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	<title>Arquivos universidades censuradas - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos universidades censuradas - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Irritado com outdoor, Bolsonaro manda PF abrir inquérito contra docentes da UFRPE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kleber Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Mar 2021 18:36:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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<p>Após utilizar a Controladoria Geral da União (CGU) para censurar dois professores universitários da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, o próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi além e pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito contra uma professora, desta vez de Pernambuco. A educadora e atual vice-presidenta da Associação dos Docentes da Universidade Federal Rural de Pernambuco (Aduferpe), Erika Suruagy, está sendo acusada por crime de injúria contra o presidente da República.<br><br>Por meio de ofício enviado à superintendência da PF no estado, Bolsonaro pede o indiciamento da docente com base nos artigos 140 e 141 inciso 1 do Código Penal por causa da instalação de outdoors, no final de 2020, com os dizeres “‘O senhor da morte chefiando o país. No Brasil, mais de 120 mil mortes por COVID-19’. #ForaBolsonaro”. A pena para esse crime varia entre 1 e 4 anos de detenção.<br><br>As peças que fizeram o presidente mobilizar a PF foram parte de uma campanha que reuniu diversas entidades sindicais e associações, em setembro do ano passado. As instituições foram responsáveis por divulgar as mensagens em 72 outdoors nas principais avenidas de todas as regiões do estado. <br><br>Erika, por ser presidente da Aduferpe na época, foi intimada a prestar depoimento à PF no último dia 26 de fevereiro. A professora foi ouvida pela delegada Aline Carvalho Miranda que está finalizando o inquérito que corre sob sigilo. Docente do ensino superior desde 2004, a educadora afirma nunca ter passado por situação parecida “como essa de tentativa de silenciamento”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Érika Bandeira, professora da UFRPE, foi intimada pela Polícia Federal (Crédito: Arquivo Pessoal)</p>
	                
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<p>“O presidente da República está utilizando a PF, que tem tanta coisa para investigar, para criminalizar uma campanha de liberdade de expressão e opinião que nos é garantida pela Constituição Federal. Estou perplexa diante desse absurdo de usar as instituições para calar e atentar contra a democracia”, disse Erika.<br><br>A expectativa é de que nos próximos dias o inquérito seja concluído e remetido ao Ministério Público Federal (MPF), responsável por oferecer a denúncia à Justiça ou pedir o arquivamento da ação. Por meio da assessoria de comunicação, a PF informou que não comenta inquéritos em andamento.<br><br>Para Erika, a tentativa de Bolsonaro de tolher a liberdade de expressão e de opinião não só da Aduferpe, mas da sociedade em geral, não surtirá efeito. “Chega de censura. Nós precisamos mais do que nunca falar alto para que a sociedade acorde e possamos restabelecer o estado democrático de direito. Quem tem que retroceder e dar um passo atrás é o Governo Federal, nós vamos continuar firmes denunciando os arbítrios”, declarou.<br><br>A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) emitiu nota em solidariedade a Erika e a Aduferpe. “Reafirma-se o direito legítimo a manifestações públicas, sejam de origem do movimento sindical ou de qualquer outra, ressaltando-se o caráter inconstitucional e inadmissível da censura”, diz um trecho do manifesto.</p>



<p></p>



