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	<title>Arquivos Semiárido - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 07 Apr 2026 19:01:26 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Semiárido - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Recife sedia seminário sobre alternativas para territórios semiáridos da América Latina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 19:01:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Sabiá]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Plataforma Semiáridos]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Representantes de territórios indígenas, comunidades camponesas, organizações da sociedade civil e governos locais de regiões da América Latina estão no Recife para discutir alternativas para as regiões semiáridas do continente no seminário América Latina desde os Territórios: clima, sistemas alimentares e governança. O encontro acontecerá na sede da organização não governamental Habitat para a Humanidade [&#8230;]</p>
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<p>Representantes de territórios indígenas, comunidades camponesas, organizações da sociedade civil e governos locais de regiões da América Latina estão no Recife para discutir alternativas para as regiões semiáridas do continente no seminário <em>América Latina desde os Territórios: clima, sistemas alimentares e governança.</em></p>



<p>O encontro acontecerá na sede da organização não governamental Habitat para a Humanidade Brasil, no centro do Recife, nesta quarta-feira, 8 de abril. De acordo com os organizadores, Centro Sabiá e Plataforma Semiáridos da América Latina, o objetivo do seminário é “ampliar perspectivas sobre os desafios e as respostas construídas nos territórios secos diante da crise climática, com atenção especial aos sistemas alimentares, à autonomia territorial e às formas de governança política emergentes”.</p>



<p>Entre as organizações confirmadas estão a <a href="https://www.instagram.com/fundapaz.arg/">Fundapaz</a> (Argentina), <a href="https://www.instagram.com/fundeorg/">Fundación Nacional para el Desarollo</a> (El Salvador), <a href="https://islaurbana.org/">Isla Urbana</a> (México) e as brasileiras <a href="https://cetra.org.br/">Cetra</a>, <a href="https://www.instagram.com/adessu.baixaverde/">Associação de Desenvolvimento Rural Sustentável da Serra da Baixa Verde</a>, <a href="https://www.instagram.com/patacagroecologia/">Patac Agroecologia</a> e Conselho Indígena Tremembé.</p>



<p>As discussões devem focar tanto no compartilhamento de experiências para reduzir os impactos da crise climática nos sistemas alimentares e vêm sendo afetados pela crise climática quanto em estratégias de fortalecimento das capacidades políticas e de governança dos territórios secos.</p>



<p>Para Carlos Magno Morais, coordenador do Centro Sabiá e integrante da mesa de governança da Plataforma Semiáridos América Latina, o encontro tem um papel estratégico não apenas pelo que mobiliza no presente, mas também pelo que projeta para o futuro. “Ele nos prepara para a <em>Caatinga Climate Week</em>, que acontecerá em julho, em Caruaru, e que vem se consolidando como um espaço fundamental para posicionar a Caatinga no centro do debate climático global. Mas, antes disso, Recife cumpre aqui uma função essencial: a de escuta das vozes dos semiáridos da América Latina, que historicamente foram tratadas como zonas de sacrifício, mas que hoje se afirmam como territórios de soluções”, pontua Morais.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A <a href="https://www.semiaridos.org/pt-br/">Plataforma Semiáridos</a> é uma articulação com mais de 15 organizações sociais espalhadas por dez países que possuem regiões semiáridas que conectam países e povos da América Latina. Foi criada com objetivo de revelar e sistematizar as experiências vinculadas à utilização e à gestão dos territórios nas regiões, fortalecer a sociedade civil, gerar propostas e incidir nas políticas públicas. Busca atender os desafios das organizações indígenas e camponesas, em relação ao acesso, uso e gestão da terra, ao território e aos recursos naturais.</p>
        </div>
    </div>



<p></p>
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		<title>Articulação Semiárido Brasileiro entrega mais de 30 mil cisternas em 2025</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Dec 2025 18:43:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[água]]></category>
		<category><![CDATA[ASA]]></category>
		<category><![CDATA[cisternas]]></category>
		<category><![CDATA[emergência climática]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Organizações da sociedade civil que compõem a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) construíram, este ano, um total de 30.466 cisternas de placas e barragens subterrâneas que passaram a garantir segurança hídrica para mais de 150 mil pessoas que vivem no interior do Nordeste e de Minas Gerais. Essas são tecnologias sociais de captação e armazenamento de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Organizações da sociedade civil que compõem a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) construíram, este ano, um total de 30.466 cisternas de placas e barragens subterrâneas que passaram a garantir segurança hídrica para mais de 150 mil pessoas que vivem no interior do Nordeste e de Minas Gerais. Essas são tecnologias sociais de captação e armazenamento de água nos territórios mais vulneráveis à emergência climática no Brasil. </p>



<p>Somando a capacidade máxima de armazenamento das cisternas construídas, em apenas um ano famílias do semiárido brasileiro conquistaram a estrutura necessária para estocarem juntas mais de 580 mil litros de água. Isso seria equivalente a uma barragem considerada de pequeno a médio porte no contexto das grandes infraestruturas hídricas do país ou a mais de 300 mil piscinas olímpicas.</p>



<p>A ASA retomou o Programa Cisternas, do Governo Federal, em 2023. Desde então, já constriu 71.275, sendo 43.419 somente entre 2023 e 2024. Antes do início das construções, as organizações realizam toda uma preparação com oficinas e visitas nos territórios. Em 2025, através de um novo contrato, a ASA estabeleceu uma nova meta: construir mais 50 mil cisternas. Segundo a Articulação, são necessárias 300 mil cisternas para que todas as famílias que necessitam tenham acesso à água.</p>



<p>“Estou radiante pela oportunidade de ter ganhado a cisterna porque a dificuldade de água aqui é muito grande. Eu amo meu lugarzinho, mas é difícil olhar para os quatro cantos e não ter água. Agora estou feliz por mim e por meus vizinhos que também foram contemplados”, declarou, emocionada, à ASA a agricultora Maria Conceição Nascimento da Silva, 63 anos, da comunidade Maria Salona, no município de Saúde (BA).</p>



<p>Felicidade também é o sentimento compartilhado por Maria Adriana Ribeiro Silva, 32 anos. Moradora da comunidade da Serra do Simões, em Araripina (PE), que agora tem uma cisterna para água destinada ao consumo humano. “Estou muito feliz que até me faltam palavras para explicar o quanto é bom ter essa cisterna, uma coisa que eu não tinha condições (financeiras) de fazer e, graças a Deus, hoje nós temos”, comemora.</p>



<h1 class="wp-block-heading">Política pública de acesso à água</h1>



<p>Os reservatórios de Maria Conceição, Maria Adriana e dos mais de 30 mil beneficiários foram implementados por meio do Programa Cisternas, do Governo Federal. A ação, que existe como política pública desde 2003, foi incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e é coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). São parceiros da iniciativa o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Fundação Banco do Brasil.</p>



<p>Essa política pública de democratização da água no semiárido é dividida pelas organizações executoras da ASA em duas frentes de atuação: o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o Programa Uma Terra Duas Águas (P1+2).</p>



<p>O P1MC garante a implementação de reservatórios com capacidade para 16 mil litros destinados ao consumo humano (chamada &#8220;primeira água&#8221;) das famílias e de 52 mil litros para abastecer unidades de ensino por meio do projeto Cisternas nas Escolas. Já o P1+2 é responsável pela construção de tecnologias de 52 mil litros para irrigação da produção agrícola e criação de animais (chamada &#8220;segunda água&#8221;).</p>



<p>Desde a retomada do Programa Cisternas, em 2023, além das cisternas de segunda água ou barragens subterrâneas, as famílias contempladas pelo P1+2 também recebem recursos do Programa Fomento Rural. A iniciativa garante um repasse de R$ 4,6 mil para o desenvolvimento de um projeto produtivo de agricultura familiar como, por exemplo, instalação de apiários, plantios de hortas e estruturação de apriscos, que geram emprego e renda no campo.</p>



<p>“Essas tecnologias fortalecem a autonomia das famílias, permitem que elas convivam com o semiárido com mais dignidade e segurança e mostram que é possível enfrentar a desigualdade hídrica com soluções simples, eficazes e construídas junto às comunidades. Cada tecnologia representa mais justiça social”, afirma a coordenadora executiva da ASA, Jardenes Matos.</p>



<p>Esse resultado da ASA em 2025, além de representar um avanço concreto na democratização do acesso à água também expressa a força da luta coletiva construída pela rede ao longo de quase três décadas e já garantiu mais de 1,2 milhão de cisternas no semiárido. Segundo Jardenes, a ASA entende a tecnologia não apenas como uma solução técnica, mas como parte de um processo de mobilização e transformação social.</p>



<p>“Além disso, ter um governo que coloca em pauta a convivência com o semiárido possibilita que ações como o Programa Cisternas tenham competência para atender as demandas das famílias rurais que historicamente foram deixadas de fora das políticas públicas”, reforça.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<p>Nos últimos dois anos, foram 77.757 tecnologias sociais de segurança hídrica implementadas pela Rede ASA, o que significa que são quase 390 mil pessoas com acesso à água para beber, cozinhar e produzir alimentos no semiárido brasileiro.</p>



