<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo de Saneamento - Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/temas/saneamento/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/temas/saneamento/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 04 Jun 2026 20:42:22 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.5</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivo de Saneamento - Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/temas/saneamento/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Moradores do Ibura de Baixo sofrem por causa de obra da prefeitura</title>
		<link>https://marcozero.org/moradores-do-ibura-de-baixo-sofrem-por-causa-de-obra-da-prefeitura/</link>
					<comments>https://marcozero.org/moradores-do-ibura-de-baixo-sofrem-por-causa-de-obra-da-prefeitura/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2026 01:23:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Ibura]]></category>
		<category><![CDATA[obra]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=75711</guid>

					<description><![CDATA[<p>Quem mora na rua Manaíra, exatamente ao lado do muro da cabeceira da pista do aeroporto, está sempre atento ao ruído dos motores dos aviões que passam a poucos metros dos telhados de suas casas. No entanto, após o início das obras da nova ligação entre as avenidas Recife e Dom Helder Câmara, essa comunidade [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/moradores-do-ibura-de-baixo-sofrem-por-causa-de-obra-da-prefeitura/">Moradores do Ibura de Baixo sofrem por causa de obra da prefeitura</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quem mora na rua Manaíra, exatamente ao lado do muro da cabeceira da pista do aeroporto, está sempre atento ao ruído dos motores dos aviões que passam a poucos metros dos telhados de suas casas. No entanto, após o início das obras da nova ligação entre as avenidas Recife e Dom Helder Câmara, essa comunidade no Ibura de Baixo passou a se preocupar mais com problemas ao nível do solo do que com as aterrissagens dos airbus e boeings.</p>



<p>Desde que os operários da empresa contratada pela prefeitura do Recife começaram a construir a nova via de acesso ao Ibura, os moradores passaram a conviver com alagamentos praticamente em tempo integral &#8211; pouco importando se chove ou faça sol &#8211; mau cheiro contínuo da água estagnada, problemas de saúde e rachaduras nas paredes dos imóveis.</p>



<p>A obra é resultado de convênio entre a prefeitura e o Ministério das Cidades, com aporte de R$12,5 milhões feito pelo órgão federal. A placa que sinaliza a construção é clara: início em novembro de 2024 e encerramento em novembro de 2025, com realização de serviço de pavimentação, drenagem, macrodrenagem e urbanização do acesso entre as duas avenidas. No entanto, até agora, junho de 2026, apenas metade do trecho anunciado foi concluído.</p>



<p>A lista de reclamações é extensa, começando pela falta de diálogo do poder público e culminando nos transtornos descritos no segundo parágrafo deste texto. </p>



<p>O catador de recicláveis Alexsandro Silva, de 41 anos, mora entre os trilhos da ferrovia Transnordestina e o muro do aeroporto há 15 anos, mas este ano foi a primeira vez que viu a casa ser tomada pela água.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:38% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-683x1024.jpg" alt="A foto mostra Alexsandro Silva em pé sobre uma calçada estreita ao lado de uma casa com paredes desgastadas e pintura verde-azulada descascada. Ele está com os braços cruzados, vestindo camiseta cinza e bermuda listrada, e olha firme para a câmera. Ao lado dele corre um canal estreito de água, cercado por vegetação e entulho, com uma muralha alta e enferrujada do outro lado. O céu azul com nuvens claras contrasta com o cenário urbano precário." class="wp-image-75714 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-683x1024.jpg 683w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-768x1152.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-1024x1536.jpg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-150x225.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k.jpg 1365w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Durante a chuva do dia 1º de maio, que deixou pessoas desabrigadas, com vários pontos de alagamentos na cidade, inclusive na avenida Recife, Sandro, como é conhecido, foi surpreendido quando seus pertences e materiais de trabalho foram levados pela correnteza.Ele conta que a área já tinha alagado outras vezes, mas dessa vez atingiu proporções bem maiores. Para piorar, boa parte da água não escorreu, ficando empoçada, sem ter por onde escoar.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>Não foi só o grande volume de chuva. A construção do canal que fará parte do novo sistema de drenagem e macrodrenagem, está aterrando o mangue por trás de um campinho de futebol, o campo do Real, e formou uma espécie de lago na área que foi aberta para passar o canal. Segundo os moradores com quem conversamos, para drenar este “lago”, os funcionários da prefeitura utilizam uma bomba que joga os dejetos em um curso d&#8217;água natural que já existia ali. Os resíduos acabaram obstruindo o córrego, agravando o problema.</p>



<p>“Antes a água batia no peito nesse córrego, o pessoal tomava banho, pegava beta. Agora não, porque isso não é só lama, é dejeto, vem uma ‘murrinha’ de um trator, puxa e vai jogando pro lado de cá. E quando eles tocam esse trabalho, é catinga de merda pura, ninguém aguenta ficar aqui dentro de casa não. É rato correndo de um lado pro outro, porque tão tirando os caminhos deles que ficam ali por trás, então de noite os ratos vem pra cá, disputando espaço com a gente”, explica Sandro.</p>



<p>Por medo que os filhos contraíam doenças, Sandro e a esposa, Daniele Patrícia, decidiram deixar os filhos com a avó. “Nem os filhos a gente pode deixar em casa, como dois adolescentes, um de 16 anos e outro de 14, vão ficar em casa numa situação dessa?”, questiona Sandro.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Algumas famílias também enfrentam falta de iluminação, pois algumas casas foram desapropriadas, algumas já foram demolidas e outras estão vazias, a espera do momento de irem abaixo. Só depois de reclamar junto aos funcionários da empreiteira, conseguiram que instalassem uma pequena lâmpada para iluminar o trecho. O ponto de luz foi ligado a uma gambiarra precária conectando a fiação das casas desapropriadas, com a das casas que permanecerem, por meio de fio e bocal, em uma das paredes que ainda ficaram de pé.</p>
<p>“Por medo disso cair numa noite de chuva e a fiação das casas da gente ir junto, dar um curto circuito e queimar nossos barracos, a gente foi atrás da empresa de novo. Só depois de oito dias eles vieram aqui, mas às sete da noite já dá medo de passar”, afirma a dona de casa Alessandra da Silva, que mora na Manaíra há dez anos.</p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">“Faz medo cair por cima”</h2>



<p>“Perdi dois guarda-roupa, rachou a casa, ainda tá rachada lá, faz medo cair por cima, né?” Essas palavras são de Jailton Nunes, que, há pelo menos 12 anos, mora com a esposa e as filhas em um beco com mais de 15 casas. Assim como seu vizinho Sandro, em todo esses anos sua família nunca tinha perdido móveis por causa de um alagamento.</p>



<p>A situação na casa de Jailton parece ser mais grave do que na vizinhança, pois duas paredes estão com grandes rachaduras. “É uma sensação ruim! Já tinha enchido na avenida Recife e num pedaço da área da linha de trem, mas aqui nunca! Mas depois dessa obra começou a encher, a água veio por trás e por frente”, conta. Quando ele fala &#8220;por trás&#8221;, se refere ao que restou do manguezal que está em processo de aterramento para construção do canal. &#8220;Pela frente&#8221; é onde tem a espécie de lago de águas podres formado em consequência da obra.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55292480317_0ce80c14f6_k-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55292480317_0ce80c14f6_k-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55292480317_0ce80c14f6_k-1024x683.jpg" alt="A foto mostra um beco estreito entre construções antigas e desgastadas. As paredes estão manchadas e com mofo, e há uma porta encostada no chão, sugerindo abandono ou reforma. No muro à direita, vê-se a inscrição “URB 106” feita com tinta preta em spray, enquanto ao fundo há outra marca semelhante. O telhado de zinco está danificado, com partes faltando e fios expostos, e o chão apresenta poças d’água e sujeira. A cena transmite uma atmosfera de degradação urbana, típica de áreas periféricas ou em processo de demolição." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Moradores dizem que fFuncionários da prefeitura marcaram as casas sem explicar motivo
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A casa da família de Jailton é uma das que foram marcadas pelas equipes da prefeitura antes do início das obras. Apesar das marcações, ele afirma que ninguém da prefeitura foi ao local para orientar ou tratar do assunto. “A gente falou com algumas pessoas, engenheiros, mas ainda não informaram nada a gente. Não falaram de indenização. Estão pagando o pessoal aos poucos, mas a gente ainda não sabe de nada, ninguém tomou decisão pra resolver nada”, lamenta Jailton.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Diálogo difícil com a prefeitura</h3>



<p>Todos os moradores que conversamos disseram que o diálogo com a prefeitura é difícil. Além de não terem sido consultados para a obra, mesmo após os problemas aparecerem, não se sentem ouvidos nem apoiados. Segundo Joelma Andrade, liderança do Centro Comunitário Mário de Andrade, mais de 230 casas foram desapropriadas para construção do acesso. No início do processo, as casas começaram a ser marcadas, mas as pessoas não tinha noção do que se tratava. Foi aí que Joelma procurou o Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec) e a Defensoria Pública, que solicitaram a apresentação do projeto aos moradores, o que só teria acontecido depois de duas reuniões.</p>



<p>&#8220;Foi aí que eles apresentaram o projeto. No momento eu questionei para onde as águas iriam quando a chuva viesse. Disseram que nenhuma família iria sofrer mas, no entanto, é isso que está acontecendo, elas estão sofrendo&#8221;, conta Joelma.</p>



<p>A assistente social do Cendhec, Cristinalva Lemos, afirmou que apenas em 2025, após a provocação dessas organizações a prefeitura começou a se mobilizar para apresentar os projetos e dialogar minimamente com as famílias. A organização tem atuado junto às mulheres da região para discutir, sobretudo, a justiça socioambiental. No sentido de buscar os órgãos competentes que possam dar alguma resposta em relação aos transtornos que as pessoas. &#8220;O diálogo com o poder público é muito difícil&#8221;, conta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz a prefeitura:</span>

