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	<title>Arquivos voluntariado - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos voluntariado - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Cota para pessoas negras e LGBTs trabalharem de graça constrange organização do REC&#8217;n&#8217;Play</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Oct 2023 20:28:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[festival REC&#039;n&#039;Play]]></category>
		<category><![CDATA[Porto Digital]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na linguagem do mundo da comunicação institucional ou empresarial, o Festival REC’n’Play seria a típica “pauta positiva”, aquela que garante likes nas redes sociais, comentários elogiosos e, por fim, fortalece a imagem das instituições e empresas responsáveis pelo evento. A não ser que alguém decida criar uma cota de vagas de voluntariado destinada a “pessoas [&#8230;]</p>
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<p>Na linguagem do mundo da comunicação institucional ou empresarial, o Festival REC’n’Play seria a típica “pauta positiva”, aquela que garante <em>likes</em> nas redes sociais, comentários elogiosos e, por fim, fortalece a imagem das instituições e empresas responsáveis pelo evento. A não ser que alguém decida criar uma cota de vagas de voluntariado destinada a “pessoas pretas, periféricas, com deficiência e LGBTs” que, assim, teriam o questionável privilégio de trabalhar de graça para garantir a realização de um festival que conta com recursos financeiros de 20 patrocinadores.</p>



<p>Foi exatamente isso que aconteceu na 5ª edição do REC’n’Play.</p>



<p>A divulgação de garantia de vagas de trabalho sem remuneração transformou o festival em alvo de uma avalanche de críticas, similar a uma campanha de cancelamento nas redes sociais. O volume de comentários negativos levou o Porto Digital e a agência de publicidade Ampla Comunicação, organizadores do evento, a publicar uma postagem, no dia 3 de outubro, com uma justificativa que incluiu até o insosso e inodoro clichê “desculpa a quem possa ter se sentido ofendido&#8221;.</p>



<p>De acordo com a nota dos organizadores, “o REC’n’Play é sobre as pessoas. Por isso, estamos aqui para reconhecer que erramos no nosso último post sobre as vagas de voluntariado (&#8230;) Pedimos desculpas a quem possa ter se sentido ofendido com a nossa abordagem. O festival vem crescendo ano a ano e a ação dos voluntários vem se tornando bastante concorrida. Em 2022, foram mais de 1.000 inscrições para 120 vagas. Por esse motivo, o intuito dessa fase 2 foi de garantir a inclusão e a diversidade na ação”.</p>





<p>Se o time das redes sociais do festival esperava sossego, não teve. Os comentários da postagem contam com elogios ao programa de voluntariado, mas as críticas ásperas e os questionamentos prosseguiram.</p>



<p>“Vocês podem ser inclusivos e diversos remunerando os profissionais que já estão na margem da sociedade e que valoriza o projeto Rec&#8217;n Play. Nada mais justo que valorizar com remuneração além da experiência. Reconhecer o erro é louvável, porém ele seria facilmente evitado se a diversidade estivesse presente no desenvolvimento intelectual do projeto”, argumentou a gestora cultural e pesquisadora Vanessa Marinho (<a href="https://instagram.com/vann.marinho?igshid=MzRlODBiNWFlZA==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@vann.marinho</a>).</p>



