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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Rappers conquistam espaço misturando hip hop com os sons de Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Feb 2024 21:19:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[hip hop]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por George Lucas Terra do frevo, do maracatu, do baião, do movimento mangue, da ciranda… e do rap. Até para os padrões do ufanismo pernambucano é um evidente exagero afirmar que Pernambuco é a terra do rap ou do hip-hop, gênero que não tem lugar na pauta dos palcos das festas promovidas pelo poder público [&#8230;]</p>
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<p><strong>por George Lucas</strong></p>



<p>Terra do frevo, do maracatu, do baião, do movimento mangue, da ciranda… e do rap. Até para os padrões do ufanismo pernambucano é um evidente exagero afirmar que Pernambuco é a terra do rap ou do hip-hop, gênero que não tem lugar na pauta dos palcos das festas promovidas pelo poder público nem merece atenção das gravadoras. Mas o fato é que os MCs do estado começam a encontrar caminhos e espaços no cenário do gênero. É o caso de Brenu e Mago de Tarso, que serão apresentados aos leitores da Marco Zero nos próximos parágrafos.</p>



<p>Em carreira solo e com estilos diferentes, os dois artistas estão começam a se destacar com uma estética de rap própria, mesclando o gênero com outras culturas de Pernambuco, como o brega e o piseiro, e fazendo referência a grandes personalidades da música do estado. O bairrismo das composições exalta também o Nordeste, e além de chamar a atenção do público local, chegou a outras regiões.</p>



<h2 class="wp-block-heading" style="text-transform:none"><strong>Oração na obra</strong></h2>



<p>Influenciado pela arte de Racionais MCs que ouvia quando criança em seu bairro, Jardim São Paulo, Breno Campos, o <a href="https://www.instagram.com/brenu081/?igsh=a2F1ZXNnMTV5ZTNz" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Brenu</a>, de 22 anos, fugiu da trajetória convencional que a sociedade propõe para um jovem e que ele havia começado a trilhar: deixou o curso de Ciências Contábeis em uma universidade pública, largou o emprego de jovem aprendiz em uma obra e investiu na sua carreira de rapper.</p>



<p>“Depois de uma oração muito forte que eu tive, dentro da obra, me gerou muita certeza sobre música. Depois disso, eu já estava fazendo um dinheirinho com plataformas digitais”, conta Brenu, que também contou com a ajuda de um ex-professor de inglês que o empregou por um tempo como editor de vídeos. O MC também venceu a desconfiança dos pais, antes reticentes com sua carreira.</p>



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	                                        <p class="m-0">Brenu. Crédito: Divulgação/@cacaio.l
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<p>Sem o investimento de um empresário ou gravadora, Brenu aprendeu a ser multifuncional, editando os próprios vídeos, mixando e masterizando as faixas em seu estúdio, o Subsolo. Em uma conversa online com o produtor e MC IannGuxtavo, nasceu o hit <em>Tempestade</em>, remix de um funk que mesclou o Jersey Club, subgênero do trap, com o brega.</p>



<p>“Tinham vários beats no canal dele de Jersey Club com Bob Marley, Mc Rodolfinho. Tudo. Cheguei pra ele e mandei <em>Tempestade</em>”, explica Brenu sobre a parceria com Ian, que se tornou seu amigo pessoal, apesar de morar distante, em Minas Gerais. A música, a princípio, quase não saiu por conta de algumas inseguranças do MC. Mas, próximo ao carnaval, enfim foi lançada.</p>



<p>“A música demorou a andar. A divulgação dela veio por causa da persistência, soltando conteúdo no TikTok e Instagram. No que eu fiz um <em>reels</em> cantando, acertei”, relata. O sucesso de <em>Tempestade</em> abriu caminho para outras faixas que mesclavam subgêneros do trap, como o próprio Jersey Club e o Detroit, com o brega. As faixas Flow Recife, Bregoso e Barbie Freestyle foram lançadas, repercutindo bastante.</p>



<p>A mistura do rap com culturas essencialmente pernambucanas chegou ao público local, antes consumidor apenas de artistas de rap do eixo Rio-São Paulo e não de MCs pernambucanos. Outro MC bairrista, Mago de Tarso, também embarcou na mistura de ritmos, indo além e colocando bastante costumes locais, como gírias, nas suas letras.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Estudo, trampo e arte</strong></h2>



<p>Ian Siqueira, o <a href="https://www.instagram.com/magodetarso/?igsh=MTNweHJnNjlxOWN2cw%3D%3D" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mago de Tarso</a>, tem 25 anos, é estudante de Geologia e reside no bairro de Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife. Ele sempre colocou seu local de origem em suas músicas, mas em 2023 adicionou aos seus escritos a revolta. “Eu não só exalto a cultura do Recife e de Pernambuco no geral, mas também tento tirar um sarro com o pessoal do Sudeste. Um lance meio de revolta mesmo, porque a gente sempre foi muito ‘tirado’, muito motivo de chacota”, explica.</p>



