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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Hortas e cozinhas comunitárias: mulheres do sertão potiguar buscam a independência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 21:59:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[AS-PTA]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Públicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caraúbas (RN) &#8211; A cozinha comunitária do assentamento São José se abre para o sertão. No mês de setembro, a memória das chuvas já não está presente nos arbustos e nas árvores da caatinga. A paisagem da porta pra fora é bonita: quase tudo seco, mas vivo, debaixo de um imenso céu azul, ainda maior [&#8230;]</p>
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<p><strong>Caraúbas (RN) &#8211; </strong>A cozinha comunitária do assentamento São José se abre para o sertão. No mês de setembro, a memória das chuvas já não está presente nos arbustos e nas árvores da caatinga. A paisagem da porta pra fora é bonita: quase tudo seco, mas vivo, debaixo de um imenso céu azul, ainda maior que o calor que faz na região do Médio Oeste do Rio Grande do Norte. Dentro da cozinha, perto de forno e fogão, mulheres agricultoras buscam o sonho da independência e de uma vida melhor.</p>



<p>Alexsandra Farias de Oliveira, conhecida como Sandra, é a líder do grupo de mulheres do assentamento. Ela conta que a cozinha comunitária foi construída em 2012, por meio de um projeto captado pela ong Diaconia, que também implementou uma cozinha semelhante para outro grupo de mulheres, as do assentamento Ursulina.</p>



<p>A Marco Zero visitou em setembro essas duas cozinhas em Caraúbas para entender como elas fortalecem as mulheres agricultoras do sertão e ajudam no fornecimento da merenda de mais de 2,5 mil alunos das 24 escolas do município.</p>



<p>A cozinha do assentamento São José conta hoje com a participação de cinco mulheres. Depois de passar por cursos e capacitações, começaram a produzir salgados, doces &#8211; o de mamão com coco é um dos destaques –, biscoitos e outros quitutes. Por um tempo, venderam a produção delas na feira da cidade. “Depois da pandemia, o movimento diminuiu. As pessoas não estão mais adaptadas a lanchar na feira”, comenta Sandra.</p>



<p>Hoje, elas produzem por encomenda ou quando surge alguma ocasião especial. Para Josilene Ferreira de Lima, conhecida como Rosa, trabalhar na cozinha significa ter uma renda extra. “Consigo pagar alguma conta ou comprar algo de necessidade. Em meses bons, cada uma consegue tirar cerca de R$ 500. Nos meses ruins, não chega nada”, conta. Neste mês de outubro as mulheres do assentamento São José devem começar a produzir bolos para a merenda escolar do município.</p>



<p>Para as mulheres do assentamento de Ursulina, também na zona Rural de Caraúbas, a venda para a merenda escolar, através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), é muito importante para a melhoria de vida delas. “No ano passado, cheguei a tirar quase R$ 900 com cada pedido. E teve mês que foram dois pedidos. Foi ótimo e deu para pagar as contas em casa”, conta índia Batista de Oliveira, uma das cozinheiras de Ursulina.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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<p>Este ano, porém, a prefeitura de Caraúbas começou apenas neste mês a fazer os pedidos de bolos para as escolas municipais. “É ruim porque a gente se prepara para fazer essa produção e os pedidos demoram a chegar”, diz Dilvânia Fernandes, líder do grupo de mulheres de Ursulina. “Mas quando pedem é bom. Porque os pedidos são muito grandes e o pagamento não demora”, completa.</p>



<p>Com as eleições batendo na porta, Dilvânia fala da importância de se votar em candidatos e candidatas que apoiem as mulheres e a agricultura familiar. “Eu acho que os políticos poderiam olhar mais para o trabalho das mulheres, que não é um trabalho fácil. A gente acorda de manhã cedo para cuidar de filho, cuidar de casa, cuidar de tudo. E e ainda temos tempo para batalhar pelo que a gente sonha”, diz.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Um quintal que é uma feira</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Aos 77 anos, a agricultora Joana da Conceição Fernandes mora com a mãe, de 97 anos, e uma neta numa casa com quintal grande no assentamento Ursulina.  Acorda cedo, antes do sol nascer, para preparar o café da manhã. Nos primeiros raios de sol, abre a porta da cozinha e se depara com um quintal que mais parece um sítio. Tem uma dezena de fruteiras, diversos legumes e plantas medicinais. Ainda cedinho, liga a bomba para encher uns tambores e vai com uma moringa aguando cada planta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A casa dela é considerada um quintal produtivo, mas dona Joana não vende nada da sua produção. O consumo é feito pela casa dela e as famílias dos três dos nove filhos que moram no assentamento de Ursulina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos fundos do quintal, ainda há espaço para animais. Dona Joana cuida de dois porcos, muitas galinhas e algumas cabras. “Toda a vida eu gostei de plantar. Muitas coisas que eu tenho aqui eu já não compro. Faço minha feira no quintal”, conta. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Um quadradinho verde no sertão</h2>



