cidadão também pode ir pessoalmente na Ouvidoria, que funciona no prédio em frente à Secretaria de Defesa Social, na Rua São Geraldo, 110, no Bairro de Santo Amaro. Ou ainda pelo e-mail ouvidoria@sds.pe.gov.br .</p>
<p>Quaisquer segmentos da sociedade que queiram realizar eventos na região central do Recife, além de procurar os órgãos responsáveis pelas autorizações, também podem manter contato com o comando do 16° BPM, através do e-mail: 16bpmp3freicaneca@gmail.com e pelo telefone 31811780.</p>
	</div>



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			</item>
		<item>
		<title>Grafiteiros se arriscam para pintar encostas dos morros do Recife sem equipamentos de proteção</title>
		<link>https://marcozero.org/grafiteiros-se-arriscam-para-pintar-encostas-dos-morros-do-recife-sem-equipamentos-de-protecao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Feb 2021 18:51:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte urbana]]></category>
		<category><![CDATA[artes]]></category>
		<category><![CDATA[Colorindo o Recife]]></category>
		<category><![CDATA[graffiti]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[Mais vida nos morros]]></category>
		<category><![CDATA[Política Pública]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Grafiteiros e grafiteiras vêm denunciando, há algum tempo, a falta de condições adequadas para pintar encostas sob contrato com a Prefeitura do Recife. O programa Colorindo o Recife começou como uma forma de gerar renda e dar cor a muros e fachadas de equipamentos municipais. Mas, nos últimos anos, foi crescendo e passou a contratar [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Grafiteiros e grafiteiras vêm denunciando, há algum tempo, a falta de condições adequadas para pintar encostas sob contrato com a Prefeitura do Recife. O programa Colorindo o Recife começou como uma forma de gerar renda e dar cor a muros e fachadas de equipamentos municipais. Mas, nos últimos anos, foi crescendo e passou a contratar artistas também para pintar espaços maiores &#8211; e mais altos &#8211; sem que houvesse qualquer atualização das condições de trabalho, segurança e contrato.</p>



<p>A situação coloca em risco a vida de quem exerce a função. No último fim de semana, o que era para ser uma pose de propaganda do prefeito João Campos (PSB) nas redes sociais terminou expondo a insegurança com que esses artistas atuam para pintar encostas como a das fotos, que mede 6.450 metros quadrados, na Comunidade Rosa Selvagem, na UR-7, no bairro da Várzea, zona oeste. </p>



<p>O artista que aparece nas imagens não está usando sequer os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) básicos necessários, como capacete, luvas e calçados especiais. Também não há cintos e cordas adequadas, com ancoragem e proteção em pontos de atrito. Numa das postagens, o prefeito posa segurando a corda que prende o grafiteiro de forma irregular.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Print de postagem no perfil oficial do prefeito João Campos (PSB) mostra o gestor segurando a corda que prende o artista na encosta (crédito: Instagram João Campos)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Nem precisa ser técnico para ver as irregularidades. É um absurdo. O pessoal está pintando a barreira sem segurança nenhuma e o prefeito segurando a corda achando que está fazendo uma foto bacana”, reclama Shell Osmo, alpinista industrial, artista visual e integrante do Coletivo Pão e Tinta.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Prefeito João Campos (PSB) em selfie com artistas sem equipamentos de segurança adequados na encosta de Rosa Selvagem (crédito: Marcos Pastich/PCR)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>No final de 2018, o artista Raoni Assis se acidentou enquanto pintava uma barreira de 40 metros de altura no Vasco da Gama, na zona norte. Sem proteção adequada, ele escorregou e, ao tentar se segurar de alguma forma, machucou mãos, pés e cabeça. </p>



<p>“Como não havia posto de saúde perto, me levaram numa farmácia para eu mesmo fazer os primeiros socorros. Passei cerca de 15 dias sem conseguir trabalhar direito”, lembra Raoni, que destaca a importância da política pública do Colorindo o Recife, mas afirma que é preciso fazer ajustes e dar mais apoios.</p>



