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	<title>Arquivos quilombos - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos quilombos - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Exu sanciona lei que reconhece e assegura direitos às comunidades quilombolas do município</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 21:27:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Câmara Municipal de Exu, cidade do Sertão de Pernambuco a 537 quilômetros do Recife, aprovou por unanimidade uma lei que reconhece oficialmente a existência de comunidades quilombolas no município. A proposta foi apresentada pela vereadora e presidente do legislativo, Fafá Saraiva (PP), sendo aprovada por unanimidade pelos 12 parlamentares presentes na sessão. O texto [&#8230;]</p>
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<p>A Câmara Municipal de Exu, cidade do Sertão de Pernambuco a 537 quilômetros do Recife, aprovou por unanimidade uma <a href="file:///C:/Users/marco/Downloads/norma_26092025_532.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">lei </a>que reconhece oficialmente a existência de comunidades quilombolas no município. A proposta foi apresentada pela vereadora e presidente do legislativo, Fafá Saraiva (PP), sendo aprovada por unanimidade pelos 12 parlamentares presentes na sessão. O texto foi sancionado pelo prefeito Júnior Pinto (PSDB).</p>



<p>A medida tem como objetivo garantir acesso a políticas públicas específicas, além de fortalecer a identidade cultural e os direitos sociais desses grupos. O reconhecimento inclui comunidades como a do povoado Baixio do Meio, onde vivem cerca de 74 famílias, com aproximadamente 250 moradores.<br><br>A cidade possui diversas comunidades quilombolas, localizadas principalmente em áreas rurais e de difícil acesso. Essas populações mantêm práticas culturais transmitidas por gerações, como manifestações musicais, culinária tradicional, religiosidade e técnicas agrícolas.</p>



<p>O reconhecimento pretende preservar essas expressões e facilitar a implementação de ações voltadas ao desenvolvimento local e também permite que essas comunidades sejam incluídas em programas voltados à igualdade racial.</p>



<p>A lei estabelece que a prefeitura deverá promover iniciativas que valorizem a memória e os direitos das comunidades quilombolas. Também prevê a possibilidade de firmar parcerias com instituições públicas e privadas para a realização de projetos nas áreas de educação, saúde, cultura e infraestrutura. A legislação cria um marco legal para a atuação do município junto a esses grupos.</p>



<p></p>



<p></p>
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		<title>Centro Luiz Freire inicia nova edição de projeto de educação quilombola</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 May 2025 20:20:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Luiz Freire]]></category>
		<category><![CDATA[educação antirracista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O projeto Educquilombo &#8211; Educação Escolar Quilombola, do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), está em nova edição abordando a educação quilombola nos Planos Municipais de Educação. O projeto é realizado em parceria com a Coordenação Estadual de Articulação das Comunidades Quilombolas de Pernambuco (CEACQ) e apoio financeiro do Fundo Malala no Brasil. Nesta nova [&#8230;]</p>
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<p>O projeto Educquilombo &#8211; Educação Escolar Quilombola, do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), está em nova edição abordando a educação quilombola nos Planos Municipais de Educação. O projeto é realizado em parceria com a Coordenação Estadual de Articulação das Comunidades Quilombolas de Pernambuco (CEACQ) e apoio financeiro do Fundo Malala no Brasil.</p>



<p>Nesta nova etapa, o Educquilombo amplia a área de atuação, alcançando diretamente oito municípios de Pernambuco, sendo um do Agreste (Bom Conselho) e sete do Sertão (Betânia, Carnaíba, Custódia, Mirandiba, Orocó, Salgueiro e Serra Talhada).</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="500" height="500" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo.jpg" alt="A logomarca tem formato circular e representa a identidade da Educação Escolar Quilombola. No centro, há o rosto de perfil de uma pessoa negra com expressão serena, usando um turbante vermelho. Ao fundo, aparece uma paisagem com árvores, colinas e o céu alaranjado, remetendo à natureza e à ancestralidade. Ao redor da imagem central, em forma de círculo, está escrito: “Educação Escolar Quilombola – Ancestralidade e resistência”. Abaixo do círculo, o nome do projeto aparece em letras estilizadas e marrons: “EDUCQUILOMBO”. Logo abaixo, em letras laranja: “Nos Planos Municipais de Educação”." class="wp-image-70979 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo.jpg 500w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo-300x300.jpg 300w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo-150x150.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo-96x96.jpg 96w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>O objetivo do Educquilombo é incidir politicamente nos processos de revisão e atualização dos PMEs para que as demandas educacionais do movimento quilombola estejam presentes no Plano Decenal dos municípios.</p>
</div></div>



<p>O objetivo do Educquilombo é incidir politicamente nos processos de revisão e atualização dos PMEs para que as demandas educacionais do movimento quilombola estejam presentes no Plano Decenal dos municípios.</p>



