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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Como a impunidade favorece crescimento de grupos neonazistas em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jul 2025 17:01:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ataques às escolas]]></category>
		<category><![CDATA[células neonazistas]]></category>
		<category><![CDATA[discurso de ódio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na manhã de terça-feira, 22 de julho, Maria Lucineide Pereira, atendeu a uma chamada de voz pelo whatsapp de um homem que dizia ser o comissário de polícia Moacir – o nome que aparecia no perfil era Moacir Costa – perguntando se ela ainda tinha a cópia do boletim de ocorrência da pichação de suásticas [&#8230;]</p>
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<p>Na manhã de terça-feira, 22 de julho, Maria Lucineide Pereira, atendeu a uma chamada de voz pelo whatsapp de um homem que dizia ser o comissário de polícia Moacir – o nome que aparecia no perfil era Moacir Costa – perguntando se ela ainda tinha a cópia do boletim de ocorrência da pichação de suásticas nazistas nas paredes do centro de formação do MST e do incêndio criminoso que destruiu seu quarto, em um anexo do centro, na zona rural de Caruaru, em novembro de 2022. Ela achou esquisito, mas confirmou ter o documento guardado.</p>



<p>Minutos depois, a agricultora Lucicleide Silva recebeu ligação do mesmo número, perguntando sobre o b.o. do ataque ao seu lote de terra, vizinho do centro. As duas se encontraram em seguida, confirmando que a origem da ligação era o mesmo número. As duas mulheres acharam aquilo muito esquisito.</p>



<p>Mais esquisito ainda porque, no dia seguinte, elas iriam encontrar uma equipe do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) para tratar exatamente do tema que tanto merecia a atenção do suposto policial: os ataques e pichações sofridas pelo centro de formação em novembro de 2022, logo após a eleição presidencial em que Lula derrotou Bolsonaro.</p>



<p>Desde então, a única vez que as polícias Civil e Federal se interessaram pelo assunto foi no dia seguinte ao ataque, quando jornalistas e cinegrafistas também estavam por lá.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><span style="font-family: Tox Typewriter, monospace;"><span style="font-size: medium;"><a href="https://marcozero.org/centro-de-formacao-do-mst-e-pichado-com-suastica-e-casa-de-coordenadora-e-incendiada-em-caruaru/" target="_blank" rel="noopener">O ataque ao centro de formação do MST</a> em Caruaru aconteceu na madrugada do sábado, 12 de novembro de 2022. As paredes do prédio onde funciona a sede administrativa foi <span style="color: #212529;">pichado com suásticas, símbolo nazista, e com a palavra “mito”. A casa onde mora a coordenadora </span><span style="color: #212529;">Lucineide Pereira</span><span style="color: #212529;"> foi arrombada e incendiada.</span> Dias depois, om lote de terra onde vivem Lucicleide Silva e seu pai, Sebastião, foi invadida, os animais foram soltos e a casa de taipa que servia de depósito para sementes e ferramentas de trabalho foi incendiada e destruída.</span></span></p>
        </div>
    </div>



<p>Na quarta-feira, elas contaram das chamadas de voz para Carlos Nicodemos e Edna Jatobá, representantes do CNDH. “Fora essas ligações estranhas, a Polícia nunca mais nos procurou para dar alguma satisfação ou apresentar o resultado da investigação”, afirmou Lucineide.</p>



<p>Na sequência de encontros com autoridades pernambucanas, a equipe do CNDH que apura como os estados combatem grupos neonazistas entenderam a razão daquelas chamadas do tal comissário Moacir. “Até esse momento, não sabemos quem estava investigando o caso dois ataques em Caruaru. Perguntamos à Polícia Federal e à Polícia Civil quais os desdobramentos dos inquéritos e ninguém nos soube dizer nada”, afirma o conselheiro Nicodemos, relator da missão do CNDH.</p>



<p>Além de escutar os relatos das agricultoras em Caruaru, a missão do CNDH manteve uma extensa agenda institucional no Recife, onde foram recebidas pela governadora Raquel Lyra, pelo procurador geral de Justiça na sede do Ministério Público, pelo superintendente da Polícia Federal, Polícia Civil e secretarias estadual e municipal de Educação. A equipe também participou de um seminário onde pesquisadores apresentaram seus estudos sobre o tema.</p>



