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	<title>Arquivos obra - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 04 Jun 2026 20:42:22 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos obra - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Moradores do Ibura de Baixo sofrem por causa de obra da prefeitura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2026 01:23:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Ibura]]></category>
		<category><![CDATA[obra]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem mora na rua Manaíra, exatamente ao lado do muro da cabeceira da pista do aeroporto, está sempre atento ao ruído dos motores dos aviões que passam a poucos metros dos telhados de suas casas. No entanto, após o início das obras da nova ligação entre as avenidas Recife e Dom Helder Câmara, essa comunidade [&#8230;]</p>
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<p>Quem mora na rua Manaíra, exatamente ao lado do muro da cabeceira da pista do aeroporto, está sempre atento ao ruído dos motores dos aviões que passam a poucos metros dos telhados de suas casas. No entanto, após o início das obras da nova ligação entre as avenidas Recife e Dom Helder Câmara, essa comunidade no Ibura de Baixo passou a se preocupar mais com problemas ao nível do solo do que com as aterrissagens dos airbus e boeings.</p>



<p>Desde que os operários da empresa contratada pela prefeitura do Recife começaram a construir a nova via de acesso ao Ibura, os moradores passaram a conviver com alagamentos praticamente em tempo integral &#8211; pouco importando se chove ou faça sol &#8211; mau cheiro contínuo da água estagnada, problemas de saúde e rachaduras nas paredes dos imóveis.</p>



<p>A obra é resultado de convênio entre a prefeitura e o Ministério das Cidades, com aporte de R$12,5 milhões feito pelo órgão federal. A placa que sinaliza a construção é clara: início em novembro de 2024 e encerramento em novembro de 2025, com realização de serviço de pavimentação, drenagem, macrodrenagem e urbanização do acesso entre as duas avenidas. No entanto, até agora, junho de 2026, apenas metade do trecho anunciado foi concluído.</p>



<p>A lista de reclamações é extensa, começando pela falta de diálogo do poder público e culminando nos transtornos descritos no segundo parágrafo deste texto. </p>



<p>O catador de recicláveis Alexsandro Silva, de 41 anos, mora entre os trilhos da ferrovia Transnordestina e o muro do aeroporto há 15 anos, mas este ano foi a primeira vez que viu a casa ser tomada pela água.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:38% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-683x1024.jpg" alt="A foto mostra Alexsandro Silva em pé sobre uma calçada estreita ao lado de uma casa com paredes desgastadas e pintura verde-azulada descascada. Ele está com os braços cruzados, vestindo camiseta cinza e bermuda listrada, e olha firme para a câmera. Ao lado dele corre um canal estreito de água, cercado por vegetação e entulho, com uma muralha alta e enferrujada do outro lado. O céu azul com nuvens claras contrasta com o cenário urbano precário." class="wp-image-75714 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-683x1024.jpg 683w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-768x1152.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-1024x1536.jpg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-150x225.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k.jpg 1365w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Durante a chuva do dia 1º de maio, que deixou pessoas desabrigadas, com vários pontos de alagamentos na cidade, inclusive na avenida Recife, Sandro, como é conhecido, foi surpreendido quando seus pertences e materiais de trabalho foram levados pela correnteza.Ele conta que a área já tinha alagado outras vezes, mas dessa vez atingiu proporções bem maiores. Para piorar, boa parte da água não escorreu, ficando empoçada, sem ter por onde escoar.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>Não foi só o grande volume de chuva. A construção do canal que fará parte do novo sistema de drenagem e macrodrenagem, está aterrando o mangue por trás de um campinho de futebol, o campo do Real, e formou uma espécie de lago na área que foi aberta para passar o canal. Segundo os moradores com quem conversamos, para drenar este “lago”, os funcionários da prefeitura utilizam uma bomba que joga os dejetos em um curso d&#8217;água natural que já existia ali. Os resíduos acabaram obstruindo o córrego, agravando o problema.</p>



<p>“Antes a água batia no peito nesse córrego, o pessoal tomava banho, pegava beta. Agora não, porque isso não é só lama, é dejeto, vem uma ‘murrinha’ de um trator, puxa e vai jogando pro lado de cá. E quando eles tocam esse trabalho, é catinga de merda pura, ninguém aguenta ficar aqui dentro de casa não. É rato correndo de um lado pro outro, porque tão tirando os caminhos deles que ficam ali por trás, então de noite os ratos vem pra cá, disputando espaço com a gente”, explica Sandro.</p>



