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	<title>Arquivos Câmara do Recife - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 01 Jun 2026 19:13:37 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Câmara do Recife - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Entre “mimimi” e silenciamento, Câmara do Recife vira palco de violência contra mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 19:13:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
		<category><![CDATA[Violência política de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Interrupções, gritos, zombarias, dedo em riste, intimidação e constrangimento público passaram a integrar a rotina da atual legislatura da Câmara Municipal do Recife. Vereadoras relatam um ambiente sistemático de violência política de gênero e apontam parlamentares da extrema direita como responsáveis pelos ataques. O plenário virou um espaço de tensão permanente. Sessões legislativas passaram a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Interrupções, gritos, zombarias, dedo em riste, intimidação e constrangimento público passaram a integrar a rotina da atual legislatura da Câmara Municipal do Recife. Vereadoras relatam um ambiente sistemático de violência política de gênero e apontam parlamentares da extrema direita como responsáveis pelos ataques.</p>



<p>O plenário virou um espaço de tensão permanente. Sessões legislativas passaram a acumular quase que diariamente episódios de tentativas de silenciamento, desrespeito e de desqualificação das falas das mulheres, além de muitas acusações de “mimimi” dirigidas principalmente às vereadoras de esquerda — mas não só. Os ataques extrapolam o ambiente institucional e ocupam também as redes sociais. </p>



<p>Os episódios mais recorrentes envolvem os vereadores Eduardo Moura (Novo) e Thiago Medina (PL) e têm como principais alvos Cida Pedrosa (PCdoB), Jô Cavalcanti (PSOL), Kari Santos (PT) e Liana Cirne (PT), mas também atingem a evangélica Ana Lúcia (Republicanos).</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Violência política de gênero na Câmara do Recife" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/jKesN5Zo-J8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Em vídeos registrados durante sessões recentes da casa, é possível ver os parlamentares interrompendo falas femininas, fazendo gestos ostensivos e criando tumultos paralelos enquanto as vereadoras ocupam a tribuna. Muitas vezes a discussão abandona completamente o mérito político e se desloca para provocações pessoais e tentativas de desmoralização pública.</p>



<p>As cenas têm se repetido com frequência suficiente para que vereadoras de diferentes partidos passem a identificar o fenômeno não mais como casos isolados, mas como parte da própria dinâmica política instalada na Câmara Municipal.</p>



<p>A vereadora Cida Pedrosa afirma que o centro da disputa não está apenas nas divergências ideológicas entre esquerda e direita, mas no direito das mulheres existirem politicamente dentro das instituições. “O que está em disputa é o direito das mulheres ocuparem os espaços de poder. Quando uma vereadora é interrompida, quando tentam cortar sua voz, quando tentam deslegitimar sua presença naquele lugar, não estão atacando apenas aquela mulher individualmente. Estão atacando o mandato que ela representa, a população que a elegeu e a própria democracia”, diz.</p>



<p>Cida relata que as tentativas de silenciamento acontecem mesmo em situações protegidas pelo regimento interno da Câmara. “Eu sou frequentemente uma das vereadoras mais interrompidas na Câmara do Recife. E isso acontece mesmo quando o regimento garante que uma parlamentar não pode ser interrompida na tribuna, no aparte ou em uma questão de ordem”, explica.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/cida-pedrosa-foto-Guga-Matos.jpeg" alt="A imagem mostra Cida Pedrosa, mulher de meia-idade com cabelos curtos castanhos e óculos escuros, falando ao microfone em um ambiente de conferência. Ela veste uma blusa azul-clara bordada com desenhos brancos e segura um papel enquanto sorri de forma tranquila e confiante. À sua frente há um copo de água, e o fundo está desfocado, sugerindo um espaço formal com outras pessoas presentes." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Cida Pedrosa (PCdoB) é uma das vereadoras mais atacadas. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Guga Matos/Câmara do Recife</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Segundo ela, há um padrão repetitivo de intimidação direcionado às mulheres parlamentares: “toda vez que uma mulher ocupa um espaço legítimo de fala, determinados vereadores tentam atravessar essa fala, falar mais alto, impor o dedo em riste, criar constrangimento público”.</p>



<p>As imagens das sessões confirmam a descrição. Em diversos momentos, as vereadoras tentam concluir suas falas enquanto parlamentares homens conversam alto, fazem comentários paralelos ou provocam interrupções sucessivas. Em alguns episódios, o ambiente se deteriora a ponto de a sessão precisar ser temporariamente interrompida.</p>



<p>Para Jô, “isso revela que a política brasileira ainda carrega uma estrutura muito machista que aceita mulheres desde que elas não incomodem, não enfrentem e não disputem o poder de verdade”. “É por isso que a divergência política faz parte da democracia. O problema é quando a divergência vira silenciamento e humilhação ou tentativa de deslegitimar um mandato eleito pelo povo”, comenta.</p>



<p>Apesar de existir lei para combater a violência política de gênero, Jô acredita que “a lei sozinha não pode mudar uma cultura política construída durante séculos. Para nós mulheres, além da lei, é preciso responsabilização, formação institucional e mudança de prática. Quando uma vereadora é silenciada não é só ela que perde, perde quem votou nela, o debate público e também a democracia”, sustenta.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/jo-foto-camara-recife.jpeg" alt="A imagem mostra Jô Cavalcanti, mulher negra de meia-idade, com cabelo crespo curto e óculos de armação escura, falando ao microfone em um ambiente formal, como uma sala de reuniões ou plenário. Ela veste uma blusa vermelha de gola alta e um blazer preto, transmitindo uma aparência elegante e profissional. O fundo tem paredes de madeira clara, partes de bandeiras e estruturas metálicas, sugerindo um espaço institucional. Sua expressão é atenta e firme, indicando que está discursando ou apresentando algo com convicção." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Para Jô Cavalcanti (PSOL), &#8220;a política ainda carrega uma estrutura muito machista&#8221;. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Câmara Municipal do Recife</span>
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Violência política de gênero se espalha pelas Câmaras Municipais</h2>



<p>O que acontece no Recife acompanha um processo nacional documentado por organizações de direitos humanos, institutos de pesquisa e organismos internacionais. Levantamentos recentes apontam que as câmaras municipais brasileiras se consolidaram como um dos principais espaços de violência política de gênero no país.</p>



<p>Um dos estudos mais abrangentes sobre o tema foi produzido pelo Instituto Marielle Franco. O relatório <a href="https://www.violenciapolitica.org/baixe-a-pesquisa2023"><em>Violência política de gênero e raça no Brasil</em></a> reúne relatos de mulheres parlamentares e candidatas de diferentes regiões do país e aponta que interrupções constantes, desqualificação intelectual, ameaças, constrangimentos públicos e tentativas de silenciamento passaram a integrar a rotina institucional de mulheres na política.</p>



<p>Outro levantamento, produzido pela ONU Mulheres em parceria com a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), aponta que a violência política aparece hoje como uma das principais barreiras à participação feminina nos espaços institucionais da América Latina. O estudo identifica que mulheres progressistas, feministas, negras e periféricas figuram entre os grupos mais expostos a ataques.</p>



<p>Dados do Observatório da Violência Política e Eleitoral também mostram crescimento contínuo dos registros de violência política de gênero desde as eleições municipais de 2020.</p>



<p>No Recife, as vereadoras afirmam reconhecer nas sessões da Câmara exatamente os padrões descritos pelas pesquisas nacionais. Para Kari Santos, a violência política deixou de ser excepcional e passou a operar como método de disputa institucional.</p>



<p>“Quando um vereador me interrompe no meio de uma fala, quando vira as costas e começa a conversar alto enquanto eu falo, quando entra com processo na Comissão de Ética porque eu denunciei uma violência de gênero, ele não está discordando do meu argumento. Ele está dizendo que eu não tenho direito de estar aqui”, avalia.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/kari-foto-camara-do-recife.jpeg" alt="A imagem mostra Kari Santos, mulher jovem de pele clara e cabelos loiros presos, usando óculos grandes de armação amarela. Ela veste uma camisa vermelha e um blazer preto, com um colar prateado e um pingente pequeno em formato de coração. Kari está sentada em um ambiente formal, possivelmente uma sala de reuniões ou plenário, com microfones e cadeiras de escritório ao redor. Sua expressão é séria e concentrada, sugerindo atenção ao que está sendo discutido." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Na avaliação de Kari Santos, &#8220;violência é estratégia para que mulheres desistam da política&#8221;. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Câmara Municipal do Recife</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Segundo Kari, existe uma estratégia contínua de desgaste psicológico e político direcionada às mulheres parlamentares. “Interromper é uma estratégia. Ridicularizar é uma estratégia. Processar é uma estratégia. Tudo isso serve ao mesmo objetivo: fazer com que a gente se canse, se cale, desista”, aponta.</p>



<p>Ela afirma que os ataques não se restringem aos momentos mais explícitos de confronto. Eles aparecem também nas pequenas dinâmicas cotidianas do funcionamento parlamentar. “O deboche, a caricatura da mulher como descontrolada e que faz ‘mimimi’ são instrumentos clássicos para tentar deslegitimar mulheres que ocupam o poder”, detalha.</p>



<p>Kari afirma ainda que a estrutura das casas legislativas ainda opera segundo uma lógica profundamente masculina. “A estrutura parlamentar foi construída para homens e por homens. Não existem mecanismos internos que reconheçam de fato a violência política de gênero nos regimentos ou nas comissões de ética”, critica.</p>



<p>Essa percepção aparece também nas falas de Ana Lúcia (Republicanos), partido que integra o campo conservador. Embora esteja em outro espectro ideológico, ela relata experiências semelhantes dentro da Câmara do Recife. “Quando uma parlamentar não consegue fazer uso da fala na tribuna, que é uma caixa de ressonância, e ela é interrompida, ou o barulho constante pela plateia eminentemente masculina faz com que a gente se desconcentre, isso é para nos ridicularizar”, avalia.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/ana-lucia-camara-do-recife.jpeg" alt="A imagem mostra Ana Lúcia, vereadora do Recife, uma mulher de meia-idade com cabelos loiros e lisos, usando óculos de armação dourada. Ela veste uma blusa preta e um blazer claro com detalhes escuros nas bordas, transmitindo uma aparência elegante e profissional. Ana Lúcia está falando ao microfone, em um ambiente formal, possivelmente uma sessão plenária ou reunião institucional, com bandeiras e estruturas metálicas visíveis ao fundo. Sua expressão é séria e concentrada, sugerindo que está abordando um tema importante com firmeza e serenidade." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">O que está em disputa, na visão de Ana Lúcia, é dizer &#8220;aqui não é lugar de mulher&#8221;.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Câmara do Recife</span>
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                    </figure>

	


<p>Ana Lúcia afirma que a mensagem transmitida pelos ataques é direta. “O que está em disputa é uma única frase: ‘aqui não é lugar de mulher’”, resume. Ela descreve um ambiente em que manifestações de machismo aparecem de maneira naturalizada. “A gente escuta frases como ‘mulher fala demais’, ‘já começou’, ‘é porque é mulher’. Quando pedimos respeito para falar, dizem que somos histéricas, que queremos mandar”, relata.</p>



<p>A vereadora afirma que o problema não está apenas nos episódios individuais, mas na própria composição estrutural da Câmara. “Uma casa com 37 vereadores e apenas sete mulheres já diz muito sobre o quanto precisamos avançar”, contabiliza.</p>



<p>No ano passado, foi sancionada a Lei Municipal nº 19.387/2025, de iniciativa da vereadora, que cria oficialmente a Semana Municipal de Enfrentamento à Violência Política contra as Mulheres.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Tentativas de intimidação</strong></h2>



<p>A Marco Zero analisou pelo menos 60 horas de vídeos de sessões plenárias disponíveis no canal oficial da Câmara no YouTube da Câmara. Neles, a repetição dos comportamentos chama a atenção. As interrupções quase sempre ocorrem quando mulheres ocupam a tribuna ou fazem apartes críticos. Em vários momentos, vereadores homens se levantam durante os pronunciamentos, falam simultaneamente ou provocam tumultos paralelos.</p>



<p>As imagens também registram reações corporais típicas dos episódios relatados pelas vereadoras: sorrisos irônicos, gestos de impaciência, conversas paralelas e expressões caricaturais enquanto as vereadoras discursam.</p>



<p>Para as parlamentares, essas atitudes não são casuais. “Elas fazem parte de uma tentativa de ensinar pela punição qual seria o ‘lugar adequado’ da mulher na política”, afirma Kari Santos. “Ser dócil, obediente e silenciosa.”</p>



<p>A vereadora Liana Cirne afirma que a violência política de gênero se intensifica especialmente quando mulheres desafiam estruturas históricas de poder. “Quando uma mulher progressista apresenta projetos que questionam a ordem patriarcal, quando ocupamos a tribuna, quando não baixamos a cabeça, a reação é agressiva”, comenta.</p>



<p>Segundo ela, a violência não é apenas simbólica, “está em disputa quem tem direito de falar, quem tem direito de decidir, quem tem direito de questionar as estruturas de poder.” Liana concorda que o funcionamento da política institucional ainda é moldado por valores patriarcais.</p>