<p>O comentário crítico de Vanessa recebeu 101 curtidas, mas também uma resposta agradável aos ouvidos dos organizadores: “Pessoas diversas trabalharam na equipe. Inclusive eu, mulher preta, mãe, periférica da cidade de Igarassu. Para além da experiência eu recebi uma grana que pagou as horas que trabalhei. Entendo a insatisfação de vocês mas é interessante conhecer o histórico do evento e a forma como eles estão contratando. Se tudo der certo eu vou trabalhar esse ano”, afirmou a dançarina Janaína Santos <a href="https://instagram.com/janainasantospe?igshid=MzRlODBiNWFlZA==">(@janainasantospe</a>).<br><br>A quem &#8220;não viu nada demais&#8221; na cota para o voluntariado, Gleybson de Souza (<a href="https://instagram.com/gleybsondsouza?igshid=MzRlODBiNWFlZA==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@gleybsondsouza</a>) foi duro: &#8220;Vou te explicar o porque de preto trabalhar &#8216;de graça&#8217; ser tão ofensivo não. Se tu não entendeu até hoje, não vai ser eu que vou fazer tu entender&#8221;. De Garanhuns, o músico Breno Ferreira (<a href="https://instagram.com/bferreira_percussao?igshid=MzRlODBiNWFlZA==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@bferreira_percussao</a>) traduziu assim sua crítica: &#8220;Voluntário pra um festival com recurso financeiro é sacanagem. Bora se valorizar, galera. Trabalhar de graça não é experiência&#8221;.<br><br>A designer Daniela Marreira (<a href="https://instagram.com/danielamarreira?igshid=MzRlODBiNWFlZA==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@danielamarreira</a>) ponderou, elogiando a importância e a atitude da organização do festival de &#8220;refletir e tentar, em algum nível, minimizar o erro apontado&#8221;, mas questiona se &#8220;abrir espaço apenas para &#8216;cargos de entrada&#8217; é, de fato, proporcionar a inclusão de pessoas negras e LGBTQIAP+?&#8221;. Antes, ela sugeriu que o problema seria mais estrutural, pois a curadoria do evento, &#8220;realizada por homens e pessoas brancas&#8221;. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Ajuda de custo e jornada de seis horas</h2>



<p>Na mesma nota em que pediram desculpas, os organizadores do REC&#8217;n&#8217;Play anunciaram que o festival &#8220;vai oferecer contrapartidas de capacitação aos voluntários participantes, além de um auxílio de custo&#8221;. Originalmente, as informações disponibilizadas aos interessados e interessadas mencionavam apenas o fornecimento de um kit lanche e duas camisas do evento. No entanto, o trabalho voluntário é uma prática legal, regulada pela <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9608compilado.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">lei 9.608/98</a>, que o define como atividade não remunerada, sem vínculo empregatício, mediante termo de adesão, em que o prestador do serviço voluntário poderá ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar.</p>



<p>O advogado trabalhista popular Thiago Medeiros, que usa o perfil de X/Twitter <a href="http://@thiagopmedeiros" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Dr. Marinho Mendes</a>, analisou o formulário de inscrição oferecido pelo festival, que saiu do ar após o final do prazo de inscrição, e constatou que &#8220;o trabalhador encara um turno de seis horas, durante o dia ou à noite, em que não é descrito se há pausa para intervalo&#8221;. Os turnos possíveis iam das 9h às 15 e das 14h às 20h. Para ele, &#8220;as funções também incluem serviços de &#8216;Recepção&#8217;, &#8216;Comunicação&#8217;, &#8216;Produção&#8217;, &#8216;Intérprete de Libras&#8217;, atividades profissionais que poderiam muito bem ser destinadas a contratações formais de trabalhadores com remuneração de cunho temporário, específico para o evento&#8221;.</p>



<p>Ele questiona &#8220;o quanto as empresas de tecnologia com alto discurso de empreendedorismo e sustentabilidade camuflam suas atividades por meio da utilização de mão-de-obra com baixo custo de trabalhadores jovens e desesperados pela inserção no mercado?&#8221;, lembrando que o balanço do Porto Digital em 2022, anunciado em março deste ano, apresentou um <a href="https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/economia/2023/03/porto-digital-fatura-r-4-75-bilhoes-em-2022-crescimento-e-de-29.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">faturamento de R$ 4,75 bilhões</a> &#8211; que, na verdade, é o faturamento de todas as empresas instaladas no parque tecnológico, conforme explicou a instituição em resposta aos questionamentos da MZ.</p>



<h3 class="wp-block-heading">5 perguntas para a organização do festival</h3>



<p>Por meio da assessoria de imprensa do festival, a MZ enviou cinco perguntas para as equipe da organização do evento (Porto Digital e Ampla Comunicação). Todas elas foram respondidas em tempo hábil para a publicação: <br><br><strong>1) O Porto Digital e a organização do Rec&#8217;n&#8217;Play justificam a criação de cotas de vagas para assegurar a diversidade. Houve cota de vagas similar para trabalhos remunerados?</strong></p>