<p>Por medo que os filhos contraíam doenças, Sandro e a esposa, Daniele Patrícia, decidiram deixar os filhos com a avó. “Nem os filhos a gente pode deixar em casa, como dois adolescentes, um de 16 anos e outro de 14, vão ficar em casa numa situação dessa?”, questiona Sandro.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Algumas famílias também enfrentam falta de iluminação, pois algumas casas foram desapropriadas, algumas já foram demolidas e outras estão vazias, a espera do momento de irem abaixo. Só depois de reclamar junto aos funcionários da empreiteira, conseguiram que instalassem uma pequena lâmpada para iluminar o trecho. O ponto de luz foi ligado a uma gambiarra precária conectando a fiação das casas desapropriadas, com a das casas que permanecerem, por meio de fio e bocal, em uma das paredes que ainda ficaram de pé.</p>
<p>“Por medo disso cair numa noite de chuva e a fiação das casas da gente ir junto, dar um curto circuito e queimar nossos barracos, a gente foi atrás da empresa de novo. Só depois de oito dias eles vieram aqui, mas às sete da noite já dá medo de passar”, afirma a dona de casa Alessandra da Silva, que mora na Manaíra há dez anos.</p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">“Faz medo cair por cima”</h2>



<p>“Perdi dois guarda-roupa, rachou a casa, ainda tá rachada lá, faz medo cair por cima, né?” Essas palavras são de Jailton Nunes, que, há pelo menos 12 anos, mora com a esposa e as filhas em um beco com mais de 15 casas. Assim como seu vizinho Sandro, em todo esses anos sua família nunca tinha perdido móveis por causa de um alagamento.</p>



<p>A situação na casa de Jailton parece ser mais grave do que na vizinhança, pois duas paredes estão com grandes rachaduras. “É uma sensação ruim! Já tinha enchido na avenida Recife e num pedaço da área da linha de trem, mas aqui nunca! Mas depois dessa obra começou a encher, a água veio por trás e por frente”, conta. Quando ele fala &#8220;por trás&#8221;, se refere ao que restou do manguezal que está em processo de aterramento para construção do canal. &#8220;Pela frente&#8221; é onde tem a espécie de lago de águas podres formado em consequência da obra.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55292480317_0ce80c14f6_k-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55292480317_0ce80c14f6_k-1024x683.jpg" alt="A foto mostra um beco estreito entre construções antigas e desgastadas. As paredes estão manchadas e com mofo, e há uma porta encostada no chão, sugerindo abandono ou reforma. No muro à direita, vê-se a inscrição “URB 106” feita com tinta preta em spray, enquanto ao fundo há outra marca semelhante. O telhado de zinco está danificado, com partes faltando e fios expostos, e o chão apresenta poças d’água e sujeira. A cena transmite uma atmosfera de degradação urbana, típica de áreas periféricas ou em processo de demolição." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Moradores dizem que fFuncionários da prefeitura marcaram as casas sem explicar motivo
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A casa da família de Jailton é uma das que foram marcadas pelas equipes da prefeitura antes do início das obras. Apesar das marcações, ele afirma que ninguém da prefeitura foi ao local para orientar ou tratar do assunto. “A gente falou com algumas pessoas, engenheiros, mas ainda não informaram nada a gente. Não falaram de indenização. Estão pagando o pessoal aos poucos, mas a gente ainda não sabe de nada, ninguém tomou decisão pra resolver nada”, lamenta Jailton.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Diálogo difícil com a prefeitura</h3>



<p>Todos os moradores que conversamos disseram que o diálogo com a prefeitura é difícil. Além de não terem sido consultados para a obra, mesmo após os problemas aparecerem, não se sentem ouvidos nem apoiados. Segundo Joelma Andrade, liderança do Centro Comunitário Mário de Andrade, mais de 230 casas foram desapropriadas para construção do acesso. No início do processo, as casas começaram a ser marcadas, mas as pessoas não tinha noção do que se tratava. Foi aí que Joelma procurou o Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec) e a Defensoria Pública, que solicitaram a apresentação do projeto aos moradores, o que só teria acontecido depois de duas reuniões.</p>



<p>&#8220;Foi aí que eles apresentaram o projeto. No momento eu questionei para onde as águas iriam quando a chuva viesse. Disseram que nenhuma família iria sofrer mas, no entanto, é isso que está acontecendo, elas estão sofrendo&#8221;, conta Joelma.</p>



