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	<title>Arquivos baobácine - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 16:15:22 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos baobácine - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>&#8220;A negação do racismo é algo muito comum em todo o mundo&#8221;, afirma cineasta francesa Rokhaya Diallo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jan 2024 21:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[baobácine]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Definida como uma das ativistas mais proeminentes da luta antirracista na França pelo The New York Times, a jornalista, escritora e cineasta francesa, Rokhaya Diallo esteve no Recife na última semana para participar da terceira edição da Mostra de Filmes Africanos e da Diáspora de Pernambuco &#8211; Baobácine.  Criada nos bairros operários de Paris, Rokhaya [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Definida como uma das ativistas mais proeminentes da luta antirracista na França pelo <a href="https://www.nytimes.com/2017/12/28/opinion/france-racism-rokhaya-diallo.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">The New York Times</a>, a jornalista, escritora e cineasta francesa, <a href="https://www.instagram.com/rokhayadiallo?igsh=MXdlOTc3cHRkdmhtcg==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rokhaya Diallo</a> esteve no Recife na última semana para participar da terceira edição da <a href="https://www.instagram.com/baobacine?igsh=MWQzYjFnaXBwaDl2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mostra de Filmes Africanos e da Diáspora de Pernambuco &#8211; Baobácine</a>. </p>



<p>Criada nos bairros operários de Paris, Rokhaya visitou o Nordeste do Brasil pela primeira vez para promover um intercâmbio de conhecimentos em debates com ativistas do movimento negro, que foram realizados pela organização da mostra. </p>



<p>As atividades do Baobácine aconteceram entre os dias 15 e 18 de janeiro nas cidades do Recife e Caruaru. A mostra contou com a exibição de três documentários dirigidos por Rokhaya Diallo, entre eles, o longa <em>Bootyful</em>, que promove um debate sobre os padrões de beleza e os estigmas em torno da bunda, pensando na hiper sexualização das mulheres negras.</p>



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	                                        <p class="m-0">Cartaz de Bootyful</p>
	                
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<p>Reconhecendo a importância de manter o diálogo e criar confluências com as pessoas negras descendentes da diáspora africana, a ativista francesa utiliza de sua projeção para manter ativo os debates sobre o antirracismo. Para isso, Diallo dirige filmes que têm como tema principal a representatividade de pessoas negras nas mídias, além de escrever para jornais reconhecidos mundialmente como o <a href="https://www.theguardian.com/profile/rokhaya-diallo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">The Guardian</a>. A jornalista também já escreveu diversos livros e artigos e foi apresentadora de programas de rádio e TV na França. </p>



<p>De acordo com Rokhaya, realizar trabalhos com múltiplas linguagens em diferentes lugares do mundo é uma forma de combater um traço marcante do racismo: a negação. Em entrevista para a Marco Zero Conteúdo, a ativista francesa falou sobre sua passagem por Pernambuco e as afinidades da luta antirracista no Brasil e na França. </p>



<p>Marco Zero Conteúdo<strong> &#8211; Como foi a sua estadia no Brasil e a participação na Baobácine?</strong></p>



<p><strong>Rokhaya Diallo</strong> &#8211; Foi uma oportunidade de descobrir um espaço que eu não conhecia no Brasil, nunca tinha estado no Nordeste. Então eu pude ter uma nova perspectiva, um olhar diferente do que você costuma ouvir de como é o Brasil lá no exterior e o acolhimento das pessoas tem sido muito bom, vivi muitos encontros emocionantes. </p>



<p><strong>Você consegue reconhecer semelhanças na luta antirracista no Brasil e na França?</strong></p>



<p>Obviamente a situação política de todos os países é diferente. Mas o que noto em qualquer lugar que conheço e que vou falar sobre o antirracismo é que existe uma negação. A negação do racismo é algo muito comum em todo o mundo. Eu acredito que no Brasil, por ter uma população que em sua maioria se identifica como negra, o sentimento de injustiça é muito maior do que na França, então há também suas diferenças.</p>



