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	<title>Arquivos Pernambuco - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 05 Jun 2026 20:00:06 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Pernambuco - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>O desafio de plantar cacau e produzir chocolate artesanal entre os canaviais de Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 21:16:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Cacau]]></category>
		<category><![CDATA[Páscoa]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[tree to bar]]></category>
		<category><![CDATA[Zona da Mata]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se depender de pequenos produtores da Zona da Mata Sul, o chocolate artesanal produzido em Pernambuco será uma opção viável nos domingos de Páscoa em um futuro próximo. Na contramão da tradição açucareira da região e da crise global do fruto, duas famílias, uma de Rio Formoso e outra de Escada, apostam no potencial do [&#8230;]</p>
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<p>Se depender de pequenos produtores da Zona da Mata Sul, o chocolate artesanal produzido em Pernambuco será uma opção viável nos domingos de Páscoa em um futuro próximo. Na contramão da tradição açucareira da região e da crise global do fruto, duas famílias, uma de Rio Formoso e outra de Escada, apostam no potencial do cacau, matéria prima para o chocolate artesanal, do tipo <em>tree to bar</em> (da árvore para a barra) que produzem.</p>



<p>Em Rio Formoso, a 87 quilômetros de Recife, o <a href="https://www.instagram.com/chocolateformoso/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">chocolate Formoso</a> vem do cacau plantado na Granja União, por trás da Reserva Biológica de Saltinho, na divisa com o município de Tamandaré. Pai e filho, Antônio e Euker Neri, estão à frente do empreendimento e investem tempo e conhecimento para aprimorar o plantio. Há aproximadamente nove anos o cacau passou a fazer parte das culturas produzidas na granja, mas a marca de chocolate só se tornou realidade há dois anos.</p>



<p>É numa minifábrica na casa de seu Antônio que a magia do cacau acontece. Segundo Euker, ele, a esposa, o pai e a mãe se dividem no processo de plantio, gestão, produção e vendas, em meio a outras tarefas. Mensalmente, eles direcionam em média 30 quilos do cacau colhido para o chocolate enquanto o restante é vendido para empresas de Ilhéus, na Bahia. Segundo a família, 60 quilos de cacau rende, em média, 115 barras de chocolate de 50 gramas vendidas de diferentes formas, desde mercadinhos locais até online.</p>



<p>“Ao invés de buscar uma pessoa de fora, a gente procurou trazer a família, porque isso é uma forma da gente se juntar mais, a gente ficar mais próximo. Cada um tem seu trabalho, cada um tem seu mundo, cada um tem sua família. Mas sempre que pode, se junta. A gente vai embalando, vai modelando e vai celebrando”, reflete Euker.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Euker e Antônio criaram a marca de chocolate Formoso
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Seringueiras, pitaya e cacau</h2>



<p>Mas o chocolate vem da materialização de um sonho antigo de Antônio, um homem de 70 anos, que, nos anos 1980, saiu de Ituberá, no sul da Bahia, para implementar um projeto de seringueiras em Pernambuco. A sua experiência veio da prática, pois desde a juventude trabalha em todas as atividades relacionadas à lavoura, de seringueira à pitaya. Os contratantes gostaram tanto do trabalho dele que foi ficando e, o que seriam três meses, já somam mais de 40 anos em Pernambuco.</p>



<p>Com a família formada, se realizou ao comprar seu próprio lote de terra. Esse sonho só aconteceu em 2002, quando comprou a propriedade por trás da Reserva de Saltinho, 600 hectares de Mata Atlântica encravados na Mata Sul do estado. Hoje, a granja União tem pouco mais de 50 hectares, 15 a mais do que o tamanho original.</p>



<p>“Acredito que quase todo mundo que trabalha como empregado tem um sonho de ter algo próprio. E eu sempre tive esse pensamento, trabalhando e planejando para conseguir comprar uma propriedadezinha para quando chegar o tempo de aposentar ter um complemento de renda. Comecei plantando cana-de-açúcar, que era o que dava o retorno mais rápido, depois plantei seringueira, plantei coqueiro, plantei cupuaçu, que até um certo período foi bem, mas depois o comércio diminuiu bastante”, explica Antônio.</p>



<p>Foi depois de parar de plantar o cupuaçu que o cacau entrou na história. Segundo ele, o cacau tem comercialização certa, tanto para estocar e vender depois ou vender logo depois da colheita. “Já plantei o cacau para transformar em chocolate’. A ideia não é plantar uma área grande de cacau, é plantar um pouco e agregar valor a esse pouco”, explica.</p>



<p>Hoje, a propriedade também funciona como laboratório vivo, em que são testadas diferentes espécies e culturas. Os produtores perderam as contas de quantos cacaueiros possuem, pois, ao longo dos anos, foram plantados e replantados diversas vezes. </p>



<p>O certo é que preferem asvariedades PS1319 e o CCN51, recomendadas para cultivo comercial pela <a href="https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/ceplac/a-ceplac">Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac)</a>, do Ministério da Agricultura, utilizando a meia sombra e pleno sol. Essas variedades foram trazidas de Ilhéus, referência no cultivo do cacau no Brasil, onde os dois agricultores foram aprender sobre como transformar o fruto em chocolate. Desde então, a dupla segue em contato com o <a href="https://cic.pctsul.org/">Centro de Inovação do Cacau (CIC) </a>para aprimorar não só o plantio, mas a qualidade do doce produzido.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O primeiro <em>tree to bar</em> pernambucano</h2>



<p>A aproximadamente 65 quilômetros de distância de Rio Formoso, ainda na Mata Sul, o <a href="https://www.instagram.com/chocolatealteva/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">chocolate Alteva</a> começou a ganhar vida e forma em plena pandemia. O nome junta a primeira sílaba do nome dos irmãos que estão em sociedade para dar vida ao negócio. Diferente dos Neri, os Corrêa tem a propriedade há quase dois séculos. O <a href="https://www.instagram.com/engenhoconceicao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Engenho Conceição</a>, com 500 hectares, é dividido entre cinco herdeiros e parte dessa propriedade é administrada por Alfredo Corrêa.</p>



<p>Os cacaueiros existem há mais de 60 anos, plantados pelo avô de Corrêa. Quando houve a tentativa de de implantar os seringais em Pernambuco, alguns fazendeiros aproveitaram para também testar as possibilidades do cacau. No Engenho, parte dos pés de cacau cresceu sob a sombra das seringueiras e hoje estão quase tão altos quanto elas, o que, apesar de dificultar a catalogação, não interfere na produção. Ao contrário: protegidos pela mata, os pés de cacau vivem vários anos a mais do que aqueles que crescem expostos à luz do sol.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/a7-premio-cacau-1024x682.jpeg" alt="Um homem branco de cabelos curtos e barba grisalha segura uma vagem de cacau recém-aberta, mostrando sementes brancas cobertas por polpa. O cenário é uma plantação verde e há outra vagem e ferramentas sobre a mesa." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Alfredo conta que primeiros cacaueiros foram plantados pelo seu avô
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>&#8220;Quando o meu avô plantou, só existiam três (espécies). Esse nosso cacau é o forasteiro, mas com a vassoura de bruxa que teve lá na Bahia que dizimou quase todas plantações, então, o homem começou a desenvolver variedades de árvores de cacau que fossem resistentes à praga vassoura de bruxa. Por isso, na Bahia hoje existem mais de 100 variedades diferentes. Como aqui a nossa, eu brinco que é a original, não sofreu essas mutações, então é a variedade forasteiro mesmo&#8221;, explica Alfredo.<br><br>O chocolate produzido por eles é considerado o primeiro <em>tree to bar</em> de Pernambuco. Em 2020 em plena pandemia, Alfredo foi à cidade baiana de Gandu, para aprender e fechar parcerias com as cooperativas da região, e em 2021 a marca foi criada. Na época da covid-19, ele buscava uma fonte de renda, pois não conseguiu manter sua atividade anterior. Depois, o negócio se transformou em uma experiência imersiva chamada <a href="https://www.instagram.com/p/DJ7C1xQOKbG/?igsh=ZnB2djZpd3Y3cmdt">Rota do Cacau</a>, com a intenção de promover o turismo rural na região, onde é possível conhecer a história da família e acompanhar os ciclos do cacau até chegar à barra.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>O fungo <em>Moniliophthora perniciosa</em>, causador da vassoura-de-bruxa, invade tecidos jovens da planta, desorganiza seu crescimento e provoca deformações conhecidas como “vassouras verdes”, que depois necrosam e se tornam “vassouras secas”. Foi o grande causador do comprometimento das lavouras de cacau na Bahia no fim dos anos 1980, em menos de uma década, a produção baiana despencou de quase 400 mil toneladas para pouco mais de 90 mil, gerando crise econômica, desemprego e abandono de fazendas. Hoje, a Bahia é uma referência na produção de cacau no nordeste e pesquisadores da região já desenvolveram dezenas de novas espécies.</p>
        </div>
    </div>



<p>Quem participa, tem acesso a uma demonstração sobre o fruto, conhece os ciclos de plantio e colheita, assim como a separação, fermentação, secagem e armazenamento e depois segue para a degustação dos chocolates produzidos pela família. Aqui eles contam com o trabalho de, em média, cinco funcionários fixos que ajudam a organizar a experiência.</p>



<p>&#8220;O pessoal tem muita aquela visão de que Pernambuco é praia. É que Pernambuco não é só praia, tem muitas fazendas belíssimas, tem muitos lugares no interior que são maravilhosos, e a Mata Sul especificamente, era muito esquecida. Então, quando eu comecei a fazer esse trabalho aqui de turismo no Engenho porque ninguém sabia o que era Escada, ninguém sabia o que era Mata Sul, ninguém sabia que existia esse lado de cá&#8221;, conta Alfredo.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Na Rota do Cacau, visitantes aprendem sobre o ciclo do fruto e a produção do doce
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">A ameaça do &#8220;sabor&#8221; chocolate da indústria</h2>



<p>Diferente do chocolate artesanal que leva nada ou quase nada de ingredientes artificiais, o chocolate industrial tem como padrão o excesso de açúcar e os aditivos. A proliferação de produtos que não são mais chocolate e sim “sabor” chocolate acentuou a queda de qualidade das barras e demais produtos disponíveis no mercado.</p>



