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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Governo Federal faz propaganda usando política criada por Temer em campus da UFPE construído por Lula</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Oct 2021 20:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Caruaru]]></category>
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		<category><![CDATA[fake news]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É uma vinheta de apenas 15 segundos. &#8220;Não te contaram, mas o Governo Federal faz muito para melhorar a vida do nosso Nordeste&#8221;, começa a propaganda que faz parte de uma série de vinhetas para marcar os 1000 dias de Bolsonaro como presidente. O comercial segue mostrando imagens do Centro Acadêmico do Agreste (CAA) da [&#8230;]</p>
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<p>É uma vinheta de apenas 15 segundos. &#8220;Não te contaram, mas o Governo Federal faz muito para melhorar a vida do nosso Nordeste&#8221;, começa a propaganda que faz parte de uma série de vinhetas para marcar os 1000 dias de Bolsonaro como presidente. O comercial segue mostrando imagens do Centro Acadêmico do Agreste (CAA) da Universidade Federal de Pernambuco, em Caruaru. E aparece um professor de libras, identificado apenas como Cleyton, que faz elogios a um programa chamado Nordeste Conectado, no qual, diz a legenda do comercial, foram investidos R$ 55 milhões. &#8220;A vinda dessa internet para cá foi maravilhosa! (…) uma internet de qualidade traz uma verdadeira inclusão de qualidade&#8221;.<br><br>A propaganda de Bolsonaro causou espanto em alunos e funcionários do CAA: tudo que aparece nela é irreal.<br><br>O campus da UFPE em Caruaru foi inaugurado em 2006, dentro do programa de interiorização do ensino superior do Governo Lula. Já o programa Nordeste Conectado é cria do governo Temer e tinha como premissa levar internet de fibra ótica para universidades e escolas tendo como suporte as linhas de transmissão da Chesf. A operação do programa ficaria a cargo da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). O programa foi apresentado em junho de 2017, pelo então ministro da Educação, Mendonça Filho, no Porto Digital.<br><br>No relatório de gestão da RNP ainda do ano 2018 consta o campus Caruaru da UFPE como uma das instituições atendidas com o dobro de banda de internet, mas não cita o uso de fibra ótica. Em nota, a UFPE afirmou à Marco Zero que o &#8220;CAA não é beneficiário do programa Nordeste Conectado&#8221;. <br><br>A Marco Zero falou com diversos alunos e professores sobre a qualidade da internet no campus. A resposta foi unânime: não é uma boa internet. Um caso marcante aconteceu na semana passada, quando a propaganda do Nordeste Conectado já circulava nos perfis oficiais e nos sites do Governo Federal.<br><br>Para a abertura da Olimpíadas de Matemática dos Institutos Federais, o grupo de estudos Ayá Sankofa havia preparado um teatro de mamulengos, com transmissão ao vivo. Tentaram inicialmente a rede geral do campus, a <em>eduroam</em>, que não pegou. Em seguida, usaram a internet do laboratório de matemática. &#8220;Travou por várias vezes e não foi possível terminar a apresentação como queríamos. A sorte foi que o vídeo ficou salvo&#8221;, conta um aluno da graduação de matemática que participou do projeto. </p>



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	                                        <p class="m-0">O campus de Caruaru foi inaugurado no Governo Lula e não tem programa criado por Temer. Crédito: Reprodução UFPE</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Militante bolsonarista e dublê de professor</h2>



