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	<title>Arquivos privatização das praias - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 05 Feb 2025 18:47:21 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos privatização das praias - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Disputa judicial agrava e prolonga danos ambientais provocados pelo muro de Maracaípe</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Feb 2025 13:08:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[CPRH]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[litoral sul]]></category>
		<category><![CDATA[Muro de Maracaípe]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quem passou pelo Pontal de Maracaípe neste verão chuvoso ainda se deparou com o grotesco muro de coqueiros restringindo o acesso à praia. Desde maio de 2023, uma das praias mais bonitas de Pernambuco tem um muro de coqueiros com uma extensão de 576 metros, que é vigiado diuturnamente por câmeras e seguranças particulares. Há um emaranhado de ações judiciais para que ele permaneça de pé, ainda que órgãos estaduais e federais já tenham condenado o muro citando uma série de danos não só ao meio ambiente, mas também aos visitantes, ao moradores e às pessoas que trabalham no pontal.</p>



<p>O capítulo mais recente dessa disputa judicial acontece no Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5). Depois que a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) retirou cerca de 100 metros do muro e, <a href="https://marcozero.org/muro-de-maracaipe-e-reconstruido-menos-de-24-horas-depois-de-derrubado-pela-cprh/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em menos de 24 horas o muro foi reconstruído</a>, em 15 de janeiro, o advogado João Vita Fragoso, proprietário do terreno à beira-mar, entrou com um interdito proibitório – uma ação para proteger um bem, no caso, o muro – para impedir a CPRH de retirar novamente a muralha de troncos de coqueiros.</p>



<p>A 35ª Vara Federal então determinou a intimação das partes para explicações e a suspensão da derrubada do muro até decisão final sobre a ação. Também solicitou uma perícia no muro. No final da semana passada, tanto João Vita Fragoso quanto a CPRH se manifestaram na Justiça. No processo, Fragoso, que advoga em causa própria, volta a argumentar que o muro protege contra a invasão de turistas e da erosão no Pontal de Maracaípe, “em virtude das intervenções antrópicas na margem direita do Rio Maracaípe (Enseadinha), em que houve colocação de pedras, desvio do curso do rio, aterro de mais de 19 ha de mangue”, diz trecho da argumentação.</p>



<p>Ainda que Fragoso afirme que o muro é para proteger a restinga, há uma quantidade enorme de areia da praia na base do muro e a equipe de Marco Zero flagrou uma barraca, com freezer, em cima de uma dessas “dunas” do muro, já do lado cercado. A reportagem entrou em contato com João Fragoso, mas não obteve resposta.</p>



<p>Nos autos, Fragoso, cuja família se diz dona de 80% do Pontal de Maracaípe, também afirma que sofre perseguição política por parte da CPRH, da procuradora-geral do Estado de Pernambuco Bianca Ferreira Teixeira, da governadora Raquel Lyra e da vice-governadora Priscila Krause. Na noite da reconstrução de parte do muro que foi derrubado pela CPRH, a ação foi celebrada nas redes sociais pelo deputado federal Coronel Meira (PL), amplamente mais conhecido pelas ações violentas em protestos e partidas de futebol no Recife quando comandava o Batalhão de Choque do que por envolvimento em supostas causas ambientais.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/muro-de-maracaipe-oculta-grilagem-e-impactos-ambientais-apontam-autoridades-federais/" class="titulo">Muro de Maracaípe oculta grilagem e impactos ambientais, apontam autoridades federais</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Já a CPRH voltou a afirmar no processo o que tinha sido verificado na perícia técnica. Entre os muitos danos ao meio ambiente e a paisagem, a CPRH enfatiza que o muro impede o acesso a zonas mais elevadas da praia (restinga), utilizadas pelas tartarugas marinhas. Ao contrário do que Fragoso afirma, a CPRH diz que o muro interrompe o processo natural de transporte de sedimentos, o que pode levar a problemas como a erosão da linha da costa, já que o muro interfere no balanço sedimentar da praia.</p>



