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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Imprensa, medo e a coragem de dizer em tempos difíceis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 15:21:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jane Santos* “O medo não cria princípios. Ele os destrói.” (Edward R. Murrow, em Boa Noite e Boa Sorte) Lançado em 2005 e dirigido por George Clooney, Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck) é ambientado nos anos do macartismo e acompanha a história real do confronto entre o jornalista Edward [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jane Santos*</strong></p>



<p>“O medo não cria princípios. Ele os destrói.” (Edward R. Murrow, em<em> Boa Noite e Boa Sorte</em>)</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Good Night and Good Luck Trailer" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/1Qg9ZahBu8c?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Lançado em 2005 e dirigido por George Clooney, <em>Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck)</em> é ambientado nos anos do macartismo e acompanha a história real do confronto entre o jornalista Edward R. Murrow e um tempo histórico em que a suspeita passou a valer mais do que os fatos, o devido processo legal foi relegado a um lugar secundário e não havia espaço para o contraditório. Em jogo não estava apenas a carreira de um profissional e de sua equipe, mas o próprio papel da imprensa quando o medo se organiza como método.</p>



<p>Murrow não foi um jornalista qualquer. Foi um dos nomes fundadores da prática jornalística moderna e uma referência de integridade profissional em um dos períodos mais sombrios da história política dos Estados Unidos. O escritor David Halberstam o definiu como “um dos raros casos de homem do tamanho do mito” &#8211; alguém cuja estatura ética resistiu ao tempo e às pressões do poder. Em uma era em que o jornalismo eletrônico ainda engatinhava, Murrow ajudou a consolidar a ideia de que informar não é amplificar o medo, mas enfrentá-lo com fatos, contexto e responsabilidade pública.</p>



<p>Quando a imprensa abdica desse papel, não é apenas a informação que se fragiliza — é a própria democracia que perde seus mecanismos de defesa. <em>Boa Noite e Boa Sorte</em> mostra que regimes autoritários não se impõem apenas pela força, mas pela erosão gradual dos espaços de contraditório, pelo medo disseminado e pela naturalização do silêncio.</p>



<p>A narrativa do filme é contida, quase austera. Não há heróis de linguagem rebuscada nem vilões caricatos. Há redações, microfones, decisões difíceis — e silêncios. O roteiro expõe como a intimidação pode se infiltrar nas rotinas, como o autocontrole pode deslizar para a autocensura e como o silêncio, muitas vezes apresentado como prudência, já configura renúncia.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0"> &#8220;Informar não é amplificar o medo, mas enfrentá-lo com fatos, contexto e responsabilidade pública&#8221;.</p>
</div>


<p>Esse rigor ético encontra eco na linguagem cinematográfica. O super elenco— com David Strathairn, Patricia Clarkson, Jeff Daniels, Robert Downey Jr. e o próprio George Clooney — sustenta interpretações precisas, sem excessos. O uso do preto e branco reforça a dimensão temporal e moral do relato, aproximando o espectador do clima documental da época e dialogando com a tradição do cinema noir.</p>



<p>A fotografia e a montagem são primorosas, criando uma sensação quase claustrofóbica de repetição, vigilância e tensão permanente. Um gesto especialmente potente é o uso de imagens reais do senador Joseph McCarthy, que “atua” como ele mesmo: o arquivo histórico dispensa caricaturas.</p>



<p>E a vinculação do filme com os tempos atuais? Vivemos hoje um momento marcante para a humanidade, atravessado por desafios impressionantes que frequentemente são encobertos por uma sensação enganosa de normalidade &#8211; como se tudo estivesse sob controle, em um clima artificial de “estabilidade”.</p>



<p>Nesse contexto, a comunicação ocupa um lugar decisivo. A parcialidade disfarçada de equilíbrio, a omissão apresentada como cautela e a desinformação amplificada por interesses editoriais e mecanismos de visibilidade não são desvios técnicos: são escolhas que moldam o espaço público e redefinem o que pode &#8211; ou não &#8211; ser dito.</p>



<p>Não se trata apenas de mentiras explícitas. Muitas vezes, a manipulação opera pelo enquadramento: títulos que destacam meias verdades, a escolha deliberada do pior ângulo de uma situação, a hierarquização seletiva de informações para produzir desgaste, medo ou descrédito. Textos que parecem neutros, mas carregam vieses sutis; coberturas que silenciam contextos essenciais enquanto amplificam suspeitas. Em paralelo, redes sociais fervilham e apostam também fortemente na desinformação. O resultado não é informação. É ruído orientado.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:44% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="600" height="800" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/boa-noite-poster.webp" alt="" class="wp-image-74722 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/boa-noite-poster.webp 600w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/boa-noite-poster-225x300.webp 225w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/boa-noite-poster-150x200.webp 150w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Quem já trabalhou e atuou em instituições sob pressão reconhece esse movimento. O silêncio raramente é neutro. Ele preserva posições, evita conflitos, garante sobrevivências &#8211; mas também autoriza excessos. <em>Boa Noite e Boa Sorte</em> lembra que a comunicação pública não é apenas um direito; é uma responsabilidade histórica. Quando dela se abdica, não se perde apenas relevância — perdem-se sentidos e memórias, como bem destaca Murrow em discurso, quando homenageado.</p>
</div></div>



<p>Falo disso não como abstração. Ao longo da minha trajetória profissional — e como cidadã — aprendi que o medo raramente se apresenta de forma explícita. Ele se instala em camadas: na sugestão de cautela excessiva, no convite à espera, no argumento de que “não é o momento”. Reconhecer esse método — e decidir não se omitir — nunca foi simples. Os bons e as boas jornalistas sabem disso. Mas é exatamente aí que ética e responsabilidade precisam deixar de ser conceitos e se tornar prática.</p>



<p>Há um fio claro que liga este filme com o que apresentei anteriormente. Se em <em>O Vento Será Tua Herança</em> discutíamos o direito de pensar, aqui o deslocamento é decisivo: trata-se do dever de dizer.</p>