<p><strong>Quais estratégias você adotou na sua trajetória profissional para se tornar uma figura pública de visibilidade internacional?</strong></p>



<p>Isso não foi planejado, eu nunca teria imaginado ter tanta visibilidade. Eu diria que minha jornada é, ao mesmo tempo, uma sucessão de acidentes e encontros, e eu precisei ser muito resistente. Não vou negar que sendo um das únicas mulheres negras no campo do jornalismo de opiniões eu enfrento muitas dificuldades, porque há muitos jornalistas negros na França, mas são poucos os que realmente fazem uma análise política de enfrentamento. Há muito racismo e seximos envolvidos, e eu já passei por situações de assédio, polêmicas, tentativas de intimidação, há muita gente que é contra o meu trabalho na França. Então eu posso dizer, entre aspas, que uma das minhas estratégias tem sido trabalhar para a mídia internacional. Por exemplo, atualmente eu escrevo para o<a href="https://www.washingtonpost.com/people/rokhaya-diallo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Washington Post</a> e o The Guardian e com isso eu acabo estabelecendo uma forma de ter autoridade, e assim as pessoas na França não conseguem me ignorar, elas precisam ouvir o que eu tenho a dizer. </p>



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	                                        <p class="m-0">A ativista francesa, Rokhaya Diallo, conversou com ativistas do movimento negro pernambucano. Crédito: Fran Silva/Baobácine </p>
	                
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<p><strong>Como foi para você poder encontrar com ativistas negros do Brasil durante essa participação na Baobácine e qual a importância desse intercâmbio?</strong></p>



<p>Para mim é muito enriquecedor. E eu acho muito importante porque isso permite com que a gente se situe em uma diáspora para observar, como tenho visto também nas idas aos Estados Unidos e em outros países, que temos lutas em comum e também precisamos criar espaços seguros para dialogar. O que eu vejo é que realmente há uma sede, uma sede de troca, uma sede de criar uma ligação e um espaço onde estejamos seguros e nesse sentido o trabalho da Baobácine tem muito mérito. </p>



<p><strong>Em seus documentários você traz sempre a questão da representatividade para o centro do debate. Por que você faz essa escolha? E para você, qual é a relação do cinema com a propagação do antirracismo?</strong></p>



<p>O cinema cria o imaginário coletivo e tem um impacto extremamente forte nas representações, tanto daquelas pessoas que são representadas quanto das que não estão representadas. O cinema é um lugar onde as pessoas podem ser vistas e, eu tenho certeza, que quando você nunca vê certas pessoas no cinema você começa a questionar a existência delas, você acha que essas pessoas são indignas de existir. Nina Simone dizia que o dever dela enquanto artista era refletir sobre o seu tempo e eu concordo com ela, acho essencial ecoar as questões que precisam ser debatidas na sociedade. </p>



<p>Eu trabalhei em um documentário intitulado <em>Onde estão os negros?</em> E neste documentário, uma das sociólogas que é entrevistada, Marie-France Malonga, diz que para as minorias negras existem três tipos de representações que são muito comuns no cinema francês. Há a representação de &#8220;selvagem&#8221;, essa é uma pessoa que não é adequada para viver em um ambiente civilizado. Há a representação da &#8220;vítima&#8221;, essa é uma pessoa que está sempre necessitada, que precisa ser salva, geralmente por pessoas brancas. E por fim, tem a figura do &#8220;encrenqueiro&#8221;, é um delinquente, um terrorista, uma pessoa que não é honesta e causa problemas. Estas são representações que ainda continuam muito presentes no cinema, mesmo que ao longo dos anos nós tenhamos evoluído nos debates raciais, porque há cada vez mais diretores negros que contam suas próprias histórias. </p>



<p><strong>Uma das principais dificuldades encontradas por cineastas negros no Brasil é conseguir aporte financeiro para produzir seus filmes. Você também enfrenta essa dificuldade na França?</strong></p>



