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	<title>Arquivos Direitos Humanos - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 24 May 2026 12:53:06 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Direitos Humanos - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>&#8220;Clamor&#8221;, livro sobre rede de apoio a refugiados de ditaduras será adaptado para o cinema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 22:32:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Madeira]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[livro sobre a ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[Marjorie Estiano]]></category>
		<category><![CDATA[Mouhamed Harfouch]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A atuação de uma rede de apoio que ajudava refugiados da repressão dos países sul-americanos que, na segunda metade dos anos 1970, fugiram para o Brasil é uma história dos tempos da ditadura ainda a ser descoberta pelo público brasileiro. Agora, uma das poucas obras que trata desse tema, o livro-reportagem Clamor, do jornalista Samarone [&#8230;]</p>
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<p>A atuação de uma rede de apoio que ajudava refugiados da repressão dos países sul-americanos que, na segunda metade dos anos 1970, fugiram para o Brasil é uma história dos tempos da ditadura ainda a ser descoberta pelo público brasileiro. Agora, uma das poucas obras que trata desse tema, o livro-reportagem <em>Clamor</em>, do jornalista Samarone Lima, está sendo adaptado para o cinema.</p>



<p>O filme será dirigido por Malu de Martino, cujo trabalho mais marcante foi o longa-metragem <em>Como esquecer</em>, e filmado em Santos e em Valparaíso, no Chile. A produção ainda está nas fases iniciais, com o elenco sendo montado.</p>



<p>A atriz <a href="https://www.instagram.com/estianomarjorie/">Marjorie Estiano</a> (da série <em>Sob pressão</em> e do filme <em>Ainda estou aqui</em>) foi a primeira a ser anunciada; ela fará o papel da jornalista inglesa Jan Rocha, ex-correspondente no Brasil da BBC durante a ditadura, uma das criadoras do grupo Clamor. Seu marido, o brasileiro Plauto, será interpretado por <a href="https://www.instagram.com/mouhamedh/">Mouhamed Harfouch</a>, que atuou em novelas globais como <em>Cordel Encantado</em> e <em>Verdades Secretas</em>. O ator, de ascendência síria por parte de pai, é ativista em organizações de solidariedade a refugiados sírios no Brasil.</p>



<p>A jornalista britânica, que, até hoje, vive no Brasil, é a figura central na história do Clamor.</p>



<p>Em razão do seu trabalho como correspondente estrangeira, era constantemente procurada por militantes exilados que fugiam da máquina repressiva das ditaduras da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai ou por parentes de desaparecidos nesses países. Na época, pressionados internamente e pela opinião pública internacional, os militares brasileiros iniciavam a &#8220;abertura&#8221; política do regime, o que tornou o país um refúgio próximo de casa para os perseguidos vindos do Cone Sul.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/clamor-marjorie-estiano.jpeg" alt="A imagem mostra uma mulher sentada em uma poltrona cinza clara, em um ambiente interno elegante. Ela veste um vestido longo de cetim marrom e sapatos de salto alto amarelos, que criam um contraste marcante. Usa colar e pulseira dourados, e tem o cabelo curto e ondulado, penteado de forma descontraída. Está com uma expressão confiante e um leve sorriso, com uma das mãos apoiada na cabeça. Ao lado, há uma mesa redonda de madeira com um abajur dourado e branco e um telefone preto, compondo um cenário sofisticado e acolhedor." class="" loading="lazy" width="503">
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	                                        <p class="m-0">Marjorie Estiano será a protagonista do filme
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Instagram @estianomarjorie</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Junto com o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh e o pastor presbiteriano Jaime Wright, ela criou o Clamor. Sob a proteção de dom Paulo Evaristo Arns, o grupo passou a ter como sede uma sala na Cúria Metropolitana de São Paulo, ora prestando assistência jurídica aos refugiados, ora articulando uma rede para ajudá-los a encontrar casa, trabalho e alimento. No entanto, a atividade do grupo de maior impacto eram os boletins com relatos de casos e fotos de prisioneiros ou desaparecidos.</p>



<p>Graças ao boletim publicado em três idiomas (português, espanhol e inglês), o Clamor chegou aos personagens que protagonizaram o fato detalhado por Samarone Lima no livro e que será recontado no cinema: a localização de Anatole e Victoria, duas crianças uruguaias desaparecidas. Anos após o sumiço dos irmãos, o grupo descobriu que o menino e a menina foram abandonados por militares argentinos no meio da rua em Valparaíso, a mais de 1.400 quilômetros de Buenos Aires, onde seus pais tinham sido assassinados pela repressão.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Solidariedade brasileira</h2>



<p>Aos 86 anos e vivendo no Brasil desde 1986, <a href="https://marcozero.org/ao-falar-que-a-amazonia-e-nossa-bolsonaro-diz-que-a-amazonia-e-do-crime-afirma-jornalista-britanica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jan Rocha </a>acredita que o filme será importante ao tratar de um aspecto da história do Brasil pouco conhecido do público do país. &#8220;Sei que um filme nunca consegue captar tudo, sei que serão necessárias licenças poéticas para melhor condensar a história, mas será uma oportunidade para que o Clamor alcance uma audiência maior do que a do livro&#8221;, afirma a jornalista.</p>



<p>Ela acredita que, além da própria história do grupo, &#8220;também não é muito conhecido o fato de o Brasil ter recebido milhares de refugiados de toda a América do Sul naqueles anos em que o Brasil vivia uma fase diferente da ditadura, a partir de 1977, principalmente&#8221;. O processo de reabertura permitiu, por exemplo, a instalação de dois escritórios do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Rio de Janeiro e em São Paulo.</p>



<p>Os brasileiros foram muito generosos e acolhedores com esses refugiados. Essa é a impressão que, quase meia década depois, permanece na memória de Jan Rocha. &#8220;A solidariedade brasileira vai chegar às telas do cinema; espero que o filme consiga mostrar isso&#8221;, diz a inglesa.</p>



<p>Na sala cedida pela Cúria Metropolitana ao Clamor chegavam pessoas vivendo situações dramáticas, a exemplo de esposas com maridos desaparecidos e pais cujos filhos foram assassinados ou presos em locais desconhecidos. Mesmo assim, Jan Rocha recusa o rótulo de &#8220;heroísmo&#8221; à atuação do grupo. &#8220;Fazíamos o que precisava ser feito diante de tanto desespero&#8221;, garante.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Direitos sem fronteiras</h3>



<p>No final dos anos 1990 e início dos 2000, quando trabalhava no jornal da Arquidiocese de São Paulo, Samarone Lima teve acesso ao acervo de documentos, recortes de jornais de vários países, depoimentos e fotografias armazenados nos arquivos do Clamor, desativado em 1991, logo após o fim da última ditadura sul-americana, a de Pinochet, no Chile. A pesquisa municiou a dissertação de mestrado do jornalista na Universidade de São Paulo (USP), base para o livro publicado e m 2005.</p>



<p>&#8220;O maior legado do Clamor é a ideia de que solidariedade não tem fronteiras geográficas, étnicas, religiosas, de crenças. É a grande lição para todos os grupos de direitos humanos que, por vezes, atuam solitários tentando alguma pequena conquista&#8221;, resume o autor do livro.</p>



<p>Samarone ressalta que o posicionamento de dom Paulo Evaristo vinha da convicção de que a luta contra a violação dos direitos humanos é universal: &#8220;Dom Paulo tinha conexões com igrejas em todo o mundo, e, com isso, o Clamor recebeu financiamento do Conselho Mundial de Igrejas, que bancou sua estrutura, custeou a viagem secreta para o Chile em busca de Anatole e Vicky&#8221;.</p>



<p>No filme, o arcebispo de São Paulo será interpretado por Augusto Madeira, que atuou na novela <em>Três Graças</em> e na série <em>A menina que matou os pais</em>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Clamor-sebas-miquel-1024x675.jpeg" alt="A imagem mostra um chão de asfalto coberto por desenhos e palavras feitas com giz branco e azul. No centro, lê-se “FUE GENOCIDIO”, expressão em espanhol que significa “foi genocídio”. O texto está dentro de um contorno que lembra um lenço triangular, símbolo das Mães da Praça de Maio, movimento argentino que denuncia os desaparecimentos durante a ditadura militar. Dois pares de pés com tênis escuros aparecem caminhando sobre ou perto dos desenhos, sugerindo uma cena de rua, possivelmente durante um ato de memória ou protesto. No canto inferior direito, há a assinatura “@sebastianmiquel”." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">O grupo Clamor deu apoio a perseguidos das ditaduras na América do Sul
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Instagram @sebasmiquel</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>
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		<title>Acompanhamos uma reunião de grupo de apoio a viciados em apostas online e jogos de azar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 20:22:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bets]]></category>
		<category><![CDATA[endividamento]]></category>
		<category><![CDATA[Jogadores anônimos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Acostumada com a incessante publicidade de bets em outdoors, no celular, comerciais de TV, merchandising em canais de YouTube, camisas de jogadores de futebol, eventos públicos e até em blocos de carnaval, me chamou a atenção, quando caminhava pelas ruas de Caruaru, a discreta placa informando dia e hora das reuniões dos Jogadores Anônimos (JA) [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Acostumada com a incessante publicidade de bets em outdoors, no celular, comerciais de TV, <em>merchandising</em> em canais de YouTube, camisas de jogadores de futebol, eventos públicos e até em blocos de carnaval, me chamou a atenção, quando caminhava pelas ruas de Caruaru, a discreta placa informando dia e hora das reuniões dos Jogadores Anônimos (JA) na frente da Associação Municipal Espírita. Entrei, bati na porta, me apresentei como jornalista e perguntei se poderia acompanhar uma das reuniões. Recebi &#8220;sim&#8221; como resposta e o resultado vocês vão ler a partir de agora.<br><br>Desde que foi inaugurado, em 24 de março de 2025, o grupo de apoio JA de Caruaru, todos os sábados, a partir das 18h, recebe e acolhe pessoas do município e de outras cidades do Agreste que sofrem com a compulsão por jogos de azar e apostas online. Localizado na Avenida Professor José Leão, nº 567, no bairro Maurício de Nassau, o grupo funciona sob uma dinâmica conhecida como &#8220;terapia de espelho&#8221;, onde cada dependente tem um tempo determinado para relatar seu histórico e dificuldades enfrentadas com o vício, enquanto os demais escutam em silêncio e refletem sobre a própria compulsão. Ali, estão pessoas que apostam compulsivamente em jogos de cartas, dominó, jogo do bicho, cassinos online e inúmeros outros jogos de azar virtuais propagados pelas bets por toda parte.</p>



