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	<title>Arquivos Muribeca - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 27 Feb 2024 15:11:05 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Muribeca - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Sem ajuda um mês depois da tempestade, moradores da Muribeca protestam contra prefeitura de Jaboatão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jun 2022 21:44:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[Jaboatão dos Guararapes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, os alagamentos eram raros. Há um mês, as mais de cinco mil famílias que moram no bairro viram a água invadir suas casas. Muitos perderam tudo, com a água chegando até o teto. De lá pra cá, a ajuda que receberam da prefeitura não foi a esperada. Luíza – [&#8230;]</p>
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<p>Na Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, os alagamentos eram raros. Há um mês, as mais de cinco mil famílias que moram no bairro viram a água invadir suas casas. Muitos perderam tudo, com a água chegando até o teto. De lá pra cá, a ajuda que receberam da prefeitura não foi a esperada.<br><br>Luíza – nome fictício da moradora de Jaboatão, que é funcionária pública e teme represálias – conta que sua mãe perdeu tudo. A água no conjunto Brasil Novo chegou até o teto. “A última enchente que entrou água foi em 2005, mas nada se compara ao que aconteceu agora. Dessa vez, entrou em toda casa e perdemos tudo. Minha mãe, de mais de 70 anos, ficou 12 horas em cima da laje, esperando pelo resgate do Corpo dos Bombeiros. E teve sorte. Alguns vizinhos ficaram 24 horas ilhados”, conta.<br><br>Mesmo tendo perdido todos os móveis, roupas, documentos e eletrodomésticos, a mãe de Luiza não recebeu nenhuma assistência da prefeitura de Jaboatão. “Nada, nada Todo dia fica alguém em casa para ver se a prefeitura vai lá, fazer o cadastro”, conta Luíza. &#8220;Quem ajudou foram as doações da população, das ongs&#8221;, diz. Também faz mais de um mês que a idosa, diabética e hipertensa, não recebe as visitas dos agentes de saúde. Quando a água baixou, o lixo e entulhos ficaram dias amontoados pelas ruas. Luiza também conta que faz mais de um mês que a mãe não recebe as visitas dos agentes de saúde.</p>



<p>Hoje, quando completou um mês do fatídico 28 de maio, em que dezenas de pessoas morreram em deslizamentos na Região Metropolitana do Recife, moradores de Jaboatão dos Guararapes fizeram um protesto pedindo medidas mais consistentes, como a dragagem de canais e do rio Jaboatão, além de mudanças nas construções de fábricas, que obstruem o escoamento das águas.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/moradores-da-muribeca-comecam-a-reconstruir-suas-vidas/" class="titulo">Moradores da Muribeca começam a reconstruir suas vidas</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Auxílio em ritmo lento</h2>



<p>Governado por Luiz Medeiros, do PL, — mesmo partido de Bolsonaro e do ex-prefeito Anderson Ferreira, que renunciou para concorrer ao Governo do Estado — <a href="https://marcozero.org/jaboatao-dos-guararapes-foi-o-municipio-com-mais-mortes-por-causa-dos-deslizamentos-de-barreiras/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jaboatão dos Guararapes foi o município que mais registrou mortes</a> após as chuvas: foram 64 óbitos. Passado um mês da tragédia, ainda há sete abrigos ativos, com 488 pessoas, segundo a prefeitura do município. Logo após as cheias, 23 escolas passaram a funcionar como abrigos, chegando a receber 1.225 pessoas. Os moradores da Muribeca reclamam que os abrigos disponibilizados ficam distantes: no conjunto Marcos Freire, a quatro quilômetros de lá, ou ainda mais longe, em Muribeca Velha, a 15 quilômetros de distância. <br><br>A liberação dos auxílios em dinheiro segue em ritmo lento. O valor de R$ 1,5 mil prometido pela prefeitura para as famílias atingidas só foi liberado até agora para 59 pessoas. De acordo com Jaboatão, as famílias que passaram nos abrigos já estão cadastradas para receber o benefício, enquanto outros 239 moradores estão com documentação ou inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) pendentes.<br><br>A liberação do auxílio do governo do Estado, no mesmo valor, é ainda mais lento. Ninguém recebeu ainda. São as prefeituras que estão responsáveis por fazer o cadastramento. Na Muribeca, por exemplo, são apenas nove agentes de saúde que estão batendo de casa em casa e tirando fotos para fazer o cadastro. “Na minha quadra, por exemplo, ninguém passou ainda”, afirma Marcelo Trindade, diretor executivo da ong Somos Todos Muribeca. “Deveriam ter aberto uma seleção emergencial ou chamado pessoas de outros órgãos”, diz.<br><br>Pela Muribeca, a ajuda chegou para poucas pessoas e de forma inconstante. “Não foi a prefeitura, não foi Governo do Estado, quem fez a maior parte das ações e doações. Foram os movimentos, a população. Muita gente fez doações”, conta Marcelo, que ainda está realizando a entrega de mantimentos no bairro.<br><br>Hoje, depois do protesto, a prefeitura chamou os moradores para conversar e fazer reuniões. “Mas essas reuniões localizadas não dão resultado. Precisamos de ações no macro. Muitas empresas se instalaram na Muribeca em locais que eram bolsões de água, que era para onde a água da chuva corria. Esses aterros, com licença da prefeitura e do estado, foram os responsáveis pelos alagamentos aqui, além do lixo nos canais”, denuncia Marcelo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Serviço de coleta de lixo parou nas áreas atingidas da Muribeca</p>
	                