<p>A assistente social do Cendhec, Cristinalva Lemos, afirmou que apenas em 2025, após a provocação dessas organizações a prefeitura começou a se mobilizar para apresentar os projetos e dialogar minimamente com as famílias. A organização tem atuado junto às mulheres da região para discutir, sobretudo, a justiça socioambiental. No sentido de buscar os órgãos competentes que possam dar alguma resposta em relação aos transtornos que as pessoas. &#8220;O diálogo com o poder público é muito difícil&#8221;, conta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz a prefeitura:</span>

		<p>A Prefeitura do Recife esclarece que as obras no Ibura fazem parte de um pacote de intervenções de R$ 12 milhões, financiado por convênio com o Ministério do Desenvolvimento Regional e a Caixa Econômica Federal, com contrapartida da gestão municipal. O projeto prevê a criação de uma nova rota de saída do bairro, com 1.100 metros de extensão ligando a Avenida Dom Hélder Câmara à Avenida Recife, além de obras de pavimentação, drenagem, macrodrenagem e urbanização de áreas públicas.</p>
<p>As obras de macrodrenagem seguem normas técnicas e têm autorização ambiental. O canal está em uma área anteriormente assoreada e sem profundidade suficiente para escoamento, e o projeto prevê dimensões capazes de absorver as águas em situações de chuva. A intervenção também viabiliza a requalificação da Avenida Dom Hélder Câmara, que será nivelada e receberá um reservatório subterrâneo para armazenar o volume de água que hoje escoa para a Avenida Recife.</p>
<p>Em relação às famílias que vivem às margens da linha do trem, a Prefeitura reconhece as dificuldades enfrentadas e esclarece que a região tem histórico de alagamentos, agravado pelo período chuvoso. Com a conclusão das obras do canal e das desapropriações, as águas passarão a seguir o curso projetado, reduzindo os alagamentos na área.</p>
<p>Sobre as casas da rua Manaíra, a gestão municipal informa que as residências nas imediações do número 46 estão incluídas no processo de desapropriação. As demais moradias com indícios de danos estruturais já foram vistoriadas, os valores de indenização foram negociados e estão em processo de pagamento.</p>
<p>Desde a fase de desenvolvimento do projeto, a gestão municipal manteve diálogo com a comunidade por meio de assembleias, reuniões e contato com lideranças locais. As negociações para desapropriação tiveram início em 2024 e estão sendo concluídas em 2026.</p>
<p>O projeto prevê ainda a urbanização de áreas públicas com novos espaços de lazer e convivência, incluindo quadra esportiva, parque infantil, campo de futebol requalificado e área para piquenique, além de arborização e paisagismo em todo o trecho da intervenção.</p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293537858_cfdb2d5f38_k-1024x683.jpg" alt="A imagem mostra uma área periférica em processo de transformação, com casas simples de tijolo e vegetação densa ao redor de um canal de água parada. O solo parece irregular e há entulho e lama, sugerindo obras ou reconstrução. À esquerda, vê-se uma estrutura metálica enferrujada coberta por plantas, e algumas pessoas caminhando ao longe. O céu está parcialmente nublado, com tons dourados e azulados, indicando o fim de tarde. A cena transmite uma mistura de vulnerabilidade ambiental e cotidiano urbano, onde a natureza e a ocupação humana coexistem em condições precárias." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Com aterro do manguezal, águas da chuva não tem para onde escoar
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p></p>
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		<title>Férias sem diálogo e sem skate no Parque Santana</title>
		<link>https://marcozero.org/ferias-sem-dialogo-e-sem-skate-no-parque-santana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Dec 2018 12:54:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Até meados de maio deste ano, o Parque Santana, na Zona Norte do Recife, tinha a única pista de skate no formato snake da cidade. Era uma pista para surf skate – uma modalidade sem tantas manobras de subidas e descidas -, que também atendia quem andava de patins ou patinete. De um dia para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Até meados de maio deste ano, o Parque Santana, na Zona Norte do Recife, tinha a única pista de skate no formato <em>snake</em> da cidade. Era uma pista para <em>surf</em> skate – uma modalidade sem tantas manobras de subidas e descidas -, que também atendia quem andava de patins ou patinete. De um dia para o outro, a Secretaria de Turismo e Lazer do Governo do Estado apresentou o projeto de uma nova pista e derrubou todo o cimento da pista antiga. O projeto de 1.655 m² foi licitado por R$ 474.832,56, oriundos do Ministério dos Esportes. Passados mais de 40 dias do prazo de conclusão, a pista segue em obras, a passos lentos. E vai ficar ainda mais cara.</p>