		<p>A Prefeitura do Recife esclarece que as obras no Ibura fazem parte de um pacote de intervenções de R$ 12 milhões, financiado por convênio com o Ministério do Desenvolvimento Regional e a Caixa Econômica Federal, com contrapartida da gestão municipal. O projeto prevê a criação de uma nova rota de saída do bairro, com 1.100 metros de extensão ligando a Avenida Dom Hélder Câmara à Avenida Recife, além de obras de pavimentação, drenagem, macrodrenagem e urbanização de áreas públicas.</p>
<p>As obras de macrodrenagem seguem normas técnicas e têm autorização ambiental. O canal está em uma área anteriormente assoreada e sem profundidade suficiente para escoamento, e o projeto prevê dimensões capazes de absorver as águas em situações de chuva. A intervenção também viabiliza a requalificação da Avenida Dom Hélder Câmara, que será nivelada e receberá um reservatório subterrâneo para armazenar o volume de água que hoje escoa para a Avenida Recife.</p>
<p>Em relação às famílias que vivem às margens da linha do trem, a Prefeitura reconhece as dificuldades enfrentadas e esclarece que a região tem histórico de alagamentos, agravado pelo período chuvoso. Com a conclusão das obras do canal e das desapropriações, as águas passarão a seguir o curso projetado, reduzindo os alagamentos na área.</p>
<p>Sobre as casas da rua Manaíra, a gestão municipal informa que as residências nas imediações do número 46 estão incluídas no processo de desapropriação. As demais moradias com indícios de danos estruturais já foram vistoriadas, os valores de indenização foram negociados e estão em processo de pagamento.</p>
<p>Desde a fase de desenvolvimento do projeto, a gestão municipal manteve diálogo com a comunidade por meio de assembleias, reuniões e contato com lideranças locais. As negociações para desapropriação tiveram início em 2024 e estão sendo concluídas em 2026.</p>
<p>O projeto prevê ainda a urbanização de áreas públicas com novos espaços de lazer e convivência, incluindo quadra esportiva, parque infantil, campo de futebol requalificado e área para piquenique, além de arborização e paisagismo em todo o trecho da intervenção.</p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293537858_cfdb2d5f38_k-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293537858_cfdb2d5f38_k-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293537858_cfdb2d5f38_k-1024x683.jpg" alt="A imagem mostra uma área periférica em processo de transformação, com casas simples de tijolo e vegetação densa ao redor de um canal de água parada. O solo parece irregular e há entulho e lama, sugerindo obras ou reconstrução. À esquerda, vê-se uma estrutura metálica enferrujada coberta por plantas, e algumas pessoas caminhando ao longe. O céu está parcialmente nublado, com tons dourados e azulados, indicando o fim de tarde. A cena transmite uma mistura de vulnerabilidade ambiental e cotidiano urbano, onde a natureza e a ocupação humana coexistem em condições precárias." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Com aterro do manguezal, águas da chuva não tem para onde escoar
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/moradores-do-ibura-de-baixo-sofrem-por-causa-de-obra-da-prefeitura/">Moradores do Ibura de Baixo sofrem por causa de obra da prefeitura</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/moradores-do-ibura-de-baixo-sofrem-por-causa-de-obra-da-prefeitura/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Prefeitura do Cabo quer remover entidade que recolhe e recicla lixo das praias há 17 anos</title>
		<link>https://marcozero.org/prefeitura-do-cabo-quer-remover-entidade-que-recolhe-e-recicla-lixo-das-praias-ha-17-anos/</link>
					<comments>https://marcozero.org/prefeitura-do-cabo-quer-remover-entidade-que-recolhe-e-recicla-lixo-das-praias-ha-17-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jan 2026 14:42:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Itapuama]]></category>
		<category><![CDATA[lixo nas praias]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=74283</guid>

					<description><![CDATA[<p>O ano começou tenso para uma das mais atuantes organizações de reciclagem e educação ambiental do litoral sul. No dia 11 de janeiro, em pleno domingo, a prefeitura do município enviou funcionários da Secretaria de Política Urbana para retirar cercas e placas que rodeavam a sede da organização não governamental Onda Limpa para Gerações Futuras, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/prefeitura-do-cabo-quer-remover-entidade-que-recolhe-e-recicla-lixo-das-praias-ha-17-anos/">Prefeitura do Cabo quer remover entidade que recolhe e recicla lixo das praias há 17 anos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O ano começou tenso para uma das mais atuantes organizações de reciclagem e educação ambiental do litoral sul. No dia 11 de janeiro, em pleno domingo, a prefeitura do município enviou funcionários da Secretaria de Política Urbana para retirar cercas e placas que rodeavam a sede da organização não governamental Onda Limpa para Gerações Futuras, na praia de Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco. </p>



<p>A alegação da gestão municipal é que a área ocupada seria pública e que a instituição não poderia ocupá-la.</p>



<p>Por enquanto, o despejo só não aconteceu porque a defensora pública Eloísa Helena, obteve na Justiça uma liminar para interromper a ação da Prefeitura realizada sem decisão administrativa final formalizada, mesmo após a ONG apresentar defesa administrativa dentro do prazo legal, com multa diária no valor de mil reais caso seja descumprida.</p>



<p>Em sua decisão, o juiz Albérico Agrello Net, da Vara da Fazenda Pública do Cabo de Santo Agostinho, determinou que a prefeitura &#8220;se abstenha de promover a remoção do trailer fixo e o desmonte da estrutura de apoio em pallets, ou de realizar qualquer intervenção material de natureza irreversível no imóvel até o julgamento definitivo (&#8230;), salvo se amparado por ordem judicial específica em sentido contrário&#8221;. Se a ordem for desrespeitada, o município será multado em R$ 1.000,00 por dia.</p>



<p>A Justiça reconheceu e levou em conta o fato da Onda Limpa ocupar o terreno há 17 anos e, ao longo de todo este tempo, atuar com reciclagem de lixo, fazendo diariamente ações de coleta seletivas nas praias da região, principalmente Paiva, Itapuama, Xaréu e Enseada dos Corais. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Diálogo zero</h2>



<p>O presidente da ONG, Estevão Santos, garante que tentou dialogar com os funcionários da prefeitura, mas não adiantou. Segundo ele, faltou comunicação clara e sobrou intimidação, mas não foram apresentadas comprovações técnicas de que a área estava sendo ocupada irregularmente. A única orientação que teria recebido é que deveria comparecer à secretaria no dia seguinte.</p>



<p>Estevão, que é estudante de Engenharia Ambiental, afirma que, em nenhum momento foram apresentados documentos que comprovariam que a Onda Limpa estaria instalada em local indevido, como a topografia do local e a planta baixa. </p>



<p>Em contrapartida, ao entregar sua defesa, ele requereu o reconhecimento das irregularidades formais da notificação, a anulação da notificação por ausência de comprovação técnica, o contrato de comodato que ele mantêm com o empresário que afirma ser proprietário do imóvel, a suspensão de medidas punitivas até regular instrução técnica e, por fim, a preservação das atividades socioambientais desenvolvidas no local. Até o momento da edição desta reportagem, a prefeitura não havia dado retorno às suas demandas.</p>



<p>&#8220;Depois de protocolar a defesa, a prefeitura não comprovou se era área pública ou privada, então a gente ficou nesse anseio de a qualquer momento podem nos tirar daqui. Isso é o mais angustiante. A gente apresentou a defesa, mas cadê a resposta? E ficou esse limbo na história&#8221;, contou Estevão, que mora em um trailer no mesmo terreno da sede.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Esgoto no mar</h3>



<p>Coincidentemente, a ação dos agentes da prefeitura foi realizada dois dias após a ONG postar uma vídeo denunciando o esgoto desaguando no mar de Itapuama. “No dia 9 de janeiro, a gente fez uma postagem falando dessa questão do esgoto, falando que estava a céu aberto, após fazer isso, no dia 11, eles vieram com o controle urbano e a guarda municipal, dizendo que iriam derrubar a cerca e que eu estaria ocupando uma área pública&#8221;, explicou o ativista.</p>



<p>Regularizada, com estatuto e com contrato de comodato com os proprietários do terreno, ou seja, um empréstimo gratuito de uma pessoa para outra para uso temporário, a organização afirmou que já havia passado por situações parecidas nas gestões anteriores do prefeito Lula Cabral (Solidariedade). </p>





<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que diz a prefeitura do Cabo</strong></h3>



<p>Em nota, a Secretaria de Política Urbana e Meio Ambiente do Cabo de Santo Agostinho afirmou que “todas as ações no município seguem rigorosamente a legislação urbanística, ambiental e de uso do solo, com foco na preservação do patrimônio público, na segurança da população e no interesse coletivo”.</p>



<p>Continua dizendo que analisou a área ocupada pela ONG Onda Limpa, a defesa administrativa, incluindo o comodato apresentado. “Constatou-se, contudo, que a área descrita no documento não corresponde ao local atualmente ocupado, que, conforme a planta oficial do loteamento, é classificado como de uso público, o que impede qualquer ocupação privada”.</p>



<p>“Concluída a análise, a decisão será comunicada formalmente à ONG Onda Limpa. A gestão municipal reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência, a proteção do patrimônio público e o diálogo com a sociedade”, continua a gestão municipal, sem especificar os prazos.</p>



<figure class="wp-block-video"><video height="864" style="aspect-ratio: 640 / 864;" width="640" controls src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/01/Remocao-das-placas-da-ONG-Onda-Limpa.mp4"></video></figure>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/prefeitura-do-cabo-quer-remover-entidade-que-recolhe-e-recicla-lixo-das-praias-ha-17-anos/">Prefeitura do Cabo quer remover entidade que recolhe e recicla lixo das praias há 17 anos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/prefeitura-do-cabo-quer-remover-entidade-que-recolhe-e-recicla-lixo-das-praias-ha-17-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		<enclosure url="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/01/Remocao-das-placas-da-ONG-Onda-Limpa.mp4" length="8636995" type="video/mp4" />

			</item>
		<item>
		<title>A dura rotina dos olindenses que vivem às margens do riacho Lava Tripas, a &#8220;nascente do abandono&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/a-dura-rotina-dos-olindenses-que-vivem-as-margens-do-riacho-lava-tripas-a-nascente-do-abandono/</link>
					<comments>https://marcozero.org/a-dura-rotina-dos-olindenses-que-vivem-as-margens-do-riacho-lava-tripas-a-nascente-do-abandono/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2024 19:54:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Macrodrenagem]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=65826</guid>

					<description><![CDATA[<p>Quando a chuva chega, os moradores das margens do riacho Lava Tripas em Olinda, um afluente do rio Beberibe, já sabem que os transtornos vão se repetir. Mas é próximo à nascente, em um território com aproximadamente dois mil habitantes, que as consequências da falta de políticas públicas é percebida mais claramente. Na terceira reportagem [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-dura-rotina-dos-olindenses-que-vivem-as-margens-do-riacho-lava-tripas-a-nascente-do-abandono/">A dura rotina dos olindenses que vivem às margens do riacho Lava Tripas, a &#8220;nascente do abandono&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando a chuva chega, os moradores das margens do riacho Lava Tripas em Olinda, um afluente do rio Beberibe, já sabem que os transtornos vão se repetir. Mas é próximo à nascente, em um território com aproximadamente dois mil habitantes, que as consequências da falta de políticas públicas é percebida mais claramente. Na terceira reportagem da série <em>A Olinda que a prefeitura esqueceu</em>, vamos conhecer como é a vida em um dos bairros da cidade que mais sofrem a falta de serviços e infra-estrutura.</p>



<p>Ao percorrer a rua Gibraltar, principal via do Córrego da Bondade e que leva à nascente do rio, a paisagem vai mudando e os problemas se tornam aparentes. As construções se misturam com a vegetação crescida. O acesso é esburacado e não há calçamento. A rua está sempre encharcada porque a água do rio não tem para onde escoar. Os moradores não têm acesso à saúde. Não há creches onde as mães podem deixar as crianças. Estas não tem onde brincar. Para pegar o transporte, há quem precise andar mais de um quilômetro, subindo e descendo ladeiras ou escadarias, para chegar na avenida.</p>



