<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Giovanna Carneiro, Autor em Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/author/giih-carneiro/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/author/giih-carneiro/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 20 Feb 2026 13:28:31 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Giovanna Carneiro, Autor em Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/author/giih-carneiro/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>A universidade que aprende com o quilombo</title>
		<link>https://marcozero.org/a-universidade-que-aprende-com-o-quilombo/</link>
					<comments>https://marcozero.org/a-universidade-que-aprende-com-o-quilombo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 21:58:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Conceição das Crioulas]]></category>
		<category><![CDATA[educação quilo]]></category>
		<category><![CDATA[educação quilombola]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=74488</guid>

					<description><![CDATA[<p>Há pouco menos de um ano, no dia 30 de maio de 2025, a Comunidade Quilombola de Carapotós, em Caruaru, no agreste pernambucano, recebeu a certificação da Fundação Cultural Palmares. O reconhecimento marca um novo momento para os moradores do Sítio Carapotós, o início de uma trajetória ainda mais consolidada do processo de fortalecimento e [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-universidade-que-aprende-com-o-quilombo/">A universidade que aprende com o quilombo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><span style="font-weight: 400">A série de reportagens </span><i><span style="font-weight: 400">Ciência dos saberes ancestrais: a força da Educação Quilombola</span></i><span style="font-weight: 400"> parte do pioneirismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ao criar a licenciatura em Educação Escolar Quilombola, baseada na resolução nº 8/2012 do Conselho Nacional de Educação. A iniciativa reconhece a relevância cultural, social e histórica das comunidades quilombolas e reforça que seus modos de ensinar e produzir conhecimento também constituem ciência. A proposta da série é expor a importância da educação quilombola, suas potências pedagógicas, os desafios de implementação e a valorização de tecnologias e saberes tradicionais, contribuindo para ampliar o compromisso de outras instituições de ensino com essa modalidade educacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Com três reportagens, a série percorre tanto o ambiente acadêmico quanto o próprio território quilo,bola, articulando a formação de docentes na licenciatura da UFPE com a prática educacional desenvolvida nas comunidades. O foco recai especialmente sobre Conceição das Crioulas, em Salgueiro, referência histórica na construção de um projeto educativo próprio, enraizado na coletividade, na cultura e na luta por direitos.</span><span style="font-weight: 400"> A série foi contemplada na “Seleção Petrobras de Jornalismo – Ciência e Diversidade”. </span></p>
	</div>



<p>Há pouco menos de um ano, no dia 30 de maio de 2025, a Comunidade Quilombola de Carapotós, em Caruaru, no agreste pernambucano, recebeu a certificação da Fundação Cultural Palmares. O reconhecimento marca um novo momento para os moradores do Sítio Carapotós, o início de uma trajetória ainda mais consolidada do processo de fortalecimento e resistência da identidade cultural quilombola.</p>



<p>“Nós sempre escutamos muitas histórias das pessoas mais velhas da comunidade e através de uma pesquisa de campo, com ajuda de cientistas, fizemos um estudo e produzimos um relatório para enviar para a Fundação Palmares”, conta o professor e morador da comunidade quilombola, Jonathan Arruda. Formado em licenciatura nos cursos de História e Geografia, Jonathan revela que o fortalecimento da identidade quilombola entre os moradores do sítio ainda é um desafio a ser solucionado e acredita que a educação é o melhor caminho para isso. Foi pensando em ampliar o acesso à educação para a sua comunidade que o professor se tornou um dos primeiros alunos a ingressar no curso de Licenciatura em Educação Escolar Quilombola da Universidade Federal de Pernambuco.</p>



<p>“A gente, como liderança comunitária, tem que sensibilizar o pessoal da comunidade para a questão da política pública, principalmente na política de educação. Por isso, a partir do momento que surgiu a oportunidade da licenciatura, eu comecei a sensibilizar as pessoas da nossa comunidade para que elas fizessem o curso também”, afirma Jonathan Arruda. Além do professor, outros três moradores da Comunidade Quilombola de Carapotós ingressaram na licenciatura.</p>



<p>O curso é uma das iniciativas pioneiras em Educação Escolar Quilombola no Brasil. Anunciado no segundo semestre de 2024, a iniciativa tem o objetivo de garantir a formação docente específica para as populações quilombolas do estado. Além da UFPE, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Universidade Federal de Sergipe (UFS) inauguraram o curso dedicado à população quilombola nos anos de 2024 e 2025, respectivamente.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/10/216491985_4422851654421289_2799464916813170336_n-300x225.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/10/216491985_4422851654421289_2799464916813170336_n-1024x768.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/10/216491985_4422851654421289_2799464916813170336_n-1024x768.jpg" alt="A imagem mostra o prédio principal do campus da UFPE em Caruaru, um prédio moderno de vários andares, com formato simétrico. A parte central tem muitas janelas pequenas organizadas em grade, enquanto as laterais têm estruturas verticais vermelhas com grandes janelas espelhadas. Na frente há uma entrada larga, com escadas e uma rampa. O chão é pavimentado e há apenas um carro prateado estacionado. O céu está nublado e ao redor não há muita vegetação ou construções." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Prédio central do campus da UFPE em Caruaru
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação/UFPE</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Homenagem a um líder</h2>



<p>Propondo um modelo de educação descentralizada, a Licenciatura em Educação Escolar Quilombola da UFPE teve início em julho de 2025. Além do pioneirismo da formação, o curso e sua base de formação homenageia o intelectual quilombola Antônio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo.</p>



<p>Filósofo, poeta, escritor, professor e ativista político, Nego Bispo foi uma liderança da comunidade quilombola Saco do Curtume em São João do Piauí e se tornou uma das vozes mais influentes do movimento quilombola no Brasil.</p>



<p>Como escritor, Nêgo Bispo publicou diversos livros e artigos, incluindo obras como <em>Quilombos, modos e significados</em> (2007); <em>Colonização, Quilombos: modos e significados</em> (2015); <em>A Terra dá, a Terra quer</em> (2023), nas quais apresenta seu conceito crítico de contracolonização, que propõe fortalecer culturas e organizações de povos tradicionalmente marginalizados como resposta à imposição colonial. O líder quilombola faleceu em dezembro de 2023, aos 63 anos, mas seu legado e suas obras seguem sendo uma grande referência no Brasil, e têm conquistado cada vez mais espaço nas universidades.</p>



<p>Tomando como referência os saberes de Nego Bispo, a fim de valorizar a cultura e o conhecimento dos povos tradicionais, a licenciatura da UFPE possui uma formação baseada na pedagogia da alternância, como explica o doutor em Antropologia e professor da UFPE, Sandro Guimarães: “a pedagogia da alternância considera uma carga horária na universidade e uma carga horária na comunidade. Isso contribui para uma articulação dos conhecimentos mais acadêmicos, mais compartilhados aqui na universidade, com a vivência nos quilombos, e isso é muito importante para que essa licenciatura seja um curso específico, diferenciado, intercultural, como a gente espera”.</p>



<p>“Nós pensamos também na importância de ter um currículo voltado para os interesses que dialoguem com as pautas das comunidades quilombolas, e que também reconheça uma dívida que a universidade e o Estado têm em relação às suas comunidades, no que diz respeito às epistemologias, esses saberes que por muito tempo não foram considerados. Portanto, tem essa dimensão técnica, porque a gente pretende formar professores, com todas as disciplinas que são importantes na formação de um professor, mas também dimensões outras, como a ética, a humanística, a política, a epistêmica”, conclui o professor que contribuiu no processo de formação da base curricular do curso.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/negobispo-300x119.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/negobispo-1024x406.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/negobispo-1024x406.jpg" alt="Foto de Nego Bispo, um homem idoso, de barba grisalha, está sentado em uma sala iluminada, vestindo camisa listrada colorida. À sua frente, sobre a mesa, há dois livros vermelhos em destaque; o da frente traz o título ‘Colonização, Quilombos: Vozes e Sobrevivências’, com a imagem estilizada de um rosto em vermelho e preto. O ambiente lembra uma biblioteca ou sala de estudo, com janelas grandes e papéis espalhados" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Antônio Bispo dos Santos é o intelectual quilombola que inspira a Licenciatura em Educação Escolar Quilombola da UFPE
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo pessoal</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O curso, que possui duração de oito semestres, foi estruturado por meio de uma parceria entre o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), Campus Garanhuns, e o Instituto Federal de Educação do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE), contando ainda com o apoio da Coordenação Estadual de Articulação das Comunidades Quilombolas de Pernambuco. As parcerias possibilitaram uma formação descentralizada, uma vez que as aulas acontecem em quatro cidades de Pernambuco: em Garanhuns, no agreste do estado; e em Santa Maria da Boa Vista, no Sertão do estado; em Caruaru, também Agreste, e na capital, Recife.</p>



<p>A licenciatura tem como foco tanto a formação inicial de professores, oferecendo uma segunda graduação para docentes que já atuam em escolas quilombolas, mas que ainda não possuem a titulação exigida pela resolução nº 8/2012 do Conselho Nacional de Educação (CNE). Os profissionais formados poderão atuar em diferentes modalidades da educação básica, com ênfase nos anos iniciais do ensino fundamental, nas áreas de Pedagogia, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Sociais. Além da docência, a formação também habilita os egressos para funções de gestão escolar e para o desenvolvimento de práticas educativas em contextos escolares e não escolares, fortalecendo iniciativas que contribuam diretamente para o desenvolvimento das comunidades quilombolas.</p>



<p>Atualmente, o curso conta com 100 alunos matriculados e com entrada única, ou seja, só após a conclusão da primeira turma é que haverá a convocação para a próxima, como explica Sandro Guimarães: “O curso Intercultural Indígena criado aqui na UFPE foi utilizado como referência para nós e ele iniciou assim, com uma entrada única, só depois se tornou uma graduação com entrada anual, e é isso que nós esperamos que aconteça com a Licenciatura em Educação Escolar Quilombola”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Racismo presente na sala de aula</strong></h2>



<p>O acesso de estudantes assentados da reforma agrária e de comunidades quilombolas à universidade pública esteve no centro de uma polêmica recente em Pernambuco. Após o anúncio da criação no país da primeira turma de Medicina vinculada ao Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Campus Caruaru, a iniciativa passou a ser alvo de ataques e da disseminação de desinformação por parte de figuras públicas da extrema direita contrários à proposta.</p>



<p>Entre os argumentos utilizados por críticos da iniciativa estava a alegação de que o curso beneficiaria assentados e quilombolas em detrimento de outros candidatos, como se as vagas estivessem sendo “roubadas” do público geral. A disputa ganhou repercussão jurídica e o caso chegou à Justiça. Apesar das tentativas de barrar a iniciativa, a solenidade de abertura do curso foi realizada em dezembro de 2025.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/por-que-curso-de-medicina-para-assentados-e-quilombolas-virou-alvo-de-ataques-e-fake-news/" class="titulo">Por que curso de Medicina para assentados e quilombolas virou alvo de ataques e fake news</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A violência presente na tentativa de barrar o ingresso de pessoas quilombolas acaba por demarcar um lugar de privilégio no acesso às universidades públicas no Brasil. Diante disso, muitas pessoas pertencentes aos grupos tradicionais sentem dificuldade em se sentir parte da academia. O reflexo disso está nos casos de racismo que aconteceram com alunos de Licenciatura em Educação Escolar Quilombola. Apenas no primeiro semestre do curso pelo menos três casos foram registrados pela coordenação, como conta o professor Sandro Guimarães:</p>



<p>“Infelizmente, tivemos algumas denúncias de racismo vindas dos próprios estudantes. Tivemos um caso em Caruaru, um caso em Recife e também em Santa Maria da Boa Vista. E esse tem sido um grande desafio, porque a universidade não foi feita para a diferença, a universidade ainda está aprendendo a lidar com isso. Os professores, os estudantes, eles não estão preparados para isso. Então, é um outro paradigma com o qual a gente ainda está aprendendo a lidar com ele”.</p>



<p>“Os casos que tem provas a gente toma todas as providências possíveis e cabíveis, mas às vezes são insultos que são proferidos e os alunos não conseguem identificar quem fez”, disse Guimarães.</p>



<p>Devido a esse cenário, ainda há resistência de algumas pessoas em querer ocupar a universidade. “Ainda é um trabalho de formiguinha convencer as pessoas da comunidade quilombola que esse espaço é nosso, que nós temos que ocupar ele, até para poder desenvolver mais coisas para o nosso próprio território, mas nós estamos avançando e em um único semestre já fizemos coisas importantes”, diz Jonathan Arruda.</p>