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<p>Em nota, a prefeitura de Jaboatão afirma que foram distribuídos 10.765 cestas básicas, 2.166 colchões, 3.785 kits de higiene e 35.371 garrafas e copos de água mineral. “Já foram investidos R$ 10,270 milhões em ações de resposta imediata, de maio para cá. Só de entulhos e lixo de ruas, rios, galerias e canaletas removemos 29 mil toneladas, além das ações de tapa-buracos, recapeamento, colocação de lonas, iluminação, podas”, diz a nota.<br><br>Sobre a lentidão no cadastramento estadual, a prefeitura afirma que “agentes de saúde e endemia estão indo de casa em casa, onde registram os danos com fotos e colhem os dados dos moradores, que precisam ser inscritos no CadÚnico e atender aos demais critérios do governo, como terem os imóveis atingidos total ou parcialmente. Os recursos ainda serão liberados pelo Estado”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Recife já cadastrou 32 mil famílias</h3>



<p>Além de Jaboatão dos Guararapes, a Marco Zero solicitou às prefeituras do Recife, Olinda e Camaragibe, os municípios com mais mortos após os deslizamentos, quais ações haviam sido feitas nestes 30 dias. Apenas Jaboatão e a prefeitura do Recife responderam à reportagem.</p>



<p>Em nota, a prefeitura do Recife afirma que beneficiou cerca de 9,5 mil famílias com os auxílios Municipal e Estadual (AME), no valor de R$ 2.500, em parcela única. Mais de 32 mil famílias foram cadastradas, num total de R$ 23, 6 milhões. Assim como em Jaboatão dos Guararapes, o auxilio moradia passou a ser de R$ 300.</p>



<p>A nota também afirma que a Prefeitura do Recife solicitou ao Governo Federal a liberação de R$ 300 milhões para execução de obras de contenção de encostas, requalificação de escadaria, construção de muros de arrimo, dentre outras benfeitorias. “A gestão municipal também reivindicou o repasse de R$ 74 milhões remanescentes de um convênio celebrado entre a Prefeitura do Recife com a União, desde 2012, via o PAC Encosta, que totalizava R$ 150 milhões. Além disso, a Prefeitura reforçou o pleito de R$ 200 milhões para a construção de unidades habitacionais”, diz a nota.</p>