<p>Em 2026, as organizações da ASA começarão a construir mais 50 mil cisternas de primeira e segunda água e a restaurar 2,5 mil antigos reservatórios. De acordo com o contrato assinado pela Associação Programa Um Milhão de Cisternas (AP1MC) – personalidade jurídica da ASA – e o MDS, o investimento total será de R$ 500 milhões.</p>
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		<title>Governo Federal sugere que estados regulamentem energia eólica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Oct 2025 13:50:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[COP30]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante a coletiva de abertura da Caatinga Climate Week, a Semana do Clima da Caatinga, nesta quarta-feira (1º), em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, o ministro da secretaria-geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, informou que o Governo Federal está sugerindo que os estados, através das Assembleias Legislativas, regulamentem o funcionamento de parques de energia [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Durante a coletiva de abertura da <a href="https://marcozero.org/caatinga-climate-week-coloca-o-bioma-e-os-saberes-locais-no-centro-do-debate-climatico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Caatinga Climate Week</a>, a Semana do Clima da Caatinga, nesta quarta-feira (1º), em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, o ministro da secretaria-geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, informou que o Governo Federal está sugerindo que os estados, através das Assembleias Legislativas, regulamentem o funcionamento de parques de energia eólica, sobretudo em Pernambuco e no Rio Grande do Norte.</p>



<p>“Tenho conversado com o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) para que a gente possa influenciar nesse processo (dos leilões) e ter previsão de compensação ambiental para essas comunidades atingidas que vivem no entorno das usinas. Para que a gente possa primeiro resolver os problemas que já tem e que eles não possam se multiplicar no país. Porque a energia eólica é uma realidade que veio para ficar”, disse Macêdo.</p>



<p>“Essa questão da energia eólica é muito séria. O impacto é muito grande na vida das pessoas. Então é necessário que tenha regulamentação estadual e leis sobre isso”, complementou. No Brasil, cada estado é responsável pela própria legislação referente às iniciativas de energia renovável.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Márcio Macêdo participou de evento em Caruaru
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Beto Figueiro/Caatinga Climate Week</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A maior parte das usinas eólicas no Nordeste está localizada no semiárido, que abriga a Caatinga, o único bioma exclusivamente brasileiro. Fortemente ameaçada pelas mudanças climáticas, a região enfrenta outra grave ameaça: a falta de uma transição energética justa.</p>



<p>Entre os diversos <a href="https://marcozero.org/agricultores-e-povo-kapinawa-ocupam-predio-do-governo-em-mais-um-protesto-contra-eolicas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">impactos dos empreendimentos eólicos</a>, estão a perda de territórios, as remoções forçadas, os <a href="https://marcozero.org/eolicas-assumem-controle-de-terras-com-contratos-longos-e-sem-garantia-aos-agricultores/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">contratos abusivos</a> e os danos ambientais e à saúde das famílias que vivem próximas aos aerogeradores. Os efeitos também são sentidos pelos animais, como bois, porcos e abelhas, que diminuem suas produções com consequente impacto na renda das famílias.</p>



<p>Uma pesquisa da Universidade de Pernambuco (UPE) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontou que mais de 70% das pessoas que moram ao lado das turbinas têm depressão, estresse, ansiedade ou problemas de visão.</p>



<p>No ano passado, a gestão da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), publicou um instrução normativa prevendo algumas regulamentações para tentar minimizar os impactos socioambientais provenientes desse tipo de empreendimento. A medida, no entanto, foi bastante criticada pelas comunidades agricultoras impactadas e pela sociedade civil que acompanha essa realidade. </p>



<p>Isso porque a instrução não previu uma regra para um dos principais pedidos das famílias agricultoras: a definição de uma distância mínima entre os aerogeradores e as residências. Cada empresa pode estabelecer uma distância.</p>



<p>Nas palavras dos representantes do Centro Sabiá, organizador da Caatinga Climate Week, “a ausência de políticas mais rigorosas facilita acordos desonestos entre empresas e as comunidades, com aval dos governos municipais e estadual. Foi o caso dos parques instalados em Venturosa e Caetés (no Agreste de Pernambuco), que tiveram suas licenças renovadas após dez anos de efeitos negativos para as comunidades”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Janja e enviadas especiais da COP30 ouvem demandas</strong></h2>



<p>A coletiva de imprensa desta quarta (1º) foi a primeira agenda em Caruaru das Enviadas Especiais para a COP30 dentro do projeto Vozes dos Biomas. Essa é iniciativa inédita que busca levar as vozes da sociedade civil diretamente aos espaços de negociação da COP30. É liderada pela primeira-dama Janja Lula da Silva (responsável pelo tema Mulheres), pela advogada de direitos humanos e ativista feminista Denise Dora (Direitos Humanos e Transição Justa) e pelamédica, comunicadora e ativista pelos direitos humanos Jurema Werneck (Igualdade Racial e Periferias).</p>



<p>Durante a Caatinga Climate Week, o Vozes dos Biomas realizou a edição dedicada à caatinga, reunindo lideranças locais, povos tradicionais, organizações da sociedade civil e movimentos sociais do semiárido para apresentar às enviadas as principais demandas do bioma.</p>



<p>Essas demandas vão compor documentos que serão entregues diretamente aos negociadores da COP30, com a missão de garantir que os saberes locais e as perspectivas de quem vive os impactos da crise climática estejam representados no mesmo nível de importância que as orientações oficiais, ampliando a participação e o alcance político da sociedade civil brasileira no debate global sobre o clima.</p>



<p>“A busca por financiamento é hoje a principal demanda da sociedade civil. Assim como existe o Fundo Amazônia, precisamos pensar em fundos para os outros biomas brasileiros. A Pampa, por exemplo, é trinacional e um dos mais degradados. Essa preocupação deve estar na carta final da Semana do Clima da Caatinga, que vamos apresentar na COP”, afirmou Janja.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Janja é uma das enviadas especiais da COP30 ao semiárido
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Beto Figueiro/Caatinga Climate Week</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Por meio de oficinas presenciais realizadas nos seis biomas brasileiros, o Vozes dos Biomas promove escutas qualificadas com as populações de cada bioma, ouvindo experiências, desafios e soluções resilientes diante da crise climática. A partir desses encontros, serão elaboradas seis cartas, uma por bioma.</p>



<p>A iniciativa já realizou encontros na Amazônia, Mata Atlântica e Pampa, e agora chegou à Caatinga, antes de seguir para o Cerrado e o Pantanal.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Caatinga Climate Week</h3>



<p>Inspirada em encontros internacionais como os de Nova York e Londres, a Caatinga Climate Week segue até o sábado (4) percorrendo sete municípios do agreste e do sertão pernambucanos com o objetivo de colocar o bioma no centro da agenda climática de olho na COP30, que acontece em novembro, em Belém. O evento é uma iniciativa do Centro Sabiá em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA).</p>



<p>Durante o evento, mais de 100 lideranças indígenas, quilombolas, assentados da reforma agrária, agricultoras e agricultores agroecológicos, cientistas e organizações sociais se reúnem para discutir soluções locais já testadas, integrando saberes tradicionais e conhecimento científico.</p>



<p>Os participantes vão conhecer de perto, por exemplo, sistemas produtivos da agricultura familiar, tecnologias sociais para adaptação climática, saberes ancestrais, como funcionam as economias territoriais, bancos de sementes crioulas</p>



<p>Historicamente estigmatizada pela pobreza, mas rica em biodiversidade e resistência cultural e um dos biomas mais eficientes na captura de carbono, a Caatinga, que abriga cerca de 28 milhões de pessoas, é um dos territórios mais impactados do planeta pela desertificação e o primeiro a registrar uma zona árida no Brasil.</p>



<p>Segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, do MapBiomas, mostrou que mais de 3 mil hectares da Caatinga já foram desmatados por empreendimentos de energia renovável, sobretudo os parques fotovoltaicos.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>A repórter viajou a convite da Caatinga Climate Week</strong></li>
</ul>



<p></p>
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		<title>Caatinga Climate Week coloca o bioma e os saberes locais no centro do debate climático</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Sep 2025 20:06:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[COP]]></category>
		<category><![CDATA[crise climática]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A crise climática avança de forma acelerada sobre territórios historicamente vulnerabilizados. No semiárido nordestino, os efeitos já são sentidos de maneira direta: a segurança alimentar e hídrica das comunidades está em risco, enquanto o bioma caatinga perdeu cerca de metade de sua vegetação original. O cenário é tão grave que começam a surgir as primeiras [&#8230;]</p>
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<p>A crise climática avança de forma acelerada sobre territórios historicamente vulnerabilizados. No semiárido nordestino, os efeitos já são sentidos de maneira direta: a segurança alimentar e hídrica das comunidades está em risco, enquanto o bioma caatinga perdeu cerca de metade de sua vegetação original. O cenário é tão grave que começam a surgir as primeiras manchas de aridez no Brasil — áreas que deixam de ser apenas semiáridas e passam a ser áridas.</p>



<p>Diante dessa ameaça, nasce a Semana do Clima da Caatinga (Caatinga Climate Week), inspirada em encontros internacionais como os de Nova York e Londres. O evento, uma iniciativa do Centro Sabiá em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), acontecerá entre 1 e 4 de outubro, em seis municípios: Caruaru, Vertentes, Pesqueira, Garanhuns, Jucati e Caetés.</p>



<p>A Caatinga Climate Week busca ressignificar o debate climático no coração de um dos territórios mais impactados do planeta, historicamente estigmatizado pela pobreza, mas rico em biodiversidade e resistência cultural.</p>



<p>Durante três dias, lideranças indígenas, quilombolas, assentados da reforma agrária, agricultoras e agricultores agroecológicos, cientistas e organizações sociais se reúnem para discutir soluções locais já testadas, integrando saberes tradicionais e conhecimento científico.</p>



