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	<title>Arquivos migração - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 08 Aug 2025 15:51:07 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos migração - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>&#8220;Tomara que você seja deportado&#8221;: Jamil Chade fala sobre o fim do sonho americano na era Trump</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Aug 2025 18:26:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[jamil chade]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
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<p>Após 24 anos morando em Genebra, na Suíça, o jornalista Jamil Chade se mudou no ano passado para Nova York. A mudança, por curto tempo, foi por questões familiares, mas ele logo percebeu que era uma oportunidade profissional riquíssima, com o período coincidindo com a campanha presidencial e, depois, os primeiros e tenebrosos meses do segundo mandato do republicano Donald Trump. O resultado de quase um ano trabalhando nos Estados Unidos é o livro <strong><em>Tomara que você seja deportado – Uma viagem pela distopia americana</em></strong> (<a href="https://editoranos.com.br/produto/tomara-que-voce-seja-deportado-uma-viagem-pela-distopia-americana/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">editora Nós</a>; R$ 79), que vai ser lançado no Recife nesta quinta-feira, às 19h, na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Derby.</p>



<p>O título do livro vem de uma ofensa que o filho dele escutou de uma colega no pátio de uma escola primária em Nova York. “A novidade certamente não é a existência de uma discussão entre crianças. Mas o surgimento de uma nova maneira de agredir, baseada no ódio, que é instrumentalizado por uma ala ultraconservadora que chegou ao poder”, escreve Chade no livro.</p>



<p>Com prefácio do cineasta Walter Salles, <strong><em>Tomara que você seja deportado</em></strong> reúne 48 textos inéditos e outros publicados na <a href="https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">coluna do jornalista no UOL</a>. São crônicas e reportagens, apresentadas de forma cronológica, que narram as transformações que os Estados Unidos vem passando. O livro não se resume a cidades como Nova York e Washington, com Jamil Chade viajando para a fronteira com o México e para estados como Mississipi, Arkansas e Arizona.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="371" height="494" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/08/jamilchade.jpg" alt="" class="wp-image-71906 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/08/jamilchade.jpg 371w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/08/jamilchade-225x300.jpg 225w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/08/jamilchade-150x200.jpg 150w" sizes="(max-width: 371px) 100vw, 371px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Foram textos escritos ainda no assombro daquela situação. Quando eu reuni os textos para publicar, mesmo os escritos para a coluna, eu não os modifiquei. Deixei exatamente como eles estavam no dia no qual aquilo ali foi escrito. Inclusive para tentar trazer um pouco da surpresa em relação àquela situação”, contou Jamil Chade em entrevista para a Marco Zero. “É um diário. No fundo, um diário do desmonte da democracia dos EUA”, diz.</p>



<p>Na entrevista abaixo, Jamil Chade fala sobre a política migratória desumanizante do governo Trump, o papel do jornalismo e o enfraquecimento da democracia nos Estados Unidos.</p>
</div></div>



<p><strong>A indústria cultural dos Estados Unidos sempre vendeu o país como uma terra de oportunidades. Na Estátua da Liberdade há os versos <em>(de um poema de Emma Lazarus)</em> ‘dê-me seus cansados, seus pobres, suas massas aninhadas que anseiam respirar livremente’. Mas, hoje, os Estados Unidos não é visto mais como um país de oportunidades para imigrantes. Esse discurso, esse pilar dos Estados Unidos como sendo um país de imigrantes, era mais frágil do que era vendido?</strong></p>



<p>Eu acho que o que aconteceu, acima de tudo, foi que o mito desse país da oportunidade, que é também traduzido como o sonho americano, se desfez nos últimos anos. E aí não foi por conta da extrema direita, foi, acima de tudo, pelo fracasso da democracia e pelo aprofundamento da disparidade social. Então, foram esses dois elementos que desfizeram a ideia de que ali existe uma terra de oportunidades.</p>



<p>Quem está na camada mais pobre não vai migrar para a classe média. Isso não está acontecendo. No fundo, o que está acontecendo é um aprofundamento da desigualdade. Essa nova realidade desfez o sonho americano. E aí, essa é a grande pergunta: O que acontece com uma sociedade quando um dos seus mitos fundadores se desfaz? Eu não tenho a resposta, mas o que a gente tem visto é que a extrema direita, charlatães, vendedores de ilusão, populistas, desembarcam oferecendo uma alternativa. Dizendo que, &#8216;comigo, nós vamos voltar a ser esse país do sonho americano&#8217;. &#8216;Comigo, vamos retomar aquela ideia de que ascensão social é de novo possível&#8217;. Então, é uma tentativa justamente de resgatar o ‘sonho americano’ que, em primeiro lugar, jamais foi para todo mundo. É só perguntar aos escravizados se eles tinham algum sonho americano. Nos últimos 20 anos, o que nós vimos é uma instrumentalização desse desamparo por parte da extrema direita para chegar ao poder.</p>



<p>Essa é a história que nós estamos hoje. O desamparo é profundo, é real. No livro, eu tento trazer várias situações desse desamparo e um movimento político que, para chegar ao poder, vai buscar justamente nessa decepção popular o seu motor para ganhar votos.</p>



<p><strong>Você abre a segunda crônica do livro com espanto por uma declaração de Trump, ainda na campanha presidencial, dizendo que imigrantes estariam comendo animais de estimação de americanos. O que temos visto nesses últimos meses são denúncias de imigrantes presos sem comida, sem alojamento adequado. Teve até o envio de imigrantes para os seus países de origem em aviões de carga. Isso mostra uma desumanização dessas pessoas, desses imigrantes. Por que você Trump aposta nisso?</strong></p>



<p>A extrema direita – e aí não é só o Donald Trump, mas o movimento inteiro – precisa criar o outro. E o outro, dessa vez, somos nós, os latinos. O outro, na história americana, já foram os japoneses, por exemplo. Na Segunda Guerra Mundial, os japoneses foram inclusive internados em campos de concentração no próprio território americano. Os outros já foram os árabes, depois do 11 de setembro, dos ataques às Torres Gêmeas. E agora os outros somos nós, os latinos. Então, esses outros precisam ser desumanizados para que você possa justamente passar por cima em termos de direitos. Você só pode retirar o direito de um grupo de pessoas que, no fundo, não são tão seres humanos como nós. Então, é algo deliberado, é algo construído justamente para tirar até a dignidade daquelas pessoas.</p>



<p>Quando você tira tudo isso, você permite que possam fazer os maiores absurdos. Não só prisões com situações absurdas, mas também imigrantes enviados para Guantánamo, para Alcatraz do Jacarés (centro de detenção de imigrantes localizado em uma área pantanosa nos Everglades, na Flórida), para El Salvador. Claro, aquela ideia de que serão presos ou deportados só os criminosos era mentira. O que nós temos visto é que qualquer um que esteja de forma irregular nos Estados Unidos pode, eventualmente, ter esse destino.</p>



