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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Por que judias e judeus precisam votar em Lula</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 14:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunidade judaica]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[judeus do recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Clara Goldman Ribemboim* Neste momento tão importante para o futuro do país o Movimento Judias e Judeus pela Democracia Brasil têm se comprometido e trabalhado dentro e fora das comunidades judaicas com a eleição da chapa Lula Alckmin. O compromisso com a democracia não é de agora. Há mais de oito anos temos avançado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Clara Goldman Ribemboim*</strong></p>



<p>Neste momento tão importante para o futuro do país o Movimento Judias e Judeus pela Democracia Brasil têm se comprometido e trabalhado dentro e fora das comunidades judaicas com a eleição da chapa Lula Alckmin. O compromisso com a democracia não é de agora. Há mais de oito anos temos avançado na defesa das liberdades democráticas, da diversidade em todas as suas formas, dos direitos humanos, da justiça social, de um judaísmo progressista e ativo. </p>



<p>Defendemos a soberania e a liberdade dos povos e somos contra todas as formas de opressão. Temos compromisso com as lutas sociais e contra todas as formas de racismo e violência que crescem no mundo pelo descaso com a vida principalmente pelo avanço da extrema direita que hoje constitui uma ameaça para o Brasil e para o mundo, interessada na apropriação de nossas riquezas e na negação de nossa soberania. </p>



<p>Tudo isto representa uma ameaça real à vida da sociedade brasileira e em particular as populações invisibilizadas nos seus direitos de acesso à cidadania plena. </p>



<p>Nós brasileiros temos um papel fundamental contra o crescimento da extrema direita no mundo, sendo o presidente Lula o estadista capaz de lidar com esta ameaça porque foi capaz de se debruçar sobre a fome e fazendo mudanças acontecerem em nosso país com o acesso à educação, saúde, moradia e plena cidadania.</p>



<p>Colocar o pobre no orçamento público não foi retórica, foi realidade expressa em todos os indicadores sociais, econômicos e de crescimento.</p>



<p>A palavra Tzedaká em hebraico nos envia para a compreensão da justiça social como fundamental no judaísmo, e baseado no que aprendemos na vida e nos fundamentos do judaísmo que abraçamos em todo o país a campanha pela reeleição de Lula e Alckmin.</p>



<p>Esta será mais uma vitória da democracia contra a barbárie e que não mais viveremos o desmonte de todas as políticas públicas e de participação social comandadas pelo arbítrio da ditadura e pelo governo Bolsonaro. Somos Lula e Alckmin! Com democracia e justiça social.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Clara Goldman Ribemboim</strong> é psicóloga e integrante do movimento Judeus e Judias pela Democracia BR</p>
    </div>
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		<title>Pesquisadores e cientistas da religião publicam carta aberta em defesa da democracia e do Estado laico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 17:11:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência da Religião]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[teologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nós, pesquisadores, cientistas da religião, mestrandos e doutorandos, acompanhamos com preocupação o momento político vivido pelo Brasil e, especialmente, a maneira como discursos religiosos vêm sendo usados no debate eleitoral. Estudamos a religião em suas diferentes formas, tradições e relações com a sociedade e reconhecemos a importância de preservar os princípios democráticos e o respeito [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><strong>Um grupo de 43 pesquisadores e cientistas da religião do <a href="https://portal.unicap.br/w/ciencias-da-religiao">Programa de Pós-Graduação de Ciências da Religião da Unicap</a> elaborou uma <em>Carta aberta de pesquisadores e cientistas da religião em defesa da democracia e Estado laico</em>, publicada abaixo:</strong></p>
        </div>
    </div>



<p></p>



<p>Nós, pesquisadores, cientistas da religião, mestrandos e doutorandos, acompanhamos com preocupação o momento político vivido pelo Brasil e, especialmente, a maneira como discursos religiosos vêm sendo usados no debate eleitoral. Estudamos a religião em suas diferentes formas, tradições e relações com a sociedade e reconhecemos a importância de preservar os princípios democráticos e o respeito à diversidade religiosa que caracteriza nosso país.</p>



<p>A Constituição Federal de 1988 nasceu com a redemocratização do Brasil e ajudou a reconstruir um país marcado por mais de duas décadas de ditadura. Foi ela que reafirmou princípios fundamentais para a nossa vida em sociedade, como a dignidade da pessoa humana, o pluralismo político, a liberdade de consciência e de crença e o livre exercício das diferentes religiões. Também garantiu algo igualmente importante, o direito de não ter religião e de mudar de crença livremente.</p>



<p>Essas garantias não existem por acaso. Elas são parte de uma conquista democrática construída ao longo de muitos anos e deixam claro que a fé pertence ao campo da liberdade individual e coletiva, não ao exercício do poder do Estado. É a existência de um Estado laico que permite que cristãos, judeus, muçulmanos, espíritas, seguidores das religiões de matriz africana, integrantes de outras tradições religiosas, ateus e agnósticos possam conviver sob as mesmas garantias constitucionais. Nenhuma religião deve ocupar uma posição privilegiada diante das demais, assim como nenhum cidadão pode ter seus direitos limitados por professar uma crença ou por não seguir religião alguma.</p>



<p>Por isso, como pesquisadores que têm a religião como objeto de estudo e reflexão, recebemos com profunda preocupação a declaração de um candidato à Presidência da República de que pretende “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Embora sua campanha tenha afirmado posteriormente que a declaração tinha um sentido simbólico, entendemos que manifestações desse tipo merecem atenção, especialmente quando aproximam a identidade religiosa de uma parcela da população da representação política de todo o país.</p>



<p>Nossa preocupação não nasce de uma posição contrária à religião. Muito pelo contrário. As Ciências da Religião nos mostram diariamente a riqueza, a diversidade e a importância das experiências religiosas na vida de milhões de pessoas. Reconhecemos também a contribuição histórica de diferentes comunidades religiosas para a cultura, a solidariedade e a organização da sociedade brasileira. O que questionamos é a utilização da fé como instrumento de confronto político e como referência para definir quem pertence ou não a determinado projeto de país.</p>



<p>Também preocupa o uso crescente da religião como instrumento de disputa eleitoral. Nas últimas semanas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, tornou-se alvo de acusações relacionadas à divulgação de informações falsas envolvendo Nossa Senhora Aparecida, acusações que a própria entidade negou. A CNBB também tem defendido que os eleitores façam suas escolhas de maneira livre, responsável e consciente. Episódios como esse mostram como questões religiosas podem ser levadas ao centro de disputas políticas, ampliando tensões entre grupos e comunidades. Transformar divergências políticas em guerras religiosas não fortalece a fé nem a democracia. Apenas aprofunda divisões que já preocupam a sociedade brasileira.</p>



<p>Como estudiosos do fenômeno religioso, sabemos que religião, identidade e poder podem estabelecer relações complexas e, muitas vezes, tensas. Por isso, vemos com preocupação um ambiente político em que adversários passam a ser tratados como inimigos, o diálogo perde espaço e grupos religiosos buscam ampliar sua influência direta sobre decisões que pertencem ao conjunto da sociedade. Em uma democracia, nenhuma maioria religiosa pode retirar direitos de uma minoria, da mesma forma que nenhuma crença pode ser transformada em medida para definir quem pertence ou não ao país.</p>



<p>A democracia também não se resume à realização de eleições. Ela depende do respeito às instituições, à Constituição, às diferenças, aos direitos fundamentais e às regras que garantem que ninguém possa impor sua visão de mundo a toda a sociedade.</p>



<p>O Brasil conhece o preço da ruptura democrática. Os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 mostraram até onde pode chegar a radicalização política quando instituições, resultados eleitorais e regras democráticas passam a ser atacados. Por isso, declarações sobre mudanças profundas na Constituição feitas ainda durante o processo eleitoral precisam ser acompanhadas com atenção pela sociedade.</p>



<p>Defender a Constituição de 1988 não significa impedir qualquer mudança constitucional. A própria Constituição estabelece os mecanismos para que ela seja modificada. Significa defender seus princípios fundamentais, a democracia, os direitos individuais, a liberdade religiosa, a separação entre Estado e religião, a autonomia das instituições e as políticas públicas que garantem proteção social e enfrentamento das desigualdades.</p>



<p>Para nós, pesquisadores e pesquisadoras das Ciências da Religião, há um princípio que precisa ser reafirmado com clareza. O Estado laico não é um Estado contra a religião. Ao contrário, é a laicidade que protege a liberdade religiosa e impede que o poder público seja utilizado para favorecer uma crença ou impor valores religiosos ao conjunto da população. Defender esse princípio é defender uma sociedade em que as diferenças possam existir e ser respeitadas, sem que a identidade religiosa determine o acesso aos direitos e à cidadania.</p>



<p>Neste momento, entendemos que a resposta precisa acontecer dentro das regras da democracia e por meio de seu instrumento mais direto, o voto. Reafirmamos nossa oposição a qualquer projeto que coloque em risco o Estado laico, enfraqueça direitos sociais, ataque a autonomia das universidades, reduza garantias democráticas ou ameace princípios fundamentais da Constituição Cidadã de 1988.</p>



<p>Diante do cenário político atual e das posições apresentadas pelos candidatos neste segundo turno, nós, pesquisadores, mestrandos, doutorandos e cientistas da religião que subscrevemos esta carta, declaramos nosso apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.</p>



<p>Nossa manifestação representa uma posição coletiva, assumida pelos signatários a partir dos compromissos democráticos, constitucionais e do respeito à diversidade que orientam esta carta.</p>



<p>Recife-PE, 6 de outubro de 2026.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Assinam esta carta pesquisadores, mestrandos, doutorandos e cientistas da religião comprometidos com a defesa da democracia, da liberdade religiosa e do Estado laico<em>.</em></li>
</ul>



<ol class="wp-block-list">
<li>Amanda Nascimento da Costa &#8211; PPGCR/Unicap</li>



<li>Beatriz Ayres Nogueira &#8211; PPGCR/Unicap</li>



<li>Bill Clinton Nunes Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Carlos Alberto Pinheiro Vieira- PPGCR/Unicap</li>



<li>Carlos André de Araújo Alves (Aral)- PPGCR/Unicap</li>



<li>Clara Varjão Schettini- PPGCR/Unicap</li>



<li>Cynara Rodrigues Carneirog Rolim- PPGCR/Unicap</li>



<li>Cyntia Virginia Farias D&#8217;Amorim- PPGCR/Unicap</li>



<li>Daniel Carlos Nunes- PPGCR/Unicap</li>



<li>Fábio Henrique Sales de Lima Lau- PPGCR/Unicap</li>



<li>Filipe Francisco Neves Domingues- PPGCR/Unicap</li>



<li>Flavio Valdez Martins da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Geraldino José de Souza- PPGCR/Unicap</li>



<li>Hélio Lúcio Dantas da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Idelbrando Alves de Lima- PPGCR/Unicap</li>



<li>Isaías Gomes da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Jair Nery de Medeiros- PPGCR/Unicap</li>



<li>Janny Andréa de Almeida da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Jany Rosaria Barros Nascimento- PPGCR/Unicap</li>