<p>“Como estamos em um lugar que não foi construído para nós (mulheres), eles resistem, seja cortando microfones, ridicularizando nossa aparência ou transformando nossa firmeza em histeria”, argumenta. Liana também relaciona os ataques à incapacidade de parte dos parlamentares de conviver democraticamente com mulheres em posição de poder. “Quando eles não conseguem vencer pelo argumento, recorrem à violência simbólica.”</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/liana-camara-do-recife.jpeg" alt="A imagem mostra Liana Cirne, mulher de pele clara e cabelos curtos grisalhos, falando ao microfone em um ambiente formal, provavelmente uma sessão plenária ou reunião institucional" class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Para Liana Cirne, ataques revelam incapacidade de conviver com mulheres em posição de poder
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Câmara do Recife</span>
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                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">A Lei 14.192, a estrutura e os limites da punição</h3>



<p>A violência política de gênero passou a ser tipificada no Brasil em 2021, com a aprovação da <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14192.htm">Lei 14.192</a>. A legislação alterou o Código Eleitoral para estabelecer normas de prevenção, repressão e combate à violência contra a mulher em ambientes políticos. A lei define como violência política qualquer ação que busque constranger, humilhar, perseguir ou impedir a atuação política feminina.</p>



<p>A norma prevê punições para ameaças, assédio, constrangimento público, humilhação e tentativas de impedir o exercício do mandato. Apesar disso, os dados apontam crescimento contínuo dos casos. Mas, para todas as parlamentares ouvidas, é unânime que a lei sozinha não será capaz de mudar a realidade, pois o problema é estrutural.</p>



<p>Segundo levantamento do Observatório da Violência Política e Eleitoral, os episódios de violência política contra mulheres aumentaram significativamente desde a aprovação da lei, especialmente em ambientes legislativos municipais.</p>



<p>Especialistas apontam que uma das principais dificuldades está na aplicação prática da legislação. Muitas das agressões aparecem disfarçadas de “debate político”, “liberdade de expressão” ou “embate parlamentar”.</p>



<p>Liana Cirne afirma que esse é hoje um dos entraves para a responsabilização. “Uma das principais dificuldades é a prova da motivação de gênero. Muitas agressões aparecem disfarçadas de crítica política”, diz.</p>



<p>Ela cita a própria experiência como exemplo dos limites institucionais da legislação: “fui agredida com spray de pimenta em 2021, denunciei, pedi investigação, a Câmara aprovou requerimento de apuração. Mas, e depois? Não houve punição”.</p>



<p>Liana relata que, após o episódio, passou a sofrer ameaças de morte, de estupro e de agressão. “As consequências disso apareceram até no meu desempenho parlamentar. Eu queria que aqueles que tiveram seus segundos de fama me agredindo nas redes fossem punidos. Mas não foram”, lamenta.</p>



<p>Para ela, a ausência de responsabilização reforça a sensação de impunidade. “Mesmo quando há denúncia formal e legislação, a vontade política de implementar justiça é frágil”, acredita.</p>



<p>Ana Lúcia faz avaliação semelhante: “Enquanto tivermos legislação sem aplicabilidade, os índices continuarão crescendo.” De acordo com ela, a violência política muitas vezes é minimizada até dentro das próprias instituições.</p>



<p>“Toda vez dizem ‘agora tudo é violência política’. Não. O que for violência política precisa ser reconhecido e encaminhado”, reivindica. Ela defende que casos sejam levados às comissões de ética das casas legislativas, pois “o vereador precisa responder por isso.”</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Violência afasta mulheres da política</strong></h3>



<p>Embora as vereadoras descrevam diferenças ideológicas entre si, todas convergem em um ponto: a violência política produz efeitos concretos sobre a permanência das mulheres na política institucional. Cida afirma que os impactos vão além do ambiente parlamentar, ao dizer que “a mulher parlamentar tem o mesmo trabalho, a mesma responsabilidade e a mesma tarefa que os homens, mas muitas vezes precisa exercer seu mandato sendo acossada todos os dias. Isso adoece”.</p>



<p>Ela afirma que a violência política pode afastar mulheres da vida pública. “O maior risco é que a violência política faça as mulheres desistirem da política. E isso seria uma derrota para a democracia”, avalia.</p>



<p>Kari também relaciona os ataques à tentativa de impedir o avanço da representação feminina: “cada mulher eleita é uma fissura a mais nessa estrutura construída para nos excluir.” Para ela, o crescimento da presença feminina na política explica parte da reação observada hoje nas câmaras municipais. “Eles têm medo porque nós temos coragem de enfrentá-los”, defende.</p>



<p>“O que a gente não pode aceitar é que dentro de uma casa legislativa eles coloquem suas posturas machistas para fora e a gente silencie”, defende.</p>
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		<title>Com projetos antiaborto e sem base científica, deputados federais e vereadores do Recife ameaçam direitos das mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Nov 2025 00:42:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[aborto]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara dos Deputados]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Menos de uma semana depois de a Câmara dos Deputados aprovar Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que susta decisão do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (Conanda) sobre acesso ao aborto para vítimas de violência sexual, vereadores da Câmara do Recife aprovaram, nesta segunda-feira (10) — em votação folgada e com aceno da base [&#8230;]</p>
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<p>Menos de uma semana depois de a Câmara dos Deputados aprovar Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que susta decisão do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (Conanda) sobre acesso ao aborto para vítimas de violência sexual, vereadores da Câmara do Recife aprovaram, nesta segunda-feira (10) — em votação folgada e com aceno da base do prefeito João Campos (PSB) à direita —, Projeto de Lei que institui a <a href="https://marcozero.org/extremistas-voltam-a-ameacar-direitos-das-mulheres-mas-sofrem-nova-derrota-na-camara-do-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Semana da Síndrome Pós-Aborto</a>. </p>



<p>Para especialistas ouvidas pela <strong>Marco Zero</strong>, os dois projetos representam um retrocesso aos direitos já garantidos das mulheres, meninas e pessoas que gestam. </p>



<p>No Brasil, o aborto é garantido pelo Código Penal de 1940 em três situação: estupro, risco de morte materna e feto anecéfalo. A resolução do Conanda <a href="https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-258-de-23-de-dezembro-de-2024-605843803" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(nº 258/2024)</a> que o “PDL da Pedofilia” (como está sendo chamado pelos movimentos feministas) pretende suspender trata dos protocolos de atendimento humanizado, sigiloso e célere a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual que buscam o aborto legal em unidades de saúde. A votação seguiu para o Senado.</p>



<p>Já a Semana da Síndrome Pós-Aborto <a href="https://e-processo.recife.pe.leg.br/sapl_documentos/materia/160443_texto_integral.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(PL 104/2025)</a>, de autoria do vereador do Recife Gilson Machado Filho (PL), aprovada por 19 votos a favor e três contrários, trata de uma suposta síndrome que não tem qualquer comprovação científica nem faz parte da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID).</p>



<p>Com faixas e cartazes com frases como “criança não é mãe”, movimentos sociais e feministas do Recife protestaram também contra a Semana da Síndrome Pós-Aborto durante ato nacional contra o “PDL da Pedofilia” na Av Conde da Boa Vista, centro da capital. A mobilização contra o PDL aconteceu em pelo menos 10 cidades brasileiras nesta terça (11).</p>





<p>Na avaliação de Alice Amorim, assessora de programas do Grupo Curumim, os projetos federal e municipal são muito parecidos ao tentarem criar dificuldades de acesso ao aborto legal, principalmente para um determinado grupo: “Meninas de 10 a 14 anos são as maiores vítimas de violência sexual no Brasil, sobretudo meninas negras”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“PDL da Pedofilia” expõe meninas a mais violência</strong></h2>



<p>Se o PDL for aprovado, significa que, na prática, a vítima vai precisar registrar boletim de ocorrência e ter autorização dos pais para abortar (mesmo em caso de estupro) e o profissional de saúde poderá recusar o atendimento alegando “desconfiança” da vítima. Além disso, o sigilo e a escuta respeitosa deixam de ser garantias. </p>



<p>Em 2023, somente em Pernambuco, 793 meninas de 10 a 14 anos tornaram-se mães. “Milhares são forçadas cotidianamente à maternidade por medo, falta de informação, omissão do Estado e por projetos que negam seu direito à infância e à dignidade”, denuncia a Frente Pernambuco pela Legalização e Descriminalização do Aborto. </p>



<p>Os dados mostram que o casamento infantil e a gravidez precoce, muitas vezes em decorrência de violência, ainda são uma realidade no país: 33 mil crianças e adolescentes até 14 anos viviam em união conjugal em 2022, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo que quase 80% eram meninas.</p>



<p>“Não é possível mais de 200 mil meninas darem à luz nesse país porque não acessam o direito que elas têm ao aborto legal”, disse a educadora do SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia Natália Cordeiro durante o protesto. “Estamos aqui hoje para cobrar e pressionar tanto para que o Senado barre o PDL da Pedofilia quanto para pressionar João Campos a barrar o PL da Síndrome Pós-Aborto”, afirmou.</p>



<p>A coordenadora de Articulação Política, Relações Internacionais e Comunicação da ONG Gestos, Juliana Cesar, lembra que “a resolução do Conanda nada mais faz do que reafirmar o que já está estabelecido no ordenamento jurídico brasileiro em relação ao acesso ao aborto legal”. “Mas ele está sendo tão violado que tornou-se importante para o Conselho Nacional de Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes estabelecer uma resolução reafirmando todas essas normativas para tentar minimizar essas violações”, explica.</p>



<p>“É o mesmo tipo de iniciativa legislativa que busca equiparar o aborto após estupro a um homicídio. E a gente viu essa questão de criminalizar uma criança de 10 anos que buscava o serviço após ser violada pelo próprio tio”, compara, lembrando o caso da menina do Espírito Santo atacada em frente ao Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no Recife, em 2020.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>João Campos faz aceno à direita</strong></h3>



<p>Presente no ato nesta terça (11), a vereadora Jô Cavalcanti (Psol) chamou a atenção para o fato de a própria bancada ligada ao prefeito ter votado a favor do projeto de Gilson Machado Filho e disse que as vereadoras feministas não têm conseguido diálogo com João Campos. Para ela, o gesto foi um aceno à direita de olho nas eleições de 2026. O projeto agora tem 15 dias para chegar à mesa do Executivo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Para a vereadora Jô Cavalcanti (Psol), aprovação da base de João Campos ao PL da síndrome foi um aceno à direita de olho nas eleições de 2026. Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>“O prefeito faz propaganda de paridade de gênero, mas está prestes a aprovar a semana de uma síndrome que não existe e que, na verdade, quer constranger os profissionais de saúde, assistência social e educação no atendimento e encaminhamento das mulheres que têm o direito ao aborto previsto na lei”, critica Natália, do SOS Corpo.</p>



<p>O texto de Gilson Machado Filho havia sido aprovado em primeira discussão no dia 2 de setembro, por 16 votos a 5. Em resposta ao projeto original, as vereadoras Cida Pedrosa (PCdoB), Jô Cavalcanti (Psol), Liana Cirne (PT) e Kari Santos (PT) apresentaram uma substitutivo no dia 9 de setembro, propondo a criação da Semana Municipal de Humanização do Luto Parental. A iniciativa buscava promover o acolhimento de pessoas e famílias que vivenciam perdas gestacionais e neonatais, de forma humanizada e baseada em evidências científicas.</p>



<p>O Controle Social do Comitê Estadual de Estudos da Mortalidade Materna de Pernambuco (CEMM-PE) e o Cisam emitiram dois pareceres técnicos contrários ao PL da Síndrome. A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara deu parecer favorável ao substitutivo, reconhecendo o caráter inclusivo e de cuidado da proposta.</p>



<p>No entanto, em votação nesta segunda (10), o texto foi rejeitado por 20 votos contrários e 3 favoráveis, os mesmos três votos que se mantiveram contrários ao projeto original. Isto é, de Jô, Liana e Kari. Cida estava ausente por questões de saúde.</p>
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		<title>Câmara do Recife pode aprovar na segunda (16) projeto que cria o Dia do Nascituro </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Dec 2024 22:57:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[aborto]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Dia do Nascituro]]></category>
		<category><![CDATA[Michele Collins]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado nesta terça-feira, 10 de dezembro, a bancada da esquerda, com apoio dos movimentos feministas, se articulou para tirar da pauta do dia a segunda votação em plenário do Projeto de Lei nº 299/2022. De autoria da vereadora Michele Collins (PP), a iniciativa institui o Dia Municipal do Nascituro, [&#8230;]</p>
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<p>No Dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado nesta terça-feira, 10 de dezembro, a bancada da esquerda, com apoio dos movimentos feministas, se articulou para tirar da pauta do dia a segunda votação em plenário do Projeto de Lei nº 299/2022. De autoria da vereadora Michele Collins (PP), a iniciativa institui o Dia Municipal do Nascituro, a ser realizado anualmente no dia 8 de outubro. A parlamentar chegou atrasada à sessão, sua ausência então justificou a retirada do PL da pauta.</p>