<p>“Nossa tarefa é de controle externo, então o que estamos realizando é uma investigação administrativa para entender como os estados lidam com as ameaças neonazistas e ataques de ódio, como respondem a isso e qual a capacidade instalada para dar a resposta adequada”, explicou Nicodemos. Em Pernambuco, só o prefeito do Recife, João Campos, e seu vice, Victor Marques, alegaram não ter tempo na agenda para receber os representantes do Conselho.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/CNDH-2-Nicodemos.jpg" alt="A foto mostra Carlos Nicodemos sentado à mesa durante um evento formal. Ele é um homem branco, de meia-idade, com barba grisalha e cabelos compridos penteados para trás. Usa óculos de armação escura, terno cinza claro, camisa branca e gravata vermelha. Ele segura um celular preto com uma das mãos e olha atentamente para a frente, com expressão séria. À sua frente, sobre a mesa coberta por uma toalha azul, há papéis e copinhos plásticos com água. Um microfone está posicionado em sua direção. Ao fundo, uma mulher negra com cabelos crespos soltos veste uma blusa roxa de mangas bufantes. Ela também está sentada e aparenta estar batendo palmas ou gesticulando, com expressão atenta." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">&#8220;Não sabemos quem investigou os ataques em Caruaru&#8221;, espanta-se Carlos Nicodemos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Automutilação</h2>



<p>Na reunião com gestores da secretaria estadual de Educação e diretoras de escolas, a missão conheceu uma iniciativa recém-implantada pelo governo estadual que, com um mês de funcionamento, revelou que a presença de grupos neonazistas em Pernambuco pode ser mais profunda do que parece. Trata-se do Registro de Ocorrência Escolar (R.O.E.), criado pela <a href="https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/2810765486/lei-18532-24-pe?msockid=19b8c5755623659d0771d12e577264b2">lei estadual 18.532</a>, o marco legal de enfrentamento à violência escolar no estado.</p>



<p>No processo de criação do R.O.E., dezenas de educadores passaram por treinamento na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), onde foram capacitados para fazer monitoramento de movimentos extremistas e neonazistas nas escolas da rede estadual de ensino. O objetivo é prevenir mortes como as que aconteceram em ataques em outros estados do país.</p>



<p>De acordo com Érica Del Giudice, assessora técnica do CNDH e mestre em Políticas Públicas em Direitos Humanos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), “no encontro com a secretaria de Educação, ficamos sabendo que o registro foi criado em maio mas, logo depois, entrou em inatividade com as férias escolares. Mesmo assim, bastou um mês para que dois casos de ação neonazistas fossem identificados em escolas públicas”.</p>



<p>Com nomes e escolas mantidas sob sigilo, a Secretaria da Educação informou que, no primeiro caso, um adolescente cometeu automutilação para “tatuar” uma suástica na pele. E isso, segundo Del Giudice, é um péssimo sinal, a ponta de um iceberg assustador: “a automutilação é um desafio imposto por comunidades ou grupos neonazistas, indicativo que não se trata de um lobo solitário”.</p>



<p>O segundo caso diz respeito a material impresso encontrado dentro de um caderno, onde já havia várias suásticas e outros símbolos extremistas desenhados.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Células ou organismos?</h3>



<p>Como aconteceu nos três primeiros estados que receberam a missão – Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina -, a agenda pernambucana encerrou-se com uma audiência pública no auditório da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil. A ideia era colher relatos e denúncias específicas sobre a atuação de grupos extremistas, neonazistas e discurso de ódio.</p>



<p>Apesar da maior parte dos participantes ter preferido discursar sobre bandeiras gerais da chamada agenda progressista, o líder comunitário Francisco Santana, morador do Ibura, se ateve à pauta proposta pelo CNDH:</p>



<p>“A gente via como algo distante, apenas em livros de história, mas meu filho estuda numa escola municipal e trouxe para casa relatos de saudações nazistas feitas por adoradores de Hitler em sala de aula, na hora do recreio”, alertou. Representante dos pais no Conselho Municipal de Educação, Santana denunciou o caso numa reunião, então escutou de diretoras de outros colégios que “aquilo não está acontecendo só no Ibura, não”.</p>



<p>Carlos Nicodemos anunciou que o CNDH vai requisitar às autoridades municipais informações sobre o que está sendo feito em relação às denúncias.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/CNDH-3.jpg" alt="A foto mostra uma mesa de debates com cinco pessoas sentadas, em um auditório da Universidade de Pernambuco (UPE), na Faculdade de Administração e Direito (FCAP). Há um banner ao fundo com os logotipos da UPE e da FCAP, além de um cartaz anunciando uma atividade da Relatoria Nacional em Pernambuco. Na mesa, há homens e uma mulher, todos com microfones e materiais de apoio. Um dos participantes fala enquanto os demais escutam. Em frente à mesa, há uma faixa verde com o nome do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) e pessoas assistem ao evento na plateia." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">CNDH realizou seminário e audiência pública durante passagem pelo Recife
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Já o advogado Bruno Ribeiro, da Comissão Pastoral da Terra e conselheiro do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), alertou sobre a necessidade mudar a abordagem do problema: “já não é mais uma questão de células neonazistas, mas de todo um organismo bastante articulado; também já não cabe falar de discurso de ódio, mas de prática de ódio”.</p>