<li>Jardson Alves Lemos- PPGCR/Unicap</li>



<li>Joana Caroline Gomes Cipriano de Oliveira- PPGCR/Unicap</li>



<li>João Luís Carvalho Paes- PPGCR/Unicap</li>



<li>José Romélio Rodrigues dos Santos Junior- PPGCR/Unicap</li>



<li>Juane Brauna Alves- PPGCR/Unicap</li>



<li>Juliana Maria dos Santos- PPGCR/Unicap</li>



<li>Kenitt Oliveira da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Lindailton Trajano Gonçalves Jr.- PPGCR/Unicap</li>



<li>Manoel da Silva Araújo Júnior- PPGCR/Unicap</li>



<li>Marcio Javan Camelo de Lima- PPGCR/Unicap</li>



<li>Marcondes José Rodrigues- PPGCR/Unicap</li>



<li>Maria Auricleide Andrada Bezerra- PPGCR/Unicap</li>



<li>Marise de Souza Morais e Silva Santos- PPGCR/Unicap</li>



<li>Nelson Gonçalves- PPGCR/Unicap</li>



<li>Quiercles Severino Santana- PPGCR/Unicap</li>



<li>Rivaldo do Nascimento Júnior- PPGCR/Unicap</li>



<li>Samuel Francisco de Lira Filho- PPGCR/Unicap</li>



<li>Sarah Silva de Lima- PPGCR/Unicap</li>



<li>Severino Alves de Souza Júnior- PPGCR/Unicap</li>



<li>Vagner de França Souza- PPGCR/Unicap</li>



<li>Valdemir de França Souza- PPGCR/Unicap</li>



<li>Valmir Assis da Silva Filho- PPGCR/Unicap</li>



<li>Vera Lúcia Herculano da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Wellington Silva de Andrade- PPGCR/Unicap</li>
</ol>
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		<title>&#8220;É um grande equívoco colocar o cenário eleitoral na conta dos evangélicos&#8221;, diz socióloga</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2026 14:28:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para a socióloga Ana Carolina Marsicano, pesquisadora do Laboratório de Estudos de Religião e Política (Laberp), da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), o avanço da extrema direita nas urnas deste domingo não se explica pelo voto evangélico. &#8220;Existe um equívoco muito grande em colocar o cenário eleitoral na conta do campo evangélico&#8221;, afirma. Para ela, o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Para a socióloga Ana Carolina Marsicano, pesquisadora do Laboratório de Estudos de Religião e Política (Laberp), da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), o avanço da extrema direita nas urnas deste domingo não se explica pelo voto evangélico. &#8220;Existe um equívoco muito grande em colocar o cenário eleitoral na conta do campo evangélico&#8221;, afirma. Para ela, o fenômeno a observar é a aproximação de atores cristãos com a extrema direita, com destaque para a radicalização de lideranças católicas.</p>



<p>Em entrevista à Marco Zero, a pesquisadora, que também é pós-doutoranda na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), fala sobre a complexidade do campo religioso na política brasileira, a ausência de um voto evangélico em bloco, a nova geração de políticos formada nas redes e o que pode mudar até o segundo turno.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ana Carolina Marsicano
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo pessoal</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Marco Zero &#8211; <strong>Já dá para saber como foi o voto evangélico nessas eleições?</strong></p>



<p><strong>Ana Carolina Marsicano </strong>&#8211; Ainda não temos muitas pesquisas com estratificação por religião e gênero, mas dá para levantar algumas hipóteses. Na perspectiva da religião, o primeiro ponto a destacar é que existe um equívoco muito grande em colocar o cenário eleitoral na conta do campo evangélico. Produzi recentemente, com a Casa Galileia, um relatório sobre as alianças de católicos e evangélicos em torno da campanha de Flávio Bolsonaro, e percebemos também uma participação intensa de atores católicos em torno da candidatura dele.</p>



<p>A grande questão é que estamos diante de uma forma de fazer política que passa por algumas inflexões e mudanças. Tivemos um percentual muito grande de eleitos para o Legislativo que vêm de uma carreira de influenciadores digitais, políticos cujo capital político foi construído nas redes sociais. Existe uma ruptura, obviamente não total, mas parcial, com uma tradição e uma forma de fazer política.</p>



<p><strong>Os católicos e os evangélicos costumam se unir em pautas religiosas?</strong></p>



<p>Mais ou menos. Os conflitos entre os campos evangélico e católico são históricos. O que observamos desde 2010, principalmente entre 2010 e 2014, foi uma aproximação entre atores dos dois campos em torno de uma aliança programática, de algumas agendas, para impedir o avanço de pautas progressistas e de governos de esquerda. Mas o conflito de interesses entre católicos e evangélicos é anterior a essa aliança.</p>



<p>Acredito que esta eleição deixou claro que existem questões próprias e sensíveis a cada campo. A polêmica envolvendo Nossa Senhora mobilizou conflitos que revelam tensões internas ao catolicismo. De um lado, a posição da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que não apoiou Lula nem falou de Flávio Bolsonaro explicitamente, mas se manifestou a favor de uma agenda contra a desinformação, pelo bem comum e pela soberania nacional. De outro, a polêmica de que Flávio Bolsonaro faria Nossa Senhora deixar de ser a padroeira do Brasil, e depois a alegação de que essa informação teria relação com agentes comunistas infiltrados na CNBB. São conflitos clássicos do campo religioso.</p>



<p>Existem alianças, sim. Mas, para mim, mais fundamental do que pensar as alianças entre evangélicos e católicos é pensar a aproximação de atores do campo cristão, católicos e evangélicos, com a extrema direita. Há atores conservadores dos dois campos que entendem a necessidade de preservar valores democráticos e republicanos. O que observamos nos últimos anos é uma radicalização de atores católicos que se aproximam da extrema direita, uma convergência de atores do campo cristão com interesses da extrema direita.</p>



<p>Não à toa, nestas eleições houve um aumento percentual de votos em Flávio Bolsonaro em municípios com maior percentual de evangélicos, alguns em que ele teve inclusive mais votos que o pai. Em compensação, e esse é um ponto importante para tensionar, Lula teve queda no voto de católicos em regiões onde historicamente foi votado por eles. Então, para onde está indo esse voto? Em quem esses católicos estão votando agora? Se percebemos uma tendência de radicalização no catolicismo, será, e é só uma hipótese, que esses católicos deixaram de votar em Lula para votar em Flávio Bolsonaro porque estão se radicalizando?</p>



<p>Então, o grande ponto é que não podemos colocar esse cenário desolador da eleição para a Câmara e o Senado na conta dos evangélicos. Uma série de parlamentares católicos e de influenciadores conservadores e tradicionalistas apoiou Flávio Bolsonaro, seja explicitamente, seja fomentando um discurso de antipetismo e antilulismo. O campo religioso é mais complexo do que as análises, às vezes, fazem parecer.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/conheca-as-igrejas-evangelicas-em-pernambuco-que-nao-apoiam-a-extrema-direita/" class="titulo">Conheça as igrejas evangélicas em Pernambuco que não apoiam a extrema direita</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/democracia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Democracia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><strong>Lideranças católicas conservadoras, como Frei Gilson, ganharam muita influência nas redes. Qual o peso delas nesse cenário?</strong></p>



<p>Frei Gilson é conservador, tem um número muito grande de seguidores e é representante do que chamamos de apostolado digital. Mas acho mais importante direcionar o olhar para além da hierarquia católica, para outros atores identificados com valores do catolicismo. Por exemplo, Eduarda Campopiano, uma jovem do PL Jovem que foi uma das mais bem votadas no estado de São Paulo como deputada estadual. Ela é católica apostólica romana e defende valores da extrema direita. Fez uma fala recente dizendo que os indígenas são canibais e é contra a pauta LGBTQIAPN+. É extremamente jovem, mas defende a subordinação das mulheres.</p>



<p>Essas lideranças, esses apóstolos digitais, são importantes, mas existe algo que vai além deles no catolicismo. É esse campo que tem se aproximado cada vez mais da extrema direita e criado alianças cada vez mais firmes com ela.</p>



<p><strong>E consegue muitos votos.</strong>..</p>



<p>Muitos votos. Estamos falando de pessoas jovens: do PL Jovem, do PL Mulher, na verdade do PL, que elegeu uma quantidade imensa de candidatos. O ponto importante é entender que o PL se converteu no principal celeiro da extrema direita brasileira. Lucas Pavanato, de São Paulo, e Rafael Satiê, do Rio de Janeiro, foram eleitos vereadores e agora chegam à Câmara dos Deputados, onde já está Nikolas Ferreira.</p>



<p><strong>Aqui, o vereador evangélico e de extrema direita Thiago Medina também foi eleito deputado federal.</strong></p>



<p>Exatamente. E quando falo dessa inflexão na forma de fazer política, é importante também pensar a partir de um lugar um pouco mais otimista, porque está muito difícil: a esquerda também precisa ver nisso uma oportunidade. Digo isso justamente por causa de Jones Manoel. Ele representa um projeto de extrema esquerda, um projeto comunista, realmente comprometido com agendas com as quais muitos atores da esquerda têm pudor de se comprometer, como a descriminalização do aborto.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230;é importante também pensar a partir de um lugar um pouco mais otimista: a esquerda também precisa ver nisso uma oportunidade&#8221;.</p>
</div>


<p>E este é o primeiro cargo de Jones Manoel, como deputado federal. Ele é um influenciador digital com mais de 2 milhões de seguidores e a prova viva de que essa inflexão na forma de fazer política pode funcionar para a direita e para a esquerda. Só que a esquerda precisa ver nisso uma oportunidade, e só vai aproveitá-la se entender a importância de fazer alianças. Quando falo em alianças, falo de PT e PSOL.</p>



<p>Existem diferenças internas, é normal. Os partidos têm suas correntes, o PT também. Mas o momento pede um pouco mais de esforço para fazer alianças e construir quadros jovens que ocupem esse espaço na política. O que mais me deixa inconformada é pensar que Lula foi eleito em 2002, estamos em 2026 e não temos um novo quadro. Isso é revoltante. Qual quadro vai suceder Lula? Quais candidatos?</p>



<p>Esta eleição mostrou todas essas questões: muitos candidatos da extrema direita se elegendo, muitos jovens se elegendo, o que indica que a juventude está sendo disputada. A esquerda precisa entender isso e investir mais energia no diálogo com os jovens, estimulando-os a participar da política institucional. Durante anos vivemos uma crise, com o discurso da antipolítica, do antissistêmico. Precisamos voltar a transformar a política em uma utopia, um horizonte de mudança real.</p>



<p><strong>E Jones Manoel representa isso?</strong></p>



<p>Sim. Temos alguns outros jovens: o próprio Renato Freitas, lá no Paraná, que se elegeu deputado federal. Temos figuras muito interessantes eleitas, como Natália Boulos. Erika Hilton se reelegeu, Sâmia Bomfim se reelegeu. São figuras muito importantes, que representam de fato um projeto progressista de defesa de direitos. Mas precisamos ficar atentos também: os novos que estão entrando representam o quê? Que novidade representam?</p>