<p>Recentemente, participei de uma das reuniões do JA em Caruaru e conheci Alberto José, 42, e Lucilia Marcelino, 34, frequentadores do grupo que compartilham relatos de compulsão por jogos online que mostram como a ilusão de ganho rápido e constante vendida pelas plataformas de jogos online são uma armadilha para destruição financeira, emocional e social.</p>



<p>Pela manhã, Alberto trabalha como recepcionista numa clínica de psicologia e, a partir das 17h, como motorista de aplicativo. Boa parte do dinheiro que recebe se dedicando a estas duas funções vai direto para plataformas de apostas. O que sobra, fica para despesas pessoais essenciais e para ajudar a manter a casa onde vive com um sobrinho universitário. Alberto revela que tem vivido no limite, lutando para equilibrar as contas e buscando saídas para controlar a compulsão. “Eu tenho essas fontes de renda e, mesmo assim, não tenho nada. Todo o meu dinheiro some instantaneamente. Graças a Deus, eu tenho conseguido manter as contas de casa e a alimentação. Mesmo assim, aos trancos e barrancos”.</p>



<p>Alberto é um integrante recente do JA, faz poucas semanas que começou a participar das reuniões. Buscou a ajuda do grupo por perceber que a sua compulsão estava evoluindo para uma crise financeira e pessoal que poderia se tornar irreversível. Ele chegou a apostar, de uma vez, todo o dinheiro que recebeu depois de um mês de trabalho. Deixou de pagar o aluguel, comprar comida e honrar outras dívidas que tinha. “Precisei apostar todo o meu salário de uma vez, deixar de pagar as minhas contas, pra parar e me perguntar aonde eu estava chegando. Aí, eu procurei ajuda, um freio pra mim. Foi aí que encontrei o JA aqui em Caruaru. Vindo pra cá, participando das reuniões, eu me sinto mais leve, sabe? Você consegue desabafar, colocar pra fora tudo aquilo que está te sufocando”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Gessica-bets-1024x693.jpeg" alt="A imagem mostra dois chaveiros plásticos transparentes sobre um tecido vermelho. Cada chaveiro tem detalhes coloridos — um com partes vermelhas e outro com amarelas — e contém um pequeno cartão branco com o desenho de duas mãos se cumprimentando, símbolo de apoio e solidariedade. Abaixo do desenho, lê-se o endereço “www.jogadoresanonimos.org.br”, indicando que são materiais do grupo Jogadores Anônimos, voltado à recuperação de pessoas com dependência em jogos." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Alberto e Lucília contaram suas histórias, mas pediram para não serem fotografados
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Géssica Amorim/Marco Zero Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Na busca por frear a sua compulsão pelas apostas, Alberto também chegou a bloquear o próprio CPF em todas as plataformas de jogos online ativas no país. Foi utilizando a <a href="https://www.gov.br/fazenda/pt-br/composicao/orgaos/secretaria-de-premios-e-apostas/autoexclusao">Plataforma Centralizada de Autoexclusão</a>, lançada pelo Governo Federal em dezembro de 2025. Um sistema que permite que você impeça, de uma só vez, que o seu próprio CPF tenha acesso a todos os sites de apostas autorizados a operar no Brasil. Mesmo assim, bloqueado em todas casas de apostas nacionais, Alberto não conseguiu parar de apostar. Ele buscou plataformas estrangeiras, que operam ilegalmente por aqui. “Hoje, eu ainda aposto. Estou buscando formas de me livrar disso, mas ainda não consegui parar de apostar. Bloqueei o meu CPF em casas de apostas brasileiras, mas procurei e passei a jogar nas plataformas chinesas. E elas não têm essa opção de bloqueio, não dá pra tentar parar assim. Elas estão ativas e a todo vapor”.</p>



<p>Segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, órgão responsável por autorizar, regulamentar e fiscalizar empresas do setor, no ano passado, mais de 25 mil sites ilegais de apostas online foram bloqueados no Brasil e 25,2 milhões de brasileiros fizeram apostas online. Lançada no início de dezembro do ano passado, apenas nos primeiros 40 dias após o lançamento, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão recebeu mais de 217 mil pedidos de bloqueio.</p>



<p>Alberto começou a apostar através de um link de indicação que recebeu de um amigo. Ele conta que o início foi despretensioso, que começou fazendo pequenas apostas, de valores baixos, e usava o jogo ao final do dia, depois do trabalho, como uma forma de &#8220;relaxar” e “se distrair&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sem controle, sem salário</h2>



<p>Já Lucília Marcelino, que frequenta o JA de Caruaru desde a sua fundação, começou a jogar em sites de apostas em abril de 2022, depois de perder o emprego. Ela foi atraída por propagandas que vendiam as plataformas não como jogos de azar ou apenas diversão passageira, mas como oportunidade de ter uma fonte de renda extra. Até aquele momento, ela nunca havia se aproximado de nenhum tipo de jogo de azar. “Eu nunca joguei, sempre detestei jogo. Mas, em abril de 2022, eu estava desempregada. E vendo aquelas propagandas na televisão, no Instagram, que aquilo ali também poderia ser uma fonte de renda, vi ali uma oportunidade”.</p>



<p>Como muitos apostadores que, inicialmente, enxergam as bets como um caminho para conseguir renda extra, Lucília também pensou que havia encontrado uma forma rápida, fácil e sustentável de ganhar dinheiro, acreditando que poderia controlar as suas perdas e ganhos. “Aí, eu me cadastrei e coloquei R$10. Desse valor, a plataforma me deu R$100. No outro dia, coloquei mais R$10 e ganhei R$200, depois R$500. E aquilo ali foi me deslumbrando de uma forma que eu dizia: &#8216;rapaz, eu passei a minha vida inteira estudando, trabalhando, para ganhar um salário mínimo, e aqui em poucos minutos eu ganho isso?&#8217; “.</p>



<p>Segundo levantamento da<a href="https://tunad.io/blog/bets-investem-mais-de-r-14-bilhao-em-midia-em-2025-e-reforcam-a-centralidade-da-tv-aberta/">Tunad,</a> plataforma que monitora o mercado publicitário com forte presença e cobertura nos principais mercados da América Latina, em 2025, as bets investiram mais de R$ 1,44 bi em propaganda. É o que podemos descrever como um fenômeno de onipresença publicitária: as casas de apostas estão estampadas nas camisas do times de futebol, nos intervalos da tv aberta, no rádio, nas ruas e no bombardeio de anúncios nas redes sociais, por onde capturam mais usuários.</p>



<p>Mesmo depois de voltar a trabalhar, Lucília continuou apostando. Ela conta que conseguiu um emprego de operadora de telemarketing e que, algumas vezes, chegou a apostar todo o seu salário de uma vez. “O salário caía à meia noite. Quando dava uma hora, uma e meia da manhã, eu já tinha zerado a conta. Não conseguia dormir enquanto eu não jogasse até o último centavo. Eu passava o resto do mês chorando, desesperada, sem saber como ia pagar o aluguel. Pedia dinheiro emprestado, fazia cartão de crédito no nome dos outros pra tentar recuperar o que tinha perdido em uma hora”.</p>



<p>Lucília começou a perder o controle da sua rotina, deixou de render no trabalho, passou a não dormir e até chegou a abandonar hábitos de higiene pessoal. “Eu passava a noite inteira jogando. No outro dia, eu estava no trabalho cochilando. Era acordada pelo supervisor. Perdi o amor próprio, eu deixei de escovar os dentes, de tomar banho. Eu vinha para o JA com uma calça rasgada porque não tinha dinheiro pra comprar roupa. Tudo o que eu conseguia, era pro jogo”.</p>