<p>Érica Del Giudice recorre aos dados levantados pela antropóloga <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Adriana_Dias">Adriana Magalhães Dias</a>, autora da pesquisa mais profunda que já se fez no Brasil sobre o avanço desses grupos no país. &#8220;É comum a mídia destacar que, durante o governo Bolsonaro, de 2019 a 2022, houve crescimento de 270% de células neonazistas no Brasil, mas outro dado ajuda a entender melhor a questão: de 2015 a 2019, ou seja, a partir das manifestações contra Dilma Rousseff até a posse de Bolsonaro, a taxa de crescimento foi de 1.400%&#8221;. </p>



<p>Ou seja, o nazismo brasileiro cresceu com o lavajatismo e com as passeatas &#8220;patrióticas&#8221; pelo impeachment.</p>



<p></p>



<p></p>
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		<title>Telegram é suspenso no Brasil por não entregar dados de neonazistas à PF</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Apr 2023 21:01:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ataques às escolas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Bruna Pauxis, publicado originalmente no Congresso em Foco Após decisão da Justiça Federal, oTelegramserá suspenso no Brasil, a partir da tarde desta quarta-feira (26). Segundo o ministro da Justiça,Flávio Dino, a plataforma não enviou à Polícia Federal os dados completos sobre grupos neonazistas. De acordo com a Diretoria de Inteligência da PF, as empresas [&#8230;]</p>
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<p>p<strong>or Bruna Pauxis, publicado originalmente no <a href="https://congressoemfoco.uol.com.br/area/pais/telegram-e-suspenso-no-brasil-apos-nao-entregar-dados-a-pf/?utm_source=pushnews&amp;utm_medium=pushnotification" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Congresso em Foco</a></strong></p>



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<p>Após decisão da Justiça Federal, o<a href="https://congressoemfoco.uol.com.br/tag/telegram/">Telegram</a>será suspenso no Brasil, a partir da tarde desta quarta-feira (26). Segundo o ministro da Justiça,<a href="https://congressoemfoco.uol.com.br/area/congresso-nacional/ricardo-capelli-que-foi-interventor-no-df-vai-assumir-o-gsi/">Flávio Dino</a>, a plataforma não enviou à Polícia Federal os dados completos sobre grupos neonazistas.</p>



<p>De acordo com a Diretoria de Inteligência da PF, as empresas de telefonia Vivo, Claro, Tim e Oi e o Google a Apple, responsável pelas lojas de aplicativos Playstore e App Store vão receber o ofício sobre a suspensão do Telegram ainda nesta quarta-feira</p>



<p>A ação faz parte da investigação sobre o ataque a escolas em <a href="https://congressoemfoco.uol.com.br/area/pais/aracruz-o-fascismo-e-os-efeitos-ascensao-do-bolsonarismo-no-brasil/">Aracruz (ES)</a> em novembro de 2022, que deixou quatro mortos (três professoras e uma aluna de 12 anos) e 12 feridos. Na quarta-feira (19), a Justiça Federal no Espírito Santo deu 48 horas para que o Telegram entregasse os dados à PF.  Além de suspensão, a Justiça aumentou a multa aplicada à plataforma de R$ 100 mil para R$ 1 milhão por dia, em caso de recusa no fornecimento dos dados. </p>



<p>A decisão é assinada pelo juiz Wellington Lopes da Silva. De acordo com o magistrado, “os fatos demonstrados pela autoridade policial revelam evidente propósito do Telegram de não cooperar com a investigação em curso (relativa a fato em tese criminoso do mais elevado interesse social)”.</p>



<p>“Sucedeu-se que, nos termos do que demonstrou suficientemente a autoridade policial, essa empresa cumpriu apenas parcialmente a ordem judicial que lhe foi dirigida, uma vez que se limitou a fornecer as informações concernentes ao administrador (e não a todos os usuários) do canal “Movimento Anti-Semita Brasileiro”, deixando, ademais, de fornecer os dados dos usuários do grupo “卐 Frente Anti-Semita 卐””, escreveu o magistrado.</p>



