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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Discurso de sustentabilidade contrasta com aumento de uso de plásticos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Oct 2021 21:46:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Andréa Machado, da Agência Nossa A primeira impressão ao entrar no site da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) é de que se trata de uma instituição ligada ao meio ambiente.&#160;Verde predominante no layout, logotipo que até lembra o formato de uma folha e palavras como sustentabilidade e reciclagem em destaque. O que [&#8230;]</p>
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<p>por <strong>Andréa Machado, da <a href="https://www.agencianossa.com/2021/10/29/discurso-de-sustentabilidade-nas-empresas-contrasta-com-aumento-de-plasticos/">Agência Nossa</a></strong></p>



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<p>A primeira impressão ao entrar no <a href="http://www.abiplast.org.br/">site da Associação Brasileira da Indústria do Plástico</a> (Abiplast) é de que se trata de uma instituição ligada ao meio ambiente.&nbsp;Verde predominante no layout, logotipo que até lembra o formato de uma folha e palavras como sustentabilidade e reciclagem em destaque. O que não fica tão óbvio à primeira vista é o próspero mercado que, segundo o Perfil 2020 da associação, produziu 7,3 milhões de toneladas de plástico no ano passado, um crescimento de 2,4% em relação a 2019 e o maior quantitativo desde 2015, quando a produção foi de 7,6 milhões de toneladas.</p>



<p>O faturamento do segmento também cresceu, com um índice de 5,5%, alcançando a marca de R$ 90,8 bilhões no ano passado. Só a brasileira Braskem, sexta maior petroquímica do mundo – indústria fundamental para a produção de plásticos – encerrou o ano de 2020, em plena pandemia, com R$ 58,5 bilhões de receita líquida. O relatório da empresa informa ainda que o ano passado ficou marcado pelo recorde trimestral de vendas de resinas no mercado brasileiro e aumento de vendas nos Estados Unidos, na Europa e no México, levando a um resultado operacional ajustado de aproximadamente R$ 11 bilhões.</p>



<p>Teoricamente, no entanto, o mundo está mudando e as empresas de plástico e matérias-primas do setor estão comprometidas com práticas sustentáveis. O principal produto da indústria do plástico, aliás, nem é mais o plástico e sim o “transformado plástico”, uma mudança sutil, em consonância com o segmento que adota o discurso da sustentabilidade.&nbsp;</p>



<p>Em setembro, a Abiplast anunciou a “Rede Pela Circularidade do Plástico“, novo nome para o projeto de economia circular da instituição, que antes se chamava “Rede de Cooperação para o Plástico“. “O plástico não precisa acabar, precisa circular”, diz o novo slogan do projeto, que combina muito pouco com a boa fase do segmento. Outra iniciativa foi a parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em 2020, com o objetivo de aprimorar a gestão de resíduos sólidos. A ação inclui projetos de educação e conscientização, como o Movimento Plástico Transforma, realizado em parceria com a Braskem.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Atlas do Plástico</h2>



<p>Especialistas, entretanto, são unânimes ao afirmar que só a redução do plástico pode ser considerada uma ação sustentável. De acordo com o <a href="https://youtu.be/XwjbVWa6iVE">Atlas do Plástico 2020</a>, publicação da Fundação Heinrich Böll, apenas 1,28% das 11,3 milhões de toneladas de resíduo plástico produzido por ano é de fato reciclada no Brasil. A publicação, que traz informações e números sobre os polímeros sintéticos no Brasil e no mundo, informa que o Brasil tem reciclagem de&nbsp; 145 mil toneladas anuais segundo as informações mais recentes.</p>



<p>Os EUA seguem como campeões de produção de lixo plástico, com 70,782 milhões por ano, mas a taxa de reciclagem é de 34,60%, enquanto esta média no mundo é de, pelo menos, 9%. A publicação também aponta que o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico no mundo.</p>



<p>&nbsp;“A Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei nº 12.305/10, fala bem claro qual é o caminho: primeiro a não geração, depois a redução, reutilização, reciclagem e tratamento, ou seja, não gerar seria o fundamental. Reciclagem é só a segunda forma mais eficiente, não produzir e não consumir é o ideal“, destaca o coordenador de Programas e Projetos na área de Justiça Socioambiental da Fundação Heinrich Böll no Brasil, Marcelo Montenegro.</p>