<p>Pensar em silêncio não basta quando o medo se organiza, quando o ruído substitui o debate e quando novas formas de controle já não precisam de censura explícita — contam com a naturalização do silêncio e com a dispersão programada da atenção, como refletem pensadores contemporâneos que estudam a comunicação, a política e a sociedade da informação, a exemplo de Noam Chomsky e Christian Dunker.</p>



<p>Nessa perspectiva, o filme termina lembrando que a coragem, muitas vezes, não está no gesto heroico, mas na decisão cotidiana de não se furtar ao papel que se ocupa. Em tempos difíceis, esse papel não diminui. Ele se torna ainda mais inadiável.</p>



<p>Não falo como especialista em comunicação, mas como alguém que consome informação cotidianamente e busca, sempre, identificar a desinformação e suas nuances.</p>



<p>Se for assistir o filme, considere partir de dois questionamentos: O que acontece com a democracia quando a imprensa confunde prudência com omissão — e silêncio com responsabilidade? e Que silêncios este filme nos ajuda a reconhecer — e quais conversas ele ainda nos convoca a ter?</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Onde assistir?</strong></li>
</ul>



<p><em>Boa Noite, e Boa Sorte</em> não está atualmente disponível de forma regular nas plataformas de streaming por assinatura no Brasil. O filme pode ser encontrado em edições físicas (DVD e Blu-ray), à venda em livrarias especializadas e lojas on-line. Em alguns países, o título aparece de forma intermitente em catálogos internacionais de plataformas digitais, para aluguel ou compra, com disponibilidade variável conforme a região. Trata-se, hoje, de um filme que circula sobretudo por aquisição direta &#8211; o que também diz algo sobre a necessidade de preservar obras fundamentais para a memória crítica do nosso tempo.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Médica sanitarista e psiquiatra, atuou como gestora pública e integrou o staff do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), onde se aposentou como especialista em políticas públicas do escritório regional para os estados de Alagoas, Paraíba e Pernambuco.</p>
    </div>



<p></p>
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		<title>Estudantes de Publicidade criam campanha de enfrentamento da violência contra a mulher</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Apr 2025 19:43:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Centro das mulheres do cabo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudantes de Publicidade e Propaganda de uma faculdade particular criaram uma campanha para enfrentar a violência contra a mulher em Pernambuco. O que deveria ser apenas um trabalho acadêmico para uso interno no curso ficou tão impactante que o Centro de Mulheres do Cabo (CMC), organização que atua há 41 anos na defesa dos direitos [&#8230;]</p>
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<p>Estudantes de Publicidade e Propaganda de uma faculdade particular criaram uma campanha para enfrentar a violência contra a mulher em Pernambuco. O que deveria ser apenas um trabalho acadêmico para uso interno no curso ficou tão impactante que o Centro de Mulheres do Cabo (CMC), organização que atua há 41 anos na defesa dos direitos das meninas e mulheres em Pernambuco, decidiu adotá-lo e utilizar o conjunto de peças publicitárias.</p>



<p>A Campanha foi desenvolvida por estudantes do 3⁰ Período do Curso de Publicidade e Propaganda da Unibra. Um dos produtores foi o estudante universitário Naftali Emídio, que revelou a razão da escolha do tema abordado. “Acreditamos que nossa campanha ‘Rompa o silêncio! Você não está sozinha!’, é mais que um apelo, é um chamado para romper o silêncio e dizer que elas não estão sozinhas, pois cada segundo pode fazer a diferença”, explicou o estudante.</p>



<p>Os estudantes usaram como ponto de partida para construir a campanha a informação de que, a cada 17 horas, uma mulher morreu em razão do gênero em 2024, nos nove estados do Nordeste, segundo a Rede de Observatórios da Segurança.</p>



<p>O objetivo do CMC ao lançar a campanha é contribuir para mudar a realidade de Pernambuco, o estado que mais matou mulheres no ano passado, foram 77 mulheres que tiveram suas vidas ceifadas pelo feminicídio, sendo notificados 341 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) em todo o estado pela Secretaria de Defesa Social (SDS/PE). Este ano, 29 mulheres já foram vítimas do feminicídio nesses primeiros três meses.<br><br>Para isso, foram produzidos conteúdos nas linguagens online e <em>offline</em> que são <em>spots</em> de rádio, fotos, cards, marcadores de páginas e um comercial publicitário que irá circular nas tvs comerciais e públicas da Região Metropolitana do Recife (RMR).<br><br>Quem quiser conhecer mais sobre a iniciativa, basta acessar as redes sociais da ong <a href="https://www.instagram.com/centro.das.mulheres?igsh=MWtrNXRvajdiYTdzbw==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@centro.das.mulheres</a> ou o site <a href="https://www.mulheresdocabo.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">www.mulheresdocabo.org.br</a><br><br><br></p>
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		<title>“Toda e qualquer pessoa pode e deve participar da construção da comunicação antirracista”, defende a escritora Midiã Noelle</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Apr 2025 20:30:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e democracia]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Construção de sentido é comunicação”. Tendo a certeza dessa máxima, e a fim de fortalecer os estudos sobre a comunicação como um direito humano fundamental, a comunicadora e pesquisadora Midiã Noelle lançou o seu livro de estreia Comunicação Antirracista: um guia para se comunicar com todas as pessoas, em todos os lugares, publicado pela Editora [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Construção de sentido é comunicação”. Tendo a certeza dessa máxima, e a fim de fortalecer os estudos sobre a comunicação como um direito humano fundamental, a comunicadora e pesquisadora Midiã Noelle lançou o seu livro de estreia <em>Comunicação Antirracista: um guia para se comunicar com todas as pessoas, em todos os lugares</em>, publicado pela <a href="https://www.planetadelivros.com.br/livro-comunicacao-antirracista/413150" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Editora Planeta</a>.</p>