<p>Mago de Tarso ainda não consegue viver 100% de sua arte. Com a ajuda de sua esposa, conseguiu aumentar a sequência de seus lançamentos e teve assim em 2023 o seu melhor ano até aqui. Ele foi pai cedo e por isso precisa administrar a vida de artista com outras atribuições. “Já trabalhei em várias coisas, então sempre tentei conciliar família, trampo, faculdade e rap. Por isso era muito difícil eu ter uma constância nos meus lançamentos. Não tinha grana pra tá investindo”, conta.</p>



<p>Brenu e Mago dividiram muitos <em>feats </em>(colab entre dois ou mais MCs), o que fortaleceu ainda mais esse movimento de um rap com a estética 100% pernambucana. As faixas <em>Magia</em>, <em>Nordestino Mesmo</em>, <em>Comprando uma Peça</em> e <em>Carolina Freestyle</em> atingiram centenas de milhares de visualizações em plataformas musicais, contando com letras que falam sobre vivências dos bairros da região, locais populares, costumes típicos e bastante crítica ao cenário nacional excludente, que abraça apenas artistas do Sudeste.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mago de Tarso. Crédito: Diego Henrique
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<p>O som de maior destaque, no entanto, partiu de um convite de Anderson Neiff, MC de brega e fenômeno das redes, que também enxergou a capacidade de sucesso da junção desses subgêneros do trap à música pernambucana. Neiff convidou Brenu, Mago e o MC CZT, MC e produtor pernambucano, para participarem de <em>Que Base</em>, obra produzida pelo também pernambucano THB. O lançamento ultrapassou mais de 750 mil visualizações no YouTube. Diversas páginas de blogs da comunidade brega divulgaram o som, o que atraiu popularidade para o rap local.</p>



<p>“É nítido que a forma que a gente vem trabalhando, que a gente vem conquistando e onde a gente vem chegando e furando bolha é sim uma revolução na parada. Pós-pandemia, a cena de Recife ficou meio morna. Ter um artista ali conseguindo coisas acaba motivando outros artistas. Motiva artistas, o público esquenta”, diz Brenu.</p>



<p>A junção de gêneros fez várias comunidades musicais conversarem, do brega-funk a até mesmo o movimento manguebeat, idealizado por Chico Science, referência para Brenu e Mago de Tarso. “Eu acho importante a gente resgatar as referências do nosso estado, tipo Reginaldo Rossi, Chico Science, Luiz Gonzaga”, destaca Mago.</p>



<p>O destaque e bons números nas plataformas de música vêm de muita criatividade. Em Pernambuco existe pouco investimento, tanto do setor privado quanto do público, à cultura hip hop, o que exige dos artistas formas diferentes para divulgarem suas músicas e trabalho intenso. Faltam gravadoras e estúdios estruturados na cena local. Nesse caso, as redes sociais suprem a carência de um suporte financeiro da indústria da música e ajudam na divulgação, realizada de forma orgânica, como contam os Mcs.</p>



<h3 class="wp-block-heading" style="text-transform:none"><strong>Nas redes de Whindersson Nunes</strong></h3>



<p>&#8220;O pessoal ainda vive muito naquela ilusão de lançar uma música e cruzar os dedos para estourar, e não é assim, tá ligado? Não é assim. Você tem que trabalhar muito, você tem que estar criando conteúdo, tem que estar alimentando as redes sociais. Vários vídeos no reels, no TikTok, no story&#8221;, diz Mago de Tarso, que já chegou a gravar mais de 90 vídeos paras redes em um único mês para divulgar sua música <em>Nordestino Mesmo</em>. O hit alcançou grandes influenciadores, como Whindersson Nunes, que compartilhou a música para seus 60 milhões de seguidores nas redes.</p>



<p>&#8220;Tem que ser inteligente, porque não adianta ser talentoso pra caramba e não ter a inteligência de fazer sua música andar. Eu comecei a desenvolver a minha carreira artística quando eu ativei o lado da inteligência e parei de focar só em estar dentro do estúdio desenvolvendo o meu talento&#8221;, conta Brenu, que também sente a falta de eventos públicos e gratuitos de rap patrocinados pelas prefeituras e Governo do Estado, como acontece com outros gêneros musicais.</p>



<p>O plano dos MCs agora é colocar seus novos projetos em execução, aumentando ainda mais seus números e fortalecendo, assim, a cena local. Brenu prepara seu álbum, “Escama Trap”, que, segundo ele, passará pelas mãos de muita gente talentosa. “O primeiro passo vai ser Escama Trap. Eu fiz pensando nesse primeiro público que tô conquistando. Quero que eles ouçam e com o passar dos anos seja um álbum lembrado por eles e consequentemente vá atrair o público de Pernambuco. Vai sair um <em>drop</em> de camisas, videoclipe. Tô a oito meses fomentando isso”, detalha o MC.</p>