<p>O projeto de Michele considera a vida desde o momento da concepção e defende que um embrião é considerado “sujeito de direito”. Ele foi aprovado, com folga, nesta segunda (9), em primeira votação, com um placar de 18 votos a favor, dois contra e uma abstenção. Do campo da esquerda, somente o Psol votou contra, representado por Ivan Moraes e Elaine Cristina. Do PT, Osmar Ricardo foi a favor, Liana Cirne se absteve e Jairo Brito não estava presente, assim como Cida Pedrosa, do PCdoB.</p>



<p>Michele deve colocar o projeto em votação novamente na próxima segunda (16). “Nós somos a favor da vida e contra o aborto — e acabou. A vida em primeiro lugar, desde o ventre a proteção das nossas crianças”, disse a vereadora em suas redes sociais após chegar atrasada ao plenário. Ela tem forte apoio do vereador Felipe Alecrim (Novo), que recorrentemente defende a pauta do nascituro na Casa, “em defesa da vida, da família e dos valores cristãos”.</p>



<p>Caso haja aprovação pelo legislativo municipal, o PL segue para sanção ou veto do prefeito João Campos (PSB). A estratégia da bancada de esquerda, que, após a primeira votação, agora se articulou para tentar barrar o projeto, é conversar com o PSB para que o partido vote contra na próxima semana.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/biblia-nao-pode-ser-parametro-para-discutir-aborto-numa-sociedade-laica-diz-pastora-da-igreja-batista/" class="titulo">&#8220;Bíblia não pode ser parâmetro para discutir aborto numa sociedade laica&#8221;, diz pastora da Igreja Batista</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/genero/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Gênero</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>O vereador Ivan Moraes (Psol) presidiu a sessão desta terça (10). “O próximo item, relativo ao Projeto de Lei 299/2022, como não conta com a presença de sua autora — haveria uma discussão — eu vou retirar da pauta”, decidiu. Um dos lados da galeria do plenário da Câmara Municipal ficou lotado de mulheres, com presença da Frente Pernambuco pela Legalização e Descriminalização do Aborto. Com cartazes, faixas e bandeiras, elas protestaram contra o PL de Michele Collins e comemoraram a retirada da votação da pauta.</p>



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	                                        <p class="m-0">Movimentos feministas comemoraram a retirada da segunda votação do PL do Dia do Nascituro da pauta nesta terça (10). Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>Na segunda (9), foi Ivan quem pediu a votação nominal do projeto, que definiu como “uma vergonha”. O vereador lembrou, em sua fala, que iniciativas desse tipo estão sendo protocoladas no Brasil inteiro, numa ação conjunta de bancadas fundamentalistas nas casas legislativas, num evidente movimento para tentar fortalecer os argumentos de quem é contra o aborto e constranger os profissionais dos serviços de aborto legal.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ato exige prisão de Bolsonaro sem anistia</strong></h2>



<p>À tarde, seguindo a mobilização nacional, com o mote “Sem anistia para golpistas”, movimentos sociais, centrais sindicais e políticos protestaram, no Centro do Recife, pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e para exigir o arquivamento do PL da Anistia. Os atos acontecem em meio à repercussão da quebra de sigilo do inquérito da Polícia Federal (PF) sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022.</p>



<p>As manifestações, convocadas pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, também reivindicaram a redução da jornada de trabalho pelo fim da escala 6&#215;1 e a taxação dos mais ricos, além de serem contra a PEC do Estuprador.</p>
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		<title>Polícia investiga “rachadinha” no gabinete da vereadora do Recife Elaine Cristina, do PSOL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Cavalcanti]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Nov 2024 19:01:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Pretas Juntas]]></category>
		<category><![CDATA[rachadinha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Polícia Civil de Pernambuco investiga a existência de “rachadinha” no gabinete da vereadora do Recife Elaine Cristina. O caso está no Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Draco), que apura desvios de recursos públicos. “Rachadinha” é como ficou conhecida a prática de apropriação de parte do salário de assessores por políticos. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Polícia Civil de Pernambuco investiga a existência de “rachadinha” no gabinete da vereadora do Recife Elaine Cristina. O caso está no Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Draco), que apura desvios de recursos públicos. “Rachadinha” é como ficou conhecida a prática de apropriação de parte do salário de assessores por políticos.</p>



<p>Elaine Cristina é filiada ao PSOL, exerce mandato na Casa José Mariano desde o início de 2023, recebendo salário de R$ 19 mil por mês como vereadora, além do cartão alimentação de R$ 1.785. O esquema de confisco de parte do salário de funcionários seria operado desde o ano passado pela própria parlamentar e a chefe de gabinete Girlana Diniz.</p>



<p>A reportagem teve acesso a áudios que teriam sido gravados e enviados por Elaine a então assessores, com instruções de como fazer a entrega. “Olha na tua conta salário, porque aí você vai ver onde tá. E tem que ir diretamente no banco porque o valor que você vai tirar é alto. E aí eu levo você e lhe acompanho. Mas abra aí a conta salário.”</p>



<figure class="wp-block-video"><video height="1080" style="aspect-ratio: 1080 / 1080;" width="1080" controls src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/11/elaine-1-1.mp4"></video></figure>



<p>Em conversa com uma segunda pessoa então nomeada no gabinete, a vereadora teria orientado da seguinte forma: “eu vou dar outra conta para tu transferir, que a minha não pode ser, não. Mas deixa eu dizer uma coisa a tu: transfere para a tua conta corrente do Banco do Brasil, porque aí fica mais fácil de tu fazer transferência. Girlana vai colocar.”</p>



<figure class="wp-block-video"><video height="1080" style="aspect-ratio: 1080 / 1080;" width="1080" controls src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/11/elaine-2-1.mp4"></video></figure>



<p>Ao longo da semana, a reportagem conversou com seis ex-assessores da vereadora, que confirmaram a existência da “rachadinha”. Detalharam como seria o padrão do funcionamento do esquema. Assim que a Casa José Mariano realizava o pagamento da folha de pessoal, servidores eram instados a realizar transferências ou saques em terminais eletrônicos, para serem entregues no gabinete ou na Câmara.</p>



<p>A quantia variava, a depender do cargo e da remuneração dos servidores. A reportagem confirmou valores de R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês. Apurou também que, ao longo dos quase dois anos, pelo menos, dez pessoas que passaram ou ainda estão no gabinete devolveram parte dos seus respectivos salários. Alguns assessores relataram coação.</p>



<p>A MZ também teve acesso a conversas da chefe de gabinete, por escrito e áudio, com outras duas pessoas quando estas trabalhavam para a vereadora, nomeadas em cargos comissionados. Numa delas, a chefe de gabinete arbitrou a divisão. “Olha, teu salário caiu. Teu valor é R$ 4 mil”.</p>



<p>Após a queixa da pessoa nomeada de que o valor seria menor do que o recebido quando esta era lotada na Casa via empresa terceirizada, a chefe de gabinete redefiniu a remuneração para R$ 4,3 mil. E a devolução passou a ser de R$ 3 mil por mês, conforme os comprovantes de saque de abril, maio, junho, julho e agosto deste ano, aos quais a reportagem teve acesso.</p>





<p>Neste trecho, cabe um adendo: a informação repassada pela chefe de gabinete na imagem acima não procede. Quem trabalha na Câmara do Recife via empresa terceirizada é carteira assinada, com direito a 13º salário e férias.</p>



<p>Antes de ser chefe de gabinete da vereadora Elaine Cristina, Girlana Diniz ocupou cargo em comissão na Prefeitura do Recife. Nas administrações do ex-prefeito Geraldo Julio e do atual João Campos, ambos do PSB, foi gerente da Igualdade Racial da Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Políticas sobre Drogas. Foi exonerada em 11 de maio de 2022.</p>



<h2 class="wp-block-heading">PSOL aciona Comitê de Ética, vereadora nega e Câmara aguarda</h2>



<p>Após ser procurada pela MZ, a direção do PSOL realizou reunião extraordinária para decidir qual posição tomaria, diante da informação de que a Polícia Civil investiga a existência de “rachadinha” no gabinete de uma vereadora da legenda.</p>



<p>“O Partido Socialismo e Liberdade em Pernambuco informa que irá protocolar as informações no Comitê de Ética, a fim de apurar as denúncias, com garantia do contraditório e da ampla defesa”, informou, em nota. Leia a íntegra do comunicado mais abaixo.</p>



<p>À vereadora, a reportagem solicitou uma entrevista. O posicionamento, no entanto, veio por escrito. “Recebo esses questionamentos, não com surpresa, uma vez que não é de agora que venho sofrendo ataques e violência política, numa tentativa de desqualificação da minha atuação como política e da importância da mandata conduzida por mim”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">ÍNTEGRA DO POSICIONAMENTO DA VEREADORA</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Assumi o mandato no início do ano de 2023. Como é de conhecimento, este foi marcado inicialmente por uma ruptura interna. Mesmo assim, optei por manter a equipe, inclusive os membros que não foram indicados por mim, entendendo a importância daquela composição. O grupo tinha sido escolhido por ser formado por pessoas negras, vindas da periferia, igual a mim. Muitas (os) com a oportunidade para o primeiro emprego.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, com o passar dos meses, num processo natural de avaliação, optei pela exoneração de algumas pessoas, motivadas por posturas não condizentes com o propósito da mandata e o compromisso político e profissional que a Câmara Municipal do Recife demandava.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas exonerações provocaram uma série de ataques pessoais, vindas das pessoas exoneradas que me obrigaram a tomar medidas judiciais. Contudo, tudo foi mantido em sigilo porque o meu foco era dar continuidade ao trabalho legislativo e ao fortalecimento da população do Recife. Nesse período, intensificamos um conjunto de ações legislativas com o propósito de melhorar a vida dessas pessoas, principalmente a população LGBTQIAPN+, as famílias atípicas, a cultura popular e povos de terreiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recebo esses questionamentos, não com surpresa, uma vez que não é de agora que venho sofrendo ataques e violência política, numa tentativa de desqualificação da minha atuação como política e da importância da Mandata conduzida por mim. Essa prática não só visa atingir a mim, mas a todo o conjunto das(os) profissionais, majoritariamente negras e negros que permaneceram no gabinete.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há que se questionar a quem beneficiará essas supostas denúncias? Reiteramos nosso compromisso com a verdade, a boa política e honestidade que permeiam o exercício de pleito popular de dar assento a uma mulher negra, periférica e que luta pelos Direitos Humanos.</span></p>
	</div>



<p>As “medidas judiciais” a que Elaine se refere é um processo que está em curso movido por ela contra dois ex-assessores por calúnia e difamação. Ele é público, de número 0006557-53.2024.8.17.8201. Após o envio da nota, a reportagem perguntou à vereadora &#8211; pelo WhatsApp &#8211; se ela reconhecia como sendo dela os áudios agora publicados. Não obteve resposta.</p>



<p>Procurada pela MZ, a Câmara limitou-se a responder que, “até o presente momento, não foi cientificada de qualquer denúncia envolvendo o gabinete da vereadora Elaine Cristina (PSOL)”. A Casa é presidida pelo vereador Romerinho Jatobá (PSB). Já a Polícia Civil não comenta investigações em curso.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Nota do PSOL</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Diante das denúncias envolvendo a parlamentar Elaine Cristina, o Partido Socialismo e Liberdade em Pernambuco informa que irá protocolar as informações no Comitê de Ética do partido, a fim de apurar as denúncias, com garantia do contraditório e da ampla defesa. O PSOL é conhecido por sua rigidez ética e assim continuará sendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O partido reforça seu compromisso histórico com a ética, a transparência e o respeito ao Erário Público. Nunca compactuamos com as práticas corruptas que permeiam a política brasileira.  Não aceitaremos qualquer tipo de desvio de conduta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Negritamos que nosso compromisso é com a construção de uma política transparente, responsável e, sobretudo, que esteja ao lado dos setores oprimidos da sociedade. Tomaremos todas as medidas necessárias para garantir que qualquer suspeita seja investigada de maneira justa e rigorosa.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">De projeto coletivo a fiasco eleitoral</h3>



<p>Elaine Cristina concorreu à reeleição e não conseguiu renovar o mandato. Obteve 957 votos. Um terço da votação que conquistou há quatro anos, quando disputou eleição por uma chapa coletiva, as Pretas Juntas. À época, foram 2.965 votos que garantiram a primeira suplência, atrás dos eleitos Dani Portela e Ivan Moraes.</p>



<p>Depois, com a ida de Dani para a Assembleia Legislativa, ela assumiu o mandato em janeiro do ano passado, ainda se apresentando como Pretas Juntas. O projeto foi marcado por sucessivos rachas internos e acusações de traição por meio das redes sociais.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>“Exoneraço” e gabinete fechado</strong></h3>



<p>No Diário Oficial de 15 de outubro, há uma resolução da Casa com a exoneração de sete servidores do gabinete da vereadora, após a sua não reeleição. A publicação tem efeitos financeiros retroativos a partir de 1º daquele mês. Na mesma edição do DO, outro ato nomeia novos assessores para as vagas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/11/Elaine-1.jpeg" alt="A imagem mostra a Resolução N° 421/2024 da Comissão Executiva da Câmara Municipal do Recife. Ela nomeia pessoas para cargos na estrutura de gabinete da vereadora Elaine Cristina. A tabela na imagem lista os nomes, cargos, símbolos e códigos dos nomeados. A resolução entra em vigor na data de sua publicação, com efeitos financeiros a partir de 1º de outubro de 2024, e é assinada por Romerinho Jatobá e Eriberto Rafael." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Diário Oficial do Recife</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A reportagem foi ao gabinete da Câmara de número 24 na quinta-feira (31). Encontrou a porta fechada no cadeado e notou que não há mais o nome de Elaine Cristina fixado na placa de identificação, embora o mandato só termine no final do ano.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Prestação de contas ainda pendente</h3>