<p>Tem um segundo elemento nessa história, que é que ao criar uma situação dessa, você, acima de tudo, gera pânico, gera medo. Inclusive daqueles que não têm nada a dever às autoridades, a não ser a condição de não estar com todos os seus documentos de forma regular. Mas não são criminosos, estão apenas de forma irregular. E, ao longo dos últimos meses, muitos desses imigrantes tomaram a decisão, por si só, de deixar os Estados Unidos. O que fica ainda mais barato para o governo Trump, porque ele não precisa nem deportar essas pessoas. Eu conheci muitas dessas pessoas, inclusive um brasileiro, que decidiu, por conta própria, voltar para o seu país de origem.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">O que acontece com uma sociedade quando um dos seus mitos fundadores se desfaz? Eu não tenho a resposta, mas o que a gente tem visto é que a extrema direita, charlatães, vendedores de ilusão, populistas, desembarcam oferecendo uma alternativa</p>
</div>


<p><strong>O governo Trump anunciou nesta semana a cobrança de uma caução de até 15 mil dólares para turistas de dois países africanos, Malaui e Zâmbia. Mas, recentemente, o mesmo governo acolheu imigrantes da África do Sul, da minoria branca de lá, afirmando que são perseguidos. Há um componente racista muito forte nas decisões migratórias de Trump.</strong></p>



<p>Profundamente racista. É uma política migratória que estabelece um muro, e o muro não é na fronteira entre o México e os Estados Unidos. O muro é em qualquer lugar da sociedade no qual ele define que aquele outro basicamente não deve ter os mesmos direitos. Então, é uma política profundamente racista, com base em movimentos supremacistas brancos. Não há nenhuma dúvida sobre o caráter racista dessa política migratória.</p>



<p>No caso da África do Sul, é ainda mais espantoso, porque enquanto ele fecha o país para latinos e africanos, ele acolhe esses sul-africanos brancos, não apenas dando visto para essas pessoas. O que foi estabelecido é um programa em que essas pessoas recebem uma casa, cada um dos adultos daquela casa recebe um telefone celular, já com chip colocado, comida na geladeira e ajuda para procurar emprego.</p>



<p><strong>Lembra a política de migração do Brasil do começo do século XX, que trazia italianos e alemães para &#8216;embranquecer&#8217; a população.</strong></p>



<p>Exatamente. Nesse caso, obviamente é um número muito pequeno, mas quando você fecha o seu país inteiro para 19 países no mundo, e todos eles são países ou africanos ou latinos, e você estende o tapete vermelho para brancos sul-africanos, que supostamente estão sendo perseguidos – porque existe uma reforma agrária no país, depois de 30 anos do fim do Apartheid – fica evidenciada que é, acima de tudo, uma política racista. É institucionalizada. O racismo passa a ser institucional. Volta a ser, na verdade, nos Estados Unidos.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">O jornalismo profissional é ainda mais relevante. E qualquer tipo de ajuste, de acomodação, de não publicar algo porque eventualmente teremos problemas, é basicamente um sinal de fraqueza</p>
</div>


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
</blockquote>



<p><strong>Tem um texto em que você fala que começou a assistir os noticiários da extrema direita para ver o que eles estavam falando. Como é que você vê o papel do jornalismo nessa derrocada da democracia?</strong></p>



<p>É ainda mais fundamental. Quando eu assisto, por exemplo, às televisões e canais da extrema direita americana, eu penso que os canais oficiais da China ou da Arábia Saudita ou do Irã ficariam morrendo de inveja. É muito mais oficial, é muito mais chapa branca do que qualquer ditadura que eu já tenha visto. Eu tenho como hábito, quando eu chego num país como esses, de assistir a esses canais, porque eu quero entender o que está sendo transmitido. E é impressionante o que acontece nos Estados Unidos, porque vem com um caráter não só de notícias oficiais, de desinformação, etc., mas vem com um componente quase hollywoodiano, sabe? De transformar aquilo também num espetáculo. Além de ser uma injeção de desinformação, ela vem revestida num pacote hollywoodiano muito impressionante. É realmente muito assustador que esse seja o caminho.</p>



<p>Agora, isso significa que o jornalismo profissional fica ainda mais relevante. E qualquer tipo de ajuste, de acomodação, de não publicar algo porque eventualmente teremos problemas, é basicamente um sinal de fraqueza. Vejo também um outro aspecto. Quando o Trump, por exemplo, ataca o jornalismo profissional, ele não está só atacando o jornalismo – e ele diariamente ofende, principalmente, as mulheres jornalistas –, ele está intimidando. Ele também intimida abrindo processo contra o Wall Street Journal, pedindo indenização de 10 bilhões de dólares. Na verdade, não é uma indenização: o que ele está falando é &#8220;não ousem levantar nenhum tipo de suspeita em relação a mim, porque eu levarei vocês à falência&#8221;.</p>



<p>Esse comportamento é uma estratégia justamente para enfraquecer um dos pilares da eventual resistência pela democracia. Há dois pilares que estão na mira principal, o judiciário e o jornalismo. Uma estratégia justamente para desmontar a capacidade da justiça de atuar e da imprensa de denunciar.</p>



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	                                        <p class="m-0">Segundo Chade, Trump escolheu latinos como novos inimigos dos EUA. Foto: Joyce N. Boghosian/US Gov/Divulgação
</p>
	                
                                            <span>Foto: Joyce N. Boghosian/US Gov/Divulgação</span>
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                    </figure>

	


<p><strong>Li recentemente uma <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckgje1zjx8yo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">entrevista na BBC </a>sobre como não está havendo nenhuma manifestação de órgãos internacionais, de instituições multilaterais, sobre as ferramentas econômicas que Trump está usando para atacar o Brasil. Na mídia norte-americana tradicional, Trump é muito citado como sendo um <em>bully</em>, um valentão. Você acha que há um medo disseminado de outros países sofrerem represálias, como o Brasil está sofrendo?</strong></p>



<p>Sem dúvida nenhuma. O mundo foi construído de uma forma, principalmente o Ocidente, no qual a economia americana tem um papel fundamental para setores inteiros das economias de outros países, de setores de outros países. E o que nós estamos vendo é que governos estão sofrendo uma pressão muito grande dos seus setores privados para que não abram conflitos com o seu maior comprador.</p>



<p>Por exemplo, o setor do vinho da França estava fazendo uma pressão impressionante sobre o governo francês porque não quer perder o mercado americano, que é o principal mercado de exportação para esse produto. Agora, o que você tem ao ceder? Você não tem do outro lado uma compreensão, ‘agora vamos fechar alguma coisa’, etc. Você tem ali, para o governo Trump, uma sinalização de fraqueza que depois vai ser utilizada justamente para ampliar ainda mais esse <em>bullying</em>, essa chantagem.</p>



<p>Na maioria das vezes, o que nós temos visto é que quando um país cede, num sinal de boa vontade, o que tem do lado do governo americano é a utilização dessa suposta boa vontade para, obviamente, ampliar ainda mais os seus interesses e pressões.</p>



<p><strong>Qual o paralelo que você faz entre o primeiro governo Trump e o segundo? Parece que nesse segundo ele está com mais empenho em destruir os pilares da democracia?</strong></p>