<p>Ao conhecer as marcas de chocolate artesanal da zona da Mata, foi possível aprender sobre o processo: há a colheita, a fermentação, secagem, torra e descascamento, moagem, refino e, por fim, temperagem. É na fermentação que desenvolve o sabor, na moagem é que se tira o nibs e a pasta de cacau, no refino desenvolve a textura e aroma e, na temperagem, o prepara para ser moldado. </p>



<p>Na grande indústria que, segundo Bruno Lasevicius, presidente da <a href="https://www.beantobarbrasil.com.br/">Associação Been to Bar</a>, utiliza 25% de cacau determinado pela legislação, devido à redução do teor de cacau estabelecida pela legislação brasileira, caindo de 35% para 25%. Isso aconteceu por causa da crise de preços, que impacta diretamente a percepção de qualidade do consumidor sobre o sabor do produto. Quando o percentual de cacau é reduzido, o chocolate perde as características sensoriais complexas da amêndoa, o que leva a indústria a buscar formas de compensar essa perda.</p>



<p>Os produtores de chocolate artesanal, além de lidar com um processo mais demorado e cuidadoso para garantir cacau fino, que exige colheita no ponto certo e fermentação precisa, precisam competir com a indústria, que opera com custos muito menores e consegue oferecer preços mais acessíveis ao consumidor. O aumento abrupto do preço do cacau em 2024 e 2025, que chegou a R$ 60,00 por quilo no mercado e até R$ 120,00 no caso do cacau fino, tornou a situação ainda mais delicada, levando algumas empresas artesanais a se adaptarem.</p>



<p>“O custo de produção de quem faz o <em>been to bar</em> [do grão para a barra], geralmente é bem mais alto do que quem faz em alta escala. A indústria tem um custo de produção muito mais barato do que a gente. Então, esse valor, eu não consigo repassar para o consumidor”, explica Bruno que está no setor do chocolate artesanal há 10 anos. O desafio, portanto, é duplo: manter a qualidade premium que diferencia o chocolate artesanal e, ao mesmo tempo, convencer o consumidor a pagar mais por um produto que carrega custos muito superiores aos da produção industrial.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/cacau.jpg" alt="A foto mostra alguns frutos de cacau maduros, de casca amarela e alaranjada, dispostos sobre uma cesta de palha. Ao fundo, em meio à vegetação verde de um ambiente tropical, aparece um grupo de cinco pessoas em pé, desfocado, sugerindo que se trata de uma visita ou atividade em uma plantação. O destaque está nos frutos em primeiro plano, que revelam a textura rugosa típica do cacau." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Chocolate artesanal enfrenta os produtos &#8220;sabor&#8221; chocolate da indústria
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<p>Mas esses desafios não são apenas de mercado, as mudanças climáticas também são fatores importantes. Em uma entrevista para o repórter Julio Silva, da Rádio USP São Paulo, o professor Flávio Guerra, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, explica o contexto em que a produção de cacau se encontra:</p>



<p>&#8220;A gente tem a questão das mudanças climáticas que têm afetado as áreas de produção de cacau na África, mas também aqui na América. E essa produção é muito sensível às mudanças climáticas, principalmente a mudança dos padrões de chuva, temperatura, esses eventos extremos como secas ou também em alguns locais tem ocorrido muitas inundações, têm afetado negativamente a produção do cacau&#8221;, analisa.</p>



<p>Ele continua dizendo que outro fator são as doenças e pragas que têm impactado as plantações. &#8220;Na maior parte das áreas de produção de cacau são cultivos que utilizam baixa tecnologia, plantações antigas, onde o manejo agrícola não é muito adequado, fazendo com que essas áreas sejam bastante suscetíveis à ocorrência e proliferação de doenças em larga escala&#8221;, explica. </p>



<p>Apesar dos desafios, os produtores de Pernambuco vão na contramão da escala mundial e conseguem desenvolver com suas particularidades, a produção do cacau para garantir a qualidade do chocolate produzido. </p>




	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Cacau na pauta da Câmara dos Deputados</span>

		<p><!-- wp:paragraph -->A Câmara dos Deputados aprovou, na última terça-feira (17), o projeto de lei que regulamenta o percentual mínimo de cacau em chocolates e derivados, exigindo que essa informação esteja claramente indicada na parte frontal das embalagens. O texto, que altera o Projeto de <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2904074&amp;filename=Avulso%20PL%201769/2019" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lei 1769/19</a> do Senado, define conceitos como massa, manteiga e sólidos totais de cacau, além de estabelecer limites para outras gorduras vegetais. Como foi modificado pelos deputados, o projeto retorna ao Senado para nova votação.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->O texto estabelece que os chocolates devem conter ao menos 35% de sólidos totais de cacau, sendo 18% de manteiga e 14% isentos de gordura, e fixa um limite de 5% para outras gorduras vegetais. Também foram criadas regras específicas para o chocolate ao leite, que deverá ter no mínimo 25% de sólidos de cacau e 14% de leite, e para o cacau em pó, que precisa conter ao menos 10% de manteiga de cacau. Outra novidade é a criação da categoria “chocolate doce”, com exigência mínima de 25% de sólidos totais de cacau, dos quais 18% devem ser manteiga e 12% isentos de gordura.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->O projeto também prevê sanções para empresas que descumprirem as normas, com base no Código de Defesa do Consumidor e na legislação sanitária. As regras entram em vigor 360 dias após a publicação.</p>
	</div>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Entenda por que o metanol pode matar ou levar à cegueira irreversível</title>
		<link>https://marcozero.org/entenda-por-que-o-metanol-pode-matar-ou-levar-a-cegueira-irreversivel/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2025 22:31:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[álcool]]></category>
		<category><![CDATA[bebida]]></category>
		<category><![CDATA[cegueira]]></category>
		<category><![CDATA[intoxicação]]></category>
		<category><![CDATA[metanol]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Náuseas, enjoo, cólica abdominal, letargia. Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol podem se assemelhar à uma ressaca, mas é um quadro que pode evoluir para a morte. Usado como solvente na indústria, o metanol é altamente tóxico para seres humanos e pode estar no uísque que foi bebido por um grupo de homens em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Náuseas, enjoo, cólica abdominal, letargia. Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol podem se assemelhar à uma ressaca, mas é um quadro que pode evoluir para a morte. Usado como solvente na indústria, o metanol é altamente tóxico para seres humanos e pode estar no uísque que foi bebido por um grupo de homens em Lajedo, no agreste de Pernambuco. Um ficou cego e a polícia investiga se a morte de outros três têm relação com a contaminação da bebida. Apesar do cheiro e do gosto serem bastante semelhantes ao do etanol – o álcool consumido em bebidas –, os danos ao corpo são bem diferentes.<br><br>Ao ser ingerido, o metanol é metabolizado pelo fígado primeiro em formaldeído (o popular &#8220;formol&#8221;) e posteriormente em ácido fórmico, o que causa acidez no sangue, levando a uma acidose metabólica grave. “Como o fígado precisa de tempo para metabolizar o metanol até o ácido fórmico, os sintomas não são imediatos. A pessoa pode tomar a bebida em uma festa e ir para casa tranquilamente, não é como um &#8216;boa-noite cinderela&#8217;”, afirma o médico Pedro Alves, preceptor de clínica médica do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/policia-investiga-origem-de-uisque-adulterado-pro-metanol-e-quatro-casos-suspeitos-em-pernambuco/" class="titulo">Polícia investiga origem de uísque adulterado por metanol e quatro casos suspeitos em Pernambuco</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><br>O envenenamento por metanol se manifesta em média de 12 a 24 horas após a ingestão da bebida adulterada, com sintomas genéricos de uma intoxicação qualquer. “O que vai chamar atenção na evolução dos sintomas são as manifestações neurológicas e oftalmológicas: uma dor de cabeça muito forte, desorientação, vista turva. Mesmo algum tempo depois de beber, a pessoa ainda vai estar como se estivesse meio embriagada. Isso aí já é a toxicidade do metanol”, diz o médico.<br><br>Um artigo de revisão científica de intoxicações por metanol, publicado em 2022 na <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8731680/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">revista Archives of Toxicology</a> por pesquisadores poloneses indicou que a intoxicação por metanol tem taxas de mortalidade variando entre 18% e 44%, segundo dados dos Estados Unidos. Danos à visão são comuns: estima-se que sintomas visuais ocorram em cerca de 50% dos casos.</p>



<p>“O ácido fórmico atinge o sistema nervoso central. E o nervo óptico faz parte do sistema nervoso central”, explica a oftalmoglogista Camilla Alliz, preceptora de catarata e retina na Fundação Altino Ventura (FAV). Chamada de Neuropatia Óptica Induzida por Metanol, essa condição é muito grave e pode resultar em deficiência visual de longo prazo ou irreversível, levando até à cegueira. “O consumo de apenas 4 ml de metanol pode ser suficiente para provocar a perda completa da visão”, alerta a oftalmologista. Os sintomas visuais normalmente se manifestam entre 12 e 48 horas após a exposição, segundo o artigo de 2022. De acordo com nota técnica da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) divulgada hoje, a dose oral letal do metanol é estimada em 30 a 240ml(20a150g).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Nervo ótico compõe o sistema nervoso central
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ribhav Agrawal/Pixabay</span>
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                    </figure>

	


<p>Quando o metanol causa danos ao nervo óptico, a maioria dos casos é irreversível, diz Camilla Alliz. “A grande preocupação é que, uma vez atingido o nervo óptico, muitas vezes não é possível reverter o quadro. O paciente pode primeiro perceber uma visão embaçada. Ou, muitas vezes, o paciente acorda e já não consegue enxergar, pode ser algo súbito”, alerta Alliz. Quando chega nesse ponto, é difícil que o paciente volte a enxergar. “Infelizmente, quando atinge o nervo óptico, que faz parte do sistema nervoso central, a maioria das vezes não se consegue reverter o dano. E não existe transplante de nervo óptico. Se a pessoa sentir qualquer alteração visual, precisa imediatamente ir na emergência”, avisa a médica.</p>