<p>Montenegro destaca que uma lei em vigor em toda a União Europeia já baniu o plástico de uso único, que gera maior quantidade de resíduos, como plástico filme, embalagens, talheres e copinhos. Montenegro acredita que uma legislação similar seria o caminho ideal para minimizar o problema do descarte de plástico no Brasil.</p>



<p>De acordo com o jurista ambiental, muitos produtores de plástico no país não levam em conta a cadeia produtiva nem mesmo cumprem a lei, como os fabricantes de embalagens de biscoitos salgadinhos, que, segundo o especialista, é confeccionado a partir de uma combinação de diversos tipos de plásticos não recicláveis.</p>



<p>“Quando se vê este plástico na rua, se culpa o cidadão, o município que deveria ser responsável pela coleta e até o coitado do catador de material reciclado, mas a empresa fabricante não entra neste questionamento e não aparece. Pela lei, a empresa é a responsável por dar fim ao plástico que ela gera e deveria estar respondendo, criando um sistema de coleta deste material e incentivando este processo todo“, observa Montenegro.</p>



<p>De acordo com o Atlas, o verão de 2018/2019 foi o recordista de animais mortos nas praias brasileiras, principalmente por ingestão de plástico. No ranking dos maiores poluidores do oceano por plástico, o Brasil ocupa a 16ª posição, com 2,4 milhões de toneladas&nbsp; descartadas de forma irregular e 7,7 milhões de toneladas despejados em aterros sanitários.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Danielle Chevrand / Agência Nossa</p>
	                
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<p>“Tenho achado cada vez mais plástico no mar, só piorou nos últimos meses. Tem menos sacolas plásticas mas em compensação muito mais quentinhas de isopor, garrafas pet. Copo de Guaravita, aquele guaraná barato que vende aqui no Rio, é febre”, conta a remadora Danielle Chevrand, fundadora de um clube de canoa que usufrui das belas enseadas da Baía de Guanabara, em Niterói (RJ).</p>



<p>“Quase toda semana encontramos uma tartaruga morta ou precisando de ajuda para se livrar de saco plástico ou outros lixos”, afirma a atleta, que também é jornalista.</p>



<p>O diretor superintendente da Abiplast, Paulo Teixeira, argumenta que, do total do plástico produzido, cerca de 70% têm ciclo de vida longo ou médio, como canos para construção civil, peças para carros e máquinas, próteses ortopédicas, e, dos 30% restantes, cerca de 2,5% são os chamados descartáveis, como plásticos de uso único.&nbsp;</p>



<p>De acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos (RSU) no Brasil 2020, das 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos gerados no país, 72,7 milhões foram coletadas, mas não há atividades de coleta seletiva em diversos municípios brasileiros.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Lógica importada não reflete realidade brasileira, diz Abiplast</strong></h3>



<p>“O nosso maior desafio é adaptar a lógica dos países centrais à realidade do Brasil. Temos uma sociedade com grande grau de desigualdade, com questões socioeconômicas complexas e graves, como a fome, a renda, o emprego. Não existe gestão de resíduos sólidos universalizada no país, há vários municípios sem coleta de lixo. Nem estamos falando em coleta seletiva! Muitas cidades não contam com água encanada ou tratamento de esgoto”, observa o presidente da Abiplast.</p>



<p>O professor do Instituto Oceanográfico da USP e coordenador da Cátedra Unesco de Sustentabilidade do Oceano Alexandre Turra explica que a simples prática individual da reciclagem é insuficiente para resolver o problema do tratamento do resíduo sólido. Para que esta gestão seja eficaz, é necessário que administrações municipal, estadual e federal viabilizem estas ações.</p>



<p>“O plástico é um produto interessante para várias aplicações. Em termos de termodinâmica, é necessário se valorizar este produto, mas não tem o menor sentido ir pra o aterro. A solução é atribuir ao plástico o valor que ele realmente tem, incorporar os custos para tirar da natureza e minimizar os custos ambientais“, destaca Teixeira.</p>



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	                                        <p class="m-0">Reciclagem individual é insuficiente para resolver poluição. Crédito: Sergei Tokmakov / Pixabay</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>&nbsp;ifood aceita reduzir plásticos, mas outros apps resistem</strong></h3>