<p>Ela passou dois anos afastada do trabalho. Ao procurar ajuda psiquiátrica, depois de tentar suicídio por duas vezes, recebeu um laudo de ludopatia (doença caracterizada pelo vício incontrolável em jogos de azar). &#8220;Chegou num ponto que eu não via mais saída. A dívida dobrando, o nome sujo, o desespero de ter envolvido a minha família, meus irmãos, em tudo isso&#8230; Eu não aguentava mais esse peso. Foi aí que tentei o suicídio duas vezes, uma em julho de 2023 e outra agora, no começo do ano. Eu queria sumir, eu queria que aquela dor parasse.&#8221;</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Gessica-bet-3-1024x679.jpeg" alt="A imagem mostra uma sala de reuniões simples e organizada, com cadeiras pretas alinhadas voltadas para uma parede onde há cartazes com mensagens de apoio e reflexão, incluindo a Oração da Serenidade, os Doze Passos e as Doze Tradições, textos tradicionais de grupos de recuperação como Jogadores Anônimos e Alcoólicos Anônimos. Na frente da sala, uma mesa coberta com toalha vermelha exibe folhetos coloridos, documentos e um frasco de álcool em gel, indicando preparação para uma reunião. O ambiente é iluminado por lâmpadas fluorescentes, possui ventiladores de parede e um relógio." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Grupo se reúne em sala cedida pela Associação Espírita de Caruaru
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Géssica Amorim/Marco Zero Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A intervenção médica, o diagnóstico e o encontro com o JA foram determinantes para que Lucília conseguisse o apoio e compreensão da sua família para tentar se restabelecer psicológica e financeiramente. “Foi quando todo mundo entendeu que eu estava doente, que não era frescura, safadeza minha. Eu precisava de tratamento médico e de um grupo como o JA para conseguir sobreviver&#8221;.</p>



<p>Mesmo em tratamento e comparecimento regular às reuniões do grupo de Jogadores Anônimos de Caruaru, Lucília ainda está suscetível a recaídas. Para driblá-las, ela conta com o apoio do JA e, com adaptações, conseguiu uma maneira de administrar o próprio dinheiro. Hoje, ela procura não ter acesso remoto a contas bancárias e não utilizar o Pix para realizar transações ou receber qualquer quantia. “Eu não tenho Pix. Meu irmão é quem toma conta do meu dinheiro. Quando dá cinco horas da manhã, que entra algum dinheiro na minha conta, me dá uma agonia tão grande, que eu transfiro logo pra conta dele. Eu sei que, se o dinheiro ficar ali, a doença vai me dominar. E eu, hoje, só ando com dinheiro em papel”.</p>



<p>O programa de recuperação de JA, inspirado no modelo dos Alcoólicos Anônimos (AA), tem ajudado Alberto e Lucília a encontrarem diariamente o resgate da dignidade na vida cotidiana. Com base na partilha e vigilância constante, seguindo o lema “só por hoje”, a regra número um da irmandade para fragmentar o tempo e evitar a ansiedade, focando apenas no dia de hoje, no presente.</p>



<p>“A vitória maior, pra mim, é eu saber que hoje eu passei no mercado e fiz a feira da minha casa. Coisa que não fazia, não podia fazer. Passei três anos sem saber o que era fazer uma feira, comprar um desodorante, comprar um sabonete, um xampu. Agora, deito na minha cama e durmo em paz. Não tem dinheiro no mundo que pague a minha paz hoje&#8221;, celebra Lucília.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Quem são os Jogadores Anônimos </span>

		<p><!-- wp:paragraph -->O primeiro grupo de Jogadores Anônimos foi fundado em 24 de janeiro de 1957, em de Los Angeles, na Califórnia (EUA). A sua metodologia foi totalmente inspirada nos Alcoólicos Anônimos (AA), que já operava desde 1935, também nos Estados Unidos. No Brasil, as atividades oficiais dos Jogadores Anônimos tiveram início em  maio de 1993, com a fundação da primeira célula no Rio de Janeiro. Hoje, são dezenas de grupos espalhados pelo país.</p>
<p>Do AA, o JA adotou o conceito clínico e humanitário de que a compulsão não é uma falha de caráter, mas uma doença progressiva, que é incurável, mas controlável. O seu programa de reabilitação está estruturado de uma maneira a oferecer uma resposta terapêutica aos seus integrantes em duas frentes simultâneas. Uma imediata, focada na interrupção do ciclo de apostas e perdas, e outra de longo prazo, voltada para a reestruturação psicossocial e o tratamento das causas da dependência.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->O método não se baseia em conceitos abstratos de força de vontade, mas sim em diretrizes práticas e comportamentais projetadas para devolver a autonomia e a dignidade aos integrantes do grupo.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->É possível saber mais sobre os 12 passos para recuperação, as regras e garantias de anonimato e locais para encontros presenciais e virtuais acessando o <a href="http://www.jogadoresanonimos.com.br">www.jogadoresanonimos.com.br</a></p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Polícia Civil conclui que secretária da Mulher do Cabo forjou atentado a tiros</title>
		<link>https://marcozero.org/policia-civil-conclui-que-secretaria-da-mulher-do-cabo-forjou-atentado-a-tiros/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 16:49:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Polícia Civil de Pernambuco anunciou o surpreendente resultado da investigação sobre o suposto atentado a tiros sofrido pela secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho: Aline Melo forjou o crime com a ajuda do seu motorista e do pai deste, que teria sido o motoqueiro autor dos disparos. No dia 27 de março [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Polícia Civil de Pernambuco anunciou o surpreendente resultado da investigação sobre o suposto atentado a tiros sofrido pela secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho: Aline Melo forjou o crime com a ajuda do seu motorista e do pai deste, que teria sido o motoqueiro autor dos disparos.</p>



<p>No dia 27 de março deste ano, a secretária procurou a polícia para registrar ocorrência de tentativa de homicídio na qual ela seria a vítima. Segundo Aline Melo, o carro em que ela estava acompanhada do motorista foi interceptado na PE-28, estrada que dá acesso às praias de Enseada dos Corais e Gaibu, por dois homens em uma motocicleta que efetuaram os disparos – um dos tiros atingiu o banco de passageiros, a poucos centímetros da sua cabeça.</p>



<p>A delegada responsável pelo caso, Myrthor Freitas de Andrade, relatou em entrevista coletiva que a análise de imagens de várias câmeras de segurança cedidas por estabelecimentos comerciais revelou que a história era falsa. Segundo a policial, uma das câmeras registrou o momento em que “o carro em que estavam as duas vítimas parou na banqueta para se encontrar com uma moto com as características daquela que eles tinham informado no depoimento”.</p>



<p>A moto pertencia ao pai do motorista da secretária, que, inicialmente, negou que tinha passado pelo local, mas, depois, admitiu que tinha ido até lá para entregar um lote de canetas emagrecedoras ao filho e a Aline Melo. Só depois de ser confrontada com as imagens, a gestora pública “lembrou” da parada para encontrar o pai do seu motorista. Com isso, a versão do atentato foi desmontada.</p>



<p>De acordo com a delegada, todos foram indiciados. Aline Melo e seu motorista responderão por falsa comunicação de crime, enquanto que o motoqueiro, pai do motorista, foi indiciado por tentativa de homicídio, pois a perícia constatou que, realmente tiros foram disparados contra a picape da secretaria.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/secretaria-da-mulher-do-cabo-de-santo-agostinho-sofre-atentado-a-tiros/" class="titulo">Secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho sofre atentado a tiros</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/genero/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Gênero</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Afastamento e repúdio</h2>



<p>À tarde, a prefeitura do Cabo anunciou que o prefeito Lula Cabral (Solidariedade) afastou tanto a secretária Aline Melo quanto seu motorista. &#8220;Diante dos fatos apresentados e enquanto as investigações seguem em andamento pelas autoridades competentes, a gestão determinou o afastamento da então secretária e do motorista (&#8230;) a Prefeitura reforça que acompanhará o andamento das investigações e, caso haja confirmação de conduta irregular e responsabilização dos envolvidos, adotará todas as medidas administrativas cabíveis&#8221;, informa a prefeitura em nota oficial.</p>



<p>O Centro das Mulheres do Cabo, uma das organizações feministas mais atuantes do Nordeste, também reagiu à informação. De acordo com a nota da entidade, &#8220;situações como esta nos entristecem profundamente, sobretudo por envolver alguém que compartilha do mesmo compromisso com a defesa dos direitos das mulheres. Entendemos que episódios dessa natureza acabam gerando impactos negativos para a luta coletiva e para todas nós, mulheres. Dessa forma, manifestamos nossa preocupação e reafirmamos a importância da ética, da verdade e da responsabilidade no fortalecimento das políticas públicas e da luta em defesa das mulheres&#8221;.</p>



<p>Em março, quando a notícia do atentado foi divulgada, a entidade se manifestou por meio de sua coordenadora Nivete Azevedo, vinculando o suposto crime à tentativa de intimidar &#8220;a luta em defesa da vida das mulheres&#8221;.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Texto atualizado às 17h12min de 18 de maio de 2026</strong></li>
</ul>