<p>Em uma das disciplinas desse semestre o líder quilombola desenvolveu, junto com os demais moradores do quilombo que também integram o curso, materiais didáticos sobre a Comunidade Quilombola de Carapotós, entre eles um livro sobre a história do território.</p>



<p>Porém, muito antes da formação na Licenciatura em Educação Escolar Quilombola Jonathan Arruda e outros professores já tocavam iniciativas educativas na Escola Municipal Manoel Brajano de Arruda, a fim de fortalecer a identidade quilombola da comunidade. A construção dessa base educacional quilombola foi fundamental para a criação de um curso superior pensado exclusivamente em uma educação quilombola, como veremos na próxima reportagem da série <em>Ciência dos saberes ancestrais: a força da Educação Quilombola.</em></p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/antes-da-universidade-o-quilombo-ja-ensinava/" class="titulo">Antes da universidade, o quilombo já ensinava</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-universidade-que-aprende-com-o-quilombo/">A universidade que aprende com o quilombo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/a-universidade-que-aprende-com-o-quilombo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Quando os saberes ancestrais e a pedagogia crioula ocupam o mundo acadêmico</title>
		<link>https://marcozero.org/quando-os-saberes-ancestrais-e-a-pedagogia-crioula-ocupam-o-mundo-academico/</link>
					<comments>https://marcozero.org/quando-os-saberes-ancestrais-e-a-pedagogia-crioula-ocupam-o-mundo-academico/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 21:41:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=74500</guid>

					<description><![CDATA[<p>Quilombola da comunidade Conceição das Crioulas, Rozeane Maria Mendes é uma das alunas da primeira turma do curso em Educação Escolar Quilombola da Universidade Federal de Pernambuco. Durante sua trajetória de vida na comunidade, a integrante da coordenação estadual das Comunidades Quilombolas sempre valorizou o modelo de educação e ensino desenvolvido na comunidade. “Nosso principal [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/quando-os-saberes-ancestrais-e-a-pedagogia-crioula-ocupam-o-mundo-academico/">Quando os saberes ancestrais e a pedagogia crioula ocupam o mundo acadêmico</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quilombola da comunidade Conceição das Crioulas, Rozeane Maria Mendes é uma das alunas da primeira turma do curso em Educação Escolar Quilombola da Universidade Federal de Pernambuco. Durante sua trajetória de vida na comunidade, a integrante da coordenação estadual das Comunidades Quilombolas sempre valorizou o modelo de educação e ensino desenvolvido na comunidade.</p>



<p>“Nosso principal diferencial é a coletividade e a vivência comunitária que exercemos aqui no território. A gente procura viver a educação o máximo possível junto à comunidade e às famílias. Ao colocar em prática nosso próprio PPP, organizamos também um calendário adaptado à nossa realidade: temos feriados próprios na escola e, enquanto o recesso escolar geralmente acontece em julho, aqui ele ocorre em agosto. Também damos muita atenção aos adolescentes, com ações específicas voltadas para eles. Muitas dessas atividades são consideradas extraclasses, mas acabam contribuindo diretamente com a grade curricular”, afirma Rozeane Maria Mendes.</p>



<p>Para Rozeane, entrar no curso da UFPE representa uma oportunidade de fortalecer o movimento quilombola por meio do diálogo e da troca de experiências com comunidades de outras regiões, além de assegurar respaldo acadêmico às lutas dos quilombos, ampliando sua presença na universidade e a possibilidade de disputar espaços de produção de conhecimento e reconhecimento de saberes.</p>



<p>“Eu acredito que, para além de enriquecer o currículo, o mais importante é essa troca de experiências, de práticas e de vivências com outras comunidades. É também aprender mais sobre a parte teórica, entender o que a universidade está discutindo e vivenciando em relação às comunidades quilombolas. Ao mesmo tempo, vejo que o curso não apenas soma para a gente, mas que nós também damos uma contribuição enorme à universidade. Pelo olhar do sistema, o certo seria a gente ir para a escola apenas para aprender, mas o curso traz essa possibilidade de, além de aprender, compartilhar nossos próprios conhecimentos com o saber teórico acadêmico”, defende Rozeane.</p>



<p>A geógrafa integra a turma que está tendo aulas no município de Santa Maria da Boa Vista, no Instituto Federal do Sertão (IFSertão). Como a instituição fica a 134 quilômetros de distância da comunidade, nos dias de aula Rozeane e outros dez alunos do curso precisam se deslocar até o local. As despesas de transporte e alimentação são custeadas através da bolsa-auxílio que recebem da universidade. De acordo com a aluna, sem essa ajuda de custo, não seria possível a permanência no curso.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/ufpe-300x223.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/ufpe.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/ufpe.jpg" alt="Na foto, vemos um grupo de cerca de vinte pessoas reunidas ao ar livre - maioria jovens mulheres negras -, debaixo de uma grande árvore, próximo a um rio ou lago. A maioria veste camisetas brancas iguais, com detalhes em vermelho e preto, indicando que participam de um mesmo evento ou atividade. Um homem à esquerda está com uma camiseta cinza, diferente das demais. O clima é ensolarado, o céu está limpo." class="" loading="lazy" width="676">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Turma de Licenciatura em Educação Escolar Quilombola do IFSertão.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo pessoal</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Nós nos organizamos para assegurar que esse auxílio alcançasse todos os estudantes, algo essencial em um curso que tem a proposta de ser descentralizado. Mesmo assim, apenas esse recurso não é suficiente, por exemplo, para viabilizar atividades presenciais reunindo todos em um mesmo espaço. Para que esses encontros aconteçam, muitas vezes dependemos da articulação conjunta entre alunos e professores”, explica o professor Sandro Guimarães.</p>



<p>A coletividade é uma das bases pedagógicas do curso e isso se reflete na maneira com que os alunos se relacionam, como exalta Rozeane Mendes: “o primeiro semestre foi muito, houve muita ligação entre nós mesmos, quilombolas com quilombolas. Tivemos também professores que não são quilombolas, mas que demonstraram uma preocupação muito significativa com as questões que a gente desenvolve. É impressionante como o nosso próprio povo ainda precisa de muitas ações de autoafirmação, e eu senti isso de forma muito forte no curso”.</p>



<p>A aluna faz um apelo para que a iniciativa seja ampliada, defendendo que o curso alcance um número maior de pessoas e outras comunidades. Ela reconhece que se trata de uma turma piloto, pioneira nessa metodologia, mas acredita que a expansão para novos territórios poderia ampliar significativamente o acesso. “Por exemplo, se tivesse um polo em Salgueiro, facilitaria muito a participação de estudantes da própria cidade e de municípios vizinhos do Sertão Central, porque hoje muita gente precisa se deslocar até a região do São Francisco para conseguir frequentar as aulas”, afirma Rozeane.</p>



<p>A trajetória de Rozeane, que participou da construção do projeto político-pedagógico de Conceição das Crioulas e atualmente integra a primeira turma do curso de Educação Escolar Quilombola da UFPE, evidencia a força de um processo coletivo de formação e aprendizagem. Essa experiência contribui diretamente para a efetivação da Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas públicas e privadas do ensino fundamental e médio. O fortalecimento de iniciativas como o curso da UFPE e da consolidação de escolas quilombolas nos territórios é fundamental para que a legislação seja aplicada de forma contextualizada, dialogando com as realidades e vivências das diferentes comunidades.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Políticas para ampliar a educação quilombola</h2>



<p>O Novo Pronacampo (Política Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas) é uma política do Governo Federal criada em 2024 para ampliar, qualificar e garantir o acesso, a oferta e a permanência dos estudantes nas escolas voltadas às populações do campo, das águas e das florestas, em todas as etapas e níveis de ensino. A proposta vai além do acesso à escola: ela fortalece o reconhecimento da diversidade, o protagonismo político, pedagógico e epistêmico dessas populações e promove ações de formação, produção de materiais didáticos, melhoria de infraestrutura e elaboração de diretrizes curriculares específicas, inclusive para realidades como classes multisseriadas, comuns em territórios tradicionais. A política também incorpora princípios como justiça climática, sustentabilidade e agroecologia, articulando educação e território.</p>



<p>Para a educação quilombola, o Pronacampo representa um eixo estratégico de fortalecimento. Ele incentiva a valorização dos saberes tradicionais, apoia a participação de mestres e mestras das comunidades na política educacional e reforça a implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tratam do ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena. A política também estimula a produção de conhecimentos a partir de perspectivas não eurocêntricas e a formação intercultural, reconhecendo as trajetórias históricas e epistemológicas dos territórios quilombolas. Iniciativas como a Escola Nacional Nego Bispo de Saberes Tradicionais, em parceria com instituto federal, exemplificam essa diretriz ao ofertar formação continuada em saberes afro-brasileiros, indígenas e quilombolas.</p>



<p>Além da dimensão pedagógica, o programa se materializa em investimentos concretos em infraestrutura escolar. De acordo com dados do MEC, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), em 2024 foram entregues 13 escolas indígenas e nove quilombolas. A previsão é de que sejam construídas ainda 117 escolas indígenas e 48 quilombolas. Outras 49 escolas indígenas e 13 quilombolas estão previstas, a partir de parceria entre o Ministério da Educação (MEC) — por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) —, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) — por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) — e o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops).</p>



<p>Segundo dados do Censo Escolar 2024 divulgados pelo MEC, o Brasil possui aproximadamente 2.618 escolas em comunidades remanescentes quilombolas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-10-at-14.30.33-225x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-10-at-14.30.33-768x1024.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-10-at-14.30.33-768x1024.jpeg" alt="Na foto, aparece uma pequena casa com um mural colorido pintado em uma de suas paredes externas. O mural mostra uma figura grande de uma pessoa de cabelos cacheados, sorridente, com as mãos levantadas, cercada por desenhos menores de crianças e elementos lúdicos. Há também uma frase escrita: “amo meu quilombo”. Atrás do prédio há uma árvore, e o céu está parcialmente nublado. A cena transmite alegria e acolhimento, como uma expressão artística comunitária em espaço público." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Mural na Comunidade Quilombola Conceição das Crioulas. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Giovanna Carneiro</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Márcia Crioula, integrante do Coletivo Nacional de Educação e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), reflete sobre os desafios e os avanços da educação quilombola.</p>



<p>“A gente vem construindo caminhos e também enfrentando muitos desafios, como o de ocupar a universidade, que deveria ser um espaço aberto a diferentes conhecimentos e saberes, mas que, na prática, ainda exclui quilombolas e indígenas. Ao mesmo tempo, vemos que a educação tem gerado frutos importantes. Pode até parecer pouco para quem olha de fora, mas é uma imensidão: a produção de livros pela própria comunidade, as pesquisas realizadas pelas crianças e pelos jovens, além da formação de professoras e doutoras quilombolas”, destaca.</p>



<p>A trajetória que liga Carapotós, Conceição das Crioulas e a UFPE revela que a educação quilombola não é apenas uma modalidade de ensino, mas um campo de produção de conhecimento, de disputa epistêmica e de reconstrução histórica. Ao entrar na universidade, esses saberes não deixam de ser territoriais, eles ampliam o território para dentro da academia. A licenciatura em Educação Escolar Quilombola, assim, não é ponto de chegada, mas parte de um movimento maior: o de afirmar que ciência, pedagogia e pensamento crítico também se constroem nos quilombos.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>A série de reportagens <em>Ciência dos saberes ancestrais: a força da Educação Quilombola</em> foi contemplada na &#8220;Seleção Petrobras de Jornalismo – Ciência e Diversidade&#8221;.</p>
    </div>



<ul class="wp-block-list"></ul>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/quando-os-saberes-ancestrais-e-a-pedagogia-crioula-ocupam-o-mundo-academico/">Quando os saberes ancestrais e a pedagogia crioula ocupam o mundo acadêmico</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/quando-os-saberes-ancestrais-e-a-pedagogia-crioula-ocupam-o-mundo-academico/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Antes da universidade, o quilombo já ensinava</title>
		<link>https://marcozero.org/antes-da-universidade-o-quilombo-ja-ensinava/</link>
					<comments>https://marcozero.org/antes-da-universidade-o-quilombo-ja-ensinava/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 21:03:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades quilombolas]]></category>
		<category><![CDATA[Conceição das Crioulas]]></category>
		<category><![CDATA[educação quilombola]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=74498</guid>

