<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Especiais - Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/category/especiais/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/category/especiais/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 26 Feb 2024 15:57:41 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.5</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Especiais - Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/category/especiais/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>A viagem que mudou o Brasil</title>
		<link>https://marcozero.org/a-viagem-que-mudou-o-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inês Campelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Dec 2022 22:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Caetés]]></category>
		<category><![CDATA[dona lindu]]></category>
		<category><![CDATA[Posse de Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Vicente de Carvalho]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=53231</guid>

					<description><![CDATA[<p>Setenta anos depois, a Marco Zero refaz o caminho que Luiz Inácio Lula da Silva percorreu quando saiu de Caetés, no Agreste de Pernambuco, até Vicente de Carvalho, distrito do Guarujá, em São Paulo Quando Luiz Inácio Lula da Silva subir a rampa do Palácio do Planalto para cumprir seu terceiro mandato como presidente da [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-viagem-que-mudou-o-brasil/">A viagem que mudou o Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-left"><strong>Setenta anos depois, a Marco Zero refaz o caminho que Luiz Inácio Lula da Silva percorreu quando saiu de Caetés, no Agreste de Pernambuco, até Vicente de Carvalho, distrito do Guarujá, em São Paulo</strong></p>



<p>Quando Luiz Inácio Lula da Silva subir a rampa do Palácio do Planalto para cumprir seu terceiro mandato como presidente da República, no próximo dia 1º de janeiro, chegará ao ápice de uma trajetória singular, que levou o menino retirante da seca do Nordeste a se tornar a primeira pessoa a ser eleita três vezes para presidir o Brasil. Uma história de vida que possibilitou ao torneiro mecânico, líder sindical, deputado constituinte, dirigente partidário e ex-presidente da República por duas vezes acumular um conhecimento profundo do país. Os caminhos espinhosos, como são os da grande maioria das pessoas, o tornaram um hábil articulador político que foi capaz de convergir a esperança de milhões de brasileiros por um futuro melhor.</p>



<p>Mas todo caminho tem o primeiro passo. O de Lula foi dado há exatos 70 anos, em dezembro de 1952, quando ele deixou o Sítio Vargem Comprida, no então distrito de Caetés, com destino a São Paulo. Lula, a mãe Dona Lindu e mais cinco irmãos subiram em um pau de arara para fugir da fome, da seca e da falta de perspectiva. Foram mais de 2.500 quilômetros de estradas, dividindo a carroceria de um caminhão com cerca de 60 pessoas, durante 13 dias e 13 noites, em busca de um futuro melhor.</p>



<p>A viagem de Caetés a São Paulo foi a primeira lição que Lula teve sobre o Brasil. De uma hora para outra, o garoto que até os sete anos de idade nunca tinha ido além dos cerca de 15 quilômetros que separavam o Sítio Vargem Comprida de Garanhuns, viu-se transportado para outro mundo. Em 13 dias, viu o Rio São Francisco, passou pela Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, conheceu outras vegetações, sotaques, descobriu que existiam sobrados, prédios, automóveis, mar… Saiu de um mundo rural para um urbano e constatou que no Brasil existia muita riqueza e também muita desigualdade.</p>





<p>Não é exagero dizer que a mudança para São Paulo transformou a vida do garoto Lula e deixou marcas profundas que, de alguma forma, influenciaram e ainda influenciam as decisões do Lula presidente. Por isso, para entender o futuro que podemos esperar, resolvemos olhar para o passado.</p>



<p>Setenta anos depois, a <strong>Marco Zero</strong> refez o caminho que liga as casas onde Lula morou quando partiu do Sítio Vargem Comprida e quando chegou a Itapema, que logo mudaria de nome para Vicente de Carvalho, um distrito do Guarujá (SP). Em mais de 2.500 quilômetros de estradas e cinco estados, registramos flashes de um Brasil cheio de contradições, com muitas diferenças e ainda com muitas semelhanças do país que Lula descobriu sete décadas atrás. Paradoxo que mostra o tamanho do desafio que se apresenta para este terceiro mandato.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Lula viu o mundo. Ele começava em Caetés</strong></h2>



<p>Para entender o que Lula se tornou, é preciso saber de onde ele partiu.</p>



<p>Em 1952, Caetés ainda era um distrito de Garanhuns, no Agreste pernambucano. O Sítio Vargem Comprida ficava na zona rural do município e consistia num punhado de casas esparsas, ocupadas por famílias que viviam da agricultura de subsistência. A família Silva era uma delas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/166136930863067bdce55cf_1661369308_2x3_md-200x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/166136930863067bdce55cf_1661369308_2x3_md.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/166136930863067bdce55cf_1661369308_2x3_md.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="365">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Primeiro retrato de Lula, tirado aos 3 anos, junto com a irmã Maria Baixinha, dois anos mais velha, num estúdio em Garanhuns.
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A vida, que já era difícil, tornou-se ainda mais penosa com a forte seca que castigou a região entre 1951 e 1953. No livo <em>A história de Lula</em>, Denise Paraná descreve um pouco da dureza daqueles dias. “A água que a família bebia era transportada em latões, trazida de açudes ou de barreiros, buracos feitos na terra que serviam como reservatório de chuva. A sujeira era tanta que a água precisava ser coada. Depois, Lindu a colocava numa jarra de barro e esperava assentar. Só quando a camada de terra pousava no fundo, é que a água ainda salobra, amarelada e morna podia ser tomada. Às vezes, um sapinho, um grilo ou outro pequeno animal pulava para fora da jarra”.</p>



<p>Tanto Dona Lindu quanto os seis filhos que moravam com ela (o marido Aristides já havia migrado para São Paulo anos antes levando os dois filhos mais velhos do casal) não sabiam ler e escrever. As crianças andavam descalças e não tinham assistência médica. Nos períodos mais difíceis, a alimentação era escassa e de baixo valor nutricional. Os Silva, como seus vizinhos e parentes, eram sobreviventes.</p>



<p>Estamos falando de Caetés, mas poderia ser qualquer outro ponto do semiárido nordestino. Os indicadores sociais da região eram chocantes. Segundo o Anuário Estatístico Brasileiro, em 1950, três em cada quatro nordestinos acima de cinco anos de idade eram analfabetos (74,1%). Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de mortalidade infantil na região era de 175 para cada mil crianças nascidas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-24-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-24-1024x684.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-24-1024x684.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="551">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Réplica da casa onde Lula viveu até os sete anos. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em meio a tanta dificuldade, no final de 1952, Dona Lindu resolveu fazer o caminho de tantos conterrâneos: migrar para São Paulo com os seis filhos na esperança de se juntar ao marido Aristides e reconstruir uma vida melhor. Segundo o jornalista Fernando Morais apurou para o livro <em>Lula – Volume 1</em>, para viajar, dona Lindu “vendeu por Cr$ 13 mil (R$ 18,6 mil em 2021) o sítio de dez alqueires — o valor pago incluía um casebre, uma jumenta, meia dúzia de galinhas e a vaquinha que garantia o leite da família”.</p>



<p>Levantamento feito por Monica de Melo Ferrari para a dissertaçã<em>o A Migração Nordestina para São Paulo no segundo governo Vargas (1951-1954) &#8211; Seca e desigualdades regionais</em> mostra que, segundo o censo demográfico de 1950, 387.612 nordestinos migraram para São Paulo. Destes, 62.745 eram de Pernambuco. Uma década depois, esses números eram 862.890 e 182.762, respectivamente.</p>



<p>Se antes os nordestinos deixavam a região para ir trabalhar na agricultura e em áreas rurais do estado de São Paulo, sobretudo nas fazendas de café, os Silva agora seguiam o novo fluxo migratório intensificado com a crescente industrialização do país. Estavam mudando para o estado mais industrializado e populoso, indo morar em áreas urbanas e tentando a sorte como operários.</p>



<p>Setenta anos depois da partida de Lula, a reportagem da <strong>Marco Zero</strong> encontrou outra realidade em Caetés, agora uma cidade, emancipada de Garanhuns desde 1963. Os problemas ainda são muitos, mas os indicadores sociais apresentam uma melhora substancial em toda região. A taxa de mortalidade infantil no Nordeste, por exemplo, caiu para 13,2 mortes para cada mil crianças (eram 175/1000 em 1950), segundo o IBGE. O número de analfabetos agora é de 13,9% da população (contra 74,1% há 70 anos).</p>



<p>As políticas de distribuição de renda e os programas sociais do governo Lula (2003 a 2010) impulsionaram a economia local. Entre 2003 e 2014 (inclui-se aí o primeiro mandato de Dilma Rousseff), cerca de 25 milhões de pessoas deixaram a linha de pobreza. Dados do Banco Mundial mostram que a parcela da população em situação de extrema pobreza no país era de 13,6% em 2001, caindo para 4,9% em 2013. Enquanto a renda média dos brasileiros, no geral, cresceu 4,4% entre 2003 e 2014, a renda dos 40% mais pobres cresceu 7,1%. <a href="https://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/pobreza-brasil-banco-mundial/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Essa reportagem da Rede Brasil Atual</a> explica tudo isso em detalhes. </p>



<p>O fato é que, com a melhora das condições de vida em Caetés e no Nordeste como um todo, o fluxo migratório inverteu-se. Segundo o IBGE, na primeira década dos anos 2000, que corresponde aos dois mandatos de Lula, houve um movimento de retorno da população às regiões de origem em todo o país. O Nordeste foi a região que mais recebeu migrantes de volta. Em 2009, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), Pernambuco foi o estado com a maior taxa de migração de retorno da região, com 23,61%. Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Nortes também apresentaram taxas superiores a 20%.</p>



<p>José Pedro Alexandre, que tem 54 anos e atualmente mora no Sítio Vargem Comprida, bem pertinho de onde Lula vivia quando criança, foi uma dessas pessoas que migraram para São Paulo na década de 1980 e voltou para Caetés nos anos 2000. Nesse vídeo, ele conta parte dessa história:</p>





<p>Se na época do governo Lula as coisas melhoraram, os últimos anos foram de retrocessos. O mais sintomático deles é o retorno do Brasil ao mapa da fome. Dados do segundo<a href="https://olheparaafome.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Relatorio-II-VIGISAN-2022.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> <em>Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19 no Brasil</em></a><em>,</em> elaborado pela rede Penssan com apoio da Oxfam Brasil e outras organizações, mostram que a insegurança alimentar tem se agravado no país, e a fome esteve ainda mais presente na vida dos brasileiros em 2022. Apenas quatro entre 10 famílias conseguem acesso pleno à alimentação. A fome já atinge 33,1 milhões de pessoas.</p>



<p>As razões, ainda de acordo com o relatório, são o aprofundamento da crise econômica, o segundo ano da pandemia de covid-19 e a continuidade do desmonte de políticas públicas que promoviam a redução das desigualdades sociais da população.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A difícil travessia entre dois mundos</strong></h2>



<div class="wp-block-columns are-vertically-aligned-center is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:100%">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow"></div></div>
</div>
</div>



<p>Em dezembro de 1952 a família Silva embarcou no caminhão Mercedes-Benz, “cara curta”, pertencente a Zé de Né, um “empreendedor” que morava em Caetés e regularmente fazia a viagem até São Paulo. Na ida levava as pessoas no pau de arara e, na volta, vinha com a carroceria apinhada de mercadorias. Zé de Né morreu em 2013, orgulhoso do ilustre passageiro que saiu de Vargem Comprida para fazer história. Antes de morrer, em 2003, ele se encontrou com Lula em uma das visitas do já presidente da República à cidade natal.</p>