<p>Como todo frequentador percebe, a presença do muro e o seu trajeto irregular dificulta ou impede a passagem de pessoas pela faixa de praia em momentos de alturas de maré, afirma a CPRH. Há ainda outros pontos importantes, como o risco de poluição por conta dos sacos de ráfia utilizados na construção do muro, levando resíduos plásticos para a água ao se desfazerem e o desrespeito à legislação ambiental, já que a obra foi realizada em desacordo com a licença ambiental, ultrapassando os limites estabelecidos. Isso porque, em 2022, a CPRH autorizou que Fragoso construísse um muro com uma extensão de até 250 metros lineares e não permitia intervenções na faixa de praia – o muro foi construído na areia da praia e com mais que o dobro do autorizado.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/13122017pontal-300x167.png">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/13122017pontal-1024x570.png" alt="A imagem é uma captura de satélite do Pontal de Maracaípe, uma região localizada no litoral de Pernambuco, Brasil. Nela, podemos ver um encontro de rio e mar, com águas de diferentes tonalidades. O rio de cor escura serpenteia vindo da parte esquerda da imagem e deságua no oceano à direita, onde as águas são mais claras e azuladas. Há uma área de vegetação densa entre o rio e o mar, com algumas trilhas visíveis. Ao longo da faixa de areia, existem caminhos e algumas construções próximas à parte superior da imagem." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Imagem de satélite de 2017, com marcação do muro onde está hoje, mostra que muro fica no meio da maré e da movimentação de sedimentação da praia. Imagem: Google Earth</p>
	                
                                            <span>Crédito: Google Earth</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Há nos autos do processo as perícias técnicas realizadas pela CPRH e pelo IBAMA, além de manifestação da Superintendência do Patrimônio da União – que afirma que a área onde o muro está é de seu domínio, classificada como terreno de marinha.</p>



<p>Para o advogado João Victor Venâncio, da Associação Fórum Suape Espaço Socioambiental, que acompanha o caso, não faz sentido o TRF cobrar uma nova perícia no local quando os principais órgãos ambientais já fizeram isso e já se posicionaram contra o muro. “É um caso que já teve estudos ambientais muito robustos. Há diagnósticos de três órgãos públicos que atestam que aquele muro é irregular por uma série de aspectos, tanto do ponto de vista dos danos ambientais que estão sendo produzidos, quanto do ponto de vista da ocupação irregular de uma área pública, de um bem de uso comum. Do nosso ponto de vista, não precisaria ser submetido ao Poder Judiciário para que o muro fosse derrubado”.</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Oito danos do muro de Fragoso ao Pontal de Maracaípe </span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Danos à flora: A construção do muro afetou a vegetação rasteira de restinga, como gramíneas e salsa-da-praia. Houve supressão de vegetação nativa, que é uma área de preservação permanente. A vegetação de restinga desempenha um papel importante na estabilização de dunas e mangues.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Impacto na fauna: O muro impede o acesso de tartarugas marinhas à área de restinga, que é utilizada para a nidificação (construção de ‘ninhos’). Tartarugas marinhas são animais nativos e ameaçadas de extinção.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Poluição: Os sacos de ráfia utilizados na construção do muro se desfazem, causando poluição com resíduos plásticos, que se espalham pela praia, estuário e mangues.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Alteração da dinâmica costeira: A instalação do muro afeta a morfologia costeira, impactando a dinâmica natural da região e interrompendo o processo natural de transporte de sedimentos, o que pode levar a problemas como a erosão da linha da costa. O muro também impede a deposição de sedimentos na parte alta da praia, que é importante para evitar a erosão em épocas de ondas mais fortes. </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>Dificuldade de acesso: O muro dificulta ou impede a passagem de pessoas pela faixa de praia, especialmente em momentos de maré alta.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>6. </span>Desrespeito à legislação ambiental: A obra foi realizada em desacordo com a licença ambiental, ultrapassando os limites estabelecidos. O muro foi construído sem os devidos estudos técnicos e científicos e em área de preservação permanente. Além disso, a obra foi construída de forma amadora, sem a contratação de profissionais capacitados</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>7. </span>Impacto na beleza cênica e no turismo: O muro afeta negativamente a beleza natural da paisagem, o que prejudica o turismo na região. O Pontal de Maracaípe é conhecido por sua beleza e atrai turistas.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>8. </span>Risco de acidentes: Os troncos de coqueiro que formam o muro podem se soltar, representando um risco de acidentes para trabalhadores e turistas. Há também o risco de ferimentos devido a pedaços de arame farpado presos aos troncos.</p>
            </div>
            </div>



<p>O que o Fórum Suape, em consonância com organizações de Maracaípe, denuncia é que há um excesso de judicialização em curso pela família Fragoso. “Formalmente, os órgãos que têm a competência para fazer esse tipo de estudo e atestaram essas irregularidades, possuem o poder de polícia para derrubar o muro. O que estamos vendo é o Judiciário, a partir da provocação e da articulação do João Fragoso e do (irmão dele) Marcílio Fragoso, buscando se imiscuir em algo que não é de sua competência”, diz João Victor. “O modo de atuação deles diante desse conflito vem sendo de criminalizar e judicializar ações contra todas as pessoas que estão se colocando como obstáculos”, destaca.</p>