<p>É muito difícil conseguir financiamento na França também. E é incrível porque meus filmes são muito mal financiados, mas depois de lançados, eles são muito úteis, ganham muito reconhecimento e circulação. Eu sempre tenho que trabalhar com orçamentos muito pequenos. Para conseguir fazer meu primeiro filme eu tive que apelar para a solidariedade, fiz um apelo nas redes sociais para que as pessoas colaborassem.  E o meu último filme, que eu codirigi, demorou oito anos para conseguir financiamento. Então, não é fácil, mas já fiz oito documentários e hoje digo a mim mesma que, se não tenho meios para fazer meu trabalho corretamente, não irei mais trabalhar, porque eu não acho normal que com a minha experiência eu ainda possa ter dificuldades em encontrar meios de financiar os meus trabalhos. </p>



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	                                        <p class="m-0">Cartaz de Onde estão os negros?, de Rokhaya Diallo. </p>
	                
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<p></p>
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		<title>&#8220;A África parece Pernambuco&#8221;: Baobácine traz cinema africano para o Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 May 2018 20:22:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Idealizada e realizada por mulheres negras que trabalham com audiovisual, a Baobácine &#8211; Mostra Filmes Africanos&#160;do Recife nasce com o desejo de escurecer e encurtar os caminhos que conectam o cinema negro brasileiro e a produção africana contemporânea, além de democratizar o acesso a este tipo de arte. Primeiro evento na capital pernambucana com essa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Idealizada e realizada por mulheres negras que trabalham com audiovisual, a <a href="https://www.facebook.com/baobacine/">Baobácine &#8211; Mostra Filmes Africanos</a>&nbsp;do Recife nasce com o desejo de escurecer e encurtar os caminhos que conectam o cinema negro brasileiro e a produção africana contemporânea, além de democratizar o acesso a este tipo de arte. Primeiro evento na capital pernambucana com essa dimensão, a mostra começa nesta quarta-feira (23),&nbsp;no Cine São Luís, e segue até o dia 28 com uma extensa&nbsp;<a href="https://baobacinemostra.blogspot.com.br/p/programacao.html">programação de filmes</a>&nbsp; “clássicos” e contemporâneos produzidos no Senegal, Niger, Congo, Mauritânia, Burkina Faso e Mali, além de debates e minicurso.</p>
<p>“Quando nos colocamos como público de cinema, percebemos a lacuna e o desconhecimento que existem a respeito desses filmes. Além disso, num segundo momento, pensamos que os filmes africanos falam da vida das pessoas nos diferentes lugares onde se passam as histórias e como essas rotinas são, inevitavelmente, ultrapassadas pelo contexto de serem nações com uma herança de colonização”, explicam as organizadoras da mostra Ludimilla Carvalho, Natália Lopes e Raquel Santana. &#8220;A África parece Pernambuco&#8221;,&nbsp;frase dita por uma criança em oficina&nbsp;promovida pelas organizadoras, é um exemplo de como o contato com imagens e narrativas do cinema africano podem ser percebidas no Recife.</p>
<p>As organizadoras da mostra afirmam, ainda, a importância&nbsp;de se olhar para a condição das mulheres negras no cinema e também na construção de festivais. Por isso, na busca por mais espaços de reflexão e debates, as atrizes Cíntia Lima e Conceição Camarotti, a diretora Éthel Oliveira, a cineclubista Iris Regina e a produtora Stella Zimmerman participam, às 14h do sábado (26), de uma roda de conversa sobre os dilemas e desafios que enfrentam em seus cotidianos. Tudo, claro, em diálogo com os filmes exibidos na mostra.</p>