<p>Jorge, o irmão mais novo de Zé de Né, ainda é vivo. Aos 91 anos, ele lembra de poucos detalhes daquela viagem histórica. O principal deles é que foram 13 dias muito difíceis. “O sofrimento era grande, uma viagem dessa com criança, estrada de barro. Tinham poucos postos de gasolina e, em muitos deles a bomba era na manivela. Não era brincadeira não. Ele dava tanta volta no mundo. Hoje, para São Paulo é um salto”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-35-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-35-1024x684.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-35-1024x684.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="391">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Jorge é irmão de Zé de Né, dono do pau de arara que levou Lula. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Lindu sempre soube que a viagem era perigosa. Segundo Denise Paraná narrou em seu livro: “As notícias de retirantes que morriam na estrada não eram segredo. A travessia era longa, dura, incerta. Uma viagem sem garantias, ao Deus dará. As cruzes nas margens do caminho lembravam as vítimas daquelas estradas sem segurança. Pessoas eram transportadas como gado. Caminhões tombavam, derramando sua carga humana. O sol e a chuva castigavam. Apesar de saber de tudo, Lindu decidiu partir. Foi uma decisão que mudou o destino dela e de seus filhos e ficaria registrada na história.”</p>



<p>A reportagem <em>Uma tragédia brasileira – pau de araras,</em> assinada por Mário de Moraes e Ubiratã de Lemos e publicada na revista O Cruzeiro em 22 de outubro de 1955 (a reportagem viria a ganhar o prêmio Esso daquele ano) afirmava que a rodovia Rio-Bahia, hoje a BR-116, na época com 1.589 quilômetros ligando a então capital federal a Feira de Santana (BA), havia se transformado num cemitério. “Suas curvas são assinaladas por cruzes. E cada cruz é uma história. Caminhões que perderam o freio e se chocaram com barrancos, outros saltaram da estrada nos abismos laterais, outros pegaram fogo, explodiram”, escreveram.</p>



<p>Em seu trabalho, <em>Em torno da sociologia do caminhão</em>, Marcos Vinícius Vilaça descreve um outro aspecto grave das viagens em paus de araras nos asnos de 1950: as precárias condições de higiene. “As condições de higiene nessas travessias são as mais contundentes. Chegam aos sessenta os que viajam inclusive os meninos aceleradores da fedentina, às vezes insuportáveis provocadora de protesto nos lugares em que escala o caminhão mal cheiroso. Na viagem os adultos atendem às necessidades fisiológicas em sanitários de postos de abastecimento ou &#8216;indo ao mato&#8217;, nas paradas, geralmente, de três em três horas. Quando vão ao mato convenciona-se, os homens tomam a margem esquerda da estrada, as mulheres a da direita. Prefere-se &#8216;ir ao mato&#8217; que às privadas por serem essas sempre imundas e espalhadoras de doenças”, escreveu em 1987.</p>



<p>As condições das estradas, 70 anos depois, de maneira geral estão bem melhores, mas ainda longe do ideal. Boa parte dos cerca de 2.500 quilômetros que separam o Sítio Vargem Comprida (PE) de Vicente de Carvalho (SP) estão sob a administração de concessionárias, ou seja, tem cobrados pedágios. Para refazer o trajeto que Lula fez a equipe da <strong>Marco Zero</strong> passou por 19 postos de pedágio a um custo total de R$ 146,30. Mesmo assim, na maior parte do percurso, as estradas estão em condições precárias, com muitos buracos e mal sinalizadas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-36-300x169.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-36-1024x576.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-36-1024x576.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Estradas sem conservação mesmo em trechos pedagiados. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Apesar dos riscos e desconfortos, após 13 dias e 13 noites de viagem, o caminhão Mercedes-Benz de Zé de Né chegou ao bairro do Brás, em São Paulo. A família Silva nunca tinha visto nada igual. Mas ainda faltavam mais alguns quilômetros até a última parada, no Guarujá. O percurso foi completado de táxi e balsa, “confortos” que Lula nem sabia que existia e que demorou a ter novamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O encontro com o Velho Chico</strong></h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-1-300x142.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-1-1024x485.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-1-1024x485.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Vista do rio São Francisco na cidade de Paulo Afonso, Bahia. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Ainda no começo da viagem, após uma parada em Tupanatinga (PE), o caminhão que levava a família Silva chega em Paulo Afonso (BA). Como ainda não existia ponte, a travessia do Rio São Francisco precisou ser feita de balsa. Foi o primeiro contato com o Velho Chico e Lula nunca tinha visto tanta água. Um contraste comparado ao ambiente árido que deixava para trás. Ele só não poderia imaginar que, 55 anos depois daquele encontro, iniciaria a obra que levaria parte de toda aquela água para milhões de nordestinos. Em 4 de junho 2007, já no seu segundo mandato como presidente da República, Lula iniciava as obras da <a href="https://marcozero.org/aesperadagua/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Transposição do Rio São Francisco</a>. </p>



<p>Mais de quinze anos depois, Lula iniciará seu terceiro mandato como presidente sem as obras da transposição estarem totalmente concluídas. Embora os eixos Norte e Leste tenham sido oficialmente concluídos em 9 de fevereiro de 2022, o governo federal ainda precisará entregar as obras dos ramais do Apodi (RN), do Salgado (CE), o Cinturão das Águas do Ceará (CAC), as Vertentes Litorâneas da Paraíba, a Adutora do Agreste Pernambucano e o Canal do Xingó (SE). Sem falar do Ramal do Piancó (PB), o Sistema Seridó (RN) e o Canal do Sertão Baiano que ainda estão em fase de estudos e elaboração de projetos.</p>



<p>Se a Transposição do São Francisco foi a “grande obra”, o governo petista também enfrentou a questão hídrica com tecnologias sociais de captação e de estocagem de água mais democráticas, baratas e eficientes. Logo que assumiu a presidência, em 2003, Lula transformou o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), o maior programa de armazenamento de água do país criado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), em uma política pública com dotação orçamentária. Desde então, foram entregues 1,5 milhões de cisternas, beneficiando cerca de 5 milhões de brasileiros.</p>



<p>O programa, que chegou a ser premiado pela ONU, foi praticamente destruído no governo Bolsonaro. Desde que começou, em janeiro de 2019, o atual governo entregou menos de 38 mil cisternas. O mais grave é que, para 2023, previa apenas R$ 2.283.326, como detalha o jornalista Carlos Madeiro <a href="https://noticias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2022/09/25/governo-bolsonaro-corta-e-para-maior-programa-de-acesso-a-agua-do-nordeste.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nesta reportagem</a>.</p>



<p>A cidade de Paulo Afonso que a <strong>Marco Zero</strong> encontrou é totalmente diferente da que Lula conheceu na sua primeira passagem por lá. Hoje abriga um complexo hidrelétrico formado pelas usinas de Paulo Afonso I, II, III, IV e Apolônio Sales (Moxotó), que gera 4.279,6 megawatts de energia. Há 70 anos só existia o canteiro de obras que, mais tarde, iria se transformar na usina de Paulo Afonso I, inaugurada em 1955.</p>



<p>Se a <a href="https://marcozero.org/energiasdonordeste/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">questão energética</a> não era uma preocupação do garoto de sete anos e de ninguém naquele caminhão com problemas de sobrevivência muito mais urgentes, quando Lula assumiu, em 2003, esse era um problema central no Brasil. O país ainda convivia com o apagão de energia elétrica e com os racionamentos impostos ao setor elétrico pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Para enfrentar o problema, o governo Lula tomou uma série de medidas. Algumas delas, inclusive, questionáveis do ponto de vista ambiental.</p>



<p>Inicialmente, houve a retomada da construção de usinas hidrelétricas (Belo Monte a principal delas), além de leilões de outras fontes de energia limpa mais sustentáveis, <a href="https://marcozero.org/a-luta-das-pescadoras-cercadas-por-parques-eolicos-e-especuladores-no-rio-grande-do-norte/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">como a eólica</a>. O primeiro leilão de energia eólica foi realizado em 2009 e garantiu um investimento de R$ 9,4 bilhões na construção das usinas desse tipo de matriz.</p>



<p>Para 2023, alguns desafios se impõem. Baixar o valor da tarifa de energia, <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2022/07/5024021-brasil-tem-a-segunda-energia-eletrica-mais-cara-do-mundo.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a segunda mais cara do mundo</a>, talvez seja o mais imediato. Aumentar a produção de energia sem impactar o já tão degradado meio ambiente é o mais complexo. E isso tudo em um contexto de privatização da Eletrobras.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma Bahia sem fim</strong></h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-9-300x142.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-9-1024x485.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-9-1024x485.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Plantações de eucaliptos: uma paisagem constante no Sul da Bahia. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>São 890 quilômetros entre a entrada na Bahia, por Paulo Afonso, até a cidade de Divisa Alegre, já no lado mineiro. Se cortar o território baiano de norte a sul de carro, em 2022, é uma experiência desafiadora, imagina em 1952, em estradas de terra, na carroceria de um pau de arara e durante uma das maiores secas registradas no século passado.<br><br>O trecho baiano da viagem é longo e, à medida que os quilômetros percorridos avançam, é possível perceber uma gradual mudança na vegetação, que ganha tons cada vez mais variados de verde. Mas aí, uma transformação profunda ocorreu desde a primeira passagem dos Silva por aquelas bandas: a paisagem que era coberta pela Mata Atlântica e, quando não, por pastagem, agora é dominada por plantações de eucaliptos.<br><br>Por conta do tipo de clima e solo, além da alta produtividade para uso industrial, hoje o eucalipto é a principal árvore cultivada para fins comerciais na Bahia. De acordo com a Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (Abaf), o estado tem 585,6 mil hectares de áreas plantadas.<br><br>A transformação começou a acontecer no final dos anos 1980, no Extremo Sul do estado, visando transformar a região numa grande produtora de matéria prima florestal para produção de celulose.<br><br>Nessa mesma época, a primeira fábrica de celulose foi implantada em Muruci, município vizinho ao Espírito Santo, pela Bahia Sul Celulose, hoje denominada Suzano. No início da década de 90, foi implantada a Aracruz Celulose (hoje Fibria) e a Veracel.<br><br>O problema é que agora restam apenas 4% da cobertura original da Mata Atlântica preservada na Bahia. A mudança drástica de bioma, segundo os ambientalistas de várias ONGs que atuam na região, causa um cenário de seca, rios contaminados, esgotamento do solo e insegurança fundiária. Além disso, o som constante de motosserras e caminhões são uma preocupação adicional para muitas comunidades.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A estrada do aço</strong></h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-37-300x186.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-37.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-37.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Companhia Siderúrgica Nacional. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Mesmo depois de cruzar a divisa com Minas Gerais, as plantações de eucalipto continuam e até se intensificam. Não é para menos, Minas é hoje o maior produtor do Brasil e isso fica claro ao se olhar pela janela do carro. O movimento pesado de caminhões e os trens carregados de minérios passam, cada vez mais, a dividir o cenário com os eucaliptos à medida que o Vale do Rio Doce se aproxima. Começa a “estrada do aço”, ligando a região produtora de minério às indústrias pesadas no Rio de Janeiro e São Paulo.<br><br>Se quando Lula passou por ali ainda não existiam os eucaliptos, o transporte de minérios começava a ganhar força. No início dos anos 1950, no período do segundo governo Vargas (1951-1954), o Brasil atingia o auge da terceira fase de desenvolvimento industrial, quando os investimentos se voltaram para as chamadas indústrias de base, com um acentuado crescimento dos setores de transportes, energia e mineração. Nesse período surgiram a Petrobras, a Companhia Siderúrgica Nacional e a Companhia do Vale do Rio Doce. Todas estavam no caminho de Lula na sua primeira viagem e continuaram presentes na sua vida como operário, sindicalista e líder político.</p>