<p>Ao acatar o pedido de Fragoso para a não derrubada do muro, o TRF-5 também afirmou que seria necessário uma perícia para ver se realmente há danos com o muro – ainda que três órgãos públicos já tenham feito isso. “Na prática, o Judiciário está dizendo que todos os estudos de órgãos públicos competentes para tanto não são suficientes. Que é preciso um perito – que vai ser um ente privado, indicado em juízo – para fazer um laudo e a partir dele é que a Justiça irá decidir. Com isso, o dano ambiental, que já foi constatado, está sendo prolongado porque o Poder Judiciário está basicamente negando ou, de alguma forma tratando como algo menor, os estudos que foram feitos por três órgãos públicos”, critica o advogado.</p>



<p>O advogado não sabe ao certo quanto tempo pode demorar para uma ação do tipo chegar a uma decisão final. “Um processo do tipo pode se arrastar porque a escolha da perícia pode ser um trâmite lento. E há dois aspectos fundamentais: um é que vai gerar um maior gasto para a área pública, com essa perícia privada. E o segundo elemento é que os danos ambientais desse cerco vão continuar a sumentar”, lamenta. <br><br>“A nossa expectativa é de que o Estado possa promover uma ação articulada entre os atores públicos que estão envolvidos no caso para sensibilizar o Poder Judiciário a reconhecer a legitimidade dos órgãos públicos que atestaram os crimes e os danos que estão sendo produzidos e que o muro seja retirado o mais rápido possível”, afirma João Victor.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/54278951111_4a2aaad845_k-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/54278951111_4a2aaad845_k-1024x683.jpg" alt="A imagem mostra uma paisagem de praia com um muro feito de troncos de coqueiro cortados e fincados na areia, formando uma barreira. À direita do muro, há uma área de restinga com vegetação rasteira e pequenas mudas de coqueiro crescendo na areia, além de algumas moitas verdes. Ao fundo, há uma fileira de coqueiros altos e mais vegetação densa. À esquerda do muro, há uma faixa de areia que se estende até a beira do rio, onde várias pessoas estão aproveitando o local. Algumas estão sentadas em mesas e cadeiras de plástico sob guarda-sóis coloridos, enquanto outras caminham pela praia ou pelo raso do rio. O rio é largo e tranquilo, refletindo o céu." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Um dos danos apontados pela CPRH e pelo Ibama é a alteração da sedimentação da areia da praia, que já é percebida pelos visitantes. Foto: Arnaldo Sete/MZ
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">Pontal de Maracaípe cercado</h3>



<p>No verão, com a praia cheia, é que o absurdo de um muro de coqueiros cortar o Pontal fica ainda mais evidente. Os visitantes têm horário certo para deixar o Pontal, pois, quando a maré sobe,ou se passa se arriscando pelo mar ou se pega uma jangada. E isso não ocorre por um avanço do mar pela areia ou porque houve erosão, como João Fragoso alegou nos autos.</p>



<p>O relatório do Ibama, de março de 2024, afirma que “a análise temporal de imagens de satélites realizada por este Instituto não identificou erosão costeira alegada pelo empreendedor como justificativa para a construção do muro no Pontal de Maracaípe”. A simples conferência das imagens de satélite disponibilizadas no Google Earth já mostram que o muro de coqueiros, ainda que fosse construído dez ou vinte anos atrás, já estaria na areia da praia e inclusive avançando pelo mar, a depender da maré.</p>



<p>Trabalhando há três anos numa das barracas que ficam rentes ao muro, Patrícia Dionísio diz que o muro prejudica os visitantes que vão passar o dia ou ver o por-do-sol. “O povo reclama que está feio. Tem cliente que chega e já vai embora, diz que não gostou da área. E tem cliente que vai embora porque tá com medo da maré encher e ficar ilhado”, conta.</p>