<p>Em agosto deste ano, o&nbsp; iFood se comprometeu a reduzir a oferta de itens plásticos descartáveis em seus serviços de entrega, assinando o compromisso para a campanha “DeLivreDePlástico”, da ONG Oceana e da Mares Limpos, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Lançada em dezembro de 2020, a iniciativa reivindicava aos aplicativos de entrega de comida a redução da quantidade de plástico descartável que enviam aos consumidores.</p>



<p>De acordo com o documento assinado pelo iFood, as metas de redução estão distribuídas em três fases e a meta é que, até dezembro de 2021, 100% dos restaurantes parceiros terão a opção de não enviar descartáveis. Até 2025, a empresa garantirá que 80% dos pedidos não incluam o envio de&nbsp; guardanapos, talheres, pratos, copos e canudos plásticos. O compromisso inclui, ainda, o desenvolvimento de planos de trabalho com metas de redução para sacolas e embalagens descartáveis até março de 2022 e de inserção de embalagens reutilizáveis até março de 2023.</p>



<p>“Esse foi um primeiro passo, muito importante, porque o Ifood é o maior <em>player</em> da indústria de <em>delivery</em> e tem um papel muito importante nesta transição. Mas o compromisso tem três fases e ainda vamos cobrar o cumprimento das metas, como a redução de embalagens, sacolas e aumento de embalagem retornáveis”, destacou a gerente de Campanhas da Oceana, a engenheira ambiental Lara Iwanicki.</p>



<p>A ONG, no entanto, ainda tenta firmar o mesmo acordo com outros aplicativos. Entre as ações de sustentabilidade, o aplicativo Rappi divulga a integração de um projeto em parceria com a marca de cerveja Corona para a criação do selo Less Plastic, que incentiva restaurantes a reduzirem a quantidade de plástico utilizado. Outra iniciativa da parceria foi a doação, com início em julho, de embalagens feitas a partir de fécula de mandioca, material com tempo de decomposição muito inferior ao plástico, para lojas e restaurantes de São Paulo e do Rio de Janeiro.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Uber Eats incentiva redução de descartáveis</strong></h4>



<p>Já a plataforma Uber Eats atua na redução de consumo de descartáveis. Ao selecionar o pedido no aplicativo, o cliente pode escolher se deseja os utensílios e os restaurantes participantes da ação possuem um selo de “restaurante com uso de plástico reduzido”, dentro do App.</p>



<p>“A campanha ‘DeLivreDePlástico’ nasceu durante a pandemia e foi uma resposta ao aumento de consumo e de pedidos de delivery em casa. O consumidor passou a consumir mais em casa, tanto por aplicativo como .por <em>home office</em> e isso aumentou muito a emissão de sacolas, isopor e até de mesmo de embalagens plásticas, como&nbsp; plástico filme, em volta destas do isopor, para evitar o vazamento dos produtos. Os consumidores estavam recebendo pilhas de plástico”, contou Iwanicki.</p>



<p>A gerente ambiental afirma que a própria população está cobrando medidas sustentáveis das empresas e que, em um futuro próximo, quem não se adequar vai perder clientes. Em março, uma pesquisa realizada pelo Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), atendendo a uma solicitação da Oceana e do Pnuma, mostrou que 7 em cada 10 consumidores querem receber seus pedidos sem plástico descartável e que 15% já deixaram de solicitar o serviço por se sentirem incomodados pela quantidade de polímeros enviados junto com a refeição.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/com-indices-importados-esg-no-brasil-deixa-de-lado-desmatamento-fome-e-corrupcao/" class="titulo">Com índices importados, selos de Boas Práticas no Brasil deixam de lado desmatamento, fome e corrupção</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<h4 class="wp-block-heading"><strong>Especialista propõe mudanças na relação de consumo</strong></h4>



<p>O movimento global Break Free From Plastic (BFFP) vai mais fundo na questão da contaminação do meio ambiente por polímeros e preconiza um futuro livre do plástico. Com mais de 11.000 organizações e apoiadores individuais no mundo inteiro, a instituição exige reduções maciças em plásticos de uso único e pressiona por soluções duradouras para a crise de poluição. A ONG acredita que este trabalho deva inserir toda cadeia produtiva, da extração ao descarte, “com foco na prevenção ao invés da cura“ e no fornecimento de soluções eficazes.</p>



<p>Integrante do BFFP, Elisabeth Grimberg é coordenadora de Resíduos Sólidos do Instituto Pólis, representante da América Latina de GAIA – Aliança Global Alternativas à Incineração, além de coprotetora da Aliança Resíduo Zero Brasil. A especialista propõe uma verdadeira revolução na sociedade, com legislação mais rígida, redesign dos produtos e mudança de hábitos da sociedade.</p>