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		<title>Ato número 1: censurar as universidades</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Oct 2018 21:24:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>CENSURADO é o letreiro de uma faixa estendida na Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro. Às vésperas do segundo turno das eleições que trouxerem ao debate público a ameaça do autoritarismo e da censura, ambos representados pelo candidato Jair Bolsonaro (PSL), a Justiça Eleitoral cumpriu o papel de anunciar como [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>CENSURADO é o letreiro de uma faixa estendida na Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro. Às vésperas do segundo turno das eleições que trouxerem ao debate público a ameaça do autoritarismo e da censura, ambos representados pelo candidato Jair Bolsonaro (PSL), a Justiça Eleitoral cumpriu o papel de anunciar como pode ser o governo do capitão reformado, caso alcance a vitória nas urnas.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/direito-uff-antifascista.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft size-medium wp-image-11532" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/direito-uff-antifascista-300x225.jpg" alt="direito uff antifascista" width="300" height="225"></a>Na última terça-feira (23), a UFF foi notificada para retirada da faixa, no mesmo local, em que se lia &#8220;Direito UFF Antifacista&#8221;. A instituição não foi a única. Casos como esse aconteceram em outras universidades pelo país e acenderam um alerta na comunidade estudantil e de professores. Até o momento, mais de 30 centros universitários sofreram algum tipo de ação judicial ou política com recolhimento de materiais, proibição de eventos acadêmicos ou dentro dos campi.</p>
<p>A investida nos últimos dias em diversas universidades no país levantou a desconfiança de que as ações dos TREs foram enviesadas para favorecer a candidatura de Jair Bolsonaro e silenciar seus opositores.</p>
<p>&#8220;Não sabemos até o momento se essa simultaneidade e abrangência se deve a uma ação coordenada de denúncias ou a uma ação planejada das forças policiais. Alguns dos alvos foram atividades ou materiais que poderiam ser caracterizadas como propaganda irregular, mas houve muitos relatos de abusos, incluindo análises de filmes, cursos de história e documentos em defesa da democracia&#8221;, relatou Pablo Ortellado, professor da USP, que está reunindo denúncias pelas redes sociais.</p>
<p>Em nota, a Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro defendeu que manifestações em favor da democracia ou contra o fascismo não configuram propaganda eleitoral e fez recomendação às universidades para que assegurem a liberdade de expressão no mundo acadêmico. No texto, a defensoria reforça a autonomia das universidades para a realização de debates &#8220;sem qualquer cerceamento no exercício do livre direito à expressão, independentemente de posição político-ideológica, ainda que haja debates sobre o quadro eleitoral vigente, o que não se constitui propaganda político-eleitoral&#8221;.</p>
<p>No Twitter, o professor adjunto da Universidade Federal do Rio de Janeiro João Felippe Cury disse que existe uma &#8220;caça às bruxas&#8221; do TRE. &#8220;Não há isonomia. Há caça às bruxas. O TRE não fez força tarefa nas Igrejas que claramente apoiavam o Bolsonaro cometendo crimes eleitorais aos montões. O elo visível foi o espetáculo nas universidades. O que eles ignoram é a força da resistência. O caminho é resistir e testemunhar.&#8221;</p>
<p><strong><a href="http://marcozero.org/professor-abordado-por-policiais-em-universidade-do-para-diz-que-e-preciso-reagir/"><span style="color: #0000ff;">Professor abordado por policiais em universidade do Pará diz que é preciso reagir</span></a></strong></p>
<p>A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal, também <a href="http://pfdc.pgr.mpf.mp.br/atuacao-e-conteudos-de-apoio/temas-de-atuacao/direitos-humanos/atuacao-do-mpf/nota-publica-sobre-direitos-constitucionais-assegurados-a-comunidade-discente-e-docente-de-universidades-brasileiras">publicou uma not</a>a nesta sexta-feira (26) sobre o caso e chamou atenção para a diferença entre proibir propaganda eleitoral e censurar o debate de ideias em espaços públicos.</p>