<p>Quando o ex-operário tomar posse pela terceira vez como presidente da República, encontrará um cenário de desindustrialização preocupante, bem diferente daquele de aceleração industrial da época que chegou menino em São Paulo e se tornou torneiro mecânico. De acordo com a Pesquisa Industrial Anual Empresa (PIA 2020), em dez anos, o setor industrial perdeu 9.579 empresas, ou 3,1% do total. Isso representou o fechamento de 1 milhão de postos de trabalho (-11,6% do total).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O começo de outro mundo<br></strong></h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-19-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-19-1024x684.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/Viagem-de-Caetes-ate-Vicente-de-Carvalho_-19-1024x684.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Tite pousa na parede de peroba preservada da casa original. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A casa onde Lula morou quando chegou em Itapema (como Vicente de Carvalho se chamava em 1952) continua de pé. Mas, setenta anos e algumas reformas depois, ela guarda apenas um pedaço da parede de madeira que por algum tempo abrigou os Silva. A pequena parte que remete ao tempo do antigo morador ilustre foi preservada graças à sensibilidade de Genelice Santos Ramor, dona Tite, mãe do atual proprietário. “Meu filho queria fazer tudo de alvenaria, mas eu não deixei. Isso aqui é peroba, cupim nenhum come. Era tudo lindo, aquelas portas antigas. Sempre digo que essa casa é muito abençoada”.<br><br>Em seu livro, Denise Paraná descreve assim a nova residência dos Silva: “E assim Lindu, Lula e seus irmãos passaram a morar numa velha casinha de madeira em Vicente de Carvalho, sem água encanada, poço próximo ou luz elétrica, mas muito além daquilo que imaginavam ter um dia na vida”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/f850x638-64399_141888_5050-300x225.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/f850x638-64399_141888_5050.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/12/f850x638-64399_141888_5050.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Tite descobriu que Lula morou na casa que seus pais compraram “há muito tempo”, antes mesmo dele virar presidente. “Foi na época que ele era candidato. Depois que ele ganhou já veio até a reportagem da Globo aqui”. Lula mesmo nunca voltou. Nem lá nem na casa de outros parentes que ainda moram na rua Minas Gerais. “Eles não são tão agarrados”, fala baixinho, com a autoridade de vizinha.<br><br>Ter morado na mesma casa não é o único ponto em comum entre Tite e Lula. Como o presidente, ela também saiu do Nordeste em um pau de arara quando tinha quatro anos de idade. Tite veio com o avô e os pais de Sergipe, há 71 anos, chegando em Itapema um ano antes da família Silva. “Isso aqui era tudo bananal, eram poucas ruas”. Como tinha apenas quatro anos, ela lembra pouco da viagem, apenas que durou oito dias e que foi muito difícil. “Pena meus pais não estarem mais aqui. Eles iriam contar essa história maravilhosamente bem”.<br><br>Embora tenham compartilhado do mesmo teto em épocas diferentes, terem idades bem próximas (ela tem 75 e ele 77) e estudado no mesmo colégio, o Marcílio Dias, os dois nunca se encontraram. Não que ela se lembre. Mas se um dia eles se cruzarem, ela já sabe o que dizer. “Espero que não repita os erros do passado. O Brasil tem tudo para ser primeiro mundo”.</p>





<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Uma questão importante!</strong></p>



<p>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.</p>



<p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</p>
</blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-viagem-que-mudou-o-brasil/">A viagem que mudou o Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Reportagem revela desmonte na educação e impacto sobre as Ciências Humanas</title>
		<link>https://marcozero.org/reportagem-revela-desmonte-na-educacao-e-impacto-sobre-as-ciencias-humanas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carol Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Dec 2022 00:24:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=52955</guid>

					<description><![CDATA[<p>O futuro do Brasil depende de um monte de coisa, mas certamente passa por uma reconstrução da Educação, que enfrenta um verdadeiro desmonte desde 2016, intensificado nos quatro anos de Bolsonaro. Todas as áreas do conhecimento sofrem, mas as Ciências Humanas, que já são alvos de piadas, sentem ainda mais as consequências. No especial #SOUdeHUMANAS, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/reportagem-revela-desmonte-na-educacao-e-impacto-sobre-as-ciencias-humanas/">Reportagem revela desmonte na educação e impacto sobre as Ciências Humanas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O futuro do Brasil depende de um monte de coisa, mas certamente passa por uma reconstrução da Educação, que enfrenta um verdadeiro desmonte desde 2016, intensificado nos quatro anos de Bolsonaro. Todas as áreas do conhecimento sofrem, mas as Ciências Humanas, que já são alvos de piadas, sentem ainda mais as consequências.</p>



<p>No especial #SOUdeHUMANAS, a gente usa o humor (afinal, precisamos rir, nem que seja de nervoso!) para revelar o tamanho da tragédia e, ao mesmo tempo, qual é o papel da Ciência no Brasil do amanhã.</p>



<p>Acesse : <a href="https://marcozero.org/soudehumanas">marcozero.org/soudehumanas</a></p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/reportagem-revela-desmonte-na-educacao-e-impacto-sobre-as-ciencias-humanas/">Reportagem revela desmonte na educação e impacto sobre as Ciências Humanas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Margaridas marcham em Brasília por direitos no campo, autonomia das mulheres e democracia</title>
		<link>https://marcozero.org/margaridas-marcham-em-brasilia-por-direitos-no-campo-autonomia-das-mulheres-e-democracia/</link>
					<comments>https://marcozero.org/margaridas-marcham-em-brasilia-por-direitos-no-campo-autonomia-das-mulheres-e-democracia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Aug 2019 23:44:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Marcha das margaridas]]></category>
		<category><![CDATA[marcha das mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[marcha em Brasília]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=18221</guid>

					<description><![CDATA[<p>Quando a Marcha das Margaridas passava em frente à Biblioteca Nacional de Brasília, às 9h30 da manhã desta quarta-feira (14), mulheres que estavam no trio principal da mobilização cantavam “Vem, vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Bem próxima ao veículo, estava a delegação pernambucana que engrossava [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/margaridas-marcham-em-brasilia-por-direitos-no-campo-autonomia-das-mulheres-e-democracia/">Margaridas marcham em Brasília por direitos no campo, autonomia das mulheres e democracia</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando a Marcha das Margaridas passava em frente à Biblioteca Nacional de Brasília, às 9h30 da manhã desta quarta-feira (14), mulheres que estavam no trio principal da mobilização cantavam “Vem, vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Bem próxima ao veículo, estava a delegação pernambucana que engrossava o coro da composição de autoria de Geraldo Vandré. Como muitos sabem, essa música é um símbolo de resistência ao regime militar estabelecido a partir do Golpe de 64 no país. E, já não é mais surpresa, que ela pode, sim, retratar o Brasil de 2019. Uma nação que oprime e pouco dialoga com o povo, um povo que não pode apenas esperar por mudanças.</p>
<p>Nos próximos dias, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) deve fazer um balanço da 6ª Marcha das Margaridas e já começar a se preparar para a próxima marcha que acontecerá daqui a quatro anos. Foi assim nas manifestações anteriores e os sindicatos rurais não pretendem arrefecer a força de luta que se renova em momentos como o de hoje. A organicidade vista em Brasília é resultado da formação política de base da população do campo, que se estrutura de maneira contínua e estratégica. É, também, fruto da articulação de diversos grupos feministas que ocuparam o Distrito Federal com uma agenda de peso nos últimos dias.</p>
<p>A construção coletiva da marcha mobilizou uma rede de movimentos e entre eles estavam a Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), a Marcha Mundial das Mulheres (MMM); a União Brasileira de Mulheres (UBM), o Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR-NE) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT).</p>
<p>A mesma característica está presente na Plataforma Política das Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas apresentada oficialmente pelas margaridas na marcha desse ano. Elas não têm um plano só para a agricultura familiar do Brasil, elas têm um projeto inclusivo de país que está claramente desenhado em um documento de 39 páginas. São dez eixos políticos e várias proposições que estabelecem como esses eixos podem ser colocados em prática.</p>
<p>No texto, as margaridas afirmam que a plataforma revela os seus sonhos, os seus quereres e a utopia que as move em direção à transformação da sociedade.</p>
<blockquote>
<p>Os 10 eixos políticos da Plataforma Política das Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas</p>
<p><strong>1 – Por terra, água e agroecologia</strong><br />As margaridas defendem que a garantia do direito à terra, água e agroecologia para as famílias agriculturas é indispensável na transformação da sociedade. Isso inclui uma produção alimentar sem veneno e que respeite a vida e o meio ambiente, feita pela agricultura familiar para todo o país.</p>
<p><strong>2 – Pela autodeterminação dos povos, com soberania alimentar e energética</strong><br />O direito dos povos de escolherem seus destinos com liberdade. Escolherem a disposição das suas riquezas e seus recursos naturais. O direito de não serem privados dos seus meios de subsistência.</p>
<p><strong>3 – Pela proteção e conservação da sociobiodiversidade e acesso aos bens comuns</strong><br />O resgate, seleção e preservação não só das sementes a serem plantadas, mas também dos saberes e das práticas que dão autonomia à agricultura, para que ela não dependa do <em>modus operandi</em> tecnológico que rege as grandes empresas transnacionais.</p>
<p><strong>4 &#8211; Por autonomia econômica, trabalho e renda</strong><br />Garantia desses três pontos para que a mulher tenha a liberdade de fazer escolhas para a sua vida. Isso diz respeito a alterar a divisão sexual do trabalho, de maneira que o trabalho da mulher e do homem tenham o mesmo valor.</p>
<p><strong>5 – Por previdência e assistência social, pública, universal e solidária</strong><br />As margaridas são contra a Reforma da Previdência de Jair Bolsonaro (PSL). Afirmam que a proposta atual, em trâmite no Congresso Nacional, coloca as mulheres e homens em situação de desproteção social. Elas defendem a Seguridade Social, garantida pela Constituição de 1988, como um mecanismo de redistribuição da riqueza produzida pelo trabalho delas.</p>
<p><strong>6 – Por saúde pública e em defesa do SUS</strong><br />Principalmente, em defesa da Política de Atenção Integral à Saúde da Mulher e da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas (PNSIPCFA).</p>
<p><strong>7 – Por uma educação não-sexista e antirracista e pelo direito à educação no campo</strong><br />Sobre uma educação que não reproduza opressões relacionadas ao gênero ou à raça. E, por uma educação no campo que valorize os saberes, costumes e a cultura de cada povo.</p>
<p><strong>8 – Pela autonomia e liberdade das mulheres sobre o seu corpo e a sua sexualidade</strong><br />Reivindica a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos e da livre vivência da sexualidade das mulheres. A autonomia para escolher relacionar-se com homens e/ou mulheres, sobre ter ou não filhos.</p>
<p><strong>9 – Por uma vida livre de todas as formas de violência, sem racismo e sem sexismo</strong><br />As mulheres do campo estão mais expostas à violência física e a uma série de violências simbólicas e materiais, que desconsideram suas contribuições econômicas. Estão mais vulneráveis ao aumento da pobreza e à extrema pobreza rural.</p>
<p><strong>10 – Por democracia com igualdade e fortalecimento da participação política das mulheres</strong><br />As margaridas afirmam que, com o governo de Jair Bolsonaro (PSL), elas sentem que “todos os direitos que melhoraram a qualidade de vida da classe trabalhadora estão sendo sufocados”</p>
</blockquote>
<p>Estão entre algumas das proposições da plataforma: fortalecer e ampliar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e a Política de Garantia de Preços Mínimos para os produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio); reorientar a política energética do país; e fortalecer o Plano de Monitoramento e Segurança das Barragens.</p>
<p>Na defesa desses eixos, o Nordeste foi protagonista. A Marcha das Margaridas se divide por estados e Pernambuco estava na segunda ala com cerca de duas mil mulheres. À frente da mobilização, estava o Maranhão que levou cerca de 4 mil e, na terceira ala, estava o Ceará com 1.400 participantes. Ao todo, 19 cidades de várias regiões integraram a delegação pernambucana. Com as músicas, os gritos de desordem e o chamado por Lula Livre presente em todos os momentos, o percurso seguiu tranquilo até o final do ato.</p>
<p>Chegando próximo ao Congresso Nacional, apenas o trio principal estacionou para o encerramento da caminhada. Lideranças rurais e políticos começaram a se posicionar para fazer as falas finais. A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) relembrou a liderança sindical e defensora dos direitos humanos que dá nome à marcha. “Estamos aqui mais uma vez e estaremos quantas vezes forem necessárias para honrar a luta e o sangue de Margarida Alves, morta pelo latifúndio da Paraíba. Mas que faz com que a cada quatro anos floresça na Esplanada dos Ministérios a vontade de lutar pela terra, por educação e contra a violência contra as mulheres”.</p>
<p>O candidato à presidência da República pelo PT, nas eleições de 2018, Fernando Haddad, leu uma carta escrita pelo ex-presidente Lula (PT) para as mulheres da Marcha das Margaridas. Ele pediu silêncio antes de começar a ler e a multidão atendeu. Em um trecho da carta, Lula questionou se algum presidente fora os do PT havia marchado com “as mulheres do campo” e as manifestantes responderam que não. Ao fim da fala de Haddad, perto das 11h da quarta-feira, a marcha começou a se dispersar e alguns manifestantes esperavam os comboios de ônibus para voltarem aos seus estados.</p>
<p> </p>
<p> </p>