<p>Já Mago de Tarso também deve apostar em um projeto próprio, ainda falando sobre o estado, em seu álbum <em>O Som do Litoral</em>, que deve abordar uma história ficcional. “O álbum tá bem massa mesmo. Vai falar de um menino que mora no litoral do Recife, mas na periferia, e uma menina que mora na orla. São vivências bem diferentes mesmo morando no mesmo lugar”, fala Mago, explicando que seu projeto deve fazer um verdadeiro passeio por locais tradicionais do Recife. A obra também deve abordar temas como preconceito com o Nordeste, contando com a participação de CT, ex-1Kilo, Diomedes Chinaski, o próprio Brenu e um coletivo de MCs angolanos, o Wild Gang.</p>



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	                                        <p class="m-0">Rap pernambucano encontra caminhos com fusão de sons. Crédito: @nvsfot
</p>
	                
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		<title>“Todos os olhos em mim”: uma história do protagonismo jovem, negro e periférico do Hip Hop de Salvador</title>
		<link>https://marcozero.org/todos-os-olhos-em-mim-uma-historia-do-protagonismo-jovem-negro-e-periferico-do-hip-hop-de-salvador/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Sep 2023 18:36:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Principal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Kalifa LXXI A série documental &#8220;Todos Os Olhos Em Mim&#8221;, produzida por Kalifa LXXI junto com apoio do Instuto FALA!, lança luz sobre a influência profunda dos circuitos de rimas improvisadas e da cultura Hip Hop na vida dos jovens negros e periféricos de Salvador, a cidade com a maior concentração negra fora da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por <a href="https://www.youtube.com/@KalifaLXXI" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Kalifa LXXI</a></strong></p>



<p>A série documental &#8220;Todos Os Olhos Em Mim&#8221;, produzida por Kalifa LXXI junto com apoio do Instuto FALA!, lança luz sobre a influência profunda dos circuitos de rimas improvisadas e da cultura Hip Hop na vida dos jovens negros e periféricos de Salvador, a cidade com a maior concentração negra fora da África.&nbsp;</p>



<p>A série revela a realidade dessa juventude, que, embora seja uma força cultural poderosa, ainda enfrenta graves desafios relacionados ao racismo e à violência estatal que gera apagamento das suas subjetividades. As ações do circuito atuam, restaurando o protagonismo e autoestima desses atores, assim como abrindo um novo leque de possibilidades, aquecendo o sonho de novos futuros possíveis na juventude que infelizmente lidera o ranking de&nbsp; maiores vítimas de genocidio do país.&nbsp;</p>



<p>Do surgimento de nomes como Baco Exú do Blues à influência direta da DJ Nai Kiese na cena da discotecagem soteropolitana a série documental visa mostrar como os circuitos de oralidades improvisadas contribuem para a ascensão de novos nomes no cenário musical, assim como desenvolve o letramento social construindo microrrevoluções na estrutura da sociedade, estimulando a reverberação da criatividade e diversidade de corpos e vozes às margens capazes de criar novas rotas de emancipação e protagonismo.&nbsp;</p>



<p>Além dos recortes raciais, as falas caminham para um olhar sobre a pluralidade dos corpos dos atores desse movimento e como ações que visam a equidade, respeito, diversidade tem remodelado o cenário da cultura Hip Hop Baiana, temas como sexualidade, identidade de gênero, profissionalização, acessibilidade, cultura de país, são tratados com frequência entre os episódios.&nbsp;</p>



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<h2 class="wp-block-heading"><strong>&#8220;O nascimento do circuito &#8211; rimas como alforria&#8221;</strong></h2>



<p>No primeiro episódio, intitulado &#8220;O Nascimento do Circuito &#8211; Rimas Como Alforria&#8221;, os espectadores são conduzidos ao universo do Circuito de Oralidade Urbana, o 3º Round, o catalisador desse movimento na Bahia. O episódio explora as origens do movimento e seu papel vital na vida dos jovens negros e periféricos em uma cidade marcada pelo racismo estrutural. Os espectadores testemunham histórias inspiradoras de superação, criatividade e transformação, onde a palavra se torna o instrumento de emancipação.&nbsp;</p>



<p><em>“O 3º Round antes de tudo é um novo movimento, um movimento contemporâneo de</em><em> j</em><em>uventude negra periférica de Salvador, e esse movimento já tem conseguido ecoar em</em><em> </em><em>outras cidades da Bahia, fora da Bahia…</em><em> </em><em>Mas também ter essa responsabilidade social</em><em> </em><em>então quando a gente fala, protagonismo negro e periferico, tá muito atrelado a onde a</em><em> p</em><em>essoa negra tá impressa ali dentro de toda essa historia, quando a gente pensa o 3º Round,</em><em> </em><em>a gente pensa também em fazer um diáspora reversa”, Cosca, fundador do 3º Round.</em></p>



<p>O fundador do 3º Round também traz as influências de movimentos negros estruturantes da cultura de Salvador, como Olodum, Ilê ayê, Muzenza, para a construção da concepação do Circuito de Rima e como o mesmo atua em um formato de diáspora reversa, captando jovens às margens da cidade e os trazendo ao centro para uma celebração coletiva da sua negritude e existência.&nbsp;</p>