<p>Em primeiro lugar, ele vem muito mais radicalizado do que no primeiro mandato e ele vem muito mais preparado do que o primeiro mandato. Essa preparação a gente tem visto sendo transformada em uma intensificação da adoção das políticas de desmonte. Eles também tiveram quatro anos <em>(o tempo do governo de Joe Biden)</em>, então eles desembarcaram extremamente preparados para essa ofensiva. Isso fica evidente quando você vê, por exemplo, as ordens executivas, que são os nossos decretos, que estão sendo aplicados. Eles não foram inventados agora. Isso fazia parte de um arsenal que ao longo de quatro anos foi cuidadosamente construído.</p>



<p>Por isso que eu insisto que precisamos parar de ficar fazendo memes e ironizando a extrema direita, achando que são um bando de malucos e um bando de pessoas incapazes. Muitos são: principalmente a massa que vai ser alvo de manobra. Mas no comando dessa extrema direita tem gente com muito dinheiro, com uma ambição muito grande e com um plano muito concreto.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">O que temos visto é que quando um país cede, num sinal de boa vontade, o que tem do lado do governo americano é a utilização dessa suposta boa vontade para ampliar ainda mais os seus interesses e pressões</p>
</div>


<p><strong>Na última crônica, você fala que o que acontece nos Estados Unidos não é apenas a história americana. Está em jogo o destino da democracia como experiência humana. E fala também que esse neocolonialismo está bem forte. E estamos vendo que Trump está agora com um hiperfoco no Brasil, inclusive já está interferindo nas próximas eleições. Você acha que há chances do Brasil não cair novamente nas mãos da extrema direita?</strong></p>



<p>A chance existe. Mas a gente vai ter que ter um projeto de país agora. Chegou a hora. Quer dizer, já passou da hora. A gente não poderia ter dependido de um governo estrangeiro atacar os interesses nacionais para finalmente criar um projeto de país. Mas a gente apenas vai ter esse projeto se houver, obviamente, uma compreensão do que esse ataque representa&#8230; Não é um ataque comercial. É um ataque político, acima de tudo. É uma tentativa de desestabilização do país para que, obviamente, em 2026, a eleição esteja amplamente aberta para a extrema direita. Esse é o grande objetivo. Não é o suco de laranja, não é a tarifa, não é o açúcar, não é o etanol, não é nada disso. O grande objetivo é realmente desestabilizar o país.</p>



<p><strong>Pela Constituição dos Estados Unidos Donald Trump não poderia concorrer a um terceiro mandato. Mas ele já deu entrevista dizendo que poderia concorrer. Você acha que a democracia dos Estados Unidos resiste a um terceiro mandato de Trump?</strong></p>



<p>É uma ameaça não só se houver uma mudança constitucional para que isso seja possível, como também outras mudanças. Por exemplo, a de dar mais poder ao presidente. Hoje, nos Estados Unidos, que é um pouco diferente do que nós temos no Brasil, o poder executivo e o poder legislativo têm uma igualdade de poder. O projeto da extrema direita é concentrar mais poder na própria presidência. Esvaziar outros poderes. Então, não é só um terceiro mandato. É um terceiro mandato com uma presidência ainda mais fortalecida. E esse é o perigo: a reeleição com o fortalecimento da presidência. E isso, para a democracia, pode ser absolutamente fatal.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="803" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/08/tomaraquevcsejadeportado_site3-803x1024.jpg" alt="" class="wp-image-71901 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/08/tomaraquevcsejadeportado_site3-803x1024.jpg 803w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/08/tomaraquevcsejadeportado_site3-235x300.jpg 235w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/08/tomaraquevcsejadeportado_site3-768x979.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/08/tomaraquevcsejadeportado_site3-150x191.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/08/tomaraquevcsejadeportado_site3.jpg 958w" sizes="(max-width: 803px) 100vw, 803px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Serviço</strong></p>



<p>Lançamento do livro: <em><strong>Tomara que você seja deportado – Uma viagem pela distopia americana</strong></em><br><strong>Participação:</strong> Jamil Chade e o senador Humberto Costa com mediação do jornalista Rossini Barreira.<br><strong>Quando: </strong>Quinta-feira (07), a partir das 19h<br><strong>Onde:</strong> Sala Aloísio Magalhães da Fundaj (Rua Henrique Dias, 609, Derby)<br><br><strong>Entrada aberta ao público</strong></p>



<p><em>O evento integra a programação da XV Bienal Internacional do Livro de Pernambuco</em></p>
</div></div>
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		<title>Homens viajam para arrumar trabalho e mulheres quilombolas ficam pra cuidar da lavoura, da casa e dos filhos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jun 2022 21:02:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades quilombolas]]></category>
		<category><![CDATA[migração]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[sertão]]></category>
		<category><![CDATA[sertão pernambucano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Todos os anos, mais da metade dos homens do Quilombo Teixeira que estão na faixa etária considerada como &#8220;economicamente ativa&#8221; viajam para trabalhar com o corte de cana em engenhos dos estados de Alagoas, Bahia e Rio de Janeiro. Esta comunidade quilombola, na zona rural de Betânia, no sertão de Pernambuco, a 349 quilômetros do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Todos os anos, mais da metade dos homens do Quilombo Teixeira que estão na faixa etária considerada como &#8220;economicamente ativa&#8221; viajam para trabalhar com o corte de cana em engenhos dos estados de Alagoas, Bahia e Rio de Janeiro. Esta comunidade quilombola, na zona rural de Betânia, no sertão de Pernambuco, a 349 quilômetros do Recife, é formada por pouco mais de 90 famílias.&nbsp;</p>



<p>São seis, sete, até nove meses longe de casa. Entre os homens, praticamente, só permanecem em Teixeira as crianças, os aposentados e quem tem a sorte de possuir um emprego fixo em algum outro lugar do município. As mulheres que são casadas com cortadores de cana também permanecem na comunidade e trabalham sozinhas, cuidando dos filhos, da casa, dos animais e da roça.&nbsp;</p>



<p>São os casos das agricultoras Josefa Eva, de 38 anos, Josielma dos Santos (conhecida como Nelma), 32, e Maria das Graças (conhecida como Pretinha), de 44. Casadas com agricultores que trabalham com o corte de cana e, de segunda a sexta, também precisam se dedicar a uma jornada de trabalho intensa e pesada.&nbsp;</p>



<p>Josefa Eva é agricultora desde criança, sempre trabalhou plantando e colhendo. Quando casou com Josias Manoel, 41, há mais de 20 anos, além de continuar trabalhando na roça, passou a ser responsável por cuidar das três filhas do casal, dos animais que pertencem a eles e da casa. Josias começou a trabalhar cortando cana no final da década de 90 e, de lá para cá, só passou um ano inteiro em casa. O engenho para onde ele costuma viajar fica localizado no estado de Alagoas, no município de Coruripe, a pouco mais de 80 quilômetros de Maceió.</p>



<p>“Vou pra roça de carro de boi, de moto. Antes, ia a pé. O período que ele [Josias] viaja é difícil porque a gente faz tudo sozinha, né? É bastante coisa pra dar conta, é bem complicado. Mas, ele precisa se deslocar para trabalhar. Aqui não tem emprego fixo pra ninguém”, conta Josefa.</p>