<p>A identificação e o tratamento rápidos são importantes para evitar a progressão da doença, mesmo que já se tenha algum déficit visual inicial. O diagnóstico precoce, porém, não é tão simples, por conta dos sintomas inespecíficos da intoxicação.</p>



<p>Existe um teste que aponta a presença de metanol, mas é pouco disponível no Brasil. “O que o médico pode fazer se o paciente chegar com histórico de ingestão de bebida alcoólica na noite ou no dia anterior, com sintomas persistentes, é ver se há acidose metabólica, que pode ser identificada através de um exame de sangue simples”, recomenda o médico Pedro Alves. A partir daí, o tratamento pode incluir antídotos contra o metanol e hemodiálise.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Antídotos estão em falta ou escassos no Brasil</h2>



<p>Há dois antídotos usados em hospitais para intoxicações por metanol. Um é o etanol puro e o outro o fomepizole (ou 4-metilpirazol) – ambos impedem a conversão do metanol no perigoso ácido fórmico. No Brasil, porém, não há disponibilidade do fomepizole. “É o mais indicado, pois não tem os efeitos colaterais do etanol”, pontua Pedro Alves.<br><br>O tratamento, então, é feito com etanol puro na veia, que também não está plenamente disponível nos hospitais e deve ser solicitado ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Pernambuco (CIAtox) mais próximo. Mas até o etanol está em escassez: em nota na terça-feira (30), o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp apontou que o Brasil não tem estoque suficiente de antídotos para tratar muitos casos de intoxicação por metanol. Já a Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Abracit) cobrou a incorporação do fomepizole ao Sistema Único de Saúde (SUS).<br><br>A base científica para o uso do etanol puro é que ele compete com o metanol pelo metabolismo no fígado, e a enzima do fígado que realiza essa conversão, a álcool desidrogenase (ADH), tem uma afinidade até 20 vezes maior pelo etanol do que pelo metanol. “É como se o metanol e o etanol estivessem competindo para serem metabolizados por essas enzimas hepáticas. Como o fígado tem uma predisposição a metabolizar preferencialmente o etanol, ao injetar etanol no paciente o fígado fica ocupado, fazendo com que o metanol não metabolizado seja eliminado do corpo pela urina”, explica Pedro Alves.<br><br>Embora o álcool comum encontrado nas bebidas seja de fato um antídoto que pode salvar vidas em casos de intoxicação por metanol, não é recomendado que ele seja administrado por meio do consumo de bebidas alcoólicas, devido aos riscos e à falta de controle. “A pessoa pode entrar em coma alcoólico, por exemplo”, diz Pedro Alves. No ambiente hospitalar (com etanol venoso), a dosagem é monitorada, e o paciente é acompanhado de perto, o que não ocorre na ingestão caseira.<br><br>A terapia combinada, que inclui antídoto e hemodiálise, é a abordagem preferencial para casos graves, pois permite a remoção acelerada e simultânea tanto do metanol quanto do ácido fórmico. Enquanto as investigações policiais e epidemiológicas estão em curso e não se sabe ainda a origem e distribuição dessas bebidas contaminadas com metanol em Pernambuco, os médicos recomendam que as pessoas redobrem a atenção ao comprar bebidas alcóolicas.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Foi divulgada no começo da noite desta quarta-feira (01) uma nota técnica conjunta da Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde e Atenção Primária (SEVSAP) e a Secretaria Executiva de Atenção à Saúde (SEAS). É um alerta sobre risco de intoxicação exógena por metanol associada ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas.</p>
<p>No texto, a nota afirma que o padrão identificado nos casos de São Paulo – mais de 35 sob suspeita – diferem dos registros anteriores no país. “Historicamente, as intoxicações por metanol ocorriam predominantemente em populações em situação de vulnerabilidade social, relacionadas à ingestão de álcool combustível (etanol automotivo) adulterado com metanol. No entanto, os casos recentes envolvem indivíduos em contextos sociais de consumo — como bares, festas e residências — com relato de ingestão de bebidas como gin, uísque, vodca e outras destiladas, de diferentes marcas e procedências”.</p>
<p>A nota, voltada para profissionais de saúde, estabelece os procedimentos que devem ser adotados em suspeita de intoxicação por metanol e ficará disponível no site da Secretaria Estadual de Saúde.</p>
        </div>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entenda-por-que-o-metanol-pode-matar-ou-levar-a-cegueira-irreversivel/">Entenda por que o metanol pode matar ou levar à cegueira irreversível</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Polícia investiga origem de uísque adulterado por metanol e quatro casos suspeitos em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/policia-investiga-origem-de-uisque-adulterado-pro-metanol-e-quatro-casos-suspeitos-em-pernambuco/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2025 18:59:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[adulteração]]></category>
		<category><![CDATA[metanol]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[polícia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apesar de oficialmente o Governo do Estado trabalhar com três casos suspeitos, mais uma pessoa pode ter consumido bebida envenenada com metanol em Pernambuco. Além das duas mortes notificadas à Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), uma terceira pessoa que estava bebendo com as outras vítimas teria sido levada para uma unidade de saúde em Lajedo, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Apesar de oficialmente o Governo do Estado trabalhar com três casos suspeitos, mais uma pessoa pode ter consumido bebida envenenada com metanol em Pernambuco. Além das duas mortes notificadas à Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), uma terceira pessoa que estava bebendo com as outras vítimas teria sido levada para uma unidade de saúde em Lajedo, no agreste do estado, e falecido antes mesmo de ser levada para o Hospital Regional Mestre Vitalino, em Caruaru, onde as outras três vítimas foram atendidas – apenas um homem sobreviveu, perdendo a visão.</p>



<p>A informação foi repassada no final da manhã desta quarta-feira (1º de outubro) pelo delegado de Lajedo, Cledinaldo Orico, na sede da SES-PE, no Recife. “Nós fomos informados sobre a existência de outra pessoa que veio a falecer. Então, seriam três mortos, mas o hospital não notificou e pode ser que tenha havido alguma confusão nos depoimentos. Nós não sabemos ainda”, afirmou. De acordo com o delegado, as mortes ocorreram no início de setembro e a delegacia começou a investigar o caso rapidamente, inclusive com vítimas ainda hospitalizadas.</p>



<p>O Hospital Mestre Vitalino, no entanto, só notificou a SES-PE na tarde de ontem sobre a suspeita de intoxicação por metanol. De acordo com o delegado, amostras da bebida foram recolhidas na investigação no começo de setembro, mas o resultado ainda não ficou pronto e deve ser divulgado “em breve”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pernambuco-registra-tres-casos-suspeitos-de-intoxicacao-por-metanol/" class="titulo">Pernambuco registra três casos suspeitos de intoxicação por metanol</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“A esposa de uma das vítimas nos procurou e nos apresentou algumas garrafas de uísque, supostamente corrompidas. Então nós, de imediato, procedemos à oitiva dessa senhora enquanto o marido dela estava em estado grave no hospital, em Caruaru. De imediato, já requisitamos também a realização da perícia, tanto nos corpos dos atendidos, quanto também na bebida. Temos uma suspeita grande (sobre a intoxicação por metanol), mas ainda não temos certeza, porque a certeza depende da perícia técnica”, afirmou o delegado. “O esposo da mulher que procurou a delegacia veio a óbito. Ela também nos deu a notícia de outro homem que morreu, que até então não se suspeitava ter sido por intoxicação, mas que por conta da sequência de internamentos, gerou essa coincidência e foram feitas essas conexões”, disse, sobre a possível terceira morte suspeita.</p>



<p>Uma das linhas de investigação seguidas pela polícia aponta que uma das vítimas teria comprado uma quantidade de garrafas de uísque em um caminhão. “Ele teria comprado para revender, mas também consumiu com os amigos antes de um festival de rock em Lajedo. Uma linha informa que ele adquiriu isso de um caminhão na cidade de Belo Jardim, mas há a possibilidade dessa informação não ser verídica, então estamos checando”, disse o delegado, que não quis informar que outras linhas de investigação também estão sendo apuradas. Uma das vítimas era moradora da cidade de João Alfredo, distante quase 150 quilômetros de Lajedo.</p>



<p>Dessas pessoas que beberam a bebida, as duas que tiveram a morte notificada ontem à SES-PE foram dois homens, um de 30 anos e outro de 43 anos. O sobrevivente foi um cunhado de uma das vítimas, de 32 anos, que perdeu a visão dos dois olhos. A prefeitura de Lajedo também teria informado a morte de um homem de 25 anos, mas esta ainda não notificada oficialmente à SES-PE.</p>



<p>Para não atrapalhar as investigações, a polícia não informou a quantidade de garrafas compradas pela vítima, nem se já identificou o vendedor ou o local de onde o caminhão pegou as bebidas. O rótulo da bebida adulterada também não foi divulgado. O caminhão apontado pelo comprador teria como origem o estado de São Paulo.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:33% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-72645 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-683x1024.jpg 683w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-768x1152.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-1024x1536.jpg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-1366x2048.jpg 1366w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-150x225.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-scaled.jpg 1707w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Nós também comunicamos aos outros órgãos policiais e à cadeia hierárquica, a fim de sabermos se no estado de Pernambuco há outros indivíduos também vitimados pela ingestão dessas substâncias, bem como também oficiamos à polícia de São Paulo para ver se há um elo comum entre as mortes ocorridas em São Paulo e os casos aqui em Pernambuco. As investigações estão apenas no início e a nossa preocupação é evitar que novas vítimas surjam”, disse Orico, afirmando que a Polícia Federal também já começou diligências em Pernambuco.</p>
</div></div>



<p> “Por ora, não temos ainda confirmação que se trata de uma mesma cadeia de fornecimento, com penetração em vários estados. Mesmo assim, a Polícia Federal, muito prudentemente, já se antecipou e já iniciou as suas investigações”, afirmou.</p>



<p>Diretora geral da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), Karla Baêta afirmou que só no final da tarde de ontem o hospital notificou a SES-PE sobre a possibilidade de duas mortes terem sido causadas por metanol. “Se não tem a notificação, não tem como a gente saber. Então, desde ontem, estamos nesse trabalho de iniciar a investigação epidemiológica sanitária, que é diferente da investigação policial”, disse.</p>