<p>No meio da paisagem da estação seca do sertão, a horta das mulheres de São José é um quadradinho verde e produtivo. Mas é preciso muitos cuidados para mantê-la assim. Com a ajuda da irrigação por aspersão, três mulheres da comunidade plantam e colhem coentro, couve, cebolinha, mamão, pimentão, alface. A irrigação tem que ser cuidadosa, já que a água usada é bastante salina e pode prejudicar a qualidade do solo, podendo até mesmo levar ao processo de desertificação.</p>



<p>Como o sol em Caraúbas é inclemente, também é necessário oferecer algum tipo de sombra para que as verduras cresçam. Isso é feito com o uso de redes que cercam toda a horta, garantindo também que animais não entrem na horta. Toda a assistência técnica para a produção dos alimentos veio por meio de projetos da Diaconia. </p>



<p>Cedinho da manhã, Damiana Veríssimo já está pela horta para dar água para as plantas. Liga a irrigação no que dá e rega restante com balde. “Quando é dia de plantar, a gente planta; quando é dia de colher, a gente colhe”, conta Damiana.</p>



<p>O que é produzido pelas mulheres é vendido e, depois de retirado os custos, dividido entre elas. Vendem para a prefeitura de Caraúbas, pelo PNAE e pelo PAA, na feira e por delivery. Mesmo plantando sem o uso de agrotóxicos, não conseguem melhorar o preço da venda na feira. “Só quando é pelo governo que conseguimos um preço melhor, por ser um produto orgânico. Na feira, a gente tem que vender pelo preço que as outras barracas, que plantam com veneno, vendem. se não for assim, ninguém compra”, lamenta Maria das Dores Veríssimo, agricultora do grupo de mulheres.</p>



<p>Na lida diária, na horta ou na cozinha comunitária, as agricultoras ainda têm que enfrentar o machismo. Fazer com que maridos e companheiros entendam o valor do trabalho delas não é uma tarefa simples. “Quando o projeto da Diaconia chegou aqui, chamaram os homens para uma reunião. Eles não foram. Tiveram então que ir de casa em casa, explicando como era importante que as mulheres participassem desse processo”, relembra Sandra.</p>



<p>Ela própria teve problemas para o marido aceitar que ela também tinha voz na comunidade.<br>“Eu nunca deixei de fazer o que eu queria, eu quis trabalhar porque eu quis ser dona de mim. Nas reuniões da associação, a gente não quer ser mais do que o homem. Queremos o nosso lugar, o nosso respeito. Queremos ter a nossa própria renda pra gente sobreviver, pra não ficar dependendo do marido. Se a gente está cozinhando, plantando, estamos ajudando em casa”, diz.</p>



<p>Foi com muito esforço que o marido de Sandra compreendeu o valor do trabalho dela. E até passou a ajudá-la na horta comunitária das mulheres. Mas uma tragédia aconteceu em 2016: ele estava trabalhando para levar água para a horta quando levou um choque elétrico ao tocar em uma bomba de água, falecendo na hora.</p>



<p>Na casa de Rosa, as disputas são constantes, mas ela não abre mão de participar das atividades da cozinha comunitária. “A gente briga direto. Ele gosta de tudo que eu levo pra casa da horta, mas há 14 anos que a gente briga porque ele não quer que eu vá para lá. Mas eu só saio de lá quando eu morrer. Enquanto eu tiver vida, vou plantar”, disse Rosa.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Plantas medicinais no quintal de casa</span>