<p>Na obra, a jornalista baiana convida os leitores a refletir sobre o poder da comunicação na construção, desconstrução e reconstrução de um imaginário social que durante séculos desumanizou os corpos negros colocando-os em um lugar de vulnerabilidade constante. Com base em sua experiência pessoal e profissional, Midiã Noelle traz um olhar sensível sobre os processos comunicacionais e defende a importância da comunicação antirracista no cotidiano da população e em todos os âmbitos, não apenas no jornalismo, na publicidade ou redes sociais.</p>



<p>A comunicadora é fundadora do<a href="https://www.instagram.com/commbne/"> Instituto Commbne</a>, organização que fomenta a comunicação e a justiça racial com atuação em diversas áreas e especializada em temas como negritude, direitos humanos e justiça de gênero. Midiã também foi uma das responsáveis pela redação e implementação do Plano Nacional de Comunicação pela Igualdade Racial na Administração Pública Federal, contratada pela Unesco.</p>



<p>Em conversa com a Marco Zero, Midiã Noelle defendeu as estratégias antirracistas para promover uma sociedade mais justa e inclusiva. </p>



<p>Marco Zero<strong> &#8211; Tendo a comunicação antirracista como mote principal, o seu livro propõe uma comunicação para todas as pessoas e não apenas para pessoas negras. Como você enxerga o papel de todos os agentes da sociedade ao indicar estratégias para promover essa comunicação antirracista?</strong></p>



<p><strong>Midiã Noelle</strong> &#8211; Quando eu construí esse livro foi na lógica de que toda e qualquer pessoa tem que ter no seu ato de comunicar a obrigação do enfrentamento ao racismo. Independente dessa pessoa ser negra ou não negra, toda e qualquer pessoa deve falar contra o racismo. E é a comunicação, a construção da linguagem, a construção do sentido, a percepção mesmo da construção da comunicação no dia a dia que possibilita às pessoas o enfrentamento às iniquidades ou o reforço delas.<br><br>Então, a gente reconhece que toda e qualquer pessoa pode e deve participar da construção da comunicação antirracista. É isso que a própria Djamila Ribeiro reforça com o conceito de “lugar de fala”, um conceito que muitas vezes é utilizado de forma equivocada por pessoas que querem se isentar na participação de um debate sobre determinado tema, quando na verdade todo mundo tem, sim, seu lugar de fala nos debates. </p>



<p>O meu livro, que possui como título <em>Comunicação Antirracista, um guia para todas as pessoas em todos os lugares</em>, tem um recorte específico para que uma pessoa que é adolescente, estudante de ensino médio, em qualquer idade, consiga entender o que está escrito, justamente por ser um livro construído de uma forma dialogada. A obra vai sendo construída de uma forma cadenciada, que vem do legado familiar, passando por uma perspectiva histórica, política, e também do dia a dia, da nossa atuação enquanto ser humano, entendendo a comunicação como direito humano fundamental. Então, se a comunicação é direito humano fundamental, a gente tem que usar esse direito para promover outros direitos também, para enfrentar violências e desigualdades.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">Se a comunicação é direito humano fundamental, a gente tem que usar esse direito para promover outros direitos também, para enfrentar violências e desigualdades.</p>
</div>


<p><strong>O livro traz um olhar cuidadoso do cotidiano da população negra e acredito que isso vem muito do seu lugar de comunicadora negra que passou por experiências diversas ao longo da vida pessoal e profissional. Como isso é explorado no livro?</strong></p>



<p>O livro tem um recorte racial muito focado na perspectiva da população afro-brasileira, mas que traz também uma lógica da diáspora negra, da afro-diáspora, entendendo as consequências do processo de escravização de pessoas negras e trazendo esse olhar para outros países também. Eu sei que as realidades do Brasil se assemelham muito com o que acontece nos Estados Unidos, por exemplo, dentro dessa lógica de países de diáspora. Então, são situações que também impactam a vida de pessoas em todo o mundo.</p>



<p>Por isso, qualquer pessoa que ler esse livro vai conseguir também entender a importância de significar a humanidade no olhar da população global mesmo. A importância da gente reconstruir esse olhar, reconsiderando a população negra de fato humana, já que a gente, há pouco tempo atrás, quase 140 anos apenas, éramos tidos como objetos, coisas, e o imaginário construído ao longo de quase 400 anos do processo de escravização no mundo foi muito violento, e nos tirou do lugar do que é ser humano mesmo, das pessoas nos enxergarem como o sujeito de direito. Por isso, nós precisamos resgatar essa humanidade porque somos pessoas com nome, sobrenome, história, memória e sentido. Então, é um livro que eu quero que toque as pessoas, sabe?</p>



<p>É um livro que eu escrevo de uma forma para que todo mundo se identifique. Por isso que eu começo falando do meu pai e da minha família no livro, porque eu sou uma mulher hoje candomblecista, mas que eu venho de uma origem evangélica e eu quero que as pessoas se conectem e entendam que é possível praticar, ter práticas antirracistas no âmbito da comunicação em tudo que é feito. Meu pai tinha isso comigo sem saber. Minha família tinha isso comigo sem saber, porque nós éramos uma família negra do bairro da Liberdade, em Salvador, que é um dos territórios mais pretos que existem no mundo, com quase a toda sua totalidade composta por pessoas negras. </p>



<p>Salvador é o lugar mais preto, de fato, fora do continente africano. Então, eu coloco o Brasil nesse lugar, no contexto da afrodiáspora. E meus pais estavam me educando ali, naquele contexto. Quando eu via meu pai editar o filme, quando eu via meu pai tirar foto, quando eu via meus tios também serem fotógrafos, quando eu via meu tio que trabalhava com tecnologia também, tudo aquilo é construção de sentido, e construção de sentido é comunicação.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">Comunicação é estratégia, na verdade. Ela não é ferramenta, ela é estratégia e ela é o que, de fato, transforma o tempo. </p>
</div>