<p>Essas são algumas queixas dos moradores deste lugar que outrora era marcado por abundância de água e vegetação. A dona de casa Vera Lúcia, de 51 anos, nasceu, cresceu, criou os cinco filhos e agora, cria os netos no bairro. Com o passar dos anos, ela acompanhou outras localidades da região se transformarem, menos o entorno do riacho. “A gente anda aqui com muita lama, com muita dificuldade para tudo. Quando chove, a gente anda com os filhos e netos nas costas para levar até o caminho da escola, porque a água dá até em cima quando o rio está estourado”, lamenta.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/lava-Vera.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/lava-Vera.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/lava-Vera.jpg" alt="Na foto, há uma mulher negra, de cabelos pretos presos por tráa da cabeça, em primeiro plana. Ela está vestindo uma blusa de mangas curtas com um padrão que inclui tons de azul, branco e verde, lembrando folhas de palmeira ou folhagem. Ao fundo, há uma cena de rua com casas de ambos os lados de uma estrada não pavimentada. Há árvores e vegetação visíveis ao redor das casas, e o céu está claro, com a luz do dia diminuindo, sugerindo que pode ser início da noite ou fim de tarde." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Vera Lúcia diz que moradores vivem no meio da lama
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A única escola municipal que atendia a comunidade foi fechada e, agora, as crianças precisam percorrer aproximadamente quatro quilômetros em um ônibus da prefeitura para terem acesso ao ensino municipal. “Nós levamos eles lá para o outro lado da pista, aí tem um ônibus da prefeitura que vem buscar, que é um descaso também o ônibus, muita criança em cima da outra. A gente se preocupa, infelizmente a gente tem que deixar, mas é um descaso muito grande”, descreve.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Crescimento desenfreado</h2>



<p>O borracheiro Jair de Barros tem 53 anos de memórias e histórias na comunidade. Atualmente, ele mora em Aldeia, na cidade de Camaragibe, mas toda semana vai ao Córrego para visitar a mãe e os parentes, afinal são pelo menos 100 pessoas da sua família morando por lá. “Quando chove aqui eu fico pensando logo na minha mãe, porque minha mãe tem 71 anos, já é debilitada, não tem aquela disposição que a gente mais jovem tem. Ela não quer sair daqui, a riqueza que eu acho que eu tenho é minha mãe, então, eu fico com ela. Esse problema de chuva aqui é o caos”, lamenta Jair.</p>



<p>Nesse rio Jair se divertiu com os amigos na infância e juventude. “Crescer aqui no Córrego foi legal, a gente tinha um clima bom, era uma área que os governantes e até a própria população cuidavam mais. De uns 30 anos pra cá o lugar está abandonado”, relembra.</p>



<p>&#8220;Na época a gente tinha um campo aqui, no chamado Córrego dos Índios, então a gente saia para trabalhar pela manhã no rio, à tarde a gente almoçava e depois ia jogar a bolinha da gente, quando terminava de jogar a bola, o chuveiro da gente era o rio mesmo”, relembra.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>A <strong>Operação Inverno 2024, da prefeitura de Olinda</strong>, incluiu açoes de micro e macrodrenagem. Entre eles, a microdrenagem com a limpeza de canaletas e galerias em todos os bairros e a macrodrenagem dos 27 canais do município, incluindo o canal da Malária, no Varadouro; o Ouriço do Mar, em Ouro Preto; e o Lava Tripas, em Peixinhos.</p>
	</div>



<p>Segundo os moradores, o Córrego dos Índios é o local onde fica exatamente a nascente do rio Lava Tripas e ganhou este nome porque era o local de moradia do povo indígena Tabajara.Hoje, apenas quem é da localidade consegue identificar que, naquele local, inteiramente aterrado, havia uma nascente de águas cristalinas. </p>



<p>Ele atribui uma série de fatores à situação atual do Córrego, entre eles, o crescimento no número de moradias sem a correspondentes políticas públicas para acompanhar a expansão demográfica. A falta de saneamento básico e de galerias de escoamento, faz com que as águas sejam poluídas e transbordem ao menor sinal de chuvas. </p>



<p>A areia do rio era retirada até para o uso em obras ajudou a assorear o curso d&#8217;água. “A maioria das casas aqui foram construídas justamente com areia dessa nascente&#8221;, conta Jair.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/lava-2-1.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/lava-2-1.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/lava-2-1.jpg" alt="A imagem mostra uma cena ao ar livre com um pequeno riacho estreito correndo por uma área que parece ser um jardim ou uma área natural. Há várias plantas e árvores ao redor do riacho, com folhagem verde densa em ambos os lados. Na parte inferior da imagem, há um cano de concreto parcialmente submerso, despejando água ou esgoto no riacho. A água no riacho parece um pouco estagnada ou de movimento lento, com manchas de algas ou vegetação semelhante na superfície. O chão ao redor do riacho está coberto de grama e alguns detritos espalhados." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Nascente de águas claras deu lugar a esgoto a céu aberto
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">Chuva escancara desigualdades</h3>



<p>Em abril deste ano, o Governo Federal divulgou uma nota técnica a partir de um estudo realizado pela Secretaria Especial de Articulação e Monitoramento da Presidência da República apontando 1.942 municípios suscetíveis a desastres relacionados a deslizamentos de terras, alagamentos, enxurradas e inundações.</p>



<p>Pernambuco está entre os cinco estados com a maior proporção da população em áreas de risco. A Bahia ocupa o primeiro lugar com 17,3%, seguida de Espírito Santo com 13,8%, Pernambuco com 11,6%, Minas Gerais com 10,6% e Acre com 9,7%. Só a cidade de Olinda, possui quase 59 mil pessoas em áreas mapeadas com risco geo-hidrológico, ou seja, suscetível a deslizamentos, enxurradas e inundações.</p>



<p>De acordo com o documento, “a urbanização rápida e muitas vezes desordenada, assim como a segregação sócio-territorial, têm levado as populações mais carentes a ocuparem locais inadequados, sujeitos a inundações, deslizamentos de terra e outras ameaças correlatas”. Parece a descrição do Córrego da Bondade e do Lava Tripas.</p>



<p>Raquel Ludemir, gerente de Incidência em Políticas Públicas da Habitat para a Humanidade Brasil, avalia que a falta de políticas de moradia faz com que essas pessoas permaneçam em áreas de risco. “Ninguém está nessa situação porque quer. Está nessa situação porque não tem política de moradia, porque não tem política de regularização fundiária, porque a política de moradia joga essas famílias para longe”, aponta.</p>



<p>“E estando nessas áreas de risco, toda vez que chove, a gente precisa se perguntar quem tem medo da chuva? O que é que vai acontecer? Quem é que deixa de dormir? Ou, por outro lado, quem é que dorme muito bem, muito gostoso na sua casa, sem pingueira, sem goteira. Então, na realidade, os dias de chuva escancaram essas desigualdades”, complementa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/lava-3.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/lava-3.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/lava-3.jpg" alt="A imagem mostra uma pilha de lixo variado em primeiro plano, com diferentes tipos de resíduos como garrafas plásticas, sacolas e outros itens não identificáveis. Atrás do lixo, há uma área de grama alta e, mais ao fundo, várias casas em uma colina cercada por vegetação densa. O céu está nublado." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Coleta de lixo deficiente contribuir para piorar as coisas no Córrego
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-dura-rotina-dos-olindenses-que-vivem-as-margens-do-riacho-lava-tripas-a-nascente-do-abandono/">A dura rotina dos olindenses que vivem às margens do riacho Lava Tripas, a &#8220;nascente do abandono&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/a-dura-rotina-dos-olindenses-que-vivem-as-margens-do-riacho-lava-tripas-a-nascente-do-abandono/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Caravana do Saneamento Rural irá atravessar sertões do Pajeú ao Apodi</title>
		<link>https://marcozero.org/caravana-do-saneamento-rural-ira-atravessar-sertoes-do-pajeu-ao-apodi/</link>
					<comments>https://marcozero.org/caravana-do-saneamento-rural-ira-atravessar-sertoes-do-pajeu-ao-apodi/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Sep 2024 18:17:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[reúso de água]]></category>
		<category><![CDATA[saneamento rural]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=65498</guid>

					<description><![CDATA[<p>Integrantes das equipes técnicas de organizações sociais dos dez estados do semiárido vão viajar do Pajeú, no sertão de Pernambuco, à Chapada do Apodi, no Rio Grande do Norte, para conhecer experiências comunitárias de reúso de água. A primeira Caravana de Saneamento Rural está sendo promovida pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). A jornada de 400 [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/caravana-do-saneamento-rural-ira-atravessar-sertoes-do-pajeu-ao-apodi/">Caravana do Saneamento Rural irá atravessar sertões do Pajeú ao Apodi</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Integrantes das equipes técnicas de organizações sociais dos dez estados do semiárido vão viajar do Pajeú, no sertão de Pernambuco, à Chapada do Apodi, no Rio Grande do Norte, para conhecer experiências comunitárias de reúso de água. A primeira Caravana de Saneamento Rural está sendo promovida pela <a href="https://www.asabrasil.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Articulação Semiárido Brasileiro</a> (ASA). A jornada de 400 quilômetros começa nesta quarta (4) partindo de Afogados da Ingazeira, no sertão do Pajeú, seguindo até o município potiguar de Apodi.</p>



<p>Com técnicas e modelos variados, as estruturas de saneamento rural têm a função de coletar as chamadas “água cinzas”, provenientes de ralos e pias, e também as “águas fecais” oriundas de fossas para serem tratadas e utilizadas na irrigação.</p>



<p>De acordo com a ASA, os sistemas de reúso favorecem a destinação correta do esgoto contribuindo para a preservação do meio ambiente e a promoção da saúde das famílias agricultoras. Além disso, a água purificada é uma alternativa para a produção de alimentos em uma região onde as chuvas são irregulares e os investimentos, historicamente, insuficientes.</p>



<p>O objetivo da caravana é aprofundar os estudos sobre modelos de gestão dos serviços de saneamento rural, sobretudo, de escala comunitária. Com esses intercâmbios, a articulação espera não apenas reivindicar, mas propor políticas públicas para o reúso da água.</p>



<p>Durante a passagem por Pernambuco e pelo Rio Grande do Norte, os/as participantes terão a oportunidade de avaliar as funcionalidades, eficiência e custos de alguns modelos tecnológicos. Em cada experiência de saneamento rural visitada, os técnicos e técnicas discutirão os avanços e desafios na gestão dos sistemas no que diz respeito às famílias e suas organizações, mas também aos poderes públicos municipal e estadual.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/como-reuso-da-agua-do-banheiro-e-da-cozinha-melhora-a-producao-agricola-e-a-saude-dos-sertanejos/" class="titulo">Como reúso da água do banheiro e da cozinha melhora a produção agrícola e a saúde dos sertanejos</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/semiarido/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Semiárido</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Agenda</h2>



<p>Em Afogados da Ingazeira, o grupo segue para conhecer uma experiência de gestão de sistema de esgotamento e reúso de água em um campo de futebol. Na quinta-feira, será a vez de conhecer uma comunidade protagonista de gestão comunitária do abastecimento de água e visitar o conselho do Sistema Integrado de Saneamento Rural (Sisar) da região.</p>



<p>No terceiro e último dia da programação, a caravana desembarca em Apodi para conhecer de perto a experiência do Assentamento Milagres. O evento será concluído com a plenária sobre a visita no território potiguar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Cadernos</h3>



<p>Quando a caravana chegar no Rio Grande do Norte, a ASA, junto com entidades da sociedade civil de outras duas regiões semiáridas latinoamericanas, vão lançar a série de cadernos Agricultura Resiliente ao Clima, com três volumes com um compilado de casos realizados em diferentes regiões semiáridas da América Latina.</p>