<p>Na tarde da sexta-feira passada, por exemplo, não havia nenhum trabalhador no local. “À vezes têm duas, às vezes têm seis pessoas trabalhando. Às vezes não tem ninguém ”, conta o funcionário público José Oscar Lira, que era frequentador da antiga pista. “Era uma pista que tinha seus problemas, mas atendia perfeitamente aos usuários, famílias, crianças, pessoas mais velhas, até cadeirantes”, conta.</p>
<p><div id="attachment_12289" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-12289" class="wp-image-12289 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/pistaantigasantaAlexandre-1024x568.jpeg" alt="pistaantigasantaAlexandre" width="702" height="389"><p id="caption-attachment-12289" class="wp-caption-text">Imagem aérea de como era a pista antiga do parque Santana. Foto: Alexandre Rocha/Cortesia</p></div></p>
<p>Também frequentadora da antiga pista, a educadora física Andrea Azoubel critica a obra, afirmando que não houve nenhuma discussão prévia com os frequentadores do parque. “É um absurdo. Um equipamento que era funcional, que vivia cheio, foi interrompido para a construção de outro, que não foi nem entregue no prazo. Tiveram que escavar, derrubar o que tinha, o que deixa a obra mais cara. É uma péssima decisão de gestão. Há vários espaços no Recife que precisariam de um equipamento desses, por que colocar justamente em um parque que já tinha um? É um desperdício de dinheiro público”, questiona Andrea.</p>
<p>Na época em que a obra da pista começou, houve um racha entre frequentadores do estilo <em>surf</em> e os skatistas do <em>street</em>, ou os &#8220;profissionais&#8221;, como por vezes são chamados ou se autointitulam. Hoje, com o atraso da obra e possíveis problemas estruturais da pista, que dizem já conseguir perceber, a divisão se dissipou.</p>
<p>&#8220;Se você me pergunta se quase R$ 600 mil em uma pista é caro, eu vou responder que, se for uma pista fuderosa, não é, está pago&#8221;, conta o skatista Eduardo Carvalho, um dos que apoiou a demolição e construção da nova pista. &#8220;Mas essa que está sendo feita não vale isso. O<em> flat</em> (a parte lisa do cimento) está bom, mas as transições (para os obstáculos) estão péssimas, é uma vergonha. Finalmente tivemos a chance de ter uma pista excelente e vamos perder essa chance. Contrataram uma empresa de engenharia que não sabe nada sobre a construção de pistas de skate. Um funcionário comentou outro dia que não sabia o que estava construindo. O skate vai ser um dos esportes da próxima Olimpíadae esta pista seria um ótimo investimento para os atletas pernambucanos. Infelizmente, pelo que vemos na obra, será outra pista problemática”, diz.</p>
<p>Praticante do esporte desde criança e empresário do ramo, Eduardo tinha sérias críticas quanto à pista anterior. “Não é porque vivia cheia que era uma pista boa. Deviam ter contratado uma empresa especialista em construção de pista de skate, como foi com a pista Marcelo Lyra, no Pina. Mas contrataram uma empresa de engenharia qualquer”, critica.</p>
<p>A pista antiga já havia passado por pelo menos duas reformas e foi alvo de algumas intervenções da Prefeitura do Recife &#8211; que faz a manutenção do parque, mas não participa diretamente da obra da pista.</p>
<p>O advogado Alexandre Rocha, skatista da modalidade surf, tem atuado como uma espécie de fiscal informal da obra. Desde que a antiga pista que tanto gostava foi demolida, faz acompanhamentos periódicos usando um drone para captar imagens aéreas da construção.</p>
<p>Ele também reclama da morosidade e da falta de uma empresa especializada na obra. &#8220;Acabei de sair de lá&#8221;, contou Alexandre na tarde da terça-feira passada. &#8220;Só tinha um trabalhador na betoneira. A pista anterior tinha seus defeitos, mas era a única pista em formato<em> snake</em> de Pernambuco. O que a gente queria era que ela fosse melhorada, mas não destruída. Ainda mais gastando esse valor”, critica.</p>
<h3>Obra deve ficar perto dos R$ 600 mil</h3>