<p>As pessoas precisam tirar a comunicação desse lugar ferramental, de card, de texto, do noticioso, e entender que a comunicação é estratégia, na verdade. Ela não é ferramenta, ela é estratégia e ela é o que, de fato, transforma o tempo. Comunicação é o próprio tempo. Então, é a partir da comunicação que a gente consegue impactar as pessoas. Algumas pessoas dizem que esse livro é uma arma de enfrentamento ao racismo. Eu odeio isso, porque eu não gosto de armas, mas se for para ser armamentista, para defender direitos, eu, como uma boa filha de Ogum, estou pronta para a batalha.</p>



<p><strong>Por que é importante pensarmos a comunicação antirracista não apenas voltada aos profissionais da área, mas também para toda a sociedade? De que forma isso pode contribuir para a construção de um imaginário coletivo pautado no antirracismo?</strong></p>



<p>Eu costumo dizer que toda pessoa comunica. Nem todas as pessoas são profissionais de comunicação, mas toda pessoa comunica. Apesar de ser jornalista, diplomada e tudo mais, eu defendo também a comunicação que não é diplomada. Eu não posso me colocar em um lugar de superioridade a uma pessoa que é de uma comunicação periférica, de um território, de uma comunicação popular, que participa de uma mídia negra, de um espaço midiático, e que não tem um diploma na mão, mas que está ali também na construção do processo de sentido nessa guerra de narrativa para dar respeito ao seu espaço, ao seu território. Isso inclui também os influenciadores.</p>



<p>Claro que a gente precisa ter uma série de marcos, regulamentos, acompanhamento e um olhar enquanto política pública para todo mundo que está exercendo algum tipo de trabalho no âmbito da comunicação, mas entendendo também que não se deve censurar as pessoas. Quando eu falo na lógica de política pública é de combate à desinformação, de assegurar direitos aos defensores de direitos humanos no âmbito da comunicação, porque a gente sabe que pessoas defensoras de direitos humanos na comunicação sofrem muito em seus territórios, morrem também, são vítimas da violência fatal no dia a dia.</p>



<p>Entendo a comunicação como educação, porque a gente precisa entender os nossos direitos, quais são os marcos, quais são as nossas referências e quem veio antes da gente. Então, o processo do estudo em comunicação para mim é fundamental para as pessoas também saberem um pouco da memória e da história. Por exemplo, a gente tinha o Nego Bispo. O Nego Bispo, um homem quilombola, era um grande comunicador, ele era um escritor, um pensador, e quando ele falava em cosmovisão, ele falava sobre o além, sobre aquilo que não está palpável e tangível aos nossos olhos. E isso também é muito importante entender quando eu falo de comunicação, porque para mim comunicação é orixá, é exu e é o tempo. Por isso, a gente tem que despertar também aquelas pessoas que não são diplomadas, mas que estão fazendo uma transformação muito grande através da comunicação. Apesar de defender a importância do diploma, eu também defendo as pessoas que não têm diploma no reconhecimento da atuação do seu trabalho. Porém, isso requer cuidados.</p>



<p>Os influenciadores são extremamente fundamentais, mas também tem a necessidade desses influenciadores entenderem os espaços que eles ocupam. E, se eles ocupam esses espaços e trabalham de graça para esses espaços que são as plataformas digitais, também tem que fazer uma cobrança dessas <em>big techs </em>que estão aí cada vez mais atuando contra a diversidade. Então a gente precisa também trazer esse olhar para os influenciadores. Entender quem são essas pessoas, entender o que é o produto que eles constroem. E claro, todo mundo tem o direito de produzir o que for e o que quiser, mas se for no tom de violência, de desinformação, de cultura do ódio, aí de fato não pode ser permitido.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-04-17-as-12.05.18_a3432e57-1024x576.jpg" alt="A imagem mostra um livro intitulado Comunicação Antirracista, escrito por Midiã Noelle. Ele está posicionado em pé sobre uma mesa e apoiado em outros livros. No fundo, é possível ver um jarro de vidro e um copo, compondo a cena. A capa do livro apresenta um design geométrico, com predominância das cores preto, branco e laranja. O título está destacado em letras brancas grande." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Verena Baptista/Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Como você avalia o tratamento dado pela administração pública à comunicação antirracista, tanto no atual governo quanto ao longo da história do Brasil? Na sua opinião, o que ainda falta para que essa pauta ganhe mais força? </strong></p>



<p>Eu acho que a gente precisa ainda qualificar um outro olhar para a comunicação, que é o olhar da comunicação como direito. A gente sabe que nos últimos anos tivemos que lidar com a ausência de Conselhos, o não impulsionamento da realização de novos Conselhos de Comunicação, porque as pessoas não conseguem compreender que a comunicação é política, elas colocam a comunicação num lugar ainda muito do tarefeiro.</p>



<p>A gente não pode pensar, por exemplo, em educação midiática sem pensar em letramento digital e letramento racial. É uma triangulação, não tem como. Se a gente for falar que a educação midiática é importante  e, para mim, falar em educação midiática é falar em comunicação como um todo, a gente tem que falar que a educação midiática só vai ser de fato efetiva quando chegar nas escolas.</p>



<p>No que diz respeito a educação midiática, por exemplo, é necessário trazer uma política atrelada a discussão da perspectiva racial e fortalecer a implementação da lei 10.639, que é a lei da Escola da Cultura Afro-Brasileira e é muito importante, mas existe há mais de 20 anos e não foi devidamente implementada, e a partir da implementação dessa lei a gente pode pensar na comunicação antirracista, na construção desse imaginário antirracista dentro das escolas. </p>



<p>Por isso, é fundamental pensar a comunicação em outro lugar, é pensar no campo da tecnologia também, a gente sabendo que as plataformas digitais, as <em>big techs</em>, elas se disfarçam de empresas de tecnologia sendo empresas de comunicação, na verdade. </p>



<p><strong>Na sua visão, de que forma a comunicação antirracista deve ser construída no Brasil? O que você considera fundamental para que ela aconteça de maneira efetiva?</strong></p>