<p>Iniciado ainda em novembro de 2024 e com conclusão prevista para novembro de 2026, o projeto busca fortalecer a pauta da educação na agenda política do movimento quilombola estadual, mobilizar a opinião pública em torno do tema central do projeto, produzir estratégias de <em>advocacy </em>para uma ação política e levantar dados sobre as realidades quilombola nos municípios e no estado.<br><br>Atualmente, o Educquilombo nos PMEs realiza atividades formativas sobre Comunicação e Educação com jovens quilombolas de Mirandiba; mobilização de parceiros estratégicos que atuem no campo dos Direitos Humanos; articulação com o movimento quilombola a nível local e nacional; construção de instrumentos político-pedagógicos que serão utilizados ao longo do projeto; e participação em audiências públicas, no Legislativo estadual e nacional, sobre os Planos Decenais de Educação.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Como foi a primeira etapa</span>

		<p><span style="font-family: Tox Typewriter, monospace;"><span style="font-size: medium;">O projeto Educquilombo &#8211; Educação Escolar Quilombola (2019-2024) foi realizado pelo CCLF, em parceria com a Articulação Social das Comunidades Quilombolas de Mirandiba (ASCQUIMI), com apoio do Fundo Malala no Brasil. O projeto atuou em Mirandiba, município com maior número de comunidades quilombolas em Pernambuco, e se dedicou à luta pelo direito à Educação Escolar Quilombola. Dentre os vários impactos e resultados, o projeto, protagonizado pelas lideranças locais e jovens meninas quilombolas, conseguiu assegurar a criação de uma política pública no município, a Lei Nº 683/2020, que oficializa as Diretrizes Curriculares da Educação Escolar Quilombola de Mirandiba.<br />
</span></span></p>
	</div>
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		<title>Poder público ignora a luta de 23 comunidades quilombolas por uma escola no sertão baiano</title>
		<link>https://marcozero.org/poder-publico-ignora-a-luta-de-23-comunidades-quilombolas-por-uma-escola-no-sertao-baiano/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Oct 2023 21:04:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Júlia Moa Os ecos do passado escravocrata persistem no interior da Bahia. Vinte e três comunidades rurais e quilombolas de Palmas de Monte Alto, a 720 quilômetros de Salvador, pedem ajuda: há 15 anos os moradores reivindicam aos poderes públicos a construção de uma escola nas terras de seus antepassados. Enquanto o pedido não [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Júlia Moa</strong></p>



<p>Os ecos do passado escravocrata persistem no interior da Bahia. Vinte e três comunidades rurais e quilombolas de Palmas de Monte Alto, a 720 quilômetros de Salvador, pedem ajuda: há 15 anos os moradores reivindicam aos poderes públicos a construção de uma escola nas terras de seus antepassados. Enquanto o pedido não é atendido, a única solução para as crianças e jovens é encarar percursos de até 80 quilômetros, cinco vezes na semana, dentro de um ônibus sucateado para estudar na escola que existe na sede do município.</p>



<p>A logística é puxada e testa a resiliência dos pais e alunos; das 24 horas do dia, durante quatro (duas horas para ir e duas para voltar), os alunos estão em trânsito. Isso porque as comunidades do Baixio, que significa distantes da sede do município, estão isoladas 45 quilômetros da zona urbana, e desde 2008 inexiste uma escola que ofereça educação infantil, ensino fundamental e médio, além dos cursos profissionalizantes. Os estudantes têm como única alternativa o deslocamento até Palmas do Monte Alto ou outros povoados nos arredores.</p>



<p>Nelci Conceição, tataraneta de Vitor Rico, o primeiro quilombola que, há pelo menos 350 anos, pisou no solo conhecido hoje como quilombo Aroeira, é liderança do Coletivo de Comunidades Montealtenses e coordenadora do Conselho de Igualdade Racial Comunitário das Comunidades Quilombolas de Palmas do Monte Alto. Segundo ela, vivem por ali aproximadamente 2 mil quilombolas e agricultores familiares, e a construção de uma unidade escolar é demanda emergencial. “Nossos estudantes enfrentam o fator climático de muito sol, poeira e vento em péssimas estradas. Os ônibus escolares também não estão em boas condições para transportar os estudantes que têm o direito à educação. Precisamos de ajuda”, afirma Conceição. Sua crítica à pedagogia disseminada nas escolas fora dos territórios quilombolas se debruça sobre a não valorização das especificidades, contextos e tradições de seu povo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Divulgação</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Na infância, ela e seus irmãos frequentavam uma escola perto da comunidade. Eles andavam a pé aproximadamente três quilômetros para chegar à fazenda Aroeira. Quando o primeiro professor formado no quilombo começou a trabalhar, moradores conseguiram improvisar, no quarto de uma casa, a escola que trabalhava com a Educação de Jovens e Adultos (EJA), o programa Alfabetização Solidária e ainda dava conta de atender à educação infantil. O plano durou apenas dois anos, de 2006 a 2008, e, por decisão política, a escola foi fechada, com os alunos sendo transferidos para espaços fora dos quilombos.</p>



<p>Em 2021, o requerimento da construção do prédio escolar foi encaminhado para o então governador da Bahia, Rui Costa, atual ministro-chefe da Casa Civil. Este ano, o pedido chegou a Jerônimo Rodrigues (PT), eleito em 2022. Governo estadual e a Secretaria Municipal de Educação de Palmas do Monte Alto foram procurados pela reportagem e não manifestaram posição.</p>