<p>“É uma perda de oportunidade um caso ter acontecido no início de setembro e a gente só ter ciência agora, quase no início de outubro. Quase 30 dias de lacuna. É perda de oportunidade, mas a gente só tem como saber se é notificado”, lamentou a diretora. “Por isso que eu faço realmente uma chamada para os profissionais de saúde, hospitais, rede pública ou privada, para que notifiquem, para que nos cientifiquem dessas ocorrências, para que possamos atuar oportunamente”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Atendimento de casos suspeitos deve ser rápido</span>

		<p>Os sintomas nas seis horas após o consumo de metanol não diferem dos de uma ressaca: letargia, sonolência, dor abdominal, ânsia de vômito, náusea, dor de cabeça. “O problema é que a partir das seis horas começa a aumentar o número de sintomas neurológicos e visuais. Ou seja, a pessoa já começa a ficar com hipotensão, já começa a também ter distúrbios de visão. É um alerta muito forte para procurar a unidade de saúde e relatar na anamnese (nas perguntas da consulta médica) o consumo da bebida. Isso é muito importante, porque facilita tanto para quem vai procurar a unidade de saúde, quanto para os profissionais que estejam alertas com relação a esses sintomas”, informou a diretora da Apevisa.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Atenção à origem das bebidas</h2>



<p>A Apevisa está desde ontem atuando em três linhas: “uma primeira linha é realmente organizar com as vigilâncias sanitárias dos municípios o comércio de bebida alcoólica. Estamos em contato com a superintendência do Ministério da Agricultura aqui no estado de Pernambuco, que é responsável pelo registro das bebidas alcoólicas e o que deve acontecer é uma operação conjunta, entre a Apevisa, Ministério Público, Ministério da Agricultura, Delegacia do Consumidor e o Procon”, afirmou Karla Baêta.</p>



<p>Uma outra linha de atuação é junto aos serviços de saúde. “Os profissionais de saúde têm que estar em alerta para a detecção e tratamento oportuno para que a gente não tenha novos óbitos. Isso é de extrema importância. Nesse momento, que é um alerta nacional, sintomas que são compatíveis com intoxicação, que seria sintoma de embriaguez mais acentuado, já direcionam a necessidade de que as pessoas procurem a unidade de saúde e façam relato de que bebida foi consumida e onde foi adquirida, para que facilite o nosso trabalho”, afirmou.</p>



<p>Outro trabalho é junto aos consumidores e comerciantes. A diretora da Apevisa recomenda que as pessoas comprem bebidas alcoólicas apenas lacradas, com os selos do Ministério da Agricultura e em lugares confiáveis. Um ponto de atenção são as bebidas vendidas nas praias, como drinks, que já chegam ao consumidor nos copos. “É um trabalho junto aos comerciantes, para que comprem as bebidas apenas de fornecedores idôneos. Bebidas que estejam dentro da legalidade, tanto do ponto de vista do Ministério da Agricultura, quanto da vigilância sanitária”, afirmou.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Karla Baêta, da Apevisa, afirmou que atraso na notificação foi &#8220;oportunidade perdida&#8221;
</p>
	                
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/policia-investiga-origem-de-uisque-adulterado-pro-metanol-e-quatro-casos-suspeitos-em-pernambuco/">Polícia investiga origem de uísque adulterado por metanol e quatro casos suspeitos em Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Memória e preservação: projeto lança acervo de 200 vídeos populares de Pernambuco digitalizados</title>
		<link>https://marcozero.org/memoria-e-preservacao-projeto-lanca-acervo-de-200-videos-populares-de-pernambuco-digitalizados/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Sep 2025 18:12:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[audiovisual]]></category>
		<category><![CDATA[movimentos sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A produção audiovisual das organizações e dos movimentos sociais no período da redemocratização do Brasil conta muito sobre a história do país. Preservar essas imagens e memórias tornando-as acessíveis é o objetivo do projeto Acervo do Vídeo Popular em Pernambuco, que recuperou e digitalizou mais de 200 fitas gravadas por organizações e produtoras locais como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A produção audiovisual das organizações e dos movimentos sociais no período da redemocratização do Brasil conta muito sobre a história do país. Preservar essas imagens e memórias tornando-as acessíveis é o objetivo do projeto <a href="https://videopopularpe.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Acervo do Vídeo Popular em Pernambuco</a>, que recuperou e digitalizou mais de 200 fitas gravadas por organizações e produtoras locais como SOS Corpo, TV Viva, Etapas Vídeo, MST, Grupo Mulher Maravilha e Produções do Tempo. </p>



<p>O seminário gratuito “Memória do Audiovisual Popular em Pernambuco”, nesta quinta-feira, 18 de setembro, no Centro de Artes e Comunicação da UFPE, marca, com exibição de filmes, o lançamento oficial do livro “Histórias do Vídeo Popular”, do Repositório do Vídeo Popular e da série para televisão “Imagem nas Mãos”.</p>



<p>O Repositório do Vídeo Popular é uma plataforma de pesquisa criada pelo projeto para dar acesso não só aos vídeos como também às suas informações técnicas e históricas. Com ferramenta de busca, permite pesquisas por filtros como título, tema, equipe técnica, ano de produção, acontecimentos documentados ou pessoas que aparecem nas imagens.</p>



<p>Já o livro “Histórias do Vídeo Popular” reúne reflexões e entrevistas com militantes envolvidos diretamente na produção do vídeo popular em nosso estado, que apresentam um panorama do cenário político do país. Esses assuntos são discutidos de forma entrelaçada às histórias de vida dos militantes e tecem um diálogo entre as lutas sociais travadas nas últimas décadas no Brasil, principalmente em Pernambuco.</p>





<p>“A rica história das produções feitas em apoio às lutas sociais em nosso estado costuma ser pouco contada e a história da produção em vídeo feita no contexto singular da transição política, chamada de vídeo popular, menos ainda”, explica Vinícius Andrade, coordenador do projeto. “Discutir essa produção construída por dentro de coletivos sobre questões coletivas de nossa sociedade faz a gente aprender muito, sobretudo em como lidar com os desafios políticos que estamos vivendo hoje”, completa.</p>



<p>A estreia da série “Imagem nas Mãos” encerra o evento da tarde desta quinta. Realizada por estudantes de Jornalismo, sob orientação da professora Yvana Fechine, os sete episódios são compostos por entrevistas com representantes de organizações e produtoras de vídeo populares que tiveram seus acervos digitalizados pelo <a href="https://videopopularpe.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Acervo do Vídeo Popular em Pernambuco</a>. Os programas serão exibidos semanalmente na TVU Recife a partir do dia 29 de setembro.</p>
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		<title>Contrato milionário de câmeras de segurança do Governo de Pernambuco enfrenta onda de problemas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jul 2025 15:18:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[reconhecimento facial]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança Pública]]></category>
		<category><![CDATA[videomonitoramento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O cruzamento das avenidas Marquês de Olinda e Alfredo Lisboa, no Recife Antigo, é um Big Brother. Há pelo menos quatro pontos de câmeras de videomonitoramento. No Pina, a cena se repete: quem entra na avenida Antônio de Góes se depara com totens imensos com câmeras para segurança pública. Nesses dois pontos, porém, as câmeras [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O cruzamento das avenidas Marquês de Olinda e Alfredo Lisboa, no Recife Antigo, é um Big Brother. Há pelo menos quatro pontos de câmeras de videomonitoramento. No Pina, a cena se repete: quem entra na avenida Antônio de Góes se depara com totens imensos com câmeras para segurança pública. Nesses dois pontos, porém, as câmeras da Secretaria de Defesa Social (SDS) do Governo de Pernambuco talvez não estejam funcionando como deveriam.</p>



<p>Em uma análise técnica, datada de 5 de março de 2025, a Secretaria de Defesa Social apontou várias irregularidades nesses dois pontos de monitoramento. No PCI – sigla para ponto de captura de imagens – no Recife Antigo foram constatadas imagens com um efeito pêndulo, causando gravações &#8220;desestabilizadas&#8221;. Além disso, tanto o PCI da Marquês de Olinda quanto o totem do Pina não tinham isolamento elétrico aplicado na superfície – do nível do solo até 3,30 metros de altura – para mitigar riscos de choque elétrico.</p>



<p>Os problemas apontados no Pina e no Recife Antigo são a parte mais palpável de uma série de problemas do contrato milionário firmado entre o Governo de Pernambuco e a empresa paulista Teltex Tecnologia S.A. para a implantação de um sistema integrado de videomonitoramento público. Para um período de cinco anos, o governo assinou um contrato de R$ 122,5 milhões com a empresa, que tem sede em São Paulo, mas muitos contratos no estado de Pernambuco, incluindo clientes como o Tribunal de Justiça.</p>



<p>Desde 2023, o estado estava sem contrato para videomonitoramento em vias públicas. Pelo contrato, a Teltex instalaria 1.347 câmeras, infraestrutura de transmissão e centros de gerenciamento de imagens em vias públicas do estado, cedendo os direitos patrimoniais e propriedade intelectual para o Governo do Estado. Documentos oficiais aos quais a reportagem da Marco Zero teve acesso, porém, indicam uma série de descumprimentos contratuais por parte da Teltex. Há ainda uma ação judicial que pode comprometer a entrega de, pelo menos, 150 totens.</p>



<p>No começo de abril, a SDS notificou a empresa por não ter instalado 180 dos 200 Pontos de Captura de Imagens (PCIs) que estavam previstos na primeira leva de instalações do contrato. Mesmo após ter sido concedida uma prorrogação de prazo para a execução, a Teltex não cumpriu com a instalação e foi novamente notificada no final daquele mês.</p>



<p>Houve ainda falha no fornecimento dos projetos de instalação dos equipamentos, que deveriam conter, no mínimo, o <em>layout </em>e localização dos equipamentos, e o encaminhamento dos dutos de rede de comunicação e alimentação elétrica.</p>