<p>Quando eu falo de comunicação na lógica antirracista, eu falo de uma lógica antirracista que seja antiproibicionista, antipunitivista e anticapacitista, porque a lógica do discurso das guerras às drogas, ela segue sendo muito forte no Brasil e naturalizando a violência contra pessoas negras, e não é a guerra às drogas, é a guerra contra as pessoas negras, atrelado a um histórico que vem do processo de desumanização dos nossos corpos. Então, se a gente não olha para a comunicação de uma maneira estratégica em todos os âmbitos do governo, não adianta, de fato.</p>



<p>E não só para o governo, fora dos espaços de governo também. O nosso movimento negro precisa respeitar e reconhecer a comunicação negra feita nesse país, não apenas como espaço noticioso, mas também como um grupo que faz política. As pessoas que trabalham no espaço de comunicação, elas não estão ali só para fazer o dia a dia, elas estão ali para pensar politicamente como fortalecer a pauta do enfrentamento ao racismo, do reconhecimento da dignidade humana das pessoas negras e da promoção de direitos na vida dessas pessoas. Então, a comunicação é revolução. E se a gente não tiver uma comunicação que entenda as questões raciais no Brasil e no mundo, a gente vai acabar reforçando as violências.</p>



<p>Durante muito tempo eu trabalhei com a população em situação de rua e assim eu entendi o tanto que o racismo pode ser cruel. E a rua, para mim, também é a construção de afeto, é a construção de respeito. A gente tem que pedir licença para ocupar a rua, porque tem coisas negativas, mas também coisas muito positivas do âmbito do cuidado. A rua é comunicação, é movimento. Mas as pessoas que vivem em situação de rua são invisibilizadas e violentadas constantemente. Então, quando falo do reconhecimento da humanidade do outro, eu estou falando desse tipo de pessoa, dessa população específica. Se a Simone de Beauvoir fala que a mulher é o outro do outro, e a Grada Kilomba fala que a mulher negra é o outro do outro do outro, eu diria que pessoas nesses cenários, nessa triangulação, que vivem em contextos de extrema vulnerabilidade, seja por conta do contexto da guerra às drogas, seja por conta do contexto capacitista, são o outro do outro do outro do outro.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">O nosso movimento negro precisa respeitar e reconhecer a comunicação negra feita nesse país.</p>
</div>


<p>É um lugar ainda não visto e que a gente precisa olhar, entender e evidenciar. Portanto, a comunicação antirracista ela precisa ser antipunitivista, antiproibicionista e anticapacitista para que a gente possa entender que o buraco é mais embaixo. E a população negra também precisa fazer uma autoreflexão sobre como ela pauta a comunicação, não só no movimento negro e no movimento feminista negro no Brasil, mas em todos os países da diáspora negra, sobretudo, aqueles que foram impactados pelo tráfico transatlântico durante a escravização. </p>



<p><strong>Como você acredita que pessoas negras e não negras podem contribuir, a partir de suas próprias realidades e lugares de fala, para a construção de uma sociedade antirracista?</strong></p>



<p>Essa coisa de nos colocar no lugar do outro, eu acho que isso é muito importante. Por exemplo, uma amiga branca recentemente falou pra mim que queria fazer algo sobre questões sociais, pesquisar pessoas negras e tal. Aí eu perguntei para ela “por que você não estuda você mesma, pessoa branca? Porque você também não se coloca nesse lugar de entender porque é uma necessidade de um estudo sobre o outro?”</p>



<p>Há uma lógica de normalidade, de normatização de que ser branco é o normal, e o ser negro é que tem que ser investigado, pesquisado. Nessa lógica do pacto narcisístico da branquitude, os brancos se colocam no lugar de superioridade.</p>



<p>Quando a gente se pauta, a gente se pauta também no entendimento de que algumas dores só a gente vai conseguir compreender na lógica do que a gente sente, então ninguém melhor do que a gente para falar e expor. Isso não invalida que outras pessoas falem, muito pelo contrário, todo mundo pode pesquisar e falar sobre qualquer tema e aí, por exemplo, essa coisa do identitarismo para mim ela é muito fraca porque a vida ela se intersecciona por mais que a gente não queira.<br><br>Então, pessoas brancas podem ser pessoas brancas que são LGBTs e essas interseções vão trazer para elas discursos que vão ser feitos a partir das suas realidades. Por isso não existe a possibilidade de um identitarismo real, é uma lógica que não faz sentido, porque o mundo é interseccional, ele acontece no âmbito da diversidade. Pessoas brancas não são simplesmente pessoas brancas, sempre vai ter uma pessoa branca que tem uma origem latina, estrangeira, sempre vai ter uma mulher, e por mais que seja uma mulher, pode não atender a uma lógica heteronormativa. Então assim, as pautas se misturam.</p>



<p>Por isso eu acho que a gente precisa entender que a comunicação é fundamental para desconstruir, construir e reconstruir sentidos, porque tudo é muito mutável no dia a dia e as pessoas têm suas dinâmicas culturais, territoriais e etc. Mas a gente não pode perder o nosso direcionamento que é o da produção de direitos às pessoas, a garantia da declaração universal dos Direitos Humanos para todas as pessoas em todos os lugares, então, eu tento construir uma contranarrativa a partir daquilo que tem sentido, e convido os leitores do meu livro a fazer o mesmo. </p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/toda-e-qualquer-pessoa-pode-e-deve-participar-da-construcao-da-comunicacao-antirracista-defende-a-escritora-midia-noelle/">“Toda e qualquer pessoa pode e deve participar da construção da comunicação antirracista”, defende a escritora Midiã Noelle</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Joel Santos Guimarães, repórter por toda a vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2025 17:20:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e democracia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando cheguei na redação paulistana de O Globo, em meados dos distantes anos 1990, Joel Santos Guimarães era mais uma lenda do que uma pessoa de carne e osso. Era “o” repórter. Experiente, cheio de moral, pouco era visto na sucursal. Construía suas próprias pautas, que ganhavam corpo em forma de reportagens especiais depois de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando cheguei na redação paulistana de O Globo, em meados dos distantes anos 1990, Joel Santos Guimarães era mais uma lenda do que uma pessoa de carne e osso. Era “o” repórter. Experiente, cheio de moral, pouco era visto na sucursal. Construía suas próprias pautas, que ganhavam corpo em forma de reportagens especiais depois de apurações exaustivas, viagens, entrevistas com gente poderosa da República, encontros em locais discretos com fontes discretíssimas.</p>