<p><strong>Leia aqui a íntegra de decisão</strong> <strong>da Justiça</strong>: <a href="https://congressoemfoco.uol.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Telegram-Decisao-.pdf">Telegram – Decisão</a></p>



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		<title>&#8220;Escolas com grades, detectores de metal e guarda armada podem piorar o problema&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Apr 2023 01:53:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ameaças às escolas]]></category>
		<category><![CDATA[ataques às escolas]]></category>
		<category><![CDATA[extrema-direita]]></category>
		<category><![CDATA[grupos de ódio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A audiência pública realizada pela Câmara Federal sobre as ameaças contra as escolas, na noite de quarta-feira, 19 de abril, juntou especialistas, educadores e autoridades que tentam desconstruir o pânico alimentado nos grupos de whatsapp de pais de estudantes de todo o país. Durante a sessão especial da comissão de Assistência Social, Infância, Adolescência e [&#8230;]</p>
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<p>A audiência pública realizada pela Câmara Federal sobre as ameaças contra as escolas, na noite de quarta-feira, 19 de abril, juntou especialistas, educadores e autoridades que tentam desconstruir o pânico alimentado nos grupos de whatsapp de pais de estudantes de todo o país. Durante a sessão especial da comissão de Assistência Social, Infância, Adolescência e Família, o professor Daniel Cara, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) disse estar otimista com os rumos das providências que estão sendo tomadas pelo Governo Federal e avisou que “o Brasil não pode aderir ao pânico”.</p>



<p>Cara foi um dos coordenadores do grupo multidisciplinar que, durante o período de transição realizada após a vitória de Lula nas eleições presidenciais, elaborou um relatório com recomendações para evitar ataques de grupos extremistas nas escolas, cujo <a href="https://ponte.org/como-evitar-atendados-de-extrema-direita-nas-escolas-brasileiras/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">conteúdo foi revelado pela Ponte Jornalismo</a>, parceira da Marco Zero, em dezembro do ano passado.</p>



<p>Na época em que o documento foi entregue aos coordenadores da transição, o Brasil contava 16 ataques com 36 mortes e 72 feridos. Hoje, são 20 ataques, com 41 assassinatos e 82 pessoas feridas.</p>



<p>Os participantes da audiência, convocada pelos deputados pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) e Ana Paula Lima (PT-SC), alertaram que o pânico e a urgência estão concentrando as discussões em torno de instalação de equipamentos, segurança armada, construção de muros altos, cercas elétricas e grades nas janelas. Catarina de Almeida Santos, professora da Universidade de Brasília (UnB), outra coautora do relatório sobre o assunto, foi categórica:<br><br>“Detectores de metal e guarda armada não irão evitar o extremismo de direita. Esses jovens querem o confronto, por essa razão os equipamentos de segurança vão tornar as escolas alvos ainda maiores. Nos Estados Unidos, essa estratégia não evitou nada”, afirmou.</p>



<p>Isabel Seixas de Figueiredo, diretora do Sistema Único de Segurança Pública do Ministério da Justiça, apontou outros problemas que esses recursos podem provocar. “Um muro alto impede que a polícia veja o que acontece lá dentro; grades não permitem fugas pelas janelas em caso de ataque. Medidas adotadas às pressas podem piorar as coisas”, resumiu.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>16 recomendações e muito mais</strong></h2>



<p>As recomendações que constam no relatório elaborado na transição adotam uma linha completamente diferente. “A lógica é não transformar a escola em presídio, a melhor prevenção é um ambiente saudável e democrático. Na segurança pública há consenso de que ambientes degradados promovem a violência”, explica Daniel Cara. Segundo ele, o documento não limitou-se a fazer 16 recomendações, mas “criou um fio lógico apontando o caminho para materializá-las&#8221;.</p>



<p>Inicialmente, os coautores do documento esclarecem que o fenômeno não se trata de violência “nas” escolas, mas sim de violência “contra as escolas”, mobilizada pelo neonazismo e fascismo.</p>



<p>Ou seja, não se trata de algo genérico, sem responsáveis, mas situações geradas pelo avanço do extremismo, da desinformação, da pregação do ódio e do culto às armas de fogo que tomaram conta do país com o bolsonarismo. Esse ponto foi enfatizado por outros participantes, a exemplo da professora Catarina Santos e o presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Ariel de Castro Alves.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Daniel Cara afirma defende campanha para retirar jovens de grupos de ódio. Crédito: Vinícius Loures/Câmara Federal</p>
	                