<p>Para Ana Paula Rocha, também barraqueira no Pontal, não há divisão na comunidade. Nos vídeos da reconstrução do muro era possível ver homens e rapazes com a camisa da associação dos jangadeiros do passeio para ver os cavalos-marinhos. “Mas a grande maioria da comunidade é contra o muro. Tem 15 pessoas ali que receberam um trocado para refazer o muro, falam que foi R$ 190. Muitos nem eram jangadeiros, eram parentes deles”, conta. “Estamos lutando por essa área, porque estamos vendo o que está acontecendo. A restinga dentro do muro está toda morta. O mangue lá dentro está ficando seco. Todo mundo que está acompanhando esse caso está se perguntando como esse homem (Fragoso) consegue fazer tudo isso, passar por cima de um órgão público. Como pode uma pessoa só mudar toda uma praia?”, questiona.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/54279378335_c65abc0a4e_k-1024x683.jpg" alt="A imagem mostra quatro pessoas sentadas na areia de uma praia, próximas a um muro feito de troncos de coqueiros cortados e colocados na vertical. O céu está azul e sem nuvens, e a areia é clara. O grupo é composto por duas mulheres e um homem na frente, e mais uma mulher ao fundo. Todos estão sorrindo e parecem relaxados. O homem à esquerda está sentado em uma cadeira de praia, vestindo shorts listrados e com uma toalha laranja sobre o ombro. As mulheres ao lado dele usam roupas de banho, e uma delas veste uma camisa branca aberta. A mulher mais ao fundo está de biquíni azul e deitada sobre uma canga colorida. Há um par de sandálias brancas e outro par azul na areia perto delas. Ao fundo, um guarda-sol amarelo aparece parcialmente." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Amigos contam que restrições no Pontal de Maracaípe têm aumentado nos últimos anos. Foto: Arnaldo Sete/MZ
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O muro de coqueiros é apenas a parte mais visível e ostensiva de um processo de restrições que ocorre a passos largos no Litoral Sul de Pernambuco. Com ruas estreitas – muitas da largura apenas de um carro – não há como estacionar o carro nas vias públicas do Pontal de Maracaípe. Por vezes, a paisagem se assemelha a presídios: várias propriedades da família Fragoso, como um haras à beira-mar, possuem muros altos com câmeras de segurança. A saída para o mar são estacionamentos privados que cobram R$ 30 por carro.</p>



<p>Para a praia do Pontal é necessário passar por dentro dos bares, estacionamentos ou pelo único acesso público de pedestres na beira-mar, que tem no seu final, na areia, um amontoado de pedras irregulares, dificultando a chegada ou saída para pessoas com mobilidade reduzida. Já na praia, depois de andar por 100 metros até o pontal, o visitante se depara com outro muro, de contenção, feito de pedras e concreto, que tem uma passagem por cima, onde o mar, na maré alta, ocupa toda a faixa de areia. Logo depois, o muro de coqueiros dá ares distópicos para a praia.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Mansão no mangue</h3>



<p>Mas não foi sempre assim. Em um passado nem tão distante, o Pontal de Maracaípe era um paraíso sem muros, onde até se acampava. Um grupo de amigos de Nossa Senhora do Ó frequenta há décadas as praias de Ipojuca e estavam indignados com as mudanças. “No mangue não tinha construções e hoje já tem casa construída lá dentro”, lamentou Lílian Nunes.</p>



<p>“Faz menos de um ano que viemos aqui e já notamos diferenças em relação à faixa de areia da praia. Eu acredito que a construção do muro acaba mudando o <em>layout</em> da praia como um todo, influenciando na mudança dos bancos de areia”, afirma o analista de sistemas Tomás Gomes. Essa mudança que ele notou está inclusive apontada como um dos riscos ambientais do muro no laudo do Ibama de 2024.</p>



<p>O advogado do Fórum Suape afirma que o Pontal de Maracaípe todo está sob cerco. “Quando a gente entra no mangue, vê como existe toda uma camada de violências, de ocupação de área de preservação permanente, de construção em área irregular, de instalação de câmara em área irregular, de circulação de segurança armada para intimidar pescadores e pescadoras, sobretudo mulheres que pescam ali na região e que se sentem ameaçadas. Há construções dentro da área de mangue, que são áreas de preservação permanente pelo Código Forestal, que deveriam ser preservadas. Tem mansão dentro da área de mangue. Existem muitos direitos que estão sendo violados. E é muito importante que essa atenção que está sendo dada para o muro se estenda para essas outras violências. A derrubada do muro é uma parte da reparação necessária, mas a superação do conflito em Maracaípe não vai se dar só com a derrubada dele”, alerta João Victor Venâncio.</p>
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		<title>Muro Alto e Cupe: uma amostra da privatização das praias</title>
		<link>https://marcozero.org/muro-alto-e-cupe-uma-amostra-da-privatizacao-das-praias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Dec 2024 21:59:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[PEC 03/2022]]></category>
		<category><![CDATA[privatização das praias]]></category>
		<category><![CDATA[terrenos de marinha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A PEC 03/2022, conhecida como PEC das Praias, voltou à discussão na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania nesta quarta-feira (04). Com novas emendas e alterações no texto original incorporadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a proposta que prevê mudanças significativas na propriedade e gestão dos terrenos de marinha no Brasil que pertencem à União [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A PEC 03/2022, conhecida como PEC das Praias, voltou à discussão na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania nesta quarta-feira (04). Com novas emendas e alterações no texto original incorporadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a proposta que prevê mudanças significativas na propriedade e gestão dos terrenos de marinha no Brasil que pertencem à União teve sua votação adiada mais uma vez.</p>