<p>Dos R$ 211,5 mil que recebeu de fundo de financiamento de campanha do partido (R$ 210 mil da direção nacional e o restante da municipal), Elaine Cristina informou à Justiça Eleitoral ter gasto R$ 150,8 mil. Desse montante, há extratos bancários de despesas efetuadas disponíveis no <a href="https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/NORDESTE/PE/2045202024/170002103269/2024/25313" target="_blank" rel="noreferrer noopener">DivulgaCand</a> de apenas R$ 12 mil, até a publicação dessa reportagem.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/policia-investiga-rachadinha-no-gabinete-da-vereadora-do-recife-elaine-cristina-do-psol/">Polícia investiga “rachadinha” no gabinete da vereadora do Recife Elaine Cristina, do PSOL</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Esquerda será representada só por mulheres na Câmara Municipal do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Oct 2024 12:37:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Cida Pedrosa]]></category>
		<category><![CDATA[esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Jô Cavalcanti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Recife elegeu a maior bancada de mulheres da história da Câmara Municipal, com oito vereadoras — uma a mais que na legislatura atual. Como a partir de 2025 a Casa José Mariano perderá duas cadeiras, passando dos atuais 39 para 37 assentos, a proporção feminina cresceu percentualmente de 18% para 21%, uma representatividade historicamente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Recife elegeu a maior bancada de mulheres da história da Câmara Municipal, com oito vereadoras — uma a mais que na legislatura atual. Como a partir de 2025 a Casa José Mariano perderá duas cadeiras, passando dos atuais 39 para 37 assentos, a proporção feminina cresceu percentualmente de 18% para 21%, uma representatividade historicamente ainda muito baixa.</p>



<p>Os únicos quatro nomes da esquerda serão de mulheres: Liana Cirne (PT), Cida Pedrosa (PCdoB), Kari Santos (PT) e Jô Cavalcanti (PSOL) — esta a única negra e a única de oposição. Liana e Cida irão para o segundo mandato, enquanto Kari e Jô são estreantes na Câmara. Até 2024, <a href="https://marcozero.org/camara-do-recife-teve-apenas-21-mulheres-vereadoras-na-historia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">apenas 21 mulheres</a> ocuparam um assento como vereadoras na capital. Tanto PT quanto PSOL perderam uma cadeira nestas eleições.</p>



<p>A legislatura 2025 &#8211; 2028 terá novos nomes de homens da extrema-direita que serão um desafio para as pautas feministas: Gilson Machado Filho (PL) — o segundo parlamentar mais votado, com 16.095 votos —, Thiago Medina (PL), com 10.540 votos, e Alef Collins (PP), 7.131 votos. Clique <a href="https://marcozero.org/bancada-dos-parentes-sera-um-terco-da-camara-do-recife-em-2025/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> para saber mais sobre a nova composição da Casa.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> ouviu as quatro mulheres de esquerda eleitas para saber como estão as expectativas e o cenário que estão traçando para o exercício do mandato. Confira mais abaixo, com uma minibio de cada uma delas.</p>



<p>Nacionalmente, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre as candidaturas nas eleições de 2024, 15% foram de mulheres e 85% de homens, somando a corrida para prefeituras e casas legislativas municipais. Porém, entre os eleitos, esse índice cai, sendo apenas 13% de mulheres eleitas e 87% de homens.</p>



<p>Em entrevista coletiva realizada após as eleições de domingo (6), a presidente do TSE, a ministra Cármem Lúcia, lamentou o fato de nenhuma mulher ter sido eleita nas capitais brasileiras em primeiro turno. “Eu acho uma pena”, destacou a ministra, que completou dizendo reconhecer os esforços e o aumento da participação feminina na política.</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Quem são as oito mulheres eleitas:</span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Andreza Romero (PSB) &#8211; 15.785 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Natália de Menudo (PSB) &#8211; 15.198 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Liana Cirne (PT) &#8211; 14.810 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Cida Pedrosa (PCdoB) &#8211; 11.364 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>Flávia de Nadegi (PV) &#8211; 11.278 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>6. </span>Kari Santos (PT) &#8211; 9.321 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>7. </span>Professora Ana Lúcia (Republicanos) &#8211; 8.592 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>8. </span> Jô Cavalcanti (Psol) &#8211; 7.619 votos</p>
            </div>
            </div>



<h2 class="wp-block-heading">As quatro mulheres de esquerda</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Liana Cirne (PT)</strong></li>
</ul>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:21% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/foto-2.jpg" alt="" class="wp-image-66593 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Em seu segundo mandato, Liana disse que pretende manter a coerência com os princípios petistas e seguir com as propostas na área de combate a violência contra mulheres, valorização dos servidores públicos, em especial os profissionais da educação, cultura popular e inclusão. Com a bancada expressiva da direita e da direita radical, a expectativa dela é que a próxima legislatura seja “um período de embates muito duros”.</p>



<p>Ela teve a terceira maior votação de uma liderança de esquerda no Recife e a maior entre mulheres. Atrás apenas de Humberto nas eleições de 2000, com 27.815 votos, e de Dilson Peixoto, com 15.200 votos, em 2014.</p>
</div></div>



<p>“Teremos um duplo atravessamento, porque nós vamos ter um embate ideológico e um embate de gênero. Porque os de extrema direita que usam técnicas semelhantes ao do Nikolas Ferreira, por exemplo, bem alinhadas ao bolsonarismo e muito agressivos na retórica, são todos homens. E nós que compomos a bancada de esquerda somos mulheres e somos feministas. Então, eu acho que serão quatro anos marcados por embates muito contundentes, em que os vieses ideológicos vão ficar muito evidenciados”, avalia.</p>



<p>Liana, porém, disse que não irá se furtar: “Eu com certeza não vou fugir de nenhuma pauta ideológica. Eu tenho feito a defesa do presidente Lula e do projeto político que o presidente Lula representa e vou continuar fazendo”.</p>



<p>“Quando a gente é vereadora, temos que travar os grandes debates e não podemos fugir deles, porque os grandes debates repercutem diretamente no nosso dia a dia. Mas, ao mesmo tempo, a gente tem que ficar muito atento à realidade do povo, que é a realidade de quem sofre com a falta de um poste de luz, que estuda à noite e que, para chegar em casa à noite, sofre não só o risco de ser assaltado ou sofrer assédio ou violência sexual, mas sofre com medo de cair num buraco que não está enxergando”, exemplifica.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Liana Cirne:</span>

		<p>Liana Cirne tem 53 anos, é mestra em instituições jurídico-políticas, doutora em direito público, advogada ativista, professora de direito da UFPE, especialista em autismo e vereadora. Enquanto parlamentar, foi autora da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Frente Parlamentar da Pessoa Idosa. Apresentou mais de 2,6 mil ações legislativas (Projetos de Leis, requerimentos, reuniões e audiências públicas) e 770 emendas orçamentárias.</p>
<p>É autora da ação popular para o cumprimento do piso salarial dos professores do Recife e ação popular para o cumprimento da lei dos ar-condicionado nos ônibus. Destinou suas emendas para a construção da ciclovia da Av. Caxangá, o Camarim da Cultura Popular, cursos profissionais de formação para mulheres trans e a construção de Centro Integrado para Pessoas Autistas.</p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Cida Pedrosa (PCdoB)</strong></li>
</ul>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/foto-1.jpg" alt="" class="wp-image-66592 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Cida comemorou o crescimento das mulheres na Câmara do Recife, embora ainda haja muita subrepresentação. “Eu tenho uma boa expectativa de termos uma bancada de mulheres de esquerda. A luta pelos direitos das mulheres é absolutamente necessária e permanente e nós precisamos avançar nessa questão”, disse. </p>
</div></div>



<p>Cida também tem uma trajetória ligada ao direito à cultura na cidade e disse que irá mantê-la como prioridade na nova legislatura. Sobre pleitear comissões na Casa, antecipou ter interesse nas comissões de Direitos Humanos e de Cultura.</p>



<p>A respeito do fortalecimento da direita nestas eleições, ela comentou: “Eu sempre fiz a luta com os pés em Recife e com a cabeça na construção nacional. Porque não há como discutir política na cidade sem pensar na conjuntura nacional. Eu disse, durante toda a campanha, em todos os lugares que eu fui, que nós estávamos jogando 2024, mas, na verdade, o grande jogo posto era o de 2026, que cada prefeito progressista que a gente fizesse, cada vereador ou vereadora do campo progressista que a gente fizesse a gente estava fazendo o cordão de luta contra o fascismo e contra a direita em 2026”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Cida Pedrosa:</span>

		<p>Cida Pedrosa, 61 anos, é poeta, escritora, feminista, advogada militante dos direitos humanos e atualmente vereadora do Recife. Sua trajetória na luta pelos direitos humanos começou como advogada do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Pernambuco (Fetape). Também atuou no Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec) e foi coordenadora do Movimento Nacional de Direitos Humanos. Ganhou o Prêmio Jabuti de Livro do Ano, em 2020, o mais importante da literatura brasileira com o poema <em>Solo para Vialejo</em>. Dois anos depois, foi a primeira pernambucana premiada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte com <em>Araras Vermelhas</em>, outro livro-poema.</p>
<p>Em 2012, foi secretária de Meio Ambiente do Recife e instituiu a Política Municipal de Sustentabilidade e enfrentamento às mudanças climáticas. Em 2017, se tornou secretária da Mulher do Recife, ajudando a tirar do papel a Brigada Maria da Penha.</p>
<p>Como vereadora, preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e é vice-presidenta da Comissão de Educação, Cultura, Turismo e Esporte. Também é presidenta da Frente Parlamentar Recife Pelo Clima e seu mandato esteve na presidência da Frente Parlamentar pelo Centro do Recife.</p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Kari Santos (PT)</strong></li>
</ul>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/image-2.jpeg" alt="O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é foto-2-1.jpg" class="wp-image-66621 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>À reportagem, Kari lembrou que a ampliação do número de mulheres na Câmara do Recife não significa necessariamente um comprometimento com as pautas feministas. “É lamentável saber que a Câmara Municipal é composta por homens de sobrenome da política tradicional. A expectativa é de fazer um enfrentamento diante de novos quadros da extrema-direita que se elegeram. A gente precisa fazer uma bancada feminista de combate ao conservadorismo e de combate à extrema-direita”, avaliou.</p>
</div></div>



<p>Para ela, é motivo de orgulho ser a vereadora mais jovem já eleita pelo PT na cidade. Kari, que teve apoio do deputado João Paulo, acredita que a vitória é resultado da necessidade de renovação dos quadros políticos e de uma militância que reconhece que é tempo de mulheres e tempo de renovação.</p>



<p>Sobre a polarização com os outros dois mais jovens da Casa, Thiago Medina, de 21 anos, e Alef Collins, de 22 anos, ela lembra que já vem combatendo a extrema-direita e que esses dois nomes já vêm tentando firmar embates desde que ela colocou seu nome à disposição do processo eleitoral. Kari acredita que Medina e Alef vão seguir polarizando dentro da Câmara. “Porque são quadros que não têm nenhum projeto político voltado para a classe trabalhadora. Infelizmente a gente vai ver uma ‘bancada da lacração’ na Câmara Municipal”, acredita.</p>



<p>“Mas agora, com mandato, eu consigo ter mais força para poder fazer esse tipo de enfrentamento. Será um mandato direcionado para a defesa da classe trabalhadora, mas, para que isso também aconteça, a gente tem que frear o avanço da extrema-direita e do fascismo à moda brasileira, que nós conhecemos como bolsonarismo”, comentou.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Kari Santos:</span>

		<p>Kari Santos, 31 anos, é estudante de pedagogia e vereadora eleita mais jovem da história do PT no Recife. Nascida e criada na periferia, no bairro da Mangueira, foi militante do movimento estudantil e da juventude petista. É comunicadora popular e destacou-se nacionalmente pelo ativismo digital contra os bolsonaristas, alcançando quase 1 milhão de seguidores em todas as suas redes.</p>
<p>Teve apoio de figuras nacionais do partido, como José Dirceu, Gleisi Hoffmann e até de Marília Arraes, que nem é filiada à legenda. Fez campanha defendendo a volta do Orçamento Participativo, punição aos que tentarem impedir gestantes de acessarem o aborto legal no Recife, a criação de renda básica municipal e reajuste do auxílio-moradia.</p>
	</div>



<p><strong>Jô Cavalcanti (PSOL)</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:21% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/foto.jpeg" alt="" class="wp-image-66595 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Sou cria da periferia e conheço de perto as dificuldades que mulheres negras, trabalhadoras e mães solo enfrentam todos os dias. A luta por dignidade e direitos não é nova para mim, é minha história de vida”, anuncia Jô Cavalcanti.</p>



