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	<title>Arquivos Direitos Humanos - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 25 Jul 2026 18:00:27 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Direitos Humanos - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>&#8220;A gente não vai recuar&#8221;, garante Rosane Borges</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jul 2026 09:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[antirrascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Dia Internacional da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pensar na construção de uma coletividade que atenda de maneira justa às demandas da sociedade, é pensar na participação direta de todos os grupos que estão sendo impactados com as decisões do Estado. Em uma passagem recente pelo Recife, a professora e pesquisadora Rosane Borges, lançou seu novo livro Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, [&#8230;]</p>
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<p>Pensar na construção de uma coletividade que atenda de maneira justa às demandas da sociedade, é pensar na participação direta de todos os grupos que estão sendo impactados com as decisões do Estado. Em uma passagem recente pelo Recife, a professora e pesquisadora Rosane Borges, lançou seu novo livro <em>Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, visibilidade e formas de gestar o impossível</em>, e trouxe reflexões importantes para projetar um futuro em que grupos ditos minoritários estejam no centro do debate.</p>



<p>Acompanhada pelas jornalistas Kauana Portugal e Catarina de Angola, e pela ativista Ingrid Farias, o debate de lançamento apresentou perspectivas que envolvem política, comunicação, território e transformação social. Com a presença de ativistas, coletivos e organizações da sociedade civil, o encontro fez parte da programação do Julho das Pretas, organizada pelo Observatório Feminista do Nordeste.  </p>



<p>Neste dia internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (25), a Marco Zero traz as reflexões da professora para a construção de um novo mundo onde a participação das mulheres negras tecem um futuro de bem-viver para a coletividade. Pessoas negras, pessoas indígenas, pessoas LGBTQIAPN+, corpos dissidentes, brancos, pessoas rurais e pessoas da área urbana trabalhando para que seja um mundo possível para todos. &#8220;É escandaloso ter apenas um grupo que pensa e decide o que é o país, o que é o comum desse país&#8221;, analisa Borges.</p>



<p>A data é comemorada em homenagem ao primeiro Encontro de Mulheres Afrolatinoamericanas e Afrocaribenhas ocorrido em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana. O encontro marcou a história da luta de mulheres afrodescendentes ao reunir centenas de mulheres de mais de 32 países para discutir e encontrar estratégias para combater o racismo e o sexismo. Trinta e quatro anos depois, essas mesmas mulheres continuam na luta para garantir que os direitos conquistados não sejam retirados e que novas formas de viver sejam pensadas em uma dinâmica de justiça social e racial.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:45% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-76246 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-683x1024.jpg 683w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-768x1152.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-1024x1536.jpg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-1365x2048.jpg 1365w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-150x225.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-scaled.jpg 1707w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Rosane Borges é referência para os estudos sobre comunicação, raça, gênero e cultura. Jornalista, escritora e professora, é doutora em Ciências da Comunicação pela USP, professora convidada do Diversitas (FFLCH-USP), coordenadora da Escola Online Longa e docente da PUC-SP. Além do livro lançado em julho, ela é autora de diversos livros, entre eles: <em>Fragmentos do tempo presente </em>(2021), <em>Esboços de um tempo presente</em> (2016), <em>Mídia e Racismo</em> (2012) e <em>Espelho infiel: o negro no jornalismo brasileiro</em> (2004).</p>



<p></p>
</div></div>



<p>Marco Zero &#8211;<strong>No livro, você parte dos modelos sociais atuais. Então, de uma forma geral, como é que você tem avaliado esses modelos da contemporaneidade?</strong></p>



<p><strong>Rosane &#8211;</strong> São modelos em colapso. Por isso que eu começo falando no meu livro que é a queda de céu, a queda de tudo, na trilha do Davi Kopenawa, porque é um modelo que já se esgotou. Tanto do ponto de vista da política institucionalizada, quando a gente vê o Donald Trump, quando a gente vê Netanyahu, quando a gente vê Milei, quando a gente vê o bolsonarismo, a gente diz que isso se esgotou, porque isso não é política, é antipolítica, é o politicismo.</p>



<p>Do ponto de vista das relações sociais, há o esgarçamento das relações sociais, dos afetos palavra que a gente tá usando muito que tá até desgastada, mas é preciso a gente pensar o que que a gente tá chamando de afeto. Então, tem o esgarçamento dos afetos, tem o esgarçamento da sociabilidade. A pandemia brutalizou a gente no espaço público, acho que tem uma brutalidade. Tem um rebaixamento da inteligência coletiva, eu acho que as redes sociais elas jogam um papel fundamental nesse rebaixamento da inteligência coletiva.</p>



<p>A gente tem uma predação ambiental. A pergunta que até coloco no livro que a gente tem que fazer é: aonde que a gente vai com as nossas trouxas de roupas? Porque os lugares, os territórios estão cada vez mais sendo destruídos e devastados. E não é pela natureza, é pela ação do homem. Então, acho que o que a gente tem hoje no contexto das relações vigentes é a degradação, é o colapso, é um capitalismo de crise que avança para dentro das nossas subjetividades, colonizando as nossas subjetividades. Para além de avançar para fora esse capitalismo que não viu fronteiras, que o dinheiro não tem fronteiras, só as pessoas que são interditadas, a política migratória interdita pessoas, mas não interdita o capital.</p>



<p>Então, esse é um contexto nefasto e ao mesmo tempo contraditório, porque nós chegamos do ponto de vista da performatividade técnica a uma alta performatividade, inteligência artificial, às tecnologias da inteligência em geral, para além da inteligência artificial. A gente tem um contexto de um poder maquínico das máquinas, ou seja, a gente tem uma performatividade técnica elevada, mas que, contraditoriamente, a gente tem um rebaixamento do que a gente chamou de civilização no passado, de pacto civilizatório, de sociedade, de humanidade, de bem-estar, de direito.</p>



<p>Então, eu acho que esse é o contexto que o livro traz no primeiro momento. E aí é preciso, nesse contexto ruim, difícil, que é inviável para a gente, inclusive para a gente cogitar uma vida digna, é um contexto inviável para uma vida digna, a gente cogitar possibilidade de outra forma de existência, que já, inclusive, estão em pleno exercício das matrizes indígenas às matrizes africanas.</p>



<p><strong>Pensando um pouco nesse contexto de transformação da sociedade, quais as principais contribuições das mulheres negras e dos grupos ditos minoritários para o debate sobre democracia, sobre justiça social, sobre a erradicação das desigualdades?</strong></p>



<p>O nosso papel é um papel importante, porque sempre é aquele que faz um movimento antecedente. Ou seja, para além de a gente dizer que a gente precisa participar da vida coletiva dentro de um desenho federativo, qual o nosso passo antecedente? A gente, inclusive, questiona o desenho federativo. A gente não só está pedindo e reivindicando por políticas públicas. E parte das políticas públicas do Brasil só existem graças à reivindicação histórica dos grupos historicamente discriminados, mas ao mesmo tempo que a gente pede por políticas públicas, a gente questiona as normas da institucionalidade.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230;a gente reivindica acesso ao mundo, mas também a gente postula transformação desse mundo&#8221;.</p>
</div>


<p>A gente aponta os limites da democracia e a gente diz que não cabe, não vale apenas a gente ter representação num contexto de um mundo do que precisa ser reestruturado. Então, eu acho que nosso papel é bifronte, importante, porque a gente reivindica acesso ao mundo como ele é, a gente precisa reivindicar acesso ao mundo, participar da vida coletiva como ela é, capitalista, excludente, etc., mas também a gente postula transformação desse mundo. Ou seja, eu acho que a nossa grande contribuição é acesso ao mundo como ele é, na mesma medida que também a gente tenta transformar esse mundo, tenta questionar as normas que atribuem reconhecimento diferenciado, como já diria Judith Butler.</p>



<p>Tenta dizer que esse modelo de Estado tem que ser repensado. É por isso que o nosso olhar é sempre um olhar muito utópico. É um olhar que a gente diz, &#8216;tá bom, como é que a gente faz não só para participar da vida, para jogar o jogo, mas para a gente mudar as regras desse jogo&#8217;. E dizer, inclusive, que não é nem mudar as regras do jogo, o jogo tem que ser outro, não são só as regras.</p>



<p><strong>Como é que a gente pode pensar no fim desse mundo e na construção de um mundo possível, pensando também na contribuição da comunicação para essa construção?</strong></p>



<p>O que nos conforta é que pensar um outro mundo, pensar os futuros possíveis, não nos leva a pensar na lógica do grau zero, da tábula rasa: &#8216;ah, vamos reiniciar da página em branco&#8217;. O que nos conforta é que quando a gente diz que a gente precisa pensar esse outro mundo, mundo, já existem experiências, laboratórios desse mundo. Eu digo que nós estamos no metaverso desde o 14 de maio, não é? Então a gente tem mundos paralelos, eu acho que o que nos conforta é que esses mundos paralelos de resistência, de reinvenção, de criação, de produção, eles precisam ser projetados como matriz coletiva de uma outra experiência de vida.</p>



<p>E a comunicação é fundamental nesses tópicos, porque também a gente não parte da comunicação como veículo, como a tecnologia, o instrumento. Não é o celular, não é a rede social. Mas a comunicação é uma troca, é um sistema de vínculo que nos proporciona criar a possibilidade de conexão com o outro, sem que esse outro fique no lugar do outro. Contudo, que esse outro projete, também, todos os eus. Então, no momento de alterofobia, na morte do outro, é preciso que a gente reposicione também o debate de comunicação, pois não pode ser reduzido ao debate das <em>big techs</em>. Passa por elas, porque a gente precisa destituir o capitalismo algorítmico, mas é preciso também compreender que a comunicação hoje não deve passar apenas pela lógica algorítmica que orienta perfis, comoditiza as vidas, porque você faz uma curadoria de si.</p>



<p>Pensar comunicação nesse sentido é fundamental, porque ela deixa de ser apenas uma estratégia para determinado fim, mas ela passa a ser também um princípio que acompanha estratégias de produção de vínculo, de construção de subjetividades, de instituição de outras plataformas e etc.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Rosane Borges, Kauana Portugal, Catarina de Angola e Ingrid Farias debatem os futuros possíveis
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Mariana Lira</span>
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                    </figure>