<p>A Marco Zero apurou que o homem que aparece na propaganda apenas como &#8220;Cleyton&#8221; é Cleyton Bueno Silva Costa, que concluiu a graduação em matemática, no mesmo centro em que ocorreu o caso relatado acima. Hoje, ele faz pós-graduação também em Caruaru. Em nota, a UFPE confirmou que Cleyton não é docente do campus Caruaru e &#8220;que o conteúdo das filmagens, embora realizadas nas dependências do Centro, não possuem vinculação com a instituição.&#8221;<br><br>Na época da graduação, Cleyton foi monitor da disciplina de libras. Apesar do vídeo governamental identificá-lo apenas como &#8220;professor de libras- Caruaru/PE&#8221; induz a acreditar que ele é professor do CAA, já que aparece no vídeo ministrando aula em uma das salas do campus.<br><br>Na última visita do presidente Bolsonaro a Pernambuco, na semana passada, Cleyton Bueno atuou como um dos intérpretes de libras da comitiva em Sertânia. Nas redes sociais, postou fotos ao lado do ministro do Turismo Gilson Machado (PSC), do influencer bolsonarista Maicon Sullivan, dos deputado federais pastor Eurico (Patriota) e André Ferreira (PSC) e dos deputados estaduais Alberto Feitosa (PSC) e Cleiton Collins (PP).<br><br>Também nas redes sociais, Cleyton se mostra um bolsonarista convicto. Apoiou o presidente nas eleições de 2018, defendeu o voto impresso e, ao se vacinar contra a covid-19, postou que &#8220;só há um &#8216;viva SUS&#8217; se vier junto de um Ministério da Saúde e Jair Messias Bolsonaro, que foram os responsáveis por essa vacina chegar até nós!&#8221;. Na foto, segurava uma plaquinha onde se lia que &#8220;genocida é quem desvia dinheiro da saúde, não quem envia&#8221;, com as hashtags #bolsonaro2022 e #votoauditaveljá.<br><br>Ou seja, nada na vinheta de 15 segundos &#8211; que conta com uma versão estendida de 30 segundos no site do Governo Federal &#8211; tem raiz na realidade. O CAA não faz parte do Nordeste Conectado, a internet no campus não é boa, a pessoa que aparece no vídeo não é professor da instituição.<br><br>Na manhã desta segunda-feira (01), dois professores de libras do CAA emitiram uma nota de repúdio conjunta. &#8220;O vídeo do  Governo Federal recentemente divulgado acerca de uma internet de qualidade e com ensino para surdos não reflete a realidade do nosso Campus do Agreste-UFPE. Desta forma, os professores de Libras do CAA e também coordenadores do Laboratório de Libras do Agreste informam que não receberam nenhum apoio desse programa do governo veiculado no vídeo, como também a internet é de péssima qualidade. Deste modo, repudiamos o discurso do vídeo e afirmamos que a opinião do estudante não reflete a opinião dos profissionais de Língua de Sinais do campus&#8221;, diz a nota assinada pelos professores Laerte Pereira e Thiago Albuquerque.</p>



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		<title>Flávio Bolsonaro mentiu: Búzios não zerou covid nem adotou &#8220;tratamento precoce&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/flavio-bolsonaro-mentiu-buzios-nao-zerou-covid-nem-adotou-tratamento-precoce/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Mar 2021 13:41:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Búzios]]></category>
		<category><![CDATA[cloroquina]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conteúdo verificado: Publicação no Instagram de Flávio Bolsonaro reproduz imagens de duas notícias sobre os casos de coronavírus em Búzios, no Rio de Janeiro, após o carnaval. Na legenda do post, o senador parabeniza o prefeito da cidade pela adoção do tratamento precoce contra a covid-19. É falso que a cidade de Búzios, no litoral [&#8230;]</p>
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<p><strong>Conteúdo verificado</strong>: <strong>Publicação no Instagram de Flávio Bolsonaro reproduz imagens de duas notícias sobre os casos de coronavírus em Búzios, no Rio de Janeiro, após o carnaval. Na legenda do post, o senador parabeniza o prefeito da cidade pela adoção do tratamento precoce contra a covid-19.</strong></p>



<p>É falso que a cidade de Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, zerou as internações de pacientes de covid-19 após o Carnaval devido à adoção de um tratamento precoce contra a doença, conforme compartilhou o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) em seu perfil no Instagram. A prefeitura de Búzios não adotou a medida, que, além disso, tem tido seu uso desestimulado em estudos recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS).</p>



<p>No post de 22 de fevereiro, o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) destaca uma montagem com imagens de duas manchetes de grandes veículos da imprensa e cita a redução de internações na cidade. Em seu post, ele comemora a queda, atribuindo-a ao um suposto “tratamento precoce” implementado pela prefeitura.“Salvando vidas e desmascarando a ‘torcida da morte’! Parabéns ao Prefeito de Búzios pelo tratamento precoce contra #covid_19 que implementou em sua cidade!”, diz sua legenda.</p>



<p>A primeira notícia é de 16 de fevereiro, com o título “<a href="https://oglobo.globo.com/rio/defensoria-publica-de-saude-estima-que-buzios-tera-aumento-exponencial-de-casos-de-covid-19-apos-carnaval-24884979">Defensoria Pública de Saúde estima que Búzios terá aumento exponencial de casos de Covid-19 após o carnaval</a>”. A segunda é do dia 18, com o título “<a href="https://g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/noticia/2021/02/18/buzios-zera-numero-de-pacientes-internados-com-covid-19-e-nao-tem-casos-confirmados-nas-ultimas-24-horas.ghtml">Búzios zera número de pacientes internados com Covid-19 e não tem casos confirmados nas últimas 24 horas</a>”.</p>



<p>O senador erra ao afirmar que o prefeito da cidade, Alexandre Martins (Republicanos-RJ), adotou um protocolo de tratamento precoce, seja à base de medicações como cloroquina, ivermectina ou azitromicina – todos sem eficácia comprovada cientificamente, mas usados em diversas fake news, algumas <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/texto-engana-ao-dizer-que-cloroquina-cura-987-dos-pacientes-com-covid-19/">desmentidas pelo Comprova</a>.</p>