<p>No âmbito do Projeto <em><a href="https://semiaridovivo.org/pt/">DAKI &#8211; Semi</a><a href="https://semiaridovivo.org/pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">árido Vivo</a></em>, e ancorado no método Lume, a pesquisa buscou identificar e discutir os efeitos das inovações sócio-técnicas para a promoção da Agricultura Resiliente ao Clima e o fortalecimento da capacidade de resposta às mudanças climáticas dos agroecossistemas e territórios dos povos dos Semiáridos.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"> Produzida em português e espanhol, a série conta com três volumes:</span>

		<ul>
<li>Estudos de casos | Semiárido brasileiro</li>
<li>Estudos de casos | Grande Chaco Americano</li>
<li>Estudos de casos | Corredor Seco Centro Americano</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
	</div>



<p><br><br><br><br></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/caravana-do-saneamento-rural-ira-atravessar-sertoes-do-pajeu-ao-apodi/">Caravana do Saneamento Rural irá atravessar sertões do Pajeú ao Apodi</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/caravana-do-saneamento-rural-ira-atravessar-sertoes-do-pajeu-ao-apodi/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dossiê denuncia violações de direitos do acesso à água e ao saneamento no Brasil</title>
		<link>https://marcozero.org/dossie-denuncia-violacoes-de-direitos-do-acesso-a-agua-e-ao-saneamento-no-brasil/</link>
					<comments>https://marcozero.org/dossie-denuncia-violacoes-de-direitos-do-acesso-a-agua-e-ao-saneamento-no-brasil/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Aug 2024 14:52:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Acesso à água]]></category>
		<category><![CDATA[água]]></category>
		<category><![CDATA[Brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=64812</guid>

					<description><![CDATA[<p>O Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas) lançou o dossiê Direitos Humanos à Água e ao Saneamento no Brasil. O relatório, que enumera 39 situações que caracterizam as violações do direito humano à água e ao saneamento que ocorrem em diversos territórios do país, está disponível gratuitamente no site do Ondas [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/dossie-denuncia-violacoes-de-direitos-do-acesso-a-agua-e-ao-saneamento-no-brasil/">Dossiê denuncia violações de direitos do acesso à água e ao saneamento no Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas) lançou o dossiê <em>Direitos Humanos à Água e ao Saneamento no Brasil</em>. O relatório, que enumera 39 situações que caracterizam as violações do direito humano à água e ao saneamento que ocorrem em diversos territórios do país, está disponível gratuitamente no <a href="https://ondasbrasil.org/e-book-dossie-direitos-humanos-a-agua-e-ao-saneamento-no-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site do Ondas em formato de e-book</a>.</p>



<p>O relatório apresenta de forma minuciosa o caso de tragédias-crime causadas por megaprojetos de mineração, como os de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, e salienta como, até hoje, a reparação às vítimas é insuficiente. E uma das consequências mais graves enfrentadas pelas vítimas das tragédias é a falta de acesso à água potável.</p>



<p>“O dossiê é um instrumento importante para subsidiar ações e debates na sociedade com intuito de fortalecer o engajamento público na temática e reivindicar ações do poder público. A ação humana e o modelo produtivo causam as mudanças na temperatura do planeta, provocam e aprofundam as desigualdades de raça, gênero e classe. É preciso construir uma agenda efetiva de política pública de Estado que atenda a complexidade das violações no Direito Humano à Água e Saneamento e, ao mesmo tempo, promova justiça climática e reduza as desigualdades”, declarou o especialista em justiça climática da <a href="https://actionaid.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ActionAid</a>, Júnior Aleixo.</p>



<p>A ActionAid, organização internacional que atua em favor de justiça social, equidade de gênero e étnico-racial e pelo fim da pobreza em mais de 70 países, colaborou com o Ondas na elaboração do dossiê.</p>



<p>O dossiê reúne relatos de populações de comunidades tradicionais, de povos indígenas e ribeirinhos na região da Amazônia Legal. A situação de populações periféricas urbanas, como na Baixada Fluminense, também revela a complexidade e a capilaridade das violações do acesso adequado à água e saneamento. O estudo detalha como a violação atinge esferas da vida fora dos domicílios – pessoas em situação de rua, trabalhadores de rua, e catadores e catadoras são algumas das maiores vítimas desse tipo de escassez.</p>



<p>De acordo com Renata Furigo, coordenadora-geral do Ondas, um fato comum que perpassa todos os casos relatados no dossiê é como a água, que deveria ser um direito, tem sido tratada como uma mercadoria: &#8220;é preciso questionar essa lógica da mercantilização da água e de privatização do saneamento, que tendem não só a dificultar o acesso ao serviço, mas gerar graves consequências climáticas&#8221;.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/dossie-agua.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/dossie-agua.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/dossie-agua.jpg" alt="A imagem mostra um laptop e um smartphone lado a lado contra um fundo escuro. As telas de ambos os dispositivos exibem o mesmo conteúdo, que está em português. O tema principal de cores é um laranja vibrante com elementos em branco e laranja mais escuro. Na tela do laptop, há um grande título que diz “dossiê Direitos Humanos à Água e ao Saneamento no Brasil”. Abaixo desse título, há uma ilustração de gotas de água abstratas e linhas, possivelmente representando o fluxo de água ou conectividade. No lado direito da tela do laptop e também replicado na tela do smartphone, há vários desenhos lineares que incluem símbolos de água, serviços de saneamento como banheiros, figuras de pessoas, estruturas habitacionais e outros ícones relacionados que provavelmente representam aspectos do acesso à água e saneamento no Brasil." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/dossie-denuncia-violacoes-de-direitos-do-acesso-a-agua-e-ao-saneamento-no-brasil/">Dossiê denuncia violações de direitos do acesso à água e ao saneamento no Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/dossie-denuncia-violacoes-de-direitos-do-acesso-a-agua-e-ao-saneamento-no-brasil/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ausência de saneamento nos territórios periféricos e transição climática: uma trágica combinação na RMR</title>
		<link>https://marcozero.org/ausencia-de-saneamento-nos-territorios-perifericos-e-transicao-climatica-uma-tragica-combinacao-na-rmr/</link>
					<comments>https://marcozero.org/ausencia-de-saneamento-nos-territorios-perifericos-e-transicao-climatica-uma-tragica-combinacao-na-rmr/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jul 2024 19:13:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[esgoto]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Observatório das Metrópoles]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=63938</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Arnaldo Souza* e Patrícia Geittenes Tondelo** Anualmente, a Região Metropolitana do Recife (RMR) presencia situações de caos, em decorrência das chuvas, que se manifesta por inundações e deslizamentos cada vez mais recorrentes e intensos. Essa situação se reflete especialmente nas comunidades periféricas que, além dos prejuízos materiais e risco à vida, convivem com questões [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/ausencia-de-saneamento-nos-territorios-perifericos-e-transicao-climatica-uma-tragica-combinacao-na-rmr/">Ausência de saneamento nos territórios periféricos e transição climática: uma trágica combinação na RMR</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Arnaldo Souza*</strong> <strong>e</strong> <strong>Patrícia Geittenes Tondelo</strong>**</p>



<p>Anualmente, a Região Metropolitana do Recife (RMR) presencia situações de caos, em decorrência das chuvas, que se manifesta por inundações e deslizamentos cada vez mais recorrentes e intensos. Essa situação se reflete especialmente nas comunidades periféricas que, além dos prejuízos materiais e risco à vida, convivem com questões relacionadas à proliferação e contaminação por doenças de veiculação hídrica. Assim, doenças de pele, leptospirose e doenças gastrointestinais, por exemplo, surgem como desdobramentos “naturais” do contato direto e involuntário com água misturada a rejeitos nocivos (esgoto doméstico, lixo comum e hospitalar, óleos automotivos etc.).</p>



<p>É muito importante lembrar que a ausência ou precariedade de redes de esgotamento sanitário nos territórios periféricos da RMR acarreta práticas rudimentares, muitas vezes inadequadas, para o destino dos esgotos produzidos. Tais práticas, associadas à inexistência de infraestruturas eficientes de drenagem urbana e descarte inadequado de lixo, produzem quadros em que é comum encontrar rejeitos domésticos, juntamente com a água das chuvas, alagando ruas, sendo lançados em valas e poluindo córregos, canais e rios. Além disso, é comum encontrar fossas sumidouras, que funcionam como pontos de concentração de água frequentemente muito próximos uns das outros, e fossas negras, o que contribui para contaminação de corpos d’água, inclusive do lençol freático, e agrava as condições de estabilidade de encostas, por erosão ou escorregamento de barreiras, e potencializam a ocorrência de desastres.</p>



<p>Essa situação, por si só, aponta para as graves desigualdades que historicamente caracterizam o espaço urbano da RMR e, diante da iminência das mudanças climáticas e, com ela, a intensificação de períodos chuvosos, concorre para a construção de um cenário de grandes desafios. Segundo o estudo feito pela Secretaria Especial de Articulação e Monitoramento (Agência Brasil, 2024), entre os estados com o maior número de pessoas em áreas de risco de deslizamento, enxurradas e inundações, Pernambuco ocupa a 5<sup>a</sup> colocação com mais de 800 mil pessoas (863.482), sendo que deste total, 206 mil estão no Recife e 188 mil em Jaboatão dos Guararapes. Apenas a RMR concentra 73,3 % desta população, e Recife e Jaboatão juntos, municípios mais críticos, concentram 45,7 %.</p>



<p>Dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir do Censo de 2022, revelam, por exemplo, que entre os aproximadamente 1,35 milhão de domicílios particulares permanentes ocupados na RMR, cerca de 30% fazem descarte inadequado esgoto doméstico, como fossa rudimentar, vala, corpos d’água e outras formas não ligadas à rede geral. Desse percentual, 31% dos domicílios com descarte inadequado se concentram na cidade do Recife, enquanto Jaboatão responde por 22%. É válido ressaltar que esses percentuais não se confundem com cobertura de redes de esgotamento sanitário, uma vez que dados, de 2021, do Painel Saneamento Brasil, do Instituto Trata Brasil, destacam que quase metade da população da RMR (45,2%) não conta com coleta de esgoto.</p>



<p>Há de ser considerado que esses dados não se distribuem de forma homogênea no espaço urbano das cidades da RMR, revés, concentram-se sob porções territoriais que se caracterizam especialmente pela precariedade de infraestruturas e serviços públicos essenciais, intimamente relacionados às condições de pobreza, implicando a ausência ou deficiência de serviços como esgotamento sanitário, drenagem e coleta de lixo.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/foto-artigo-9-Arnaldo-e-Patricia.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/foto-artigo-9-Arnaldo-e-Patricia.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/foto-artigo-9-Arnaldo-e-Patricia.jpeg" alt="A foto retrata uma cena ao ar livre com foco em um morro parcialmente coberto por grandes lençóis pretos de proteção. Esses lençóis provavelmente foram colocados para evitar erosão ou deslizamentos de terra. A parte superior do morro não está visível, mas há árvores verdes exuberantes ao redor da área. Abaixo do morro, há casas densamente agrupadas com telhados de várias cores, principalmente vermelho e cinza, indicando uma área residencial. Ao fundo, vemos o skyline de uma cidade com vários prédios sob um céu azul claro com algumas nuvens." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Barreiras no bairro da Várzea, zona oeste do Recife.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Souza/OM</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Nesse cenário, a ocorrência de soluções informais individualizadas para descarte de rejeitos assemelha-se mais a uma escolha aparentemente única, embora represente uma alternativa prejudicial para o desenvolvimento urbano e autodestrutiva para as comunidades mais vulneráveis social e economicamente. Esta dinâmica perpetua a ausência de intervenções formais e efetivas por parte das instituições públicas, contribuindo para a marginalização contínua dessas comunidades. Assim, essas estratégias comunitárias e rudimentares, longe de representar uma solução sustentável, destacam-se como manifestação de uma trágica combinação entre a ausência do Estado, carência de serviços essenciais e o desafio de enfrentar as mudanças climáticas em curso.</p>