<p>“O recomendável é que os plásticos duráveis, usados em modem de computador, TV, na fabricação de bens duráveis em geral, sejam reaproveitados quando o equipamento apresentasse alguma falha. O ideal era que estas estruturas fossem passíveis de reaproveitamento, que, se possível apenas se substituísse o motor de um ventilador, por exemplo, assim como outros equipamentos. Estas medidas representariam uma grande eficiência energética e gerariam muito menos impacto ambiental“, recomenda a especialista.</p>



<h4 class="wp-block-heading">O que é o <em><strong>Greenwashing</strong></em>?</h4>



<p>Elisabeth afirma que temas como responsabilidade ambiental e sustentabilidade no campo de produção de plásticos dão uma sensação de<em> greenwashing</em><em> (</em>ou banho verde, em português), termo utilizado para definir empresas que mascaram o dano provocado ao meio ambiente com medidas de marketing.</p>



<p>A ambientalista também sustenta que são necessárias mudanças no sistema de distribuição de alimentos, lembrando que os supermercados e hortifrútis estão entre alguns dos maiores emissores de plásticos não recicláveis no planeta. Para Grimberg, o ideal seria um sistema com circuitos curtos de produção e consumo, por meio do contato direto com o produtor agrícola, banindo, desta forma, o saquinho plástico de supermercados, proveniente não só das famosas sacolas, como também das embalagens.</p>



<p>“Um sistema com governança, sustentabilidade e responsabilidade maior teria que oferecer linhas de créditos de financiamento com baixos juros para, por exemplo, incentivar a venda de produtos a granel. Nas feiras livres, estimular os comerciantes a conversar com os consumidores para botar o plástico no carrinho sem plástico. Estimular vendas descentralizadas a granel, é toda uma mudança de lógica“, afirmou.</p>



<p>A integrante do BFFP argumenta que esta mudança de hábito de consumo e produção não é tão inviável, tendo em vista que em um passado bem recente, refrigerantes, bebidas alcoólicas, além dos tradicionais copos de requeijão, eram embalados por vidros, recipientes bem menos poluentes e reutilizáveis.</p>



<p>“Por que o plástico não desapareceu? Por causa do custo, basicamente. Tem que chamar estas grandes corporações e questionar: vocês querem ser sustentáveis? Então voltem para o vidro, que é 30 ou 35 vezes mais reutilizável para a mesma finalidade. Assim, você vai gerar essa massa absurda de plástico, mesmo que reciclável“, destaca.</p>



<p>A especialista também adverte que mesmo a reciclagem de plástico provoca impacto ambiental e não deve ser encarada como única solução para poluir menos o ecossistema.</p>



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		<title>Pesquisa mostra que existe mais plástico do que micro-organismos nas algas das praias do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/pesquisa-mostra-que-existe-mais-plastico-do-que-micro-organismos-nas-algas-das-praias-do-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Feb 2021 14:14:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há mais fragmentos microscópicos de plástico entre as algas dos arrecifes das praias urbanas de Pernambuco do que os micro-organismos, base da cadeia alimentar. É o que indica o resultado de uma pesquisa, ainda inédita, realizada pelo departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Os dados do estudo ainda estão na fase final [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há mais fragmentos microscópicos de plástico entre as algas dos arrecifes das praias urbanas de Pernambuco do que os micro-organismos, base da cadeia alimentar. É o que indica o resultado de uma pesquisa, ainda inédita, realizada pelo departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Os dados do estudo ainda estão na fase final de sistematização, última etapa antes da publicação em revistas científicas.</p>



<p>A presença de micro e nanoplásticos em algas e arrecifes da costa brasileira não é novidade. As primeiras pesquisas a identificar o material no litoral de Sergipe e Alagoas aconteceram em 2014 e foram financiadas pela Petrobras. Depois há outros registros na praia de Tamandaré, litoral sul do estado, em 2018.</p>



<p>Desta vez, porém, as pesquisadoras da UFPE constataram um volume de microplásticos maior do que a dos micro-organismos que alimentam os pequenos animais que, por sua vez, servem de alimento para os peixes. “Vendo como é abrangente o microplástico nesses ambientes, sentiu-se a necessidade e importância de dar continuidade a esses estudos e também envolver outros organismos, como as macroalgas e os organismos microscópicos que vivem aderidos”, explicou a coordenadora da pesquisa, a professora Maria da Glória Gonçalves da Silva Cunha.</p>