<p></p>
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		<title>Escola da Democracia abre formação para jovens mulheres da zona norte do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 18:20:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O edital da formação “Educação para a Cidadania”, voltada a jovens mulheres de 15 a 19 anos da rede pública de ensino que vivem em comunidades periféricas da zona norte do Recife, foi lançado pela Escola da Democracia. Com inscrições de 13 a 17 de maio, por formulário eletrônico, e apoio presencial nos dias 14 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O edital da formação “Educação para a Cidadania”, voltada a jovens mulheres de 15 a 19 anos da rede pública de ensino que vivem em comunidades periféricas da zona norte do Recife, foi lançado pela Escola da Democracia. Com inscrições de 13 a 17 de maio, por <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfSaJmpDeBdj4gUvItpnkNl4ytI6EZTgTFi0sO--YOuW5AyvA/viewform" type="link" id="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfSaJmpDeBdj4gUvItpnkNl4ytI6EZTgTFi0sO--YOuW5AyvA/viewform">formulário eletrônico</a>, e apoio presencial nos dias 14 e 15 no Compaz Eduardo Campos, o programa prevê bolsas mensais de R$ 500 e busca estimular o pensamento crítico, a participação cidadã e o acesso à formação política e social.</p>



<p>Serão disponibilizadas 42 vagas, divididas em duas turmas presenciais no Compaz Governador Eduardo Campos, localizado no Alto Santa Terezinha. Os encontros ocorrerão às terças e quintas, das 14h às 18h, entre maio e julho de 2026. O projeto recebeu o nome &#8220;Se adiante: é hora de colar no corre da democracia” e integra a Rede Compaz, vinculada à Secretaria de Cidadania e Cultura de Paz do Recife.</p>



<p>A iniciativa é destinada a jovens em situação de vulnerabilidade social, moradoras de bairros como Água Fria, Alto José Bonifácio, Arruda, Cajueiro, Linha do Tiro, Porto da Madeira e bairros do entorno do Alto Santa Terezinha. Para concorrer, é necessário estar cursando ou ter concluído o ensino médio em escola pública, possuir responsável inscrito no CadÚnico ou ser beneficiária de programas sociais, além de ter renda familiar per capita de até um salário-mínimo. Do total de vagas, 60% serão reservadas para jovens mulheres negras.</p>



<p>“Será um espaço para trocas e aprendizados sobre democracia a partir do que atravessa a vida de meninas e mulheres no cotidiano. É sobre direitos, território e consciência crítica para ler o mundo enquanto cidadãs”, apontou Madalena Rodrigues, diretora executiva da Escola da Democracia.</p>



<p>A programação será dividida em quatro módulos que abordam temas como democracia, poder e cidadania no Brasil, justiça interseccional, justiça socioeconômica, ambiental e climática, além do direito à comunicação. O resultado final será divulgado em 21 de maio, e a aula inaugural ocorrerá em 25 de maio, seguida pelo início das atividades regulares nos dias 26 e 28. Mais informações podem ser conferidas no <em>instagram</em> da Escola da Democracia (<a href="https://www.instagram.com/aescoladademocracia/">@aescoladademocracia</a>).</p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Plataformas de streaming não garantem conteúdo acessível para pessoas com deficiência</title>
		<link>https://marcozero.org/plataformas-de-streaming-nao-garantem-conteudo-acessivel-para-pessoas-com-deficiencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 18:32:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência auditiva]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência visual]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas com deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[streaming]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Larissa Pontes, publicado originalmente no site Eficientes Nas últimas décadas o streaming se consolidou como uma das principais portas de entrada para o audiovisual no mundo. As plataformas digitais passaram a ocupar um lugar central na forma como as pessoas consomem cultura, acompanham lançamentos, constroem repertório e participam do debate público através de filmes, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Larissa Pontes, publicado originalmente no site <a href="https://eficientes.org.br/2026/05/08/o-streaming-no-brasil-privando-o-direito-a-cultura-de-pessoas-com-deficiencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Eficientes</a></strong></p>



<p>Nas últimas décadas o <em>streaming </em>se consolidou como uma das principais portas de entrada para o audiovisual no mundo. As plataformas digitais passaram a ocupar um lugar central na forma como as pessoas consomem cultura, acompanham lançamentos, constroem repertório e participam do debate público através de filmes, séries e documentários. Mas, se o <em>streaming</em> passou a disputar o espaço com o cinema, a televisão e até as políticas de acesso à cultura, o que acontece quando 14,4 milhões de brasileiros com deficiência sequer conseguem acessar plenamente esse conteúdo?</p>



<p>Nesse contexto, discutir acessibilidade no <em>streaming</em> deixou de ser apenas uma questão técnica. Para especialistas e ativistas, trata-se de debater quem consegue, ou não, participar plenamente da vida cultural contemporânea. Mas, enquanto as plataformas disputam audiência com discursos sobre inovação, personalização e democratização do acesso, uma parcela significativa da população continua encontrando barreiras para exercer esse direito básico à cultura.</p>



<p>“O audiovisual não é apenas imagem; é emoção que precisa ser lida e sentida”, afirma o arquiteto e produtor cultural, Marcelo Pedrosa. Surdo desde a infância, ele transformou sua barreira pessoal na campanha &#8220;Legenda para quem não ouve, mas se emociona&#8221;, que há duas décadas luta pelo direito de acessar os conteúdos do audiovisual com autonomia e acessibilidade. No entanto, em 2026, a realidade das plataformas de<em> streaming</em> no Brasil o fez esbarrar mais uma vez na ausência de acessibilidades comunicacionais para pessoas com deficiência.</p>



<p>Essas inquietações fez com que Marcelo criasse o Observatório de Acessibilidade da Legenda Nacional, iniciativa construída para monitorar de forma sistemática os recursos de acessibilidade nas principais plataformas de <em>streaming </em>do país. O estudo analisou cerca de 1.800 obras em seis das maiores plataformas do país (Netflix, Disney+, Prime Video, Globoplay, Max/HBO e MUBI), e identificou um cenário de privações onde a acessibilidade, um direito garantido na Lei Brasileira de Inclusão (LBI), é tratada como um acessório opcional e mal sinalizado. “A análise começou a partir de uma percepção acumulada ao longo de décadas de atuação na pauta da acessibilidade audiovisual. As pessoas reclamavam das plataformas, mas quase sempre no campo da experiência individual. O problema é que uma empresa grande não responde uma reclamação subjetiva. Ela responde quando existem dados, padrão e comparação”, explica Marcelo.</p>



<p>A metodologia do Observatório combinou coleta amostral, monitoramento contínuo e organização padronizada de evidências. Foram analisadas aproximadamente 300 obras por plataforma, em um processo manual realizado obra por obra. O primeiro grande entrave identificado não está no filme em si, mas antes mesmo de dar <em>play</em>, com a ausência de metadados de acessibilidade. Metadados são as informações que descrevem o conteúdo, ou seja, se tem legenda, se é dublado ou qual a classificação indicativa. Para uma pessoa com deficiência, saber se uma obra possui Legenda Descritiva (LSE) ou Audiodescrição (AD) é critério básico de escolha.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Legenda-Nacional-300x169.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Legenda-Nacional.jpg" alt="Quatro pessoas posam lado a lado em frente a uma parede clara. Da esquerda para a direita: um homem de barba grisalha e três mulheres de cabelos escuros. Todos vestem camisetas pretas com a frase “Legenda para quem não ouve, mas se emociona!” escrita em diferentes cores (Laranja, verde, rosa e branca). Eles fazem com as mãos o sinal de “eu te amo” em Libras e sorriem para a câmera. Fonte: Acervo Legenda Nacional" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Integrantes da Legenda Nacional reforçam defesa da acessibilidade no audiovisual
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A análise constatou que plataformas como MUBI impõem uma barreira abusiva, onde o usuário precisa contratar e pagar pelo serviço para só então descobrir que quase nada no catálogo é acessível. &#8220;A plataforma obriga que o consumidor compre o serviço para, depois, dar-se conta de que não tem acessibilidade&#8221;, aponta Pedrosa. Nas demais interfaces, como Disney+ e Netflix, o usuário é obrigado a abrir título por título, pois não existem filtros de busca eficientes para esses recursos.</p>



<p>Os dados quantitativos do dossiê expõem o abismo entre o marketing da diversidade e a realidade técnica. A LSE (Legenda para Surdos e Ensurdecidos), que ao contrário da legenda comum, descreve ruídos, trilhas sonoras e tons de voz, é escassa. Na MUBI, ela aparece em 1,3% das obras. Na Netflix e Disney+, os índices orbitam de 18% a 19%, o que significa que mais de 80% do catálogo permanece sem acessibilidade para as pessoas com deficiência auditiva.</p>