<p>Dessa forma, o problema que se impõe é conciliar medidas para sanear esses espaços de pobreza à estratégias para preparar a metrópole à adequação climática. Sendo esta uma situação de notório conhecimento das autoridades públicas, por que essa questão ainda não é central na agenda pública dos governos locais? Por que temos a impressão de que nada, ou quase nada, tem sido feito? E o que impede medidas eficientes e efetivas se tornarem prioridades? Evidentemente, há de se considerar as dificuldades inerentes à implantação de infraestruturas responsivas às necessidades da população, especialmente, diante de condicionantes tão característicos como os das ocupações urbanas periféricas na metrópole recifense. A morfologia urbana e as tipologias habitacionais derivadas da autoconstrução encerram em sua complexidade imensos desafios que levam a presença significativa de becos e vielas, associadas a quadras irregulares, a se traduzirem em obstáculos à urbanização desses espaços.</p>



<p>No entanto, limitar-se às “dificuldades” que estes espaços impõe a sua urbanização não pode ensejar argumento ou desculpa para a negação pública, por parte das autoridades municipais, do problema posto à realidade especialmente dos mais pobres e vulneráveis. Sanear e urbanizar são possíveis, e a ausência de um não pode ser considerada impeditiva do outro. Esta mesma lógica se aplica para o tratamento dos locais de risco que, certamente, coincidem com a ausência de urbanização e saneamento na RMR. Assim, é necessário ponderar abordagens integrativas, como as apresentadas nos exemplos dos Manual de Ocupação dos Morros desenvolvido pelo Programa Viva o Morro (convênio nº 082/1999) nos anos 2000. Elaborado com o intuito de romper com o estigma de preconceito criado pelas dificuldades para ocupação urbana do terreno de declividade, o manual apresenta uma série de técnicas e padrões construtivos, urbanísticos e de infraestrutura para planejar e administrar os morros (Fidem, 2004) que vão ao encontro do atual quadro de transição climática.</p>



<p>As intervenções urbanísticas em áreas de morros ou alagáveis geralmente ficam restritas em função de demandas isoladas. Assim, é imperativo romper essa lógica e apontar para a urgência de um processo de urbanização que integre políticas de habitação, redes de saneamento e drenagem, educação ambiental e saúde pública. Além disso, aplicar soluções tecnológicas de baixo custo às abordagens tradicionais de descarte de esgoto e drenagem urbana podem contribuir consideravelmente para a mitigação dos impactos negativos do “consórcio” entre condições precárias dos territórios periféricos e intensificação das chuvas.</p>



<p>No que diz respeito ao descarte de esgoto, a implantação de fossas sépticas comunitárias, devidamente equacionadas para atender a conjuntos de domicílios, utilizando processos naturais de degradação e filtragem de rejeitos, como as fossas biodigestoras, surgem como alternativas viáveis. Consideradas economicamente mais sustentáveis, estas práticas, além de contribuir para a melhoria das condições habitacionais e saúde da população, podem ajudar a reduzir a saturação do solo e minorar a ocorrência de deslizamentos.</p>



<p>Na dimensão de drenagem urbana, uma possibilidade viável seria a utilização de materiais porosos na pavimentação, permitindo uma distribuição mais homogênea da infiltração da água das chuvas no solo e evitando a sobrecarga das redes de drenagem. Essa prática, combinada com a instalação de reservatórios para captação e armazenamento de água da chuva, pode reduzir significativamente o risco de alagamentos e deslizamentos em decorrência da erosão do solo. Além disso, a água captada pode ser usada para irrigação, limpeza doméstica e outras atividades, aliviando, inclusive, o sistema de abastecimento da RMR.</p>



<p>Em áreas de maior propensão a inundações e alagamentos, a integração de abordagens como biorretenção a partir de jardins filtrantes, onde a água da chuva é coletada e filtrada a através do solo e da vegetação, e a criação de bacias de armazenamento temporário da água da chuva ou parques alagáveis, se apresentam como alternativas à adaptação climática. As águas retidas nesses processos podem ser destinadas à utilização na limpeza e irrigação de jardins e parques urbanos ou mesmo para liberação lenta aos cursos naturais das águas urbanas da RMR, contribuindo assim para controlar o fluxo das águas e evitar desastres sociais acarretados pelas condições climáticas.</p>



<p>Por fim, é de máxima importância que o problema seja reconhecido pelas autoridades públicas como urgente e que a população, especialmente os mais pobres, compreendam a gravidade do que, acima, chamamos de “trágica combinação”, pois é precisamente sobre essa população que recaem com mais intensidade os efeitos nocivos do descaso com o meio ambiente e o saneamento básico nos territórios periféricos. Notadamente, o planejamento e o ordenamento urbano, em contextos tão complexos como o da RMR, não é uma tarefa fácil. Porém, é possível. Contudo, para esse fim, é imperativo um maior protagonismo das comunidades, demandando publicamente a correta e legítima contemplação dos seus direitos e necessidades.</p>



<p>Se pela via da negação das autoridades públicas constituiu-se um quadro de negligência histórica com as comunidades nos territórios periféricos na RMR, “naturalizando” a dramática realidade que vitimiza os mais pobres e lhes imputa o dever de buscar soluções particulares e individuais para problemas sociais coletivos, apenas pela via da coletividade, da luta e do engajamento e participação popular as soluções podem encontrar cominho à realização.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p align="justify"><strong>*Bacharel em Gestão de Políticas Públicas, doutor em Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisador do Observatório das Metrópoles (Núcleo Recife).</strong></p>
<p><strong>**Arquiteta e Urbanista, doutoranda no Programa de Pós-Graduação de em Desenvolvimento Urbano (MDU) e Pesquisadora do Observatório das Metrópoles (Núcleo Recife).</strong></p>
<p align="justify">
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/ausencia-de-saneamento-nos-territorios-perifericos-e-transicao-climatica-uma-tragica-combinacao-na-rmr/">Ausência de saneamento nos territórios periféricos e transição climática: uma trágica combinação na RMR</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/ausencia-de-saneamento-nos-territorios-perifericos-e-transicao-climatica-uma-tragica-combinacao-na-rmr/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sanear o território para garantir um ambiente saudável</title>
		<link>https://marcozero.org/sanear-o-territorio-para-garantir-um-ambiente-saudavel/</link>
					<comments>https://marcozero.org/sanear-o-territorio-para-garantir-um-ambiente-saudavel/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jun 2024 18:45:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[ppp]]></category>
		<category><![CDATA[privatização]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=63741</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Ronald Vasconcelos* Por possuir íntima conexão com a saúde, a moradia, o meio ambiente e a qualidade de vida, as políticas de saneamento se relacionam com uma série de direitos, acolhidos na perspectiva do direito à cidade, e são um vetor fundamental à reforma urbana. A universalização do esgotamento sanitário no país é um [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/sanear-o-territorio-para-garantir-um-ambiente-saudavel/">Sanear o território para garantir um ambiente saudável</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Ronald Vasconcelos*</strong></p>



<p>Por possuir íntima conexão com a saúde, a moradia, o meio ambiente e a qualidade de vida, as políticas de saneamento se relacionam com uma série de direitos, acolhidos na perspectiva do direito à cidade, e são um vetor fundamental à reforma urbana. A universalização do esgotamento sanitário no país é um requisito vital para fazer frente às desigualdades, principalmente no caso recifense e de sua região metropolitana.</p>



<p>Os fatores ambientais e de localização, junto aos de ordem cultural, econômica e social, transformam o Recife numa cidade singular. A condição de ser uma cidade erguida numa confluência dos rios e do oceano lhe confere a condição de cidade anfíbia, melhor traduzida nos versos do poeta Carlos Pena Filho: “Metade roubada ao mar, metade à imaginação”.</p>



<p>Entre os fatores citados, é importante evidenciar aqueles que se destacam como condicionantes significativos aos problemas sanitários e de habitabilidade na cidade, associados aos fatores econômicos que são determinantes. Tais fatores vão determinar uma forma particular de ocupação, situando-se as áreas de baixa renda entre rios, riachos, canais, morros e encostas. Essas áreas se encontram espalhadas no território, distribuídas em mais de 540 assentamentos só no Recife, que são caracterizados pela ausência ou insuficiência de saneamento básico e sujeito a múltiplos problemas, entre os quais aqueles que afetam diretamente a saúde da população.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:39% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="480" height="572" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/Ronaldo-Alto-dos-Milagres.jpg" alt="" class="wp-image-63751 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Contudo, é no campo do esgotamento sanitário que a situação do Recife se mostra mais grave. O sistema de coleta de esgotos atende apenas a 36% do território e apenas 21% deles recebem tratamento. Nas habitações dos assentamentos precários, o esgoto é despejado diretamente nos cursos d’água, nos becos e vielas. Cerca de 42,9% dos domicílios estão ligados à rede de esgotos ou à rede pluvial, 46,6% utilizam fossas sépticas rudimentares e 7,8% jogam os dejetos sem tratamento em valas, rios, lagos, no mar e outros escoadouros. Essa baixa cobertura coloca o Recife entre as dez cidades do Brasil menos saneadas.</p>
</div></div>



<p>As perdas resultantes do processo de ocupação da cidade e da deficiência dos serviços de saneamento são inomináveis. Porém, a pior situação é a alta probabilidade de contrair doenças que vão afetar a saúde da população. Essas moléstias são decorrentes da poluição do solo e dos cursos d’água pelo lançamento <em>in natura</em> de esgotos fecais, à falta de um sistema adequado de esgotos, como também da insalubridade das áreas baixas da cidade.</p>



<p>Para enfrentar essa grave situação, o estado de Pernambuco, através de sua companhia de saneamento (Compesa), optou por implementar uma Parceria Público-Privada (PPP) nos últimos anos, visando universalizar os serviços de esgotos num período de 35 anos, estendendo a ação à toda Região Metropolitana do Recife (RMR). Essa ação em curso passou a ser denominada Programa Cidade Saneada (PCS).</p>



<p>Desde o início das atividades no ano de 2013, a parceira privada, BRK Ambiental, tem realizado as ações programadas de recuperação das infraestruturas existentes (90% concluídas), cadastro dos sistemas (100% concluídas), operação, manutenção, elaboração de projetos e implantação de novos sistemas (alcançando uma cobertura de 38% em 2020 e com previsão de atingir 53% em 2025). Caso a previsão de investimentos de R$ 2,7 bilhões seja cumprida até 2025, a cobertura nas sete cidades mais populosas da RMR deverá ser de 56% em Paulista, 86% em Olinda, 63% em Recife, 40% em Jaboatão dos Guararapes , 41% em Goiana , 21% em São Lourenço da Mata e 61% em Ipojuca.</p>