<p>De acordo com a Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer, foi recebido um repasse de R$ 594.417,90 do Ministério dos Esportes. O projeto do desenho da pista é do governo. Em janeiro, a secretaria abriu uma licitação no valor de R$ 523.855,13 para contratar uma empresa para executar a obra, pelo menor preço. Duas empresas foram habilitadas, a USA Construção e Incorporação e a Pilartex. A USA saiu vencedora, com a proposta de R$ 474.832,56. A Pilartex orçou a obra em apenas R$ 1,1 mil abaixo do teto (mais precisamente: R$ R$ 522.754,86).</p>
<p><div id="attachment_12208" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-12208" class="wp-image-12208 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/44403907050_69a247185d_h-1024x576.jpg" alt="44403907050_69a247185d_h" width="702" height="394"><p id="caption-attachment-12208" class="wp-caption-text">Obra é feita com dinheiro de repasse do Ministério dos Esportes. Foto: Inês Campelo/MZC</p></div></p>
<p>No dia 28 de março o então secretário Felipe Carreras assinou o contrato com a USA Construção e Incorporação, empresa aberta em 2015 e sediada em Olinda. O contrato inicial previa uma vigência de sete meses, sendo cinco meses de execução da obra. No dia 15 de maio, foi feita uma reunião para apresentar o projeto aos frequentadores. No dia seguinte, a pista já começou a ser quebrada.</p>
<p>A Secretaria de Turismo, Lazer e Esportes não disponibilizou representante para falar com a Marco Zero sobre a obra na pista. Por meio da assessoria de comunicação, enviou nota em que afirma que a pista foi um pedido dos frequentadores e que deve ficar pronta em janeiro, sem especificar o dia. Na nota, informa que a conclusão inicial estava prevista para setembro passado, apesar da placa na obra indicar 25 de outubro.</p>
<p>O atraso é justificado por “uma antiga estrutura de concreto que, ao contrário do que foi previsto originalmente, não pode ser aproveitada. Foi necessário fazer um replanejamento para contemplar a demolição da antiga estrutura e implantação do novo concreto.” Por conta disso, a obra vai ficar ainda mais cara que os R$ 474 mil licitados.</p>
<p>Segundo a secretaria já está em andamento a “celebração de um termo aditivo para a conclusão da obra”. Em notícias da época do início da nova pista, já se usava o valor de “cerca de R$ 600 mil”, valor total do repasse do Ministério dos Esportes. Em repasses do tipo, o dinheiro não utilizado volta para a Ministério.</p>
<p>Procurado pela reportagem, o dono da USA Construção, Albérico Barros, afirmou que preferia não se pronunciar sobre a obra, mas que está tudo dentro da lei e que, quando inaugurada, “será a maior e melhor pista de skate do Norte e Nordeste”. Além do contrato para fazer o skatepark, a USA Construção também ganhou outro contrato neste anocom a Secretária de Turismo. Em junho, foi homologado o resultado da licitação no valor de R$ 1.746.130,10 para a implantação e modernização das academias da cidade do Recife, do qual a USA foi vencedora.</p>
<p><strong>Confira a nota completa abaixo: </strong></p>
<p>“A Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer (Seturel-PE) informa que a obra de requalificação da pista de skate do Parque Santana está em andamento e deverá ser concluída em janeiro de 2019. Inicialmente orçada em R$ 474.832,56 e prevista para ser entregue em setembro de 2018, a obra atrasou devido a uma antiga estrutura de concreto que, ao contrário do que foi previsto originalmente, não pode ser aproveitada. Foi necessário fazer um replanejamento para contemplar a demolição da antiga estrutura e implantação do novo concreto. Desta forma, encontra-se em andamento a celebração de um termo aditivo para a conclusão da obra. O valor total do contrato de repasse do Ministério do Esporte para execução dos serviços é de R$ 594.417,90. Valores não utilizados serão devolvidos aos cofres da União.</p>
<p>A requalificação da pista de skate do Parque Santana visa atender a uma demanda antiga dos usuários do equipamento, que não havia sido construído seguindo critérios técnicos adequados e tinha apenas 40% da área aproveitada. A nova pista atenderá diversas modalidades, com 12 obstáculos diferentes, podendo servir como espaço para treinamento de skatistas profissionais, usuários amadores e famílias que já frequentam o parque.”</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/ferias-sem-dialogo-e-sem-skate-no-parque-santana/">Férias sem diálogo e sem skate no Parque Santana</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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