<p>Para a construção da unidade escolar, um terreno foi doado à comunidade quilombola Brasileira, a 28 quilômetros de Palmas de Monte Alto, em um ponto praticamente equidistante para as 23 comunidades . A previsão é de que 1.200 estudantes venham a frequentar diariamente a escola, no dia em que ela for inaugurada.&nbsp;</p>



<p>“É visível na gestão pública municipal a falta de interesse em construir uma unidade educacional no Baixio, alegando falta de recursos. O foco deles está na edificação, dentro da cidade, de um colégio do campo, e nós queremos uma resolução que atenda os alunos das áreas descobertas”, destaca Nelci. Tivemos acesso ao ofício enviado aos órgãos governamentais, e não houve sequer uma visita técnica no terreno para conferir as possibilidades.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A lavradora Diana de Jesus Brito teve a rotina da família alterada no momento em que a Escola Municipal Flores, na zona rural do Baixio, encerrou as atividades em 2022 com a justificativa de não ter o número suficiente de alunos para o funcionamento do espaço. Atualmente, sua filha de 7 anos, realocada numa outra instituição longe de casa, sai para estudar às 11h e retorna apenas às 19h. A preocupação em relação à segurança das crianças no trajeto e a falta de equilíbrio nos hábitos alimentares, pois elas precisam almoçar muito antes dos familiares, por volta das 10hs, torna sacrificante o dia a dia de todos.</p>



<p>&#8220;É muito cansativo deslocar daqui do quilombo até a cidade. Enfrentamos quatro horas na estrada em ônibus sem nenhuma qualidade. Seria bom ter uma escola mais próxima, porque não sobrecarregaria a minha mente, e eu poderia estar mais disposta para os estudos&#8221;, desabafa Cleide Vânia dos Santos Neves, 15 anos, que, diante da correria semanal, às vezes não consegue almoçar antes de ir para a escola. Ela persiste por gostar de aprender e sabe da importância em adquirir conhecimento para o seu sonho profissional, a faculdade de Medicina.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Divulgação</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Essa luta cotidiana inicia, na perspectiva da líder do Grupo de Mulheres do Quilombo Vargem Comprida, Vanda Santos de Oliveira, aos quatro anos de idade, quando a maioria das crianças adoece. Uma tosse que perdura o ano inteiro, diarreias e vômitos por ingerirem água quente nas altas temperaturas do sertão baiano são algumas das consequências enfrentadas pelos pequenos quilombolas desde cedo. “A educação no campo para os pais e discentes se tornou difícil, nossos filhos encaram quilômetros de estrada de chão todos os dias para estudar. Sonhamos com escolas e creches para educar os remanescentes quilombolas dentro da cultura afro-brasileira sem perder o vínculo de valorização da nossa ancestralidade”, reflete Vanda.</p>



<p>A desmotivação cerca Diego Levy, oito anos anos, que, mesmo acordando às 5h da manhã para ir para a escola, não adaptou o seu relógio biológico à imposição rotineira. Diego prefere ser desafiado apenas pelos números; sua matéria preferida é a matemática. Por conta dela, se anima para não perder o pique e abandonar os estudos.&nbsp;</p>



<p>Utilizando os dados numéricos para avaliar o cenário educacional dos quilombolas do Baixio, observamos no levantamento fornecido pelas comunidades que 278 pessoas são analfabetas. Mesmo diminuindo a taxa de analfabetismo no Brasil,<a href="https://educacao.uol.com.br/noticias/2020/07/15/analfabetismo-entre-negros-e-quase-tres-vezes-maior-do-que-entre-brancos.htm"> de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),</a> pessoas que não sabem ler e escrever são majoritariamente negras. Comprovando mais uma vez que o racismo estrutural segue em curso com o projeto que desprivilegia gente preta do mapa da existência. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mediação para resolver</strong></h2>



<p></p>



<p>A quilombola Shirley Pimentel de Souza, membro do Fórum Permanente de Educação Escolar Quilombola da Bahia e doutoranda em Antropologia Social na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), diz que o movimento quilombola está tentando se articular para sanar as divergências via mediação da Defensoria Pública. A questão das comunidades do Baixo é pauta prioritária no Fórum, assim como publicizar nas redes sociais e grupos de WhatsApp, para poder circular as notícias das violações dos direitos das comunidades quilombolas, pressionando o poder público para que os órgãos responsáveis possam agir.</p>



<p>&#8220;A negação da ancestralidade africana repercutindo dentro do espaço escolar é fruto do racismo estrutural institucionalizado. As escolas possuem racismo na base. Temos um arcabouço de legislação que garante o ensino de história e cultura africana, afro-brasileira e indígenas nas escolas e, posteriormente, temos as diretrizes curriculares para educação escolar quilombola&#8221;, informa Shirley, que acompanha as comunidades quilombolas na organização de uma maior representatividade dentro do currículo escolar a fim de impedir a destruição do conhecimento local, conceito conhecido como<a href="https://www.politize.com.br/o-que-e-epistemicidio/"> epistemicídio.</a></p>