<p>Apesar de não citar expressamente a privatização das praias, retirar da União a responsabilidade desses terrenos pode dar margem para dificultar ainda mais o acesso da população ao litoral brasileiro.</p>



<p>Mesmo sem a PEC, as praias de Pernambuco já vivem essa realidade. </p>



<p>Um belo exemplo são as praias de Muro Alto e Cupe, em Ipojuca, no litoral sul. Nós percorremos aproximadamente sete quilômetros, entre a praia de Gamboa e o Pontal do Cupe, e encontramos ao menos 35 empreendimentos entre hotéis, residenciais e resorts à beira-mar, mais sete em construção. Todos eles ocupando terreno de marinha e formando uma barreira de imóveis que impedem o acesso da população.</p>



<p>Em 5,5 quilômetros da praia de Muro Alto existem apenas seis acessos públicos. A distância entre eles passa de 900 metros. Em alguns trechos seria necessário percorrer quase um quilômetros para chegar a um desses acessos. Sem contar a extensão do próprio acesso, geralmente ladeados por dois muros altos,  para conseguir chegar à praia livremente. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/12/54183411991_deab80f30d_c.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/12/54183411991_deab80f30d_c.jpg" alt="A foto mostra uma visão do nível do solo de uma obra em andamento. Uma cerca de metal azul cobre a frente da construção, que está em fase de acabamento. À direita, há um caminho de terra com uma placa branca avisando sobre proibição de acesso, exceto para moradores credenciados. A placa está desgastada. No fundo, há palmeiras, vegetação e alguns prédios prontos. O céu está parcialmente nublado." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Para um pedestre, chegar à praia de Muro Alto requer longas caminhadas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>No Cupe, percorremos cerca de 1,5 quilômetros e contamos quatro acessos, um deles quase impossível de passar, mesmo a pé. Em um desses acessos, a Alameda Loly, para chegar à praia o banhista tem de caminhar 325 metros disputando espaço com buggies entre os muros do hotel Ocaporã e da pousada Tabapitanga. </p>



<p>Em um <a href="https://congressoemfoco.uol.com.br/area/congresso-nacional/a-pec-das-praias-em-cinco-pontos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo publicado no Congresso em Foco</a>, Ronaldo Christofoletti, presidente do Grupo de Especialistas em Cultura Oceânica da Unesco<em>, </em>aponta os pontos de alerta incluídos na proposta. “A privatização dos terrenos de marinha pode levar a um modelo de desenvolvimento econômico que amplifica a desigualdade social e reduz os benefícios coletivos”, afirma.</p>



<p>Essas áreas são protegidas por regras específicas e a proposta busca transferir a posse desses terrenos para estados, municípios ou para iniciativa privada, se já os ocuparem. “Grandes empreendimentos em áreas litorâneas frequentemente resultam em exclusão, transformando o acesso às praias em um privilégio de poucos”, completa Ricardo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Votação suspensa</h2>



<p>A votação foi suspensa temporariamente, sem nova data prevista, por um pedido de vista coletiva solicitado por senadores e senadoras. Esta medida possibilita que os parlamentares analisem melhor as alterações realizadas no texto.</p>



<p>Durante a discussão o Senador Rogério Carvalho (PT/SE), fez o alerta: “a constituição hoje não estabelece nenhum requisito para que as pessoas tenham acesso à praia. Ele (o senador Flávio Bolsonaro do PL/RJ) condiciona ao plano diretor o que pode ser ou não pode ser livre acesso, portanto, ele piora o projeto de lei dele. Os ricos que mais têm terreno de marinha fazendo especulação imobiliária ficam livres de pagar o laudêmio e de indenizar a União”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/12/Muro-Alto.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/12/Muro-Alto.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/12/Muro-Alto.jpg" alt="A foto mostra uma rua de terra cercada por muros e prédios em construção de ambos os lados. O muro à esquerda exibe imagens de um projeto arquitetônico de um possível resort, com piscinas e áreas de lazer. Os prédios de concreto estão inacabados, com aberturas para janelas e portas. Ao fundo, há palmeiras altas e um caminhão estacionado. O local parece ser uma área em desenvolvimento, possivelmente turística." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">A distância entre um acesso e outro é de quase um quilômetro
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