<p>No Senado, por exemplo, entrando mais na questão de gênero, tivemos numericamente o maior número de senadoras eleitas na história: 12.</p>



<p><strong>O próximo Senado vai ser o com mais mulheres, mas são mulheres que não defendem as mulheres.</strong></p>



<p>Esse é o ponto. Doze mulheres eleitas: quem são essas senadoras? Que projeto político representam? Isso também indica o problema do discurso puro e simples da representatividade. Como mulher de esquerda, progressista, me interessa muito mais uma figura que represente os interesses das mulheres, seja homem ou mulher, do que uma mulher que represente os valores do antifeminismo, das pautas antidireitos, das políticas neoliberais, da precarização das condições de trabalho das mulheres. É preciso ficar atento às ciladas de defender uma representatividade que não tenha convergência com a fidelidade a determinadas agendas.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/doze-mulheres-chegam-ao-senado-por-quais-portas/" class="titulo">Doze mulheres chegam ao Senado. Por quais portas?</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/opiniao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Opinião</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/genero/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Gênero</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><strong>O voto evangélico é um voto em bloco?</strong></p>



<p>Não. É importante destacar que o campo evangélico é extremamente disputado e tensionado. As pesquisas de intenção de voto apontaram o segmento evangélico masculino votando majoritariamente em Flávio e, em contrapartida, o segmento feminino católico votando mais em Lula. Então a análise do voto religioso tem que vir acompanhada de uma análise do voto de gênero, para capturar essa complexidade. Por que os homens evangélicos votam mais em Flávio? Por que as mulheres católicas votam mais em Lula? Qual é o ponto de identificação? Precisamos de análises com mais profundidade, que ainda não temos, relacionando religião, gênero e também território.</p>



<p>Uma questão que me preocupou muito, vendo o percentual dos votos para presidente, foi uma série de estados no Norte do país onde o voto em Flávio Bolsonaro foi altíssimo, entre 65% e 70%. E aí entra o ponto de não colocar isso só na conta do evangélico. A expansão do campo evangélico no Norte é obviamente um dos elementos, mas esse dado, sozinho, não explica tudo.</p>



<p><strong>É correta a visão de que o evangélico tem uma propensão maior a votar em quem é indicado pelo pastor, pela igreja?</strong></p>



<p>As pesquisas recentes têm mostrado que essa lógica do voto conforme a orientação do pastor já não acontece há um bom tempo. Uma <a href="https://iser.org.br/wp-content/uploads/2025/12/Relatorio-2022.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (Iser)</a> sobre mulheres evangélicas e cotidiano mostrou que o que mais importa para elas são questões como o preço dos alimentos e do gás, questões realmente básicas.</p>



<p>Outro ponto importante para entender que não é um voto de rebanho, e sim um voto intensamente disputado: na última eleição, o voto que virou e permitiu a eleição de Lula foi o das mulheres evangélicas. Teve um peso imenso, justamente porque elas levam em consideração questões econômicas. A perspectiva de que o evangélico vota no conservador por causa das pautas morais, além de rasa, é muito ultrapassada. Obviamente as questões morais têm peso e exercem influência, mas não são necessariamente predominantes quando analisamos as mulheres, e os homens também.</p>



<p>O posicionamento no campo evangélico é muito matizado. E hoje a comunicação com os fiéis não acontece mais só no púlpito. Há os grupos de WhatsApp: existe uma construção coletiva do voto dessas comunidades acontecendo também nesses grupos.</p>



<p><strong>E a direita está sabendo se comunicar melhor com esse público? A propaganda de Flávio Bolsonaro é muito isso: está tudo caro, a comida está cara, vamos baratear a comida.</strong></p>



<p>Flávio Bolsonaro parte desse discurso, desse tom, também porque não está na posição governista. É muito mais fácil fazer essa crítica na oposição. Ele vai surfar no discurso da necessidade de manter o Bolsa Família, de melhorar as políticas públicas para as pessoas, mesmo sem dizer como. E mesmo procurando a todo custo evitar a palavra meritocracia, a ideia de criar as condições para a pessoa fazer aquilo por si só, sabemos que o pano de fundo é exatamente esse.</p>



<p>Tanto que quem foi cotada para estar à frente da pauta econômica de Flávio Bolsonaro é Daniella Marques, uma mulher católica, da escola de Paulo Guedes. Apesar de ele falar em baixar o preço dos alimentos, a orientação econômica por trás é neoliberal, de baixíssima preocupação com o trabalhador. É a distância entre o discurso público e o que vem sendo construído como plataforma política.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230;o voto que virou e permitiu a eleição de Lula [em 2022] foi o das mulheres evangélicas. Teve um peso imenso, justamente porque elas levam em consideração questões econômicas.&#8221;</p>
</div>


<p><strong>Você acha que Lula ainda tem condições de virar no segundo turno? O que poderia mudar na campanha para atingir tanto as mulheres quanto as pessoas religiosas?</strong></p>



<p>Acho que tem sim condição de virar e de se eleger no segundo turno. Há alguns pontos importantíssimos a trabalhar. O primeiro tem a ver com o nível altíssimo de abstenção e de votos nulos e brancos. É o lugar do diálogo, do olho no olho, dos movimentos sociais e da militância indo às ruas para dialogar principalmente com os eleitores que não queriam votar nem em Lula nem em Flávio Bolsonaro e votaram em um Augusto Cury da vida. Abrir esse flanco de comunicação para tentar angariar o voto de quem não votou em Flávio.</p>



<p>O segundo ponto é convencer quem anulou ou votou em branco a votar. O terceiro é investir numa estratégia de comunicação massiva nos lugares onde se percebeu um percentual muito baixo de voto em Lula. Há um trabalho grande a fazer e o tempo é muito curto, mas acredito que esses são os pontos mais importantes.</p>



<p>Em relação ao segmento religioso propriamente dito, o segundo turno sempre traz um senso de urgência. É outra etapa, com outras estratégias. A primeira coisa é acompanhar se determinadas figuras públicas do campo cristão vão se posicionar. Elas podem não ter se posicionado no primeiro turno, mas vir a se posicionar agora. Uma delas é Frei Gilson, que não chegou a se posicionar no primeiro turno. Será que vai se posicionar agora?</p>



<p>O mesmo vale para outras lideranças religiosas: observar se, nesse contexto mais acirrado, vão se posicionar publicamente e, para quem está engajado no monitoramento das redes desses atores, ver o nível de repercussão. Existem algumas frentes em que cabe investimento, fazendo esse monitoramento passo a passo, porque no segundo turno cada dia conta muito.</p>



<p><strong>Mas Frei Gilson não se posicionaria a favor de Flávio Bolsonaro?</strong></p>



<p>Pode ser que sim, pode ser que não. A política tem uma tendência a nos surpreender. Eles podem se posicionar a favor de Flávio Bolsonaro ou, por exemplo, reforçar a nota que a CNBB publicou. Os católicos não precisam manifestar um apoio explícito para, ainda assim, se posicionarem de uma forma que influencie. É preciso observar também essas delicadezas.</p>



<p>Eu vi um vídeo em que padre Marcelo Rossi falava alguma coisa sobre o voto dele e sinalizou nitidamente com a mão, fazendo um L. Ele apagou esse vídeo depois. Mas é isso: ir acompanhando essas declarações e manifestações que não recaem explicitamente num apoio declarado de voto, mas que têm uma mensagem subliminar. Tudo isso pode acontecer agora, porque segundo turno é senso de urgência. A hora é essa. É uma nova eleição. Acredito que, muito provavelmente, alguns atores dos campos católico e evangélico vão ser interpelados a ter algum tipo de posicionamento mais explícito.</p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/voto-evangelico-2026/">&#8220;É um grande equívoco colocar o cenário eleitoral na conta dos evangélicos&#8221;, diz socióloga</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Conheça as igrejas evangélicas em Pernambuco que não apoiam a extrema direita</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Oct 2026 18:50:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Batista]]></category>
		<category><![CDATA[igrejas evangélicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O eleitorado cristão voltou ao centro das atenções de candidatos e coordenadores de campanhas eleitorais. Nas eleições anteriores, as principais lideranças evangélicas e católicas se vincularam ás candidaturas de direita e, principalmente, de extrema direita. No entanto, o segmento está longe de ser monolítico, tanto que, em 2026, diversos grupos evangélicos se aproximaram do campo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O eleitorado cristão voltou ao centro das atenções de candidatos e coordenadores de campanhas eleitorais. Nas eleições anteriores, as principais lideranças evangélicas e católicas se vincularam ás candidaturas de direita e, principalmente, de extrema direita. No entanto, o segmento está longe de ser monolítico, tanto que, em 2026, diversos grupos evangélicos se aproximaram do campo progressista em Pernambuco. </p>



<p>A menos de uma semana das eleições, a corrida presidencial mostrou o cenário que já vinha se desenhando anteriormente, segundo o Datafolha: entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o atual presidente detém a maior fatia das intenções de votos entre os católicos, com 45% contra 33% do concorrente. Entre os evangélicos, ele leva 27% do eleitorado. </p>



<p>O relatório <em><a href="https://institutodx.org/narrativasreligiosas/relatorio9/" data-type="link" data-id="https://institutodx.org/narrativasreligiosas/relatorio9/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Narrativas Evangélicas e Contexto Eleitoral</a></em> mostra o desenho do eleitorado evangélico neste período. A pesquisa do Instituto Democracia em Xeque e Casa Galileia é realizada quinzenalmente a partir de discussões em redes sociais de organizações, lideranças e políticos ligados ao campo evangélico. O levantamento indica que &#8220;convergem em narrativas que associam o governo a problemas diversos e apresentam a rejeição a Lula como argumento para o voto em Flávio”.</p>



<p>Já entre os evangélicos de esquerda, o período é marcado por uma mobilização eleitoral mais massiva. “A campanha ganha centralidade entre perfis evangélicos de esquerda, com pedidos de voto, divulgação de eventos, críticas e estímulo ao compartilhamento. Ao mesmo tempo, lideranças contestam a ideia de um ‘voto evangélico’ homogêneo e disputam as relações entre fé, democracia e política”, indica o levantamento.</p>



<p>De acordo com a pesquisadora em Comunicação, Religiões e Política no Instituto de Estudos da Religião (Iser) e editora-geral do Coletivo Bereia, Magali Cunha, a pesquisa <a href="https://iser.org.br/religiaoevidapublicanobrasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Religião e Vida Pública</a> do Iser mostrou que a população evangélica é muito participativa nos espaços digitais e a maioria deste grupo se informa sobre política pelas plataformas de mídias sociais. Significa que a forma de comunicação eleitoral com evangélicos via mídias sociais é decisiva.</p>



<p>Cunha confirma que, apesar do eleitorado evangélico ser majoritariamente mais conservador, ele também é composto por pessoas com outras identidades além da fé. “Que segue não apenas indicações feitas nas igrejas, mas tendências sociais que mostram um país dividido com base em emoções, em um anti-determinado candidato/partido”, explica.</p>