<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Marcha das Margaridas 2019" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/1ow2hjG46mU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



[Best_Wordpress_Gallery id=&#8221;108&#8243; gal_title=&#8221;Marcha das Margaridas &#8211; Brasília&#8221;]
<p>O post <a href="https://marcozero.org/margaridas-marcham-em-brasilia-por-direitos-no-campo-autonomia-das-mulheres-e-democracia/">Margaridas marcham em Brasília por direitos no campo, autonomia das mulheres e democracia</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/margaridas-marcham-em-brasilia-por-direitos-no-campo-autonomia-das-mulheres-e-democracia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A batalha dos jumentos</title>
		<link>https://marcozero.org/a-batalha-dos-jumentos/</link>
					<comments>https://marcozero.org/a-batalha-dos-jumentos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inês Campelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jun 2019 15:25:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=16433</guid>

					<description><![CDATA[<p>Como o animal símbolo do Nordeste virou o centro de uma disputa que envolvereligião, ambientalistas, empresários, poderpúblico e que paralisou um comércio milionáriocom a China Desde que uma decisão judicial proibiu o abate de jumentos na Bahia em novembro de 2018, o restaurante de José Bispo dos Santos, na cidade de Amargosa, vive às moscas. [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-batalha-dos-jumentos/">A batalha dos jumentos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p></p>