<p><em>“Os elementos-chave que compõem o circuito de Rima em Salvador, não tem pra onde a</em><em> g</em><em>ente correr, estão muito atrelados à questão da negritude, ela é muito pulsante em</em><em> </em><em>Salvador”,&nbsp; Cosca, fundador do 3º Round</em><em>.</em></p>



<p>O episódio traz depoimentos de artistas como Ravi Lobo, Senpai, Elton Obcecado, Dj Nai Kiese, MC Bl4ck, falando sobre o circuito como espaço de construção de suas carreiras e o seu poder de descentralização de acesso à cultura e a produção.&nbsp;</p>



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<h2 class="wp-block-heading">Protagonismo negro e periférico</h2>



<p>No segundo episódio, a série adentra o mundo do protagonismo negro e periférico, destacando os desafios enfrentados devido ao embranquecimento do Hip Hop e à apropriação cultural. Os espectadores acompanham jovens artistas em sua luta para preservar a autenticidade e a identidade do movimento. Este episódio revela o poder transformador do protagonismo negro e periférico na resistência às adversidades.&nbsp;</p>



<p><em>“As batalhas e as rodas culturais dentro das periferias quebram muito isso, o ciclo de</em><em> </em><em>violência, porque a galera sabe que as pessoas que estão indo mesmo de outro bairro vão</em><em> p</em><em>restigiar a cultura, tá indo para ser uma voz ativa da sua comunidade e através dessa</em><em> </em><em>voz, do protagonismo que as batalhas geram, gera identificação também, trazendo a</em><em> </em><em>reflexão que sofremos as mesmas opressões, então atrás da arte, por meio de puxar esse</em><em> p</em><em>ensamento, vamos quebrando essa estrutura da violência” &#8211; Shaft MC.</em><strong><em>&nbsp;</em></strong></p>



<p>Nesse episódio, a temática da tendência ao embranquecimento da cultura HipHop e apagamento dos seus fazedores negros ganha recortes de interccionalidade, como raça, genero e classe social imbuídos nesse fenômeno. São abordados temas como indústria da música, apagamento histórico e retomada do protagonismo:&nbsp;</p>



<p><em>“O embranquecimento do Hip Hop está muito ligado à ascensão do Hip Hop no mercado</em><em> </em><em>da música, como todas as coisas que a gente vai observando que vão ganhando uma</em><em> </em><em>notoriedade monetária, elas vão sendo agregadas à burguesia, e como não temos um espaço</em><em> </em><em>de financiamento, de contemplação de pessoas pretas para continuar investindo nos seus</em><em> </em><em>sonhos, essa cultura vai se embranquecendo. Eu acho que a grande resistência ao</em><em> </em><em>embranquecimento na cultura Hip Hop está nas batalhas de rima, é o lugar que dá</em><em> </em><em>espaço para que jovens negros consigam viver a sua arte.&nbsp; Esses movimentos de</em></p>



<p><em>base, que são nossos pequenos mocambos para criar esse grande quilombo que é a</em><em> </em><em>cultura Hip Hop vão conseguindo movimentar o protagonismo desses jovens negros,</em><em> p</em><em>ara que a gente não perca a essência do Hip Hop, que é uma cultura negra de luta</em><strong><em>”</em></strong><strong><em>, </em></strong><em>Pyedra Barbosa</em><strong><em>, </em></strong><em>produtora do 3º Round</em><em>.</em></p>



<p><em>“O 3º Round &#8211; Combate o embranquecimento trazendo em todas as suas edições o</em><em> p</em><em>rotagonismo ao jovem negrp, ano passado eu participei de uma grande temporada do3º</em><em> </em><em>round e toda edição eu via que era homenageado uma pessoa preta, trazia para nós essa</em><em> p</em><em>arada de enxergar em nós mesmos essa representatividade, aquele cara ali foi foda, um</em><em> </em><em>cara preto, eu quero ser igual a ele, Evê.</em><strong><em>&nbsp;</em></strong></p>



<p><em>“Essa falta de representatividade pelo embranquecimento da nossa cultura, da nossa arte</em><em> p</em><em>reta, ela é afetada negativamente, porque a gente precisa se ver, a gente não se vê, a</em><em> g</em><em>ente não vê pessoas pretas sendo reconhecidas pela arte que elas fazem e que</em><em> </em><em>historicamente foram manifestações criadas por pessoas pretas”, DJ Nai Kiese</em></p>



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<h2 class="wp-block-heading">Legado e diversidade: pluralidade como unidade</h2>



<p>No terceiro episódio, a série explora o legado deixado pelo 3º Round, um movimento afrocultural que promove a diversidade de corpos e rostos no cenário das rimas improvisadas na Bahia. O episódio destaca como esse movimento deixou sua marca na história do Hip Hop e na cultura local. Os espectadores conhecerão os protagonistas dessa trajetória e a transformação que eles trouxeram consigo.&nbsp;</p>



<p>Neste episódio serão narradas as pequenas revoluções e marcos dentro do circuito, tendo como protagonistas as mulheres, pessoas PcD’s e comunidade LGTBQIA+, a mudança de comportamento baseada em uma construção de um manual de condutas, eliminação para rimas machistas, sexistas e discursos de ódio dentro do circuito e como essa ações causam letramento e conscientização entre a juventude negra e participantes do circuito em geral.&nbsp;</p>