<p>“O voto é a decisão que leva em conta todas as expectativas, avaliações e projeções de vida, do cotidiano, relacionadas a essas identidades. Por isso, o eleitorado evangélico é plural, não homogêneo majoritariamente, mas não radicalmente conservador, com uma parcela significativa que vota nas esquerdas e um grupo &#8216;pendular&#8217; que decide a partir do que percebe nos movimentos de campanha”, complementa.</p>



<p>“Sempre houve nas igrejas evangélicas brasileiras os grupos mais conservadores e os grupos mais abertos, progressistas que são herdeiros da tradição teológica do evangelho social”, lembra a pesquisadora, reforçando que as igrejas evangélicas brasileiras são marcadas por uma pluralidade. Entretanto, os grupos hegemônicos, ou seja, que possuem mais patrimônio, maior distribuição territorial, acabam tendo mais voz e mais mídia, causando uma percepção de voz única dentro do campo evangélico.</p>



<p>“É interessante que, mais recentemente, durante o período de avanço da extrema direita no Brasil, a partir de 2014, é que nós vamos ver os conflitos aparecerem. Essa negação da pluralidade, a negação da existência de tendências teológicas diversas e a construção de um discurso único que seria o discurso verdadeiro e que tudo aquilo que não fosse dentro desse discurso único, ultraconservador, seria contra a realidade da igreja e deveria ser extirpado”, aponta Cunha.</p>



<p>A especialista ainda reforça que os grupos mais alinhados à esquerda com pautas que abraçam os direitos humanos continuam resistindo. “A gente tem tendências teológicas, leituras e interpretações diversas. Dentro dessa pluralidade enorme, há os grupos que leem na Bíblia e se alimentam de uma leitura de uma fé que os impele a atuar por direitos humanos e por justiça social”, conta.</p>



<p>“No Brasil, a gente tem muitos grupos hoje que são herdeiros dessa tradição: o movimento negro evangélico, movimentos de mulheres, movimentos feministas, movimentos por justiça na moradia, movimentos por justiça ambiental, movimentos contra a pobreza, por igualdade de renda, movimentos por trabalhadores. São muitos grupos espalhados Brasil afora, com todas essas pautas relacionadas a direitos humanos, em especial na defesa da vida, acima de tudo, a vida humana e a vida não humana, refletida no meio ambiente”, conclui.</p>



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	                                        <p class="m-0">Igreja em Olinda existe há 33 anos e acolhe fiéis LGBTQIA+
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<h2 class="wp-block-heading">Pelo direito de existir e resistir na fé</h2>



<p>“A gente tem uma escolha não neutra, que é exatamente lutar por pessoas que as outras igrejas não querem. Os outros espaços religiosos não apoiam essas pessoas. A população negra e LGBT não tem voz, não tem vez. E aqui, na Igreja Batista de Bultrins, desde 2023, quando nós ordenamos a primeira pastora lésbica batista, fizemos uma decisão de acolher pessoas LGBT nessa igreja exatamente para que esse espaço seja um espaço acolhedor para todas as pessoas”, conta o pastor Bruno Aguiar.</p>



<p>A Primeira Igreja de Bultrins nasceu há 33 anos na comunidade Vila Esperança, no bairro dos Bultrins, em Olinda, Região Metropolitana do Recife. Bruno explica que a igreja já surgiu em um contexto de atender pessoas que têm direitos violados, como os mais pobres e, mais recentemente, reforçando o acolhimento da comunidade LGBT com a Pastoral da Diversidade.<br><br>Em agosto, a igreja foi reinaugurada, após reparos em parte do teto, que havia caído meses antes. No culto de reinauguração, foi possível ver a pluralidade dos fiéis que participaram. Pessoas trans, gays e lésbicas trabalhando pela obra e louvando o Deus cristão com a segurança de que aquele também é o espaço deles.</p>



<p>Augusto Neto é um dos integrantes da Pastoral da Diversidade. Professor universitário, arquiteto e urbanista, comunista e não binário, que anteriormente foi convidado a se retirar junto com a esposa, uma mulher feminista, de uma igreja tradicional por questionar padrões da instituição. Na PIB, enxergou um lugar para professar a sua fé sem medo.</p>



<p>“Eu comecei a frequentar Bultrins e percebi que, em nenhum momento, a igreja pediu para que eu abandonasse a minha sexualidade. Bultrins, em nenhum momento, pediu para que eu abandonasse o meu entendimento político, não só enquanto  uma pessoa progressista, mas uma pessoa comunista”, relata.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Fé, política e inclusão: O que pensam os evangélicos progressistas no Brasil? | Territórios do Voto" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/LuQ7R5BGDp0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Apesar de ter uma identidade política demarcada e de ter muitos integrantes de esquerda, Neto enxerga como problemático colocar a igreja dentro da caixa progressista. “A gente não está sendo progressista. A gente está sendo bíblico, muitas vezes. Em aceitar as pessoas do jeito que elas são. Em falar sobre o pecado quando a gente fala sobre o mal que ele faz ao outro e que faz a si mesmo. Não o pecado como uma característica sua de nascimento enquanto pessoa gay ou lésbica”, argumenta.</p>



<p>As mulheres de fé também são parte central nos debates sobre a democracia. Pensando nessas reflexões, o projeto <a href="https://pastoralvivas.org/" data-type="link" data-id="https://pastoralvivas.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pastoral Vivas</a>, uma iniciativa de três organizações, o Instituto Lamparina, Casa Galileia, e Novas Narrativas Evangélicos, que buscam dialogar o campo da justiça reprodutiva com as mulheres que possuem alguma fé, em sua maioria as mulheres evangélicas.</p>



<p>A proposta é subverter a fé da ideia de controle e aplicá-la no campo do cuidado, justiça, escuta e liberdade. Para isso, são criados espaços seguros de comunhão, redes de apoio e leituras bíblicas, em um trabalho coletivo para garantir a dignidade das mulheres.</p>



<p>“Quando a gente fala de justiça reprodutiva a gente fala de algo mais amplo mesmo, de pensar contracepção ou não pensar, pensar de segurança de criar esses filhos que quer ter inclusive para que se possam crescer os filhos que se quer ter. Mas também de saúde reprodutiva e aborto. Não dá para negar essa pauta”, afirma Débora Oliveira, coordenadora da Pastoral Vivas e do Instituto Lamparina.</p>



<p>Débora reforça que a dinâmica parte de um processo de troca, pensando em construção de conhecimento com encontros on-lines e presenciais. Um dos resultados dos encontros até aqui foi o <em>Guia Narrativo da Pastoral Vivas</em>, que reúne estudos bíblicos, cartas escritas por mulheres de fé, orações e um glossário para conversar sobre a vida das mulheres a partir da dinâmica da fé, sobretudo cristã.</p>



<p>Ao olhar para esse eleitorado, o de mulheres evangélicas, Débora conta que a Lamparina tem feito análises de conjuntura e enxerga que as mulheres de fé não têm o voto convencido apenas pelo candidato que professa sua mesma religião, mas leva os fatores da vida cotidiana em consideração na hora de escolher.</p>



<p>“Esse é um campo que não tá decidido. As mulheres evangélicas são sujeitos políticos de muita autonomia e que pensam política muito a partir do chão das suas vidas, da concretude das suas vidas. Elas estão olhando também pro candidato que se diz evangélico, mas elas estão olhando também pro que esse candidato que se diz evangélico diz, elas estão olhando também pro candidato que não se diz evangélico e o que ele diz, porque elas sabem o preço do supermercado quando sobe, elas sabem como é a política do Vale Gás, por exemplo, são elas que recebem Bolsa Família, que criam seus filhos”, pontua.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Deus, nós e a natureza</h2>



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<p>O bem-estar comunitário fora da comunidade evangélica também atravessa congregações vistas como tradicionais, é o caso da Igreja Batista de Coqueiral (IBC). Com 100 anos de existência, esta é a instituição mais antiga do bairro da zona oeste do Recife. Hoje, é presidida pelo pastor José Marcos da Silva, que integra a equipe de 11 pastores há 23 anos.</p>



<p>A integração com a comunidade aconteceu após diversos eventos que provocaram a reflexão das lideranças sobre a relevância daquela congregação na comunidade. Primeiro, começaram com ações para as crianças, seguiram com projetos de empregabilidade e qualificação para jovens, até perceberem a necessidade de uma formação política para à luz das mazelas estruturais que a comunidade enfrentava.</p>



<p>Assim foi criada a Escola de Fé e Política, que levou letramento político para que a comunidade compreendesse o “pecado estrutural”, como eles se referem às mazelas estruturais que atravessam as periferias, como racismo, questões ambientais, violações de direitos.</p>



<p>“Esse movimento de buscar compreender isso, que fez a igreja de Coqueiral ser uma igreja que, quando chega a polarização e o bolsonarismo e captura a igreja evangélica, a igreja de Coqueiral não precisou fazer nada para não ser capturada. Por quê? Porque ela tinha aí pelo menos oito, nove anos que já vinha em formação política e compreende que essa captura ela se deu justamente porque o povo evangélico não era politizado”, avalia.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;É quando a velha frase de Dom Helder caiu como uma luva em nós: se dou pão ao pobre, me chamam de santo, mas quando pergunto por que o pobre não tem pão, me chamam de comunista&#8221;</p>
</div>


<p>A igreja também está ligada a discussões sobre o racismo ambiental em áreas banhadas pelo rio Tejipió. Em 2016, instituiu o Projeto Rio Limpo Cidade Saudável, com apoio de uma organização internacional, para atuar com educação socioambiental e fomento a políticas públicas para a região.  </p>



<p>Foi no berço das discussões socioambientais que nasceu o movimento Nós na Criação, que começou como um grupo de estudos de jovens da IBC e agora tem uma trajetória própria olhando para o campo evangélico a partir de discussões que disseminam o pensamento ecoteológico. </p>



<p>A ecoteologia é uma corrente que une a teologia à ecologia, refletindo sobre a fé e a espiritualidade a partir do compromisso com o cuidado da terra e do meio ambiente. &#8220;A ecoteologia nos apresenta que ninguém pode ser obrigado a morar em cima do rio sujeito ou sujeita a ter tudo atropelado pela enchente&#8221;, reflete Josias Vieira Kaeté, pastor da IBC e do Movimento Nós na Criação. </p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/igreja-Nos-2-2.jpg" alt="Vista de uma sala residencial simples com paredes brancas e janelas de moldura lilás, onde um grupo de pessoas está reunido em círculo e sentado em diferentes assentos, enquanto uma pessoa toca violão ao centro; o ambiente é iluminado, acolhedor e organizado para um encontro comunitário ou momento de conversa e reflexão." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Grupo Nós na Criação promove reflexões unindo ecologia e teologia
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Nesta perspectiva, o movimento organiza encontros mensais com pessoas de diferentes igrejas para pensar sociedade e justiça socioambiental. &#8220;A gente olha a partir do prisma do próprio Jesus de Nazaré, quando ele fala de equidade e não fala de igualdade, né? Quando ele diz que se fulano tem mais necessidade, ele tem que ter mais acesso. Se beltrano tem menos necessidade do que fulano, ele vai ter menos acesso, porque tem que ser o suficiente. Não pode sobrar na mesa de ninguém, porque quando sobra na mesa de alguém é porque faltou na do outro&#8221;, pontua Kaeté.</p>