<p>“A partir de 2025, eu serei a única parlamentar negra. Isso contrasta e mostra que não houve avanço, muito menos para a esquerda progressista”, frisa Jô Cavalcanti logo de início, lembrando a grande bancada do PSB e o aumento da presença dos bolsonaristas. </p>
</div></div>



<p>“A gente vai ter muito desafio pela frente levando em conta que nós da esquerda defendemos a política do governo Lula e que as políticas sejam, de fato, voltadas para a população mais vulnerável. A Câmara Municipal será um instrumento que vamos usar como uma ferramenta de disputa da cidade”, complementou.</p>



<p>Ela disse que seguirá enfrentando a oposição, assim como fez quando compunha o mandato coletivo das Juntas Codeputadas na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). “Temos um projeto de sociedade e de consciência”, definiu, lembrando o apoio dos movimentos sociais e de nomes importantes da esquerda durante a campanha este ano, como <a href="https://marcozero.org/marcal-e-um-efeito-surpresa-para-nos-lembrar-de-jamais-subestimar-a-extrema-direita-afirma-erika-hilton/">Erika Hilton</a>, Guilherme Boulos, pastor Henrique Vieira e João Paulo.</p>



<p>“A gente sabe que a Casa do Povo deve fazer com que as pessoas possam ter acesso a ela e que nada seja passado para beneficiar só o grupo A ou B, mas toda a população recifense”, defende Jô, rememorando que, em 2016, o PSOL também fez apenas uma cadeira na Câmara, com Ivan Moraes, “que fez um mandato altivo e responsável”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Jô Cavalcanti:</span>

		<p>Aos 42 anos de idade, Jô Cavalcanti é mulher negra, mãe de Gabriel e cria do Morro da Conceição. Sua vida foi marcada pela luta por sobrevivência e pela busca por justiça social. Deputada estadual eleita em 2018 pela mandata coletiva das Juntas, ela foi a primeira camelô do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) a ocupar esse cargo no Brasil.</p>
<p>Tem militância no Sindicato dos Trabalhadores do Comércio Informal (Sitraci), na Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e na Frente Povo Sem Medo e se articula com o Fórum de Mulheres de Pernambuco, a Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas e outros espaços de luta.</p>
	</div>



<p></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Jogo de &#8220;ganha-ganha&#8221; na Câmara de Vereadores beneficia aliados de João Campos</title>
		<link>https://marcozero.org/jogo-de-ganha-ganha-na-camara-de-vereadores-beneficia-aliados-de-joao-campos/</link>
					<comments>https://marcozero.org/jogo-de-ganha-ganha-na-camara-de-vereadores-beneficia-aliados-de-joao-campos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jorge Cavalcanti]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 May 2024 21:20:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Andreza de Romero]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[PSB]]></category>
		<category><![CDATA[vereadores]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um jogo de &#8220;ganha-ganha&#8221; está em curso na Câmara Municipal do Recife para acomodar interesses da bancada do PSB e do prefeito João Campos. A articulação envolve o pedido de licença do mandato feito por um vereador e uma vereadora, para tirar da suplência e pôr de volta à Casa outros dois nomes filiados à [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um jogo de &#8220;ganha-ganha&#8221; está em curso na Câmara Municipal do Recife para acomodar interesses da bancada do PSB e do prefeito João Campos. A articulação envolve o pedido de licença do mandato feito por um vereador e uma vereadora, para tirar da suplência e pôr de volta à Casa outros dois nomes filiados à legenda.</p>



<p>Acontece que os parlamentares agora licenciados alegaram questão de saúde e a necessidade de tratamento, mas seguem com agenda política de encontros presenciais externos e atividades de pré-campanha. Em casos de afastamento para tratar saúde, os vereadores mantêm o salário de R$ 19 mil.</p>



<p>Os vereadores que solicitaram afastamento do mandato são Wilton Brito e Andreza Romero, o que abriu espaço para o retorno ao Legislativo de Rinaldo Júnior e Aline Mariano. O PSB é a maior força partidária na Casa, com 15 das 39 cadeiras. A movimentação é vista por quem acompanha o dia a dia do Legislativo como parte da preparação para as eleições e montagem da futura base de apoio, no cenário do prefeito ser reeleito. O PSB e João Campos apostam na possibilidade de ganhar no primeiro turno, no dia 6 de outubro.</p>



<p>Wilton Brito teve licença por 125 dias autorizada pela mesa diretora da Casa, a partir de 3 de abril. Já Andreza obteve licença de 180 dias, começando em 1º de maio. Para justificar o pedido, ambos apresentaram laudo de junta médica particular, conforme informam os atos publicados em Diário Oficial. A Câmara do Recife tem sessão legislativa duas vezes na semana, às segundas e terças-feiras. Funciona ainda no modelo híbrido, com sessões online. Caso precise, a/o parlamentar pode acompanhar a sessão remotamente e votar por meio de um aplicativo.</p>



<p>Desde que justificou a necessidade de tratamento de saúde, Wilton Brito publicou nas redes sociais visitas a apoiadores no Ibura, na Zona Sul da cidade, onde tem parte significativa da sua base eleitoral, e em Afogados, na zona oeste. Ele também marcou presença na solenidade de inauguração do Compaz Paulo Freire, na UR-01. Na ocasião, postou um vídeo em que é elogiado pelo presidente estadual da legenda, Sileno Guedes.</p>



<p>O vereador licenciado ainda esteve presente na sede da prefeitura do Recife, acompanhado de lideranças comunitárias, para uma reunião com o chefe de gabinete do ProMorar, programa de urbanização de áreas de encostas e morros. A reportagem ligou para o celular de Wilton Brito na manhã de segunda-feira (20). Um assessor atendeu, disse que ele estava numa reunião e retornaria depois. O contato, até agora, ainda não aconteceu.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Licenciada, mas na casa de tutores de <em>pets</em></h2>



<p>Bem mais ativa nas redes sociais do que o colega de partido, Andreza Romero requisitou licença por questão de saúde um mês depois de voltar à Câmara. Ela estava ocupando o cargo de secretária executiva dos Direitos dos Animais do Recife desde maio do ano passado, mas precisou deixar a função no Executivo e voltar à Câmara por conta do prazo para a desincompatibilização exigido pela lei eleitoral para quem pretende ser candidata(o).</p>



<p>Além de visitas a domicílios de tutores de cães e gatos, a vereadora licenciada divulgou também a participação em ações de rua realizadas por servidores da pasta. “Hoje estamos juntos à Prefeitura do Recife em mais uma blitz educativa com os carroceiros”, disse ela, num vídeo publicado nos <em>stories</em> do Instagram na quarta-feira (8). No dia seguinte, postou a pergunta aos seguidores: qual bairro do Recife irei visitar hoje?</p>



<p>A pasta dos Direitos dos Animais é o espaço político do grupo do deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil), de quem Andreza é esposa. Ele é aliado de João Campos e faz oposição à governadora Raquel Lyra (PSDB) na Assembleia Legislativa. Na Lei Orçamentária Anual de 2024, a secretaria tem dotação de R$ 3 milhões para “o fortalecimento das políticas para proteção animal”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Andreza responde</span>

		<p>Por meio da assessoria, ela afirmou que está em tratamento psicológico, por orientação médica. Disse ainda que o pedido de licença foi feito para assegurar a ela os efeitos das medicações prescritas. “Andreza foi mãe novamente no segundo semestre de 2023 e, desde então, buscou esse apoio à sua saúde mental. A parlamentar destaca que questionamentos só cabem a profissionais especializados. Ademais, a vereadora conta com uma rede de apoio formada por seus familiares e amigos, que lhe têm oferecido suporte e acolhimento”, finaliza a nota.</p>
	</div>



<p>Nesta segunda-feira, 20 de maio, ela esteve no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco para uma homenagem. “Recebi das mãos do meu pai, presidente do TRE-PE, a medalha do mérito Frei Caneca”, postou. Andreza se referiu ao desembargador Adalberto de Oliveira Melo.</p>



<p>Foi uma retribuição do pai à filha. Em dezembro de 2022, a vereadora garantiu que a Câmara Municipal concedesse ao pai a medalha de mérito José Mariano e o título de cidadão do Recife.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/05/ganha-ganha-Andreza_Carlos-Lima_Camara.jpeg" alt="Foto de Andreza de Romero ao lado do pai, Adalberto Melo. Ela é uma mulher branca, jovem, magra, de cabelos loiros, usando vestido azul em tom bastante vivo. Ele é um homem idoso, de cabelos brancos, mais baixo do que a filha, usando paletó e gravata pretos, e camisa branca." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Em 2022, a filha concedeu medalha ao pai desembardador. Agora, ele retribuiu à altura.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Carlos Lima/CMR</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">Autorização foi dada por colegas de partido</h3>



<p>A Comissão Executiva da Câmara é quem assina os atos que oficializaram os afastamentos por tempo determinado para tratamento de saúde, com manutenção do salário bruto de R$ 18.980,00. O colegiado é composto por sete cargos, sendo cinco deles ocupados pelo PSB. Romerinho Jatobá e Eriberto Rafael ocupam os dois mais importantes, a presidência e a 1ª secretaria, respectivamente. Hélio Guabiraba (1ºvice-presidente), Felipe Francismar (2º secretário) e Zé Neto (3º secretário) completam a lista.</p>



<p>Wilton e Andreza preferiram apresentar à mesa diretora laudo médico particular, mas poderiam, segundo o regimento interno da Casa, optar por laudo de junta médica do município ou estado. Não é possível encontrar nas redes sociais de ambos algum comunicado sobre o afastamento temporário do mandato ou o motivo de saúde que exigiu a licença para tratamento. À mesa diretora, a reportagem perguntou se é possível informar o que dizem os atestados apresentados. E aguarda resposta.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Regimento garante salário integral</h3>



<p>A Casa tem 39 cadeiras, mas está pagando hoje salário para 41 vereadores. “Para fins de remuneração, considerar-se-á como em exercício o vereador licenciado nos termos dos incisos I e II”, diz o parágrafo primeiro do artigo 13. No documento que reúne o conjunto de normas e regras do Legislativo municipal, há três razões para a licença com remuneração: doença devidamente comprovada, gravidez ou missão temporária de caráter cultural ou interesse do município.</p>



<h4 class="wp-block-heading">De líder da oposição ao PSB a defensor do prefeito</h4>



<p>Foi esse o caminho trilhado pelo vereador Rinaldo Júnior (PSB) da legislatura passada para a atual: da liderança da bancada de oposição ao ex-prefeito Geraldo Julio para um dos mais ativos defensores da atual gestão e de João Campos. Na plenária dessa segunda-feira (20), ele subiu à tribuna para dizer que visitou obras da prefeitura, na companhia do gestor. “Do lado certo, está o prefeito mais bem avaliado do Brasil”, concluiu ele.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/05/ganha-ganha-Rinaldo-Junior.jpeg" alt="Foto de Rinaldo Júnior: homem de meia idade, moreno, usando barba farta já ficando grisalha, cabelos pretos e óculos de aros retangulares. Ele está de paletó e gravata azul, sobre camisa branca, diante de um microfone." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ex-opositor de Geraldo Júlio, Rinaldo virou é defensor de João Campos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ascom/CMR</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h4 class="wp-block-heading">De aliada de Marília Arraes para a base de João</h4>



<p>Na eleição em que o atual prefeito foi eleito, em 2020, Aline Mariano disputou a reeleição para vereadora e apoiou a então candidata Marília Arraes (Solidariedade). Não conseguiu renovar o quarto mandato, nem viu a aliada vitoriosa. Dois anos depois, Aline foi uma das coordenadoras da campanha de Marília ao Governo do Estado. Ficou no quase, de novo.</p>



<p>Nos bastidores, a movimentação que possibilitou a atual volta dela à Casa fez parte das conversas que reaproximaram os primos de segundo grau Marília e João. Na sessão dessa segunda-feira (20), num aparte ao discurso do vereador Chico Kiko (PSB), ela defendeu a demissão da secretária estadual de saúde, Zilda Cavalcanti, a quem chamou de “incompetente”.</p>



<p><strong>Errata: este texto foi corrigifo às 11:29 de terça-feira, 21 de maio. O salário dos vereadores é R$ 18.980,00 brutos e não R$ 25 mil, como foi informado no texto original.</strong></p>
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		<title>Prefeitura gasta R$ 36 milhões em comunicação sem transparência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Sep 2018 21:44:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nos nove primeiros meses deste ano, mais de R$ 30 milhões foram gastos pela Prefeitura do Recife em uma ação descrita no Portal da Transparência como &#8220;Outras medidas&#8221;, dentro dos recursos de Publicidade. Sob o item &#8220;Ação não informada&#8221; a gestão Geraldo Julio (PSB) executou outros R$ 6 milhões. Audiência pública, realizada na Câmara dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Nos nove primeiros meses deste ano, mais de R$ 30 milhões foram gastos pela Prefeitura do Recife em uma ação descrita no Portal da Transparência como &#8220;Outras medidas&#8221;, dentro dos recursos de Publicidade. Sob o item &#8220;Ação não informada&#8221; a gestão Geraldo Julio (PSB) executou outros R$ 6 milhões. A<span style="color: #000000;">udiência pública, realizada na Câmara dos Vereadores do Recife, na última quarta-feira (19), perguntava &#8220;Para onde vai nosso dinheiro?&#8221; e teve o silêncio como resposta. Questionamentos&nbsp;previamente enviados pelo mandato do vereador Ivan Moraes (Psol), que convocou a audiência, sequer foram respondidos pela Prefeitura do Recife, que também não enviou representante.&nbsp;</span>O vereador e organizações da sociedade civil presentes vão subscrever uma representação ao Ministério Público de Pernambuco pela ausência, que descumpriria a Lei Orgânica do Recife.