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<p><br></p>
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		<item>
		<title>Moradores da Muribeca começam a reconstruir suas vidas</title>
		<link>https://marcozero.org/moradores-da-muribeca-comecam-a-reconstruir-suas-vidas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sérgio Miguel Buarque]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jun 2022 01:50:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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		<category><![CDATA[Muribeca]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nas ruas esburacadas, nas marcas deixadas pela água nas paredes, na lama espalhada por toda parte ou nos entulhos e móveis inutilizados depositados nas calçadas. Os estragos causados pelas fortes chuvas dos últimos dias na Região Metropolitana do Recife estavam visíveis por todo bairro da Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes. Com o sol reaparecendo timidamente [&#8230;]</p>
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<p>Nas ruas esburacadas, nas marcas deixadas pela água nas paredes, na lama espalhada por toda parte ou nos entulhos e móveis inutilizados depositados nas calçadas. Os estragos causados pelas fortes chuvas dos últimos dias na Região Metropolitana do Recife estavam visíveis por todo bairro da Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes. Com o sol reaparecendo timidamente nesta terça-feira, as pessoas começaram a retornar às suas casas e a realizar reparos emergenciais, sinalizando que, depois da tempestade, o esforço de reconstrução havia começado.<br><br>Mas será um longo trabalho. Isso porque ninguém no bairro lembra de uma inundação maior do que a do sábado passado. A água chegou em áreas que nunca haviam alagado. Nos pontos mais próximos ao rio Jaboatão e aos córregos que cortam a região, as casas mais baixas ficaram submersas e as pessoas precisaram ser resgatadas de barco e até de helicóptero.</p>



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<p>A comunidade do Brasil Novo foi uma das mais atingidas. Marcos Luiz mora há 27 anos, com a mulher e dois filhos, na última casa da rua Hildo Cavalcanti (antiga rua Principal), a cerca de 50 metros do córrego Mariana, um braço do rio Jaboatão. Como mora lá há muito tempo, Marcos já havia se preparado para os recorrentes alagamentos. Baseado nas inundações do início dos anos 2000, ele reformou sua casa, elevando o piso em 1,25 metro. Mesmo assim, após as chuvas de sábado, a marca na parede da sala media 90 centímetros de altura. “Nunca vi nada igual. Para ter 90 centímetros dentro de casa, a água do córrego subiu mais de 2 metros. Perdi praticamente tudo”, lamenta Marcos.</p>



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<p>Se a casa de Marcos não fosse tão alta, teria acontecido com ela o que aconteceu com a do vizinho da frente, Fernando José da Silva. Mais alguns centímetros e a residência de Fernando teria ficado totalmente submersa. Na parede da frente, a marca da cheia de 2005, que ainda está pintada lá bem abaixo do nível atingido agora, deixava claro a dimensão do que aconteceu no sábado. “Ainda não tive coragem de entrar. Tá tudo lá dentro, certidão de nascimento, de casamento… perdi tudo”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Esse pequeno triângulo desenhado na parede é a marca da cheia de 2005. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p><br><br>Tanto Marcos quanto Fernando relataram a velocidade com que a água subiu no sábado. “Às 6h, estava na frente da casa. Às 8h, ela chegou na rampa. Nessa hora levantamos os móveis e fomos para casa dos parentes”, lembra Marcos. E Fernando complementa: “em três horas encheu tudo”.<br><br>No início da tarde da terça-feira, os dois esperavam o restabelecimento do fornecimento de energia e água para começarem a reconstruir suas vidas. “Vou juntar recursos para fazer um primeiro andar e abandonar o térreo”, planeja Marcos.</p>