<p>Uma das atividades da mostra é o minicurso “Para além de Nollywood (como é apelidado o cinema produzido na Nigéria): experiências contemporâneas do cinema autoral africano”, que teve mais de 200 inscrições para uma turma, a princípio com 25 vagas, ampliada para 50. &#8220;Essa demanda colabora com a desconstrução do imaginário e do olhar que a gente tem, formados por modelos eurocêntricos, por padrões cinematográficos hollywoodianos, em última instância padrões cinematográficos que não nos representam, ou nos representam de uma forma negativa ou inferior&#8221;, diz a pesquisadora e curadora Janaína Oliveira, que ministrará o curso e que também é idealizadora e coordenadora do <a href="http://www.ficine.org/">Fórum Itinerante de Cinema Negro (FICINE)</a>.</p>
<p><div id="attachment_8879" style="width: 510px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/32562818_2126877457541104_5624921292349112320_o.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8879" class="wp-image-8879" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/32562818_2126877457541104_5624921292349112320_o-300x200.jpg" alt="32562818_2126877457541104_5624921292349112320_o" width="500" height="333"></a><p id="caption-attachment-8879" class="wp-caption-text">Frame do filme &#8220;Félicité&#8221;, com direção: Alain Gomis. (Senegal, França, Bélgica, Alemanha, Líbano, 2017, 123’)</p></div></p>
<p>A curadoria da Baobácine abre uma janela de diálogos e reflexões sobre as identidades afrodescendentes no Brasil. Por meio do cinema, do contato com as imagens e discursos que cineastas africanos têm desenvolvido sobre si mesmos, ganham definição os pontos de conexão com a própria juventude negra brasileira. “O cinema africano se equilibra entre falar das questões que atingem os africanos, um movimento para falar de si, em vez de ser objeto de um olhar europeu que por diversas vezes estigmatizou, ridicularizou seus costumes, seu jeito de ser, e&nbsp;a dependência&nbsp;&nbsp;financeiramente de seu ex-colonizador para impulsionar sua produção, para que atestem a qualidade das produções em festivais. Fica claro que é um cinema que quer andar com as próprias pernas e que tem que concorrer com toda uma cinematografia que já tem público (norte-americana e europeia)”, argumentam Natália e Ludimilla.</p>
<blockquote><p>Esse cenário se aproxima da realidade de realizadores negros brasileiros: “É possível fazer uma associação entre o que propõe o cinema africano e o cinema independente brasileiro que trabalha essas questões políticas, porque além de debater questões ligadas à situação de uma população que é negra, um esforço para criar um discurso sobre si mesmo, mas também joga com a possibilidade de ao mesmo tempo que demarca esse lugar, mandar uma mensagem de afirmação. De sua cultura, de seus interesses, de seus saberes, de seu direito de ter a sua maneira de vestir, de falar, de se relacionar, não somente aceita mas respeitada”, defendem as organizadoras.</p></blockquote>
<p>Com olhar cuidadoso para a produção contemporânea de cinema em países africanos, a mostra também propõe uma aproximação com o cinema negro brasileiro nos últimos anos. &#8220;Na Nigéria, por exemplo, tem um grupo de cineastas que tem se movimentado para produzir e se colocar publicamente, criticando e tentando se distanciar de Nollywood, que seria uma produção mais comercial. Há uma geração que luta para a possibilidade de uma realização de seus filmes, que são filmes independentes, o que acaba se conectando à realidade do cinema negro brasileiro&#8221;, aponta Janaína.</p>
<p>Segundo ela, um aspecto que chama atenção é a dificuldade de filmes africanos e do cinema negro ultrapassarem certos circuitos de exibição em festivais ou canais de TV paga para alcançarem um maior público. &#8220;A invisibilidade que paira sobre essas produções ainda é muito grande. O diálogo vai se estabelecer à medida que as pessoas tomarem ciência, tiverem contato com os filmes&nbsp;umas das outras. Esse é um processo ainda em curso, fazer circular as obras brasileiras no continente africano, no exterior de um modo geral, e fazer as obras africanas circularem aqui dentro&#8221;, explica. A realização da Baobácine em um cinema público, um dos poucos resistentes da geração do cinema de rua, é uma iniciativa que fortalece esse diálogo com a sociedade e realizadores.</p>
<h2><b>Além da representatividade </b></h2>