	


<p><strong>Qual a importância de mulheres negras e periféricas na construção do imaginário de um futuro possível, justo e menos difícil?</strong></p>



<p>Eu acho que a importância é exatamente no sentido que a gente olha. Se a gente pensar hoje o contexto das eleições, a gente vive, em termos de enunciado, um imaginário empobrecido, porque do ponto de vista social, a gente tem uma narrativa empobrecida sobre o que é política, sobre o que é política pública e etc. Então, qual o nosso papel enquanto mulheres negras? Quando eu digo no livro que é preciso que a gente geste o impossível, que a gente amplia os horizontes do possível. O nosso papel é trazer narrativas que sejam mais ousadas. </p>



<p>Veja, a gente está na narrativa que a gente não quer que a extrema-direita venha, a gente não quer que ditadura venha. Então, a gente está numa narrativa, inclusive, reativa. A gente deixou de ter uma narrativa propositiva. Quando a gente fala em imaginário, a gente está propondo, a gente não está só reagindo. A gente não está só combatendo a regressão. A gente está dizendo também como é que pode vir a emancipação. </p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230;é preciso que a gente amplie os horizontes do possível. O nosso papel é trazer narrativas que sejam mais ousadas&#8221;. </p>
</div>


<p>O nosso grande papel, quando a gente fala de imaginários na política, a gente está falando também de possibilidades, de sonhar, de emancipar, de criar uma narrativa em que as pessoas possam dizer: essa narrativa coletiva, é uma narrativa do sonho, da esperança, da transformação. E não apenas da manutenção, da contenção da crise, da defesa. Porque é isso, a gente está no contexto da defesa ao monstro que continua arriscando não só o Brasil, mas o mundo e a América Latina. Se a gente pensar o que são as eleições desse ano, a América Latina é um horror.</p>



<p><strong>No lançamento do livro, o Observatório Feminista do Nordeste fez a provocação de quem tem sido reconhecido como capaz de imaginar o futuro do Brasil. </strong><strong>Então, queria perguntar a você: quem tem sido reconhecido por imaginar o futuro do Brasil?</strong></p>



<p>Homens brancos, urbanos, de preferência sudestino, que a eles é atribuído o discurso competente de pensar a coisa pública e os destinos de uma coletividade. Isso é tão terrível e, ao mesmo tempo, tão cristalino tão real, porque é um país que segue dando a homens brancos o poder de definir os destinos de uma coletividade, é um país que coloca em risco a sua própria democracia.</p>



<p>Se a gente pensar a origem da democracia grega, tem um pensador que eu gosto muito, o Jacques Rancière, que ele vai dizer que a democracia grega começa com o vício de origem. E é a democracia grega que vai inspirar a democracia ocidental liberal. Ele vai dizer qual é o vício de origem que a democracia grega nasce, ela carrega. Na democracia grega nem todo mundo podia falar, as mulheres não podiam falar, a criança não tinha o direito à fala. O artesão estava ocupado com o trabalho manual, então ele não falava no espaço público.</p>



<p>Aí ele dizia o seguinte, quem falava na democracia grega? Homens adultos que definiam os destinos de uma coletividade, definiam o comum. O comum é isso, é a economia, é a política, é o vestimento, é a cultura, são as regras que ordenam uma comunidade. Se a gente pensar o Brasil, a gente também carrega esse vício da democracia grega com um acréscimo terrível, a exclusão de mulheres, de indígenas e de pessoas negras, de mulheres negras, da população LGBTQIAPN +.</p>



<p>Por que a gente fica um dia assim e outro também, que nós temos que ter uma mulher no Supremo Tribunal Federal (STF)? Max Weber dizia que as três instâncias do poder, eram direitos (social), economia e política. Se a gente pensar que esse é o tripé que sustenta o poder de uma sociedade, a gente está ausente. Quando a gente olha para o STF, a nossa instância máxima, nós não estamos. Quando a gente olha os acordos econômicos, seja a economia privada, os financistas, também nós não estamos. É até bom que a gente não esteja mesmo, porque aquilo ali é o terror. Mas quando a gente pensa em economia pública, nós não estamos.</p>



<p>Quando a gente pensa política, nós estamos chegando com muita luta com as mandatas, a vereança e etc. Mas nós também não somos ministras para além dos lugares que eles acham que a gente deve estar. Pensar os destinos de uma coletividade é ter uma corporeidade que não seja apenas a corporeidade branca. A gente não tá querendo excluir as pessoas brancas a gente quer dizer &#8216;é o seguinte, para pensar os destinos de uma coletividade, você tem que ter pessoas negras, mulheres negras, pessoas indígenas, pessoas LGBTQIAPN +, corpos dissidentes, brancos, pessoas rurais e pessoas da área urbana&#8217;. Não se trata apenas do cálculo da representatividade, trata-se de você pensar o poder e a corporeidade do poder. É escandaloso ter apenas um grupo que pensa e decide o que é o país, o que é o comum desse país.</p>



<p>Você ter o ministro da economia, ele está definindo os destinos de todo mundo. E normalmente, hora a hora, é só o homem branco que define os destinos de uma coletividade. E a gente veio para dizer o seguinte, na linha da Érica: não toleraremos mais. A gente não quer só ser destinatário de políticas públicas. A gente não quer só ser exibida pelos governos, mesmo progressistas, que dizem &#8216;olha, o que eu fiz por vocês&#8217;. Não. A gente reconhece que tem que ter política mesmo para quem está na base. A gente não está querendo dizer que não tem que ter.</p>



<p>Além de sermos pessoas faltantes pela tragédia da escravidão, pela manutenção disso no capitalismo, nós também somos pessoas de inteligência, de tática, que pensam, que articulam. Que entendem de economia, de política, de jurisprudência, de lei, de cultura, de artes, de educação, de matemática e de inteligência artificial. A gente também está querendo ser reconhecida nesse lugar. Para além do lugar que é real, ninguém está negando isso, das sujeitas assaltantes a quem o Estado precisa prover com políticas públicas em escala.</p>



<p><strong>Nesses lugares de representação, que estratégia a gente precisa adotar enquanto sociedade para aumentar essa representação de mulheres negras nesse espaço de poder?</strong></p>



<p>Primeiro é a luta, o que a gente aprendeu com quem veio antes. É ter o campo da denúncia, da luta. De não transigir de alguns princípios, de saber aquilo que a gente negocia e aquilo que a gente não negocia e ter estratégias de formação das nossas meninas e mulheres para dizer o que cabe a cada uma de nós.</p>



<p>Há quem quer estar na universidade, há quem quer estar na política institucional, há quem quer estar na mídia, na imprensa, há quem quer estar nos territórios, nas organizações não governamentais. Então, acho que a gente precisa ter estratégia de essa coisa de ninguém largar a mão de ninguém, se ela tem uma verdade, é a verdade do ponto de vista da estratégia de dizer quem nós somos, de onde a gente veio e para onde a gente quer ir.</p>



<p>E é pensar isso coletivamente, pensar isso de maneira estratégica. E dizer que a gente não vai recuar. De onde a gente veio até onde a gente chegou não há possibilidade mais de recuo, nem do ponto de vista discursivo, nem do ponto de vista da prática.</p>



<p></p>
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		<title>Lideranças comunitárias e evangélicas se unem para protestar por transparência do ProMorar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 22:11:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[protesto]]></category>
		<category><![CDATA[rio Tejipió]]></category>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Neste sábado (25), o Movimento Gota D’Água, formado por organizações sociais, lideranças comunitárias e evangélicas realizará um ato público na Praça do Marco Zero, em Recife, a partir das 7h da manhã. O encontro reunirá moradores das comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, lideranças sociais e igrejas evangélicas para a leitura de uma Carta Manifesto e coleta de testemunhos de moradores sobre os impactos do Projeto ProMorar/BID na Bacia do Rio Tejipió.</p>



<p>O documento, que será apresentado às autoridades municipais, ao Judiciário e a organismos internacionais como Organização das Nações Unidas (ONU), Organização dos Estados Americanos (OEA) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), denuncia a falta de transparência do escritório social responsável por fazer a ligação entre a Prefeitura do Recife e as comunidades atendidas pelo programa. Além disso, também há queixas referentes aos riscos à saúde provocados pelas enchentes recorrentes e a ineficiência das obras de dragagem nas imediações da comunidade do Barro, realizadas em 2024.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Trecho da Carta Manifesto</span>

		<p>&#8220;As comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, por meio das entidades acima citadas, vêm reivindicar publicamente informações claras, transparentes e prévias sobre o andamento do PROMORAR em seus territórios; a garantia de participação efetiva nos processos de deliberação sobre os projetos; a comunicação antecipada acerca de eventuais reassentamentos das famílias que poderão ser impactadas; a apresentação de propostas de moradia adequada para essas famílias; a regularização fundiária dessas localidades; e, sobretudo, a implementação de soluções que ponham fim às inundações e aos alagamentos que, de forma recorrente, impõem perdas materiais, comprometem a saúde física e mental e que violam o direito à vida digna das moradoras e dos moradores&#8221;.</p>
	</div>



<p>Entre as reivindicações estão a garantia de permanência das famílias no território, reassentamento apenas após a entrega das novas unidades habitacionais, indenizações justas de no mínimo R$ 85 mil e obras estruturantes contra alagamentos. O movimento também exige maior participação feminina nos processos decisórios e formativos, ao criticar a superficialidade das ações voltadas às mulheres ao citar as oficinas de estética e autocuidado oferecidas pelo programa.</p>