<p>“A ACCW é um chamado global para reconhecer o semiárido e a caatinga como territórios estratégicos na agenda climática, especialmente às vésperas da COP30”, reforçam os organizadores. </p>



<p>O bioma caatinga é o único exclusivamente brasileiro e abriga cerca de 28 milhões de pessoas. Para além de sua biodiversidade única, a caatinga sustenta modos de vida profundamente conectados à natureza. A permanência dessas populações em seus territórios, com dignidade, depende de políticas públicas consistentes e do reconhecimento internacional da importância estratégica da região no enfrentamento da crise climática.</p>



<p>A realização da Caatinga Climate Week marca um passo decisivo para que o debate sobre o futuro climático global inclua o semiárido brasileiro — não como periferia, mas como centro de soluções inovadoras e experiências de resistência socioambiental. </p>



<p>Confira <a href="https://www.caatingaclimateweek.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> programação completa.</p>
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		<title>Cisterna móvel, uma nova tecnologia para ampliar o acesso à água em regiões de seca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Jun 2025 10:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[cisternas]]></category>
		<category><![CDATA[Programa Um milhão de cisternas]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O aumento das áreas áridas no Semiárido brasileiro está intensificando as secas, a desertificação e a perda de biodiversidade. A diminuição das chuvas e o aumento das radiações de calor trazem novos desafios para a população da região e o uso de tecnologias que amenizem os efeitos das mudanças climáticas é cada vez mais necessário. [&#8230;]</p>
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<p>O aumento das áreas áridas no Semiárido brasileiro está intensificando as secas, a desertificação e a perda de biodiversidade. A diminuição das chuvas e o aumento das radiações de calor trazem novos desafios para a população da região e o uso de tecnologias que amenizem os efeitos das mudanças climáticas é cada vez mais necessário. Pensando nisso, o <a href="https://lapismet.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites </a>da Universidade Federal de Alagoas (Lapis/UFAL) desenvolveu uma tecnologia social hídrica, chamada cisterna móvel. </p>



<p>“Regiões áridas no Semiárido brasileiro aumentaram significativamente. Já é possível identificar regiões áridas no Seridó paraibano, em Pernambuco, e principalmente ali na região dos Cariris paraibanos, que são 29 municípios, você já tem áreas áridas, assim como no sul do Piauí. E essas áreas têm características específicas: diminuição de nuvens que produzem chuvas, aumento de temperatura e aumento da sede atmosférica”, explica Humberto Barbosa, meteorologista e fundador do Lapis.</p>



<p>“A política pública, o programa de cisternas, é um sucesso, sem dúvidas. Mas, em situação de emergência climática agravada, a chuva, mesmo com a cisterna, não vai chegar mais em algumas regiões. No semiárido você ainda tem quatro meses de chuva, que é onde você tem quase 90% das chuvas concentradas, de fevereiro a maio. Mas, em áreas que estão se tornando áridas, a gente está falando de dez a onze meses sem chuva. E aí, você tem que se adaptar porque as pessoas precisam de água e uma das soluções que estamos propondo é a possibilidade de se locomover em busca de água para armazenar”, finalizou Barbosa.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como funciona a cisterna móvel?</h2>



<p>O design das cisternas móveis foi desenvolvido com base nas plantas xerófilas. Buscou-se, durante a pesquisa para o desenvolvimento da tecnologia, criar uma estrutura que melhor representasse as xerófilas &#8211; especificamente o mandacaru, a palma forrageira e a coroa de frade, sendo esta última a que melhor se adequou ao estudo &#8211; , usando uma ciência conhecida como biomimética, que busca aplicar em estruturas biológicas e funcionalidades da natureza em novos produtos ou equipamentos. Nessa área de estudo científico, engenheiros e designers recorrem às estratégias e soluções da natureza para desenvolver tecnologias inovadoras e sustentáveis.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>O que são plantas xerófilas, de acordo com a Embrapa: o termo &#8220;xerófita&#8221;, originário das palavras gregas &#8220;xeros&#8221; (seco) e &#8220;phyton&#8221; (planta), caracteriza a notável habilidade de cactos, agaves e plantas similares de sobreviver em condições de escassez de água.</p>
        </div>
    </div>



<p>No alto da estrutura móvel estão largos funis por onde a água será captada. O projeto prevê ainda o desenvolvimento de um sistema de comunicação que irá transmitir informações de um radar ou de um satélite meteorológico para os proprietários da região. Assim, eles poderão saber de forma antecipada onde e quando ocorrerão as chuvas, podendo se deslocar até o local e armazenar a água.</p>



<p>A pesquisa para o desenvolvimento da cisterna móvel foi realizada no âmbito do projeto Capes Emergências Climáticas, com apoio da Capes e contou com a participação do designer Wedscley Melo, bolsista de doutorado. Na fase inicial, foram analisados e testados, em dois laboratórios, os padrões visuais de funcionamento de plantas como o mandacaru, a coroa-de-frade e a palma forrageira, com ênfase em seus princípios de retenção e economia de água durante os períodos de seca. Com base nesses estudos e por meio da analogia, as características observadas foram aplicadas à criação do sistema seguindo os princípios da biomimética.</p>



<p>Segundo o professor Humberto Barbosa, o projeto aguarda a oficialização da patente para que os testes e a aplicação em larga escala possam ser viabilizados. Ainda de acordo com Barbosa, uma nova etapa do sistema prevê o processo de filtragem da água inspirado no umbuzeiro. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/frade-1024x950.webp" alt="A imagem mostra um cacto solitário sobre solo arenoso e seco. A planta tem formato cilíndrico e robusto, de coloração verde-escura, com várias costelas verticais marcadas por espinhos longos e esbranquiçados que se projetam em todas as direções. No topo do cacto há uma estrutura arredondada e felpuda de cor vermelha intensa, parecendo um gorro de lã ou um tampão macio, com um pequeno ponto rosa-choque no centro. Esse cacto é conhecido popularmente como cabeça-de-frade devido à semelhança do topo avermelhado com o capuz usado por monges franciscanos." class="" loading="lazy" width="643">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Cabeça-de-frade, a planta que inspirou a nova cisterna
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	




<h3 class="wp-block-heading">Trabalho em conjunto com a ASA</h3>



<p>Para Humberto Barbosa, a cisterna móvel deverá agregar e possibilitar novas formas de mitigação dos efeitos das secas. Ele acredita que a tecnologia poderá ampliar a atuação das entidades ligadas à Articulação de Semiárido Brasileiro (ASA): “As cisternas convencionais já atendem à necessidade de armazenamento e conservação da água, só que, agora, a atmosfera está evaporando mais água da superfície, e essa superfície é o solo que está degradado. Por isso, a vegetação está degradada e os mananciais também estão degradados. Então, a atmosfera está puxando mais água, com muito mais intensidade, do que a capacidade dessa superfície para alimentar a atmosfera com água. E isso faz com que as regiões áridas aumentem. Nesse contexto, as medidas emergenciais, principalmente adaptativas à mudança climática, às altas temperaturas e redução da chuva, vão exigir essa captação, esse armazenamento com uso de geotecnologia adaptada a esses processos, que é o que propomos com a cisterna móvel”.</p>



<p>Criado em 1999, o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), executado pela ASA, já beneficiou cerca de 1,3 milhão de famílias do semiárido com a instalação de cisternas em áreas de seca. As cisternas construídas pelo P1MC são estruturas de concreto pré-moldado, com capacidade para armazenar até 16 mil litros de água, o que é suficiente para abastecer uma família de até seis pessoas durante o período de estiagem no Semiárido, que pode durar até oito meses.</p>



<p>“No período do lançamento do programa, havia milhões de pessoas sem acesso a água para beber e cozinhar. Então, o P1MC se propôs a atender essa demanda, para salientar inclusive que o acesso à água é um direito constitucional, e naquele período era muito escasso, ainda como é hoje para muitas famílias. [&#8230;] As cisternas emanciparam muitas pessoas ao garantir acesso à água no quintal de suas casas, por isso, esse projeto, que se transformou em política pública, tem o caráter, não só de armazenar a água, mas de dar autonomia, cidadania e dignidade às famílias do Semiárido”, conta Mardônio Alves, coordenador executivo da ASA.</p>



<p>Reconhecendo a relevância do trabalho em conjunto entre universidade e organizações civis, Mardônio Alves reforça que é importante pensar no uso dessas tecnologias em uma perspectiva inclusiva para a população do Semiárido, pensando na funcionalidade e na aplicabilidade delas no ambiente familiar e agrícola da região.</p>



<p>Tanto o cientista Barbosa quanto o agricultor Alves defendem a necessidade de investimento dos governos em políticas públicas de combate às secas e em tecnologias de adaptação às mudanças climáticas são defendidas por ambos. A falta de investimentos em pesquisas recentes e aprofundadas sobre o Semiárido e suas características e a falta de uma legislação ambiental mais rígida são fatores apontados por ambos como agravantes para acontecimentos climáticos extremos como as secas.</p>