<p>Naqueles primeiros meses no Globo, foram poucas as vezes em que vi Joel, profissional cuja carreira e prestígio estavam em uma prateleira inalcançável para um garoto de vinte e poucos anos recém chegados a um dos veículos de mídia mais importantes do país. Sua vida de repórter era mais parecida com a dos jornalistas fictícios dos filmes de Hollywood do que com a nossa, do “chão de fábrica” de notícias que eram os jornais no final do século XX.</p>



<p>Os textos com sua assinatura tinham espaço garantido e mereciam manchetes de primeira página no jornal.</p>



<p>Em uma de suas viagens, ele tinha ido conhecer prisões paraguaias onde presos brasileiros mofavam sem sentença, sem processo nem defesa. Recusou as passagens de avião oferecidas pelo Globo e viajou de carro, com motorista do jornal e o fotógrafo José Luiz da Conceição. No caminho de volta, pararam para almoçar numa cidade paranaense.</p>



<p>No meio da refeição, foram surpreendidos por dezenas de viaturas policiais que chegavam à cidadezinha em alta velocidade, cantando pneus e com as sirenes ligadas. Havia um sequestro em curso na cidade, mas alguém viu a quadrilha invadindo a casa de um empresário local e avisou a polícia. Joel e Conceição testemunharam o início do cerco policial que durou cinco dias e virou notícia nacional. </p>



<p>Repórter precisa ter sorte para esbarrar por acaso num negócio desses.</p>



<p>O problema é que, ao longo daquela cobertura, Joel torceu o pé, sofreu uma lesão nos ligamentos. A direção do jornal, no Rio de Janeiro, mandou ele abandonar o caso e procurar um hospital. Mesmo se arrastando com dor e o pé inchado, Joel desobedeceu e ficou até o final. Era tudo o que a chefia queria.</p>



<p>De volta a São Paulo, com o pé imobilizado, Joel assumiu a chefia provisória da equipe de reportagem nacional da sucursal paulista, cargo que ele já havia recusado duas vezes, pelo menos. A desobediência deu aos diretores o pretexto para encurralá-lo e fazê-lo aceitar a coordenação com o respectivo aumento de salário. Joel passou a ser meu chefe direto.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/Joel-1-O-Globo-1024x619.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/Joel-1-O-Globo-1024x619.jpg" alt="A imagem é da capa de um jornal chamado O Globo, datado de 30 de abril de 1995, um domingo. O título principal, em letras grandes, diz: Polícia liberta reféns e mata bandidos. Há uma grande foto central que mostra uma mulher sendo levada por policiais. Ela parece estar machucada e é descrita na legenda como Leina, que ficou ferida durante a operação de invasão de uma casa. O texto na capa discorre sobre uma ação policial no Paraná, onde equipes especiais libertaram reféns e eliminaram três sequestradores. O cenário tem um ar dramático e enfatiza uma narrativa de resgate e confronto." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Contra sua vontade, cobertura por acaso no Paraná levou Joel Guimarães à chefia em O Globo 
</p>
	                
                                            <span>Acervo José Luiz da Conceição</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Curiosamente, foi aí que percebi que ele era o oposto do jornalista “estrela” que eu imaginava. Não poderia haver alguém mais distante da vaidade e da arrogância, coisas que cresciam como mato nas redações daqueles anos &#8211; ainda hoje, provavelmente.</p>



<p>Passei a almoçar um prato feito com o chefe no botequim “pé sujo” frequentado também pelos motoristas e <em>office boys</em> do jornal. Isso fez muito bem para minha saúde financeira, pois, para me enturmar com os colegas da redação, costumava acompanhar outros repórteres nos sushis e bistrôs de culinária “contemporâneos” da Faria Lima ou do Itaim Bibi. Saía mais em conta e, estrategicamente, era mais vantajoso dividir o prato do dia com o chefe.</p>



<p>Foram muitos almoços e cafezinhos onde escutei suas histórias de bastidores de reportagens em que nunca se colocava como protagonista ou &#8220;herói&#8221;. Esses papéis cabiam ora ao fotógrafo ora ao motorista. Naqueles &#8220;causos&#8221; que contava, o mais comum era Joel reservar para si o papel de trapalhão, distraído ou desastrado. Ou tudo isso junto. Ele ria de si mesmo.</p>



<p>Joel vivia jornalismo 24 horas por dia. Melhor dizendo, ele vivia as pautas, apuração e texto. Era isso o que o interessava na profissão. Não conhecia e não comentava as fofocas das redações nem as intrigas nas cúpulas dos maiores veículos de comunicação do Brasil. Sua preocupação era como nosso trabalho poderia fazer o mundo ficar melhor, como impactar na vida dos brasileiros sem dinheiro nem poder.</p>



<p>Essa obsessão pelo fazer jornalístico se refletia em suas cobranças. Ele exigia dos repórteres o mesmo rigor e cuidado com que dispensava a dados, endereços, fontes, documentos, números, frases dos entrevistados. Para ele, jornalista precisa ter lado: o lado dos pobres, dos oprimidos. “Se não for assim não é jornalista, é lobista ou canalha”. Fazia questão de não ser considerado &#8220;pessoa de confiança&#8221; de seus patrões, Roberto Marinho e filhos. </p>



<p>Viramos amigos depois que saí do Globo São Paulo e vim para a sucursal no Recife. Visitávamos a casa um do outro. Ouvi ele falar das dores insanáveis que carregava na alma desde criança. E da esperança na justiça social, de sua fé de ateu na luta pelo fim da desigualdade e da miséria.</p>