<h3 style="text-align: center;"><i>Como o animal símbolo do Nordeste virou o centro de uma disputa que envolvereligião, ambientalistas, empresários, poder</i><i>público e que paralisou um comércio milionáriocom a China</i></h3>
<p>Desde que uma decisão judicial proibiu o abate de jumentos na Bahia em novembro de 2018, o restaurante de José Bispo dos Santos, na cidade de Amargosa, vive às moscas. Boa parte dos clientes de Santos, ou Zeca de Patrão, como é conhecido pelos amigos, trabalhava no matadouro da cidade e perdeu o emprego.</p>
<p>O matadouro Frinordeste existia desde junho de 2017, depois que o abate de jumentos fora regulamentado na Bahia como parte de uma negociação internacional entre diplomatas brasileiros e chineses. Os chineses usam o couro do jumento para fabricar ejiao, um remédio que, acredita-se, combate desde o envelhecimento até a falta de apetite sexual das mulheres. Eles também comem a carne do animal.</p>
<p>Mas apreciar um hambúrguer de jumento, comum nas ruas de Pequim, é algo impensável para o baiano Zeca. Apesar dos prejuízos &#8211; além da queda no movimento no restaurante, o filho dele, Luiz Fernando da Cruz, foi um dos que perderam o emprego no frigorífico &#8211; ele é contra o abate agora proibido.</p>
<p>“Os jumentos ajudaram muito meus antepassados, trabalhando”, disse. “O pessoal aqui é fiel ao jegue”.</p>
<div id="attachment_18162" style="width: 1433px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18162" class="size-full wp-image-18162" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/090519MZ_AbeteJumentos_-92.jpg" alt="" width="1423" height="1067"><p id="caption-attachment-18162" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>
<p>Jumentos estão no centro de uma batalha judicial que expõe como diferenças culturais podem ter um peso em questões de comércio internacional — e como o apetite chinês por ejiao causa temores por todo o mundo de que a extinção do jumento seja uma ameaça real.</p>
<p>A demanda por importação de couro pela China está crescendo. Apesar de o país produzir 1,8 milhão de peles por ano, seu consumo é de 4 milhões. Com isso, a China passou a comprar couro de jumento de diversos países em desenvolvimento. A proibição de novembro torna o Brasil o último em uma lista de mais 15 países que baniram o abate de jumentos — a maioria na África.</p>
<p>Mas, diferente de Zeca, quem lucra com o abate de jumentos está longe de desistir da batalha no Brasil.</p>
<h2>Uma conta que não fecha</h2>
<p>Tudo começou com uma portaria publicada pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia, Adab. O documento, com apenas nove artigos, poderia ter se perdido no meio de tantos outros publicados no Diário Oficial de 29 de junho de 2016. Não foi o que aconteceu. Ao regulamentar o abate de jumentos, muares e bardotos em todo território baiano, aqueles poucos artigos mexeram em um vespeiro, tornando-se o estopim para uma acirrada batalha jurídica, econômica e ética.</p>
<p>O documento pretendia resolver o problema histórico dos animais errantes que, “além de provocar acidentes rodoviários, poderiam servir de agentes disseminadores de doenças”.</p>
<p>Apesar de considerados símbolos do Nordeste, nos últimos anos os animais foram largamente abandonados, substituídos por um meio de transporte muito mais rápido, e menos amigável: a motocicleta. No Ceará, o problema se tornou tão grave, que o departamento de trânsito local frequentemente envia equipe para recolher os animais abandonados e evitar acidentes de trânsito. Só no último feriado do ano novo, foram 115 jumentos recolhidos.</p>
<p>Mas a portaria era mais que uma resposta a um novo problema social. Ela dava o sinal verde para o início de um projeto que vinha sendo articulado por empresários e pelo governo baiano há anos: a exportação de carne e couro de jumentos para a China. Um negócio que, na época, a então ministra da Agricultura, Kátia Abreu, afirmou que poderia chegar na casa dos três bilhões de dólares. A articulação existia pelo menos desde 2012, quando foi assinado um acordo comercial sobre jumentos entre China e Brasil.</p>
<p>Dias depois da portaria entrar em vigor, a empresa FrigoCezar, no município de Miguel Calmon/BA, iniciou o abate. Só na primeira semana foram mortos aproximadamente 300 jumentos. Um ano depois, em 26 de junho de 2017, em uma solenidade que contou até com o governador da Bahia, Rui Costa, era inaugurado o frigorífico Frinordeste, vizinho do restaurante de Zeca do Patrão.</p>
<p>O empreendimento, feito em parceria com os chineses, começou a funcionar gerando 150 empregos diretos, 270 indiretos e com a expectativa de produzir e exportar mensalmente 300 toneladas de carne para o mercado asiático.</p>
<div id="attachment_16220" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/guerra-dos-jumentos-2.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-16220" class="size-full wp-image-16220" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/guerra-dos-jumentos-2.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="450"></a><p id="caption-attachment-16220" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>
<p>O Frinordeste é uma sociedade formada por uma empresa brasileira e dois sócios chineses: Zhen Yongwei e Ran Yang. Ambos residem na China, e não foram localizados pela reportagem. A reportagem tentou entrar em contato com seu representante legal no país, mas não obteve retorno.Na esteira do Frinordeste, mais dois frigoríficos começaram a operar no abate de jumentos na Bahia: o Cabra Forte, em Simões Filho, e o Sudoeste, em Itapetinga. O primeiro em dezembro de 2017 e o segundo em agosto de 2018.</p>
<p>Do ponto de vista econômico, a incipiente cadeia produtiva caminhava bem. Somando os três frigoríficos – únicos no Brasil autorizados para o abate de jumentos– foram criados 376 empregos diretos e 1.360 indiretos, segundo dados do governo da Bahia. Além disso, a cadeia produtiva gerava emprego e renda para mais de 500 produtores, vaqueiros e ajudantes na coleta de jumentos abandonados nas diversas regiões do estado.</p>
<p>Mas os argumentos econômicos não convenceram os defensores dos animais, organizados globalmente. Depois de contestar a portaria de 2016 sem sucesso, eles continuaram protestando e, principalmente, brigando na Justiça. Até que, em 30 de novembro de 2018, a juíza Arali Maciel Duarte, da 1ª Vara Federal, em Salvador, concedeu liminar proibindo o abate de jumentos em todo território da Bahia.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://cdn.knightlab.com/libs/timeline3/latest/embed/index.html?source=1ccOxxvEWFph2hhzgWhTDcOiMa8OcijkpbABkLFsP060&amp;font=Default&amp;lang=en&amp;initial_zoom=2&amp;height=650" width="100%" height="650" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<div id="attachment_16216" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/guerra-dos-jumentos-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-16216" class="wp-image-16216 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/guerra-dos-jumentos-3.jpg" alt="" width="1600" height="334"></a><p id="caption-attachment-16216" class="wp-caption-text">Crédito: ONG SOS Animais/Divulgação</p></div>
<p>A decisão resultou de uma ação civil pública contra a União e o Estado da Bahia, de autoria da União Defensora dos Animais – Bicho Feliz, da Rede de Mobilização pela Causa Animal, do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, da SOS Animais de Rua e da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos.</p>
<p>Um fato foi decisivo para que a juíza Arali Maciel suspendesse o abate de jumentos. Em 4 de setembro de 2018, quase 300 animais foram encontrados mortos, provavelmente de fome e sede, em uma fazenda na zona rural de Itapetinga/BA.</p>
<p>O local servia para o confinamento de jumentos antes de serem abatidos no Frigorífico Sudoeste. O caso teve ampla repercussão na mídia e chocou a opinião pública baiana.</p>
<p>Na argumentação, a juíza fala dos maus-tratos sofridos pelos animais na “captura”, durante o transporte e, principalmente, no confinamento. A magistrada demonstrou, ainda, preocupação com questões de saúde pública. Ao não serem cumpridas todas as exigências legais no processo de abate dos jumentos, eles poderiam se tornar transmissor de doenças, argumentou.</p>
<p>Mas foi em uma conta rápida, usando dados do Conselho Regional de Veterinária e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que a juíza construiu seu principal argumento: o plano das novas empresas de abater 200 mil animais por ano poderia levar a extinção dos jumentos nordestinos.</p>
<p>“Com uma estimativa de população atual de 600.000 animais no Nordeste, considerando o ritmo de abate, nos próximos 4 anos a população de jumentos nordestinos estará extinta!&#8221;, escreveu.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/infograficoJumentos2.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16309 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/infograficoJumentos2.png" alt="infograficoJumentos2" width="1920" height="1080"></a></p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/infograficoJumentos1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16307 aligncenter" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/infograficoJumentos1.png" alt="infograficoJumentos1" width="1920" height="1080"></a>O governo da Bahia, por meio da Procuradoria Geral do Estado, tentou derrubar a liminar e restabelecer o abate dos jumentos. Na argumentação, Marcos Sampaio, Procurador Geral do Estado, diz que a juíza extrapolou sua competência administrativa mandando paralisar toda uma cadeia produtiva relevante, “produto de acordos privados e compromissos públicos assumidos internacionalmente” pelo governo da Bahia.</p>
<p>Para o procurador, a proibição do abate nada faria para dirimir a crise que matava os jumentos de fome e sede. “Quando um agente econômico ou público comete uma irregularidade, a ordem não pode ser de proibição da atividade desempenhada, mas de exigir a correção da atitude&#8221;.</p>
<p>A decisão foi mantida em segunda instância. Mas a batalha legal continua.</p>
<h2>Negócio empancado</h2>
<p>Enquanto as entidades protetoras dos animais comemoram a vitória parcial na Justiça Federal, os empresários contabilizam os prejuízos. Ainda é difícil dimensionar seu tamanho. Falta transparência em boa parte da cadeia produtiva de carne e couro de jumentos. Entre as empresas, a regra é o silêncio e a falta de clareza na condução dos negócios. Só para se ter uma ideia, dos três frigoríficos autorizados, apenas o de Simões Filho tem página na internet e canal de comunicação com os clientes.</p>
<p>Dados do Ministério da Agricultura, levantados pelo jornal<a href="https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/justica-proibe-o-abate-de-jumentos-na-bahia-apos-casos-de-maus-tratos/"> Correio da Bahia</a>, apontam que os três frigoríficos autorizados para o abate de jumentos exportaram mais de 25 mil toneladas de carne e couro de “cavalos, asininos e muares”, com uma receita próxima a 40 milhões de dólares, em 2018, para Vietnã e Hong Kong.</p>
<p>Reginaldo Filho, proprietário do Cabra Forte, em Simões Filho, trabalha com abate de animais desde 1997, quando sua família adquiriu o frigorífico que na época operava com bovinos e suínos. Em 2015, ele realizou um estudo para atestar a viabilidade econômica do abate de equídeos (jumentos, muares e bardotos), chegando até a visitar a China. Em dezembro de 2017, após conseguir autorização do Serviço de Inspeção Federal, começou a operar.</p>
<p>Quando veio a proibição, o Cabra Forte abatia cerca de 200 jumentos por dia, de segunda a sexta-feira, com capacidade instalada para chegar a 500. Para isso, contava com 180 funcionários –120 perderam o emprego depois da decisão da justiça. Segundo Reginaldo, o investimento total no projeto foi de cerca de 1,5 milhão de dólares.</p>
<div id="attachment_16221" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/guerra-dos-jumentos-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-16221" class="wp-image-16221 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/guerra-dos-jumentos-4.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="752"></a><p id="caption-attachment-16221" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>
<p>Com um ano de funcionamento, o negócio comandado por Reginaldo ainda não dava lucro. Em média, com a exportação do couro e da carne, a previsão de receita era de R$ 370 por animal abatido. O problema é que, por questões “burocráticas” (faltava alguns certificados), o Cabra Forte não conseguia vender direto para a China, tendo que negociar com Hong Kong e com o Vietnã, cujas empresas atuavam como intermediários. Caso exportasse direto para a China, como era o caso do frigorífico de Amargosa/BA, a receita subiria para R$ 870 por animal. “Havia uma luz no fim do túnel”, lamenta Reginaldo.</p>
<p>O principal interesse dos importadores chineses é o couro. Dele é retirada uma substância que serve de princípio ativo para fazer o ejiao. Seu preço vem subindo, junto com sua popularidade, nos últimos anos. Hoje, uma caixa com 250 gramas do produto custa em torno de 180 dólares.</p>
<div id="attachment_16222" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/guerra-dos-jumentos-5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-16222" class="size-full wp-image-16222" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/guerra-dos-jumentos-5.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="354"></a><p id="caption-attachment-16222" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>
<p>Além da exportação da carne e do couro de jumento, a proibição também afetou outro projeto que o frigorífico Cabra Forte vinha tocando. Inspirado no que viu quando visitou a China, Reginaldo se preparava para inaugurar um centro de equoterapia que atenderia crianças com deficiências ou necessidades especiais, utilizando os animais que não passassem na triagem para o abate.</p>
<p>Além de uma fonte extra de recursos e do aproveitamento de animais que não seriam aproveitados (abaixo do peso ou prenhe), o centro também funcionaria como um projeto social da empresa ao atender gratuitamente crianças das comunidades vizinhas ao frigorífico.</p>
<p>Reginaldo Filho discorda da proibição do abate, mas prefere evitar polêmica. “Tá tudo lá no processo”. Mesmo assim, reclama da demora para se chegar a uma decisão. Segundo ele, isso gera insegurança para quem quer investir no negócio. Reginaldo ressalta que cumpre com todas as normas e está pagando pelos erros dos outros. “Só quem deveria ser punido é quem fez algo errado”.</p>
<p>Ruim para os empresários, pior para os trabalhadores e para os pequenos comerciantes que prosperaram em torno dos frigoríficos . Em Amargosa, por exemplo, cerca de 150 pessoas perderam o emprego com a paralisação das atividades do Frinordeste — incluindo o filho de Zeca do Patrão, dono do restaurante local. Outros 270 postos de trabalhos indiretos também foram fechados.</p>
<p>Lucas Oliveira, de 23 anos, é um dos que foram diretamente afetados pela proibição do abate. Lucas trabalhou como auxiliar de desossa por um ano e meio. Neste período, quando pela primeira vez conseguiu a carteira de trabalho assinada, teve um filho e muitos planos para o futuro. Há quatro meses vive de “bicos” e do seguro-desemprego. “Só eu sei a falta que tá fazendo. Mas a gente tem esperança de voltar”.</p>
<div id="attachment_16219" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/guerra-dos-jumentos-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-16219" class="size-full wp-image-16219" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/guerra-dos-jumentos-1.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="1202"></a><p id="caption-attachment-16219" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>
<h2>Nosso irmão</h2>
<p>Um trecho da polêmica decisão da juíza Arali Maciel Duarte que não foi questionado por nenhuma das partes é a que ressalta a importância do jumento para a população nordestina:</p>
<p>&#8220;A população brasileira e principalmente a nordestina respeita e reconhece a importância histórica e social dos jumentos“, ela escreveu.“Os jumentos têm na história uma contribuição incalculável para o desenvolvimento do país, principalmente do Nordeste.”</p>
<p>A juíza chama atenção às estátuas de jumentos pelos estados nordestinos, e às músicas que foram feitas em homenagem ao bicho. O nome de uma delas, de Luiz Gonzaga, talvez resuma o sentimento que muitos nordestinos têm pelo jumento: “Apologia Ao Jumento (O Jumento É Nosso Irmão)”.</p>
<p><div class="ratio ratio-16x9"><iframe loading="lazy" title="Jumento nosso irmão" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/42cIUOkg_00?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div></p>
<p>Não existe pesquisa de opinião confiável sobre o assunto. Mas a rejeição do nordestino ao abate de jumentos fica clara no apoio às manifestações promovidas pelas organizações de defesa dos animais ou mesmo nos comentários deixados nas redes sociais. Das dezenas de pessoas ouvidas para a elaboração dessa reportagem, com exceção daquelas diretamente envolvidas na cadeia de produção, todas eram contra o abate.</p>
<p>Ao proibir o abate, a juíza não fugiu da questão cultural. Para a maioria dos brasileiros que nasceram na região Nordeste, a relação com o jumento mistura religiosidade, gratidão e estima.<br>Apesar do tamanho relativamente pequeno, o jumento é um animal forte, resistente e que se adaptou perfeitamente ao clima árido que predomina no Nordeste brasileiro. Desde muito tempo, o nordestino tem o animal “que levou o menino Jesus no lombo” como um aliado para o trabalho de arar a terra, carregar a água ou puxar a carroça.</p>
<p>Em uma entrevista publicada no portal do Instituto Humanitas Unisinos, Kátia Lopes, doutora em Ciência Animal e sócia-fundadora da ONG<img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-16236 " src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/texto2.png" alt="texto2" width="430" height="216"><br>Defesa da Natureza e dos Animais, de Mossoró/RN resumiu esse sentimento: “Na formação da nossa civilização muita gente defende que foi<br>no lombo de um jumento que a nação nordestina nasceu. Ele é o símbolo da resistência da nossa região.”</p>
<p>Ao ressaltar o companheirismo entre jumentos e trabalhadores no nordeste, a juíza Duarte deixou escapar ainda uma cutucada na cultura<br>chinesa: “Juntos passavam fome, porém, nunca cogitaram a possibilidade de incluí-los no rol de alimentos.&#8221;</p>
<h2>A guerra de Canudos</h2>
<p>O cenário era de guerra. Quando os fiscais da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente chegaram à fazenda Santa Rita, em Canudos, Sertão do estado, encontraram por volta de 200 jumentos mortos. Outros cerca de 800 animais continuavam confinados ilegalmente no espaço e aparentavam estar desnutridos e desidratados. O cenário foi revelado no dia 1º de fevereiro de 2019, dois meses após a proibição do abate de jumentos pela Justiça Federal.</p>
<p>Segundo o relatório produzido pela fiscalização, o destino dos animais seria o abate em Itapetinga e Amargosa, ambas cidades baianas. A suspensão das atividades pegou de surpresa os responsáveis pelo confinamento e transporte dos jumentos, dois chineses cujos nomes não foram revelados. Sem destino, os animais foram abandonados.</p>
<p>Por conta dos maus-tratos, os jumentos continuaram morrendo na fazenda Santa Rita. Atualmente, apenas cerca de 420 estão vivos. Em uma entrevista por telefone, a bióloga Patrícia Tatemoto, contou que existe o risco de mais mortes devido a uma doença metabólica conhecida por hiperlipemia, sequela das condições adversas . Patrícia é a única representante no Brasil da ONG britânica The Donkey Sanctuary, que atua globalmente na defesa dos jumentos.</p>
<p>A The Donkey Sanctuary faz parte, junto com outras entidades, da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos. Por determinação da justiça, são as entidades que agora têm a tutela dos animais e são responsáveis por mantê-los. Isso, claro, tem um custo elevado e exigem recursos que os ativistas não possuem.</p>
<p>Para se ter uma ideia, o gasto diário só com a alimentação dos sobreviventes é de R$ 890, somado com outras despesas (veterinário, remédios) chega a algo em torno de R$ 50 mil ao mês. Uma campanha de financiamento coletivo, na plataforma Catarse, foi iniciada para arrecadar fundos. Até o momento, apenas 10% da meta estabelecida foram atingidos.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/kADXpEnNepQ" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p><p>O post <a href="https://marcozero.org/a-batalha-dos-jumentos/">A batalha dos jumentos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/a-batalha-dos-jumentos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Agricultoras marcham contra o racismo e em homenagem a Marielle</title>
		<link>https://marcozero.org/agricultoras-marcham-contra-o-racismo-e-em-homenagem-a-marielle/</link>
					<comments>https://marcozero.org/agricultoras-marcham-contra-o-racismo-e-em-homenagem-a-marielle/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Mar 2019 23:08:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Marcha das margaridas]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=14096</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em parceria com De Olho nos Ruralistas No décimo ano da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, as agricultoras e agricultores do Polo da Borborema (PB), junto à associação AS-PTA, reforçaram a pergunta que ecoa em todo o país: “Quem mandou matar Marielle Franco?&#8221;. Mulheres, muitas delas negras como Marielle, integrantes dos 13 [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/agricultoras-marcham-contra-o-racismo-e-em-homenagem-a-marielle/">Agricultoras marcham contra o racismo e em homenagem a Marielle</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Em parceria com <a href="https://deolhonosruralistas.com.br/">De Olho nos Ruralistas</a></strong></p>
<p>No décimo ano da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, as agricultoras e agricultores do Polo da Borborema (PB), junto à associação AS-PTA, reforçaram a pergunta que ecoa em todo o país: “Quem mandou matar Marielle Franco?&#8221;. Mulheres, muitas delas negras como Marielle, integrantes dos 13 sindicatos de trabalhadoras e trabalhadores rurais que fazem parte do polo marcharam pelas ruas do município de Remígio, no Agreste da Paraíba, para falar sobre o combate ao racismo.</p>
<p>A mobilização se concentrou durante cerca de três horas no Alto da Colina e cruzou a cidade até o Parque da Lagoa. O Grupo de Teatro do Polo da Borborema encenou uma peça sobre racismo e machismo ainda no começo do ato. Houve apresentações de Lia de Itamaracá no início e no fim da marcha, que culminou na feira agroecológica &#8220;Sementes e Sabores&#8221;.</p>
<p><div id="attachment_13991" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Mulheres-líderes-camponesas-do-Polo-da-Borborema-na-Paraíba_-8.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-13991" class="wp-image-13991 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Mulheres-líderes-camponesas-do-Polo-da-Borborema-na-Paraíba_-8-1024x683.jpg" alt="Remígio, 12 de março de 2019. Marcha das Margaridas em Remígio, Paraíba." width="702" height="468"></a><p id="caption-attachment-13991" class="wp-caption-text">Sindicato de Trabalhadoras e Trabalhadores de Remígio (PB). Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Tradicionalmente, a marcha acontece no Dia Internacional de Luta das Mulheres, em 8 de março. Mas, sendo o combate ao racismo o tema deste ano e Marielle Franco uma mulher negra e defensora dos direitos humanos assassinada no dia 14 de março de 2018, a coordenação da mobilização decidiu por alterar a data. Segundo a assessora técnica da AS-PTA e da Coordenação da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, Adriana Galvão, o dia foi alterado para o aniversário da morte de Marielle por ser uma data simbólica.</p>
<p>&#8220;Na marcha passada, fizemos o tema da diversidade e já sabíamos que era importante trabalhar com o tema da identidade racial e do racismo. Eu acho que toda a simbologia que Marielle traz de uma mulher negra, periférica, bissexual que ocupa um espaço de poder com grande destaque, isso, por si só, já era uma inspiração para as mulheres locais e de todo o Brasil. Mas, ao calar essa voz, o tema se fortalece muito mais dentro da marcha que vem para homenagear todas as mulheres que foram caladas ao ocupar esses espaços&#8221;.</p>
<p>Segundo dados da AS-PTA, o Polo da Borborema, além dos 13 sindicatos, possui aproximadamente 150 associações comunitárias e uma organização regional de agricultores ecológicos. Os municípios do planalto da Borborema que integram o polo são Solânea, Cassenrengue, Arara, Remígio, Algodão de Jandaíra, Esperança, Areial, Montadas, Lagoa da Roça, Puxinanã, Lagoa Seca, Matinhas, Alagoa Nova, Serra Redonda e Queimadas.</p>
<p>Para além da homenagem a Marielle Franco, as trabalhadoras do campo homenageiam anualmente a sindicalista, agricultora e defensora dos direitos humanos Margarida Maria Alves, assassinada há 50 anos, em Alagoa Grande, na Paraíba. &#8220;A Marcha das Margaridas&#8221; acontece desde 2000, no mês de agosto, e é organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG).</p>
<h2><a href="http://marcozero.org/de-margaridas-a-marielles-a-luta-camponesa-no-interior-da-paraiba/">De Margaridas a Marielles: a luta camponesa no interior da Paraíba</a></h2>
<p><div id="attachment_14069" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/de-margaridas-a-marielles-a-luta-camponesa-no-interior-da-paraiba/"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14069" class="wp-image-14069 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-1-300x168.jpg" alt="Remígio, 14 de março de 2019. Pelo décimo ano, as mulheres do Polo da Borborema, em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, realizaram a “Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia”. O evento surgiu em 2010, com dois grand" width="300" height="168"></a><p id="caption-attachment-14069" class="wp-caption-text">Aposentada Francisca Miguel dos Santos, moradora de Remígio (PB). Crédito: Helena Dias/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Durante toda a caminhada, moradores e comerciantes saiam de suas casas e estabelecimentos para ver as mulheres passarem. A aposentada Francisca Miguel de Souza gosta de ver a mobilização das agricultoras, mas não pode acompanhar a marcha porque há seis anos tem problemas de mobilidade. Filha de trabalhadores rurais, viveu da roça quando era adolescente e hoje complementa a aposentadoria com as vendas do fiteiro.</p>
<p>“A marcha está maravilhosa e muito bonita. Moro nesta rua há40 anos, mas não é sempre que vemos algo assim. Por isso, há dez anos eu vi a primeira marcha passar e faço o mesmo hoje”.</p>
<p><div id="attachment_14070" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14070" class="wp-image-14070 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-2-300x168.jpg" alt="Maria da Paz, aposentada e integrante do grupo de mulheres do CRAS de Lagoa da Roça (PB). Crédito: Helena Dias/MZ Conteúdo" width="300" height="168"></a><p id="caption-attachment-14070" class="wp-caption-text">Maria da Paz, aposentada e integrante do grupo de mulheres do CRAS de Lagoa da Roça (PB). Crédito: Helena Dias/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Maria da Paz, de 67 anos, lembra que estava no Rio de Janeiro quando a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o seu motorista Anderson Gomes foram assassinados a tiros na região central do Rio. Maria foi agricultora durante 40 anos, mas hoje está aposentada e atua no grupo de mulheres do Centro de Referência de Assistência Social do município de Lagoa da Roça.</p>
<p>“Recebi a notícia como um choque, uma tristeza. Até então, eu não conhecia Marielle, mas me reconheço como mulher negra e estou aqui por todas nós, para combater o racismo e lembrar de dizer não à reforma da previdência de Bolsonaro”.</p>
<p>Há também quem vem de longe para apreciar a marcha e se juntar aos cantos de luta das mulheres do campo. A professora de artes do Instituto Nacional de Educação de Surdos (RJ), Maria Lúcia Vinholi, de 53 anos, conheceu a marcha há cinco anos quando produziu estandartes para a mobilização a pedido da AS-PTA. Diz que se encantou com a luta das agricultoras e, principalmente, com a força delas.</p>
<p><div id="attachment_14075" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-54.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14075" class="wp-image-14075 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-54-300x200.jpg" alt="Professora de artes Maria Lúcia Vinholi (RJ). Créditos: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="300" height="200"></a><p id="caption-attachment-14075" class="wp-caption-text">Professora de artes Maria Lúcia Vinholi (RJ). Créditos: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>“Aqui é muito verdadeiro. Há muito envolvimento dos jovens. Eles participam e sabem falar da agroecologia de maneira muito linda, comovente e envolvente. A gente se encanta e tem vontade de compartilhar essa realidade com os jovens de lá (do Rio de Janeiro)”.</p>
<p>Enquanto a marcha seguia por Remígio, a agricultora Josefa Miranda dos Santos, de 58 anos, aguardava a chegada das mulheres no Parque da Lagoa com a sua barraca repleta de frutas agroecológicas para vender na feira “Sementes e Sabores”. Ao mesmo tempo que vendia seus produtos, Josefa respondia à reportagem. “Já me aposentei há quatro anos, mas continuo como agricultora. Participo da marcha desde a primeira, mas só nesta fiquei na feira.”</p>
<p>Quando questionada sobre a sua identificação com Marielle Franco, ela lamenta a morte da vereadora carioca e diz que hoje está ali para representá-la.</p>
<p><div id="attachment_14090" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-128.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14090" class="wp-image-14090 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-128-300x200.jpg" alt="Agricultora Josefa Miranda dos Santos, de Remígio (PB). Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="300" height="200"></a><p id="caption-attachment-14090" class="wp-caption-text">Agricultora Josefa Miranda dos Santos, de Remígio (PB). Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Marcia Araújo dos Santos, 36 anos, é secretaria do Sindicato de Água Seca (PB) e integrante do Grupo de Teatro do Polo da Borborema. Na 10ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, ela interpretou a personagem “Zefinha”, uma jovem negra que sonha em concluir os estudos, mas tem que trabalhar como empregada doméstica para contribuir no sustento da família.</p>
<p>A história encenada por Márcia evidencia como o racismo e o machismo se manifestam no ambiente doméstico e também na relação entre patrões e funcionárias.</p>
<p>“Minha mãe trabalhou em casa de família e essa peça que apresentamos hoje é muito parecida. Minha mãe tinha que dormir num quarto separado da casa dos patrões e só podia almoçar depois que eles almoçassem. Ela me levava para ajudar. Muitas mulheres se identificam com essa realidade. Eu me orgulho de ser negra e agricultora”, conta.</p>
<p><div id="attachment_14077" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-58.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14077" class="wp-image-14077 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-58-1024x682.jpg" alt="Remígio, 14 de março de 2019. Pelo décimo ano, as mulheres do Polo da Borborema, em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, realizaram a “Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia”. O evento surgiu em 2010, com dois grand" width="702" height="467"></a><p id="caption-attachment-14077" class="wp-caption-text">Grupo de Teatro do Polo da Borborema, em Remígio (PB). Crédito: Inês Campelo</p></div></p>
<p>Ao final do ato, que durou cerca de cinco horas, as manifestantes dançavam ciranda ao som de Lia de Itamaracá para mostrar que não existe cansaço na luta pelos direitos do povo do campo. Aquelas que não moram em Remígio começaram a se despedir e ir ao encontro dos ônibus que voltaram para os outros municípios do Planalto da Borborema (PB).</p>
<p>[Best_Wordpress_Gallery id=&#8221;82&#8243; gal_title=&#8221;Marcha das Margaridas&#8221;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/agricultoras-marcham-contra-o-racismo-e-em-homenagem-a-marielle/">Agricultoras marcham contra o racismo e em homenagem a Marielle</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/agricultoras-marcham-contra-o-racismo-e-em-homenagem-a-marielle/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>De Margaridas a Marielles: a luta camponesa no interior da Paraíba</title>
		<link>https://marcozero.org/de-margaridas-a-marielles-a-luta-camponesa-no-interior-da-paraiba/</link>
					<comments>https://marcozero.org/de-margaridas-a-marielles-a-luta-camponesa-no-interior-da-paraiba/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Mar 2019 23:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Marcha das margaridas]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
		<category><![CDATA[Remígio]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=14054</guid>