<p></p>
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		<title>Do artesanato à luta por direitos: as conquistas das mulheres quilombolas da Serra das Viúvas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Nov 2024 18:31:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Alagoas]]></category>
		<category><![CDATA[artesanato]]></category>
		<category><![CDATA[comunidade quilombola]]></category>
		<category><![CDATA[dia da consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Na década de noventa ninguém sabia o que era ser quilombola, tínhamos aqui as pessoas pretas com seus costumes, com sua cultura, mas ninguém imaginava o que era ser quilombola e foi graças a união das mulheres que nós demos entrada no processo de autoidentificação e conseguimos ser reconhecidos como uma comunidade quilombola”. Enquanto escuta [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Na década de noventa ninguém sabia o que era ser quilombola, tínhamos aqui as pessoas pretas com seus costumes, com sua cultura, mas ninguém imaginava o que era ser quilombola e foi graças a união das mulheres que nós demos entrada no processo de autoidentificação e conseguimos ser reconhecidos como uma comunidade quilombola”. Enquanto escuta o depoimento de Maria Helena Menezes sobre a história do quilombo Serra das Viúvas, a matriarca da comunidade, Marlene de Araújo, não contém as lágrimas. Aos 61 anos, a líder quilombola conta que “passa um filme na cabeça de toda a luta que a gente viveu”.</p>



<p>Maria Helena e Marlene são partes de uma mesma história, uma história que elas lutam para dar continuidade e ainda buscam por algumas respostas sobre a origem. Moradoras da Serra das Viúvas, localizada no município de Água Branca, no Alto Sertão de Alagoas, as descendentes quilombolas lideram e coordenam a Associação das Mulheres Artesãs e Quilombolas do Quilombo da Serra das Viúvas (AMAQUI).</p>



<p>A trajetória da AMAQUI é a continuação da memória do próprio quilombo e de suas conquistas. A história de formação da comunidade quilombola da Serra das Viúvas foi construída a partir de duas hipóteses. A primeira é que pessoas escravizadas se instalaram ali após fugirem das terras do Barão de Água Branca. Já a segunda é que as pessoas que ali se instalaram firmaram um compromisso de produzir e pagar ao Barão uma cota de uso da terra.</p>



<p>Já o nome da comunidade é uma referência a três famílias que ocuparam a região há séculos. Como contam os mais velhos, as viúvas são as mulheres ancestrais dessas três famílias fundadoras da comunidade que perderam seus maridos e ali permaneceram, criando seus filhos sozinhas. </p>



<p>“Infelizmente nós ainda não temos a confirmação da história da comunidade, não sabemos se essas famílias eram de pessoas escravizadas que aqui se refugiaram, e também não sabemos em que ano exatamente essas famílias chegaram aqui”, lamenta Maria Helena Menezes de Souza, doutora em Linguística e tesoureira da AMAQUI.</p>



<p>“Foi uma luta pra gente conseguir se aceitar como quilombolas, muita gente não entendia, só sabiam o que era ser descendente de escravo e isso ninguém queria ser. Só depois é que as pessoas foram entendendo melhor”, completa Marlene de Araújo.</p>





<p>Atualmente, o Quilombo da Serra das Viúvas conta com cerca de 250 habitantes e 90 famílias. Em visita a comunidade, foi possível perceber como a população reconhece a importância da cultura quilombola e se orgulha de fazer parte dela, tendo o artesanato e a agricultura como tecnologias ancestrais de grande valor. Graças a articulação das mulheres da AMAQUI, hoje o quilombo possui a sede da associação, uma casa de farinha e uma igreja, construções que só foram possíveis com o trabalho das artesãs. </p>



<p>&#8220;Os homens podem até contribuir, mas o trabalho pesado mesmo é das mulheres e são elas que fazem tudo isso acontecer, com muito esforço&#8221;, conta Maria Helena. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Reconhecimento da identidade quilombola a partir da cultura do artesanato</strong></h2>



<p>Através do trabalho como artesãs e agricultoras, as mulheres do quilombo são responsáveis por gerir boa parte da renda da comunidade. E foi graças à organização destas mulheres a partir do artesanato que a população da Serra das Viúvas se reconheceu e se fortaleceu enquanto quilombo.</p>



<p>A confecção de artesanatos a partir de materiais como palha de licuri, cipós e fibras de bananeira foi, até meados dos anos 1990, a principal fonte de sustento da comunidade. Bolsas, chapéus, vassouras, cestas e outros itens eram vendidos em feiras locais, garantindo a subsistência das famílias. Foi nessa época que surgiu um pequeno grupo de mulheres artesãs, que em 1998 e 1999 firmaram uma parceria com o SEBRAE. Através de cursos e oficinas, o grupo diversificou seus produtos e expandiu suas possibilidades no mercado.</p>



<p>Um grande marco dessa parceria aconteceu no ano 2000, quando o grupo de artesãs recebeu o convite para decorar as celebrações do Dia de Zumbi no Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas &#8211; há exatos 25 anos deste 20 de novembro. Com a demanda crescente, outras mulheres da comunidade foram convidadas para fazer parte do trabalho. Com isso, a organização ganhou força e as artesãs realizaram algumas parcerias com designers, o que possibilitou o desenvolvimento de outros produtos artesanais.</p>



<p>Enquanto o grupo de artesãs crescia, a identidade quilombola da comunidade se fortalecia. Em 2009, o reconhecimento oficial como quilombo chegou com a certificação da Fundação Palmares. No ano seguinte, as mulheres fundaram a Associação das Mulheres Artesãs e Quilombolas do Quilombo da Serra das Viúvas (AMAQUI), que hoje reúne cerca de 45 associadas com idades entre 18 e 65 anos. Hoje, a associação celebra 25 anos como principal força mobilizadora da Serra das Viúvas.</p>



<p>Antes da construção da sede, as reuniões e os trabalhos aconteciam na casa de farinha, embaixo dos pés de árvore. Em 2018, conseguiram a doação de materiais para a construção da sede, que era um sonho coletivo. Na sede são realizadas oficinas, reuniões, ensaios, cursos e é também onde funciona a creche municipal da comunidade.</p>



<p>Com o reconhecimento e a titulação como território quilombola, as mulheres da AMAQUI avançaram em outras conquistas para a comunidade e buscaram políticas públicas para fortalecer a prática da agricultura. Com isso, as mulheres alcançaram um grande feito: o quilombo foi contemplado com o Programa Cisternas e atualmente todas as casas possuem a tecnologia de reservatório de água.</p>



<p>“Isso foi uma grande bênção porque antes a gente sofria muito sem água aqui, tínhamos que caminhar bem muito para pegar água e carregar nos potes, que muitas vezes quebravam no caminho”, conta a líder quilombola Marlene de Araújo.</p>



<p>Graças a história de resistência e conquistas, a AMAQUI foi uma das iniciativas escolhidas para integrar o X Encontro Nacional da Articulação Semiárido (EnconASA), que acontece entre os dias 18 e 22 de novembro nos estados de Sergipe e Alagoas. Em visita ao quilombo, parte dos agricultores e lideranças camponesas que participam do evento puderam conhecer as técnicas de artesanato, de agricultura e também a casa de farinha da comunidade da Serra das Viúvas. Os integrantes do grupo também trocaram experiências e saberes sobre a agricultura familiar em uma roda de diálogos.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/x-encontro-nacional-da-asa-promove-debate-sobre-justica-socioambiental-no-semiarido/" class="titulo">X Encontro Nacional da ASA promove debate sobre justiça socioambiental no semiárido</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/semiarido/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Semiárido</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>O EnconASA tem o apoio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), da Prefeitura Municipal de Piranhas, da Cáritas Francesa, e patrocínio da Fundação Banco do Brasil.</p>
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		<title>Cirandas da Borborema: o que prefeitos podem fazer para incentivar jovens a permanecerem no campo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Sep 2024 23:55:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[convivência com o semiárido]]></category>
		<category><![CDATA[Polo da Borborema]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esperança (PB) &#8211; Com olhos e ouvidos atentos, as crianças da Escola Municipal Antônio Adelino dos Santos, na comunidade do Carrasco, zona rural de Esperança, município do agreste paraibano, esperavam com curiosidade para saber o que havia &#8220;do outro lado da janela&#8221;. Este foi o tema escolhido para ser trabalhado com as crianças filhas de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>A Marco Zero voltou ao semiárido nordestino. Desta vez, nossas equipes de repórteres foram à Paraíba e ao Rio Grande Norte conhecer iniciativas postas em práticas por parcerias entre o poder público municipal e organizações sociais que estão melhorando as condições de vida na região. Às vésperas das eleições municipais, essas experiências são exemplos de como prefeituras podem adotar projetos que nascem na esfera não governamental e ampliar tanto seus resultados quanto seu impacto na vida das pessoas.</strong></p>
    </div>



<p><strong>Esperança (PB) </strong>&#8211; Com olhos e ouvidos atentos, as crianças da Escola Municipal Antônio Adelino dos Santos, na comunidade do Carrasco, zona rural de Esperança, município do agreste paraibano, esperavam com curiosidade para saber o que havia &#8220;do outro lado da janela&#8221;. Este foi o tema escolhido para ser trabalhado com as crianças filhas de agricultores e agricultoras no projeto Cirandas da Borborema.</p>



<p>De forma lúdica e afetiva, o projeto inclui um processo de escuta e provoca reflexões sobre o território, a agricultura familiar e a agroecologia em 18 escolas das redes de ensino de 11 dos 13 municípios do Polo da Borborema, uma articulação de 13 sindicatos de trabalhadores rurais da região da serra da Borborema. Ao menos duas mil crianças de 50 comunidades estão integradas à iniciativa. </p>



<p>O Cirandas acontece há 22 anos a partir das parcerias realizadas entre a AS-PTA, organização não governamental que desenvolveu a metodologia, as comunidades, os sindicatos que compõem o Polo e as prefeituras dos municípios. É a principal estratégia em curso na região para fortalecer o pertencimento e aquilo que é chamado de sucessão rural, ou seja, a transferência para as novas gerações da responsabilidade sobre os sítios e pequenas fazendas das famílias.</p>