<span style="color: #000000;">Um estudo do mandato feito pelo gabinete do vereador via Portal da Transparência identificou um aumento de sete vezes na previsão de gastos com publicidade para este ano: o&nbsp;orçamento original de R$ 10,9 milhões pulou para R$ 74,3 milhões, por meio de uma sucessão de decretos. Um crescimento da ordem de R$ 63,2 milhões. Esse número diz respeito à previsão de gastos, não necessariamente ao que já foi pago pelo Poder Público.</span>

A atual gestão já gastou em 2018 mais do que a média dos últimos anos.&nbsp;Até setembro de 2018, um total de R$ 42,2 milhões já foram executados. Na divisão desse bolo, os únicos gastos descriminados são os com campanhas publicitárias, propaganda de utilidade pública, educativa e institucional (de acordo com o Portal da Transparência, no valor de R$ 4,2 milhões) e com &#8220;Promoção e Articulação do Governo Municipal com os Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo (R$ 1,3 milhão).
<p style="color: #000000;">O levantamento do histórico de gastos executados com publicidade nos últimos anos da gestão de Geraldo Julio apresentado na audiência reforça a tendência ao gasto recorde nos últimos cinco anos.</p>


<div id="attachment_10540" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/Captura-de-Tela-2018-09-20-às-11.37.10.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10540" class="wp-image-10540 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/Captura-de-Tela-2018-09-20-às-11.37.10-1024x685.png" alt="Captura de Tela 2018-09-20 às 11.37.10" width="702" height="469"></a><p id="caption-attachment-10540" class="wp-caption-text">Fonte: Estudo realizado por mandato de Ivan Moraes (Psol)</p></div>
<p style="color: #000000;">&#8220;Nos preocupa que haja mais de R$ 40 milhões do bolso do cidadão que a gente não sabe para onde foi. Nós precisamos saber como é feito esse planejamento e acontece um aumento de mais de sete vezes.&#8221;, argumentou o vereador. Segundo Ivan Moraes, a Prefeitura descumpre a Lei Federal 12.232, que obriga todas as gestões públicas a pôr na transparência ativa todo gasto com propaganda.</p>

<blockquote>
<p style="color: #000000;">O artigo 16 da Lei citada pelo vereador, determina que &#8220;As informações sobre a execução do contrato, com os nomes dos fornecedores de serviços especializados e veículos, serão divulgadas em sítio próprio aberto para o contrato na rede mundial de computadores, garantido o livre acesso às informações por quaisquer interessados.&nbsp;Parágrafo único.&nbsp; As informações sobre valores pagos serão divulgadas pelos totais de cada tipo de serviço de fornecedores e de cada meio de divulgação&#8221;.</p>
</blockquote>
Procurada pela reportagem, a assessoria de comunicação da Prefeitura do Recife não comentou as questões levantadas pelo vereador.

Não bastasse o mistério de como foram gastos certa de R$ 36 milhões da comunicação do governo, a audiência pública foi palco de denúncias de descumprimento do Estatuto da Pessoa com Deficiência, no que diz respeito à adequação de peças de comunicação&nbsp;a normas de acessibilidade comunicacional &#8211; destinadas à população que precisa de audiodescrição, intérprete de Libras e legenda para surdos e ensurdecidos.

Para o consultor em acessibilidade comunicacional Roberto Cabral, um dos convidados para a audiência na Câmara do Recife, falta vontade política para incluir a população que necessita de tecnologias de acessibilidade comunicacional. &#8220;Somos colocados como&nbsp;subcidadãos.&nbsp;O que falta para proporcionar dignidade para pessoas que pagam tributos como todas as outras?&#8221;, questiona. Para ele, &nbsp;se a população em geral tem um déficit de informação e acesso a políticas de comunicação, as pessoas com necessidades especiais sofrem mais ainda. No Recife, de acordo com dados apresentados por Cabral, mais de 300 mil pessoas têm algum tipo de deficiência. Cerca de 28,05% precisam de acessibilidade comunicacional.
<h2><strong>De onde veio o aumento?</strong></h2>
<span style="color: #000000;">É possível encontrar no Diário Oficial a origem de parte dos recursos transferidos para o orçamento de comunicação.&nbsp;Para aumentar os recursos, a Prefeitura transferiu R$ 50 milhões&nbsp;do orçamento destinado a &#8220;crédito de obras e instalações de Urbanização de áreas de Risco, por meio dos decretos nº 31.345, de 16 de abril de 2018, e nº 31.394, de 27 de abril de 2018&#8221;. Os dados foram levantados no estudo realizado pelo gabinete do vereador psolista.</span>

<span style="color: #000000;">O aumento dos recursos destinados à publicidade em mais de sete vezes foi realizado dentro das normas legais, por meio de decreto. No entanto, a população questiona a moralidade da ação.</span>

<span style="color: #000000;">Karla da Costa, 23 anos, moradora da comunidade do Bode, na Zona Sul do Recife, foi uma das que questionou a destinação de recursos sem qualquer justificativa. Segundo ela, no dia a dia do local em que vive ouve da mesma Prefeitura que não há recursos para melhoria dos serviços na comunidade, a exemplo de creches. &#8220;</span>Eu vi uma publicidade da Prefeitura que mostra uma criança dizendo que depois que entrou no Compaz ele virou cidadão. Pra mim qualquer pessoa que nasce já é cidadão. Nossas crianças que não passam por um Compaz não são cidadãs?&#8221;, perguntou indignada.

<span style="color: #000000;">Carol Vergolino, integrante do movimento por mais mulheres na política partidA e candidata a deputada estadual da Juntas, pelo Psol, questionou possível uso dos recursos para beneficiar indiretamente a campanha a reeleição do governador Paulo Câmara (PSB), do mesmo partido e grupo do prefeito do Recife, ambos escolhidos pelo ex-governador Eduardo Campos. &#8220;Basta ver e somar dois mais dois. Esse ano a prefeitura esta fazendo propaganda para a prefeitura e para governo do estado. A gente tem que entender isso e colocar isso. Não podemos aceitar nada disso que está acontecendo. O que a gente pode fazer é se reunir e lutar para fazer barulho&#8221;, defendeu.</span>

<div id="attachment_10581" style="width: 510px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/WhatsApp-Image-2018-09-19-at-17.29.24.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10581" class="wp-image-10581" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/WhatsApp-Image-2018-09-19-at-17.29.24-300x200.jpeg" alt="" width="500" height="334"></a><p id="caption-attachment-10581" class="wp-caption-text">Rosa Sampaio, jornalista e integrante do Fopecom. Foto: Beto Figuerôa</p></div>
<h2><strong>Sem transparência e diversidade</strong></h2>
Parte dos recursos executados com Comunicação deveria ser destinado à Rádio Frei Caneca, mas não há menção ao veículo nos gastos disponibilizados pelo portal. A rádio pública, atualmente vinculada à Fundação de Cultura do Recife, precisou de mais de 50 anos para ir ao ar &#8211; uma das reivindicações históricas do movimento pela democratização da comunicação no Estado. Rosa Sampaio, jornalista e integrante do Fopecom (Fórum Pernambucano de Comunicação) lembrou que a rádio só foi ao ar a partir de pressão da sociedade civil, e que agora tem informações a conta gotas sobre como o veículo está sendo conduzido. Para ela, o modo genérico como os gastos são expostos no Portal dificultam o acesso à informação que precisaria estar clara para a população.

A jornalista defendeu que parte dos recursos utilizados de forma indiscriminada poderia fomentar a formação em comunicação nos territórios como parte de uma política pública de comunicação. Segundo ela, a gestão do PSB tem dívidas com propostas que não andaram, como o Compaz. &#8220;Os Compaz não são suficientes, mas poderiam cumprir papel de formar comunicadores comunitários, populares. <span style="color: #000000;">Estamos aguardando até hoje um plano de formação.</span>&nbsp;Isso representa a falta de pensamento da comunicação como direito humano, como vetor para integração de direitos, de educação. O vazio dessas cadeiras (referindo-se à ausência de representantes da Prefeitura do Recife na audiência pública) é um desrespeito com o povo do Recife, e não só com os movimentos sociais, mas também com quem está lá fora escutando a rádio&#8221;, criticou.&nbsp;<span style="color: #000000;">Camerino Neto, gerente da Rádio Frei Caneca, que representaria Diego Rocha, presidente da Fundação de Cultura do Recife, também não compareceu à audiência.</span>
<p style="color: #000000;">Wagner Souto, da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias em Pernambuco, que representa quase 400 veículos com outorga em Pernambuco, defendeu que parte dos recursos públicos sejam investidos também na comunicação alternativa, comunitária &#8211; além da mídia privada. &#8220;A verdade é que isso é uma caixa preta. As questões de licitação, tudo bem, mas na hora de dividir esse bolo esses recursos não chegam nas rádios comunitárias, na comunicação alternativa. E a gente sabe a farra que existe de gastar dinheiro público com mídia&#8221;.</p>
<p style="color: #000000;">De acordo com ele, na atual gestão da Abraço não há projetos ou convênios com o município do Recife, apesar de terem iniciado um diálogo. &#8220;A gente quer que haja investimento na mídia alternativa em si.&nbsp;A gente tem batalhado muito no Congresso Nacional não só sobre transparência, mas sobre mais espaço para mídia alternativa. Para manter uma rádio atualmente é muito mais difícil do que ter uma rádio sem outorga&#8221;, analisou o radialista.&nbsp;Para montar rádio comunitária é preciso investir cerca de R$ 10 mil, informou Wagner.</p>


<div id="attachment_10559" style="width: 1110px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/Captura-de-Tela-2018-09-20-às-12.53.41.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10559" class="wp-image-10559" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/Captura-de-Tela-2018-09-20-às-12.53.41-1024x309.png" alt="Captura de Tela 2018-09-20 às 12.53.41" width="1100" height="333"></a><p id="caption-attachment-10559" class="wp-caption-text">Fonte: Estudo realizado por mandato de Ivan Moraes (Psol)</p></div>
<h2><strong>Transparência questionável</strong></h2>
Outra questão levantada pelo vereador é a barreira para conhecer o destino final dos gastos com comunicação &#8211; incluindo publicidade, propaganda e campanhas educativas. Atualmente, não é possível identificar como foram aplicados os recursos nas caixinhas que aparecem no Portal da Transparência. Para os curiosos, a única forma de saber que empresa recebeu dinheiro público é identificando o CNPJ e, a partir dele, buscar todos os empenhos por parte da Prefeitura.

Para o cidadão comum, um caminho com mais obstáculos. Na prática, boa parte das pessoas desiste no processo. Assim, sequer sabemos que empresa, produtora de vídeo ou veículo de comunicação recebeu para publicar peças de comunicação pagas com dinheiro público.&nbsp;<span style="color: #000000;">&#8220;A Prefeitura do Recife se gaba de ter o melhor ou um dos melhores portais da transparência do Brasil, mas eu discordo.&nbsp;Precisamos saber como foi gasto esse dinheiro, quem são os destinatários finais desse dinheiro. Eu quero saber como foi feito, como foi gasto cada parte do dinheiro&#8221;, criticou o vereador Ivan Moraes.&nbsp;</span>
<blockquote style="color: #000000;">
<h3><strong>As perguntas sem respostas:</strong></h3>
<span style="color: #1d2129;">1. Como foi realizada a execução do montante destinado na rubrica&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">Coordenação, Supervisão e Execução das Políticas de&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">Comunicação e Relações Institucionais? Quem são os&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">destinatários finais dos recursos (agências, produtoras, veículos&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">de mídia)?</span><br style="color: #1d2129;"><br style="color: #1d2129;"><span style="color: #1d2129;">2. Dos R$ 74.140.000,00 atualmente previstos para esta rubrica,&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">quase 40 milhões já foram executados até agora. Qual é a&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">previsão de alocação do restante desses recursos até o final do&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">ano?</span><br style="color: #1d2129;"><br style="color: #1d2129;"><span style="color: #1d2129;">3. Foram liquidados R$ 27.247.861,01 sob o título &#8216;outras medidas&#8217;.&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">Que &#8216;outras medidas&#8217; são essas e qual foi o destino final desses&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">recursos?</span><br style="color: #1d2129;"><br style="color: #1d2129;"><span style="color: #1d2129;">4. Também foram liquidados R$ 5.232.487,39 sob o título &#8216;ação não&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">informada&#8217;. Que ações são essas e qual foi o destino final desses&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">recursos?</span><br style="color: #1d2129;"><br style="color: #1d2129;"><span style="color: #1d2129;">5. Por que a rubrica de Publicidade iniciou o ano com pouco mais de R$ 10 milhões e hoje ultrapassa os 70 milhões? Como a&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">prefeitura explica essa diferença entre o planejado e o&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">executado?</span><br style="color: #1d2129;"><br style="color: #1d2129;"><span style="color: #1d2129;">6. Durante o ano de 2018, quanto no total foi investido na&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">estruturação (investimento e custeio) da rádio frei caneca FM?</span></blockquote>
Em reposta à críticas de opositores, Moraes reafirmou que não defende que acabe o dinheiro para comunicação &#8220;mas queremos que tenha dinheiro pra política pública de comunicação, a gente não quer que seja gasto só com propaganda do prefeito&#8221;, disparou.
<dl id="attachment_10589" class="wp-caption alignleft" style="width: 510px;">
 	<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/WhatsApp-Image-2018-09-19-at-17.29.23-2.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-10589" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/WhatsApp-Image-2018-09-19-at-17.29.23-2-300x200.jpeg" alt="" width="500" height="334"></a></dt>
 	<dd class="wp-caption-dd">Audiência Pública convocado pelo vereador Ivan Moraes (Psol) denuncia gastos com R$ 36 milhões em publicidade sem justificava. Foto: Beto Figuerôa</dd>
</dl>
<h2><strong>Nova audiência&nbsp;</strong></h2>
Com duas horas de atraso, um ofício da Prefeitura do Recife com data do mesmo dia da audiência chegou à Câmara. O documento informava a ausência do secretário <span style="color: #545454;">de Governo e Participação Social</span>&nbsp;Sileno Guedes, assim como a justificativa para a ausência da diretora Executiva, de licença médica, e propunha o adiamento da audiência pública para o dia 9 de outubro, dois dias após o primeiro turno das eleições.