<p>A situação da Audiodescrição (AD), recurso que traduz em palavras o que é visual para pessoas cegas, é ainda mais crítico. Na Prime Vídeo, apenas 5% das obras contam com o recurso. Na MUBI, o índice é zero. A Língua Brasileira de Sinais (Libras), fundamental para a comunidade surda sinalizante, é praticamente inexistente, com uma presença residual de 1,66% apenas na plataforma Max.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/legenda-tabela-300x169.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/legenda-tabela-1024x576.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/legenda-tabela-1024x576.jpeg" alt="A imagem apresenta uma tabela comparativa sobre recursos de acessibilidade disponíveis em cinco plataformas de streaming: Disney+, Netflix, Max/HBO, Prime Video e MUBI. As colunas indicam três tipos de acessibilidade — Legenda Descritiva (LSE), Audiodescrição (AD) e Libras — com seus respectivos percentuais. A Disney+ lidera em LSE (19,33%) e AD (16,66%), seguida por Netflix (18,21% e 14,56%) e Max/HBO (18,33% e 7,6%), sendo esta última a única com conteúdo em Libras (1,66%). Prime Video apresenta 10,6% de LSE e 5% de AD, enquanto MUBI tem apenas 1,3% de LSE e nenhum dos outros recursos. A tabela evidencia diferenças significativas na oferta de acessibilidade entre as plataformas, destacando o baixo investimento geral em Libras." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Um dos pontos da investigação é a descoberta de mecanismos que impedem a fiscalização pública. Ao testar a acessibilidade digital dos portais com a ferramenta AMAWeb (desenvolvida pela UNIFESP e IFRS), o estudo revelou que Netflix e Prime Video utilizam camadas de segurança e <em>firewalls</em> que bloqueiam validadores automáticos de acessibilidade. &#8220;Essa configuração impede a fiscalização direta por órgãos de defesa do consumidor, criando uma &#8216;zona de exclusão&#8217; onde o cumprimento da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) não pode ser verificado&#8221;, diz o relatório técnico. Mesmo em plataformas que permitem o teste, como a Max, o desempenho de acessibilidade foi de apenas 5.4 em uma escala de 0 a 10. A análise identificou falhas consideradas básicas para navegação acessível, como a ausência de &#8220;links de salto&#8221;, recurso que permite a usuários de teclado ou leitores de tela pular menus repetitivos e acessar diretamente o conteúdo principal.</p>



<p>O estudo de Marcelo Pedrosa sustenta que a exclusão não é uma falha pontual, mas o resultado de uma quebra em toda a cadeia de responsabilidade compartilhada, afinal, a acessibilidade deveria nascer na produtora, ser garantida pela distribuidora e licenciadores em contrato, e ser devidamente entregue e sinalizada pela plataforma de <em>streaming</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Cenário</h2>



<p>Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) mostram que 86% dos conteúdos disponíveis nas principais plataformas de <em>streaming</em> são estrangeiros, enquanto o audiovisual brasileiro representa apenas 14% dos catálogos. O cenário evidencia a concentração de produções internacionais e também a dependência crescente dessas plataformas como principal meio de acesso ao audiovisual.</p>



<p>O crescimento do setor transformou o Brasil em um dos maiores mercados consumidores de<em> streaming</em> do mundo. Segundo o relatório de Streaming Global do Finder de 2021, o país ocupa a segunda posição global em consumo de plataformas de vídeo sob demanda, atrás apenas da Nova Zelândia. Pelo menos 65% dos adultos brasileiros possuem acesso a algum serviço de <em>streaming</em>, índice acima da média global de 56%.</p>



<p>A mudança também aparece nos hábitos de consumo. Atualmente, 49% dos brasileiros assistem entre duas e quatro horas diárias de conteúdo por<em> streaming</em>, enquanto 6% ultrapassam as seis horas por dia. Mesmo diante do aumento constante das assinaturas, 25% dos consumidores afirmaram não ter cancelado nenhum serviço ao longo de 2024, demonstrando o quanto essas plataformas passaram a ocupar um espaço central na rotina cultural do país. “Os avanços dessas plataformas no Brasil ajudam a explicar por que a discussão sobre acessibilidade envolve diretamente direitos culturais e cidadania”, reforça Marcelo Pedrosa.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Regulação</h3>



<p>Legalmente, o Brasil possui uma estrutura de sustentação sólida garantida na Convenção da ONU sobre Direitos das Pessoas com Deficiência, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) e o Código de Defesa do Consumidor. O artigo 63 da LBI diz que sites e serviços de empresas com sede no país devem ser acessíveis. No entanto, a falta de padronização por parte da ANCINE e a ausência de fiscalização rigorosa, permitem que as empresas ignorem essas normas sem consequências imediatas.</p>



<p>Após a conclusão do levantamento, Marcelo Pedrosa protocolou representações formais em três esferas na terça-feira, 5 de maio. São elas:</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Ministério Público Federal (MPF): denunciando a violação de direitos sociais fundamentais e da Convenção da ONU.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Ancine: cobrando a regulamentação dos metadados e a obrigatoriedade de recursos acessíveis em 100% dos catálogos.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Ministério da Justiça (Senacon): apontando práticas abusivas e oferta de serviço impróprio ao consumo</p>
            </div>
            </div>



<p>O conjunto de petições requer que as plataformas apresentem cronogramas de adequação e que sejam intimadas a garantir a transparência total de seus catálogos antes da contratação. “A exclusão digital não é apenas um problema de lazer; é uma negação de autonomia e cidadania. Quando uma pessoa com deficiência é impedida de assistir a um documentário ou a um filme, ela é privada de participar da conversa pública e da cultura de seu tempo”, reflete.</p>



<p></p>
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		<title>Receita de empatia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 15:24:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[petrolina]]></category>
		<category><![CDATA[saúde da família]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[SUS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em postagens nas redes sociais, repercutem as reportagens sobre um médico de Saúde da Família de Petrolina na Folha de S. Paulo, Globo, Record, Correio Braziliense. Há motivos para tamanha notoriedade: ele criou uma ferramenta online para elaborar receitas que facilitam a vida dos pacientes, ajudando as pessoas analfabetas ou com pouco letramento a entender [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em postagens nas redes sociais, repercutem as reportagens sobre um médico de Saúde da Família de Petrolina na Folha de S. Paulo, Globo, Record, Correio Braziliense. Há motivos para tamanha notoriedade: ele criou uma ferramenta online para elaborar receitas que facilitam a vida dos pacientes, ajudando as pessoas analfabetas ou com pouco letramento a entender o passo a passo do tratamento.</p>



<p>A tal ferramenta se traduz em um site chamado <a href="https://www.cuidadoparatodos.com.br/sobre" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cuidado para Todos</a> e possibilita aos médicos gerarem prescrições com desenhos, ícones e adesivos no lugar daqueles garranchos incompreensíveis. Em uma das matérias publicadas leio que o médico se chama Lucas Cardim e que, antes de criar o sistema com ajuda de um amigo de infância que hoje trabalha na Suíça como engenheiro de software do Google, ele perdia um tempão desenhando xícaras, sol, lua e colheres no receituário de papel.</p>



<p>As receitas desenhadas a mão já tinham rendido alguma repercussão em blogs locais, mas agora foi pra valer, viralizou a tal ponto que <a href="https://www.youtube.com/@drauziovarella">Dráuzio Varela o convidou para participar de um podcast em São Paulo</a>, gravado na terça-feira, 5 de maio. Na véspera, ele gravou sua participação no programa Caldeirão do Mion, da Rede Globo.</p>



<p>Vida de celebridade. Ou subcelebridade. No entanto, nada mais distante da personalidade e dos objetivos desse sujeito.</p>



<p>Depois que li as notícias e conversei um pouco com Cardim, percebi que o Cuidado para Todos é a síntese das motivações que levaram Cardim a fazer o Enem para Medicina, anos depois de concluir sua primeira graduação em Jornalismo.</p>



<p>Foi nessa época em que o conheci, quando fizemos juntos um livro para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Ele como fotógrafo e eu como escriba, percorremos Alagoas para contar o que estava por trás da redução dos números da mortalidade infantil. Graças aos burocratas da agência das Nações Unidas em Brasília, o que devia ser um instigante livro-reportagem se tornou um calhamaço burocrático, tão aborrecido quanto pretensioso. Mas isso é outra história, um mero comentário ácido repleto de recalque ou ressentimento.</p>



<p>O que importa agora é contar que as dezenas de visitas que fizemos a postos de saúde em vilarejos na beira de estrada e UTIs em maternidades públicas alagoanas encerraram a carreira do repórter-fotográfico Lucas Cardim e o levaram à medicina.</p>



<p>“Não sou capaz de melhorar a vida das pessoas com a fotografia, vou estudar para cursar Medicina. Como médico vou poder fazer alguma coisa”. Foram essas suas palavras – ou quase – quando me contou sobre a decisão que tomara. Não sei dizer se a maior inspiração veio do sentimento de indignação diante do péssimo exemplo de um médico que só aparecia uma vez por semana numa unidade de saúde em Santana do Ipanema ou do respeito diante do pediatra que dobrava plantões na UTI do hospital de Arapiraca.</p>





<h2 class="wp-block-heading">Do sonho à prática</h2>



<p>Mais de uma década depois, não me surpreendi ao ver seu nome associado à preocupação com as camponesas e camponeses que atende no posto de saúde de Bebedouro, zona rural de Petrolina, onde vive desde que se formou na Universidade Federal do Vale do São Francisco.</p>