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		<title>Cesam e mais mil famílias garantem direito de permanecer na Muribeca</title>
		<link>https://marcozero.org/cesam-e-mais-mil-familias-garantem-direito-de-permanecer-na-muribeca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Feb 2020 20:08:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Jaboatão dos Guararapes]]></category>
		<category><![CDATA[Muribeca]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória do Cesam e de mais mil famílias que moram na Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes. Em novembro do ano passado, a juíza Nilcéa Maggi, da 5ª Vara Federal, determinou a demolição do Centro de Saúde Alternativa da Muribeca (Cesam) e de outros cinco pequenos imóveis que ficavam no entorno. Foram meses de luta, de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vitória do Cesam e de mais mil famílias que moram na Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes. Em novembro do ano passado, a juíza Nilcéa Maggi, da 5ª Vara Federal, determinou a demolição do Centro de Saúde Alternativa da Muribeca (Cesam) e de outros cinco pequenos imóveis que ficavam no entorno. Foram meses de luta, de busca de apoio, até a decisão, dada esta semana, de que não só o Cesam vai  permanecer na mesma casa onde foi fundado há 21 anos, como também todas as construções fora do terreno da Caixa vão permanecer, o que beneficia cerca de mil famílias da Muribeca.<br><br>A decisão se baseia em uma nova planta georreferenciada da área que hoje pertence à Caixa Econômica Federal e, após a conclusão das demolições, será doada para a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes. Com isso, a área da Caixa diminuiu: o Cesam, a Igreja Batista e outras construções, onde moram, calcula-se, mil famílias, ficaram de fora do terreno da Caixa. O Bloco 10, da quadra 3, permanece como terreno da Caixa e deverá ser demolido. <br><br>Até a decisão de novembro, a Justiça pedia a demolição de toda e qualquer construção que estivesse em um raio de 6 metros da área de demolição do terreno da Caixa. Com a decisão de novembro do ano passado, a Justiça mudou seu entendimento e passou a contar também as casas do bairro que eram irregulares &#8211; ou seja, ocupações sem documentação. Agora, a Justiça voltou atrás e também solicitou a regularização latifundiária dessas mesmas construções, junto à Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes. <br><br>Para Giselda Alves, uma das mulheres fundadoras do Cesam, a vitória deixou a instituição mais fortalecida.  &#8220;A gente não tinha ideia do que o Cesam se tornou. Clientes nossos que a gente nem conhecia, ofereceram um local para  o Cesam ficar. As universidades Rural e Federal, a Universidade de Ottawa, no Canadá, a Igreja, a comunidade, todos nos apoiaram e ficaram do nosso lado. Foram momentos difíceis, mas sempre confiamos e perseveramos&#8221;, conta Giselda.<br><br>Ela também comemora o fato de que o processo contra o Cesam resultou em uma sentença mais abrangente, que beneficiou toda a comunidade da Muribeca. &#8220;Para a gente foi muito bom, o benefício veio completo, não foi por acaso que passamos por tudo isso. Conseguimos não entrar em discussões que separam a comunidade e ainda juntar todos os lados da Muribeca, mesmo grupos opostos. Todos se uniram no interesse do Cesam permanecer aqui&#8221;, conta. <br><br>O próximo passo agora é garantir a escritura da casa onde funciona o Cesam. &#8220;Neste processo todo, vimos que a documentação que temos era muito frágil. Agora, vamos ficar em cima pela regularização&#8221;, conta Giselda. A advogada do Cesam, Lívia Santos, vai integrar uma comissão da OAB que vai tentar agilizar a documentação. <br><br>Em ano eleitoral, o prefeito Anderson Ferreira (PL) reuniu na manhã de hoje o Cesam, lideranças e comerciantes da Muribeca para comunicar a decisão da Justiça como uma vitória da prefeitura. E também para dizer que os títulos de posse serão concedidos ainda neste ano para as mil famílias beneficiadas pela Justiça. Além do apoio da OAB, uma parceria será feita com o curso de Direito da Faculdade Guararapes para acompanhar a regularização dos imóveis. <br><br>O advogado Renan Castro, que acompanha a situação das famílias da Muribeca pelo Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), lembra que a decisão judicial deve ser cumprida independentemente de quem for o prefeito. E que um ano é um prazo muito curto para que todas as famílias recebam o título de posse. <br><br>&#8220;Agora é obrigação legal da prefeitura fazer essa regularização latifundiária, com base no pedido do Cendhec, CPDH e tantas outras entidades que estão nessa luta. Mas há vários estudos que precisam ser feitos sobre o tipo de título a se conferido. É um trabalho que muito possivelmente vai extrapolar um ano&#8221;, acredita o advogado. </p>