<p>Porém, o maior desafio da PPP é que seja promovida a urbanização das áreas de baixa renda (546 apenas no Recife), pois o contrato da parceria estabelece a realização da implantação dos serviços de saneamento após a urbanização dos assentamentos precários pelos municípios. Sem isso, não se atinge a universalização desejada.</p>



<p>Ao lado desse desafio, em 2023, outro entrave potencial passou a se apresentar com a decisão do Governo de Pernambuco de privatizar a Compesa. Os estudos dessa decisão estão sendo realizados pelo BNDES, ancorado no novo Marco do Saneamento (Lei nº14.026/20) que, sob o argumento da universalização, claramente induz estados e municípios a promoverem a concessão plena das empresas de saneamento à iniciativa privada.</p>



<div class="wp-block-media-text has-media-on-the-right is-stacked-on-mobile"><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Contudo, os municípios passíveis de concessão plena já foram privatizados (6% dos municípios brasileiros localizados no Sul e Sudeste) desde o governo Fernando Henrique Cardoso. A questão da escolha da modalidade de parceria com o setor privado se mostra mais complexa. Mesmo que seja fundamental a participação da iniciativa privada para a plena cobertura de esgotamento sanitário, esta não pode ser tomada como a solução total para os problemas, ainda mais quando se leva em conta os inúmeros obstáculos a essa participação.</p>
</div><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="480" height="561" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/Ibura_2023_Observatorio-PE.jpg" alt="" class="wp-image-63752 size-full"/></figure></div>



<p></p>



<p>Estudos realizados mostram que a concessão plena não é a melhor solução na promoção da universalização. Apesar da precária situação das empresas de saneamento, elas têm um papel estratégico a desempenhar no planejamento e financiamento dos serviços, já que a maior parte dos recursos a serem investidos continuarão a ser oriundos do setor público. Por isso, é importantíssimo preservar o mecanismo do subsídio cruzado, que garante a prestação de serviços onde não há viabilidade econômica, como acontece na maioria dos municípios do semiárido. Não se faça com o saneamento o mesmo que foi feito com o setor ferroviário! Este, ao invés de ampliar a oferta dos serviços regrediu, estando hoje entregue à própria sorte.</p>



<p>Entre as diversas modalidades de participação da iniciativa privada, as Parcerias Público Privadas (PPPs) apresentam as maiores possibilidades de atração de recursos junto à captação nas bolsas de valores, sem renunciar ao controle da companhia de saneamento e ao comando das ações no setor.</p>



<p>Dito isso, o maior desafio imposto à Compesa pela nova lei é a celebração, entre o estado e municípios, de bons contratos de concessão, que levem em conta o interesse público dos municípios concedentes, que estabeleçam as prioridades, o planejamento das ações, as metas a atingir, a fixação dos prazos, a modelagem de projetos e a indispensável atração do investimento privado.</p>



<p>O fatiamento da companhia, à venda para aumentar o caixa estadual ou para eliminar o fardo da administração, em nada contribuirá para o objetivo de sanear o território do Recife, da região metropolitana e das demais cidades do estado a fim de garantir um ambiente saudável. Ainda mais quando esse problema é fortemente agravado pelas mudanças climáticas, já sentidas no nosso cotidiano.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*<span style="font-family: Arial, serif;"><span style="font-size: medium;">Engenheiro civil e professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)</span></span></strong></p>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/sanear-o-territorio-para-garantir-um-ambiente-saudavel/">Sanear o território para garantir um ambiente saudável</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/sanear-o-territorio-para-garantir-um-ambiente-saudavel/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Agenda de direita do PT no Piauí silencia lideranças do partido</title>
		<link>https://marcozero.org/agenda-de-direita-do-pt-no-piaui-silencia-liderancas-do-partido/</link>
					<comments>https://marcozero.org/agenda-de-direita-do-pt-no-piaui-silencia-liderancas-do-partido/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 May 2024 21:38:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[água e esgoto]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[privatização]]></category>
		<category><![CDATA[PT]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=62600</guid>

					<description><![CDATA[<p>Privatização da estatal de água e esgoto com discussão pública limitada a um chat na internet. Flexibilização das leis ambientais para atender aos interesses de grandes empresas. Recusa em negociar com professores da universidade estadual em greve por mais de dois meses. Indicação da esposa do ex-governador para um cargo vitalício no Tribunal de Contas. [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/agenda-de-direita-do-pt-no-piaui-silencia-liderancas-do-partido/">Agenda de direita do PT no Piauí silencia lideranças do partido</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Privatização da estatal de água e esgoto com discussão pública limitada a um chat na internet. Flexibilização das leis ambientais para atender aos interesses de grandes empresas. Recusa em negociar com professores da universidade estadual em greve por mais de dois meses. Indicação da esposa do ex-governador para um cargo vitalício no Tribunal de Contas.</p>



<p>Não haveria novidade alguma se o parágrafo acima poderia se referisse às políticas de um governador bolsonarista ou de uma legenda do centrão. No entanto, são essas as marcas da gestão do petista Rafael Fonteles, governador do Piauí, eleito em 2022 com apoio do seu antecessor Wellington Dias, eleito senador na mesma eleição e atual ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.</p>



<p>Das iniciativas tomadas por Fonteles, a mais surpreendente é a de vender a empresa pública Águas e Esgotos do Piauí (Agespisa) ao mesmo tempo em que o PT luta contra a privatização da Sabesp, a estatal paulista de saneamento, pelo governador Tarcísio de Freitas, ex-ministro de Jair Bolsonaro.</p>



<p>O esforço dos petistas paulistas contra a privatização merece destaque nos canais de comunicação do partido. No site oficial do PT, por exemplo, há dezenas de matérias e editoriais contra a pressa e os métodos do governo paulista para privatizar a estatal. Uma consulta rápida no Google mostra, pelo menos 21 conteúdos sobre o assunto, onde a venda da Sabesp é tratada como “<a href="https://pt.org.br/em-ataque-ao-patrimonio-publico-de-sp-tarcisio-manobra-para-privatizar-sabesp/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ataque ao patrimônio público</a>”.</p>



<p>Infelizmente, não é possível saber se a privatização da estatal piauiense é vista da mesma forma pelo site do PT nacional, afinal não foi possível encontrar qualquer texto ou postagem sobre o tema nos canais e perfis do partido.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/no-piaui-governador-do-pt-prepara-privatizacao-de-agua-e-esgoto/" class="titulo">No Piauí, governador do PT prepara privatização de água e esgoto</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saneamento/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saneamento</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Silêncio revelador</h2>



<p>Depois de republicar reportagem do site Ocorre Diário, portal de jornalismo independente do Piauí, a Marco Zero tentou saber o que lideranças do PT teriam a comentar sobre o projeto do governador Fonteles e a óbvia contradição entre os posicionamentos do partido em dois estados. O silêncio foi semelhante ao do site oficial.</p>



<p>Primeiro, tentamos a secretária nacional de Comunicação do PT, em Brasília. Foi sugerido que procurássemos a direção estadual do PT em São Paulo por ela estar lidando diretamente com o tema. Fazia sentido. Os contatos inciais forma promissores, a ponto da assessoria de imprensa do PT paulista nos prometer uma nota ou uma entrevista. Ficou na promessa. A assessora simplesmente deixou de responder às mensagens.</p>



<p>Com o PT do Piauí, a reação foi pior. As assessorias dos deputados estaduais Hélio Isaías e Franzé Silva ignoraram os contatos da Marco Zero. A secretaria de comunicação da direção estadual do partido não fez diferente.</p>



<p>Enquanto tentávamos em vão entrevistar dirigentes do PT em Brasília, São Paulo e Teresina, procuramos também os principais nomes do PT em Pernambuco. Só quem aceitou comentar a questão foram a deputada estadual Rosa Amorim e o ex-prefeito do Recife e também deputado estadual João Paulo. Ambos criticaram a privatização da água, como se verá abaixo.</p>



<p>O senador Humberto Costa, principal nome do partido em Pernambuco, escapou pela tangente. Sua assessoria informou que ele não falaria “por não estar a par da situação no Piauí”. Ao menos respondeu. A assessoria da senadora Teresa Leitão informou que ela não se posicionaria sobre o caso específico do Piauí, assim como não comentou o de São Paulo, mas afirmou que ela é contrária à privatização da Compesa.<br><br>Já o deputado estadual e presidente da legenda em Pernambuco, o deputado estadual Doriel Barros, e o deputado federal Carlos Veras ignoraram os pedidos de entrevista.</p>



<p>Um dirigente estadual que também é ativista ambiental se comprometeu a comentar o caso, antecipando que iria fazer um crítica aos companheiros do Piauí que, segundo ele, estariam conduzindo a privatização de maneira ainda mais autoritária do que Tarcísio de Freitas, em São Paulo. No entanto, antes de conceder a entrevista, ele teria que avisar a algumas pessoas da direção estadual que falaria com o repórter. Depois disso, se calou.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Rosa e João se posicionam</h3>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/05/Fonteles-Joao-Paulo-Jarbas-Araujo.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/05/Fonteles-Joao-Paulo-Jarbas-Araujo.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/05/Fonteles-Joao-Paulo-Jarbas-Araujo.jpg" alt="Foto de João Paulo no plenário da Assembleia Legislativa. Ele é um homem negro, idoso, de cabelos curtos e bigode grisalho, falando em pé ao microfone, vestindo paletó e camisa pretas, com gravata vermelha." class="" loading="lazy" width="252">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">João Paulo (PT-PE)
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Jarbas Araújo/Ascom Alepe</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>João Paulo foi o único dos petistas consultados pela Marco Zero a não hesitar. Ele criticou abertamente a postura da gestão piauiense comandada pelo seu partido. “Não conheço a realidade do Piauí, mas conheço a realidade das empresas que foram privatizadas no Brasil. Conheço a realidade da Neoenergia aqui em Pernambuco e testemunhamos uma realidade de tarifas altas e interrupções prolongadas de fornecimento de energia em vários bairros e cidades”, afirmou, lembrando que apresentou o pedido de uma CPI para investigar a queda de qualidade dos serviços da antiga Celpe.</p>



<p>“Nós não podemos ser contrários à privatização quando somos oposição e privatizar em um estado onde governamos. É preciso coerência! Acesso à água é um direito público, não uma mercadoria”, alfinetou o ex-prefeito da capital pernambucana.</p>



<p>Em nota enviada por e-mail, Rosa Amorim também diz ser contrária à privatização da água e da Compesa, sem fazer referência à política conduzida pelo seu correligionário no Piauí: “É inaceitável a privatização do acesso à água, ainda mais quando estamos falando de uma empresa eficiente, mesmo que ela tenha muitos desafios para garantir a universalização do acesso, porque a crise no abastecimento é um fato”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">“Boiada” vermelha</h3>



<p>Filho de um petista histórico no Piauí, o ex-deputado federal Nazareno Fonteles, o governador não tem laços com os movimentos sociais. Na verdade, nada indicava que Rafael Fonteles seria político. A carreira científica parecia ser o destino mais óbvio para quem passou a adolescência ganhando medalhas de ouro em Olimpíadas de Física e Matemática e, aos 22 anos, já era mestre em Matemática.</p>