<p>O contrato com a Teltex também foi impactado por movimentações financeiras significativas. Dois empenhos para a Teltex Tecnologia S.A. foram anulados pela SDS em 7 de fevereiro de 2025. Os valores anulados foram de R$ 22.200.909,00, correspondente ao valor anual do contrato, e R$ 1.771.200,00. A justificativa para as anulações, conforme o documento, foi &#8220;possibilitar um controle específico do orçamento/financeiro&#8221;, o que indica que os empenhos serão feitos serviço por serviço.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><strong>Empenho</strong> é  o documento que atesta que o governo reservou o dinheiro a ser pago quando um bem adquirido for entregue ou o serviço contratado for concluído. Isso ajuda o governo &#8211; municipal, estadual ou federal &#8211; a organizar os gastos pelas diferentes áreas do governo, evitando que se gaste mais do que foi planejado.</p>
<p>Esta explicação foi extraída do Portal da Transparência do Governo Federal.</p>
        </div>
    </div>



<p>Houve ainda uma tentativa da Teltex de reduzir a garantia contratual exigida. A empresa solicitou a prestação de uma garantia proporcional ao valor da primeira Ordem de Fornecimento (R$ 3.081.960,00), argumentando que o valor total anual do contrato (R$ 22.950.900,00) ainda não havia sido empenhado em sua totalidade.</p>



<p>Essa diminuição no valor da garantia teria um efeito prático bastante favorável para a Teltex: influenciaria diretamente no valor de uma possível multa compensatória que pode ser aplicada em caso de descumprimento contratual, que varia de 10% a 20% sobre o valor da garantia, o que geraria prejuízos à administração pública.</p>



<p>No parecer jurídico ao qual a Marco Zero teve acesso, de 18 de março, a Gerência Geral de Assuntos Jurídicos e Estratégicos da SDS rejeitou o pedido da Teltex, ressaltando que a garantia de 5% sobre o valor anual do contrato é obrigatória, conforme edital e contrato.</p>



<p>A SDS também apontou que a <em>fintech</em> apresentada pela Teltex como fiador contraria expressamente normas do Banco Central do Brasil, que não autorizam esse tipo de empresa a oferecer fianças bancárias. Em 12 de junho de 2025, uma comunicação da secretaria executiva de Gestão Integrada à Gerência Geral do Centro Integrado de Operações de Defesa Social opinou pela possibilidade de instauração de um Procedimento de Apuração e Aplicação de Penalidade (PAAP) contra a Teltex, em resposta aos descumprimentos.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>No dia 18 de fevereiro deste ano, Raquel Lyra assinou o contrato para a criação de centros de gerenciamento de videomonitoramento online das vias públicas com capacidade para 2 mil câmeras, quantidade anunciada pela governadora, apesar do contrator prever a aquisição de somente de <strong>1.347 câmeras</strong>, que seriam divididas da seguinte forma:</p>
<p><strong>275</strong> unidades de câmera fixa.<br />
<strong>378</strong> unidades de câmera fixa com LPR (para identificação de placas de veículos)<br />
<strong>544</strong> unidades de câmera móvel PTZ – tipo de câmera que possui a capacidade de se mover horizontalmente (Pan), verticalmente (Tilt) e de aproximar ou afastar a imagem (Zoom).<br />
<strong>150</strong> unidades de câmera panorâmica 360º (sem áudio)</p>
<p>O contrato não usa as palavras “reconhecimento facial”, mas estão previstas no contrato licenças de uso de software para os seguintes analíticos de imagem, além do LPR:</p>
<p><strong>Detecção de aglomeração:</strong> Funcionalidade que permite ao sistema identificar e alertar sobre a formação de aglomerações de pessoas em áreas monitoradas</p>
<p><strong>Busca forense:</strong> capacidade de pesquisar rapidamente grandes volumes de gravações de vídeo para encontrar eventos, objetos ou pessoas específicas após um incidente, auxiliando em investigações. Os documentos não especificam se inclui reconhecimento facial</p>
<p><strong>Loitering:</strong> “vadiagem”, em inglês. Em videomonitoramento, refere-se a uma funcionalidade que detecta e alerta quando uma pessoa ou objeto permanece em uma área por um período de tempo incomumente longo ou pré-definido.</p>
<p><strong>Video Management System &#8211; VMS:</strong> O VMS é a plataforma central que gerencia e controla todo o sistema de videomonitoramento. Ele permite a captação, transmissão, processamento, análise, visualização e gestão de eventos das câmeras</p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">Decisão judicial pode afetar contrato</h2>



<p>A Teltex Tecnologia S.A. ainda está envolvida em uma disputa judicial com a Helper Tecnologia de Segurança S/A por infração de propriedade industrial. A Helper alega que a Teltex, em conjunto com a Forward Intelligence Innovation Hub Ltda (Fintih), está produzindo, usando e comercializando totens denominados Kule360, que violam a patente de invenção e o registro de desenho industrial da Helper. A acusação inclui a alegação de que a Fintih e a Teltex estariam sendo utilizadas em uma manobra para burlar uma liminar anterior obtida pela Helper contra a Banksystem Sistemas &amp; Consultores Ltda., que fornecia o mesmo produto.</p>



<p>No processo, a Helper anexou um laudo técnico da Universidade Tecnológica Federal do Paraná que afirma que há &#8220;notória semelhança&#8221; entre o produto da Helper e o Kule360. Em 29 de janeiro de 2025, uma decisão liminar determinou que a Fintih e a Teltex se abstivessem imediatamente de produzir, usar, colocar à venda, vender, fornecer ou importar o Kule360, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. A decisão também ordenou a remoção dos totens já instalados em cidades como Paranaguá (PR), Cajamar (SP) e Louveira (SP).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/54629496073_092f780c49_c-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/54629496073_092f780c49_c.jpg" alt="A imagem mostra uma esquina do Recife Antigo com prédios antigos e imponentes, em estilo histórico e fachada branca. O edifício principal está parcialmente coberto por andaimes e uma tela verde, indicando restauração. Na calçada, destaca-se um equipamento moderno de vigilância: uma estrutura metálica azul com uma câmera e um alto-falante no topo, usada para monitorar a rua. Alguns carros passam pela via asfaltada em frente ao prédio. O céu está claro e azul, iluminando o cenário." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Teltex está proibida pela Justiça do Paraná de produzir, usar e vender os totens
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>No entanto, a Teltex recorreu e, em 13 de fevereiro de 2025, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) suspendeu a ordem de remoção e inutilização imediata dos totens, mas manteve a determinação de abstenção de produção, uso e comercialização, considerando que os prejuízos materiais poderiam ser ressarcidos posteriormente e que a remoção imediata poderia impactar o interesse público na segurança. </p>



<p>Ou seja, a Teltex ainda está sob proibição judicial para não utilizar, comercializar ou fornecer esses produtos. O contrato com o Governo de Pernambuco prevê a instalação de 150 desses totens com câmeras de 360 graus.</p>



<p>O contrato também tem a exigência de cessão de direitos patrimoniais para o Governo do Estado, após o fim do contrato. Essa cessão de direitos patrimoniais abrange o &#8220;fornecimento de todos os dados, documentos e elementos de informação pertinentes à tecnologia de concepção, desenvolvimento, fixação em suporte físico de qualquer natureza e aplicação da obra”. Torna ainda mais relevante o processo para o Governo do Estado, já que existe a possibilidade da Teltex perder a propriedade intelectual da tecnologia utilizada nos totens que já instalou em Pernambuco.</p>



<p>Para a advogada Raquel Saraiva, do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.Rec), a situação da empresa (Teltex) deveria ter sido muito bem analisada já na fase de licitação. “Mesmo a recuperação judicial não impedindo a participação em licitações, o Estado tem o dever de fiscalizar se a empresa será capaz de cumprir o contrato, especialmente quando há uma disputa judicial sobre a tecnologia a ser cedida para o Estado ao final do contrato”, afirmou. “Caso a empresa seja impedida de cumprir com o contrato por conta dessa demanda judicial, mesmo que o processo ainda esteja em andamento e a empresa possa, teoricamente, fornecer a tecnologia neste momento, isso pode gerar um prejuízo para o Estado, pois o fornecimento da tecnologia já não vai mais poder ser feito se a empresa for condenada”, diz.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>&#8220;Procedimentos estão sendo adotados&#8221;, explica SDS</strong></h2>



<p>A Marco Zero questionou a Secretaria de Defesa Social sobre a aplicação de multas contra a Teltex e sobre o andamento da execução do contrato. A SDS não respondeu às perguntas, mas informou que “todos os procedimentos administrativos necessários à execução plena do contrato, bem como de apuração de eventuais descumprimentos, estão sendo adotados pela SDS, respeitando-se as exigências legais aplicáveis e a supremacia do interesse público”.</p>



<p>A reportagem também procurou a Teltex e enviou uma série de perguntas sobre o contrato com o Governo de Pernambuco, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Auditoria especial do TCE-PE</span>

		<p>As más notícias sobre a Teltex começaram já quando a empresa ganhou a licitação para o contrato, em novembro de 2024. Na época, foi amplamente noticiado que a empresa estava em recuperação judicial, negociando uma dívida de mais de R$ 40 milhões. Esse fato, no entanto, não era um impedimento para participar da licitação – a Teltex ficou em segundo lugar e assumiu após a desclassificação da primeira colocada.</p>
<p>Logo depois, a empresa Painel Multiserviços LTDA solicitou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) uma medida cautelar contra a decisão que declarou a Teltex Tecnologia S.A. como vencedora provisória da licitação. A Painel alegou uma série de irregularidades, que iam desde o elevado número de processos judiciais que a Teltex tinha em trâmite até a penalização de impedimento imposta pelos Correios contra a empresa, além de ajuda de outra empresa para ganhar a licitação.</p>
<p>O TCE-PE, contudo, após ouvir tanto a Teltex quanto o Governo do Estado, realizou dois pareceres técnicos que não consideraram as acusações como impedimentos para a Teltex executar os contratos. Todavia, no mês de março instaurou auditoria especial para acompanhar o cumprimento do contrato.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">Sai vadiagem e entra <em>loitering</em>, mas problema continua</h3>