<h2 class="wp-block-heading"> O futuro da Muribeca</h2>



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	                                        <p class="m-0">Prefieto reunido com lideranças da Muribeca. Foto: PMJG/Divulgação</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>A Caixa Econômica Federal deve concluir as demolições e a limpeza do terreno do antigo Conjunto Residencial da Muribeca até o dia 10 de março. Pela sentença judicial, as famílias serão indenizadas ou será construído um novo habitacional no mesmo espaço. <br><br>Acontece que decisão da mesma juíza Nilcéa Maggi afirma que no local não deve ser construído mais habitações. Ela se baseia em um estudo de macrodrenagem da região de Jaboatão Baixo que indica que a área seria sujeita a alagamentos. As famílias que tiveram seus apartamentos e casas demolidos, portanto, não poderiam mais voltar a ter um lar na Muribeca, mesmo com edificações construídas com técnicas seguras.<br><br>A decisão bate de frente com o fato de que, desde 2016, a Muribeca voltou a ser uma Zeis (Zona de Especial Interesse Social), o que inclui destinação para habitação popular. Também ainda não foi feito um plano urbanístico específico para o bairro, como prevê a  legislação das Zeis &#8211; o que, segundo a prefeitura, só deverá ser realizado quando a doação for concretizada. <br><br>Na reunião de hoje, o prefeito Anderson Ferreira afirmou que só quando receber oficialmente a doação do terreno pela Caixa é que vai atrás de financiamento para ver a destinação da área. No momento, se fala na construção de um parque. Como a área é enorme, com cerca de 20 hectares, outras propostas deverão ser estudadas. Uma galeria de comércio também foi prometida hoje pelo prefeito aos comerciantes que atuavam dentro do conjunto. </p>
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		<item>
		<title>A ameaça ao Centro de Saúde Alternativa da Muribeca e a extinção de um bairro</title>
		<link>https://marcozero.org/a-ameaca-ao-centro-de-saude-alternativa-da-muribeca-e-a-extincao-de-um-bairro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Nov 2019 15:48:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Cesam]]></category>
		<category><![CDATA[demolição]]></category>
		<category><![CDATA[Jaboatão dos Guararapes]]></category>
		<category><![CDATA[Muribeca]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pelo caminho até o Centro de Saúde Alternativa da Muribeca (Cesam) o que se vê parece um cenário de filme pós-apocalíptico: construções comerciais semidestruídas, prédios abandonados, entulhos com muitos metros de altura, grandes áreas sem nada. O Cesam lembra, então, um oásis: uma casa grande, com primeiro andar, rodeada por jardim e quintal repletos de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pelo caminho até o Centro de Saúde Alternativa da Muribeca (Cesam) o 
que se vê parece um cenário de filme pós-apocalíptico: construções 
comerciais semidestruídas, prédios abandonados, entulhos com muitos 
metros de altura, grandes áreas sem nada. O Cesam lembra, então, um 
oásis: uma casa grande, com primeiro andar, rodeada por jardim e quintal
 repletos de plantas. O cheiro de ervas no ar se harmoniza com a 
serenidade das mulheres que, há 21 anos, trabalham na terra e no 
laboratório do centro, plantando, manipulando e vendendo remédios 
fitoterápicos. Agora, esse espaço também está ameaçado pelo processo 
judicial que determinou a demolição dos 69 blocos do 
ConjuntoResidencial da Muribeca.</p>



<p>No dia 13 deste mês, as seis mulheres que fazem parte do Cesam  receberam uma notificação da 5ª Vara Federal para desocupar o prédio em  um prazo de 15 dias. A alegação é de que o prédio estava em terreno  irregular, no entorno do bloco 10 quadra 1 do conjunto Muribeca. Além do  Cesam, cinco pequenas casas na frente também foram notificadas no mesmo  dia. O temor de moradores e entidades que atuam no bairro é que a ação  judicial, que começou há mais de 20 anos por conta de falhas estruturais  nos blocos do conjunto habitacional, agora está se expandindo, já em  sua fase de execução, para uma ação voltada para desocupar terrenos sem  documentação na Muribeca.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Prédio do Cesam é ameaçado de despejo" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/JXvPqbBJNH8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption>Imagens: André Soares (especial para MZC)</figcaption></figure>



<p>OCesam é uma terra fértil para mais de 100 plantas com propriedades 
medicinais. Para várias enfermidades, há uma solução ou um alívio. 
Tintura de azeitona para diabetes, shampoo de babosa para queda de 
cabelo, xarope de xambá para tosse, tintura de mulungu para insônia. 
Algumas plantas são sazonais: só quando as chuvas batem na terra, elas 
começam a brotar. É uma riqueza que está, então, não apenas no 
laboratório onde os medicamentos são feitos, mas na própria terra.</p>



<p>Em uma comunidade onde há apenas um posto de saúde – só com 
consultas, sem atendimento de emergência – as mulheres do Cesam têm 
também um papel importante de oferecer noções básicas de saúde. Enquanto
 conversava com a reportagem da Marco Zero, Giselda Alves, uma das 
fundadoras, atendia com atenção quem chegava por lá em busca de algum 
remédio, oferecendo informações e encaminhamentos. “Médicos do posto da 
Muribeca e de bairros vizinhos também costumam receitar nossos 
remédios”, comenta.</p>