<p><em>“O 3º Round cria isso, esse rolê de acolhimento, nenhum MC que passou pelo 3º Round, que</em><em> </em><em>você encontra ele desde a entrada do evento e você não aprende alguma coisa’, Larício</em><em> </em><em>Gonzaga</em><em>.</em></p>



<p><em>“A questão da diversidade do Hip Hop é uma questão tão importante a ser trabalhada por que o gueto é matriarcal, a periferia é principalmente gerida por mulheres e essa cultura, que é uma contracultura periférica, precisa espelhar o gueto de alguma forma e como essas mulheres que são a base do movimento tem seu protagonismo? Nesse momento que começamos a trabalhar política de conscientização com os homens que já estavam ali no fronte do Hip Hop, colocando algumas regras nas batalhas, não pode ser machista, sexista, homofóbico, isso vai agregando mais pessoas, vamos tendo um senso de comunidade maior”, Pyedra Barbosa.</em><strong><em> </em></strong></p>



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<h2 class="wp-block-heading">Sementes e frutos</h2>



<p>No último episódio, &#8220;Sementes e Frutos&#8221;, a série mergulha nas raízes profundas da cultura Hip Hop em Salvador e mostra como essas sementes cresceram e floresceram nas batalhas de MCs. Os espectadores descobrirão como essas batalhas se tornaram uma estratégia poderosa para a visibilidade dos artistas periféricos e como o 3º Round moldou um DNA de superação e abriu caminhos para futuras gerações. Este episódio encerra a série com uma reflexão sobre o legado deixado para as gerações futuras.&nbsp;</p>



<p>“Todos Os Olhos Em Mim&#8221; é uma série que não apenas narra a história do Hip Hop em Salvador, mas também celebra a resiliência, a criatividade e o poder de transformação dessa comunidade. Não perca a oportunidade de acompanhar essa jornada única que nos leva aos bastidores do movimento Hip Hop na capital baiana.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/todos-os-olhos-em-mim-uma-historia-do-protagonismo-jovem-negro-e-periferico-do-hip-hop-de-salvador/">“Todos os olhos em mim”: uma história do protagonismo jovem, negro e periférico do Hip Hop de Salvador</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Todos os ritmos de Pernambuco vão marcar presença no Festival Fala!</title>
		<link>https://marcozero.org/todos-os-ritmos-de-pernambuco-vao-marcar-presenca-no-festival-fala/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Sep 2023 22:22:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Fala]]></category>
		<category><![CDATA[hip hop]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo independente]]></category>
		<category><![CDATA[rap]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jeniffer Oliveira A quarta edição do Festival Fala!, que acontece entre 21 e 23 de setembro, vai conectar cultura e comunicação com nomes importantes de diferentes ritmos da cena pernambucana como rap, hip hop, afoxé, coco de roda, frevo, cultura indígena e brega funk. O jornalismo de causas, que pauta o festival, se intersecciona [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jeniffer Oliveira</strong></p>



<p>A quarta edição do <a href="https://www.sympla.com.br/evento/4-fala-festival-de-comunicacao-cultura-e-jornalismo-de-causas/2130839">Festival Fala!</a>, que acontece entre 21 e 23 de setembro, vai conectar cultura e comunicação com nomes importantes de diferentes ritmos da cena pernambucana como rap, hip hop, afoxé, coco de roda, frevo, cultura indígena e brega funk. O jornalismo de causas, que pauta o festival, se intersecciona com a cultura periférica e popular, trazendo debates importantes sobre direitos humanos, raça, gênero e pertencimento da periferia.</p>



<p>Neste ano, o homenageado será Miró da Muribeca, poeta marginal que trouxe em sua obra os retratos sociais da periferia. Nos três dias de festival, <a href="https://www.instagram.com/isaar_insta/">Isaar</a>, <a href="https://www.instagram.com/afoxeomonile/">Afoxé Omô Nilê Ogunjá</a>, <a href="https://www.instagram.com/siba.puri/">Siba Puri</a>, <a href="https://www.instagram.com/orun.santana/">Orun</a>, <a href="https://instagram.com/manifesto_cultura_popular?igshid=MzRlODBiNWFlZA==">Manifesto de Cultura Popular</a>, <a href="https://www.instagram.com/jornadademcs/">Jornada de MCs</a>, <a href="https://www.instagram.com/somnarural/">Som na Rural</a> com<a href="https://www.instagram.com/maebethdeoxum/"> Mãe Beth de Oxum</a> e<a href="https://www.instagram.com/rayssadias_oficial/"> Rayssa Dias</a>, estarão presentes com intervenções que dialogam com a essência do Fala!.</p>