<p>Para Janaína, apesar de ainda ser um desafio, hoje existe uma maior abertura do público para as cinematografias africanas. &#8220;A gente pode dizer que a mostra colabora nesse sentido. Tem a ver com essas questões de ser negro no Brasil, com a questão da afrodescendência, e enfim, com a possibilidade de se olhar, de se ver na tela e buscar ali, cada um na sua subjetividade. as conexões com diferentes situações e realidades do continente africano, que é o que também está presente nos filmes que serão mostrados&#8221;, diz.</p>
<blockquote><p>A projeção na tela do cinema traz possibilidades que dialogam com a representatividade de negras e negros, mas também vão além, e estimulam pessoas negras a realizarem suas próprias narrativas audiovisuais.“Um filme como Kbela [da diretora Yasmin Thainá] é uma bomba que fala exatamente de um ponto-chave para identidade da pessoa negra que é o cabelo. Então a carreira que o filme vem fazendo, sua acolhida, já mostra a força que tem colocar em imagens essas dores &#8211; na verdade as tentativas de apagamento da identidade e do exercício do racismo. Trata-se de um filme que só pode ser feito da perspectiva de uma pessoa negra. E esse tipo de filme vai abrindo portas, como outros também já fizeram. Por exemplo, recentemente um grupo de estudantes universitários negros estavam fazendo uma campanha de financiamento coletivo para um curta, aqui no Recife, que se chama “O fio”, exatamente para falar sobre representatividade de negros e negras”, dizem as realizadoras.</p></blockquote>
<h2><b>Cinema como educação</b></h2>
<p>O caráter pedagógico da Baobácine incentiva também experiências de ensino de arte e cultura para além das salas de aula. Uma das preocupações das realizadoras na concepção do projeto, inclusive, é que a mostra desse oportunidade a professores, centros de educação e estudantes de colocar em prática o que prevê a &nbsp;Lei 10.639/03, que determina a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana.</p>
<p><div id="attachment_8882" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/Cartaz-maior.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8882" class="wp-image-8882" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/Cartaz-maior-212x300.jpg" alt="Cartaz maior" width="300" height="424"></a><p id="caption-attachment-8882" class="wp-caption-text">Reprodução do cartaz oficial da Baobácine.</p></div></p>
<p>Apesar do esforço para mobilizar um público que normalmente não acompanha os festivais de cinema que acontecem na cidade, as organizadoras da mostra Raquel Santana e Ludimilla Carvalho contam que encontraram desafios como a falta de recursos para aluguel de ônibus, por exemplo, para trazer estudantes de escolas públicas. Ainda assim, foram surpreendidas com procuras de professores que animaram a organização. “Estamos tentando viabilizar através da Gerência Regional de Educação (GRE Recife Sul) transporte para a ida de estudantes do Ensino Médio e EJA. Fomos contactadas até por um professor de uma turma de graduação de Serviço Social que quer levar os alunos e nos perguntou o que era necessário fazer. As pessoas perceberam que é importante que elas vejam esses filmes exatamente por esse contexto de se relacionar com a cultura africana, como uma das que mais fortemente nos influenciou, em virtude também da lei”, explicam.</p>
<p>Além disso, a mostra realizou visitas de divulgação a grupos de comunicação, cultura e mobilização em comunidades periféricas, como Daruê Malungo, Maracatus Encanto do Pina e Porto Rico, Ação Cultural Caranguejo Uçá e Livroteca Brincante do Pina e Feira Quilombar.</p>
<p>&#8220;Achamos que são essas as contribuições da Baobácine, no sentido da formação de público, na formação e afirmação de nossa identidade negra no Brasil. Sempre que a gente amplia o leque do repertório das representações, a gente está criando e reforçando as possibilidades de combate ao racismo, de combate ao preconceito, de combate à ignorância que se relaciona no senso comum da sociedade brasileira no que diz respeito às culturas africanas&#8221;, defende Janaína.</p>
<p>&nbsp;</p>
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