					<description><![CDATA[<p>Localizada a pouco mais de 500 quilômetros do Recife, a comunidade Conceição das Crioulas, no município de Salgueiro, no Agreste pernambucano, é o território quilombola mais populoso do estado, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. De acordo com levantamento, a localidade reúne pelo menos 2.370 moradores. A relevância da comunidade, no entanto, vai além [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/antes-da-universidade-o-quilombo-ja-ensinava/">Antes da universidade, o quilombo já ensinava</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Localizada a pouco mais de 500 quilômetros do Recife, a comunidade Conceição das Crioulas, no município de Salgueiro, no Agreste pernambucano, é o território quilombola mais populoso do estado, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. De acordo com levantamento, a localidade reúne pelo menos 2.370 moradores. A relevância da comunidade, no entanto, vai além do número de habitantes e se expressa no forte investimento em educação no próprio território.</p>



<p>Conceição das Crioulas está entre os territórios tradicional com maior número de escolas quilombolas, somando quatro unidades: a Escola Quilombola Bevenuto Simão de Oliveira, a Escola Quilombola José Néu, a Escola Quilombola José Mendes e a Escola Estadual Quilombola Professora Rosa Doralina Mendes. As instituições atendem estudantes desde a educação infantil até o ensino médio, fortalecendo a formação educacional dentro da própria comunidade.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>Com mais de dois séculos de história, Conceição das Crioulas tem sua origem registrada tanto em documentos oficiais quanto na tradição oral mantida pelos mais velhos que relatam a chegada de seis mulheres negras livres (as crioulas) à região no fim do século XVIII.</p>
<p>Por meio da fiação de algodão, do cultivo agrícola e da produção artesanal, elas conseguiram adquirir as terras em 1802, marcando o início da consolidação do território. O próprio nome do quilombo reafirma o protagonismo dessas mulheres na conquista da terra e sua devoção a Nossa Senhora da Conceição, cuja imagem teria sido levada por elas ao local.</p>
	</div>



<p>O fortalecimento da identidade e da formação quilombola na comunidade ganhou força a partir da década de 1990, conduzido por lideranças locais que tiveram papel central no processo de reconhecimento do território como quilombo. Nascido e criado na própria comunidade, o líder João Alfredo de Souza recorda episódios marcantes da mobilização em defesa das terras quilombolas e do processo de afirmação identitária e cultural do grupo:</p>



<p>“Conceição das Crioulas já era um quilombo desde o século 18, pelo que contaram os mais velhos. Mas foi em 1802 que nós conseguimos uma escritura registrada com o título oficial de Conceição das Crioulas, título conquistado por um grupo de mulheres quilombolas que vieram pra cá. Depois de arrendar a área, as mulheres trabalharam e pagaram pela terra, assim hoje nós temos oficialmente cerca de 17 mil hectares. E até os anos 1990 a gente não aprofundava muito os debates sobre quilombo, sobre raça, mas decidimos ir atrás de registrar nossa história e foi nas ações das comunidades eclesiásticas de base que esse interesse foi despertado, principalmente em 1988 quando o tema da campanha da fraternidade foi “Fraternidade e o Negro”, isso chamou nossa atenção”.</p>



<p>“Foi a partir daí que nós começamos a entender e olhar para a nossa condição, tendo que enfrentar falta de água, de saneamento básico, de educação, um descaso do Estado com a gente, e com isso começamos a nos organizar para cobrar. E quando decidimos que iríamos buscar o desenvolvimento para a nossa comunidade nós definimos o que seria prioridade nessa luta e a educação era uma das principais”, concluiu o líder comunitário.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-10-at-14.30.39-300x225.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-10-at-14.30.39-1024x768.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-10-at-14.30.39-1024x768.jpeg" alt="A imagem mostra um homem em pé diante de um prédio branco com uma porta amarela. Acima da porta, está escrito em letras grandes: “Casa Comunitária Francisca Ferreira – Conceição das Crioulas – Salgueiro-PE”. Na parede há pinturas: o rosto de uma mulher em tons de laranja e branco e a figura de uma pessoa de saia segurando um objeto verde. À direita da porta, há um cartaz afixado na parede." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">João Alfredo de Souza em frente a Associação Quilombola de Conceição das Crioulas (AQCC)
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Giovanna Carneiro</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Graças a articulação dos líderes quilombolas, a primeira escola da comunidade, a Escola José Néu, foi inaugurada em 1994. Naquela época, os professores que atuavam na instituição de ensino eram em sua maioria de outros municípios e não eram quilombolas, e na comunidade apenas Givânia Maria, uma das fundadoras da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), estava terminando a graduação para começar a lecionar. </p>



<p>Nesse cenário, a composição de um quadro docente formado integralmente por quilombolas tornou-se uma reivindicação central das lideranças locais, como recorda José Alfredo: “nós não queríamos escola de maquiagem, nós queríamos uma escola que ajudasse a fortalecer a nossa identidade, que pudesse ajudar aos alunos, nossos filhos, nossos netos, nossos irmãos, a poder ir para essa escola e resgatar na escola também a autoestima deles, e sobretudo garantir a identidade negra, cultural, para que ela não morresse”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>Conceição das Crioulas recebeu um primeiro título de suas terras em 2000, por meio da Fundação Cultural Palmares, mas a permanência de ocupantes externos impediu a consolidação da posse plena do território. Em 2004 foi aberto um novo processo no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que segue em tramitação. O território reivindicado soma aproximadamente 17 mil hectares. Parte dessa área já foi assegurada: entre 2014 e 2015, o INCRA emitiu títulos de propriedade que totalizam aproximadamente 2.080 hectares, registrados em nome da Associação Quilombola Conceição das Crioulas. Ainda assim, o processo administrativo principal (n.º 54141.001339/2004-80), voltado ao reconhecimento, desapropriação e titulação de cerca de 16.865 hectares, permanece inconcluso. Embora o decreto de desapropriação tenha sido publicado em 2009, etapas como a retirada de fazendas sobrepostas, a regularização cartográfica e a titulação coletiva definitiva do território ainda não foram finalizadas.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Plano Político Pedagógico diferenciado</h2>



<p><a href="https://repositorio.unb.br/handle/10482/31319" id="https://repositorio.unb.br/handle/10482/31319">Em sua dissertação de conclusão do mestrado em Desenvolvimento Sustentável Junto a Povos e Territórios Tradicionais</a>, defendida na Universidade de Brasília, Márcia Juscilene do Nascimento, conhecida como Márcia Crioula, apresentou a pedagogia crioula, uma metodologia de ensino desenvolvida a partir da sua experiência como professora e também como liderança que integrou o projeto de construção do plano político e pedagógico das escolas de Conceição das Crioulas.</p>



<p>O trabalho desenvolvido pela professora e pesquisadora foi fundamentado a partir da sua experiência na Escola Professor José Mendes, primeira escola da comunidade que utilizou de um programa pedagógico que tem como base a cultura e a história do quilombo. De acordo com o PPP desenvolvido, a pedagogia crioula contém sete fundamentos principais, são eles: território, história, identidade, organização, saberes e conhecimentos próprios, gênero e interculturalidade.</p>



<p>Márcia Crioula explica que o Projeto Político-Pedagógico (PPP) das escolas de Conceição das Crioulas é anterior à formalização das próprias instituições de ensino, pois nasce das concepções, ideias e do projeto de vida da comunidade. Segundo ela, o PPP não pode estar desvinculado do que se pensa para o território e para o futuro coletivo, já que expressa os caminhos que o grupo escolhe trilhar. Assim, mais do que criar algo do zero, a comunidade sistematizou uma construção que já vinha sendo gestada desde o fim dos anos 1980, período em que as lutas sindicais também integravam esse processo de formação política e social.</p>



<p>“A gente começou com a prática. Mesmo antes de existir no papel o nosso PPP, sempre priorizamos a história e a cultura do nosso quilombo no processo de educação da comunidade. Entendemos que, se a história do nosso povo é uma história de resistência, baseada na luta coletiva, isso também precisava estar presente nas escolas, até para fortalecer a autoestima dos alunos”, conta Márcia Crioula sobre o processo de construção do PPP de Conceição das Crioulas.</p>



<p>De acordo com a dissertação de Márcia Jucilene do Nascimento, a pedagogia crioula é definida como uma concepção de educação construída a partir da experiência histórica, cultural e política do quilombo de Conceição das Crioulas, articulando escola, território, memória e luta coletiva. Mais do que um método de ensino, ela valoriza os saberes tradicionais, a história local, a identidade quilombola e as formas comunitárias de organização, entendendo a escola como parte do projeto de vida do território. </p>



<p>É a educação voltada ao fortalecimento da autoestima, do pertencimento e da consciência de direitos, em que ensinar e aprender também significam formar sujeitos politicamente engajados, afirmar a cultura negra e produzir conhecimento desde a realidade da própria comunidade, configurando uma pedagogia de resistência, territorializada e emancipatória.</p>



<p>“Graças ao trabalho coletivo da comunidade, hoje o nosso quilombo é referência em educação e um dos poucos territórios onde todos os professores são quilombolas”, celebra Márcia Crioula.</p>



<p>“Mas é importante também afirmar que nós não queremos que o nosso PPP seja um modelo universal para todas as comunidades quilombolas, muito pelo contrário. Nós queremos mostrar que é possível que cada comunidade crie seu plano de acordo com suas culturas porque cada território tem sua história”, conclui a professora.</p>



<p>A organização comunitária de Conceição das Crioulas se dá por meio da Associação Quilombola de Conceição das Crioulas (AQCC), que reúne associações de produtores e trabalhadores rurais dos diferentes sítios do território. A entidade estrutura sua atuação em diversas frentes, por meio de comissões temáticas que atendem áreas estratégicas da vida coletiva, como saúde, patrimônio, juventude, mulheres, geração de renda e educação. Esta última é coordenada por Márcia Crioula, que atua diretamente no fortalecimento das ações educacionais da comunidade.</p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>Trabalho comunitário na prática</strong></h2>



<p>Caminhar pela comunidade de Conceição das Crioulas e conhecer o interior de suas escolas é entender na prática o conceito da pedagogia crioula. Além do perfil do alunado e do professorado negro, as paredes falam. São painéis de arte, pinturas, frases, cartazes, desenhos, que contam a história da comunidade quilombola e também celebram toda uma história afro-brasileira. Além disso, consta no PPP das escolas o contato direto com lideranças e referências quilombolas que fazem parte da comunidade, como conta a gestora da Escola José Neu de Carvalho, Antônia Raimunda da Silva: “aqui nós trabalhamos em equipe, tanto com os pais dos alunos quanto com as pessoas mais velhas da comunidade, as lideranças. Para nós eles são a memória viva da nossa comunidade então muitas vezes eles vêm aqui para dar palestra, conversar com os alunos sobre a história e a cultura do quilombo e isso é muito importante porque a gente sente o envolvimento dos alunos nessas atividades”.</p>



<p>Segundo a gestora, a Escola José Neu, que atende aproximadamente 150 estudantes da educação infantil e do ensino fundamental, ainda não possui reconhecimento oficial do Ministério da Educação como escola quilombola, embora há anos se identifique dessa forma.</p>



<p>Outro passo importante foi a criação da primeira creche na comunidade, inaugurada em 2024. A professora quilombola e formadora da Creche Maria Auxiliadora de Jesus, Maria da Penha, conta como foi o processo de criação da instituição: “algumas pessoas da comunidade, inclusive lideranças, não defendiam a creche, por causa da vivência que as crianças têm com os mais velhos, de sentar no terreiro, tomar banho no mar sul, ouvir as histórias, e havia o medo de que a creche tirasse isso delas. Mas eu sempre fui defensora. Sempre disse que, quando essa política chegasse, a gente iria trabalhar do nosso jeito, respeitando a forma de ser e de se organizar da comunidade. A ideia de creche que vem da cidade é uma, mas aqui a pedagogia e a metodologia são voltadas para o nosso jeito de ser no quilombo”.</p>



<p>A pedagoga afirma que a defesa da creche na comunidade ocorre desde o início dos anos 2000, quando tiveram início as discussões sobre o projeto político-pedagógico das escolas. Atualmente, a unidade atende cerca de 40 crianças e conta com quatro professoras quilombolas concursadas por meio de seleção específica, além de uma coordenação composta por integrantes da própria comunidade. Os profissionais que atuam na creche também participam de formações contínuas e direcionadas, com o objetivo de aplicar, na prática, o PPP construído pela comunidade.</p>