<p>As vagas remuneradas diretamente pelo evento foram preenchidas por ordem prioritária para todos os moradores da Comunidade do Pilar que quiseram trabalhar no evento e posteriormente com os que trabalharam em anos anteriores. Também é importante lembrar das vagas que são geradas, administradas e remuneradas diretamente pelos parceiros e apoiadores do Festival.</p>



<p><strong>2) Fornecedores e prestadores de serviço do festival foram orientados a contratar negros, LGBTs etc para atuar no Festival?</strong></p>



<p>A inclusão é uma das grandes premissas do Rec&#8217;n&#8217;Play. Faz parte da pauta afirmativa do evento. E essa visão é compartilhada e valorizada junto a todas às pessoas e parceiros que colaboram com a sua realização</p>



<p><strong>3) Qual o orçamento do festival? Ou seja, quanto custa o Rec&#8217;n&#8217;Play?</strong></p>



<p>Hoje, Rec&#8217;n&#8217;Play recebe de patrocínio de menos de R$ 2 milhões para organizar um festival deste tamanho, com dezenas de locais e mais de 500 atividades, todas gratuitas.</p>



<p><strong>4) Qual o faturamento do Porto Digital em 2022? </strong></p>



<p>Do Núcleo de Gestão do Porto Digital, algo em torno de R$ 40 milhões. O que é divulgado neste caso é o faturamento de todas as empresas do ecossistema, onde cada uma é responsável pela sua gestão.</p>



<p><strong>5) A escolha das palavras é fundamental. Pergunto por que usar na nota publicada no perfil oficial a surrada frase &#8220;Desculpa a quem possa ter se ofendido&#8221;, presente na quase totalidade dos pedidos de desculpas feitos por ocasião de ofensas racistas, misóginas e fascistas no passado recente?</strong></p>



<p>Como já citado anteriormente, o festival defende ações afirmativas para pautas que entendemos fundamentais, como ciência, tecnologia, diversidade, inclusão e a educação como mola propulsora de mudança e transformação. E nesse processo de educação, também nos colocamos no lugar de quem precisa aprender e evoluir, reconhecendo que ainda estamos sendo letrados sobre questões não só relacionadas ao futuro, mas à história. Então, tão importante quanto o pedido de desculpas que precisa ser feito, a nota tenta afirmar esses nossos compromissos e nos levar a uma lugar melhor como sociedade.</p>



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		<title>Voluntários vão ao agreste pernambucano construir cisternas</title>
		<link>https://marcozero.org/voluntarios-vao-ao-semiarido-construir-cisternas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Aug 2022 20:04:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Publicado em parceria com Coletivo Acauã A organização não governamental Habitat para a Humanidade Brasil acaba de construir quatro cisternas para o armazenamento de água de quatro famílias do povoado do Chicão de Cima, zona rural do município de Riacho das Almas, no Agreste pernambucano. Até aí, nenhuma novidade, afinal há décadas a cisterna é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Publicado em parceria com <a href="https://medium.com/@coletivoacaua/volunt%C3%A1rios-v%C3%A3o-at%C3%A9-riacho-das-almas-no-agreste-pernambucano-construir-cisternas-para-fam%C3%ADlias-da-ca6efbf73413" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coletivo Acauã</a></strong></p>



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<p>A organização não governamental <a href="https://habitatbrasil.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Habitat para a Humanidade Brasil</a> acaba de construir quatro cisternas para o armazenamento de água de quatro famílias do povoado do Chicão de Cima, zona rural do município de Riacho das Almas, no Agreste pernambucano. Até aí, nenhuma novidade, afinal há décadas a cisterna é a tecnologia de água de chuvas mais utilizada pelas ONGs que atuam no semiárido.</p>