<span style="color: #000000;">Para a realização de uma audiência é preciso aprovação pelo coletivo de vereadores e no mínimo 15 dias de antecedência. Para Ivan, não há justificativa plausível para a falta de respostas e a ausência que, segundo ele,&nbsp;fere a Lei Orgânica da Cidade do Recife, &#8220;que obrigada a prefeitura a comparecer quando convocada&#8221;, disse.&nbsp;</span>&#8220;A Prefeitura não pauta essa casa. Quando um secretário falta duas reuniões o nome disso é improbidade administrativa. E a gente vai cobrar”, garantiu o vereador, engrossando o tom.

Ainda assim, foi acatado pelas organizações e movimentos presentes a realização de nova audiência no dia sugerido pelo secretário, na ofício encaminhado com duas horas de atraso.

O vereador Ivan Moraes vai encaminhar um requerimento para que todas as peças de publicidade da Prefeitura cumpram as normas de acessibilidade comunicacional, outro tema que foi debatido na audiência.<p>O post <a href="https://marcozero.org/prefeitura-gasta-r-36-milhoes-em-comunicacao-sem-transparencia/">Prefeitura gasta R$ 36 milhões em comunicação sem transparência</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Câmara rejeita projeto que daria mais trasparência a gastos com publicidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Sep 2017 15:45:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Câmara do Recife rejeitou na tarde desta segunda-feira, por 17 votos a 11, o projeto de lei de autoria do vereador Ivan Moraes (PSOL) que tornaria obrigatória a divulgação detalhada dos gastos com publicidade pela Prefeitura do Recife. Pelo projeto, todas as peças de propaganda da PCR, seja em áudio, vídeo ou impressas, passariam [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[A Câmara do Recife rejeitou na tarde desta segunda-feira, por 17 votos a 11, o projeto de lei de autoria do vereador Ivan Moraes (PSOL) que tornaria obrigatória a divulgação detalhada dos gastos com publicidade pela Prefeitura do Recife.
<div id="id_59be8b037b7fe3c61020128" class="text_exposed_root text_exposed">

Pelo projeto, todas as peças de propaganda da PCR, seja em áudio, vídeo ou impressas, passariam a trazer o valor pago pelo Executivo Municip<span class="text_exposed_hide">&#8230;</span><span class="text_exposed_show">al e o número de inserções ou veiculações programadas.</span>
<div class="text_exposed_show">

O projeto de lei 21/2017 também determinava a divulgação mensal, no site da Prefeitura, da finalidade de cada ação publicitária; o valor pago pelos serviços prestados; as empresas beneficiadas por cada pagamento; o número de empenho e a ordem de pagamento vinculados a cada serviço; bem como os recursos ainda disponíveis para o financiamento das ações programadas e ainda não executadas.

Atualmente, os recifense só têm acesso, via Portal da Transparência, aos valores repassados pela Prefeitura às agências licitadas ou contratadas, sem qualquer detalhamento sobre o quanto foi pago a cada veículo de comunicação ou o orçamento específico de cada campanha.

<iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/MoHhKgQ2g20" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe>

Antes da votação, a líder do governo Aline Mariano (PMDB) orientou a bancada de apoio à gestão do prefeito Geraldo Julio (PSB) a votar contra o projeto. Apesar da orientação, quatro governistas se posicionaram favoravelmente à proposta do vereador do PSOL, que contou ainda com seis votos da oposição e um independente, totalizando 11 dos 15 necessários, considerando a presença de 28 parlamentares no plenário.

Veja como votaram os vereadores.

A favor do projeto:

ALCIDES TEIXEIRA NETO (PRTB)
ALMIR FERNANDO (PC doB)
ANA LÚCIA (PRB)
ANDRÉ REGIS (PSDB)
IVAN MORAES (PSOL)
JAIRO BRITO (PT)
MARÍLIA ARRAES (PT)
RENATO ANTUNES (PSC)
RINALDO JÚNIOR (PRB)
RODRIGO COUTINHO (SD)
ROMERO ALBUQUERQUE (PP)

Contra o projeto:

ADERALDO PINTO (PSB)
AERTO LUNA (PRP)
AIMEÉ CARVALHO ( PSB)
ALINE MARIANO (PMDB)
AUGUSTO CARRERAS (PSB)
BENJAMIM DA SAÚDE (PEN)
CHICO KIKO (PP)
DAVI MUNIZ (PEN)
ERIBERTO RAFAEL (PTC)
FELIPE FRANCISMAR (PSB)
HÉLIO GUABIRABA (PRTB)
JÚNIOR BOCÃO (PSDB)
MARCOS DE BRIA (PSDC)
NATÁLIA DE MENUDO (PSB)
RICARDO CRUZ (PPS)
ROGÉRIO DE LUCCA (PSL)
WANDERSON FLORÊNCIO (PSC)

Ausentes:

AMARO CIPRIANO &#8211; MAGUARI (PSB)
ANTÔNIO LUIZ NETO (PTB)
CARLOS GUEIROS (PSB)
EDUARDO CHERA (PDT)
EDUARDO MARQUES (PSB)
FRED FERREIRA (PSC)
GILBERTO ALVES (PSD)
JAYME ASFORA (PMDB)
MARCO AURÉLIO (PRTB)
MICHELE COLLINS (PP)
ROMERINHO JATOBÁ (PROS)

</div>
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		<title>Falta de quorum adia votação de projeto que aumenta transparência na Prefeitura do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Aug 2017 23:19:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[gastos com publicidade]]></category>
		<category><![CDATA[publicidade Prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[vereador Ivan Moraes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os vereadores da base de apoio ao prefeito Geraldo Julio (PSB) na Câmara do Recife não deram quorum para colocar em votação nesta terça-feira (5) o projeto de lei de autoria do vereador Ivan Moraes (PSOL) que torna obrigatória a divulgação detalhada dos gastos com publicidade pela Prefeitura do Recife. Pelo projeto de lei 21/2017, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="color: #1d2129;">Os vereadores da base de apoio ao prefeito Geraldo Julio (PSB) na Câmara do Recife não deram quorum para colocar em votação nesta terça-feira (5) o projeto de lei de autoria do vereador Ivan Moraes (PSOL) que torna obrigatória a divulgação detalhada dos gastos com publicidade pela Prefeitura do Recife.</p>
<p style="color: #1d2129;">Pelo projeto de lei 21/2017, todas as peças de propaganda da PCR, seja em áudio, vídeo ou impressas, deverão trazer de forma clara o seu custo específico e o número de inserções ou veiculações programadas.</p>
<p style="color: #1d2129;">Embora o painel mostrasse a presença de 26 parlamentares durante a sessão, apenas 12 deles permaneceram no plenário na hora da votação, inviabilizando o quorum necessário de metade mais um do total de 39 vereadores. Geraldo Julio conta com o apoio de 32 destes.</p>
<p style="color: #1d2129;">Três vereadores da oposição &#8211; Marília Arraes (PT), Jairo Brito (PT), Ana Lúcia (PRB) &#8211; e o independente André Régis (PSDB) não compareceram. O projeto deve voltar nos próximos dias para a apreciação do plenário.</p>
<p style="color: #1d2129;">O vereador Rinaldo Júnior (PRB) foi à tribuna fazer um apelo para que o prefeito mobilize a bancada que dá apoio à sua gestão para votar em favor do projeto, considerando a proposta fundamental para aumentar a transparência na utilização dos recursos públicos da cidade.</p>
<p style="color: #1d2129;">Foi rebatido pela líder do governo, Aline Mariano (PMDB), que disse que os vereadores têm independência para votar sem seguir a orientação do Executivo Municipal, negando qualquer manobra de esvaziamento. Ela defendeu a política de transparência da Prefeitura do Recife, alegando que o Portal da Transparência da PCR é considerado um dos melhores do Brasil.</p>
<p style="color: #1d2129;">O vereador Jayme Asfora (PMDB) aproveitou a oportunidade para antecipar seu voto favorável ao projeto. &#8220;Já era muito bom e ficou melhor com os ajustes feitos pela Comissão de Legislação e Justiça. Quero ser transparente e dizer aqui que meu voto será a favor do projeto&#8221;.</p>
<p style="color: #1d2129;">Atualmente, a população recifense só tem acesso a informações sobre os valores gerais dos gastos com publicidade. No Portal da Transparência são divulgados apenas os recursos transferidos a cada uma das agências de publicidade licitadas ou contratadas pela Prefeitura, sem qualquer detalhamento.</p>
<p style="color: #1d2129;">No ano passado, segundo documento de justificativa de encaminhamento do projeto feita pelo vereador Ivan Moraes, o Poder Municipal gastou 15,6 milhões em propaganda.</p>
<p style="color: #1d2129;">Se aprovado, o projeto de lei afetará todos os serviços de publicidade e propaganda, licitados ou contratados, por meio de agências de propaganda ou de forma direta, pela Prefeitura do Recife e a própria Câmara de Vereadores, incluindo todos os órgãos da administração direta ou indireta e todas as entidades controladas direta ou indiretamente pelo Poder Público Municipal.</p>
<p style="color: #1d2129;">O projeto atinge toda a propaganda da Prefeitura que tenha o objetivo de dar publicidade a atos, programas, obras, serviços e campanhas.</p>
<p style="color: #1d2129;">No caso de propagandas em áudio para as rádios “a informação será veiculada imediatamente após o término da mensagem publicitária e terá locução diferenciada, clara e perfeitamente audível”. Os custos da publicidade em painéis, cartazes, jornais, revistas ou qualquer outra forma de mídia impressa devem estar escritos de forma clara e legível.</p>
<p style="color: #1d2129;"><strong>Dados abertos sobre execução dos contratos</strong></p>
<p style="color: #1d2129;">O projeto de lei reitera determinação do artigo 16 da lei federal 12.232/2010, segundo a qual as informações sobre a execução dos contratos de publicidade e propaganda deverão ser divulgadas em seção específica do site institucional da instituição pública. O que não acontece no site oficial da Prefeitura do Recife.</p>
<p style="color: #1d2129;">O PL 21/2017 prevê a divulgação mensal por parte da PCR da finalidade de cada ação publicitária, o valor pago pelos serviços prestados, as empresas beneficiadas por cada pagamento, o número de empenho e a ordem de pagamento vinculados a cada serviço, bem como os recursos ainda disponíveis para o financiamento das ações programadas e ainda não executadas.</p><p>O post <a href="https://marcozero.org/governistas-nao-dao-quorum-para-votacao-de-projeto-que-aumenta-transparencia-nos-gastos-de-publicidade-da-prefeitura-do-recife/">Falta de quorum adia votação de projeto que aumenta transparência na Prefeitura do Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Prefeitura bloqueia debate de projetos na Câmara Municipal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jun 2017 18:54:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[projetos de lei]]></category>
		<category><![CDATA[rolo compressor na Câmara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Às vésperas do recesso de meio de ano, a Prefeitura do Recife encaminhou à Câmara Municipal 30 projetos de lei, sendo que 13 deles em regime de urgência. Na prática, isso significa que os vereadores terão um prazo curtíssimo para avaliar e votar as propostas antes do recesso. O debate com a sociedade, que já [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/prefeitura-bloqueia-debate-na-camara-com-projetos-em-regime-de-urgencia-na-vespera-do-recesso/">Prefeitura bloqueia debate de projetos na Câmara Municipal</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[Às vésperas do recesso de meio de ano, a Prefeitura do Recife encaminhou à Câmara Municipal 30 projetos de lei, sendo que 13 deles em regime de urgência. Na prática, isso significa que os vereadores terão um prazo curtíssimo para avaliar e votar as propostas antes do recesso. O debate com a sociedade, que já é restrito na Casa José Mariano, não vai ter vez.