<p>O evento contará com a presença de entidades como Instituto Solidare, Instituto Transformar, Cendhec, MNDH/PE, Nós na Criação e Fórum Popular do Rio Tejipió (Forte), além de lideranças religiosas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Movimento-Gota-Dagua-722x1024.jpeg" alt="A imagem de um cartaz que traz uma mensagem direta e mobilizadora: “Até quando vamos sofrer com as inundações? É hora de agir!”. Ele convoca moradores cansados de perder móveis, ver suas casas alagadas e viver com medo sempre que chove a se unir ao Movimento Gota D’Água. O ato está marcado para sábado, 25 de julho, com concentração às 6h da manhã no Marco Zero, em Recife. Haverá ônibus saindo das comunidades às 4h30, e o texto encerra com o chamado: “Sua presença pode mudar essa história”." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

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		<item>
		<title>Podcast de debate eleitoral (ainda) não é Cazé TV</title>
		<link>https://marcozero.org/podcast-de-debate-eleitoral-ainda-nao-e-caze-tv/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 21:21:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Moura]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Fala Ordinário Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[Jones Manoel]]></category>
		<category><![CDATA[Recife Ordinário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para começar, um elogio sincero: é muito louvável que um perfil com as características do Recife Ordinário, que em outros tempos seria classificado nas categorias &#8220;humor&#8221; ou &#8220;variedades&#8221;, promova uma discussão eleitoral em seu podcast. Há a possibilidade de que este escriba esteja sendo ingênuo, mas também é preciso ressaltar a digna postura do apresentador [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Para começar, um elogio sincero: é muito louvável que um perfil com as características do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=NTuh1Ba3d0A">Recife Ordinário</a>, que em outros tempos seria classificado nas categorias &#8220;humor&#8221; ou &#8220;variedades&#8221;, promova uma discussão eleitoral em seu podcast. Há a possibilidade de que este escriba esteja sendo ingênuo, mas também é preciso ressaltar a digna postura do apresentador Gabriel Oliveira em seu esforço para garantir um mínimo de seriedade na troca de &#8220;ideias&#8221; entre os dois candidatos a deputado federal, o comunista Jones Manoel e um vereador de extrema-direita cujo nome não será publicado neste texto de opinião por questões de higiene.</p>



<p>Por melhores que tenham sido as intenções e motivações de quase todos os envolvidos — à exceção do histérico extremista de direita —, o fato de o debate ter sido transmitido no YouTube não quer dizer que tenha sido um conteúdo de YouTube. Ao contrário, o resultado foi um produto muito semelhante aos aborrecidos e intermináveis debates veiculados desde a redemocratização, em meados dos anos 1980, pela televisão brasileira.</p>



<p>O formato não ajudou. A produção e as assessorias dos debatedores não foram além da batidíssima divisão em blocos temáticos, enormes por sinal, com um candidato perguntando para o outro. E cada um respondendo o que bem entende. Faltou agilidade, mas não só.</p>



<p>Faltou jornalismo. Explico: senti falta de jornalistas profissionais com postura independente e crítica, capazes de tirar Jones e seu oponente das respectivas zonas de conforto. Por exemplo, questionar o comunista como a tal &#8220;esquerda radical&#8221; pode conduzir mudanças políticas sem obter sucesso nas urnas e sem mobilização social; ou perguntar ao direitista por que, em meio a toda sua verborragia, não citou nenhuma vez o nome de Flávio Bolsonaro.</p>



<p>Sem o elemento crítico, o que se viu foram dois monólogos. Ok, talvez seja impossível manter um mínimo de diálogo com aquele vereador direitista. Aliás, cabe parênteses: é provável que, se fosse tal indivíduo uma mulher, logo estaria sendo chamado pelos demais políticos de &#8220;louca&#8221;, &#8220;histérica&#8221;, &#8220;desequilibrada&#8221; e &#8220;tresloucada&#8221;. Como é homem, branco, que bate nas costas dos colegas nos corredores da Câmara Municipal, conta com a complacência até mesmo da bancada (masculina) do PSB, partido de João Campos, seu alvo nº 2 (o número 1 são as vereadoras mulheres, conforme se lê <a href="https://marcozero.org/entre-mimimi-e-silenciamento-camara-do-recife-vira-palco-de-violencia-contra-mulheres/">nessa reportagem da Marco Zero</a>).</p>



<p>Até os cacoetes de candidatos e candidatas de tempos analógicos foram repetidos por Jones e pelo outro. O comunista abusou de iniciar suas réplicas com o surrado &#8220;mais uma vez ele não respondeu&#8221;. Repetitivo e previsível.</p>



<p>Já o extremista de direita espalhava pegadinhas e cascas de bananas irrelevantes, coisas como &#8220;você sabe quanto custa um pneu de ônibus?&#8221; ou &#8220;quantas unidades de saúde têm no estado?&#8221;. Personagens do passado, dinossauros da política, viviam repetindo esse tipo de bobagem surrada. O sindicalista Luiz Antônio de Medeiros, só pra citar um exemplo que lembro de cabeça, fez isso com mais brilho e humor ao perguntar à grã-fina Marta Suplicy se ela sabia onde ficava o bairro de Sapopemba, durante uma disputa para prefeitura de São Paulo em 1996.</p>



<p>Mesmo cansativo e arrastado para quem suportou até o final, o debate foi ótimo para os envolvido. Os debatedores tiveram a oportunidade de se posicionarem como antagonistas na disputa para as vagas na Câmara dos Deputados. Formando quase um núcleo coadjuvante, correndo paralelo à trama principal da novela protagonizada por Raquel Lyra e João Campos.</p>



<p>Se o vereador pôde discursar e fazer jogo de cena para seu público da machosfera radicalizada, Jones Manoel teve competência em se apresentar como um político mais maduro, capaz de transitar por temas diversos, indo além do perfil de revolucionário e capaz de agradar ao chamado &#8220;voto de opinião&#8221; da esquerda. E isso, historicamente em Pernambuco, tem um potencial nada desprezível.</p>



<p>E, finalmente, para o Recife Ordinário, foi pra lá de excelente. Até então o episódio de maior audiência de seu podcast não tinha passado de 63 mil visualizações. No momento em que este texto foi publicado, o debate já caminhava para 270 mil visualizações, sem contar a repercussão nacional. E isso sem que os produtores tenham encontrado um formato e uma linguagem tão intensa, ágil, descontraída e adaptada à internet como as transmissões esportivas da Cazé TV.</p>



<p></p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Recife Ordinário revela: vereador simulou atraso com ajuda da assessoria</span>

		<p class="western" align="left"><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Há meses o debate estava anunciado para começar às 19h, mas só teve início às 19h27min porque o vereador extremista chegou atrasado.</p>
<p>Perto do final da <em>live</em>, o clima esquentou quando ele acusou o apresentador e a produção do Recife Ordinário de estarem favorecendo Jones Manoel. Nesse momento, Gabriel Oliveira surpreendeu a todos ao dizer que “não era palhaço” e que o parlamentar estava sendo “escroto e safado”.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>O que o atraso tem a ver com o desabafo do moderador?</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Hoje, a equipe do Recife Ordinário <a href="https://www.youtube.com/live/Xv7Ket4JvfM?si=mcuv-ZRfsswZ-D9t">fez uma nova live revelando o que aconteceu nos bastidores</a>, revelando a ligação entre os dois momentos.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>“Ele e a equipe dele se organizaram para nos enganar, para atrapalhar nosso trabalho. E eu não sei por que ele fez isso com a gente”.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Estava combinado que os debatedores teriam de chegar meia hora antes para que tudo fosse testado com antecedência. Na live, os produtores revelaram que os assessores do vereador presentes ao estúdio se mostravam surpresos com o atraso, não sabiam explicar a razão, falando muito por cima que seu chefe estaria com um problema familiar. Em seguida, foi dito que ele só poderia participar online em razão de um imprevisto com sua mãe, e que ele precisava dar suporte a ela.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>“Já estavam me enganando”, desabafou Gabriel. Eram 19h20min. Dois minutos antes, o vereador havia mandando uma mensagem para o whatsapp do apresentador com o seguinte texto: “Meu irmão, deu ruim. Tô com minha mãe. Imprevisto. Faz com ele. Sem bronca”.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Era tudo mentira.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Entre a mensagem por zap e a chegada do vereador foram apenas 10 minutos de intervalo, revelou uma das produtoras.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>As câmeras de segurança do estúdio e de outros estabelecimentos na rua mostraram o vereador passando várias vezes de carro em frente ao local bem antes das 19h. “Ele desceu, ficou esperando começar, poderia ter entrado antes para que o debate começasse na hora certa, mas preferiu irromper, chegar de maneira errada, sem me deixar falar, desrespeitando todas as regras”, contou Oliveira. O extremista acabou sentando na poltrona que estava reservada para o apresentador, mais próxima da câmera, ou seja, ficando mais em evidência no vídeo durante a <em>live</em>.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>“Aturamos tudo isso, fizemos acontecer, mas ele tentou construiu a narrativa para o público dele, que é um público agressivo, que ataca as pessoas, que a gente estava favorecendo Jones. Por isso eu precisava trazer isso, pra mostrar quem é esse cara”, queixou-se.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --></p>
<p>&nbsp;</p>
	</div>
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		<title>Mostra de arte sobre a luta pelo direito ao aborto recebe inscrições até 26 de julho</title>
		<link>https://marcozero.org/mostra-de-arte-sobre-a-luta-pelo-direito-ao-aborto-recebe-inscricoes-ate-26-de-julho/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 19:56:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[aborto]]></category>
		<category><![CDATA[campanha]]></category>
		<category><![CDATA[Nem presa nem morta]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Está aberta até o próximo domingo, 26 de julho, a chamada para a arruda.expo, mostra que reunirá obras sobre a memória, o presente e os futuros da luta pelo direito ao aborto. A iniciativa faz parte da programação que celebra os oito anos de atuação da campanha Nem Presa Nem Morta. A chamada é gratuita [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Está aberta até o próximo domingo, 26 de julho, a chamada para a <a href="https://nempresanemmorta.org/2026/07/chamada-aberta-para-a-arruda-expo/">arruda.expo</a>, mostra que reunirá obras sobre a memória, o presente e os futuros da luta pelo direito ao aborto. A iniciativa faz parte da programação que celebra os oito anos de atuação da campanha <a href="https://nempresanemmorta.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nem Presa Nem Morta</a>.</p>