<p>Este ano, Josias Manoel deve viajar para passar pelo menos 9 meses longe de casa. Pela segunda vez, em quase duas décadas de casamento, Josefa deve acompanhá-lo. Marta, a filha mais nova, de 10 anos, vai viajar com o casal. As outras duas, Jamile e &nbsp;Josiérica, de 13 e 17, ficarão com as tias, irmãs de Josefa. Os animais também ficarão sob responsabilidade de familiares da agricultora.&nbsp;</p>



<p>Bem perto da casa de Josefa, mora a agricultora Nelma. Ela é casada com Aelson João, 35, há mais de 12 anos. Ele também sempre trabalhou com o corte de cana e deve viajar para Pindorama (outro município de Alagoas) em setembro deste ano e ficar por lá por pelo menos seis meses.&nbsp;</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/Teixeira3-1024x659.jpg" alt="Mulher negra, com semblante sério e cabelos curtos, usando blusa rosa, olha fixamente para a câmera. À direita, um menino negro, de cabelos bem curtos e óculos de grau, usa camisa polo verde. Ambos estão sentados num sofá cinza escuro estampado, com uma parede rosa por trás." class="" loading="lazy" width="652">
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	                                        <p class="m-0">Quando o marido está fora, jornada de Nelma começa de madrugada. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>&nbsp;O casal tem dois filhos: Adryan e Andrey, de 11 e cinco anos. Nelma nunca chegou a acompanhar o marido. Durante todo o tempo de casada, permaneceu vivendo e trabalhando no quilombo Teixeira. O seu filho mais novo é autista, foi diagnosticado aos três anos. A agricultora conta que, dentro da sua rotina, precisa se dedicar principalmente ao acompanhamento médico do filho. “Eu nunca fui com ele [Aelson] porque tem muita coisa aqui pra fazer. E o meu filho mais novo é autista. Além de todo o trabalho que tenho na roça, com os bichos e em casa, preciso cuidar dele. Do tratamento dele. Não posso viajar e deixar ele aqui &#8211; coisa que nunca nem pensei”.</p>



<p>Todos os dias, Nelma acorda às cinco da manhã e enfrenta uma jornada bastante cansativa. “Levanto cinco horas. Faço café e solto as cabras no mato. Depois, levo os meninos pra escola e vou pra roça. Mais tarde, volto em casa pra fazer o almoço e buscar eles. Arrumo a casa e, quando precisa, volto pra roça de novo. Quando chego em casa de vez, é hora de recolher as cabras e me preparar pra dormir com os meninos. É uma correria”.</p>



<p>Esse ano a chuva chegou tarde no quilombo Teixeira. A água veio muito tempo depois do plantio. Quem conseguiu colher, colheu pouco. Numa quantidade insuficiente para o consumo até a próxima safra.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;Josefa e Nelma ainda conseguiram tirar da terra um pouco de milho e feijão, mas a agricultora Pretinha não teve a mesma sorte. A sua roça não deu nada esse ano. Em março, antes de viajar para cortar cana em um engenho de São Francisco do Itabapoana (interior do Rio de Janeiro), o seu marido, Carlos Rosa, 47, ainda preparou a terra para o plantio, mas o sol queimou o que estava brotando.&nbsp;</p>



<p>Pretinha e Carlos estão casados há 20 anos e têm dois filhos e uma neta. Josielson, 25, viajou para o Rio de Janeiro para trabalhar com o pai. Com Pretinha, ficaram Jaqueline, 23, e a sua filha Maria Liz, de 3 anos. Como outras agricultoras, Pretinha também precisa cuidar da terra, dos animais, da casa e da neta, quando a sua filha precisa se ausentar.&nbsp;</p>



<p>No quilombo Teixeira, a rotina das mulheres cujos maridos precisam se deslocar para trabalhar com o corte de cana em outras cidades e estados é, praticamente, a mesma. Nitidamente, há um grande acúmulo de funções na vida e no trabalho dessas mulheres. “Por aqui, o agricultor vive no meio do mundo. As mulheres ficam em casa, cuidando de tudo. É difícil quando um filho adoece e a gente tem que cuidar sozinha, além de dar conta de todas as outras coisas. No inverno, nós temos que plantar, capinar e colher. Eles deixam só a terra arada e o resto é a gente quem faz. É muito difícil”, conta Pretinha.&nbsp;</p>