<p>A Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq) está conferindo presencialmente a conjuntura das escolas quilombolas pelo país, cenas calamitantes são descritas em diferentes cantos. Givânia Maria da Silva, co-fundadora da Conaq e coordenadora do Coletivo Nacional de Educação, menciona que na Bahia o fechamento das escolas quilombolas causa impactos negativos. Sabe-se que muitas instituições encerraram as atividades mesmo com a alta frequência de estudantes. &#8220;Todos esses problemas nos fazem compreender que o projeto colonial em curso impede o avanço significativo na educação quando o público-alvo é a população negra. Lamentável estar no século 21 e ainda não ter os direitos assegurados a todas as pessoas. Não é verdade que durante a pandemia da covid-19 as crianças quilombolas estudaram remotamente; isso nunca aconteceu. Elas ficaram sem estudar por um longo tempo&#8221;, contesta Givânia.</p>



<p>Na tentativa de recuperar o tempo perdido e somar forças nas demarcações territoriais, a Conaq investe no treinamento e formação de professores, para que estes estejam munidos de ferramentas práticas no ensino inclusivo e antirracista nas esferas municipais, estaduais e federais.</p>



<p>O Ministério da Igualdade Racial (MIR), órgão inaugurado em 2023 no mandato do presidente Lula (PT), declarou coordenar o Programa Aquilomba Brasil, que recupera e amplia o programa Brasil Quilombola, e a Agenda Social Quilombola. Conforme a Coordenação-Geral de Educação Étnico-racial, as políticas específicas para a educação quilombola ainda não foram finalizadas e aprovadas num plano de ação. Da mesma forma, até o presente, não está finalizado o plano de ação do Aquilomba Brasil, onde constarão as métricas físicas e financeiras dos programas que incidirão sobre a comunidade quilombola nos próximos quatro anos, de forma integrada por todos os ministérios, envolvendo repasse de recursos, formação continuada, oferecimento de bolsas, termos de compromisso e acordos para a viabilização de obras etc.</p>



<p>No entanto, a Coordenação-Geral do Ministério da Educação (MEC) informou que o seu plano de ação será autorizado pela respectiva Secretaria no decorrer deste mês, quando poderá ser passado de forma integral e segura.</p>



<p>O que está funcionando neste momento, voltado para a melhoria da formação da equipe de educação nos quilombos, é o Escola Quilombo, um curso de aperfeiçoamento em educação escolar quilombola que preconiza a formação continuada de profissionais da educação e lideranças quilombolas. Este programa está acontecendo simultaneamente no Instituto Federal da Bahia (IFBA), Instituto Federal do Pará (IFPA), Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Palmas de Monte Alto, no sertão baiano. Crédito: Prefeitura de Palmas de Monte Alto</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quilombos como solução</strong></h3>



<p></p>



<p>A Bahia é permeada por contradições e conflitos em sua dinâmica territorial. Rafael Sanzio Araújo dos Anjos, geógrafo e professor titular da Universidade de Brasília (UnB), chama a atenção para o Censo Demográfico de 1872. Nele, a Bahia foi a província que apresentou o maior número de africanos, africanas e descendentes recenseados. Ou seja, a Bahia é um estado de essência africana, comprovada cartográfica e historicamente.</p>



<p>&#8220;A resistência não resolvida de cinco séculos ainda se configura de forma predominante na sociedade atual e nos territórios afro-brasileiros, sobretudo nos quilombos contemporâneos e nos terreiros religiosos de matriz africana. Neste sentido, o processo educacional (público e privado) é uma pista concreta para a transformação deste quadro de resistência colonial no país, onde os segmentos invisibilizados secularmente passem a ser vistos e inseridos na cidadania nacional&#8221;, pontua Sanzio, que sinaliza a negligência estatal no não reconhecimento oficial das tradições e tecnologias que os antepassados trouxeram da África, como a agricultura comunitária, a medicina natural, a religião estruturada, a mineração eficaz, as técnicas de arquitetura e construção, o artesanato e utensílios de cerâmica e palha, as línguas diversas, o sistema de numeração e matemática, a relação sagrada com o espaço geográfico, a amplitude da culinária, a forma comunitária de uso e ocupação do território, dentre outras maneiras de expressão cultural e tecnológica.</p>



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	                                        <p class="m-0">Rafael Sanzio. Crédito: UnB</p>
	                
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<p>Na avaliação do professor Sanzio, as ações do atual Governo Federal indicam a opção de não resolver de forma eficaz as demandas territoriais conflitantes. Nessa direção, a falta de uma &#8220;política de Estado&#8221;, consistente e duradoura, e não &#8220;política de governo,&#8221; pontual e cosmética, possibilita o processo de extinção e descaracterização desses territórios étnicos, vistos erroneamente como &#8220;espaços de problemas,&#8221; porém podem ser olhados com outra ótica, ou seja, &#8220;territórios das soluções&#8221; para demandas sociais e econômicas da nação. Como exemplo, ele cita a economia quilombola com sua diversidade de produtos e referências produtivas que podem ser inseridas nas cidades brasileiras.</p>