<p>A chamada é gratuita e aceita inscrições de artistas, ativistas e militantes do Brasil e de outros países. São aceitas fotografias, ilustrações, desenhos, colagens, técnicas mistas, bordados, artes têxteis, peças de design gráfico, composições tipográficas e outras produções bidimensionais. As obras podem ser inéditas ou já existentes, desde que possam ser digitalizadas em alta resolução e reproduzidas em formato de cartaz.</p>



<p>A seleção considerará a potência da mensagem, a qualidade artística e a pertinência da justificativa de participação. A participação de artistas de diferentes territórios e países é incentivada.</p>



<p>Criada em 2018, durante o Festival Pela Vida das Mulheres, em Brasília, a Nem Presa Nem Morta surgiu como uma articulação de comunicação feminista para acompanhar a audiência pública da ADPF 442 no Supremo Tribunal Federal e ampliar o debate social sobre aborto no país. Desde então, atua na produção de informação qualificada, no enfrentamento aos estigmas, na incidência política e na articulação de organizações e movimentos em defesa da descriminalização e legalização do aborto.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>&#8220;A arte abre diálogos onde o estigma tenta impor silêncio. A arruda.expo nasce do compromisso de transformar memória em mobilização, ampliar o repertório visual sobre a luta pelo direito ao aborto e aproximar mais pessoas desse debate&#8221;, afirma Bibiana Serpa, assessora estratégica e pedagógica da campanha.</p>
</blockquote>



<p>A abertura da exposição acontece presencialmente no Rio de Janeiro, em setembro, mês em que é celebrado no Dia de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto na América Latina e no Caribe (28 de setembro).</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block">Serviço</span>

	    <p align="justify"><b>arruda.expo </b>(chamada aberta para artistas)</p>
<p align="justify"><strong>Inscrições:</strong> gratuitas, até 26 de julho de 2026</p>
<p align="justify"><b>Informações e inscrições: </b><a href="https://nempresanemmorta.org/2026/07/chamada-aberta-para-a-arruda-expo/"><span style="color: #1155cc;"><u>https://nempresanemmorta.org/2026/07/chamada-aberta-para-a-arruda-expo/</u></span></a></p>
    </div>
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			</item>
		<item>
		<title>Quando o antirracismo vira performance: a Copa acabou, a luta continua?</title>
		<link>https://marcozero.org/quando-o-antirracismo-vira-performance-a-copa-acabou-a-luta-continua/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 20:08:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo 2026]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Tiago Paraíba* “Por mais que você corra, irmão pra sua guerra vão nem se lixar esse é o X da questão já viu eles chorar pela cor do Orixá?” (Emicida) A Copa do Mundo de 2026 terminou, mas deixou um debate que merece sobreviver ao último apito. Durante semanas, redes sociais, programas esportivos e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Tiago Paraíba*</strong></p>



<p><strong>“Por mais que você corra, irmão pra sua guerra vão nem se lixar esse é o X da questão já viu eles chorar pela cor do Orixá?” (Emicida)</strong></p>



<p>A Copa do Mundo de 2026 terminou, mas deixou um debate que merece sobreviver ao último apito. Durante semanas, redes sociais, programas esportivos e espaços de opinião foram tomados por discussões sobre racismo, colonialismo, imigração e identidade nacional. Não havia apenas um jogo em disputa; havia também uma disputa por quem ocupava o lugar da maior consciência moral.</p>



<p>Esse fenômeno, embora revele um avanço importante, afinal, o racismo deixou de ser um tema invisível no futebol, também expôs um limite da forma como parte desse debate é conduzida. Em muitos momentos, o antirracismo apareceu menos como um compromisso político permanente e mais como uma performance pública de virtude.</p>



<p>Não se trata de negar a existência do racismo na Argentina, na Espanha, no Brasil ou em qualquer outro país. O racismo é um fenômeno histórico que assume diferentes formas em cada sociedade. O problema surge quando sua denúncia passa a obedecer à lógica do evento, da viralização e, da necessidade de demonstrar superioridade moral diante dos outros.</p>



<p>Durante a Copa, parecia que torcer por uma seleção ou outra definia automaticamente o grau de compromisso de cada pessoa com a luta antirracista. O debate político foi substituído por uma espécie de tribunal das consciências, em que o principal objetivo era identificar quem estava do “lado certo” da história.</p>



<p>Essa dinâmica pouco contribui para enfrentar aquilo que o sociólogo Clóvis Moura identificava como o caráter estrutural do racismo na formação da sociedade brasileira. Moura rompeu com a ideia de que o racismo seria apenas um problema cultural ou comportamental. Para ele, o racismo é uma engrenagem do próprio capitalismo dependente brasileiro, um mecanismo que organiza a exploração do trabalho, a desigualdade e a distribuição do poder. Não é um desvio da democracia; é parte da forma como ela foi construída no Brasil. </p>



<p>Se Moura nos ajuda a compreender as estruturas, Lélia Gonzalez nos ensina a olhar para as dimensões culturais e políticas que sustentam essas estruturas. Ao formular o conceito de amefricanidade, ela mostrou que as experiências dos povos negros e indígenas nas Américas produzem formas próprias de resistência e elaboração política, invisibilizadas por uma leitura eurocêntrica da história. Para Gonzalez, combater o racismo significa transformar as relações de poder e reconhecer os sujeitos historicamente silenciados não apenas fazer denúncias ocasionais quando o tema ganha espaço na mídia. </p>



<p>É justamente essa perspectiva que parece faltar quando o antirracismo se reduz à lógica das redes sociais.</p>



<p>A indignação torna-se episódica. Durante algumas semanas, tudo gira em torno do racismo no futebol. Passada a final da Copa, desaparecem as discussões sobre violência policial, encarceramento em massa, desigualdade educacional, racismo religioso, acesso ao mercado de trabalho, representação política ou financiamento de políticas públicas de igualdade racial.</p>



<p>O algoritmo muda de assunto, e boa parte da militância performática muda junto.</p>



<p>Existe ainda outro efeito preocupante: o antirracismo deixa de ser uma prática coletiva de transformação para se tornar um marcador de distinção moral. Em vez de produzir consciência política, produz hierarquias simbólicas entre aqueles considerados suficientemente “conscientes” e aqueles vistos como moralmente inadequados.</p>



<p>Essa postura pouco dialoga com a tradição do movimento negro brasileiro. Clóvis Moura analisava a resistência negra como prática histórica de organização coletiva da quilombagem às lutas contemporâneas e não como afirmação individual de superioridade ética. Da mesma forma, Lélia Gonzalez insistia que o enfrentamento ao racismo exigia construção política, articulação popular e ruptura com as estruturas coloniais que continuam organizando nossas sociedades.</p>



<p>Vale lembrar que o reconhecimento do racismo como problema estrutural no Brasil não surgiu espontaneamente, muito menos foi uma concessão das elites ou resultado da mobilização nas redes sociais. Foi fruto de décadas de organização e luta do movimento negro brasileiro. Das denúncias do Teatro Experimental do Negro às mobilizações do Movimento Negro Unificado, das formulações de Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Abdias do Nascimento e Clóvis Moura, às Marchas Zumbi dos Palmares e à Conferência de Durban, foi essa trajetória que obrigou o Estado brasileiro a reconhecer o racismo e construir políticas públicas de igualdade racial. </p>



<p>É curioso perceber que boa parte dos que hoje protagonizam um antirracismo performático durante grandes eventos raramente se mobilizam para defender esse legado. Não os vemos com a mesma disposição na defesa das cotas raciais, das ações afirmativas, da titulação dos territórios quilombolas ou da agenda de reparação histórica pelos mais de três séculos de escravidão. Também não os vemos na defesa das expressões culturais produzidas pelo povo negro. Pelo contrário: o silêncio costuma prevalecer diante da criminalização do funk, do brega, do hip hop, da capoeira e das religiões de matriz africana, manifestações que historicamente foram alvo de repressão, estigmatização e racismo institucional. Defender o antirracismo implica também defender o direito do povo negro de produzir sua cultura, professar sua fé e afirmar sua identidade sem ser tratado como caso de polícia ou expressão da marginalidade<strong>.</strong> A energia dedicada à performance moral nas redes nem sempre se converte em compromisso com as conquistas concretas construídas pelo movimento negro organizado</p>



<p>A Copa poderia ter sido um ponto de partida. Poderia servir para fortalecer movimentos negros, ampliar o debate sobre ações afirmativas, disputar políticas públicas e consolidar uma agenda antirracista permanente. Mas isso exige abandonar a lógica da performance.</p>



<p>Mais do que disputar quem ocupa o lugar da maior virtude pública, o desafio continua sendo aquele apontado por Clóvis Moura e Lélia Gonzalez: compreender que o racismo não é um acidente moral, mas uma estrutura histórica, e que sua superação exige organização política, transformação social e compromisso permanente.</p>



<p>A Copa acabou. A pergunta que permanece é simples: o antirracismo continuará em campo ou também ficará restrito aos 90 minutos do espetáculo?</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Membro da Executiva Nacional do PSOL, militante da Ação Negra e torcedor do Santa Cruz.</p>
    </div>
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		<title>Por que nunca é só futebol</title>
		<link>https://marcozero.org/por-que-nunca-e-so-futebol/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 23:05:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina 2 x 1 Inglaterra]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina x Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Copa 2026]]></category>
		<category><![CDATA[final da Copa do Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Sebas Miquel* (com introdução de Samarone Lima) Depois da eliminação vergonhosa do Brasil, fiquei com raiva. De fato, a seleção perdeu a alma, e quando a alma vai embora, nada resta. Só corpos inúteis, errando pelo mundo. E me veio a Argentina, para mostrar o que é a identidade de um povo. Pedi ao [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Sebas Miquel* (com introdução de Samarone Lima)</strong></p>



<p><strong>Depois da eliminação vergonhosa do Brasil, fiquei com raiva. De fato, a seleção perdeu a alma, e quando a alma vai embora, nada resta. Só corpos inúteis, errando pelo mundo. E me veio a Argentina, para mostrar o que é a identidade de um povo. Pedi ao velho amigo e grande fotógrafo argentino, <a href="https://www.instagram.com/sebasmiquel/">Sebas Miquel</a> um texto sobre a a vitória de ontem, contra a Inglaterra. Ele respondeu rápido, no calor da vitória.</strong></p>