<p>Mais do que se preocupar, ele não ficou paralisado, salivando indignação, esperando algo ou alguém aparecer com alguma solução. Ele correu atrás, imaginou uma saída e mobilizou gente que seria capaz de, assim como ele, trabalhar de graça para tornar realidade a ideia que concebeu.</p>



<p>Ele não acredita em soluções individuais ou milagres particulares. Agora, depois e arrumar um jeito de melhorar as receitas que passa para os pacientes, quer transformar isso em política pública, quer que outras pessoas sejam beneficiadas, quer motivar outros colegas médicos e médicas a usarem o site.</p>



<p>Isso é puro suco de Lucas Cardim.</p>



<p>“O acesso é gratuito, qualquer profissional de qualquer local do Brasil pode acessar e usar. Estamos conversando com o Ministério da Saúde para doar os códigos e fazer toda a transferência de tecnologia para o SUS”, explica. Inicialmente, ele me disse que outros dez municípios de Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo estão treinando os profissionais de saúde de suas respectivas redes para usar a ferramenta. Depois de gravar o podcast com Varela, me enviou um áudio pelo zap dizendo que Davi Rios, seu amigo do Google na Suíça atualizou os dados de acesso e uso da plataforma: agora são pelo menos 200 médicos usando os formulários de receitas em 22 estados brasileiros.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:38% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="973" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-973x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-75366 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-973x1024.jpeg 973w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-285x300.jpeg 285w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-768x808.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-150x158.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio.jpeg 1253w" sizes="(max-width: 973px) 100vw, 973px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>No áudio, sua voz estava cansada. Foram vários voos, um atrás do outro, engarrafamentos em São Paulo e Rio de Janeiro, filmagens cansativas. “Estou indo pro aeroporto, não vejo a hora de voltar para casa, colocar meu filho para dormir e, depois, retomar os atendimentos”.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>Quando fala em voltar ao trabalho, Cardim está se referindo a consultas que podem durar mais de uma hora com os homens, mulheres e crianças do Bebedouro que costuma ir à unidade de saúde da família local. Sim, é isso mesmo que você leu: consultas de mais de uma hora de duração no SUS, algo que é raro até mesmo em clínicas particulares. No Recife mesmo, sei de médicos especialistas que chegam numa policlínica da prefeitura da zona norte às 7h da manhã, atendem 30 pacientes no <em>vapt-vupt</em> e, às 8h, estão de saída, direto para seu consultório privado. E ai de quem ousar cobrá-los por um atendimento decente.</p>



<p>O posto do Bebedouro não é uma unidade básica de saúde tão básica assim. Por insistência dele, a secretária de saúde e o curso de Medicina da UFPE assinaram um convênio vinculando a unidade ao programa de residência médica de Medicina da Família e Comunidade. Assim, ele recebe alunos e alunas, atuando como preceptor. </p>



<p>O detalhe é que as três impressoras do posto usadas para imprimir os relatórios dos residentes e as próprias receitas geradas no site Cuidado para Todos foras compradas por Cardim. Aliás, conversei com outros dois profissionais da rede municipal de saúde de Petrolina que, para usar a ferramenta, também tiveram que levar suas respectivas impressoras para o local de trabalho.</p>



<p>A assessora de imprensa da secretaria municipal de Saúde, todavia, me garantiu que &#8220;já está na fase final de aquisição dos equipamentos necessários para a expansão do projeto. Assim que os aparelhos chegarem, a implantação será iniciada de forma gradativa em toda a rede municipal de saúde”. Petrolina conta com 57 Unidades Básicas de Saúde e seus 420 mil habitantes têm 85% de cobertura da Estratégia Saúde da Família.</p>



<p>Lucas Cardim não espera pela burocracia do serviço público. Mesmo admitindo que é preciso discutir &#8220;como outras boas ideias podem desaparecer no abismo que existe entre a assistência e a gestão&#8221;, ele continua sonhando alto. No texto de apresentação da plataforma que criou, ele revela que &#8220;sonha em transformar a Unidade Básica do Bebedouro em uma Unidade Escola Rural, incluindo a agricultura de subsistência e alimentação saudável como parte indissociável dos cuidados em Saúde&#8221;.</p>
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		<title>Oficina pública discute plano museológico participativo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2026 20:35:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Memorial da Democracia de Pernambuco dá início à construção de seu Plano Museológico Participativo com a realização da 1ª oficina pública no dia 29 de abril, das 14h às 18h, na sede da Associação das Docentes da Universidade Federal de Pernambuco (Adufepe). O encontro pretende reunir especialistas, estudantes e representantes da sociedade civil para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Memorial da Democracia de Pernambuco dá início à construção de seu Plano Museológico Participativo com a realização da 1ª oficina pública no dia 29 de abril, das 14h às 18h, na sede da Associação das Docentes da Universidade Federal de Pernambuco (Adufepe). O encontro pretende reunir especialistas, estudantes e representantes da sociedade civil para debater diretrizes voltadas à preservação da memória das lutas democráticas no estado, especialmente no contexto da ditadura militar brasileira.</p>



<p>Aberto ao público e com inscrições gratuitas por <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfj24JoNq6PfD3IyTLaK14oW2JarL3xuJv0ZK20dY_MFTe-JA/viewform" target="_blank" rel="noreferrer noopener">formulário online</a>, o tema da oficina será &#8220;Quem Conta a História? Curadoria e Memória na Construção do Memorial&#8221;, para discutir os programas de acervo, exposição e pesquisa. O debate gira em torno dos desafios éticos e metodológicos enfrentados por instituições que lidam com registros de violência e violações de direitos humanos.</p>



<p>Entre os pontos centrais estão o papel dos museus na reparação histórica, a inclusão de vozes silenciadas nos acervos e os limites entre documentação e sensibilidade na abordagem dessas narrativas. A atividade contará com a participação da professora Letícia Julião (UFMG) e da pesquisadora Deborah Neves (Unifesp), que possuem experiências em projetos ligados à memória e aos direitos humanos.</p>



<p>A programação será dividida em momentos de sensibilização, debate e construção coletiva. Após a apresentação inicial do projeto, os participantes serão organizados em grupos temáticos para contribuir com propostas que servirão de base para o rascunho do plano museológico.</p>
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		<title>Mães se queixam de falta de profissionais e material escolar nas creches do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 13:07:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[creches]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Infância]]></category>
		<category><![CDATA[programa de creches]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quatro mães, três bairros, o mesmo problema. Pais e responsáveis com filhos matriculados nas creches municipais do Recife denunciam que, desde o início do ano letivo no início de fevereiro, as crianças não tiveram uma semana de aula com os horários completos. A informação que recebem é que isso acontece por falta de auxiliares de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quatro mães, três bairros, o mesmo problema. Pais e responsáveis com filhos matriculados nas creches municipais do Recife denunciam que, desde o início do ano letivo no início de fevereiro, as crianças não tiveram uma semana de aula com os horários completos. A informação que recebem é que isso acontece por falta de auxiliares de desenvolvimento infantil (ADIs) que estão com o quadro incompleto ou estão em campanha salarial.</p>



<p>Enquanto o João Campos (PSB) posta os feitos da prefeitura nas redes sociais &#8211; inclusive inauguração de novas creches -, responsáveis e profissionais da educação fazem reivindicações nos comentários do perfil do prefeito e candidato a governador. Além da questão da carga horária que impacta diretamente na rotina dos responsáveis, outro ponto questionado é que, um mês e meio do início do ano letivo, parte dos estudantes aguarda por fardamentos, materiais escolares e livros.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-que-joao-campos-nao-conta-sobre-as-creches-do-recife/" class="titulo">O que João Campos não conta sobre as creches do Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>No Jordão Alto, zona sul do Recife, a Creche Cristo Rei está liberando os estudantes todos os dias mais cedo, desde o início das aulas. Joserlania Balbino é diarista e tem uma filha de dois anos matriculada na instituição, com os horários não sendo cumpridos ela perde dias de trabalho e reveza com o marido que é motorista de aplicativo. “A gente não tem condições de trabalhar pra tá na creche às 11h30 (para pegar as crianças), E isso tá complicando e dificultando a vida dos pais que trabalham, que precisam buscar uma renda fora”, conta.</p>



<p>Já em Boa Viagem, a situação é a mesma. As crianças da Creche Escola 14 Bis também não estão tendo os turnos completos. Na tarde da última terça-feira (24), os pais e responsáveis receberam o aviso que o atendimento dos dias seguintes funcionaria em rodízio, com três turmas na quarta-feira e outras três na quinta-feira. Apesar do rodízio, o comunicado diz que o horário será “normal”, das 7h às 16h. <br><br>Por lá, os responsáveis também têm dificuldades para manter suas rotinas de trabalhos porque são constantemente surpreendidos por alterações na oferta de aulas. Valquiria Balbino, também diarista e mãe de menino de um ano e nove meses, conta que é comum pagar uma pessoa para ficar com a criança enquanto trabalha. “Eu preciso trabalhar, porque moro de aluguel. Então preciso tirar da diária que recebo para uma pessoa pra ficar com ele à tarde”, afirma.</p>