<p>A novidade, neste caso, é que as cisternas foram construídas por voluntários que vieram de São Paulo, Brasília, Recife e da Alemanha.<br><br>As ações da Habitat Brasil são realizadas principalmente com o apoio de empresas parceiras, que arcam com todos os custos das obras e também encaminham os seus funcionários para o voluntariado. Os trabalhos no povoado de Chicão de Cima foram financiados pela <a href="https://wilo.com/br/pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">empresa alemã Wilo</a>, que atua no mercado de fabricação de bombas e sistemas de bombas para o abastecimento de água há mais de 150 anos e está no Brasil desde 2011.&nbsp;</p>



<p>Os funcionários da empresa que aceitaram o convite para fazer parte do grupo de voluntários da construção das cisternas em Chicão de Cima vieram de cidades do estado de São Paulo, de Brasília, do Recife e também da Alemanha. Toda a equipe ficou hospedada em um hotel na cidade de Caruaru, a cerca de 25 quilômetros de Riacho das Almas.</p>



<p>No povoado Chicão de Cima, as quatro cisternas construídas entre a&nbsp; segunda, 8 de agosto, e a sexta-feira, 12, irão beneficiar as famílias das agricultoras Ednalda Palmeira, Lucenilda Maria de Lima, Edjane Maria da Silva e Cícera Maria, que ainda não têm acesso a água encanada. Elas dependem de uma cisterna comunitária, abastecida três vezes por mês pelo caminhão-pipa do Exército, que cede, por dia, um balde de até 20 litros de água para cada pessoa das famílias que precisam utilizar o&nbsp; reservatório.&nbsp;</p>



<p>Edjane Maria tem 29 anos e mora em Chicão de Cima com o marido e&nbsp; três filhos. A agricultora conta que vive no povoado desde que nasceu e nunca teve água encanada em casa. Para tomar banho, cozinhar,&nbsp; lavar roupa e realizar outras atividades domésticas, a família de Edjane utiliza a água da cisterna abastecida pelo Exército ou busca a água de um barreiro localizado a quase um quilômetro de casa, que é tratada com hipoclorito de sódio distribuído por agentes de saúde do município de Riacho das Almas. “A gente sofre muito no verão. No inverno, o Exército ainda traz água pra gente. Conseguimos um balde de água por pessoa pra fazer tudo em casa. Aqui, somos cinco, temos direito a cinco baldes, mas pegamos só quatro, que o outro já fica pra outra pessoa que pode precisar de&nbsp; mais água. Mas, com a cisterna, agora, vai facilitar. É uma benção de Jesus, porque andar pra ir buscar água no barreiro com uma carroça de mão é muito sofrimento”.&nbsp;</p>



<p>Perto da casa de Edjane, moram a dona de casa Cícera Maria, 33, e o seu filho, Gustavo, de 11 anos. Cícera também precisa da água da cisterna coletiva do povoado. Todos os dias, ela consegue retirar do reservatório dois baldes de água, que utiliza exclusivamente para cozinhar e beber. Para lavar roupa, louça e tomar banho, por exemplo, utiliza a água de um barreiro que fica bem perto da sua casa. Para tratar essa água, a dona de casa também usa o hipoclorito.&nbsp;</p>



<p>Desempregada, Cícera sustenta a casa e o filho apenas com o valor que recebe do Auxílio Brasil. O pai de Gustavo, não contribui com a constância que deveria para ajudar com os custos da criação do menino.&nbsp; A construção da cisterna traz para mãe e filho um alívio pelo menos na questão que diz respeito aos problemas com a falta de água. “Estou feliz com a cisterna. Vou ficar mais feliz ainda quando ela estiver cheinha. Aqui é um sufoco por água. A do Exército eu deixo só pra beber e cozinhar. Pro resto, eu tenho que descer até o barreiro e trazer os baldes numa carroça de mão. Com a cisterna aqui do lado, vai ser um alívio”.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">Voluntários iniciam construção de cisterna em Riacho das Almas. Crédito: Géssica Amorim/Coletivo Acauã</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>A engenheira responsável, Luciana Macário Simões, de 50 anos e 25 de carreira, trabalha na Habitat Brasil como coordenadora construtiva há pouco mais de dois anos. O trabalho com a organização tem feito Luciana enxergar a sua profissão de modo diferente, mais humano.&nbsp; “No meu entendimento, trabalhar na Habitat é um presente. Com 20, 30 anos de carreira, você acha que já viveu tudo na profissão e, trabalhar construindo essas cisternas, ou fazendo outros reparos nas casas de pessoas que precisam da nossa ajuda,&nbsp; me faz pensar que estou começando hoje na engenharia. Me dá a mesma força, o mesmo gás de aprender e fazer tudo dar certo. Me torno uma engenheira social. Não é o concreto pelo concreto. É o concreto pela família, pela ação, por pessoas que ainda não conseguem pagar por esse serviço”.</p>