<p>Com experiências que não os contemplava em igrejas, o designer gráfico Thiago Ferreira e a estudante de Serviço Social Dalethe Melissa, encontraram no grupo uma nova forma de olhar o mundo e o evangelho. Ambos cresceram em um contexto conservador que já não fazia sentido para o que acreditavam enquanto jovens politizados.</p>



<p>Melissa conheceu o Nós na Criação em 2021 na busca de uma nova narrativa que contemplasse o evangelho e que olhasse para as questões sociais. &#8220;Eujá estava me aproximando também da pauta socioambiental. Ter encontrado um espaço que dialogasse sobre como que a gente se relaciona na natureza, sobre perspectiva indígena, perspectiva ecoteológica, sobre decolonialidade. Foi me encontrar&#8221;, aponta. </p>



<p>Thiago conta que passou por diferentes cenários evangélicos, mas não se encontrou em nenhum deles. Chegou a montar uma igreja com amigos no Curado que promovia estudos bíblicos para o público em geral, inclusive não evangélicos. Foi nesta época que conheceu o pastor Josias e a sua companheira, Jéssica. Iniciou na escola de Fé e Política e seguiu para o Nós na Criação. </p>



<p>Ele conta que foi o encontro com esses grupos que percebeu que a relação com os pastores e igreja poderia ser diferente: &#8220;foi a primeira vez que eu tive uma relação de amizade, de igualdade com um pastor. O pastor sempre estava no lugar acima de nós, o anjo da igreja. E essa foi a primeira vez que eu vi que ele era um ser humano normal, que tem defeitos igual a mim, que tem estudos igual a mim, e que era um pastoreio mútuo. Eu também ajudava, ele me ajudava. Então eu percebi que ele não é um anjo, é uma pessoa normal. E infelizmente acontece muito nas igrejas esse endeusamento com as lideranças pastorais e espirituais&#8221;.</p>
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<p>O post <a href="https://marcozero.org/conheca-as-igrejas-evangelicas-em-pernambuco-que-nao-apoiam-a-extrema-direita/">Conheça as igrejas evangélicas em Pernambuco que não apoiam a extrema direita</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Dinheiro, fé e antifeminismo: como a direita disputa o voto das mulheres cristãs em 2026</title>
		<link>https://marcozero.org/dinheiro-fe-e-antifeminismo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 16:04:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[extrema direita]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo e política]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo e religião]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres cristãs]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A disputa pelo voto feminino entrou em uma nova fase. Se, nas eleições de 2022, a corrida parecia mais concentrada no segmento evangélico, com a direita mobilizando fortemente a &#8220;pauta de costumes&#8221; em torno de temas como aborto, &#8220;ideologia de gênero&#8221;, &#8220;kit gay&#8221; e &#8220;mamadeira de piroca&#8221;, para 2026 esse repertório foi ampliado. Assuntos como [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A disputa pelo voto feminino entrou em uma nova fase. Se, nas eleições de 2022, a corrida parecia mais concentrada no segmento evangélico, com a direita mobilizando fortemente a &#8220;pauta de costumes&#8221; em torno de temas como aborto, &#8220;ideologia de gênero&#8221;, &#8220;kit gay&#8221; e &#8220;mamadeira de piroca&#8221;, para 2026 esse repertório foi ampliado.</p>



<p>Assuntos como violência contra a mulher, maternidade, cuidado, família, autonomia financeira e empreendedorismo também passaram a integrar o discurso de setores conservadores, ao mesmo tempo em que ganha força um ativismo cristão antifeminista, que inclusive disputa a própria definição do que significa ser mulher.</p>



<p>Para falar sobre esses e outros temas em torno do voto feminino cristão nestas eleições, a <strong>Marco Zero</strong> conversou com a socióloga da religião e doutoranda em Sociologia na Universidade de São Paulo (USP) Tabata Tesser, pesquisadora associada do Instituto de Estudos da Religião (Iser).</p>



<p>Socióloga, ela tem estágio doutoral na Universidade de Barcelona (UB) e é mestre em Ciência da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). No ISER, integra a pesquisa <em>Cristianismos e Aborto: disputas nas instituições públicas brasileiras (2010-2025)</em>. Também faz parte do Laboratório de Antropologia da Religião (LAR-Unicamp) e do grupo de estudos de Investigações em Sociologia da Religião (Isor), da Universidade Autônoma de Barcelona.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/voto-Tabata-1-1024x726.jpg" alt="A foto mostra Tabata Tesser sentada confortavelmente em uma poltrona de madeira clara com laterais de palhinha trançada. Ela tem cabelos longos e castanhos, usa um macacão azul escuro sem mangas e está sorrindo de forma serena. Seu braço esquerdo repousa sobre o encosto, enquanto o direito apoia a cabeça num gesto descontraído. Usa pulseiras douradas, anel e esmalte vermelho, e há uma almofada verde ao seu lado. O ambiente é elegante e acolhedor, com parede neutra e persiana ao fundo, transmitindo uma sensação de tranquilidade e confiança." class="" loading="lazy" width="666">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: acervo pessoal</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Marco Zero — <strong>Nas eleições de 2022, a pauta de costumes parecia mais concentrada no segmento evangélico. Em 2026, vemos novas personagens, como <a href="https://religiaoepoder.org.br/artigo/quem-e-a-catolica-que-emerge-como-um-dos-principais-rostos-femininos-da-campanha-de-flavio-bolsonaro" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Daniella Marques</a>, num movimento que une identidade católica, tradicionalismo, perfil de elite e discurso sobre mulheres e família. O que mudou na forma como a direita está tentando falar com essas mulheres? O que essa mudança revela sobre o eleitorado feminino cristão no Brasil?</strong></p>



<p><strong>Tabata Tesser —</strong> Acho que a primeira mudança importante é que estamos começando a perceber que falar de mulheres cristãs não é falar apenas de mulheres evangélicas. Existe uma espécie de miopia na cobertura eleitoral brasileira que transforma o eleitorado evangélico em sinônimo de eleitorado cristão, quando, na verdade, o cristianismo brasileiro tem um rosto fortemente feminino e o maior contingente de mulheres cristãs é católico.</p>



<p>O Censo de 2022 mostra que as mulheres são 55,4% dos evangélicos e 51% dos católicos. Quando olhamos para esse conjunto, estamos falando de dezenas de milhões de mulheres. São mulheres que não apenas frequentam igrejas, mas sustentam boa parte da vida cotidiana dessas instituições por meio do trabalho voluntário, da catequese, da assistência e do cuidado.</p>



<p>A emergência de uma figura como Daniella Marques é interessante justamente porque ela permite à direita fazer uma operação diferente daquela que vimos em 2022. Ela combina uma identidade católica explicitamente assumida, credenciais técnicas, pertencimento às elites econômicas e um discurso sobre mulheres, família, empreendedorismo e autonomia financeira. É uma tentativa de construir uma interlocutora feminina que não seja apenas a mulher religiosa tradicional, mas uma mulher profissional, economicamente bem-sucedida, empreendedora e, ao mesmo tempo, conservadora nos valores.</p>



<p>Isso é importante porque revela que a direita percebeu que não basta falar de aborto, ideologia de gênero ou sexualidade para disputar as mulheres cristãs. É preciso falar também de dinheiro, trabalho, cuidado, maternidade, violência e família, temas que já fazem parte do cotidiano dessas mulheres.</p>



<p>Ao mesmo tempo, eu teria cuidado para não interpretar isso como se essas mulheres estivessem simplesmente migrando para uma nova liderança. O voto cristão não é um voto que se entrega por atacado. A pesquisa do Iser com mulheres evangélicas mostra justamente isso: elas escutam pastores e familiares, mas fazem suas próprias escolhas, pesquisam e interpretam a política a partir de suas experiências.</p>



<p>Então, mais do que perguntar quem vai “ficar” com as mulheres cristãs, eu acho que precisamos perguntar o que essas mulheres estão dizendo sobre política. E, quando fazemos isso, encontramos um eleitorado muito mais complexo do que os rótulos permitem enxergar.</p>



<p>Marco Zero — <strong>Janja Lula da Silva e Michelle Bolsonaro são mulheres muito diferentes e que também representam maneiras muito diferentes de construir politicamente a imagem da mulher. Até que ponto elas conseguem produzir uma identificação para além das já eleitoras de seus respectivos campos políticos?</strong></p>



<p><strong>Tabata</strong> <strong>— </strong>Eu acho que existe um limite importante na própria ideia de primeira-dama como representante das mulheres. Janja e Michelle constroem imagens femininas muito diferentes, mas ambas estão inseridas em projetos políticos bastante identificados com seus respectivos campos.</p>



<p>Michelle Bolsonaro conseguiu construir uma identificação muito forte especialmente entre mulheres evangélicas e setores conservadores, mobilizando uma linguagem de fé, família, maternidade e testemunho cristão. Janja, por outro lado, constrói uma imagem pública que dialoga com outras formas de participação feminina, com pautas sociais, direitos e uma linguagem mais próxima de setores progressistas.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;As mulheres cristãs, por exemplo, não são homogêneas. Classe, raça, geração, território, família, experiência religiosa e cotidiano produzem diferenças enormes&#8221;.</p>
</div>


<p>E há uma questão que considero particularmente importante: a tentativa de “recuperar” ou “entregar” as mulheres cristãs por meio de primeiras-damas ou lideranças religiosas acaba dizendo mais sobre a estratégia dos partidos do que sobre essas mulheres. Elas não são um eleitorado que necessariamente acompanha uma mulher porque ela é mulher ou porque ela é cristã.</p>



<p>A identificação política acontece quando a mulher reconhece sua própria vida naquela agenda. E aí chegamos a temas muito concretos: o preço do supermercado, a consulta médica, a segurança dos filhos, a violência dentro de casa, o trabalho, a renda e a possibilidade de cuidar de quem depende dela.</p>



<p>Por isso, acho que tanto Janja quanto Michelle podem produzir identificação para além de seus campos, mas isso não acontece automaticamente pela imagem feminina ou pela religião. Depende da capacidade de falar com mulheres que não necessariamente se reconhecem integralmente em nenhum dos dois projetos.</p>



<p>Marco Zero — <strong>Como você já colocou</strong>, <strong>as mulheres evangélicas não formam um bloco homogêneo. Suas posições políticas são atravessadas por questões de classe, raça, geração, território, família e cotidiano. Que peso a pauta de costumes ainda tem como caminho para conquistar essas eleitoras? Ou temas como endividamento, cuidado, violência, trabalho, renda, saúde e segurança podem ser mais decisivos nas eleições de 2026?</strong></p>



<p><strong>Tabata</strong> <strong>—</strong> Eu diria que a chamada pauta de costumes continua sendo importante, mas talvez ela seja superestimada quando tentamos explicar o voto das mulheres cristãs.</p>



