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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Chuvas trazem de volta a leptospirose, endemia que se junta à pandemia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2020 14:43:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A chegada das chuvas de inverno é também a época de recorrência de casos da leptospirose, doença endêmica que tem como principais fatores de risco para a contaminação pela bactéria leptospira a condição precária de saneamento básico e as enchentes. Locais com pouca infraestrutura, como é o caso da maioria dos bairros periféricos, alagam com [&#8230;]</p>
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<p>A chegada das chuvas de inverno é também a época de recorrência de casos da leptospirose, doença endêmica que tem como principais fatores de risco para a contaminação pela bactéria leptospira a condição precária de saneamento básico e as enchentes. Locais com pouca infraestrutura, como é o caso da maioria dos bairros periféricos, alagam com facilidade em tempos de chuva.</p>



<p>Em 2019, foram notificadas 32 mortes por leptospirose em Pernambuco, num total de 1.107 casos notificados, dos quais 245 foram confirmados e 155 continuam sob investigação. Este ano,  já são 136 casos notificados e três óbitos. </p>



<p>Num contexto em que o sistema de saúde já opera acima de sua capacidade por causa da pandemia de covid-19, a possibilidade de chegada dos casos de leptospirose deverão sobre carregar ainda mais as equipes das enfermarias e Unidades de Tratamento Intensivo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sintomas parecidos</h2>



<p>Para complicar, os sintomas iniciais da doença podem ser confundidos com os da dengue e da própria covid-19.</p>



<p>No estado, o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) é referência no atendimento aos casos de leptospirose. De acordo com o infectologista, Filipe Prohaska, que atua no hospital, os pacientes que adquirem a doença chegam ao hospital por meio da Central de Regulação de Leitos. Mas, nesse momento estão sendo direcionados para os hospitais Otávio de Freitas, Barão de Lucena e Getúlio Vargas, pois a situação ainda é de sobrecarga por conta da pandemia.</p>



<p>“O que ocasiona a leptospirose não é somente chuva, é diferente da dengue que tem uma ligação direta. Para você ter leptospirose, geralmente tem a ver com a combinação de chuva e maré ou água acumulada como acontece quando os esgotos transbordam. Os sintomas são de febre e dor no corpo são muito confundidos com dengue, até porque os exames também são parecidos. O que chama atenção é a dor na batata da perna, mas o que faz a pessoa procurar o serviço de saúde é quando começa a ter falta de ar e tossir.”</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A leptospirose é uma infecção aguda causada por uma bactéria do gênero Leptospira, que pode ser transmitida ao ser humano por meio do contato direto da pele com a urina de animais contaminados e da exposição à água contaminada. </p><p>Os principais transmissores da doença no Brasil são os ratos, muito presentes em meios urbanos. A bactéria chega até a corrente sanguínea através do contato com a pele e a mucosa.</p><p>A recomendação é que, ao suspeitar da doença, deve-se procurar o serviço de saúde e relatar o contato de exposição ao risco. A automedicação não é recomendada.</p><p><strong>Tempo de incubação após a exposição de risco:</strong> varia de 1 a 30 dias </p><p><strong>Sintomas na fase precoce da doença:</strong> febre, dor de cabeça, dor muscular (principalmente nas panturrilhas), falta de apetite, náuseas e voomitos.</p><p><strong>Manifestação da doença na fase tardia:</strong><br> Síndrome de Weil &#8211; tríade de icterícia, insuficiência renal e hemorragias<br> Síndrome de hemorragia pulmonar &#8211; lesão pulmonar aguda e sangramento maciço<br> Comprometimento pulmonar &#8211; tosse seca, dispneia, expectoração hemoptoica<br> Síndrome da angustia respiratória aguda – SARA<br> Manifestações hemorrágicas – pulmonar, pele, mucosas, órgãos e sistema nervoso central</p><p>Sempre que houver contato com água suja ou lama, a indicação é lavar bem a área do corpo com água limpa e sabão. </p><p>O hipoclorito de sódio a 2,5% (água sanitária) mata as leptospiras e deve ser usado para desinfetar reservatórios de água (um litro de água sanitária para cada 1.000 litros de água do reservatório), locais e objetos que entraram em contato com água ou lama contaminada (um copo de água sanitária em um balde de 20 litros de água).</p><p>Fonte: Ministério da Saúde e SES-PE</p></blockquote>