<p>A coleta das algas vermelhas da espécie <em>Palisada perforata</em> aconteceu entre 2017 e 2019 nos arrecifes do Pina, zona sul da capital pernambucana, tanto em meses chuvosos quanto em períodos mais quentes e de estiagem. A quantidade de plástico foi comparada com a de microalgas que compõem o fitoplâncton, e com a quantidade de organismos animais. Na maior parte da amostras, havia um pouco mais microalgas do que plástico, mas na comparação com os animais, a proporção se inverteu: só uma amostra tinha mais micro-organismos vivos do que plástico.</p>



<p>Os números dão uma ideia mais clara: em setembro de 2017 a equipe identificou 277 fragmentos de plástico por mililitro de água do mar agregados às algas vermelhas. Na mesma amostra, havia apenas três nematódeos (animal de corpo cilíndrico), uma larva de microcrustáceo e 11 protozoários ciliados.</p>



<p>Seis meses depois, já no período das chuvas, foram encontrados 212 micro ou nano plásticos para 37 animais, incluindo os nematódeos, microcrustáceos, protozoários e foraminíferos (minúsculos animais com conchas microscópicas).</p>



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	                                        <p class="m-0">Filamento usado na fabricação de roupas sintéticas (Foto: Lab. de Fitoplâncton/UFPE)</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Roupas sintéticas</strong></h2>



<p>As partículas plásticas em forma de filamento, originadas da lavagem de roupas sintéticas, foram as encontradas em maior volume nos arrecifes do Pina. De acordo com o relatório preliminar da pesquisa, “os fios de poliéster das roupas em lavagem se misturam com a água e esta é liberada no ambiente marinho, desta forma, este tipo de resíduo constitui cerca de 35% de todos os microplásticos primários dispersos no mar. As fibras de poliéster também estão presentes em roupas de banho, podendo se desprender com facilidade”.</p>



<p>De acordo com a professora Maria da Glória Cunha, os meses com maior incidência de plástico nas algas são os mais quentes, coincidindo com o aumento das atividades na praia e do incremento do turismo por causa do verão. </p>



<p>Agora, as pesquisadoras do Laboratório de Fitoplâncton prosseguem com estudos mais detalhados sobre o tamanho, formato, coloração e outros aspectos dos fragmentos encontrados microplásticos, além de analisar quais os impactos no ecossistema dos arrecifes.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>As partículas de microplásticos são menores que 5 milímetros, enquanto aquelas classificadas como nanoplásticos são medidas em escala de micrômetros, ou seja, 10<sup>-3 </sup>milímetros. Tais partículas são encontradas, principalmente, dentre outros itens, nos produtos de higiene e cosméticos usados no dia a dia, como em determinados cremes dentais, de barbear e esfoliantes. Por recomendação da Organização das Nações Unidas, alguns países já proíbem o uso dessas partículas na composição desses produtos.  </p></blockquote>



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	                                        <p class="m-0">Fragmento de plástico encontrado nos arrecifes do Pina (Foto: Lab. de Fitoplâncton/UFPE)</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Danos invisíveis</strong></h3>



<p>A pesquisa faz parte de um projeto maior que compõe a tese de doutorado da bióloga e mestre em oceanografia Nayana Buarque Antão da Silva, que se dedica a analisar várias espécies de macroalgas nas praias urbanas do Pina e Boa Viagem, além de Pedra de Xaréu e Enseada dos Corais, no litoral sul). No Pina, a grande quantidade de microplásticos levou outra pesquisadora, Giulia de Andrade Lima Bertotti, a mudar o foco do trabalho, inicialmente destinado a analisar a “comunidade biológica” presente nas macroalgas.</p>



<p>“Imediatamente, percebi que havia partículas nas lâminas que não eram organismos vivos. E essas partículas estavam sempre presentes em grande quantidade. Eram micro e nanoplásticos. Esses resultados são muito preocupantes, pois apontam para danos provocados pelos plásticos que não são visíveis a olho nu”, explica Giulia.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/pesquisa-mostra-que-existe-mais-plastico-do-que-micro-organismos-nas-algas-das-praias-do-recife/">Pesquisa mostra que existe mais plástico do que micro-organismos nas algas das praias do Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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