<p>A pesquisa <a href="https://iser.org.br/publicacao/mulheres-evangelicas-politica-e-cotidiano-2024/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Mulheres evangélicas, política e cotidiano</em></a>, do Iser, é muito interessante nesse sentido porque mostra mulheres de diferentes regiões, majoritariamente negras e das classes C e D, falando sobre política a partir da própria vida. E o que aparece no centro não é necessariamente aborto ou ideologia de gênero. Aparecem cuidado, infância, maternidade, família, saúde, segurança, violência contra a mulher, preço dos alimentos e políticas públicas.</p>



<p>Existe uma frase que resume muito bem isso, essas mulheres conhecem a política pelo lado de quem espera o salário, a consulta médica e a condução.</p>



<p>Isso não significa que elas não tenham posições sobre aborto, sexualidade ou educação. Elas têm. Mas essas posições convivem com experiências concretas. Uma mulher pode, por exemplo, ter uma visão bastante conservadora sobre família e, ao mesmo tempo, defender educação sexual nas escolas porque viveu uma experiência de violência na infância. Isso mostra como é inadequado transformar essas mulheres em caricaturas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/voto-300x225.webp">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/voto.webp" alt="A foto mostra um auditório cheio de pessoas sentadas, voltadas para um palco com cortinas vermelhas abertas e uma grande tela de projeção ao centro. Na tela, lê-se em letras grandes e coloridas “Mulher Potência Empreendedora”, indicando um evento da Prefeitura do Rio de Janeiro voltado ao tema do empreendedorismo feminino. O ambiente é de expectativa e atenção, com luzes baixas e foco na tela, sugerindo o início ou andamento de uma apresentação sobre o poder e a iniciativa das mulheres." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Empreendedorismo feminismo faz parte da pauta das mulheres de direita
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Então, para 2026, eu acho que quem quiser compreender esse eleitorado precisa olhar menos para a pergunta “qual é a posição dela sobre a pauta de costumes?” e mais para “como ela está vivendo?”. Ela está endividada? Consegue cuidar dos filhos? Tem acesso à saúde? Sente-se segura? Tem renda? Quem cuida dela quando ela precisa cuidar de alguém?</p>



<p>E existe uma dimensão religiosa muito importante aí: a igreja muitas vezes funciona como rede de apoio justamente porque o Estado não chega de maneira suficiente. Por isso, políticas públicas também são questões religiosas para essas mulheres, porque atravessam diretamente suas vidas e suas comunidades.</p>



<p>A pauta de costumes não desapareceu. O que muda é que ela precisa ser compreendida dentro de uma vida cotidiana muito mais complexa.</p>



<p>Marco Zero — <strong>A direita nunca falou tanto das mulheres. De 2022 para cá, setores conservadores passaram a disputar temas tradicionalmente associados à esquerda e ao feminismo, como violência contra a mulher, cuidado, autonomia financeira e maternidade. Mas o que vemos é um ativismo cristão antifeminista ganhando força. Como você avalia esse movimento?</strong></p>



<p><strong>Tabata</strong> <strong>—</strong> Eu acho que esse é um dos movimentos mais interessantes — e também mais importantes — para entendermos o conservadorismo atual.</p>



<p>Durante muito tempo, determinados temas foram identificados quase exclusivamente com a esquerda e com os feminismos. Agora, setores conservadores perceberam que não precisam abandonar seus valores para falar sobre mulheres. Eles podem disputar a própria definição do que significa proteger uma mulher, cuidar, falar de violência, defender autonomia econômica ou valorizar a maternidade. No fim, o que está em disputa é a pergunta “o que é ser uma mulher?”.</p>



<p>É aí que entra o ativismo cristão antifeminista. Ele não significa simplesmente ausência de uma agenda para mulheres. Pelo contrário: existe uma disputa ativa pela categoria “mulher” virtuosa e pelo significado de conceitos como autonomia, liberdade, cuidado, família e violência.</p>



<p>O caso da Daniella Marques é interessante porque mostra uma dessas formulações. A autonomia feminina aparece associada sobretudo à capacidade de gerar renda, empreender, acessar crédito e adquirir educação financeira. É uma agenda que pode produzir efeitos concretos, mas parte de uma concepção muito específica de desigualdade: a ideia de que a inclusão econômica individual seria um dos principais caminhos para a emancipação.</p>



<p>Isso é diferente de uma perspectiva feminista que olha para as estruturas sociais, econômicas, culturais e políticas que produzem a desigualdade entre homens e mulheres.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;Aí está a novidade: elas estão disputando o feminismo e, em alguns casos, disputando a própria linguagem feminista&#8221;.</p>
</div>


<p>E acho que os feminismos precisam prestar atenção nisso. Porque feministas e antifeministas estão, muitas vezes, falando sobre problemas semelhantes, violência, maternidade, cuidado, dinheiro, saúde, mas a partir de diagnósticos, linguagens e repertórios políticos completamente diferentes e chegando em concluíres distintas sobre a categoria mulher e gênero.</p>



<p>É uma disputa não apenas pelo voto das mulheres, mas pela definição do que é uma mulher, do que ela precisa e de quem deve protegê-la. E isso está acontecendo tanto no campo progressista como na direita. No campo progressista, vide o crescimento de discursos antigênero e antitrans buscando justamente responder a pergunta “o que é ser mulher?”.</p>



<p>Marco Zero — <strong>Projetos sobre misoginia, violência contra a mulher, educação, família e infância têm mobilizado a direita na Câmara e no Senado, para além de temas como aborto, diversidade, “ideologia de gênero” e “mamadeira de piroca”. A pauta de costumes mudou no Congresso Nacional?</strong></p>



<p><strong>Tabata</strong> <strong>—</strong> Sim, e eu acho que a principal mudança é justamente essa ampliação do repertório. A pauta de costumes não desapareceu. Aborto, diversidade, sexualidade e gênero continuam sendo temas fundamentais para a direita religiosa. Mas eles passaram a conviver com uma agenda muito mais ampla sobre família, infância, adoção, doulagem, educação, violência contra a mulher, misoginia, maternidade e cuidado.</p>



<p>Isso acontece porque esses temas são capazes de produzir uma conexão muito mais direta com a experiência cotidiana das mulheres. E a direita percebeu que pode disputar esses assuntos sem necessariamente adotar o diagnóstico feminista sobre eles.</p>



<p>Por exemplo, falar de violência contra a mulher não significa necessariamente reconhecer as mesmas estruturas de gênero que os feminismos reconhecem. Falar de maternidade não significa necessariamente defender políticas de autonomia reprodutiva e múltiplas capacidades reprodutivas. Falar de cuidado não significa necessariamente reivindicar sua socialização pelo Estado.</p>



<p>É justamente aí que a disputa fica mais sofisticada. Vide a direita que defende armar mulheres para combater a violência doméstica.</p>



<p>Acho que estamos vendo uma passagem de uma pauta de costumes mais caricatural e episódica, aquela dos grandes pânicos morais, como “ideologia de gênero” e “mamadeira de piroca”, para uma disputa mais cotidiana sobre quem define família, infância, educação, proteção, violência e a própria categoria mulher.</p>



<p>Isso não torna a pauta menos conservadora. Ao contrário, torna o conservadorismo potencialmente mais capilarizado, porque ele passa a ocupar temas que fazem parte da vida concreta das pessoas para além de fantasmagorias.</p>



<p>E há uma consequência importante para quem pesquisa ou cobre eleições: não podemos mais procurar o conservadorismo apenas quando ele fala de aborto ou sexualidade. Ele também pode aparecer quando fala de cuidado, empreendedorismo feminino, maternidade, proteção da infância, liberdade educacional ou combate à violência.</p>



<p>Por isso, eu diria que a pauta de costumes mudou menos porque abandonou seus temas tradicionais e mais porque ampliou seu território de disputa. E as mulheres estão no centro dessa disputa. E outra questão: mulheres conservadoras/virtuosas não precisam mais de interlocutoras. Estão online e roteando o antifeminismo cristão numa desconfortável, mas importante contradição: são feministas conservadoras na prática.</p>
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		<title>Exu em disputa: marcha para o orixá é pivô de briga na Justiça</title>
		<link>https://marcozero.org/exu-em-disputa-marcha-para-o-orixa-e-pivo-de-briga-na-justica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Aug 2025 21:31:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Candomblé]]></category>
		<category><![CDATA[exu]]></category>
		<category><![CDATA[Marcha Para Exu]]></category>
		<category><![CDATA[religiões de matriz africana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Exu é um dos orixás mais conhecidos do candomblé e da umbanda. Sua fama é sólida até mesmo entre praticantes de outras religiões, provavelmente por, ignorância ou preconceito, ter sido associado pelos cristãos à figura do diabo. Orixá da ordem, do movimento, da comunicação e da fecundação, ele abre caminhos, vigia os mercados e vive [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Exu é um dos orixás mais conhecidos do candomblé e da umbanda. Sua fama é sólida até mesmo entre praticantes de outras religiões, provavelmente por, ignorância ou preconceito, ter sido associado pelos cristãos à figura do diabo. Orixá da ordem, do movimento, da comunicação e da fecundação, ele abre caminhos, vigia os mercados e vive nas encruzilhadas.<br><br>Agora, Exu é o pivô de uma batalha judicial, iniciada em abril deste ano, na <a href="https://esaj.tjsp.jus.br/cpopg/show.do?processo.codigo=01001UHSP0000&amp;processo.foro=100&amp;processo.numero=1012146-82.2025.8.26.0001" target="_blank" rel="noreferrer noopener">1ª Vara Empresarial</a> da Justiça de São Paulo.</p>



<p>De um lado, o empresário paulista Jonathan Maschio Pires dos Santos, autointitulado “o macumbeiro mais famoso do Brasil”, que, em 2023, registrou a marca “Marcha para Exu” no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e tentou obter uma liminar para impedir a realização da <a href="https://marcozero.org/recife-recebe-a-1a-marcha-para-exu/">Primeira Marcha para Exu</a>, no Recife. Do outro, estão os organizadores do evento recifense, o produtor cultural Renato Fonseca e seu sócio André Arruda Beltrão.</p>



<p>“Fomos informados de que estavam usando o nome oficial da Marcha para Exu sem qualquer autorização. Assim que confirmamos, adotamos imediatamente as medidas judiciais necessárias. Não podemos permitir que oportunistas tentem se colocar como donos de um movimento que tem origem, história e registro legal”, argumentou o empresário paulista. Ele também pede uma indenização de R$ 30 mil por reparação de danos morais.</p>



<p>Ele é enfático ao advertir: “qualquer pessoa que tentar utilizar o nome ‘Marcha para Exu’ sem autorização está sujeita a responder judicialmente, porque não se trata apenas de um título, mas de uma luta reconhecida, consolidada e registrada. A Marcha para Exu não é invenção de última hora, nem algo que qualquer pessoa pode pegar e sair usando. Esse movimento nasceu comigo!”. Pires garante que realizou três edições consecutivas gastando no total R$ 500 mil do próprio bolso. No Instagram, ele já anunciou a realização da versão carioca do evento: “O Rio de Janeiro vai estremecer”.</p>



<p>Sua argumentação, entretanto, não convenceu o juiz André Salomon Tudisco, que negou a liminar pedida por Jonathan Pires.</p>