<p>Com a implantação da creche, a comunidade de Conceição das Crioulas fortalece um percurso educativo que vai desde os primeiros anos de vida das crianças até o final da adolescência e início da vida adulta, sustentado por uma formação cultural e escolar baseada em demandas, valores e objetivos definidos pela própria comunidade. É um projeto de educação articulado ao projeto de vida coletivo que mobiliza educadores e educadoras do território.</p>



<p>“Os professores e professoras têm feito um trabalho maravilhoso e a gente vê o resultado no senso de pertencimento ao território, no olhar, no gesto, no movimento das crianças e dos jovens da comunidade e isso não tem preço, é algo que emociona”, enfatiza Maria da Penha.</p>



<p>O percurso educacional de Conceição das Crioulas mostra que a educação quilombola é um projeto de território, de vida e de futuro coletivo. Quando esse projeto encontra a universidade por meio da licenciatura da UFPE, não se trata apenas de formação superior, mas de um encontro entre dois sistemas de conhecimento. É nesse cruzamento que os saberes ancestrais, organizados em práticas como a pedagogia crioula, passam a ocupar o espaço acadêmico.Com a chegada do curso superior em Educação Escolar Quilombola, na Universidade Federal de Pernambuco, esse percurso formativo ganhou uma nova etapa que se conecta com a história de Conceição das Crioulas como veremos na próxima reportagem da série <strong>Ciência dos saberes ancestrais: a força da Educação Quilombola.</strong></p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/antes-da-universidade-o-quilombo-ja-ensinava/" class="titulo">Antes da universidade, o quilombo já ensinava</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Esta série de reportagens foi contemplada na “Seleção Petrobras de Jornalismo – Ciência e Diversidade”.</p>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/antes-da-universidade-o-quilombo-ja-ensinava/">Antes da universidade, o quilombo já ensinava</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/antes-da-universidade-o-quilombo-ja-ensinava/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Relatório aponta falta de dados e informações sobre crimes socioambientais no Brasil</title>
		<link>https://marcozero.org/relatorio-aponta-falta-de-dados-e-informacoes-sobre-crimes-socioambientais-no-brasil/</link>
					<comments>https://marcozero.org/relatorio-aponta-falta-de-dados-e-informacoes-sobre-crimes-socioambientais-no-brasil/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Jun 2025 18:54:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[crime ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[crimes contra a flora]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=71273</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Rede de Observatórios da Segurança divulgou, nesta terça-feira, 17 de junho, o boletim Além da Floresta, que traz um panorama sobre crimes e conflitos socioambientais no Brasil. O relatório aponta que, entre 2023 e 2024, foram registrados 41.203 crimes ambientais nos estados de Pernambuco, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí, Rio de Janeiro e [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/relatorio-aponta-falta-de-dados-e-informacoes-sobre-crimes-socioambientais-no-brasil/">Relatório aponta falta de dados e informações sobre crimes socioambientais no Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <a href="https://observatorioseguranca.com.br/">Rede de Observatórios da Segurança</a> divulgou, nesta terça-feira, 17 de junho, o boletim <a href="https://drive.google.com/file/d/1n9iVx1Wd7DewPyr20tckZ6xZTQ6B64Uz/view"><em>Além da Floresta</em></a><em>,</em> que traz um panorama sobre crimes e conflitos socioambientais no Brasil. O relatório aponta que, entre 2023 e 2024, foram registrados 41.203 crimes ambientais nos estados de Pernambuco, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. </p>



<p>O boletim destaca que há um verdadeiro &#8220;deserto de informações&#8221; sobre crimes e conflitos socioambientais em todo o país. As secretarias de segurança pública não classificam a violência contra povos tradicionais como crime ambiental, o que compromete tanto a análise quanto o enfrentamento desses problemas. Além disso, os números não consideram os impactos gerados por ações legalizadas, como abertura de estradas, mineração autorizada, desmatamento para agropecuária e grandes empreendimentos que afetam diretamente tanto o meio ambiente quanto às populações vulneráveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dados e desafios de Pernambuco</strong></h2>



<p>Pernambuco aparece como um dos poucos estados que apresentaram informações detalhadas sobre os crimes ambientais e os conflitos fundiários. Segundo o relatório, foram registrados no estado 413 crimes contra a fauna durante o período analisado. No entanto, chama atenção o fato de que, oficialmente, nenhum dos registros realizados em 2023 e 2024 foi classificado como crime ambiental.</p>



<p>O estado também foi um dos únicos, junto com Pará e Piauí, a fornecer dados sobre conflitos fundiários. Aqui, esses conflitos foram registrados como motivadores de outros delitos, como homicídios, e não como crimes específicos, refletindo a ausência de uma tipificação legal adequada para esse tipo de violação. Pernambuco também foi o estado com o menor número de conflitos socioambientais registrados, com apenas duas ocorrências. </p>



<p>Apesar disso, Pernambuco apresentou uma queda de 32,04% nos crimes ambientais entre 2023 e 2024, a maior redução percentual entre os estados analisados. Ainda assim, essa diminuição não necessariamente reflete uma melhora real na proteção socioambiental, já que os dados são inconsistentes e não abrangem a totalidade dos conflitos e seus impactos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/Capturar-300x171.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/Capturar.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/Capturar.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Demais estados monitorados</strong></h2>



<p>No levantamento geral, os nove estados analisados apresentaram uma redução média de 2,94% nos crimes ambientais. Pernambuco e Amazonas foram os que apresentaram as maiores quedas, com 32,04% e 31,31%, respectivamente. Na sequência, Ceará apresentou uma redução de 23,82%, seguido da Bahia e Rio de Janeiro com, 11,26% e 9,93%, respectivamente. Maranhão e São Paulo foram os únicos a apresentarem aumento, 26,19% e 7,09%, respectivamente. Pará e Piauí mostraram relativa estabilidade com variações próximas a zero.</p>



<p>No entanto, especialistas alertam que essa queda pode estar mais relacionada à subnotificação e à falta de dados consistentes do que a uma efetiva melhora no cenário ambiental.</p>



<p>Entre os tipos de conflitos mais comuns no país estão o desmatamento (13% das ocorrências), a invasão de territórios de povos tradicionais (81 casos) e a violência direta contra essas populações (78 casos).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/Capturar2-300x164.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/Capturar2.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/Capturar2.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<p>Na Bahia 87,22% dos crimes ambientais ocorridos em 2023 e 2024 foram contra a flora. Já no Amazonas crimes contra a fauna se destacaram com 58,78% dos casos. O Maranhão apresentou acréscimo de 26,19% do total de crimes ambientais de um ano para o outro, o maior aumento entre os estados monitorados. No Pará, os pesquisadores observaram crescimento de 127,54% nos crimes de incêndio em lavouras, pastagem, mata ou florestas. Já São Paulo registrou 246,03% a mais em registros de crimes de incêndio em mata ou floresta, sendo também o estado com o maior número de crimes ambientais &#8211; 17.501 casos.</p>



<p>Em todo o Brasil, foram identificados 34 casos de ameaças a lideranças indígenas, quilombolas e ribeirinhas, além de registros de extorsão, roubos e até homicídios relacionados a disputas por terra e recursos naturais.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/Capturar3-300x149.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/Capturar3.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/Capturar3.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<p>A cientista social Silvia Ramos, coordenadora da Rede de Observatórios, ressalta que a ausência de estatísticas oficiais robustas sobre os impactos socioambientais e a vitimização das populações tradicionais é uma falha grave do Estado. “Não é possível, em pleno avanço da destruição ambiental no Brasil, que não tenhamos dados rigorosos sobre os impactos sobre quilombolas, indígenas, ribeirinhos e outras comunidades”, alerta.</p>



<p>O boletim aponta ainda para uma baixa cobertura da mídia sobre crimes e conflitos ambientais. Entre 2023 e 2024, apenas 495 casos foram noticiados, o que corresponde a pouco mais de 1% dos crimes registrados oficialmente pelas autoridades de segurança.</p>



<h3 class="wp-block-heading">COP 30</h3>



<p>O boletim foi divulgado a poucos meses da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas &#8211; COP 30, que será realizada em novembro, no Pará. O relatório indica que, embora haja avanços pontuais em alguns estados, o Brasil ainda enfrenta um cenário de apagamento institucional dos crimes ambientais e das violações contra povos tradicionais.</p>



<p>Diante do cenário crítico, a Rede de Observatórios da Segurança propõe uma série de medidas que possam contribuir para enfrentar os problemas relacionados aos crimes ambientais e às violações contra povos tradicionais. Uma das principais recomendações é a padronização dos dados coletados pelas secretarias de Segurança Pública e outros órgãos competentes. A ideia é que os registros passem a incluir, de forma clara e objetiva, informações sobre as vítimas pertencentes a povos e comunidades tradicionais, bem como a natureza dos delitos, se são ambientais ou não.</p>



<p>O relatório também defende a criação de órgãos públicos especializados no monitoramento e combate aos delitos cometidos contra povos tradicionais. Segundo os pesquisadores, isso se faz necessário porque esses crimes possuem características e especificidades que não são contempladas pelas estruturas tradicionais de segurança, tampouco pela legislação vigente, que não os enquadra adequadamente como crimes ambientais.</p>



<p> Por fim, a Rede aponta que a adoção de indicadores comparáveis entre os estados brasileiros seria fundamental para a formulação de políticas públicas efetivas. Esses indicadores permitiriam não apenas acompanhar a evolução dos crimes ambientais e dos conflitos, mas também forneceriam uma base sólida para ações de proteção ambiental e de defesa dos direitos dos territórios tradicionais.</p>



<p>“Leis como a de combate à violência de gênero não foram criadas de forma repentina; são frutos de muita luta, diálogos e embates para produzir mudanças relevantes tanto no campo da segurança pública como nas comunicações, levando os veículos de imprensa a compreender a importância de cobrir eventos inaceitáveis. São essas mudanças profundas que buscamos para os conflitos socioambientais”, concluiu Silvia Ramos.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/relatorio-aponta-falta-de-dados-e-informacoes-sobre-crimes-socioambientais-no-brasil/">Relatório aponta falta de dados e informações sobre crimes socioambientais no Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/relatorio-aponta-falta-de-dados-e-informacoes-sobre-crimes-socioambientais-no-brasil/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cisterna móvel, uma nova tecnologia para ampliar o acesso à água em regiões de seca</title>
		<link>https://marcozero.org/cisterna-movel-uma-nova-tecnologia-para-ampliar-o-acesso-a-agua-em-regioes-de-seca/</link>
					<comments>https://marcozero.org/cisterna-movel-uma-nova-tecnologia-para-ampliar-o-acesso-a-agua-em-regioes-de-seca/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Jun 2025 10:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[cisternas]]></category>
		<category><![CDATA[Programa Um milhão de cisternas]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=71130</guid>

					<description><![CDATA[<p>O aumento das áreas áridas no Semiárido brasileiro está intensificando as secas, a desertificação e a perda de biodiversidade. A diminuição das chuvas e o aumento das radiações de calor trazem novos desafios para a população da região e o uso de tecnologias que amenizem os efeitos das mudanças climáticas é cada vez mais necessário. [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/cisterna-movel-uma-nova-tecnologia-para-ampliar-o-acesso-a-agua-em-regioes-de-seca/">Cisterna móvel, uma nova tecnologia para ampliar o acesso à água em regiões de seca</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O aumento das áreas áridas no Semiárido brasileiro está intensificando as secas, a desertificação e a perda de biodiversidade. A diminuição das chuvas e o aumento das radiações de calor trazem novos desafios para a população da região e o uso de tecnologias que amenizem os efeitos das mudanças climáticas é cada vez mais necessário. Pensando nisso, o <a href="https://lapismet.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites </a>da Universidade Federal de Alagoas (Lapis/UFAL) desenvolveu uma tecnologia social hídrica, chamada cisterna móvel. </p>



<p>“Regiões áridas no Semiárido brasileiro aumentaram significativamente. Já é possível identificar regiões áridas no Seridó paraibano, em Pernambuco, e principalmente ali na região dos Cariris paraibanos, que são 29 municípios, você já tem áreas áridas, assim como no sul do Piauí. E essas áreas têm características específicas: diminuição de nuvens que produzem chuvas, aumento de temperatura e aumento da sede atmosférica”, explica Humberto Barbosa, meteorologista e fundador do Lapis.</p>