<p>Ainda em julho de 2024, quando o Governo de Pernambuco anunciou que iria contratar nova empresa para fazer o videomonitoramento, entidades da sociedade civil chamaram a atenção para um termo do edital: as câmeras iriam detectar “vadiagem”. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) disse na época que “o uso do termo &#8216;vadiagem&#8217; suscita preocupações sérias sobre a potencial violação de direitos humanos e a perpetuação de práticas discriminatórias&#8221;.</p>



<p>No contrato, o termo foi mantido, mas colocado em inglês, como <em>loitering</em>. Para a advogada Raquel Saraiva, do IP.Rec, o fato do Governo do Estado pagar para ter câmeras com essa funcionalidade é uma clara discriminação, pois atinge desproporcionalmente pessoas em situação de rua, um grupo já vulnerável. “Vadiagem é uma contravenção penal de 1941, já desconsiderada pela jurisprudência, o que torna sua inclusão em um edital de segurança pública problemática”, diz.</p>



<p>Raquel também chama a atenção para a mudança de linguagem e termos usados pela SDS. “Por exemplo, a Secretaria não afirma mais que essas câmeras vão ter reconhecimento facial, diz que vai ter ‘inteligência artificial’, porque já há vários casos de prisões de pessoas inocentes. Reconhecimento facial é uma tecnologia falha, principalmente quando analisa imagens de pessoas negras. Agora, no contrato trocaram ‘vadiagem’ por <em>loitering</em> numa tentativa de dificultar a compreensão pública do seu real significado”, explica.</p>



<p>Na época do edital, a SDS afirmou que manteria a exigência da funcionalidade porque “criminosos têm como modus operandi estudar o local e ficar &#8220;perambulando&#8221; pela rua onde, por exemplo, vão praticar um assalto — e essas atitudes consideradas suspeitas também são estudadas pelos policiais; O &#8220;loitering&#8221; é usado ainda para identificar situações incomuns que podem gerar um alerta para a inteligência; Assim como acontece com as câmeras de reconhecimento facial, que se baseiam em fotos de foragidos, a tecnologia é apenas um indicativo que auxilia as forças de segurança e jamais funciona como veredito ou substitutivo da atuação das polícias”.</p>



<p>As câmeras da SDS também poderão indicar a formação de grupos de pessoas, como em protestos. “Os agentes responsáveis pela operação das câmeras precisam ser capacitados não apenas tecnicamente, mas também em segurança da informação e direitos humanos, para evitar abusos. O direito de associação e de reunião é assegurado pela Constituição. Não deve ser violado e a tecnologia não deve ser usada para perseguições ou intimação sob pretexto de detecção de aglomerações”, diz a advogada, que alerta para a complexidade de um contrato que lida com questões tão sensíveis quanto a captura e processamento de dados biométricos das pessoas que passam por essas câmeras.</p>
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		<title>Cultura (s)em números e a ilusão do controle social</title>
		<link>https://marcozero.org/cultura-sem-numeros-e-a-ilusao-do-controle-social/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Jun 2025 20:54:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[controle social]]></category>
		<category><![CDATA[grandes eventos]]></category>
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		<category><![CDATA[são joão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Bruno Nogueira* Duas notícias que circularam nos jornais e redes sociais durante o São João de 2025 falavam sobre o “Painel de Festividades” do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o novo “Painel de Festejos Juninos” do Ministério Público de Pernambuco. Segundo o Tribunal de Contas do Estado, uma forma de acompanhar “de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Bruno Nogueira*</strong></p>



<p>Duas notícias que circularam nos jornais e redes sociais durante o São João de 2025 falavam sobre o “Painel de Festividades” do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o novo “Painel de Festejos Juninos” do Ministério Público de Pernambuco. Segundo o Tribunal de Contas do Estado, uma forma de acompanhar “de forma clara e detalhada” o “gasto com festa realizados em todo estado”. No entanto, é interessante chamar atenção para aquilo que pretende ser uma ferramenta de controle social, na realidade, expõe a fragilidade das políticas públicas de cultura no estado de Pernambuco, incluindo sua integração com órgãos de controle.</p>



<p>Dois problemas são centrais. O primeiro, mais evidente, é o enquadramento da cultura em sua perspectiva de gasto financeiro. O cidadão é convidado a apreciar um artista a partir de uma cifra fechada de seu cachê, ao contrário da proposta de uma “forma clara e detalhada”. O próprio TCE cai na armadilha desse atalho (ou talvez incentive que seja usado dessa forma?) ao destacar dados como “os maiores valores individuais”, que leva ao raciocínio que, ao final do show, Alceu Valença recebeu em sua conta um pix daquele valor e seguiu para casa.</p>



<p>Para que se pudesse ser, de fato, um instrumento de controle social, seria necessário que o painel representasse um dado que, hoje, é impossível de ser rastreado: o que esse valor representa de fato &#8211; o que vou explorar logo mais no segundo problema central. Deste modo, a cultura sob a perspectiva financeira sucinta um debate que já é antigo, ao levar o cidadão tanto a fazer comparações, quanto associações equivocadas, como se estivesse em frente a uma estante de supermercado escolhendo um refrigerante: “Já viu como subiu o preço do Quinteto Violado?”</p>



<p>O segundo problema central é que o painel evidencia a maior assimetria da cadeia produtiva da economia da cultura de Pernambuco: o estado é o maior contratante. O promotor de eventos na região é uma espécie em extinção. Ele não apenas não consegue competir com os valores pagos pelo prefeito ou governador, como também depende de algo que o poder público não precisa: o retorno financeiro do investimento. Destaco aqui talvez uma diferença semântica entre essas duas espécies: não é gasto.</p>



<p>Quando o Governo do Estado ou uma prefeitura municipal tornam-se contratantes, tomam para si uma etapa que parecem não perceber: são a célula estruturante da cultura enquanto “categoria de trabalho”. Quanto do cachê total é destinado ao dançarino da banda? Quantas horas de trabalho ele tem que cumprir antes, durante e após uma apresentação? Que direitos e deveres estão envolvidos? Hoje, essas questões estão terceirizadas a uma figura invisível: o intermediário que assina o contrato do show. Nomes como “Farias Eventos” ou “H Produções” que fazem pouco ou nenhum sentido para qualquer um, sendo eles próprios parte da própria contratação, tal qual um instrumentista da banda.</p>



<p>A estruturação do trabalho é um elemento crucial para que não apenas a música, mas toda a cultura possa de fato exercer um papel que faça sentido num panorama econômico. Sem isso, é impossível afirmar que político X ou Y investe em qualquer dimensão cultural. Ele apenas administra gastos, um valor que é recortado para o fim de promover uma festa e repassado de forma aleatória a partir de uma retórica de contratação. Enquanto isso, um mesmo instrumentista terá condições adversas, apresentando-se com diferentes artistas, na programação de um mesmo evento.</p>



<p>Existe uma grande questão por trás desse panorama: até onde cabe a uma política pública estruturar, em toda sua complexidade, o trabalho na cultura? Perceba que, ao reconhecer a educação e saúde como direitos, ela já faz isso com professores, médicos e com quem mais compartilha atividades profissionais com eles. No entanto, ela faz isso construindo escolas e hospitais, sem um painel que diga “a aula do professor Bruno custa tantos reais”. Para pôr no mesmo termo usado pelo Tribunal de Contas, o “gasto” em aparelhos culturais e em políticas públicas que incentivem o surgimento de contratantes e outros agentes da cultura é muito menor que a cifra somada dessas quatro categorias de festas propostas: carnaval, são joão, Natal e réveillon.</p>



<p>Entendendo que cabe, sim, essa estruturação, então o motivo de persistir neste modelo em que o Estado é o contratante direto de uma apresentação artística permanece um mistério. Sobram exemplos externos: o mais famoso deles é o estatuto do intermitente do espetáculo na França que, assim como o da Bélgica, organizam o trabalho a partir do contratante e não do artista. Existem políticas de previdência subsidiada, como a <em>Künstlersozialkasse</em> da Alemanha e os modelos de negociação como o <em>Artist Act</em> do Canadá. Além daqueles que associam fomento e contratação com a profissionalização e formação (somando, portanto, arte e formação artística), como o <em>Kulturrådet</em> da Suécia e a <em>Ley de la Música</em> da Argentina.</p>



<p>Sem isso, não temos oportunidades reais de controle social porque, na prática, não temos política pública de cultura. Apenas um atalho para a destinação de recurso de impostos para organização de festas que, burocraticamente, precisam ter pessoas no palco preenchendo um determinado horário enquanto o público passeia entre o comércio informal de comida e bebida, esquecendo, pelo menos por alguns instantes, a real importância da ocupação de espaços públicos com arte e cultura.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p align="left"><strong>Bruno Nogueira é doutor em Comunicação e Cultura Contemporânea, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Culturais do CNPq</strong></p>
    </div>
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		<title>Relatório aponta falta de dados e informações sobre crimes socioambientais no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Jun 2025 18:54:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[crime ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[crimes contra a flora]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Rede de Observatórios da Segurança divulgou, nesta terça-feira, 17 de junho, o boletim Além da Floresta, que traz um panorama sobre crimes e conflitos socioambientais no Brasil. O relatório aponta que, entre 2023 e 2024, foram registrados 41.203 crimes ambientais nos estados de Pernambuco, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí, Rio de Janeiro e [&#8230;]</p>
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<p>A <a href="https://observatorioseguranca.com.br/">Rede de Observatórios da Segurança</a> divulgou, nesta terça-feira, 17 de junho, o boletim <a href="https://drive.google.com/file/d/1n9iVx1Wd7DewPyr20tckZ6xZTQ6B64Uz/view"><em>Além da Floresta</em></a><em>,</em> que traz um panorama sobre crimes e conflitos socioambientais no Brasil. O relatório aponta que, entre 2023 e 2024, foram registrados 41.203 crimes ambientais nos estados de Pernambuco, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. </p>



<p>O boletim destaca que há um verdadeiro &#8220;deserto de informações&#8221; sobre crimes e conflitos socioambientais em todo o país. As secretarias de segurança pública não classificam a violência contra povos tradicionais como crime ambiental, o que compromete tanto a análise quanto o enfrentamento desses problemas. Além disso, os números não consideram os impactos gerados por ações legalizadas, como abertura de estradas, mineração autorizada, desmatamento para agropecuária e grandes empreendimentos que afetam diretamente tanto o meio ambiente quanto às populações vulneráveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dados e desafios de Pernambuco</strong></h2>