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		<title>Muro de Maracaípe oculta grilagem e impactos ambientais, apontam autoridades federais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jul 2024 12:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[CPRH]]></category>
		<category><![CDATA[erosão costeira]]></category>
		<category><![CDATA[litoral de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Maracaípe]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[muro]]></category>
		<category><![CDATA[privatização das praias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muito tem se falado sobre o muro erguido pela família Fragoso no Pontal de Maracaípe, em Ipojuca, no Litoral Sul, cartão postal e um dos destinos mais desejados de Pernambuco. Mas sobram perguntas em relação ao que permitiu que uma barreira de 576 metros de extensão fosse construída com o uso de máquinas pesadas numa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:34% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1050" height="508" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/muro-logo.png" alt="" class="wp-image-64374 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Muito tem se falado sobre o muro erguido pela família Fragoso no Pontal de Maracaípe, em Ipojuca, no Litoral Sul, cartão postal e um dos destinos mais desejados de Pernambuco. Mas sobram perguntas em relação ao que permitiu que uma barreira de 576 metros de extensão fosse construída com o uso de máquinas pesadas numa área ecologicamente sensível, de manguezal e desova de tartarugas marinhas.</p>
</div></div>



<p>Para responder a essa e outras questões, a Marco Zero começa hoje a publicar a série <em>Por trás do muro de Maracaípe</em>. Serão três reportagens para ligar os pontos, reconstituir a linha do tempo e revelar detalhes e fatos do caso ainda desconhecidos do grande público.</p>



<p>Os turistas que chegam ao pontal, na foz do Rio Maracaípe, têm dificuldade de entender o que faz ali uma barreira como aquela, de troncos de coqueiro fincados na areia, atrapalhando o passeio. Além do turismo, há outro aspecto impactado pelo muro dos Fragoso: o do meio ambiente. A equipe de reportagem teve acesso aos relatórios do Ibama e da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) sobre a execução da obra. E eles são contundentes: apontam um conjunto de irregularidades ambientais e a grilagem de terras da União.</p>



<p>“As autorizações da CPRH devem ser canceladas de imediato, o empreendedor deve ser penalizado e o Pontal de Maracaípe deve retornar ao status original antes da fatídica construção, com a remoção do muro e todos os seus entulhos e resíduos, tendo em vista os inúmeros danos ambientais que essa obra causa a cada dia que ali permanece”, posicionou-se o Ibama.</p>



<p>Já a SPU identificou que, ao patrocinar a construção do muro, o empresário João Vita Fragoso avançou a cerca sobre terras da União e ocupou, de forma indevida, pouco mais de mil metros quadrados. “A infração consiste na ocupação irregular em área de domínio da União, no Pontal de Maracaípe, em decorrência da construção de muro de contenção e a realização de aterro com areia, além dos limites legais do lote, ocupando irregularmente 1.089,61 m²”.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Leia o relatório da SPU:</strong></li>
</ul>





<p>Por conta disso, o empresário foi multado em R$ 124 mil. Diz o auto de infração: “às 10h do dia 27 de março de 2024, compareceu o representante da SPU, tendo constatado a realização de aterro, construção, obra, cercas ou outras benfeitorias, desmatar ou instalar equipamentos sem prévia autorização ou em desacordo com aquela concedida, em bens de uso comum do povo”.</p>



<p>Para aferir quantos metros quadrados foram ocupados sem permissão, o órgão fez um levantamento georreferenciado para delimitar a área total da ocupação hoje, e compará-la com dados cadastrais do imóvel listados no Sistema de Gestão Fundiária do Instituto Nacional de Colonização e Reforma  Agrária (Incra). Foi usada uma base de R$ 114,02 para cada metro quadrado cercado de forma indevida, para definir o valor da multa.</p>



<p>A SPU é vinculada ao ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos, com a função de fiscalizar e zelar para que sejam mantidos o interesse público, o uso e a integridade física dos imóveis pertencentes ao patrimônio da União.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Leia a íntegra do auto de infração:</strong></li>
</ul>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>Seis irregularidades e cinco infrações ambientais</strong></h2>



<p>Onze problemas identificados, dos quais seis são classificados como irregularidades e cinco são infrações contra o meio ambiente. Este é o resultado a que o Ibama chegou, após fazer vistoria técnica no local, em dezembro de 2023. A inspeção aconteceu por conta de três provocações: denúncia da Associação dos Moradores e Pescadores das Áreas de Mangue de Ipojuca, solicitação da senadora Teresa Leitão (PT) e, posteriormente, pedido da deputada estadual Rosa Amorim (PT).</p>



<p>Um dos principais objetivos da equipe do órgão federal era averiguar se, de fato, estava em curso, naquele ponto do litoral, algum processo de erosão marinha que justificasse intervenção de tal porte. O resultado, para os analistas ambientais, foi desanimador: é justamente a presença de uma barreira artificial como aquela que pode provocar erosão marinha.</p>