<p>“Nós precisamos escutar essas crianças, valorizá-las no lugar onde elas moram, as suas identidade, o saber que elas carregam. A agroecologia, esse contexto todo da agricultura familiar, é um grande instrumento de aprendizagem, a todo momento as crianças estão aprendendo”, afirma Maria Denise Pereira, coordenadora do núcleo de infância e educação da AS-PTA.</p>



<p>De maneira geral, as atividades das Cirandas ocorrem nas escolas, mas há casos em que são os salões de reunião das associações comunitárias que recebem as crianças. Quando envolve os adolescentes, que já estão no Ensino Médio em escolas estaduais, a Ciranda pode acontecer até mesmo na casa de algum deles. </p>



<p>De acordo com Maria Denise, o maior ou menor grau de envolvimento das prefeituras ao programa está vinculado ao relacionamento das gestões municipais com o respectivo sindicato rural. No caso de Esperança, a gestão do prefeito Nobson Almeida (PP) incorporou à Ciranda as atividades regulares da rede, dedicando uma semana letiva inteira dedicada ao tema escolhido. </p>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Vovó Amorosa&#8221;</h2>



<p>Cada criança tem uma percepção diferente sobre a comunidade em que vive e se sente confortável em compartilhar com a Vovó Amorosa, principal personagem das Cirandas. Nessa partilha, Maria Cecília Duarte, de 10 anos, chamou a atenção pela consciência socioambiental ao responder o que desejaria ver do outro lado da janela mágica: um mundo sem poluição.</p>



<p>Filha de agricultores, sua mãe é Marizelda Duarte da Silva, uma das principais lideranças na luta que as mulheres da Borborema travam contra os abusos e desmatamento praticado pelas empresas de energia eólica. A menina demonstra ter clareza da importância de valorizar a sua comunidade para viver com dignidade, tema presente na comunidade onde vive. “Eu acho que tem que preservar e saber o que estão preservando, sentindo assim, como é bom você preservar onde você mora. Porque se você preservar onde você mora, você vai descobrir que pode continuar naquele lugar”, ressalta a menina.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-2.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-2.jpg" alt="O ambiente na imagem é uma sala de aula. As paredes estão decoradas com desenhos e obras de arte coloridas, incluindo representações de animais, paisagens e vários designs abstratos. A parte inferior das paredes é azul, enquanto a parte superior é branca, com vários desenhos infantis fixados. Há cadeiras vermelhas visíveis no primeiro plano, sugerindo uma área de assentos para alunos ou participantes. Na sala de aula estão duas pessoas. Uma mulher adulta jovem, parda, de cabelos pretos compridos, usando óculos, blusa preta e relógio dourado no pulso esquerdo. À sua frente, encostada em seu corpo está uma menina branca, de cabelos pretos lisos, usando blusa de uniforme escolar branca com mangas azuis e gola vermelha." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">A professora Luzia vê as Cirandas como fundamentais para a formação da filha Luíza
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A articulação para realizar as Cirandas também procura integrar os pais às atividades para que eles também possam enxergar a potência e os encantos da comunidade. “Eu fico muito encantada e emocionada também, porque eu acho que é algo único. Não são todas as escolas, eu acredito, que têm esse privilégio de ter todo esse acompanhamento, todos esses dias dinâmicos. Isso aqui é uma aula para eles, é uma aula lúdica e eu sou apaixonada pelo lúdico”, afirma Luzia de Cássia, professora e mãe de Luíza, de cinco anos.</p>



<p>“É uma forma de mostrar para minha filha o quão especial é o lugar que a gente mora. Então é uma forma dela ver o quão lindo é. E não só ela, mas nós como os pais aprendemos também, aqui na escola eu acabei aprendendo a importância de não desmatar, da plantação e tudo mais”,reforça. A professora veio de São Paulo acompanhada dos pais para morar no Sítio Carrasco há 10 anos. Casou-se, construiu família, trabalha na comunidade em que mora e não pensa em sair do lugar.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O papel das prefeituras</h2>



<p>Nas primeiras edições das Cirandas, as atividades aconteciam em associações, casas de lideranças comunitárias, embaixo de árvores, onde fosse possível. Mas o entusiasmo das crianças e o envolvimento das professoras e professores fortaleceram as Cirandas a ponto da AS-PTA apostar nas parcerias com os sindicatos e as prefeituras.</p>



<p>Em Esperança, duas das 17 escolas rurais recebem o projeto. Estas instituições já costumam trabalhar a partir do conceito de educação contextualizada à realidade rural, portanto o projeto reforça a dinâmica já existente. De acordo com a equipe da organização não governamental, a parceria ressaltou como as gestões municipais podem ajudar a fortalecer o pertencimento de seus estudantes nos territórios em que vivem, contrariando a lógica enraizada de que eles precisam sair da comunidade para se desenvolverem.</p>



<p>“As escolas rurais, além de trabalhar a valorização do lugar onde as crianças vivem, incorporam outros projetos que ressaltam a riqueza natural do território, valorizando o contexto de vivência das famílias dentro de uma dinâmica, inclusiva e inovadora, com práticas educativas que utilizam material concreto de acordo com a comunidade”, afirma Veridiana da Costa Duarte, coordenadora das escolas do campo do município.</p>



<p>Para que o trabalho seja desenvolvido, ocorre uma série de reflexões a partir do que já está previsto para ser trabalhado pelas instituições municipais. As discussões e o planejamento acontecem primeiro no âmbito do território, afunilando depois para o que será executado em cada município, envolvendo profissionais da educação, representantes das comunidades, dos sindicatos e a própria equipe da AS-PTA.  Desse debate sai a definição das atividades, das abordagens e das temáticas que vão ser trabalhadas no ano, divididas em dois semestres.</p>



<p>“Com as crianças a gente faz toda a questão das experiências, elabora as atividades com eles para que eles possam desenvolver essas atividades e se apropriarem do tema, para que, no dia da Ciranda, eles possam fazer as apresentações”, afirma Jéssica da Silva, professora do ensino fundamental. “Nessa parceria a gente consegue fazer um trabalho que esteja de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que é o documento que rege a educação, mas que também traga as vivências deles para dentro da sala de aula”, reforça.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Amigo da agricultura familiar </span>

		<p>O projeto também possui um sistema de vínculo solidário, em parceria com a organização internacional ActionAid, que acompanha o desenvolvimento das crianças assistidas pelas Cirandas e apresenta o contato com o <strong>Amigo da Agricultura Familiar</strong>, como é chamado o doador, através de cartas e desenhos. São quase mil crianças acompanhadas na parceria, que vai da infância até a juventude. Esta é uma maneira de apresentar a efetividade do projeto, como as crianças estão bem e têm se percebido nesse processo de formação e valorização dos filhos e filhas do campo.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">Infância inspirada, juventude ativa</h3>



<p>Um dos articuladores do núcleo de educação da AS-PTA é Matheus Silva, jovem de 25 anos que foi cirandeiro &#8211; expressão usada para as crianças que participam do projeto &#8211; e hoje é considerado uma jovem liderança da comunidade e do sindicato do município. Matheus é uma das pessoas que visita os adolescentes para compreender como estão suas dinâmicas no território, os ajudando a olhar para a comunidade de uma maneira diferente, focando na perspectiva de viverem por meio da agricultura familiar.</p>



<p>Quando as crianças saem da escola do campo, avançando nos anos escolares, e vão para a cidade, o trabalho passa a ser desenvolvido de forma diferente. Se, quando pequenos, se encantam com as atividades lúdicas, ao chegar na adolescência tendem a olhar para o mundo com outros desejos. Desta forma o acompanhamento passa a ser feito pelo núcleo de Juventudes da organização.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-3.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-3.jpg" alt="A imagem mostra uma sala de aula com várias crianças e alguns adultos. As crianças estão usando uniformes combinando, com camisas brancas e calças ou saias azul-marinho. Elas estão sentadas em cadeiras vermelhas dispostas em fileiras, com as mãos levantadas, como se estivessem respondendo a uma pergunta ou se voluntariando para uma atividade. No primeiro plano, uma criança está de pé com os braços levantados. Um adulto está ajoelhado no chão em frente a essa criança, fazendo um sinal de paz com a mão. Outros adultos estão ao fundo da sala, alguns também com as mãos levantadas. As paredes estão decoradas com pôsteres educativos coloridos e trabalhos artísticos." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Matheus (à esq.) participou do projeto quando criança, agora faz parte da coordenação
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Hoje eu sou considerado um jovem referência para o território através da Ciranda. Começou lá aquele despertar que a equipe tanto fala. Eu ia cirandar na comunidade de Água Seca, um pouco mais acima da minha. Foi lá que surgiu aquele despertar, que eu me vi como agricultor mesmo. Vi que só eu poderia fazer diferente, eu não poderia deixar para o próximo. Eu tinha que mudar, falar e ser a voz ativa”, relembra Matheus.</p>



<p>Mas este despertar não ocorre apenas para as crianças, foi em uma das atividades que Edson Johnny, de 28 anos, atualmente dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais  e Agricultores e Agricultoras Familiares de Esperança, se encantou pelo trabalho de articulação do território. À época, era estudante de Pedagogia e estagiário em uma escola do campo, mas foi só se participar das reuniões de planejamento das Cirandas para encontrar seu espaço na luta pela defesa da agricultura familiar e agroecologia.</p>