<p>O trabalho do centro é amplamente reconhecido na comunidade 
acadêmica. Já foi tema de pesquisas de mestrado na UFPE e de curso de 
extensão da Universidade de Ottawa, no Canadá. As fundadoras já 
participaram de seminários até na Holanda. A UFPE, a UFRPE, o IFPE e a 
Fiocruz desenvolveram trabalhos em conjunto com o Cesam. Excursões de 
alunos de escolas públicas e privadas são frequentes por lá.</p>



<p>Em frente à casa do Cesam está um enorme terreno vazio, onde antes  eram blocos de apartamentos. As cinco edículas  – como Justiça e  prefeitura de Jaboatão dos Guararapes chamam as pequenas construções e  puxadinhos – notificadas na mesma data ficam coladas com o muro, mas não  afetam a construção principal.</p>



<h2 class="wp-block-heading"> A quem interessa, então, a desocupação do Cesam? </h2>



<p>Não dá para falar do Cesam sem falar também da história da Muribeca. 
Em 1988, pouco depois da entrega dos blocos aos proprietários, o bloco 1
 já apresentou problemas na estrutura e foi apelidado de “Balança mas 
não cai”. O extinto Banco Nacional de Habitação (BNH) – absorvido pela 
Caixa – fez a mudança das famílias para outro residencial e demoliu o 
prédio.</p>



<p>A igreja Católica, que havia recebido do BNH um terreno que alagava, 
fez uma troca em 1996: ficou com o terreno do bloco 10 em troca do 
outro, cedido pelo banco como um espaço de convivência presente no 
projeto original da Muribeca. Como a igreja já havia sido construída em 
outro local, em 1998 o padre Paulo apoiou a proposta para que no local 
funcionasse um centro comunitário, do qual o Cesam faz parte. A casa foi
 construída por meio de doações do Lions Clube da Holanda.</p>



<p>À época, o BNH fez um documento de cessão do terreno para a paróquia.
 Semana passada, com a inesperada notificação de desocupação, o Cesam 
foi atrás de um documento da Arquidiocese repassando o terreno para o 
centro comunitário. “Fomos muito bem recebidas. Dom Saburido (arcebispo)
 não estava, mas deixou um representante para nos receber e dizer que o 
que fazemos aqui é o evangelho vivo”, contou Giselda.</p>



<p>Na segunda-feira (25), munida dos dois documentos, a advogada Lívia  Santos, que cresceu acompanhando as atividades da mãe, Arnaílda  Ferreira, no Cesam, despachou com a juíza Nilcéa Maggi. Além do  documentos que comprovam que o terreno não é da Caixa, levou um dossiê  sobre a importância do trabalho do Cesam e uma carta de apoio com a  assinatura de mais de 80 entidades. A juíza, então, solicitou duas notas  técnicas: uma à Caixa e outra à prefeitura, sobre a legalidade do  terreno e o impacto no imóvel da demolição de outras estruturas. A  pedido das mulheres do Cesam, Lívia também incluiu no pleito as cinco  construções na frente do centro. Tanto a Caixa quanto a prefeitura têm  cinco dias para apresentar à Justiça as notas. A partir delas, e com o  material entregue pela defesa, a juíza deverá dar sua decisão sobre o  futuro do Cesam.</p>



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	                                        <p class="m-0"> Vista aérea de parte da Muribeca, já com os blocos demolidos (Foto: André Soares)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Não se sabe quemapontou à Justiça a desocupação do Cesam. Em nota à 
Marco Zero, tanto a Caixa quanto a prefeitura de Jaboatão dos Guararapes
 negaramter feito qualquer pedido desta natureza. A Caixa disse que 
acompanha exclusivamente a demolição dos blocos residenciais 
originalmente existentes no Conjunto Residencial Muribeca. No mapa de 
demolição da AC Engenharia, contratada pela Caixa para as demolições, 
também não consta o prédio do Cesam.</p>