<p>Com ritmos da cultura popular pernambucana, a cantora e compositora <a href="https://www.instagram.com/isaar_insta/">Isaar França</a>, vai abrir o evento com composições inéditas acompanhada do cantor <a href="https://www.instagram.com/viniciusbarros_oficial/">Vinícius Barros</a>. A intervenção vai trazer o repertório do álbum Inverno,a ser lançado ainda neste ano, que traz letras que se relacionam com o cotidiano recifense, baseadas em notícias e vivências. “O jornalismo escolhe o que é de importância social e o artista escolhe o que a gente pode reverberar ainda mais nas causas que a gente precisa analisar com mais profundidade, de uma outra forma, inclusive, mais poética”, afirma a Issar.</p>



<p>Em destaque no rap pernambucano, a cantora, compositora e poetisa <a href="https://www.instagram.com/b.i.o.n.e/">Bione</a> traz em suas letras as vivências de uma jovem preta e periférica da zona oeste do Recife. Quem estiver no segundo dia do festival, vai presenciar uma performance com poesia falada e marginal e músicas do seu primeiro álbum visual chamado <em>Ego</em>, que aborda o poder do povo preto. “Meu rap tem essa influência direta com a história de comunicar mesmo sobre poder. Hoje em dia eu tô mais voltada para a ‘vibe’ do poder para a galera da periferia, do sentir que conseguimos, que podemos”, destaca Bione.</p>



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	                                        <p class="m-0">DJ BIG. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
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<p>Com 18 anos de estrada, a <a href="https://www.instagram.com/jornadademcs/">Jornada de MC’s</a> também faz parte da programação. Comandada pelo <a href="https://www.instagram.com/djbigpe/">DJ BIG</a> e apresentada pelo MC Akuka, a Jornada vai ser apresentada em edição especial, com a Batalha de MCs entre 16 artistas. ”É significativo estar em um ambiente desse, fazendo parte dessa programação, porque são poucas as mídias que se propõe a dialogar coisas para preto, para periferia, para o povo menos favorecido. Então essas mídias ainda são muito pequenas no Brasil e elas são de extrema urgência e importância. Porque é ali que o nosso povo aparece”, reforça o educador social, produtor cultural e musical DJ BIG.</p>



<p>No último dia, a mestra coquista, comunicadora e patrimônio vivo pernambucano, <a href="https://www.instagram.com/maebethdeoxum/">Mãe Beth de Oxum</a>, vai trazer diretamente de Guadalupe, em Olinda, o <a href="https://www.instagram.com/cocodeumbigada/">Coco de Umbigada</a> junto ao <a href="https://www.instagram.com/somnarural/">Som na Rural</a>. Conhecida por suas letras que falam sobre pautas sociais, pelo resgate da ancestralidade, contra a violência de gênero, intolerância religiosa, lbgtfobia e racismo.</p>



<p>Para ela, “existe muita disputa de narrativa para protagonizar, principalmente, as periferias como algo perigoso, algo violento. A gente não vê as periferias como algo criativo, inovador, cultural, isso porque existe um editorial que pauta a grande mídia desse jeito. Então um festival desse é muito relevante, muito importante nessa perspectiva de trazer outras vozes, outras opiniões, democratizar a comunicação mesmo”. Além da intervenção artística, Mãe Beth também vai participar da mesa “Comunicação e ancestralidade: memória e linguagem para a transformação”.</p>



<p>“Esse jornalismo tem pontos em comum com o rap, com o brega, com coco de roda, que é o que está na nossa programação. A nossa programação musical traz cantores, artistas, fazedores da cultura que são pessoas que também estão construindo e fortalecendo pautas dos direitos humanos”, reforça Lenne Ferreira, jornalista, curadora e produtora do Fala! deste ano. A escolha de cada mesa e artista foi pensada para trazer o debate disruptivo, com novos olhares e linguagens do fazer jornalístico, de comunicar.</p>



<p>Lenne enxerga que “quando a gente coloca o Manifesto de Cultura Popular, que é um coletivo de São Lourenço da Mata, por exemplo, que traz todo um resgate das danças e manifestações que tem influência indigena e africana, eles tão fazendo comunicação, eles estão usando a arte e a dança para comunicar, pra educar a população, para dizer: isso aqui existe, isso aqui é importante, isso aqui tem história, que representa a gente. Podem não estar fazendo com um texto de jornalismo, mas estão fazendo com o corpo, porque corpo também é uma forma de comunicar”.</p>



<p><strong>Quem são as atrações:</strong></p>



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	                                        <p class="m-0">Isaar França. Crédito: Arquivo pessoal</p>
	                
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<p><strong>Isaar França &#8211; </strong>Integrou a banda Comadre Fulozinha, com quem gravou dois discos, fez parceria com António Carlos Nóbrega, com Naná Vasconcelos. também participou das aulas espetáculos de Ariano Suassuna e de peças de José Celso Martinez. Em 2006, lançou o álbum <em>Azul Claro</em>, muito bem recebido pela crítica. Em 2010 ganhou o prêmio Pixinguinha. Logo depois vieram os discos &#8220;Copo de Espuma&#8221; e &#8220;Todo Calor&#8221;. Em 2016, cantou no show de encerramento das Olimpíadas do Rio de Janeiro. Em 2022, faz sua primeira turnê em continente africano visitando África do Sul e Moçambique. Isaar está na produção do seu próximo álbum que será lançado ainda em 2023.</p>