O processo normal de tramitação de um projeto na Câmara do Recife é de 30 dias úteis. Com o regime de urgência esse prazo cai praticamente em dois terços: para apenas 11 dias. Cinco dias úteis para a apresentação de emendas e pedidos de informação e seis dias para discutir as emendas, preparar pareceres e levá-los à votação.

Entre os projetos enviados pelo Executivo está o <a href="http://sapl.recife.pe.leg.br/consultas/materia/materia_mostrar_proc?cod_materia=68662">PLE 11/2017</a>. Ele prorroga por 24 meses, a contar do dia 1<sup>o</sup> de janeiro de 2017, o prazo para a concessão de licença de construção para os projetos já aprovados no Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU).

Na sua <a href="https://www.facebook.com/centropopulardedireitoshumanos/">página no facebook</a>, o Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), formado por profissionais do Direito que exercem a advocacia popular, postou que o PLE 11/2017 vai beneficiar o setor imobiliário. “No meio de vários projetos de lei que trazem novas regras que favorecem a construção civil, um ameaça diretamente o Estelita e várias outras áreas da cidade, abrindo uma porta para a especulação imobiliária”. O Projeto Novo Recife previsto para o Casi José Estelita foi aprovado pelo CDU em dezembro de 2015.

“Várias ilegalidades, inconstitucionalidades e irregularidades foram encontradas em todas as etapas de aprovação do Novo Recife, mesmo assim a Prefeitura de Geraldo Julio não desiste dele”, afirma a postagem do CPDH.

Dos 17 projetos que teriam tramitação ordinária, cumprindo os prazos mais longos de análise na Câmara, sete tiveram “dispensa de prazo”, a pedido da Prefeitura e com o apoio de sua base parlamentar. Isso significa que eles vão direto para a apreciação nas comissões e os vereadores não podem apresentar emendas aos textos. Ou seja, ou os projetos são aprovados na íntegra, como o Executivo enviou, ou são reprovados. Detalhe: a bancada de apoio ao governo municipal soma 33 parlamentares contra apenas seis da oposição.

Em <a href="https://medium.com/@vereadorivanmoraes/rolo-compressor-prefeitura-despreza-processo-legislativo-da-câmara-municipal-2299799f641d">texto publicado</a> na plataforma Medium o vereador Ivan Moraes (PSOL) criticou a falta de transparência da relação do prefeito Geraldo Julio com o Poder Legislativo Municipal e classificou de “rolo compressor” o envio dos projetos em regime de urgência na véspera do recesso parlamentar.

“Preocupa-nos a forma como estamos legislando no Recife. A gente ainda nem teve tempo de olhar todos os Projetos. Não podemos nem afirmar se a urgência é necessária ou não. O que percebemos é que o processo democrático na Casa José Mariano, no que concerne à análise de projetos de lei encaminhados pela gestão do prefeito Geraldo Julio (PSB), anda comprometido”.

Segundo o vereador, até o envio destes 30 projetos na última segunda-feira, o prefeito havia encaminhado à apreciação da Câmara apenas outros três projetos em mais de seis meses de sua segunda gestão.
<blockquote><strong>Veja a lista completa dos projetos enviados pelo Executivo Municipal à Câmara do Recife:</strong>

1. PLE 04/2017 — REGIME URGÊNCIA (19/06/2017)

DISPÕE SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SERVIDORES PERTENCENTES AO QUADRO PERMANENTE DO GRUPO OCUPACIONAL MAGISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA MUNICIPAL.

2. PLE 05/2017 — REGIME URGÊNCIA (19/06/2017)

ESTABELECE NOVAS REGRAS QUANTO A OBRIGATORIEDADE DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES EM EDIFÍCIOS HABITACIONAIS E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

3. PLE 06/2017 — REGIME URGÊNCIA (19/06/2017)

DISCIPLINA A ATIVIDADE DE COMERCIALIZAÇÃO DE ALIMENTOS EM VEÍCULOS AUTOMOTORES DE MÉDIO PORTE E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

4. PLE 07/2017 — REGIME URGÊNCIA (19/06/2017)

ALTERA O TEXTO DA LEI N.º 18.207, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2015 E DA A LEI N.º 15.563, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1991, QUE DISPÕE SOBRE O PLANO DE INCENTIVOS A PROJETOS HABITACIONAIS POPULARES DE INTERESSE SOCIAL, VINCULADO AO PROGRAMA FEDERAL “MINHA CASA, MINHA VIDA”.

5. PLE 08/2017 — REGIME URGÊNCIA (19/06/2017)

AUTORIZA O MUNICÍPIO DO RECIFE A DOAR COM ENCARGO À AUTARQUIA DE URBANIZAÇÃO DO RECIFE — URB RECIFE.

6. PLE 09/2017 — REGIME URGÊNCIA (19/06/2017)

AUTORIZA A ABERTURA DE CRÉDITO ESPECIAL AO ORÇAMENTO DE 2017, ALTERA AS LEIS MUNICIPAIS 18.281, DE 19 DE NOVEMBRO DE 2016(LOA), 18.882, DE 19 DE NOVEMBRO DE 2016 PPA EEVISADO), 18237, DE 17 DE JUNHO DE 2016(LDO) E INCLUI OS NOVOS PROGRAMAS E AÇÕES AO PLANO PLURIANUAL REVISADO (LEI 18882, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2016), CRIA E MODIFICA UNIDADES ORÇAMENTÁRIAS, NOS TERMOS QUE ESPECIFICA.

7. PLE 10/2017 — REGIME URGÊNCIA (19/06/2017)

ALTERA AS NORMAS RELATIVAS AO CONSELHO MUNICIPAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL DO MUNICÍPIO DO RECIFE — COMSEA/RECIFE E REVOGA A LEI Nº 17.019/2004.

8. PLE 11/2017 — REGIME URGÊNCIA (19/06/2017)

DISPÕE SOBRE A PRORROGAÇÃO EXTRAORDINÁRIA DOS PRAZOS RELATIVOS À APROVAÇÃO DE PROJETOS DE CONSTRUÇÃO, ALVARÁS DE CONSTRUÇÃO E LICENÇAS AMBIENTAIS.

9. PLE 12/2017 — REGIME URGÊNCIA (19/06/2017)

ESTABELECE PROCEDIMENTOS PARA APROVAÇÃO DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS INICIAIS, DE REFORMA, LEGALIZAÇÃO OU DE ALTERAÇÃO DURANTE A OBRA E PARA A EMISSÃO DE HABITE-SE E ACEITE-SE, NO MBITO DO MUNICÍPIO DO RECIFE.

10. PLE 13/2017 — REGIME URGÊNCIA (19/06/2017)

DISPÕE SOBRE O PROCEDIMENTO DESTINADO À FISCALIZAÇÃO E AO EXERCÍCIO DO PODER DE POLÍCIA E DEFINE AS INFRAÇÕES E SANÇÕES A SEREM IMPOSTAS ´PARA O FIEL CUMPRIMENTO DAS NORMAS URBANÍSTICA MUNICIPAIS E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

11. PLE 14/2017 — REGIME URGENCIA (19/06/2017)

INTRODUZ ALTERAÇÃO NA LEI MUNICIPAL N° 17.142–2005, QUE TRATA DO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL DO MUNICÍPIO DO RECIFE.

12. PLE 17/2017 — REGIME URGENCIA (19/06/2017)*

DISPÕE SOBRE O CONSELHO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL — CMAS, REVOGA AS LEIS MUNICIPAIS Nº 17.538/2009 E Nº 17.892/2013, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

13. PLE 18/2017 — REGIME URGENCIA (19/06/2017)*

ALTERA A REDAÇÃO DO §3º DO ART. 5º DA LEI MUNICIPAL Nº 16.934, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003, QUE DISPÕE SOBRE AS CONSIGNAÇÕES EM FOLHA DE PAGAMENTO DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA DA PREFEITURA DO RECIFE.

14. PLE 15/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

DISPÕE SOBRE A DEFESA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA DE QUE RESULTE A APLICAÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA LAVRADOS PELOS ÓRGÃOS E ENTIDADES MUNICIPAIS.

15. PLE 16/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

DISPÕE SOBRE A DENOMINAÇÃO DA CRECHE ESCOLA QUE FUNCIONARÁ NA AVENIDA PRESIDENTE MÉDICI, S/N, BARRO, RECIFE — PE.

16. PLE 19/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

ALTERA A LEI N.º 18.116, DE 12 DE JANEIRO DE 2015, QUE DISPÕE SOBRE A INSTALAÇÃO DE PASSAGENS AÉREAS SOBRE LOGRADOURO PÚBLICO.

17. PLE 20/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

CONCEDE REMISSÃO E ISENÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE PREDIAL E TERRITORIAL URBANA (IPTU) E TAXAS IMOBILIÁRIAS AO IMÓVEL UTILIZADO COMO “ESPAÇO CULTURAL DA MOEDA”.

18. PLE 21/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

ALTERA DISPOSITIVOS DA LEI N.º 15.563, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1991.

19. PLE 22/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

ALTERA DISPOSITIVOS DA LEI N.º 15.563, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1991.

20. PLE 23/3017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

ALTERA O TEXTO DA LEI N.º 17.244, DE 27 DE JULHO DE 2006, QUE INSTITUI O PROGRAMA DE INCENTIVO AO PORTO DIGITAL.

21. PLE 24/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

DISPÕE A LICENÇA PATERNIDADE NO MBITO DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA,

AUTÁRQUICA E FUNDACIONAL DO MUNICÍPIO DO RECIFE.

22. PLE 25/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

AUTORIZA O MUNICÍPIO A ASSOCIAR-SE À UNIÃO DOS DIRIGENTES MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO DE PERNAMBUCO.

23. PLE 26/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

DISPÕE SOBRE A OBRIGATORIEDADE, POR PARTE DOS HOSPITAIS PÚBLICOS E PRIVADOS, DO REGISTRO E DA COMUNICAÇÃO DE RECÉM-NASCIDOS COM SÍNDROME DE DOWN ÀS INSTITUIÇÕES, ENTIDADES E ASSOCIAÇÕES ESPECIALIZADAS QUE DESENVOLVEM ATIVIDADES EM BENEFÍCIO DE PESSOAS COM ESSA CONDIÇÃO NO MUNICÍPIO DO RECIFE.

24. PLE 27/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

DISPÕE SOBRE O HORÁRIO ESPECIAL DE TRABALHO PARA SERVIDORES COM DEFICIÊNCIA OU QUE TENHAM DEPENDENTES NA MESMA SITUAÇÃO, NO MBITO DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA, AUTÁRQUICA E FUNDACIONAL DO MUNICÍPIO DO RECIFE.

25. PLE 28/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

ACRESCENTA INCISOS AOS ARTS. 2º E 3º DA LEI N. 17.869, DE 15 DE MAIO DE 2013, QUE DISPÕE SOBRE A REESTRUTURAÇÃO DAS COMISSÕES DE LICITAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA MUNICIPAL.

26. PLE 29/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

DISPÕE SOBRE A TRANSAÇÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA, DA ADJUDICAÇÃO DE BENS MÓVEIS E IMÓVEIS, DA COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS INSCRITOS EM PRECATÓRIOS E DAS REQUISIÇÕES DE PEQUENO VALOR NO MBITO DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA, DAS AUTARQUIAS E DAS FUNDAÇÕES NO MUNICÍPIO DO RECIFE E ALTERA O ART. 1º DA LEI Nº 17.973, DE 10 DE JANEIRO DE 2014.

27. PLE 30/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

ALTERA O TEXTO DA LEI N.º 17.944, DE 09 DE DEZEMBRO DE 2013, QUE AUTORIZA O PODER EXECUTIVO A CONCEDER ISENÇÃO DO IMPOSTO PREDIAL E TERRITORIAL URBANO — IPTU E DA TAXA DE LIMPEZA PÚBLICA — TLP INCIDENTES SOBRE IMÓVEIS EDIFICADOS INTERDITADOS ADMINISTRATIVAMENTE POR RISCO DE DESABAMENTO.

28. PLE 31/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

DISPÕE SOBRE AS NORMAS QUE REGULAM A ANUÊNCIA E A FISCALIZAÇÃO DA EXECUÇÃO DE OBRAS QUE INTERFIRAM NO PAVIMENTO DOS LOGRADOUROS PÚBLICOS E DAS OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO DAS VIAS PÚBLICAS, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

29. PLE 32/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

DISPÕE SOBRE AS CONDIÇÕES DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NA ZONA ESPECIAL DO AEROPORTO — ZEA E REVOGA A LEI MUNICIPAL Nº 16.414/98.

30. PLE 33/2017 — REGIME NORMAL (26/06/2017)

DISPÕE SOBRE A DENOMINAÇÃO DA CRECHE-ESCOLA LOCALIZADA NA AVENIDA 12 DE JUNHO, S/N, COHAB, IBURA, RECIFE-PE.</blockquote>
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