<p>A informação foi negada pelo próprio prefeito durante <a href="https://web.facebook.com/RC24h/videos/244708637342479">entrevista</a> concedida em 25 de fevereiro para o <a href="https://rc24h.com.br/">Portal RC24h</a>. Questionado sobre a publicação, Alexandre Martins explicou que o uso da cloroquina ou outros medicamentos do chamado “tratamento precoce” não faz parte da estratégia adotada em Búzios para o tratamento da covid-19. Os médicos, conforme indica a legislação, têm autonomia para usar, mas esta não foi uma estratégia adotada na cidade.</p>



<p>A matéria do G1, compartilhada no post de Flávio Bolsonaro, leva em consideração uma <a href="https://buzios.rj.gov.br/covid-19-zero-pacientes-internados-em-buzios-e-atuacao-do-municipio-no-enfrentamento-a-pandemia/">nota em que a prefeitura de Búzios</a> afirma não ter registrado novos casos de infecção ou internação pela covid-19 durante 24 horas, entre os dias 16 e 17 de fevereiro. No mesmo dia da publicação, entretanto, o número de infecções voltou a subir. Segundo dados do <a href="https://buzios.aexecutivo.com.br/boletim.php">boletim epidemiológico</a>, entre o sábado de carnaval (12 de fevereiro) e o fechamento desta verificação, Búzios registrou 124 novos casos de covid-19.</p>



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<h2 class="wp-block-heading">Como verificamos?</h2>



<p>Consultamos os dados dos <a href="https://buzios.aexecutivo.com.br/boletim.php">boletins de evolução epidemiológica</a>, no portal da transparência da Prefeitura de Búzios.</p>



<p>Pesquisamos estudos internacionais publicados sobre o tempo médio de incubação do vírus, para entender seu contágio, e sobre a eficácia de tratamentos precoces contra a covid-19. Para falar disso, também conversamos com o infectologista Evaldo Stanislau, do Hospital das Clínicas, em São Paulo.</p>



<p>Entramos em contato, em 23 de fevereiro, com a assessoria de imprensa da prefeitura de Búzios, por e-mail e pelo telefone, para questionar as medidas sanitárias ainda em vigor na cidade e saber por vias oficiais se a prefeitura adquiriu medicamentos para o tratamento precoce contra a covid-19, bem como o total desembolsado pelo órgão. O Comprova não obteve retorno. Em seguida, buscamos algumas repercussões na mídia sobre a postagem de Flávio Bolsonaro, e encontramos as declarações do prefeito.</p>



<p>Procuramos ainda pela assessoria de imprensa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que fez a publicação, mas não houve retorno até o fechamento da verificação.</p>



<p><em>O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 3 de março de 2021</em>.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Verificação</h3>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Tratamento precoce</strong></li></ul>



<p>Segundo o prefeito Alexandre Martins (Republicanos-RJ, mesmo partido de Flávio Bolsonaro), o uso da cloroquina ou outros medicamentos do chamado “tratamento precoce” não faz parte da estratégia adotada em Búzios para o tratamento da covid-19. Em <a href="https://web.facebook.com/RC24h/videos/244708637342479">entrevista</a> concedida em 25 de fevereiro para o <a href="https://rc24h.com.br/">Portal RC24h</a>, o prefeito explicou que o atendimento adotado pela cidade se refere a um diagnóstico rápido da doença, viabilizado através da maior disponibilidade de Unidades Básicas de Saúde (UBS), leitos hospitalares e profissionais de saúde, o que permite um atendimento mais ágil da população.</p>



<p>“Quando a gente fala em atendimento precoce, não é a medicação que se toma, mas o momento que se procura a Saúde para buscar um diagnóstico. Com atendimento precoce a gente trata mais rápido, já que é uma doença que evolui muito rápido. Isso, no nosso entendimento, é a peça chave fundamental”, esclarece.</p>



<p>Questionado pela entrevistadora se a Secretaria de Saúde da cidade, comandada pelo médico Marcelo Amaral, está orientando que o médicos receitem medicações como a cloroquina, azitromicina, ivermectina e sulfato de zinco como tratamento no início dos sintomas da covid-19, o prefeito explicou que não há uma linha de atuação definida e repassada aos profissionais. Ele também esclarece que os médicos têm total liberdade para receitar remédios para seus pacientes.</p>



<p>“Não tem um protocolo de atendimento. Óbvio que a gente sabe que hoje, o que mais se tem indicado, até por uma pesquisa que nós fizemos, é a azitromicina, ivermectina, vitamina C com zinco, é o que geralmente o que os médicos mais indicam. A cloroquina, eu particularmente não tenho visto nenhum médico indicar aqui em Búzios, e eu tenho conversado com muitos médicos.”</p>