<p>“O ‘Selo Quilombola’ que agrega valor e integridade ao território e a comunidade tradicional, poderia ser implementado de forma mais assertiva na estrutura do Estado. Entretanto, constatamos que o Brasil africano continua invisível oficialmente há 135 anos, melhor dizendo, a rejeição secular do Estado ao fim do sistema escravista é o fio condutor básico da frequente articulação para a naturalização-normalização da democracia precária e da conservação dos privilégios. Importante lembrar que a manutenção do quadro de desinformação da população brasileira no que se refere ao continente africano continua sendo um entrave estrutural para uma perspectiva real na democracia racial do país”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O professor da UnB frisa o papel da educação para a inserção da população de matriz africana na nossa sociedade: “A inferiorização desta população no sistema escolar causa danos imensuráveis para as sucessivas gerações. Uma vez que estamos tratando com uma ordem que está institucionalizada há mais de um século, sobretudo na educação geográfica permitida e na forma distorcida e limitada como é ensinada no país”.<br><br><strong>*Jornalista multimídia, vencedora do prêmio Respeito e Diversidade do MPF</strong></p>



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		<title>Quilombos modernos usam comunicação para transformação social em Salvador</title>
		<link>https://marcozero.org/quilombos-modernos-usam-comunicacao-para-transformacao-social-em-salvador/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Sep 2023 15:10:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[comunicação popular]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Raízes BA A reportagem “Contos verdades com Tialila”, produzida por Raízes BA com apoio do Instituto FALA!, é uma contação de histórias de quilombos modernos de Salvador que buscam a transformação social, a democratização da notícia e da informação e a defesa do bem-estar social e do bem viver.  As histórias dos movimentos Grupo [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por <a href="https://www.youtube.com/@raizesba" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Raízes BA</a></strong></p>



<p>A reportagem “Contos verdades com Tialila”, produzida por Raízes BA com apoio do Instituto FALA!, é uma contação de histórias de quilombos modernos de Salvador que buscam a transformação social, a democratização da notícia e da informação e a defesa do bem-estar social e do bem viver. </p>



<p>As histórias dos movimentos Grupo de Mulheres do Alto das Pombas (GRUMAP), Grupo Cultural Mata Inteira e Grupo Popular de Arte de Rua A Pombagem são apresentadas por uma repórter âncora, “Tia Lila”, que apresenta de maneira descontraída enquanto relaciona os blocos da reportagem com a música afro-baiana e afro-brasileira. </p>



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<p>A apresentadora foi construída de forma ficcional, em formato de animação 2D, promovendo uma forma transversal do jornalismo, onde a ficção e a animação têm a permissão de acontecer em harmonia com o rigor da apuração do jornalismo</p>



<p>Os atravessamentos entre esses três grupos são as diversas formas e apropriações de estratégias na comunicação e informação de suas pautas, como o podcast da GRUMAP e sua veiculação por meio de carro de som na comunidade local, jornal impresso, teatro de rua, poesia, pixação.</p>
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		<title>Francisca dos Santos, a última umbandista do quilombo Teixeira</title>
		<link>https://marcozero.org/francisca-dos-santos-a-ultima-umbandista-do-quilombo-teixeira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Sep 2021 19:39:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A comunidade quilombola Teixeira, zona rural do município de Betânia, no Sertão do Moxotó, é habitada por uma média de 300 famílias. Em sua maioria, famílias evangélicas, de ramificações variadas. Na comunidade, entre os poucos habitantes que não aderiram ao pentecostalismo, vive a agricultora aposentada Francisca Maria dos Santos, de 71 anos. Dona Francisca é [&#8230;]</p>
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<p>A comunidade quilombola Teixeira, zona rural do município de Betânia, no Sertão do Moxotó, é habitada por uma média de 300 famílias. Em sua maioria, famílias evangélicas, de ramificações variadas. Na comunidade, entre os poucos habitantes que não aderiram ao pentecostalismo, vive a agricultora aposentada Francisca Maria dos Santos, de 71 anos. Dona Francisca é da umbanda e, isolada, com o auxílio de outros dois amigos, que também são umbandistas, mas moradores de outro quilombo do mesmo município, o Sítio Bredos, ela pratica a religião nos limites de um quartinho pegado à cozinha da casa onde mora com a mãe, seus filhos e seus netos.</p>



<p>Atualmente, no território do povoado, há três igrejas, a Adventista do Sétimo dia, a Assembleia de Deus &#8211; ministério de Madureira, e a Mundial do Poder de Deus. A última, com sua sede fundada em 1998 na cidade de São Paulo, pelo pastor Valdemiro Santiago,  aqueçe frequentemente envolvido em escândalos ligados à exploração da fé alheia e propaganda enganosa <a href="https://www.youtube.com/watch?v=oyLagXgpYAA" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&#8211; quem não lembra de Valdemiro Santiago, em agosto do ano passado, fazendo propaganda na TV de sementes de feijão &#8220;ungidas&#8221;, suportamente capazes de curar a covid-19, custando até R$ 1 mil cada uma?</a></p>