					<description><![CDATA[<p>de margaridas a marielles by Marco Zero Conteúdo on Exposure</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/de-margaridas-a-marielles-a-luta-camponesa-no-interior-da-paraiba/">De Margaridas a Marielles: a luta camponesa no interior da Paraíba</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe loading="lazy" class="exposure-post-embed" style="width: 100%; height: 750px; margin-bottom: 5px; border: solid 1px #ccc; border-radius: 2px;" src="https://marcozeroconteudo.exposure.co/ebd2df4467b59f502a0e93c4fe4ed508?embed=true" width="300" height="150"></iframe><br />
<a href="https://marcozeroconteudo.exposure.co/ebd2df4467b59f502a0e93c4fe4ed508">de margaridas a marielles</a> by <a href="https://marcozeroconteudo.exposure.co/">Marco Zero Conteúdo</a> on <a style="text-transform: uppercase;" href="https://exposure.co">Exposure</a></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/de-margaridas-a-marielles-a-luta-camponesa-no-interior-da-paraiba/">De Margaridas a Marielles: a luta camponesa no interior da Paraíba</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/de-margaridas-a-marielles-a-luta-camponesa-no-interior-da-paraiba/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Menos médicos onde mais se precisa</title>
		<link>https://marcozero.org/menos-medicos-onde-mais-precisa-2/</link>
					<comments>https://marcozero.org/menos-medicos-onde-mais-precisa-2/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Feb 2019 13:44:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[mais médicos]]></category>
		<category><![CDATA[nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=25988</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Se a pessoa tiver uma alta de pressão aqui, ou morre ou tem que se virar desmaiada pra chegar em Manari”. Foi assim, com uma resposta bem direta, que começou nossa conversa com Valdenici Bezerra de Cristo, de 48 anos, na casa onde ela criou e sustentou sozinha os sete filhos &#8211; “o marido mora [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/menos-medicos-onde-mais-precisa-2/">Menos médicos onde mais se precisa</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Se a pessoa tiver uma alta de pressão aqui, ou morre ou tem que se virar desmaiada pra chegar em Manari”. Foi assim, com uma resposta bem direta, que começou nossa conversa com Valdenici Bezerra de Cristo, de 48 anos, na casa onde ela criou e sustentou sozinha os sete filhos &#8211; “o marido mora noutro Brasil” -, na zona rural do município de pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de Pernambuco. </p>