<p><strong>***</strong></p>



<p>&#8220;É só futebol&#8221;, expressou Scaloni antes da partida, o mesmo diziam Maradona e Carlos Bilardo em 1986. Mas todos sabemos que nunca é só futebol. Colonialismo, subdesenvolvimento, história, patriotismo, guerra, ditadura, Milei ou neoliberalismo (é a mesma coisa), tudo se entremeia em uma partida, tudo faz parte.</p>



<p>O orgulho argentino vem desde a colônia; por volta de 1800, os ingleses tentaram invadir Buenos Aires e nós os expulsamos com óleo quente e guerra de guerrilhas. As Malvinas depois foram controladas e habitadas pelos ingleses até hoje, com guerra incluída. Então, nunca é só futebol.</p>



<p>O futebol é a nossa última esperança, é o nosso orgulho, a nossa alegria, é pela única coisa pela qual fazemos um país parar. Não voa nem uma mosca, não há uma única alma enquanto joga a seleção, o país para. Talvez a nossa última fronteira de representação, talvez o nosso último vislumbre de identidade em um país devastado pelo imperialismo, onde os que traem estão dentro e fora. É a nossa história.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Fotógrafo e professor de Filosofia Política na Universidade de Buenos Aires e na Universidade Nacional de La Matanza e de Jornalismo Gráfico na jornalismo gráfico na Universidade Nacional de La Plata. Venceu diversos prêmios internacionais de fotojornalismo.</strong></p>
    </div>
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		<title>Em live de aniversário da MZ, Rosa Amorim e Lula Costa Pinto destacam importância da eleição para o Congresso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 23:25:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[eleição 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Lula Costa Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[Rosa Amorim]]></category>
		<category><![CDATA[senado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na primeira live de aniversário da Marco Zero, a deputada estadual pelo PT, Rosa Amorim, e o jornalista e analista político do ICL Notícias, Lula Costa Pinto, tentaram responder à pergunta “Que Congresso podemos eleger?”. Logo no início, Rosa, que busca se eleger para o Congresso com apoio maciço do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), [&#8230;]</p>
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<p>Na primeira <em>live</em> de aniversário da Marco Zero, a deputada estadual pelo PT, Rosa Amorim, e o jornalista e analista político do ICL Notícias, Lula Costa Pinto, tentaram responder à pergunta “Que Congresso podemos eleger?”.</p>



<p>Logo no início, Rosa, que busca se eleger para o Congresso com apoio maciço do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), afirmou que apenas quatro integrantes da Câmara Federal foram eleitos por agricultores e têm o compromisso de lutar pela reforma agrária. Para Rosa, o pior cenário que pode ser desenhado pelas urnas é a derrota do presidente Lula e a perda em definitivo do Senado para a extrema-direita.</p>



<p>Com uma visão mais otimista, Costa Pinto acredita que os erros da oposição no período pré-eleitoral criaram as condições para que o presidente Lula conquiste 60% dos votos daqueles eleitores que não se definem como lulistas nem bolsonaristas.</p>



<p>Para o Congresso, no entanto, o jornalista afirma que “o quadro é ainda mais difícil do que em 2022 em razão do orçamento secreto, das emendas positivas, das emendas pix e da manipulação orçamentária que tornam a disputa desigual, criando mais dificuldade para quem não tem mandato federal”. Este é o caso de Rosa Amorim. Outro desafio, segundo ele, é aprovar projetos estruturantes em razão do perfil do parlamento: “o movimento social não existe mais dentro do Congresso”.</p>



<p>Uma das razões para isso seriam as regras do jogo político e a legislação que regulamenta os partidos. “Os partidos brasileiros, com poucas exceções, se tornaram empresas familiares”. Ele citou como exemplo o PL que, sem produzir nada e sem gerar empregos, tem um faturamento de R$ 1 bilhão.</p>



<p>Por essa razão, Rosa Amorim defende a necessidade de encarar o debate da reforma política. “O sistema concentra dinheiro, mídia e poder institucional em quem já tem representação, o que aumenta a dificuldade na renovação política e na entrada de setores populares em espaços de decisão”, explicou Rosa Amorim. Ela defendeu que também “é preciso renovar a postura de como se dá o enfrentamento”, admitindo a “dificuldade de enfrentar quem já controla o poder político, onde quem paga a banda escolhe a música. E isso é sequestro da democracia”.</p>



<p>Para mudar o Congresso em outubro, será necessário participar e fazer campanha ao lado de quem está enfrentando e expondo a extrema-direita. Esse foi um ponto em que Rosa e Costa Pinto bateram na mesma tecla, insistindo que, sem participação popular, não há como renovar os perfis da Câmara e do Senado.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Que Congresso nós podemos eleger? | Com Rosa Amorim, Carol Monteiro e Lula Costa Pinto | #11AnosMZ" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/asAmz6tY6TU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading">O papel do jornalismo na democracia</h2>



<p>Provocado pela apresentadora Carol Monteiro, uma das fundadoras da Marco Zero, o jornalista Lula Costa Pinto apontou as dificuldades dos cenários do jornalismo nacional e regional: “O Estadão, por exemplo, foi adquirido por um fundo de investimentos. A Folha de S. Paulo e o UOL são braços de uma plataforma de pagamento digital. O jornalismo esportivo da Globo, muito mal gerido aliás, depende do patrocínio das bets, não é só a Cazé TV”.</p>



<p>Para ele, é um contexto muito difícil para o jornalismo se manter na defesa da democracia. Rosa Amorim enfatizou a importância da mídia independente em sua função de informar a sociedade ao expor e denunciar aqueles que trabalham contra a maioria da população.</p>
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		<title>Raquel Lyra comemora queda de homicídios, mas violência policial cresce em PE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 14:52:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar]]></category>
		<category><![CDATA[redução da violência]]></category>
		<category><![CDATA[Violência em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto a redução geral dos homicídios ocupa o centro da narrativa da gestão Raquel Lyra (PSD) na área da segurança pública, Pernambuco registrou um aumento nas mortes por intervenção policial em 2025, com 89 pessoas assassinadas no ano passado, 30,9% a mais do que em 2024, . A letalidade da polícia tem cor, gênero, idade [&#8230;]</p>
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<p>Enquanto a redução geral dos homicídios ocupa o centro da narrativa da gestão Raquel Lyra (PSD) na área da segurança pública, Pernambuco registrou um aumento nas mortes por intervenção policial em 2025, com 89 pessoas assassinadas no ano passado, 30,9% a mais do que em 2024, .</p>



<p>A letalidade da polícia tem cor, gênero, idade e território: 94,4% das vítimas eram negras, 100% eram homens, 71,9% eram jovens de até 29 anos e 12,4% (o maior percentual registrado) estavam no Recife quando foram mortas.</p>



<p>Os números fazem parte da sétima edição do estudo <em>Pele Alvo: entre racismo e letalidade</em>, <em>o amanhã</em>, que monitora dados de letalidade policial fornecidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) pelas secretarias de segurança de nove estados (Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo).</p>



<p>Com os resultados de 2025, foi possível contabilizar que, na média dos nove estados, negros têm quatro vezes mais chances de serem mortos pela polícia do que brancos. Em Pernambuco, essa chance chega a ser 11 vezes maior.</p>



<p>De acordo com o estudo, nos nove estados monitorados, o ano passado encerrou com um número recorde de mortes provocadas por policiais (4.330), um aumento de 6,4% em relação a 2024. Considerando os registros de raça ou cor “não informados”, o racismo na segurança torna-se evidente: 86,3% (3.104) das vítimas eram negras.</p>



<p>“Quando analisamos os dados de 2025 em Pernambuco, percebemos uma contradição muito importante. Ao mesmo tempo em que o estado vem divulgando a redução das mortes violentas e intencionais como um resultado positivo da política de segurança, principalmente por meio do programa Juntos pela Segurança, o número de mortes decorrentes de intervenção policial aumentou. Isso nos faz refletir sobre o que realmente significa falar em prevenção da vida quando a violência produzida pelo próprio Estado também cresce. Quando a gente para e olha quem são essas vítimas, o cenário fica mais preocupante”, avalia Dália Celeste, pesquisadora do estudo “Pele Alvo” em Pernambuco.</p>



<p>Afrotransfeminista e estudante de Direito e de Letras, Dália destaca que “existe um perfil muito evidente de qual corpo é atingido por essa violência”. Ela afirma que “isso demonstra que a letalidade policial não acontece de forma aleatória, ela atinge principalmente jovens negros. O que reforça a necessidade de discutirmos o racismo estrutural e as desigualdades presentes na política de segurança pública”.</p>



<p>Outro dado que chama a atenção no estudo é que, apesar de Pernambuco ter informado raça ou cor em 100% dos registros, 78,7% das vítimas não tiveram a profissão identificada. Para Dália, esse contraste é revelador, uma vez que o estado registra a cor daqueles que morrem, mas apaga suas trajetórias nos documentos oficiais.</p>



<p>“Embora o estado consiga informar a raça de todas as vítimas, não sabemos nada sobre quem eram essas pessoas antes da morte. Os dados mostram que um policial, inclusive, foi vítima de uma decorrência da intervenção da própria polícia. Isso aponta que a lógica do confronto também produz riscos para os próprios profissionais da segurança pública”, diz a pesquisadora.</p>



<p>“A nossa preocupação é que o debate sobre segurança pública não fique restrito apenas à redução dos homicídios. É preciso cobrar do estado mais transparência, responsabilização e políticas públicas que tenham como prioridade a preservação da vida”, argumenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Pernambuco segue tendência nacional</h2>



<p>Embora os números ainda sejam altos, Pernambuco vem apresentando uma retração nos principais indicadores criminais monitorados pela Secretaria de Defesa Social (SDS-PE), acompanhando uma tendência verificada na média brasileira.</p>