		<p><!-- wp:heading {"level":4} --></p>
<p>Embiratanha, imburana, mastruz e quixabeira são algumas das plantas medicinais que Vanusa Vieira de Lima coloca na garrafada que serve “para tudo”. Moradora do assentamento Primeiro de Maio, ela também produz garrafadas com propriedades antiinflamatórias e para problemas respiratórios, infertilidade e outras tantas enfermidades.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>“Tomo todo dia a garrafada antiinflamatória. Não sinto nenhum tipo de dor e todos meus exames são bons”, conta. Quase todas as plantas que usa, ela colhe no quintal de casa. Outras, nas matas de caatinga perto do assentamento.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Vanusa aprendeu a fazer as garrafadas na tentativa e erro. “Quem fazia aqui no assentamento se aposentou e não deu as receitas. como eu já sabia quais eram as plantas que se usava para cada coisa, fui testando quanto de açúcar era necessário para cada produto”, conta. Para atender a todos os públicos, ela faz garrafas com e sem açúcar.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Durante anos, Vanusa liderou a horta comunitária das mulheres do assentamento. Todo sábado vendia os produtos na feira e tirava uma renda que ajudava na casa. Mas as mulheres que trabalhavam com ela na horta foram saindo, mudando de residência ou de interesses sozinha, Vanusa não conseguiu mais dar conta. Mudou parte da horta para o quintal dela, que tem de quase tudo um pouco.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A horta foi doada para uma escola técnica do assentamento e Vanusa concentrou sua produção nas plantas medicinais. Vende as garrafadas na feira e por encomenda, por preços que variam de R$13 a R$25. “Tudo que levo, eu vendo. Eu acho muito bom trabalhar. A minha vontade é de crescer. Porque a gente que mora na zona rural já sabe que é muito difícil as condições de vida. Mas enquanto eu tiver vida e saúde, ter coragem, eu tenho o suficiente”, diz.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Compras públicas ajudam a agricultura familiar</h2>



<p>O trabalho das mulheres nas hortas, nos quintais e nas cozinhas é fortalecido pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). São dois programas do Governo Federal, geridos pelos municípios, em que há o repasse de verba para a compra direta a agricultores e agricultoras, como pessoa física ou em associações e cooperativas.</p>



<p>Neste ano, Caraúbas recebeu R$369 mil do PNAE para a compra de alimentos para a merenda dos alunos das escolas de Caraúbas. O PNAE destina pelo menos 30% da verba repassada para cada município para a compra de alimentos produzidos pela agricultura familiar. Mas nem sempre as prefeituras conseguem cumprir essa meta. “O número de agricultores vem diminuindo aqui na região”, lamenta a nutricionista Mona Lídghya Pessoa, responsável técnica pela compra de alimentos para o PNAE em Caraúbas. “Os jovens preferem ir para as cidades, em busca de empregos. Ou ficam na zona rural, mas vão trabalhar nos projetos de frutas para fazer polpa, para exportação. Não ficam mais na agricultura. Mas com os programas, conseguem vender mais e, quem sabe, continuar trabalhando no campo&#8221;, completa. </p>