<p>“Foram obtidas imagens aéreas RGB [os sensores com sistema de cores RGB &#8211; Red, Green and Blue -, é um dos mais comuns em captação de imagens]de alta resolução, conforme disponibilidade no aplicativo <a href="https://earth.google.com/web/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Google Earth</a>, dentro do período de 2010 a 2022, bem como imagens multiespectrais da <a href="https://www.planet.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Planet</a> [empresa que possui a maior rede satélites em órbita], obtidas no âmbito do <a href="https://plataforma-pf.sccon.com.br/#/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Programa Brasil Mais</a>, a partir de mosaicos mensais produzidos para 2018, anterior em 5 anos em relação ao momento em que foi realizada essa diligência”, fundamentaram em relatório os técnicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Resumo da vistoria do Ibama</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Muro cuja extensão é mais de duas vezes maior do que o permitido na autorização da CPRH, de 250 metros;</li>
</ul>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/image.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/image.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/image.png" alt="A foto mostra vista aérea do pontal de Maracaípe, cercado por um muro. Trata-se de uma região costeira onde um rio encontra o oceano. Há uma demarcação clara onde as águas mais escuras do oceano se misturam com as águas mais claras, possivelmente ricas em sedimentos, do rio. A linha da costa é cercada por praias arenosas e vegetação." class="" loading="lazy" width="536">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Relatório de vistoria do Ibama, página 7
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ibama</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<ul class="wp-block-list">
<li>Inexistência de erosão costeira, razão que foi alegada pelo empresário para solicitar a autorização ambiental para a construção do muro;</li>



<li>Poluição ambiental na praia, no estuário e mangue, causando impacto em unidade de conservação, com o agravante da área ser local para desovas de tartarugas marinhas;</li>
</ul>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/image-1.png">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/image-1.png" alt="A foto retrata uma cena de praia, onde uma longa fileira de grandes sacos de areia branca está disposta ao longo da costa, paralela a um alto muro de contenção de madeira. O céu está limpo, com poucas nuvens, e a areia é de cor clara. Duas pessoas em uniformes verdes caminham ao longo dos sacos de areia, inspecionando-os. A foto inclui um carimbo de data e hora no canto inferior direito, indicando que foi tirada em 5 de dezembro de 2023, e também apresenta coordenadas e o nome do local “Ipojuca”." class="" loading="lazy" width="532">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Relatório de vistoria do Ibama, página 3
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ibama</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<ul class="wp-block-list">
<li>Impactos na dinâmica costeira, com a gravidade de o muro ter sido erguido na foz do Rio Maracaípe, importante ecossistema que deposita sedimentos na praia;</li>
</ul>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/image-2.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/image-2.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/image-2.png" alt="Essa imagem mostra sacos de ráfia deteriorados, rasgados e soltando plásticos na praia. A foto foi tirada durante o dia, e há uma sombra visível que pode ser da pessoa que tirou a fotografia. Esse cenário destaca a poluição ambiental, especificamente o problema do lixo plástico nas praias." class="" loading="lazy" width="534">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Relatório de vistoria do Ibama, página 4
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ibama</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<ul class="wp-block-list">
<li>Inexistência de estudo de impacto ambiental obrigatório. O instrumento da “autorização” utilizado pela CPRH é ágil e simplificado, não indicado para o caso em questão;</li>



<li>Desconhecimento da ciência costeira. Ao cortar no meio o sistema praial, a barreira impede o depósito de sedimentos na parte alta da praia. Esse acúmulo é essencial para impedir a erosão em épocas de ondas mais fortes;</li>
</ul>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/image-3.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/image-3.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/image-3.png" alt="A imagem é composta por duas partes. Na parte superior, temos uma fotografia aérea que mostra uma paisagem costeira. A área de terra apresenta vegetação verde exuberante, uma praia de areia e uma estrada que corre paralelamente à costa, com vários veículos estacionados ao longo dela. Também há barcos na água perto da praia. Essa cena captura a interface entre a atividade humana e a beleza natural da costa. Na parte inferior da imagem, temos um diagrama ilustrativo que explica diferentes características e termos costeiros em português. Ele inclui rótulos como “Praia”, “Antepraia”, “Costa”, “Duna”, “Restinga”, “Berna”, “Linha de Costa” e outros, com setas apontando para suas posições relativas." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Relatório de vistoria do Ibama, página 8
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ibama</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<ul class="wp-block-list">
<li>Evidentes falhas de execução e inexistência de informações sobre a empresa responsável. “Obra mal feita, com a linha de troncos deslocadas da posição perpendicular, ora inclinados em direção à restinga, ora inclinados em direção à praia. Tal situação oferece risco à vida dos transeuntes, principalmente nas marés mais altas”.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Estado recorre, mas aguarda a Justiça</strong></h3>