<p><strong>Bione &#8211; </strong>Aos 21 anos, os versos da cantora, compositora e poetisa Bione, sintetizam a percepção do olhar de uma menina atenta ao mundo em que vive. Racismo, violência urbana, machismo, misoginia e amor são assuntos constantes em suas linhas que ela tece do quarto onde na Zona Oeste da capital pernambucana.Em 2019, lançou seu primeiro livro, <em>Furtiva</em>. Em 2022, Bione lançou o seu primeiro álbum profissional, EGO, que conta com participações especiais de nomes como Rayssa Dias e Mãe Beth de Oxum.</p>



<p><strong>DJ BIG &#8211; </strong>E educador social, produtor cultural e musical e curador de eventos. Um dos seus projetos mais inspiradores é o &#8220;Festival Jornada De MCs&#8221;, que há 18 anos tem dado voz e oportunidades a talentosos artistas das comunidades, impulsionando especialmente a cultura hip hop. Ele também colaborou na política cultural do Compaz Eduardo Campos e atualmente é um dos representantes do estado em uma iniciativa nacional em parceria com o Governo Federal para promover o hip hop. Com sua visão e expertise, ele tem inspirado gerações e deixado um impacto social nas periferias de Pernambuco.</p>



<p><strong>Mãe Beth de Oxum &#8211;</strong> Mãe Beth de Oxum é Iyalorixá do Ilê Axé Oxum Karê, mestra coquista e comunicadora pernambucana, com mais de 30 anos de atuação em Olinda. Há 25 anos, fundou a sambada de Coco no bairro do Guadalupe junto com seus filhos e seu companheiro, o músico Quinho Caetés. Sempre atuando na luta contra o racismo, contra o preconceito religioso de matriz africana e pela democratização da comunicação. Em 2015, Mãe Beth recebeu a comenda da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura. Em 2017, realizou uma turnê internacional, <em>Tá na hora do pau comer</em>, que passou por Berlim, Viena, Frankfurt, Berna e Zurique. Em 2021 foi a primeira ialorixá reconhecida como Patrimônio Vivo de Pernambuco. No ano seguinte, recebeu o Título de Notório Saber em Cultura Popular pela UPE.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mãe Beth de Oxum. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
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<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong><br><br><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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		<title>Se o amor não morre o poeta também não pode morrer</title>
		<link>https://marcozero.org/se-o-amor-nao-morre-o-poeta-tambem-nao-pode-morrer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Jan 2022 16:23:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[hip hop]]></category>
		<category><![CDATA[Japa]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Eu acho que é sobre isso, transformar o luto em luta”. As palavras de Adelaide Santos poderiam se referir a diversos casos de violência e racismo que aconteceram em Pernambuco nos últimos anos, mas, dessa vez, foram usadas para falar sobre a morte de um amigo e companheiro de arte. Poetisa e integrante do coletivo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Eu acho que é sobre isso, transformar o luto em luta”. As palavras de Adelaide Santos poderiam se referir a diversos casos de violência e racismo que aconteceram em Pernambuco nos últimos anos, mas, dessa vez, foram usadas para falar sobre a morte de um amigo e companheiro de arte.</p>



<p>Poetisa e integrante do coletivo Boca no Trombone, Adelaide acompanhou de perto a trajetória artística de Japa Rua, nome artístico de Andreyvson Richard da Silva, jovem negro assassinado no final da noite do dia 6 de janeiro, na rua Mamede Simões, área central do Recife.</p>



<p>Com apenas 25 anos de idade, Japa participava ativamente das manifestações culturais da cidade e se tornou uma figura conhecida do movimento hip hop através de suas rimas e poesias. Além de participar das batalhas de rima e dos encontros culturais, o jovem poeta recitava nos transportes públicos a fim de conseguir uma renda.</p>



<p>A partida precoce de Japa deixará uma lacuna não apenas para o movimento hip hop, mas também para toda a cultura do Recife, que perdeu um poeta ávido e “cheio de luz”, como relatam os amigos e artistas que conviveram com ele. “As pessoas precisam ver a dimensão da cultura, do hip hop e da poesia de Pernambuco e saber o quanto Japa estava presente nesses movimentos”, afirmou Tuca Duarte, integrante do coletivo de arte Point Bomb.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Atravessando a cidade com sua arte</strong></h2>



<p>Morador de Jaboatão dos Guararapes, Japa fazia questão de se deslocar até o Recife, sejano Centro ou nas áreas periféricas da cidade, para participar das ações sociais e culturais e, assim, tornou- se conhecido por muitos.</p>



<p>Sua participação no recital Boca no Trombone, que acontece no bairro de Águas Frias, na Zona Norte do Recife, teve início em 2018 e, em pouco tempo, o artista ganhou destaque entre os poetas graças às suas palavras de evocação ao amor. Em um contexto de violência das periferias da cidade, Japa resolveu confrontar a dor daquela realidade e pregar a paz.</p>