<p>“A partir daí, eu passo por todo um processo de formação para entender o que é o movimento, o que é o sindicato, o que é a luta, para que eu possa, junto, atuar nas comunidades e, na condição de jovem, discutir com agricultores, de chegar em uma comunidade e reunir, articular, de mobilizar os agricultores. Tudo isso é motivo de muito orgulho”, enfatiza Johnny.</p>



<p>Hoje, além da atuação sindical, o jovem é estudante de Agronomia, compondo também a comissão executiva do Movimento de Juventudes do Polo da Borborema, além de fazer parte da rede de juventudes da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-4.jpg" alt="A imagem mostra uma cena interna onde uma pessoa, de costas para a câmera, está falando para um grupo de pessoas sentadas. A pessoa está em pé em frente a uma estrutura de madeira que se assemelha a uma porta, pintada de laranja, que emoldura a visão para a audiência. A sala tem paredes brancas decoradas com vários pôsteres e desenhos coloridos. As pessoas sentadas estão voltadas para a pessoa em pé, sugerindo que estão atentas, possivelmente participando de uma palestra ou apresentação." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Dia da apresentação do projeto é marcante na vida das escolas da Borborema
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>A equipe de reportagem visitou os territórios a partir do convite da Rede ATER NE e AS-PTA, que executam o <strong>Projeto Cultivando Futuros: transição agroecológica justa em sistemas alimentares do Semiárido brasileiro.</strong> A iniciativa também é desenvolvida na Alemanha pela agência de cooperação internacional Pão para o Mundo (Brot fur de Welt, nome em alemão). A ação tem financiamento do Ministério Federal da Alimentação e da Agricultura da Alemanha (BMEL, na sigla em alemão).</p>
    </div>
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			</item>
		<item>
		<title>Retomada do programa de cisternas construiu em seis meses o triplo do que foi feito em 2022 </title>
		<link>https://marcozero.org/retomada-do-programa-de-cisternas-construiu-em-seis-meses-o-triplo-do-que-foi-feito-em-2022/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2024 21:35:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[governo Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Programa Um milhão de cisternas]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Programa Cisternas alcançou a marca de 16.365 novos reservatórios entregues nos nove estados do Nordeste e em Minas Gerais, só no primeiro semestre deste ano. O número de reservatórios construídos nesse período pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), em parceria com o Governo Federal, é quase o triplo do total registrado em 2022, último ano [&#8230;]</p>
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<p>O Programa Cisternas alcançou a marca de 16.365 novos reservatórios entregues nos nove estados do Nordeste e em Minas Gerais, só no primeiro semestre deste ano. O número de reservatórios construídos nesse período pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), em parceria com o Governo Federal, é quase o triplo do total registrado em 2022, último ano da gestão Bolsonaro.</p>



<p>Em números absolutos de cisternas construídas, no primeiro semestre deste ano, a Bahia aparece como o estado com mais implementações, com o total de 3.911 reservatórios. Em seguida, estão Ceará, com 3.852 cisternas; Pernambuco, com 2.267 e Minas Gerais, com 1.755.</p>



<p>Rosimeire Silva, moradora do Assentamento Solidão, em Mossoró, no Rio Grande do Norte, é uma das beneficiárias do Programa Cisternas. Produtora de milho, feijão, sorgo, caju, seriguela e pinha, a agricultora pretende ampliar e diversificar o trabalho na propriedade depois da implantação do reservatório de 52 mil litros, que ela mesmo ajudou a construir após capacitação como cisterneira.</p>



<p>“Agora tenho poucas galinhas, mas se Deus quiser, com essa cisterna vou aumentar a produção e aumentar a minha renda”, declarou Rosimeire.</p>



<p>De acordo com o balanço realizado pela ASA, cerca de 80 mil pessoas estão sendo beneficiadas com água potável para beber, cozinhar e produzir alimentos. São agricultores e agricultoras familiares, além de pequenos criadores de animais, que juntos podem armazenar 300 milhões de litros de água da chuva, o equivalente a 600 mil caixas d’água residenciais.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><span style="font-weight: 400;">O Programa Cisternas é uma política pública criada há 20 anos a partir da experiência das organizações sociais da Rede ASA. Essa iniciativa de democratização da água no Semiárido é dividida pelas organizações em duas frentes de atuação: Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e Programa Uma Terra Duas Águas (P1+2).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O P1MC garante a implementação de reservatórios com capacidade para 16 mil litros destinados ao consumo humano (primeira água) das famílias e de 52 mil litros para abastecer unidades de ensino por meio do projeto Cisternas nas Escolas. Já o Programa Uma Terra Duas Águas (P1+2) é responsável pela construção de tecnologias de 52 mil litros para irrigação e criação de animais (segunda água).</span></p>
	</div>



<p>Até o ano que vem, por meio de contrato assinado com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), serão entregues 47.550 cisternas de primeira água e 4.073 de segunda água. O investimento é de quase R$ 300 milhões do Governo Federal e outros R$ 12 milhões de contrapartida dos estados.</p>



<p>Na parceria da ASA com a Fundação Banco do Brasil (FBB), e apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), estão sendo investidos R$ 46,4 milhões na construção de 1.400 reservatórios para a produção de alimentos.</p>



<p>“É fundamental que o governo brasileiro e os governos dos estados viabilizem a continuidade dessa política de estocagem de água, dando as condições que as famílias precisam para que, a partir daí, possam contribuir com a segurança e soberania alimentar e nutricional do país”, afirmou Valmir Soares de Macedo, membro da coordenação executiva da ASA Brasil.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Monitoramento e debates com a sociedade civil</h2>



<p>Entre os dias 17 e 19 de setembro, representantes da ASA e do Governo Federal se reúnem para avaliar o andamento do Programa Uma Terra e Duas Águas. A Oficina de monitoramento será em Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife. </p>



<p>Além de analisar as ações do programa, o evento contará com a mesa de debates “Em defesa do território”, que tratará das ameaças que afetam a região como os megaempreendimentos de energias renováveis. Em um outro momento, participantes e convidados debaterão sobre “Segurança alimentar e produção de alimentos no Semiárido”, destacando as práticas exitosas de cultivo sustentável e as perspectivas para a região.</p>



<p></p>
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		<title>Mudanças climáticas podem diminuir presença de cactos comestíveis na Caatinga, aponta estudo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jul 2024 18:35:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mudança climática]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com o aumento das temperaturas no planeta e a mudança nos padrões de chuvas, duas espécies de cactos nativos da Caatinga podem sofrer perdas significativas nas próximas décadas. A distribuição da Tacinga inamoena, conhecida como quipá, pode ser reduzida em 65%, e da Tacinga palmadora, conhecida como palmatória, em 27%, segundo aponta estudo de pesquisadores [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Com o aumento das temperaturas no planeta e a mudança nos padrões de chuvas, duas espécies de cactos nativos da Caatinga podem sofrer perdas significativas nas próximas décadas. A distribuição da Tacinga inamoena, conhecida como quipá, pode ser reduzida em 65%, e da Tacinga palmadora, conhecida como palmatória, em 27%, segundo aponta estudo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos. Os dados estão em artigo científico publicado na segunda (22) na revista científica “Acta Botanica Brasilica”.</p>



<p>O estudo utilizou dados de registros de presença das duas espécies do gênero Tacinga disponíveis na base do Sistema Global de Informação sobre Biodiversidade, variáveis climáticas da plataforma WorldClim e ferramentas que permitiram modelar a distribuição das espécies. Com as informações, os pesquisadores desenharam dois cenários de distribuição das espécies, um moderado e outro pessimista, centrados nos anos de 2050 e 2070.</p>



<p>As espécies analisadas pelo estudo têm partes comestíveis, que podem ser aproveitadas na alimentação humana e de animais domésticos e silvestres. “Os cactos têm valor cultural, econômico e ecológico para a população residente no semiárido brasileiro”, atenta Arnóbio de Mendonça Cavalcante, pesquisador do Inpe e um dos autores do estudo. A Caatinga é o terceiro maior centro de diversidade de cactos do planeta, segundo o especialista.</p>



<p>Para Cavalcante, a perda de espécies nos cenários climáticos previstos é preocupante. “Todas as espécies de cactos da Caatinga, cerca de 100, serão afetadas — umas mais outras menos. Porém projeta-se predominância de efeitos negativos, com contração das áreas climáticas adequadas, considerando também outros estudos similares publicados”, avalia. No senso comum, o aumento das temperaturas e da aridez parece favorável às espécies de cactos do semiárido brasileiro, mas os pesquisadores mostram que, na verdade, os cactos também podem ser vulneráveis ao calor e a falta de água. “A vida em terras secas é muito sensível”, diz o pesquisador.</p>



<p>As projeções da ciência climática sugerem que a Caatinga pode estar se tornando mais árida, devido às temperaturas mais elevadas e menos chuvas. Esse processo, conhecido como aridização, pode ser observado na tendência de aumento no número de dias secos consecutivos por ano na região. “O aquecimento global está acelerado e não oferece sinais para estabilização”, alerta Cavalcante. Por isso, conforme o estudioso, o trabalho científico pode impulsionar a criação e proteção de áreas de refúgio para espécies de cactos em perigo, bem como para outras espécies vegetais.</p>