<p>Felipe recomenda que, em caso de exposição à água acumulada, a pessoa deve lavar o mais rápido possível a área do corpo que passou por contato arriscado. Questionado sobre a qual seria a política pública mais eficaz para combater a leptospirose, ele afirma que seria o acesso a saneamento básico de qualidade como prevenção. </p>



<p>“Essa é uma doença de quem não tem saneamento básico, a gente tem leptospirose endêmica em Pernambuco por causa disso. Nós conseguimos ter uma porcentagem de saneamento menor do que a do Rio de Janeiro, que é um estado com uma grande quantidade de favelas. Você tem uma cidade (Recife) que é abaixo do nível do mar, somada a um rio que de certa forma já alaga independente de chuva forte”, acrescenta.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>CASOS DE LEPTOSPIROSE EM PERNAMBUCO</p><p><strong>2019</strong><br>Notificados: 1.107                                                                                      (confirmados: 245)<br>Sob investigação: 155<br>Mortes: 32<br><br><br><strong>2020</strong><br>Notificados: 136                                                                                        (confirmados: 16)<br>Sob investigação: 51<br>Mortes: 3</p></blockquote>



<p>A reportagem da Marco Zero procurou a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES) para saber quais medidas o Governo do Estado está tomando em relação ao período de ocorrência da leptospirose no contexto da pandemia. Em nota, a pasta não citou estratégias específicas e chamou atenção para uma diminuição de casos em comparação ao ano 2019, mesmo o Hospital Universitário Oswaldo Cruz afirmando que os casos estão sendo remanejados para outras unidades.</p>



<p><em>“(…) Até o dia 06.06, foram notificados 136 casos suspeitos da enfermidade no Estado, sendo 16 confirmados, 69 descartados e os demais em investigação. No mesmo período de 2019, foram notificados 443 casos, uma diminuição de 69%. A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) reforça que mantém o monitoramento constante da situação do Estado e prestar apoio técnico aos municípios. (…)”</em></p>



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<h3 class="wp-block-heading">A nova lei do saneamento básico</h3>



<p>A infectologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco (Fiocruz-PE), Tereza Lyra, ressaltou a importância da população ter acesso às informações sobre as recentes mudanças no atendimento à leptospirose no estado, principalmente por ser uma doença endêmica. Para ela, as questões que cercam a leptospirose estão ligadas diretamente com o projeto de lei 4.162/2019, o novo Marco Legal do Saneamento Básico,  aprovado no Senado Federal na última quarta-feira (24) e que  facilitaria a privatização de empresas estatais de saneamento.</p>



<p>“Tem tudo a ver. A questão das arboviroses, por que estão aumentando na periferia? Porque as pessoas não tem água todo dia e tem que acumular. Quando elas acumulam ficam mais vulneráveis ao Aedes Egypit e também à leptospirose. O que essa lei vai significar para essa população que já sofre com tudo isso nessa precariedade? Sem ser lucrativo, será que vão querer resolver?”, explica.</p>



<p>Com a PL 4.162/2019, o Brasil caminha no sentido oposto a vários lugares como é o caso das capitais Berlim, Budapeste, Buenos Aires, La Paz e Paris, que depois de terem privatizado seus sistemas de água e saneamento básico acabaram por reestatizar.</p>



<p>Segundo o próprio Ministério da Saúde brasileiro, algumas profissões estão mais expostas à leptospirose como é o caso de trabalhadores em limpeza e desentupimento de esgotos, garis, catadores de lixo, agricultores, veterinários, tratadores de animais, pescadores, militares e bombeiros.</p>



<p></p>
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