<p>“No Boca no Trombone a gente tem muita poesia de protesto, porque a gente ‘tá’ na favela e muitas vezes falamos sobre a violência, e Japa trouxe uma calmaria que fez uma grande diferença para o movimento, porque ele veio mostrar que a gente podia falar de amor, todas as poesias dele falavam muito sobre o afeto, sobre ser mais paciente. Ele sempre foi muito pacífico”, afirmou Adelaide Santos.</p>



<p>“Japa sempre teve papos muito interessantes sobre tudo. Era um menino muito tranquilo, alegre e através da poesia ele pregava muito a questão do amor, do afeto e da paz”, reforçou Tuca Duarte.</p>



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	                                        <p class="m-0">Arte em homenagem a Japa / Crédito: Adelson Boris</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Basta ler ou ouvir uma das poesias de Japa para compreender os depoimentos de suas amigas. Confira o trecho de uma delas:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Pensei que não brilhava, até que olhei pro céu.</em></p><p><em>Estava me decompondo, mas hoje estou vivo.</em></p><p><em>O mundo era cinza, até me deram tintas e um pincel</em></p><p><em>Andando certo com errado.. Sim</em></p><p><em>Mas porque aceito que não consigo ser perfeito</em></p><p><em>.Antes eu queria ter sorte</em></p><p><em>E hoje eu sou meu próprio amuleto</em></p><p><em>Paz.</em></p></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Comoção e revolta</strong></h2>



<p>Graças a sua vida e sua trajetória artística, a maneira como Japa foi assassinado chocou a todos. O artista foi esfaqueado após uma discussão que ocorreu em uma bar da rua Mamede Simões, conhecida por ser um ponto de encontro de jovens do Recife. Na ocasião, Japa estava acompanhado de seu amigo, e também artista de rua, Teteu Batatinha.</p>



<p>Teteu, que está extremamente abalado com o que aconteceu, afirma que fará de tudo para manter viva a memória do amigo e seguirá lutando por justiça.</p>



<p>Nas redes sociais, amigos e integrantes dos coletivos sociais que Japa fazia parte se revoltaram com a falta de comoção que o caso teve e muitos afirmaram que se o ocorrido envolvesse uma pessoa branca a repercussão seria diferente.</p>



<p>“O caso só gerou comoção a partir da nossa incessante tentativa de trazer visibilidade ao fato, porque a gente começou a publicar nas redes sociais, já que ninguém tinha comentado sobre o ocorrido. As publicações que a gente viu no Twitter sobre o que aconteceu eram de pessoas falando que elas não podiam mais beber em paz nem curtir o rolê. Então, a gente vê como não somos bem-vindos ali [na Mamede], os nossos corpos geram um descontentamento, um estranhamento e não gera nenhuma comoção”, afirmou Tuca Duarte.</p>



<p>Não demorou para que os amigos de Japa se unissem em um movimento de cobrança por justiça e também em busca de acalanto diante da dor causada por seu assassinato. “Depois da morte de Japa eu tenho notado uma forte união em busca da justiça social, vários movimentos se uniram por ele, pessoal do grafite, da música, do hip hop em geral, a gente conseguiu se unir através do luto e só uma pessoa muito querida como ele pode fazer isso”, disse Adelaide Santos.</p>



<p>Um ato em homenagem a Japa e para cobrar justiça pelo seu assassinato estava marcado para acontecer na rua Mamede Simões, porém, os organizadores preferiram mudar o local da manifestação.</p>



<p>“Pessoas negras do movimento hip hop não se sentem seguras e acolhidas nesse espaço [Mamede], porque a gente vê a diferenciação quando está lá, a gente sente que a rua não foi feita para nós, pessoas negras, dos movimentos sociais, pobres, então a gente não pode fazer a homenagem a Japa em um lugar onde ele não era representado e nem a gente”, afirmou Tuca.</p>



<p>Ao invés do ato na Mamede, integrantes dos coletivos de arte e amigos de Japa optaram por realizar um sarau em memória do artista. O encontro aconteceria nesta sexta-feira, às 17h, na rua Bulhões Marquês, na Boa Vista, &#8211; conhecida como “beco do poeta”, e contaria com recital de poesias, distribuição de livros e a elaboração de uma pintura no muro de um dos bares frequentados por Japa, mas foi adiado devido as chuvas intensas. A nova data de realização do sarau será divulgada em breve. </p>



<p>“Ele era um poeta e nada melhor do que homenagear ele no lugar em que ele se sentia confortável e onde ele era amado e acolhido por todos”, ressaltou Tuca Duarte.</p>



<p>Até o momento, ninguém foi preso pelo assassinato de Japa. Em nota enviada à Marco Zero, a Polícia Civil de Pernambuco afirmou que registrou a ocorrência do homicídio, mas não deu nenhum detalhe das investigações, apenas declarou que “o autor teria desferido golpes de faca na vítima e fugido em seguida. As investigações foram iniciadas e seguem até elucidação do crime. Caso segue em investigação pela 1a DPH/DHPP”.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project</a>.</strong></em></p>
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