<p>Pernambuco aparece como um dos poucos estados que apresentaram informações detalhadas sobre os crimes ambientais e os conflitos fundiários. Segundo o relatório, foram registrados no estado 413 crimes contra a fauna durante o período analisado. No entanto, chama atenção o fato de que, oficialmente, nenhum dos registros realizados em 2023 e 2024 foi classificado como crime ambiental.</p>



<p>O estado também foi um dos únicos, junto com Pará e Piauí, a fornecer dados sobre conflitos fundiários. Aqui, esses conflitos foram registrados como motivadores de outros delitos, como homicídios, e não como crimes específicos, refletindo a ausência de uma tipificação legal adequada para esse tipo de violação. Pernambuco também foi o estado com o menor número de conflitos socioambientais registrados, com apenas duas ocorrências. </p>



<p>Apesar disso, Pernambuco apresentou uma queda de 32,04% nos crimes ambientais entre 2023 e 2024, a maior redução percentual entre os estados analisados. Ainda assim, essa diminuição não necessariamente reflete uma melhora real na proteção socioambiental, já que os dados são inconsistentes e não abrangem a totalidade dos conflitos e seus impactos.</p>



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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Demais estados monitorados</strong></h2>



<p>No levantamento geral, os nove estados analisados apresentaram uma redução média de 2,94% nos crimes ambientais. Pernambuco e Amazonas foram os que apresentaram as maiores quedas, com 32,04% e 31,31%, respectivamente. Na sequência, Ceará apresentou uma redução de 23,82%, seguido da Bahia e Rio de Janeiro com, 11,26% e 9,93%, respectivamente. Maranhão e São Paulo foram os únicos a apresentarem aumento, 26,19% e 7,09%, respectivamente. Pará e Piauí mostraram relativa estabilidade com variações próximas a zero.</p>



<p>No entanto, especialistas alertam que essa queda pode estar mais relacionada à subnotificação e à falta de dados consistentes do que a uma efetiva melhora no cenário ambiental.</p>



<p>Entre os tipos de conflitos mais comuns no país estão o desmatamento (13% das ocorrências), a invasão de territórios de povos tradicionais (81 casos) e a violência direta contra essas populações (78 casos).</p>



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<p>Na Bahia 87,22% dos crimes ambientais ocorridos em 2023 e 2024 foram contra a flora. Já no Amazonas crimes contra a fauna se destacaram com 58,78% dos casos. O Maranhão apresentou acréscimo de 26,19% do total de crimes ambientais de um ano para o outro, o maior aumento entre os estados monitorados. No Pará, os pesquisadores observaram crescimento de 127,54% nos crimes de incêndio em lavouras, pastagem, mata ou florestas. Já São Paulo registrou 246,03% a mais em registros de crimes de incêndio em mata ou floresta, sendo também o estado com o maior número de crimes ambientais &#8211; 17.501 casos.</p>



<p>Em todo o Brasil, foram identificados 34 casos de ameaças a lideranças indígenas, quilombolas e ribeirinhas, além de registros de extorsão, roubos e até homicídios relacionados a disputas por terra e recursos naturais.</p>



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<p>A cientista social Silvia Ramos, coordenadora da Rede de Observatórios, ressalta que a ausência de estatísticas oficiais robustas sobre os impactos socioambientais e a vitimização das populações tradicionais é uma falha grave do Estado. “Não é possível, em pleno avanço da destruição ambiental no Brasil, que não tenhamos dados rigorosos sobre os impactos sobre quilombolas, indígenas, ribeirinhos e outras comunidades”, alerta.</p>



<p>O boletim aponta ainda para uma baixa cobertura da mídia sobre crimes e conflitos ambientais. Entre 2023 e 2024, apenas 495 casos foram noticiados, o que corresponde a pouco mais de 1% dos crimes registrados oficialmente pelas autoridades de segurança.</p>



<h3 class="wp-block-heading">COP 30</h3>



<p>O boletim foi divulgado a poucos meses da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas &#8211; COP 30, que será realizada em novembro, no Pará. O relatório indica que, embora haja avanços pontuais em alguns estados, o Brasil ainda enfrenta um cenário de apagamento institucional dos crimes ambientais e das violações contra povos tradicionais.</p>



<p>Diante do cenário crítico, a Rede de Observatórios da Segurança propõe uma série de medidas que possam contribuir para enfrentar os problemas relacionados aos crimes ambientais e às violações contra povos tradicionais. Uma das principais recomendações é a padronização dos dados coletados pelas secretarias de Segurança Pública e outros órgãos competentes. A ideia é que os registros passem a incluir, de forma clara e objetiva, informações sobre as vítimas pertencentes a povos e comunidades tradicionais, bem como a natureza dos delitos, se são ambientais ou não.</p>



<p>O relatório também defende a criação de órgãos públicos especializados no monitoramento e combate aos delitos cometidos contra povos tradicionais. Segundo os pesquisadores, isso se faz necessário porque esses crimes possuem características e especificidades que não são contempladas pelas estruturas tradicionais de segurança, tampouco pela legislação vigente, que não os enquadra adequadamente como crimes ambientais.</p>



<p> Por fim, a Rede aponta que a adoção de indicadores comparáveis entre os estados brasileiros seria fundamental para a formulação de políticas públicas efetivas. Esses indicadores permitiriam não apenas acompanhar a evolução dos crimes ambientais e dos conflitos, mas também forneceriam uma base sólida para ações de proteção ambiental e de defesa dos direitos dos territórios tradicionais.</p>



<p>“Leis como a de combate à violência de gênero não foram criadas de forma repentina; são frutos de muita luta, diálogos e embates para produzir mudanças relevantes tanto no campo da segurança pública como nas comunicações, levando os veículos de imprensa a compreender a importância de cobrir eventos inaceitáveis. São essas mudanças profundas que buscamos para os conflitos socioambientais”, concluiu Silvia Ramos.</p>
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		<title>Jovens Defensores Populares chega a Pernambuco para formar agentes de transformação social</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jun 2025 18:20:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[jovens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O programa Jovens Defensores Populares, uma iniciativa do Governo Federal, foi lançado no auditório do Campus Recife do IFPE. Executado pela Fiocruz, por meio da Agenda Jovem Fiocruz, em parceria com a Secretaria de Acesso à Justiça (SAJU/MJSP) e a Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), o projeto tem como proposta formar agentes de transformação e [&#8230;]</p>
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<p>O programa Jovens Defensores Populares, uma iniciativa do Governo Federal, foi lançado no auditório do Campus Recife do IFPE. Executado pela Fiocruz, por meio da Agenda Jovem Fiocruz, em parceria com a Secretaria de Acesso à Justiça (SAJU/MJSP) e a Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), o projeto tem como proposta formar agentes de transformação e ampliar o acesso à justiça em áreas periféricas. Pernambuco é um dos seis estados brasileiros a receber o programa.<br><br>Aqui, o projeto acontece nas cidades do Recife e de Olinda, envolvendo jovens de bairros como Peixinhos e Xambá em Olinda, e Chão de Estrelas, Linha do Tiro, Santo Amaro e Várzea no Recife. O programa nacional pretende formar mil jovens de regiões periféricas, favelas, comunidades tradicionais e de baixa renda em direitos. Os jovens participantes em Pernambuco têm entre 18 e 29 anos e foram selecionados por busca ativa e articulação com cursinhos populares, organizações da sociedade civil e coletivos de base. São, em sua maioria, jovens negros e negras, de baixa renda e com forte atuação comunitária.<br><br>O programa pretende fortalecer o engajamento cívico e político das juventudes e estimular a criação de soluções locais para desafios sociais, promovendo o acesso à justiça onde ele é mais necessário. Segundo a secretária de Acesso à Justiça do MJSP, Sheila de Carvalho, o projeto nasce do reconhecimento de que os próprios jovens das periferias são os mais capacitados para denunciar e enfrentar as violações que vivem diariamente. O papel do programa é oferecer ferramentas, formações e redes de apoio para que esses jovens se tornem protagonistas na defesa de seus direitos.<br><br>A escolha por Pernambuco se deu pelo histórico alarmante de violações de direitos no estado, incluindo violência policial, racismo, precarização de serviços públicos e ausência de mecanismos de escuta ativa da juventude. O estado, apesar de sua rica cultura popular e tradições, apresenta territórios com grande desigualdade social, com juventudes expostas à violência e baixa presença de políticas públicas estruturantes. Dados reforçam essa realidade: o Atlas da Violência 2023 indica que mais de 75% das vítimas de homicídio em Pernambuco são negras, e quase metade tem entre 15 e 29 anos. Em 2022, a Ouvidoria Nacional registrou mais de 4.200 denúncias de violações de direitos humanos no estado.<br><br>Além de Pernambuco, o programa Jovens Defensores Populares ocorre no Rio de Janeiro e em São Paulo, com Pará, Bahia e Distrito Federal sendo as próximas localidades a recebê-lo. </p>
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		<item>
		<title>Segundo turno em Olinda e Paulista vira ensaio para eleição de 2026</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Oct 2024 20:38:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As disputas do 2º turno em Olinda e Paulista — as únicas de Pernambuco com eleição neste domingo (27) — se transformaram em prévia da eleição de 2026. O prefeito reeleito do Recife, João Campos (PSB), e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), foram protagonistas nos palanques das duas cidades. Enfraquecida pelo resultado da [&#8230;]</p>
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<p>As disputas do 2º turno em Olinda e Paulista — as únicas de Pernambuco com eleição neste domingo (27) — se transformaram em prévia da eleição de 2026. O prefeito reeleito do Recife, João Campos (PSB), e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), foram protagonistas nos palanques das duas cidades. </p>



<p>Enfraquecida pelo resultado da eleição na capital, a governadora dedicou tempo de sua agenda para ocupar espaço na Região Metropolitana, ao ponto dela estar encerrando a campanha da sua aliada nesta sexta-feira. Mas, se ela pretende ter o PT em seu palanque daqui a dois anos, terá um cenário desafiador pela frente.</p>