<p>Acompanhei a criação da <a href="https://anba.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência de Notícias Brasil-Árabe</a>, projeto que ele ajudou a colocar de pé em 2003 e comandou durante uma década em que sua equipe ganhou 11 prêmios de jornalismo. Depois, ele testemunhou a fundação da Marco Zero, projeto que o empolgou.</p>



<p>“Isso que vocês fazem é Jornalismo de verdade, com maiúsculas”, me disse não sei quantas vezes.</p>



<p>Joel então abraçou a ideia da Marco Zero, se ofereceu para ajudar. Nos primeiros quatro anos do site, escreveu 17 reportagens e entrevistas. Seu nome e foto aparecia em nosso expediente. Era uma contribuição luxuosa para uma iniciativa que dava os primeiros passos no cenário do jornalismo independente.</p>



<p>Na Marco Zero, ele publicou <a href="https://marcozero.org/?s=%22joel+santos+guimar%C3%A3es%22" target="_blank" rel="noreferrer noopener">seus últimos textos</a>. A partir de 2019, problemas de saúde impediram que continuássemos a contar com sua experiência e sensibilidade. Mesmo assim, ele permaneceu acompanhando nossa produção de conteúdo. Perdi as contas dos generosos elogios que fazia às nossas repórteres depois que lia as reportagens publicadas. Como editor da MZ, recorro com frequência a alguma frase de Joel que me faz parecer mais capaz ou inteligente diante da nossa equipe.</p>



<p>Ontem, domingo, 23 de março de 2025, seu coração parou. Ele tinha 73 anos. Vou sentir falta de nossos longos telefonemas no meio do expediente.</p>



<p><strong>P.S.</strong> &#8211; Após ler esta crônica, Leonardo Lênin, filho de Joel, me informou que seu pai foi sepultado vestido com sua camiseta do MST, uma caderneta com anotações antigas de alguma reportagem e um caneta BIC azul. </p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Leia o último texto publicado por Joel Santos Guimarães:</strong></li>
</ul>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-mst-quer-acabar-com-o-mst/" class="titulo">O MST quer acabar com o MST</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

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			</item>
		<item>
		<title>Oficina promove formação de jovens comunicadores na zona norte do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/oficina-promove-formacao-de-jovens-comunicadores-na-zona-norte-do-recife/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 May 2024 17:51:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação popular]]></category>
		<category><![CDATA[lei paulo gustavo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com inscrições abertas até 22 de maio, a Nós Cria: Oficina de Criação de Imagens Periféricas vai promover a formação de jovens das periferias da Região Metropolitana do Recife, com encontros que acontecem no bairro de Nova Descoberta. Para formar comunicadores populares com idade de 15 a 24 anos, serão direcionadas 50 vagas, com aulas [&#8230;]</p>
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<p>Com inscrições abertas até 22 de maio, a Nós Cria: Oficina de Criação de Imagens Periféricas vai promover a formação de jovens das periferias da Região Metropolitana do Recife, com encontros que acontecem no bairro de Nova Descoberta. Para formar comunicadores populares com idade de 15 a 24 anos, serão direcionadas 50 vagas, com aulas em todos os sábados do mês de junho. As inscrições podem ser realizadas neste <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeIhRI-_utJiZupZSXCnr5lM8qTRkMw0zA4qsd_rPdnAiNa5g/viewform?fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAAaY-fIrRiUDQfRB09YcjtZpJh5nWLpQyAa0ns14JO0pyPH6kqFeIPss__S8_aem_AdUl7nFN0qnCKBQATYEPw3DYBA6m0thZrO4HkXuGe0Bl7-Pv83JIT5MwN-Jxc6wl5lQb4S-euuBqYiy87D2vHSBX">link</a>.</p>



<p>A iniciativa tem como objetivo promover o intercâmbio de saberes e desenvolver habilidades artísticas e comunicacionais, utilizando a fotografia como forma de protagonismo e transformação. O projeto é financiado pelo Edital Multilinguagens &#8211; Recife Criativo, da Lei Paulo Gustavo, e assinado pelos fotógrafos Domar e Marlon Diego, que também são os facilitadores dos encontros. Para ampliar o olhar das juventudes periféricas, de dentro dos próprios territórios, os idealizadores afirmam que o projeto é uma forma de transformar os olhares sobre os bairros e sobre si.</p>



<p>Os encontros vão acontecer no Instituto Ternuna, em Nova Descoberta, bairro que não foi escolhido por acaso. De acordo com a fotógrafa Domar, “quando o projeto foi escrito, Nova Descoberta liderava o ranking de violência entre os bairros do Recife, segundo o Relatório Fogo Cruzado. A oficina busca ser um contraponto, outra forma para que os adolescentes se vejam, que não apenas em programas policiais”.</p>



<p>Ao final da oficina, os jovens vão expor suas criações em uma mostra fotográfica, compartilhando suas histórias e experiências com a comunidade. As produções também vão ser publicadas em um catálogo online do projeto, registrando não só as obras, mas todo o processo e os resultados alcançados também.</p>



<p>“A “Nós Cria” visa ajudar a quebrar um ciclo de apagamento, através da formação de jovens comunicadores populares. E isso por meio da fotografia, onde é possível ajudar a construir um cenário que jovens negros sejam impulsionadores de mudanças dentro de seus bairros, famílias e círculos afetivos. Queremos participar da construção de uma narrativa produzida pela juventude para a juventude”, reforça o fotógrafo Marlon Diego.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quatro bolsas de R$ 6 mil para coletivos de comunicação de Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/quatro-bolsas-de-r-6-mil-para-coletivos-de-comunicacao-de-pernambuco/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Apr 2024 21:28:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[bolsas]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Fala]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e comunicação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se você faz parte de um coletivo de jornalismo, comunicação e/ou cultura em Pernambuco, que já existe há mais de um ano, então essá notícia lhe interessa diretamente: a Marco Zero e o Instituto Fala! lançaram hoje o Edital FALA! 2024 de Jornalismo, comunicação e cultura nos territórios: novos formatos como meio de transformação social. [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/quatro-bolsas-de-r-6-mil-para-coletivos-de-comunicacao-de-pernambuco/">Quatro bolsas de R$ 6 mil para coletivos de comunicação de Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Se você faz parte de um coletivo de jornalismo, comunicação e/ou cultura em Pernambuco, que já existe há mais de um ano, então essá notícia lhe interessa diretamente: a Marco Zero e o Instituto Fala! lançaram hoje o <a href="https://festivalfala.org.br/2024/04/29/regulamento-do-edital-fala-2024-para-coletivos-de-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Edital FALA! 2024 de Jornalismo, comunicação e cultura nos territórios: novos formatos como meio de transformação social</a>.</p>