<p>Vendendo falsos milagres, se apoiando na teologia da prosperidade, exaltando os privilégios que o dinheiro pode trazer e incentivando a doação aos seus ministérios partindo da premissa de que, doando, os fiéis irão aumentar a sua riqueza material, muitas igrejas evangélicas têm penetrado e se estabelecido em lugares com determinadas culturas e costumes que não poderíamos antes imaginar. A comunidade Teixeira é um deles.</p>



<p>Recentemente, estive na casa de dona Francisca. Conheci o seu lugar, parte da sua&nbsp; história e conversei com ela sobre a sua vida religiosa.&nbsp; Há muitos anos, ela é procurada por pessoas de vários lugares da região e de outros estados do país, para ajudar a tratar casos de doença e para afastar espíritos ruins de corpos dominados por eles. “Aqui já chegaram carros e carros no meu terreiro. Já veio gente de São Paulo, da Bahia, de todo canto. Isso pra eu fazer trabalho pra ajudar em problema de saúde e pra afastar espírito ruim também. O que eu não faço é coisa ruim, pra prejudicar os outros”.</p>



<p>Dona Francisca chama a sua prática religiosa de “obrigação”. E essa obrigação teve início quando ela ainda era muito nova, antes do seu primeiro aniversário. Abro espaço para dona Francisca contar como tudo começou e que rumo a sua vida tomou a partir daquele dia:</p>



<p>&nbsp;&nbsp;“Eu comecei essa obrigação quando eu tinha três meses de vida. Foi a primeira vez que um espírito baixou e falou em mim. Pai viu eu falar e contava que, no dia, quase enlouqueceu. Que o espírito dizia que eu não pertencia a meus pais, eu pertencia a ele. Aí veio um vendaval dentro de casa, derrubou tudo, arrastou as coisas. Ficou tudo revirado.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;E eu sei que fui crescendo e fui desenvolvendo. Eu sentia quando uma pessoa ia chegar em casa, sabia que ela vinha. Nunca fui disciplinada por ninguém. Tudo o que eu aprendi, eu via em sonho. Vinha um homem com um livro me ensinar. Parecia que ele estava na minha frente, como você tá agora. Se uma pessoa fosse matar outra por aqui, eu sabia. Ele vinha me avisar.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;Quando eu fui fazer essa obrigação declarada pra todo mundo, eu já tinha 17, 18 anos. Pai não queria, não achava que era coisa de Deus. Mãe via, mas não dizia nada.&nbsp; Por aqui, não tinha ninguém pra eu falar, conversar sobre essas coisas. Meu avô Francisco, pai de meu pai, que o povo chamava Chico Pintado, era quem tinha parte com isso também, mas ele não morava aqui. O contato que eu tive com ele foi pouco. Eu sempre fui vendo e fazendo as coisas sozinha, mesmo.</p>



<p>&nbsp;E eu vou lhe dizer: quando eles [os espíritos] me pegam, eu não vejo nada.&nbsp; Eu já dei pisa em homem, já dei cacetada, já quebrei dedo de mulher. Até em meu pai, um dia, eu danei um machado pra cortar o pescoço dele. É uma coisa que eu não vejo, não sinto, só acontece. Antes, eu recebia mais, baixava mais espírito em mim. Agora, são dois, só. Um dá o nome de Mané Caboclo e o outro nunca disse o seu nome. E esse é o que baixou em mim quando eu tinha três meses. Ele nunca foi embora”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Cansada, quase desistindo</h2>



<p>Francisca me confessou que agora se sente cansada, sem forças para continuar com a “obrigação” que lhe foi dada ainda criança. A tensão das mudanças ao seu redor, a visita frequente de evangélicos à sua casa e a conversão de seus filhos ao protestantismo têm lhe feito considerar a possibilidade de se converter também. Ela tem pensado em frequentar a Igreja Mundial do Poder de Deus, que está construindo um templo na comunidade. </p>



<p>“Olhe, eu lhe digo que a minha corrente é da Umbanda. Aqui, eu só trabalho com meus amigos Joaquim e Maria das Dores, que vêm de outro canto pra cá, pra gente trabalhar. Mas o nome que eu levo por aqui é só de macumbeira. Tem coisa que entristece a gente. Às vezes, tem bicho morto na estrada, em encruzilhada, e o povo já passa dizendo ‘eita, quem terá sido esse que Francisca lascou?’. Eu não faço mal a ninguém. E essa obrigação que eu faço, é de muita responsabilidade, de muita energia, eu ando muito cansada. Tenho pensado muito em passar pra lei de crente”.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;A realidade em que vive dona Francisca e a sua família, como em muitas outras comunidades rurais sertanejas, por muito tempo, se equilibrou numa negociação pela ocupação do seu território apenas com o dito catolicismo popular e a sua predileção pelo devocional ao sacramental. Agora, a comunidade passa a limitar ainda mais o espaço para o culto e a prática de outras religiões, principalmente as de matrizes africanas.</p>