<p>Para ter uma ideia de quem são os agricultores e agricultoras do município que podem fornecer produtos para os programas do Governo Federal, a prefeitura de Caraúbas realizou de 2020 para cá dois mapeamentos no município. “Praticamente não houve mudança. Hoje, em 2024, nós temos como fornecedores a CooperUba, que é uma cooperativa, e quatro fornecedores individuais. Nos mapeamentos fazemos um trabalho para que outros agricultores se cadastrem nos programas, mas alguns alegam burocracia, mesmo a gente facilitando, e outros dizem que não têm interesse, porque consideram o valor de compra baixo”, afirma a nutricionista.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/cirandas-da-borborema-o-que-prefeitos-podem-fazer-para-incentivar-jovens-a-permanecerem-no-campo/" class="titulo">Cirandas da Borborema: o que prefeitos podem fazer para incentivar jovens a permanecerem no campo</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/sementes-crioulas-como-as-prefeituras-podem-ajudar-os-agricultores-a-produzirem-alimentos-saudaveis/" class="titulo">Sementes crioulas: como as prefeituras podem ajudar os agricultores a produzirem alimentos saudáveis</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/semiarido/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Semiárido</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>A equipe de reportagem visitou os territórios a partir do convite da Rede ATER NE e AS-PTA, que executam o <strong>Projeto Cultivando Futuros: transição agroecológica justa em sistemas alimentares do Semiárido brasileiro.</strong> A iniciativa também é desenvolvida na Alemanha pela agência de cooperação internacional Pão para o Mundo (Brot fur de Welt, nome em alemão). A ação tem financiamento do Ministério Federal da Alimentação e da Agricultura da Alemanha (BMEL, na sigla em alemão).</p>
    </div>
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		<title>Sementes crioulas: como as prefeituras podem ajudar os agricultores a produzirem alimentos saudáveis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2024 22:37:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Alimentação saudável]]></category>
		<category><![CDATA[AS-PTA]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Paraíba]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Programa de Sementes de Lagoa Seca, criada pela lei municipal 206/2014, a &#8220;lei de sementes&#8221;, foi o primeiro a ser implantado na região da Serra da Borborema, semiárido paraibano. Exemplo para municípios vizinhos, o programa garante o cultivo, o repasse e o beneficiamento das &#8220;sementes da paixão&#8221; &#8211; como se chama na região as [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Programa de Sementes de Lagoa Seca, criada pela lei municipal 206/2014, a &#8220;lei de sementes&#8221;, foi o primeiro a ser implantado na região da Serra da Borborema, semiárido paraibano. Exemplo para municípios vizinhos, o programa garante o cultivo, o repasse e o beneficiamento das &#8220;sementes da paixão&#8221; &#8211; como se chama na região as sementes crioulas, produzidas pelas famílias agricultoras que adotam a agroecologia -, assim como veta a compra e distribuição de sementes transgênicas e híbridas pela gestão municipal.</p>



<p>Esta conquista para as famílias agricultoras do território só aconteceu a partir da luta e da organização de diferentes atores do município, como o sindicato dos trabalhadores rurais e as organizações da sociedade civil. Foi o então vereador Nelson Anacleto, à época filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), quem propôs e aprovou a lei na câmara dos vereadores da cidade, mas a ideia só saiu do papel em 2021, quando o próprio Anacleto assumiu a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do município.</p>



<p>Foram mais de seis anos para que a lei fosse efetivamente implantada, e isso só aconteceu, segundo Anacleto, a partir da vontade política da gestão municipal. “Tem que ter decisão política. Você tem que ter a lei formal, a mobilização social e a decisão política”, reforça o ex-secretário, atual candidato a vereador da cidade, pleiteando um quarto mandato.</p>



<p>A decisão política, no caso de Lagoa Seca, se materializou no momento em que a prefeitura comprou aproximadamente 1.400 quilos de sementes crioulas em outros municípios para viabilizar a implantação do programa, pois a região vinha passando por uma seca que durou quase dez anos. Com isso, foram beneficiadas em torno de 120 famílias agricultoras e, a partir do segundo ano, não houve mais necessidade de comprar sementes de outros municípios, pois, mesmo com a seca, os agricultores conseguiram uma boa produção. No último levantamento, realizado em 2023, o Programa Municipal de Sementes conseguiu comprar cinco toneladas das famílias agricultoras locais. </p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A apenas nove quilômetros de Campina Grande e com aproximadamente 28 mil habitantes, Lagoa Seca possui dois terços da população residente na zona rural, sendo essencial uma política pública que fortaleça estes territórios e os sistemas alimentares baseados na agricultura familiar e agroecologia.</p>
        </div>
    </div>



<p>Mas o programa vai além de apenas entregar as sementes. Desde a implantação, é realizado o acompanhamento para do plantio, manejo e controle de qualidade dessas sementes para assegurar a produção e manutenção do programa pelos anos seguintes. Noaldo de Andrade, atual secretário de agricultura, explica que a seleção das famílias escolhidas para receber as sementes é feita com base nesse acompanhamento.</p>



<p>Um dos agricultores familiares do território que receberam as sementes crioulas foi William Gertrude dos Santos, de 34 anos, que havia perdido sua plantação de batatas doce após o período de seca. Com as sementes e o auxílio teórico e técnico da prefeitura e da AS-PTA (organização não governamental que atua na região há 31 anos no fortalecimento da agricultura familiar e do desenvolvimento rural sustentável), o agricultor viu os bons frutos aparecerem.</p>