<p>Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2020, as mulheres que trabalham dedicam cerca de 18,5 horas todos os dias para realizar tarefas domésticas e cuidar de pessoas da família, especialmente dos filhos. Já com relação aos homens empregados, a pesquisa mostra uma dedicação de 10,4 horas para essas atividades. A diferença é de mais de oito horas.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/Teixeira4-1-1024x682.jpg" alt="Close de homem negro, aparentando mais de 40 anos, fotografado em ambiente de pouca luz e parede rosa. Ele usa camisa cinza e olha fixamente para a câmera. Ele está com semblante sério e sua esclera (o branco dos olhos) é amarelada." class="" loading="lazy" width="637">
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	                                        <p class="m-0">Josias Manoel deve ficar pelo menos nove meses longe de Teixeira. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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		<title>Sem falar português nem espanhol, indígenas venezuelanos lutam para sobreviver no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Oct 2019 17:13:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[indígenas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Nattasha Pollyane Em meio à correria da Boa Vista, existem dois endereços ainda mais agitados que o comércio e o trânsito do bairro. Próximo ao alarido de buzinas, ofertas de camelôs e dos locutores atraindo clientes diante das lojas, um idioma estranho aos recifenses é predominante nas casas 400 e 485 da rua da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Nattasha Pollyane</strong></p>
<p>Em meio à correria da Boa Vista, existem dois endereços ainda mais agitados que o comércio e o trânsito do bairro. Próximo ao alarido de buzinas, ofertas de camelôs e dos locutores atraindo clientes diante das lojas, um idioma estranho aos recifenses é predominante nas casas 400 e 485 da rua da Glória, onde, até o momento de fechamento desta reportagem, vivem aproximadamente 120 índios venezuelanos do grupo Warao (ou Guarao).</p>
<p>Só os representantes de cada casa – o cacique Santo e o casal Marisol e Johnny – arranham o português, ou melhor, o portunhol. Os demais se comunicam usando sua língua-mãe, o guarao, idioma falado por esse povo. Nem o espanhol falam.</p>
<p>Nas duas casas, crianças de todas as idades se divertem escutando o reggaeton-gospel do cantor Leonel Nunez em pequenas caixas de som. São dezenas de meninos e meninas que vieram acompanhando seus pais desde Tucupita, no estado de Delta Amacuro, norte da Venezuela, de onde saíram há oito meses. No caminho até o Recife, passaram por diversas cidades brasileiras.</p>
<p>Entraram no Brasil por Pacaraima, em Roraima, se deslocando até a capital Boa Vista, de ônibus. Ora de barco, ora de ônibus, cruzaram a Amazônia, passando alguns meses em Belém para, daí, seguir viagem. São Luís, Fortaleza, Natal foram cidades onde estiveram e e deixaram alguns dos seus parentes e amigos. Ao chegarem em Natal, permaneceram por mais um mês para juntar o dinheiro necessário para fazer o próximo trecho até o Recife.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/ROTA_VENEZUELANOS-01_.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-19916" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/ROTA_VENEZUELANOS-01_.jpg" alt="Web" width="1076" height="516" /></a></p>
<p>O casal Marisol e Jonhny Yhonnimata, por exemplo, negociou com um taxista potiguar que os trouxe, junto com a filha caçula, uma bebê de poucos meses nascida em Belém, por R$ 300. A viagem durou quase cinco horas. Marisol é a representante da casa 485 e responsável pela maior parte das informações que compõem este relato.</p>
<p>“Nós passamos cinco dias para tirar o documento na fronteira, lá tinha muitos venezuelanos, querendo entrar no Brasil, não tivemos nenhum auxílio, passamos muita fome”, diz Johnny.  Eles têm dois filhos, mas o primogênito ficou no Maranhão com a mãe de Marisol. Nesse ponto da conversa, os olhos de Johnny enchem de lágrimas.</p>
<p>As primeiras famílias chegaram no dia 6 de outubro e se dirigiram à pensão situada na casa 400, onde os caciques Santo e Américo os aguardavam. Os três quartos, um banheiro, uma cozinha, com apenas um fogão e nenhuma geladeira, saíram por R$ 400. Trinta pessoas dividem esse espaço onde se acumulam pelo chão colchões, roupas, restos de alimentos, mamadeiras e garrafas de refrigerantes, item consumido exageradamente por eles.</p>
<p><div id="attachment_19907" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/venezuelanos__1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19907" class="size-full wp-image-19907" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/venezuelanos__1.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="534" /></a><p id="caption-attachment-19907" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>“Se pagarem, podem continuar, isso aqui não é meu, é arrendado. O aluguel todo da casa é R$ 2.500,00 incluindo energia, água e IPTU. Eles estão aqui porque eu pensava que eram poucos. Várias pensões estão se negando a alugar quarto a eles por causa da quantidade de gente. Você já foi na outra casa?”, questiona a dona da pensão Ana Cláudia, que não quis informar o sobrenome.</p>
<p>Na outra casa, Marisol é a única moradora que entende português e representa o grupo no diálogo com os recifenses, sejam autoridades públicas ou voluntários trazendo doações.</p>
<p>Na pensão chama a atenção o casal Inácio e Yudene, com seus oito filhos, número sugestivo da alta taxa de fertilidade de sua etnia. Usando os falantes de portunhol como intérprete, as mulheres das casas contaram  que métodos contraceptivos, como o uso de qualquer anticoncepcional, seriam atualmente ilegais entre seu povo &#8211; ao menos em sua região.</p>
<p>As últimas famílias a chegarem na capital pernambucana desembarcaram na terça-feira, 22 de outubro. Seis dessas famílias seguiram para o segundo endereço dos venezuelanos no Recife:  Rua da Glória, 485. No local, cedido por um mês (outubro), já estavam abrigados vários waraos. Um vizinho, sensibilizado ao ver a grande quantidade de crianças que ficariam na rua, sem um teto e sem apoio, apelou ao proprietário, que abriu as portas da casa anteriormente desocupada.</p>
<p><div id="attachment_19904" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/venezuelanos__.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19904" class="size-full wp-image-19904" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/venezuelanos__.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="354" /></a><p id="caption-attachment-19904" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Após duas visitas as casas, a reportagem constatou que, pelo menos, 60% dos moradores são crianças, visivelmente desidratadas, com inflamações nos olhos (algumas com terçol, outras com olhos inchados e vermelhos), ferimentos na cabeça. Uma delas, no dia 25 de outubro, havia contraído catapora, dividindo o mesmo espaço com as demais. Como na pensão, mau cheiro, roupas espalhadas e caixas com doações de comida por todo lado.</p>
<p>Tudo indica que o fluxo migratório não tem data para terminar. Por celular, o cacique se comunica constantemente com seus parentes que estão para chegar ao Recife. &#8220;Foi tudo feito com controle, a gente se ligava e perguntava ‘onde está você?&#8217;, o endereço é tal, rua tal, número tal’,” revela Santo, em seu português sofrível. Santo afirma que o objetivo do grupo não é morar no Recife, mas em qualquer lugar onde lhes arrumem um pedaço de terra para plantar, pois são todos agricultores, sem experiência alguma em viver na cidade. Talvez por isso, sejam tão arredios e não se deixem fotografar.</p>
<p>À falta de dinheiro, soma-se o choque cultural, evidente nos hábitos alimentares. A dieta cotidiana dos indígenas inclui arroz, macarrão, cebola, pimentão, além de banana comprida e asa de frango, só a asinha mesmo, os warao não estão nem aí para as outras partes da galinha.</p>
<h2>A única ajuda</h2>