<p>Ao lado de Luciana, trabalha a coordenadora de voluntariado e mobilização de recursos Rebecca Portela de Melo, que é socióloga e integra a equipe da Habitat Brasil desde 2017. O trabalho na organização também mudou a forma como ela enxerga o próprio trabalho e como se relaciona com os conhecimentos acadêmicos que adquire enquanto doutoranda na área em que se graduou.&nbsp;“Eu tenho muito acesso aos dados e à literatura, sendo socióloga, e, estar aqui, trabalhando nesse projeto, é colocar rosto, nome, em todos aqueles números, aqueles dados frios com que eu tenho contato. É me deixar sensibilizar ainda mais pela vivência, a partir da observação, estando diante dessa realidade. O desenvolvimento social, a diminuição da desigualdade que eu busco na vida acadêmica, eu encontro aqui e coloco, mesmo, nomes, rostos, idades e endereços a partir dessa vivência que a Habitat me proporciona”.&nbsp;</p>



<p>Para construir uma cisterna, os custos variam de acordo com o tamanho e os materiais escolhidos. Os reservatórios construídos em Chicão de Cima têm capacidade para armazenar até 16 mil litros de água e são feitos de placas de cimento. Segundo a Habitat Brasil, na construção de cada uma, contando com a logística, mão de obra dos pedreiros que lideraram as equipes de voluntários e a compra dos materiais, foram gastos pelo menos R$ 6 mil&nbsp;</p>



<p>Ao todo, sete pessoas integraram o grupo de voluntários, que foi dividido em equipes que trabalharam simultaneamente, desenvolvendo cada etapa da construção das cisternas nas casas das famílias beneficiadas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Durante a semana, os trabalhos foram realizados da seguinte maneira: na segunda pela manhã, os voluntários chegaram a Chicão de Cima e foram apresentados aos moradores e aos pedreiros com quem iriam trabalhar e de quem iriam receber as orientações. Iniciaram, então, a produção de 63 placas de cimento para o levantamento da cisterna e de outros 21 conjuntos de placas para a cobertura do reservatório. O trabalho durou até o final da tarde, quando as placas foram postas para secar. Na terça, as obras seguiram com o início da montagem das placas e a construção da calha para o telhado. Na quarta-feira, os pedreiros e voluntários seguiram com a montagem e amarração das placas de cimento. Os reservatórios começaram a tomar forma. O reboco das paredes e as bases das cisternas foram feitos na quinta, pela manhã. À tarde, as laterais foram aterradas com a areia do local que foi escavado para abrigar cada reservatório. Na sexta-feira, foram feitas a impermeabilização e a instalação dos canos e da bomba manual. As cisternas estão prontas.</p>



<p>Ainda na sexta, foi realizada a cerimônia de entrega às famílias de Edjane, Cícera, Ednalda e Lucenilda. Os pedreiros contratados pela Habitat Brasil para orientar os trabalhos dos voluntários são trabalhadores locais. Todo o material usado na obra, desde equipamentos de segurança, passando por produtos alimentícios, a equipamentos de segurança, também foi comprado de comerciantes do município de Riacho das Almas.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&nbsp;<strong><em>Uma questão importante!</em></strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa&nbsp;<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a>&nbsp;</strong>ou, se preferir, usar nosso&nbsp;<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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