<p>A Unidade Básica de Saúde (UBS) do Povoado de Umbuzeiro Doce, a 6 quilômetros de Manari, onde vivem 700 pessoas, fica a menos de dez minutos a pé, mas está fechada desde novembro.</p>



<p>Merendeira afastada por invalidez, Valdenici toma remédio controlado contra uma doença neurológica que a família sequer sabe dizer o nome. Também sofre com dores no pescoço, na coluna, nas juntas e nos ossos das pernas. </p>



<p>“Já peguei ela com a mão dentro do fogo sem saber o que tava fazendo”, conta uma parente que pediu para não ter o nome publicado por medo do próprio marido. Com 20 anos, mãe de um filho de dois, que sustenta com os R$ 260 do Bolsa Família, a moça é hipertensa, mas não faz qualquer acompanhamento médico.</p>



<p>A<strong>Marco Zero Conteúdo</strong>visitou, no final de janeiro, Manari, Tupanatinga e Itaíba, os três municípios com pior IDH do estado que ainda não conseguiram preencher as vagas através do novo edital do Mais Médicos, lançado em novembro. </p>



<p>O que vimos foi uma população desamparada em locais onde médicos brasileiros não querem trabalhar. A saída dos cubanos do programa, juntamente com as dificuldades nas contas municipais, provocou um apagão da atenção básica nos lugares mais vulneráveis do Nordeste.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-1-300x167.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-1-1024x570.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-1-1024x570.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0"> Saída dos cubanos do Mais Médicos, juntamente com as dificuldades nas contas municipais, provocou um apagão da atenção básica nos lugares mais vulneráveis do Nordeste (crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Para renovar uma simples requisição de medicamento contra hipertensão, diabetes ou depressão &#8211; três dos principais problemas de saúde no interior -, muita gente precisa se virar para percorrer até 40 quilômetros da zona rural até um hospital municipal, geralmente lotado. Um médico plantonista chega a atender 100 pacientes por dia, como é o caso da unidade hospitalar de Itaíba, onde há somente quatro médicos da atenção básica para 26 mil habitantes.</p>



<p>Algumas UBSs que visitamos contam atualmente com apenas uma enfermeira. Não há médico, técnico de enfermagem &#8211; e consequentemente vacinas -, dentista, auxiliar de saúde bucal nem Agente Comunitário de Saúde (ACS), porque a prefeitura foi obrigada a exonerar os servidores por conta dos gastos com pessoal acima do limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-10-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-10-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-10-1024x683.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">&#8220;Nosso trabalho agora é dando explicações, tentando dar esperança de que vai vir médico&#8221; &#8211;  Márcio Bezerra, ACS há 22 anos (crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>&#8220;Agente Comunitário de Saúde agora é assistente, psicólogo e até delegado”, relata Márcio Bezerra, ACS há 22 anos no Assentamento Barra Verde, a 20 quilômetros de Itaíba. Sozinho, ele cuida de quase 400 famílias. Muitas doenças, como viroses e diarreia, eram contidas no postinho, “mas agora tá complicado, principalmente nesse começo de ano, época de vacina”. E as famílias que não atualizam o cartão de vacinação correm o risco de perder o benefício do Bolsa Família.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-12-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-12-1024x684.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-12-1024x684.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0"> “Aqui é Deus no céu e Mariana (foto) na terra”, brinca o ACS Márcio (crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Aqui é Deus no céu e Mariana na terra”, brinca Márcio. Mariana é a enfermeira, a única profissional de saúde do posto. “Durante a semana, é feita uma escala de agentes de saúde pra me darem uma assistência”, detalha ela, que já chegou a transportar pacientes no seu carro particular para que a pessoa fosse socorrida no hospital de Itaíba.</p>



<p>“Tão bonzinho que tava com os cubanos aqui. Um bocado de vezes já tive que ir com o bebê pra Itaíba porque não tinha médico, uma fila do tamanho do mundo”, lamenta Maísa da Silva, de 19 anos, que também conhecemos na visita à UBS do Barra Verde. Ela mora a 20 quilômetros do postinho. Por sorte, o marido ainda consegue manter uma moto. Mas quem não tem transporte precisa se arriscar pedindo carona aos poucos carros que passam.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-11-300x201.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-11-1024x685.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-11-1024x685.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Família Silva ficou desamparada depois do fim dos Mais Médicos (crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Os três vivem do Bolsa Família, da roça quando o inverno é bom e da produção de leite, que atualmente só dá mesmo para manter as seis vacas porque o preço do litro desabou, sendo vendido a R$ 0,90 aos atravessadores. </p>



<p>“E gelado, viu? Então ainda tem o gasto com a energia”, contabiliza Arlindo de Carvalho, pai de José Arthur. A mãe e a ex-esposa faleceram de problema renal, e o filho do primeiro casamento “nasceu com tireóide”, precisando, desde que veio ao mundo, ir ao Recife periodicamente para conseguir se tratar.</p>



<p>Os médicos cubanos deixaram o Brasil em novembro do ano passado, numa reação aos repetidos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Até 2016, quando a participação dos médicos da ilha caribenha começou a diminuir, 11 mil profissionais vieram para o País numa parceria com o governo federal intermediada pela Organização Pan Americana da Saúde (Opas).</p>



<p>Lançado em 2013, no governo Dilma Rousseff (PT), o Mais Médicos é considerado o maior programa da Atenção Básica da história do Brasil, levando assistência para 63 milhões de brasileiros e para as regiões mais carentes do País. São 18 mil vagas em mais de quatro mil municípios e 34 Distritos Sanitário Indígenas (DSEIs).</p>



<p>O fim da cooperação foi tão brusco que, como os carimbos dos profissionais de Cuba passaram automaticamente a não ter mais validade, as prescrições entregues por eles aos pacientes deixaram de ser aceitas nas farmácias. Então, muita gente que tinha um remédio controlado já receitado, agora precisa enfrentar as longas filas hospitalares para pegar uma receita nova.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-2-300x66.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-2-1024x227.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-2-1024x227.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Imagens da zona rural de Itaíba (crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Por ter CRM, o pediatra cubano Odis Villalon assumiu em dezembro a vaga aberta no povoado de Boqueirão, na zona rural de Tupanatinga, onde vivem 5 mil pessoas, o dobro da cobertura ideal de uma UBS. Ele chegou ao Brasil na primeira leva do programa para trabalhar em Passira, no Agreste, e conseguiu ser aprovado no Revalida em 2015. No tempo livre e nas madrugadas, Odis estudava silenciosamente para passar no exame.</p>



<p>Tendo ficado no Brasil, ele é considerado um desertor e está, por oito anos, impedido de entrar no seu país de origem até mesmo para, na eventualidade de uma morte, enterrar a mãe ou os dois filhos que ficaram lá, que não vê há três anos. De segunda a quinta, Odis atende em Boqueirão. Nas sextas, se dedica aos estudos e é plantonista substituto no Hospital Barão de Lucena, no Recife.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-6-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-6-1024x684.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-6-1024x684.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0"> Pediatra cubano Odis Villalon fez o Revalida e permaneceu no Brasil (crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Os profissionais do Mais Médicos recebem uma bolsa, atualmente no valor de R$ 11,8 mil, e uma ajuda de custo inicial entre R$ 10 mil e R$ 30 mil de deslocamento para o município de atuação. Além disso, todos têm moradia e alimentação custeadas pelas prefeituras. O contrato é de 40h semanais, sendo 32h de atuação e 8h de estudos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-3-300x100.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-3-1024x341.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-3-1024x341.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Imagens da  zona rural de Tupanatinga (crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Antes de vir para cá, Odis realizou quatro outras missões: Gana, Venezuela, Haiti e Bolívia. “É uma besteira falar que os profissionais cubanos não estão preparados”, atesta, lembrando que os cubanos vieram sabendo quais eram os termos do contrato. E como tem sido viver essa escolha de continuar no Brasil?, perguntamos. </p>



<p>Ele explica: no Brasil, conseguiu comprar uma casa no interior do Nordeste &#8211; onde vive com a esposa, cubana, e o filho caçula &#8211; e outro imóvel em Cuba, além de carro, tirar carteira de motorista e ter acesso a produtos e comidas de oferta restrita em Cuba. “Ao Brasil, eu devo tudo”.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe loading="lazy" title="Menos médicos onde mais precisa" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/5ygN7UjEPjY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>Na UBS de Boqueirão, ele atende entre 35 e 40 pessoas por dia, até o último paciente “porque tem gente que percorre 20 quilômetros para chegar aqui”. “Por que o Mais Médicos foi feito? Quem quer ir pro interior, pras áreas indígenas, pra Amazônia? Os cubanos, os estrangeiros, que precisam trabalhar. Essa é a realidade. O médico brasileiro só vai para as grandes cidades e a periferia”.</p>



<p>O presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), José Patriota, prefeito de Afogados da Ingazeira, reforça a fala de Odis, deixando claro o quanto as prefeituras sentiram a ida dos cubanos. </p>



<p>“Eu sempre disse que, mesmo com o Sindicato dos Médicos dizendo que há médico sobrando, sempre iria haver uma lacuna. Os médicos brasileiros, na sua grande maioria, vão se especializar. Agora mesmo tem médicos que acabaram de entrar e já estão deixando o Mais Médicos para ir fazer residência. Não é interessante para eles ocupar esse espaço na saúde básica, mas saúde básica é tudo”, avalia.</p>



<p>“Não há mais possibilidade de os municípios ampliarem seus gastos com saúde. Se o dinheiro do governo federal não vem, pode haver estagnação ou até retrocesso nos avanços do SUS”, argumenta Paulo Dantas, médico aposentado e assessor do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Pernambuco.</p>



<p>Ele acredita que a decisão da cooperação com Cuba foi “acertadíssima” e que era para ser estimulada até que os médicos brasileiros valorizassem a atenção básica, o que não passa somente por uma questão financeira, mas sim cultural.</p>



<p>Depois das primeiras duas chamadas &#8211; somente para profissionais com CRM -,o que se viu foram manobras para esticar prazos e mudar os trâmites, na tentativa de conseguir ocupar as vagas com médicos brasileiros, formados aqui ou no exterior, ou com profissionais revalidados. Os formados no exterior são o alvo da terceira e mais recente chamada, sem necessidade do Revalida, assim como os profissionais estrangeiros que podiam participar do edital, mas que agora precisam aguardar a homologação da última chamada para ocupar as vagas remanescentes.</p>



<p>A primeira chamada do novo edital abriu um total de 8.517 vagas &#8211; 436 delas em Pernambuco &#8211; em 2.824 municípios e 34 distritos indígenas. Agora, na terceira chamada, ainda restam 1.460, e 24 dessas vagas ociosas estão em 13 municípios pernambucanos, incluindo sete no Distrito Sanitário Indígena.</p>



<p>A decisão recente de maior impacto do governo Bolsonaro foi decidir encerrar o Mais Médicos, não haverá novos editais. A estratégia é implantar carreira federal, mas o plano ainda está sendo arquitetado. A novidade foi publicada em primeira mão pelo<a rel="noreferrer noopener" href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/02/06/politica/1549465717_978725.html" target="_blank">El Pais Brasil</a>. A informação veio dias depois do Ministério da Saúde ter adiado o prazo de inscrições para médicos brasileiros formados no exterior e médicos estrangeiros sem CRM. </p>