<p><div id="attachment_19902" style="width: 1454px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/Venezuelanos_-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19902" class="size-full wp-image-19902" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/Venezuelanos_-4.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1444" height="964" /></a><p id="caption-attachment-19902" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Boa parte da comida, além dos produtos de limpeza, colchões e um fogão foram doados por  voluntários que, diariamente, estão lá para dar ajudar e trazer novos donativos. Esse grupo formado espontaneamente vem sendo uma das únicas fontes de apoio que os venezuelanos podem contar no Recife. &#8220;É preciso unirmos forças para ajudar essas famílias. Não podemos permitir que eles tenham saído do seu país para não morrer de fome, deixando para trás lares e parentes para, quando chegam aqui, acabarem morrendo de fome por falta de mãos estendidas,” afirma a comerciária Priscilla Souza, uma das articuladoras do grupo de ajuda.</p>
<p>Outra ajuda, ainda que institucional e sem efeitos práticos, veio da comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, que incumbiu os vereadores  Ivan Moraes (PSOL) e Michelle Collins (PP) de, juntos, fazerem a ligação entre os venezuelanos e a Prefeitura do Recife.</p>
<p>“É obrigação da Prefeitura do Recife garantir o bem estar dessas pessoas, independentemente de quem elas são, de onde elas vêm. Porque se estão no Recife, já passam a ser responsabilidade da gestão pública, independentemente se desejarem pedido de asilo ou obter qualquer tipo de institucionalização da estadia. Nós não podemos admitir que nem eles, nem quaisquer outras pessoas no Recife, fiquem desatendidas. Os imigrantes devem ter acesso aos direitos básicos garantidos pelo poder público”, disse Ivan Moraes.</p>
<p>A prefeitura informou, por meio da assessoria da Secretaria de Desenvolvimento Social, Juventude, Política Sobre Drogas e Direitos Humano, estar ciente do caso. Uma equipe da secretaria foi ao local acompanhando os representantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal. Segundo a assessoria, constatou-se uma relutância por parte dos venezuelanos diante das autoridades. Questionada sobre prazos e datas para possíveis ações de suporte, não houve respostas concretas.</p>
<p>André Carneiro Leão, da Defensoria Pública da União, explicou que, “na sua grande maioria, os venezuelanos passaram pela Operação Acolhida, que funciona na fronteira da Brasil-Venezuela. Nela, eles recebem toda a documentação necessária para permanecer no país, o que inclui um protocolo de solicitante de refúgio, com foto. Além disso, recebem também um CPF especial que precisa ser renovado. Contudo, deve haver alguns que não possuem a renovação desse protocolo, criando um problema administrativo que pretendemos resolver com a Polícia Federal.”</p>
<p>“Solicitei à prefeitura que verificasse a possibilidade de conseguirem um abrigo para eles ou, pelo menos, o pagamento de um aluguel social. Isso está sendo estudado. A situação é muito recente, mas estamos preocupados, sobretudo, com as crianças, pois é preciso garantir que elas tenham o atendimento médico que for necessário, e que possam, o quanto antes, voltar para escola”, detalhou o defensor público da União.</p>
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		<title>Imigrantes senegaleses vivem do comércio informal no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Mar 2019 13:18:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[comércio informal]]></category>
		<category><![CDATA[migração]]></category>
		<category><![CDATA[Pacto de Migrações]]></category>
		<category><![CDATA[senegaleses]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O senegalês Papa Saliou Mbaya chegou no Recife em 2012. Hoje, é conhecido como Pablo, nome mais fácil de ser assimilado e reconhecido por quem o encontra diariamente na Avenida Conde da Boa Vista, no Centro do Recife. Como migrante &#8211; faz parte da comunidade de senegaleses vivendo na capital pernambucana -, ele veio para o Brasil com o objetivo de juntar dinheiro para enviar à família no Senegal. Lá, deixou a esposa e os quatro filhos.</p>
<p>“Aqui é só trabalho. Vim para poder sustentar a família, mas tenho o desejo de trazer minha mulher para cá”, conta o comerciante informal, na banca em que vende bijuterias, relógios, adereços e outros produtos. Apesar dos sete anos já vividos no Brasil, ele não pensa em ficar de uma vez por todas. Nesse tempo, inclusive, já visitou a família no Senegal três vezes.</p>
<p>O perfil de Pablo é o de muitos senegaleses que vieram ao Brasil nos últimos anos. A perspectiva de Copa do Mundo e outros eventos de grande porte favoreceu a criação de um fluxo de pessoas que veio para tentar organizar a vida, com a promessa de um mercado aquecido.</p>
<p>Na maioria homens, os senegaleses que vivem no Recife são uma forte presença no comércio informal, ao menos na comunidade de migrantes africanos. “Os africanos que estão no comércio informal são todos senegaleses. Se você ver, todo senegalês vende a mesma coisa. Jóias, relógios. A maioria chega achando que está bom, mas não é mais assim. A gente tenta convencer as pessoas que estão lá e pensam que aqui é uma maravilha. Às vezes você tem loja lá, sua família e pensa que vir aqui vai ser melhor”, explica Amadou Touré, presidente da Associação de Senegaleses no Nordeste, que tem sede em Pernambuco.</p>
<p>Chegando ao Brasil, além de montar a banca e comprar os produtos, os desafios para quem precisa trabalhar são aprender a língua portuguesa, acessar cursos e qualificações. Amadou explica que a associação foi fundada para ajudar no acesso à documentação, serviços públicos e formalização dos empreendimentos comerciais, em função do aumento de senegaleses migrando para o Brasil. De acordo com ele, em Pernambuco vivem cerca de 220 senegaleses, a maioria no interior, onde, segundo informou, seria mais fácil estabelecer as bancas do comércio informal e ter aceitação da religião muçulmana.</p>
<p><div id="attachment_13401" style="width: 510px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/Amadou-Toure_Senegalês-que-mora-no-Recife_-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-13401" class="wp-image-13401" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/Amadou-Toure_Senegalês-que-mora-no-Recife_-1-300x200.jpg" alt="Recife, 08 de fevereiro de 2019. Matéria sobre imigrantes no recife. Na foto o senegalês, Amadou Toure. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="500" height="334"></a><p id="caption-attachment-13401" class="wp-caption-text">Amadou Toure, presidente da Associação de Senegaleses do Nordeste.</p></div></p>
<p>De acordo com Amadou, o perfil de migrantes africanos mudou ao longo dos anos. Ele, por exemplo, chegou no Brasil pela primeira vez há 18 anos para estudar e hoje trabalha com importação e exportação.</p>
<p>&#8220;<span style="color: #000000;">Quem chega sem dinheiro, a gente faz uma cotinha, procura um ponto para ele ou leva no interior, onde não tem muita fiscalização. Para morar, dividem casas e vivem em comunidade.&nbsp;</span>Alguns chegam a formar família aqui, mas a maioria são homens que vêm sozinhos. As mulheres não podem viajar sozinhas, sem autorização dos pais&#8221;, conta.</p>
<p><span style="color: #000000;">Para grupos de estudantes de intercâmbio, por outro lado, questões como a burocracia e o acesso à informação também podem ser um desafio. A falta de informação da sociedade sobre a cultura dos imigrantes também entra na conta do que precisam enfrentar.&nbsp;</span>“Nós sabemos que no caso do imigrante africano, além do racismo há também outros preconceitos, como a ideia de que vão tomar vagas de empregos, o que não é o caso. Já tivemos casos de discriminação na UFPE, mas o NEAB (Núcleo de Estudos Afro-brasileiros UFPE) é muito atuante e tem diminuído muito a questão do racismo”, conta <span style="color: #000000;">Altino Soares, do EACAPE &#8211; Escritório de Assistência à Cidadania Africana em PE, organização não governamental especializada em apoiar os imigrantes africanos em articulação com outras organizações.</span>.</p>