<p>Pesquisas similares do grupo com outras espécies de cactos estão em andamento em vários países americanos, como México, Estados Unidos e Argentina, além de outras regiões do Brasil. Das cerca de 1850 espécies de cactos existentes no mundo, 500 foram estudadas sob a ótica das condições climáticas do futuro.</p>



<p>Cavalcante explica que os passos seguintes são aumentar o número de espécies estudadas e aprimorar as projeções futuras da sua distribuição. “Prever o futuro climático e suas consequências biológicas não é tarefa fácil”, afirma. “Ainda assim, é preciso conhecer as ameaças para abrir novas e criativas abordagens que ajudem a propor, com mais confiança, medidas para conservação dessas espécies”, completa.</p>



<p>Fonte:<a href="https://abori.com.br/?utm_medium=publisherLink&amp;utm_source=publisher&amp;utm_campaign=releases&amp;utm_content=https://abori.com.br/ambiente/mudancas-climaticas-podem-diminuir-presenca-de-cactos-comestiveis-na-caatinga-aponta-estudo/">Agência Bori</a></p>
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		<title>&#8220;Gado com asas&#8221;: abelhas aumentam a renda dos sertanejos e ajudam a proteger a caatinga</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jul 2024 18:51:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[apicultura]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:16% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="341" height="341" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/selo-2-1.png" alt="" class="wp-image-63500 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Abelha é sinônimo de ganho maior e proteção do meio ambiente”. O autor dessa definição é um rapaz de 25 anos que passa boa parte do seu tempo convivendo com vizinhos e vizinhas bem mais velhos que ele nas atividades da associação de pequenos produtores, pessoas na casa dos 70 anos que enfrentaram tanto as grandes secas da segunda metade do século passado, quanto a prosperidade trazida pelas cisternas e pelos programas governamentais a partir dos anos 2000.</p>
</div></div>



<p>Na infância, Jair Cardoso de Matos pensava que seu destino seria viver da criação de caprinos, o trabalho mais comum entre os homens de Uauá, um município baiano de pouco menos de 25 mil habitantes, a 425 quilômetros de Salvador. Na convivência com os idosos, não demorou para ele perceber que os bodes e cabras tinham se tornado um “negócio sem futuro” para os sertanejos.</p>



<p>A explicação para a pouca viabilidade econômica da caprinocultura está na própria caprinocultura. Jair sabe explicar melhor: “A caatinga está degradada por causa do sobrepastoreio, são tantos bodes e cabras comendo que eles tem de andar mais para encontrar o que comer, aí demoram a pegar peso. Por isso, os criadores têm de vender os bichos ainda magros, aí vendem barato”.</p>



<p>Essa é um dos motivos que levou o rapaz a criar abelhas. Mas não qualquer abelha.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/abelha-8-Jair.jpg" alt="Foto de Jair Cardoso de Matos. Jovem negro, de fartos cabelos encaracolados. Na foto, ele está sorrindo, com a mão esquerda tocando seus cabelos e usando uma camisa ou blusão azul escuro." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Jair desistiu de criar bodes e optou pelas abelhas sem ferrão
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Ainda estou começando, mas optei pelas abelhas sem ferrão nativas da caatinga, as meloponíferas”.</p>



<p>Essa escolha ajuda a entender o segundo motivo de Jair para abraçar a apicultura: a luta pela preservação da caatinga, bioma que tem 13% de sua extensão ameaçado pela desertificação. Além de contribuir para reduzir o risco de extinção de espécies de abelhas ameaçadas, a presença desses insetos na caatinga multiplica a velocidade de polinização da vegetação.</p>



<p>“Para ganhar dinheiro com a apicultura não é preciso desmatar. Pelo contrário, quanto mais caatinga, melhor. É o contrário da pecuária”, explica Jair Matos, que pretende fazer faculdade de Agroecologia ou Educação no Campo enquanto ganha a vida com as abelhas.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>As abelhas meloponíferas são aquelas que perderam o ferrão ao longo do processo evolutivo. Ao contrário das abelhas com ferrão, as melíferas, que se dividem em apenas oito espécies de um único gênero (Apis), as meloponíferas possuem dezenas de gêneros e pouco mais de 250 espécies somente no Brasil. No semiárido, as mais comuns são a mandaçaia (<em>Melipona mandacaia</em>), a jandaíra (<em>Melipona subnitida</em>), a jataí (<em>Tetragonisca angustula</em>) a moça-branca (<em>Frieseomelitta doederleini</em>) e a mosquito (<em>Plebeia flavocincta</em>).</p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">Mel caro e delicado</h2>



<p>Quando o apiário de Jair estiver produzindo normalmente, o que deve acontecer ainda este ano, cada enxame poderá produzir até dois litros de mel a cada florada. Parece pouco, mas cada litro de mel de jandaíra ou manassaia pode custar de R$ 120 a R$ 200, mesmo quando comprado diretamente ao produtor. No mercado, o preço é bem mais alto, podendo chegar a R$ 600.</p>



<p>A maior parte da produção é escoada com apoio da Coopercuc, a sigla pela qual os agricultores da região chamam a Cooperativa da Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá.</p>



<p>Mais experiente, o técnico agrícola Tamilo de Souza Costa, de 34 anos, vende o mel de mandassaia que produz junto com seu pai, Nestor Rodrigues Costa, de 66, no quintal do sítio da família no Frade, povoado de Curaçá, município vizinho a Uauá. Uma garrafinha de 50 ml custa R$ 10 – nessa região da Bahia, os apicultores costumam usar litro para medir volume do mel e não o quilo, medida mais comum em outras regiões do Nordeste, como se verá mais adiante nesta reportagem.</p>



<p>Integrante da equipe de assistência técnica do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada, o IRPAA, organização não governamental criada em 1990, Tamilo acredita que a valorização se explica tanto pela raridade das abelhas sem ferrão, quanto pela imagem positiva do produto. Além de ser usado como antibiótico e antiinflamatório natural, o mel das meloponíferas ganhou fama como ingrediente da alta gastronomia internacional, principalmente depois que o midiático <a href="http://domrestaurante.com.br/pt-br/sabor.html">chef Alex Atala, proprietário do DOM</a>, um dos restaurantes mais caros do Brasil, passou a divulgar que costuma usar em suas receitas.</p>



<p>As colmeias usadas pelos apicultores para abrigar os enxames das meloponíferas são bem menores das colmeias das abelhas africanizadas. Pouco maiores do que uma caixa de sapato, parecem mais uma casa de bonecas e dão ideia de como as abelhas nativas são mais simples de criar do que suas agressivas primas com ferrão. “Não precisa deixar as caixas longe, no meio da mata. A gente só fez uma coberta no quintal para proteger as colmeias, então, quando precisa ir fazer o manejo elas estão aqui pertinho, não precisa nem colocar os trajes de segurança para tirar o mel”, explica Tamilo. Seu apiário está a menos de 50 metros da casa onde vivem seus pais, Nestor e Tereza.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/abelha-7-mandassaia.jpg" alt="A imagem mostra um close das mãos de uma pessoa trabalhando em uma colmeia de abelhas. A pessoa está vestindo uma camisa amarela e calças jeans, e está usando uma ferramenta para interagir com os quadros da colmeia. Os quadros da colmeia são visíveis, com inúmeras abelhas rastejando sobre eles. Algumas abelhas estão voando próximas à colmeia. O fundo está desfocado, mas sugere um ambiente natural ao ar livre com vegetação." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O manejo das manassaias não requer maiores cuidados nem trajes de proteção
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>De vez em quando, Tamilo e seu Nestor vistoriam caixa por caixa para afugentar as abelhas africanizadas, invasoras que tentam retirar própolis alheio para revestir suas próprias colmeias.</p>



<p>Se criar as abelhas sem ferrão é mais fácil, deixar o mel em condições de comercialização é mais complicado. “Assim que a gente retira da colmeia, o mel da mandassaia é muito ácido. É preciso deixar ele descansando um tempo para apurar e ficar no ponto ideal”, detalha o técnico do IRPAA. Aí é que está mais um detalhe que encarece ainda mais o produto: são necessários seis meses apurando para o mel ficar pronto para o consumo. Seu Nestor explica que o transporte desse tipo de mel também requer atenção, pois, às vezes, se maturação ainda não chegou ao final, há acúmulo de gases nas garrafas, o que pode provocar derramamento.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Venda garantida no oeste baiano</h2>



<p>Anselmo Ferreira de Sousa tem 29 anos, mora na comunidade tradicional de Paixão dos Bois, em Campo Alegre de Lourdes (BA), e é um dos coordenadores do grupo de agricultoras e agricultores que assinaram contrato para fornecer alimentos ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). No seu quintal, planta macaxeira, abóbora, limão e hortaliças, variando o tipo de cultura de acordo com a época. Mas um grande diferencial para aumentar a renda da família é o mel. Ao todo, ele tem trinta colmeias. “Em um ano bom chego a produzir mais de mil quilos de mel”.</p>



<p>Desde que começou a vender para o PNAE, Anselmo viu a lucratividade do seu negócio aumentar bastante. No programa, ele consegue entregar seu produto com um preço justo, compatível com o de mercado. “Esse ano a prefeitura colocou na chamada pública a proposta de compra de dois mil quilos de mel em sachê ao preço de R$ 53,56 o quilo. Só pra vocês terem uma ideia, eu tenho registros aqui de pessoas que venderam parte da sua produção para atravessadores a R$ 8,00, R$ 9,00 o quilo”, explica Francisco José da Silva, conhecido por todos com Franzé, que é assessor técnico do<a href="http://sasop.org.br/">Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP)</a>.</p>