<p>O <a href="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/edital_de_credenciamento_-_grafitagem_2_-_definitivo_04.10.pdf">edital do Colorindo o Recife de 2017</a>, que nunca foi atualizado, diz que ao credenciado, ou seja, ao artista, compete realizar algumas atribuições, entre elas &#8220;cumprir as regras de segurança e observar as melhores técnicas e as empregar corretamente de maneira a obter os resultados estabelecidos para cada intervenção&#8221;.</p>



<p>A classe artística, porém, reclama que esse tipo de cláusula é incompatível com o que vem sendo requisitado nos trabalhos de grande porte. Além disso, diz que as &#8220;regras de segurança&#8221; não estão especificadas no documento. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sem apoio nem transparência</strong></h2>



<p>Os grupos de grafiteiros também reivindicam mais diálogo e transparência na gestão das políticas públicas de arte urbana da Prefeitura . Morador do Bode, no Pina, zona sul, Shell expõe a falta de apoio de transporte, alimentação, água e ajudante para execução de trabalhos de grande porte e longe de casa, que levam vários dias para serem executados. “É só você”, resume.</p>



<p>“Quem pega um lugar que é uma barreira tem que se desenrolar. Nós (do Coletivo Pão e Tinta) passamos 45 dias pintando a Ponte do Pina, uma equipe de oito pessoas tendo que se organizar para comer e beber água”, conta ele, que participa desde o início do Colorindo o Recife, em 2013.</p>



<p>Executado por meio da Secretaria de Turismo e Lazer, atualmente comandada por Cacau de Paula, o Colorindo o Recife é o carro-chefe da política pública de arte urbana da cidade e integra o Mais vida nos morros, gerido pela Secretaria Executiva de Inovação Urbana, que tem Tullio Ponzi à frente.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/colorindoorecife_foto_MarcosPastich-PCR-300x182.jpg">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Prefeito João Campos (PSB) e secretária de Turismo e Lazer, Cacau de Paula, com o artista Marquinhos Atg em agenda do Colorindo o Recife edição de &#8220;não Carnaval&#8221; (crédito: Marcos Pastich/PCR) </p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O cachê pago pela gestão municipal é de R$ 5 mil mediante nota fiscal. Quem não tem inscrição de MEI (Microempreendedor Individual) ou outro CNPJ sofre um desconto previsto em contrato e o valor recebido cai para R$ 3,8 mil. </p>



<p>Mas a cena reclama dos atrasos de pagamento. O artista Marqx executou um mural completo e 90% de outro, em 2019, mas, por falta de material, não conseguiu finalizar inteiramente o segundo trabalho, que somava cerca de 60 metros quadrados. Está até agora sem receber o cachê.</p>



<p>A seleção dos artistas é feita através de inscrição e, depois, sorteio dos habilitados. Mas os integrantes dos coletivos reclamam que não tem onde acompanhar os chamamentos e não dá sequer para entender qual a lógica usada pela prefeitura. Tab, artista do Pina, relata que está até agora esperando sua vez para pintar e vendo artistas que estavam depois dela na fila passarem na sua frente. </p>



<p>Apesar de ser cadastrada e habilitada no Colorindo o Recife desde 2018, esse foi o único ano em que ela conseguiu participar do programa, quando ministrou uma oficina de graffiti, cujo cachê é de R$ 2 mil e cai para R$ 1,6 mil com o desconto de imposto para quem não é pessoa jurídica.</p>



<p>“Com a mudança de gestão, fica ainda mais difícil o contato e o diálogo. Ficamos um ano inteiro na incerteza esperando uma grana que só talvez role. Pior que você fica chateada, mas termina fazendo porque precisa”, comenta.</p>



<p>O artista e acelerador social Stilo, do Bode, relembra que o Colorindo o Recife se tornou política pública de arte urbana depois da pressão feita pelo setor. Na época, o então prefeito Geraldo Julio (PSB) vendia o Recife como a “capital das artes”. “A classe artística foi chamada para pensar junto o projeto, a gestão, a seleção, o cachê. Tudo vinha sendo conversado e dialogado”, detalha.</p>



<p>No entanto, segundo o grupo, desde então gestão municipal e artistas não voltaram a sentar numa mesa para avaliar as ações e dialogar. “Estão querendo fazer uma parada muito grande de qualquer jeito”, reclama Stilo, que lembra que o cachê não é reajustado desde 2017. &#8220;A questão da segurança mostra a necessidade de uma reavaliação&#8221;, destaca.</p>