<h2><strong>Desafios para o direito de migrar</strong></h2>
<p>Com a confirmação da saída do Brasil do Pacto Global de Migrações da ONU, instrumento que estabelece orientações para receber imigrantes e garantir o respeito aos direitos humanos sem distinguir nacionalidade, a comunidade de imigrantes tem observado com atenção as medidas do governo. Segundo Amadou, a comunidade já percebe mudanças. &#8220;Antigamente você tinha visto de dez anos, agora estão recebendo visto de apenas dois anos. Isso aconteceu agora em janeiro. Tem muita coisa que eles mudaram, colocando mais dificuldade&#8221;, conta.</p>
<p>Para o advogado Manoel Moraes, membro do Comitê Interinstitucional de Promoção dos Direitos das Pessoas em Situação de Migração, Refúgio e Apátridas de Pernambuco, a Nova Lei de Migração (<a href="%20http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/L13445.htm">Lei 13.445/17</a>) trouxe um novo entendimento sobre migração e colocou o Brasil numa posição de prestígio frente a comunidade internacional. “A nova lei é excepcional, ela integra o Brasil num esforço muito maior, o Brasil passa a figurar como um país que respeita, que tem legislação que contempla o migrante como pessoa humana. A legislação anterior tratava o migrante como um estrangeiro que, na epistemologia, é o alienígena, é a pessoa que vem para se aproveitar, com um interesse. Essa era a postura do Estado brasileiro. Até porque a lei anterior foi aprovada em numa época de ditadura militar, em pleno estado de exceção”, explica.</p>
<p>Altino, no entanto, avalia que a legislação atual avançou, mas critica o que considera a negação de direitos importantes, como o de votar – <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/05/25/nova-lei-de-migracao-e-sancionada-com-vetos">essa questão foi vetada pelo ex-presidente Temer</a> – e que precisariam ser revistos em um contexto favorável. “O Brasil é o único país da América do Sul que não garante o direito de voto ao imigrante. A gente tem que encarar isso de frente, aceitar a diversidade dos povos. Querendo ou não isso é um fato”, defende.</p>
<p>Na contramão das mudanças da postura progressista que a nova Lei de Migração trouxe, mais do que o descumprimento de pactos, a decisão de Bolsonaro causa preocupação pelo discurso de rejeição ao estrangeiro, que beira a xenofobia. Moraes acredita que é preciso desconstruir essa ideia e fazer um debate com a sociedade. “Infelizmente, a imprensa ainda trata a questão com arquétipos de ameaças. A construção dessa narrativa alimenta a xenofobia porque é uma migração não desejada, porque é uma população pobre, muitas vezes analfabeta, muitas vezes sem formação”, defende.</p>
<p>Para Altino Soares, falta informação para lidar com a diversidade. Ele vê com receio as decisões políticas, mas acredita que o governo não deve avançar com uma política que fragilize o imigrante. “O caso da Venezuela tem mostrado que a situação precisa de atenção. A questão migratória é a questão do conhecimento”, diz.</p>
<p>“Na prática, todo mundo já foi migrante. O Brasil é resultado de uma ocupação portuguesa, quem não é migrante são os índios. Grande parte da humanidade já passou em algum momento fora do que chama de nação. Essa é a ideia de que migração é um direito fundamental para romper com a ideia de Estado nação mais conservador, que tenta proteger suas fronteiras da ameaça imaginária que são os estrangeiros. É a ideia de que não existem fronteiras, as pessoas têm o direito de migrar. Esse é o ponto de fundo. Esse direito é algo universal”, argumenta Moraes.</p>
<p><script id="infogram_0_493ad402-d04e-458d-bfd8-4147f26b0788" title="Série histórica - entrada de migrantes em Pernambuco" src="https://e.infogram.com/js/dist/embed.js?ix8" type="text/javascript"></script></p>
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<p>Em razão do aumento de imigrantes residentes no estado ao longo dos últimos anos, o Ministério Público do Estado elaborou um relatório com foco no direito das pessoas em situação de migração, apátrida e refúgio. O levantamento do histórico dos fluxos migratórios revela o perfil de diferentes grupos de nacionalidades que se estabeleceram em Pernambuco.</p>
<p>Ao contrário do que diz o senso comum, a migração não é novidade, apesar de passar despercebida para parte da população. Ao chegar no Brasil, a pessoa que migra e que não é naturalizada brasileira, ao procurar os serviços públicos é chamada de imigrante, apátrida ou refugiado. Para quem lida diretamente com a questão, é importante diferenciar os termo migrante de refugiado.</p>
<p>A condição de migrante se aplica a pessoas que optam por se deslocar não por causa de uma ameaça direta de perseguição ou morte, mas para melhorar de vida, buscar trabalho, educação, reunião familiar ou outros motivos. O refugiado, de acordo com a Agênia da ONU para refugiados (ACNUR), é alguém que precisou deixar seu país devido a conflitos armados ou perseguições e que, por isso, não podem voltar ao país de origem sem colocar a vida em risco. Para os refugiados há uma legislação e proteções específicas, enquanto os migrantes continuam sob proteção dos governos de seus países. Para todos, a documentação necessária para permanência no Brasil é emitida pela Polícia Federal como, por exemplo, a emissão da Carteira de Registro Nacional Migratório e da Carteira de Trabalho.</p>
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<p><script id="infogram_0_143e30ee-218b-4363-879c-042cda6fa348" title="Migrantes em Pernambuco" src="https://e.infogram.com/js/dist/embed.js?i3A"></script></p>
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		<title>Venezuelanos no Recife tentam reconstruir a vida longe da crise humanitária</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Feb 2019 12:01:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[migração]]></category>
		<category><![CDATA[refúgio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Quando chegamos em Boa Vista dormimos no chão, nas ruas, passamos fome. Levamos chuva, sol, foi forte até que por fim tivemos a oportunidade de nos refugiar&#8221;, conta José Nieto que, com 62 anos é o mais velho venezuelano de grupo de migrantes que chegou ao Recife em dezembro 2018. Engenheiro mecânico aposentado, veio ao Brasil com seu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>“Quando chegamos em Boa Vista dormimos no chão, nas ruas, passamos fome. Levamos chuva, sol, foi forte até que por fim tivemos a oportunidade de nos refugiar&#8221;, conta José Nieto que, com 62 anos é o mais velho venezuelano de grupo de migrantes que chegou ao Recife em dezembro 2018. Engenheiro mecânico aposentado, veio ao Brasil com seu filho, nora e neta, mas deixou na Venezuela uma filha, netos e genro.</p>
<p>Apesar da barreira linguística, o Recife tem se mostrado receptivo e acolhedor para os venezuelanos. A incerteza pelo futuro é motivo de apreensão, mas não desanima. Para eles, a situação já está muito melhor do que em Boa Vista, capital de Roraima, estado por onde <span style="color: #000000;">milhares de migrantes venezuelanos têm entrado no Brasil</span>. Junto com Nieto, vieram 32 mulheres e 34 homens, contando só os adultos, para quem a prioridade é encontrar emprego e garantir a moradia no Recife para, finalmente, enviar dinheiro aos familiares que ficaram. Todas as 25 crianças que compõem o grupo estão matriculadas em escolas e creches.</p>
<p>O grupo é heterogêneo, incluindo mulheres grávidas, bebês e dois idosos que, repetindo a saga de tantas migrantes ao longo da história, optaram por deixar o país de origem para trás e tentar a vida em um local com idioma, costumes e cultura diferentes.</p>
<p>A assistente social Mona Mirella Marques atua diretamente com as famílias venezuelanas que chegaram no Recife para tentar  reconstruir a vida como podem. Para isso, os migrantes contam com o apoio da Casa de Direitos, espaço que integra o programa Pana, uma articulação da Cáritas para integrar migrantes na sociedade brasileira, em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e parceiros locais. Em Pernambuco, essa parceira é protagonizada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).</p>