<p>“A política pública, o programa de cisternas, é um sucesso, sem dúvidas. Mas, em situação de emergência climática agravada, a chuva, mesmo com a cisterna, não vai chegar mais em algumas regiões. No semiárido você ainda tem quatro meses de chuva, que é onde você tem quase 90% das chuvas concentradas, de fevereiro a maio. Mas, em áreas que estão se tornando áridas, a gente está falando de dez a onze meses sem chuva. E aí, você tem que se adaptar porque as pessoas precisam de água e uma das soluções que estamos propondo é a possibilidade de se locomover em busca de água para armazenar”, finalizou Barbosa.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como funciona a cisterna móvel?</h2>



<p>O design das cisternas móveis foi desenvolvido com base nas plantas xerófilas. Buscou-se, durante a pesquisa para o desenvolvimento da tecnologia, criar uma estrutura que melhor representasse as xerófilas &#8211; especificamente o mandacaru, a palma forrageira e a coroa de frade, sendo esta última a que melhor se adequou ao estudo &#8211; , usando uma ciência conhecida como biomimética, que busca aplicar em estruturas biológicas e funcionalidades da natureza em novos produtos ou equipamentos. Nessa área de estudo científico, engenheiros e designers recorrem às estratégias e soluções da natureza para desenvolver tecnologias inovadoras e sustentáveis.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>O que são plantas xerófilas, de acordo com a Embrapa: o termo &#8220;xerófita&#8221;, originário das palavras gregas &#8220;xeros&#8221; (seco) e &#8220;phyton&#8221; (planta), caracteriza a notável habilidade de cactos, agaves e plantas similares de sobreviver em condições de escassez de água.</p>
        </div>
    </div>



<p>No alto da estrutura móvel estão largos funis por onde a água será captada. O projeto prevê ainda o desenvolvimento de um sistema de comunicação que irá transmitir informações de um radar ou de um satélite meteorológico para os proprietários da região. Assim, eles poderão saber de forma antecipada onde e quando ocorrerão as chuvas, podendo se deslocar até o local e armazenar a água.</p>



<p>A pesquisa para o desenvolvimento da cisterna móvel foi realizada no âmbito do projeto Capes Emergências Climáticas, com apoio da Capes e contou com a participação do designer Wedscley Melo, bolsista de doutorado. Na fase inicial, foram analisados e testados, em dois laboratórios, os padrões visuais de funcionamento de plantas como o mandacaru, a coroa-de-frade e a palma forrageira, com ênfase em seus princípios de retenção e economia de água durante os períodos de seca. Com base nesses estudos e por meio da analogia, as características observadas foram aplicadas à criação do sistema seguindo os princípios da biomimética.</p>



<p>Segundo o professor Humberto Barbosa, o projeto aguarda a oficialização da patente para que os testes e a aplicação em larga escala possam ser viabilizados. Ainda de acordo com Barbosa, uma nova etapa do sistema prevê o processo de filtragem da água inspirado no umbuzeiro. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/frade-300x278.webp">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/frade-1024x950.webp">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/frade-1024x950.webp" alt="A imagem mostra um cacto solitário sobre solo arenoso e seco. A planta tem formato cilíndrico e robusto, de coloração verde-escura, com várias costelas verticais marcadas por espinhos longos e esbranquiçados que se projetam em todas as direções. No topo do cacto há uma estrutura arredondada e felpuda de cor vermelha intensa, parecendo um gorro de lã ou um tampão macio, com um pequeno ponto rosa-choque no centro. Esse cacto é conhecido popularmente como cabeça-de-frade devido à semelhança do topo avermelhado com o capuz usado por monges franciscanos." class="" loading="lazy" width="643">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Cabeça-de-frade, a planta que inspirou a nova cisterna
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	




<h3 class="wp-block-heading">Trabalho em conjunto com a ASA</h3>



<p>Para Humberto Barbosa, a cisterna móvel deverá agregar e possibilitar novas formas de mitigação dos efeitos das secas. Ele acredita que a tecnologia poderá ampliar a atuação das entidades ligadas à Articulação de Semiárido Brasileiro (ASA): “As cisternas convencionais já atendem à necessidade de armazenamento e conservação da água, só que, agora, a atmosfera está evaporando mais água da superfície, e essa superfície é o solo que está degradado. Por isso, a vegetação está degradada e os mananciais também estão degradados. Então, a atmosfera está puxando mais água, com muito mais intensidade, do que a capacidade dessa superfície para alimentar a atmosfera com água. E isso faz com que as regiões áridas aumentem. Nesse contexto, as medidas emergenciais, principalmente adaptativas à mudança climática, às altas temperaturas e redução da chuva, vão exigir essa captação, esse armazenamento com uso de geotecnologia adaptada a esses processos, que é o que propomos com a cisterna móvel”.</p>



<p>Criado em 1999, o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), executado pela ASA, já beneficiou cerca de 1,3 milhão de famílias do semiárido com a instalação de cisternas em áreas de seca. As cisternas construídas pelo P1MC são estruturas de concreto pré-moldado, com capacidade para armazenar até 16 mil litros de água, o que é suficiente para abastecer uma família de até seis pessoas durante o período de estiagem no Semiárido, que pode durar até oito meses.</p>



<p>“No período do lançamento do programa, havia milhões de pessoas sem acesso a água para beber e cozinhar. Então, o P1MC se propôs a atender essa demanda, para salientar inclusive que o acesso à água é um direito constitucional, e naquele período era muito escasso, ainda como é hoje para muitas famílias. [&#8230;] As cisternas emanciparam muitas pessoas ao garantir acesso à água no quintal de suas casas, por isso, esse projeto, que se transformou em política pública, tem o caráter, não só de armazenar a água, mas de dar autonomia, cidadania e dignidade às famílias do Semiárido”, conta Mardônio Alves, coordenador executivo da ASA.</p>



<p>Reconhecendo a relevância do trabalho em conjunto entre universidade e organizações civis, Mardônio Alves reforça que é importante pensar no uso dessas tecnologias em uma perspectiva inclusiva para a população do Semiárido, pensando na funcionalidade e na aplicabilidade delas no ambiente familiar e agrícola da região.</p>



<p>Tanto o cientista Barbosa quanto o agricultor Alves defendem a necessidade de investimento dos governos em políticas públicas de combate às secas e em tecnologias de adaptação às mudanças climáticas são defendidas por ambos. A falta de investimentos em pesquisas recentes e aprofundadas sobre o Semiárido e suas características e a falta de uma legislação ambiental mais rígida são fatores apontados por ambos como agravantes para acontecimentos climáticos extremos como as secas.</p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/cisterna-movel-uma-nova-tecnologia-para-ampliar-o-acesso-a-agua-em-regioes-de-seca/">Cisterna móvel, uma nova tecnologia para ampliar o acesso à água em regiões de seca</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/cisterna-movel-uma-nova-tecnologia-para-ampliar-o-acesso-a-agua-em-regioes-de-seca/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mãe do menino Miguel organiza ato cinco anos após a tragédia para pedir justiça</title>
		<link>https://marcozero.org/mae-do-menino-miguel-organiza-ato-cinco-anos-apos-a-tragedia-para-pedir-justica/</link>
					<comments>https://marcozero.org/mae-do-menino-miguel-organiza-ato-cinco-anos-apos-a-tragedia-para-pedir-justica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jun 2025 13:50:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[caso miguel]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Miguel Torres Gêmeas]]></category>
		<category><![CDATA[Mirtes Renata Santana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=71031</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Uma vida inteira sem o meu filho”. Essa é uma frase repetida diversas vezes por Mirtes Renata, mãe do menino Miguel, e que traduz o maior sofrimento de sua vida. Nesta segunda-feira, 2 de junho, completam-se cinco anos do dia em que Miguel Otávio morreu após despencar do nono andar das Torres Gêmeas, no centro [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/mae-do-menino-miguel-organiza-ato-cinco-anos-apos-a-tragedia-para-pedir-justica/">Mãe do menino Miguel organiza ato cinco anos após a tragédia para pedir justiça</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Uma vida inteira sem o meu filho”. Essa é uma frase repetida diversas vezes por Mirtes Renata, mãe do menino Miguel, e que traduz o maior sofrimento de sua vida. Nesta segunda-feira, 2 de junho, completam-se cinco anos do dia em que Miguel Otávio morreu após despencar do nono andar das Torres Gêmeas, no centro do Recife. Ainda na luta por justiça, Mirtes reúne forças para organizar o ato que marca a data e cobrar punição pela morte de seu único filho.</p>



<p>“Neste dia, o que invadiu minha vida não foi só a tragédia, foi a brutalidade do racismo, da desigualdade, da impunidade. Miguel não caiu. Miguel foi deixado cair. E quem cometeu esse crime uma mulher branca, rica, que deveria ter a empatia de cuidar do meu filho, porque me obrigou a trabalhar, segue livre, estudando Medicina, vivendo sua vida em paz, enquanto eu coleciono noites insones e passos firmes por justiça”, declarou Mirtes em uma postagem nas redes sociais convocando o público para participar do ato #JustiçaPorMiguel. </p>





<p>A manifestação, organizada pela família de Miguel e pela Articulação Negra de Pernambuco (Anepe), acontece em frente ao edifício Maurício de Nassau &#8211; uma das Torres Gêmeas onde ocorreu a tragédia -, próximo ao Cais Santa Rita, às 15h. Após a concentração no local, os manifestantes seguem em caminhada até o Tribunal de Justiça de Pernambuco. As organizadoras recomendam que o público vista trajes azuis ou brancos durante o ato.</p>



<p>“Se some à nossa dor. Se some à nossa memória. Se some à nossa luta. Compartilhe, fale sobre o caso Miguel, exija justiça onde você estiver. Porque a justiça que não chega nos mata aos poucos, e o silêncio é cúmplice da violência”, apelou a mãe de Miguel.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Relembre o caso </span>

		<p>Miguel Otávio Santana da Silva, de cinco anos, caiu do nono andar das Torres Gêmeas no dia 2 de junho de 2020. Na ocasião,a mãe de Miguel, Mirtes Renata Santana de Souza, trabalhava como doméstica na casa de Sari Corte Real, ex-primeira dama do município de Tamandaré. Enquanto Mirtes saiu para passear com o cachorro da patroa, por ordem da mesma, Sari ficou responsável por cuidar de Miguel. No entanto, a ex-patroa abandonou a criança sozinha no elevador.</p>
<p>Sozinho, Miguel chegou até o nono andar, de onde despencou. Na época, Sari chegou a ser presa em flagrante por homicídio culposo, mas foi solta após pagar a fiança de R$ 20 mil. Há três anos, em maio de 2022, a ex-primeira dama de Tamandaré foi condenada por abandono de incapaz e recebeu a pena de 8 anos e 6 meses de prisão em primeira instância.</p>
<p>A pena foi reduzida para sete anos, na segunda instância, mas até agora Sari Corte Real segue em liberdade. Enquanto a defesa de Sarí quer a absolvição da pena, a advogada de Mirtes espera que a pena máxima do crime seja aplicada e que ela tenha 12 anos de reclusão. O processo está sendo julgado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).</p>
	</div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/mae-do-menino-miguel-organiza-ato-cinco-anos-apos-a-tragedia-para-pedir-justica/">Mãe do menino Miguel organiza ato cinco anos após a tragédia para pedir justiça</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/mae-do-menino-miguel-organiza-ato-cinco-anos-apos-a-tragedia-para-pedir-justica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mulheres estão com medo de engravidar por causa do Zika vírus e da covid-19</title>
		<link>https://marcozero.org/mulheres-estao-com-medo-de-engravidar-por-causa-zika-virus-e-da-covid-19/</link>
					<comments>https://marcozero.org/mulheres-estao-com-medo-de-engravidar-por-causa-zika-virus-e-da-covid-19/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 May 2025 20:03:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=70995</guid>

					<description><![CDATA[<p>No ano de 2015, cinco anos antes da pandemia da covid-19, portanto, o governo brasileiro decretou estado de emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) por causa do aumento no número de nascimentos de pessoas com microcefalia, consequência da infecção de gestantes pelo vírus Zika. Uma década depois, um estudo revela que as mulheres [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/mulheres-estao-com-medo-de-engravidar-por-causa-zika-virus-e-da-covid-19/">Mulheres estão com medo de engravidar por causa do Zika vírus e da covid-19</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No ano de 2015, cinco anos antes da pandemia da covid-19, portanto, o governo brasileiro decretou estado de emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) por causa do aumento no número de nascimentos de pessoas com microcefalia, consequência da infecção de gestantes pelo vírus Zika. Uma década depois, um estudo revela que as mulheres alteraram seus planos de gravidez em razão do medo e insegurança causados pelas duas crises sanitárias em sequência, a epidemia do Zika e a pandemia.</p>