<p>“Os primeiros anos também de cultivo foram excelentes, porque eu peguei bons anos de inverno. Plantei feijão preto, o feijão carioca também, e coloquei em torno de 10 sacos para a secretaria de agricultura. O milho também foi uma bênção, as espigas eram muito bonitas”, afirma William. “A vizinhança ficou admirada por eu conseguir cultivar uma lavoura livre de veneno, livre de qualquer tipo de agrotóxico”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/54024280887_377ae187f3_c.jpg" alt="A imagem mostra um homem branco, de meia idade, de cabelos curtos e óculos de grau pé sob um terraço com telhado com telhas expostas, segurando três espigas de milho. As espigas têm grãos amarelos brilhantes e estão parcialmente descascadas, revelando os grãos. A pessoa está vestindo uma camiseta rosa com a palavra “destaque” impressa em letras brancas. Ao fundo, há vegetação e uma estrutura que sugere um ambiente rural ou de fazenda." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">William não esconde a satisfação com a produção das sementes crioulas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Com o programa municipal de sementes os agricultores voltaram a preservar e abastecer não só os bancos comunitários de sementes, mas os banco de sementes familiares. Eles possuem sementes suficientes para vender à prefeitura e guardar para os próximos plantios. Os bancos comunitários de sementes são essenciais para agricultura familiar na região da Borborema. Estima-se que a região possui 60 bancos de sementes abastecidos pelos próprios agricultores.</p>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">Exemplo a ser seguido</h2>



<p>O que William vivenciou em Lagoa Seca, também é a realidade da jovem agricultora do município de Montadas, Valéria dos Santos, de 26 anos. Filha e neta de agricultores &#8211; assim como Willliam -, ela perpetua os conhecimentos familiares no manejo das sementes crioulas. A jovem, que começou plantando no sítio dos pais, hoje possui dois hectares dedicados ao cultivo de alimentos saudáveis com o uso de sementes crioulas.</p>



<p>“Hoje em dia é difícil a gente encontrar uma semente que seja livre de transgênicos, livre de produtos químicos que são colocados na semente para conservar. Então a gente ter essa oportunidade de ter acesso a uma semente de qualidade é excelente”, explica Valéria.</p>



<p>Oa esforços para replicar em Montadas um programa municipal de sementes semelhante inspirado na experiência de Lagoa Seca, aconteceu a partir da articulação do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável para implantar seu próprio programa de sementes, em parceria com representações da sociedade civil, do sindicato dos trabalhadores rurais, da prefeitura e da Empresa de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer).</p>



<p>Com o aporte de recursos inicial da prefeitura, o programa de sementes de Montadas teve início com a compra de 1.200 quilos de feijão e 600 quilos de milho. A distribuição ocorre com dez quilos de feijão e cinco quilos de milho para cada agricultor fazer o seu plantio, mas requer a devolução de um quilo a mais do que foi retirado, ou seja, se o agricultor recebe dez quilos, ele precisa devolver 11 quilos para reforçar o banco de sementes. Pelo menos 150 famílias agricultoras são beneficiadas diretamente pelo programa.</p>



<p>“No ato da distribuição o agricultor nos dá algumas informações, tipo o endereço dele, a localidade e a comunidade onde ele vai realizar o plantio e a gente acompanha. Geralmente a gente faz algumas visitas aos sítios no período de colheita para saber como é que tá a colheita das famílias, se estão tendo uma boa produção. Depois a gente vai novamente informando a eles que já estamos recebendo a semente”, relata Edmilson Vieira, secretário de Agricultura de Montadas e integrante do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/sementes-6-paixao.jpg" alt="A imagem mostra várias sacolas de papel marrom alinhadas em fileiras, estendendo-se ao fundo onde se tornam menos nítidas devido à profundidade de campo. Cada sacola tem um texto impresso que inclui as palavras “SEMENTES DA PAIXÃO” e “10 kg”." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Nos 13 municípios da Borborema há, pelo menos, 60 bancos comunitários de sementes
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Diferente de Lagoa Seca, o município de Montadas tem um desafio a mais no plantio do milho da paixão. Segundo os agricultores, no território existe um latifundiário que possui criação de aves e, para alimentá-las, planta milho transgênico. Por isso, o milho crioulo de propriedades vizinhas está sempre correndo o risco de ser contaminado.</p>