<p>Em outra <a href="https://rc24h.com.br/noticia/ver/44595/boca-miuda--os-bastidores-da-politica-na-regiao-dos-lagos-nesta-quarta-feira--24-">reportagem</a>, publicada no dia anterior pelo Portal RC24h, o prefeito foi mais direto sobre seu posicionamento quanto ao uso da cloroquina.</p>



<p>“Estamos seguindo orientação do Conselho Federal de Medicina, cada médico receita os medicamentos de acordo com cada paciente. A cloroquina está descartada, ninguém mais usa essa porcaria”, afirmou ao jornal.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Evolução da covid-19 em Búzios</strong></li></ul>



<p>O Comprova analisou os dados sobre a covid-19 em Búzios, disponíveis no <a href="https://buzios.aexecutivo.com.br/boletim.php">portal da transparência</a> da prefeitura. Em 18 de fevereiro, a Prefeitura de Búzios divulgou em seus canais oficiais que <a href="https://buzios.rj.gov.br/covid-19-zero-pacientes-internados-em-buzios-e-atuacao-do-municipio-no-enfrentamento-a-pandemia/">não havia contabilizado novos casos de covid-19 ou internação</a> naquele dia, informação que foi replicada pelo senador Flávio Bolsonaro dias depois.</p>



<p>Os dados se referiam ao boletim do dia 17, que não registrou novos testes positivos nas 24 horas anteriores. Na ocasião, a cidade contabilizava um total de 3.132 casos desde o início da pandemia, 32 mortes, 114 pessoas em isolamento domiciliar e nenhum paciente internado. Já no dia 18, foram registradas 2 novas internações por covid-19. Na data da postagem de Flávio Bolsonaro, 22 de fevereiro, Búzios contabilizava 3.159 casos, com um paciente internado e 92 em isolamento domiciliar.</p>



<p>No <a href="https://buzios.aexecutivo.com.br/boletim.php">último boletim</a> divulgado antes da publicação desta verificação, do dia 02 de março, o município registrava 74 pacientes em isolamento domiciliar e duas internações, além de um total de 3.238 casos e 32 óbitos desde o início da pandemia. Desde o carnaval (12/02), a cidade registrou 124 novos casos do novo coronavírus.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Cedo para ter impacto</strong></li></ul>



<p>O argumento base da publicação é que nos dias seguintes ao carnaval, findado no dia 16, os números da cidade fluminense não teriam crescido. No entanto, o tempo médio de incubação do vírus é de cerca de duas semanas e estima-se que os primeiros sintomas surjam, em média, <a href="https://drauziovarella.uol.com.br/coronavirus/quanto-tempo-demora-para-aparecerem-os-sintomas-do-novo-coronavirus/">dentro de cinco dias</a>, de acordo com a universidade norte-americana Johns Hopkins, que acompanha a evolução global da pandemia. Ou seja, não é possível medir o impacto do contágio em apenas um ou dois dias, como leva a crer a postagem publicada por Flávio Bolsonaro, que se refere ao dia 18 de fevereiro.</p>



<p>“É muito cedo para dizer. O período de incubação vai até duas semanas, em média de cinco a sete dias para aparecerem os sintomas. Pelo contrário: no [período do] Natal, após as festas de final de ano, [a praia de] Pipa [RN] teve diagnóstico de duas variantes simultâneas, provavelmente de pessoas que estiveram juntas naquela região vindo de locais diferentes. Qualquer tipo de aglomeração que possa ter ocorrido no carnaval, ela vai mostrar até duas semanas depois”, afirma o infectologista Evaldo Stanislau, do Hospital das Clínicas, em São Paulo.</p>



<p>Segundo ele, este contágio gera ainda um “efeito cascata”. “A pessoa se infectou no carnaval. Os sintomas dela aparecem em até duas semanas, mas ela pode ter transmitido para outra pessoa no período de incubação. Esta, para outras e assim sucessivamente. Então, começa a ver de uma a duas semanas depois, mas o alcance disso, sem nenhuma medida restritiva, vai muito além”, explica.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Não existe tratamento precoce</strong></li></ul>



<p>Além de encorajar aglomerações, a publicação busca ainda creditar o suposto sucesso do combate à pandemia na cidade ao “tratamento precoce” sob o argumento de que a cloroquina, hidroxicloroquina e outros medicamentos teriam prevenido o contágio.</p>



<p>Não há provas disso. Na verdade, atualmente, o consenso internacional é de que o tratamento com cloroquina <a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/bbc/2021/01/27/kit-covid-e-kit-ilusao-os-dados-que-apontam-riscos-e-falta-de-eficacia-de-tratamento-precoce.htm">não tem eficácia</a> em nenhum estágio do combate à covid-19, seja no uso precoce, no surgimento de sintomas, ou no estágio grave da doença.</p>