<p>Realizado desde 2019, o estudo internacional <em>Decode Zika and Covid</em> (traduzido para <em>Decodificando Zika e Covid</em>) revelou que, entre 2020 e 2021, 32% das 4 mil mulheres que participaram da pesquisa afirmaram ter desistido de engravidar por causa da covid-19. O acesso aos serviços de saúde é apontado como uma das causas dessa escolha: 36% das mulheres enfrentam dificuldades para buscar atendimento médico, número que sobe para 44% entre as mulheres negras.</p>



<p>A pesquisa identificou ainda que mulheres que haviam sido afetadas pela epidemia de Zika demonstraram maior propensão a buscar métodos contraceptivos definitivos durante a pandemia, como a laqueadura. Além dos impactos diretos na saúde, o estudo investiga também como fatores sociais e emocionais — como medo, insegurança e perda de renda — influenciaram nas decisões das mulheres.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Como funciona a pesquisa</span>

		<p>O estudo longitudinal é um estudo de painel, em que uma equipe acompanha o mesmo grupo de mulheres durante um período de tempo determinado. A pesquisa “<em>Decode Zika and Covid”</em> selecionou 4 mil mulheres que são entrevistadas todos os anos, desde 2019, para tentar identificar quais são os impactos das crises de saúde pública sobre os comportamentos reprodutivos, e as perspectivas, opiniões e percepções das mulheres com relação à reprodução após a epidemia da Zika e a pandemia da covid-19, e também outras arboviroses.</p>
<p>O método de escolha das participantes foi realizado a partir da faixa etária desejada pelas pesquisadoras, que iniciou com 18 anos, e com uma discagem digital aleatória, onde as mulheres foram sorteadas por uma lista telefônica. Através dos dados censitários do IBGE as pesquisadoras selecionaram os domicílios nos territórios que integram a pesquisa.</p>
	</div>



<p>“Essas crises de saúde têm um impacto enorme na vida das mulheres. Seja pelo aumento do trabalho de cuidado dentro de casa, tanto dos cuidados domésticos como dos cuidados com outros membros da família, e produz impacto sobre a sua vida profissional e laboral. Muitas mulheres precisaram deixar de trabalhar ou foram demitidas, ou precisaram acumular trabalhos e entraram no sistema do trabalho precário para poder conseguir sustentar as famílias. Por isso, as epidemias e pandemias têm o efeito de desorganização familiar, especialmente a pandemia de covid, por conta do longo tempo de quarentena e dessa convivência forçada entre todos os membros da família”, afirmou Ana Paula Portella, coordenadora da pesquisa no Brasil e pesquisadora visitante da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.</p>



<p>Entre 2015 e 2017, a epidemia de Zika resultou em mais de 3 mil casos de síndrome congênita associada ao vírus, segundo dados do Ministério da Saúde. Atualmente, aproximadamente 1.500 famílias ainda enfrentam as consequências dessa condição, muitas vezes sem o apoio necessário do Estado. Pouco tempo depois, em 2020, a covid-19 trouxe novos obstáculos, como restrições nos partos, riscos elevados de contágio durante a gestação e dificuldades no acesso a serviços essenciais, impactos sentidos de forma ainda mais dura por mulheres negras e de baixa renda.</p>



<p>De acordo com as pesquisadoras que integram a equipe, o <em>Decode Zika and Covid</em> é o maior estudo longitudinal já feito com mulheres no Brasil e na América Latina. Atualmente na fase 4, o levantamento é coordenado pela demógrafa Letícia Marteleto, da Universidade da Pensilvânia, em parceria com instituições brasileiras como UFPE, UFMG e Unicamp. Em Pernambuco, a pesquisa acontece na Região Metropolitana do Recife &#8211; com entrevistas presenciais &#8211; , na Zona da Mata e no Agreste &#8211; com entrevistas realizadas por ligação.</p>



<p>Para Letícia Marteleto, coordenadora geral da pesquisa, o estudo vai além das fronteiras do Brasil. “Embora nosso foco seja Pernambuco, o que estamos descobrindo ressoa com as experiências de mulheres em outros países. Com os cientistas prevendo uma &#8216;era de pandemias&#8217;, nosso trabalho será cada vez mais relevante nos próximos anos”, afirma.</p>



<p>O projeto, financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano <a href="https://www.nichd.nih.gov/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Eunice Kennedy Shriver (NICHD)</a>, dos Estados Unidos, seguirá até 2029.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/mulheres-estao-com-medo-de-engravidar-por-causa-zika-virus-e-da-covid-19/">Mulheres estão com medo de engravidar por causa do Zika vírus e da covid-19</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/mulheres-estao-com-medo-de-engravidar-por-causa-zika-virus-e-da-covid-19/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A história de Xica Manicongo, a primeira travesti do Brasil, chega aos quadrinhos</title>
		<link>https://marcozero.org/a-historia-de-xica-manicongo-a-primeira-travesti-do-brasil-chega-aos-quadrinhos/</link>
					<comments>https://marcozero.org/a-historia-de-xica-manicongo-a-primeira-travesti-do-brasil-chega-aos-quadrinhos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 May 2025 17:32:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[#transgenero]]></category>
		<category><![CDATA[História de Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[HQ]]></category>
		<category><![CDATA[Xica Manicongo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=70806</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Trans-historizar a história oficial”. É assim que a professora e pesquisadora Millena Valença define o projeto Xica: História e memória da primeira travesti do Brasil em HQ. Desenvolvido a partir das pesquisas das professoras Jaqueline Gomes e Megg Rayara, que realizaram um resgate da trajetória de vida de Xica Manicongo em arquivos históricos, e com [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-historia-de-xica-manicongo-a-primeira-travesti-do-brasil-chega-aos-quadrinhos/">A história de Xica Manicongo, a primeira travesti do Brasil, chega aos quadrinhos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Trans-historizar a história oficial”. É assim que a professora e pesquisadora Millena Valença define o projeto <em>Xica: História e memória da primeira travesti do Brasil em HQ</em>. Desenvolvido a partir das pesquisas das professoras Jaqueline Gomes e Megg Rayara, que realizaram um resgate da trajetória de vida de Xica Manicongo em arquivos históricos, e com ilustrações de Jocosa Aguiar, a iniciativa combina arte, literatura e educação para enfrentar o apagamento de mulheres trans e travestis negras da narrativa histórica escolar. </p>



<p>Foi graças a experiência como professora na rede pública de ensino que Millena resolveu criar uma solução para os casos de transfobia que ocorrem nas escolas.</p>



<p>“A minha motivação para escrever o projeto veio de uma situação que ocorreu com uma aluna minha, em 2016. Ainda não havia nenhuma lei de nome social nem a lei de permanência e uso de banheiro por pessoas trans na escola e essa aluna foi vítima de transfobia ao ser proibida de utilizar o banheiro feminino. Foi uma situação desastrosa, porque convocaram toda a escola para realizar uma assembleia e decidir se a aluna podia ou não utilizar o banheiro, o que, no final, não foi aceito&#8221;, explica Millena</p>



<p>A partir disso, ela começou a estudar sobre gênero e sexualidades e decidiu produzir um produto didático para enfrentar a transfobia. &#8220;Considerando a educação como um instrumento de transformação social, sobretudo reconhecendo a importância de desenvolver esse trabalho em Pernambuco, que é um dos estados do Brasil com mais casos de transfeminicídio”, conta a professora.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Quem foi Xica Manicongo </span>

		<p>Xica Manicongo foi uma figura histórica que viveu no Brasil colonial, reconhecida como a primeira travesti de que se tem registro na história do país. Ela era uma pessoa africana escravizada em Salvador, na Bahia, no século XVI. Xica foi acusada pela Inquisição portuguesa de &#8220;andar trajada como mulher&#8221;, o que, na visão das autoridades da época, era considerado um crime grave. Seu caso está documentado nos registros da Inquisição, que perseguiu pessoas que fugiam das normas de comportamento impostas pela Igreja e pelo Estado colonial. Pesquisadoras e pesquisadores promoveram um resgate da história de vida de Xica Manicongo e graças a isso ela se tornou um importante símbolo de resistência e de luta contra opressão para a população negra e LGBTQIA+.</p>
	</div>



<p>“A queixa dos professores sempre foi a mesma, de não ter material e de não ter a formação necessária para suscitar o debate sobre a transfobia nas escolas, e de fato, a gente não tem formação na universidade, as disciplinas de gênero e sexualidade ainda são raras. Dentro do curso de História, por exemplo, quando essas disciplinas existem são optativas e, na maioria das vezes, elas não existem, então a gente não discute gênero e sexualidade”, completou Millena.</p>



<p>Dividido em três partes, o projeto, financiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e pela Secretaria de Cultura de Pernambuco, reúne a HQ roteirizada e ilustrada pela artista trans Jocosa Aguiar, um suplemento didático voltado a professoras e professores e um audiolivro narrado pela multiartista Renna Costa como recurso de acessibilidade para pessoas cegas ou com baixa visão. A HQ traz a representatividade de Xica Manicongo como símbolo do movimento de mulheres trans no país, reforçando uma perspectiva positiva de suas trajetórias para além do estigma da escravidão e da transfobia.</p>



<p>“Eu acho que é muito fácil a gente cair num discurso pessimista quando falamos sobre as pessoas trans e travestis. Um discurso que, às vezes, impede a gente de levantar outras discussões e debates importantes. Por isso, o quadrinho não é apenas um material sobre as pessoas trans, é um quadrinho que demonstra como histórias e diversos processos ao longo da colonização do Brasil foram mudados e rearranjados para promover apagamentos e mortes. E para demonstrar como isso ainda afeta a gente hoje em dia. Por isso, o nosso objetivo é reescrever a história de Xica Manicongo através de um resgate histórico que busca humanizar os corpos de pessoas trans e travestis brasileiras”, explicou a artista Jocosa Aguiar.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/INTERATIVO-Xica-Quadrinhos-paginas-1-300x213.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/INTERATIVO-Xica-Quadrinhos-paginas-1-1024x726.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/INTERATIVO-Xica-Quadrinhos-paginas-1-1024x726.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Crédito: Divulgação / Arte Jocosa Aguiar
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Para o projeto gráfico da história em quadrinho, Jocosa conta que criou uma personagem disruptiva que tem uma imagem inspirada nos mangás de Yu-Gi-OH!: “Ela é uma personagem que tem formas diferentes das pessoas e ambientes onde ela está, e por isso ela se destaca”.</p>



<p>Já a segunda parte do livro, desenvolvida por Millena Valença, é composta por um material que tem como objetivo enfrentar as violências de gênero e sexualidade a partir da educação e de um levantamento de dados, como conta a pesquisadora: “A gente faz as discussões várias conceitos, o que é gênero, o que é orientação sexual, a gente traz também toda a documentação histórica de Xica Manicongo e de outras identidades LGBTQI. O trabalho foca na Xica, mas não é exclusivamente sobre ela. É um material para professores que tem documentos históricos que falam sobre pessoas trans, mulheres lésbicas, pessoas bissexuais, entre outros. O trabalho tem também uma visão bastante problematizadora das questões ético-raciais, então tentamos fazer algo bem amplo e que vai ser bastante útil na vida acadêmica e escolar”.</p>



<p>O projeto inclui um processo formativo destinado aos profissionais de educação, entre professores e bibliotecários, das dez escolas públicas de Pernambuco que foram contempladas. A formação será ministrada pelas educadoras e pesquisadoras Odailta Alves e Dayanna Louise, com foco no uso da HQ como recurso didático e estratégia de enfrentamento ao apagamento dessas identidades na narrativa histórica escolar.</p>



<p>Cada escola contemplada receberá 20 exemplares da HQ impressa, com isso, a iniciativa tem a expectativa de alcançar, direta e indiretamente, cerca de 10 mil estudantes do Ensino Médio, Ensino Médio Técnico, Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos (EJA).</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block">Lançamento</span>

	    <p>O lançamento oficial do livro acontecerá nesta sexta-feira, 23 de maio, às 14h, no Museu de Artes Afro-Brasil Rolando Toro (Muafro), localizado no bairro do Recife. Após o evento, o material didático será disponibilizado gratuitamente em formato digital na plataforma <a href="https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/701885?fbclid=PAQ0xDSwKYbmFleHRuA2FlbQIxMQABpz3W4RBCC3hAnOvAoVT87i1ncmBduJz6z4N7ossH86QmXzAezr-1pJMPQePl_aem_wL0UrKuPBL5dIYZ9wNrANg">Educapes</a>, para qualquer pessoa que deseje utilizá-lo como ferramenta pedagógica.</p>
    </div>