<p>As sementes transgênicas são oriundas de organismos geneticamente modificados (OGMs), isso quer dizer que foram alteradas geneticamente, com inclusão de DNA de outra espécie. Geralmente são utilizadas por ter uma resistência maior a pragas e tolerância a herbicidas. Se plantadas próximas a lavouras orgânicas ou agroecológicas podem contaminá-las por diversos fatores. No caso do milho, ocorre a polinização cruzada de forma natural, através do vento e das abelhas, por isso a dificuldade em plantá-los em territórios próximos de lavouras de transgênicos.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Resgate do plantio das batatinhas sementes </span>

		<p>Montadas já foi conhecida como a terra da batatinha, mas na época da &#8220;revolução verde&#8221;, onde se realizava financiamentos rurais com a distribuição de pacotes de agrotóxicos, as condições de plantio ficaram difíceis para este tipo de alimento. Com isso, a babatinha ficou quase extinta entre os agricultores familiares.</p>
<p>Nos últimos anos, um forte movimento dos sindicatos do Polo da Borborema &#8211; rede de sindicatos rurais e 150 associações comunitárias de 13 municípios &#8211; para resgatar o plantio das batatas, agora, de forma agroecológica. Hoje, aproximadamente 25 famílias agricultoras já trabalham com esse cultivo, incluindo William e Valéria, mencionados acima.</p>
<p>Entre as iniciativas para resgatar o cultivo das batatas é a implementação de uma unidade frigorífica no Banco Mãe de Sementes, no município de Lagoa Seca, que possibilita que os agricultores armazenem suas batatinhas sementes para o próximo período de plantio. O estímulo da produção possui a articulação dos sindicatos do Polo, da AS-PTA, do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e de outras organizações parceiras.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">As mulheres agricultoras na disputa eleitoral</h3>



<p>A articulação sindical do Polo da Borborema tem sido essencial para as conquistas dos agricultores e agricultoras da região, conhecida pelas lutas sociais conduzidas por Margarida Maria Alves, liderança assassinada por fazendeiros em 1983. Nestas eleições, várias mulheres agricultoras, com atuação como sindicalistas, tentam se eleger para as câmaras de vereadores dos seus municípios com o objetivo de defender e fortalecer os princípios da agricultura familiar e agroecológica. </p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:27% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/sementes-7-marizelda.jpg" alt="" class="wp-image-66354 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Em Esperança, Marizelda Salviano (foto à esq.) foi vice-presidente do sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agriculturas Familiares, mas se afastou do cargo para pleitear uma vaga como vereadora filiada ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Com um histórico de militância, Marizelda iniciou sua trajetória nos movimentos sociais e, há 14 anos, é uma das principais lideranças entre os agricultores da região.</p>
</div></div>



<p>&#8220;A gente vai estar na câmara pelos agricultores para trabalhar na região da Borborema pela agroecologia, com o movimento de mulheres, para travar o debate pelo não uso de transgênicos e do não uso do veneno. Eles que plantam e colhem e muitas vezes não têm como vender. É uma luta nossa quando a gente olha para o todo, quando o governo não favorece as sementes crioulas&#8221;, afirma.</p>



<p>Se for eleita, uma das suas propostas é criar em Esperança uma lei semelhante a de Lagoa Seca e Montadas, para que os agricultores tenham as sementes das paixões preservadas e valorizadas para garantir a soberania e segurança alimentar no município. &#8220;É garantir que essas sementes sejam preservadas, mas também identificar como levar esses alimentos para a mesa das famílias e para a merenda escolar&#8221;, assegura Marizelda. </p>



<p>Segundo a candidata, hoje o município tem aproximadamente 35% da merenda escolar oriunda da agricultura familiar. Uma de suas metas é chegar aos 100%, garantindo a alimentação saudável das crianças e adolescentes do município. Também há a intenção de levar os alimentos dos produtores locais para os outros equipamentos públicos que, de alguma forma, distribuem alimentos. </p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:29% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/sementes-1-Ana-Paula.jpg" alt="" class="wp-image-66358 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Não muito distante de Esperança, a sindicalista Ana Paula Cândido (foto à dir.), também está na corrida por uma vaga na câmara de Queimadas pelo PP. A base da sua campanha se estrutura na valorização de projetos voltados para o homem, a mulher do campo e a juventude rural. Uma das propostas é que os agricultores possam produzir suas sementes com destino certo, sendo compradas pela secretaria de agricultura e distribuídas nos bancos de sementes comunitários que já existem.</p>
</div></div>