<p>Por um termo assinado na Justiça em 2015, a Prefeitura de Jaboatão 
dos Guararapes ficou responsável por indicar e notificar as edículas do 
Conjunto Residencial da Muribeca. Isso porque, como são muitas pessoas, 
seria muito complicado usar oficiais de justiça. À prefeitura, também 
coube demolir essas construções. Em nota, a prefeitura afirma que “fez 
acordo com a CEF para a própria instituição financeira realizar o 
serviço na mesma ocasião em que demolisse os prédios. Quanto ao Cesam, 
cabe à Justiça Federal e à Caixa Econômica Federal esclarecer o motivo 
da demolição do imóvel”. O motivo, como está escrito na própria 
notificação, seria por estar ilegalmente em terreno da Caixa, o que não é
 o caso.</p>



<p>“Talvez tenha sido um equívoco. Não queremos apontar o dedo para a  prefeitura, não é o nosso intuito. Essa ação serviu para mostrar a força  popular, acadêmica e comunitária do Cesam. Veio para mostrar para o  município, o estado e a União a pedra preciosa que está aqui na  Muribeca”, defende a advogada Lívia Santos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"> Muribeca, um bairro em extinção </h3>



<p>Tentar entender a situação dos moradores do bairro da Muribeca é como
 caminhar em um labirinto: há vários caminhos a se seguir e nem sempre 
uma saída. Existem os que eram mutuários/proprietários dos apartamentos 
do conjunto habitacional. São em torno de 2 mil famílias. Recebem 
auxílio aluguel da Caixa Econômica, no valor de R$ 907, e receberam uma 
indenização por danos morais (em torno de R$ 12 mil), mas ainda aguardam
 a indenização pela perda do imóvel ou a construção de um outro. Os 
valores ainda não foram definidos.</p>



<p>Dos que moravam nos puxadinhos dos edifícios, a maioria foi para o 
conjunto habitacional Fazenda Suassuna, na Muribequinha. Foram 
enquadrados na faixa mais baixa do Minha Casa, Minha Vida, que beneficia
 famílias que recebem até R$ 1,8 mil. “Para quem recebe um pouco a mais 
que isso, não foi concedida nenhuma opção”, reclama Luiz Cláudio Gomes, 
do movimento Somos Todos Muribeca. “É, também, um bairro longe, quase 
sem comércio, com dificuldade de transporte, de educação e saúde”, 
continua.</p>



<p>Uma terceira leva de moradores da Muribeca é a que está agora no 
centro da ameaça à despovoação do bairro. São aqueles que moram em casas
 nos arredores do antigo conjunto habitacional. Surgiram de ocupações 
das terras ao redor, que foram crescendo ao longo dos anos. No final de 
2018, o grupo Somos Todos Muribeca conseguiu uma verba para fazer um 
censo de quantas pessoas estão nessa situação. A pesquisa é comandada 
por mulheres da Ilha de Deus, que já têm conhecimento sobre como fazer 
recenseamentos em áreas de comunidades.</p>



<p>Até recentemente, a determinação da Justiça era de que as construções  distantes até seis metros dos conjuntos também deveriam ser demolidas.  As situadas entre seis e doze metros, seriam desocupadas somente durante  as obras de demolição, para evitar riscos. Mas no começo de novembro  esse entendimento mudou: o critério deixou de ser o de risco para ser o  de legalidade. No caso de uma Igreja Batista, que foi notificada e  recorreu, a juíza Nilcéa Maggi decidiu que “toda e qualquer construção  que estiver dentro do terreno Conjunto Muribeca, em conformidade com a  planta apresentada pelo Setor de Engenharia da Caixa, precisarão ser  demolidas, independentemente da distância que estejam dos blocos do  conjunto”. Ou seja, as ocupações, mesmo as que não oferecem riscos,  poderão ser demolidas.</p>



<h4 class="wp-block-heading"> Justiça e prefeitura em sintonia </h4>



<p>Há seis anos, o TRF-5 confirmou que a Caixa era culpada pelas falhas 
na construção do Conjunto Residencial da Muribeca. O Ministério Público 
Federal levantou que 63 dos 69 blocos restantes tiveram algum tipo de 
erro na construção: os blocos pré-fabricados em concreto dos 
prédios-caixão foram os principais responsáveis pela instabilidade das 
construções, apontavam as muitas perícias da Defesa Civil e de 
consultorias.</p>