<p>Logo, ele seguiu outro rumo ao se tornar um empresário bem sucedido na educação privada à frente do <a href="https://www.somosicev.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto de Ensino Superior</a>, uma faculdade focada em cursos de Direito, Gestão e Tecnologia. Depois de integrar a equipe de Wellington Dias como secretário da Fazenda, foi eleito governador no primeiro turno, com mais de 57% dos votos. Pouco depois de tomar posse, já indicou Rejane Dias, esposa do seu padrinho político, Wellington Dias, para uma vaga de conselheira vitalícia do Tribunal de Contas do Estado.</p>



<p>Distante das lutas sociais em defesa do Meio Ambiente, agora Fonteles iniciou uma ofensiva para reformar e “flexibilizar” as leis ambientais do estado. O projeto começou a tramitar na Assembleia Legislativa e tem como relator um deputado do PT. De acordo com <a href="https://ocorrediario.com/politica-ambiental-na-mira-governo-quer-mudar-lei-estadual-de-meio-ambiente-no-piaui/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reportagem publicada pelo Ocorre Diário no dia 2 de maio</a>, ambientalistas, cientistas e até a defensoria pública criticam vários artigos da proposta, que lembra a “boiada” idealizada por Ricardo salles, o ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro.</p>



<p>Um dos artigos propostos pelo governador petista cria a possibilidade de emissão de um “licenciamento ambiental de natureza cautelar” a ser emitido pelo secretário de Meio Ambiente caso a “morosidade do licenciamento oferecer prejuízos ao empreendedor ou ao estado”. O defensor público Humberto Rodrigues avaliou que o artigo é inconstitucional e, na prática, seria o fim do licenciamento ambiental.</p>



<p>Em outro artigo, Fonteles quer anular as multa decorrentes de infrações ambientais cometidas no curso do pedido de licenciamento. Traduzindo: se o empresário cometer um crime ambiental depois que tiver dado entrada no pedido de licenciamento, o valor da multa seria zerado. Na reportagem, o professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Davi Pantoja chamou a atenção para o artigo 23 que concede até 95% de desconto para multas de infração ambiental. “É praticamente uma isenção. É surreal. Para que existe a multa? A multa não pode ser um preço para cometer infrações. A multa tem que efetivamente coibir a ação nociva ao meio ambiente. As atividades mais impactantes são extremamente lucrativas”, argumentou.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/05/Fonteles-4-Alepi.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/05/Fonteles-4-Alepi.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/05/Fonteles-4-Alepi.jpeg" alt="Esta foto mostra um grupo de pessoas em um ambiente interno, em um espaço oficial na Assembleia Legislativa do Piauí. No centro da imagem, há uma mulher vestindo um vestido laranja ao lado do governador Rafael Fonteles, homem branco, de cabelos curtos escuros e óculos, vestindo paletó cinza, camisa clara e gravata azul escuro. As outras pessoas ao redor estão aplaudindo. Ao fundo, há uma placa que diz “PLENÁRIO DEP. WALDEMAR MACÊDO”. Além disso, há flores amarelas decorando o local próximo à placa." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Fonteles não tem dificuldades em aprovar projetos na Assembleia Legislativa
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ascom Alepi</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/agenda-de-direita-do-pt-no-piaui-silencia-liderancas-do-partido/">Agenda de direita do PT no Piauí silencia lideranças do partido</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/agenda-de-direita-do-pt-no-piaui-silencia-liderancas-do-partido/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>No Piauí, governador do PT prepara privatização de água e esgoto</title>
		<link>https://marcozero.org/no-piaui-governador-do-pt-prepara-privatizacao-de-agua-e-esgoto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Apr 2024 13:02:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[abastecimento d&#039;água]]></category>
		<category><![CDATA[esgoto]]></category>
		<category><![CDATA[Piauí]]></category>
		<category><![CDATA[privatização]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=62055</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Tânia Martins e Luan Matheus Santana, do Ocorre Diário A empresa pública Águas e Esgotos do Piauí (Agespisa) está prestes a ser entregue para a iniciativa privada. Com a venda da estatal, o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), espera arrecadar, no mínimo, R$ 1 bilhão. Feita sem quase nenhum alarde ou repercussão na imprensa, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/no-piaui-governador-do-pt-prepara-privatizacao-de-agua-e-esgoto/">No Piauí, governador do PT prepara privatização de água e esgoto</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Tânia Martins e Luan Matheus Santana, do <a href="https://ocorrediario.com/sem-dialogo-privatizacao-das-aguas-avanca-no-piaui-e-sociedade-civil-alerta-sobre-riscos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ocorre Diário</a></strong></p>



<p>A empresa pública Águas e Esgotos do Piauí (Agespisa) está prestes a ser entregue para a iniciativa privada.<strong> </strong>Com a venda da estatal, o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), espera arrecadar, no mínimo, R$ 1 bilhão. Feita sem quase nenhum alarde ou repercussão na imprensa, a primeira audiência pública para a privatização aconteceu em uma sala virtual e com transmissão pelo YouTube. Entidades da sociedade civil demonstraram preocupação e alertam sobre os riscos desse processo feito de modo atropelado e sem nenhum diálogo com a população piauiense.</p>



<p>Passados mais de 60 anos desde a criação da Agespisa, hoje a estatal conta com um capital social de R$ 621.910.776 (conforme último balanço publicado pela empresa, aprovado em julho do ano passado) e atende uma população de 1.628.890 pessoas, distribuídas em 155 cidades e 22 povoados piauienses. Com dívidas parceladas, a empresa ainda acumulava uma débito de mais de 200 milhões de reais.</p>



<p>Apesar da longa trajetória, a crise da Agespisa tem sido pauta fixa da mídia local nos últimos dez anos. Para organizações da sociedade civil, a audiência para privatização da empresa pública responsável pelo abastecimento de água e de esgotamento sanitário dos/as piauienses, no último dia 10 de abril, expôs a forma como o governo manipulou, unilateralmente, os dados sobre o recurso natural mais importante do estado, sem que a sociedade fosse comunicada, mascarando a obrigatoriedade de divulgação, para entregar a administração da água para uma empresa privada.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Apenas 13 pessoas na audiência pública</strong></h2>



<p>Somente 13 pessoas participaram do debate que, apesar da relevância do tema, não contou com nenhum prefeito dos 224 municípios do Estado, nem mesmo representantes de agências que lidam com recursos hídricos lá estiveram. “A audiência pública, realizada através do YouTube, foi mais uma encenação para legitimar um processo que negligencia totalmente os interesses e preocupações da população”, comentou o engenheiro Florentino Filho, presidente do Sindicato dos Engenheiros do Piauí. Segundo ele, os representantes sindicais, que buscam proteger os direitos dos cidadãos, foram calados e limitados em suas intervenções.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/agua-PI-3-reserva.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/agua-PI-3-reserva.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/agua-PI-3-reserva.jpeg" alt="de um grande reservatório de água cilíndrico, pintado de branco. Uma escada metálica cinza está fixada na lateral esquerda do reservatório. Na parte superior, há um logotipo colorido e texto referindo-se ao “Governo do Piauí” com as palavras “Aqui tem trabalho, aqui tem futuro”. Abaixo deste, o logo azul e branco da “AGESPISA Águas e Esgotos do Piauí S/A” está visível. O céu claro pode ser visto no fundo à direita da imagem." class="" loading="lazy" width="377">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Fonteles espera vender Agespisa por R$ 1 bi
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação/Agespisa</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Não se pode considerar a legitimidade da audiência que não respeitou a <a href="https://suparc.sead.pi.gov.br/mrae-consulta-publica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">consulta pública</a>, que disponibilizou apenas 14 dias para contestação de um processo que tem nove mil páginas”, disse o sindicalista. Florentino diz ter certeza que as decisões já foram tomadas nos bastidores, “longe do escrutínio popular”. Segundo ele, o governo está entregando ouro para uma empresa que só visa lucros já que, de imediato, de acordo com as regras do edital, vai promover um aumento real de 16,5% na tarifa de água e 80% na de esgoto.</p>



<p>Também consta no projeto que será a agência que regulamenta e fiscaliza a distribuição da água no Estado – Agrespi, a responsável pela execução do saneamento básico na zona rural, com aporte de 30 milhões de reais. De acordo com o engenheiro, a proposta não foi discutida na audiência, embora faça parte da concessão.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Participação rasa e só pela internet</strong></h3>



<p>Para o engenheiro Florentino, “é inadmissível que a agência que regula e fiscaliza seja a mesma que vai executar os serviços de saneamento básico. Isso não existe, é ilegal”, assegura. O engenheiro garante que irá “à Justiça questionar a ilegalidade observada na audiência pública por não cumprir seu papel. Faremos o que for possível para que a água continue sendo tratada como um bem público de todos piauienses e não como commodities”. </p>



<p>O mesmo sentimento foi compartilhado pela representante do Conselho de  Direitos Humanos do Piauí, Carla Mata, que questionou a metodologia da audiência virtual, para debater talvez, de acordo com ela, o assunto mais importante para a população do Piauí e o futuro das próximas gerações.</p>



<p>Segundo a conselheira Carla,  “é impossível se ler  nove mil páginas do relatório que foi apresentado, quando se teve menos de uma semana para conhecer um estudo complexo como deve ser. Ou seja, ficou visível que a audiência foi meramente para cumprir formalidades que justifique juridicamente o processo”, avaliou, afirmando ainda estar decepcionada com o processo.</p>



<p>O Sindicato de Trabalhadores nas Indústrias Urbanas, os Urbanitários, ressaltou a necessidade do governo do Piauí realizar debates mais amplos, com o conjunto da sociedade, ouvindo todos os segmentos e que leve em consideração as propostas já apresentadas pela a categoria sobre a privatização.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/agua-PI-chat.webp">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/agua-PI-chat.webp">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/agua-PI-chat.webp" alt="Imagem de chat da audiência pública para concessao dos serviços públicos de águas e esgoto do Piauí." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Debate tem participação social limitada à internet e ao chat do YouTube
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Captura de imagem do YouTube</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em nota o sindicato afirmou: “De forma totalmente arbitrária e atropelada, o governador Rafael Fonteles, representado pela secretaria de Administração, acelera a entrega dos serviços de saneamento público para a iniciativa privada, promovendo audiência através das redes sociais, onde pouquíssimas pessoas puderam se inscrever via e-mail e a participação popular via <em>chat </em>do YouTube foi rasa e limitada”.</p>



<p>O secretário de Administração do Estado, Samuel Nascimento, presidiu a audiência, disponibilizando algumas informações sobre o processo do leilão que será realizado em agosto próximo, com lance mínimo de R$ 1 bilhão. Disse ainda que a empresa vencedora terá a obrigação de investir R$ 10 bilhões no abastecimento em oito anos e na universalização do abastecimento e 15 anos para levar saneamento básico para todo o estado, incluindo a zona rural. Ele também informou que oito empresas já se mostraram interessadas em disputar pelo domínio da água no Piauí.</p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/no-piaui-governador-do-pt-prepara-privatizacao-de-agua-e-esgoto/">No Piauí, governador do PT prepara privatização de água e esgoto</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Itamaracá, a &#8220;ilha encantada&#8221; que não tem serviço de esgoto</title>
		<link>https://marcozero.org/itamaraca-a-ilha-encantada-que-nao-tem-servico-de-esgoto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Apr 2024 21:59:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[censo 2022]]></category>
		<category><![CDATA[esgoto]]></category>
		<category><![CDATA[Itamaracá]]></category>
		<category><![CDATA[litoral de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[saneamento básico]]></category>
		<category><![CDATA[turismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=62064</guid>