<p>Em sua decisão, o magistrado afirmou que a Marcha para Exu é uma “marca que envolve expressões comuns, que não mantêm exclusividade para o uso das palavras &#8216;marcha&#8217; e &#8216;Exu&#8217;, em conjunto ou separadamente, pois são palavras com baixa distintividade”. Na sentença, ele arguiu que o deferimento de liminar “importaria na impossibilidade de uso por terceiros de expressão que se refere a caminhada em homenagem a divindade cultuada pelos praticantes da umbanda e candomblé.”</p>



<p>Para o juiz “devem suportar o ônus da convivência com outras marcas semelhantes ou com o uso da expressão por terceiros de boa-fé, como no caso em tela”. O processo continua tramitando em fase de instrução, mas a versão recifense da Marcha para Exu acabou acontecendo no domingo, 17 de agosto, uma semana antes do megavento paulistano.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/08/Exu-1-Jonathan-1024x619.jpg" alt="A foto mostra Jonathan Pires cantando em cima de um trio elétrico diante de uma grande multidão. Ele segura um microfone na mão direita e veste um chapéu preto de abas largas e uma camisa listrada nas cores preta, vermelha e amarela. Tem tatuagens visíveis nos braços e usa relógio no pulso. Ao fundo, vê-se uma imensa plateia reunida na rua, muitas pessoas vestidas de vermelho e preto, transmitindo clima de festa popular. Atrás dele, outras pessoas também estão no trio, incluindo uma artista com vestido vermelho brilhante. O cenário é de evento ao ar livre, com árvores altas de um lado e prédios da cidade ao fundo." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Jonathan Pires garante ter custeado três edições da Marcha em São Paulo
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Apropriação e exploração&#8221;</h2>



<p>A defesa de Renato Fonseca e André Beltrão rebateram as pretensões de Jonathan Pires afirmando que “a expressão ‘Marcha para Exu’ não constitui uma invenção ou um ‘ativo’, mas sim a designação lógica e descritiva de um evento que se propõe a ser exatamente isto: uma marcha em homenagem a Exu. Tal manifestação pertence à coletividade, ao povo de axé, e não pode ser objeto de apropriação singular para fins de exploração comercial exclusiva”.</p>



<p>Criador do perfil <a href="https://www.instagram.com/macumbaordinaria_?igsh=MTE3OWpuaDFmOXdmZA==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Macumba Ordinária</a>, Renato Fonseca admite que se inspirou no evento da avenida Paulista. “Nunca neguei que a inspiração foi na Marcha de São Paulo, na qual estive em 2024. Sempre repito isso nas entrevistas que dou, mas nosso objetivo não é fazer cortes para lacrar nas redes sociais, nossa marcha cumpriu o propósito político da defesa do povo de axé”, critica.</p>



<p>Fonseca responde a Jonathan Pires com ênfase semelhante a do empresário. “Ele é um empresário, branco, interessando em fazer dinheiro se apropriando da fé do povo negro. Um cara que pensa que todo mundo do Nordeste é burro, que não temos acesso a advogados, que a gente é um bocado de leigos ignorantes”, desabafa o produtor cultural.</p>



<p>Jonathan se apresenta como proprietário de uma loja de artigos religiosos, empresas no ramo automotivo e está &#8220;montando um haras no interior de São Paulo para ajudar a cuidar de crianças com síndrome de down e autismo&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Macumbeiro bolsonarista?</h3>



<p>Jonathan Pires está longe de ser unanimidade entre os praticantes das religiões de matriz africana de São Paulo. No entanto, o distanciamento aumentou em 2023, quando veio à tona a informação que o empresário teria apoiado Jair Bolsonaro na eleição de 2022.</p>



<p>Em <a href="https://movimentorevista.com.br/2023/08/exu-tem-lado-e-nao-e-bolsonarista/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo publicado em 10 de agosto de 2023</a>, sem citar o nome do organizador, Egbomy Ana Laura Oliveira e Lauro Castro, militantes da Rede Emancipa Axé, alertaram que “a Marcha para Exu, convocada por setores da direita em São Paulo, não representa a luta ancestral dos povos pretos”. Na mesma época, <a href="https://www.fuxicogospel.com.br/2023/08/marcha-para-exu-adeptos-se-dividem-apos-descobrirem-que-organizador-e-bolsonarista.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicações evangélicas</a> repercutiram a divisão do candomblé por causa da revelação dos supostos vínculos bolsonaristas do empresário. </p>



<p>Em mensagem para a MZ, ele nega ter votado ou apoiado Bolsonaro. </p>



<p>Se hoje ele acusa Fonseca e Beltrão de oportunismo, desde 2017 ele sofre acusação idêntica de um grupo de quatro mulheres – mãe e três filhas &#8211; integrantes do terreiro Caminho da Luz, dos projetos Samba de Seu Zé, Batucaxé e Prêmio Jovens de Axé.</p>



<p>Em vídeo publicado no Instagram (ver post no fim da matéria), Suzane de Nanã, Bella de Oyá acusam Jonathan de ter se apropriado de marcas de iniciativas criadas por ela, como o projeto Somos Todos Macumbeiros, que teria sido fundado por Bella em 2014 e registrado pelo empresário dois anos depois.</p>



<p>Em 2017, Suzane e as filhas também teriam realizado a primeira das Marchas para Exu em São Paulo e feito o pedido de registro no INPI, mas não teriam dado andamento ao processo. Seis anos depois, o empresário efetivou o registro e se tornou dono da marca, chegando a obter uma vitória na Justiça ao impedir a realização de um evento em Manaus que usaria a mesma programação visual usada por ele.</p>



<p>Nas postagens das quatro mulheres, uma das críticas é semelhante aquelas feitas por Renato Fonseca: “ele não escuta os movimentos sociais, ele não escuta os movimentos raciais”. Nas conversas de Whatsapp expostas por elas, Pires reage com ameaças de processos e intimidação: “Se quiser guerra comigo, eu tô aqui, mais [sic] não por celular não. Nois [sic] vai desenrolar no papo, olho no olho”.</p>



<p>Para a Marco Zero, Jonathan assegurou: “Eu não gosto de nada errado. Não vivo da religião em absolutamente nada. Não se trata de impedir que outras pessoas lutem contra a intolerância religiosa, pelo contrário: queremos que esse grito de resistência se espalhe”.</p>


<p>O post <a href="https://marcozero.org/exu-em-disputa-marcha-para-o-orixa-e-pivo-de-briga-na-justica/">Exu em disputa: marcha para o orixá é pivô de briga na Justiça</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Recife recebe a 1ª Marcha para Exú</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Aug 2025 20:04:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Matriz africana]]></category>
		<category><![CDATA[racismo religioso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste domingo, 24 de agosto, o Marco Zero no Recife Antigo será palco da Primeira Marcha para Exú, um evento inédito e carregado de simbolismo. Com concentração marcada para às 12h, o ato tem como lema “Exú não é o diabo” e busca combater a intolerância religiosa, reafirmando a importância das religiões de matriz africana [&#8230;]</p>
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<p>Neste domingo, 24 de agosto, o Marco Zero no Recife Antigo será palco da <a href="https://www.instagram.com/p/DM0VyGAgz6N/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Primeira Marcha para Exú</a>, um evento inédito e carregado de simbolismo. Com concentração marcada para às 12h, o ato tem como lema “Exú não é o diabo” e busca combater a intolerância religiosa, reafirmando a importância das religiões de matriz africana e o respeito às suas tradições. A iniciativa reúne povos de terreiro, artistas, militantes culturais e apoiadores da diversidade religiosa.</p>



<p>A marcha acontece em uma data especial, quando diversas casas de Candomblé, Jurema, Umbanda e Quimbanda celebram a força de Exú, entidade reverenciada como orixá e também como Exús e Pombogiras na Quimbanda. A organização convida o público a vestir preto e vermelho, cores associadas a Exú, e a levar sua fé, força e simbologias. </p>



<p>O evento contará com apresentações culturais, música, dança, canto e bonecos gigantes, além da presença de importantes lideranças religiosas como ialorixás, babalorixás, juremeiros e quimbandeiros. E promete ser um momento de celebração, resistência e afirmação da identidade afro-religiosa.</p>



<p>Para os organizadores, o ato é mais do que uma celebração: é um posicionamento político. “Quando dizemos que Exú não é o diabo, estamos reafirmando nossa fé e defendendo o respeito às religiões de matriz africana, tão atacadas pelo preconceito”, afirmam. A marcha também pretende ser um grito coletivo contra o racismo religioso e pela garantia dos direitos dos povos tradicionais.</p>



<p>O multiartista e comunicador Maxwell Lobato, que apresentará o evento, destaca o caráter transformador da marcha: “Estamos enfrentando o fascismo e o racismo com tecnologias ancestrais. A arte e a cultura espalham conhecimento e o conhecimento muda as pessoas, e as pessoas mudam o mundo.” Segundo ele, o ato será um marco na luta pela efetivação do Estado laico e pela valorização das expressões culturais afro-brasileiras.</p>
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		<title>&#8220;Intervalos bíblicos&#8221; na educação pública: quando a laicidade escorre pelos dedos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 May 2025 11:18:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[evangélicos]]></category>
		<category><![CDATA[fundamentalismo religioso]]></category>
		<category><![CDATA[intervalos bíblicos]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Marco Mondaini* A foto que o leitor/a leitora do presente artigo vê acima foi tirada do meu celular na quinta feira, 8 de maio, em um dos corredores do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal de Pernambuco, espaço no qual, há mais de duas décadas, venho dialogando com meus alunos/minhas alunas sobre [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Marco Mondaini*</strong></p>



<p>A foto que o leitor/a leitora do presente artigo vê acima foi tirada do meu celular na quinta feira, 8 de maio, em um dos corredores do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal de Pernambuco, espaço no qual, há mais de duas décadas, venho dialogando com meus alunos/minhas alunas sobre direitos humanos nas disciplinas por mim ministradas.</p>



<p>Em tais aulas, procuro refletir junto aos/às discentes sobre a importância civilizacional representada pela separação estabelecida na obra de Nicolau Maquiavel entre política e religião, Estado e Igreja – uma separação que levaria os pais do pensamento liberal, a começar por John Locke, a lançar as bases da liberdade religiosa e da laicidade do Estado, na modernidade.</p>



<p>Já se vão quase cinco séculos da publicação póstuma de <em>O Príncipe</em>, de Maquiavel (1532) e mais de 335 anos do início da circulação do <em>Segundo Tratado do Governo Civil </em>e da <em>Carta sobre a Tolerância, </em>de Locke (1689), e encontramo-nos no Brasil em meio a uma ofensiva de forças religiosas obscurantistas que vêm cercando os espaços de poder por meio de aproximações sucessivas.</p>



<p>No que diz respeito à educação pública, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, perambulam propostas de adoção do ensino religioso nas escolas, que chegaram ao ponto da aprovação de uma lei, no Rio de Janeiro do então governador Anthony Garotinho, que regulamentava o ensino religioso de caráter confessional (Lei Estadual nº 3459/2000).</p>