<p>O Edital FALA! é sempre destinado aos coletivos do estado por onde passou o Festival FALA!. Por isso, estarão aptos a concorrer às bolsas os coletivos de jornalismo, comunicação e/ou cultura que atuem nos territórios periféricos do estado de Pernambuco.</p>



<p>Serão quatro bolsas de 6 mil reais para a produção de reportagens que abordem as agendas de justiça climática, justiça social e da democracia nos territórios periféricos a partir de experiências de novos formatos e linguagens nas áreas de jornalismo, comunicação e cultura. As inscrições começam hoje, 29 de abril e vai até 19 de maio, com a divulgação do resultado no dia 03 de junho de 2024.</p>



<p></p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Para que você não tenha dúvidas se a sua proposta de reportagem se encaixa nos eixos do Edital FALA! 2024, a gente detalhou aqui:</span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Justiça Climática: os trabalhos apresentados para o eixo de justiça climática podem abordar temas como aquecimento global; racismo ambiental; tecnologias sociais e ancestrais desenvolvidas em territórios periféricos para mitigar e superar as consequências de ambos os fenômenos, dentre outros tópicos correlatos. </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Justiça Social: os trabalhos apresentados para o eixo de justiça social devem abordar problemas estruturais da sociedade brasileira em decorrência de raça, etnia, gênero, sexualidade, classe e território. </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Democracia: os trabalhos apresentados para o eixo de democracia devem abordar estratégias de incidência política de determinados grupos sociais; atuação de movimentos sociais (entendidos aqui de forma ampla, podendo ser movimentos que atuam na pauta de cultura, educação, tecnologia etc); resultados concretos de ações políticas de movimentos populares; dentre outros tópicos correlatos. </p>
            </div>
            </div>



<p></p>



<p></p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/quatro-bolsas-de-r-6-mil-para-coletivos-de-comunicacao-de-pernambuco/">Quatro bolsas de R$ 6 mil para coletivos de comunicação de Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Programa oferece treinamento gratuito das ferramentas Google para jornalistas independentes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Apr 2024 21:15:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[curso]]></category>
		<category><![CDATA[formação]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo independente]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e comunicação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Rede de Treinamentos FALA! está ofertando oficinas gratuitas sobre ferramentas Google para redações em todo o Brasil. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site do programa até novembro, período em que acontecem os treinamentos.  Os participantes terão acesso a videoaulas sobre temáticas e princípios do jornalismo de causas, como: jornalismo antirracista, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Rede de Treinamentos FALA! está ofertando oficinas gratuitas sobre ferramentas Google para redações em todo o Brasil. <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdzFMz8mxbVL9yiv8ka_kw4Z2XzervYjJdpdUtD0A8JP7ergA/viewform" target="_blank" rel="noreferrer noopener">As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site do programa</a> até novembro, período em que acontecem os treinamentos. </p>



<p>Os participantes terão acesso a videoaulas sobre temáticas e princípios do jornalismo de causas, como: jornalismo antirracista, a importância dos dados para o jornalismo local e coberturas jornalísticas de meio ambiente e segurança pública. As videoaulas serão ministradas por organizações fundadoras do Instituto FALA!, como <a href="https://almapreta.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Alma Preta Jornalismo</a>, <a href="https://ponte.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ponte Jornalismo</a> e <a href="https://www.paporeto.net.br/">1 Papo Reto</a>, além de organizações parceiras, como o <a href="https://datalabe.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">data_labe</a>.</p>



<p>&#8220;Contribuir com a formação de jovens comunicadores de diversas regiões do Brasil é um dos pilares de atuação do Instituto FALA!. Temos como missão fomentar a pluralidade de vozes, narrativas, territórios, formatos e linguagens por meio do jornalismo de causas. Os jornalistas que compõem a rede instrutora são os protagonistas do programa, porque é da união entre o ferramental e a produção de conhecimento que vem de cada um deles que mora a riqueza desta iniciativa&#8221;, ressaltou Antônio Junião, cofundador do Instituto FALA! e diretor de Arte e Projetos na Ponte Jornalismo.</p>



<p>As oficinas sobre as ferramentas do Google podem ser presenciais ou virtuais, a depender da realidade de cada organização que participa dos treinamentos. Para isso, o programa possui uma rede de 11 comunicadores de todas as regiões do país, que serão responsáveis por conduzir as oficinas sobre Google Trends, Busca Avançada, Google Maps, Google Earth aplicados ao jornalismo e Google Pinpoint.</p>



<p>Além de redações, jornalistas independentes e estudantes de jornalismo podem <a href="https://institutofala.org.br/projetos/redetreinamentosfala">se inscrever pelo site</a> para receber treinamento presencial ou remoto, dependendo da localidade.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/redefala.png" alt="Colagem de fotos dos rostos de 11 pessoas em preto e branco: nove mulheres e dois homens, todos jovens. O 12º espaço, no canto direito, é ocupado por um quadrado amarelo com uma exclamação preta, logomarca do Instituto Fala!" class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">A Rede de Treinamentos FALA! possui uma rede de 11 comunicadores de todas as regiões do país.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação/Instituto Fala!</span>
                                    </figcaption>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/programa-oferece-treinamento-gratuito-das-ferramentas-google-para-jornalistas-independentes/">Programa oferece treinamento gratuito das ferramentas Google para jornalistas independentes</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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