<blockquote><p>&#8220;Conceber que o repúdio ao fascismo possa representar o apoio a uma determinada candidatura seria admitir que a Constituição brasileira endossaria tal forma de regime, o que é inaceitável. Em realidade, poderia se criticar uma manifestação anti-fascismo por platitude num cenário de normalidade democrática, mas em hipótese alguma de propaganda a uma candidatura. Uma interpretação em favor da proibição de manifestações dessa natureza é uma ladeira escorregadia e, em breve, se poderia alegar que qualquer símbolo ou manifestação solidária ou trivial está associado a candidaturas. Até mesmo a simples presença de crucifixos em ambientes públicos poderia ser considerada um posicionamento contra, por exemplo, candidatos judeus ou ateus&#8221;, critica o documento do MPF.</p></blockquote>
<p>Sem arrodeios, o documento considera que a Justiça Eleitoral passou dos limites ao interpretar manifestações como “Marielle Franco presente” e “Ditadura nunca mais” como posicionamentos político partidários. &#8220;A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) entende que são potencialmente incompatíveis com o regime constitucional democrático iniciativas voltadas a impedir a comunidade discente e docente de universidades brasileiras de manifestar livremente seu entendimento sobre questões da vida pública no país – tais como as que ocorreram nos últimos dias 23 a 25 de outubro, em mais de uma dezena de universidades brasileiras&#8221;, argumentou.</p>
<h2><b>Como deveria agir a Justiça Eleitoral</b></h2>
<p>Em meio às denúncias nas universidades, a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) publicou uma nota de esclarecimento sobre notificação que recebeu da Justiça sobre atividades realizadas no campus. Ao contrário do que houve em outros locais, a Unicap foi notificada de modo padrão, com base § 2º do art. 37 da Lei nº 9.504/97, que demanda que a instituição “fiscalize e não permita a veiculação/divulgação de toda e qualquer forma de propaganda eleitoral”.</p>
<p>Manoel Moraes, professor e titular da Cátedra Dom Helder Camara de Direitos Humanos UNESCO/UNICAP, explicou que a natureza do que aconteceu com a Unicap é diferente das ações em outros estados e universidades. Segundo ele, a ação está dentro da normalidade da Justiça Eleitoral. &nbsp;&#8220;Essas medidas são resultado de um programa chamado Pardal em que a pessoa notifica dizendo que está tendo campanha em algum lugar. A partir disso, o juiz despacha notificações. O que foge à razoabilidade é quando operações sistêmicas nas universidades federais&#8221;, explicou.</p>
<p>O posicionamento explica que foram realizados dois eventos não partidários, mas de natureza distinta, o que cumpriria um equilíbrio nas atividades dentro do campus. As atividades aconteceram em dias diferentes. &#8220;Se o debate aconteceu como a Universidade afirmou isso está totalmente dentro da legislação. Se abriu espaço para pessoas que defendem uma chapa falarem e depois para outras. Você tem uma troca de ideias no ambiente acadêmico e tem aí uma manifestação de liberdade de expressão das pessoas&#8221;, explica a advogada eleitoralista Luísa Leite, especialista em direito eleitoral pelo ESA/TRE-PE.</p>
<p>&#8220;Eu acredito que a pessoa que fez a denúncia só viu um dia de debate. Como as eleições estão polarizadas acho que a universidade agiu bem em dar espaço a uma e depois a outra&#8221;, ponderou a advogada.</p>
<p>Para evitar a circulação de boatos, a Unicap afirmou em nota que &#8220;a referida Notificação foi deflagrada por denúncia realizada, a partir de debates realizados por iniciativa de estudantes e professores da Unicap, no dia 16.10.2018, no hall do Bloco G, supostamente em prol de uma das candidaturas à Presidência da República. Cumpre assinalar que, no dia 18.10.2018, militantes da outra candidatura se dirigiram ao mesmo local, também para a realização de debates, em apoio à candidatura que defendem&#8221;. Para evitar questionamentos como esse, a instituição também afirmou que evitou, nestas eleições, pedidos para outros eventos de candidaturas estaduais e nacional.</p>
<p>&#8220;O caso aqui foi um pouco diferente dos casos que ocorreram em outras universidades. Lá o que estava se fazendo era manifestações genéricas em prol da democracia, contra o fascismo. Isso é um ponto de diferença do que houve na Unicap&#8221;, alertou a advogada.</p>
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