<p>Já se passaram 25 anos desta lei e, ao contrário do que afirma o ditado popular, as águas passadas continuam a fazer mover os moinhos do crescimento da “confessionalização” da vida social e política brasileira, não obstante a resistência de setores da sociedade civil e política nacional que insistem em defender o caráter laico do nosso Estado.</p>



<p>Pois bem, a chegada dos assim chamados “intervalos bíblicos” aos corredores de uma universidade pública federal (depois do “ensaio” em curso nas escolas públicas de nível médio) acende o alerta para um perigoso movimento de ataque àquilo que, por razões óbvias, se encontra nos seus fundamentos estruturantes: o compromisso com a razão científica.</p>



<p>Ora, os fundamentalismos religiosos em geral e o fundamentalismo neopentecostal em particular têm dado uma gigantesca cota de contribuição aos negacionismos de toda ordem e à construção de barreiras à conquista de direitos dos setores subalternizados da sociedade, especialmente das mulheres e da comunidade lgbt.</p>



<p>Admitir tal prática dentro dos muros das universidades públicas (e das escolas públicas no seu conjunto) implica fechar os olhos em relação ao fato de que, por um lado, temos um compromisso com a laicidade, com a cientificidade, com a democracia e com o pluralismo, e, que, por outro lado, os locais de exercício da fé religiosa já são muitos e, todos eles, de caráter privado.</p>



<p>Nas escolas públicas estaduais, ao invés de “intervalos bíblicos”, voltados ao culto de uma religião específica, deveria ser estimulada a rica diversidade regional, por intermédio de “intervalos culturais”, com a presença dos inúmeros grupos do folclore pernambucano – suas canções, ritmos e danças; “rodas de diálogo” com a criativa turma do audiovisual do nosso estado, na sequência da exibição dos seus filmes; “contações de histórias” com os vários discípulos de Ariano Suassuna, a fim de que não se deixe morrer as suas “aulas espetáculo”.</p>



<p>Com a palavra a governadora do estado.</p>



<p>Já nos espaços da Universidade Federal de Pernambuco, devido à quantidade de opções acadêmicas oferecidas, diuturnamente, ao seu corpo discente, não me parece haver alternativa que não passe pela desautorização de tais cultos privados (pois é disso que se trata) e sugestão de acompanhamento das disciplinas que tenham no seu programa conteúdos relativos à história, sociologia e filosofia das religiões.</p>



<p>Com a palavra o magnífico reitor da UFPE.</p>



<p>Não se trata de intolerância religiosa, mas sim de uma defesa, esta sim intransigente, dos princípios republicanos que devem reger os espaços públicos, com destaque para os locais de ensino, aprendizagem e pesquisa.</p>



<p>Não nos iludamos. O ovo da serpente já teve a sua casca quebrada. A hora é de empurrá-la de volta para o seu ninho.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p class="sdfootnote" align="justify"><strong><span style="font-family: Arial, sans-serif;">*Historiador e professor titular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Autor de inúmeros livros, entre os quais: </span><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><i>Direitos Humanos &#8211; </i></span><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><em>breve história de uma grande utopia</em>. São Paulo: Edições 70, 2020.</span></strong></p>
    </div>
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		<title>Ataque a terreiro em Paulista dá tom de protesto ao Dia do Macumbeiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Mar 2025 20:35:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Candomblé]]></category>
		<category><![CDATA[Dia do Macumbeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Jurema Sagrada]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Originalmente, a programação do dia do Macumbeiro – ou o Dia Nacional das Religiões de Matriz Africana – era de festa e celebração, mas o ataque ao terreiro de Jurema do Mestre Pilão Deitado, em Paulista, transformou o que seria um evento festivo em protesto. Nesta sexta-feira, 21 de março, lideranças religiosas, movimentos sociais e [&#8230;]</p>
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<p>Originalmente, a programação do dia do Macumbeiro – ou o Dia Nacional das Religiões de Matriz Africana – era de festa e celebração, mas o ataque ao terreiro de Jurema do Mestre Pilão Deitado, em Paulista, transformou o que seria um evento festivo em protesto.</p>



<p>Nesta sexta-feira, 21 de março, lideranças religiosas, movimentos sociais e o perfil Macumba Ordinária realizarão um ato contra a intolerância e o racismo religioso diante do monumento Tortura Nunca Mais, na rua da Aurora. O protesto está marcado para 14h.</p>



<p>De acordo com Renato Fonseca, do perfil Macumba Ordinária, na madrugadade quarta-feira, 19 de março, três homens invadiram a tenda do Pai Diego, no bairro Torres Galvão, em Paulista, destruíram e imagens, objetos sagrados e saqueando o local. A invasão mobilizou a comunidade  do candomblé, da umbanda e da jurema na Região Metropolitana e alterou a agenda do Dia do Macumbeiro. O ataque ocorreu dois meses depois do <a href="https://marcozero.org/evangelicos-promovem-cercos-a-terreiros-para-intimidar-candomble/">&#8220;cerco&#8221; realizado por evangélicos</a> ao terreiro de Xambá, em Olinda.</p>



<p>Inicialmente, o que estava marcado no mesmo local era um arrastão cultural para “celebrar a ancestralidade”, com homenagens à ialorixá Mãe Lu. Apesar do protesto, a parte festiva foi mantida. Após o protesto, está previsto um arrastão cultural em direção à rua da Saudade, onde haverá uma feira de artesanato e apresentações musicais.</p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>I Baile do Macumbeiro</strong></h2>



<p>Na rua da Saudade, às 18h o ato contra a intolerância vai dar lugar ao I Baile do Macumbeiro, com apresentações de artistas de diversos gêneros que constituem a herança cultural de origem africana, como o samba, o afoxé e o maracatu. O artista Maxwell Lobato, convidado para ser um dos apresentadores do evento, disse que “é importante enfrentar o fascismo e racismo com tecnologias ancestrais, nada melhor do que pôr o nosso bloco na rua, as nossas roupas, os nossos ritmos, as nossas danças, as nossas vozes, a arte e a cultura”.</p>


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		<title>Terreiros pedem criação de delegacia especializada em intolerância religiosa em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2025 15:52:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Assembleia de Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Candomblé]]></category>
		<category><![CDATA[evangélicos]]></category>
		<category><![CDATA[fundamentalismo religioso]]></category>
		<category><![CDATA[intolerância religiosa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após as denúncias de intolerância religiosa da semana passada, o perfil Macumba Ordinária, o Terreiro de Xambá, povos de terreiro e movimentos antirracistas se reuniram, neste domingo (26), em Xambá, em Olinda, com a presença e apoio de parlamentares e da OAB-PE, para pedir paz e também solicitar a criação de uma Delegacia Especializada no [&#8230;]</p>
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<p>Após as <a href="https://marcozero.org/evangelicos-promovem-cercos-a-terreiros-para-intimidar-candomble/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">denúncias de intolerância religiosa</a> da semana passada, o perfil Macumba Ordinária, o Terreiro de Xambá, povos de terreiro e movimentos antirracistas se reuniram, neste domingo (26), em Xambá, em Olinda, com a presença e apoio de parlamentares e da OAB-PE, para pedir paz e também solicitar a criação de uma Delegacia Especializada no Combate à Intolerância Religiosa em Pernambuco. A Rede Articulação da Caminhada de Terreiros de Pernambuco (ACTP) exibiu uma faixa com a frase “Não vamos nos calar diante do racismo religioso”.</p>



<p>“Nós que fazemos a Casa Xambá acreditamos que todas as religiões juntas é que podem mudar uma sociedade”, disse o babalorixá Pai Ivo de Xambá durante o ato, relembrando o trabalho social do terreiro para toda a comunidade. “Isto aqui não é uma guerra santa”, frisou.</p>



<p>“Isto aqui é simplesmente uma visão social para que uma sociedade viva mais justa. Acho, inclusive, que todas as religiões podem contribuir com uma sociedade melhor. Existe um provérbio africano que diz ‘Quando uma abelha lhe pica, você não deve acabar com a colmeia’. Eu acho que essa abelha que nos pica a gente deve simplesmente mostrar a ela onde tirar o néctar. Mas não acabar com a colmeia, acabar com a colmeia quer dizer acabar com as outras religiões”, complementou Pai Ivo.</p>



<p>Na semana do Dia do Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, última terça-feira, ao menos três episódios de intolerância religiosa contra povos de terreiro de candomblé foram registrados na Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>Um dos casos aconteceu no domingo (19) em frente ao quase centenário Terreiro de Xambá, em Olinda. Em dia de solenidade do Toque de Obaluaiê, os frequentadores da casa foram surpreendidos por um grupo de aproximadamente 100 evangélicos da Assembleia de Deus com carro de som, microfone, faixa e instrumentos tentando realizar um culto em frente ao terreiro. Segundo os depoimentos, alguns evangélicos fizeram proselitismo religioso e proferiram palavras ofensivas contra os macumbeiros.</p>



<p>Fundado em 1930, único de nação Xambá na América Latina, localizado no primeiro quilombo urbano do Brasil, o Portão de Gelo, o Terreiro de Xambá é Patrimônio Vivo de Pernambuco.</p>



<p>Presidente da Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), a deputada Dani Portela (Psol) esteve em Xambá e citou que “infelizmente o que aconteceu aqui não é uma exceção, faz parte de um projeto. E esse projeto, que se veste de fé — porque fé não é isso — veio aqui cometer um crime. O que foi feito aqui é um crime, racismo religioso”.</p>



<p>Também presente no ato, a deputada estadual Rosa Amorim (PT) defendeu que “É muito importante dizer que o que aconteceu aqui não foi um caso isolado. Só neste mês, tem mais três denúncias de violações graves, de crimes contra a população de terreiro no estado de Pernambuco”.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/01/xamba-foto-paulinho-filizola-1-1024x682.jpeg" alt="A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas em um ambiente interno, possivelmente um centro religioso ou cultural. Algumas estão vestidas com roupas tradicionais brancas e outras com roupas coloridas. No centro, há um banner com a frase NÃO VAMOS NOS CALAR DIANTE DO RACISMO RELIGIOSO! em letras vermelhas, acompanhado por imagens e símbolos religiosos. A cena parece ser um evento ou manifestação contra o racismo religioso, destacando a importância da luta contra a discriminação baseada na religiã" class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Povos de terreiro realizaram ato contra a intolerência e o racismo religioso em Xambá
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Paulinho Filizola</span>
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<p>Presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-PE, o advogado Martorelli Dantas afirmou, durante o protesto, que “quando o tema é direito pelo respeito, liberdade de expressão e de fé, todas as religiões não são iguais. Porque, neste país, existe um alvo privilegiado da intolerância, da agressão, da ameaça e da violência. Esse alvo têm sido as religiões de matriz africana e de tradição indígena. É do lado desse grupo que essa Comissão deve lutar”.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> fez contato com a assessoria de comunicação da Igreja Assembleia de Deus em Pernambuco e ainda aguarda retorno.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/terreiros-pedem-criacao-de-delegacia-especializada-em-intolerancia-religiosa-em-pernambuco/">Terreiros pedem criação de delegacia especializada em intolerância religiosa em Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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