<p>A promessa é que essa creche fosse inaugurada em 2025, mas só aconteceu este ano e, segundo as mães, já apresentam problemas estruturais como vazamentos, alagamento e até curto circuito. Aline Torres é uma dessas mães. Ela também tem um filho na 14 Biz que faz parte do grupo 03, com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo ela, as mães chegam a levar as crianças sem saber exatamente se vai ter aula ou não, porque os comunicados são feitos em cima da hora. O sentimento hoje é de frustração por ver o filho sem ter seu direito à educação atendido.</p>



<p>&#8220;Quando finalmente inaugura, inaugura sem horário integral, muitas vezes não tem aula, tem problemas estruturais e faltam profissionais, é muito frustrante mesmo. Me sinto imensamente triste, porque meu filho precisa ter aulas, a equipe da creche é perfeita, a diretora faz de tudo, corre atrás de melhorias e simplesmente não consegue, pois não dão a devida importância e atenção&#8221;, afirma Aline.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/creche-aline.jpg" alt="Na foto vemos Aline Torres, em frente ao portão de uma creche municipal em Recife. Ela veste um uniforme rosa claro e está de braços cruzados, transmitindo uma postura firme e confiante. Aline tem pele clara, cabelos escuros presos para trás e aparece em pé diante de um grande painel azul e laranja com o brasão da prefeitura. O cenário ao redor inclui uma parede revestida de azulejos, árvores ao fundo e um caminho pavimentado." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Aline Torres diz estar frustrada com atendimento na creche do filho
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Mas esse não é um problema apenas das instituições da zona sul. No bairro de Engenho do Meio, zona oeste, a Creche Ceape até chegou a ter aulas com carga horária completa, mas não a semana inteira. São dois dias com aula integral e três não, isso quando o expediente não é paralisado para reparos estruturais, como aconteceu no início da semana passada, quando a bomba quebrada precisou ser consertada.</p>



<p>Uma mãe que preferiu não se identificar informou que na última semana de março, na segunda e terça-feiras não teve aula. Já nesta semana, na segunda-feira (30), o atendimento foi até às 14h30, mas nos dias seguintes foi normalizado. &#8220;É um sistema bom, só que a gente tem que ter sempre uma segunda opção para ficar com nossos filhos, porque a gente não pode depender só disso (a creche)&#8221;, desabafa. </p>



<h2 class="wp-block-heading">A falta que fazem os ADIs</h2>



<p>No início do ano, o prefeito da cidade comemorou o aumento de 1.800 vagas em creches, chegando à marca de 18 mil vagas ofertadas para a educação infantil &#8211; ou <a href="https://www.instagram.com/p/DWmo8jXj4Pb/?igsh=NGc5OHphYngxMHZt">19 mil, segundo a publicidade da prefeitura</a>. Acontece que uma categoria essencial para que essa demanda seja atendida com qualidade, os auxiliares de desenvolvimento infantil, trabalham em situação precária. A informação passada para as mães procede: são poucos os ADIs, como são chamados, e os que estão em atividade reivindicam melhores condições de trabalho e salário.</p>



<p>De acordo com a diretora interina da Associação dos Auxiliares de Desenvolvimento Infantil do Recife (Assadir), Gabrielli Silva, a principal reivindicação é que a gestão municipal reconheça os ADIs com a regulamentação da Lei Federal 15326/26 no município. Se isso ocorrer, seriam reconhecidos como professores de educação infantil, baseados na exigência de formação docente para ocupar o cargo.</p>



<p>No último concurso, em 2024, foi estipulado que para ser ADI é preciso ter formação em Magistério, Pedagogia ou alguma licenciatura plena. Segundo a nota de esclarecimento divulgada na época, “a formação de educadores para atuar na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental foi reformulada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996”.</p>



<p>No entanto, na prática e no salário, a categoria não recebe como educadora. Segundo a representante da associação, hoje o salário inicial de um ADI com carga horária de 40 horas semanais é de R$ 2.180,56, para quem tem diploma de Magistério e R$ 2.278,68 para quem é graduado em algum curso superior.</p>



<p>Gabrielli afirma que a categoria também reivindica um novo concurso público para o cargo. “O déficit de profissionais é alto devido à desvalorização da carreira e o não enquadramento na carreira do Magistério. O que deixa o salário do ADI abaixo do piso nacional, fazendo com que os profissionais migrem para outras redes que paguem melhor, isso ocasiona os rodízios e horários reduzidos nas unidades de educação infantil do Recife”, avalia a diretora.</p>



<p>Esse é um cargo que foi criado em 2005, pela lei 17.161, na gestão do então prefeito João Paulo. À época, foram criadas 1.545 vagas. Silva explica que “isso foi há 20 anos atrás, hoje a realidade é que o número de vagas nas creches foi triplicado e não houve uma recomposição de quadro efetivo. Para você ter ideia, no último concurso de 2024 foi chamado todo o cadastro reserva em menos de dois anos. Não acabou a validade do concurso e já tinham chamado 1.000 ADIs em uma seleção com oferta inicial de 300 vagas&#8221;. Segundo, dos 1.000 que tomaram posse quase a metade já pediu exoneração”.</p>



<p>Segundo a representante da categoria, muitos desses profissionais recebem as crianças sozinhos, pois o professor regente só chega às 07h30, ou até mesmo ficam sem tirar hora de almoço pois está sozinho em sala de aula, visto que o professor regente larga às 11h30.</p>



<p>“O ADI não pode abandonar a turma, então muitas vezes fica sozinho na sala de aula e tem que almoçar por lá mesmo enquanto as crianças dormem. Caso aconteça alguma coisa com uma criança e o ADI precise dar um apoio, as outras crianças da sala ficam desamparadas, o que é um perigo, pode configurar até abandono de incapaz, porém muitas gestoras assediam os ADIs para que eles fiquem na sala de aula mesmo nessas condições”, garante.</p>



<p>Atualmente, a lotação das salas de aula na educação infantil se organiza conforme a Portaria nº 156/2016 (e sua retificação) e a Resolução CME nº 14/2004, da seguinte forma: </p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Até 16 crianças por turma no berçário, com a proporção de um professor para cada cinco crianças, com dois ADIs no turno da manhã e três no turno da tarde;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Nos grupos 01 e 02 são até 21 crianças, com um professor para cada sete crianças, com dois auxiliares/ADIs pela manhã e três à tarde; </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>No grupo 03 são até 21 crianças, com um professor para cada 11 crianças, com um ADI no turno da manhã e dois no turno da tarde; </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Nos grupos 04 e 05 são até 26 crianças por turma, considerando um professor e um auxiliar.</p>
            </div>
            </div>



<p>Existe um grupo de trabalho em andamento que envolve a Assadir, o Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Recife (Simpere) e outras entidades para discutir reformulações na educação do Recife, incluindo a recomposição nessa distribuição dos ADIs. A proposta que se discute é que o grupo 03 tenha um professor com dois auxiliares no turno da manhã e três no turno da tarde. Nos grupos 04 e 05, um professor com um auxiliar em um turno e, se for integral, dois no contraturno.</p>



<h3 class="wp-block-heading">A denúncia que o MP arquivou</h3>



<p>Além disso, há uma denúncia sobre o acúmulo de funções e a falta de Agentes de Apoio ao Desenvolvimento Escolar Especial (AADEE), profissionais que trabalham diretamente com crianças e adolescentes atípicos. “A gerência de educação especial, que é responsável pelos AADEEs, não manda eles para as unidades de educação infantil, o que acaba sobrecarregando ainda mais os ADIs. Sem contar os desvios de função, onde em algumas unidades temos os Auxiliares de Serviços Gerais dentro de sala de aula cuidando das crianças, o que é um absurdo”, denuncia.</p>



<p>O Ministério Público de Pernambuco esteve investigando a denúncia sobre o acúmulo de função de funcionários terceirizados. Em nota, o MPPE afirma que “desde então, o Ministério Público requisitou informações à Secretaria de Educação do Recife e promoveu diligências. Contudo, a denúncia não foi comprovada e o inquérito acabou arquivado”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira a resposta da Prefeitura do Recife na íntegra: </span>

		<p>&#8220;A Secretaria de Educação do Recife informa que as situações relatadas em unidades da rede municipal são pontuais e também estão relacionadas ao contexto atual de mobilização da categoria, em função da campanha salarial em curso. A pasta esclarece que as paralisações e assembleias convocadas pelo sindicato têm impacto no funcionamento de algumas unidades, podendo ocasionar ajustes temporários na rotina escolar, como reorganização de horários e atendimento das turmas.</p>
<p>A Secretaria de Educação reforça que segue atuando de forma permanente para minimizar quaisquer prejuízos às famílias e aos estudantes, com a convocação contínua de profissionais e adoção de medidas administrativas para garantir a recomposição do atendimento o mais breve possível&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
	</div>



<p>Também perguntamos por qual motivo os materiais e os fardamentos ainda não foram entregues nessas e em outras unidades do Recife. Além disso, solicitamois dados sobre a realidade das creches e ADIs que existem hoje na rede, como o número total atualizado de creches, creche escolas e creches parceiras da Rede Municipal; o número total de vagas preenchidas nessas instituições; o número total de auxiliares de desenvolvimento infantil concursados, contratados e terceirizados na Rede Municipal.</p>