<p>Pelo contrário. Nesta semana, a OMS <a href="https://www.sciencedaily.com/releases/2021/03/210301211630.htm">publicou um relatório</a> em que não só diz não recomendar o tratamento precoce com cloroquina como “aconselha fortemente contra” seu uso para tratar precocemente a covid-19. Segundo a organização, a droga “não é mais uma prioridade de pesquisa” e pesquisadores “deveriam focar em outras drogas”.</p>



<p>“A droga anti-inflamatória hidroxicloroquina não deve ser usada para prevenir infecção em pessoas que não estão com covid-19”, diz o texto. A recomendação é baseada em um estudo feito com 6 mil pacientes e o resultado, mais uma vez, é que a droga não oferecia eficácia alguma para prevenir a doença.</p>



<p>Em outubro do ano passado, um <a href="https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/global-research-on-novel-coronavirus-2019-ncov/solidarity-clinical-trial-for-covid-19-treatments">estudo global da OMS</a>, com 11 mil pessoas, já havia concluído que hidroxicloroquina e o antiviral remdesivir são “decepcionantes” no combate à covid e <a href="https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.10.15.20209817v1">não têm eficácia comprovada</a>.</p>



<p>“É mais uma fake news, um desserviço”, afirma Stanislau. “Evidentemente que não existe tratamento precoce nenhum. Isso é uma bobagem que só no Brasil ainda persiste.”</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Por que investigamos?</strong></li></ul>



<p>Em sua <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/projeto-comprova-inicia-terceira-fase-com-28-veiculos-de-comunicacao/">terceira fase</a>, o Comprova verifica conteúdos duvidosos sobre covid-19 e políticas públicas do Governo Federal que tenham grande potencial de viralização. A postagem do senador Flávio Bolsonaro obteve mais de 20,5 mil curtidas e endossa um tratamento sem comprovação científica.</p>



<p>O Comprova já desmentiu diversas publicações que também estimulam a desinformação sobre a doença ao promover tratamentos sem eficácia, como o texto que afirma que <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/texto-engana-ao-dizer-que-cloroquina-cura-987-dos-pacientes-com-covid-19/">cloroquina cura 98,7% dos pacientes</a> com covid-19 e que o “tratamento precoce” com a droga <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/tratamento-precoce-com-hidroxicloroquina-nao-evitou-mortes-em-porto-feliz/">evitou mortes em Porto Feliz</a>, no interior paulista.</p>



<p><a href="https://projetocomprova.com.br/about/">Falso</a>, para o Comprova, é o conteúdo que tenha sofrido edições com intuito de mudar o seu significado original.</p>



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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/flavio-bolsonaro-mentiu-buzios-nao-zerou-covid-nem-adotou-tratamento-precoce/">Flávio Bolsonaro mentiu: Búzios não zerou covid nem adotou &#8220;tratamento precoce&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<item>
		<title>É mentira que vacina tenha infectado voluntários com HIV na Austrália</title>
		<link>https://marcozero.org/e-mentira-que-vacina-tenha-infectado-voluntarios-com-hiv-na-australia/</link>
					<comments>https://marcozero.org/e-mentira-que-vacina-tenha-infectado-voluntarios-com-hiv-na-australia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Dec 2020 17:07:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[mentira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conteúdo verificado: em vídeo no Youtube, homem cita testes feitos na Austrália e afirma que pessoas que tomaram a vacina testaram positivo para HIV. É falso que os voluntários que passaram por testes de uma vacina contra o coronavírus na Austrália tenham contraído HIV, como afirma um homem em um vídeo compartilhado no domingo (20) [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/e-mentira-que-vacina-tenha-infectado-voluntarios-com-hiv-na-australia/">É mentira que vacina tenha infectado voluntários com HIV na Austrália</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p><strong>Conteúdo verificado</strong>: <strong>em vídeo no Youtube, homem cita testes feitos na Austrália e afirma que pessoas que tomaram a vacina testaram positivo para HIV.</strong></p>



<p>É falso que os voluntários que passaram por testes de uma vacina contra o coronavírus na Austrália tenham contraído HIV, como afirma um homem em um vídeo compartilhado no domingo (20) em um canal no YouTube. Alguns dos voluntários que participaram da fase 1 de testes da vacina produzida em parceria entre a empresa de biotecnologia CSL e a Universidade de Queensland registraram falso-positivos para HIV, mas isso não significa que eles foram infectados com a doença.</p>



<p>Segundo os desenvolvedores, a presença de anticorpos para HIV já era esperada e os voluntários estavam cientes disso, uma vez que uma proteína presente no vírus causador da Aids foi utilizada na produção da vacina contra o coronavírus. Em alguns voluntários, a quantidade de anticorpos foi maior do que a esperada, o que interferiu nos exames. Nenhum dos voluntários, no entanto, foi contaminado com o HIV.</p>