<p>Após a determinação da CPRH para que o muro fosse removido, em maio deste ano, o empresário conseguiu na Vara da Fazenda Pública da Comarca de Ipojuca uma liminar determinando que a agência se abstivesse de agir para retirar a barreira de troncos de coqueiros de quase 600 metros. A Procuradoria Geral do Estado (PGE) recorreu ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e teve negado o pedido de liminar para reverter a decisão da primeira instância.</p>



<p>No momento, está em curso o prazo para que o empresário apresente suas contrarrazões. O mérito do recurso do Governo do Estado ainda será julgado pela 1ª Câmara de Direito Público. O colegiado é formado por três desembargadores: Fernando Cerqueira Norberto dos Santos, Jorge Américo Pereira de Lira e Erik de Sousa Dantas Simões.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Linha do tempo</span>

		<p><strong>2020</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Surgem as primeiras denúncias de que a comunidade vem tendo o acesso à área impedido pela família Fragoso e seguranças armados. Cercas foram erguidas dentro do manguezal. A informação consta no inquérito aberto pelo Ministério Público Federal (MPF).</span></p>
<p><strong>Julho de 2022</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A CPRH concede autorização, válida por 01 ano, para a construção de muro de 250 metros de extensão, feito de troncos de coqueiros e sacos de ráfia preenchidos com areia. A justificativa do empresário foi a de que ali estaria havendo erosão costeira. </span></p>
<p><strong>Agosto de 2022</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Conselho Pastoral dos Pescadores denuncia que as cercas erguidas em mangue servem unicamente para garantir espaço para proteção de propriedades da família Fragoso. </span></p>
<p><strong>Maio de 2023</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os Ministérios Públicos Federal e de Pernambuco abrem procedimentos para apurar o caso.  A iniciativa é consequência da mobilização do Conselho Pastoral dos Pescadores. A Marco Zero publica a </span><a href="https://marcozero.org/por-acesso-a-praia-explode-conflito-entre-barraqueiros-e-empresario-no-litoral-sul-de-pernambuco/"><span style="font-weight: 400;">primeira matéria sobre o conflito pelo acesso à praia entre o empresário e barraqueiros</span></a><span style="font-weight: 400;">. Fogo em barraca, clima de tensão e protesto com repressão da polícia.</span></p>
<p><strong>Julho de 2023</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vistoria in loco da CPRH, já no atual governo. Dois meses depois, a agência renova autorização por mais 01 ano. Detalhe: acrescenta a permissão para o uso também de manta de bidim geotextil.</span></p>
<p><strong>Novembro de 2023</strong></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2DjYtwgIjIE"><span style="font-weight: 400;">Audiência pública é realizada na Câmara Municipal de Ipojuca</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a presença do Ibama. A senadora Teresa Leitão (PT) se compromete a acionar a Secretaria de Patrimônio da União. Questionados, servidores da CPRH confirmam a autorização para o empresário, mas avisam que a agência vai rever posicionamento.</span></p>
<p><strong>Dezembro de 2023</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vistoria técnica do Ibama identifica irregularidades ambientais e o cometimento de cinco infrações. São elas: executar obra em desacordo com a licença; lançar resíduos em praia e mar; danificar vegetação de restinga; impedir a procriação de tartarugas marinhas e outros animais ameaçadas de extinção; e apresentar informação, estudo, laudo ou relatório total ou parcialmente falso ou omisso.</span></p>
<p><strong>Março de 2024</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fiscalização da SPU constata a ocupação irregular de cerca de mil metros quadrados. É expedido auto de infração de R$ 124 mil em nome do empresário.</span></p>
<p><strong>Maio de 2024</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nova audiência pública é realizada, agora na </span><a href="https://www.alepe.pe.gov.br/2024/05/23/audiencia-publica-comemora-derrubada-de-muro-irregular-em-maracaipe/"><span style="font-weight: 400;">Assembleia Legislativa de Pernambuco</span></a><span style="font-weight: 400;">, por convocação das deputadas Dani Portela (PSOL) e Rosa Amorim (PT). Dessa vez, a CPRH é representada pelo presidente José Anchieta dos Santos. Ele anuncia o cancelamento da autorização e o prazo de 10 dias para a retirada do muro. </span></p>
<p><strong>Junho de 2024</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Marco Zero </span><a href="https://marcozero.org/justica-proibe-cprh-de-derrubar-muro-do-pontal-de-maracaipe/"><span style="font-weight: 400;">publica a notícia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que a Vara da Fazenda Pública de Ipojuca, a pedido do empresário, notifica a agência ambiental para que não aja em favor da </span><span style="font-weight: 400;">retirada do muro. O Executivo estadual recorre da decisão. O caso será julgado pela </span><span style="font-weight: 400;">1ª Câmara de Direito Público do TJPE.</span></p>
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