<p>A lista completa dos brasileiros que estudaram lá fora alocados em cada localidade será divulgada no dia 19 de fevereiro. Somente depois dessa data, será possível saber quantas vagas ainda restarão em aberto para serem ocupadas por médicos de outros países, com destaque para os cubanos que resolveram permanecer no País.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-9-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-9-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-9-1024x683.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Lindinalva Batista e os filhos ficaram sem assistência (crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Enquanto a lentidão impera, brasileiros como Lindinalva Batista, 29 anos, ficam sem assistência. “Minha filha teve febre e dor de cabeça durante três dias. Saímos às 8h de casa, ela com 38 graus e dor na barriga. Chegamos no hospital, não tinha mais ficha. Só conseguimos atendimento porque ela estava vomitando”. Foi assim que Lindinalva descobriu que Jadieli, de sete anos, estava com amigdalite e já desidratada por não conseguir se alimentar.</p>



<p>Mãe também de Jamerson, de 10 anos, e com três meses de gestação, Lindinalva, portadora de catarata congênita, deixou de contar com o acompanhamento no UBS da comunidade quilombola de Caraíbas, perto de casa, mas a 30 quilômetros do centro de Itaíba. </p>



<p>Sem água encanada, a família depende de carro-pipa do exército, que abastece os vizinhos cadastrados, e do lombo do jumento para transportar a água até a cisterna de casa. “Ajuntada” &#8211; o companheiro “vive mais no mundo do que em casa” &#8211; ela sobrevive de serviço, quando arruma. Faz de tudo.</p>



<p>A agricultura de subsistência só existe quando chove: feijão, milho e palma para vender. O que sustenta mesmo a família é o auxílio do bolsa-família, de R$ 246. Se precisar ir ao hospital, gasta R$ 14 de lotação.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-5-268x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-5-916x1024.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-5-916x1024.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">(crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Itaíba é um dos tantos municípios do interior que estão com a corda no pescoço. Por conta da LRF, a despesa total com pessoal não pode ultrapassar 54% da receita corrente líquida para o executivo. Em Itaíba, esse percentual já está perto de 70%. </p>



<p>Grande parte dessa conta vem justamente do gasto com programas como o Saúde da Família, cujas transferências da União não acompanham o aumento da demanda, sem contar com as perdas recentes de arrecadação e a seca prolongada.</p>



<p>No apagar das luzes de 2016, ano em que o ex-prefeito de Itaíba, Juliano Martins (PP), perdeu a reeleição para a atual prefeita Regina da Saúde (PTB), ele nomeou quase 400 servidores, estourando o limite imposto pela LRF num período em que a contratação de pessoal é vedada. Resultado: agora boa parte deles está sendo exonerada. Mais de 20% dos comissionados já não estão mais nos postos de trabalho.</p>



<p>O promotor Jefson Romaniuc explica que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) já expediu uma recomendação e foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), o plano está sendo elaborado. Por causa de dois suicídios e uma tentativa em dois meses, no fim de 2018, a prefeitura conseguiu uma autorização extraordinária para contratar um psiquiatra. O município não contava com a especialidade nem com um Centro de Atenção Psicossocial (Caps).</p>



<p>Itaíba tem 26 mil habitantes e oito unidades de Saúde da Família, sendo sete na área rural. Das oito, seis são ligadas ao Mais Médicos. Cinco médicos se apresentaram, mas uma profissional precisou se afastar por problemas de saúde. </p>



<p>Em resposta à <strong>Marco Zero Conteúdo</strong>, o Ministério da Saúde assegurou que, por se tratar de um caso de saúde, a vaga voltará ao sistema para ser ofertada no edital. “E com a chegada do novo edital, os médicos brasileiros que estavam nas unidades não participantes do programa saíram para assumir o Mais Médicos em Arcoverde e Águas Belas”, detalha o secretário municipal de saúde, Pedro Teotônio.</p>



<p>“É uma verdadeira guerra conseguir médico para cá, a maioria não quer vir. A cidade é distante, não tem muitos atrativos e as estrada são ruins”, lamenta Pedro. “Os cubanos eram diferente, moravam direto aqui”, lembra.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-4-300x146.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-4-1024x499.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-4-1024x499.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0"> Imagens do Centro de Tupanatinga. No canto direito, em baixo, a secretária de saúde, Meyrielly Suammy (crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em Tupanatinga, a saída da prefeitura foi reorganizar o esquema de trabalho deslocando médicos de unidades básicas para o hospital. “Um médico já chegou a atender 150 pessoas num só dia, entre emergências e atendimento de atenção básica”, relata a secretária de saúde, Meyrielly Suammy, filha do prefeito do município, Silvio Roque. </p>



<p>Ela lembra que um brasileiro chegou a se inscrever para a vagas, mas na apresentação pediu para trabalhar só alguns dias da semana, o que não é permitido.</p>



<p>Para agravar ainda mais a situação, a norma vigente estabelece que um dos motivos de suspensão da transferência do incentivo de custeio mensal da União para os municípios é a ausência dos profissionais que compõem as equipes por um período superior a 60 dias. Ou seja, se o posto fica inativo ele perde os recursos.</p>



<p>O Ministério explica que, como o Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde é o instrumento utilizado para o monitoramento e consequente transferência de recursos financeiros para as equipes, quando elas estão sem o médico (ou qualquer outro profissional da equipe mínima), no prazo superior ao permitido, não são visualizadas na base nacional. Por isso, não são repassados incentivos financeiros federais. Para os profissionais do Programa Mais Médicos, vale o mesmo.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-8-300x82.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-8-1024x279.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Menos-médicos-onde-mais-precisa_-8-1024x279.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Juciane Carvalho &#8211; secretária de saúde de Manari. Juce &#8211; ACS em Manari e Mayelin Rodriguez &#8211; médica cubana (crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Era muito bom trabalhar com os cubanos, eles gostavam muito de fazer visitas, palestras. Tudo que a gente chamava pra eles fazerem eles topavam. Não tinha história de quantidade, se tivesse 100 pessoas atendia todo mundo”.</p>



<p>A médica cubana Mayelin Rodriguez, que também permaneceu, traça as diferenças que percebe entre os dois países: “O Brasil é um contraste em tudo. É muito diferente trabalhar aqui e em Cuba. Lá pode ser que não haja as possibilidades econômicas que existem aqui, mas todo mundo é instruído. Todos sabem que uma gripe é tratada só com Dipirona, por exemplo, e muito líquido. Aqui as pessoas gripadas vêm no hospital querendo tomar soro e outros remédios. Quando eu digo que não, algumas pessoas ficam até chateadas. Mas eu tento educar a população e mudar isso. Nós cubanos temos uma formação diferente&#8221;,</p>



<p>Em Manari, duas das quatro vagas deixadas pelos cubanos ainda não foram preenchidas. A secretária de Saúde, Juciane Carvalho, avalia que, apesar disso, não dá ainda para avaliar o prejuízo porque “janeiro é mês de férias, de festa tradicional. Já é de rotina da população daqui não ir aos postos de saúde”. </p>



<p>Ela, que não soube dizer quantos funcionários há e qual o orçamento da pasta, acredita que os médicos ainda irão aparecer em Manari. Dona Valdenici, do início da nossa reportagem, continua aguardando.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/menos-medicos-onde-mais-precisa-2/">Menos médicos onde mais se precisa</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/menos-medicos-onde-mais-precisa-2/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Menos médicos onde mais se precisa</title>
		<link>https://marcozero.org/menos-medicos-onde-mais-precisa/</link>
					<comments>https://marcozero.org/menos-medicos-onde-mais-precisa/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Feb 2019 13:44:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[mais médicos]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=13354</guid>

					<description><![CDATA[<p>menos médicos onde mais precisa by Marco Zero Conteúdo on Exposure</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/menos-medicos-onde-mais-precisa/">Menos médicos onde mais se precisa</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe loading="lazy" class="exposure-post-embed" style="width: 100%; height: 550px; margin-bottom: 5px; border: solid 1px #ccc; border-radius: 2px;" src="https://marcozeroconteudo.exposure.co/2be98c68f4583036d0916f3142bbde16?embed=true" width="300" height="150"></iframe><br />
<a href="https://marcozeroconteudo.exposure.co/2be98c68f4583036d0916f3142bbde16">menos médicos onde mais precisa</a> by <a href="https://marcozeroconteudo.exposure.co/">Marco Zero Conteúdo</a> on <a style="text-transform: uppercase;" href="https://exposure.co">Exposure</a></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/menos-medicos-onde-mais-precisa/">Menos médicos onde mais se precisa</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/menos-medicos-onde-mais-precisa/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Entre duas águas, quatro quilombos</title>
		<link>https://marcozero.org/entre-duas-aguas-quatro-quilombos/</link>
					<comments>https://marcozero.org/entre-duas-aguas-quatro-quilombos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Jan 2019 19:00:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[betânia]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades quilombolas]]></category>
		<category><![CDATA[espedita quilombola]]></category>
		<category><![CDATA[movimento quilombola]]></category>
		<category><![CDATA[quilombola]]></category>
		<category><![CDATA[quilombos]]></category>
		<category><![CDATA[sertão]]></category>
		<category><![CDATA[sertão pernambucano]]></category>
		<category><![CDATA[veradora quilombola]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=12500</guid>

					<description><![CDATA[<p>ENTRE DUAS ÁGUAS, QUATRO QUILOMBOS by Marco Zero Conteúdo on Exposure</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entre-duas-aguas-quatro-quilombos/">Entre duas águas, quatro quilombos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe loading="lazy" class="exposure-post-embed" style="width: 100%; height: 13000px; margin-bottom: 5px; border: solid 1px #ccc; border-radius: 2px;" src="https://marcozeroconteudo.exposure.co/entre-duas-aguas-quatro-quilombos?embed=true" width="300" height="150"></iframe><br />
<a href="https://marcozeroconteudo.exposure.co/entre-duas-aguas-quatro-quilombos">ENTRE DUAS ÁGUAS, QUATRO QUILOMBOS</a> by <a href="https://marcozeroconteudo.exposure.co/">Marco Zero Conteúdo</a> on <a style="text-transform: uppercase;" href="https://exposure.co">Exposure</a></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entre-duas-aguas-quatro-quilombos/">Entre duas águas, quatro quilombos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/entre-duas-aguas-quatro-quilombos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Deus é brasileira e mora no Semiárido</title>
		<link>https://marcozero.org/deus-e-brasileira-e-mora-no-semiarido/</link>
					<comments>https://marcozero.org/deus-e-brasileira-e-mora-no-semiarido/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inês Campelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Oct 2018 20:47:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Paraíba]]></category>
		<category><![CDATA[seca]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=11448</guid>

					<description><![CDATA[<p>DEUS É BRASILEIRa E MORA NO SEMIÁRIDO by Marco Zero Conteúdo on Exposure</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/deus-e-brasileira-e-mora-no-semiarido/">Deus é brasileira e mora no Semiárido</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe class="exposure-post-embed" src="https://marcozeroconteudo.exposure.co/2078ae4d6841150be3813b94a9cdbbaf?embed=true" style="width:100%;height:550px;margin-bottom:5px;border:solid 1px #ccc;border-radius:2px;"></iframe><br />
<a href="https://marcozeroconteudo.exposure.co/2078ae4d6841150be3813b94a9cdbbaf">DEUS É BRASILEIRa E MORA NO SEMIÁRIDO</a> by <a href="https://marcozeroconteudo.exposure.co/">Marco Zero Conteúdo</a> on <a href="https://exposure.co" style="text-transform:uppercase">Exposure</a></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/deus-e-brasileira-e-mora-no-semiarido/">Deus é brasileira e mora no Semiárido</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/deus-e-brasileira-e-mora-no-semiarido/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