					<description><![CDATA[<p>De acordo com dados do Censo demográfico do Brasil, divulgado em 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Ilha de Itamaracá é o município pernambucano com menor cobertura de saneamento básico, com apenas 2,3% da população tem conexão com a rede de esgoto. Com uma área territorial de pouco mais de 66 [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/itamaraca-a-ilha-encantada-que-nao-tem-servico-de-esgoto/">Itamaracá, a &#8220;ilha encantada&#8221; que não tem serviço de esgoto</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>De acordo com dados do Censo demográfico do Brasil, divulgado em 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Ilha de Itamaracá é o município pernambucano com menor cobertura de saneamento básico, com apenas 2,3% da população tem conexão com a rede de esgoto. Com uma área territorial de pouco mais de 66 km² e uma população total de 24.540 pessoas, Itamaracá está encravada em uma região onde o saneamento básico é o mais precário da Região Metropolitana do Recife. Nos municípios vizinhos, a oferta desse serviço público também não é nada invejável: Itapissuma tem 9,99% da população com acesso a esgoto e Igarassu, 15,63%. </p>



<p>Como é a vida em uma ilha com uma infra-estrutura tão precária? Um dia antes da nossa visita ao município havia chovido e as ruas, a grande maioria delas sem asfalto e calçamento, estavam tomadas por poças de lama. A PE-001, rodovia no litoral norte de Pernambuco que corta a Ilha de Itamaracá, é um dos poucos locais da cidade onde é possível encontrar asfalto e, ainda assim, em condições precárias, bastante esburacada e com mal sinalizada.</p>



<p>No percurso que vai da rotatória que fica na entrada da ilha até o início da trilha da Mata do Amparo, local onde é possível pegar um barco em direção a Praia do Sossego, é possível encontrar algumas poucas bocas de lobo, muitas ruas sem calçamento, poças de água acumulada e pilhas de lixo. O rio Âmbar, no trecho mais urbanizado do município, encontra-se completamente poluído e tomado pelas baronesas.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A baronesa é uma planta que possui um grande potencial invasor e se desenvolve em ambientes com alto índice de poluição.</p>
        </div>
    </div>



<p>Muitas propriedades da cidade estão abandonadas e/ou com placas de “vende-se” ou “aluga-se”. Apenas em dois locais da Ilha foi possível encontrar o serviço de drenagem com bocas de lobo e bueiros: no centro comercial da cidade próximo à Igreja Nossa Senhora do Pilar, no bairro do Pilar, e no Residencial Ciranda da Ilha, no bairro de Jaguaribe. Ainda assim, ambas localidades convivem com vazamentos de esgoto com mal cheiro e acúmulo de lixo nas ruas.</p>



<p>“Ainda conseguiram encontrar 2% de saneamento básico aqui? Então foi muito até, porque o que a gente vê é asfalto sendo construído, mas a rede de esgoto mesmo, com tratamento de água, escoamento e drenagem, não tem não. Talvez tenha só lá no Residencial Ciranda da Ilha, que foi construído há uns oito anos, mas fora isso não consigo lembrar de nenhum outro lugar”, declarou o metalúrgico aposentado Oxis Pereira, que mora na Ilha de Itamaracá há 20 anos.</p>



<p>Ainda de acordo com Pereira, o abastecimento de água é outro problema da cidade. “Os moradores que querem ter acesso a água precisam cavar poço porque se depender da rede vive faltando. Eu mesmo tive que fazer um poço na minha casa para poder receber meus parentes e amigos aqui, porque fazia vergonha receber as visitas sem água”, concluiu o aposentado.</p>





<p>A gerente de Programas da organização Habitat Brasil, Mohema Rolim, explica que o saneamento básico não é apenas o acesso a um tratamento de esgoto adequado: “é também um conjunto de serviços que formam condições básicas para a existência da população, então, diz respeito ao acesso à água potável e tratada, o acesso a uma estrutura urbana de qualidade, a limpeza das vias públicas, tudo isso que é um direito do cidadão e um dever do poder público”.</p>



<p>“E o resultado dessa falta de acesso ao saneamento básico é uma saúde fragilizada, com uma maior incidência de doenças por contaminação da água, e é também a falta de dignidade para a população, porque geralmente são pessoas que vivem em uma situação de maior vulnerabilidade social que convivem com essa realidade”, concluiu Rolim.</p>



<p>De acordo com dados do Censo 2022, 66,73% da população da Ilha de Itamaracá é abastecida pela rede geral de água e 64,28% têm acesso à coleta de lixo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Consequências para a saúde</strong></h2>



<p>Na rua Recife, no bairro do Pilar, os moradores convivem com uma vala que passa em frente às suas casas. É nesta rua que mora Oxis Pereira. Ele conta que a água é corrente, mas muitas vezes há um acúmulo de entulho nas valas e a água fica parada, cenário ideal para a reprodução do mosquito <em>Aedes aegypti</em>, transmissor da dengue.</p>



<p>Não é à toa que a ilha foi um dos municípios contemplados com a primeira remessa de vacinas contra a dengue que chegaram a Pernambuco em março. De acordo com o Ministério da Saúde, a estratégia de distribuição do imunizante considera regiões de saúde com municípios de grande porte e alta transmissão da dengue nos últimos dez anos. Os dados do boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde de Pernambuco, divulgado nesta quarta-feira, 17 de abril, mostram que,em 2024, Itamaracá teve 16 casos prováveis de dengue, atingindo assim quase o dobro dos nove casos registrados no ano passado.</p>



<p>“Aqui a gente tem que estar sempre de repelente porque tem muito mosquito por conta do lixo acumulado e das poças de água”, afirmou Oxis.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/53647907435_13107bc381_c.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/53647907435_13107bc381_c.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/53647907435_13107bc381_c.jpg" alt="foto de Oxis Pereira, homem negro, idoso, usando boina cinza, camiseta cinza com estampa branca simulando uma xilogravira onde se vê um cacto, um desenho de mulher encostado no cacto e a frase se avexe não. A foto foi tirada ao ar livre, com céu nublado, em uma rua com grama alta em um jardim, uma vala de esgoto junto ao jardim e muros de casas desfocados ao fundo." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Oxis Pereira, 69 anos, mora na Ilha de Itamaracá há 20 anos e convive com as valas poluídas. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Prejuízo ao turismo</strong></h3>



<p>Dono de um bar localizado na beira mar da Ilha de Itamaracá, Jamerson Pereira vê o potencial de seu negócio ser prejudicado devido à dificuldade de acesso à praia. “A falta do saneamento, do calçamento, impacta muito porque uma rua calçada é uma rua que não tem buraco, você transita com mais segurança, não tem poeira, não tem lama, é muito mais atrativa. Como é que o cliente vai chegar aqui se a estrada está cheia de buracos e, quando chove, fica impossível de colocar um carro aqui?”, contestou o empreendedor.</p>



<p>“Além disso, sem estrutura na cidade a gente tem enfrentado muitos problemas com invasões de propriedades que estão abandonadas aqui, com muitos assaltos. Falta segurança tanto para os moradores quanto para os turistas. Nós temos uma paisagem única aqui, bem preservada, uma praia de águas limpas e quentes, um verdadeiro paraíso. Isso aqui era para ser um ponto turístico forte, mas devido ao descaso da gestão que não cuida da cidade, não é”, concluiu Jamerson.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/53647659758_61dff4423b_c.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/53647659758_61dff4423b_c.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/53647659758_61dff4423b_c.jpg" alt="Foto de Jamerson Pereira, homem branco, jovem, de cabelos e olhos escuros, barba mal feita, usando uma camisa laranja com estampas pretas e brancas. O fundo está desfocado, mas a foto foi feita ao ar livre." class="" loading="lazy" width="308">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Jamerson Pereira 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>No site e nas redes sociais da Prefeitura da Ilha de Itamaracá, a tentativa de transmitir a imagem de &#8220;ilha encantada&#8221;, cantada por Reginaldo Rossi, está estampado no slogan “O paraíso é aqui”. Porém, o que os moradores e turistas encontram na cidade é bem diferente de um lugar paradisíaco, como enfatiza a guia turística e sócio-fundadora do Instituto Histórico e Geográfico de Itamaracá, Manu Rodrigues: “a falta de saneamento básico é uma das coisas que prejudicam bastante o turismo na ilha. Recentemente, um grupo visitou a ilha para fazer um vídeo de divulgação do turismo e saiu horrorizado com a situação do esgoto a céu aberto e do mau cheiro no centro da cidade, perto da Igreja do Pilar, que é um ponto turístico daqui”.</p>



<p>“Quando eu estou guiando um grupo eu faço o possível para amenizar essas questões do mau cheiro e evito mostrar alguns lugares que acabam atrapalhando toda a beleza da Ilha. Eu amo esse lugar e acredito muito no potencial que ele tem para o turismo, por isso que me formei e me especializei na história daqui. Se nessas condições de abandono eu consigo trazer grupos de até 160 pessoas por mês, imagine o que poderíamos fazer fornecendo uma boa estrutura para o turista?”, disse Rodrigues.</p>



<p>A Fortaleza de Santa Cruz de Itamaracá, conhecida como Forte Orange, um dos pontos turísticos mais famosos da cidade e de grande valor histórico para o estado de Pernambuco, está deteriorada e aparenta sofrer com a falta de manutenção. Os turistas que visitavam o local no momento em que a reportagem da Marco Zero estava lá não passaram nem 15 minutos no forte e saíram reclamando da falta de atrativos do local.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz a prefeitura da Ilha de Itamaracá</span>

		<p>Tentamos contato com a Prefeitura da Ilha de Itamaracá através do número de telefone e do e-mail que estão publicados no site oficial e nas redes sociais da gestão municipal, mas até o fechamento desta matéria não obtivemos resposta.</p>
<p>No portal da transparência da prefeitura consta apenas a Lei de Diretrizes Orçamentárias do ano de 2024. A Lei Orçamentária Anual (LOA), com os dados sobre os investimentos previstos para o ano, não está disponível. Nos documentos das LOAs dos anos de 2022 e 2023, não há investimentos previstos diretamente para manutenção ou implementação do saneamento básico da cidade.</p>
<p>Para 2023, consta um investimento de R$ 2.200.000,00 destinado para pavimentação, calçamento e obras complementares nas vias urbanas, avenidas e rodovias; e R$ 36.000,00 para construção de galerias de águas pluviais, além de R$ 10.000,00 para a construção de privadas e fossas. Há ainda o investimento de R$ 290.000,00 na limpeza e conservação de galerias, esgotos e canais.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading"></h3>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/itamaraca-a-ilha-encantada-que-nao-tem-servico-de-esgoto/">Itamaracá, a &#8220;ilha encantada&#8221; que não tem serviço de esgoto</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