<p>Foi o Pana que permitiu a esse primeiro grupo de venezuelanos desembarcar no Recife com a garantia de seis meses de moradia, cursos de português, capacitações para buscar empregabilidade e assistência jurídica. A escolha pela cidade foi feita pelos próprios migrantes. A existência da Casa de Direitos como espaço de referência na integração dos imigrantes foi decisiva para essa opção.</p>
<p>Segundo Mona Mirella, o maior desafio é dar condições para que os migrantes, todos solicitantes de refúgio, consigam emprego. “A gente está com uma proximidade muito grande com prefeitura do recife, através da secretaria de Assistência Social. A gente encaminha os migrantes para os serviços, mas não tutelamos ninguém, ninguém recebe status de prioridade. Eles são agora cidadãos de direitos inscritos nos programas de Recife”, explica Mona. Ainda em Boa Vista, os beneficiários do Pana conseguiram tirar CPF, Carteira de Trabalho, documento de solicitante de Refúgio, e fazer a atualização de vacinas. Essa documentação é necessária para o processo de integração.</p>
<h3><strong>Migração é questão da sociedade</strong></h3>
<p style="color: #000000;">A crise humanitária chamou atenção e, apesar da distância do foco dos conflitos, entidades, universidades e organizações que atuam diretamente com a população de migrantes no estado criaram o Comitê Interinstitucional de Promoção dos Direitos das Pessoas em Situação de Migração, Refúgio e Apátridas de Pernambuco para atender às necessidades dessa população. A chegada dos venezuelanos é um aspecto nesse debate, que precisa dar conta também das necessidades e condições de acesso a políticas públicaspara pessoas de outras nacionalidades e ciclos migratórios que estabeleceram residência em Pernambuco.</p>
<p style="color: #000000;">Para o advogado Manoel Moraes, a perspectiva de receber cada vez mais pessoas na condição de migrantes ou solicitantes de refúgio precisa ser enxergada como uma questão da sociedade e não apenas de governos ou fronteiras. “A impressão que eu tenho é que estamos recebendo um fluxo cada vez maior de migrantes ou refugiados sem situação de grande vulnerabilidade, por conta de virem em função de migração planejada. Em função de questões ambientais nos seus países ou crises políticas”, analisa.</p>
<p style="color: #000000;">Para o advogado, é preciso apostar no apelo humanitário e empatia. “O país não pode, enquanto sociedade, enquanto povo, enquanto seres humanos, não podemos prescindir do valor da solidariedade. A gente não pode deixar de ajudar alguém, ajudar um país ou a população de um país, o que seria mais grave ainda”, argumenta.</p>
<h3>A condição de refugiado</h3>
<p>Devido à idade, José Nieto não tem expectativa de encontrar emprego na área, mas deseja aprender logo a falar português e poder para ter condições de encontrar um trabalho. Na Venezuela, ele tinha uma aposentadoria que garantia uma vida digna até que a crise econômica tornou insustentável viver com o que recebe. “Na Venezuela, a situação está muito delicada em muitos aspectos, na segurança, economia. Não há produtos de alimentação. Por causa dessa situação eu me vi obrigado a emigrar da Venezuela para o Brasil com meu filho. Ele também pensa igual a mim e a muitos venezuelanos”, conta.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/José-Nieto_venezuelano-que-mora-no-Recife_-2-e1551036652974.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright  wp-image-13570" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/José-Nieto_venezuelano-que-mora-no-Recife_-2-e1551036652974-300x200.jpg" alt="Recife, 13 de fevereiro de 2019. Matéria sobre imigrantes no Recife." width="430" height="286" /></a>Agora no Recife, José conta que seu objetivo de vida é buscar trabalho para “ficarmos independentes e nos consolidar aqui”. “Eu tomei a decisão contando com meu filho, que é jovem e pode trabalhar. Se eu tiver sorte, consigo um trabalho para fazer limpeza, como ajudante de cozinha, o que seja. O título de engenheiro ficou para trás”, explica.</p>
<p>Para participar do programa, é preciso assinar um termo de adesão. O projeto terá duração até setembro de 2019 e irá receber um novo grupo, ainda sem data definida para chegar à cidade. Depois desse período, as famílias precisarão desocupar os imóveis. “Para ter autonomia, precisam de emprego. É um desafio. Só que aos poucos isso vai acontecendo, a questão da dificuldade de emprego é nacional, não é de Recife. Eles não vieram com discurso de que aqui há garantia. É uma situação de fato de necessidade”, avalia Mona.</p>
<p>As aulas são opcionais, uma das razões pelas quais algumas turmas têm pouca presença. “Eles estão deixando de vir porque estão procurando emprego, mas sempre conversamos para explicar a importância e o que esses cursos podem agregar”, explica a assistente social do programa. O programa ajuda os migrantes a acessar políticas públicas, como o acesso à educação para crianças, adolescentes, ao SUS e programas de emprego. Além disso, o Pana também articula a doação de materiais de limpeza e higiene para as famílias.</p>
<p>Todos os venezuelanos com quem a reportagem conversou contam que, no Recife, a recepção tem sido calorosa e amigável. A maior dificuldade é mesmo o mercado de trabalho. “Todos os dias vamos procurar, mas está sendo difícil. Se não me engano, há nove pessoas vivendo na casa em que estamos. Três companheiros conseguiram marcar entrevistas de emprego, espero que consigam ser contratados”, diz José.</p>
<p><div id="attachment_13573" style="width: 510px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/Liscarli-Alvanez_venezuelana-que-mora-no-Recife_.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-13573" class="wp-image-13573" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/Liscarli-Alvanez_venezuelana-que-mora-no-Recife_-300x200.jpg" alt="Liscarli Alvanez_venezuelana que mora no Recife_" width="500" height="333" /></a><p id="caption-attachment-13573" class="wp-caption-text">Liscarli, de 19 anos, veio da Venezuela com a família em busca de refúgio</p></div></p>
<p>Liscarli Alvanez, de 19 anos, veio no primeiro grupo acompanhado pelo programa da Cáritas. Ela conseguiu um emprego temporário em uma farmácia, entregando folhetos de publicidade. Ela começaria o trabalho no dia seguinte à entrevista. “Não é muito, pois é apenas por um mês, mas é bom para que eu comece. Estava desesperada porque minha filha necessita de coisas e eu precisava trabalhar”, conta Liscarli.</p>
<p>Conseguir dar uma vida digna para a filha de um ano e oito meses foi o que motivou decisão de vir para o Brasil em busca de refúgio. “Já não tinha alimento para ela. Eu amamentava e fui ficando fraca também porque não me alimentava bem. Tinha medo de que ela adoecesse. Lá eu não podia dar uma vida melhor para ela”, lembra a jovem, que vive no Recife com a mãe, pai e irmão. O pai da sua filha ficou na Venezuela.</p>
<p>Segundo Mona, o grupo que chegou já tem pessoas empregadas, mas a maioria em trabalhos informais. As mulheres têm encontrado trabalho como diaristas, realizando faxinas, e outros trabalham em supermercados ou na construção civil.</p>
<p>“Tem um enfermeiro que, agora, está trabalhando em um supermercado. O perfil é diferente da nossa população de rua de recife, por exemplo, que, em geral, não tem escolaridade. Eles tem uma condição de vulnerabilidade em função do refúgio”, ela explica. Para quem tem curso superior, a burocracia é um desafio, mas chega a ser menor que o custo para concluir a revalidação do diploma, explica a assistente social.</p>
<p><a href="https://marcozero.org/assine/"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter  wp-image-13037" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/MARCO_ZERO_HORA_DE_ASSINAR_BANNER-300x39.jpg" alt="MARCO_ZERO_HORA_DE_ASSINAR_BANNER" width="577" height="75" /></a></p>
<p>[Best_Wordpress_Gallery id=&#8221;74&#8243; gal_title=&#8221;Comunidade de Venezuelanos no Recife&#8221;]</p>
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