<h3 class="wp-block-heading"></h3>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-historia-de-xica-manicongo-a-primeira-travesti-do-brasil-chega-aos-quadrinhos/">A história de Xica Manicongo, a primeira travesti do Brasil, chega aos quadrinhos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/a-historia-de-xica-manicongo-a-primeira-travesti-do-brasil-chega-aos-quadrinhos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Segurança pública é o maior problema do Brasil para 8 em cada 10 mulheres nordestinas</title>
		<link>https://marcozero.org/seguranca-publica-e-o-maior-problema-do-brasil-para-8-em-cada-10-mulheres-nordestinas/</link>
					<comments>https://marcozero.org/seguranca-publica-e-o-maior-problema-do-brasil-para-8-em-cada-10-mulheres-nordestinas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 May 2025 19:49:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança Pública]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=70627</guid>

					<description><![CDATA[<p>No Nordeste, 82% das mulheres consideram a segurança pública o principal problema do Brasil. É o que revela a pesquisa Mulheres em Diálogo, realizada pelo Instituto Update em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA, que investigou percepções femininas em diferentes regiões do país. O dado reforça a gravidade do tema especialmente entre as nordestinas, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/seguranca-publica-e-o-maior-problema-do-brasil-para-8-em-cada-10-mulheres-nordestinas/">Segurança pública é o maior problema do Brasil para 8 em cada 10 mulheres nordestinas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No Nordeste, 82% das mulheres consideram a segurança pública o principal problema do Brasil. É o que revela a pesquisa <em>Mulheres em Diálogo</em>, realizada pelo Instituto Update em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA, que investigou percepções femininas em diferentes regiões do país. O dado reforça a gravidade do tema especialmente entre as nordestinas, que também demonstram forte preocupação com a saúde pública e a falta de acesso a serviços essenciais.</p>



<p>Considerando o levantamento nacional da pesquisa, 77% das mulheres do Brasil apontam a segurança como a maior preocupação. A aflição é mais forte entre mulheres de 35 a 44 anos e acima dos 60, com mais de 80% desses grupos destacando o tema. De acordo com o estudo, a preocupação atinge mulheres de diferentes classes sociais, faixas etárias e aspectos políticos ideológicos.</p>



<p>“Questões como igualdade salarial e segurança refletem preocupações universais entre as mulheres brasileiras e podem ser a base para ações que promovam avanços nos direitos das mulheres”, afirma Carolina Althaller, diretora executiva do Instituto Update.</p>



<p>A saúde também é prioridade para boa parte das entrevistadas — principalmente no Nordeste (57,5%) e Centro-Oeste (56,9%). Entre as nordestinas, destaca-se o engajamento com pautas relacionadas à melhoria da infraestrutura e do acesso ao atendimento médico.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Consensos e divisões</strong></h2>



<p>O consenso mais forte revelado pela pesquisa diz respeito à igualdade salarial: 94% das mulheres concordam total ou parcialmente que homens e mulheres devem receber a mesma remuneração por cargos equivalentes. Já a saúde figura entre as três maiores preocupações para 47% das brasileiras. A desinformação (<em>fake news</em>) aparece como preocupação relevante para mulheres com maior escolaridade, sobretudo no Sul do país.</p>



<p>A representatividade feminina na política também conta com apoio expressivo: 72% das entrevistadas defendem o aumento da presença de mulheres em cargos políticos.</p>



<p>Apesar dos diversos pontos de consenso, a pesquisa revela divisões marcantes em temas morais e ideológicos. Apenas 48% das entrevistadas se identificam como feministas, enquanto 43% rejeitam essa identidade. A adesão ao feminismo é maior entre jovens de 16 a 44 anos, com ensino médio ou superior e pertencentes às classes AB e C. Já entre mulheres mais velhas, evangélicas e de classes D/E, o termo é amplamente rejeitado.</p>



<p>A descriminalização do aborto enfrenta ampla rejeição: somente 16% das mulheres apoiam a medida. Mesmo entre as que se consideram progressistas, 61% são contrárias à legalização. Entre as conservadoras, esse índice chega a 82%. O índice sobe ainda mais entre mulheres que são mães — 85% rejeitam a legalização. Apesar disso, a maioria das entrevistadas é contrária à prisão de mulheres que realizam o procedimento fora das exceções legais.</p>



<p>Outro ponto de divergência é a influência religiosa nas decisões políticas. Para 53% das mulheres, valores religiosos devem orientar decisões políticas; 43% discordam. Evangélicas e católicas praticantes tendem a apoiar essa influência, enquanto mulheres sem religião e católicas não praticantes são majoritariamente contrárias.</p>



<p>Para a diretora do Instituto Update, os dados revelam tanto caminhos para as possibilidades de diálogo quanto a complexidade da realidade feminina. “Compreender como idade, religiosidade e classe social moldam as percepções é essencial para promover um diálogo respeitoso e produtivo a fim de construir soluções que representem verdadeiramente a diversidade de experiências femininas no Brasil”, analisa Carolina Althaller.</p>



<p>A pesquisa <em>Mulheres em Diálogo</em> contou também com a colaboração da cientista política Camila Rocha e da cientista social Esther Solano, e <a href="https://www.institutoupdate.org.br/proyecto/mulheres-em-dialogo/">está disponível na íntegra no site do Instituto Update</a>.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/seguranca-publica-e-o-maior-problema-do-brasil-para-8-em-cada-10-mulheres-nordestinas/">Segurança pública é o maior problema do Brasil para 8 em cada 10 mulheres nordestinas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/seguranca-publica-e-o-maior-problema-do-brasil-para-8-em-cada-10-mulheres-nordestinas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>“Toda e qualquer pessoa pode e deve participar da construção da comunicação antirracista”, defende a escritora Midiã Noelle</title>
		<link>https://marcozero.org/toda-e-qualquer-pessoa-pode-e-deve-participar-da-construcao-da-comunicacao-antirracista-defende-a-escritora-midia-noelle/</link>
					<comments>https://marcozero.org/toda-e-qualquer-pessoa-pode-e-deve-participar-da-construcao-da-comunicacao-antirracista-defende-a-escritora-midia-noelle/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Apr 2025 20:30:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e democracia]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=70304</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Construção de sentido é comunicação”. Tendo a certeza dessa máxima, e a fim de fortalecer os estudos sobre a comunicação como um direito humano fundamental, a comunicadora e pesquisadora Midiã Noelle lançou o seu livro de estreia Comunicação Antirracista: um guia para se comunicar com todas as pessoas, em todos os lugares, publicado pela Editora [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/toda-e-qualquer-pessoa-pode-e-deve-participar-da-construcao-da-comunicacao-antirracista-defende-a-escritora-midia-noelle/">“Toda e qualquer pessoa pode e deve participar da construção da comunicação antirracista”, defende a escritora Midiã Noelle</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Construção de sentido é comunicação”. Tendo a certeza dessa máxima, e a fim de fortalecer os estudos sobre a comunicação como um direito humano fundamental, a comunicadora e pesquisadora Midiã Noelle lançou o seu livro de estreia <em>Comunicação Antirracista: um guia para se comunicar com todas as pessoas, em todos os lugares</em>, publicado pela <a href="https://www.planetadelivros.com.br/livro-comunicacao-antirracista/413150" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Editora Planeta</a>.</p>



<p>Na obra, a jornalista baiana convida os leitores a refletir sobre o poder da comunicação na construção, desconstrução e reconstrução de um imaginário social que durante séculos desumanizou os corpos negros colocando-os em um lugar de vulnerabilidade constante. Com base em sua experiência pessoal e profissional, Midiã Noelle traz um olhar sensível sobre os processos comunicacionais e defende a importância da comunicação antirracista no cotidiano da população e em todos os âmbitos, não apenas no jornalismo, na publicidade ou redes sociais.</p>



<p>A comunicadora é fundadora do<a href="https://www.instagram.com/commbne/"> Instituto Commbne</a>, organização que fomenta a comunicação e a justiça racial com atuação em diversas áreas e especializada em temas como negritude, direitos humanos e justiça de gênero. Midiã também foi uma das responsáveis pela redação e implementação do Plano Nacional de Comunicação pela Igualdade Racial na Administração Pública Federal, contratada pela Unesco.</p>



<p>Em conversa com a Marco Zero, Midiã Noelle defendeu as estratégias antirracistas para promover uma sociedade mais justa e inclusiva. </p>



<p>Marco Zero<strong> &#8211; Tendo a comunicação antirracista como mote principal, o seu livro propõe uma comunicação para todas as pessoas e não apenas para pessoas negras. Como você enxerga o papel de todos os agentes da sociedade ao indicar estratégias para promover essa comunicação antirracista?</strong></p>



<p><strong>Midiã Noelle</strong> &#8211; Quando eu construí esse livro foi na lógica de que toda e qualquer pessoa tem que ter no seu ato de comunicar a obrigação do enfrentamento ao racismo. Independente dessa pessoa ser negra ou não negra, toda e qualquer pessoa deve falar contra o racismo. E é a comunicação, a construção da linguagem, a construção do sentido, a percepção mesmo da construção da comunicação no dia a dia que possibilita às pessoas o enfrentamento às iniquidades ou o reforço delas.<br><br>Então, a gente reconhece que toda e qualquer pessoa pode e deve participar da construção da comunicação antirracista. É isso que a própria Djamila Ribeiro reforça com o conceito de “lugar de fala”, um conceito que muitas vezes é utilizado de forma equivocada por pessoas que querem se isentar na participação de um debate sobre determinado tema, quando na verdade todo mundo tem, sim, seu lugar de fala nos debates. </p>



<p>O meu livro, que possui como título <em>Comunicação Antirracista, um guia para todas as pessoas em todos os lugares</em>, tem um recorte específico para que uma pessoa que é adolescente, estudante de ensino médio, em qualquer idade, consiga entender o que está escrito, justamente por ser um livro construído de uma forma dialogada. A obra vai sendo construída de uma forma cadenciada, que vem do legado familiar, passando por uma perspectiva histórica, política, e também do dia a dia, da nossa atuação enquanto ser humano, entendendo a comunicação como direito humano fundamental. Então, se a comunicação é direito humano fundamental, a gente tem que usar esse direito para promover outros direitos também, para enfrentar violências e desigualdades.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">Se a comunicação é direito humano fundamental, a gente tem que usar esse direito para promover outros direitos também, para enfrentar violências e desigualdades.</p>
</div>


<p><strong>O livro traz um olhar cuidadoso do cotidiano da população negra e acredito que isso vem muito do seu lugar de comunicadora negra que passou por experiências diversas ao longo da vida pessoal e profissional. Como isso é explorado no livro?</strong></p>



<p>O livro tem um recorte racial muito focado na perspectiva da população afro-brasileira, mas que traz também uma lógica da diáspora negra, da afro-diáspora, entendendo as consequências do processo de escravização de pessoas negras e trazendo esse olhar para outros países também. Eu sei que as realidades do Brasil se assemelham muito com o que acontece nos Estados Unidos, por exemplo, dentro dessa lógica de países de diáspora. Então, são situações que também impactam a vida de pessoas em todo o mundo.</p>



<p>Por isso, qualquer pessoa que ler esse livro vai conseguir também entender a importância de significar a humanidade no olhar da população global mesmo. A importância da gente reconstruir esse olhar, reconsiderando a população negra de fato humana, já que a gente, há pouco tempo atrás, quase 140 anos apenas, éramos tidos como objetos, coisas, e o imaginário construído ao longo de quase 400 anos do processo de escravização no mundo foi muito violento, e nos tirou do lugar do que é ser humano mesmo, das pessoas nos enxergarem como o sujeito de direito. Por isso, nós precisamos resgatar essa humanidade porque somos pessoas com nome, sobrenome, história, memória e sentido. Então, é um livro que eu quero que toque as pessoas, sabe?</p>



<p>É um livro que eu escrevo de uma forma para que todo mundo se identifique. Por isso que eu começo falando do meu pai e da minha família no livro, porque eu sou uma mulher hoje candomblecista, mas que eu venho de uma origem evangélica e eu quero que as pessoas se conectem e entendam que é possível praticar, ter práticas antirracistas no âmbito da comunicação em tudo que é feito. Meu pai tinha isso comigo sem saber. Minha família tinha isso comigo sem saber, porque nós éramos uma família negra do bairro da Liberdade, em Salvador, que é um dos territórios mais pretos que existem no mundo, com quase a toda sua totalidade composta por pessoas negras. </p>