<p>“Queremos ao menos aplicar um questionário para saber qual a avaliação dos artistas participantes. Estamos com receio de mais perdas nas políticas públicas”, alerta Stilo. Ele reforça que programas como esse são uma forma de dar condições para que artistas continuem pintando, produzindo e criando conteúdo.</p>



<p>“É uma ferramenta cultural, de troca de informação e de sobrevivência&#8221;, argumenta, lembrando que a prefeitura não teve um programa específico durante a pandemia voltada para a classe, que também não foi incluída no Auxílio Municipal Emergencial (AME) de Carnaval, apesar de já ter sido a responsável por decorações, realizar pintura de tapumes para a festa e ter sido responsável por transformar muros da cidade em painéis com a temática carnavalesca, compondo a agenda do prefeito no último fim de semana.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mapa afetivo dos graffitis do Pina em construção pelo Coletivo Pão e Tinta, da zona sul do Recife (crédito: Coletivo Pão e Tinta)</p>
	                
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<p>O Coletivo Pão e Tinta está desenvolvendo um projeto aprovado por meio da Lei Aldir Blanc para mapear os graffitis do Pina. A ideia é geolocalizar cada um dos trabalhos da área para criar um mapa afetivo com comércios, escolas e muros onde há intervenções.</p>



<p>De acordo com o Stilo, até agora o levantamento aponta que cerca de 70% dos trabalhos foram feitos por iniciativa própria dos artistas e da comunidade.</p>



<p>O lançamento deve ser feito até março, quando haverá a edição anual do <a href="https://marcozero.org/corpxs-em-alvo-festival-na-comunidade-do-bode-promove-politica-com-tintas/">Festival Internacional Pão e Tinta</a>, que acontece há quase dez ano no Bode e já se consolidou como uma das principais datas do grafitti no Brasil.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Prefeitura do Recife suspende intervenção</strong></h3>



<p>A <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> procurou a Secretaria de Turismo e Lazer na tarde da última segunda-feira (15) por e-mail e telefone. Também tentou uma entrevista com Tullio Ponzi, secretário executivo de inovação urbana e idealizador do Mais vida nos morros. Mas a prefeitura se posicionou através de uma nota, enviada somente nesta quarta (17) à tarde.</p>



<p>Os trabalhos em Rosa Selvagem foram suspensos e serão retomados &#8220;após a adoção de todos os protocolos de segurança&#8221;, diz o texto. A gestão, no entanto, não respondeu a outros questionamentos da reportagem, como os planos de diálogo, adequação e expansão do Colorindo o Recife.</p>



<p>Confira a nota na íntegra:</p>



<p><em>A Prefeitura do Recife ratifica o seu compromisso com a consolidação de uma política pública voltada para a valorização da arte urbana, através de iniciativas como o Colorindo o Recife que, mesmo em um ano atípico como 2020, ampliou o acervo de murais e painéis em espaços abertos da capital pernambucana, com benefício direto a 70 artistas e coletivos cadastrados mediante o edital público de chamamento 002/2017.</em> </p>



<p><em>A Secretaria de Turismo e Lazer reforça que mantém diálogo aberto com todos os artistas e reafirma o seu compromisso em valorizar a arte urbana na cidade. Com relação aos pagamentos, todos são efetuados em até 30 dias após a emissão da nota fiscal do projeto executado, conforme previsto em edital, instrumento jurídico que também prevê que cabe aos artistas providenciar locomoção e alimentação enquanto executam os serviços.</em></p>



<p><em>Em relação à intervenção feita na Encosta de Rosa Selvagem, operacionalizada pela Secretaria Executiva de Inovação Urbana através do Programa Mais Vida nos Morros, assim que foi identificada uma falha pontual pelo não-uso de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), o serviço foi imediatamente suspenso e será retomado após a adoção de todos os protocolos de segurança.</em></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/grafiteiros-se-arriscam-para-pintar-encostas-dos-morros-do-recife-sem-equipamentos-de-protecao/">Grafiteiros se arriscam para pintar encostas dos morros do Recife sem equipamentos de proteção</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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