<p>O estado encerrou os cinco primeiros meses de 2026 (janeiro a maio) com os menores índices já registrados, em toda a série histórica, para Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs) e Mortes Violentas Intencionais (MVIs). Até maio, foram registradas 8.070 ocorrências de CVP, o menor resultado dos últimos 16 anos, e 1.167 ocorrências de MVI, o menor resultado dos últimos 23 anos.</p>



<p>O governo estadual aponta o programa Juntos pela Segurança como principal responsável pela melhora do cenário, associado aos investimentos em tecnologia, inteligência e ações policiais.</p>



<p>Já o Brasil atingiu, em 2024, a menor taxa de homicídios em 11 anos, segundo o <em>Atlas da Violência 2026</em>, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) — esses são os dados nacionais mais recentes.</p>



<p>Os pesquisadores apontam que essa redução nacional dos homicídios está relacionada a um conjunto de fatores. Entre eles, estão a adoção de políticas de segurança pública mais orientadas por dados, permitindo ações focadas nas áreas com maior incidência de violência; mudanças na atuação de grupos criminosos, incluindo períodos de menor confronto entre facções em algumas regiões; e o envelhecimento da população, uma vez que os jovens continuam sendo o grupo mais exposto ao risco de assassinato.</p>



<p>Apesar da tendência de queda, o estudo recomenda cautela na interpretação dos números. Isso porque houve aumento dos registros de mortes violentas classificadas como de causa indeterminada, categoria que pode incluir homicídios não identificados oficialmente. Com base nessa hipótese, os autores estimam que o Brasil pode ter contabilizado até 49.673 homicídios em 2024. Nesse cenário, a redução em relação ao ano anterior seria de apenas 0,4%, significativamente menor do que a indicada pelos dados oficiais.</p>
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		<title>&#8220;O fim da escala 6X1 é uma questão de luta de classes&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 20:39:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[congresso]]></category>
		<category><![CDATA[escala 6x1]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos últimos meses, o debate sobre o fim da escala 6&#215;1 ganhou fôlego nas redes sociais, na imprensa e no Congresso Nacional a ponto de a Câmara dos Deputados aprovar, por 461 votos favoráveis e 19 contra, a Proposta de Emenda à Constituição 221/19. A PEC reduz a jornada de 44 horas semanais, seis dias [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nos últimos meses, o debate sobre o fim da escala 6&#215;1 ganhou fôlego nas redes sociais, na imprensa e no Congresso Nacional a ponto de a Câmara dos Deputados aprovar, por 461 votos favoráveis e 19 contra, a Proposta de Emenda à Constituição 221/19. A PEC reduz a jornada de 44 horas semanais, seis dias trabalhados e apenas um de folga para uma realidade de 40 horas semanais, com dois dias de folga, obrigatoriamente, e sem perda salarial. Agora, a disputa pela aprovação final acontece no Senado Federal, onde a proposta está em tramitação.</p>



<p>O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a proposta passará pela análise das comissões, e não diretamente pelo plenário da Casa. A primeira delas é a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), comandada por Otto Alencar (PSD-BA). Assim como na Câmara, após passar por uma ou mais comissões, a PEC precisa ser aprovada por três quintos dos senadores em plenário, em duas votações seguidas.</p>



<p>Para entender o que está em jogo e os impactos que a mudança na jornada pode causar na vida do trabalhador e nos setores econômicos do país, a <strong>Marco Zero</strong> entrevistou a economista e pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) Darcilene Gomes. Ela analisa que a redução do tempo de trabalho vai dar fôlego ao trabalhador brasileiro e possibilitar que eleve até a autoestima da classe.</p>



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	                                        <p class="m-0">Pesquisadora da Fundaj Darcilene Gomes acredita que fim da escala 6&#215;1 pode impactar até mesmo a autoestima do trabalhador brasileiro. Crédito: ascom Fundaj</p>
	                
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<p>Marco Zero &#8211; <strong>Como a jornada atual influencia a vida social dos trabalhadores, principalmente em relação à convivência, ao lazer e à saúde?</strong></p>



<p><strong>Darcilene Gomes &#8211;</strong> Obviamente, em uma jornada extensa, como é a de mais de 44 horas semanais, a pessoa tem apenas um dia e meio para todas as outras atividades da vida. É uma redução do espaço para cuidar da própria reprodução, inclusive. Do ponto de vista do trabalhador, é uma jornada cansativa, extensa e que prejudica a saúde física e mental e inclusive também a possibilidade de qualificação e melhoria das condições de vida. <br><br>Pelo fato de você trabalhar o dia inteiro, só resta uma parte do seu dia para fazer todas as outras coisas de que você precisa na vida: estudar, fazer comida, ir ao médico, praticar exercício físico, cuidar de filho, cuidar de casa. Essa equação não fecha, não tem como fechar. Na verdade, esse debate sobre o tempo de trabalho existe desde sempre, desde que o capitalismo existe, pois se trata da apropriação do tempo do trabalhador.</p>



<p>Já tivemos jornadas mais extensas. Agora, é um movimento histórico de redução da jornada de trabalho. Do ponto de vista legal, são poucos os países do mundo que ainda mantêm 44 horas, os países já transitaram para uma jornada menor. Até países aqui vizinhos, um exemplo é <a href="https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado/reducao-da-jornada-as-licoes-do-chile-ao-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o Chile, que já tem uma legislação</a> de redução da hora de trabalho.</p>



<p>As novas gerações, da geração Z em diante (considera-se <a href="https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/geracao-z.htm">geração Z</a> o conjunto de indivíduos nascidos entre 1997 e 2009), têm uma relação diferente com o trabalho. Lembro que meu pai trabalhava numa área de construção pesada, de estradas, na construção civil, em que, além de trabalhar a jornada completa, fazia muitas horas extras. Essa geração atual não é mais tão apegada ao trabalho. </p>



<p>Tivemos uma experiência recente, com a pandemia, que mostrou o tanto que avançamos. Uma sociedade civilizada, avançada tecnologicamente, com antibióticos, vacinas, mas, do dia para noite, tivemos que sucumbir a tudo isso e ver parentes, amigos e a sociedade como um todo morrer por conta da covid-19.</p>



<p>Acho que essa experiência está ainda muito próxima da gente. Então vou trabalhar tanto assim para quê? Vem aí de novo um vírus qualquer e eu vou embora no dia seguinte. Então eu preciso viver o agora. Eu acho que o que está talvez muito forte nessas gerações é isso: viver o agora.</p>



<p>O que percebemos é que muitos trabalhadores que ainda estão sob a jornada de 44 horas são mais jovens. Então, por exemplo, onde é comum esse tipo de trabalho? É no comércio e em determinados serviços. Esses setores empregam muito os mais jovens, e os trabalhadores mais jovens já têm uma relação diferente com o trabalho.</p>



<p>Se olharmos, em média, a jornada de trabalho no Brasil, se considerarmos não só o trabalho formal, mas o trabalho com carteira assinada, que é esse que vai ser impactado no primeiro momento, a gente pega a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, essa jornada já é de 40 horas, em média. <br><br>Alguns setores da economia ainda trabalham com 44 horas, mas muitos outros já não trabalham mais com isso. É por isso que a gente diz que a economia vai absorver essa redução da jornada, porque ela já não terá um impacto sobre todos os setores econômicos. Vai ter, mas só para alguns. Alguns setores econômicos vão sentir mais, alguns não vão sentir. Então isso acaba sendo equalizado pela economia como um todo.</p>



<p><strong>Você citou países que já trabalham com essa dinâmica da redução da jornada, como o Chile. Que lição podemos tirar de outros países que já implementaram esses modelos, para um modelo realmente sustentável aqui no país?</strong></p>



<p>O Chile está em transição, mas você tem a França, por exemplo, que é menor ainda, com 36 horas semanais. O que percebemos é um movimento internacional de redução da jornada de trabalho. Nesse momento, no mundo, não estamos falando de elevação da jornada, estamos falando de redução. Nesse sentido, o Brasil não é uma experiência isolada. Não estamos querendo ser uma jabuticaba no mundo. O que queremos é chegar no mesmo sentido de outros países, para onde as outras economias estão indo.</p>



<p>Na verdade, ninguém sabe realmente qual vai ser o impacto disso. O que a experiência internacional mostra é que todo o movimento em curso de melhoria das condições de relação de trabalho e da legislação trabalhista é que ninguém morreu por isso. Inclusive nós tivemos a experiência da redução da jornada de trabalho na Constituição de 1988, de 48 para 44 horas.</p>



<p>O entendimento geral é que a economia vai absorver isso, vai equacionar e o impacto vai se diluindo. Provavelmente, alguns setores, aqueles mais intensivos em trabalho, que utilizam mais essa modalidade de trabalho, podem sentir. Eles vão pensar, &#8220;ah, pequena empresa talvez sinta mais&#8221;, mas esses impactos a gente só vai ter realmente clareza deles mais para frente. Quando implantarmos, quando sentirmos qual foi o resultado, vamos saber exatamente que setores foram mais e menos impactados.</p>



<p>A partir daí, o governo pode criar programas específicos para esses setores que tiverem problemas. Mas como eu falei, boa parte dos setores não vai ter problemas. E tem mais, é muito difícil analisarmos em todas as partes. Ao mesmo tempo em que alguns setores podem ter problemas, aqueles que precisam mais de trabalhadores, que utilizam muito a escala, podem ser prejudicados, outros podem ser beneficiados.</p>



<p>Quando aumentamos o tempo livre do trabalhador, esse tempo livre pode ser convertido em outras coisas. Por exemplo, em horas de lazer. Então setores desse segmento econômico podem ganhar com isso. Vamos pensar no ponto de vista da educação: um curso de especialização no final de semana. Se a pessoa não tinha final de semana, porque, no sábado, trabalhava até meio-dia, ela vai poder fazer um curso que não conseguia fazer antes. Ou seja, vários setores podem ganhar com isso. E não existe ninguém, com essa conta exata, de que tantos por cento dos setores vai ser prejudicado, apesar de ter ouvido muita gente falando que o desemprego vai subir.</p>