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<p>Cara explicou que as recomendações devem subsidiar protocolos de segurança nas escolas brasileiras, das creches municipais às universidades. De acordo com Josenanda Franco, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), os cursos para viabilizar a concretização disso nos estados e municípios começam ainda em abril.</p>



<p>Em seguida, o Ministério da Educação deverá realizar um seminário internacional para que gestores públicos de todos os estados possam conhecer e compartilhar iniciativas bem sucedidas, como a da Noruega, focada em retirar jovens dos grupos de ódio, ou do <a href="https://portal.diadema.sp.gov.br/tag/observatorio-da-seguranca-escolar/">Observatório de Segurança Escolar de Diadema</a>, em São Paulo. O último ponto do relatório seria a promoção de campanhas de mobilização social para retirar jovens cooptados pelos grupos extremistas.</p>



<p>O otimismo de Daniel Cara, mencionado no início deste texto, está assentado no fato de, pela primeira vez no mundo, um Governo Federal e outras esferas governamentais nos estados e municípios estarem prontas para desenvolver uma ação integrada para combater esse tipo de violência.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Twitter e Tik Tok</strong></h3>



<p>Os jovens e adolescentes atraídos pelo extremismo já se escondem nas profundezas da <em>deep web </em>para arquitetar seus crimes. Massacres são combinados quase à luz do dia em comunidades no Twitter e Tik Tok. Quem explicou o funcionamento desses grupos de “glorificação de assassinos, atiradores de escola e supremacistas brancos” foi a jornalista Letícia Oliveira, especialista em monitoramento online de grupos de extremistas.</p>



<p>Leticia detalhou os resultados de três ações de monitoramento. O primeiro, de <a href="https://nucleo.jor.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sofia Schurig, do site Núcleo Jornalismo</a>, que durante quatro meses acompanhou as atividades de uma comunidade de jovens “sectarizados” (termo adotado pelos estudiosos do tema no lugar de “radicalizados” e que define aqueles que se tornaram intolerantes e intransigentes em razão do fanatismo) nas plataformas digitais. As postagens desse grupo &#8211; em português, inglês, espanhol e russo &#8211; geraram, pelo menos, 340 milhões de visualizações.</p>



<p>Schurig localizou postagens ligadas à preparação dos ataques às escolas em <a href="https://www.folhavitoria.com.br/policia/noticia/11/2022/ataque-em-aracruz-e-o-terceiro-caso-em-escolas-somente-neste-ano-no-es" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Vitória (ES)</a>, em agosto de 2022, e em <a href="https://www.bahianoticias.com.br/municipios/noticia/31364-atirador-de-colegio-em-barreiras-anunciou-ataque-horas-antes-nas-redes-sociais" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Barreiras (BA)</a>, no mês seguinte.</p>



<p>O monitoramento feito pela própria Letícia, junto com outras duas pesquisadoras, identificou 225 contas no Twitter com imagens, vídeos e frases homenageando assassinos e estimulando novos massacres. “Desses perfis, 56 foram suspensos pela plataforma, 40 estavam fechados para o público, porém ainda ativos, e 132 permaneciam abertos e ativos”, relatou a jornalista.</p>



<p>De acordo com Letícia, sem serem incomodados pelos moderadores do Twitter, estavam nessas comunidades os perfis dos adolescentes e jovens responsáveis por quatro ataques e uma tentativa (em Vitória; Barreiras; Escola Thomázia Montoro, em São Paulo; Manaus e Santa Terezinha de Goiás).</p>



<p>Por fim, foi apresentado o resultado do monitoramento realizado pela Agência Lupa, publicado nesta quarta-feira comprovando que uma ação organizada, com perfis que se somaram àqueles monitorados por Letícia Oliveira e Sofia Schurig, geraram as ameaças às escolas a partir de domingo, 9 de abril, para gerar pânico na população.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong><a href="https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2023/04/19/acao-coordenada-impulsionou-ameacas-de-ataque-a-escolas-para-gerar-panico" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Clique aqui para ler a reportagem completa da Lupa. </a></strong></li></ul>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/objetivo-das-ameacas-as-escolas-e-causar-panico-avisam-especialistas/" class="titulo">&#8220;Objetivo das ameaças às escolas é causar pânico&#8221;, avisam especialistas</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/escolas-com-grades-detectores-de-metal-e-guarda-armada-podem-piorar-o-problema/">&#8220;Escolas com grades, detectores de metal e guarda armada podem piorar o problema&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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