<p>&#8220;E com esse projeto, a economia vai girar dentro do nosso município, onde os agricultores vão produzir, vão ter recurso em dinheiro, mas também os outros agricultores vão ser beneficiados com as sementes de boa qualidade para o plantio, para a própria alimentação dos animais&#8221;, afirma Ana Paula. Segundo ela, o sindicato dos trabalhadores rurais já tentou emplacar este projeto na câmara municipal com os atuais vereadores, mas não obteve sucesso. </p>



<p>Para fortalecer ainda mais a comercialização dos produtos oriundos da agricultura familiar, Paula também fala da certificação a partir do selo SIM, o Serviço de Inspeção Municipal. &#8220;Que a gente possa produzir os nossos alimentos, as polpas, os derivados, mas que a gente possa colocar na merenda escolar, mas a gente tem uma dificuldade dentro do município&#8221;, reforça. Para as áreas rurais, a candidatura também propõe o reflorestamento de áreas afetadas pelo desmatamento e políticas de cuidados para os animais dos agricultores com profissionais do próprio município. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/cirandas-da-borborema-o-que-prefeitos-podem-fazer-para-incentivar-jovens-a-permanecerem-no-campo/" class="titulo">Cirandas da Borborema: o que prefeitos podem fazer para incentivar jovens a permanecerem no campo</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>A equipe de reportagem visitou os territórios a partir do convite da Rede ATER NE e AS-PTA, que executam o <strong>Projeto Cultivando Futuros: transição agroecológica justa em sistemas alimentares do Semiárido brasileiro.</strong> A iniciativa também é desenvolvida na Alemanha pela agência de cooperação internacional Pão para o Mundo (Brot fur de Welt, nome em alemão). A ação tem financiamento do Ministério Federal da Alimentação e da Agricultura da Alemanha (BMEL, na sigla em alemão).</p>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/sementes-crioulas-como-as-prefeituras-podem-ajudar-os-agricultores-a-produzirem-alimentos-saudaveis/">Sementes crioulas: como as prefeituras podem ajudar os agricultores a produzirem alimentos saudáveis</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/sementes-crioulas-como-as-prefeituras-podem-ajudar-os-agricultores-a-produzirem-alimentos-saudaveis/feed/</wfw:commentRss>
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			</item>
		<item>
		<title>Mulheres da Paraíba voltam a marchar em protesto contra impactos dos parques eólicos</title>
		<link>https://marcozero.org/mulheres-da-paraiba-voltam-a-marchar-em-protesto-contra-impactos-dos-parques-eolicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Mar 2023 21:38:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[AS-PTA]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[marcha das mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Paraíba]]></category>
		<category><![CDATA[parques eólicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Géssica Amorim, do Coletivo Acauã Pela segunda vez consecutiva, a agricultora Roselma de Melo, 35, participa da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia organizada pela coordenação de mulheres do Polo da Borborema, na Paraíba. Esse ano, ela viajou cerca de 280 quilômetros, de Caetés, em Pernambuco, até o município paraibano de Montadas, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Géssica Amorim, do</strong> <strong><a href="https://instagram.com/coletivoacaua?igshid=YmMyMTA2M2Y=" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coletivo Acauã</a></strong></p>



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	                </figure>

	


<p>Pela segunda vez consecutiva, a agricultora Roselma de Melo, 35, participa da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia organizada pela coordenação de mulheres do Polo da Borborema, na Paraíba. Esse ano, ela viajou cerca de 280 quilômetros, de Caetés, em Pernambuco, até o município paraibano de Montadas, onde aconteceu, na última quinta-feira (16), a 14° edição da marcha.&nbsp;</p>