<p>Salvador é o lugar mais preto, de fato, fora do continente africano. Então, eu coloco o Brasil nesse lugar, no contexto da afrodiáspora. E meus pais estavam me educando ali, naquele contexto. Quando eu via meu pai editar o filme, quando eu via meu pai tirar foto, quando eu via meus tios também serem fotógrafos, quando eu via meu tio que trabalhava com tecnologia também, tudo aquilo é construção de sentido, e construção de sentido é comunicação.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">Comunicação é estratégia, na verdade. Ela não é ferramenta, ela é estratégia e ela é o que, de fato, transforma o tempo. </p>
</div>


<p>As pessoas precisam tirar a comunicação desse lugar ferramental, de card, de texto, do noticioso, e entender que a comunicação é estratégia, na verdade. Ela não é ferramenta, ela é estratégia e ela é o que, de fato, transforma o tempo. Comunicação é o próprio tempo. Então, é a partir da comunicação que a gente consegue impactar as pessoas. Algumas pessoas dizem que esse livro é uma arma de enfrentamento ao racismo. Eu odeio isso, porque eu não gosto de armas, mas se for para ser armamentista, para defender direitos, eu, como uma boa filha de Ogum, estou pronta para a batalha.</p>



<p><strong>Por que é importante pensarmos a comunicação antirracista não apenas voltada aos profissionais da área, mas também para toda a sociedade? De que forma isso pode contribuir para a construção de um imaginário coletivo pautado no antirracismo?</strong></p>



<p>Eu costumo dizer que toda pessoa comunica. Nem todas as pessoas são profissionais de comunicação, mas toda pessoa comunica. Apesar de ser jornalista, diplomada e tudo mais, eu defendo também a comunicação que não é diplomada. Eu não posso me colocar em um lugar de superioridade a uma pessoa que é de uma comunicação periférica, de um território, de uma comunicação popular, que participa de uma mídia negra, de um espaço midiático, e que não tem um diploma na mão, mas que está ali também na construção do processo de sentido nessa guerra de narrativa para dar respeito ao seu espaço, ao seu território. Isso inclui também os influenciadores.</p>



<p>Claro que a gente precisa ter uma série de marcos, regulamentos, acompanhamento e um olhar enquanto política pública para todo mundo que está exercendo algum tipo de trabalho no âmbito da comunicação, mas entendendo também que não se deve censurar as pessoas. Quando eu falo na lógica de política pública é de combate à desinformação, de assegurar direitos aos defensores de direitos humanos no âmbito da comunicação, porque a gente sabe que pessoas defensoras de direitos humanos na comunicação sofrem muito em seus territórios, morrem também, são vítimas da violência fatal no dia a dia.</p>



<p>Entendo a comunicação como educação, porque a gente precisa entender os nossos direitos, quais são os marcos, quais são as nossas referências e quem veio antes da gente. Então, o processo do estudo em comunicação para mim é fundamental para as pessoas também saberem um pouco da memória e da história. Por exemplo, a gente tinha o Nego Bispo. O Nego Bispo, um homem quilombola, era um grande comunicador, ele era um escritor, um pensador, e quando ele falava em cosmovisão, ele falava sobre o além, sobre aquilo que não está palpável e tangível aos nossos olhos. E isso também é muito importante entender quando eu falo de comunicação, porque para mim comunicação é orixá, é exu e é o tempo. Por isso, a gente tem que despertar também aquelas pessoas que não são diplomadas, mas que estão fazendo uma transformação muito grande através da comunicação. Apesar de defender a importância do diploma, eu também defendo as pessoas que não têm diploma no reconhecimento da atuação do seu trabalho. Porém, isso requer cuidados.</p>



<p>Os influenciadores são extremamente fundamentais, mas também tem a necessidade desses influenciadores entenderem os espaços que eles ocupam. E, se eles ocupam esses espaços e trabalham de graça para esses espaços que são as plataformas digitais, também tem que fazer uma cobrança dessas <em>big techs </em>que estão aí cada vez mais atuando contra a diversidade. Então a gente precisa também trazer esse olhar para os influenciadores. Entender quem são essas pessoas, entender o que é o produto que eles constroem. E claro, todo mundo tem o direito de produzir o que for e o que quiser, mas se for no tom de violência, de desinformação, de cultura do ódio, aí de fato não pode ser permitido.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-04-17-as-12.05.18_a3432e57-300x169.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-04-17-as-12.05.18_a3432e57-1024x576.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-04-17-as-12.05.18_a3432e57-1024x576.jpg" alt="A imagem mostra um livro intitulado Comunicação Antirracista, escrito por Midiã Noelle. Ele está posicionado em pé sobre uma mesa e apoiado em outros livros. No fundo, é possível ver um jarro de vidro e um copo, compondo a cena. A capa do livro apresenta um design geométrico, com predominância das cores preto, branco e laranja. O título está destacado em letras brancas grande." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Verena Baptista/Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Como você avalia o tratamento dado pela administração pública à comunicação antirracista, tanto no atual governo quanto ao longo da história do Brasil? Na sua opinião, o que ainda falta para que essa pauta ganhe mais força? </strong></p>



<p>Eu acho que a gente precisa ainda qualificar um outro olhar para a comunicação, que é o olhar da comunicação como direito. A gente sabe que nos últimos anos tivemos que lidar com a ausência de Conselhos, o não impulsionamento da realização de novos Conselhos de Comunicação, porque as pessoas não conseguem compreender que a comunicação é política, elas colocam a comunicação num lugar ainda muito do tarefeiro.</p>



<p>A gente não pode pensar, por exemplo, em educação midiática sem pensar em letramento digital e letramento racial. É uma triangulação, não tem como. Se a gente for falar que a educação midiática é importante  e, para mim, falar em educação midiática é falar em comunicação como um todo, a gente tem que falar que a educação midiática só vai ser de fato efetiva quando chegar nas escolas.</p>



<p>No que diz respeito a educação midiática, por exemplo, é necessário trazer uma política atrelada a discussão da perspectiva racial e fortalecer a implementação da lei 10.639, que é a lei da Escola da Cultura Afro-Brasileira e é muito importante, mas existe há mais de 20 anos e não foi devidamente implementada, e a partir da implementação dessa lei a gente pode pensar na comunicação antirracista, na construção desse imaginário antirracista dentro das escolas. </p>



<p>Por isso, é fundamental pensar a comunicação em outro lugar, é pensar no campo da tecnologia também, a gente sabendo que as plataformas digitais, as <em>big techs</em>, elas se disfarçam de empresas de tecnologia sendo empresas de comunicação, na verdade. </p>



<p><strong>Na sua visão, de que forma a comunicação antirracista deve ser construída no Brasil? O que você considera fundamental para que ela aconteça de maneira efetiva?</strong></p>



<p>Quando eu falo de comunicação na lógica antirracista, eu falo de uma lógica antirracista que seja antiproibicionista, antipunitivista e anticapacitista, porque a lógica do discurso das guerras às drogas, ela segue sendo muito forte no Brasil e naturalizando a violência contra pessoas negras, e não é a guerra às drogas, é a guerra contra as pessoas negras, atrelado a um histórico que vem do processo de desumanização dos nossos corpos. Então, se a gente não olha para a comunicação de uma maneira estratégica em todos os âmbitos do governo, não adianta, de fato.</p>



<p>E não só para o governo, fora dos espaços de governo também. O nosso movimento negro precisa respeitar e reconhecer a comunicação negra feita nesse país, não apenas como espaço noticioso, mas também como um grupo que faz política. As pessoas que trabalham no espaço de comunicação, elas não estão ali só para fazer o dia a dia, elas estão ali para pensar politicamente como fortalecer a pauta do enfrentamento ao racismo, do reconhecimento da dignidade humana das pessoas negras e da promoção de direitos na vida dessas pessoas. Então, a comunicação é revolução. E se a gente não tiver uma comunicação que entenda as questões raciais no Brasil e no mundo, a gente vai acabar reforçando as violências.</p>



<p>Durante muito tempo eu trabalhei com a população em situação de rua e assim eu entendi o tanto que o racismo pode ser cruel. E a rua, para mim, também é a construção de afeto, é a construção de respeito. A gente tem que pedir licença para ocupar a rua, porque tem coisas negativas, mas também coisas muito positivas do âmbito do cuidado. A rua é comunicação, é movimento. Mas as pessoas que vivem em situação de rua são invisibilizadas e violentadas constantemente. Então, quando falo do reconhecimento da humanidade do outro, eu estou falando desse tipo de pessoa, dessa população específica. Se a Simone de Beauvoir fala que a mulher é o outro do outro, e a Grada Kilomba fala que a mulher negra é o outro do outro do outro, eu diria que pessoas nesses cenários, nessa triangulação, que vivem em contextos de extrema vulnerabilidade, seja por conta do contexto da guerra às drogas, seja por conta do contexto capacitista, são o outro do outro do outro do outro.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">O nosso movimento negro precisa respeitar e reconhecer a comunicação negra feita nesse país.</p>
</div>


<p>É um lugar ainda não visto e que a gente precisa olhar, entender e evidenciar. Portanto, a comunicação antirracista ela precisa ser antipunitivista, antiproibicionista e anticapacitista para que a gente possa entender que o buraco é mais embaixo. E a população negra também precisa fazer uma autoreflexão sobre como ela pauta a comunicação, não só no movimento negro e no movimento feminista negro no Brasil, mas em todos os países da diáspora negra, sobretudo, aqueles que foram impactados pelo tráfico transatlântico durante a escravização. </p>



<p><strong>Como você acredita que pessoas negras e não negras podem contribuir, a partir de suas próprias realidades e lugares de fala, para a construção de uma sociedade antirracista?</strong></p>



<p>Essa coisa de nos colocar no lugar do outro, eu acho que isso é muito importante. Por exemplo, uma amiga branca recentemente falou pra mim que queria fazer algo sobre questões sociais, pesquisar pessoas negras e tal. Aí eu perguntei para ela “por que você não estuda você mesma, pessoa branca? Porque você também não se coloca nesse lugar de entender porque é uma necessidade de um estudo sobre o outro?”</p>



<p>Há uma lógica de normalidade, de normatização de que ser branco é o normal, e o ser negro é que tem que ser investigado, pesquisado. Nessa lógica do pacto narcisístico da branquitude, os brancos se colocam no lugar de superioridade.</p>



<p>Quando a gente se pauta, a gente se pauta também no entendimento de que algumas dores só a gente vai conseguir compreender na lógica do que a gente sente, então ninguém melhor do que a gente para falar e expor. Isso não invalida que outras pessoas falem, muito pelo contrário, todo mundo pode pesquisar e falar sobre qualquer tema e aí, por exemplo, essa coisa do identitarismo para mim ela é muito fraca porque a vida ela se intersecciona por mais que a gente não queira.<br><br>Então, pessoas brancas podem ser pessoas brancas que são LGBTs e essas interseções vão trazer para elas discursos que vão ser feitos a partir das suas realidades. Por isso não existe a possibilidade de um identitarismo real, é uma lógica que não faz sentido, porque o mundo é interseccional, ele acontece no âmbito da diversidade. Pessoas brancas não são simplesmente pessoas brancas, sempre vai ter uma pessoa branca que tem uma origem latina, estrangeira, sempre vai ter uma mulher, e por mais que seja uma mulher, pode não atender a uma lógica heteronormativa. Então assim, as pautas se misturam.</p>



<p>Por isso eu acho que a gente precisa entender que a comunicação é fundamental para desconstruir, construir e reconstruir sentidos, porque tudo é muito mutável no dia a dia e as pessoas têm suas dinâmicas culturais, territoriais e etc. Mas a gente não pode perder o nosso direcionamento que é o da produção de direitos às pessoas, a garantia da declaração universal dos Direitos Humanos para todas as pessoas em todos os lugares, então, eu tento construir uma contranarrativa a partir daquilo que tem sentido, e convido os leitores do meu livro a fazer o mesmo. </p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/toda-e-qualquer-pessoa-pode-e-deve-participar-da-construcao-da-comunicacao-antirracista-defende-a-escritora-midia-noelle/">“Toda e qualquer pessoa pode e deve participar da construção da comunicação antirracista”, defende a escritora Midiã Noelle</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/toda-e-qualquer-pessoa-pode-e-deve-participar-da-construcao-da-comunicacao-antirracista-defende-a-escritora-midia-noelle/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