<p>Também não é verdade que o resultado tenha acometido todas as pessoas que tomaram a vacina no país, como afirma o homem. Após falso-positivos em alguns dos 216 voluntários que receberam a vacina australiana, os testes foram suspensos a fim de evitar que uma eventual aplicação em massa gerasse problemas de ansiedade por conta do temor por uma contaminação por HIV.</p>



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<h2 class="wp-block-heading">Como verificamos?</h2>



<p>Primeiro, buscamos as reportagens citadas pelo homem no vídeo que, supostamente, dariam suporte às afirmações de que os voluntários que receberam a vacina australiana testaram positivo para HIV. Foram encontradas publicações do CanalTech, revista Exame e, ainda, da CNN (versões em português e em inglês), mas nenhuma delas afirmava que os pacientes tiveram resultados positivos para HIV, e sim falso-positivos.</p>



<p>Em seguida, acessamos entrevistas de especialistas em canais de TV australianos que explicassem como se deram os resultados falso-positivos em alguns dos voluntários. Também acessamos a nota oficial divulgada no dia 11 de dezembro pelos desenvolvedores da vacina australiana — a empresa de biotecnologia CSL e a Universidade de Queensland — sobre os resultados obtidos.</p>



<p>Procuramos por registros das declarações feitas pelo virologista francês Luc Montagnier, citado no vídeo, sobre a origem do coronavírus e a repercussão que sua teoria teve na comunidade científica. Por fim, buscamos informações sobre o autor da gravação e o canal em que ele foi postado no Youtube. Contatamos a empresa Hidrogênio Global e o autor do vídeo, mas até o fechamento desta verificação eles não retornaram.</p>



<p><em>O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 22 de dezembro de 2020.</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">Verificação</h3>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Falso-positivos</strong></li></ul>



<p>Alguns dos 216 pacientes que participaram da fase 1 de testes para a vacina desenvolvida numa parceria entre a empresa de biotecnologia CSL e a Universidade de Queensland, na Austrália, apresentaram resultados falso-positivos para HIV. Os <a href="https://www.csl.com/news/2020/20201211-update-on-the-university-of-queensland-covid-19-vaccine">resultados foram comunicados no dia 11 de dezembro</a> pelos desenvolvedores do imunizante, que afirmaram que “não há possibilidade de a vacina causar infecção e os testes de acompanhamento de rotina confirmaram que não há presença do vírus HIV”.</p>



<p>Apesar disso, os testes com o imunizante foram, de fato, suspensos diante do <a href="https://exame.com/ciencia/vacina-australiana-para-covid-19-gerou-resultados-falso-positivos-para-hiv/">temor de que uma eventual aplicação da vacina causasse problemas de ansiedade e receio de contaminação pelo HIV.</a> O primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, informou que 51 milhões de doses seriam compradas do consórcio, mas que agora elas serão divididas entre a AstraZeneca e Novavax, que também desenvolvem vacinas contra o SARS-CoV-2.</p>



<p>O homem que aparece no vídeo verificado mostra imagens de reportagens sobre os falso-positivos para HIV na Austrália -— na tela aparecem textos publicados pelo <a href="https://canaltech.com.br/saude/australia-cancela-vacina-local-apos-testes-darem-falso-positivo-para-hiv-176187/">CanalTech</a> e pela revista <a href="https://exame.com/ciencia/vacina-australiana-para-covid-19-gerou-resultados-falso-positivos-para-hiv/">Exame</a> — e usa o argumento de que, pelo fato de o assunto ter sido noticiado pela grande mídia, mais gente irá acreditar nele. No entanto, nenhuma das matérias utilizadas por ele como fonte fala em casos positivos para HIV — como ele afirma —, e sim em falso-positivos. As publicações também não falam que os resultados acometeram todas as pessoas que tomaram a vacina em teste, diferente do que diz o título do vídeo postado.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Proteína do vírus HIV</strong></li></ul>



<p>Na nota divulgada no dia 11 de dezembro, os desenvolvedores do imunizante australiano explicam os falso-positivos para HIV: “Os dados da fase 1 também mostraram a geração de anticorpos direcionados a fragmentos de uma proteína (gp41), componente utilizado para estabilizar a vacina. Os participantes do ensaio foram totalmente informados da possibilidade de uma resposta imunológica parcial a este componente, mas foi inesperado que os níveis induzidos interferissem com alguns testes de HIV”.</p>



<p>Ou seja, os cientistas já esperam que a proteína, presente no vírus HIV e utilizada no desenvolvimento do imunizante, fizesse com que o sistema imunológico criasse anticorpos para combater o vírus, mesmo ele não existindo. O que eles não esperavam eram níveis tão elevados de anticorpos que gerassem interferência em exames de HIV.</p>