<p>Olhando para a história de Dona Francisca, para as mudanças de caráter religioso que têm ocorrido em sua comunidade e para a perseguição e intolerância histórica contra religiões de matrizes africanas, é inevitável pensar que a influência pentecostal em Teixeira tem impactado e interferido na vida e na cultura da sua população, trabalhando para o silenciamento e apagamento das suas origens e tradições.</p>



<p>Os amigos de Francisca, Joaquim dos Santos, 72 anos, e Maria das Dores, 75, seguem resistindo e não consideram a possibilidade de conversão para o protestantismo. &#8220;Eu venho lá da comunidade dos Bredos, pra fazer esse trabalho aqui, com elas duas. Eu tenho visto muita gente passar pra lei de crente, mas não tenho vontade não. Em mim, baixa um caboclo caçador brabo, que não me deixa nunca. Isso é desde que me entendo por gente e vai até quando eu morrer&#8221;, conta seu Joaquim.  </p>



<p>Dona Maria das Dores concorda com o amigo e acredita que a sua prática religiosa faz parte do seu destino. &#8220;Disso, a gente não foge. Não tem jeito. Não adianta ter medo, tentar se esconder, se desviar. Faz parte da nossa missão aqui. Eu respeito quem é evangélico, acho muito bonito as palavras, as homenagens que eles fazem quando um deles morre, mas não pretendo passar para a lei deles não&#8221;.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
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		<title>Candidaturas de quilombolas fortalecem a luta dos povos tradicionais em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kleber Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Nov 2020 13:36:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Herdeiros das lutas seculares pelo direito à terra e com ela o acesso às políticas públicas garantidas a todos os brasileiros, e guardiões da cultura negra, os quilombolas ocupam a arena política como mais uma trincheira para conquistar seus devidos lugares nos espaços de poder. E eles vêm avançando. Em 2020, cerca de 500 candidatos [&#8230;]</p>
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<p>Herdeiros das lutas seculares pelo direito à terra e com ela o acesso às políticas públicas garantidas a todos os brasileiros, e guardiões da cultura negra, os quilombolas ocupam a arena política como mais uma trincheira para conquistar seus devidos lugares nos espaços de poder. E eles vêm avançando. Em 2020, cerca de 500 candidatos são oriundos dessas comunidades tradicionais, sendo 48 deles só em Pernambuco &#8211; quase o dobro de concorrentes em relação ao pleito de 2016, no estado, quando foram eleitos 12 vereadores.<br><br>A representatividade ainda é pequena, frente aos números da população remanescente de quilombo, o que demonstra a importância e a responsabilidade da presença deles na disputa eleitoral. A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) estima que existem aproximadamente 600 comunidades no estado. Apenas 196 territórios têm a certificação da Fundação Cultural Palmares, órgão público vinculado à Secretaria Especial da Cultura do governo federal.<br><br>Além do reconhecimento dos territórios, formados às custas de suor e sangue dos ancestrais, os candidatos quilombolas também têm como característica comum em suas plataformas as pautas da educação, saúde e cultura. Embora o foco esteja sobre as suas comunidades de origem, os concorrentes às casas legislativas municipais fazem questão de reforçar que as propostas visam a melhoria de toda cidade, uma vez que as agendas buscam ampliar a diversidade no parlamento e reduzir as desigualdades no município.</p>



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<p>Sérgio Teófilo da Silva foi o primeiro vereador quilombola eleito para a câmara municipal de Lagoa dos Gatos, na Zona da Mata Sul pernambucana, ainda em 2012. Embora avalie como uma legislatura difícil por, na época, compor a oposição ao poder executivo, Sérgio, que pertence ao Quilombo Pau Ferrado, destaca que foi importante levar para o parlamento local as demandas históricas de quase 500 famílias residentes em um território de mais de 200 hectares.<br><br>“Conquistamos um campo para atividades de esporte e lazer, e temos uma escola municipal. Também temos um posto de saúde próximo da nossa comunidade e na área da cultura, por exemplo, fortalecemos nossas tradições com a festa de São Sebastião, que tem mais de 100 anos”, elencou Sérgio, que exerceu o mandato pelo PV.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<p>Em 2016, já no PSD, Sérgio ficou na suplência, mas desde novembro do ano passado, com a perda do mandato do vereador Tarcísio Oliveira (PT), tornou-se o titular da vaga. Por causa de imbróglios judiciais, no entanto, ainda não tomou posse. Hoje, no Republicanos, Sérgio ocupa a presidência da Federação Quilombola de Pernambuco e se dedica à luta para retornar, de fato e de direito, à câmara de Lagoa dos Gatos.<br><br>“Nossa candidatura pretende recuperar o que vem sendo perdido com o desmonte das políticas públicas. Nossas propostas são garantir os direitos sociais do povo quilombola e lutar pela identificação do território. Também buscamos o fortalecimento da agricultura familiar, o acesso dos jovens ao emprego e o resgate cultural da nossa comunidade”, afirmou.<br><br>Pela quarta vez, o guarda municipal Bartolomeu Florencio da Silva disputa uma vaga na câmara legislativa de São Bento do Una, no Agreste. Membro do Quilombo Serrote do Gado Bravo, uma das seis comunidades do território tradicional do município, Bartolomeu faz questão de reforçar sua origem no seu nome de urna &#8211; Bartolomeu Quilombola. Mais do que uma reafirmação da sua história, o título é um contra-ataque à invisibilização imposta aos povos tradicionais.<br><br>“É muito difícil fazer campanha eleitoral, sobretudo, para nós que não temos recursos financeiros e, no meu caso, sequer fui apoiado pelo meu partido, o PSB. Nesta reta final, precisei me endividar para produzir uns panfletos e contratar pessoas que pudessem distribuir pela cidade, porque só pela internet não dá. O que me faz ter esperança é a minha história de luta, é o que me favorece em relação aos outros candidatos”, disse.</p>