<p>Com forte apoio de João Campos, Vinicius Castello (PT) “pegou pressão”, como diz a campanha em suas carreatas, e desponta como favorito em Olinda, com 54,46% das intenções de voto, segundo o Instituto Exatta Estratégia e Pesquisa em parceria com o Diario de Pernambuco. A candidata da governadora Raquel Lyra (PSDB), Mirella Almeida (PSD), apadrinhada pelo prefeito Lupércio Nascimento (PSD), tem 45,54%. João Campos também agradou aos petistas ajudando nas campanhas do partido em Natal e em Fortaleza.</p>



<p>Em Paulista, o embate entre João e Raquel se repete, porém com perspectivas mais favoráveis para a governadora, que apoia Severino Ramos, um político veterano também filiado ao PSDB, favorito para vencer o segundo turno. Vencer em Paulista seria estratégico, pois ajudaria a reduzir o peso do prefeito do Recife na Região Metropolitana, mas também teria um peso simbólico, pois o adversário de Ramos é o ex-prefeito Júnior Matuto (PSB), personagem bastante vinculado à família Campos.</p>



<p>Enquanto João Campos participou de carreata ao lado do candidato, que antes de entrar na política foi motorista de sua avó, Ana Arraes, seu irmão Pedro, deputado federal, gravou um vídeo pedindo votos para Matuto com o argumento de que os inquéritos da Polícia Federal que investigavam denúncias de irregularidades de sua gestão em Paulista acabaram sendo arquivados.</p>



<p>O apoio dos irmãos Campos parece não ter sido o bastante para reduzir a rejeição de Matuto junto aos eleitores. Em duas pesquisas, o aliado de Raquel Lyra lidera com folga. O instituto Veritá aponta Ramos com 59,8% das intenções de voto contra 28,4% de Matuto. Na pesquisa Exatta, a vantagem do tucano é ainda maior: 69,19% contra 30,81%.</p>



<p>“É interessante destacar que as pesquisas apontam para a vitória do aliado de cada um em cada um dos municípios em disputa. Para João Campos, a provável vitória do jovem petista Vinícius Castello será importantíssima na medida em que aliados de Raquel Lyra ganharam, por exemplo, em relevantes e densos colégios eleitorais e já no primeiro turno, como Jaboatão e Caruaru. E deve vencer em Paulista exatamente contra o candidato do partido do prefeito João Campos, o experiente Júnior Matuto, do PSB. Daí Campos ter se empenhado tanto para a ampliação do palanque do Vinícius Castello”, comenta o pesquisador e cientista político da Fundação Joaquim Nabuco Túlio Velho Barreto.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/2026-Paulistra.jpg" alt="Colagem de duas fotos de campanhas eleitorais. À esquerda, Severino Ramos e Raquel Lyra fazem saudações em cima de um trio elétrico cercados por balões azuis; à direita, João Campos e Júnior Matuto, ambos de camisa branca, sorriem e acenas para a multidão no alto de um carro, em meio a bandeiras amarelas com detalhes vermelhos." class="w-100" loading="lazy" >
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                                            <span>Crédito: Instagram/Ramos 45 e Júnior Matuto</span>
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<p>“É fato que João Campos apoiou o candidato vitorioso, já no primeiro turno, em Petrolina, o outro município em que poderia haver segundo turno. Portanto, vencer em Olinda e Paulista representará algo a mais na corrida para 2026 já que completam o conjunto dos maiores e mais influentes colégios eleitorais do Estado”, acrescenta.</p>



<p>Observando especificamente os segundos turnos nos dois municípios vizinhos ao Recife, Túlio acredita que Olinda sofre mais influência do resultado eleitoral da capital, o que tem se refletido no desempenho do candidato petista. Já em Paulista, na avaliação do pesquisador, o impacto mostra-se praticamente irrelevante, “basta que verifiquemos o fraco desempenho do Júnior Matuto apontado pelas pesquisas”.</p>



<p>“E não podemos deixar de destacar que os atuais prefeitos dos dois municípios ainda em disputa, Olinda e Paulista, são muito mal avaliados pelo eleitorado. Portanto, embora as disputas de segundos turnos ali estejam estadualizadas, parece ter tido um grande peso na decisão do eleitorado também a rejeição às gestões locais”, pondera.</p>



<h2 class="wp-block-heading">PT e PSB: ora juntos, ora separados</h2>



<p>A cientista política Priscila Lapa observa que, apesar de uma eleição ser preditora da arrumação das forças políticas para a eleição seguinte, é preciso considerar que as disputas municipais têm uma lógica diferente da estadual e da nacional, estas duas mais organizadoras da macroestruturação. “Isso porque os partidos podem estar ali, aliados na cena local ou por questão de conveniências locais, mas não estarem alinhados numa esfera maior”, explica.</p>



<p>“Se a gente pudesse ter uma lição de 2024 como preditor de 2026 é que o PT ficou na dependência do PSB. O PSB realmente consolidou o seu protagonismo e quem tem que correr atrás para se firmar como uma força ainda competitiva é o PT. E isso passa, de certa forma, por esses dois palanques agora de segundo turno”, analisa Priscila.</p>



<p>“O PT, parece ser óbvio, que vai rumar para fortalecer um projeto do PSB, para tentar formar uma frente com o PSB, mas há situações como a de Paulista, em que o PT descolou”, reflete. “E a gente sabe que isso pode ser também uma realidade para o estado. Já aconteceu outras vezes. Por isso a importância de a gente sempre monitorar os passos do PT e PSB, porque, quando eles estão juntos, a eleição toma um rumo. Quando eles estão separados, a eleição pode começar a ganhar outro rumo, outras sinalizações”, complementa Priscila.</p>



<p>Ela lembra que, em Pernambuco, as eleições estaduais, nos últimos 20 anos, passaram muito pela relação do PT com o PSB. “São dois atores que, de forma muito impressionante, decidiram alguns rumos das eleições no Estado, no Recife também, porque são partidos que ora estão juntos, numa correlação de ganha-ganha, ora estão separados porque têm outros interesses que os atravessam.</p>
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		<title>Fetape impulsiona 94 candidaturas de agricultores nas eleições municipais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 19:02:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Fetape]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fundada em 1962, a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape) é constituída por 176 sindicatos de trabalhadores rurais. A organização sempre incidiu de forma política na vida de agricultores e agricultoras familiares representando e coordenando o trabalho no campo nas três regiões do estado.  “Demorou para que os [&#8230;]</p>
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<p>Fundada em 1962, a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape) é constituída por 176 sindicatos de trabalhadores rurais. A organização sempre incidiu de forma política na vida de agricultores e agricultoras familiares representando e coordenando o trabalho no campo nas três regiões do estado. </p>



<p>“Demorou para que os agricultores e agricultoras realmente quisessem entrar na política institucional, porque ainda era um campo desconhecido. Nós sempre fizemos incidência política, principalmente através da educação, mas ocupar os espaços de poder é algo um tanto recente”, afirmou Cícera Nunes, primeira mulher diretora da FETAPE. </p>



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	                                        <p class="m-0">Nalva do Sindicato (PT), candidata a vereadora em Vitória de Santo Antão. Crédito: Divulgação. 
</p>
	                
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<p>De acordo com a líder da federação, foi a partir da eleição de Manoel Santos para o cargo de deputado estadual, em 2010, que o movimento de candidaturas de representantes dos sindicatos rurais ganhou força. “Manoel mostrou o quanto era importante ter alguém que conhecesse de perto a nossa luta nas casas legislativas e incentivou que mais agricultores e agricultoras chegassem lá também”, contou Nunes. </p>



<p>Nestas eleições municipais, a Fetape apoia 94 candidaturas, que estão espalhadas pelos 10 polos sindicais que compõem a federação. Destas, 56 são homens e 38 são mulheres. </p>



<p>Uma das candidatas apoiadas pela Fetape é Nalva do Sindicato (PT), que disputa uma vaga na Câmara de Vereadores de Vitória de Santo Antão. Esta é a primeira vez que Nalva, que é agricultora familiar, assentada e liderança sindical, se candidata a um cargo político e conta que foi um discurso do presidente Lula que a motivou: “no discurso Lula disse ‘todo mundo fala que os políticos não prestam, que são farinha do mesmo saco, que são corruptos, você quer ter um político honesto? Então seja você’. E isso chamou minha atenção”. </p>



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	                                        <p class="m-0">Val Lourenço e Nenê do Sindicato são candidatos a prefeitura de Tacaimbó. Crédito: Divulgação. 
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>O professor Mário João (PT) também é um dos candidatos a vereador apoiados pela Fetape, na cidade de Nazaré da Mata, Zona da Mata Norte do estado. Antônia dos Santos, conhecida como Nenê do Sindicato (PT) e Val Lourenço (PT) formam uma chapa que disputa a prefeitura da cidade de Tacaimbó como representantes dos sindicatos de agricultores e agricultoras. </p>



<p>A grande maioria dos candidatos apoiados pela Fetape são do Partido dos Trabalhadores (PT) e Cícera Nunes explica o motivo: “É o PT e o presidente Lula que trabalha junto com a gente, que nos representa, e que mantém um diálogo com as nossas lutas e causas pela agroecologia, pela educação no campo, pelo combate a fome, então é natural que as candidaturas apoiadas pela Fetape se filiem ao PT”. </p>



<p>“Nós temos uma boa expectativa de que vamos eleger muitos representantes sindicais. Entendendo também que a campanha é importante, poder conversar com as pessoas e apresentar nossas propostas. Além disso, é importante que cada vez mais mulheres possam concorrer e ocupar mais espaços nas políticas porque este ainda é um ambiente muito machista”, concluiu a diretora da Fetape.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Número de candidatos/as apoiados pelo Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais por polo Sindical:</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Mata Norte:                                                07</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mata Sul:                                                   12          </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agreste Setentrional:                                 09</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agreste Central:                                         09</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agreste Meridional:                                   15</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão do Pajeú:                                        08</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão Central:                                          11</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão Submedio São Francisco:              06</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão do São Francisco:                          08</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sertão do Araripe:                                     09</span></p>
	</div>
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