<p>Anselmo e os demais apicultores que entregam mel ao PNAE beneficiam o produto na Cooperativa de Apicultores de Campo Alegre de Lourdes (Coapical). Para colocar no sachê, que é uma exigência da chamada pública, eles pagam atualmente R$ 11 por quilo à cooperativa. Mesmo com o custo do beneficiamento, o agricultor consegue um preço até cinco vezes maior do que o que receberia do atravessador. Ou seja, um excelente negócio.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/abelha-9-anselmo.jpg" alt="Foto de Anselmo Ferreira de Sousa. Ele é um homem negro, de pele clara, cabelos curtos, bigode e cavanhaque ralos, com um chapéu de couro sobre a cabeça e usando uma camiseta branca com estampa simulando uma xilogravura colorida. Ele está sorrinfo e olhando para a câmera, em frente a barracas de feira cobertas por lona verde." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Anselmo viu lucros aumentarem com venda de mel
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Talvez por isso, a apicultura esteja crescendo tanto em Campo Alegre e até atraindo jovens para o negócio. Um exemplo é Manoel José dos Santos Passos. Ele tem 20 anos e desde o ano passado começou a criar abelhas. “Eu comecei faz pouco tempo. Quem tinha a experiência era o pai e meu irmão. Comecei a estudar na escola de Sobradinho (BA), a fazer curso técnico, e fui ganhando experiência. Comecei a produzir mais esse ano”. Manoel tem quatro colmeias e, mais outras nove que mantém em parceria com um tio, vende 31 quilos anualmente para o PNAE.</p>



<p>O irmão do meio de Manuel, Hércules Pereira dos Passos, também cria abelhas. Atualmente ele tem 13 colmeias e produziu cerca de 80 quilos no ano de 2023. A exemplo do irmão caçula, entrega 31 quilos ao PNAE. Somando com as dos pais, a família tem 45 colmeias que produziu mais de 120 quilos em 2023. Juntos, entregarão 93 quilos ao PNAE garantindo uma renda de quase R$ 5 mil. Uma renda que, somada a conseguida com a comercialização dos outros produtos, contribui para que Manoel e Hércules permanecessem em Campo Alegre, não seguindo o caminho do irmão mais velho que deixou a cidade natal para tentar a vida em São Paulo.</p>



<p>Segundo a publicação de 2019 do Projeto Bahia Produtiva, do governo do estado da Bahia, mencionada por Denis Monteiro em sua tese doutorado <em>Gente é pra brilhar:</em> <em>Interpretação do desenvolvimento de comunidades camponesas do Sertão do São Francisco</em>, o estado é o terceiro maior produtor de mel do Brasil e o primeiro do Nordeste. Informou também que Campo Alegre de Lourdes é o município com maior número de apicultores da Bahia (3 mil), com uma produção que chega a 600 toneladas por ano, e que a Coapical tem 408 cooperados e comercializou 54 toneladas de mel na safra 2017/2018. A Coapical, portanto, comercializou neste período cerca de 9% do mel produzido no município.</p>



<p></p>





<h2 class="wp-block-heading">As &#8220;africanizadas&#8221; de Nova Russas</h2>



<p>Em Novas Russas, no Ceará, a centenas de quilômetros do sertão do São Francisco, o papel das abelhas na vida econômica dos agricultores cearenses é bem parecida. Há nove anos, Francisco Neurimar Marques morava no Rio de Janeiro. Assim como tantos moradores de Irapuá, comunidade de Nova Russas, no sertão do Ceará, havia migrado em busca de trabalho. Foram sete anos no Rio de Janeiro, mas já sentia que era hora de voltar. Mas como se manter no sertão? Umas conversas em Irapuá, pouco antes de ele ir para o Rio, ficavam martelando na cabeça dele. “Tinha um apicultor que passava vendendo mel. Ele falava da criação de abelhas e aí o pessoal daqui foi se interessando. Fiquei com vontade de criar abelhas também, mas acabei indo para o Rio”, lembra.</p>



<p>Quando voltou para o sertão, em 2015, decidiu que iria tentar ser apicultor. Hoje tem 102 colmeias de abelhas italianas africanizadas. Cada colmeia produtiva rende uma média de 20 quilos de mel por ano, que é vendido entre R$ 9,50 a R$ 15, o quilo. Ainda que o valor não seja tão bom quanto o que os apicultores que vendem para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) conseguem, Neurimar diz que tem dado certo para ele porque a compra de todo o mel que ele produz é garantida.</p>



<p>A produção dos apicultores de Irapuá é vendida pela Associação dos Produtores na Agricultura Familiar de Irapuá para empresas que exportam o produto. “A empresa que paga mais compra tudo. Vem no galpão da associação e pega o mel, o que facilita bastante pra gente, que não tem nenhum trabalho nem custo com envasamento, transporte, embalagem”, detalha Neurimar. “Conciliando com outros serviços, com outras atividades, a gente vai conseguindo viver no sertão”, completa.</p>



<p>A associação de Irapuá conta com uma pequena fábrica de beneficiamento do mel, que foi doada por meio do Projeto Dom Hélder Câmara, da ong Esplar. Com as máquinas da associação, os apicultores podem tirar rapidamente o mel das colmeias.</p>



<p>“Quando você vai colher o mel, você tira as melgueiras, que são compartimentos de madeira em que o mel fica armazenado”, explica o técnico agrícola e apicultor Francisco Luciélio de Carvalho, que também é o atual presidente da Associação dos Produtores na Agricultura Familiar de Irapuá. “Dizemos que a melgueira está operculada quando os favos estão maduros. As próprias abelhas é que sabem quando estão maduras, que é quando a umidade que tem no mel chega a 18%. Aí quando está fechada, com o mel no ponto certo, a gente traz aqui no galpão e faz a desoperculação, que é a abertura”, explica Luciélio.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Abelhas: o gado com asas #shorts" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/eexz_i6Yi7g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>Ele destaca que a apicultura é uma forma eficaz de fixar os jovens do semiárido no campo. “A cultura aqui era fazer 18 anos e procurar o centro ou ir para o Rio de Janeiro. A produção de mel tem uma importância gigantesca em manter os mais jovens aqui, porque é uma atividade que não é tão pesada como a agricultura. E também é mais lucrativa. Quando o preço está bom você consegue tirar uma boa renda”, afirma Luciélio.</p>



<p>Em Irapuá, as abelhas que os apicultores criam são as africanizadas. Há desvantagens, como o ferrão, o que faz com que se necessite de EPIs para trabalhar com elas, e vantagens, como a alta produtividade do mel dessas abelhas.</p>



<p>Neurimar destaca que a intervenção na natureza é mínima com a apicultura. Em Irapuá, as colmeias ficam dentro das matas da caatinga, longe do barulho das estradas, das pessoas e dos animais. É também por uma questão de segurança: as abelhas africanizadas são mais defensivas do que as abelhas nativas e as abelhas europeias. Com o manejo correto, contudo, podem dar de duas a três vezes mais mel do que outras espécies de abelhas existentes no Brasil.</p>



<p>A associação de Irapuá vende entre 2 mil e 5 mil litros de mel por ano, dependendo das floradas – melhor em anos de chuva, pior em anos de seca. As abelhas usam o néctar das flores nativas da caatinga: tem a florada da maniçoba, do mofumbo, do angico, do marmeleiro e das flores rasteiras. Um dos projetos futuros de Neurimar é de também vender propólis. “Vi que estão fazendo um estudo sobre o própolis da florada da jurema preta, que é uma árvore muito comum aqui na região. Parece que as abelhas tiram um própolis verde muito rico dessa florada, com propriedade medicinal. E isso, claro, vai ter um valor econômico também muito bom para nós apicultores”, diz.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Toda uma sociedade em uma colmeia</span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Tem uma frase que Neurimar ouviu há muito tempo e que gosta de repetir para explicar como funciona uma colmeia de abelhas. “São vários sistemas convivendo. Tem a monarquia, tem o socialismo e tem o capitalismo”, diz. “A monarquia é porque tem a abelha-rainha, que comanda tudo. O socialismo porque quem decide quem é a rainha e até quando ela vai governar são as abelhas operárias. E o capitalismo é porque elas produzem muito mais do que podem consumir”, completa.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Até os três dias de vida, todas as larvas de abelhas recebem um mesmo alimento, a geleia real, que é produzido por uma glândula das abelhas e é bastante rico em nutrientes. Após esse tempo, as abelhas operárias escolhem apenas algumas abelhas para continuar recebendo este alimento. Essas poucas abelhas depois disputam uma batalha mortal, onde apenas uma sobrevive e vira a abelha-rainha da colmeia.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>“A abelha-rainha é a mãe de todas as outras, já que só ela tem os órgãos reprodutores desenvolvidos, justamente por conta da alimentação especial que recebe durante toda a vida”, diz. Uma abelha-rainha pode viver até sete anos, enquanto que as operárias vivem em média 45 dias e os zangões, os machos, por mais ou menos 80 dias. Saber os detalhes do funcionamento de uma colmeia é essencial para o manejo das abelhas e a eficiência da produção do mel. Em Irapuá, os agricultores contam com um grupo de apicultores dentro da Associação, onde se reúnem para trocar experiências e informações sobre as abelhas.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li>L<strong>eia todas as reportagens da série <em>A invenção do Nordeste</em></strong>:</li>
</ul>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-reinvencao-do-nordeste/" class="titulo">A reinvenção do Nordeste</a>
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                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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