<p>No entanto, a prefeitura não respondeu a esses questionamentos.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho sofre atentado a tiros</title>
		<link>https://marcozero.org/secretaria-da-mulher-do-cabo-de-santo-agostinho-sofre-atentado-a-tiros/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 14:51:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Violência em Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A secretária executiva da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Aline Melo, teve o carro alvejado por tiros na noite desta quinta-feira (26), na PE-28, rodovia que dá acesso às praias de Enseada dos Corais e Gaibu. O carro em que ela estava acompanhada do motorista foi interceptado por dois homens em uma motocicleta que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Atualização</span>

		<p>Em maio, a Polícia Civil de Pernambuco anunciou o surpreendente resultado da investigação sobre o suposto atentado a tiros sofrido pela secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho: Aline Melo forjou o crime com a ajuda do seu motorista e do pai deste, que teria sido o motoqueiro autor dos disparos. <a href="https://marcozero.org/policia-civil-conclui-que-secretaria-da-mulher-do-cabo-forjou-atentado-a-tiros/" target="_blank" rel="noopener">Confira aqui a matéria completa.</a></p>
	</div>



<p>A secretária executiva da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Aline Melo, teve o carro alvejado por tiros na noite desta quinta-feira (26), na PE-28, rodovia que dá acesso às praias de Enseada dos Corais e Gaibu. O carro em que ela estava acompanhada do motorista foi interceptado por dois homens em uma motocicleta que efetuaram os disparos – um dos tiros atingiu o banco de passageiros, a poucos centímetros da cabeça da secretária.</p>



<p>Logo após o ocorrido, Aline Melo foi até a delegacia do Cabo prestar queixa. Lá, ela gravou um vídeo publicado na conta dela no instagram. “A gente sabe que o caso que aconteceu aqui não é um mero caso qualquer, foi um caso ligado à violência de gênero, ligado à tentativa de parar uma mulher que ocupa o espaço de poder”, disse. “Apesar de obviamente estar muito assustada com tudo isso, eu não vou parar. Eu acho que a mensagem hoje é dizer que a luta continua, que a gente precisa continuar se posicionando, a gente precisa acreditar que as coisas podem mudar e que a gente vai continuar defendendo o correto”, afirmou.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/policia-civil-conclui-que-secretaria-da-mulher-do-cabo-forjou-atentado-a-tiros/" class="titulo">Polícia Civil conclui que secretária da Mulher do Cabo forjou atentado a tiros</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/violencia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Violência</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Ainda na delegacia, ela concedeu entrevista a um blog local, o Acontecce no Cabo, em que detalhou a abordagem dos criminosos. “A gente estava no sentido litoral do Cabo, e uma moto se aproximou. Eu confesso que eu não vi essa moto se aproximando, estava distraída no celular. Em um determinado momento, a moto tentou fazer uma ultrapassagem e o motorista já ficou em alerta porque ela não ultrapassou pelo lado esquerdo, ela tentou ultrapassar pelo lado direito”, disse. “E aí ele (o atirador) desligou o farol e efetuou o primeiro disparo. Foi quando o motorista (do carro dela) pediu para abaixar e acelerou o carro e a gente conseguiu (fugir). Eu não sei quantos disparos foram, está entre dois ou três”, afirmou na entrevista.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:38% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="764" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-764x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-75031 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-764x1024.jpeg 764w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-224x300.jpeg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-768x1029.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1-150x201.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/atentado-1.jpeg 1079w" sizes="(max-width: 764px) 100vw, 764px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Ao ser perguntada pelo repórter do blog se os criminosos anunciaram assalto ou se já foram logo atirando, a secretária disse que o trecho da PE-28 onde ocorreu os disparos, na altura da Mata do Boto, era muito escuro. “A PE-28 é uma estrada que é muito escura, não tem iluminação, não tem sinalização. E a gente fica com essa incógnita, né, essa pergunta. Como é uma estrada muito escura, a gente não sabe”, afirmou.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>No começo da madrugada desta sexta-feira, a governadora Raquel Lyra afirmou em nota que está acompanhando pessoalmente o caso. “Vamos apurar com rigor e garantir que os envolvidos sejam responsabilizados. Mulheres que ocupam espaços de poder e atuam em defesa de outras mulheres devem ser respeitadas. Pernambuco não aceita essa violência e nossas forças de segurança já estão atuando para responder de forma exemplar a esse episódio”, diz a nota da governadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Prefeitura pede apuração rigorosa</h2>



<p>Em nota oficial, a prefeitura do Cabo de Santo Agostinho reforçou a necessidade de investigação rigorosa e que não está tratando o crime como &#8220;fato isolado&#8221;. &#8220;Ele se soma a um cenário preocupante de violência e intimidação contra mulheres que ocupam espaços de liderança, lutam por direitos e enfrentam estruturas historicamente marcadas pela opressão&#8221;, afirma o texto da gestão municipal. Mais adiante, assegura que &#8220;nenhuma ameaça vai silenciar quem luta por uma sociedade mais justa e segura para todas as mulheres. A Prefeitura acompanhará rigorosamente o caso até o completo esclarecimento dos fatos&#8221;.</p>



<p>O Centro de Mulheres do Cabo (CMC), entidade feminista mais atuante na região do Cabo de Santo Agostinho, também se posicionou. Para Nivete Azevedo, coordenadora de Programas Institucionais do CMC e integrante do Conselho Municipal da Mulher, disse que &#8220;esse atentado que Aline sofreu é um atentado é uma forma de intimidar, de querer nos calar, de barrar a nossa luta em defesa da vida das mulheres. Não toleramos essa violência. Precisamos que o Estado assuma a sua responsabilidade para que as mulheres estejam protegidas, as mulheres estejam amparadas em seus direitos&#8221;.</p>





<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>UFPE apresenta detalhes das perseguições da ditadura a professores, técnicos e estudantes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 17:49:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da Verdade]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 1964]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão da Verdade, Memória e Reparação da UFPE sobre a ditadura de 1964 apresentará, no próximo dia 31 de março, os resultados parciais de seu levantamento. Realizado desde junho de 2025, o trabalho identificou pelo menos 649 professores, estudantes e técnicos da universidade que foram alvo de práticas autoritárias do regime militar, que vão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Comissão da Verdade, Memória e Reparação da UFPE sobre a ditadura de 1964 apresentará, no próximo dia 31 de março, os resultados parciais de seu levantamento. Realizado desde junho de 2025, o trabalho identificou pelo menos 649 professores, estudantes e técnicos da universidade que foram alvo de práticas autoritárias do regime militar, que vão desde investigações sobre atividades “subversivas” até demissões, cancelamentos de bolsas e expulsões. Desse total, 132 pessoas foram presas ou detidas e, pelo menos, seis estudantes foram mortos pela repressão.</p>



<p>O evento <em>A UFPE e o compromisso com as memórias</em> acontece a partir das 9h, no auditório João Alfredo, na Reitoria, em uma data simbólica: os 62 anos do golpe militar. Além de detalhar os números e perfis das vítimas, a comissão anunciará as próximas etapas do trabalho de investigação e reconstrução histórica da repressão na instituição entre 1964 e 1985. </p>



<p>Como parte das atividades, serão remontadas exposições organizadas pelo Núcleo de Documentação sobre os Movimentos Sociais Dênis Bernardes (Nudoc) da UFPE: <em>Lutas de Classes sob a ditadura de 1964-1985</em> e <em>Tecendo memórias e lutas</em>, com foco nos assassinatos políticos de Soledad Barret e padre Henrique. Também será lançado um conjunto de vídeos de três minutos sobre estudantes da UFPE mortos pela repressão, que passarão a ser exibidos como interprogramas na TVU a partir das 18h.</p>



<p>Os produtos de memória são resultado de uma experiência pedagógica que envolveu estudantes de jornalismo no semestre passado, sob orientação das professoras Paula Reis e Yvana Fechine. Alunos produziram os vídeos no Laboratório de Imagem e Som (LIS) e também realizaram 18 reportagens e entrevistas que serão disponibilizadas no site da comissão. O levantamento de dados, por sua vez, conta com a participação de estudantes voluntários e bolsistas, sob supervisão de especialistas.</p>



<p>A escolha do Auditório João Alfredo, no prédio da Reitoria, carrega simbolismo histórico. João Alfredo Costa Lima, reitor da então Universidade do Recife à época do golpe de 1964, foi vítima da repressão e acabou renunciando ao cargo poucos meses depois, sob pressão de militares e setores que o acusavam de abrigar “comunistas” na instituição.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/dossie-revela-como-militares-interferiam-na-vida-academica-da-ufpe/" class="titulo">Dossiê revela como militares interferiam na vida acadêmica da UFPE</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/militares-vigiavam-ate-os-reitores-da-ufpe-durante-a-ditadura/" class="titulo">Militares vigiavam até os reitores da UFPE durante a ditadura</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/democracia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Democracia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		<p>O post <a href="https://marcozero.org/ufpe-apresenta-detalhes-das-perseguicoes-da-ditadura-a-professores-tecnicos-e-estudantes/">UFPE apresenta detalhes das perseguições da ditadura a professores, técnicos e estudantes</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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