<p>Estamos, neste momento, num mercado de trabalho muito aquecido. Temos uma pequena elevação da taxa de desocupação neste mês, na última PNAD, mas o que temos visto, nos últimos anos, é uma taxa de desocupação muito baixa. Há setores desesperados em busca de trabalhadores, publicando anúncios informando que precisam de trabalhadores, porque há déficit. Esses setores que estão com dificuldade de empregar novas pessoas podem até ter uma melhora, principalmente os que utilizam a escala 6&#215;1. Pode ser que mais trabalhadores estejam disponíveis para esse segmento.</p>



<p>Enfim, do ponto de vista do bem-estar do trabalhador, da sua família, da família brasileira, vai ser extremamente positivo. Do ponto de vista da economia, ninguém pode dizer que vai ser negativo, mas a gente pode dizer que os efeitos benéficos, inclusive na produtividade desse trabalhador, podem expandir a economia.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;De que adianta a gente produzir, de que adianta crescer PIB, se não se reverter no bem-estar da população?&#8221;</p>
</div>


<p><strong>E o que o trabalhador pode esperar dessas mudanças?</strong></p>



<p>A melhora. Poderá melhor cuidar dos filhos, melhor cuidar de si. Especialmente as trabalhadoras mulheres serão beneficiadas, pois são as responsáveis pelo cuidado da família. O ideal seria que a gente pudesse discutir a redução da jornada de trabalho com uma distribuição mais igualitária dos cuidados na família, mas, se não é possível fazer isso agora, pelo menos vai se ter uma redução, estar mais em casa, com os filhos, a família e cuidar de si. Afinal, a melhoria no bem-estar dos trabalhadores, para mim, é o que deveríamos buscar o tempo inteiro.</p>



<p>De que adianta produzirmos e crescer PIB se isso não se reverte em bem-estar da população? Não tem sentindo. Que economia é essa em que só alguns vão conseguir ter uma vida muito confortável? Vamos espalhar um pouco de conforto da população como um todo.</p>



<p><strong>A discussão em torno dessa pauta foi bastante polarizada entre parlamentares de esquerda e de direita. O que explica o acirramento dessa polarização?</strong></p>



<p>Em economia, temos uma expressão de que eu gosto muito: &#8220;conflito distributivo&#8221;. É a riqueza de um país disputada pelas pessoas desse país, pelos trabalhadores e empregadores. Neste momento, estamos fazendo essa briga de conflito distributivo. O trabalhador vai puxar de um lado, o empregador vai puxar do outro, e o Congresso Nacional reforça essa luta de classes.</p>



<p>Não é uma questão de disputa de narrativa, é uma questão mesmo de defesa dos interesses dos grupos da sociedade. O Congresso é muito conservador, como sabemos, não só do ponto de vista dos costumes. A maior parte das pessoas que está no Congresso é ligada aos setores empresariais, estão ali para vocalizar os interesses desses grupos, pertencentes à elite econômica do país.</p>



<p>É super legítimo que tenhamos representação de interesses, o Congresso Nacional é exatamente para isso. Agora, é sempre uma disputa assimétrica. Esses setores econômicos, a elite econômica sempre têm um maior número de congressistas, porque financiam as eleições.</p>



<p>Como é um Congresso muito conservador, muito mais alinhado aos interesses da elite econômica, ter colocado esse debate na pauta este ano já foi uma grande vitória dessas forças que você chamou de esquerda, que são esses interesses mais alinhados ao maior conjunto da população.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0"> &#8220;Com um Congresso muito conservador, ter colocado esse debate na pauta este ano já foi uma grande vitória&#8221;</p>
</div>


<p>Se pensarmos que, pelo menos desde 2016, não tivemos nenhuma legislação benéfica para o conjunto dos trabalhadores, se lembrarmos que, em 2017, tivemos uma reforma trabalhista, que até hoje não conseguimos avaliar todos os prejuízos que ela trouxe, conseguir pautar essa discussão foi super importante para o Brasil como um todo, para o conjunto da classe trabalhadora. E foi uma estratégia muito boa, bem pensada de colocar discussão no ano eleitoral. Porque isso vai emparedar, como de fato ocorreu na Câmara, com a votação de mais de 400 deputados. Pois todos eles estão pensando em reeleição e não vão votar contra os interesses da maioria da população.</p>



<p>Porque quem os banca lá é a minoria da população, que é essa elite econômica, mas que não tem voto. Então precisa conquistar o voto, precisa dizer que está trabalhando em prol também dos trabalhadores. E, no ano eleitoral, votar contra uma pauta dessa seria muito ruim para as pretensões políticas dos deputados.</p>



<p>Agora, essa disputa não acabou. Os setores empresariais estão em peso em Brasília, fazendo pressão agora nos senadores, que formam um conjunto menor, mais fácil de pressionar. E, da mesma forma que na Câmara Federal, ali os interesses e o desalinhamento dos que representam os interesses da elite econômica e do povo também são enormes.</p>



<p>Vamos ver o que vai acontecer nos próximos dias, porque muitas coisas vão ser jogadas no tabuleiro. E agora, de novo, vai requerer das forças que defendem a pauta da diminuição da jornada também jogadas de mestre como as que conseguiram conquistar os mais de 400 votos na Câmara Federal.</p>



<p><strong>Conseguimos prever o que pode acontecer com esses próximos desdobramentos?</strong></p>



<p>Não tem como prever nada, não gosto de previsão porque essas coisas estão acontecendo rapidamente, há muita coisa sendo colocada ao mesmo tempo. Temos o peso muito forte das lideranças do Congresso. Agora, no Senado, o presidente Davi Alcolumbre, que, sabemos, não é uma pessoa que se alinha às pautas mais progressistas, está sendo pressionado para não votar ou para mudar a PEC.</p>



<p>É muito difícil prever o que vai acontecer nos próximos dias. O que eu torço é que consigamos esse respiro, porque mudar a pauta do trabalho e do trabalhador, alterar a jornada de trabalho no Brasil é uma medida para ontem. O trabalhador brasileiro precisa ganhar esse fôlego, ter esse refresco, ter mais tempo livre para o que ele quiser fazer. Acho que isso é imprescindível.</p>



<p>É um jogo que está sendo jogado por todo mundo. Todo mundo está correndo atrás e, depois de tantas perdas dos trabalhadores nos últimos tempos, há o caráter simbólico de uma vitória como essa. Acho que isso até melhora a autoestima do trabalhador brasileiro, do reconhecimento da sua própria força, até, quem sabe, para pleitear outras mudanças. Talvez por isso mesmo até os setores empresariais que não vão sentir o impacto disso, porque não trabalham mais com jornada de 44 horas, também se oponham a essa mudança.</p>
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		<title>A poupança que junta gente: o movimento das mulheres que transformou a Ilha de Deus</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 19:45:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[empoderamento]]></category>
		<category><![CDATA[ilha de deus]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[poupança comunitária]]></category>
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<p>O ano era 2008 e a comunidade pesqueira de Ilha de Deus vivia a efervescência de um processo de urbanização verdadeiramente participativo. A luta e a união da comunidade geraram uma promessa de campanha em 2006 do então candidato Eduardo Campos: transformar as precárias palafitas daquela área de estuário em uma vila com saneamento básico, serviços públicos e moradias dignas. Entre as muitas reuniões e encontros que aconteciam naquela época, uma atraiu as então pescadoras e donas de casa Elivânia Rocha e Maria de Fátima da Silva. Seria uma reunião fechada para organizações e coletivos que atuavam na comunidade, mas elas foram mesmo assim.</p>



<p>Lá, foi apresentado um projeto de empoderamento feminino e de gestão financeira que não interessou a nenhuma das organizações presentes naquela reunião. Mas fez os olhos das duas mulheres brilharem. “Na reunião tinha um rapaz de São Paulo que participava de uma poupança comunitária, então quando ele falou sobre como a comunidade se organizava para poupar, eu pensei: &#8216;e por que a gente não traz para a nossa comunidade?'&#8221;, lembra Elivânia.</p>



<p>Surgia assim a Poupança Comunitária da Ilha de Deus, a primeira experiência do tipo em Pernambuco. As atividades não começaram envolvendo diretamente dinheiro. Primeiro, as mulheres fizeram um censo na comunidade. </p>



<p>Cercada pela água dos manguezais, de três rios e do mar da Bacia do Pina, a Ilha de Deus tem apenas um acesso por via terrestre – a ponte Vitória das Mulheres, inaugurada em 2009. Mesmo sendo uma área pequena, de cerca de 10 hectares na parte urbana, as futuras tesoureiras encontraram muitos moradores que haviam ficado de fora do cadastro da prefeitura do Recife. “A gente achava que conhecia o vizinho do lado. Mas a partir desse censo, a gente pôde se conhecer melhor, conhecer o nosso território, as nossas reais necessidades. Muitas famílias não iam receber casas, mas acabaram ganhando lugar onde morar graças ao nosso censo”, relembra Maria de Fátima.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/ilha-de-deus-2.jpg" alt="A imagem mostra uma vista aérea da Ilha de Deus, uma comunidade ribeirinha localizada no Recife. Em primeiro plano, há uma praça circular com um mosaico colorido no chão, formado por triângulos em tons de vermelho, amarelo, verde e azul, lembrando uma flor ou um sol. No centro da praça, ergue-se um mastro de bandeira, e ao redor há degraus concêntricos que formam uma espécie de anfiteatro. À esquerda e ao fundo, vê-se um conjunto de casas simples com telhados de barro e paredes pintadas em cores variadas — azul, branco, bege — cercadas por árvores e vegetação. O céu está azul e repleto de nuvens brancas, e ao longe, na linha do horizonte, aparece o perfil moderno da cidade do Recife, com seus prédios altos contrastando com o ambiente mais tradicional e tranquilo da comunidade." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">A poupança comunitária ajudou a mudar a ilha desde que foi criada
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Com esse mapeamento da população, chegou a hora de entrar em campo para fazer com que as pessoas poupassem. Com cerca de 1,1 mil moradores em dados oficiais, as lideranças do projeto calculam que pelo menos 300 pessoas já foram poupadoras em algum momento. Qualquer pessoa da comunidade pode abrir uma caderneta, depositando o valor que quiser. O depósito é feito diretamente com uma das tesoureiras: cada um fica com um caderno onde os repasses são anotados.</p>