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<p>Se para o homem negro de origem quilombola as condições de disputa são desiguais, o que dizer quando a candidatura é assumida por uma mulher? As barreiras, que são muitas, na verdade incentivaram a agricultora Maria José do Nascimento, mais conhecida como Joyce de Cabileira, a estrear no pleito eleitoral. Ela pretende fazer história como a primeira mulher quilombola vereadora de Altinho, no Agreste do estado. </p>



<p>“Somos um povo esquecido e minha briga é para que sejamos enxergados. Minha candidatura propõe a busca de recursos para a nossa comunidade, que não tem saneamento básico nem atendimentos regulares no nosso posto de saúde. Também precisamos lutar pela ampliação do acesso à água, nesta pandemia só tivemos um caso de Covid-19 porque a comunidade trabalha em conjunto na orientação e na busca por kits de prevenção à doença”, declarou Joyce, que pertence ao Quilombo Guaraciaba e está filiada ao PSDB.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Pauta unificada e atuação suprapartidária</h2>



<p>Espalhadas em mais de 20 cidades e, embora estejam pulverizadas por todo espectro ideológico, indo de partidos de esquerda, como o PT, à direita, como o PSL, as candidaturas quilombolas seguem uma pauta nacional. A estratégia, segundo a Conaq, começou a ser adotada em 2016 diante da ameaça dos retrocessos pós-impeachment da então presidente Dilma Rousseff, e se fortaleceu com a eleição de Jair Bolsonaro (sem partido). O presidente é um incentivador do extermínio dos povos tradicionais.<br><br>“Em outras gestões, o nosso povo tinha diálogo com o governo, isso acabou, mas também foi o que nos motivou a fortalecer a articulação em defesa dos nossos direitos, colocando candidaturas quilombolas para ocupar os espaços de decisão. Infelizmente, o modelo eleitoral no Brasil empurrou muitos dos nossos candidatos para legendas que têm pautas neoliberais”, afirmou o coordenador executivo nacional da Conaq, Antônio Crioulo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Antônio Crioulo reforça a importância de unificar a pauta dos candidatos de quilombos para fazer frente ao avanço do autoritarismo em nível nacional. Crédito: Roque de Sá/Agência Senado</p>
	                
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<p>Ainda de acordo com Crioulo, a saída para não ser cooptado por ideologias contrárias aos direitos humanos tem sido investir na construção de uma pauta nacional que é adaptada pelos candidatos nos municípios. Depois de eleitos, os políticos quilombolas seguem com a atuação conjunta a fim de fortalecer as demandas no âmbito estadual e nacional.<br><br>“Dessa maneira conseguimos lançar 48 candidatos, em 2016 foram 25, já é uma vitória muito grande. Infelizmente, por causa da pandemia, nossa expectativa é eleger 17 vereadores e vereadoras, porque nosso povo tem respeitado o isolamento e evitado fazer a campanha porta a porta. Mesmo assim chegaremos mais fortes na luta pela regularização fundiária, fortalecimento da educação, da cultura e da saúde dentro das comunidades quilombolas”, declarou.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Esta reportagem é uma produção do Programa de Diversidade nas Redações, realizado pela Énois &#8211; Laboratório de Jornalismo Representativo, com o apoio do Google News Initiative&#8221;.</em></p></blockquote>



<p><br></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/candidaturas-de-quilombolas-fortalecem-a-luta-dos-povos-tradicionais-em-pernambuco/">Candidaturas de quilombolas fortalecem a luta dos povos tradicionais em Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Entre duas águas, quatro quilombos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Jan 2019 19:00:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>ENTRE DUAS ÁGUAS, QUATRO QUILOMBOS by Marco Zero Conteúdo on Exposure</p>
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<a href="https://marcozeroconteudo.exposure.co/entre-duas-aguas-quatro-quilombos">ENTRE DUAS ÁGUAS, QUATRO QUILOMBOS</a> by <a href="https://marcozeroconteudo.exposure.co/">Marco Zero Conteúdo</a> on <a style="text-transform: uppercase;" href="https://exposure.co">Exposure</a></p>
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