<p>A professora <a href="https://www.westmeadinstitute.org.au/people/researcher-profiles-search/professor-sarah-palmer/biography">Sarah Palmer</a>, especialista em estudos do HIV/Aids do Instituto Westmead de Pesquisas Médicas, explicou para afiliada australiana da rede de<a href="https://www.youtube.com/watch?v=UR8H-TvyGvQ&amp;feature=youtu.be"> TV SkyNews</a> que o problema foi causado porque os cientistas da Universidade de Queensland usaram um segmento do vírus HIV como molécula “clamp”, ou seja, para estabilizar a proteína do coronavírus na vacina experimental e torná-la um alvo “atraente” para o sistema imunológico do ser humano.</p>



<p>A tecnologia é considerada inovadora pela professora Palmer, mas não deu certo: o sistema imunológico dos voluntários realmente gerou uma boa resposta ao coronavírus, que provoca a covid-19, mas também ao próprio HIV, fazendo com que os testes de HIV nos voluntários desse positivo para Aids.</p>



<p>“Infelizmente, como esse grampo molecular foi feito de uma proteína do HIV, não só o corpo respondeu desenvolvendo anticorpos para a proteína spike do coronavírus, o que é muito positivo, mas também desenvolveu anticorpos para a proteína do HIV. Isso fez com que as pessoas tivessem testes de HIV positivos, embora não estivessem infectadas com o HIV”, explicou a cientista.</p>



<p>Os testes, então, foram suspensos. Para os desenvolvedores, se ela fosse amplamente aplicada na população, <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2020/12/11/vacina-australiana-contra-covid-interrompe-testes-apos-falsos-positivos-para-hiv">poderia causar um problema na saúde pública do país pelo alto índice de resultados falso-positivos para HIV</a>.</p>



<p>A Austrália descartou o uso desse imunizante, que já estava na fase 3 dos testes. A Universidade de Queensland deverá reiniciar a pesquisa e a vacina poderá vir a ser usada “no futuro”. O próprio Instituto Westmead está desenvolvendo uma vacina para a covid-19 a ser usada especificamente em idosos.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Coronavac, China e a origem do vírus</strong></li></ul>



<p>O homem que aparece no vídeo afirma que não apenas a vacina “que vem da China” pode infectar as pessoas com o HIV, mas todas as outras. Para isso, usa o argumento do virologista francês Luc Montagnier, vencedor do Nobel de Medicina em 2008 por ter descoberto o vírus HIV na década de 1980, de que o coronavírus teria sido fabricado em laboratório durante uma possível tentativa de descoberta de vacina contra a Aids. No entanto, as melhores evidências científicas disponíveis até o momento indicam que o SARS-CoV-2 tem origem natural.</p>



<p>As afirmações do homem no vídeo verificado não têm sustentação. Em primeiro lugar, porque o caso relatado por ele diz respeito a uma vacina em testes na Austrália, que nada tem a ver com a China. A Coronavac, uma das vacinas desenvolvidas na China e feita em parceria, no Brasil, com o Instituto Butantan, não foi a vacina que provocou os resultados falso-positivos de HIV para os testes de alguns dos voluntários australianos. A vacina chinesa sequer foi testada na Austrália.</p>



<p>Luc Montagnier realmente disse em abril que a responsabilidade pela ‘criação’ do vírus é de um laboratório em Wuhan, na China. Mas os comentários do cientista francês foram fortemente criticados e refutados pela comunidade científica.</p>



<p>Montagnier disse ter analisado a sequência de RNA do novo coronavírus junto com o colega matemático Jean-Claude Perrez e, com base nisso, afirmou que não há motivos para acreditar que o coronavírus tenha vindo de um mercado de peixes. Para ele, <a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2020/04/17/nobel-de-medicina-frances-causa-polemica-ao-dizer-que-coronavirus-saiu-de-laboratorio-chines.htm">essa versão é “história da carochinha”</a>, já que, segundo ele, o vírus tem <a href="https://www.theweek.in/news/world/2020/04/19/coronavirus-man-made-in-wuhan-lab-says-nobel-laureate.html">mutações que só podem ser feitas artificialmente</a>. Montagnier também afirmou que o vírus foi fabricado acidentalmente em um laboratório de Wuhan, na China, alegando que o laboratório é especialista em coronavírus, trabalha com ele desde os anos 2000, e que, na <a href="https://istoe.com.br/Novo-coronavIrus-foi-fabricado-em-laboratorio-chines-diz-descobridor-do-HIV">tentativa de desenvolver uma vacina contra a Aids</a>, os chineses acabaram criando o vírus. As declarações foram feitas para a Rádio Frequénce Medicale e para o site “Pourquoi doctor?”, ambos franceses.</p>