<p>“A gente sempre estimula que as pessoas façam também cadernetas coletivas, para juntar dinheiro para um objetivo em comum”, conta Maria de Fátima. Antes de entrar no grupo, cada poupador define um objetivo. Os mais frequentes são reformar a casa, fazer uma festa para o filho, comprar um eletrodoméstico, adquirir um barco. “Quando alguém vem sacar o dinheiro para outra coisa, a gente sempre lembra e reforça que estão poupando para um objetivo. Quando a Ilha de Deus não era urbanizada, muitos poupavam para ajeitar a casa, botar uma cerâmica, comprar algum móvel. Esses eram as metas mais comuns. E, quando eles vinham retirar o dinheiro, a gente dizia para esperar mais um pouquinho, não gastar e focar no objetivo”, lembra Elivânia.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Poupar para fortalecer vínculos</span>

		<p>A poupança comunitária nasceu na Índia nos anos 1970, a partir de um grupo de mulheres de baixa renda que viviam em condições precárias e sofriam ameaças de despejo. Elas decidiram juntar o pouco dinheiro que sobrava do dia a dia para formar um fundo coletivo. Com ele, conseguiram construir suas próprias casas – priorizando as que estavam em situação de maior vulnerabilidade.</p>
<p>O modelo atravessou fronteiras e chegou ao Brasil disseminado pela Slum Dwellers International (SDI), organização presente em 33 países da África, Ásia e América Latina, formada por uma rede de entidades da sociedade civil e iniciativas populares baseadas na autogestão.</p>
<p>No Brasil, a metodologia é representada pela Rede Interação, associação sem fins lucrativos fundada em 2004 em São Paulo, que já atuou em mais de 70 cidades em 18 estados. Foi por meio dessa rede que a poupança comunitária chegou à Ilha de Deus, em Recife, em 2008, trazida por Lúcia Siqueira, coordenadora da Rede Interação no Recife, que conhecia lideranças locais envolvidas no processo de urbanização da ilha.</p>
<p>Segundo a Rede Interação, a poupança tem dois propósitos centrais: melhorar a gestão financeira individual e coletiva e, principalmente, construir relações de confiança e fortalecer vínculos dentro da comunidade. “Não é um projeto, mas um processo. A metodologia que trabalhamos com organização comunitária é apoiada em um tripé com poupança comunitária, intercâmbios e autorrecenseamento”, explica Lúcia. “Eu acredito muito nessa metodologia. Primeiro, porque não personifica em uma liderança só, tem como base a organização comunitária. E não é um projeto pontual, é algo que coloca o protagonismo nas mulheres, que eram donas de casa e aos poucos foram se empoderando”, afirma a coordenadora.</p>
	</div>



<p>O dinheiro é depositado pelas tesoureiras em uma conta não solidária da Caixa Econômica Federal, que é uma conta conjunta que exige a assinatura de todos os envolvidos para fazer a retirada do dinheiro. Assim, quando um poupador avisa que pretende sacar o dinheiro que juntou, é preciso que as três tesoureiras do grupo compareçam juntas ao banco.</p>



<p>É um mecanismo que ajuda a evitar compras por impulso, ainda mais quando se leva em conta o índice de endividamento de 80,2% das famílias brasileiras registrado em março de 2026, o maior da série histórica iniciada em 2010, segundo a Confederação Nacional do Comércio. “Tem gente que tem cartão de crédito e pede para abrir uma poupança porque sabe que aqui consegue juntar o dinheiro”, conta Ana Mirtes Ferreira. “Essa exigência também ajuda as pessoas que já estão viciadas nesse negócio de jogo de tigrinho e nessas bets a economizar alguma coisa”, diz Fátima.</p>



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<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="A poupança que junta gente: o movimento das mulheres que transformou a Ilha de Deus" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/QU9KVJXnAKY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Poupança ajuda a realizar sonhos</h2>



<p>Na Ilha de Deus, a maioria da população está envolvida de um jeito ou de outro com a pesca. A compra de um barco significa independência e a possibilidade de fazer um dinheiro rápido e certo. &#8220;Tem pessoas que têm cursos técnicos, formações de grau superior e, mesmo assim, pescam. A maré dá essa estabilidade para o pescador de fazer o seu horário, de não ter necessidade de bater ponto, nem de dar satisfação a ninguém”, diz Fátima.</p>



<p>Mãe solo de quatro filhos, Noêmia Fernandes dos Santos passava os dias nas águas da bacia do Pina e do porto do Recife. Ia em busca do sururu, que por tantos anos sustentou a família dela e de tantas outras mulheres da comunidade, mas lida diária era prejudicada por não ter um barco próprio: um balde de sururu ou marisco era usado como pagamento para o usar o barco dos outros.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/ilha-de-deus-1.jpg" alt="A imagem mostra uma cena tranquila à beira de um rio, onde um homem e uma criança observam um pequeno barco que navega lentamente pela água. O homem está de pé, descalço, usando uma camiseta vermelha e preta com o número 7 nas costas, um chapéu azul e segurando um galão azul na mão direita. Ao seu lado, a criança está sentada, vestindo uma camiseta colorida com números e letras e um chapéu de aba larga. No fundo, o barco de madeira leva duas pessoas — uma de camisa cinza e outra de camisa rosa — enquanto a margem oposta é coberta por vegetação verde e densa, provavelmente um manguezal. A cena transmite calma e simplicidade, como um momento cotidiano de contemplação entre o adulto e a criança diante do movimento sereno do rio." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Possuir um barco significa a garantia de autonomia para quem vive da pesca
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<p>“Com muita dificuldade, fui economizando pouco a pouco, a poupança me ajudou a ter meu próprio barco. Confesso que foi muito difícil, porque criei quatro filhos sozinha, sem ajuda de ninguém”, conta Noêmia. “A minha trajetória de economizar meu trocado para fazer um barco para mim serviu para incentivar outras mulheres a economizarem também”, diz ela, que, em 2012, se tornou uma das tesoureiras do projeto. “Já teve muitas mulheres que pouparam comigo. Umas fizeram barco, outras construíram um muro ou reformaram a casa”.</p>



<p>Para ela, a poupança comunitária transformou mais do que a parte financeira. &#8220;Antes da poupança eu era dona de casa, pescadora, não participava de nada, não tinha vez e voz para nada. Quando comecei a formar grupos de poupança, veio fortalecimento tanto para mim como para outras mulheres”, reforça.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Da Ilha de Deus para o mundo</strong></h2>



<p>As líderes da poupança comunitária já fizeram intercâmbios em vários países, como Bolívia, África do Sul, Filipinas e Índia, para conhecer como funciona a poupança nesses países e trazer novas experiências para a Ilha de Deus. São lugares em que a vida é ainda mais difícil do que na Ilha de Deus – onde quase todo mundo tem casa de alvenaria com saneamento básico, há creche e posto de saúde para atender a comunidade.</p>



<p>Quando Fátima foi visitar a Índia, conheceu mulheres que faziam grupos de poupança para construir banheiros nas casas delas. “Elas poupam também para alimentação, para fazer sua moradia. Quando fui para a Índia, o que mais me interessou é que muitas delas não sabiam ler nem escrever, então usavam os lenços delas para usar como medida, no lugar da fita métrica, nas construções que faziam”, lembra a líder comunitária. “Muitas poupavam também para comprar comida em grande quantidade e, assim, economizar”, acrescenta.</p>



<p>Na Ilha de Deus, as necessidades também não são as mesmas de 18 anos atrás. Antes e durante a urbanização, que foi entregue em três etapas, fazer reformas e reparos nas casas eram os principais objetivos. Isso mudou com a entrega das casas aos moradores. “Em países como a Índia não existem as políticas públicas que a gente tem aqui, como habitação, benefícios sociais como o Bolsa Família, escola pública para todo mundo. Então lá as mulheres têm mais necessidades e levam mais a sério o hábito de poupar, porque eles poupam para construir, para educação. Aqui, com as melhorias que tivemos, já se poupa para algo individual”, compara Mirtes.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O futuro da poupança comunitária</h3>



<p>Na terceira vez que foi para a África do Sul, Fátima não viajou sozinha. Ao lado dela foram quatro jovens de outras comunidades do Grande Recife: Ilha de Deus, Caranguejo Tabaiares, Afogados e Tururu, em Paulista. Lá, conheceram experiências de jovens que se juntavam e poupavam um dólar por semana para produzir vídeos de conscientização sobre a importância da reciclagem, por exemplo.</p>



<p>A poupança jovem é vista pelas mulheres como uma forma de mobilizar o futuro da Ilha de Deus e fomentar novas lideranças. “Trabalhamos com temáticas. Por exemplo, pegamos o tema do direito da juventude e levamos os adolescentes para participar de fóruns da juventude, seminários, tudo voltado para que eles possam entender que existe uma lei que assegura os direitos da juventude na cidade do Recife. Os jovens começaram a se interessar e foram convidando um amigo, convidando outro e assim está crescendo”, diz Mirtes.</p>



<p>O tema das mudanças climáticas também é forte nas ações da Poupança Comunitária. “Não é só sobre dinheiro. O nosso objetivo principal é juntar as pessoas, formar novas lideranças. Mobilizar a comunidade para pensar sobre o futuro, pensar em modificar a nossa realidade juntos. Para a gente, é de extrema importância trabalhar com a juventude, porque eles darão continuidade a essa mobilização. O nosso trabalho não vai parar, nem vai morrer com a gente”, afirma Mirtes.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Quem quiser apoiar as ações da Poupança Comunitária pode fazer uma doação via Pix: <a class="underline underline underline-offset-2 decoration-1 decoration-current/40 hover:decoration-current focus:decoration-current" href="mailto:noemiafsantoslinda@gmail.com">noemiafsantoslinda@gmail.com</a></p>
        </div>
    </div>
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