<p>Roselma compareceu ao evento para compartilhar com os quase 5 mil agricultores e agricultoras presentes os problemas e as angústias que sua família e seus vizinhos estão vivendo desde 2015, ano da instalação das torres dos aerogeradores do Complexo Eólico Ventos de São Clemente, na zona rural de Caetés.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Na última edição da marcha, a agricultora conversou com a repórter Giovanna Carneiro, da Marco Zero Conteúdo, sobre os danos que essas instalações trouxeram para a sua vida e de seus familiares. Um ano depois, durante o nosso encontro em Montadas, o depoimento da agricultora traz a confirmação de que a produção de energia eólica não é livre de impactos negativos e o seu discurso reforça a necessidade de atenção para o fato de que, além da transformação na paisagem e na vegetação nativa dos territórios onde as torres são instaladas,&nbsp; há o impacto direto na vida dos moradores e moradoras das proximidades dos locais os aerogeradores são instalados.</p>



<p>Desde então, pouca coisa mudou na vida de Roselma e da sua comunidade.</p>



<p>“O primeiro problema é que eles ficaram em cima das nossas casas. Depois, começaram os problemas de saúde do pessoal: depressão, ansiedade, problemas de audição. A comunidade inteira está com esses problemas. Pra dormir, mesmo, tem que ser à base de medicamento”.</p>



<p>No palco da Marcha, Roselma revela que faz uso constante de ansiolíticos e antidepressivos, desde que as torres foram instaladas no Sítio Sobradinho, comunidade rural de Caetés, onde ela vive. “Eu desenvolvi problemas de ansiedade e depressão, preciso tomar remédio pra controlar isso e pra dormir. Uma das torres está a 160 metros da minha casa, nós moramos dentro do parque, praticamente. É um barulho que não tem fim, parece um avião que não pousa nunca. Aquele barulho o tempo inteiro na nossa cabeça. Eu estou aqui pra tentar alertar as pessoas, pra não deixarem acontecer por aqui o que aconteceu com a gente”.&nbsp;</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/entenda-porque-os-parques-de-energia-eolica-estao-piorando-a-vida-das-familias-de-agricultores-no-agreste/" class="titulo">Entenda por que os parques de energia eólica estão piorando a vida das famílias de agricultores no agreste</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/energias/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Energias</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Licença para eólica portuguesa</h2>



<p>Este ano, a Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia foi realizada em Montadas porque o município está localizado numa região da Paraíba onde empresas já têm licenças emitidas pelo estado para instalar parques eólicos.&nbsp;</p>



<p>Na última quarta-feira (15), o governador João Azevêdo (PSB) recebeu representantes da multinacional portuguesa EDP Renováveis para tratar sobre a instalação de parques nos municípios de Pocinhos e Areial, localizados no território da Borborema.&nbsp;</p>



<p>O projeto tem o nome de Serra da Borborema e está em fase de licenciamento. A previsão é de que as obras de implantação sejam iniciadas em outubro deste ano, com a instalação de, pelo menos, 21 aerogeradores.&nbsp;</p>



<p>A 14ª edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia denunciou a contradição na produção industrial da energia renovável, que é tida como limpa, mas que empobrece e adoece muitas famílias rurais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Justamente no Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, quando a marcha foi realizada, a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia entra nessa discussão com a provocação: “Afinal de contas, a energia gerada a partir do vento e do sol é limpa mesmo?”</p>



<p>A organização entende, obviamente, que produzir energia renovável é importante para o planeta e para toda a sua população, mas, segundo Adriana Galvão, assessora técnica da AS-PTA, atualmente, “a solução que está sendo construída é meramente baseada numa relação de mercado. Se propõe a troca de uma matriz energética, com base nos combustíveis fósseis, por outra, baseada na energia renovável, sem entender o desequilíbrio socioambiental que afeta as populações dos lugares onde estão sendo instalados os parques eólicos e as usinas solares”.</p>



<p>A Marcha&nbsp; pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia teve início por volta das 9h, saindo da na praça Josefa Tavares, no centro de Montadas e depois fez um percurso de 1,5 quilômetro até voltar para o ponto de partida. A presença da cirandeira Lia de Itamaracá animou os participantes no encerramento do evento.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Há um ano, Roselma contou para a MZ como os aerogeradores a afetavam. De lá pra cá, nada mudou. Crédito: Géssica Amorim/Coletivo Acauã</p>
	                
                                    </figcaption>
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