<p>Ainda em abril, a <a href="https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2020/04/27/lupa-ciencia-coronavirus-laboratorio/">Agência Lupa</a> e o <a href="https://politica.estadao.com.br/blogs/estadao-verifica/novo-coronavirus-tem-origem-natural-ao-contrario-do-que-afirma-virologista-chinesa/">Estadão</a> mostraram que estudos científicos refutavam as declarações do virologista francês. Um dos estudos, publicado na revista científica Nature Medicine, apontou que a estrutura central do SARS-CoV-2 é muito semelhante a um tipo de vírus que infecta morcegos — 96% de similaridade com o vírus dos morcegos e de 85,5% a 92,4% com um que afeta pangolins, animais que são vendidos ilegalmente na China por conta de sua carne.</p>



<p>Se um vírus para afetar humanos fosse produzido em laboratório, ele deveria ser feito com a estrutura central mais próxima de um que já afetasse humanos, e não morcegos. <a href="https://www.nature.com/articles/s41591-020-0820-9">Este estudo</a>, dos pesquisadores Kristian G. Andersen, Andrew Rambaut, W. Ian Lipkin, Edward C. Holmes e Robert F. Garry, foi publicado em 17 de março deste ano, um mês antes de as declarações de Luc Montagnier ganharem o mundo. Como mostrou o Comprova em abril, a pesquisa concluiu que <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/nobel-de-medicina-tasuku-honjo-nao-disse-que-o-coronavirus-e-artificial/">o novo coronavírus não é uma construção artificial</a> ou que tenha sido manipulado por humanos.</p>



<p>No final de março, <a href="https://www.nature.com/articles/s41586-020-2169-0">outro artigo publicado na mesma revista</a>, desta vez de autoria dos pesquisadores Tommy Tsan-Yuk Lam, Na Jia e Wu-Chun Cao, seguiu na mesma linha do anterior e tratou os pangolins como possíveis hospedeiros intermediários do vírus que chegou aos humanos.</p>



<p>No final de abril, <a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2020/04/21/oms-desmente-informacao-de-que-novo-coronavirus-foi-criado-em-laboratorio.htm">a Organização Mundial de Saúde (OMS) descartou a possibilidade</a> de que o vírus tenha sido criado em um laboratório. Em seu site oficial, a OMS mantém uma <a href="https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/question-and-answers-hub/q-a-detail/sars-cov-2-evolution">página sobre mutações e acompanhamento da evolução</a> do vírus.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O canal</strong></li></ul>



<p>O canal Hidrogênio Global foi fundado em 2013, tem 168 mil inscritos e 9,1 milhões de visualizações até 22 de dezembro, segundo o YouTube. O autor, Julio Fuertes, exibe vídeos voltados à venda de produtos como um gerador de hidrogênio para produção de água hidrogenada, com alegação de benefícios para a saúde, e de kit para uso de hidrogênio como combustível veicular. No entanto, nos últimos sete meses o canal passou a publicar majoritariamente vídeos de apoio ao presidente Jair Bolsonaro e alinhados com a direita. Há publicações com comentários sobre assuntos da pauta política do país, críticas ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a ministros do STF e outros. Há também críticas a medidas de isolamento social e às vacinas como estratégias para conter a pandemia de covid-19.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Por que investigamos?</h4>



<p>Em sua <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/projeto-comprova-inicia-terceira-fase-com-28-veiculos-de-comunicacao/">terceira fase</a>, o Comprova investiga conteúdos duvidosos relacionados às políticas públicas do governo federal e à pandemia do novo coronavírus. Informações falsas sobre as vacinas em desenvolvimento contra a covid-19 podem interferir na confiança das pessoas para serem submetidas aos imunizantes quando eles estiverem disponíveis no país, o que por consequência pode atrapalhar a estratégia de usar as vacinas para conter a disseminação do SARS-CoV-2 e reduzir os efeitos da pandemia. O vídeo verificado teve 55,8 mil visualizações e 12 mil curtidas nos três primeiros dias.</p>



<p>O <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/post-distorce-informacoes-para-insinuar-que-china-nao-usara-a-propria-vacina/">Comprova</a> já verificou outros conteúdos falsos sobre vacinas contra covid-19 em fase de desenvolvimento, como a verificação que apontou que <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/nao-ha-comprovacao-de-que-vacina-da-pfizer-tenha-causado-paralisia-de-bell-em-voluntarios/">não há comprovação de que a vacina da Pfizer tenha causado paralisia de Bell em voluntários</a> e a que as <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/vacinas-para-covid-19-nao-sao-capazes-de-provocar-danos-geneticos/">vacinas para covid-19 não são capazes de provocar danos genéticos</a>.</p>



<p><a href="https://projetocomprova.com.br/about/">Falso</a>, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.</p>



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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/e-mentira-que-vacina-tenha-infectado-voluntarios-com-hiv-na-australia/">É mentira que vacina tenha infectado voluntários com HIV na Austrália</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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