<p>Reformas não pareciam surtir efeitos de longo prazo. Em 1994, o Bloco
 15 foi interditado porque havia o risco de desabar. Após meses de 
reforma, os moradores voltaram ao prédio no mesmo ano. Porém, 12 anos 
depois, foi interditado novamente, com os mesmos riscos estruturais.</p>



<p>O foco das várias perícias eram as falhas na construção. Erros que se
 repetiram em outros prédios do tipo caixão na Região Metropolitana do 
Recife, o que levou o Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep) a 
vetar em 2005 a construção de prédios-caixão com esta técnica, chamada 
de alvenaria autoportante.</p>



<p>A Justiça usou um estudo de macrodrenagem da região de Jaboatão Baixo
 para suspender qualquer construção para habitação nos 20 hectares do 
antigo conjunto, pois a área seria sujeita a alagamentos. As famílias 
que tiveram seus apartamentos e casas demolidos, portanto, não poderiam 
mais voltar a ter um lar na Muribeca, mesmo com edificações construídas 
com técnicas seguras.</p>



<p>Essa decisão bate de frente com o fato de que, desde 2016, aMuribeca
 voltou a ser uma Zeis (Zona de Especial Interesse Social), o que inclui
 destinação para habitação popular. Mesmo assim, a prefeitura não foi 
atrás de novas perícias ou estudos específicos sobre o solo da região da
 Muribeca, aceitando sem contestar a determinação judicial de não 
construir habitações ali. Também ainda não foi feito um plano 
urbanístico específico para o bairro, como prevê a legislação das Zeis.
 “A prefeitura está aguardando a finalização do processo demolitório 
para estudar os novos parâmetros urbanísticos da referida Zeis”, diz 
nota da prefeitura.</p>



<p>A CAUS – Cooperativa Arquitetura,CAUS Urbanismo e Sociedade está 
trabalhando em um plano urbanístico alternativo, feito junto com a 
comunidade. Estudos da topografia indicam que a área está entre sete e 
nove metros acima do mar. “Não lembro de alagamento no conjunto de 
prédios. Pelo contrário, pessoas de outras comunidades se abrigavam das 
chuvas aqui. A única vez que entrou água foi na chuva de 2005”, conta 
Luiz Cláudio. Naquela ocasião, o rio Jaboatão chegou a subir oito metros
 em um único dia.</p>



<p>No mês passado, o prefeito Anderson Ferreira se reuniu com o 
presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para discutir recursos federais 
para a construção de um parque na área do antigo conjunto, que, também 
pela decisão judicial, será doado ao poder municipal. Questionada sobre 
quais os planos para o futuro terreno, a prefeitura disse em nota que 
“por determinação da Justiça federal, o terreno do Conjunto Muribeca 
deverá ser utilizado como espaço público. Por ser uma área que mede 
cerca de 20 hectares, o município trabalha para contar com recursos 
federais”.</p>



<p>Para o advogado Renan Castro, que acompanha a situação das famílias 
da Muribeca pelo Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), parece 
existir uma espécie de força-tarefa entre o judiciário e a prefeitura 
para remover as famílias do bairro. “Eles têm uma sintonia. Uma sentença
 judicial determinar que não pode construir habitação é algo bastante 
heterodoxo no direito. Não cabe à justiça definir planejamento urbano. A
 questão da condenação dos blocos acabou dando constitucionalidade para 
que o judiciário e o executivo agissem de acordo com a especulação 
imobiliária”, acredita.</p>



<p>O que representantes de moradores veem é um projeto de gentrificação 
da Muribeca: quando moradores mais pobres são expulsos de uma região, 
abrindo espaço para o mercado. “Se você pergunta o que é a Muribeca para
 um ex-morador, muitos têm uma visão saudosista. Houve uma época de 
muitas festas, de festivais, de equipamentos públicos que funcionavam, 
de acesso a transporte público. A Muribeca fica muito bem localizada: 
perto da BR 101, de Suape, com acesso fácil à BR-232. Quando falam em 
parque, querem atingir um outro público, diferente dos que hoje moram 
aqui. E, depois, outros tipos de empreendimento podem surgir, voltados 
para a classe média”, diz Luiz Cláudio, do Somos Todos Muribeca.</p>
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